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capitulo 01 Raiz de madeira reescrita

    Em uma tarde chuvosa, uma menina de cerca de dez anos estava sentada em uma esquina, encolhida debaixo de um toldo velho. Suas roupas, rasgadas e sujas, mal protegiam seu corpo magro do frio. O cabelo, emaranhado e molhado, caía sobre o rosto sujo de lama. à sua frente, um pote vazio balan?ava com o vento, mudo testemunho de sua tentativa de mendigar. Os poucos transeuntes que passavam apressados a ignoravam, como se ela fosse parte da paisagem decadente da cidade.


    O nome dela era Bárbara. Fazia apenas um mês que o incêndio devastador engolira as favelas nas partes baixas da cidade, tirando a vida de muitos, incluindo a família da garota. Sem parentes, sem apoio, ela vagava pelas ruas, transformada em uma mendiga. Um homem de meia-idade, também mendigo, a convidara para se juntar à Associa??o dos Mendigos — uma das muitas guildas do Murim, especializadas em negociar informa??es. Bárbara ainda hesitava. Em um mundo onde c?o devora c?o, a bondade era uma raridade perigosa.


    Algo chamou a aten??o de Bárbara. N?o muito longe dali, uma multid?o de crian?as da sua idade come?ava a se formar. Curiosa, ela se aproximou, escutando fragmentos de conversas entre os murmúrios. Palavras como "seita", "recrutamento" e "discípulos" flutuavam no ar. Mas o que realmente prendeu seu interesse foram os sussurros sobre imortais e "raízes espirituais". Seu cora??o acelerou. Poderia ser essa sua chance de escapar da miséria e encontrar um novo destino?


    Uma fila de crian?as come?ou a se formar perto de Bárbara, todas ansiosas e nervosas. Os taoístas, com suas vestes simples, posicionavam um estranho objeto na palma de cada crian?a, anunciando em voz alta se elas tinham ou n?o raízes espirituais e se eram dignas de serem aceitas na seita. Bárbara escutava atentamente os julgamentos. Muitos eram rejeitados por terem raízes espirituais comuns dos cinco elementos ou por n?o possuírem nenhuma. Viu algumas crian?as chorarem, derrotadas pela rejei??o.


    Tomada por uma coragem repentina, Bárbara se levantou e, sem pensar muito, posicionou-se no fim da fila. Quando chegou sua vez, o taoísta olhou para ela, intrigado, e pediu que estendesse a m?o. O objeto frio e misterioso foi colocado em sua palma. A respira??o dela se prendeu enquanto esperava o veredito. Ent?o, o taoísta declarou: "Raiz espiritual única de madeira. Está aprovada para entrada na seita. Siga para a outra fila."


    A chuva caía mais fina enquanto Bárbara se movia para a segunda fila, seguindo a instru??o do taoísta. A fila se estendia por vários metros, e ela podia sentir as crian?as ao redor ainda tensas pela espera. O que as aguardava, além dessa escolha aparentemente fortuita, era um mistério. E, para Bárbara, que vinha de uma vida de incertezas e solid?o, isso era suficiente para manter seu espírito alerta, dividido entre a promessa de um futuro melhor e o medo do desconhecido.


    As histórias sobre cultivadores imortais borbulhavam em sua mente. Eram quase lendas para ela até ent?o, ou contos de terror que os mais velhos sussurravam para amedrontar os jovens. Na favela onde crescera, ouvir sobre cultivadores poderosos que transformavam crian?as desobedientes em pílulas era uma forma de assustá-las para que se comportassem. Agora, diante da possibilidade de ingressar numa seita e talvez trilhar um caminho similar, Bárbara se perguntava sobre os mistérios que ela, um dia, poderia desvendar.


