《Odisseia Efêmera》
O Come?o Daquela Noite
A chuva caiu por todos os cantos da comunidade, batendo nos telhados e escorrendo pelas paredes at¨¦ atingir o ch?o. Algumas pessoas passavam rapidamente com guarda-chuvas, mas as ruas estavam quase desertas, sem muita movimenta??o. No entanto, algo acontecia nas proximidades naquela noite t?o fria.
Um homem alto corria pelos becos com uma mulher nos bra?os, que parecia estar sangrando bastante. "Agh, Samantha? Acorda, por favor, fique acordada!" Ele continuou correndo at¨¦ entrar em um beco sem sa¨ªda. Antes que pudesse voltar, uma silhueta apareceu na entrada do beco. O homem, com a mulher nos bra?os, deu passos para tr¨¢s. "Por que toda essa persegui??o? O QUE VOC¨ºS QUEREM?!". A figura se aproximava cada vez mais, iluminada pela luz do luar...
Tr¨ºs horas antes...
"Droga! N?o temos muito tempo!" ¨C dizia um homem de olhos e cabelos castanhos, com um tom preocupado. Uma mulher de cabelos longos e negros entrou no quarto, vasculhando rapidamente uma maleta, e respondeu: "Eu sei, Victor, mas n?o se preocupe. N¨®s j¨¢ deixamos tudo pronto para a nossa viagem. S¨® precisamos sair daqui o mais r¨¢pido poss¨ªvel. Se logotipo arrume."
Victor: "N?o ¨¦ apenas essa situa??o que me preocupa."
Ele rapidamente come?ou a se arrumar, colocando um sobretudo marrom sobre um terno e um gravata verde opaca. A guarda-roupa estava cheia de joias e mob¨ªlias que eram muito valiosas, quase como rel¨ªquias. Ele pegou algumas dessas joias e as guardou no bolso.
Victor: "Samantha, voc¨º j¨¢ deu os colares e o livro para o Roger?"
Samantha: "Sim, n?o se preocupe, ele j¨¢ recebeu tudo."
Victor estava com as m?os tr¨ºmulas, n?o por causa do frio da noite, mas pelo medo e pelo pavor de algo desconhecido. A situa??o n?o era muito diferente para Samantha, que notou as m?os tr¨ºmulas do marido.
Samantha suspirou calmamente e foi at¨¦ ele, juntando sua m?o ¨¤ dele e entrela?ando seus dedos enquanto dizia: "Eu sei, essa situa??o toda ¨¦ muito assustadora." Victor respondeu, aproximando seu rosto do dela: "n?o ¨¦ isso, me assusta saber que tem a possibilidade de nunca mais ver os nossos filhos. ¨¦ at¨¦ engra?ado, n?o ¨¦? J¨¢ passei por muitos perigos que quase me custaram a vida, mas nada jamais me assustou desse jeito."
Samantha: "Eu entendo, a vida muda completamente quando se tem filhos, n?o ¨¦?"
Ela aproximou seus l¨¢bios dos dele, capturando sua boca em um beijo sutil. Victor correspondeu, abra?ando-a para mais perto. Ambos se acalmaram e, ap¨®s um curto tempo, ela se afastou levemente, dizendo: "O que mais me tranquiliza nisso tudo ¨¦ o fato de que eu ainda tenho voc¨º ao meu lado." Ela observou o rosto dele com ternura e disse: "E voc¨º n?o tirou essa barba que eu pedi para voc¨º tirar, seu teimoso." Victor percebeu a tentativa dela de tranquilizar a situa??o, mesmo que s¨® um pouco, e abriu um sorriso, dizendo: "Ela faz parte do meu charme. Foi por causa dela que eu consegui conquistar voc¨º." Samantha deu uma leve risada.
Samantha: "Vamos, j¨¢ arrumei a mala e peguei tudo que estava faltando."
Eles caminharam at¨¦ a porta com um guarda-chuva e deram uma ¨²ltima olhada na casa antes de fech¨¢-la.
Tr¨ºs horas depois...
A figura que se aproximava de Victor naquele beco parecia fazer o espa?o diminuir a cada passo dado. A silhueta se revelou para Victor e, antes que ele pudesse reagir, sua garganta foi cortada. Ele caiu no ch?o junto de sua esposa, sua vis?o manchada de sangue conseguiu ver apenas aquela figura se aproximando e sua vis?o se apagou ap¨®s ter o cora??o perfurado por uma adaga.
Naquela mesma noite, em uma casa distante, duas crian?as compartilhavam o mesmo quarto, envoltas no sil¨ºncio da noite e no leve brilho da lamparina que iluminava o ambiente.
Zoe: (quebrando o sil¨ºncio) "Estou com medo, L¨¦o."
L¨¦o: "N?o se preocupe, Zoe. Logo, logo eles v?o voltar. N?o deve demorar muito."
Zoe se levantou da cama rapidamente e come?ou a bater com o travesseiro no rosto de L¨¦o sem parar.
Zoe: "N?o tente bancar o calmo! Nossos pais n?o iriam embora assim t?o de repente!"
L¨¦o agarrou o travesseiro e o puxou das m?os dela, revidando as batidas ao jogar o travesseiro na cara dela enquanto dizia: "Voc¨º n?o ¨¦ a ¨²nica que est¨¢ preocupada aqui. Eu tamb¨¦m estou." Zoe arremessou o travesseiro de volta, acertando em cheio o rosto de L¨¦o.
Zoe: "Ent?o por que voc¨º n?o est¨¢ fazendo nada?!"
L¨¦o pegou o travesseiro e come?ou a bater nela. Ela fez o mesmo, pegando outro travesseiro pr¨®ximo, e assim iniciaram uma guerra de travesseiros.
L¨¦o: "Voc¨º sabe muito bem das regras da fam¨ªlia: ''n?o se intrometer no trabalho do papai e da mam?e''. Foi essa a regra que eles nos disseram para obedecer."
Zoe: "E voc¨º vai realmente seguir essa regra est¨²pida!?"
Os travesseiros come?aram a soltar muitas penas pelo quarto inteiro, e passos foram ouvidos cada vez mais pr¨®ximos do quarto deles. Eles imediatamente pararam de discutir e voltaram para suas posi??es de antes na cama.This content has been unlawfully taken from Royal Road; report any instances of this story if found elsewhere.
A porta se abriu e um homem alto e forte ficou ¨¤ entrada, olhando para as crian?as, que fingiam estar dormindo. Ele segurava um machado de lenhador na m?o e disse: "Eu sei muito bem que voc¨ºs n?o est?o dormindo. S¨® um surdo n?o conseguiria ouvir voc¨ºs discutindo." As crian?as pararam de fingir, e L¨¦o respondeu: "Desculpa, tio Roger. ¨¦ que a Zoe n?o consegue ficar quieta." Zoe rapidamente afundou o rosto de L¨¦o entre os len?¨®is e retrucou: "N?o ¨¦ verdade! Eu s¨® estou preocupada com o papai e a mam?e, diferente desse insens¨ªvel que n?o demonstra nenhum tipo de preocupa??o por eles."
L¨¦o: "Voc¨º ¨¦ surda por acaso? Eu j¨¢ disse que estou preocupado sim! S¨® que, diferente de voc¨º, eu estou obedecendo e confiando que eles v?o voltar para casa."
Zoe: "Seu chato insens¨ªvel!"
L¨¦o: "Voc¨º que ¨¦ chata!"
Roger bateu com a ponta do machado no ch?o, fazendo um som pesado e alto. Ele suspirou e disse: "Parem de brigar, voc¨ºs dois." Rapidamente, os irm?os se calaram e ambos disseram: "Desculpa, tio Roger."
Roger: "Se n?o conseguem dormir, me sigam at¨¦ a sala e vejam se conseguem se acalmar um pouco."
Eles acompanharam Roger at¨¦ o primeiro andar da casa e seguiram at¨¦ a sala, que tinha um sof¨¢ e uma poltrona de frente para uma lareira apagada. Roger se sentou na poltrona e disse: "L¨¦o, acenda a lareira, por favor." L¨¦o foi at¨¦ a lenha, colocou algumas na lareira e ficou alguns segundos ali at¨¦ acender o fogo. Zoe quebrou o breve sil¨ºncio.
Zoe: "Nossos pais falaram alguma coisa para voc¨º antes de irem, tio Roger?"
Roger se acomodou melhor na poltrona e disse: "Isso n?o ¨¦ algo com que voc¨ºs devem se preocupar agora. Apenas sejam crian?as e fa?am algo para se divertir."
L¨¦o conseguiu acender a lareira e se sentou em frente a ela, dizendo: "Mas n?o tem nada que a gente possa fazer aqui, e est¨¢ muito tarde para irmos l¨¢ fora." Roger observou pela janela as ¨¢rvores ao fundo, que escondiam levemente a lua atr¨¢s delas, e respondeu: "¨¦ verdade. Ent?o vou ler um livro para voc¨ºs. Zoe, v¨¢ at¨¦ aquela estante e pegue o primeiro livro." Zoe obedeceu ¨¤ ordem do tio e pegou o livro, mas antes de entreg¨¢-lo, observou a capa e o nome do livro. A capa mostrava um cervo descansando ao lado de um esqueleto humano, e o t¨ªtulo era "O Sentido Dada ¨¤ Jornada." Zoe entregou o livro e Roger abriu na primeira p¨¢gina.
Roger: "Sentem-se. Vou contar uma hist¨®ria, uma pequena reflex?o sobre a vida para voc¨ºs."
Os dois irm?os se sentaram de costas para a lareira, esperando que ele come?asse a contar a hist¨®ria.
Roger: "Em uma floresta iluminada pela luz da lua, um cervo com a pata dianteira sangrando descansava ao lado de um esqueleto apoiado em uma ¨¢rvore. O esqueleto virou o cranio para o cervo e perguntou, curioso: ''Como voc¨º chegou a essa situa??o?'' E o cervo respondeu: ''Fui arranhado pelas garras de um le?o. N?o me resta muito tempo.'' O esqueleto perguntou: ''Est¨¢ doendo?'' O cervo respondeu: ''N?o, n?o est¨¢, mas sinto minhas for?as se esvaindo aos poucos.''
Esqueleto: ''Que sorte. Minha morte foi bem dolorosa. Fui emboscado por cavaleiros rivais enquanto dormia e acabei do jeito que estou.''
Cervo: ''Sorte? N?o tem nada de sorte nisso.''
Esqueleto: ''Ent?o voc¨º preferiria ter uma morte dolorosa?''
Cervo: ''Suas escolhas levaram voc¨º a ter uma morte assim.''
Esqueleto: ''Eu morri protegendo muitas fam¨ªlias, ent?o n?o acho justo voc¨º ter uma morte indolor e eu n?o.''
Cervo: ''Voc¨º protegeu muitas fam¨ªlias, mas destruiu muitas outras por territ¨®rio. Estou nesta situa??o por tentar proteger meu filho, mas ele foi devorado pelo le?o e agora estou morrendo em v?o. No entanto, n?o me arrependo.''
Esqueleto: ''¨¦... falando assim, n?o somos t?o diferentes. Eu morri para proteger meu reino, e no final n¨®s perdemos e o reino foi tomado pelos inimigos.''
Cervo: ''Ent?o voc¨º morreu fracassando em sua ¨²nica tarefa de proteger seus iguais. Por isso voc¨º teve uma morte dolorosa.''
Esqueleto: ''U¨¦? Mas voc¨º tamb¨¦m fracassou em salvar seu filho.''
''O cervo ent?o come?ou a fechar os olhos lentamente e, dando seus ¨²ltimos suspiros, respondeu: ''Sim, voc¨º est¨¢ certo, mas eu n?o matei outros cervos para isso.'' Ele deu seu ¨²ltimo suspiro e ent?o o esqueleto se desintegrou em p¨®, voando ao vento e se juntando ao ch?o. O cervo ent?o abriu os olhos, lambeu a pata dianteira, removendo o sangue e revelando que ali n?o havia nenhum machucado. Ele se levantou e caminhou para longe da ¨¢rvore, dizendo: ''Descanse bem, cavaleiro.''
Fim."
Roger: "O que acharam?"
L¨¦o respondeu: "Meio confusa", enquanto Zoe bocejava e respondia: "¨¦ bem diferente das hist¨®rias que a mam?e conta para mim." Roger riu levemente e disse: "¨¦, talvez os livros que eu tenha n?o sirvam para crian?as, haha. Mas este ¨¦ especial. Foi o primeiro livro que eu li para o pai de voc¨ºs quando ele tinha a idade que voc¨ºs t¨ºm agora."
L¨¦o: "O papai falou para a gente que voc¨º era um irm?o muito mau com ele."
Zoe: (abrindo um sorriso) "Verdade. Ele disse que o senhor contava hist¨®rias de terror para ele, e ele n?o conseguia dormir por causa disso, haha."
Roger: "Hahaha, ¨¦ verdade. Antes do Victor se tornar o homem que ¨¦ agora, ele era bastante medroso na infancia. Isso me traz boas lembran?as."
