《Sombras do Sangue [ Português - Brasil]》 Sumário Sinopse Playlist Aviso Importante Pr¨®logo Ato I ¨C As Sombras do Passado Cap¨ªtulo 1: A Queda de Illvaris Cap¨ªtulo 2: O Legado Perdido Cap¨ªtulo 3: Fuga pelas Sombras Cap¨ªtulo 4: O Primeiro Encontro Cap¨ªtulo 5: Promessa de Sangue Cap¨ªtulo 6: Sangue e Cinzas Cap¨ªtulo 7: Vozes da Floresta Cap¨ªtulo 8: La?os em Jogo Cap¨ªtulo 9: Entre Sombras e Promessas Cap¨ªtulo 10: O Chamado do TemploA case of content theft: this narrative is not rightfully on Amazon; if you spot it, report the violation. Ato II ¨C O Jogo do Poder Cap¨ªtulo 11: Entre o V¨¦u e a Espada Cap¨ªtulo 12: O Primeiro Golpe Cap¨ªtulo 13: O Cora??o de Pedra Cap¨ªtulo 14: Corte de Espinhos e Fogo Cap¨ªtulo 15: O Julgamento de Sylara Cap¨ªtulo 16: As Ra¨ªzes do Poder Cap¨ªtulo 17: Sombras sobre Aethralis Cap¨ªtulo 18: Segredos que Queimam Cap¨ªtulo 19: A Alian?a Improv¨¢vel Cap¨ªtulo 20: Sob o Luar Violento Cap¨ªtulo 21: L¨¢grimas e Dentes Cap¨ªtulo 22: A Verdade em Cacos Cap¨ªtulo 23: Corpo e Almas em F¨²ria Cap¨ªtulo 24: O Beijo das Chamas Cap¨ªtulo 25: Coroa de Espinhos Ato III ¨C A Chama que Devora Cap¨ªtulo 26: Labirinto de Sangue Cap¨ªtulo 27: Grito dos Condenados Cap¨ªtulo 28: O V¨¦u Rasgado Cap¨ªtulo 29: A Lamina do Ju¨ªzo Cap¨ªtulo 30: Entre Luz e Trevas Cap¨ªtulo 31: O Trono Corrompido Cap¨ªtulo 32: Alvorecer Carmesim Cap¨ªtulo 33: A ¨²ltima Promessa Cap¨ªtulo 34: Sombras Eternas Cap¨ªtulo 35: A Rainha da Ru¨ªna Sinopse Sylara era apenas uma adolescente quando tudo lhe foi tirado. Seu pai, o imperador de Tharviel, morreu de forma misteriosa, e a coroa foi usurpada por seu tio. Isolada, for?ada ao ex¨ªlio e despojada de seu legado, ela passou oito anos arquitetando sua vingan?a ¡ª disposta a queimar o mundo se necess¨¢rio para tomar de volta o que ¨¦ seu por direito. No sombrio reino de Nyvathar, onde as florestas escondem perigos ancestrais e a magia ¨¦ t?o proibida quanto devastadora, Sylara encontrar¨¢ aliados improv¨¢veis, inimigos implac¨¢veis e segredos capazes de abalar at¨¦ suas mais profundas certezas. Um deles est¨¢ na forma de um ser poderoso de linhagem sobrenatural, cujo papel na disputa entre luz e trevas poder¨¢ decidir n?o s¨® o futuro do trono, mas o da alma de Sylara.Did you know this story is from Royal Road? Read the official version for free and support the author. Em um universo onde o poder corrompe e os sentimentos podem ser armas mortais, Sylara precisa enfrentar uma escolha cruel: at¨¦ onde est¨¢ disposta a ir para recuperar o trono? E, ao final, ainda haver¨¢ algo de humano nela para salvar? Trai??es, paix?es sombrias e escolhas devastadoras se encontram em "Sombras do Sangue", uma hist¨®ria que prova que o verdadeiro pre?o do poder n?o ¨¦ o ouro..., mas o sangue. Classifica??o- 18 anos Playlist "Glory and Gore" ¨C Lorde "Wicked Games" ¨C The Weeknd "Unstoppable" ¨C Sia "Let the World Burn" ¨C Chris Grey "Battle Symphony" ¨C Linkin ParkIf you come across this story on Amazon, be aware that it has been stolen from Royal Road. Please report it. "Take Me to Church" ¨C Hozier "Seven Devils" ¨C Florence + the Machine "Demons" ¨C Imagine Dragons "War of Heart" ¨C Ruelle "Guarded" ¨C Chris Grey "I Got You" ¨C Chris Grey "The Castle" ¨C Chris Grey "One More Night" ¨C Chris Grey "Lifetime" - Chris Grey AVISO IMPORTANTE Este livro cont¨¦m conte¨²do expl¨ªcito, chocante e potencialmente perturbador. A hist¨®ria aborda temas intensos, como viol¨ºncia f¨ªsica e psicol¨®gica, tortura, gatilhos emocionais, e situa??es de abuso, incluindo CNC (Consentimento N?o Consentido), consentimento duvidoso, ass¨¦dio, humilha??o, sadismo e abusos de substancias (tanto l¨ªcitas como il¨ªcitas). Tamb¨¦m s?o descritas cenas de sexuais expl¨ªcitas, com destaque para os aspectos mais sombrios e tortuosos dos relacionamentos. Al¨¦m disso, a hist¨®ria envolve o uso de substancias fict¨ªcias que s?o exclusivas ao mundo criado para este livro. Este livro n?o ¨¦ recomendado para pessoas sens¨ªveis a esses temas. Se voc¨º se sentir desconfort¨¢vel com qualquer uma dessas situa??es, recomendo que n?o prossiga com a leitura.The author''s narrative has been misappropriated; report any instances of this story on Amazon. O conte¨²do apresentado visa explorar o limite entre o amor e o ¨®dio, a dor emocional, e o impacto psicol¨®gico de escolhas extremas, sendo uma reflex?o sobre os limites da vingan?a e o custo de se perder na busca por poder. Se voc¨º busca uma narrativa com temas de reden??o ou sanidade, este livro n?o ¨¦ para voc¨º. Aviso: Ao continuar a leitura, voc¨º est¨¢ ciente da natureza intensa e perturbadora do conte¨²do. Proceda com cautela. Prólogo No sil¨ºncio das sombras, tudo come?a com uma queda. O brilho da coroa, que um dia foi s¨ªmbolo de honra e poder, agora escurece nas m?os erradas. Sylara era ainda uma menina quando o imp¨¦rio que ela chamava de lar desabou diante de seus olhos, arrastado pela ambi??o de um tio que ela chamava de fam¨ªlia. A morte do pai n?o trouxe apenas luto; ela trouxe um vazio, um abismo sem fim de ¨®dio e vingan?a. O reinado que deveria ser dela foi roubado sem piedade, e por mais que tentasse afastar a dor, ela nunca poderia esquecer: seu destino estava marcado pela trai??o. O imp¨¦rio de Tharviel n?o mais se erguia com sua majestade de outrora, mas com a brutalidade e o desespero daqueles que conspiram nas sombras. Oito anos se passaram, mas para Sylara, o tempo n?o cura, ele apenas aguarda o momento certo para despertar. E quando esse momento chega, ela n?o hesita. O que ela perdeu ser¨¢ tomado de volta, e, se necess¨¢rio, destru¨ªdo em sua busca implac¨¢vel pela coroa e pela vingan?a.Help support creative writers by finding and reading their stories on the original site. Mas no caminho para o poder, h¨¢ aqueles que podem atrai-la tanto quanto o desejo de justi?a. Figuras sombrias que se entrela?am em sua dor, seres cuja exist¨ºncia desafia tudo o que ela conhecia sobre a moralidade e o que significa ser humano. E nesse jogo de trai??es, quem ser?o os verdadeiros monstros? Quem, de fato, permanecer¨¢ para reconstruir o imp¨¦rio ou para se perder nas cinzas que restaram de sua queda? O destino de Sylara j¨¢ est¨¢ selado. Ela precisa escolher at¨¦ onde pode ir para tomar de volta o que ¨¦ seu por direito ¡ª e se a linha entre o amor e a destrui??o, entre a justi?a e o caos, j¨¢ n?o est¨¢ mais t?o clara assim. Capítulo 1: A Queda de Illvaris Ato I ¨C As Sombras do Passado "N¨®s n?o somos os que fomos, nem os que seremos. Somos o que estamos, e o que fizemos." ¨C Mark Lawrence Sylara O reino de Illvaris se estendia diante de mim como uma pintura majestosa, suas florestas sombrias e cidades douradas refletindo a riqueza e a beleza de um imp¨¦rio que, at¨¦ ent?o, parecia imbat¨ªvel. O vento frio cortava as ruas de m¨¢rmore da capital, enquanto os edif¨ªcios grandiosos do pal¨¢cio se erguiam acima, lembrando-me sempre do peso que carregava sobre meus ombros. Cresci em um mundo onde a arte da pol¨ªtica e da governan?a era algo intr¨ªnseco a mim, uma educa??o cuidadosa, pautada por falas silenciosas e li??es amargas sobre o que significava ser filha do imperador. Meu pai, embora distante, era minha refer¨ºncia de estabilidade, e seu amor, embora escasso, sempre me fez acreditar que o trono um dia seria meu, por direito, por sangue. Mas naquele momento, enquanto olhava a cidade com seus reflexos dourados, sabia que a palavra ''destino'' soava mais como uma senten?a do que uma promessa. Fecho o livro e ponho de volta no lugar, a biblioteca imperial s¨® era permitida a entrada dos membros com sangue real. Aqui continua livros que ningu¨¦m sabia ler, com l¨ªnguas mortas, caminho passando os dedos entre os livros, quando me assusto com um criado correndo at¨¦ mim. ¡ª N?o sabe que ¨¦ proibido entrar aqui? ¡ª Me desculpe vossa alteza, mas ¨¦ um assunto extrema importancia. ¡ª Ent?o fale logo. ¡ª O imperador... ele... ¡ª O que tem meu pai? ¡ª O desespero come?a a subir sem nem saber ainda do que se tratava- se. ¡ª Responda-me! ¡ª O imperador sofreu um acidente... ele n?o conseguiu sobreviver ¡ª Eu n?o conseguia ouvir mais nada. Como assim sofreu um acidente? Ele n?o sobreviveu? Isso n?o faz sentindo, ele estava bem at¨¦ algumas horas atr¨¢s. ¡ª O que quer dizer ¡°Ele n?o conseguiu sobreviver?