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AliNovel > Da morte ao destino:A reencarnação de um ex militar [Português] > O PRIMEIRO DIA DE AULA

O PRIMEIRO DIA DE AULA

    O tempo passou, e agora eu tinha sete anos. Infelizmente, isso significava que precisava frequentar a escola. Desde o momento em que meus pais mencionaram isso, tentei inventar todas as desculpas possíveis para n?o ir, mas n?o adiantou. Aparentemente, era uma obriga??o — crian?as que n?o estudam acabam se tornando analfabetas, e saber ler neste mundo é como ter um diploma do ensino médio no meu mundo anterior.


    O engra?ado é que eu já sabia ler. Aprendi sozinho, observando os livros da casa e as anota??es no caderno da Sara. Quando meus pais descobriram, ficaram convencidos de que eu era um gênio. E, bem, pensando bem, uma crian?a que aprende a ler aos cinco anos sozinha provavelmente seria considerada um gênio em qualquer lugar. Como recompensa, meu pai me comprou um livro de magia, algo extremamente caro.


    Na minha vida passada, só de olhar para um livro, eu já sentia tédio. Mas, por algum motivo, aqui, eu os achava interessantes. Talvez fosse a curiosidade de crian?a ou simplesmente a necessidade de entender melhor esse mundo.


    A Caminho da Escola


    Meus pais estavam ocupados na loja e n?o puderam me acompanhar, ent?o fui com a Sara. No caminho, ela olhou para mim e disse com um sorriso confiante:


    — Vou cuidar de você. Se alguém mexer com você, é só me chamar.


    Eu bufei.


    — Se alguém mexer comigo, eu parto pra briga.


    — N?o! Lá tem meninos mais velhos. Rapazes adoram brigar, e você é muito baixinho.


    — Bah, isso n?o é problema. Eu sei me defender.


    — Ent?o tá bom… Mas evita confus?o, ok?


    — Tá, tá. Fica tranquila. Vou ficar de boa.


    Olhando para ela, me lembrei do tempo da escola na minha vida passada. Eu era um verdadeiro rufia, sempre entrando em brigas. Mas, desta vez, as coisas seriam diferentes... Ou pelo menos era o que eu pensava.


    A Escola


    Ao chegar, me deparei com um prédio bem organizado e limpo — o que me surpreendeu, já que era uma escola pública. Tinha muros altos, grandes janelas e um pátio espa?oso com algumas árvores.


    — Até que é bonita para uma escola de plebeus — comentei. — Tem nobres estudando aqui?


    — Sim, alguns nobres de classe média estudam aqui — explicou Sara. — Essa escola é administrada pelo governo, ent?o mantém um bom nível. Mas existe uma outra escola exclusiva para os nobres da classe alta.


    — Hmph… Que interessante.


    Eu podia sentir os olhares dos alunos ao redor. Alguns curiosos, outros indiferentes. Mas, no fundo, eu sabia que nobres sempre se achavam superiores. "Um dia, eu vou me vingar desses bastardos", pensei.


    Assim que entrei, fui direto para minha sala e me sentei. Olhei ao redor e vi meus novos colegas — alguns humanos e outros homens-fera.


    ---


    Meses Depois…


    Os dias se passaram, e, para minha surpresa, eu me saía bem em matemática e leitura. Mas quando se tratava de história e geografia… bom, nem preciso dizer. Nunca fui bom em estudar.


    A escola também oferecia aulas de magia e espadas. Muitos plebeus desistiam dessas aulas porque os nobres, que nasciam com alto nível de mana, dominavam as duas áreas com facilidade. No final, restaram apenas eu e outra plebeia, Laine.


    Laine era uma garota humana, dois anos mais velha que eu. Apesar de ser uma plebeia, tinha um bom nível de mana e, por isso, foi recomendada para as aulas de magia.


    No primeiro dia de treino, ela se aproximou de mim de forma hesitante, segurando o próprio bra?o.


    — Você é o novo aluno…? — perguntou baixinho.


    — Sim, sou.


    Ela abaixou um pouco a cabe?a, parecendo envergonhada.


    — Eu sou Laine. Sei que você é irm?o da Sara… Ela fala bastante sobre você.


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    — Hmm… Ent?o ela fala de mim, é?


    — Sim… — Ela sorriu timidamente.


    Ela parecia uma garota tranquila e um pouco tímida. Diferente de mim.


    — Por que decidiu aprender magia? — perguntou, curiosa.


    — Na verdade, estou aqui pela espada.


    Ela piscou algumas vezes, surpresa.


    — Você gosta de espadas?


