《A Eternidade de Ana [Português, Brasil]》 Capítulo 1 - Rotina
Em uma manh? at¨ªpica de S?o Paulo, onde um raro fio de luz solar rasgou o habitual manto cinzento, Ana abriu os olhos. O som estridente do despertador n?o foi apenas o an¨²ncio do in¨ªcio da manh?, mas o s¨ªmbolo da repeti??o incessante de seus dias. Enquanto se levantava, a luz suave do sol tentava penetrar atrav¨¦s das cortinas, iluminando os objetos dispersos pelo seu quarto, cada um contando uma hist¨®ria, cada um representando um fragmento da complexa teia da vida paulistana, repleta de promessas adiadas e sonhos frustrados. ¡ª Mais um dia... ¡ª entre murm¨²rios e um espregui?ar lento e desanimado, ela se levantou. A ¨¢gua do chuveiro escorria pelo seu corpo, mas n?o conseguia lavar a sensa??o de estagna??o que a acompanhava. Em frente ao espelho do banheiro, Ana vestiu sua desconfort¨¢vel roupa social e se preparou para enfrentar mais um dia de trabalho. Com um suspiro resignado, encarou a si mesma, vendo uma sombra do que ela desejava ser. ¡°Que bobeira, preciso ir trabalhar.¡± O caf¨¦ da manh?, preparado e consumido no piloto autom¨¢tico, era acompanhado pelo h¨¢bito de deslizar os dedos pela tela do celular, absorvendo not¨ªcias de transito ca¨®tico, eventos culturais na cidade e as ¨²ltimas fofocas sobre celebridades. Nada parecia realmente novo ou excitante. Tudo naquela manh? seguia a mesma rotina de sempre. Ela olhou em volta de seu pequeno apartamento, onde cada objeto tinha seu lugar espec¨ªfico. Livros empilhados na estante, fotografias adornando as paredes, plantas espalhadas pelo ambiente. Cada detalhe refletia um peda?o da sua personalidade, um lembrete constante de quem ela era e de onde vinha. ¡ª M?e, pai, estou saindo ¡ª sua voz saiu em um sussurro, quase fundindo-se ao clicar suave da porta que se fechava. Ana j¨¢ morava sozinha, mas sua fam¨ªlia veio lhe fazer uma visita essa semana. Seus pais, ambos na casa dos 50 anos, estavam deitados em um colch?o na sala, enquanto Jasmim, sua irm? pequena, descansava em seu antigo sof¨¢. Ela gostava de sua fam¨ªlia, mas a presen?a deles a obrigava a sorrir constantemente, mesmo com o caos de sua mente cansada. No caminho para o trabalho, ela observou a cidade despertar ao seu redor. Os mercados abriram suas portas, os vendedores ambulantes montavam suas barracas, os primeiros ?nibus come?avam a circular pelas ruas. Era um ritual di¨¢rio, uma coreografia fren¨¦tica de pessoas indo e vindo, cada uma com sua pr¨®pria hist¨®ria, seus pr¨®prios sonhos. Nisso, Ana se misturou ¨¤ multid?o apressada das ruas da capital. Ela era apenas mais uma entre os milh?es de habitantes, uma engrenagem no complicado mecanismo da metr¨®pole. O escrit¨®rio onde passava seus dias era uma extens?o da selva de concreto que dominava a paisagem urbana, um labirinto de cub¨ªculos impessoais onde a vida parecia mais uma corrida contra o tempo do que uma jornada de descoberta pessoal. Naquele dia, assim que chegou ao escrit¨®rio, foi recebida pelo burburinho habitual dos colegas de trabalho. O ar condicionado zumbia no fundo, misturando-se com o som das conversas e correria ao redor. Enquanto se preparava para come?ar o dia, Jo?o se aproximou com um sorriso. ¡ª Bom dia, Ana! Como foi o fim de semana? ¡ª ele perguntou, depositando uma pilha de documentos em sua mesa. ¡ª Foi tranquilo, Jo?o. E o seu? ¡ª Ah, o de sempre. Fiquei em casa assistindo futebol. Voc¨º n?o imagina o jogo do Corinthians! ¡ª Seu entusiasmo era palp¨¢vel, mas Ana mal conseguia se concentrar em suas palavras. ¡ª Parece divertido. Eu s¨® fiquei em casa mesmo ¡ª com um encolher de ombros ela voltou ao trabalho, o sil¨ºncio entre eles sendo preenchido pelo som mon¨®tono dos teclados. Ela sabia que a conversa anterior foi apenas uma formalidade. Os colegas de trabalho, com quem compartilhava cumprimentos e sorrisos protocolares, sabiam pouco sobre ela al¨¦m do que era necess¨¢rio para a execu??o das tarefas di¨¢rias. Conversas giravam em torno de prazos, reuni?es, e o ocasional coment¨¢rio sobre o tempo, mas raramente tocavam em assuntos de substancia, em sonhos ou desejos que moravam no ¨ªntimo de cada um. This tale has been unlawfully lifted without the author''s consent. Report any appearances on Amazon. Durante o expediente, Ana mergulhava em suas tarefas, dedicando-se com afinco aos projetos que lhe eram designados. Ela era uma profissional competente, confi¨¢vel, mas por vezes se pegava pensando se aquela era a vida que ela realmente desejava. Nos intervalos, se permitia sonhar. Imaginava viagens pelo mundo, com aventuras em terras distantes, com encontros fortuitos que mudariam o curso de sua vida. Eram devaneios fugazes, pequenas fugas da realidade que a ajudavam a suportar a monotonia do dia a dia. O dia no escrit¨®rio passou lentamente, cada minuto arrastando-se como se estivesse preso em um engarrafamento. Enquanto o sol se punha l¨¢ fora, ela finalmente terminou suas tarefas e se preparou para ir para casa. ¡ª At¨¦ amanh?, pessoal! ¡ª com um aceno coletivo, encerrou seu dia no escrit¨®rio. No metr?, ao retornar para casa, Ana se refugiava em suas paix?es. Lia livros que a transportavam para universos desconhecidos ou simplesmente se perdia em pensamentos enquanto contemplava as estrelas atrav¨¦s da janela. Era o ¨²nico momento realmente feliz em seu dia, o momento em que mesmo presa entre milhares de outras pessoas que tamb¨¦m sa¨ªam de seus trabalhos, ela se sentia livre. Era uma vida simples, uma vida de rotina, uma vida de pequenos prazeres. Ela sentia que havia algo mais l¨¢ fora, algo esperando por ela al¨¦m das paredes do escrit¨®rio e das ruas da cidade. E, no fundo de seu cora??o, ansiava por descobrir o que era, mas sabia que eram apenas devaneios. Era em meio a essas reflex?es, numa noite que parecia ser apenas mais uma r¨¦plica das anteriores, que o extraordin¨¢rio aconteceu. O c¨¦u sobre S?o Paulo ganhou um esplendor incomum, uma luz que desafiava qualquer descri??o convencional. Era como se um peda?o do cosmo decidisse visitar a cidade, envolvendo-a em uma aura celestial. A luminosidade intensa e quase palp¨¢vel capturou a aten??o de todos ao redor, provocando uma pausa no frenesi cotidiano da cidade. As pessoas nas ruas pararam, seus olhares fixos no c¨¦u, enquanto um sil¨ºncio coletivo se espalhava pelo ambiente, substituindo o barulho incessante da vida urbana. Aquele momento transcendia os limites da rotina mon¨®tona que a cercava. A luz no c¨¦u n?o era apenas um fen?meno atmosf¨¦rico, era um convite ao desconhecido, uma promessa de algo mais al¨¦m das paredes sufocantes de sua vida habitual. Era como se o universo estivesse respondendo ¨¤s suas s¨²plicas silenciosas por mudan?a, oferecendo-lhe uma oportunidade ¨²nica de reinventar seu destino. Ela permaneceu ali, im¨®vel, absorvendo a beleza e o mist¨¦rio daquele espet¨¢culo celeste. Naquele instante fugaz, o peso opressivo da rotina pareceu desvanecer-se, substitu¨ªdo pela possibilidade de uma vida diferente, de um novo caminho a ser explorado. ¡ª Estou sonhando acordada de novo¡­ ¡ª seus l¨¢bios resmungaram enquanto encarava o c¨¦u. Apesar disso, n?o p?de deixar de lado seu louco devaneio de que estava prestes a embarcar na jornada mais extraordin¨¢ria de sua vida. O transito rotineiro se estendia por quil?metros al¨¦m do normal, pessoas choravam ajoelhadas direcionando preces aos c¨¦us e milhares de teorias do fim do mundo estavam sendo murmuradas pelo vento. O medo era quase palp¨¢vel, as pessoas encaravam o c¨¦u com um olhar de impot¨ºncia e seus cora??es batiam descontroladamente. Estranhamente, ao contr¨¢rio do que muitos pensariam, o caos n?o se instaurou em tal situa??o, a luz tinha um estranho efeito de prender o olhar do observador. Minutos se passaram, que logo se tornaram horas. No entanto, a estranha luz no c¨¦u permaneceu apenas isso: uma luz no c¨¦u. Nenhuma nave espacial, nenhuma explos?o, nada que indicasse um evento fora do comum al¨¦m daquela luminosidade incomum. Confusa e um tanto desapontada, ela lentamente voltou ¨¤ realidade, enquanto as pessoas ao seu redor tamb¨¦m retomaram as suas atividades. Era amedrontador, mas a falta de rea??o com o passar das horas diminuiu a tens?o do ambiente, n?o sendo mais o suficiente para parar a apressada vida da capital. O frenesi urbano recome?ou, os carros voltaram a buzinar, as pessoas voltaram para a correria do fim de dia. ¡ª O ¨²ltimo ?nibus para Barueri sai em 5 minutos ¡ª gritou o cobrador da janela do ?nibus. Ap¨®s olhar uma ¨²ltima vez para a luz no c¨¦u, resignada, decidiu seguir seu caminho de volta para casa. Apesar da falta de um grande acontecimento, algo havia mudado dentro dela. A experi¨ºncia, por mais breve que fosse, reavivou uma chama de esperan?a e curiosidade em seu cora??o. ¡°Sempre h¨¢ a possibilidade de algo surpreendente acontecer¡±, sua imagina??o se perdia em mundos fantasiosos enquanto adormecia no banco do ?nibus.
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Capítulo 2 - Silêncio
Naquela manh?, Ana despertou com um sentimento de mau humor pairando sobre ela. O despertador pareceu mais estridente do que nunca, ecoando a inevitabilidade da rotina que estava prestes a come?ar novamente. Ela se revirou na cama, relutante em enfrentar mais um dia igual aos outros. "Merda, merda! Precisa ser sempre assim? Cada dia vai ser uma c¨®pia do anterior?", a luz suave do sol tentava penetrar pelas cortinas, mas n?o conseguia dissipar a n¨¦voa de desanimo que pairava sobre ela. Ao se arrastar at¨¦ a cozinha, Ana se deparou com a familiaridade entediante de sua rotina matinal. Ela preparou o caf¨¦ da manh? mecanicamente, enquanto seus pensamentos giravam em torno da monotonia iminente que a esperava do lado de fora de sua porta. A sensa??o de estagna??o parecia cada vez mais sufocante. Enquanto tomava seu caf¨¦, percebeu algo incomum. ¡ª M?e? Pai? ¡ª sua voz tremia, infundida com uma ansiedade crescente, enquanto atravessava o espa?o vazio onde normalmente encontraria o calor reconfortante de sua fam¨ªlia.. ¡°¨¦ muito cedo para terem sa¨ªdo¡±, uma sensa??o de inquieta??o se insinuou em sua mente, fazendo com que ela se dirigisse at¨¦ a janela para procur¨¢-los. Ao olhar para fora, ela ficou atordoada. N?o havia movimento nas ruas. Nenhum carro passando, nenhum pedestre apressado. A cidade, que antes vivia com sua agita??o caracter¨ªstica das manh?s, agora parecia desolada e vazia. Tu. tu. tu. tu. ¡ª Atendam, por favor! ¡ª seu cora??o come?ou a bater mais r¨¢pido quando sua liga??o ficou apenas chamando indefinidamente. Um frio gelado percorreu sua espinha, enquanto ela percebia que algo estava terrivelmente errado. Com um sentimento de panico crescente, Ana se vestiu apressadamente e correu para a rua. Mas mesmo fora de seu pr¨¦dio, ela n?o encontrou ningu¨¦m. O sil¨ºncio era ensurdecedor, e a solid?o a abra?ava como uma mortalha. "Onde est¨¢ todo mundo?", cada passo que ela dava ecoava nas ruas desertas, um lembrete sombrio de que estava sozinha. Ela gritou por socorro, mas sua voz se perdia na vastid?o vazia ao seu redor. Desesperada, Ana come?ou a percorrer as ruas vazias, seus pensamentos mergulhados em um turbilh?o de medo e confus?o. Ela procurou freneticamente por qualquer sinal de vida, qualquer ind¨ªcio de que n?o estava sozinha. O mundo, outrora vibrante e barulhento, agora se desdobrava como um teatro abandonado, as cortinas finais baixadas sobre uma humanidade evaporada, deixando-a como a ¨²nica espectadora de um sil¨ºncio ensurdecedor. ¡ª Ser¨¢ que enlouqueci? Isso n?o pode ser real¡­ ¡ª sussurrou para si mesma, os olhos varrendo cada canto da cidade deserta em busca de uma resposta. Mas n?o havia nada al¨¦m de si pr¨®pria e um ocasional som de p¨¢ssaro voando. ¨¤ medida que o dia se arrastava para a noite, seu desespero se intensificava. Ela retornou ao seu apartamento, tentando desesperadamente encontrar alguma pista, alguma explica??o para o desaparecimento repentino de todos. Mas seus esfor?os foram em v?o, deixando-a ainda mais perdida e sozinha. Com o cora??o pesado, ela se sentou em sua sala vazia, cercada pelo sil¨ºncio opressivo. Ana se perguntava se estava sonhando, se tudo aquilo era apenas uma alucina??o terr¨ªvel. Mas a sensa??o do ch?o frio sob seus p¨¦s e a dor aguda de sua solid?o lhe diziam que era real. Unauthorized use: this story is on Amazon without permission from the author. Report any sightings. Com um suspiro, ela se levantou do sof¨¢ e se dirigiu para o quarto. Ela sabia que n?o conseguiria dormir, mas o cansa?o de sua busca sem fim pesava sobre ela. Ana deitou-se na cama, olhando para o teto escuro, perdida em seus pensamentos e temores.
E assim, a primeira noite de sua solid?o chegou ao fim, com uma ora??o para o al¨¦m de que tudo n?o passasse de um pesadelo. Nos primeiros dias que se seguiram ao evento misterioso, o qual Ana nomeou de ¡°Grande Vazio¡±, ela iniciou uma busca fren¨¦tica por qualquer sinal de vida. ¨¤ medida que os dias se desdobravam em semanas, e as semanas em meses, a realidade tornou-se uma marcha solit¨¢ria atrav¨¦s de cidades silenciosas, cada uma ecoando o vazio da ¨²ltima. ¡ª Algu¨¦m? Por favor! ¡ª ela gritava em pra?as vazias, sua voz quebrando o sil¨ºncio, uma s¨²plica desesperada por um eco de vida que nunca vinha. Mas a ¨²nica resposta era o eco distante de sua pr¨®pria voz, perdido na imensid?o do sil¨ºncio que agora dominava. A solid?o tornou-se sua ¨²nica companhia, corroendo sua sanidade e minando sua esperan?a. As noites eram as piores, quando o sil¨ºncio era ensurdecedor e o vazio amea?ador. "Ser¨¢ que sou a ¨²nica?", ela questionava o c¨¦u noturno, procurando por estrelas que pareciam observ¨¢-la com uma distancia fria e indiferente. ¡ª Hoje, eu encontrei uma lata de sopa no supermercado. ¨¦ uma vit¨®ria, n?o ¨¦? ¡ª dizia a si mesma, tentando manter a pouca sanidade que restava com um sorriso consolador ao n?o receber respostas. Lentamente, anos se passaram, e Ana se adaptou ¨¤ sua nova realidade com uma determina??o forjada no desespero. Com o tempo, um fato estranho: seu corpo n?o envelhecia. Seu reflexo no espelho mostrava a mesma mulher que havia testemunhado a luz misteriosa no c¨¦u, sem uma marca sequer do tempo. Os animais ao redor tamb¨¦m permaneciam imut¨¢veis, como se toda a exist¨ºncia tivesse sido suspensa em um momento eterno, apesar de estranhamente as plantas continuarem a crescer. A imortalidade, uma fantasia desejada por muitos, tornou-se sua maldi??o. "Por que eu n?o envelhe?o? Por que o mundo parou para mim?", encarando a si mesma no espelho, suas perguntas permaneciam sem resposta, o mist¨¦rio de sua condi??o uma fonte constante de ang¨²stia. Numa noite particularmente sombria, onde o peso de sua exist¨ºncia imortal tornou-se insuport¨¢vel, ela encontrou-se ¨¤ beira do abismo, contemplando a escurid?o abaixo. ¡ª Talvez seja o fim ¡ª sussurrou, as palavras evaporando no ar frio. Foi nesse momento de desespero total que uma nova presen?a interrompeu a marcha solit¨¢ria de seus pensamentos. ¡ª Ana, voc¨º n?o est¨¢ mais sozinha ¡ª a voz de Gabriel soou, uma melodia que parecia tecer luz na escurid?o. Ana virou-se, seus olhos encontrando uma jovem garota com grandes asas de um branco puro e cabelos loiros bagun?ados pelo vento, uma presen?a que irradiava um calor e uma luz que ela n?o sentia h¨¢ anos.
Gabriel tornou-se uma presen?a constante ao seu lado, mas de uma maneira que mais se assemelhava a uma sombra do que a um companheiro de conversas. Ele estava l¨¢, sempre a uma curta distancia, um observador silencioso que acompanhava seus passos solit¨¢rios pelo mundo imut¨¢vel em que se encontrava. Ana se perguntava quem era ele, esse ser que aparecera do nada. Era como se ele pertencesse a outro mundo, ou como se fosse a resposta de um universo que ela parou de questionar. De qualquer forma, o desespero a fez aceitar Gabriel rapidamente, apesar de ficar confusa com a relutancia do anjo em se comunicar. ¡ª Por que estou aqui? ¡ª sua curiosidade, misturada com uma ponta de frustra??o pela falta de comunica??o verbal, era aparente em sua voz. No entanto, o anjo apenas sorria, um gesto gentil que de alguma forma trazia conforto, mas tamb¨¦m um estranho sentimento de desconex?o e medo, pois diferente de sua boca, seus olhos n?o sorriam. A presen?a de Gabriel, embora misteriosa, come?ou a influenciar Ana de maneiras n?o esperadas. Ela percebeu que sua companhia silenciosa a encorajava a observar o mundo ao seu redor com mais aten??o, a encontrar beleza e significado nas coisas que antes passavam despercebidas, come?ando a redescobrir pequenos fragmentos de maravilha no mundo abandonado. Ao apontar animadamente para um mural de rua esquecido ou para a dan?a silenciosa das folhas ao vento, Gabriel respondia n?o com palavras, mas com gestos ¨C um aceno, um sorriso, um olhar ¨C que Ana aprendeu a interpretar como sinaliza??es de um entendimento t¨¢cito. ¡ª Eu sempre sonhei em viajar pelo Brasil, nunca imaginei que seria sob estas circunstancias¡­ Mas aqui estamos, n¨¦? Riscado da lista de sonhos, de um jeito ou de outro ¡ª ela pausou, um sorriso melanc¨®lico tocando seus l¨¢bios enquanto olhava para o companheiro silencioso. ¡ª Obrigado por me fazer querer viver novamente. O anjo, em resposta, ofereceu um aceno, um reconhecimento silencioso de sua compreens?o. Mas por um breve momento, t?o breve que mesmo um bom observador talvez n?o notasse, uma express?o distorcida apareceu em seu rosto ao ouvir as palavras finais de Ana.
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Capítulo 3 - Aprendizado
Ana encontrou em Gabriel no d¨¦cimo quinto ano ap¨®s o Grande Vazio, e com isso redescobriu uma for?a h¨¢ muito esquecida, um impulso para enfrentar a vastid?o de seus dias com renovada determina??o. Neste ano, ela come?ou a correr ao amanhecer, quando o mundo ainda jazia sob o manto da penumbra e o orvalho beijava a terra. O ar fresco da manh? acariciava seu rosto, enchendo seus pulm?es com uma sensa??o revigorante de vida. Cada passo que ela dava ecoava na tranquilidade matinal, como batidas de tambor em uma sinfonia da natureza despertando. ¡ª Gabriel, o que aconteceu com minha fam¨ªlia? ¡ª ela j¨¢ sabia que n?o teria resposta, mas seus p¨¦s a haviam levado ¨¤ antiga pra?a da cidade, trazendo lembran?as adormecidas. Sentada nos degraus de uma fonte seca, Ana fechou os olhos e se lembrou de um dia ensolarado de ver?o, quando ela e sua irm? brincavam naquela mesma pra?a, correndo entre os jatos de ¨¢gua. A lembran?a, intensa e colorida, contrasta dolorosamente com o vazio cinzento atual, trazendo l¨¢grimas aos seus olhos, mas tamb¨¦m um sorriso ao lembrar da felicidade simples daqueles dias. ¨¤s vezes Ana se perguntava se ele compreendia suas palavras, se era capaz de sentir a profundidade de suas emo??es. ¡ª Estranho, passei por aqui tantas vezes e nunca notei este lugar. Vamos ver o que voc¨º esconde ¡ª murmurou ela, limpando suas l¨¢grimas ao avistar um cinema do outro lado da rua. ¡ª Sabe, Gabriel, h¨¢ algo reconfortante em falar comigo mesma, eu sempre falo o que quero ouvir.
Ao se aproximar do trig¨¦simo ano, Ana sentiu um chamado silencioso, uma necessidade de se reconectar com as ra¨ªzes da vida. Foi ent?o que ela voltou-se para a terra, buscando entender seus segredos mais profundos, mergulhando na rica tape?aria da natureza que a cercava. Seus dedos, antes acostumados com o toque frio do concreto, agora encontravam conforto na textura macia da terra, enquanto ela come?ava sua jornada de descoberta e aprendizado. ¡ª N?o deve ser t?o dif¨ªcil, certo? ¡ª Apesar da falta de pr¨¢tica, ela decidiu tentar. Afinal, tempo n?o lhe faltava. Com o tempo, Ana transformou peda?os de terra abandonados em jardins exuberantes, onde as sementes encontravam um lar f¨¦rtil para brotar e crescer. Cada flor e folha era cuidadosamente plantada, cada broto recebia amor e aten??o como um presente precioso, emergindo da terra era uma promessa de renova??o, uma pequena luz de esperan?a em um mundo marcado pela desola??o. Sob seu olhar atento, os jardins floresciam em uma profus?o de cores e aromas, testemunhas verdes da sua resili¨ºncia e determina??o. ¡°Oho, sou uma fazendeira lend¨¢ria!¡±, ela orgulhosamente observava o ciclo da vida se desdobrar diante de seus olhos, cada colheita sendo um testemunho do milagre da exist¨ºncia. Ana sentiu-se cada vez mais conectada com o mundo natural. Ela aprendeu a linguagem silenciosa das plantas e do solo, compreendendo os ritmos sutis da vida que pulsa sob a superf¨ªcie. Cada momento passado entre as flores e ¨¢rvores era um momento de comunh?o, uma troca silenciosa de energia e amor que nutria sua alma cansada. E assim, em meio a este mundo abandonado, Ana encontrou um o¨¢sis de vida e beleza em seus jardins. Em seguida, com as mesmas m?os que aprenderam fizeram algo t?o belo, ela o destruiu. ¡ª Posso saber o motivo? Para qu¨º gastar tanto tempo em algo que ser¨¢ descartado? ¡ª inesperadamente o anjo perguntou, movido pela perplexidade com as a??es sem sentido de sua companheira. ¡ª As flores murchando me deixaram com raiva¡­ ou talvez inveja ¡ª disse em um resmungo. ¡ª Todo esse maldito jardim me deixa com raiva. Nascendo, crescendo, morrendo, e o ciclo se repete. Eu me sinto estagnada quando lembro que meu tempo n?o passa, at¨¦ mais do que em minha vida antes do Grande Vazio! ¡ª Eu entendo ¡ª Gabriel voltou a seu sereno semblante original, demonstrando abertamente o desinteresse ap¨®s suprir sua curiosidade. Ana, por outro lado, come?ou a arrumar suas coisas para se mudar. Ela n?o aguentava mais tanta ¡°vida¡±.