A sala ficou em sil¨ºncio por alguns segundos, mas logo o sil¨ºncio foi interrompido por Roger dizendo: "Est?o mais calmos?" Os irm?os afirmaram com a cabe?a e ent?o Roger se declarou da poltrona, dizendo: "Bom, ent?o v?o para o quarto de voc¨ºs e descansem. Os pais de voc¨ºs devem chegar em breve. N?o se preocupem." Os irm?os se levantaram e foram em dire??o ¨¤s escadas, com Zoe dizendo: "Obrigada por ler a hist¨®ria, tio Roger. Boa noite." L¨¦o tamb¨¦m agradeceu, dizendo: "Obrigado por tudo, tio Roger. Voc¨º ¨¦ o melhor tio do mundo." Roger deu uma risada e respondeu a L¨¦o: "Voc¨º s¨® est¨¢ dizendo isso para n?o levar uma bronca de mim, n?o ¨¦?" L¨¦o correu em dire??o ao quarto, rindo junto com sua irm?, e a porta se fechou.
Roger passou um tempo observando a lareira e uma lembran?a passou por sua mente. Ele foi at¨¦ uma gaveta e pegou dois colares, com um formato circular de cor preta e um c¨ªrculo amarelo no centro, lembrando muito a pupila de um olho humano. Roger se lembrou da promessa feita a Victor: "Caso isso acontece, entregue esses colares para eles." Roger pegou os colares e foi at¨¦ o seu pr¨®prio quarto, deixando a porta levemente aberta para ter uma vis?o do lado de fora. Ele se aconchegou na cama, guardando os colares debaixo do travesseiro, e com vontade de descansar. A casa se encheu de um sil¨ºncio completo, e as crian?as pegaram no sono em poucos minutos.
[no mesmo beco onde a vida de Victor foi tirada]
duas figuras estavam de p¨¦ em frente a dois cad¨¢veres, um homem alto usando um manto negro levemente aberto dando vis?o para um tipo de roupa preta de couro refor?ada junto a cal?as e botas de couro da mesma cor do manto, ao lado dele havia uma mulher um pouco menor que ele, ela usava um manto verde levemente escuro, ambos os bra?os e pernas estavam cobertos por faixas negras. mas al¨¦m da roupa algo mais se destacava neles, a mulher estava cobrindo o rosto com um cranio de cabra, deixando apenas seus olhos verdes esmeraldas vis¨ªveis, ¨¦ o outro ao lado dela tinha chifres de cervo na cabe?a.
O homem alto se agachou para pegar uma alegria ca¨ªda no ch?o e disse: "Alguma coisa aconteceu aqui." A mulher se mudou por tr¨¢s dele e respondeu com um tom ir?nico: "N?o me diga, Payner. S¨¦rio que voc¨º acha que algo aconteceu aqui? Achei que eles estavam apenas tirando uma soneca." Payner se clamou, largando a alegria de volta no ch?o, e batida para fora do beco. "Ir?nica como sempre, n?o ¨¦, ¨¦vora? Vamos logo terminar o que viemos fazer aqui. Voc¨º sabe o que tem que fazer, n?o ¨¦?"
¨¦vora abriu um sorriso sutil e disse: "Claro que eu sei. N?o ¨¦ como se fosse a primeira vez, e voc¨º sabe disso." Ambas as figuras caminharam calmamente at¨¦ a sa¨ªda do beco, como se a situa??o n?o as abaasse nem um pouco. Eles adentraram a escurid?o da rua mais pr¨®xima e desapareceram completamente, deixando para tr¨¢s apenas uma leve n¨¦voa fria que se espalhava pelo local.
A Descoberta Tem Um Pre?o
A chuva havia parado. As poucas pessoas que antes andavam pelas ruas j¨¢ estavam em suas casas, exceto os frequentadores do bar.
[No bar local]
Muitas risadas, tilintares de copos, brincadeiras e conversas eram a principal fonte de som do local, com uma leve m¨²sica tocando de fundo em uma r¨¢dio velha. No canto do bar, eram tr¨ºs homens, cada um com uma moeda na m?o. Um deles disse: "Cara, j¨¢ ¨¦ a quarta vez seguida que voc¨º ganhou. Voc¨º est¨¢ trapaceando." O outro homem, com uma voz arrastada e segurando quatro moedas, respondeu: "Eu... Eu n?o t? hic... N?o t? roubando nada, n?o. S?o voc¨ºs que n?o hic... que n?o sabem perder." Ele estava muito b¨ºbado, com os olhos semicerrados e o h¨¢lito com um cheiro forte de cacha?a. "T¨¢ bom, ent?o vamos de novo, dessa vez valendo tudo."
Os tr¨ºs arremessaram suas moedas para cima, mas antes que o homem b¨ºbado aparasse a moeda no pulso, foi abordado pelo outro que roubou a moeda dele no ar.
"Vamos ver qual ¨¦ o seu truque." Ele olhou a moeda de frente e verso, e ambos estavam do lado cara. O homem jogou a moeda longa e simb¨®lica, furiosa: "SEU LADR?O DE MERDA!" e deu um soco na cara do b¨ºbado, que caiu da cadeira, dando um mortal para tr¨¢s. Com o nariz sangrando, ele se manifestou e come?ou a correr para fora do bar. Ao passar pela porta, os outros dois correram atr¨¢s dele, gritando: "DEVOLVE MEU DINHEIRO" e "SE CORRER VAI SER PIOR." Correndo freneticamente, ele trope?ou e caiu no ch?o, chocando o rosto no ombro de uma linda mo?a de cabelo arrumado e cacheado de maneira t?o perfeita e organizada que parecia dar vida aos seus cachos a cada movimento. Ela o encarou com olhos penetrantes de cor esmeralda, que criavam um contraste eficaz com sua pele escura.
O rapaz ficou hipnotizado pela beleza dela por alguns segundos, mas logo voltou ¨¤ realidade ao ouvir os gritos de seus perseguidores. "Desculpa, hic," ele solu?ou e voltou a correr. Os outros dois correram atr¨¢s dele, e os tr¨ºs sumiram de vista ap¨®s dobrarem outra rua. A mo?a retornou os passos e continuou andando at¨¦ o bar de onde aqueles caras haviam sa¨ªdo. Ela adentrou o local, mas as poucas pessoas que restavam nem notaram sua presen?a. Alguns j¨¢ estavam b¨ºbadas no ch?o, outros ainda enchiam a cara de cerveja e caminhavam para fora do bar cabisbaixas, enquanto outros estavam alegres na companhia de amigos. Mas uma pessoa em espec¨ªfico viu e notou sua presen?a, um homem sentado em um banco pr¨®ximo ao balc?o do barman.
Ela se mudou e foi enviada em um banco pr¨®ximo. "Boa noite", ela disse. O homem desconhecido olhou para ela com um olhar cansado que transparecia tristeza. Ele encheu um copinho com uma bebida pr¨®xima e o pegou, dizendo: "O que voc¨º quer comigo?" Ele deu um gole de uma vez s¨® e desceu o copo de volta ao balc?o. A mo?a respondeu: "Eu s¨® queria conversar com voc¨º, Sr. Morrison. Soube que est¨¢ trabalhando em muitas pesquisas." O homem olhou para ela com um olhar curioso. "Como voc¨º sabe que estou trabalhando em uma pesquisa? Aquele idiota da torre do rel¨®gio te contornou, ¨¦? Eu sabia que ele n?o conseguiria fechar aquela boca." Ele bateu com o punho forte na mesa e perguntou: "Mas quem ¨¦ voc¨º? Nunca vi voc¨º por aqui, ent?o suponho que n?o seja daqui." Ela juntou as m?os por cima do balc?o, entrela?ando os dedos. Um breve sil¨ºncio domina o local.
"Eu me chamo ¨¦vora e quero pedir para voc¨º parar com sua pesquisa."
Morrison se surpreendeu com o pedido inesperado. "Como assim?"
¨¦vora: "Eu sei que essa pesquisa significa muito para voc¨º, mas por favor, pe?o que desista dela, para o seu bem."
Morrison cerrou os dentes, invejoso o pequeno copo de vidro com bastante for?a, e a encarou com um olhar furioso.
Morrison: "Quem diabos ¨¦ voc¨º para me dizer o que tenho ou n?o que fazer com a minha pesquisa? O que voc¨º sabe sobre isso para ter essa ousadia?"
O balconista saiu dos fundos do bar com um chaveiro e conheceu a compreens?o de Morrison, sem entender muito bem o que estava acontecendo.
¨¦vora o encarou de volta, mas n?o com o mesmo olhar de ¨®dio de Morrison, e sim com um olhar de compaix?o e pena. Ela removeu as m?os do balc?o e se pronunciou da cadeira. "Eu sei que voc¨º est¨¢ tentando buscar uma cura para a doen?a que matou sua filha e tamb¨¦m sei o qu?o sofrida tem sido a sua vida pela perda dela, mas lamento informar, senhor, isso vai lhe trazer muitas queixas que o senhor nem imagina. Ent?o, por favor, pare com a pesquisa enquanto ainda h¨¢ tempo." Com essas palavras finais, ¨¦vora caminhou para fora do bar. No entanto, Morrison n?o se contentou nem um pouco com as palavras dela e retrucou: "CALA ESSA MERDA DA SUA BOCA! Voc¨º n?o sabe nada do que eu tive que passar para fazer toda aquela pesquisa. Foram anos da minha vida tentando trazer minha filha de volta." O olhar dele ficou tr¨ºmulo e, antes de desaparecer de vista, ele disse: "Voc¨º n?o sabe o que eu estou sentindo! N?o sabe o tamanho do buraco que foi deixado no meu peito! Ent?o n?o seja mais uma dessas pessoas que me olham com pena e me tratam como louco! Eu sei o que estou fazendo e vou concluir essa maldita pesquisa e trazer minha filha de volta!" O copo que estava em sua m?o cortes em peda?os, cortando a palma da m?o dele e deixando pequenos cacos cravados nas aberturas dos cortes. Ele n?o conseguiu segurar as l¨¢grimas e come?ou a chorar no bar, n?o por conta dos cortes, mas por algo ainda mais doloroso: as mem¨®rias felizes de sua filha ainda viva.
¨¦vora olhou para ele uma ¨²ltima vez, com o mesmo olhar de compreens?o e pena, e foi embora, deixando a barra para tr¨¢s.
O balconista foi at¨¦ o balc?o, estranhando a situa??o. Ele se mudou da mesa e disse: "Sr. Morrison, j¨¢ estamos fechando." Pegou um pano limpo e estendido para ele. "Use isso para cobrir as feridas da sua m?o. Eu cuido da sujeira, n?o se preocupe. Apenas v¨¢ para casa." Morrison olhou para a porta com um olhar espec¨ªfico, enquanto l¨¢grimas ca¨ªam de seus olhos, e correu para fora do bar, ignorando a ajuda do balconista, que comentou: "Cada dia a mente dele est¨¢ pior que o anterior. Agora est¨¢ at¨¦ falando sozinho ."
Ele come?ou um andar em passos acelerados pela rua deserta. No topo do teto do bar de onde ele saiu, estava Payner, observando-o ir embora. Atr¨¢s dele, subindo no telhado, estava ¨¦vora com um cranio de cabra nas m?os. Ela ficou ao lado de Payner, observando Morrison desaparecer atr¨¢s de uma das casas, e disse: "N?o funcionou. Ele est¨¢ muito abatido pela morte da filha." Payner comentou a lua enquanto dizia: "¨¦ uma pena, ent?o." ¨¦vora olhou para os cranios em suas m?os e, com uma voz serena e levemente triste, questionou: "Por que eles se sacrificam tanto por quem j¨¢ partiu?" Um leve vento bateu contra eles, fazendo seus mantos esvoa?arem. ¡°Os sentimentos humanos s?o algo muito complexos. N?o d¨¢ para entender perfeitamente¡±, afirmou Payner. Uma n¨¦voa negra surgiu ao redor dele, tomando forma. "Vamos apenas fazer o nosso trabalho." Um rifle de ca?a com uma textura espectral e densa foi criado nas m?os de Payner. ¨¦vora comentou. "¨¦, voc¨º tem raz?o." Ela colocou os cranios de cabra contra o rosto, cobrindo completamente sua identidade, e ambos foram envolvidos por uma n¨¦voa negra, desaparecendo junto com ela.
Morrison continuou andando pelas ruas at¨¦ chegar ¨¤ sua moradia. Ele pegou a chave e tentou encaix¨¢-la na fechadura da porta, mas sua m?o tremia de ansiedade dificultava o processo. ¡°Merda, eu tenho que fazer isso¡±, murmurou. Finalmente, consegui encaixar a chave e abrir a porta. Antes de entrar, deu uma olhada ao seu redor. Entrou na casa e foi direto para a sala onde fez suas pesquisas.
V¨¢rios frascos com l¨ªquidos estranhos, livros e equipamentos cir¨²rgicos foram dispersos pelo local. Alguns ratos e p¨¢ssaros estavam presos em pequenas gaiolas. Ele pegou alguns frascos e misturou os l¨ªquidos, que vieram a cintilar em diversas cores: vermelho, depois azul, verde, roxo e, por fim, rosa. Morrison pegou uma seringa e a preencheu com a mistura. "Tem que dar certo. Fiz testes em animais, mas nunca em um organismo humano." A m?o machucada come?ou a tremer. Observando o sangue escorrendo pelos dedos, ele refletiu por alguns segundos: "Eu preciso fazer isso, n?o importa os riscos. Nunca vou avan?ar se ficar parado, sem fazer nada." Ele aplicou uma seringa no bra?o e injetou o l¨ªquido em suas veias.