    — Você faz muitas perguntas.


    — Ah! D-Desculpa…


    Antes que pudéssemos continuar, uma voz arrogante interrompeu nossa conversa.


    — Ei! Vocês dois, plebeus! Vocês est?o fazendo barulho demais.


    Olhei na dire??o do garoto que falou isso. Era um nobre, claro. Ele tinha cabelo loiro e um olhar de superioridade irritante.


    — Desculpe… — Laine respondeu rapidamente, abaixando a cabe?a.


    Isso me irritou.


    — Se está incomodado, ent?o se retire — respondi friamente.


    O garoto ficou boquiaberto por um segundo, depois cerrou os punhos.


    — Como ousa falar assim comigo, plebeu?!


    — Vou falar do jeito que eu quiser — retruquei, encarando-o sem medo.


    Ele deu um passo à frente, pronto para me encarar, mas nesse momento, o professor chegou. O garoto apenas rangeu os dentes e se afastou, me lan?ando um olhar de ódio.


    Eu já sabia que a partir dali teria problemas com os nobres. Mas quer saber? Eu n?o dava a mínima.


    Interesse por Espadas


    As aulas de magia eram interessantes, mas minha verdadeira paix?o estava na prática com espadas. Sempre que tinha chance, matava algumas aulas teóricas para assistir aos treinamentos dos alunos mais experientes.


    A sensa??o de segurar uma espada… o peso, o equilíbrio, a for?a necessária para cada golpe… Me fascinava.


    Talvez isso viesse da minha vida passada. Eu sempre fui bom com facas e armas. E agora, parecia que minha habilidade estava despertando novamente.


    Descobrindo meu poder


    Na aula de magia, eu n?o era exatamente um prodígio. Meu nível de mana era surpreendentemente alto para um plebeu—quase no nível de um nobre—mas minha afinidade com magia deixava a desejar. Quando a professora fez um teste com uma pedra estranha, ela revelou que meu elemento era raio.


    Que droga! Todo protagonista de filme ou série tem afinidade com fogo! O que eu vou fazer com raio? Relampagos podem ser rápidos e letais, mas fogo... fogo é ic?nico!


    A professora percebeu minha frustra??o e explicou:


    — Talvez você tenha dificuldades porque seu poder é ofensivo e n?o defensivo. Magia de água e vento s?o mais voltadas para suporte e cura, enquanto fogo, terra e raio s?o voltadas para combate direto.


    Ela fez uma pausa antes de continuar:


    — é raro um plebeu nascer com tanta mana, Lázaro. Mas plebeus que demonstram talento podem se tornar cavaleiros e até mesmo subir de status.


    Isso me fez pensar.


    — Se eu me tornar um bom cavaleiro... eu poderia virar rei?


    Ela sorriu.


    — Rei n?o. Mas você pode se tornar um nobre. Meu pai nasceu plebeu e conseguiu se tornar um cavaleiro famoso. Hoje, ele tem um título de nobreza.


    — Entendi... Ent?o eu posso mudar a vida da minha família.


    Olhei para Laine, minha colega de classe, e perguntei:


    — E você, Laine? Por que quer aprender magia?


    Ela hesitou por um momento antes de responder:


    — Eu quero ser uma maga médica. Existem poucos magos médicos entre os plebeus, e eu quero salvar o maior número de vidas possível.


    Aula de Espadas


    As aulas de magia eram obrigatórias, mas também tínhamos que treinar com espadas. No fundo, eu gostava mais do combate físico. Eu e Laine estávamos treinando com espadas de madeira, e eu decidi testar minha habilidade, atacando com mais intensidade.


    O que eu n?o esperava era que, ao se sentir pressionada, Laine instintivamente usasse sua magia de água. De repente, a sala foi inundada, molhando todos os alunos.


    — Sua merdinha, o que você está fazendo?! — gritou uma voz arrogante.


    Edwin. O mesmo nobre metido que implicou comigo na última vez.


    — Me desculpe, Edwin! — disse Laine, envergonhada.


    — Você me deixou todo encharcado!


    Nos pensamentos de Edwin, algo chamou sua aten??o: Se ela conseguiu invocar toda essa água, isso significa que tem muita mana...


    — Ela já pediu desculpa. — Intervi.


    Edwin me lan?ou um olhar irritado.


    — Eu n?o estou falando com você, plebeu baixinho.


    Ele era um pouco mais velho que eu, talvez um ano ou dois. Seus amigos, dois homens-fera com fei??es de gato, riram e concordaram:


    — Você precisa colocar esses plebeus no lugar deles.