Com o passar dos anos, Ana mergulhou cada vez mais profundamente na correnteza do tempo, permitindo-se ser levada por suas ¨¢guas sem resist¨ºncia. Por volta do septuag¨¦simo terceiro ano de sua jornada solit¨¢ria, ela fez uma escolha radical: abandonou os calend¨¢rios e rejeitou a tirania do rel¨®gio. Em vez disso, optou por viver no eterno presente, onde cada momento era uma oportunidade para a descoberta e a cria??o. Para ela, o tempo deixou de ser uma linha reta a ser seguida obedientemente e transformou-se em um vasto oceano de possibilidades, onde passado, presente e futuro se misturavam em uma dan?a sem fim. ¡ª O tempo, ¡ª ponderou ela. ¡ª ¨¦ apenas uma conven??o humana, uma tentativa v? de impor ordem ao caos do universo. Mas a vida, ah, a vida transcende essas limita??es, dan?ando livremente nos espa?os entre os segundos e os minutos, entende? Enquanto falava, ela lentamente se aproximou de Gabriel. Seu corpo parecia fr¨¢gil e era um palmo mais baixo do que Ana, a obrigando a abaixar levemente para soltar seu sussurro. ¡ª ¨¦ um segredo s¨® nosso, mas eu s¨® n?o quero mais contar meus anivers¨¢rios. J¨¢ sou uma senhora! ¡ª o que come?ou em um sussurro foi finalizado com uma alta exclama??o. Seus l¨¢bios n?o suportaram a situa??o e se libertaram em uma contagiante gargalhada. Gabriel encarou essa estranha cena com um olhar raro de preocupa??o. ¡°Talvez ela tenha perdido a sanidade?¡± refletiu ele, afastando-se rapidamente da agitada garota. ¡ª Gabriel, eu quero contar nossa hist¨®ria! O mundo ser¨¢ obrigado a apreciar minhas obras! A liberdade rec¨¦m-descoberta ao descartar o conceito de tempo abriu as portas para uma explos?o de express?o art¨ªstica como nunca antes vista: A pintura tornou-se o meio pelo qual ela podia dar voz ¨¤s suas emo??es mais profundas, cada pincelada um grito de liberdade, cidades imponentes transformaram-se aos poucos em deslumbrantes explos?es crom¨¢ticas, com cores e formas que capturavam sua ess¨ºncia. A m¨²sica, por sua vez, tornou-se sua alma, cada nota ressoando em harmonia com os batimentos de seu cora??o, cada melodia uma express?o do seu ser mais ¨ªntimo. ¡ª ¨¦ uma pena que n?o tenha ningu¨¦m para ouvir ¡ª disse, descartando o violino ap¨®s uma ¨²ltima serenata com uma carranca. Ela gostou do aprendizado, mas queria algo que perdurasse por toda parte.. Ana achou sua nova paix?o da ¨¦poca na escultura, com suas formas tang¨ªveis e suas texturas t¨¢teis, tornando-se a manifesta??o f¨ªsica de suas mais profundas emo??es, cada obra uma jornada de autodescoberta e transforma??o. ¡ª Agora voc¨º est¨¢ eternizada neste mundo, Gabriel ¡ª Ana observava o anjo e a est¨¢tua rec¨¦m completada entre dedos de cineasta, concluindo que a escultura refletia a figura perfeita do ser divino ¡ª Apesar que n?o acho que algum dia conseguirei reproduzir seus olhos, a est¨¢tua tem mais vida do que voc¨º! Did you know this text is from a different site? Read the official version to support the creator. Em poucos anos a cidade de Ana, antes vazia, ia se enchendo de uma vivacidade m¨®rbida. As ruas eram preenchidas com est¨¢tuas de todo tipo de pessoa. Vendedores colocando suas mercadorias em exposi??o, pedestres conversando e sorrindo ao atravessar a rua, crian?as brincando alegremente ao redor da fonte. ¡ª Hmmm, se voc¨º fechar levemente os olhos, parecem pessoas reais, n¨¦? ¡ª No instante em que disse isso, um arrepio passou por todo o seu corpo. ¡ª Meu deus, isso ¨¦ extremamente bizarro! Voc¨º viu eu montando essa monstruosidade e n?o disse nada? Ana encarou o anjo. A todo momento dos ¨²ltimos anos ela sentiu os olhos silenciosos de Gabriel observando-a. "Ser¨¢ que ele percebe a verdadeira profundidade do meu ser?", ¨¤s vezes, em momentos de introspec??o, ela se perguntava o que ele via quando a contemplava mergulhada em sua criatividade. ¡ª Voc¨º ¨¦ um ser estranho, trata seu esfor?o como um mero capricho. Mas n?o vou mentir, esse lugar tamb¨¦m n?o me agrada ¡ª seus olhos encarando as est¨¢tuas quase reais ao seu redor .tremiam levemente ¡ª Seu medroso! ¡ª retrucou Ana sem nem mesmo reparar no fato de que foi inesperadamente respondida. Ela tentava negar para si mesma os arrepios que sentia, mas, antes mesmo de terminar a frase, j¨¢ se dirigia para seu quarto para come?ar a arrumar as malas. Neste dia, se ainda existissem observadores na Terra, se veria ao longe duas garotas saindo dos port?es com uma pressa incomum. Uma enigm¨¢tica e perturbadoramente animada cidade de est¨¢tuas foi deixada para tr¨¢s.
¨¤ medida que Ana avan?ava pelo terceiro s¨¦culo de sua exist¨ºncia singular, ela se metamorfoseava em algo mais do que uma simples sobrevivente. Tornou-se uma criadora, uma for?a da natureza por si s¨®, moldando o mundo ¨¤ sua volta com a mesma destreza com que moldava suas pr¨®prias emo??es e pensamentos. N?o se contentava mais em apenas existir; agora, buscava compreender os segredos mais profundos do universo, mergulhando n?o apenas nas paisagens f¨ªsicas, mas tamb¨¦m nos rec?nditos de sua pr¨®pria alma. Ela se tornou uma exploradora incans¨¢vel, atravessando terras desoladas e desertas, onde as ru¨ªnas do passado ecoavam a fragilidade da vida humana e a eternidade do tempo. Cada ru¨ªna era mais do que simplesmente uma estrutura desmoronada; era um testemunho silencioso de uma era passada, uma c¨¢psula do tempo que continha em si as mem¨®rias e os sonhos de um povo h¨¢ muito desaparecido. Foi neste momento em que Ana aprendeu a ouvir a m¨²sica da quietude, a encontrar beleza na simplicidade do vazio. Descobriu que o sil¨ºncio n?o era apenas a aus¨ºncia de som, mas sim uma sinfonia de sutis murm¨²rios, uma melodia que ecoava atrav¨¦s dos s¨¦culos. E na escurid?o das noites solit¨¢rias, ela encontrou a luz da pr¨®pria alma, uma chama que queimava t?o brilhantemente quanto as estrelas no c¨¦u. ¡ª Eu encontrei meu caminho ¡ª um sorriso radiante se espalhou pelo seu rosto ao perceber todo o conhecimento que ainda poderia roubar deste mundo esquecido.
No limiar do quarto s¨¦culo de sua jornada solit¨¢ria, Ana se viu diante de uma revela??o: s¨¦culos de treinamento f¨ªsico dedicado haviam esculpido seu corpo em uma obra-prima de perfei??o atl¨¦tica. Cada m¨²sculo uma testemunha silenciosa de sua dedica??o incans¨¢vel ao aprimoramento pessoal. ¡ª Se voc¨º continuar sem me responder, vou te deitar a porrada! ¡ª disse, zombeteiramente, fazendo poses de muscula??o em frente ao espelho. Gabriel, com um olhar claro de desprezo, sentou-se na cama ao lado de Ana, atordoado pela rid¨ªcula cena. ¡°Apesar de seu comportamento, ¨¦ ineg¨¢vel que est¨¢ no auge de sua ra?a¡±, pensou enquanto pressionava suas t¨ºmporas. ¡ª For?a n?o vale muito quando n?o se tem a habilidade necess¨¢ria para aproveit¨¢-la ¡ª Ah, Eu sabia que voc¨º n?o era uma in¨²til! Preciso aprender a lutar! ¡ª impulsionada pelas palavras de Gabriel e pelo orgulho de sua conquista, Ana ansiava por um novo desafio, uma nova maneira de explorar os limites de seu potencial. Assim, ela se lan?ou de cabe?a na tarefa de dominar as artes marciais. Com uma determina??o f¨¦rrea, se dedicou a aprender cada forma conhecida, mergulhando profundamente em uma variedade de estilos que abrangiam desde o tradicional karat¨º at¨¦ a expressiva capoeira, do elegante kung fu ao pragm¨¢tico krav mag¨¢. Para Ana, cada estilo era mais do que uma simples t¨¦cnica de combate; era uma linguagem ¨²nica, uma express?o de poder, disciplina e arte, uma maneira de transcender os limites do corpo e da mente. Em seu treinamento, embarcou em uma jornada sem destino pelo mundo. Sua imortalidade lhe concedera uma perspectiva ¨²nica sobre a vida, e ela ansiava por explorar os recantos mais remotos e selvagens do planeta, aprender sobre seus companheiros que compartilham de sua imortalidade. Seu objetivo n?o era apenas documentar a variedade de criaturas que habitavam a Terra, mas sim compreender profundamente sua natureza e seu papel no vasto ecossistema do mundo. Armada com um simples caderno e l¨¢pis, Ana mergulhou nas florestas densas, atravessou desertos ¨¢ridos e escalou montanhas majestosas, registrando meticulosamente cada encontro com a vida selvagem. Cada p¨¢gina de seu caderno era uma obra de arte em si mesma, repleta de anota??es detalhadas, esbo?os cuidadosamente desenhados e observa??es perspicazes sobre o comportamento e h¨¢bitos dos animais que encontrava. Cada criatura era uma maravilha da natureza, uma manifesta??o da incr¨ªvel diversidade e complexidade do mundo vivo. ¡ª Acredito que est¨¢ na hora de voltar ¡ª mencionou, verificando em seus mapas que n?o havia muitos outros lugares para ir. ¡ª Na volta, pretendo estud¨¢-los por dentro. Com um olhar alegre, desalinhado com sua ¨²ltima frase m¨®rbida, Ana pegou uma faca militar em sua cintura e abriu um novo caderno em branco, colocando-o no ch?o ao lado de sua mochila. Em seguida, caminhou lentamente em dire??o aos pinguins que havia estudado recentemente, o ¨²ltimo animal de seu registro anterior. ¡°Sua loucura est¨¢ se manifestando cada vez mais¡­¡±, refletiu Gabriel, enquanto a observava. Seus l¨¢bios com um sorriso gentil ao pensar na sangrenta viagem de volta ao Brasil. Assim, enquanto dominava as artes marciais e explorava os cantos mais remotos da Terra, Ana descobriu uma nova profundidade em sua conex?o com o mundo ao seu redor. Cada passo de sua jornada era uma express?o de sua busca incessante pelo conhecimento e compreens?o, uma busca que a levava cada vez mais perto do verdadeiro significado de sua exist¨ºncia imortal.
Foi no ano 521 em que Ana descobriu o prazer da leitura. Diante das portas empoeiradas de uma biblioteca abandonada, um tesouro oculto pelo tempo, ela sentiu-se como uma crian?a diante de brinquedos rec¨¦m-descobertos. Movida pela curiosidade, mergulhou nas p¨¢ginas amareladas, absorvendo cada palavra do mundo antigo. O que come?ou como um passatempo inocente logo se transformou em uma paix?o avassaladora pelo conhecimento. D¨¦cadas se desenrolaram como as p¨¢ginas de um livro, e Ana mergulhou cada vez mais fundo nesse oceano de sabedoria. Seu talento natural para a leitura, combinado com uma mente afiada por s¨¦culos de aprendizado, a transformou em uma exploradora voraz de livros. Seus olhos varriam as linhas das obras, absorvendo cada palavra como uma esponja insaci¨¢vel. A habilidade de ler rapidamente tornou-se uma ferramenta poderosa, permitindo-lhe explorar os vastos corredores de conhecimento em bibliotecas de todo o mundo. Ela devorava tratados cient¨ªficos, romances cl¨¢ssicos, tratados filos¨®ficos e hist¨®rias ¨¦picas com igual voracidade, navegando entre os mundos imagin¨¢rios dos autores e os conceitos profundos dos pensadores antigos. Cada livro era mais do que uma simples fonte de entretenimento; era uma janela para novos horizontes, uma oportunidade de expandir sua compreens?o do mundo e de si mesma. As artes marciais que praticava eram enriquecidas por s¨¦culos de tradi??o e sabedoria, enquanto sua compreens?o do mundo natural era aprimorada por tratados de biologia e ecologia. Com o passar dos s¨¦culos, Ana emergiu como uma estranha fus?o ¨²nica de atleta, erudita e fil¨®sofa. Navegando com gra?a entre os reinos da mente e do corpo, ela encontrou um prop¨®sito que transcendia o tempo: ser a eterna aprendiz, sempre buscando, sempre crescendo, sempre se transformando. E assim, entre as p¨¢ginas dos livros e os caminhos sinuosos da exist¨ºncia, ela tra?ou seu pr¨®prio destino, uma hist¨®ria eterna de descoberta e autoconhecimento. No entanto, mesmo em sua imortalidade, ela n?o estava isenta das fraquezas do corpo humano. ¡ª Droga, eu daria tudo por um ibuprofeno A fome insaci¨¢vel por conhecimento, que por tanto tempo alimentou sua alma imortal, come?ou a cobrar seu pre?o. Ana, outrora invenc¨ªvel em sua determina??o e vitalidade, viu-se agora assombrada por uma sombra que crescia dentro dela: dores de cabe?a lancinantes, como punhais afiados que perfuravam sua mente sempre sedenta. No in¨ªcio, Ana tentou ignorar essas dores, atribuindo-as ao mero cansa?o. Mas, ¨¤ medida que o tempo avan?ava implacavelmente, o inc?modo se intensificava, evoluindo para tormentos constantes que a atormentavam tanto de dia quanto de noite. Cada p¨¢gina virada e cada palavra absorvida pareciam adicionar peso ao seu sofrimento, como se o vasto oceano de conhecimento que ela se esfor?ava para abra?ar estivesse, paradoxalmente, tentando afog¨¢-la. ¡ª Parece que nosso tempo juntos est¨¢ se esgotando, Gabriel ¡ª mencionou enquanto uma nova dor agonizante assolava seu corpo. Gabriel, seu companheiro silencioso e enigm¨¢tico por tantos anos, observava-a com uma express?o de preocupa??o n?o caracter¨ªstica. O rosto de Ana, que uma vez irradiava com a luz da descoberta e alegria, agora estava marcado pela sombra do sofrimento e pelo brilho opaco da exaust?o. Em sua ang¨²stia crescente, Ana se voltou para os livros, uma tentativa desesperada de encontrar alguma cura, algum al¨ªvio para a agonia que se tornara sua constante companheira. Ela devorou tratados m¨¦dicos e filos¨®ficos, buscando nas palavras de outros uma solu??o para sua pr¨®pria condi??o dilacerante. Mas, quanto mais lia, mais o desespero se aprofundava; as letras impressas no papel pareciam zombar dela, reiterando uma verdade cruel que j¨¢ come?ava a aceitar em seu cora??o: seu tempo, apesar de toda a imortalidade, poderia realmente estar se esgotando. ¡°Ainda h¨¢ tanto por aprender, tanto h¨¢ descobrir¡­¡± um sorriso amargo tocava seus l¨¢bios enquanto ela se permitia um momento de descanso, seus olhos fechando-se lentamente, talvez pela ¨²ltima vez. Ao fundo, de forma quase impercept¨ªvel, uma voz celestial ecoava. ¡ª Sua grande filha da puta, eu n?o fiquei tanto tempo neste lugar para tudo acabar assim. Ana n?o entendia de onde a voz estava vindo e estava fraca demais para entender seu significado. Sua vis?o escurecia lentamente. ¡°Adeus, mundo¡±, pensou, pois seus l¨¢bios j¨¢ n?o tinham for?a para um sussurro. Tudo ficou escuro. Nesse instante cr¨ªtico, reminiscente de uma reviravolta t¨ªpica de dramas antigos, um s¨²bito ataque de dor lancinante, mais feroz do que qualquer coisa que j¨¢ havia sentido antes, a arrancou das garras sedutoras do desespero final. A realidade tornou-se turva e ela lutava para compreender o que estava acontecendo, enquanto a dor se tornava cada vez mais insuport¨¢vel. Seus gritos j¨¢ n?o tinham som e seu corpo se contorcia em agonia, cada segundo parecia um m¨ºs, cada minuto uma era. Ana sentiu que a morte da qual tanto fugiu parecia um doce destino em rela??o ao que estava suportando. Mas ent?o, t?o repentinamente quanto come?ara, a tempestade de dor come?ou a se dissipar, deixando-a exausta, mas inexplicavelmente intacta. Quando seus olhos finalmente se abriram, encontraram os de Gabriel, que a observava com uma severidade incomum. Tal olhar durou apenas um momento, pois j¨¢ sobrecarregada pelo momento, Ana sucumbiu ao cansa?o e desmaiou.
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Capítulo 4 - Limites
A luz filtrada pelas folhas das ¨¢rvores parecia acariciar o rosto de Ana enquanto ela despertava. ¡ª O que aconteceu? ¡ª atordoada, ela tentou compreender a s¨²bita mudan?a em seu destino, recordando-se da aceita??o resignada da morte, apenas para ser abruptamente trazida de volta ¨¤ consci¨ºncia. ¡ª Eu selei seu conhecimento. Sua mente humana estava cedendo frente ¨¤ quantidade de informa??es que voc¨º estava absorvendo ¡ª sua express?o ainda estava carregada de severidade, como se guardasse um ressentimento profundo por suas a??es anteriores. A perplexidade tomou conta de Ana, suas emo??es emergindo num ritmo descontrolado diante da revela??o. ¡ª Meu conhecimento?! Como? ¡ª Precisei infundir parte de meu poder em sua mente ¡ª a explica??o de Gabriel veio com uma pontada de ressentimento, seus dentes cerrados denunciando a amargura do sacrif¨ªcio que fizera. ¡ª Pense nisso como uma lobotomia de sua alma. Enquanto esse selo for mantido, voc¨º ter¨¢ apenas acesso superficial a grande parte do que aprendeu. A compreens?o repentina do que lhe acontecera atingiu Ana em cheio, como se uma onda de entendimento a invadisse por inteiro. ¡ª Eu me sinto burra! Como voc¨º p?de? Voc¨º sabe que a ¨²nica coisa que me faz continuar viva ¨¦ a possibilidade de aprender. Voc¨º n?o tinha esse direito! ¡ª Ana reconheceu a profundidade de sua pr¨®pria perda. N?o era apenas uma regress?o de conhecimento; era como se ela tivesse sido privada de uma parte essencial de si mesma, arrancada do conforto do saber absoluto para a incerteza da ignorancia. Ana n?o se sentia t?o humana desde os primeiros anos ap¨®s o ¡°Grande Vazio¡±. ¡ª N?o pense tanto no assunto, suas mem¨®rias foram apenas arquivadas, tudo ainda existe dentro de voc¨º ¡ª ap¨®s uma pausa, o anjo prosseguiu lentamente ¡ª se voc¨º as quer de volta, torne-se mais forte. Seu corpo e sua mente devem suportar o peso da busca pela onisci¨ºncia. Ana refletiu sobre essas palavras, sua mente girando em torno da ideia de for?a e determina??o. Ela nunca havia considerado seu pr¨®prio poder em termos t?o concretos, todo seu treinamento foi fruto de seu t¨¦dio, mas agora, diante da perda que experimentara, sentia uma urg¨ºncia crescente em recuperar o que lhe fora tomado. Apertando o punho com determina??o, ela sentiu uma energia pulsante fluindo por suas veias. ¡°Eu sou forte, muito forte¡­¡±, pensou para si mesma. ¡°N?o acho que as palavras de Gabriel sejam apenas bobeira, mas n?o creio que seja realista ir muito al¨¦m disso¡­¡± No entanto, uma ideia repentina brilhou em sua mente. ¡ª Gabriel, voc¨º disse que usou seu poder para arquivar minhas mem¨®rias¡­ ¡ª um sorriso desconcertantemente largo estava se formando em seu rosto enquanto uma ideia audaciosa se formava em sua mente. ¡ª Isso significa que voc¨º pode fazer o mesmo novamente, certo? Se eu estiver sobrecarregada, voc¨º pode selar novamente meu conhecimento? Gabriel hesitou por um momento, refletindo sobre a pergunta de Ana. Embora n?o tivesse revelado a verdadeira extens?o do sacrif¨ªcio que fizera, a ideia de infundir seus poderes em um ser humano novamente n?o era algo que ele considerasse de animo leve: seu poder demoraria s¨¦culos para ser recuperado e a dor que este humano sentia era refletida em si mesmo. Claro, tal n¨ªvel de dor n?o era uma amea?a real, mas para um ser divino que nunca sentiu dor alguma, era uma sensa??o que ele preferia n?o sentir novamente. ¡ª Claro, posso fazer isso ¡ª respondeu ele levando a m?o a seus l¨¢bios. N?o se sabia quando, mas o estranho sorriso de Ana tamb¨¦m estava em seu rosto. Dor? Gasto de poder? Nada disso importava no momento. Uma loucura compartilhada podia ser vista em seus olhos ao encarar Ana. Ele queria ver o monstro que a garota a sua frente se tornaria.