    Quando chegou ao final da fila, um discípulo da seita esperava com uma express?o neutra, segurando um pequeno frasco de jade cheio de pequenas pílulas marrons. Ele entregou uma a cada crian?a, explicando que essas pílulas os ajudariam a resistir à fome nos dias de treinamento intensivo. “Vocês sentir?o o gosto da terra nelas,” advertiu o discípulo, antes de entregar a Bárbara uma unidade. Ela pegou a pílula com hesita??o, lembrando-se das vezes em que, quando estava nas ruas, teve que comer terra para sobreviver à fome insuportável. Engolir algo que a lembrava dessa experiência despertou uma mistura de amargura e determina??o em seu cora??o.


    Na fila, Bárbara tentava n?o pensar no gosto horrível da pílula de jejum que ainda estava grudado na boca. Era um gosto de terra, como quando ela, pequenininha e com muita fome, quase comeu um punhado de lama, só para sentir algo no est?mago. Naquela época, ela pensava que as coisas só poderiam melhorar, mas a vida parecia sempre um pouco pior do que antes. Agora, lá estava ela, mais uma vez, segurando a vontade de cuspir a pílula e se perguntando se essa decis?o de entrar na seita era realmente uma boa ideia.


    Ela se lembrou do convite do homem estranho da Associa??o dos Mendigos. Ele dizia que ela podia ganhar alguma prote??o e até comida se ela soubesse ouvir bem e ficar quietinha, sem chamar aten??o. Ele falou de uma forma que a fez imaginar algo grande, uma vida cheia de segredos e espi?es, mas, ao mesmo tempo, algo ali parecia... escuro. Mesmo sem entender muito, ela sentiu que aquele mundo era muito perigoso. O homem falava de "coisas que ouviu" e "segredos que esconde", e isso deixava Bárbara desconfiada. Ele disse que lá, todo mundo tinha seu lugar, desde os "Sábios" até os "Informantes" e "Aprendizes". Parecia legal, mas... assustador. E se ela errasse? E se falhasse? E se fosse trocada como uma moeda barata?


    Ainda assim, agora que estava ali na fila para a seita, seu cora??o batia mais forte. A seita falava de imortais, de raízes espirituais, e Bárbara gostava da ideia de ficar forte, de controlar algo só dela, de n?o precisar de ninguém se n?o quisesse. Ela imaginava como seria treinar como uma cultivadora, aprender coisas que ninguém sabia, ter seu próprio poder. A Associa??o dos Mendigos era misteriosa, mas era a seita que dava a chance de ser mais do que uma menina perdida, mais do que uma órf?. Na seita, talvez ela pudesse ser alguém importante, alguém que escolhe o próprio caminho.


    Finalmente, a fila andou mais um pouquinho, e Bárbara deu mais um passo à frente, limpando as m?os nas roupas rasgadas e respirando fundo


    Enquanto Bárbara esperava na fila, distraída com o gosto terroso da pílula de jejum, escutou uma conversa à frente que a fez despertar de imediato. Alguns discípulos comentavam sobre as "raízes espirituais", e o conceito soava t?o mágico que ela se pegou imaginando como seria a própria. "Raiz espiritual", explicou um dos alunos, era como uma "sementinha mágica" que cada pessoa tinha dentro de si, conectando-a com os elementos da natureza e do universo. Quanto mais se cuidava dessa raiz, praticando e meditando, mais forte ela ficava – dando à pessoa poderes incríveis e até únicos!


    O que Bárbara ainda n?o sabia era que sua raiz espiritual, diferente da maioria, era uma raiz de madeira pura, algo extremamente raro. Ela seria capaz de se conectar diretamente com a natureza, quase como se pudesse sentir a vida das plantas ao seu redor. A raiz de madeira que possuía dentro de si era como uma pequena floresta, e o potencial dela era vasto. Quem possuía essa raiz, contou um discípulo mais velho, podia fazer plantas crescerem, manipulá-las e até se curar usando a energia das árvores e das flores. Era como se Bárbara tivesse dentro dela um peda?o vivo da própria natureza, um dom que poderia guiá-la em muitos caminhos do cultivo.