¡± Onde ele est¨¢? Quero v¨º-lo. ¡ª Vossa Alteza... a sua majestade est¨¢ nos aposentos dele. N?o espero ele terminar e saio da biblioteca correndo, eu n?o dava a m¨ªnima para cortesia nesse momento. Chegando no corredor dos aposentos do meu pai, estava cheio de gente, de servos a nobres, com cara de luto e choro. Empurro todos e entro no quarto, no momento que bato meus olhos na cama, encontro minha m?e a imperatriz segurando a m?o do meu pai e chorando. ¡ª M?e? M?e? O que aconteceu? ¡ª Pergunto me aproximando devagar dele, olho para meu pai que estava deitado na cama, ele parecia estar dormindo, mas no fundo eu sabia que isso n?o era verdade. ¡ªPor que o pai n?o acorda? Hm? M?e. ¡ª Querida... seu pai... ele n?o... ele estar morto ¡ª Foi como um baque de ¨¢gua gelada com gelo na minha cabe?a. ¡ª O que quer dizer com estar morto? N?o pode ser, ele estava bem. ¡ª Nego desesperadamente, n?o podia, n?o queria acreditar que isso era verdade. ¡ª Senhora est¨¢ mentindo. ¡ª Eu queria estar querida..., mas ¨¦ a verdade ¡ª Caminho at¨¦ a cama dele e me sento na beira. ¡ª Pai? Pai por favor abra os olhos.... por favor... n?o me deixe ¡ª Sinto as lagrimas descer pelo meu rosto, solto um grito de dor e abra?o o corpo dele morto. S¨® sair de cima dele quando meu tio, irm?o do meu pai chegou e me tirou de l¨¢, me levando para o meu quarto. Deito-me na cama e abra?o o travesseiro.Find this and other great novels on the author''s preferred platform. Support original creators! ¡ª Tio.... o que ser¨¢ agora? Ele estar morto... eu n?o estou pronta para assumir o reino. Eu n?o sei o que fazer. ¡ª N?o se preocupe minha querida sobrinha, irei cuidar de tudo. ¡ª Fecho meus olhos quando ele acaricia meu cabelo. No dia seguinte foi feito o funeral dele, por alguma raz?o achei estranho meu tio acelerar com o processo do funeral, de acordo com as tradi??es. Funeral de um imperador deveria demorar uma semana inteira, mas meu tio fez tudo para um dia s¨®. Depois de me arrumarem para o vel¨®rio caminho com minha m?e at¨¦ o local, n?o saio do lado do corpo dele nem por um segundo. Minhas amigas, filhas de outros nobres vieram me d¨¢ seus p¨ºsames junto com o seus pais, assim como meu noivo tamb¨¦m. Metade do dia foi no vel¨®rio aonde todos vieram da seus lamentos, das nobrezas a pobreza, na outra metade do dia foi o funeral. Ao anoitecer estava voltando para o pal¨¢cio quando decido passar na sala do trono, caminho pelos corredores at¨¦ chegar na sala do trono, quando abro a porta encontro meu tio, sentado no trono. ¡ª Tio? O que est¨¢ fazendo a¨ª? Senhor n?o pode se sentar a¨ª. ¡ª Caminho at¨¦ onde ele estava. ¡ª Apenas imperadores ou imperatrizes podem sentar-se a¨ª. ¡ª Eu sei, minha querida sobrinha. ¡ª Ele estava com um sorriso estranho no rosto. ¡ª Acontece que agora esse trono ¨¦ meu. ¡ª Do que est¨¢ falando? Eu sou a herdeira, meu pai morreu, o trono ser¨¢ passado para mim. ¡ª Come?o escutar gritos de desespero do lado de fora do pal¨¢cio. ¡ª O que est¨¢ acontecendo? ¡ª Oh, minha querida sobrinha, como voc¨º ¨¦ ing¨ºnua. Realmente achou que se sentaria nesse trono? ¨¦ mais burra que imaginei. ¡ª Do que est¨¢ falando? ¡ª Olho atrav¨¦s das janelas do trono e vejo o jardim pegando fogo, arregalo meus olhos e corro at¨¦ a janela, vejo empregados e servi?ais sendo mortos. ¡ª Por que est¨¢ fazendo isso? Eles s?o pessoas inocentes. ¡ª Ainda n?o entendeu? Estou tomando o seu precioso trono, eu serei o pr¨®ximo imperador. A morte de meu irm?o foi uma morte inevit¨¢vel. ¡ª A morte... do meu pai, foi obra sua? ¡ª Ranjo entre os dentes. ¡ª Eu n?o disse isso querida. Sabe pelo meu apre?o por voc¨º e meu querido irm?o, vou te d¨¢ uma vantagem, corra. ¡ª O que? ¡ª Continuo ouvindo gritos, ent?o as portas da sala do trono se abrem e vejo minha m?e entrar, sendo arrastada pelos guardas. ¡ª O que voc¨ºs est?o fazendo? Soltem ela imediatamente. ¡ª Eles n?o obedecem mais a voc¨º, al¨¦m que eles s?o soldados do templo e n?o do imp¨¦rio. ¡ª Do que est¨¢ falando? Por que o templo mandaria soldados? ¡ª Deuses como voc¨º ¨¦ burra. O templo me prefere no comando a uma jovem garota ing¨ºnua que nem voc¨º. Agora ¨²ltima chance, corra e salve sua vida, ou fique e morra como sua m?e. ¡ª O grito fica presa na minha garganta quando vejo um dos guardas cortando a garganta de minha m?e. ¡ª O que voc¨º fez? ¡ª Grito com ele, sinto as minhas lagrimas descerem pelas minhas bochechas. ¡ª Era um mal necess¨¢rio minha querida sobrinha, ¨²ltima chance... corra. ¡ª Vejo guardas entrando na sala armados e come?am a matar os soldados do templo, reconhe?o as vestes, eram guardas da fam¨ªlia ducal Ardane, a fam¨ªlia do meu noivo. Estava em choque quando vejo o duque e seu filho, meu noivo entrarem na sala, antes que qualquer um pudesse reagir, eles me escoltar para fora do trono. Passo pelo corpo da minha m?e agora morta. Tudo foi muito r¨¢pido, antes que eu notasse estava do lado de fora do castelo, na frente da floresta sombria. ¡ª Vossa alteza.... vossa alteza ¡ª Pisco e olho para o Valtherion Ardane, o duque do norte. ¡ª Voc¨º precisa fugir vossa alteza, seu tio n?o ir¨¢ parar at¨¦ voc¨º estar morta, precisa ir. A floresta sombria no momento ¨¦ seu lugar mais seguro. ¡ª O que? A floresta sombria? Ningu¨¦m entra nela faz s¨¦culos. ¡ª N?o percebi que estava tremendo at¨¦ eu olhar para minhas m?os. ¡ª N?o posso entrar ali. ¡ª ¨¦ sua ¨²nica escolha. ¡ª Caelen Ardane, meu noivo ou antigo noivo, n?o sabia mais. Olho para a floresta sombria novamente e por alguma raz?o sinto como se ela tivesse me chamando. Pisco os olhos e olho para tr¨¢s, mas n?o pude pensar pois algu¨¦m me empurra para o abismo da floresta sombria, o grito ecoa pelo eco da floresta enquanto eu caia no abismo. Perco a consci¨ºncia quando meu corpo bate no ch?o. Quando meus olhos se abriram novamente, tudo ao meu redor era escurid?o. As ¨¢rvores ao meu redor pareciam vivas, como se sussurrassem segredos antigos apenas para mim. Algo dentro da floresta me observava, n?o como uma presa, mas como uma igual. Sentia o peso das sombras sobre mim, e, pela primeira vez na vida, n?o tinha certeza se sairia dali viva. Ao longe, ouvi passos, o som de folhas esmagadas sob botas pesadas. N?o sabia se deveria chamar por ajuda ou ficar em sil¨ºncio, mas antes que decidisse, uma voz rouca atravessou a escurid?o: ¡ª Voc¨º n?o deveria estar aqui. ¡ª O tom frio e deliberado fez meu corpo estremecer. Olhei para frente, lutando para identificar a figura que surgia das sombras. Ele carregava algo al¨¦m de uma amea?a... Ele era um enigma, e eu estava presa no territ¨®rio dele. Capítulo 2: O Legado Perdido Sylara A dor veio antes da consci¨ºncia. Cada m¨²sculo do meu corpo protestava ao menor movimento, enquanto meu peito subia e descia em respira??es rasgadas. A terra sob mim era ¨²mida e fria, e as folhas quebradas exalavam um cheiro terroso que quase mascarava o ferro do meu pr¨®prio sangue. Meu primeiro instinto foi abrir os olhos, mas n?o havia muito o que ver ¡ª escurid?o. N?o apenas a aus¨ºncia de luz, mas algo mais profundo, quase palp¨¢vel, como se a pr¨®pria floresta carregasse um prop¨®sito sombrio. "O que eu era agora?" pensei. Uma princesa sem coroa. Uma