Os m¨²sculos do bra?o ficam a se contorcer, como uma camara intensa que logo se apoia para o restante do corpo: peito, pernas, costas e at¨¦ mesmo o c¨¦rebro. Morrison falou de dor: "AAAAAAHHHH!" A sensa??o era como se uma criatura viva estivesse tentando sair de dentro do seu corpo. Ele sentia que seus m¨²sculos e ossos iriam morrer e come?ariam a salivar bastante, incapazes de engolir a pr¨®pria saliva enquanto gritava.Reading on this site? This novel is published elsewhere. Support the author by seeking out the original.
Ele caiu no ch?o, e depois de alguns segundos, os m¨²sculos pararam de se mexer. No entanto, todas as veias do corpo estavam vis¨ªveis e roxas. Payner e ¨¦vora observaram tudo ao lado dele. Payner apontou o rifle na dire??o do corpo ca¨ªdo, que logo recobrou a consci¨ºncia e notou a presen?a dos dois rapidamente.
Morrison se assustou e logo se arrastou para tr¨¢s, longe da ponta do rifle. "O que voc¨ºs est?o fazendo na minha casa?" ele questionou.
Payner: "Viemos terminar o que voc¨º come?ou."
Morrison sentiu sua m?o formigar e, ao olhar para ela, viu que os danos causados ??pelos cacos de vidro estavam cicatrizando rapidamente. Ele abriu um sorriso de alegria sincero, ignorando brevemente a amea?a ¨¤ sua frente. "Eu consegui! Haha, consegui!" Ele se declarou, olhando para a m?o j¨¢ curada, sem nenhum resqu¨ªcio de ferimento. Payner abaixou o rifle levemente, curioso, mas sem surpresa. Morrison voltou ¨¤ realidade e olhou para os dois desconhecidos novamente.
Morrison: "O que voc¨ºs querem aqui? Vieram parar a minha pesquisa?"
Payner: "Voc¨º tem ideia do que fez?"
Morrison ficou confuso, sem entender onde ele queria chegar. "Eu finalmente encontrei a cura, a cura para todos os ferimentos e doen?as. Olha." Ele pegou um bisturi e fez um leve corte na palma da m?o, que rapidamente foi curado.
Morrison: (com a voz empolgada) "Viu? Deu certo!"
¨¦vora: "Isso ¨¦ um desastre t?o grande, mas admiro voc¨º, Sr. Morrison."
Morrison: (confuso) "Como assim, desastre? Isso pode finalmente salvar minha filha e todas as outras pessoas que sofrem com doen?as incur¨¢veis, como ela!"
Payner apontou o rifle para a cabe?a de Morrison e disparou, explodindo em peda?os. O corpo de Morrison caiu no ch?o, sem vida, mas em poucos segundos a cabe?a se reconstruiu, gerando m¨²sculos, veias, carne e sangue, e ele voltou ¨¤ vida novamente.
Payner: "Viu? Voc¨º n?o encontrou apenas uma cura, mas tamb¨¦m a imortalidade."
¨¦vora: "Isso pode ser um desastre completo para voc¨ºs, humanos."
Morrison se assustou com a sensa??o de ter tido uma vida familiar, mas logo foi lembrado e a magnitude do que havia feito. "Imortalidade", ele repetiu. Seu rosto deixou de expressar preocupa??o para uma express?o de ¨ºxtase e alegria completa. "Eu consegui algo como a imortalidade? Isso ¨¦ incr¨ªvel! Como voc¨ºs podem dizer que isso ¨¦ ruim? Al¨¦m de curar todas as doen?as e danos, eu posso ter minha filha de volta para sempre. Nem mesmo a morte pode nos separar agora." Ele foi at¨¦ uma cortina atr¨¢s dele e a retirada, revelando uma c¨¢psula grande com o corpo de uma crian?a dentro, completamente congelada.
¡°Finalmente, minha filha, seu pai conseguiu. Eu vou conseguir te trazer de volta¡±, prometeu Morrison, empolgado. Ele voltou a olhar para os dois desconhecidos que eram completamente s¨¦rios. Payner mantinha um olhar frio, enquanto os olhos verdes de ¨¦vora eram apenas cobertos pelo breu dos olhos profundos do cranio de cabra. O cora??o de Morrison disparou, sentindo medo ao entender a situa??o.
¨¦vora caminhou at¨¦ a c¨¢psula e tocou no vidro refor?ado, que estava frio. Ela congratulou-se com a crian?a em posi??o fetal e deu um leve sorriso de alegria. "Ela ¨¦ uma garota linda. Tenho certeza de que seria uma grande pessoa quando crescer." Morrison disse, confuso e com a voz recuada: "C-como assim? Eu posso traz¨º-la de volta agora, n?o posso? Ela pode voltar a viver, ent?o... por que est?o tentando me impedir?"
Uma come?ou a surgir ao redor de toda a sala e ¨¦vora respondeu: "Seu desejo ¨¦ muito admir¨¢vel, mas n?o podemos deixar voc¨º quebrar o equil¨ªbrio das coisas. Eu entendo que voc¨º queira muito ver sua filha de volta, mas pe?o que entenda, Sr. . Morrison: ela j¨¢ est¨¢ morta, e n?o tem como negar esse fato." Payner completou: "Negar que seres mortais um dia ir?o morrer ¨¦ negar a realidade das coisas. E, a partir do momento em que voc¨º criou essa f¨®rmula de imortalidade, voc¨º est¨¢ quebrando a maneira como as coisas funcionam."
Morrison: "Mas qual ¨¦ o problema disso? Eu inventei e tive todo o trabalho! N?o sacrifiquei ningu¨¦m e n?o fiz mal a nenhum ser humano em busca disso!"
¨¦vora se mudou da c¨¢psula e voltou para o lado de Payner.
¨¦vora: "Me diga, Morrison, voc¨º j¨¢ parou para pensar nas consequ¨ºncias de um ser humano ser imortal?"
Payner: "Voc¨ºs j¨¢ causaram problemas suficientes apenas vivendo 80 ou 100 anos. Agora imagine se fossem imortais. Os problemas seriam enormes."
¨¦vora: "No entanto, o ponto em si n?o ¨¦ esse. Sua esp¨¦cie n?o foi feita para ser imortal, Sr. Morrison, assim como um tubar?o n?o foi feito para voar. Cada esp¨¦cie contribui de sua pr¨®pria maneira para todo o ecossistema deste mundo ."
Payner: "Sua esp¨¦cie causou muitos problemas e continua causando quanto mais avan?aram em suas inven??es. Mas isso est¨¢ na ess¨ºncia dos seres humanos, sempre buscando mais e mais, nunca se contentando com o que j¨¢ t¨ºm."
¨¦vora: "Isso ¨¦ algo que n?o se pode mudar, assim como voc¨º n?o pode fazer uma esp¨¦cie que foi feita para ser mortal se tornar imortal, Sr. Morrison."
Morrison escutou tudo com aten??o e ficou surpreso com o detalhe que tudo parecia. Todo o esfor?o de oito anos foi em v?o? Todas as madrugadas acordadas, na esperan?a de conseguir algo, foram destru¨ªdas por meros desconhecidos?
N?O!
"Eu n?o vou deixar voc¨ºs acabarem com tudo que eu constru¨ª!" Ele levantou uma alavanca escondida atr¨¢s da cortina e uma passagem foi criada na parede, puxando a c¨¢psula para dentro e o guardando. Morrison invejou at¨¦ uma janela fechada e pulou para fora, quebrando a vidra?a no processo.
¨¦vora: "Eles sempre fogem no fim."
Payner: "Mas nunca escapa por muito tempo."
Morrison correu pelas ruas desesperado. Os danos causados ??pela queda foram curados, mas ele ainda se perguntava enquanto corria: "O que eles eram? Humanos?" Ele lembrava dos chifres de cervo que o homem alto possu¨ªa na cabe?a e da estranha arma que ele carregava. ¡°N?o, n?o pode ser¡±, ele pensou. Dobrando uma esquina, corrida cont¨ªnua. "Mas por que eles est?o fazendo isso? Qual ¨¦ o objetivo deles? O que querem?" Uma sombra passou por cima dos tetos das casas, perseguindo-o, e quando fez outra curva em uma rua, se deparou com ¨¦vora. "Como ela chegou aqui t?o r¨¢pido?" Enquanto se perdia em pensamentos por alguns segundos, um tiro atingiu seu peito, causando um grande buraco. Ele caiu no ch?o e cuspiu o sangue que se acumulou na boca.
Ele esperava que a cura fechasse o buraco, mas nada acontecia. "Por que n?o est¨¢ curando?" ¨¦vora se mudou enquanto Payner descia dos telhados e pousava suavemente no ch?o. ¡°Voc¨º viveu uma vida de muito valor, Sr. Morrison. Por favor, n?o resista mais e apenas descanse¡±, disse ¨¦vora. O sangue se acumulava no ch?o e a vis?o do cientista ia se apagando aos poucos.
"Foi isso?"
"Essa foi a vida que eu tive?"
"¨¦ assim que vou morrer?"
"Sem salvar minha filha e tendo a vida tirada sem proteger quem mais amei?"
"Mas..." Sua vis?o estava escura, mas ele continuava ouvindo a voz calma e serena de ¨¦vora, que se aproximava dele. Dando seu ¨²ltimo suspiro, uma ¨²ltima pergunta surgiu em sua consci¨ºncia.
"Por que eu me sinto t?o calmo?"
Morrison morreu ao lado de ¨¦vora. Ela se agachou, encostou levemente a m?o na testa dele e disse: "Est¨¢ feito." Ela se declarou enquanto Payner perguntava: "Como se sente?" ¨¦vora olhou para ele. "Sinto-me feliz." O rifle de Payner desapareceu em uma n¨¦voa negra. "Feliz?" "Sim, ele finalmente conseguiu descansar depois de muitos anos de sofrimento. ¨¦ um motivo para estar feliz, n?o ¨¦?" Eles caminharam para sair da pequena comunidade. ¡°Gosto do seu lado positivo¡±, disse Payner.
¨¦vora: "O que vamos fazer agora?"
Payner: "Vamos apenas voltar ¨¤ nossa rotina de sempre."
¨¦vora, com um tom esperado: "Vamos andar, andar e andar at¨¦ encontrar algo novo, como sempre?" Payner riu da maneira como ela falou. "Bem, ¨¦ assim que vivemos por s¨¦culos, ¨¦vora. Mas podemos ir para o outro lado da cortina, se quiser." ¨¦vora riu junto dele. "Estava brincando. N?o ¨¦ como se eu estivesse cansada disso. Voc¨º sabe que gosto de vagar por qualquer canto deste mundo com voc¨º, haha."
A situa??o pareceu suavizar rapidamente em contraste com o desastre de segundos atr¨¢s.
¨¦vora virou-se para Payner, ficando na frente dele e andando de costas enquanto dizia: "Espere, amanh? vai fazer 700 anos que estamos vagando desda morte do Bazaltho, n?o ¨¦?" Payner afirmou com a cabe?a: "Exatamente. Isso daria 70 encontros que pensamos fazer se ele estivesse vivo." ¨¦vora voltou a andar normalmente ao lado dele. "Nossa, faz realmente muitos anos. O tempo passou voando."
Payner olhou para o c¨¦u, que estava coberto por muitas estrelas, e disse: "O tempo passa r¨¢pido quando estamos distra¨ªdos mesmo. Mas, no fim, as coisas sempre terminam como devem terminar. Por mais que alguns tenham partido, as lembran?as deles s?o o que importa no fim." ¨¦vora riu baixinho e disse: "S¨¢bio como sempre, n?o ¨¦, Payner? Haha." Eles finalmente chegaram ao lado de fora da pequena comunidade depois de algum tempo andando. ¨¦vora espregui?ou o corpo e disse: "Por mais que eu tenha dito aquilo, gosto do seu lado filos¨®fico. N?o quero que voc¨º mude isso nunca." Payner apenas trilha em frente, indo em dire??o a uma floresta. "Vamos indo. Daqui um pouco j¨¢ vai amanhecer." ¨¦vora deu uma curta corridinha para acompanh¨¢-lo e, continuando a entrar na floresta, disse: "Falando desse jeito, voc¨º parece um vampiro com medo do sol, haha." Payner deu um leve suspiro, aceitando o desafio de aguentar as provoca??es de ¨¦vora por um tempo.
Eles desapareceram entre as ¨¢rvores e as moitas, deixando uma pequena comunidade para tr¨¢s.
De Irm?o Para Irm?
O dia amanheceu. Zoe foi a primeira a acordar, levantando-se da cama e observando que L¨¦o ainda estava dormindo. Era bem cedo, e ela desceu para o andar de baixo, esperando encontrar o tio. Ao chegar ¨¤ sala, encontrou a lareira apagada e o local completamente vazio, mas havia um bilhete deixado em cima da mesa. Ela pegou e leu:
"Estarei fora hoje. Pe?o que se virem pelo menos at¨¦ a tarde. Voltarei antes de anoitecer. Voc¨ºs conhecem bem a regi?o, ent?o v?o conseguir se virar sozinhos.