¡ª ¨¦ estranho¡­ n?o parece muito melhor do que a alguns dias atr¨¢s? ¡ª seus golpes aparentemente descoordenados continham uma for?a que ia muito al¨¦m do que se lembrava. Cada movimento era como uma coreografia fluida e precisa, executada com uma maestria que surpreendia at¨¦ mesmo a pr¨®pria Ana. ¡ª Esse ¨¦ o n¨ªvel do instinto. Sua mem¨®ria pode ter sumido, mas n?o tem como apagar o que foi marcado em sua carne atrav¨¦s do esfor?o. O que voc¨º v¨º agora ¨¦ o que seu corpo deseja. N?o pense, s¨® siga a dan?a. Gabriel estava jogado de forma relaxada em uma mureta pr¨®xima. Desde que perdeu a compostura em sua ¨²ltima conversa, ele abandonou as formalidades e distancia que manteve em seus ¨²ltimos anos, mostrando algo mais verdadeiro de si mesmo. Seu olhar, normalmente distante e imperturb¨¢vel, agora refletia uma mistura de curiosidade e admira??o ao observar o treinamento. Stolen story; please report. Ana absorveu as palavras de Gabriel enquanto seu corpo se movia com uma gra?a incomum, seus m¨²sculos relembrando movimentos que nem sabia que possu¨ªa. ¡ª Dan?a? ¡ª murmurou ela. Seu p¨¦ deslizou levemente sobre a areia, um simples gesto que ressaltou cada m¨²sculo de um corpo t?o temperado quanto o a?o, mostrando um resqu¨ªcio de t¨¦cnicas refinadas ao limite. Tudo era como uma grande engrenagem se movendo em um rel¨®gio, e a concentra??o de Ana estava em um n¨ªvel incompar¨¢vel para uma simples exist¨ºncia humana. ¡ª Sim¡­ a ¡°Dan?a de Ana¡±... N?o parece um nome bom para meu pr¨®prio estilo? ¡ª Eu n?o sei e eu n?o me importo ¡ª Bom, estou cansada. Vamos comer algo. J¨¢ devo estar treinando a mais de 5 horas, estou prestes a desmaiar! ¡ª Bufando para a resposta ignorante de Gabriel, Ana parou seus movimentos e se dirigiu para a fogueira pr¨®xima, o crepitar do fogo ecoando em consonancia com os batimentos acelerados de seu cora??o. ¡°Voc¨º est¨¢ treinando a 3 dias, n?o 5 horas, humana est¨²pida¡±, pensou o anjo para si mesmo, ainda parado na mesma posi??o. Embora n?o deixasse transparecer, ele ficava surpreso com cada vez mais frequ¨ºncia ao assisti-la. Desde ent?o, Gabriel notou que as pausas foram se espa?ando cada vez mais, com Ana parando para comer e dormir ap¨®s v¨¢rios dias. N?o fazia mais sentido chamar Ana de humana, sua exist¨ºncia em si estava mudando lentamente. E assim, dois s¨¦culos se passaram. Durante todo esse tempo, Ana mergulhou em um treinamento intenso e incans¨¢vel, focando-se exclusivamente em aprimorar suas habilidades. Seu desejo insaci¨¢vel por conhecimento e poder a impulsionava al¨¦m dos limites f¨ªsicos e mentais, levando-a a explorar os rec?nditos mais profundos de suas pr¨®prias capacidades. Gabriel, por curiosidade e t¨¦dio, come?ou a se envolver mais ativamente na jornada de Ana, preparando as raras refei??es para que evitasse parar de treinar, ele queria saber onde ela iria chegar. Em certo momento, o corpo f¨ªsico de Ana superou seu limite. Seus m¨²sculos, j¨¢ poderosos, tornaram-se ainda mais robustos e dur¨¢veis, mas, estranhamente, seu volume corporal diminu¨ªa gradualmente. Apesar de sua for?a incr¨ªvel, ela mantinha uma apar¨ºncia pequena e delicada, uma contradi??o vis¨ªvel de sua verdadeira natureza. N?o foi apenas uma simples "compress?o de m¨²sculos", as c¨¦lulas de Ana que continuavam ativas mesmo sem envelhecer estavam sofrendo uma muta??o constante ao longo de seu treinamento. Mais forte, mais r¨¢pido, mais eficiente. Cada osso e ¨®rg?o de seu corpo estava se otimizando para derrotar um inimigo at¨¦ ent?o invis¨ªvel, mil¨ºnios de evolu??o de uma esp¨¦cie estavam passando em "instantes". No entanto, ao mesmo tempo que Ana mostrava sua evolu??o aos c¨¦us, as dores voltaram a surgir dia ap¨®s dia. ¡ª Foi muito mais r¨¢pido dessa vez, mas que merda! Chegou a hora, fa?a! ¡ª resignada com seu pr¨®prio corpo que n?o suportava suas capacidades, ela gritou no ch?o enquanto suportava dores cada vez mais intensas. Suas costas arqueadas em uma posi??o n?o natural eram um indicativo do sofrimento que estava passando. ¡ª Ainda n?o, preciso que voc¨º esteja prestes chegar ao fim, ¨¦ a ¨²nica forma de garantir que sua mente n?o ser¨¢ prejudicada ¡ª seu tom s¨¦rio contrastava com o sorriso de deboche que dan?ava em seus l¨¢bios. Era dif¨ªcil dizer se ele estava brincando ou falando s¨¦rio ¡°E l¨¢ vamos n¨®s de novo¡­ adeus, mundo.¡±, pensou Ana com um sorriso enquanto encarava a j¨¢ conhecida escurid?o que se aproximava, se preparando mentalmente para a dor agonizante que viria quando fosse salva no ¨²ltimo momento. Gabriel observou a cena calmamente, seus olhos percorrendo o corpo inerte de Ana com uma express?o indecifr¨¢vel. Quando finalmente confirmou que o cora??o de Ana havia cessado seus batimentos, ele se aproximou com uma calma perturbadora, como se estivesse realizando um ritual familiar. Ao se inclinar sobre o corpo da garota, Gabriel contemplou seu rosto sereno, como se estivesse vendo al¨¦m das fronteiras da morte. Uma mecha de cabelo caiu sobre os olhos de Ana, e com um gesto suave, Gabriel a afastou, revelando a beleza tranquila de seu rosto. ¡ª Pobre crian?a ¡ª uma voz carregada de uma mistura estranha de compaix?o e desprezo foi ouvida. ¡ª Me pergunto como voc¨º se sentiria se soubesse que j¨¢ n?o deveria pertencer ao mundo dos vivos¡­ Tamb¨¦m me pergunto como o ¡°criador¡± ir¨¢ reagir ao saber que um ser t?o imundo est¨¢ caminhando em suas terras. ¡ª completou, com um sorriso sinistro se formando em seus l¨¢bios. Enquanto falava, um fino fio sa¨ªa sorrateiramente de suas mangas, reluzindo com um brilho sombrio que contrastava com a pureza de suas asas brancas. Um toque de escurid?o infiltrava-se em sua aura divina, revelando uma dualidade perturbadora. ¡ª Bem-vinda de volta, Ana ¡ª Com um movimento r¨¢pido e preciso, o fio perfurou a cabe?a inerte, e num instante, seu corpo se contorceu em agonia enquanto um grito estridente ecoava pela paisagem silenciosa. Ana, mais uma vez, despertou.
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Capítulo 5 - Destino
¡ª Oh, uma forja cl¨¢ssica! ¡ª os olhos de Ana brilharam com uma mistura de surpresa e fascina??o. ¡ª Nunca imaginei encontrar algo assim no Brasil. Ela j¨¢ havia visto forjas antes, mas quase sempre em situa??es prec¨¢rias ou em instala??es industriais modernas, que n?o tinham o charme e a autenticidade das antigas forjas artesanais. Al¨¦m disso, a tecnologia humana n?o estava funcionando adequadamente ap¨®s oito s¨¦culos, o que tornava o achado ainda mais impressionante. ¡ª Ser¨¢ que isso n?o ¨¦ apenas uma perda de tempo? A voz do De Gabriel revelava um tom de ceticismo em rela??o ¨¤ utilidade do achado. Ana n?o respondeu imediatamente, mergulhada em suas pr¨®prias reflex?es enquanto seus olhos percorriam cada detalhe do local. Era poss¨ªvel sentir a presen?a do passado nas paredes de pedra desgastadas e nos objetos enegrecidos pelo tempo. Suas m?os deslizaram pelo empoeirado balc?o de trabalho, explorando os diferentes metais e ferramentas cuidadosamente dispostas. ¡ª Algu¨¦m realmente amou este lugar¡ª murmurou ela, sua voz ecoando com uma rever¨ºncia silenciosa enquanto seus olhos se fixaram em um peculiar martelo, repousando sobre a antiga bigorna. A ferramenta, desgastada pelo uso e marcada pelo tempo, emanava uma aura de hist¨®ria e significado que capturou a imagina??o de Ana. Ao pegar o martelo em suas m?os, uma s¨²bita vontade se apoderou de seu corpo. Parecia que a ferramenta foi feita para ela, se encaixando perfeitamente em seus dedos. Embora nunca tivesse tentado forjar antes, Ana lembrava-se de alguns poucos livros sobre o assunto que j¨¢ havia lido. Eram apenas fragmentos de conhecimento, mas j¨¢ deram a base que precisava para come?ar. ¡ª Acho que ficaremos aqui por um tempo. Gabriel deu de ombros, sentando-se no balc?o e observando Ana, como de costume. Os primeiros dias na forjaria foram marcados por experimenta??o e aprendizado. Forjar uma espada ou mesmo moldar o metal de forma desejada revelou-se mais desafiador do que ela imaginava. No entanto, seu corpo, desenvolvido ao extremo por s¨¦culos de treinamento f¨ªsico, resistia ao trabalho ¨¢rduo sem se deixar abalar pela fadiga. A forjaria tornou-se seu novo campo de batalha, um lugar onde enfrentava seus pr¨®prios limites e os desafiava. Com o tempo, Ana come?ou a compreender melhor os metais, o calor da fornalha e o ritmo necess¨¢rio das marteladas para moldar o ferro ¨¤ sua vontade.
Os anos na forja logo se transformaram em d¨¦cadas, e cada nova cria??o representava um aprimoramento em rela??o ¨¤ anterior. A cada espada, machado ou ferramenta agr¨ªcola que sa¨ªa de suas m?os, Ana sentia uma parte de si mesma sendo imbu¨ªda no metal, conferindo-lhe n?o apenas forma, mas tamb¨¦m uma hist¨®ria. Com o tempo, as armas forjadas come?aram a exibir uma qualidade e beleza que superaram suas expectativas iniciais. No entanto, mesmo diante desse progresso not¨¢vel, ela n?o conseguia conter uma pontada de autocr¨ªtica. ¡ª Eu realmente n?o tenho talento... que sorte tenho de ter tempo de sobra ¡ª examinando sua ¨²ltima cria??o com uma mistura de satisfa??o e frustra??o, Ana notou que suas armas j¨¢ superaram tudo o que havia sido produzido na Terra, mas ainda sentiu que podia ir al¨¦m. ¡ª Ei voc¨º, o que acha disso? The story has been illicitly taken; should you find it on Amazon, report the infringement. Sentado no balc?o mais afastado do forno, Gabriel permanecia com os olhos fechados como se estivesse em medita??o. O anjo estava em um aparente transe nos ¨²ltimos anos, mas seu p¨¦ balan?ava ritmicamente com cada martelada de Ana, revelando que ele ainda estava ciente do mundo ao seu redor. ¡ª N?o ¨¦ ruim, mas n?o vale a pena dar uma segunda olhada ¡ª respondeu Gabriel, pegando a pequena lan?a que foi jogada com destreza e avaliando-a brevemente antes de descart¨¢-la na pilha de outras armas que se acumulavam no ch?o. ¡ª ¨¦, eu sei. Quando vai parar de palha?ada e vir me ajudar? Um sorriso frio e distante iluminou o olhar de Gabriel enquanto ele ignorava a garota, fechando novamente seus olhos cansados. O desgaste em sua ess¨ºncia era palp¨¢vel. Ana j¨¢ estava forjando h¨¢ 200 anos, e neste per¨ªodo voltou a se sobrecarregar duas vezes. ¡°A sobrecarga de sua alma est¨¢ se tornando cada vez mais frequente, ela est¨¢ chegando ao limite¡­ tamb¨¦m n?o sei quantas outras vezes vou aguentar¡­¡±, Gabriel ponderou, enquanto mergulhava em um estado de semi-letargia para recobrar suas for?as esva¨ªdas, deixando-se adormecer nas profundezas de sua consci¨ºncia solit¨¢ria e desgastada. Ao seu lado, Ana suspirou profundamente, recuperando seu foco no of¨ªcio que abra?ou com tanto fervor. Ting... Ting... Ting¡­ Era uma sinfonia quase hipn¨®tica, trazendo consigo uma sensa??o de saudade, desespero e at¨¦ mesmo uma paix?o que desafiava o tempo. Ela, a art¨ªfice solit¨¢ria nesta era esquecida, dominou as chamas como quem conduz uma orquestra de elementos primordiais. Sua bigorna era seu santu¨¢rio, e cada golpe representava uma ora??o silenciosa em busca da perfei??o. O metal cedia sob sua for?a, transformando-se em algo novo, cada movimento era uma dan?a entre criadora e cria??o, marcada pelo ritmo constante de seu martelo. Para ela, este era quase o poder de um deus. Ela era Ana, a ¨²ltima artes?. A ¨²ltima humana.
¡ª Gabriel, voc¨º est¨¢ a¨ª? ¡ª a voz de Ana cortou o sil¨ºncio, arrancando Gabriel de seus pensamentos introspectivos. ¡°De novo? Eu mal voltei a descansar¡­¡±, pensou enquanto lentamente abria os olhos. ¡ª Eu finalmente consegui! ¨¦ uma verdadeira obra de arte! ¡ª a voz de Ana transbordava de excita??o juvenil, um contraste marcante com os s¨¦culos que pesavam sobre sua exist¨ºncia. Gabriel, recuperando plenamente a consci¨ºncia, observou ao redor, notando as montanhas de equipamentos ao seu redor, as quais haviam multiplicado o tamanho anterior, testemunhos tang¨ªveis do tempo que ele havia passado em reclus?o. ¡°Por quanto tempo eu dormi?¡±, em meio a pensamentos, seus olhos logo se fixaram nos dois objetos destacados sobre o balc?o. ¨¤ direita, uma bra?adeira de metal magn¨ªfica que estendia-se do ombro at¨¦ os dedos, uma fus?o de arte e funcionalidade. Era composta por centenas de min¨²sculas placas met¨¢licas interligadas, permitindo um movimento fluido e natural, como se fosse uma segunda pele, mas com a promessa de prote??o impenetr¨¢vel. Cada placa era gravada com padr?es intrincados, entrela?ando simbolismos antigos e designs contemporaneos que pareciam dan?ar ¨¤ luz do fogo, criando uma narrativa visual que falava das eras que Ana havia transcendido. Ao lado da armadura, repousava uma faca de apar¨ºncia enganosamente simples. Seu cabo foi feito de um material escuro e robusto, possivelmente madeira petrificada ou algo semelhante, encaixando-se perfeitamente na palma da m?o. A lamina, por sua vez, era uma maravilha da metalurgia: apesar de sua simplicidade est¨¦tica, o a?o brilhava com um lustre incomum, refletindo um espectro de cores sutis que sugerem a complexidade de sua composi??o e o refinamento de seu forjamento. Gabriel a levantou com cuidado, a faca era excessivamente dura e afiada para ter sido criada por um ser humano. Ele sentia o peso do metal, a suavidade da lamina sob seus dedos, e sabia, de alguma forma instintiva, que essa era mais do que apenas uma simples ferramenta. Era o in¨ªcio de algo, uma manifesta??o de tudo o que Ana havia aprendido e superado ao longo dos s¨¦culos. ¡ª Eu pensei que houvesse um limite para um mundo t?o humilde quanto a Terra, mas a tenacidade humana traz milagres¡­ Surpreso com a intensidade da exist¨ºncia em suas m?os, Gabriel inclinou a lamina rec¨¦m-forjada em dire??o ao seu pr¨®prio dedo, testando a qualidade do a?o com uma curiosidade quase cient¨ªfica. Seus olhos se alargaram momentaneamente, surpresos pela facilidade com que a lamina cortou a pele divina, uma rea??o que transcendia sua compreens?o habitual. ¡ª Um presente para voc¨º, criadora obstinada ¡ª sussurrou com uma tonalidade de voz que misturava ironia e rever¨ºncia, enquanto o sangue celeste escorria pelo metal. Inesperadamente, a faca n?o se manchou com o sangue de Gabriel; pelo contr¨¢rio, ela o absorveu, adquirindo um brilho vermelho sutil, como se estivesse se alimentando da ess¨ºncia do anjo. ¡ª Agora, parte de mim reside na sua cria??o ¡ª finalizou ele sorrindo gentilmente, algo que contrastava com sua usual express?o ir?nica. ¡ª O qu¨º? Voc¨º tem ideia do quanto lutei para fazer isso? Nem ferrando que vai colocar sua marca em minha obra assim, sem mais nem menos! ¡ª A indigna??o fervia em sua voz enquanto arrancava a faca das m?os dele, seu olhar lan?ando fa¨ªscas. Gabriel, ainda mantendo seu sorriso provocador, observava a tempestade de emo??es de Ana, reconhecendo no fundo a magnitude do elo que agora os unia atrav¨¦s daquela arma singular. ¡ª Bom, de qualquer forma n?o ¨¦ como se eu tivesse qualquer uso pra ela ¡ª resmungou ela ao se acalmar, jogando a faca de forma descuidada de volta no balc?o.
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Capítulo 6 - Condena??o
Ana estava perdida em seus pensamentos, contemplando o horizonte distante, enquanto o c¨¦u era lentamente tingido pelos ¨²ltimos raios de um sol poente. Ao seu lado, Gabriel compartilhava do mesmo sil¨ºncio, imerso em profunda contempla??o. ¡ª Estou satisfeita ¡ª sua voz ecoando com a profundidade acumulada de mais de mil anos desde o Grande Vazio. Havia uma calma inusitada em suas palavras, uma calma que contrastava vividamente com a turbul¨ºncia que ela carregava dentro de si por s¨¦culos a fio. ¡ª Satisfeita? ¡ª Sim, acredito que j¨¢ vivi o suficiente. Pensei que sempre encontraria algo novo para explorar, algo mais para aprender, mas... j¨¢ n?o sobrou nada ¡ª seus olhos, agora brilhando com l¨¢grimas n?o derramadas, fixaram-se no al¨¦m. ¡ª Gabriel, eu desejo morrer. Sua declara??o era um sussurro, mas carregava o peso de s¨¦culos de exist¨ºncia, cada palavra impregnada com ang¨²stia e um anseio profundo por um prop¨®sito. ¡ª ¨¦ uma pena ¡ª o olhar do anjo estava perdido na pequena cicatriz em seu dedo, uma marca quase impercept¨ªvel deixada pelo gume da faca que Ana havia forjado s¨¦culos atr¨¢s. ¡ª Eu tinha grandes expectativas para voc¨º. Parece que ¨¦ hora de discutirmos um pouco sobre o Grande Vazio. Levantando-se, ele encarou Ana com olhos que destilavam uma perturba??o estranha. ¡ª Voc¨º, Ana, ¨¦ apenas um acidente, um descuido. Voc¨º foi esquecida por Deus. As palavras de Gabriel ca¨ªram como pedras no sil¨ºncio que se seguiu, pesadas, mas envoltas em uma estranha serenidade, enquanto ambos contemplavam o infinito do horizonte. ¡ª Aaah¡­ ent?o ¨¦ isso. Sempre questionei se havia um grande prop¨®sito destinado a mim, mas vejo agora que sou apenas uma pessoa comum, n?o uma hero¨ªna ¡ª O sorriso radiante que compartilhavam era um raio de sol que cortava a sombria verdade, iluminando seus rostos que h¨¢ tempos n?o conheciam tal calor. Seu cora??o leve apesar da gravidade da revela??o. Neste momento, nuvens surpreendentemente brilhantes come?aram a se formar acima deles, o cen¨¢rio mudando t?o rapidamente quanto os pensamentos de Gabriel. "Depois de me ignorar por tanto tempo, eu n?o esperava que voc¨º aparecesse agora¡­ Parece que um certo algu¨¦m n?o quer que eu espalhe suas falhas.", refletiu o anjo, acelerando suas palavras enquanto uma premoni??o tomava forma em sua mente. ¡ª Eu tamb¨¦m sou um ser esquecido; melhor dizer, abandonado. O c¨¦u acima deles, outrora tranquilo, agora se agitava com nuvens que cresciam a um ritmo alarmante. ¡ª Voc¨º deve ter ouvido a hist¨®ria de que o mundo foi criado em sete dias. Mas essa narrativa, embora n?o inteiramente falsa, ¨¦ imprecisa. O ¡®criador¡¯ levou oito dias para completar sua obra. Ouvindo as palavras de Gabriel, Ana procurou em sua mem¨®ria qualquer lembran?a dessa passagem, confusa com a dire??o da conversa. Sua aten??o se desviou ao notar correntes com uma aura dourada descendo rapidamente do c¨¦u, uma vis?o t?o estranha quanto alarmante. ¡ª ¨¦ um segredo, mas no oitavo dia, Deus criou a morte. ¡ª a voz de Gabriel saiu em um sussurro rouco. Seus olhos serenos endureceram, transformando-se em uma frieza glacial. Suas penas, antes puras e imaculadas, tingiam-se de um negro sombrio enquanto ele materializava uma foice sinistra do aparente vazio. ¡ª Sou o arrependimento dos c¨¦us, um res¨ªduo descartado para vagar solit¨¢rio pela eternidade. A lamina em suas m?os era de um negro profundo, absorvendo a luz ao redor, com veios de um azul g¨¦lido correndo por sua superf¨ªcie, como se fosse forjada das pr¨®prias sombras da noite. O cabo, entalhado em madeira escura, era adornado com s¨ªmbolos arcanos que sussurravam promessas de morte e fim. Gabriel assumiu uma postura defensiva enquanto correntes celestiais desciam como verdugos implac¨¢veis, cada elo brilhando com uma luz fria e indiferente que negava qualquer miseric¨®rdia ou reden??o. Sua foice, um contraste de sombras contra o cinza do c¨¦u, brilhava com um fulgor amea?ador. Ele se movia com desespero e gra?a, uma dan?a macabra contra os emiss¨¢rios da condena??o. As correntes, no entanto, pareciam prever cada um de seus desvios, ajustando suas trajet¨®rias com precis?o implac¨¢vel. Eram as ferramentas do Criador, afinal, projetadas para subjugar at¨¦ os seres mais poderosos do c¨¦u. O conflito era brutal. Gabriel retalhava o ar com sua foice, desferindo golpes carregados de uma f¨²ria ancestral, mas as correntes retalhavam com uma crueldade implac¨¢vel, cortando n?o apenas seu corpo, mas tamb¨¦m a pr¨®pria ess¨ºncia de sua exist¨ºncia. Uma ap¨®s a outra, as correntes impiedosas atravessavam sua forma et¨¦rea, cada impacto uma explos?o de dor que pintava suas magn¨ªficas penas de um vermelho profano.This narrative has been unlawfully taken from Royal Road. If you see it on Amazon, please report it. Um som de desafio e desespero misturado saiu de seus l¨¢bios enquanto puxava as correntes, tentando libertar-se com um fervor que queimava o ar ao redor. Ana observava, seu cora??o batendo contra o peito, um testemunho silencioso da batalha desesperada. Por um ef¨ºmero momento, a esperan?a cintilou ao v¨º-lo rasgar as correntes com uma f¨²ria divina. Mas era apenas um vislumbre passageiro, pois, em resposta, os c¨¦us desencadearam uma torrente ainda mais densa e vingativa de correntes, uma afirma??o inabal¨¢vel do destino selado de Gabriel. Encontrando o olhar de Ana, uma compreens?o muda passou entre eles, um adeus silencioso tecido no caos de uma batalha perdida. ¡ª Ir?nico, n?o ¨¦? A morte est¨¢ prestes a morrer ¡ª l¨¢grimas de sangue escorriam por sua face p¨¢lida, mas seus l¨¢bios traziam o esbo?o de um sorriso resignado. ¡ª Em minha busca por vingan?a, eu a tornei uma eterna prisioneira deste mundo. Espero que voc¨º possa me perdoar, Ana, por tentar torn¨¢-la uma arma em minha guerra pessoal contra aquele que me destinou a esta exist¨ºncia vazia. Se aproximando da garota com os ¨²ltimos resqu¨ªcios de sua for?a, ele a envolveu num abra?o melanc¨®lico, seus l¨¢bios encontrando os dela em um beijo final, um toque tr¨ºmulo e resignado que contrastava com a brutalidade de sua luta, selando a despedida entre dois seres marcados pela eternidade. Neste beijo, ele a marcou, uma promessa de um final e de um novo come?o, entregando a ela o presente derradeiro da mortalidade. ¡ª Com isto, te liberto de sua solid?o. Que voc¨º tenha uma bela morte, minha amiga. Ent?o, com um violento pux?o das correntes celestiais, Gabriel foi arrastado para o c¨¦u, deixando para tr¨¢s uma quietude que pesava como chumbo. Ana, marcada pela mortalidade, permaneceu parada. O vazio em seu peito refletindo a perda do ¨²nico companheiro que compartilhar¨¢ sua eternidade. ¡ª Adeus, Gabriel ¡ª Ela sussurrou para si mesma, sentindo um misto de raiva e saudade ao perceber que n?o voltaria a v¨º-lo. No mundo onde uma vez viveram lado a lado por eras, s¨® restava uma mem¨®ria do anjo que, por um breve momento, ousou desafiar o pr¨®prio c¨¦u.