filha sem pai. Uma herdeira sem reino. Cada batida do meu cora??o sussurrava vingan?a, mas, ao meu redor, o sil¨ºncio parecia zombar de mim. Antes que pudesse erguer meu corpo, o som de folhas esmagadas sob botas firmes cortou a quietude. A voz rouca que ouvira antes voltou, baixa, deliberada, como se falasse diretamente ao meu medo. ¡ª Levante-se, antes que a floresta decida se livrar de voc¨º. Com esfor?o, ergui a cabe?a, encontrando uma silhueta alta, envolta em sombras que pareciam moldar-se ¨¤ sua presen?a. Ele estava a poucos passos, mas os olhos ¡ª intensos como fogo crepitando em ambar escuro ¡ª destacavam-se da penumbra. ¡ª Quem... quem ¨¦ voc¨º? ¡ª Minha voz falhou, mas mantive o olhar firme. Ele n?o respondeu, mas algo brilhou em sua m?o: uma adaga antiga, delicadamente entalhada com s¨ªmbolos que pareciam... familiares. E foi naquele momento que eu senti. N?o apenas uma conex?o vaga, mas algo vivo dentro de mim, um calor estranho no peito que pulsava como uma for?a h¨¢ muito esquecida. Este n?o era um encontro casual, e, ao me levantar, soube que as perguntas que carregava sobre o trono eram apenas o come?o. O que quer que estivesse guardado naquela floresta, estava conectado ao sangue que corria em minhas veias. ¡ªQuem eu sou n?o ¨¦ importante, o importante ¨¦ que voc¨º n?o deveria estar aqui... Humanos n?o entram aqui fazem s¨¦culos. ¡ª Consigo sentar-se no ch?o quando ele se agacha ficando a minha altura e segura meu queixo entre os dedos gelado dele. ¡ª A pergunta ¨¦. Quem ¨¦ voc¨º? ¡ª Meu nome ¨¦ Sylara Elyndra Tharviel, filha do Aeltharion Tharviel o vig¨¦simo sexto imperador. ¡ª Eu n?o perguntei de quem voc¨º ¨¦ filha e sim quem era voc¨º ¡ª Ele solta meu queixo, sinto o olhar dele pelo meu corpo, apesar de estar completamente escuro em volta. ¡ª Parece que seu povo a abandonou e jogou voc¨º aqui. ¡ª Eu n?o fui abandonada. ¡ª Tem certeza? Voc¨º foi jogada aqui e ainda diz que n?o foi abandonada? ¡ª Escuto a risada fria dele. ¡ª Ou voc¨º ¨¦ burra ou muito ing¨ºnua... talvez os dois. ¡ª Ele levanta me puxando para cima. ¡ª E quem ¨¦ voc¨º? ¡ª Tento me manter de p¨¦, mas estou com todos os ossos do meu corpo dolorido. ¡ª Eu? Apenas vamos dizer que sou no momento te deixando viva. Agora voc¨º tem apenas duas escolhas An?re vim comigo e sobreviver ou ficar aqui e ser engolida pela floresta. ¡ª An?re? ¡ª Nunca tinha ouvido essa palavra antes. Escuto ele rir suavemente. ¡ª Um apelido... qual ser¨¢ sua escolha? ¡ª Olho para ele, consigo ver roxo reluzente nos olhos dele. Eu sabia que eu n?o tinha de fato uma escolha. ¡ª Vou com voc¨º. ¡ª ¨®tima escolha An?re. ¡ª Ele envolta minha cintura com a m?o dele, sinto cheiro de metal antes uma fuma?a ser envolta de n¨®s, quando dei por mim n?o est¨¢vamos mais na floresta e sim em um tipo de sala. Meus olhos foram imediatamente atra¨ªdos pela luz pulsante dos cristais suspenso no ar, iluminando a sala em tons de lil¨¢s e dourado. Tudo parecia imenso, mas n?o excessivo. As paredes de preda negra, com veios brilhantes que pareciam respirar, transmitiam uma sensa??o de poder antigo, quase vivo. No centro, uma poltrona de madeira escura se erguia como um trono improvisado, cercada por mapas e livros que exalavam mist¨¦rio. As sombras ao redor dan?avam suavemente nas bordas da minha vis?o, como se guardassem segredos que s¨® ele conhecia. N?o era apenas uma sala; era algo al¨¦m disso. Um espa?o que parecia parte dele, t?o enigm¨¢tico e imponente quanto ele. E, pela primeira vez, sentir o ar ao meu redor pesar, como se estivesse preste a cruzar um limiar perigoso, um ponto sem volta. ¡ª Onde estamos? ¡ª Tento conter o tremedor da minha voz. ¡ª Gosto de chamar aqui de meu lugar secreto..., mas pode chamar de minha casa. ¡ª Por que me trouxe aqui? ¡ª Tantas perguntas que voc¨º tem. Se quer que eu deixasse voc¨º na floresta? Posso te deixar l¨¢ novamente. ¡ª Balan?o a cabe?a negando. ¡ª Foi o que imaginei. Voc¨º ficar¨¢ aqui at¨¦ eu achar um local mais seguro. ¡ª Por que est¨¢ me ajudando? Ele ficou em sil¨ºncio por um momento, os olhos fixos em mim com um misto de curiosidade e resolu??o. Aquilo me irritava mais do que suas palavras ¡ª aquele olhar que parecia querer dissecar algo dentro de mim. ¡ª N?o me considero generoso ¡ª ele disse finalmente, a voz baixa, quase reverberando no espa?o. ¡ª A floresta n?o ¨¦ uma inimiga, mas tamb¨¦m n?o ¨¦ um lugar gentil. Se est¨¢ vivo, h¨¢ algo em voc¨º que lhe interessa mais do que s¨® sua linhagem. Seus olhos olham iluminando as sombras ao nosso redor, brilhando em tons que eu n?o consigo nomear. Recostou-se na poltrona, como se estivesse perfeitamente ¨¤ vontade na minha presen?a, e isso me irritou mais.Taken from Royal Road, this narrative should be reported if found on Amazon. ¡ª N?o estou interessado em enigmas ou met¨¢foras ¡ª retruquei, tentando manter uma firmeza na voz. ¡ª Se sabe algo sobre mim, sobre o que acontece em Tharviel, fale logo. Ele mostrou um jeito quase impercept¨ªvel, como se divertisse com a minha confian?a. ¡ª Voc¨º fala como quem deveria conhecer a pr¨®pria hist¨®ria, mas tudo o que carrega s?o as cinzas do passado. Que vergonha. Aquilo fez meu peito apertar. Quis retrucar, mas me contive. N?o era suficiente para atacar algu¨¦m como ele sem saber a extens?o de sua for?a... ou seus objetivos. Meu olhar vagou pela sala, buscando qualquer trai??o que me ajudasse a entender quem, ou o qu¨º, ele era. Foi ent?o que vi os s¨ªmbolos nas paredes, gravados nas pedras negras. N?o os reconhecia exatamente, mas algo neles parecia pulsar dentro de mim, como se fizessem parte de um c¨®digo perdido h¨¢ muito tempo em minhas mem¨®rias. ¡ª O que s?o esses hist¨®ricos? ¡ª Perguntei, tentando ignorar o n¨® que se formava em minha garganta. ¡ª Fragmentos de um passado que voc¨º deveria conhecer melhor do que ningu¨¦m ¡ª ele respondeu, sem tirar os olhos de mim. ¡ª Talvez esteja na hora de aprender. Uma pulsa??o percorreu meu corpo, partindo do peito, como se algo dentro de mim finalmente despertasse. Eu soube, naquele instante, que aquele encontro n?o era casual. Seja o que fosse, ele sabia mais sobre mim e sobre a linhagem do que eu jamais imaginei. E aquilo o tornava tanto uma amea?a quanto uma promessa. Tento respirar fundo, mas consequ¨ºncias daquela minha queda est¨¢ come?ando a mostrar. ¡ª Talvez... devesse come?ar com o seu nome. ¡ª Escuto ele rir baixo. ¡ª T?o apressada para saber quem eu sou. Meu nome ¨¦ Kaelorien, n?o tenho sobrenome, vivo o bastante para meu sobrenome n?o ser importante. Quando ele fala seu nome, algo nele come?a a mudar. Sua presen?a j¨¢ era imponente, mas ao deixar aquelas palavras ca¨ªrem de seus l¨¢bios, houve uma transforma??o silenciosa. O ar ao seu redor parecia se curvar, e uma energia mais pesada, mais densa, se estreitava, como se sua simples pron¨²ncia tivesse o poder de marcar o in¨ªcio de algo maior. Era como se o nome de Kaelorien carregasse um peso ainda mais profundo, ainda mais assustador. Os chifres que emolduravam sua testa eram mais longos agora, mais presentes, como se cada detalhe de seu corpo fosse uma pe?a insubstitu¨ªvel de um quebra-cabe?a imposs¨ªvel de decifrar. Seu olhar, antes carregado de mist¨¦rio, se aprofundou de maneira que meu cora??o se abriu. N?o consegui dizer se ele estava me observando com inten??o ou apenas como se me estudasse, como uma presa, ou talvez¡­ algo ainda mais distante. Eu respirava mais fundo, tentando manter minha postura, mas seus olhos roxos n?o deixavam espa?o para outra coisa al¨¦m dele. Ele n?o era s¨® belo, mas existia de uma maneira que transcende tudo o que eu conhe?o. Aquelas marcas em seus bra?os n?o estavam mais ocultas ¡ª brilhavam suavemente, cada s¨ªmbolo quase dan?ando sob a luz. Seu corpo, esculpido