Assinado: Tio Roger"
"N?o acredito que vou ter que passar o dia inteiro com aquele idiota do meu irm?o," suspirou Zoe, embora ficasse empolgada com a ideia de poder sair para o lado de fora. Logo foi chamar L¨¦o para acord¨¢-lo. "? L¨¦o, acorda! Temos que cuidar da casa do tio Roger hoje!" ela gritou. Um barulho de madeira rangendo foi ouvido no andar de cima, junto de uma voz sonolenta: "Hmm, t¨¢ bom, j¨¢ t? indo." Puff. Um barulho pesado foi ouvido no andar de cima.
Zoe correu at¨¦ l¨¢ e viu seu irm?o ca¨ªdo no ch?o, dormindo calmamente. "Ei, acorda." Ela pegou L¨¦o pelo bra?o e o arrastou at¨¦ a sa¨ªda do quarto, dizendo: "Vamos logo, L¨¦o. Para de ser pregui?oso." L¨¦o bateu a cabe?a contra o p¨¦ da cama enquanto era puxado e acordou com uma leve dor. "Aii, t¨¢ bem, j¨¢ estou acordado. Que saco, n?o deixa nem eu dormir." "O tio Roger saiu, ent?o a gente vai ter que cuidar da casa hoje," disse Zoe. L¨¦o olhou para ela, ainda no ch?o, e perguntou, curioso: "E para onde ele foi?" "Provavelmente para a pequena cidade de Arbordale. ¨¦ o ¨²nico lugar pr¨®ximo da casa dele, e ele vai tentar voltar antes de anoitecer, ent?o talvez demore um pouco."
L¨¦o se levantou, massageando a pr¨®pria cabe?a. "Tudo bem, vamos fazer as tarefas do dia, se tiver alguma tarefa, n¨¦?"
Eles desceram at¨¦ o andar de baixo, e L¨¦o foi direto at¨¦ a mesa onde o bilhete estava deixado. Ele pegou e leu rapidamente. "Vou tomar banho. Zoe, pe?o que voc¨º varra a casa e tire o p¨®." Zoe questionou, discordando: "Por que eu vou fazer duas tarefas enquanto voc¨º toma banho?" "Tomar banho ¨¦ uma tarefa tamb¨¦m. Todo o trabalho de se limpar leva tempo," disse L¨¦o, com uma postura de esperteza, como se estivesse na raz?o. Zoe foi at¨¦ uma vassoura e a entregou nas m?os dele. "Voc¨º vai varrer a casa e eu tiro o p¨®. Depois de tudo, voc¨º pode tomar banho."
L¨¦o: "Eu sou muito ruim pra varrer uma casa." Ele tentou inventar uma desculpa.
Zoe: "Pois ent?o voc¨º vai aprender agora como varrer uma."
L¨¦o pegou a vassoura da m?o dela com um pouco de for?a. "Eu acho que isso t¨¢ muito bagun?ado. Que tal a gente dividir as tarefas direito? Vamos comer primeiro e depois fazemos o restante das coisas." Zoe olhou para o rosto dele com olhos desconfiados. "Hmm, est¨¢ bem. Espero que n?o seja uma desculpa para voc¨º n?o fazer as coisas." "Eu estava s¨® brincando com voc¨º, Zoe. ¨¦ ¨®bvio que n?o deixaria todas as tarefas para voc¨º."
Zoe: "Ent?o est¨¢ decidido. Vamos fazer do seu jeito."
Um tempo se passou enquanto preparavam algo para come?arem o dia de barriga cheia.
Agora completamente revigorados, L¨¦o logo olhou para a casa e notou a sujeira e o p¨® nela. "Vou buscar um balde l¨¢ fora." Zoe ficou confusa e disse: "Um balde?" "Sim, um balde. Espera aqui, n?o vou demorar muito." Zoe n?o entendeu o objetivo dele com isso, mas aceitou mesmo assim. Ela foi at¨¦ uma mesinha onde estava um espanador e pegou para come?ar a tirar o p¨® da casa.
Em 30 minutos, ela tirou todo o p¨® da casa e notou que L¨¦o ainda n?o tinha voltado. "Ele mentiu pra mim," disse ela, com um tom de decep??o e raiva. Depois de terminar de limpar tudo, deixou tudo de volta no lugar. "Eu n?o vou varrer a casa. Esse trabalho ¨¦ dele. Pelo menos fiz minha parte." Ela saiu para o lado de fora e foi at¨¦ a parte de tr¨¢s da casa, notando que os baldes ainda estavam ali. "Ele n?o est¨¢ aqui." Ela olhou ao redor e viu L¨¦o ao longe, em cima de uma ¨¢rvore, pegando alguns frutos e comendo.
Ela se aproximou da ¨¢rvore. "Ei, o que voc¨º est¨¢ fazendo a¨ª em cima? Esqueceu que tinha uma casa para limpar?" L¨¦o pegou outro fruto, deu uma mordida, mastigou e engoliu. "Voc¨º deveria provar um tamb¨¦m, est?o bem maduros." "Para de enrolar e vai logo limpar a¡ª" L¨¦o jogou um fruto na cabe?a dela. "Eu vou limpar, n?o se preocupe. Relaxe um pouco." Ele ficou sentado em um galho enquanto dava outra mordida. "Sobe aqui em cima, a vista da floresta ¨¦ bem legal olhando de um lugar alto."
Zoe: "Mas eu n?o sei se consigo subir at¨¦ a¨ª, e essa ¨¢rvore nem ¨¦ t?o alta."
L¨¦o: "Se n?o ¨¦ t?o alta, voc¨º deve conseguir subir, ent?o, n?o ¨¦?"
Zoe olhou ao redor, tentando encontrar palavras. "¨¦... ¨¦ que minhas pernas est?o cansadas, ent?o n?o quero gastar esfor?os subindo at¨¦ a¨ª." "Eu acho que voc¨º est¨¢ ¨¦ com medo, isso sim." "N?o, n?o ¨¦ isso." "Para de mentir, d¨¢ para ver na sua cara que voc¨º est¨¢ com medo." "Eu n?o t? com medo!" "Se n?o est¨¢ com medo, ent?o suba at¨¦ aqui, a¨ª eu acredito." Zoe hesitou por um momento, mas queria provar para o irm?o que tamb¨¦m tinha coragem. "T¨¢ bom, eu vou subir a¨ª s¨® para bater nessa sua cara feia." Ela come?ou a subir de galho em galho. No entanto, quanto mais subia, mais percebia o qu?o alta a ¨¢rvore era. "Estranho, ela parecia menor olhando l¨¢ de baixo," ela pensou. Suas m?os come?aram a fraquejar e o cora??o disparou s¨® de imaginar cair daquela altura. "Que foi? T¨¢ com medo ¨¦? Haha," L¨¦o riu dela. "Cala a boca!" Ela gritou e come?ou a subir mais. De certa forma, ela encontrava for?a nas provoca??es do irm?o, mas ao mesmo tempo se sentia insegura pela zombaria. Ela subiu mais, ficando bem perto do galho onde L¨¦o estava sentado.
O galho ficava um pouco longe, ent?o ela teria que esticar um pouco mais o corpo. Viu uma grande possibilidade de cair e congelou no local onde estava. L¨¦o percebeu que sua irm? estava realmente com medo e disse: "Vem aqui, me d¨º a m?o." "N?o vou n?o, voc¨º vai me soltar, eu sei." "Que tipo de irm?o voc¨º acha que eu sou? Eu n?o vou te soltar, vem logo." "Promete?" "Prometo. Apenas se joga para c¨¢ e deixa o resto comigo." Ele deu um sorriso confiante, tentando encorajar a irm?. Ela se esticou e, antes que pudesse segurar em algo, L¨¦o estendeu a m?o, pegou o bra?o dela e a puxou para o galho onde estava. Ela se agarrou forte ao galho da ¨¢rvore com medo de cair, ficando apenas pendurada por cima dele como um gato com medo de ¨¢gua.A case of content theft: this narrative is not rightfully on Amazon; if you spot it, report the violation.
L¨¦o: "Viu? S¨® fica sentada aqui do meu lado e aprecie a vista."
Zoe: (nervosa) "Eu n?o quero olhar para baixo."
L¨¦o: "N?o ¨¦ para voc¨º olhar para baixo, apenas olhe para as ¨¢rvores, as nuvens, as montanhas e... S¨® n?o olhe para o sol, sen?o vai queimar seus olhos, haha."
Zoe se ajeitou no galho, ficando bem ao lado de L¨¦o. Ela observou o horizonte e notou que a vis?o era realmente incr¨ªvel. Eles ficaram apreciando a paisagem por um tempo.
Ambos ficaram em sil¨ºncio, apenas apreciando a vista. Alguns p¨¢ssaros come?aram a voar ao longe, formigas cuidavam de suas col?nias, esquilos corriam pelos galhos de outras ¨¢rvores, e um vento suave soprava contra eles.
L¨¦o: (quebrando o sil¨ºncio) "Isso me faz lembrar daquela vez que a mam?e e o papai fizeram uma surpresa para a gente com um piquenique."
Zoe: (empolgada) "Sim! Eu lembro. Eles nos levaram para uma colina com vista para um lago."
[Alguns meses antes]
Samantha: "Esperem mais um pouquinho, crian?as. Estamos quase l¨¢."
Victor e Samantha estavam acompanhados dos filhos. As crian?as estavam com uma pequena venda cobrindo os olhos enquanto eram guiadas pelos pais. "E... chegamos!" Samantha disse alegremente enquanto retirava a venda de L¨¦o e Zoe. Os olhos dos pequenos brilhavam ao perceberem que estavam em uma colina de frente para um lago cristalino com diversos peixes nadando. Victor pegou um tecido xadrez, de cores vermelha e branca, e o estendeu no ch?o, colocando uma cesta de palha em cima para n?o sair voando com o vento agrad¨¢vel que soprava.
Victor come?ou a organizar os alimentos enquanto Samantha observava o local com os olhos encantados, como os das crian?as. L¨¦o apontou para o lago e disse: "M?e, eu posso tomar banho l¨¢?" Zoe, n?o perdendo a oportunidade, acrescentou: "Eu tamb¨¦m quero tomar banho no lago."
Samantha: "N¨®s n?o trouxemos roupas nem panos para voc¨ºs se enxugarem. Acabamos esquecendo desse detalhe. Pe?o desculpas, meus pequenos."
Victor: "N?o se preocupem. Quando estiver pr¨®ximo de anoitecer, voc¨ºs podem tomar banho com as roupas que est?o usando. Por agora, vamos aproveitar a tarde e toda essa comida que preparamos."
As crian?as correram at¨¦ a ¨¢rea do piquenique e se sentaram. Samantha fez o mesmo, ficando ao lado de Victor e apoiando a cabe?a no ombro dele. "Podem comer o quanto quiserem, crian?as," ela disse. "S¨® tomem cuidado para n?o engordarem," Victor alertou. Samantha deu um leve tapa na perna dele, dizendo: "Deixa as crian?as comerem o quanto elas quiserem, querido. Faz bem para o crescimento." Victor soltou uma risada. "S¨® se for o crescimento da barriga, hahaha." Samantha riu junto.
Samantha: "Para de fazer essas brincadeiras, sen?o eles v?o achar que voc¨º est¨¢ falando s¨¦rio."
Victor observou os arredores, apreciando a vista, e cortou uma torta em peda?os iguais para todos. A fam¨ªlia come?ou a comer e conversar sobre passeios futuros, relembrando o passado e se divertindo ao contar hist¨®rias para as crian?as, tornando aquele dia inesquec¨ªvel para elas.
O c¨¦u come?ou a escurecer e Zoe estava brincando com L¨¦o no lago. Eles competiam para ver quem aguentava mais tempo debaixo d''¨¢gua. Samantha e Victor os observavam na beira do lago. Samantha fez um olhar preocupado e questionou: "Essa brincadeira n?o ¨¦ perigosa?" "N?o se preocupe, eles n?o v?o se afogar." "Como tem tanta certeza?" Victor estufou o peito e disse, orgulhoso: "Porque eu estou aqui."
Samantha: (rindo) "Haha, adoro seu senso de humor, e tamb¨¦m adoro esse seu jeito protetor com as crian?as."
Ela se aproximou mais dele, lhe dando um beijo. L¨¦o levantou a cabe?a, respingando ¨¢gua nos pr¨®prios pais. Eles separaram os l¨¢bios, e Samantha disse, rindo levemente pela intrus?o repentina: "Filho, cuidado." "Desculpa, m?e." Zoe levantou da ¨¢gua poucos segundos depois, molhando ainda mais Victor e Samantha, que se levantaram rapidamente e se afastaram, rindo da situa??o. "Eu ganhei?" Zoe perguntou. "Sim, voc¨º ganhou, dessa vez," L¨¦o respondeu.
Zoe comemorou a vit¨®ria, e L¨¦o passou o resto do tempo desafiando-a para outras brincadeiras. Mais tarde, ficaram cansados e sa¨ªram da ¨¢gua. Samantha juntou a cesta e o pano do piquenique enquanto Victor carregava Zoe nas costas, que j¨¢ estava dormindo por conta da exaust?o.
L¨¦o: "Meus p¨¦s est?o cansados. Acho que n?o vou mais aguentar ficar andando at¨¦ em casa."
Samantha: "Aguenta s¨® um pouquinho mais, j¨¢ estamos perto."