¡ª N?o h¨¢ como eu enfrentar isso. Me desculpe por n?o seguir seu desejo, Gabriel ¡ª disse rindo ao se jogar de costas na grama, aceitando seu c?mico e tr¨¢gico destino. Ela, que a pouco havia descoberto que n?o passava de algu¨¦m deixado de lado, n?o conseguiu nem mesmo sonhar com uma vingan?a, podendo apenas zombar de si mesma. Com um suspiro profundo, Ana se levantou., seus olhos ainda fixos no horizonte distante onde Gabriel havia desaparecido. ¡ª Eu n?o me lembrava que a mortalidade causava tanto inc?modo ¡ª resmungou para si mesma. No momento em que os l¨¢bios de Gabriel tocaram os seus, Ana voltou a sentir o tempo, e, com isso, a sensa??o de seu corpo envelhecendo. N?o era algo que um humano deveria sentir, mas Ana tinha um n¨ªvel impens¨¢vel de controle sobre seu corpo, al¨¦m de ter vivido anos em um estado imut¨¢vel. Ela sentia que cada segundo parada definhava seu corpo, cada minuto vivendo modificava suas c¨¦lulas, deixando-as mais fortes ou mais fracas dependendo do movimento que fazia. ¡°Acho que ficarei louca se isso continuar.¡± Tentando se acostumar com a nova sensa??o, Ana iniciou seus passos decididos em dire??o ao desconhecido, uma sensa??o de urg¨ºncia acometia seu ser. As nuvens divinas, imponentes no c¨¦u, pareciam observ¨¢-la, deixando-a inquieta. ¡ª N?o ¨¦ poss¨ªvel que tamb¨¦m venham por mim, certo? ¡ª sua m?o instintivamente foi para a faca em sua cintura. Ela se preparou para a batalha, mesmo sabendo que resistir seria f¨²til. Felizmente, contrariando seus pensamentos, apenas uma luz celestial come?ou a irradiar, sem sinais de novos ataques. Essa nova luz reviveu lembran?as de um passado distante. ¡ª ¨¦ absurdo, mas faz sentido, n?o tinha como aquilo ser natural. Ela n?o se lembrava dos detalhes, seus dias no escrit¨®rio, seus amigos, o metr? e at¨¦ mesmo sua fam¨ªlia n?o passavam de um borr?o na mente de Ana, mas estranhamente a luz cintilante que ela viu antes do Grande Vazio nunca foi completamente esquecida. Nesse instante, o cosmos era novamente visto no c¨¦u. ¡ª Quer saber, foda-se! Eu n?o ligo mais! Enquanto gritava seus ressentimentos para o al¨¦m e se virava para seguir seu caminho, seu corpo foi subitamente levantado no ar, indo em dire??o aos destro?os dos poucos resqu¨ªcios da cidade em que vivia antes do mundo ficar vazio. Na verdade, n?o apenas seu corpo estava flutuando, mas o mundo havia entrado em um enorme Caos: materiais de todos os tipos voavam a velocidades absurdas em dire??es aparentemente aleat¨®rias, enormes ¨¢rvores come?aram a diminuir enquanto novas come?aram a crescer e constru??es surgiram imponentemente, como se simplesmente estivessem nascendo do ch?o. De repente, tudo ficou escuro. ¡ª Mas que merda vai acontecer agora? ¡ª sussurrou, enquanto perdia o resto de sua consci¨ºncia.
Numa manh? comum de S?o Paulo, sob o cinza indiferente do c¨¦u que prenunciava mais um dia, Ana despertou. O som persistente do despertador n?o era apenas o an¨²ncio do in¨ªcio da manh?, mas o s¨ªmbolo da repeti??o incessante de seus dias. Enquanto se levantava, a luz morna do sol filtrada pelas cortinas tocava os objetos espalhados pelo quarto, cada um carregando uma hist¨®ria, uma promessa n?o cumprida, um sonho adiado. O cheiro do caf¨¦ vindo da cozinha de sua casa, a muito esquecido por Ana, ro?ava em seu nariz. Ao abrir as cortinas, ruas movimentadas podiam ser vistas. A humanidade havia voltado.
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Capítulo 7 - Retorno
¡ª Tudo foi um sonho? Olhando pela janela de seu quarto, que preservava cada detalhe de sua antiga vida, Ana refletiu sobre a estranha realidade que agora enfrentava. ¡ª N?o, isso ¨¦ real, as pessoas est?o de volta ¡ª seu olhar caiu sobre suas m?os, os calos que representavam seus constantes esfor?os permaneciam em sua pele. Desligando o despertador, um gesto t?o mundano, Ana contemplou as ruas movimentadas. Pessoas riam e conversavam, jovens apressados manobravam com espadas penduradas em suas cinturas. ¡ª Espadas? ¡ª questionou-se, confusa ao tentar reconciliar a cena com vagas lembran?as do passado. ¡ª Bom, posso pensar melhor sobre isso depois de¡­¡ª sua audi??o agu?ada captou baixas vozes vindas da cozinha, interrompendo seus pensamentos. Sua m?o instintivamente puxou a faca presa em seu cinto, reflexo de s¨¦culos de solid?o e autossufici¨ºncia. Ana n?o sentia medo, afinal n?o havia mais seres na Terra que pudessem ser uma amea?a, mas a estranheza da situa??o a fez ficar mais cautelosa do que o normal. Ao abrir a porta da cozinha, uma onda de emo??es a inundou. "Como pude me esquecer?", Ana n?o pode deixar de culpar-se, o cora??o pulsando em seu peito com uma mistura de alegria e dor.. Uma jovem mulher, de cerca de 18 ou 19 anos, estava sentada ¨¤ mesa com uma torrada em suas m?os. Ao seu lado, uma mulher de meia-idade preparava caf¨¦ com um sorriso gentil, mas sutilmente severo, um sorriso que lentamente se transformou em l¨¢grimas ao encontrar o olhar de Ana atordoada em frente a porta. A verdade ¨¦ que Ana n?o se lembrava bem delas, em suas mem¨®rias n?o passavam de um borr?o com rostos gen¨¦ricos, desconhecidas de um passado que n?o existia mais. Mesmo assim, seu cora??o bateu forte e uma estranha palavra deslizou pela sua l¨ªngua de forma pouco natural. ¡ª M?e... ¡ª a palavra escapou de seus l¨¢bios, embargada pela emo??o, enquanto uma l¨¢grima solit¨¢ria tra?ava um caminho por seu rosto, desafiando s¨¦culos de autocontrole e solid?o. Elas se abra?aram, um abra?o que transbordava o al¨ªvio e o amor acumulados ao longo de d¨¦cadas perdidas. As mulheres ficaram nesta posi??o por um longo tempo antes do confort¨¢vel sil¨ºncio ser quebrado. ¡ª Sabia que te procuramos em todos os lugares por um temp?o? Voc¨º devia ter deixado um aviso em alguma das cidades! Mas n?o, voc¨º preferiu n?o dar not¨ªcias por 10 anos! 10 anos! ¡ª gritou Jasmim em um tom de repreens?o. Seu rosto tamb¨¦m estava molhado de l¨¢grimas, mas exibia uma express?o de indigna??o. O inocente coment¨¢rio de sua irm? fez a mente de Ana voltar ¨¤ realidade com surpresa. "10 anos?", pensou, enquanto olhava novamente para sua irm?. Jasmim, a gentil e fofa garota de 9 anos que ela conhecia, agora era uma esbelta jovem mulher. Seu cabelo preso em um rabo de cavalo destacava seu rosto confiante e sua armadura de couro semi-desmontada expunha seus fortes, por¨¦m delgados, bra?os. Com a mente ainda girando, o olhar de Ana voltou para Margareth, sua m?e, notando detalhes que n?o havia percebido no momento de emo??o anterior. Ela estava claramente mais velha do que parecia em suas lembran?as, mas indiscutivelmente muito mais saud¨¢vel. Diferente de Jasmim, sua m?e n?o usava armaduras, mas em seu cinto era poss¨ªvel ver diversas facas e itens que Ana n?o conseguia entender, mesmo com todo seu conhecimento acumulado. ¡ª O que est¨¢ acontecendo aqui? ¡ª murmurou Ana, as palavras mal conseguindo capturar a complexidade de seus pensamentos. Ela tentava assimilar a nova realidade: um retorno ao lar que n?o era mais o mesmo, a um mundo que evoluiu sem sua presen?a. Margareth, notando a confus?o de Ana, ofereceu-lhe uma x¨ªcara de caf¨¦, um gesto simples que carregava consigo uma tentativa de reconex?o. Ana aceitou, reconhecendo que, apesar da estranheza da situa??o, aquele gesto representava um ponto de partida para reconstruir la?os perdidos. Ana sabia que precisava falar algo, mas por onde come?ar? Como explicar s¨¦culos de solid?o, auto descoberta e treinamento intenso para uma m?e e uma irm? que acreditavam que apenas dez anos haviam passado desde o "Grande Vazio"? ¡ª Eu... estive procurando por respostas ¡ª Ana come?ou, lutando para encontrar as palavras certas. ¡ª Depois que todos desapareceram, eu me vi sozinha¡­ ou melhor, quase sozinha¡­ ent?o eu treinei, explorei, tentei entender o que aconteceu. As explica??es vagas geraram mais perguntas nos olhos de Margareth e Jasmim, mas Ana percebeu que o momento exigia simplicidade, n?o revela??es profundas. ¡ª Voc¨º treinou? Explorou? ¡ª Margareth repetiu, parecendo incapaz de compreender totalmente as palavras de Ana. ¡ª Sim, m?e. Eu treinei. Treinei todas as habilidades que pude, desde artes marciais at¨¦ forja de armas. Eu... eu n?o sabia o que fazer, mas sabia que precisava me manter forte, encontrar um prop¨®sito ¡ª suas palavras pareciam fracas e inadequadas diante da magnitude de sua experi¨ºncia.This novel is published on a different platform. Support the original author by finding the official source. ¡ª Isso ¨¦ incr¨ªvel, Ana! Voc¨º aprendeu a lutar? Ent?o voc¨º se tornou uma ca?adora, certo?! ¡ª Jasmim, por outro lado, estava mais intrigada do que perplexa. Ana for?ou um sorriso para sua irm? mais nova, apreciando o entusiasmo genu¨ªno em sua voz. Ela n?o entendeu exatamente o que Jasmim quis dizer com "ca?adora", ent?o apenas continuou seu discurso. ¡ª Sim, Jasmim. Eu treinei muito, mas¡­ ¡ª Mas? ¡ª Mas nada disso importa agora ¡ª Ana disse, sua voz ficando mais firme ao decidir que n?o valia a pena mencionar seu desespero ao ser abandonada em um mundo vazio. ¡ª O importante ¨¦ que voc¨ºs est?o de volta. Por sinal, onde est¨¢ meu pai? Um sil¨ºncio pesado caiu sobre a cozinha, rompendo brevemente com a harmonia do momento e trazendo ao primeiro plano o pesar que pairava no olhar da m?e. ¡ª As coisas n?o foram t?o f¨¢ceis nos primeiros dias¡­ Ana respondeu com um aceno sutil de cabe?a a frase embargada de emo??o de Margareth, uma compreens?o silenciosa refletida no brilho de seus olhos. Embora o la?o com seu pai n?o fosse feito de in¨²meras mem¨®rias compartilhadas, a indiferen?a n?o coloria seu cora??o; apenas a falta de lembran?as concretas a impedia de sentir uma dor profunda. Enquanto o aroma reconfortante do caf¨¦ fresco se mesclava com o burburinho distante da cidade despertando, um vislumbre inesperado de alegria e esperan?a aflorou em Ana. O futuro permanecia uma inc¨®gnita, por¨¦m, a mon¨®tona exist¨ºncia que ela conhecia at¨¦ ent?o parecia ter chegado a um ponto de virada decisivo. Com a emerg¨ºncia de uma nova vida no horizonte, era crucial para Ana desvendar as camadas de seu novo ambiente. ¡ª Como eu disse, acabei ficando praticamente sozinha nos ¨²ltimos anos... Jasmim, me explique melhor, o que s?o os ca?adores? ¡ª Ficou t?o reclusa assim? ¡ª Jasmim expressou uma surpresa genu¨ªna, mas sua express?o rapidamente transbordou de entusiasmo ao ter a chance de discorrer sobre um tema de evidente paix?o. Ela se inclinou para a frente, seus olhos cintilando com fervor juvenil enquanto mergulhava na explica??o. ¡ª Os ca?adores s?o uma esp¨¦cie de grupo de sobreviv¨ºncia que se formou depois que as pessoas foram para Aur¨®rea. Muita gente morreu nos primeiros dias depois do teletransporte, principalmente as que apareceram dentro das florestas, ent?o rapidamente foram criados grupos para criar pontos seguros. Assim que tudo se estabilizou, as pessoas mais talentosas passaram a ser chamadas de ca?adores, s?o a elite! Ana assentiu, absorvendo as informa??es. Era fascinante para ela pensar que, enquanto ela estava sozinha, outros estavam l¨¢ fora, formando comunidades, adaptando-se a um mundo diferente. ¡ª Hmmm... imagine como um vasto jogo, se preferir.. Muitas cidades foram erguidas das cinzas, e com o frequente aparecimento de monstros todos tinham que se juntar para sobreviver ¡ª Jasmim continuou, percebendo a aten??o total de sua irm?. ¡ª Com o tempo, pessoas que pensavam de forma diferente foram se juntando, e para manter o m¨ªnimo de ordem foram estabelecidas as guildas. Existem guildas de todos os tipos, se voc¨º quer estudar magia, botanica ou criaturas, assim como se quiser simplesmente lutar, existir¨¢ uma guilda para voc¨º! Mordiscando sua torrada, ela n?o se deu por vencida em seu ¨ªmpeto de compartilhar. ¡ª Tecnicamente, todos s?o denominados ca?adores, mas s¨® os de rank elevado realmente det¨¦m esse t¨ªtulo. Claro, agora que estamos de volta, as regras podem mudar... mas a ess¨ºncia permanece. ¡ª Voc¨º parece ter muito interesse no assunto ¡ª Claro! Eu me juntei a eles! ¡ª o sorriso confiante mostrava o qu?o orgulhosa estava de si mesma ¡ª Crian?as se adaptaram muito melhor ¨¤ magia do mundo novo, ent?o, quando cresci e ouvi falar dos ca?adores, percebi que era a oportunidade perfeita para mim. Mesmo que ainda esteja nos degraus iniciais... Sua express?o de orgulho rapidamente se misturou com frustra??o ao mencionar seu status inicial. Aur¨®rea? Magia? Monstros? Ana absorvia cada palavra, suas suposi??es sobre a nova ordem do mundo sendo moldadas pelas narrativas ouvidas. Sem perceber, o sorriso sereno de momentos atr¨¢s cedeu lugar a um sorriso faminto de conhecimento. A quietude que ela havia adotado ao longo de um mil¨ºnio era uma m¨¢scara que a solid?o havia esculpido. No fundo, Ana se orgulhava de seus feitos e ansiava vorazmente por desvendar os mist¨¦rios que ainda desconhecia. Uma sede insaci¨¢vel de aprender come?ava a florescer em seu ser, uma ganancia oculta que at¨¦ ent?o permanecera adormecida. Ana desejava conquistar esse novo mundo e observ¨¢-lo do v¨¦rtice mais alto.
¡ª Voc¨º tamb¨¦m notou, n?o ¨¦, Jasmim? ¡ª os olhos de Margareth estavam carregados de intensidade enquanto acendia um cigarro com m?os tr¨ºmulas. Ana havia se recolhido ao seu quarto, deixando as duas mulheres sozinhas na varanda, imersas em uma quietude contemplativa. ¡ª Sim, algo n?o est¨¢ certo ¡ª sua express?o grave refletindo a seriedade de sua m?e. Seu olhar perdia-se na imensid?o do c¨¦u matinal, como se buscasse respostas nas nuvens passageiras. ¡ª N?o ¨¦ s¨® isso, Jasmim. Havia uma estranha aus¨ºncia de mana nela ¡ª Como pode ser? Tudo que respira neste mundo ¨¦ permeado pela mana ¡ª Jasmim franziu a testa, confrontando o dilema que ambas evitavam. ¡ª Voc¨º acha... Ser¨¢ que ela se tornou uma sombra? Um calafrio percorrendo a espinha das mulheres, apesar do vento frio de outono que j¨¢ acariciava suas peles arrepiadas. ¡ª Eu n?o sei, querida ¡ª A voz de Margareth falhou, um sinal de sua crescente d¨²vida e medo. ¡ª Ela parece ser minha filha, a menina que eu criei, mas agora... h¨¢ um vazio em seu olhar, como se estivesse olhando para um abismo sem fim. Se for o pior cen¨¢rio, podemos ser for?adas a mat¨¢-la ¡ª ela trincou os dentes, dando uma ¨²ltima e profunda tragada no cigarro antes de lan?¨¢-lo ao asfalto, seu brilho laranja extinguindo-se como uma ¨²ltima centelha de esperan?a. Um sil¨ºncio espesso envolveu a varanda, cada uma perdida em seus pensamentos turbulentos, ponderando o peso de suas pr¨®ximas escolhas. A conex?o familiar que outrora as unia agora parecia suspensa em um fio delicado de incertezas e medo.
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Capítulo 8 - Fronteiras
Enquanto Ana continuava a absorver as novas informa??es sobre o mundo que agora a cercava, uma sensa??o de urg¨ºncia come?ou a crescer dentro de sua mente. Ela n?o podia mais se dar ao luxo de ficar ¨¤ margem, observando passivamente enquanto tudo se desenrolava diante de seus olhos. Era hora de agir, de se envolver. A conversa com sua fam¨ªlia havia sido esclarecedora e perturbadora. Ao contr¨¢rio de suas suposi??es, a humanidade n?o havia simplesmente regressado ao seu estado original; em vez disso, o mundo de Aur¨®rea havia se fundido com a Terra, criando um mosaico surreal de arquitetura moderna entrela?ada com edif¨ªcios medievais. A paisagem era uma combina??o desconcertante de ¨¦pocas, desafiando a l¨®gica, mas possuindo uma estranha beleza. Uma energia nova, desconhecida, vibrava pelo ar ¨C mana, segundo o consenso popular, um termo emprestado dos jogos modernos. Ana n?o entendia a base cient¨ªfica disso, mas suas pesquisas mostraram que essa for?a invis¨ªvel havia reescrito as regras da exist¨ºncia: monstros sa¨ªdos dos contos de fadas agora vagavam pela Terra e animais conhecidos evolu¨ªam em seres mais complexos sob o olhar da mana. A popula??o humana, reduzida a uma fra??o de seu n¨²mero original, agora se aglomerava em fortalezas urbanas, enquanto o restante do planeta se tornava um palco para criaturas de pesadelos. Refletindo sobre como se aprofundar nas transforma??es globais, Ana se recordou de uma ferramenta quase esquecida pela vastid?o de sua exist¨ºncia ¨C a internet. ¡ª Claro, a solu??o estava diante dos meus olhos o tempo todo. Internet! ¡ª ela sorriu, sacudindo a cabe?a ante a ironia. A era digital, ressuscitada junto ao fluxo do tempo restaurado, ainda era uma mina de informa??es, embora agora fosse necess¨¢rio separar ainda mais diligentemente o fato da fic??o com um olhar cr¨ªtico. Sentada diante de seu antigo notebook, ela mergulhou nos f¨®runs online e redes sociais, filtrando informa??es, discernindo verdades de boatos. Concluiu que a humanidade estava ainda ¨¤s cegas, atribuindo a transforma??o global a um evento m¨ªstico, sem conhecer o verdadeiro arquiteto por tr¨¢s dessa fus?o de mundos. ¡ª Deus saiu impune! Ao longo da ¨²ltima d¨¦cada, o corpo da humanidade lentamente mudou, adaptando-se ao novo mundo em que viveram. Seus m¨²sculos e sangue foram infundidos com mana, dando capacidades f¨ªsicas al¨¦m do que humanos deveriam ter e permitindo que algumas pessoas mais talentosas moldassem a realidade usando magia, apesar de poucas pessoas a utilizarem, sendo ainda menos as que podiam us¨¢-la em combate. ¡ª Um tipo de modifica??o de mol¨¦culas? Nenhum deles parece estar usando essa capacidade da maneira adequada¡­ Enquanto verificava as mat¨¦rias rec¨¦m escritas, ela n?o p?de deixar de lan?ar um olhar de desprezo. As pessoas n?o entendiam o que tinham em m?os. ¡ª ¨¦ ineg¨¢vel que a capacidade de alterar a propriedade do mundo circundante para gerar eventos tidos como milagrosos ¨¦ excepcional, mas usar isso apenas para criar ¨¢gua ou fogo do nada? Mas que estupidez! As possibilidades de ter o poder da cria??o s?o infinitas! Com um suspiro, Ana continuou sua leitura, entendendo cada vez mais o que a nova era trouxe. Durante as buscas, uma teoria emergente chamou sua aten??o: a d¨¢diva da absor??o. Dizia-se que a energia vital dos seres de mana poderia ser absorvida ap¨®s sua morte, fortalecendo tanto o f¨ªsico quanto a capacidade m¨¢gica do vitorioso. Embora n?o completamente comprovado, a teoria ganhava terreno entre os ca?adores, os novos her¨®is e vil?es deste mundo transformado, que, diferente de pessoas comuns, ficavam visivelmente mais fortes ao fazer suas miss?es. Por fim, havia os materiais obtidos dos monstros e as novas plantas espalhadas por todo lugar. Carnes e frutos tornaram-se uma infinidade de novas receitas, muitas delas com propriedades especiais, como aux¨ªlio na cura ou envenenamento. J¨¢ partes diversas de monstros frequentemente tornavam-se novas armas ou armaduras, assim como pe?as de uma nova tecnologia produzida no mundo novo que utilizava mana como recurso. N?o parecia ser t?o eficiente quanto a eletricidade, mas com a exist¨ºncia da magia uma gama de novas possibilidades foram abertas. Desta forma, as mais variadas partes podiam ser vendidas a um bom pre?o, sendo o principal motivo de ca?adores de ranks mais altos serem frequentemente ricos. Apesar de saber que era uma busca superficial, Ana acreditou ter o necess¨¢rio para se virar. No entanto, mesmo munida de conhecimento, Ana confrontou uma realidade pessoal inquietante. Fechando e abrindo a m?o, ela encarou o vazio onde a energia deveria dan?ar. ¡ª Eu n?o consigo sentir a mana¡­ A vida realmente quer me ferrar ¡ª sua confiss?o murmurada deixava claro que estava com cada vez mais raiva dos c¨¦us.