em poder e tens?o, parecia representar tudo o que ele havia sido e tudo o que ainda seria. Kaelorien n?o era s¨® um homem, nem uma besta. Ele era algo acima disso. Algo que se move entre a sombra e a luz, algo imortal que simplesmente existia ¡ª poderoso, inating¨ªvel, e agora, definitivamente, imposs¨ªvel de ignorar. Mas ali, com ele na minha frente, havia uma parte de mim que queria perguntar mais, queria entender o que se escondia por tr¨¢s daqueles olhos penetrantes, aquela for?a inquietante. E, apesar de todos os meus desejos de resist¨ºncia, parte de mim queria saber quem ele era. ¡ª Um lembrete, An?re ¡ª ele come?ou rompendo o sil¨ºncio entre n¨®s. ¡ª Voc¨º pensa que quer respostas. Mas nem todas as verdades venceram ser descobertas. Algo no tom dele, entre ironia e uma seriedade quase cruel, fez meu est?mago revirar. Mantive meu queixo erguido, como se meu orgulho fosse suficiente para esconder o tremor em meus dedos. ¡ª E por que eu confio em voc¨º para decidir isso por mim? ¡ª querendo, encarando-o. Kaelorien inclinou levemente a cabe?a, os chifres capturando a luz pulsante dos cristais ao nosso redor. Ele abriu um sorriso que n?o alcan?ou os olhos e respondeu, com a paci¨ºncia exasperante de algu¨¦m que j¨¢ sabia o final de uma hist¨®ria. ¡ª N?o precisa confiar em mim. Precisa apenas entender que carrega algo muito maior do que a sua vontade... ou a sua vingan?a. Fiz men??o de replicar, mas ele se seguiu, caminhando em dire??o ao espelho estranho no fundo da sala. Sua superf¨ªcie n?o reflete o ambiente como deveria. Pelo contr¨¢rio, parecia mostrar fragmentos de algo que n?o compreendi, como mem¨®rias de partidas de outro mundo. ¡ª Olhe ¡ª ele disse, apontando para o espelho. ¡ª Por que eu... ¡ª Apenas olhe ¡ª ele cortou, a voz mais firme. A relutancia me percorreu como um arrepio frio, mas aproximei-me do espelho. Quando vi minha imagem, meus olhos ¡ª n?o dourados como o sol, mas como chamas vivas naquele reflexo ¡ª come?aram a brilhar. N?o era eu. Pelo menos, n?o ¨¦ uma pessoa que eu conhe?a. O espelho parecia distorcer meu rosto, mostrar algo que eu poderia ser, ou algo que fora deixado para tr¨¢s. Uma figura da linhagem perdida, marcada pela magia proibida que agora eu sentia pulsar dentro de mim, ainda que nunca tivesse acreditado que ela pudesse ser real. Me afastei um passo, mas Kaelorien continua im¨®vel. ¡ª Eles esperam por voc¨º ¡ª ele disse finalmente, a voz reverberando na sala como um eco. ¡ª E voc¨º n?o pode fugir disso. ¡ª Quem... quem est¨¢ me esperando? ¡ª Minha pergunta saiu mais fraca do que eu gostaria, meu peito ainda apertado pelo que tinha visto no espelho. Kaelorien enviou uma mensagem. N?o ¨¦ um sorriso amig¨¢vel ou reconfortante, mas algo entre o ir?nico e o inevit¨¢vel. ¡ª Os Fe¨¦ricos. Eles n?o esqueceram sua linhagem, An?re, por mais que voc¨º tenha. Meu corpo enrijeceu. As hist¨®rias sobre os Fe¨¦ricos eram sussurradas at¨¦ mesmo dentro do pal¨¢cio. Criaturas poderosas, imprevis¨ªveis, com c¨®digos e jogos que nenhum humano compreenderia completamente. A ideia de me aproximar deles cheios de um frio quase instintivo que percorreu minha espinha. ¡ª E voc¨º acha que voc¨º simplesmente... confia que eles me ajudar?o? ¡ª querendo, tentando esconder o tremor em minha voz. ¡ª N?o espero que confie neles ¡ª Kaelorien respondeu, um brilho sombrio iluminando seus olhos. ¡ª Mas preciso deles. Assim como eles precisam de voc¨º. Antes que voc¨º pudesse protestar, ele protegeu uma das m?os. A sala ao nosso redor come?ou a vibrar com uma energia que n?o compreendi. As paredes desapareceram em segundos, devoradas pela penumbra da floresta. O ar mudou, denso e cheio de umidade, enquanto os sons de p¨¢ssaros e vento ecoavam ao longo. Est¨¢vamos na floresta sombria novamente, mas n?o no mesmo lugar. Algo nesse peda?o da floresta era diferente: um brilho estranho serpenteava entre as ¨¢rvores, como fios de luz que emitiam sussurros. Era um som mel¨®dico e inquietante ao mesmo tempo, que mexia com algo dentro de mim. ¡ª Bem-vinda ¡ª ele disse suavemente, seus chifres brilhando sob a luz esverdeada ¡ª ¨¤ Terra dos Fe¨¦ricos. A vis?o ¨¤ minha frente roubou minha capacidade de falar. As ¨¢rvores abriram caminho para uma clareira onde uma luz m¨¢gica dan?ava no ar, envolvendo formas que remetem ao mesmo tempo humano e imposs¨ªvel. Criaturas de propor??es perfeitas, com pele cintilante e olhos que mencionam carregar o universo inteiro, observaram nossa chegada de longe. Meu cora??o acelerou. Eu n?o sabia que eram aliados ou amea?as, mas havia algo claro: n?o havia como escapar. E, no fundo, uma parte de mim sabia que este lugar, t?o belo e perturbador quanto perigoso, seria a chave para desvendar tudo o que eu precisava saber. ¡ª Espero que n?o se perca facilmente ¡ª Kaelorien murmurou enquanto continuava a andar. ¡ª Os Fe¨¦ricos n?o t¨ºm paci¨ºncia para indecisos. Eu engoli em seco, obrigando meus p¨¦s a seguir. N?o era hora de hesitar. Capítulo 3: Fuga pelas Sombras Sylara A floresta se curvava ao redor dele. N?o como ¨¢rvores ao vfento, mas como um animal que detecta um predador em seu territ¨®rio e se mant¨¦m alerta. Era quase impercept¨ªvel, mas havia algo nos galhos, nas sombras e at¨¦ no ch?o sob nossos p¨¦s que parecia hesitar quando ele estava sentado. Kaelorien andava com a confian?a de algu¨¦m que sabia exatamente onde estava indo, mas eu n?o consegui afastar a sensa??o de que ele n?o precisava de caminhos. Era como se a floresta fosse um reflexo dele ¡ª selvagem, perigosa e silenciosamente poderosa. Atr¨¢s de mim, as ¨¢rvores sugerem se fechar, seus arbustos enroscando-se uns nos outros, como se quisessem impedir qualquer pensamento de retorno. ¡ª A floresta n?o gosta de invasores ¡ª ele disse, quebrando o sil¨ºncio sem sequer olhar para tr¨¢s. ¡ª Eu percebi ¡ª respondi, tentando manter a calma, mas sentindo o suor frio na nuca. ¡ª Mas ela parece gostar de voc¨º. Ou temer voc¨º. Ele parou por um momento, os olhos roxos cintilando ¨¤ luz fraca das fa¨ªscas flutuantes ao nosso redor. ¡ª A diferen?a entre respeito e medo ¨¦ uma linha t¨ºnue. Aqui, sou ambas as coisas. Um arrepio percorre minha espinha. Ele continuou a andar, como se suas palavras n?o pesassem tanto quanto deveriam, mas algo no ambiente ficou mais pesado. As sombras agora apontadas me observar diretamente, e eu senti que era minha vez de ser avaliada. N?o demorou muito at¨¦ que cheg¨¢ssemos a um arco natural, formado por ra¨ªzes e troncos de ¨¢rvores antigas que se contorciam como bra?os levantados para o c¨¦u. A passagem emanava um brilho suave, como se houvesse vida pulsando ali. Kaelorien parou antes de cruza-la e se virou para mim. ¡ª N?o diga nada at¨¦ que ele fale com voc¨º ¡ª sua voz era firme, quase afiada. ¡ª E, acima de tudo, n?o minta. Ele ver¨¢, e as consequ¨ºncias n?o ser?o bonitas. ¡ª Ele quem? ¡ª Minha voz ¨¦ t?o pequena, mas ele j¨¢ estava atravessando o arco. Quando o segui, fui engolida pela luz dourada que iluminava o outro lado. Minha falha ao ver o homem de cabelos brancos longos, sentado casualmente em um trono esculpido diretamente do que parecia ser a base de uma ¨¢rvore gigante. Uma venda dourada cobria seus olhos, mas sua postura, ereta e majestosa, era a de algu¨¦m que via muito al¨¦m do que qualquer outro poderia imaginar. Kaelorien inclinou levemente a cabe?a, como um sinal de respeito, e falou sem hesita??o: ¡ª Apresento-lhe Sylara, ¨²ltima herdeira do trono de Tharviel. Mordo meus l¨¢bios, apesar de ele estar de venda sinto o olhar dele me examinando de cima a baixo. Ele descruza as pernas antes de olhar diretamente para mim. ¡ª A ¨²ltima? Pelo que os vento me contou, existe um imperador sentado no trono. ¡ª Meu corpo gela ao ouvir ele mencionar meu tio. ¡ª Tem