L¨¦o: "Por que a Zoe pode ir nas costas do papai, mas eu n?o? Eu tamb¨¦m estou cansado."
Victor: "Porque ela ¨¦ uma garota, L¨¦o, e as garotas precisam ser a prioridade nessas situa??es, enquanto voc¨º precisa ser forte e resiliente, como um homem deve ser."
L¨¦o: "Hein?"
Victor: "Como posso explicar isso para voc¨º? Os homens devem ser fortes e corajosos, L¨¦o, para proteger aqueles que s?o importantes e nunca demonstrar suas fraquezas para qualquer um."
L¨¦o: "E por que a Zoe n?o pode fazer o mesmo?"
Victor: "Mas ela pode sim fazer o mesmo. Mas voc¨º deve ser a fonte que a inspira a se superar e dominar seus medos. Dessa forma, ela vai te retribuir com algo ainda mais valioso."
L¨¦o: "Tipo o qu¨º?"
Samantha: "Respeito."
L¨¦o: "N?o sei se consegui entender ainda."
Samantha: "Um dia voc¨º vai entender o que seu pai est¨¢ querendo dizer, L¨¦o. E quando entender, fa?a quest?o de ser um bom irm?o para a sua irm?. D¨º seguran?a para ela sempre que se sentir insegura e for?a sempre que se sentir fraca. Zoe ¨¦ uma garota muito boa. Tenho certeza de que ela tamb¨¦m vai tentar retribuir do mesmo jeito."
Essas frases rodearam a mente de L¨¦o. Ele olhou para a irm?, que estava dormindo calmamente com um semblante alegre, e caminhou com mais firmeza, ignorando o inc?modo e percorrendo todo o caminho at¨¦ sua casa.
[Presente]
"Forte e resiliente," sussurrou L¨¦o. Zoe olhou para ele, confusa. "Forte e o qu¨º?" "Nada n?o. Voc¨º quer ver os arredores da floresta comigo?" L¨¦o desceu da ¨¢rvore rapidamente e limpou suas roupas dando leves tapas. Zoe olhou para baixo e tremeu com a sensa??o de altura. "Eu n?o sei se vou conseguir descer." "¨¦ s¨® fazer a mesma coisa que fez quando subiu, s¨® que dessa vez descendo."
Zoe segurou firme no galho e come?ou a tentar descer um pouco. Um fruto se desprendeu da ¨¢rvore e acertou sua cabe?a. Pelo susto, ela soltou o galho e despencou em dire??o ao ch?o. "AAHH!" L¨¦o agiu r¨¢pido e estendeu os bra?os para segur¨¢-la. Ela colidiu contra os bra?os dele, fazendo L¨¦o cair no ch?o com o peso do corpo dela. Ambos foram jogados no ch?o, e Zoe se pronunciou rapidamente. "Eu consegui que fosse morrer", ela disse com a voz tr¨ºmula, colocando a m?o no peito, tentando se enganar. L¨¦o colocou as m?os no peito e disse com a voz entrecortada: "Agh, voc¨º ¨¦... muito pesado." "Eu n?o sou pesado, voc¨º que ¨¦ fraco demais."
Zoe estendeu a m?o para L¨¦o. Ele segurou a m?o dela e se declarou. "Mas obrigada por ter me segurado. Voc¨º se machucou?" "N?o se preocupe. Vamos indo?" "Vamos."
Eles caminharam pela floresta por alguns minutos at¨¦ encontrarem um local com algumas flores. Uma pequena parte delas foi destru¨ªda, e L¨¦o comentou enquanto afirmava: "Parece que a chuva da noite passada arrancou e destruiu algumas." Ele pegou uma carta azul e entregou para Zoe. "Toma, eu uso isso." Zoe pegou uma flor, analisando-a. "Por que eu deveria usar isso?" "¨¦ para dar mais coragem para voc¨º." Ele pegou uma flor de volta e prendeu a l¨ªrio azul entre os cabelos de Zoe. "Assim como essa tempestade foi uma grande e cont¨ªnua de p¨¦, voc¨º tamb¨¦m vai ter que ser resiliente e forte, como essa flor." Zoe se surpreendeu com a situa??o. "Mas... as flores s?o fr¨¢geis. N?o sei se elas s?o um bom exemplo de for?a, haha." Algumas abelhas surgiram, indo at¨¦ algumas flores que ainda estavam de p¨¦, pegando o p¨®len e voltando para a colmeia. Os irm?os acompanharam andando por mais tempo.
Zoe deu uma noz para um esquilo, e L¨¦o tentou fazer o mesmo, mas foi perseguido porque pegou a noz do esconderijo deles, e eles n?o ficaram nem um pouco contentes.
Eles passaram um bom tempo juntos, explorando os arredores da casa, e o tempo passou sem que percebessem. Zoe estava andando, carregando algumas ma??s. L¨¦o carregou um cacho de bananas e disse: "Ser¨¢ que faz mal se alimentar de frutas o dia inteiro?" Zoe mordeu uma das ma??s e engoliu. "Acho que n?o. O papai sempre dizia que a fruta fazia bem para a sa¨²de." Zoe notou que j¨¢ estava entardecendo e disse: "Daqui um pouco o tio Roger vai voltar. Acho bom voc¨º ir logo fazer o seu trabalho e limpar a casa." L¨¦o fez uma fei??o de t¨¦dio, mas entendeu que n?o poderia ficar enrolando para sempre. "T¨¢ bom, vamos voltar ent?o."
Eles caminharam na dire??o da casa. De certa forma, o cora??o de ambos ficou mais calmo com o tempo que passaram juntos. Zoe tocou levemente na flor que ainda estava presa em seus cabelos e deu um sorriso contente, sabendo que tinha mais uma lembran?a que nunca quis esquecer.
Segredos
Os irm?os voltaram para a casa do tio, e L¨¦o foi at¨¦ uma cesta para deixar as frutas que colheu. Ele pegou a vassoura e foi at¨¦ o andar de cima para come?ar a limpeza. A casa era bem marcante, ent?o ele comentou o mesmo: "Isso vai demorar bastante." E comecei a limpeza.
Finalmente, ele conseguiu acumular sujeira em toda a sala depois de algumas horas, mas havia um carpete bem grande no meio do caminho. "Zoe, me ajuda a tirar esse carpete daqui. Enrola aquele lado que eu enrolo desse." "Est¨¢ bem." Eles pegaram o carpete, um de cada lado, e ficaram a enrol¨¢-lo, deixando-o de p¨¦, apoiado na parede pr¨®xima. Abaixo do carpete, havia um por?o, que estava fechado por um cadeado. L¨¦o questionou: "Desde quando o tio Roger tem um por?o?"
Zoe comentou: "Eu tamb¨¦m n?o sei. S¨® agora vi esse por?o a¨ª." L¨¦o se mudou do cadeado, pegou e pux¨¢-lo. "Ser¨¢ que ele guarda as coisas dele l¨¢?" "Ei, para mexer nas coisas dele!" "Mas e se voc¨º tiver alguma coisa l¨¢? Alguma informa??o de onde nossos pais poderiam ter ido, talvez?" Zoe ficou pensativa, e a curiosidade tomou conta. "O que faz voc¨º pensar que tenha algo a¨ª?"
L¨¦o soltou o cadeado e disse: "Pense bem, Zoe. Uma semana antes de virmos para a casa do tio Roger, nossos pais ficaram fazendo visitas frequentes aqui. Cinco dias depois, eles nos trouxeram para passar um tempo com ele, dizendo que ficaram coisas importantes para tratar. O tio Roger ¨¦ o irm?o mais velho do papai, ent?o ele deve saber de alguma coisa."
Zoe: "Pensando bem, ele ignorou completamente a minha pergunta de ontem, quando eu perguntei se os nossos pais disseram alguma coisa para ele antes de partir."
L¨¦o casualmente: "Exatamente. Ele evitou responder, e agora tamb¨¦m n?o est¨¢ em casa. Ent?o, ¨¦ a hora perfeita para olharmos o que tem l¨¢. N?o sei quando ele estar¨¢ ausente de novo." Zoe pensou por alguns segundos, mas n?o podia negar que tamb¨¦m queria saber mais sobre o que estava acontecendo. "Vamos encontrar a chave do cadeado", ela disse, ficando mais curiosa ao pensar que n?o poderia haver l¨¢ dentro.
L¨¦o come?ou a procurar na sala enquanto Zoe tentava na cozinha. Eles passaram alguns minutos e n?o encontraram nada parecido com uma chave.
Zoe: "N?o tem nada aqui."
L¨¦o: "Aqui tamb¨¦m n?o."
Zoe voltou para a sala e sugeriu: "Eu acho que ele deve ter guardado no quarto dele." Ela foi at¨¦ o quarto e descobriu por um bom tempo, mas tamb¨¦m n?o encontrou nada. "Tamb¨¦m n?o t¨¢ aqui." L¨¦o ficou pensando por um tempo.
Zoe: "Ele vai voltar logo. Precisamos ser r¨¢pidos."
L¨¦o: "J¨¢ sei. Zoe, vai at¨¦ a parte de tr¨¢s da casa e v¨º se tem alguma coisa por l¨¢."
Zoe correu at¨¦ a parte de tr¨¢s da casa, vasculhando e remexendo tudo o que havia por l¨¢. Ela n?o encontrou nada de ¨²til, exceto um arame. "Acho que d¨¢ para usar isso." Ela voltou para dentro da casa e disse: "Encontrei esse arame." "Perfeito, podemos usar isso para tentar abrir o cadeado." L¨¦o pegou o arame da m?o dela, e Zoe perguntou: "Voc¨º sabe destrancar um cadeado com isso?" "O tio Roger me ensinou a fazer isso. Ele disse que era bem ¨²til estiv¨¦ssemos presos em algum lugar por um cadeado." Zoe ficou surpresa com uma not¨ªcia t?o repentina. "N?o me lembro dele ligar para voc¨º para ensinar isso." L¨¦o riu e respondeu: "Haha, ¨¦ que voc¨º preferiu ficar com o papai e a mam?e nesse dia, porque voc¨º n?o queria ficar longe deles." L¨¦o terminou de entortar o arame e colocou-o no cadeado, destrancando-o em poucos segundos. "Abriu!"This story originates from a different website. Ensure the author gets the support they deserve by reading it there.
L¨¦o abriu a porta do por?o, revelando uma escada que descia para uma escurid?o total. ¡°Precisamos de alguma fonte de luz, est¨¢ muito escuro l¨¢ embaixo¡±, ele disse. Zoe rapidamente teve uma ideia. "Podemos usar a lamparina do nosso quarto." "¨®tima ideia." Zoe correu at¨¦ o quarto, pegou a lamparina e foi at¨¦ a cozinha. L¨¢, limpou a lamparina, ajustou o pavio, colocou combust¨ªvel e acendeu com um f¨®sforo. "Pronto."
Ela voltou at¨¦ L¨¦o e entregou uma lamparina para ele. "Aqui est¨¢." L¨¦o pegou uma lamparina da m?o dela e come?ou a descer as escadas, afastando a escurid?o ao redor. Zoe acalmou logo atr¨¢s dele. "O que voc¨º acha que tem a¨ª?" ela disse. L¨¦o observou a escurid?o ¨¤ frente por um tempo, hesitando por alguns segundos. "Eu n?o fa?o ideia." Eles seguiram seguindo.
Depois de descer um pouco mais, finalmente chegaram ao ¨²ltimo degrau da escada e adentraram uma sala cheia de objetos estranhos: joias, livros antigos e pequenas est¨¢tuas de figuras desconhecidas. Eles ficaram surpresos. Zoe disse, sem acreditar no que estava vendendo: "O que ¨¦ tudo isso?" "Eu... tamb¨¦m n?o sei", respondeu L¨¦o.
Eles se aproximaram de algumas das joias. Zoe pegou uma de cor verde enquanto L¨¦o pegou outra de cor vermelha. L¨¦o analisou e arregalou os olhos. "Isso ¨¦ um rubi?"
Zoe: "¨¦, e eu acho que isso aqui ¨¦ uma esmeralda."
L¨¦o: "Por que o tio Roger tem isso guardado em um por?o?"
Zoe: "Talvez ele colecione essas coisas? Mas se fosse o caso, por que ele nunca nos contornou?"
L¨¦o deixou o rubi de volta no lugar onde pegou. "Tem mais coisas aqui." Ele foi at¨¦ uma prateleira onde havia tr¨ºs est¨¢tuas de decora??o. A primeira est¨¢tua era um lobo sentado em um tipo de trono estranho feito de espadas. A est¨¢tua era feita de pedra com lacunas azuis. A segunda era feita de ouro: uma mulher com uma forma corporal redonda, com as m?os juntas. A terceira era uma criatura com asas de morcego, cabe?a de urso e um corpo humanoide distorcido.
L¨¦o inspirou e analisou os santos. "Estranho." Zoe pegou um amuleto com um s¨ªmbolo de um sol com pessoas adorando-o, levantando as m?os para cima. "S?o pessoas adorando um sol? ¨¦ algum tipo de religi?o?" L¨¦o deixou as est¨¢tuas e foi at¨¦ Zoe. "Deixa eu ver." Ele analisou o amuleto. "Pare que sim."