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    à medida que ouvia mais sobre as raízes espirituais, seu cora??o pulsava de entusiasmo. Agora, tudo parecia se encaixar: seus sentidos atentos à vida ao redor, a afinidade natural com o verde e, mais do que nunca, a curiosidade sobre o mundo natural. Quando imaginou as possibilidades que sua raiz única de madeira poderia oferecer, sentiu que o mundo de cultivo se abria de uma forma vibrante e mágica para ela.


    Cheia de expectativas e ainda com o gosto de terra na boca, Bárbara decidiu que faria tudo o que estivesse ao seu alcance para fazer sua raiz crescer forte e aproveitar cada oportunidade que surgisse na seita.


    Enquanto Bárbara esperava ansiosamente na fila, um dos membros mais velhos da seita come?ou a explicar o que significava pertencer a essa comunidade t?o especial. Ele falava com entusiasmo, e a cada palavra dela, a mente de Bárbara se preenchia de imagens e ideias.


    “Vamos come?ar do come?o”, disse ele, com um sorriso. “A seita é como uma grande família de cultivadores, cada um com um papel importante. No topo dessa hierarquia, temos o Patriarca, que é o líder supremo. Ele é o cultivador mais poderoso da seita, como um grande sábio que já alcan?ou o nível de um Imortal. O Patriarca toma todas as decis?es importantes e é respeitado por todos. Ele é o farol que guia a seita em tempos difíceis, sempre cheio de for?a e sabedoria.”


    Bárbara escutava atenta, imaginando como seria ser t?o poderoso. O membro da seita continuou: “Logo abaixo do Patriarca, temos os Anci?os. Esses cultivadores s?o experientes e possuem habilidades incríveis. Eles n?o apenas supervisionam os discípulos, mas também ensinam técnicas valiosas e ajudam a manter a ordem. Cada Anci?o tem seu próprio foco, seja em combate, alquimia ou estratégias, e eles s?o essenciais para moldar os novos discípulos.”


    Ela se lembrava do que havia ouvido sobre os Anci?os durante suas primeiras aulas e como sonhava um dia ser uma discípula interna. O homem prosseguiu: “Os Discípulos Internos s?o os mais talentosos e promissores. Eles passam por um treinamento intensivo e têm acesso a recursos melhores, como pílulas espirituais e técnicas secretas. é uma grande honra ser escolhido por um Anci?o para se tornar seu pupilo, mas também é uma grande responsabilidade!”


    Bárbara sentiu um frio na barriga ao pensar em todo o esfor?o que teria que fazer para se tornar uma discípula interna. Ele continuou: “Por outro lado, temos os Discípulos Externos, que s?o os iniciantes ou aqueles que ainda precisam provar seu valor. Eles têm acesso limitado e precisam passar por um treinamento básico. A competi??o é acirrada entre os externos, pois todos sonham em se tornar internos.”


    Ela imaginou os discípulos externos, todos tentando mostrar seu valor, e sentiu que estava nessa jornada junto deles. “Algumas seitas, como a nossa, têm um grupo especial de Discípulos Centrais ou Verdadeiros, que s?o considerados os futuros líderes. Eles têm um alto potencial de cultivo e desfrutam de privilégios especiais, como miss?es importantes e treinamento avan?ado.”


    Bárbara estava fascinada. A vida de um discípulo n?o era apenas sobre poder, mas também sobre disciplina e desafios constantes. O membro da seita explicou: “Os discípulos passam muitas horas em treinamento intenso, meditando e cultivando Qi, que é a energia vital. Eles aprendem técnicas marciais que podem variar do combate corpo a corpo à magia elemental.”


    Com os olhos brilhando, ela imaginou-se lutando e praticando, desenvolvendo suas habilidades. “Além disso, os discípulos recebem miss?es da seita, como coletar ervas raras ou combater monstros. Essas miss?es ajudam a seita a crescer e permitem que os discípulos mostrem suas habilidades.”


    Ele prosseguiu: “A vida na seita é repleta de competi??o e rivalidade. Os discípulos lutam para se destacar, conquistar o favor dos Anci?os e garantir acesso a melhores recursos. Isso pode gerar rivalidades intensas e até duelos.” Bárbara fez uma pausa, pensando sobre como a competi??o poderia ser desafiadora.