um imperador, mas nos dois sabemos que ele ¨¦ apenas um falso imperador e a verdadeira herdeira do trono est¨¢ aqui. Acontece que ela n?o sabe nada sobre sua linhagem. ¡ª Nada? A hist¨®ria deve ser contada de imperador ou imperatriz para o herdeiro. Quantos anos voc¨º tem garota? ¡ª Engulo seco sem saber se devo responder ou n?o. ¡ª Responda ele. ¡ª Kaelorien sussurra para mim. ¡ª Tenho 15 anos. ¡ª Tento n?o deixar minha voz tremer. ¡ª 15 anos? 15 anos? Ela ainda ¨¦ uma crian?a, isso explica por que ela n?o sabe sobre sua linhagem. As palavras do homem soam como um golpe inesperado, cortando o sil¨ºncio denso da floresta ao nosso redor. Sinto meu corpo se tencionar, mas n?o reajo, mantendo a postura que me restou. Ele falou com a frieza de quem j¨¢ experimentou o sofrimento de muitos antes de mim, e um vazio se espalhou por dentro. Como ele ousa chamar minha juventude de fraqueza? Kaelorien, ao meu lado, solta um suspiro quase impercept¨ªvel, mas seu olhar ¨¦ inflex¨ªvel. Ele sabe que esse jogo de palavras est¨¢ apenas come?ando. Tento ignora-lo, focando completamente no homem ¨¤ minha frente, mas n?o posso evitar a sensa??o crescente de vulnerabilidade. Tento manter minha voz firme: ¡ª Eu sou mais do que voc¨º imagina. Ele s¨® sorriu por baixo da venda dourada, como se soubesse exatamente o que pensei, como se as minhas palavras n?o significa-se nada diante da verdadeira hist¨®ria que ele guarda. ¡ª Ah, tenho certeza de que voc¨º acredita nisso. A juventude sempre pensa que tem controle sobre tudo. Mas n?o. N?o at¨¦ aprender a hist¨®ria do seu sangue, do seu passado... que ¨¦ mais sombria do que voc¨º pode suportar. E ¨¦ quando ele se levanta do trono esculpido com as ra¨ªzes de ¨¢rvores antigas que algo na sua presen?a se transforma. Ele emite uma calmaria gelada, uma energia contida que percorre a sala como um rio denso. Cada passo dele reverbera como se ele fosse mais do que simplesmente humano, e os fe¨¦ricos nas sombras, ainda que invis¨ªveis, parecem aguardar sua ordem, mesmo sem palavra. Eu o encaro, tentando controlar os tremores em meu corpo, mas os s¨ªmbolos no seu corpo, delicadamente gravados como se fizeram parte dele, brilharam em uma luz suave, sutil e incompreens¨ªvel para mim. O l¨ªder dos fe¨¦ricos ¡ª o homem que rege sobre as for?as que eu n?o compreendo. Cada movimento seu exala poder, poder como o vento carregando promessas de caos e mudan?a. Kaelorien finalmente quebra o sil¨ºncio: ¡ª Ela ainda n?o entende que n?o ¨¦ s¨® uma herdeira de um trono, mas uma herdeira de algo muito maior. O homem de cabelo branco e a venda dourada fala mais uma vez, sua voz com uma calma que parece invadir meus pr¨®prios ossos. ¡ª A linhagem de Sylara n?o ¨¦ s¨® sangue, ¨¦ tamb¨¦m o v¨¦u de um destino esquecido. Mas antes que ela possa reivindicar seu lugar, ter¨¢ que encarar aquilo que mais teme: o que h¨¢ dentro dela mesma. O trono de Tharviel n?o pertence apenas a quem herda o sangue, mas a quem pode carregar a pr¨®pria escurid?o que o acompanha. As palavras do homem ecoam nas profundezas da minha mente, me inquietando. Eu n?o esperava ouvir isso. ¡°Esconder a escurid?o dentro de mim?¡± Me sinto subitamente pequena diante dessa revela??o. Kaelorien faz um movimento que sinto mais do que vejo, um gesto silencioso para que eu continue, um lembrete de que agora sou o ¨²nico que posso responder. Meus olhos se apertam, buscando alguma resposta no vazio que esse homem de cabelos prateados exala. N?o sei o que ele v¨º atr¨¢s de sua venda, mas sei que ele pode me ver, como se nada escapasse ¨¤ sua vis?o agu?ada. Eu nunca gostei da sensa??o de ser comprovado dessa forma. Ele sabe demais.If you encounter this story on Amazon, note that it''s taken without permission from the author. Report it. ¡ª Que voc¨º faz parte de um jogo maior que nem imagina ¡ª ele prossegue, suas palavras flutuando como veneno no ar ¡ª n?o faz de voc¨º forte. Apenas fa?a de voc¨º um pe?o em um tabuleiro antigo, jogando uma partida onde os jogadores s?o muito mais velhos e muito mais astutos do que qualquer ser humano pode entender. Cada palavra sua parecia me apertar mais o peito, como se estivesse entrando em uma caverna escura onde eu jamais poderia encontrar a sa¨ªda. A sensa??o de estar em desvantagem me consumia lentamente, mas minha resist¨ºncia estava no jogo, e eu sabia que n?o podia deixar transparecer o que, por dentro, estava desmoronando. Eu tinha que manter o controle. Kaelorien, que at¨¦ agora estava calado, assumiu uma postura que parecia quase desinteressada, mas seus olhos roxos, sempre carregados de sofrimento e mist¨¦rio, encontra com os meus. Pareceu como se ele tivesse informa??es de algo que eu ainda n?o entendi. Ele sabia onde minhas for?as estavam prestes a desabar, e isso n?o o ajudou. O homem ¨¤ nossa frente, aquele que parecia um deus entre os fe¨¦ricos, inclinou levemente a cabe?a, sua venda dourada balan?ando suavemente. Era como se a postura dele fosse a pr¨®pria representa??o do tempo e das eras que ele carregava, silenciosa e cheia de um poder quase palp¨¢vel. ¡ª A verdadeira heran?a de Sylara n?o ¨¦ o trono de Tharviel, mas algo muito mais perigoso ¡ª ele continua, a voz fria como a pedra antiga. ¡ª Ela ser¨¢ desafiada por algo que n?o se compra ou se herda. A prova de sua linhagem ser¨¢ feita n?o por poder, mas por dor. A ¨²nica maneira de se tornar o que ela deve ser enfrentar o pior dentro de si, e ver sua pr¨®pria escurid?o. Aqueles que buscam o poder nem sempre t¨ºm a for?a necess¨¢ria para controla-lo. Por mais que tentasse manter o controle, senti uma inquieta??o profunda enraizar-se dentro de mim. N?o era medo. Era... curiosidade. Mas uma curiosidade macabra, algo que me chamava para um abismo do qual eu n?o sabia se queria sair. Eu ainda n?o sabia qual era o "pior dentro de mim", mas estava come?ando a questionar se isso fazia parte de um caminho que eu estava destinado a trilhar, independentemente da minha vontade. ¡ª O que voc¨º quer que eu fa?a? ¡ª Eu finalmente dei o passo de perguntar, minha voz embargada. O homem comunicou por baixo da venda, uma express?o que transbordava personalidade ¡ª como se j¨¢ tivesse informado da d¨²vida que eu estava carregando. ¡ª Voc¨º vai aprender. ¡ª A resposta foi simples, mas cheia de significados velados. Como um aviso silencioso que parecia abarcar todo o peso de tudo o que estava por vir. Kaelorien n?o se mexeu, mas sua express?o tamb¨¦m n?o ajudou em nada. Ele sabia que estava apenas come?ando um jogo de xadrez onde as pe?as ainda estavam se movendo, e ainda que eu fosse a herdeira de Tharviel, n?o havia alguma garantia de que aquele trono me pertencesse. O poder que eu almejava estava al¨¦m das muralhas do reino, mais profundo do que qualquer conspira??o no pal¨¢cio, mais sangrento e mais perverso do que eu poderia imaginar. Ainda com os olhos fixos no homem de cabelo branco e olhar oculto, deixei as palavras relacionadas em dentro de mim. Vejo ele fazer um sinal, um movimento quase impercept¨ªvel com a m?o, e antes que eu pudesse compreender o que estava acontecendo, o ambiente ao meu redor come?ou a mudar. A floresta, com suas sombras e galhos que se curvaram, se desfez, e fui engolida por uma sensa??o de vazio por um momento. O ch?o sob meus p¨¦s parecia assustador, uma sensa??o de deslocamento r¨¢pido e inesperado. E ent?o, sem aviso, a realidade ao nosso redor se reconfigura. O lugar onde agora n?o tinha nada de natural. N?o estava mais na clareira da floresta ou ao p¨¦ das ¨¢rvores antigas. O espa?o que se formou ao meu redor era uma grande sala, imensa e s¨®bria, como um pal¨¢cio isolado das limita??es do tempo e do espa?o. As paredes eram feitas de pedras de um cora??o profundo, quase negra, entrela?adas com ra¨ªzes que