Zoe guardou o amuleto e informou que ao lado havia um ba¨² de madeira. Ela abriu e revelou uma grande quantidade de moedas de ouro e armas valiosas, como pulseiras com joias caras e an¨¦is dourados. "Tem muitas coisas ¨²teis aqui." L¨¦o comentou a sala, dando uma volta ao redor, at¨¦ que algo chamou sua aten??o, mais do que qualquer tesouro. "Zo¨¦!" "O que foi?" "Olha isso!" Ele pegou um quadro de pintura com Victor e Samantha juntos, segurando dois beb¨ºs. Zoe se moveu, tocando no quadro. "S?o os nossos pais." Ela passou a m?o pela moldura e notou que n?o tinha nenhuma sujeira. L¨¦o guardou o quadro. Zoe observou um livro deixado perto de uma pequena mesinha, sem ilustra??o e sem t¨ªtulo, apenas uma capa preta com detalhes em dourado. Ela pegou e abriu o livro. Um peda?o de papel caiu dentro dele. Ela pegou o papel e notou que havia algo escrito, mas n?o conseguiu ler por conta da falta de ilumina??o. "L¨¦o, ilumina aqui." L¨¦o se moveu, deixando as letras mais vis¨ªveis.
"O sangue que os une ¨¦ a resposta. As l¨¢grimas dos anjos dir?o a verdade."
L¨¦o: "O que significa isso?"
Zoe deu de ombros, tamb¨¦m confusa com a frase. "N?o sei, mas esse livro n?o ¨¦ o mesmo que o papai tinha na estante da sala dele? Ele nunca deixou a gente tocar naquele livro." L¨¦o comentou com mais aten??o e notou que a capa preta com partes douradas tinha certas semelhan?as. "Agora que falei, tem algumas semelhan?as." L¨¦o olhou para as escadas atr¨¢s deles. "Acho melhor a gente voltar, deixe tudo no lugar e n?o mexe mais em nada." Zoe guardou tudo no lugar, e L¨¦o come?ou a andar de volta para as escadas. Zoe hesitou um pouco, voltou a olhar para o livro de capa preta e o pegou, guardando-o debaixo das vestes.
Eles subiram as escadas rapidamente e voltaram para a sala onde estavam. Zoe fechou a porta do por?o, e L¨¦o pegou o cadeado, trancando-o logo em seguida. Ambos pegaram o carpete, mas L¨¦o avisou: "Espere, deixa eu tirar a sujeira primeiro." Ele pegou a vassoura e tirou toda a sujeira e poeira acumulada, varrendo para o lado de fora da casa. "Pronto." Eles pegaram o carpete e arrumaram, tirando qualquer evid¨ºncia que os condenasse.
Eles notaram uma presen?a se aproximando da casa. Era Roger, caminhando em dire??o ¨¤ porta, com um olhar s¨¦rio e os olhos fixos nos irm?os. Ele andava com passos pesados, e por algum motivo, o cora??o deles disparou. Era como se Roger fosse diferente. Eles sabiam que n?o havia como ele saber o que tinham feito, mas, mesmo assim, os olhos dele transmitiam uma intensidade forte, como se ele soubesse de algo.
Forte & Resiliente
Os irm?os observavam Roger se aproximar com passos lentos e pesados. Ele finalmente parou na frente da porta, que j¨¢ estava entreaberta, a madeira rangendo suavemente. Roger olhou para as crian?as e logo passou os olhos por toda a sala, notando que estava mais limpa do que de manh?, quando ele saiu apressado. "Voc¨ºs limparam a casa?" perguntou, erguendo uma sobrancelha com um misto de surpresa e cansa?o. As crian?as responderam em un¨ªssono: "Limpamos." Roger deu um sorriso for?ado, que n?o chegava aos olhos. "Bom trabalho," disse, tentando fazer um elogio casual, embora sua mente estivesse claramente em outro lugar. Os irm?os logo perceberam que ele estava... diferente.
L¨¦o foi o primeiro a questionar, a preocupa??o transparecendo em sua voz: "Aconteceu algo, tio?"
Roger suspirou, passando a m?o pelos cabelos. "Tem algo importante que preciso contar. ¨¦ sobre os pais de voc¨ºs."
Zoe, com os olhos brilhando de esperan?a, perguntou de imediato: "Eles j¨¢ voltaram?!"
Roger adentrou a casa completamente, fechando a porta atr¨¢s de si. Ele olhou ao redor como se estivesse escolhendo as palavras com cuidado. "Sentem-se no sof¨¢. Preciso ter uma conversa com voc¨ºs agora."
Zoe sentiu um frio na barriga ao ouvir essas palavras. Normalmente, eles sabiam que o tio tinha algo importante para falar sempre que fazia esse tipo de abordagem. L¨¦o sentiu um arrepio na espinha. Tratando-se dos pais, ele esperava que fosse uma not¨ªcia boa, mas, olhando a face do tio, j¨¢ esperava uma not¨ªcia ruim. No fundo, n?o queria acreditar nessa possibilidade.
Eles foram at¨¦ o sof¨¢ e se sentaram, trocando olhares apreensivos. Roger pegou uma cadeira e a colocou de frente para eles. Sentou-se, e alguns segundos de sil¨ºncio dominaram o local. Ele suspirou novamente, deixando um semblante s¨¦rio e autorit¨¢rio enquanto olhava para eles com firmeza. "Voc¨ºs sabem que eu n?o sou de enrolar para dizer as coisas, e n?o quero que pensem que estou sendo insens¨ªvel aqui."
Os irm?os se olharam por um breve momento, tentando encontrar coragem um no outro.
Zoe assentiu lentamente. "N¨®s sabemos."
Roger respirou fundo antes de continuar. "Eu fui at¨¦ a cidade de Arbordale hoje mais cedo e recebi a not¨ªcia dos guardas locais de que ontem ¨¤ noite foram encontrados tr¨ºs corpos: dois homens e uma mulher. Ainda n?o sei qual ¨¦ a identidade deles, mas quero que voc¨ºs j¨¢ estejam preparados para o pior."
L¨¦o sentiu um n¨® na garganta. "Voc¨º est¨¢ supondo que talvez dois desses tr¨ºs corpos sejam dos nossos pais?"
Roger assentiu com gravidade. "Exatamente."
Zoe tremeu nesse momento. S¨® de imaginar a morte de seus pais, come?ou a suar frio, como se temesse a ideia de todas as formas imagin¨¢veis. L¨¦o tamb¨¦m n?o estava exclu¨ªdo disso. Ele sentia medo, mas tentava se manter positivo.
Zoe, com a voz tr¨ºmula e ansiosa, perguntou: "Mas como assim?! Por que eles estariam mortos?!"
Roger manteve a calma, mas sua voz era firme. "Eu n?o disse que eles est?o. S¨® estou dizendo que h¨¢ a possibilidade de um dos corpos ser o deles." Mesmo ao tratar da suposta morte do pr¨®prio irm?o, Roger conseguiu manter a voz firme e controlada. L¨¦o foi um pouco mais astuto e percebeu que ele estava tentando apenas transmitir confian?a no modo calmo de falar. Mas o mesmo n?o se aplicava a Zoe. Ela estava com medo. Nesse momento, muitas possibilidades passavam pela sua mente. Ela apenas cravou as unhas no tecido da roupa e ficou olhando para baixo, sem saber o que dizer, o que pensar e como agir.
Roger olhou para os sobrinhos com empatia. "Eu sei, entendo que voc¨ºs estejam com medo. Eu tamb¨¦m estou, mas enquanto n?o tivermos certeza, vamos nos manter positivos."
L¨¦o, com um suspiro, perguntou: "Mas o que a gente vai fazer?"
Roger levantou-se da cadeira, ficando de p¨¦. "Vamos para Arbordale e para a casa dos seus pais. De l¨¢, eu vou ao edif¨ªcio dos guardas locais e pedirei para ver os corpos. Normalmente, corpos encontrados nas ruas s?o analisados e guardados em uma sala fria para n?o apodrecerem. Estejam preparados." Ele come?ou a andar em dire??o ao quarto, pegando um casaco.
L¨¦o observou o nervosismo da irm? e tentou confort¨¢-la. "N?o se preocupe, Zoe. Ainda n?o sabemos se s?o os nossos pais ou n?o, mas vamos torcer para que n?o sejam eles." Zoe balan?ou a cabe?a, negando a tentativa dele de acalm¨¢-la. "Mas... e se forem eles? O que... o que vamos fazer?" Antes que L¨¦o pudesse responder, Roger apareceu novamente, agora com um olhar resoluto.
Roger: "Vamos."
L¨¦o colocou as duas m?os nos ombros de Zoe, encarando-a de frente. "Vamos l¨¢, Zoe. N?o fique cabisbaixa enquanto n?o soubermos de nada. Como uma flor, a gente deve aguentar as tempestades, lembra?"
Zoe levantou a cabe?a, encarando-o nos olhos. Ela viu uma fonte de coragem refletindo nos olhos de L¨¦o, o que acalmou um pouco da sua ansiedade. "Est¨¢ bem."
L¨¦o pegou na m?o dela e a guiou at¨¦ o lado de fora, onde Roger estava esperando. Eles seguiram para a cidade de Arbordale, cada passo aumentando a tens?o, mas tamb¨¦m refor?ando a esperan?a de que tudo pudesse acabar bem.
Eles seguiram por uma estrada de terra, cercada por ¨¢rvores ao fundo e grama alta. O sol j¨¢ estava se pondo, tingindo o c¨¦u de laranja e roxo, marcando o in¨ªcio da noite. Ao longe, seguindo reto pela estrada, conseguiam ver uma pequena comunidade, n?o muito distante da casa de Roger. A atmosfera, geralmente tranquila, parecia carregada com uma tens?o invis¨ªvel.
L¨¦o, ainda confuso, perguntou: "Por que a gente n?o vai direto para o edif¨ªcio? N?o entendo por que precisamos ir para a casa dos nossos pais primeiro."
Roger, mantendo o olhar fixo ¨¤ frente, respondeu: "Vamos ver se encontramos alguma coisa que possa nos ajudar."
Zoe, com uma express?o de d¨²vida, perguntou: "Por que o papai e a mam?e foram embora t?o de repente?"
Roger, sem desviar o olhar da estrada, respondeu: "Eles tinham assuntos para tratar, Zoe."
Zoe franziu a testa, claramente insatisfeita com a resposta vaga. "..."
L¨¦o, persistente, questionou: "Mas que assuntos s?o esses? Por que, do nada, eles decidiram ir embora?"
Roger parou por um momento, parecendo escolher cuidadosamente suas palavras. "Eles n?o foram embora. N?o pense que abandonaram voc¨ºs para fazer um passeio mundo afora. Havia algo a mais."
Zoe, sentindo uma pontada de ansiedade, perguntou: "Algo a mais? Tipo o qu¨º?"
Roger, com um tom mais s¨¦rio, respondeu: "Eles n?o quiseram me informar de nada sobre oque estava acontecendo, eles disseram que eles j¨¢ estavam passando por muito perigo s¨® de estarem envolvidos e por causa disso n?o me contaram nada, eles n?o queriam que eu ficasse em perigo tamb¨¦m, mas eles me fizeram prometer que eu iria cuidar de voc¨ºs e ¨¦ isso que irei fazer"
Eles continuaram andando at¨¦ chegarem ¨¤ entrada da comunidade, onde uma placa desgastada pelo tempo dizia "Arbordale". Ao passarem pela entrada, um guarda os abordou, alertando: "Tome cuidado por a¨ª, senhor. Parece que h¨¢ um assassino na cidade, ent?o nunca deixe seus filhos andarem por a¨ª sozinhos."
L¨¦o olhou para o guarda, corrigindo-o: "Ele ¨¦ o meu tio, n?o o meu pai." O guarda logo se corrigiu: "Ah, pe?o desculpas, mas o aviso j¨¢ foi dado. Ent?o, tomem cuidado, e qualquer pessoa suspeita que voc¨ºs encontrem, por favor, chamem os guardas e relatem tudo sobre o suspeito para eles."
Roger, acenando com a cabe?a, respondeu: "Tudo bem, iremos alertar caso aconte?a alguma coisa."
Eles continuaram, passando por algumas ruas desertas e casas silenciosas, at¨¦ chegarem ¨¤ moradia de Victor e Samantha. Roger pegou uma chave de metal, colocou na fechadura e girou, ouvindo o clique da tranca. Ele abriu a porta, revelando uma sala acolhedora, com uma mesa de madeira polida, vasos de plantas bem cuidados, uma poltrona de veludo, um r¨¢dio antigo e um sof¨¢ pr¨®ximo a uma estante repleta de livros.
Roger entrou na sala junto com as crian?as e fechou a porta atr¨¢s deles. "Esperem aqui na sala. Vou checar os outros c?modos." Zoe e L¨¦o obedeceram e se sentaram no sof¨¢, com os nervos ¨¤ flor da pele, enquanto Roger investigava o restante da casa.
Eles ficaram um tempo em sil¨ºncio, apenas ouvindo o som dos passos de Roger e o barulho distante de objetos sendo movidos. Cada som parecia amplificar a tens?o no ar.
L¨¦o, tentando se distrair, olhou para a estante de livros, passando os olhos pelos t¨ªtulos, mas nada conseguia prender sua aten??o. Ele se sentia perdido em um mar de incertezas.