O mundo estava uma bagun?a, mas aos poucos a sociedade de antigamente estava voltando ¨¤ normalidade. As lojas voltaram a abrir e um novo governo aos poucos se estabelecia, sendo estruturado desde sua base para o novo mundo. Claro, muito deste novo governo baseava-se na for?a. N?o era poss¨ªvel ser igual ao passado em um mundo onde lutar pela sobreviv¨ºncia era algo normal, mas no geral, era muito parecido com antigamente. Isto ¨¦, se voc¨º n?o sa¨ªsse das fronteiras.Enjoying this book? Seek out the original to ensure the author gets credit. Com a nova for?a adquirida pela humanidade, muros foram erguidos logo nos primeiros dois dias ao redor dos principais centros urbanos. ¡ª Parecem baratas ¡ª murmurou Ana ao ver a cidade lotada de pessoas, com medo do que estava fora destes muros. Dez anos podem parecer muito, mas a realidade ¨¦ que apenas crian?as e adolescentes puderam realmente se adaptar a um mundo onde perigo existia a cada curva. A maioria dos adultos n?o era capaz nem mesmo de ver um monstro diretamente antes de ficar paralisado de medo. ¡ª M?e, Jasmim, estou saindo ¡ª dirigindo-se ¨¤ porta da frente de sua casa, ela estava preparada para encarar as novas ruas pela primeira vez. Ana havia feito de tudo para tentar sentir a mana na noite anterior, algo que as pessoas deveriam conseguir naturalmente, mas foi em v?o. ¡°Preciso entender melhor minha for?a antes de buscar uma guilda.¡± Ana n?o sabia o motivo de n?o poder usar mana, ent?o n?o gastou tempo pensando nisso. Ana acreditava que seus muitos anos de treinamento serviriam de algo, mesmo sem o fortalecimento adicional da magia. Claro, ela precisava confirmar isso antes de realmente arriscar sua vida. Afinal, se n?o pudesse lutar, simplesmente voltaria sua aten??o para alguma outra ¨¢rea. Ana tinha a confian?a de que fosse onde fosse, estava preparada para encarar a sociedade de frente. Sua defesa consistia apenas em algumas pe?as b¨¢sicas de a?o que protegiam seus joelhos, seu adorado protetor de bra?o e a faca que representava todo o seu conhecimento como ferreira. Tudo o que ela possu¨ªa antes do mundo se fundir havia simplesmente sumido, com exce??o do que estava em contato direto com seu corpo. Claro, felizmente n?o precisou de muito quando ficou sozinha, ent?o n?o perdeu nada significativo, mas as coisas mudaram agora, ela ainda n?o sabia a for?a dos seres que teria que enfrentar. Respirando fundo e sentindo a tens?o da jornada iminente, finalmente deu o primeiro passo para fora. As ruas desconhecidas da cidade a acolhiam. Ela observava atentamente as pessoas ao seu redor. Diferente do que pensava ter visto pela janela ao acordar alguns dias atr¨¢s, Ana podia sentir a tens?o no ar, o medo latente que os habitantes mantinham em seus cora??es. ¡ª Hmmm, para onde vou¡­ ¨¦ estranho me sentir perdida depois de tantos anos vivendo por aqui ¡ª enquanto soltava a frase, Ana notou olhares estranhos em sua dire??o. ¡ª O que est?o olhando? Franzindo a testa, seguiu em dire??o aos port?es, vendo onde os novos muros se erguiam como sentinelas silenciosas. Ao notar uma pequena loja de frutas na estrada, ela pegou descontraidamente uma ma??, perdida em pensamentos. ¡ª Ladra! Guardas! ¡ª Gritou a mulher atr¨¢s do balc?o, interrompendo Ana antes que pudesse saborear a fruta. Ana ficou um momento atordoada com a situa??o, at¨¦ ter um entendimento repentino. ¡ª Eu n?o estou mais sozinha! ¡ª De que droga voc¨º est¨¢ falando? Devolva minha ma??! ¡°Pelo jeito terei que me controlar para n?o falar sozinha tamb¨¦m¡­ ¡°, refletiu ao devolver a fruta, constrangida. ¡°Pelo menos descobri o motivo dos olhares estranhos¡±. Ela, que por tantos anos foi a dona do mundo, tinha que voltar a se acostumar a viver em sociedade. Se desculpando pela desaten??o e com um ¨²ltimo olhar para tr¨¢s, Ana saiu da cidade. Os soldados a observaram passar sem dizer nada, n?o era comum os habitantes sa¨ªrem, mas tamb¨¦m n?o era algo estranho. Muitos jovens ca?adores iam e voltavam diariamente, apesar de nunca terem visto algu¨¦m sair sem um grupo. O ar l¨¢ fora era diferente, carregado com uma sensa??o de liberdade e perigo. Apesar de j¨¢ estar acostumada com a selva, ela se for?ou a ter cautela, deixando seus agu?ados sentidos em alerta m¨¢ximo enquanto seus p¨¦s tocavam o solo desconhecido. Era o mesmo mundo no qual ela havia vivido nos ¨²ltimos 1000 anos, mas ao mesmo tempo tudo era diferente. As ¨¢rvores se erguiam majestosas em meio ¨¤ vegeta??o exuberante, enquanto os sons da vida selvagem ecoavam ao seu redor. Ana se sentia pequena diante da imensid?o do mundo l¨¢ fora, mas tamb¨¦m sentia uma emo??o indescrit¨ªvel pulsando em seu peito. Apesar disso, seus passos receosos n?o podiam esconder sua excita??o ao ver algo novo. Neste momento, n?o muito longe dos muros, Ana avistou pela primeira vez um grupo de ca?adores. Dois homens e duas mulheres, todos aparentando ter entre 20 e 25 anos, escoltavam trabalhadores que lentamente restauravam as estradas em ru¨ªnas. Seus equipamentos eram muito semelhantes aos de Jasmim, compostos em geral por algumas pe?as de armadura de metal por cima de uma armadura corporal de couro, apesar de terem os mais diversos tipos de armas. Ao contr¨¢rio das pessoas da cidade, eles tinham uma express?o animada e confiante no rosto, exibindo orgulhosamente o emblema de sua guilda em seus bra?os direitos, um homem erguendo uma espada em um fundo alaranjado. Os dois homens eram muito parecidos, ambos possu¨ªam cabelos pretos escuros e fei??es inocentes. Seus gestos e sorrisos os faziam parecer pr¨®ximos, e suas armas, um com uma lan?a e outro com uma espada curta e um escudo, sugeriam que trabalhavam juntos em ataques de curto e m¨¦dio alcance. N?o muito afastada deles, uma garota ruiva pintava as unhas, descontraidamente. Seu porte era atl¨¦tico e sua express?o, apesar de n?o ser arrogante, n?o era muito convidativa. ¡°Que escolha interessante de armas¡±, pensou Ana ao notar o grande martelo que repousava ao lado da garota e o arco curto preso a suas costas. Por ¨²ltimo, ela olhou em dire??o a garota mais afastada do grupo. Sentada perto da fogueira, sua fei??o parecia assustada e seus curtos cabelos dourados estavam presos com uma presilha que brilhava em uma cor vermelha incomum. Sem notar nada de especial na garota, Ana estava preparando-se para seguir seu caminho, at¨¦ notar os estranhos gestos pouco confiantes da garota. ¡°Magia!¡± Uma fagulha saiu dos dedos da garota e reacendeu o fogo quase extinto. N?o pareceu muito especial, mas era incr¨ªvel ver pela primeira vez. ¡°Me sinto como em um livro. S?o t?o fofos.¡± Perdida em pensamentos sem importancia, Ana acenou ao passar pelos jovens aventureiros, mas foi recebida apenas com um olhar de indiferen?a ao perceberem sua falta de associa??o a um grupo, com exce??o da t¨ªmida maga, a qual retribuiu o aceno. ¡°Bem, devo parecer apenas uma civil qualquer, n?o vou esquentar a cabe?a com a m¨¢ educa??o das ¡®crian?as¡¯ ¡±, ela acreditava que todos deveriam ser apenas ca?adores de rank F, o mais baixo segundo a explica??o de Jasmim, mas Ana sabia o quanto o status podia subir a cabe?a das pessoas. Enquanto ria para si mesma da rea??o dos jovens e virava-se para seguir seu caminho, um escuro l¨ªquido vermelho foi borrifado em seu peito. ¡ª Merda, eu n?o trouxe uma troca de roupas ¡ª gritou ao olhar suas roupas manchadas. Um pungente cheiro de ferro estava impregnado no ar, e Ana j¨¢ havia ca?ado o suficiente para entender sua origem. Sangue criava uma cena morbidamente bela enquanto voava ao seu redor.
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Capítulo 9 - Confronto
O ar parou. Ana permaneceu im¨®vel, um frio desconhecido percorrendo sua espinha enquanto o sangue ainda morno escorria pelo tecido de sua roupa. Os sons da vida selvagem e da atividade humana em torno dela pareciam ter se silenciado, substitu¨ªdos por um zumbido ensurdecedor em seus ouvidos. A realidade da situa??o se instalou lentamente, como o crep¨²sculo caindo sobre o mundo. ¡°De onde veio o sangue?¡±, seu olhar rapidamente varreu o ambiente, a adrenalina acelerando seus sentidos. Ent?o ela viu, n?o muito longe, uma cena que faria seu cora??o parar, se n?o estivesse t?o acostumada ¨¤ brutalidade de sua longa exist¨ºncia. Um dos jovens ca?adores que ela acabara de passar, um jovem que ela lembrava ter um sorriso no rosto e uma espada ao lado de seu corpo, jazia sem um dos bra?os em uma po?a de sangue no ch?o. N?o havia sorriso agora, apenas uma express?o vazia e olhos que n?o viam mais. Ao lado dele, os outros membros do grupo estavam congelados, suas express?es um misto de choque, medo e incompreens?o. A maga que havia retribu¨ªdo seu aceno estava p¨¢lida, a m?o estendida como se pudesse trazer o amigo de volta com um simples gesto. A ruiva e o outro homem olhavam para Ana, seus olhos enchendo-se de uma acusa??o silenciosa. ¡ª O que est?o olhando? N?o fui eu que fiz isso ¡ª ao completar a frase, uma fria respira??o passou por seu ombro, fazendo-a entender o motivo dos olhares. Uma criatura como Ana nunca tinha visto antes, mesmo em seus mil anos de vida, estava emergindo das sombras das ¨¢rvores atr¨¢s dela. Era um ser de pesadelos, se parecia com um lobo, mas seus longos e esguios membros chegavam quase ¨¤ altura de uma pessoa adulta. Seus olhos brilhavam como brasas em um rosto distorcido por uma fome insaci¨¢vel e o bra?o do jovem ca?ador pendia em sua mand¨ªbula. ¡ª Monstro de rank D! Corram! ¡ª Despertando do choque inicial, a garota ruiva gritou para seus companheiros. Apesar de ter lan?ado um ¨²ltimo olhar para seu amigo ca¨ªdo, ela n?o parou de correr, querendo sair o mais r¨¢pido poss¨ªvel daquele lugar. Nesse instante uma nova criatura saiu de tr¨¢s das ¨¢rvores na dire??o em que a ruiva estava indo, fazendo-a cair ao parar bruscamente. Seu corpo era uma massa de ossos cobertos por uma aparente fina camada de pele, movendo-se de uma forma pouco natural que causava arrepios em seus observadores. ¡ª Droga, se espalhem! Algu¨¦m tem que sobreviver! ¡ª A garota ruiva, que agora tinha uma express?o ainda mais amedrontada, gritou ordens, tentando organizar uma fuga improvisada. Os ca?adores restantes se recuperaram com este ¨²ltimo grito, pegando suas armas com m?os tr¨ºmulas. Mas Ana sabia que eles n?o estavam prontos para enfrentar tal advers¨¢rio. ¡ª Vamos l¨¢, Ana ¡ª ela sussurrou para si mesma, sua mente anal¨ªtica tomando controle. A faca em sua m?o de repente parecia inadequada, trivial contra a amea?a diante dela. ¡ª Hora de descobrir o que voc¨º realmente ¨¦ capaz de fazer sem a mana. Respirando fundo, ela avan?ou, n?o para atacar, mas para colocar-se entre os jovens ca?adores e a criatura mais pr¨®xima. Suas a??es n?o eram de hero¨ªsmo, mas de necessidade. ¡°Eu n?o vivi mil anos para morrer atoa na minha primeira batalha real¡±, Ana n?o sabia o que um monstro de rank D representava, ent?o qualquer ajuda em seu experimento inicial era v¨¢lida. A outra criatura parecia estar brincando com os jovens, dando longos saltos sempre que algum deles mudava de dire??o para fugir. Apesar de seu rosto animalesco, uma vaga express?o de deboche podia ser vista. ¡ª Voc¨ºs a¨ª, n?o parece que vai ser t?o simples fugir. Juntem-se! Grande parte de seu conhecimento estava inutiliz¨¢vel, mas Ana ainda era uma mestra de todas as artes. O tempo parecia parar enquanto ela come?ou a observar as criaturas. ¡°Seus membros parecem inst¨¢veis, mas seus movimentos ¨¢geis sugerem uma for?a e velocidade que n?o devem ser subestimadas. Talvez a chave para derrot¨¢-los n?o esteja na for?a bruta, mas em aproveitar suas pr¨®prias habilidades contra eles.¡± Ana concentrou-se, sua mente correndo por mem¨®rias de batalhas que simulou milhares de vezes em sua mente. ¡ª Mirem nas articula??es, ataquem logo ap¨®s o recuo do salto! ¡ª apesar de gritar as ordens, Ana n?o teve tempo de se virar para ver se os outros a seguiram. O ar ao redor dela carregava uma tens?o el¨¦trica, como se a pr¨®pria natureza estivesse segurando a respira??o. A criatura diante de Ana avan?ou, movendo-se com uma velocidade sobrenatural, suas garras estendidas como laminas de pura escurid?o. The tale has been taken without authorization; if you see it on Amazon, report the incident. Ana se posicionou firmemente, estendendo a faca em sua m?o direita e calculando o momento exato do ataque, se movendo com uma precis?o que desafiava a f¨ªsica esperada para um corpo humano. Seu primeiro golpe foi uma dan?a com a morte, deslizando sob um golpe da criatura que teria certamente significado o fim para qualquer outro. Um fino fio de sangue saiu do bra?o do grande monstro. Confuso pelo ataque n?o ter encontrado o alvo, ele rugiu e correu novamente em dire??o a Ana com sua mand¨ªbula aberta. A luta foi uma orquestra de caos. A cada ataque que ela desferia, a criatura respondia com uma f¨²ria selvagem, mas estranhamente n?o conseguia fazer a pequena garota recuar. ¡°A pele ¨¦ mais grossa do que parece, mas sua for?a n?o ¨¦ extraordin¨¢ria.¡± Com pensamentos que fariam qualquer outro ficar indignado pelo absurdo, Ana deslizou pelo lado do grande ¡°lobo¡±, seguindo com novos cortes em cada abertura. A batalha n?o foi silenciosa. O metal cantava contra as sombras, e gritos de dor e de guerra se misturavam ao som de cora??es batendo em desespero. Ana se movia com a mem¨®ria de seus m¨²sculos, cada movimento reflexivo, cada decis?o um c¨¢lculo feito no calor do momento. Em um movimento inesperado, a criatura mordeu ferozmente em dire??o ao seu rosto, mas foi impedida pela armadura que cobria seu bra?o. ¡ª ¨¦ mais fraco do que eu pensei que seria, essa deve ser a limita??o do a?o¡­ parece que vou ter que voltar para a bigorna ¡ª foi poss¨ªvel sentir a forte press?o atrav¨¦s do metal, apesar de n?o ter causado danos s¨¦rios. Aproveitando a breve distra??o das mordidas descontroladas em seu bra?o, ela atravessou a faca no ombro esquerdo do monstro, fazendo-o cair repentinamente pela surpresa. O sangue espirrou como uma fonte quando pela primeira vez ela conseguiu atravessar a forte defesa. Neste momento, enquanto gritos desumanos eram ouvidos no ch?o, uma estranha aura sombria, mas gentil, chamou a aten??o de Ana. ¡ª Gabriel?! ¡ª gritou ela com surpresa, olhando em volta ao se esquecer da batalha por um breve momento. Um ardor em sua m?o chamou sua aten??o, tirando-a da confus?o de n?o ter encontrado o anjo ao seu lado. Uma aura vermelha brilhava sutilmente sobre a arma. ¡ª Um presente para voc¨º, criadora obstinada¡­ ¡ª Ana repetiu as palavras ditas s¨¦culos atr¨¢s, quando uma ¨²nica gota de sangue penetrou em sua obra rec¨¦m feita. Enquanto ficava presa em sua nostalgia, um bra?o contorcido veio voando em sua dire??o, acertando de surpresa seu est?mago e a fazendo voar contra uma ¨¢rvore, explodindo-a no mesmo instante. ¡ª Que estupidez! Quando vou entender que n?o estou mais sozinha? Levantando-se lentamente e cuspindo um bocado de sangue, Ana avan?ou novamente, concentrando toda a sua for?a, habilidade e esperan?a na faca que carregava. A criatura, agora mancando, tamb¨¦m correu em sua dire??o, preparando seu ataque com a mesma determina??o que sua advers¨¢ria. Deslizando por baixo das garras que vinham em sua dire??o por um fio de cabelo, ela girou seu corpo, aproveitando a for?a centr¨ªfuga para acertar um chute com todo seu peso na caixa tor¨¢cica do monstro. A criatura soltou um grito agonizante enquanto seu corpo subia levemente do ch?o. Sentindo o momento perfeito instintivamente, Ana direcionou a faca para seu queixo, atravessando com precis?o sua cabe?a e espalhando fluidos por toda parte. Assim que confirmou que o lobo parou de se mover, a garota caiu ao ch?o, exausta, a faca escorregando de seus dedos agora relaxados. Ela respirava pesadamente, cada sopro um testemunho da batalha que havia travado. Ela venceu, mas n?o sem custos. Seu bra?o estava ferido e seus ¨®rg?os tremiam, seu corpo estava marcado pela batalha. ¡°Talvez eu n?o tenha futuro como ca?adora¡±, pensou, de forma resignada, ao sofrer para matar um simples inimigo de rank D. Apesar disso, ela mesmo n?o percebeu que seu rosto estava preenchido com um sorriso quase man¨ªaco de prazer. Ana olhava fixamente para a faca ca¨ªda a seu lado, que voltou a brilhar levemente ap¨®s matar a criatura, mas neste momento os sons de outra batalha pr¨®xima chegaram aos ouvidos. ¡ª Merda, isso vai ter que ficar para depois. Pegando novamente a arma e se levantando com certa dificuldade, ela observou a luta que se desenrolava na sua frente. A garota ruiva estava aos farrapos, sangue saia de todo seu corpo e uma de suas pernas n?o parecia se mover. Apesar disso, ela continuava disparando flechas de longe incessantemente, mesmo com seus dedos j¨¢ em carne viva. O jovem com a lan?a parecia chorar enquanto atacava a cada pequena abertura, seus gritos mostravam seu ¨®dio e tristeza, mas a realidade ¨¦ que sua for?a restante n?o era suficiente para sequer perfurar a carne do monstro adequadamente. J¨¢ a maga, apesar de n?o estar ferida como seus companheiros, mal conseguia se manter em p¨¦. Sua respira??o estava pesada e ela se apoiava fracamente em um cajado maior que seu corpo. Parecia que ela iria cair a qualquer momento, mas ainda assim uma luz continuava a sair de suas m?os sempre que a criatura se preparava para atacar, Ana imaginou que seria algum tipo de distra??o, pois n?o parecia causar danos. ¡°Eles n?o s?o ruins, mas s?o muito fracos¡­ al¨¦m disso, o que esses idiotas est?o fazendo? Eu n?o mandei focar nas articula??es?¡± Ela hesitou por um momento, pensando se deveria ou n?o ajudar eles, mas por fim correu em dire??o a luta. O mundo havia mudado, e ela tamb¨¦m teria que mudar com ele. ¡ª Saiam da frente! Avistando o grande martelo da garota ruiva abandonado no campo de batalha, Ana foi em dire??o a ele. Apesar de exausta, usou toda a for?a para peg¨¢-lo com seu bra?o esquerdo, com a faca ainda firme em sua m?o direita. Os ca?adores n?o se moveram em um primeiro momento, mas vendo o corpo da outra criatura ao fundo e a estranha garota correndo em sua dire??o, entenderam que era sua ¨²nica chance de sobreviver, se afastando rapidamente. Com a for?a acumulada durante a corrida, Ana desferiu um golpe extremamente pesado em dire??o a perna direita do monstro que ainda brincava com os ca?adores. BOOOM! O martelo fez um barulho estrondoso ao acertar a pedra em sua frente, o monstro havia desviado no ¨²ltimo momento. Apesar de n?o ter deixado aparente, ele era mais inteligente do que demonstrava, havia cautela em seus movimentos ao perceber que seu companheiro estava morto. ¡ª Filho da puta! ¡ª Ana saltou para tr¨¢s apressadamente ao perceber a esquiva repentina, mas ainda foi acertada na perna por uma das garras, causando um ferimento profundo. A criatura voltou a mostrar uma express?o de zombaria enquanto a encarava. ¡°Quem imaginaria que tudo iria acabar logo no primeiro dia¡±, com um sorriso de esc¨¢rnio, ela se preparou para o fim. No entanto, ele n?o chegou. Uma flecha veio voando e acertou o olho esquerdo do lobo durante sua distra??o. Enquanto ele se virava para retalhar seu atacante, uma luz ofuscante cegou seu olho restante, e uma lan?a vinda de cima acertou o topo de sua cabe?a, a fazendo baixar bruscamente. ¡ª Isso ¨¦ pelo meu irm?o, desgra?ado! Aproveitando o grito choroso do jovem, Ana usou toda a sua for?a na perna restante e atravessou a cabe?a em queda do monstro, matando-o de imediato. ¡°Pois ¨¦, n?o estou sozinha¡± Lembrando a si mesma deste fato pela terceira vez no dia, Ana desmaiou.