aparentemente pulsar e respirar de uma forma que os humanos n?o podiam compreender. N?o havia janelas, apenas fissuras escuras nas paredes por onde a luz se filtrava, criando uma penumbra macabra que tomava o lugar inteiro. O ar era denso, carregado de um aroma estranho, amadeirado e ¨²mido, como se estivesse respirando dentro de um corpo vivo. O ch?o de pedras polidas refletia a pouca luz que havia no ambiente, tornando a sensa??o de estar em um t¨²nel eterno ainda mais intenso. Cada passo que eu dava ecoava com for?a no sil¨ºncio absoluto, uma quietude t?o pesada que parecia amea?ar engolir qualquer som, qualquer movimento, como se o pr¨®prio ambiente estivesse observando. No centro da sala, uma grande mesa de madeira escura, entalhada com s¨ªmbolos antigos e incompreens¨ªveis, se estende como o ¨²nico m¨®vel no ambiente. Em cima dela, havia livros e pergaminhos distribu¨ªdos, baratos com uma precis?o meticulosa. Atr¨¢s da mesa, uma cadeira alta ¡ª imponente, s¨®lida, fria como o a?o ¡ª ocupava o centro do espa?o, e foi para ela que o homem de cabelo branco agora se passasse, movendo-se como uma sombra. Eu observava em sil¨ºncio, tentando compreender, tentando conectar os fios da minha mente com a nova realidade que estava diante de mim. Um lugar longe de qualquer sentido l¨®gico, onde cada detalhe parecia estar ali com um prop¨®sito, mas um prop¨®sito que eu n?o pude discernir. Nada naquele ambiente se sentia normal, nem mesmo os meus pr¨®prios movimentos, como se n?o estivesse mais no controle do que acontecia. Enquanto as palavras de Elarion ecoavam pelo ambiente, senti algo que n?o era familiar ¡ª um peso diferente daquele que vinha carregando desde a queda do trono. N?o era o peso de luto ou vingan?a, mas algo... primitivo. Algo que fazia cada parte do meu corpo resistir e, ao mesmo tempo, aceitar que ali, naquela sala de sombras e sil¨ºncios, tudo era maior do que eu poderia compreender. ¡ª Enfrentar a pr¨®pria escurid?o ¡ª murmurei para mim mesma, repetindo as palavras dele. Eu nunca acreditei em destinos. Palavras de profetas, lendas contadas para crian?as ¨¤ beira do sono, eram todas distrativas para algu¨¦m que precisasse sobreviver em um mundo como o meu. Mas agora, aquilo parecia diferente. A maneira como ele disse, como se j¨¢ soubesse todas as escolhas que eu faria, me desarmou. Fiquei me perguntando se o destino era mesmo um fio imut¨¢vel... ou apenas mais uma mentira que eu precisava dobrar para o meu lado. Meus olhos percorreram o ambiente novamente, tentando buscar um ponto de fixa??o na vastid?o daquela sala. Foi ent?o que notei, em uma estante ao fundo, algo que n?o deveria estar ali. Uma coroa repousava entre cristais opacos, moldada em um metal prateado que parecia estar vivo sob as luzes tremeluzentes. Suas bordas n?o eram lisas, mas cortantes e tortuosas, e algo em suas formas parecia... pulsar. Quando dei um passo involunt¨¢rio em sua dire??o, quase toquei o ar ao redor do objeto, que parecia mais denso. ¡ª Curiosa? ¡ª Kaelorien interrompeu meu momento de deslumbre, sua voz abrupta me trazendo de volta ¨¤ realidade. ¡ª Voc¨º n?o deve tocar. N?o agora. ¡ª O que ¨¦ isso? ¡ª perguntei, tentando soar desinteressada, mas falhando miseravelmente. Elarion se inclinou em seu trono, o leve som do movimento ressoando mais alto do que deveria. Ele n?o olhou para o objeto, mas sua presen?a parecia aumentar junto ao peso daquele ambiente. ¡ª Voc¨º acha que seu trono est¨¢ perdido, mas eu vejo algo diferente. Este ¨¦ apenas um dos fragmentos do que est¨¢ por vir. O sangue em voc¨º n?o se conforma apenas em ser real ¡ª precisa ser reivindicado. Antes que pudesse perguntar o que ele queria dizer, as sombras ao redor do sal?o come?aram a mover-se, como folhas sob o vento. ¡ª Sylara de Tharviel ¡ª ele continuou, sua voz como uma senten?a implac¨¢vel ¡ª, este ¨¦ apenas o come?o. Sua linhagem exige um pre?o, e suas escolhas ser?o aquilo que determinar¨¢ seu legado. Verdades n?o s?o dadas; s?o ganhas. Senti o olhar invis¨ªvel de Kaelorien sobre mim, mas ele permaneceu calado. Ele j¨¢ sabia. Era imposs¨ªvel n?o perceber a tens?o no ar, como se todos ali aguardassem a minha rea??o. Engoli em seco, me obrigando a manter o queixo erguido. ¡ª Que escolha eu tenho? ¡ª perguntei, for?ando uma firmeza que eu n?o sentia. Elarion inclinou levemente a cabe?a, como se tivesse esperado exatamente essa pergunta. ¡ª V¨¢. Procure nas sombras aquilo que voc¨º perdeu. Quando retornar, traga respostas ¡ª e n?o perguntas Antes que eu pudesse perguntar o que ele queria dizer, Elarion levantou a m?o com um movimento deliberado, e as sombras no ambiente pareceram reagir. De repente, tudo ficou mais escuro, como se o pr¨®prio ar fosse drenado de luz. Kaelorien se moveu para o meu lado, mas manteve o rosto impass¨ªvel, embora eu sentisse a tens?o no ambiente crescer ao nosso redor. Elarion voltou a falar, e dessa vez sua voz era um sussurro que parecia ecoar diretamente em minha mente. ¡ª O caminho n?o ser¨¢ dado a voc¨º, Sylara. Ele ser¨¢ mostrado... e voc¨º precisar¨¢ sobreviver. Antes que eu pudesse perguntar o que aquilo significava, o ch?o abaixo de mim come?ou a tremer. Olhei ao redor, confusa, mas Kaelorien se aproximou e agarrou meu bra?o com firmeza. ¡ª Est¨¢ come?ando ¡ª ele murmurou. ¡ª O que est¨¢ come?ando? ¡ª minha voz saiu mais alta do que eu queria, ecoando na escurid?o crescente. Mas Elarion n?o respondeu. Sua figura parecia se misturar ¨¤ penumbra, enquanto as paredes do sal?o desapareciam. A luz fraca dos cristais apagou-se, e o mundo ao meu redor tornou-se apenas sombra. Senti meu cora??o acelerar enquanto algo ¡ª ou algu¨¦m ¡ª parecia me puxar para frente, para longe de Kaelorien e do que restava do sal?o. Elarion foi a ¨²ltima voz que ouvi, cortando o sil¨ºncio como uma lamina: ¡ª Descubra se voc¨º ¨¦ digna de carregar o sangue que corre em suas veias. E descubra r¨¢pido. As sombras n?o esperam por ningu¨¦m Capítulo 4: O Primeiro Encontro Sylara A queda foi abrupta e intermin¨¢vel. N?o uma queda no sentido literal, mas algo que parecia mais profundo, como se estivesse sendo puxada para dentro da pr¨®pria floresta ¡ª ou para al¨¦m dela. Quando os p¨¦s finalmente tocaram o ch?o, meu corpo cedeu, os joelhos batendo contra uma terra estranhamente macia, mas fria ao toque. O ar ao meu redor estava carregado, pulsante, quase vivo, como se o lugar soubesse mais sobre mim do que eu mesma. Ergui os olhos, tentando ajustar minha vis?o ¨¤ escurid?o quebrada por uma luz t¨ªmida e difusa. O que vi foi algo que parecia ter sa¨ªdo de um sonho ¡ª ou de um pesadelo. ¨¤ minha frente, uma figura emergiu das sombras. Alta, esguia e imposs¨ªvel de ignorar, sua presen?a preenchia o espa?o ao redor como se ele fosse o dono n?o apenas do lugar, mas tamb¨¦m do pr¨®prio momento. Seus olhos, dourados como fogo l¨ªquido, brilhavam em contraste com sua pele quase transl¨²cida. ¡ª Finalmente ¡ª disse ele, a voz carregada de autoridade, mas com uma suavidade que quase escondia uma amea?a. ¡ª Est¨¢vamos esperando. Est¨¢vamos? Fiquei de p¨¦, ofegante, tentando entender o que exatamente acabara de acontecer e quem era aquele ser que me olhava como se soubesse cada segredo que eu tentava esconder. Esse foi o meu primeiro encontro com o que chamariam, mais tarde, de destino. O som veio primeiro. Baixo, gutural, como o rosnado distante de uma fera que avista sua presa. Minhas m?os instintivamente se fecharam em punhos, mas a verdade era que eu n?o sabia se poderia lutar contra o que estava prestes a aparecer. A criatura emergiu das sombras como parte delas. Alta, com uma estrutura deformada que oscilava entre algo humano e um animal que eu n?o conseguia identificar. Seus olhos ¡ª dois c¨ªrculos brilhantes e intensos ¡ª