    O homem terminou dizendo: “Os discípulos têm acesso a pílulas espirituais, artefatos mágicos e outros recursos que ajudam no cultivo. é um mundo vibrante, cheio de rituais e cerim?nias. Quando um novo discípulo é aceito, ele passa por uma cerim?nia de inicia??o. E quando alguém é promovido, há uma celebra??o para reconhecer essa nova posi??o.”


    Bárbara sentiu uma onda de determina??o e emo??o ao ouvir tudo isso. Pertencer à seita era mais do que um sonho; era um caminho de desafios e aventuras que ela estava pronta para enfrentar. Com sua raiz única de madeira, ela sabia que tinha um papel especial a desempenhar nessa jornada mágica.


    Enquanto Bárbara continuava ouvindo as explica??es sobre a vida na seita, um calor peculiar come?ou a surgir dentro dela. Era uma mistura de ansiedade e excita??o. Ent?o, no meio da conversa, ela ouviu um nome que a fez estremecer de emo??o: “A Seita da Chama Celestial.”


    Esse nome ecoou em sua mente como um canto hipnotizante. A Seita da Chama Celestial! O lugar onde ela poderia aprender a cultivar sua raiz espiritual única de madeira, onde cada dia traria novas aventuras e desafios. O membro da seita percebeu a express?o de Bárbara e sorriu. “Sim, a Seita da Chama Celestial é famosa por seus cultivadores de elite e pelas poderosas técnicas que ensinam. Aqui, você n?o apenas aprenderá a controlar sua energia, mas também descobrirá o verdadeiro potencial que existe dentro de você!”


    A fila come?ou a se mover, e Bárbara se sentiu como se estivesse flutuando no ar. Em sua mente, ela já se via como uma discípula interna, aprendendo com os Anci?os e participando de miss?es emocionantes. A cada passo que dava, seu cora??o batia mais forte, até que finalmente chegaram a uma plataforma ampla e iluminada, onde um barco mágico os esperava.


    Era um barco voador, elegante e cintilante, flutuando suavemente no ar. Suas velas eram feitas de uma substancia brilhante que parecia dan?ar com a luz do sol. O barco tinha um aspecto encantador, como se tivesse saído de um conto de fadas. “Esse é o nosso barco mágico! Ele nos levará até a sede da seita, onde ocorrerá o ritual de inicia??o para todos os novos discípulos!” disse o membro da seita, gesticulando para que todos subissem.


    Bárbara ficou encantada enquanto subia a bordo, seus olhos brilhando com a vis?o do céu vasto acima dela. As outras crian?as ao seu redor também estavam radiantes de felicidade e expectativa. O barco come?ou a subir lentamente, e logo estavam flutuando nas nuvens, com a vista de sua cidade diminuindo a cada segundo.


    “O ritual de inicia??o é muito importante,” continuou o membro da seita, enquanto o barco voava suavemente através das nuvens. “Ele marcará o início da sua jornada como discípulos da Seita da Chama Celestial. Durante o ritual, vocês receber?o bên??os e o conhecimento essencial para come?ar a cultivar suas raízes espirituais. é um momento mágico e inesquecível!”


    Bárbara olhou pela borda do barco, maravilhada com a beleza ao seu redor. As nuvens se separavam como cortinas, revelando montanhas majestosas e florestas exuberantes abaixo. Era como se o mundo inteiro estivesse se preparando para recebê-los. Em seu cora??o, ela sentia que estava prestes a embarcar em uma aventura que mudaria sua vida para sempre.


    Finalmente, o barco come?ou a descer suavemente em dire??o a uma grande clareira cercada por árvores altas e imponentes. à medida que pousavam, um sentimento de reverência e emo??o encheu o ar. Era o início de uma nova fase em sua vida, e Bárbara estava pronta para abra?ar tudo o que a Seita da Chama Celestial tinha a oferecer. O ritual de inicia??o estava prestes a come?ar, e ela estava mais do que preparada para dar esse grande passo em sua jornada mágica
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