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Capítulo 10 - Companheiros
¡ª Ela est¨¢ acordando! Marina, vem aqui r¨¢pido! ¡ª Tem certeza? Ela n?o est¨¢ s¨® murmurando de novo? ¡ª Sim, ela est¨¢ me encarando, olhos bem abertos! ¡°Uma cena animada¡±, Ana refletiu, uma sombra de humor tocando sua mente enquanto absorvia as duas vozes contrastantes de preocupa??o e ceticismo. O ar frio da noite acariciava sua pele, trazendo consigo o cheiro de terra molhada e fuma?a da fogueira. Essa combina??o inesperada trouxe um conforto inesperado que a fez se sentir estranhamente em casa. Ela fez uma tentativa de se levantar, mas a dor aguda que disparou atrav¨¦s de suas pernas foi um lembrete cruel das batalhas enfrentadas recentemente. O mundo girou brevemente antes de ela cair para tr¨¢s novamente. ¡ª Ei! voc¨º tem que descansar, suas feridas n?o s?o leves. Por sinal, voc¨º consegue falar? Me chamo J¨²lia! Posso saber o nome da nossa salvadora? ¡ª Eu me chamo Ana. ¡ª sua resposta para a ca?adora ruiva, que aparentemente liderava o pequeno grupo, saiu mais ¨¢spera do que pretendia, a desorienta??o ainda emaranhando seus pensamentos. Olhando em volta, viu os demais integrantes cuidando de seus ferimentos e arrumando o acampamento. Para sua surpresa, o garoto que ela pensou estar morto estava apoiado em uma ¨¢rvore pr¨®xima, seu corpo todo foi enfaixado e um de seus bra?os estava faltando, mas sua respira??o parecia est¨¢vel. ¡ª ¨¦ um prazer, Ana. Ei, voc¨ºs n?o v?o vir aqui? ¡ª gritou J¨²lia, com uma sincera express?o de gratid?o no rosto. Marina lan?ou um olhar preocupado para Alex, que respondeu com um aceno de cabe?a quase impercept¨ªvel. Esses pequenos gestos n?o passaram despercebidos por Ana, que come?ou a perceber a teia de la?os invis¨ªveis que unia o grupo. Os jovens ca?adores se aproximaram, suas express?es misturando admira??o e incredulidade. ¡ª Fico feliz que tenha acordado, me chamo Alex. Devo minha vida ¨¤ voc¨º, assim como a vida do meu irm?o, Felipe ¡ª quase se curvando e com l¨¢grimas em seus olhos, o jovem ca?ador da lan?a agradeceu Ana. ¡ª Seja l¨¢ o que voc¨º precisar, saiba que estaremos dispostos a te ajudar. ¡ª Eu digo o mesmo¡­ me chamo Marina ¡ª em curtas palavras e sem encarar os olhos de Ana, a maga expressou sua gratid?o. ¡ª N?o se preocupem com isso, eu fiz isso para sobreviver, n?o por voc¨ºs. ¡ª Isso n?o muda o fato de que nos salvou ¡ª retrucou J¨²lia. ¡ª Que seja¡­ Pouco acostumada com tantas intera??es em um curto per¨ªodo de tempo, ela se distanciou mentalmente da conversa, come?ando a inspecionar suas pr¨®prias feridas. Ela n?o havia reparado ao acordar, mas tamb¨¦m estava enfaixada. ¡ª Obrigada por isso. Alex apenas respondeu com um aceno de m?o. Os demais ca?adores j¨¢ haviam se afastado ao notar que Ana n?o estava muito afim de conversar. Agradecida pela considera??o dos jovens em deix¨¢-la sozinha, ela direcionou o olhar para a faca depositada cuidadosamente ao lado de seu corpo. ¡°O que voc¨º estava tramando, Gabriel?¡±, a arma, um reflexo de noites incont¨¢veis na fornalha, parecia guardar segredos que nem mesmo ela compreendia. Ana colocou a faca no n¨ªvel dos seus olhos. Uma pequena fresta estava entre a empunhadura e a bainha, um espa?o de poucos mil¨ªmetros que s¨® foi notado devido a ela ter feito o equipamento com as pr¨®prias m?os. ¡ª Que estranho, eu tinha certeza que ela encaixava perfeitamente ¡ª murmurou para si mesma. Ela puxou a faca para fora, seu corpo t?o escuro quanto a noite deslizou elegantemente para suas m?os. O brilho vermelho de antes havia sumido, voltando a apresentar sua apar¨ºncia quase ordin¨¢ria. Estranhamente dois pequenos riscos estavam em seu gume. ¡ª Isso sim ¨¦ uma surpresa¡­ Ela sabia a robustez do objeto em suas m?os, as duas criaturas de antes, por mais fortes que fossem, n?o eram capazes de fazer tais arranh?es. ¡°Tamb¨¦m n?o foram eles, ¨¦ imposs¨ªvel¡±, pensou ela enquanto olhava de relance para os jovens. ¡ª Parece que vou precisar de mais alguns experimentos ¡ª ela ponderou alto ap¨®s uma inspe??o meticulosa sem descobertas claras. Com um suspiro, Ana tensionou os m¨²sculos da perna ainda se recuperando, desafiando a dor que amea?ava mant¨º-la prostrada, for?ando-se a levantar. ¡ª Oh, voc¨º j¨¢ est¨¢ de p¨¦? Isso ¨¦ incr¨ªvel, achei que voc¨º ia ficar na cama por dias. Como esperado de uma ca?adora rank D. ¡ª disse J¨²lia de longe. ¡ª Ca?adora rank D¡­ ¡ª Ana repetiu baixinho com certo desgosto, uma semente de desafio permeava sua voz. Rank D estava longe do que esperava chegar com seu treinamento atual, mas sabia reconhecer seus limites, ela n?o queria morrer ¨¤ toa tentando enfrentar criaturas mais fortes do que aguentava. Infelizmente o mundo n?o facilitou pra ela.Stolen novel; please report. Ao olhar para a fogueira acesa, ela reparou em 4 bras?es queimando lentamente, os mesmos que estavam acoplados ¨¤s armaduras do grupo nesta manh?. Reparando o olhar perplexo de Ana, Alex explicou: ¡ª Era nossa ¨²ltima chance. Falhamos em algumas miss?es nas ¨²ltimas semanas, ent?o o chefe da guilda disse que n?o dev¨ªamos voltar se a de hoje tamb¨¦m desse errado ¡ª com um sorriso de auto-consolo, ele acenou em dire??o a um canto do bosque. Ana n?o havia reparado, mas 7 corpos estavam enfileirados embaixo das ¨¢rvores. Eram os trabalhadores que viu mais cedo. Ningu¨¦m havia reparado durante o desespero da batalha, mas ao que parece a segunda criatura os matou antes de ir ajudar seu companheiro. ¡ª ¨¦ uma pena n?o termos conseguido ajud¨¢-los ¡ª na realidade ela n?o sentia nada em rela??o ao assunto, mas sabia que a indiferen?a traria um clima ainda mais pesado. ¡ª N?o se culpe, n?o havia o que fazer, foi puro azar. ¡ª murmurou o garoto enquanto olhava para o c¨¦u, claramente escondendo mais uma vez as l¨¢grimas que come?aram a se formar. ¡ª Olhando pelo lado bom, gra?as a voc¨º sinto que estou muito pr¨®ximo de me tornar um ca?ador rank E. Nunca imaginei que a mana de um monstro desse n¨ªvel iria me ajudar tanto. Como se refor?ando as palavras de Alex, o resto do grupo olhou entre si com sorrisos radiantes. At¨¦ mesmo Felipe, que estava descansando, n?o p?de deixar de ficar feliz ao sentir sua exist¨ºncia crescer. ¡°Merda, quem diria que eu teria inveja de algu¨¦m nesse mundo?¡±, Ana n?o p?de deixar de xingar internamente ao perceber a satisfa??o dos ca?adores ao absorverem toda a mana do monstro que ela matou. Enquanto se perdia em pensamentos, ela sentiu uma pequena m?o encostando em suas costas. ¡ª M-me desculpe¡­ eu n?o consegui consertar sua armadura m¨¢gica, n?o entendi as runas¡­ ¡ª falou Marina. Ana viu o tremor nas m?os da maga, a frustra??o e o desejo de ajudar. ¡ª Armadura m¨¢g¡­ ¡ª Ana parou em meio a sua pergunta, vendo a armadura meio destru¨ªda nas m?os da maga. ¡°Eles n?o perceberam que ¨¦ apenas uma pe?a normal de a?o?¡±, refletiu com um sorriso sutil de zombaria. Por fim, ela achou melhor n?o demonstrar que n?o fazia ideia do que Marina estava falando. ¡ª N?o se preocupe, sei que deu o seu melhor. ¡ª Pode me dizer quem a fez? Se eu sobreviver a essa noite, vou precisar de um bom engenheiro m¨¢gico para fazer minha pr¨®tese ¡ª interrompendo as duas garotas, Felipe lan?ou a pergunta repentina. Seu olhar ia de Ana para seu ombro esquerdo repetidamente, ainda estranhando o vazio onde seu bra?o deveria estar. ¡ª Infelizmente n?o sei quem foi seu criador, a encontrei em Aur¨®rea. ¡ª Ana inventou uma mentira qualquer, n?o tinha raz?o para dar explica??es in¨²teis de que ela foi quem forjou a armadura. ¡ª Eu entendo¡­ ¨¦ uma pena, sinto que com um desses eu n?o precisaria nem mesmo usar um escudo, ¨¦ t?o resistente ¡ª sussurrou ele, fechando novamente os olhos para voltar ao seu descanso. ¡°¨¦ poss¨ªvel fazer pr¨®teses funcionais com magia?¡±, seu interesse pela rec¨¦m mencionada engenharia m¨¢gica cresceu aos trancos e barrancos com o conte¨²do da conversa anterior. ¡ª Bom, preciso ir andando, quero jantar em casa hoje ¡ª em tom de brincadeira, ela come?ou a se afastar do grupo, voltando da dire??o da qual havia vindo pela manh?. ¡ª Ana, tem certeza que est¨¢ bem? ¡ª J¨²lia parecia preocupada enquanto fazia a pergunta. ¡ª Voc¨º sabe... j¨¢ vai dar 20h, os port?es est?o fechados. ¡ª E sobre o jantar, bem, talvez n?o seja uma preocupa??o imediata. Afinal, provavelmente j¨¢ estamos todos mortos ¡ª Alex lentamente se levantou do tronco onde estava sentado. Em seguida, pegou a lan?a que estava apoiada a seu lado e entrou em posi??o defensiva em frente ao seu irm?o. Entendendo a situa??o a partir da estranha rea??o de seu colega, o resto do grupo correu para fazer o mesmo, cercando o jovem machucado. Era not¨¢vel que estavam fracos, mas os olhos brilhantes que come?aram a surgir na escurid?o da floresta n?o pareciam querer dar tempo para descansarem. Um vento gelado soprou atrav¨¦s do acampamento, fazendo as chamas da fogueira oscilarem. Uma sensa??o de inquieta??o tomou conta de Ana, como se a floresta estivesse segurando a respira??o. Nem um grilo cantava, nem uma folha se mexia e seu instinto de sobreviv¨ºncia disparava alarmes silenciosos em sua mente. Ela sabia, antes mesmo de ver os olhos brilhantes se aproximando, que a noite ainda guardava suas pr¨®prias hist¨®rias. ¡°Que mundo de merda¡± A faca j¨¢ havia sa¨ªdo de seu cinto enquanto seu corpo se lan?ava em dire??o a um dos pequenos seres que se aproximava.
A madrugada trazia consigo o sil¨ºncio do esgotamento. O grupo, antes unido pela urg¨ºncia da sobreviv¨ºncia, agora movia-se com a lentid?o dos vencidos, embora n?o tivessem sido derrotados. A batalha contra os goblins e os mais tem¨ªveis hobgoblins havia se estendido pela noite, cada momento um teste de resist¨ºncia, cada confronto um desafio ¨¤ morte. O cen¨¢rio em frente a Ana provinha diretamente de um filme de terror: partes verdes decepadas eram vistas em todo o cen¨¢rio, uma mistura macabra de bra?os, pernas e orelhas que representava a brutalidade da luta que tiveram. A grama, antes de um verde vibrante, estava completamente tingida de vermelho e o ar agrad¨¢vel do bosque foi substitu¨ªdo por um cheiro pungente de morte. ¡°Temos sorte de serem monstros que mal beiram o rank F¡±, ela tentava se alegrar com pensamentos otimistas, mas at¨¦ mesmo isso fazia seus m¨²sculos cansados reclamarem. Com a primeira luz do amanhecer tingindo o c¨¦u de um cinza p¨¢lido, eles se reuniram em um c¨ªrculo quebrado, mais um conjunto de sombras do que uma equipe de combatentes vitoriosos. Sem palavras, com o peso da noite gravado em seus olhares, come?aram a dividir os esp¨®lios da luta: armas desgastadas, armaduras fragmentadas, peda?os de metal que brilhavam sob a luz incipiente como se rissem da pr¨®pria inutilidade. A falta de conversa n?o era uma aus¨ºncia de gratid?o ou companheirismo, mas uma manifesta??o palp¨¢vel do cansa?o que se apossara de todos eles. As palavras se mostravam in¨²teis frente ¨¤ exaust?o compartilhada; seus olhares diziam tudo o que a l¨ªngua se recusava a expressar. A carne goblin n?o tinha muita utilidade, ent?o foi totalmente descartada pelos ca?adores, mas eles tinham olhares gananciosos em rela??o ¨¤s duas criaturas rank D. Apesar disso, sabiam que n?o tinham direito sobre elas. ¡ª Podemos te ajudar a pegar as partes importantes ¡ª ofereceu J¨²lia, lembrando-se da dificuldade extrema que tiveram para cortar a carne do monstro durante a batalha. ¡ª N?o, eu fa?o isso ¡ª se aproximando das carca?as com movimentos lentos, Ana mais uma vez puxou a faca de seu cinto. Ao longo de suas ca?adas de s¨¦culos atr¨¢s, Ana aprendeu a identificar com precis?o pontos vitais de corpos de animais, removendo milhares de vezes suas peles com uma precis?o impec¨¢vel. Apesar de n?o ser exatamente um animal que estava em sua frente, o corpo da garota moveu-se instintivamente, fazendo cortes cir¨²rgicos no duro couro. Ossos, m¨²sculos e tend?es sairam quase que sozinhos. O queixo dos jovens ca?adores quase tocava o ch?o com surpresa. Se n?o tivessem visto de perto suas incr¨ªveis habilidades de luta, pensariam que Ana era uma cozinheira lend¨¢ria que estava de passagem, pela incr¨ªvel maestria com que cortava a carne. ¡ª Preciso apenas dos ossos ¡ª disse ela enquanto limpava a faca e juntava os robustos restos em um saco improvisado. ¡ª Voc¨º tem certeza? Sabe o quanto vale a carne de um monstro ranque D? ¨¦ quase uma iguaria em restaurantes comuns ¡ª replicou Alex, sentindo-se mal por ficar com uma recompensa t?o grande. ¡ª N?o ¨¦ como se eu pudesse ter vencido sozinha, apenas peguem ¡ª resmungou Ana com um tom cansado, sem querer discutir mais. ¡ª Obrigado! ¡ª os quatro disseram quase que em un¨ªssono, animados pela bondade inesperada. Quando a divis?o dos materiais foi conclu¨ªda, um aceno de cabe?a coletivo serviu como adeus. N?o havia energia restante para despedidas calorosas ou promessas de reencontros. Cada um partiu para sua pr¨®pria casa, seus passos arrastando-se pela terra ainda manchada pelo sangue. ¡ª Ah, parece que todos estamos indo pelo mesmo caminho! ¡ª a voz de Marina rompeu o sil¨ºncio, mais alta do que ela pretendia devido ao cansa?o e al¨ªvio p¨®s-batalha. Ela corou, surpresa por sua pr¨®pria ousadia. Mas sua observa??o, embora simples, serviu como um b¨¢lsamo para a tens?o que envolvia o grupo. ¡ª Bem, dada a nossa sorte, parece que s¨® existe um port?o nesta cidade... Ent?o, parece que teremos a honra da companhia uns dos outros por mais algum tempo ¡ª J¨²lia lan?ou um sorriso cansado, quebrando a rigidez do momento. Sua brincadeira leve convidou um aceno de cabe?as compreensivas e at¨¦ mesmo um esbo?o de sorrisos entre eles. O sil¨ºncio ainda caia sob seus passos, mas diferente da atmosfera sangrenta de antes, uma fa¨ªsca de companheirismo era sentida no ar.
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Capítulo 11 - Legado
¡°¨¦ t?o idiota, qual o sentido de ter um contador de mortes em uma faca? Que piada macabra, anjo est¨²pido!¡±, Ana estava perdida em pensamentos ap¨®s se separar do grupo na entrada da cidade. Ela caminhava lentamente, tentando entender o que estava acontecendo com sua arma. Apesar da testa franzida, um sorriso melanc¨®lico estava em seu rosto ao lembrar dos longos anos ao lado de Gabriel. Exatos 25 novos riscos apareceram na lamina ap¨®s a luta contra os goblins da madrugada anterior, como se fossem um registro palp¨¢vel da sua brutalidade. A faca, antes t?o escura quanto a noite, agora apresentava marcas brancas que davam a impress?o de desgaste. A princ¨ªpio, pensou que o a?o temperado estivesse falhando contra os seres m¨ªsticos do novo mundo, mas conforme atravessava as criaturas com a lamina, a realidade se mostrou ainda mais bizarra: uma morte, um arranh?o! ¡°Todo o meu esfor?o para forjar algo elegante est¨¢ indo pro ralo¡­¡±, lamentava, mas dentro dela, uma chama de curiosidade insaci¨¢vel come?ava a arder mais forte. Ana brincava com o fato rid¨ªculo de um ¡°contador em forma de riscos¡± existir, mas n?o era apenas isso que havia percebido durante a noite. ¡°Pensei que estava ficando louca, mas ela est¨¢ realmente ficando maior¡±, sua percep??o anterior n?o estava errada, ao segurar a faca contra a luz um v?o de quase 1cm podia ser visto entre o cabo e a bainha, dando uma impress?o de ser um arranjo improvisado. N?o era uma coisa que podia ser explicada com o senso comum, afinal, um metal era um metal, n?o um ser vivo. Mas l¨¢ estava a prova, como se proliferando seus ¨¢tomos do al¨¦m, a lamina crescia, zombando de toda raz?o. ¡°N?o que uma faca crescendo seja a coisa mais estranha por aqui¡­ magia, monstros, anjos¡­ minha vida ¨¦ uma bagun?a!¡±, conversando consigo mesma, Ana come?ou a rir. Se n?o estivesse t?o distra¨ªda, a garota notaria m?es cansadas tirando as crian?as das ruas ao ver uma aparente man¨ªaca rindo sozinha enquanto encarava uma faca, com um estranho saco de pano cheio de longos ossos balan?ando em suas costas. Neste momento de devaneio, ela esbarrou em um caixote na beira da estrada, derramando seu conte¨²do. Livros dos mais variados tipos foram espalhados pela cal?ada. Enquanto se abaixava para recolh¨º-los, seu olhar foi capturado por um volume em particular, de capa escura e letras douradas: "Engenharia M¨¢gica: Um estudo das aplica??es de mana em tecnologias emergentes". Um sorriso ir?nico cruzou seu rosto. ¡ª Quanta coincid¨ºncia¡­ ¡ª murmurou, segurando o livro como se fosse um tesouro rec¨¦m-descoberto. ¡ª Voc¨º sempre faz compras jogando tudo no ch?o primeiro? ¡ª a voz veio carregada de uma irrita??o jovial. Maria, com seus dezessete anos e olhos que pareciam registrar cada detalhe, aproximou-se com um passo decidido. Seus olhos vagaram entre Ana e a estranha faca em suas m?os, e por um momento, houve um sil¨ºncio desconfort¨¢vel. ¡ª Desculpe pela bagun?a. Este livro tem um pre?o? ¡ª erguendo-se com o livro ainda em m?os, lan?ou um olhar avaliador na dire??o da voz, intrigada n?o apenas pelo livro, mas pela jovem vendedora com um ar de mist¨¦rio. Suas roupas comuns estavam um pouco desgastadas e seu cabelo ondulado chegava at¨¦ sua cintura, sendo adornado por um largo chap¨¦u. Seu sorriso era astuto e seus olhos n?o escondiam sua ganancia, mas a garota transmitia uma sensa??o acolhedora que tornava dif¨ªcil sentir raiva, mesmo com suas palavras rudes. Maria sorriu, mas havia algo calculista em seu olhar, o qual ocasionalmente ainda era direcionado para a faca nas m?os da estranha garota. ¡ª Bem, isso depende. Para voc¨º, querida cliente, o livro vale 20 moedas de prata ¡ª apesar de sua ganancia, a garota soltou as palavras cuidadosamente, se preparando para se afastar, se necess¨¢rio. ¡°Mas que merda s?o moedas de prata?¡±, Ana estava confusa, quando pegou sua velha carteira de manh?, a qual havia sido restaurada durante o retorno da humanidade, n?o pensou que o sistema monet¨¢rio teria mudado.If you stumble upon this narrative on Amazon, be aware that it has been stolen from Royal Road. Please report it. ¡ª ¨¦ o pre?o do conhecimento! ¡ª interpretando o sil¨ºncio como uma reclama??o indireta, Maria soltou uma explica??o. ¡°Ela pegou meu ponto fraco¡±, a frase fez o sorriso de Ana voltar a seus l¨¢bios, conhecimento n?o era algo leviano para a garota milenar. ¡ª N?o estou com dinheiro no momento, aceita fazer algumas trocas? Maria deu de ombros, mas seus olhos brilhavam com certo interesse n?o disfar?ado. Com a aprova??o da garota, Ana removeu lentamente alguns poucos ossos que estavam presos em suas costas. ¡ª Acredita ser o suficiente? Ao ver que eram apenas ossos, o animo de Maria foi um pouco apagado, mas com um suspiro ela se aproximou para avaliar o item. Um estranho raio azul come?ou a passar pelo olho esquerdo da jovem, circulando lentamente por suas pupilas at¨¦ criar um estranho padr?o. ¡°A concentra??o de magia do osso ¨¦ incr¨ªvel¡­ ¨¦ uma criatura de rank E? N?o¡­ Rank D!¡±, Maria n?o pode deixar de exclamar ao notar de onde os ossos vieram, mas sua express?o rapidamente se acalmou, n?o querendo perder a vantajosa proposta. ¡ª N?o sou uma vendedora de itens diversos, ganho a vida vendendo livros¡­ mas vendo sua forte vontade, vou aceitar a troca. Ana soltou um suspiro profundo, seus olhos estreitando-se enquanto observava o peculiar fen?meno m¨¢gico de Maria. ¡°Avalia??o de mana?¡±, ela pensou, tecendo hip¨®teses ao redor da in¨¦dita magia ¨C uma habilidade intrigante que despertava tanto seu ceticismo quanto sua insaci¨¢vel curiosidade. Pela rea??o da jovem ao encarar os ossos, era claro que ela saiu em uma perda, mas n?o havia o que fazer no momento. Ela s¨® queria chegar logo em casa para descansar. ¡°Bom, s¨® posso me culpar por n?o ter me preparado melhor para o mundo¡± No momento em que Ana estava prestes a fechar o acordo, o olhar de Maria foi novamente para a faca, n?o por interesse, mas sim por uma coincidente distra??o. Neste momento, seu olho esquerdo que brilhava com um chamativo azul el¨¦trico se arregalou de espanto e uma dor profunda fez seu corpo paralisar. O mundo ao seu redor era apenas um infinito negro, um universo sem estrelas. Sua mente n?o conseguia raciocinar e quando percebeu estava gritando de forma descontrolada, mas o sil¨ºncio devorava suas palavras. Ela n?o sabia se estava de p¨¦ em algo, flutuando ou apenas caindo, seu corpo n?o sentia nada. Impulsos de morte perturbadores come?aram a brotar em seu cora??o, querendo acabar com esse desespero. ¡ª Ei, voc¨º est¨¢ bem? A voz suave, como uma luz no fim do t¨²nel, a tirou de seu estupor. Ana a encarava com a cabe?a inclinada pro lado, confusa com a garota de olhar perdido em sua frente. ¡ª Ah, me desculpe! N?o sou t?o h¨¢bil na t¨¦cnica de avalia??o, acabei me distraindo ao desativ¨¢-la. Por sinal, me chamo Maria. Posso conhecer seu nome? ¡ª Maria engasgou, sua respira??o irregular e ofegante, enquanto tentava manter a compostura, lutando para afastar o terror que se agarrava ao seu cora??o. Confirmando que o mundo voltou ao normal, ela cobriu rapidamente seu olho esquerdo com uma das m?os, tentando disfar?ar a situa??o. ¡ª Claro, me chamo Ana. Aqui est?o seus ossos, foi um prazer te conhecer ¡ª n?o querendo se meter em assuntos de outras pessoas, mesmo notando a estranheza da situa??o, Ana apenas concluiu o neg¨®cio com uma frase curta e come?ou a se afastar. ¡ª Tamb¨¦m foi um prazer, at¨¦ logo, Ana. Algo me diz que nossos caminhos v?o se cruzar de novo. Ao ficar sozinha, Maria tirou a m?o que cobria seu olho. L¨¢grimas de sangue come?aram imediatamente a escorrer em um fluxo incessante. ¡ª Uma mulher com segredos¡­ aquela faca exala escurid?o¡­ ¡ª em meio a murm¨²rios solit¨¢rios, ela se jogou novamente na pilha de livros em que estava antes do estranho encontro de agora. Pegando seu celular do bolso, fez uma liga??o com dedos ¨¢geis. ¡ª Natalya? Como vai, querida cliente? ¡ª sua atitude jovial e alegre se tornou algo s¨¦rio ao ser atendida. A voz do outro lado da linha apressava a jovem, com clara impaci¨ºncia. ¡ª Acho que encontrei uma nova arma para sua cole??o¡­ Maria observou a silhueta de Ana desaparecer na multid?o, memorizando cada detalhe, um plano formando-se em sua mente astuta. Seus pensamentos continham um pedido de desculpas antecipado por todos os problemas que sua liga??o causaria. ¡°Cada pe?o em seu devido lugar¡±, pensou ao limpar as l¨¢grimas, as ¨²nicas testemunhas silenciosas das engrenagens do destino movendo-se implacavelmente.