fitavam-me sem piscar, e eu senti meu peito apertar sob o peso daquele olhar. ¡ª Voc¨º n?o deveria estar aqui. As palavras soaram na minha mente, mas os l¨¢bios daquela coisa nunca se moveram. Um arrepio percorreu minha espinha enquanto tentava firmar os p¨¦s. ¡ª N?o pedi para estar aqui ¡ª repliquei, minha voz fraca demais para soar t?o destemida quanto queria. A criatura deu um passo ¨¤ frente. A luz incerta refletiu na pele negra ou escamosa ¡ª eu n?o sabia dizer ao certo. Suas garras, que se arrastavam pelo ch?o com um som met¨¢lico, eram longas e afiadas, mas ainda assim havia algo de humanoide em sua forma, como um rosto que um dia poderia ter pertencido a algu¨¦m de carne e osso. ¡ª Apenas os que carregam a sombra dentro de si podem cruzar. Quem n?o for digno ser¨¢ devorado por ela. N?o houve amea?a em sua voz, apenas uma certeza absoluta que tornou cada palavra ainda mais terr¨ªvel. ¡ª Eu sou digna ¡ª disse, sabendo que apenas as palavras n?o bastariam. ¡ª Mostre. Antes que pudesse reagir, as sombras ao meu redor se agitaram como serpentes. Formaram um arco diante de mim, moldado por escurid?o viva, pulsante, e dentro dele havia apenas um vazio ¡ª uma passagem que parecia sugar at¨¦ mesmo a luz. ¡ª Atravesse. ¡ª E o que acontece se eu n?o fizer isso? ¡ª perguntei, mas j¨¢ sabia a resposta. ¡ª Voc¨º n?o sobreviver¨¢ para perguntar novamente. Dei um passo em dire??o ao arco. O vazio me chamava e me repelia ao mesmo tempo. Meu cora??o batia t?o alto que eu podia jurar que ele ia explodir. Mas continuei caminhando. Se isso era um teste, eu tinha que passar. Havia muito mais em jogo do que apenas a minha vida. Quando meu corpo atravessou a barreira, senti como se o pr¨®prio ar fosse arrancado dos meus pulm?es. Um calor, depois frio. A press?o era insuport¨¢vel, mas n?o desisti. Forcei-me a seguir, parecia que meu corpo estava sendo arrancado de mim, meus pulm?es faltando ar, era como se eu estivesse afogando sem ter ¨¢gua em volta. Tento focar a frente, mas tudo parecia apenas um borr?o, minhas l¨¢grimas n?o desciam pelo meu rosto, elas evaporaram no ar. Tudo queimava e ao mesmo tempo era uma queima??o de frio, ent?o quando penso que n?o iria passar, tudo ao meu redor se dissipou. Emergi em uma sala imensa e sombria, onde luzes brilhantes iluminavam um ¨²nico trono ao centro. O ar era pesado, como se estivesse carregado de energia antiga, e cada passo que dava parecia afundar no ch?o. O ser sentado no trono ergueu a cabe?a, e embora seus olhos estivessem cobertos por uma venda negra, a sensa??o era de que ele via tudo. Ele era mais do que uma figura: era uma for?a que dominava o espa?o ao seu redor. ¡ª Bem-vinda ¡ª disse, sua voz um trov?o calmo. ¡ª Voc¨º cruzou a sombra e ainda respira. Isso j¨¢ ¨¦ algo. Come?o a tossir e parecia que estava tossindo meu pr¨®prio pulm?o, me ajoelho no ch?o e tento recuperar meu ar ou o que sobrou dele. Surge na minha frente uma ta?a com ¨¢gua ou que acho que era ¨¢gua. ¡ª Beba, ir¨¢ te fazer bem. ¡ª Olho para ele e por alguma raz?o n?o sentir medo, pego a ta?a com meus dedos tremendo e tomo um gole, a dor no meu pulm?o desapareceu e minha garganta n?o parecia mais seca. ¡ª O que era isso? ¡ª Consigo dizer, apesar de toda mol¨¦cula do meu corpo estava doendo. ¡ª Vamos chamar de antidoto. Ou apenas ¨¢gua. Quem sabe. ¡ª Levanto do ch?o e finalmente consigo olhar para ele, o rosto dele era coberto pela venda escura, me lembrava o outro fe¨¦rico que encontrei mais cedo. ¡ª H¨¢ est¨¢ se referindo ao Elarion? Digamos que somos da mesma linhagem, por isso as vendas. Arregalo os olhos, ele consegue ouvir minha mente? ¡ª Ouvir? N?o, mas consigo ler o que voc¨º est¨¢ pensando e vejo que tem muito o que pensar. Me diga, qual ¨¦ seu nome? ¡ª ¡ª Sylara Elyndra Tharviel. ¡ª Tento soar firme. ¡ª E quantos anos voc¨º tem? ¡ª Tenho 15 anos. ¡ª 15? Ainda uma crian?a, ainda tem muito o que aprender, deve ser por isso que n?o se sabe nada sobre seus ancestrais. Como voc¨º passou pela sombra, irei lhe contar a hist¨®ria dos seus ancestrais, sua hist¨®ria. ¡ª H¨¢ 2000 anos, quando o mundo de Nyvathar estava ¨¤ beira da destrui??o, os humanos entraram em guerra contra os Fe¨¦ricos. Os Fe¨¦ricos tinham poderes naturais e conex?es profundas com a magia da floresta, enquanto os humanos eram mais numerosos e se voltaram para armas e destrui??o. A guerra devastou o equil¨ªbrio da terra e amea?ou consumir tudo em caos. Foi ent?o que Aelirys, a Deusa da Restaura??o, desceu ao mundo. Para salvar Nyvathar, ela sacrificou parte de sua ess¨ºncia divina para criar um elo que uniria os dois povos: a linhagem real de Tharviel. Aqueles que carregassem o sangue real n?o seriam apenas governantes entre humanos, mas tamb¨¦m um v¨ªnculo com o poder antigo da floresta e das sombras. Quando Aelirys desceu a este mundo, ela n?o veio apenas para salv¨¢-lo. Ela veio para moldar um novo equil¨ªbrio. Seu sangue, Sylara, carrega fragmentos da ess¨ºncia dela ¡ª e ¨¦ por isso que a floresta a aceitou, mesmo que n?o entenda completamente o motivo. If you discover this tale on Amazon, be aware that it has been unlawfully taken from Royal Road. Please report it. Seu destino, assim como o dela, n?o ser¨¢ simples. Aqueles que carregam poder sempre enfrentar?o escolhas terr¨ªveis, pois o equil¨ªbrio ¨¦ uma promessa f¨¢cil de ser quebrada. E Kaelorien... ele tamb¨¦m ¨¦ um eco do sacrif¨ªcio de Aelirys, mais entrela?ado ao seu legado do que voc¨º est¨¢ pronta para saber. ¡ª Pisco algumas vezes absorvendo tudo o que ele acabou de me dizer. ¡ª O que o Kaelorien tem a haver com isso? ¡ª Ah querida humana, tudo... Ele ¨¦ seu passado, seu presente e ser¨¢ seu futuro. Ele pode ser sua chave e ao mesmo tempo o cadeado. Sugiro que n?o mantenha seu cora??o t?o aberto assim. Fiquei em sil¨ºncio. A sensa??o de que algo enorme e incompreens¨ªvel acabava de ser colocado em minhas m?os me sufocava. Meu sangue, minha vida, minha pr¨®pria exist¨ºncia eram mais do que apenas um acidente. ¡ª N?o quero isso ¡ª murmurei, as palavras saindo antes que pudesse pensar. ¡ª N?o querer n?o muda nada ¡ª respondeu ele, sem um tra?o de compaix?o. Sua voz era firme, implac¨¢vel. ¡ª Carregar esse sangue n?o foi sua escolha, mas o que voc¨º far¨¢ com ele, sim. ¡ª Parece f¨¢cil para voc¨º dizer isso. ¡ª Minhas palavras carregavam uma raiva crescente. ¡ª Estar no trono ¨¦ apenas um fardo para mim. Ser ¡°um v¨ªnculo com os Fe¨¦ricos¡± n?o vai me devolver o que perdi. O Guardi?o inclinou a cabe?a levemente, e embora o v¨¦u cobrisse seus olhos, senti sua avalia??o cortante. ¡ª Essa ¨¦ a primeira coisa verdadeira que voc¨º disse desde que entrou aqui. Voc¨º carrega mais do que deseja, mas carrega menos do que ¨¦ capaz de suportar. Avancei um passo em sua dire??o, meus punhos cerrados. ¡ª Se sabe tanto assim, por que n?o faz isso por mim? Por que me colocar nesse jogo? ¡ª Porque voc¨º ¨¦ o jogo, Sylara. ¡ª Ele ergueu a m?o em um gesto calmo, mas autorit¨¢rio, e um espelho escuro surgiu no ar entre n¨®s, sua superf¨ªcie ondulando como ¨¢gua em uma tempestade. ¡ª Olhe para si mesma. Olhe para o que est¨¢ dentro de voc¨º. Hesitei. Parte de mim n?o queria se aproximar. Mas o peso de suas palavras, como correntes invis¨ªveis, me empurrou adiante. Quando parei diante do espelho, algo estranho aconteceu. N?o vi meu reflexo, mas fragmentos ¡ª mem¨®rias, rostos que n?o reconheci, chamas e sombras. E ent?o, l¨¢ estava ele. Kaelorien, parado em meio ¨¤ escurid?o, seu olhar roxo penetrante cravado no meu. ¡ª Voc¨º n?o pode fugir disso, Sylara ¡ª disse o Guardi?o. ¡ª Nem dele. Meu cora??o disparou, e eu me afastei do espelho como se tivesse sido queimada. ¡ª O que isso significa? ¡ª perguntei, a voz mais tr¨ºmula do que gostaria. ¡ª Significa que o destino j¨¢ escolheu. A ¨²nica coisa que resta decidir... ¨¦ o que voc¨º est¨¢ disposta a sacrificar. ¡ª Estou cansada dessas palavras com meio significados. Por que n?o apenas fala tudo de uma vez? Em vez de enigmas. ¡ª Esse n?o ¨¦ meu trabalho, meu trabalho ¨¦ apenas mostrar o passado para voc¨º entender seu presente e saber o que fazer no futuro. Ah... mais uma coisa, n?o acredite em ningu¨¦m, nem mesmo no seu cora??o. Ele pode te enganar, mas seus ouvidos n?o, se lembre disso. Antes que eu pudesse responder a sala come?a a mudar e as sombras toma conta de tudo e quando me vejo estava novamente na sala com o Kaelorien e o Elarion. Quando a sala come?ou a mudar, um turbilh?o de sombras e luz me envolveu, e eu me vi de volta onde tudo havia come?ado ¡ª na sala com Kaelorien e Elarion. A sensa??o de ter sido arrancada de um lugar onde n?o sabia mais se estava em p¨¦ ou ca¨ªda ainda persistia em meu corpo. Eu estava atordoada, o ar parecia mais denso do que antes, mas nenhum dos dois parecia perceber a mudan?a ou o que eu acabara de enfrentar. Kaelorien estava em p¨¦, observando-me com aqueles olhos penetrantes de um roxo profundo, ainda envolto em seu mist¨¦rio. Elarion, ao seu lado, mantinha a postura serena, mas com um leve franzir de testa, como se tentasse decifrar algo que ele mesmo n?o compreendia. Nenhum deles falou por um momento, e o sil¨ºncio entre n¨®s era denso e pesado, como uma tempestade prestes a estourar. Eu estava tentando processar tudo o que havia acontecido no teste, a sensa??o de ter cruzado a sombra e o que o Guardi?o havia dito sobre meu destino. Mas n?o conseguia lembrar o suficiente para dar sentido ¨¤s palavras dele, nem mesmo o que eu realmente vi ¡ª apenas flashes, fragmentos que se dissolviam antes que eu pudesse entender. Finalmente, Kaelorien quebrou o sil¨ºncio. Ele se aproximou lentamente, seus passos silenciosos, quase como se n?o quisesse me assustar. ¡ª O que aconteceu? ¡ª Ele disse, a voz suave, mas com um tom de preocupa??o que n?o pude ignorar. ¡ª Voc¨º... parece diferente. Eu olhei para ele, tentando entender o que ele via em mim. N?o sentia nada de diferente, mas a sensa??o de estar em um lugar que n?o era mais o mesmo era inconfund¨ªvel. Elarion, de sua parte, parecia mais atento ao meu estado do que Kaelorien. Ele me estudou por alguns segundos antes de falar, a voz fria e calculista, como sempre. ¡ª O que quer que tenha ocorrido no teste... isso n?o ¨¦ algo que voc¨º deva carregar sozinha. ¡ª Ele deu um passo ¨¤ frente. ¡ª O que vimos aqui... pode ter sido um reflexo de algo mais, algo que nem mesmo os de nossa linhagem compreendem totalmente. Eu queria perguntar o que ele queria dizer com "nossa linhagem", mas a dor em minha cabe?a parecia crescer a cada palavra que eu tentava formar. Kaelorien parecia querer me tocar, mas hesitou. Algo havia mudado no ar, como se ele soubesse que havia algo mais por tr¨¢s daquela prova, algo que ainda n?o est¨¢vamos prontos para entender. ¡ª Voc¨º ainda est¨¢ com a mente confusa, n?o ¨¦? ¡ª perguntou ele, sua voz mais suave, quase como um sussurro. ¡ª Eu sinto isso. Vamos deixar o tempo passar antes de tentar entender o que aconteceu. O importante agora... ¨¦ que voc¨º est¨¢ viva. Mas mesmo enquanto ele falava, havia uma sombra de d¨²vida em seus olhos, como se ele soubesse que minha sobreviv¨ºncia naquele teste era apenas o come?o, e n?o o fim. Eu n?o estava certa do que estava sendo colocado em minhas m?os, mas sabia que o pior ainda estava por vir. Elarion ent?o se dirigiu ¨¤ porta da sala, e eu percebi que ele estava guardando suas palavras, apenas aguardando o momento certo para revelar algo que ele ainda n?o queria contar. ¡ª O teste foi apenas um primeiro passo ¡ª disse ele, sua voz sem emo??o. ¡ª O que vem a seguir... nenhum de n¨®s pode prever. S¨® sei que voc¨º precisar¨¢ de todos os seus sentidos agu?ados. E antes que eu pudesse question¨¢-lo mais, ele desapareceu na escurid?o da sala, deixando apenas Kaelorien e eu. O sil¨ºncio se estendeu entre n¨®s, mas a tens?o era palp¨¢vel. ¡ª Eu... eu n?o sei o que fazer agora ¡ª murmurei, olhando para Kaelorien. ¡ª Eu sou apenas uma crian?a, Kaelorien. Eu n?o pedi por isso. Ele me olhou, sua express?o suavizando um pouco, mas sua resposta foi firme: ¡ª Talvez voc¨º n?o tenha pedido por isso, Sylara. Mas o que o futuro exige de voc¨º vai muito al¨¦m do que qualquer escolha que voc¨º teria feito. Vamos ter que enfrentar isso, n?o importa o quanto custe. Ainda assim, n?o consegui deixar de me perguntar se alguma coisa dentro de mim realmente estava pronta para o que estava por vir. ¡ª Quero ficar sozinha, por favor. ¡ª Minha cabe?a parecia que ia explodir a qualquer momento. Sinto o olhar de Kaelorien em mim. ¡ª Vou lev¨¢-la at¨¦ um quarto, onde poder¨¢ descansar. ¡ª Olho para a m?o dele estendida e hesito antes de aceitar a m?o dele. Toco a m?o dele e sigo ele para fora da sala. Seguimos por um corredor que as luzes ficavam flutuando no ar iluminando o caminho, caminhamos por alguns corredores e portas at¨¦ chegarmos no final do corredor na frente de uma porta de freixo, ele abre a porta e nos dois entramos. Quando entrei no quarto, a primeira coisa que notei foi a porta de freixo escuro, com detalhes esculpidos que pareciam formar galhos, quase como se a madeira tivesse vida pr¨®pria. Dentro, o ar era gelado e silencioso, quase pesado, como se o tempo ali tivesse parado. A cama de dossel estava coberta por tecidos prateados e esverdeados, que refletiam pouca luz. N?o havia cor, nem calor, o ambiente parecia mais uma pris?o do que um ref¨²gio. O cheiro de madeira envelhecida e cera queimando era sutil, mas marcava o espa?o. Os m¨®veis eram simples, o suficiente para criar um ar de austeridade. O ch?o rangia baixo a cada passo, e as cortinas pesadas bloqueavam a luz do luar. Era dif¨ªcil encontrar qualquer sensa??o de acolhimento ali ¡ª tudo estava em sil¨ºncio, esperando, como se estivesse ¨¤ sombra das minhas pr¨®prias incertezas. ¡ª Vou deix¨¢-la sozinha, mais tarde algu¨¦m vir¨¢ trazer algo para voc¨º comer. ¡ª N?o respondo, apenas caminho at¨¦ uma cama e me deito nela. Escuto a porta fechar e olho por cima do ombro, estava sozinha, tinha se passado apenas 36 horas desde a morte dos meus pais e a minha usurpa??o, mas parecia que foi dias atr¨¢s, tudo foi como um banque de ¨¢gua fria em mim, muita informa??o para pouco tempo. H¨¢ tr¨ºs dias eu era apenas uma herdeira do trono com pais felizes e um reino que sabia que era meu, mas agora sou uma garota que n?o sabe nada com tudo a perder. O frio da sala n?o me afeta mais, nem as paredes imponentes que me cercam. O sil¨ºncio ¨¦ ensurdecedor, uma constante lembran?a de que estou sozinha. E nesse sil¨ºncio, o peso da perda parece maior do que eu imaginava ser capaz de suportar. A verdade ¨¦ que nada mais parece ter sentido. N?o sei para onde ir ou o que fazer, s¨® sei que a dor de perder tudo ¨¦ esmagadora. Levanto-me, andando em dire??o ¨¤ janela. L¨¢ fora, o c¨¦u cinzento parece refletir meu estado de esp¨ªrito. O imp¨¦rio que deveria ser meu se desfaz em minhas m?os, enquanto aqueles que usurparam meu lugar desfrutam do que deveria ser o meu direito. Mas eu n?o estou sozinha. Cada passo que eles tomaram para me derrotar me levou a uma escolha. E essa escolha ¨¦ simples: vingan?a. O tempo para chorar j¨¢ passou. Agora, minha ¨²nica miss?o ¨¦ recuperar o que ¨¦ meu. E ¨¦ com essa promessa em mente que dou o primeiro passo para a minha verdadeira jornada. O sangue que foi derramado, e o que ainda ser¨¢, me conduzir¨¢. N?o importa a qu?o sombria seja essa estrada, eu n?o voltarei atr¨¢s. O que quer que me aguarde nesse caminho, n?o ser¨¢ mais uma quest?o de heran?a. Ser¨¢ uma quest?o de honra. E uma promessa silenciosa.