Roger voltou para a sala, e L¨¦o perguntou: "Encontrou alguma coisa?"
Roger: "N?o."
Zoe: "Tio Roger, se o senhor n?o sabe de nada, por que n?o me respondeu quando perguntei se eles contaram algo para o senhor antes de irem embora ontem ¨¤ noite?"
Roger: "Est¨¢ se referindo ao momento em que contei aquela hist¨®ria para voc¨ºs, certo?"
Zoe: "Sim."
"Eu n?o queria preocupar voc¨ºs com informa??es que nem eu sei. Isso s¨® deixaria voc¨ºs dois mais alertas e preocupados, e n?o era isso que eu queria. Mas agora a situa??o ¨¦ outra. Enfim, estou indo para o edif¨ªcio. Voc¨ºs ficam aqui e n?o saiam dessa casa."
Zoe: "Por que n?o podemos ir junto com o senhor?"
Roger: "Porque tem um assassino solto por a¨ª, e n?o quero meter voc¨ºs em perigos desnecess¨¢rios. Por isso, fiquem aqui e evitem abrir a porta para estranhos."
L¨¦o: "Se o senhor vai deixar a gente sozinhos na casa, por que trouxe a gente junto? N?o seria mais seguro ficarmos na sua casa?"
Roger: "N?o, n?o seria. A maioria dos assassinos se escondem nas regi?es da floresta, e, se por acaso ele estiver vagando pelas proximidades da floresta, voc¨ºs estariam em perigo se ficassem por l¨¢."
Roger se moveu em dire??o ¨¤ porta, mas foi parado por Zoe, que segurou sua camisa com for?a e disse: "Eu quero que voc¨º me leve junto."
Roger ficou surpreso por alguns instantes, mas logo voltou ao normal. "N?o posso levar voc¨º. ¨¦ perigoso."
Zoe: "Mas se trata dos nossos pais. Eu quero ver se s?o eles ou n?o. Ent?o, por favor, tio Roger, me leve junto com voc¨º."
L¨¦o: "A Zoe est¨¢ certa. ¨¦ dos nossos pais que estamos falando. A gente precisa saber se s?o eles ou n?o."
Zoe: "Eu entendo que o senhor s¨® quer nos proteger disso tudo, mas a gente tamb¨¦m tem que saber a verdade do que est¨¢ acontecendo."
Unauthorized duplication: this narrative has been taken without consent. Report sightings.
Roger observou aquelas duas crian?as. Elas estavam claramente tr¨ºmulas e com medo da situa??o, mas, mesmo assim, refletiam uma forte determina??o no olhar. Os olhos castanhos ardendo em valentia lembravam os olhos de Victor quando precisava ser corajoso. Roger entendeu a situa??o e deu um leve sorriso sincero para eles. "Voc¨ºs t¨ºm os mesmos olhos dele," ele pensou consigo mesmo.
Roger: "Voc¨ºs t¨ºm raz?o, mas fiquem perto de mim e n?o se afastem por nada sem a minha permiss?o, tudo bem?"
Ambos concordaram com a cabe?a, e Roger saiu para o lado de fora da casa, seguido por L¨¦o e Zoe. O trio caminhava pelas ruas estreitas e sombrias, onde a presen?a de muitos guardas fazendo patrulha nos diversos becos era evidente. O ar estava frio e ¨²mido, as casas ao redor estavam completamente fechadas, e uma n¨¦voa espessa vagava pelas estradas, conferindo um ar ainda mais sinistro ao cen¨¢rio.
Eles chegaram ao local onde havia um guarda robusto, de postura r¨ªgida, na frente de uma porta dupla de madeira maci?a. Ele notou a presen?a dos tr¨ºs e se aproximou, examinando-os com olhar atento.
Guarda: "Posso ajudar?"
Roger: "Queremos entrar e saber mais informa??es sobre os corpos encontrados na noite passada. Meu irm?o mora por essas redondezas e n?o tenho not¨ªcias dele at¨¦ ent?o. Quero ver os corpos para verificar se um deles ¨¦ do meu irm?o."
O guarda olhou profundamente nos olhos de Roger e depois para as crian?as ao lado dele, percebendo a seriedade da situa??o.
Guarda: "Entendo. Estamos procurando informa??es valiosas que nos ajudem a achar o suspeito. Talvez voc¨º possa ajudar a reconhecer as v¨ªtimas. Por favor, me sigam."
O guarda adentrou o edif¨ªcio com passos firmes e os guiou por diversos corredores com v¨¢rias portas de metal diferentes, onde muitas outras pessoas estavam trabalhando freneticamente, fazendo relatos e alertas. O som de pap¨¦is sendo folheados e l¨¢pis rabiscando criava uma atmosfera de tens?o.
Eles chegaram a uma porta que ficava bem isolada das demais, e o guarda bateu tr¨ºs vezes nela, cada batida ecoando pelo corredor silencioso. Um barulho de algo se destrancando foi ouvido, e um homem na casa dos 40 anos abriu a porta. "Precisa de alguma coisa?" ele perguntou ao guarda, com uma voz firme e experiente.
Guarda: "Essas pessoas vieram para ver os corpos das v¨ªtimas e talvez possam ajudar a reconhec¨º-las."
O homem olhou para Roger e as crian?as, seus olhos cinzentos avaliando-os meticulosamente. "Qual ¨¦ o nome de voc¨ºs?" perguntou, com um tom s¨¦rio.
Roger: "Eu me chamo Roger, e esses dois s?o L¨¦o e Zoe."
"E o sobrenome de voc¨ºs?"
Roger: "Petrova."
O homem assentiu e deu o sinal para o guarda sair com um gesto de obedi¨ºncia. O guarda deixou o local imediatamente. "Muito prazer em conhecer voc¨ºs. Podem me chamar de Dr. Elias. Entrem, por favor." Ele abriu mais a porta, dando espa?o para eles entrarem em uma sala iluminada por luzes frias, dentro da sala havia outra porta, dando vis?o para uma s¨¦rie de gavetas met¨¢licas alinhadas na parede que sugeria a presen?a dos corpos.
O Dr. Elias fechou a porta com um clique suave e logo disse: "Os corpos est?o nesta sala, mas... pe?o que s¨® voc¨º entre, senhor Roger. N?o acho que seria apropriado para essas crian?as verem coisas t?o horr¨ªveis."
L¨¦o, com a voz tr¨ºmula, protestou: "Mas... essas pessoas... essas pessoas podem ser os nossos pais!"
Zoe concordou com L¨¦o, sua voz ansiosa e determinada: "Exato, a gente tamb¨¦m quer saber se s?o eles. Ent?o, deixa a gente entrar tamb¨¦m, senhor!"
Roger segurou os ombros de cada um e se abaixou, ficando na altura deles e encarando-os profundamente. Ele sabia que n?o era nem um pouco respons¨¢vel deixar essas crian?as verem um cad¨¢ver, mas ele conseguia enxergar coragem nelas. N?o apenas isso, mas tamb¨¦m enxergou preocupa??o, uma que s¨® eles tr¨ºs poderiam compartilhar. "Eu quero que eles entrem junto comigo, Dr. Elias. Se forem os pais deles, eles precisam saber tamb¨¦m."
Dr. Elias hesitou por um momento, mas acabou cedendo: "Tudo bem, ent?o, mas pe?o que mantenham distancia dos corpos para n?o acontecer nenhum acidente."
Eles entraram na sala. O cora??o de Zoe e L¨¦o estremecia, batendo de maneira err¨¢tica dentro de seus peitos, como se quisesse escapar. A respira??o de ambos se tornou r¨¢pida e superficial, enquanto suas mentes eram inundadas por um turbilh?o de pensamentos inquietos. Suas m?os tremiam levemente, e uma sensa??o de formigamento percorria suas espinhas, deixando-os em estado de alerta constante. Cada segundo que passava parecia estender-se em uma eternidade angustiante, ¨¤ medida que a ansiedade tomava conta de seus corpos e mentes.
Zoe e L¨¦o entraram na sala gelada, sentindo o ar frio envolver seus corpos como um manto de gelo. O som de seus passos ecoava suavemente no ch?o de azulejos, enquanto o cora??o de ambos batia forte, ressoando em seus ouvidos como um tuh-tuh, tuh-tuh.
Tuh-tuh, tuh-tuh.
¨¤ medida que se aproximavam das tr¨ºs gavetas de metal, o som de seus cora??es parecia aumentar, acompanhando a tens?o crescente. Dr. Elias, com um olhar s¨¦rio e sombrio, estava ao lado das gavetas, pronto para revelar o que estava escondido ali.
Tuh-tuh, tuh-tuh.
Com um movimento firme, Dr. Elias puxou a primeira gaveta. Dentro dela, um homem jazia com as veias do corpo completamente roxas, como se o veneno tivesse se espalhado por todo o seu sistema.
Tuh-tuh, tuh-tuh.
Zoe e L¨¦o prenderam a respira??o enquanto Dr. Elias abriu as outras duas gavetas ao mesmo tempo. Em uma delas, um homem com a garganta cortada e um buraco de corte no peito. Na outra, uma mulher com cortes na barriga e um buraco no peito, exatamente na regi?o do cora??o.
Tuh-tuh, tuh-tuh.
O ar frio da sala parecia ainda mais gelado diante da vis?o macabra. Zoe e L¨¦o sentiram um calafrio percorrer suas espinhas, enquanto o som de seus cora??es continuava a bater forte, ecoando na sala silenciosa. Ambos olham e reconhecem que s?o seus pais mortos na frente deles.
Zoe sentiu o ch?o desaparecer sob seus p¨¦s ao ver os corpos de seus pais nas gavetas. O choque a atingiu como uma onda gelada, paralisando-a por um momento. Seus olhos se arregalaram, e a respira??o ficou presa em sua garganta. O cora??o batia descontroladamente, como se quisesse escapar de seu peito.
Tuh-tuh, tuh-tuh.
A dor e o desespero come?aram a se infiltrar em seu ser, como veneno correndo por suas veias. As l¨¢grimas come?aram a se acumular em seus olhos, turvando sua vis?o. Ela tentou segurar o choro, mas a tristeza era avassaladora. Um solu?o escapou de seus l¨¢bios, e as l¨¢grimas come?aram a rolar por seu rosto.
Zoe: (chorando) "N?o... n?o pode ser... mam?e... papai..."
Ela deu um passo ¨¤ frente, estendendo a m?o tr¨ºmula em dire??o aos corpos de seus pais, mas foi impedida por Roger, seu tio. Ele a segurou firmemente pelos ombros, tentando afast¨¢-la da vis?o horr¨ªvel.
Zoe lutou contra o aperto de Roger, desesperada para chegar at¨¦ seus pais. As l¨¢grimas ca¨ªam livremente agora, e sua voz estava embargada pelo choro.
Zoe: (gritando) "Por favor, tio Roger! Eu preciso v¨º-los! Eu preciso... eu preciso..."
Roger a puxou para longe, envolvendo-a em um abra?o protetor. Zoe se debatia, mas a for?a de suas emo??es a deixou fraca. Ela se entregou ao abra?o de Roger, solu?ando descontroladamente contra o peito dele.
Zoe: (chorando) "Por que... por que isso aconteceu?"
Roger acariciou o cabelo de Zoe, tentando confort¨¢-la enquanto a levava para fora da sala. Cada passo parecia um esfor?o monumental, e a dor no cora??o de Zoe era insuport¨¢vel. Ela sentia como se estivesse sendo rasgada por dentro, uma dor que palavras n?o podiam descrever.
Roger: (sussurrando) "Eu sei, Zoe. Eu sei. Vamos sair daqui. Voc¨º n?o precisa ver isso."
Zoe continuou a chorar, sentindo-se perdida e desamparada. A vis?o dos corpos de seus pais estava gravada em sua mente, e a sensa??o de perda era esmagadora. Ela se agarrou a Roger, buscando algum consolo em meio ao caos de suas emo??es.
Roger pegou Zoe no colo. Ela o abra?ava fortemente, sem querer solt¨¢-lo, buscando qualquer forma de conforto. Ele olhou para L¨¦o. "L¨¦o!" chamou ele, mas nenhuma resposta foi ouvida.
L¨¦o ficou im¨®vel, como se o tempo tivesse parado ao seu redor. O ar frio da sala parecia n?o afet¨¢-lo, pois ele estava preso em um torpor profundo. Seus olhos fixos nos corpos de seus pais, sem piscar, sem desviar o olhar. O cora??o dele, antes cheio de vida e esperan?a, agora parecia um peso morto em seu peito, batendo lentamente, quase sem for?a.
As lembran?as felizes, dos momentos de carinho e risadas com seus pais, come?aram a se desvanecer, como se fossem sombras fugindo da luz. Em seu lugar, a imagem horr¨ªvel dos corpos se fixava em sua mente, gravando-se como uma cicatriz eterna.
L¨¦o n?o conseguia chorar. As l¨¢grimas pareciam ter secado antes mesmo de se formarem. N?o havia gritos, n?o havia rea??es. Apenas um sil¨ºncio ensurdecedor que preenchia cada canto de sua alma. A tristeza profunda o envolvia como um manto pesado, sufocando qualquer vest¨ªgio de emo??o.