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Capítulo 12 - Guildas
"Engenharia M¨¢gica: Um estudo das aplica??es de mana em tecnologias emergentes", o t¨ªtulo parecia zombar de sua compreens?o limitada do mundo atual. Ana estava jogada na cama, mergulhando vorazmente nas meras 50 p¨¢ginas ¨¤ sua frente. Era um livro curto, mas surpreendentemente informativo, sendo poss¨ªvel entender de forma resumida e concisa a extens?o das pesquisas humanas sobre a engenharia m¨¢gica at¨¦ o momento. N?o se tratavam apenas de pr¨®teses, o mundo estava sendo lentamente remodelado: estruturas que desafiam as leis da f¨ªsica, tecidos vivos que se regeneram e m¨¢quinas de todas as ¨¢reas cujo funcionamento se baseia em uma mistura rudimentar de componentes el¨¦tricos com manipula??o da mana. Com o livro firmemente preso em suas m?os, Ana olhou pela janela, agora com as ruas vistas sob uma nova luz. Cada lampada, cada pedra, pessoa e ve¨ªculo, tudo parecia conter segredos ¨¤ espera de serem desvendados. ¡°Eu preciso aprender, mas para isso, preciso de dinheiro¡± A troca recente com Maria veio ¨¤ sua mente. Reconhecendo que o dinheiro ainda movia o mundo, mesmo nessa nova realidade, ela olhou em dire??o ao centro da cidade, pensando se deveria ir de encontro com as guildas. A cada minuto que passava, Ana sentia que estava ficando para tr¨¢s. ¡°Era melhor eu ter conversado com a Jasmim primeiro¡±, seus pensamentos se perderam quando notou que que n?o havia feito esfor?o para entender a situa??o de sua fam¨ªlia. Claro, ela havia conversado durante o reencontro, mas o que fizeram para sobreviver? Qual a guilda de sua irm?? Elas sofreram? Lutaram? Se divertiram? Ana n?o sabia. Ela n?o sentiu interesse real por tudo isso, logo n?o perguntou, apenas prestou uma leve aten??o no que estava sendo dito sem se aprofundar mais. Era uma indiferen?a provinda da solid?o prolongada, n?o algo que pudesse controlar. Coincidentemente, ao mesmo tempo em que pensava na irm?, ela viu a garota sentada em um caf¨¦ do outro lado da rua. Jasmim parecia pensativa, mexendo o caf¨¦ em um ritmo lento, quando um grupo de jovens se aproximou. Por um breve momento, ela ponderou atravessar a rua e se juntar a eles, mas ao ver os sorrisos e a conversa animada que se iniciou, Ana sentiu que esse n?o era mais um mundo feito para ela. ¡ª N?o tenho motivos para esperar, preciso entender o mundo por mim mesma ¡ª murmurando sozinha, ela colocou a faca em sua cintura e lan?ou um olhar resignado para a armadura semi destru¨ªda enquanto saia do quarto, prometendo restaur¨¢-la assim que poss¨ªvel. ¡ª Ana, bom dia! ¡ª Oi m?e, bom dia. Diversas vasilhas, de todos os tamanhos e cores, estavam soltas pelo balc?o da cozinha, fazendo um forte cheiro de ervas se espalhar pelo ar. Margareth usava um avental sujo e uma sutil luz azul estava presente em seus olhos, muito semelhante ¨¤ habilidade utilizada por Maria. ¡ª M?e¡­ o qu¨º est¨¢ fazendo? ¡ª Trabalhando, garota boba ¡ª respondeu ela com um meio sorriso ¡ª Sou uma herborista. ¡ª Isso ¨¦ incr¨ªvel, n?o sabia que voc¨º tinha essas habilidades. ¡ª Bem, eu tamb¨¦m n?o sabia at¨¦ que tudo isso come?ou ¡ª Margareth deu de ombros, a luz azul em seus olhos piscando enquanto ela concentrava sua mana em uma po??o particularmente densa do l¨ªquido que manipulava. ¡ª Mas n?o passei os ¨²ltimos anos parada. Tive que aprender e me adaptar. Apesar da conversa aparentemente normal, Ana sentiu certa estranheza no ar. Os olhos de sua m?e vagavam das ervas em suas m?os para o rosto de Ana, a encarando profundamente com uma express?o que n?o condizia com o sorriso em seu rosto. Seus olhos brilhantes estavam tornando a cena cada vez mais perturbadora conforme estas a??es se repetiam. ¡ª E como isso funciona, voc¨º faz algum tipo de avalia??o nas ervas? ¡ª perguntou Ana, indicando os olhos destacados com um aceno, movida tanto pela curiosidade quanto por uma tentativa de fugir do olhar inc?modo. ¡ª Avalia??o? Ah, voc¨º notou os olhos? Na verdade, sou uma leitora. ¡ª Leitora? ¡ª Oh, sim, me esqueci que voc¨º n?o esteve nas cidades¡­ ¡ª a men??o das cidades parecia uma alfinetada sutil, a qual Ana ignorou ¡ª Leitor ¨¦ um termo para aqueles que podem ¡°ler¡± os fluxos do universo. ¨¦ uma situa??o um pouco rara, mas ao inv¨¦s de termos nossos corpos fortalecidos de forma sobre humana ou veias que permitem a manipula??o da magia, nossos sentidos foram aprimorados ao limite. Margareth pausou, colocando de lado a po??o com a qual trabalhava, e se virou completamente para Ana. Uma m?o esguia foi deslocada para a arma oculta abaixo do balc?o. ¡ª Quando despertei, era como se eu estivesse conectada a tudo que existe. Eu passei a ouvir a pulsa??o silenciosa do mundo, sinto cada elemento da natureza como se fosse parte de mim mesma¡­ a mana circulando por tudo ao meu redor, sejam objetos ou pessoas, se mostra voluntariamente quando a chamo. ¡°Ela sabe sobre mim¡±, percebeu Ana, intrigada com a descri??o de sua m?e e surpresa com suas palavras claramente direcionadas a ela. Era um aspecto da magia que nunca havia considerado. A ideia de que cada elemento da natureza tinha uma sensa??o pr¨®pria n?o era estranha, ela se esfor?ou para se conectar com as exist¨ºncias ao seu redor em seus anos de aprendizado, podendo sentir um tipo de ¡°vibra??o¡± ¨²nica para cada um deles, mas a ideia de que a magia poderia ser usada para entend¨º-los mais a fundo abriu novos horizontes em sua mente.The story has been stolen; if detected on Amazon, report the violation. ¡ª ¨¦ fascinante ¡ª se aproximando do balc?o, a garota tocou a planta mais pr¨®xima, uma estranha esp¨¦cie azulada que nunca havia visto. Pequenas ra¨ªzes calorosamente enrolaram-se em seu dedo, a fazendo sorrir pela surpresa. ¡ª Eu pensei que ¨¤s entendia bem, ¨¦ uma pena que n?o possa senti-las como voc¨º. Parece que voc¨º encontrou sua voca??o, m?e. ¡ª Talvez eu tenha encontrado, ¡ª respondeu Margareth com um novo sorriso genu¨ªno em seu rosto. A cena ¨¤ sua frente fez com que a intensidade de seu olhar suavizasse um pouco. ¡°Ela foi acolhida como fam¨ªlia¡±, suas suspeitas n?o foram embora, sua filha era uma exist¨ºncia inexplic¨¢vel que n?o deveria existir nesse mundo. Entre as milhares de part¨ªculas vivas fluindo de forma ca¨®tica, Ana era uma massa de escurid?o, um ser macabro que trazia um medo instintivo. No entanto, vendo a pequena planta se aconchegando em seu corpo como se fosse de sua pr¨®pria esp¨¦cie, Margareth sentiu, no n¨ªvel do instinto, que Ana n?o era ¡°algo¡± ruim. ¡ª Voc¨º ¨¦ t?o fofa! ¡ª ainda com o sorriso no rosto, Ana puxou a raiz repentinamente, estourando-a sem muita resist¨ºncia ¡ª Fico feliz que voc¨º n?o existia a alguns anos atr¨¢s, se n?o eu sentiria ainda mais inveja. Tanta vida! Arregalando os olhos de surpresa, a mente de Margareth ficou em branco com a rea??o bizarra que presenciou. Arrepios passaram pelo seu corpo e suas m?os voltaram a apertar firmemente a arma, desta vez, sem vacilar.
Com uma express?o sombria, Ana caminhou em dire??o ao centro da cidade. Seus olhos estavam fixos no caminho ¨¤ frente, mas sua mente estava distante. ¡°Fico feliz que ela n?o tenha tentado nada est¨²pido¡±, pensou a garota, acariciando o pomo de sua faca. Ela n?o havia visto, mas pode sentir claramente a inten??o de sua m?e em v¨¢rios momentos da conversa. Quando sua posi??o fixou-se pr¨®xima ao balc?o, Ana instintivamente se preparou para atacar. Ela se aproximou lentamente, vendo a rea??o que Margareth teria a cada passo dado, preparada para sacar a lamina na menor amea?a. Felizmente, tal situa??o n?o chegou. Ana p?de ver a clara baixa de defesas de sua m?e ap¨®s ter interagido com a maldita planta azul. ¡°Preciso esclarecer algumas coisas com ela mais tarde, tamb¨¦m n?o entendo o motivo de n?o ter mana¡±, ela n?o havia encontrado casos semelhantes ao dela na internet, ent?o tentou entender a desconfian?a de Margareth como algo natural em um mundo cheio de perigos a cada curva. ¡°Ainda assim, uma conversa n?o resolveria isso? As pessoas s?o t?o complicadas¡­¡± , seus pensamentos pararam ao chegar ¨¤ uma das principais guildas da cidade. Barueri era um cidade comum, assim como muitas outras cidades vizinhas. Ap¨®s a Terra e Aur¨®rea se fundirem, uma curta regi?o pr¨®xima ao centro continuou a existir de forma concreta, ainda mantendo pr¨¦dios e pequenas constru??es quase intactas, sendo esta a regi?o protegida pelos muros constru¨ªdos recentemente. As demais partes da cidade se afastaram com a expans?o de terreno, tornando-se ru¨ªnas abandonadas, o novo lar de criaturas misteriosas. Desta forma, apenas 3 guildas tinham suas bases estabelecidas ali. N?o eram guildas grandes, pelo contr¨¢rio, seus maiores talentos n?o passavam de ranks C, mas j¨¢ eram mais do que o suficiente para a maioria dos monstros das redondezas. O pr¨¦dio ¨¤ sua frente era grande e majestoso, sendo um dos edif¨ªcios vindos diretamente de Aur¨®rea. Seus entalhes lembravam antigas catedrais, mas sua estranha decora??o era r¨²stica, tirando um pouco da elegancia natural da constru??o e colocando no lugar uma anima??o moderna que, estranhamente, combinava muito com a atmosfera da regi?o. Um grande bras?o adornava a entrada. Sobre um fundo azul claro, um grifo majestoso estava em pleno voo, com as asas douradas abertas e as garras estendidas, pronto para agarrar sua presa. Acima do grifo, uma coroa de louros dourada reflete a honra e o respeito conquistados pela guilda. Uma grande placa anunciava o nome da guilda ao mundo: Guilda dos Grifos ¡°Mas que nome criativo¡±, riu ironicamente Ana ao analisar o detalhado bras?o. Ela observou o movimento constante de ca?adores entrando e saindo, suas express?es variando de exaust?o a triunfo. Respirando fundo, ela cruzou o limiar, determinada a se inscrever e come?ar sua jornada para se tornar mais do que um mero espectador deste mundo renovado. O hall de entrada do pr¨¦dio estava mais calmo do que o esperado. Alguns pequenos grupos murmuravam pelos cantos, funcion¨¢rios ocasionais davam passos r¨¢pidos pelos corredores e ca?adores solit¨¢rios descansavam apoiados nas paredes. No centro, um balc?o sem gra?a era monitorado por um recepcionista sem gra?a, um homem alto e magro com aspecto cansado que praticamente dormia apoiado em seus bra?os. ¡ª Boa tarde! ¡ª Boa tarde. Como posso te ajudar? ¡ª dizendo as palavras lentamente e com clara m¨¢ vontade, o balconista olhou para Ana. De relance a garota notou um crach¨¢ em seu peito, ironicamente em um tom animado que dizia ¡°Bem vindo, aventureiro! Pode me chamar de Jorge!¡° ¡ª Eu gostaria de me inscrever na guilda. ¡ª Preencha os pap¨¦is e espere na fila ¡ª disse Jorge, entregando alguns formul¨¢rios. O esp¨ªrito de Ana afundou um pouco. ¡°Onde est¨¢ a magia e a emo??o que uma guilda de fantasia deveria ter? Me sinto renovando a CNH!¡±, apesar dos pensamentos aleat¨®rios, os pap¨¦is foram rapidamente preenchidos e ela foi para o local onde aparentemente deveria estar a fila, apesar de apenas ela estar l¨¢. ¡ª ¨®timo. O processo ¨¦ simples. Seus dados v?o ser avaliados internamente, n?o somos muito exigentes. Agora s¨® precisamos apenas saber seu rank. Pe?o que coloque suas m?os sobre a esfera. ¡ª apontando para uma pequena esfera branca ligada a um computador, Jorge se levantou de sua mesa. Ana aproximou-se da esfera com um misto de curiosidade e apreens?o. A tecnologia e a magia fundidas de tal forma eram novas para ela. A esfera, lisa e fria ao toque, come?ou a emitir um brilho suave quando Ana colocou suas m?os. Jorge observava o monitor atentamente, esperando que os dados aparecessem, mas sua express?o logo se tornou confusa. Ele franziu a testa, verificou as conex?es do dispositivo e pediu a Ana que tentasse novamente. Ap¨®s uma segunda tentativa, o mesmo resultado: a esfera permanecia inalterada, sem reconhecer presen?a significativa de mana em Ana. ¡ª Reprovada ¡ª murmurou Jorge, batendo um grande carimbo vermelho no formul¨¢rio de Ana. Notando a confus?o da garota, ele continuou. ¡ª ¨¦ um detector b¨¢sico, podemos apenas ver de forma bem superficial se a quantidade de mana presente em seu corpo atinge os requisitos. Parece que voc¨º tem menos mana do que um ca?ador rank F, que ¨¦ o menor n¨ªvel detectado pelo dispositivo. O sistema a classifica como um civil sem capacidades de mana registr¨¢veis. Ana j¨¢ esperava algo assim, mas n?o p?de deixar de morder os l¨¢bios com certa raiva. Ela sabia que era forte, que havia treinado e lutado por s¨¦culos, mas esse mundo novo parecia regido por regras em que seu esfor?o era in¨²til. ¡ª Lamento, mas sem a quantidade m¨ªnima de mana, n?o podemos aceit¨¢-la como membro ativo da guilda. As regras s?o claras quanto a isso, para a seguran?a de todos os envolvidos. ¡ª Existe algum outro tipo de teste? O aceno negativo de Jorge foi resposta suficiente. Um longo suspiro saiu de seus l¨¢bios enquanto encarava novamente as ruas do centro. Ela nem mesmo se dirigiu ¨¤s outras duas pequenas guildas, sabendo que chegaria na mesma situa??o. Uma guilda era necess¨¢ria para buscar e aceitar miss?es legalizadas, sejam essas emitidas pelo governo ou por outros cidad?os, estar fora desse sistema significava navegar por um caminho solit¨¢rio, criminoso e potencialmente perigoso. ¡°Se eu n?o posso me unir a eles do jeito tradicional, talvez exista outro caminho", pensou ela. ¡°N?o ¨¦ sempre assim nos filmes? Sempre existe uma rede de indiv¨ªduos talentosos no submundo. S¨® preciso encontrar.¡± Ela procuraria por aqueles que, como ela, operavam nas sombras do sistema estabelecido, aqueles que talvez n?o se encaixassem perfeitamente nos moldes das guildas tradicionais. Mercen¨¢rios, aventureiros independentes, ou at¨¦ mesmo acad¨ºmicos ocultos que pudessem ter interesse em suas habilidades para obter itens ilegais. Conhecimento era caro, e Ana n?o ligava para como iria pagar.