    Revirei os olhos.


    — Precisa dos seus capangas pra resolver tudo, Edwin?


    — Eu vou te ensinar uma li??o, seu merdinha.


    Ele avan?ou com uma velocidade impressionante, a espada de madeira em m?os. Eu vi o ataque chegando, mas meu corpo era lento demais para esquivar. Consegui bloquear, mas o impacto foi forte. Edwin me chutou, me arremessando contra a parede.


    Antes que ele pudesse continuar, o professor entrou na sala e parou o ataque.


    — O que diabos está acontecendo aqui?! — gritou, sua voz transbordando autoridade.


    Ninguém ousou responder.


    — E por que essa sala está toda molhada?!


    Como castigo, eu e Edwin tivemos que limpar todas as janelas da escola. Durante o trabalho, trocamos provoca??es verbais, mas n?o ousamos levantar as m?os novamente. O professor deixou claro que, se brigássemos de novo, ele cortaria nossas cabe?as—e, sinceramente, a express?o dele n?o deixava dúvidas de que falava sério.


    Amizade Inesperada


    Com o passar do tempo, treinei bastante e aprendi a controlar minha mana. Minha magia continuava fraca, mas minha habilidade com a espada melhorou a ponto de enfrentar Edwin de igual para igual. Aos poucos, nos tornamos amigos.


    Ele ainda era mal-humorado e arrogante, mas, com o tempo, percebi que n?o era como os outros nobres. Sua m?e era uma plebeia, e ele nasceu de um caso que seu pai teve. Por ser bastardo, buscava desesperadamente reconhecimento. Ele era forte, mas no fundo... queria provar seu valor.


    Quando ele ia visitar a m?e na cidade, às vezes saíamos juntos para treinar. Laine também sempre estava por perto. Eu percebi que Edwin gostava dela, embora nunca admitisse.


    Após um ano, nós três nos formamos juntos. Laine e Edwin estavam no último ano, mas como eu já sabia ler, era bom em matemática e dominava a espada, a escola decidiu que eu também deveria me formar.


    No caminho para casa, Edwin resmungou:


    — Como assim você vai se formar no primeiro ano?!


    Sorri.


    — Porque eu sou um gênio, idiota.


    — Quem você chamou de idiota, seu merda?!


    Lembrei que Edwin n?o gosta quando eu xingo ele perto da Laine


    Ele veio correndo atrás de mim furioso, e Laine tentou acalmar a situa??o.


    — Parem com isso, vocês dois!


    Eu ria enquanto corria. De alguma forma, sem perceber, me vi envolvido nessa amizade inesperada.


    Eu comecei a notar que eu poderia me divertir rir bastante eu sinto que essa n?o é a minha verdadeira personalidade, aliás o anjo disse que eu me comporto assim por estar no corpo de uma crian?a.


    Convoca??o dos Cavaleiros


    No dia da formatura, um cavaleiro misterioso apareceu para falar com nosso professor.


    Meus pais estavam na cerim?nia, comemorando comigo e com Sara, já que nós dois nos formamos juntos. No meio da festa, o professor nos chamou para a sala do diretor. Quando entramos, Laine e Edwin já estavam lá, acompanhados pela m?e de Edwin e pelo cavaleiro.


    O diretor olhou para nós e disse:


    — Chamei vocês aqui por um motivo especial.


    O cavaleiro nos analisou com um olhar sério. Ele n?o vestia uma armadura completa, apenas um peitoral de a?o e um manto negro.


    — Eu sou um cavaleiro do rei e protejo estas cidades. Estamos com muitas baixas, e precisamos de novos recrutas.


    Ele fez uma pausa, antes de continuar:


    — Três alunos foram recomendados como promissores para se tornarem cavaleiros.


    Eu engoli em seco.


    — Edwin Deveraux, hábil com magia de fogo.


    Edwin cruzou os bra?os, orgulhoso.


    — Laine, com grande potencial para se tornar uma maga médica.


    Ela arregalou os olhos, surpresa.


    — E Lázaro Martins, apesar da pouca idade, já demonstra talento excepcional no combate corpo a corpo.


    Minha m?e se manifestou imediatamente:


    — Lázaro é muito novo para ser cavaleiro!


    O cavaleiro n?o hesitou:


    — Os monstros est?o ficando mais fortes, senhora. Precisamos de recrutas.


    Minha m?e hesitou, mas ent?o o cavaleiro jogou a carta final:


    — Esta é uma ordem do Imperador.


    Silêncio.


    E foi assim que, aos oito anos, minha vida tomou um rumo diferente.
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