Sua inoc¨ºncia, aquela vis?o ing¨ºnua e pura do mundo, estava sendo arrancada brutalmente. Ele sentia como se uma parte de si estivesse morrendo junto com seus pais, deixando apenas um vazio imenso e desolador. O vazio era tudo o que restava, um abismo sem fim que consumia sua ess¨ºncia.
Roger, percebendo o estado de L¨¦o, aproximou-se lentamente. Ele colocou a m?o no ombro do sobrinho, mas L¨¦o n?o reagiu. Era como se ele estivesse em um transe, perdido em um mar de desespero e dor. Roger, com um olhar de tristeza e compreens?o, guiou L¨¦o para fora da sala, tentando proteg¨º-lo da vis?o que o havia despeda?ado.
L¨¦o seguiu mecanicamente, seus passos pesados e descoordenados. O mundo ao seu redor parecia distante, irreal. Tudo o que ele podia sentir era o vazio, um vazio que amea?ava engoli-lo por completo.
Enquanto Roger levava Zoe e L¨¦o para fora, o Dr. Elias fechava as gavetas e retornava para a sala anterior.
Roger: "Pe?o perd?o, eu vou deix¨¢-los em casa e depois volto aqui para conversar sobre os corpos, tudo bem?"
Dr. Elias: "N?o se preocupe, eu compreendo. Volte aqui amanh?. Por hora, apenas cuide deles."
Roger assentiu e levou os dois para o lado de fora. Zoe n?o parava de chorar contra o peito de Roger, enquanto gritava em um som abafado: "Por que?! Por que fizeram isso com eles?! Eu quero ver os meus pais de volta... Por favor, traga-os de volta!" Roger se esfor?ava para conter as l¨¢grimas, mas conseguia se manter firme.
A noite estava pesada, carregada de um sil¨ºncio quase palp¨¢vel enquanto Roger, Zoe e L¨¦o caminhavam de volta ¨¤ casa que uma vez foi cheia de amor e alegria. Zoe, com os olhos inchados e vermelhos, estava no colo de Roger, chorando silenciosamente contra o peito dele. Seus solu?os eram abafados pela camisa de Roger, que se esfor?ava para conter suas pr¨®prias l¨¢grimas, mantendo-se firme por eles.
L¨¦o seguia ao lado, seus passos pesados e descoordenados, como se cada movimento fosse um esfor?o monumental. O vazio em seu peito era esmagador, um abismo que consumia todas as emo??es. Ele n?o conseguia chorar, n?o conseguia reagir. Apenas seguia em frente, como uma sombra de si mesmo.
Os tr¨ºs avan?avam pelas ruas desertas, o som de seus passos ecoando na quietude da noite. Roger mantinha Zoe apertada contra si, sentindo o peso da dor dela e a sua pr¨®pria dor se entrela?ando. A cada passo, ele respirava fundo, lutando contra a urg¨ºncia de desabar, pois sabia que precisava ser forte por seus sobrinhos.
Quando finalmente chegaram ¨¤ casa, Roger parou por um momento, olhando para a porta da frente com um misto de dor e determina??o. Ele empurrou a porta devagar, e o ar dentro da casa parecia ainda mais pesado do que o de fora. As mem¨®rias felizes que antes enchiam aquele lar agora pareciam distantes e dolorosas.
Roger levou Zoe para dentro, ainda segurando-a firmemente, enquanto L¨¦o seguia mecanicamente. A sala de estar estava mergulhada em escurid?o, mas Roger n?o se incomodou em acender a lamparina. Ele guiou Zoe at¨¦ o sof¨¢ e a acomodou gentilmente, acariciando seu cabelo enquanto ela continuava a chorar.
Com a voz tr¨ºmula, Roger disse: "Desculpa, crian?as. Desculpa por n?o conseguir fazer nada por voc¨ºs nesse momento. Perd?o. Eu tamb¨¦m estou abalado com isso tudo mas... N?o sei o que devo fazer agora a n?o ser cuidar de voc¨ºs. Podem contar com meu apoio, est¨¢ bem?"
Roger puxou L¨¦o e Zoe para perto, envolvendo-os em um abra?o apertado. Ele podia sentir as l¨¢grimas quentes de Zoe molhando sua camisa e o corpo tr¨ºmulo de L¨¦o tentando conter o choro. Eles estavam unidos em um la?o de dor e perda, um consolo m¨²tuo em meio ao caos.
Roger segurou-os firmemente, tentando transmitir todo o amor e prote??o que podia. Ele sabia que, naquele momento, palavras n?o seriam suficientes para aliviar a dor que todos sentiam. Mas, pelo menos, eles tinham um ao outro para se apoiar.
O tempo passou, e Roger conseguiu, minimamente, confort¨¢-los. Zoe estava no quarto de seus pais, cercada pelas lembran?as que agora traziam um vazio. L¨¦o estava em seu pr¨®prio quarto, onde as sombras pareciam mais longas e as paredes mais opressivas. A casa agora estava mergulhada em um sil¨ºncio profundo e doloroso.
Roger sentou-se na cadeira da cozinha com um copo de ¨¢gua nas m?os. O l¨ªquido refletia a luz fraca, tremeluzindo como as emo??es que ele tentava conter. Seus pensamentos estavam em turbilh?o, os rostos de Victor e Samantha vinham ¨¤ mente, juntamente com as mem¨®rias dos momentos compartilhados. Ele sabia que precisava ser forte, mas a dor era uma presen?a constante, uma sombra que o envolvia.
Os tr¨ºs n?o conseguiam dormir. A cada tentativa de fechar os olhos, as imagens dos corpos voltavam, assombrando-os. Zoe se encolhia na cama dos pais, abra?ando o travesseiro que ainda tinha o perfume da m?e. L¨¦o encarava o teto do quarto, perdido em pensamentos e emo??es que n?o conseguia processar.
Roger, sentindo o peso das responsabilidades e das emo??es, respirava fundo, tentando encontrar for?as. A casa, agora mergulhada em escurid?o e sil¨ºncio, parecia um reflexo de suas pr¨®prias almas. Cada um, em seu canto, lutava contra a sensa??o de perda e a tentativa de encontrar algum al¨ªvio.
O tempo parecia se arrastar, cada minuto mais pesado que o anterior. A noite avan?ava lenta e inexoravelmente, trazendo consigo o peso das emo??es que os envolvia. Roger olhava para o copo de ¨¢gua em suas m?os, como se buscasse respostas no reflexo vacilante. Sabia que, de alguma forma, precisariam encontrar for?as uns nos outros para enfrentar os dias que viriam.
Zoe estava sentada em posi??o fetal na cama, sem mais l¨¢grimas para chorar e com uma forte dor de cabe?a. Sentia um ¨®dio profundo e imensur¨¢vel pelo assassino que tirou seus pais dela. A cada pensamento sobre isso, ela agredia o travesseiro com for?a, como se pudesse descontar sua raiva nele. As mesmas perguntas ecoavam em sua mente: "Por que eles?" "Quem foi o desgra?ado que os tirou de mim?" "O que eu fa?o agora?"
A raiva fervia dentro dela, uma chama incontrol¨¢vel que queimava cada fibra do seu ser. Zoe co?ava a cabe?a com tanta for?a que quase arrancava os cabelos, tentando encontrar algum al¨ªvio para a dor e a f¨²ria que a consumiam. Sentia-se perdida, como se estivesse ¨¤ deriva em um mar de emo??es turbulentas, sem saber para onde ir ou o que fazer.
Cada golpe no travesseiro era uma tentativa desesperada de encontrar respostas, de entender o motivo de tanta crueldade. A sensa??o de impot¨ºncia a deixava ainda mais furiosa, e a dor de cabe?a s¨® aumentava, como se sua mente estivesse prestes a explodir. Zoe estava presa em um ciclo de raiva e desespero, sem ver uma sa¨ªda para sua ang¨²stia.
No meio das agress?es, Zoe sentiu algo se desprender do seu cabelo. Aquele l¨ªrio azul que L¨¦o havia deixado preso entre seus cabelos agora estava ca¨ªdo no len?ol da cama, ainda perfeitamente intacto. Seus olhos se fixaram na flor, e as palavras de L¨¦o vieram ¨¤ tona: "Seja forte e resiliente como essa flor." Ela girava a flor entre os dedos, observando-a, e sussurrou para si mesma: "Voc¨º deve aguentar as tempestades."
Nesse momento, Zoe s¨® conseguia pensar no seu irm?o. Ela n?o falou com ele em nenhum momento durante a volta para casa, e isso a deixou preocupada. "Eu preciso ver como ele est¨¢."
Deitado na cama, L¨¦o se esfor?ava para segurar as l¨¢grimas, travando uma luta interna, intensa e exaustiva, onde cada fibra do seu ser est¨¢ em conflito. Seus olhos come?am a arder e a vis?o fica turva enquanto as l¨¢grimas se acumulam, buscando desesperadamente um caminho para escapar. O peito parece apertado, como se estivesse sendo comprimido por uma m?o invis¨ªvel, dificultando a respira??o. Cada inspira??o ¨¦ superficial, cada expira??o ¨¦ um esfor?o consciente para manter o controle.
Seus l¨¢bios tremem ligeiramente e ele morde a parte interna da boca, na esperan?a de que a dor f¨ªsica desvie a aten??o da dor emocional. Suas m?os fecham-se em punhos, os dedos cravando-se nas palmas, como se o aperto pudesse conter o dil¨²vio emocional que amea?a transbordar.
O mundo ao redor se torna um borr?o indistinto, as lembran?as felizes dos seus pais s?o abafadas pela cena aterrorizante deles mortos, e o ¨²nico som que ele realmente ouve ¨¦ o pulsar intenso do seu cora??o, batendo r¨¢pido e irregularmente. Ele sente um n¨® na garganta, uma sensa??o de sufocamento, como se cada palavra n?o dita se transformasse em uma barreira que impede a libera??o das l¨¢grimas.
Tudo o que L¨¦o quer nesse momento ¨¦ desmoronar, No entanto, ele tenta ao m¨¢ximo reprimir esse sentimento, tentando disfar?ar a tempestade interna com uma fachada de normalidade. Cada segundo que passa ¨¦ uma vit¨®ria, mas tamb¨¦m um lembrete da fragilidade da sua resist¨ºncia.
"Seja uma inspira??o de for?a para ela" essas palavras dominaram sua mente "seja um bom irm?o para a sua irm?" ele sussurrou baixinho para ele mesmo, seu cora??o est¨¢ quebrado, sua mente dilata com dores internas, sentindo o in¨ªcio de uma dor de cabe?a, ele limpa as l¨¢grimas e levanta da cama.
Zoe se declarou da cama dos pais, sentindo o peso das lembran?as e da perda. Cada passo at¨¦ a porta parecia um esfor?o monumental. Ela abriu a porta com hesita??o e saiu pelo corredor em dire??o ao quarto de L¨¦o. Cada som, cada sombra na casa agora vazia parecia amplificar sua tristeza e raiva. Quando chegou ¨¤ porta do quarto de L¨¦o, ela parou e colocou a m?o na ma?aneta, hesitando brevemente antes de empurrar.
Do outro lado da porta, L¨¦o estava em uma situa??o muito semelhante. Ele segurava a ma?aneta, sentindo a mesma necessidade urgente de ver a irm?, de garantir que n?o estivesse sozinha nessa dor insuport¨¢vel. Tanto Zoe quanto L¨¦o estavam pensando na mesma coisa, suas mentes em sincronia:
"Eu preciso ver como ele est¨¢."
"Eu preciso ver como ela est¨¢."
No instante em que L¨¦o saiu da porta, Zoe reuniu coragem e empurrou-a. Ambos se encontraram, e um susto interno tomou conta deles. N?o pela surpresa de se encontrarem ali, logo atr¨¢s da porta, mas pelo que viram nossos olhos um do outro. O que retornou foi um olhar completamente vazio.
A dor nos olhos de L¨¦o era um espelho da pr¨®pria dor de Zoe, um abismo profundo e implac¨¢vel. Eles se encararam em sil¨ºncio, as palavras presas na garganta. Zoe viu o desespero e a perda no olhar do irm?o, refletindo seus pr¨®prios sentimentos. Sem dizer nada, ela avan?ou e envolveu L¨¦o em um abra?o apertado.
L¨¦o retribuiu o abra?o, sentindo a necessidade desesperada de se agarrar a algo, a algu¨¦m. No abra?o, retornamos um consolo silencioso, uma conex?o que transcendia a dor. O peso da perda parecia um pouco mais suport¨¢vel quando estavam juntos, compartilhando o fardo.
As l¨¢grimas que Zoe pensou ter secado trouxe o irm?o novamente, enquanto ela se agarrou a L¨¦o, buscando for?as no irm?o. L¨¦o, por sua vez, sentiu uma mistura de raiva e tristeza, seu corpo tremia levemente enquanto tentava ser forte por Zoe.
A casa, agora mergulhada em uma escurid?o quase palp¨¢vel, parecia observar silenciosamente a dor dos irm?os. O corredor vazio ecoava com a intensidade de suas emo??es, e, por um momento, o mundo parecia relacionado ¨¤quele abra?o, que tentava desesperada de encontrar um conforto no outro.
Sem palavras, sem promessas, apenas a presen?a um do outro. Era tudo o que tinha, e, naquele momento, era o suficiente para continuar.