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Capítulo 13 - Madame
O nevoeiro da noite envolveu os becos estreitos e as ruas escuras, obscurecendo as linhas j¨¢ sombrias da cidade. No cora??o desse emaranhado urbano, oculto entre fachadas desbotadas e luzes fracas, encontrava-se um ref¨²gio para aqueles que operavam nas sombras da sociedade. Uma placa de metal oxidado, gravada com letras douradas elegantes e curvas e adornada com arabescos, balan?ava pregui?osamente sobre a porta de madeira maci?a, anunciando o nome do estabelecimento. Este era o "Madame Eclipse", um bar que se erguia como um farol para os desesperados, os aventureiros e os sem lei. Ao entrar, Ana foi recebida por uma penumbra confort¨¢vel, onde os sons abafados de conversas sussurradas e risadas discretas flutuavam pelo ar carregado de fuma?a. Lustres antigos emitiam uma luz suave, iluminando os contornos das mesas de madeira escura, onde sombras se reuniam em murm¨²rios conspirat¨®rios. O aroma de tabaco e ¨¢lcool misturava-se no ar, criando uma atmosfera densa e intoxicante. No balc?o, uma mulher de presen?a imponente na casa dos 30 anos comandava a cena. Seus olhos, t?o profundos quanto os segredos que guardava, varriam a sala com um ar de autoridade sutil. Seus cabelos escuros ca¨ªam em ondas suaves pelos ombros, enquadrando um rosto marcado pela experi¨ºncia e pela sabedoria adquirida nas vielas sombrias da cidade. Ela n?o p?de deixar de sorrir ironicamente consigo mesma quando finalmente percebeu que encontrar o Madame Eclipse n?o fora t?o dif¨ªcil quanto imaginara. "Basta saber onde procurar? Ha, nem mesmo isso parece ser necess¨¢rio¡­", pensou, enquanto se preparava para embarcar em uma nova jornada entre os corredores sombrios que agora se estendiam diante dela. Enquanto buscava uma mesa vazia, encontrou uma figura familiar no canto mais escuro do estabelecimento. ¡ª Maria, que surpresa te encontrar por aqui. ¡ª Ana, querida, que¡­ interessante, O que te traz ao Madame? ¡ª respondeu a garota, um olhar de surpresa reluzia em seu rosto e um sorriso sutil brincava em seus l¨¢bios. ¡ª Preciso de trabalhos. Trabalhos que paguem bem e n?o perguntem muito. A surpresa nos olhos de Maria foi rapidamente substitu¨ªda por uma express?o de curiosidade cautelosa. ¡ª Trabalhos ilegais, ent?o? ¡ª Maria perguntou, sua voz mantendo um tom neutro. Ana deu de ombros, se acomodando na cadeira em frente a Maria, seus olhos brilhando com uma determina??o fria. ¡ª Muito bem, ent?o acho que chegou ao lugar certo. Antes que pudesse dar mais explica??es, uma mulher sentou-se abruptamente entre as duas garotas. Sua presen?a era imponente, com uma pele de tom escuro que contrastava com a penumbra do bar. Seus olhos estavam escondidos atr¨¢s de um ¨®culos redondo, mas isso n?o impedia que as pessoas notassem seu olhar penetrante. Seu cabelo tran?ado estava preso em um arranjo elegante e suas roupas pareciam combinar um estilo antigo com um design moderno, se encaixando muito bem com o ambiente medieval do bar. ¡°¨¦ simplesmente incr¨ªvel¡±, pensou Ana, passando seus olhos lentamente pela desconhecida, seus olhos brilhavam de forma gananciosa pelo conhecimento escondido em cada cent¨ªmetro do corpo exposto a sua frente. Ao inv¨¦s de fr¨¢gil pele humana, seus bra?os e pernas eram inteiramente artificiais, m¨¢quinas detalhadas e complexas que se moviam de forma perfeitamente igual a membros reais. Parte de seu pesco?o tamb¨¦m reluzia em metal, mas n?o era poss¨ªvel identificar at¨¦ onde se estendia. ¡ª Estou aqui, Maria. E voc¨º, quem ¨¦? ¡ª perguntou a desconhecida com um sorriso, notando o olhar curioso ¨C e levemente perturbador ¨C que Ana lan?ava para ela. Antes que Ana pudesse acordar completamente de seus devaneios, Maria rapidamente respondeu. ¡ª Essa ¨¦ a Ana, uma¡­ ¡ª com uma pausa pensativa, seguiu a frase. ¡ª amiga. Coincidentemente ela estava passando por aqui. Ana, essa ¨¦ uma das minhas clientes, Nat¡­ ¡ª Me chame apenas de colecionadora. ¡ª disse a mulher, cortando as palavras de Maria. Seu olhar avaliava Ana como se fosse uma obra exposta em um museu. ¡°Ent?o ¨¦ ela¡±, pensou para si mesma, notando a faca negra levemente pendurada na cintura da estranha garota.Taken from Royal Road, this narrative should be reported if found on Amazon. ¡ª ¨¦ um prazer, mas colecionadora? De qu¨º? ¡ª Um pouco de tudo, mas em especial tenho um fasc¨ªnio por itens inexplic¨¢veis ¡ª enquanto dava a vaga explica??o, ela acendeu um cigarro. ¡ª Bom, passei apenas para dar um oi, j¨¢ vi o que precisava ver. Voc¨º receber¨¢ seu pagamento em breve, Maria. T?o rapidamente quanto chegou, a mulher desconhecida se foi, deixando as duas outras garotas atordoadas. ¡ª Ela se chama Natalya. N?o recomendo que fique muito pr¨®xima dela. ¡ª murmurou Maria, sem resqu¨ªcios de culpa por ter vendido as informa??es de Ana. ¡ª ¨¦ fascinante. Acha que ela deixaria eu estud¨¢-la? ¡ª Voc¨º n?o me ouviu? N?o se aproxime! ¡ª Isso decidirei no futuro. Mas e ent?o, o que estava dizendo sobre ¡°ser o lugar certo¡±? ¡ª Ah, me esqueci disso. Esse lugar funciona praticamente como uma ¡°guilda de mercen¨¢rios¡±, aceitam servi?os de todos os tipos, desde que paguem o pre?o certo. A verdade ¨¦ que apesar de muitos trabalhos sombrios aparecerem, tamb¨¦m ainda a muitos pedidos comuns, mas por n?o serem autorizados pelo governo s?o considerados ilegais. ¡ª Parecem muito expostos para trabalhadores ilegais. ¡ª O novo mundo n?o tem um governo real. ¨¦ mais f¨¢cil ignorar os que t¨ºm poder do que tentar impedi-los. ¡ª Entendo. ¡ª Diferente dos ca?adores comuns, muitos mercen¨¢rios t¨ºm uma forte tend¨ºncia a usar armas de fogo reformuladas com engenharia m¨¢gica ao inv¨¦s de espadas, ¨¦ uma alternativa para voc¨º, j¨¢ que se interessou tanto pela megera rob¨®tica. ¡ª E voc¨º? ¨¦ uma mercen¨¢ria? ¡ª Com certeza n?o ¡ª respondendo com um sorriso, Maria deu um gole na bebida que estava em sua mesa ¡ª Eu j¨¢ te disse, conhecimento ¨¦ caro, e eu lucro em cima disso. ¨¦ aquele papo, olhos e ouvidos em todos os lugares, por isso costumo vir aqui. Enquanto conversavam, um dos guardas do local se aproximou da mesa. Seu corpo cobria a luz, causando uma sensa??o intimidante para quem o visse. ¡ª A Madame est¨¢ te chamando. ¡ª Me chamando? N?o sei se tenho assuntos a tratar com algu¨¦m que eu n?o conhe?o ¡ª respondeu Ana, confusa com o convite repentino. ¡ª N?o foi dada uma escolha. Ela olhou ao redor. Guardas estavam em frente a todas as portas de forma sutil, suas m?os na empunhadura de suas armas, preparados para us¨¢-las em um instante. Ao fundo de um dos corredores, uma mulher a encarava de forma amea?adora. Ela se apoiava em uma espada ainda embainhada e seus olhos brilhavam sutilmente. ¡°Uma leitora¡­ n?o era para serem raras?¡±, para sua surpresa, a mulher parecia a avaliar da mesma forma que sua m?e, demonstrando clara desconfian?a em rela??o ao desconhecido. N?o pareciam existir alternativas al¨¦m de lutar para fugir ou aceitar encontr¨¢-la. ¡ª Bom, vamos acabar logo com isso. Acenando positivamente para a resposta da garota, o robusto guarda a acompanhou at¨¦ uma porta de carvalho escuro. Seus entalhes cuidadosos mostravam uma elegancia n?o vista nas demais portas do estabelecimento. ¡ª Entre e sente-se ¡ª uma voz firme veio de dentro da sala. Madame, a dona da taverna, encontrava-se sentada em uma poltrona pr¨®xima a escrivaninha. Pilhas de pap¨¦is e itens diversos estavam espalhados pelo quarto, em um tipo de caos organizado. Madame desembainhou a espada lentamente, a colocando deitada em suas coxas. Era uma elegante pe?a de um metal avermelhado, fina como uma katana, mas com um estilo mais pr¨®ximo da europa medieval ¡ª Vou ser direta, mas que porra voc¨º ¨¦? N?o lembro de permitir monstros em meu estabelecimento. ¡ª N?o sou um monstro, simplesmente n?o tenho mana ¡ª culpando seu pr¨®prio azar por escolher logo o lugar onde uma leitora morava, Ana decidiu contar a verdade, sem rodeios. Afinal, n?o era como se houvesse muitas explica??es al¨¦m dos fatos. ¡ª A vida n?o existe onde n?o h¨¢ mana. ¡ª Foi o que ouvi falar, mas n?o ¨¦ como se eu tivesse outra explica??o para te dar. A imponente mulher a encarou por v¨¢rios minutos, sem dizer uma palavra. Arrepios passavam por seu corpo sempre que ela tentava ler o fluxo do corpo da estranha garota a sua frente. Quando finalmente organizou seus pensamentos, palavras r¨ªspidas sa¨ªram de sua boca. ¡ª O qu¨º veio fazer aqui? Sua resposta vai definir como eu vou lidar com voc¨º. ¡ª Preciso de dinheiro. ¡ª Dinheiro? ¡ª Sem mana, fui recusada nas guildas. ¡ª As guildas n?o s?o o ¨²nico lugar para se trabalhar, por que n?o fazer p?es ou qualquer outra merda do tipo? Ana respondeu com um sorriso. Ela havia refletido muito sobre seguir por outros caminhos, sabendo que conseguiria independente do que escolhesse. No entanto, seus m¨²sculos tremiam de excita??o sempre que lembrava da sua ¨²ltima batalha, e mesmo com feridas ainda n?o curadas, ansiavam por mais. ¡ª Parece que n?o ¨¦ apenas pelo dinheiro ¡ª vendo o sorriso radiante da garota, Madame n?o discutiu mais. Muitos como ela frequentavam aquele lugar, pessoas que caiam no ¨ºxtase das batalhas ou sucumbiam ao prazer sombrio da brutalidade, desejando cada vez mais sangue. Finalmente, ela se recostou na poltrona, um sorriso sutil brincando em seus l¨¢bios. ¡ª Bem, se ¨¦ dinheiro que voc¨º busca, precisa provar que tem valor. N?o h¨¢ espa?o para mercen¨¢rios que morrem no primeiro servi?o, temos uma reputa??o a manter. ¡ª Estou interessada. Quando come?amos? Madame Eclipse sorriu, satisfeita com a resposta r¨¢pida e decidida.
Na arena, o sil¨ºncio tenso pairava no ar, interrompido apenas pelo som das respira??es pesadas dos combatentes e pelo murm¨²rio distante da multid?o expectante. Os dois lutadores, rostos mascarados pela determina??o, encaravam-se com olhos penetrantes, cada um pronto para dar in¨ªcio ¨¤ batalha. Com um rugido primal, o combate come?ou. O lutador ¨¤ esquerda avan?ou com um golpe de punho direto, sua for?a bruta imponente ao ser desferida contra seu oponente. Mas o outro combatente, ¨¢gil como uma serpente, esquivou-se com destreza, retaliando com uma s¨¦rie r¨¢pida de chutes e socos, cada golpe atingindo seu alvo com precis?o letal. Ouviam-se os estalos dos ossos se chocando e os gemidos de dor ecoando pelo ringue enquanto os dois guerreiros se enroscavam em uma luta brutal. Sangue espirrava pelo ar, pintando o ch?o da arena com manchas escarlates, testemunho da viol¨ºncia desenfreada do embate. Os espectadores estavam presos em um estado de fasc¨ªnio s¨¢dico, sedentos por mais da carnificina que se desenrolava diante de seus olhos. E assim, a luta prosseguia, os dois lutadores envoltos em uma dan?a ca¨®tica de destrui??o e dor, uma batalha pela supremacia na arena onde apenas os mais fortes e os mais cru¨¦is podiam emergir como vencedores. ¡°Eu devia ter escolhido um pseud?nimo melhor¡±, pensou Ana, envergonhada, enquanto encarava a tela no centro da arena. Pr¨®ximo Combate: A Eterna x O Carn¨ªfice
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Capítulo 14 - Arena
O ar da arena estava saturado de expectativa, o rugido ensurdecedor dos espectadores ecoando pelas paredes de pedra enquanto luzes cintilantes dan?avam no teto abobadado. Sob os p¨¦s de Ana, a terra batida parecia pulsar com vida, cada gr?o ¨¢spero e irregular prometendo uma batalha feroz. Ana respirou fundo, o mundo ao redor pareceu desacelerar por um momento. ¡ª Essa luta n?o faz sentido ¡ª murmurou ela, seus olhos se fixando no oponente do outro lado do ringue. O Carn¨ªfice posava de forma imponente. Seu corpo era alto e musculoso, seus cabelos negros cresciam de forma desordenada, dando um forte ar de descuido ao homem. A express?o em seu rosto atraia olhares de repulsa, mas ao mesmo tempo emanava confian?a e for?a. Seus olhos tinham uma intensidade quase predat¨®ria, era evidente que era um mestre de seu estilo de luta. Apesar disso, Ana o via como uma crian?a orgulhosa. ¡ª N?o gosto de como me olha ¡ª uma voz rouca chegou na garota pensativa, ¡ª Vou aproveitar cada segundo enquanto bato nessa carinha fofa. Ana n?o respondeu, dando apenas um sorriso ir?nico. ¡°Isso n?o ¨¦ aquele t¨ªpico di¨¢logo comum de valent?es? Que falta de criatividade!¡± Segundo Madame, essa era a arena da sele??o de mercen¨¢rios. Todos os dias algumas poucas lutas aconteciam durante a madrugada, com participantes que pareciam ter potencial para o crescimento da companhia, seja por sua for?a, habilidades ou ideais. Claro, os combates eram separados por categoria, magos n?o lutavam contra guerreiros, afinal, n?o costumavam pegar o mesmo tipo de trabalho. Apenas um mercen¨¢rio novo nasceria em cada combate, e n?o eram permitidas desist¨ºncias. Um combate at¨¦ a morte n?o era obrigat¨®rio, mas a luta deveria seguir at¨¦ que um dos lados sucumbisse por completo. ¡°No fim, ter poder ¨¦ o que importa, n?o essa maldita mana¡±, era uma forma de sele??o bruta, mas efetiva, e Ana gostou disso. ¡ª Sua puta, n?o zombe de mim! ¡ª gritou o homem ao ver a esguia garota come?ar a se alongar, sem esbo?ar rea??o para suas palavras anteriores. Este era um embate desarmado. Os corpos dos lutadores eram cobertos apenas por roupas leves e faixas em ambas as m?os. Ana lentamente esticou seu corpo, ignorando os gritos raivosos ao fundo. Ela n?o estava empolgada com a luta, a confian?a em suas pr¨®prias habilidades a fez considerar o teste como ganho. ¡ª Aberturas em cada movimento, m¨²sculos desproporcionais, centro de gravidade desequilibrado ¡ª listou em uma voz neutra, analisando seu oponente. Ela n?o p?de deixar de torcer a boca para o que viu. ¡ª Se preciso lutar, gostaria de que pelo menos me mandassem algu¨¦m que sabe o que est¨¢ fazendo. O rosto do homem ficou de um vermelho brilhante. Apesar de sua personalidade ruim, ele era um lutador experimentado, e sabia que a an¨¢lise de Ana n?o era infundada. Sugando um punhado de ar, ele se preparou para responder a garota, quando foi interrompido por um leve ru¨ªdo. Madame, que estava apoiada na grade superior da arena, lan?ou uma pesada moeda de ouro para o alto. Estranhamente, o lan?amento ressoou no ouvido de todos, fazendo as conversas da multid?o pararem por um instante, os olhos acompanhando o objeto brilhante no ar. A luta aparentemente desproporcional entre uma garota e um gigante estava prestes a come?ar. Um giro. Dois giros. Tr¨ºs giros. Ting. Ana soltou seu corpo para frente no instante em que a moeda tocou o solo. Para a multid?o, parecia que ela estava caindo, mas cada m¨²sculo de seu corpo come?ou lentamente a se contrair. Quase ao tocar o ch?o, sua perna direita girou de forma n?o natural, levantando seu corpo novamente e preparando-o para mais um giro, um movimento que lembrava muito o ballet. ¡ª Ela est¨¢¡­ dan?ando? ¡ª perguntou o homem para si mesmo, encarando a cena confusa. No entanto, no terceiro giro do corpo de Ana, um arrepio atravessou todo seu corpo. ¡°Eu vou morrer!¡±, seus instintos fizeram com que se inclinasse para tr¨¢s ao mesmo tempo que o pensamento passou pela sua mente. Em frente a sua vis?o, um pequeno p¨¦ descal?o atingiu de seu nariz, quebrando-o de imediato. Se tivesse demorado um pouco mais para desviar, o quarto giro da estranha dan?a teria acertado sua t¨ºmpora com precis?o. ¡ª MERDA, MERDA, MERDA! ¡ª o sangue se espalhou por suas roupas claras, deixando ainda mais evidente que o golpe o acertou. O Carn¨ªfice estava suando intensamente, seus olhos trocavam da garota sorridente a sua frente para o port?o de sa¨ªda a cada segundo. Ele nunca havia sentido a morte t?o de perto quanto nesse curto e belo ataque. ¡ª Olha, parece que voc¨º ¨¦ melhor do que pensei. N?o imaginei que fosse conseguir desviar. N?o dando tempo para que o homem se recuperasse, Ana novamente avan?ou, dessa vez em uma corrida direta. ¡°Eu n?o vou conseguir fugir¡±, percebendo rapidamente a situa??o, o homem cruzou os bra?os em frente ao peito. Ele n?o entendia como a garota ¨¤ sua frente era t?o r¨¢pida, mas orgulhosamente tinha a mana de um ca?ador rank D, ent?o sentia-se confiante em resistir aos ataques agora que estava preparado.A case of theft: this story is not rightfully on Amazon; if you spot it, report the violation. A mana come?ou a fluir pelo seu corpo. A pele de seus bra?os enrugou-se sutilmente conforme seus m¨²sculos ficaram t?o r¨ªgidos quanto o a?o. Mantendo sua defesa firme ao inv¨¦s de contra atacar, o grande homem esperou, encolhido. ¡°Ele me lembra uma tartaruga¡±, riu Ana mentalmente. Enquanto a batalha se desenrolava, ela rapidamente percebeu que tinha uma vantagem ineg¨¢vel em habilidade, mas n?o havia considerado a mana em seus c¨¢lculos iniciais. ¡°Com base no que vi na internet, pensei que a mana afetava apenas o corpo, mas pela rea??o r¨¢pida dele tamb¨¦m deve alterar as capacidades cognitivas e mentais. N?o foi um ataque que um humano normal conseguiria desviar¡±. Paralelo a seus pensamentos, seu corpo se movia como um rio cortando uma montanha, fluindo de forma natural ao redor do homem em postura defensiva. Os punhos de Ana o pegaram desprevenido, a garota mudou o curso dos ataques em pleno ar, atingindo suas costelas direitas. ¡°Oho, tem uma resist¨ºncia decente, muito melhor do que o esperado¡±. Para ela isso j¨¢ havia deixado de ser uma luta, tornando-se um cen¨¢rio de experimenta??o. Com cada golpe que ela desferiu, o som de ossos quebrando e carne rasgando preencheu o ar, uma sinfonia grotesca de dor e agonia. ¡°Imagino que a dureza do corpo seja compat¨ªvel com a quantidade e o controle da mana do usu¨¢rio¡­ precisarei estudar melhor a extens?o dos efeitos da mana em humanos, ¨¦ uma pena que eu n?o saiba o rank desse cara¡­¡± Cen¨¢rios e hip¨®teses preenchiam sua mente enquanto mantinha o ritmo de seus golpes. Em certo momento, vendo sua defesa tornando-se cada vez mais irrelevante, o Carn¨ªfice mudou para uma tentativa desesperada de ataque, dando socos como uma tempestade. Ana o ignorou, recebendo os pesados golpes de frente. Sua pele ficou roxa a cada punho que a acertava, mas foi como o esperado, seja l¨¢ qual fosse o n¨ªvel desse mercen¨¢rio, n?o era o suficiente para um ataque mortal ¨C ao menos n?o sem armas adequadas. A multid?o, que antes estava t?o animada e barulhenta, ficou silenciosa ao testemunhar a brutalidade da luta. Eles assistiam, hipnotizados e horrorizados, enquanto Ana se entregava ao frenesi da batalha. E ent?o veio o momento culminante, o cl¨ªmax da luta que a consumiu com uma paix?o selvagem. Presa em seus pr¨®prios pensamentos internos, Ana lan?ou-se instintivamente sobre seu oponente com uma ferocidade indom¨¢vel, seus golpes chovendo implacavelmente. Cada soco era uma express?o de sua superioridade, uma prova de sua supremacia sobre aqueles que ousavam desafi¨¢-la. Estalos eram ouvidos, mas isso n?o parecia estar acontecendo no mesmo mundo em que ela habitava. Seu sorriso se aprofundava cada vez mais enquanto sua consci¨ºncia se dispersava. At¨¦ mesmo seus c¨¢lculos sumiram em certo momento, deixando espa?o apenas a viol¨ºncia existir em seu corpo. ¡ª M-me¡­ des-de¡­ descul-pe¡­ p-por fav-vor¡­ pare¡­ Uma voz dita com dificuldade a tirou de seu estupor. Ela olhou para seu oponente ca¨ªdo aos seus p¨¦s, mal conseguindo formar palavras. Em algum momento, ela o havia derrotado, despeda?ado e desfigurado. Ana moveu dois dedos para seus l¨¢bios curvados, surpresa com o sorriso selvagem que n?o queria deixar seu rosto. A multid?o permaneceu em um sil¨ºncio mortal, at?nita diante da carnificina que acabara de testemunhar. Quando a batalha finalmente chegou ao fim, Ana estava banhada em sangue, seu corpo pulsando com o ¨ºxtase da vit¨®ria. ¡ª Maldito monstro¡­ ¡ª sussurrou Madame, sem que ningu¨¦m percebesse. Em seguida, anunciou com uma voz dominante. ¡ª A Eterna venceu a disputa. Hoje, nasce uma nova rainha mercen¨¢ria entre n¨®s! Um novo choque atingiu a multid?o com as palavras discursadas, n?o era todo dia que reis e rainhas surgiam. Gritos de empolga??o substitu¨ªram o sil¨ºncio perturbador que preenchia a arena. Era algo irracional, mas todos sentiam que a mulher ensanguentada que se erguia triunfante sobre o campo de batalha estava destinada a reinar como uma verdadeira guerreira, uma rainha entre os destro?os de inimigos derrotados. ¡ª Rainha mercen¨¢ria? ¡ª as palavras se desenrolaram baixinho na l¨ªngua de uma Ana confusa. Ela n?o tinha ideia do que tal posi??o representava, mas o an¨²ncio ati?ou seu forte desejo de estar no topo.
Envolta no sil¨ºncio que seguia a tempestade de aplausos, Ana contemplava o emblema negro com detalhes de bronze em suas m?os. A coroa estilizada, um s¨ªmbolo de poder e reconhecimento, pesava mais do que seu tamanho sugeria. ¡°Hm, preferia algumas moedas¡±, ela brincou mentalmente, guardando a pe?a em seu bolso. Um vislumbre de curiosidade brilhou em seus olhos. Madame, com sua aura sempre enigm¨¢tica, quebrou o sil¨ºncio. ¡ª Eu fiquei surpresa, voc¨º definitivamente ¨¦ forte, mas n?o deveria ser capaz de matar um ca?ador de rank D. ¡°Rank D? N?o ¨¦ o mesmo das criaturas?¡±, enquanto ponderava, a lembran?a da surpresa que teve ao ver seu oponente desviar de seu primeiro ataque veio a sua mente. ¡°Ah, faz sentido! ¨¦ muito mais dif¨ªcil lutar com algo que usa puramente os instintos. O corpo daquele cara definitivamente n?o era mais fraco que o meu, mas seus movimentos eram t?o previs¨ªveis¡­¡±, terminando seus devaneios, ela voltou a focar na conversa. ¡ª Esse parece ser seu limite. Sem mana, n?o h¨¢ espa?o para crescer ¡ª Madame caminhou at¨¦ uma janela, olhando para o horizonte que come?ava a se pintar com as primeiras luzes do amanhecer. ¡ª Apesar disso, ser uma rainha mercen¨¢ria n?o se resume ¨¤ for?a. ¨¦ sobre talento, e isso voc¨º parece ter de sobra. Hoje te dou a oportunidade de moldar o futuro de nossa companhia. ¡ª ¨¦ interessante e tudo mais¡­ mas o que h¨¢ para mim, financeiramente falando? ¡ª Oh, dinheiro, sem d¨²vida. Isso sempre ser¨¢ nossa prioridade ¡ª um sorriso preencheu os l¨¢bios de Madame enquanto fazia um gesto exagerado para instigar a garota a olhar para as pilhas de ouro ao seu redor. ¡ª E claro, liberdade. Mas h¨¢ mais. Voc¨º enfrentar¨¢ desaf¡­ ¡ª Voc¨º est¨¢ em um teatro? ¡ª Ana interrompeu o animado discurso. ¡ª Mas que droga! Detalhes, Madame. O que exatamente eu ganho e quais s?o meus deveres? Madame encarou Ana, at?nita com a rea??o repentina. Sua express?o escureceu, perdendo sua empolga??o inicial. ¡ª Um sal¨¢rio generoso, o valor integral de suas miss?es, sem comiss?es da taverna, e direito a uma equipe. Afinal, voc¨º ¨¦ uma rainha. ¡ª disse em tom de brincadeira ¡ª Claro, voc¨º ter¨¢ que cumprir uma miss?o de classe especial a cada, no m¨¢ximo, 15 dias. Se preferir, existe a possibilidade de fazer v¨¢rias miss?es seguidas, podendo assim ficar um maior tempo sem trabalhos obrigat¨®rios. As miss?es n?o s?o f¨¢ceis, mas pagam bem e se adequam a seu n¨ªvel de coroa. ¡ª N¨ªvel de coroa? ¡ª S?o marcos de progresso. Bronze Fundador, Prata Patrono, Ouro Aficionado, Platina Protetor, Diamante Vision¨¢rio e Iridium Supremo. As seis coroas reconhecidas por mercen¨¢rios de todo o mundo. ¡ª Por que complicar com coroas? N?o seria mais f¨¢cil usar os ranks de ca?adores? ¡ª Voc¨º ¨¦ uma pessoa triste, n?o ¨¦ mesmo? ¡ª a frustra??o de Madame era palp¨¢vel. ¡ª Mercen¨¢rios pegam trabalhos que uma pessoa em s? consci¨ºncia evitaria. Cada vez que sa¨ªmos por aqueles port?es temos a chance de n?o voltar. ¡ª N?o sei se entendi seu ponto¡­ ¡ª ¡°Rank A¡±, ¡°Rank F¡±,¡°Rank C¡±. Pelo amor de Deus! Estamos em um mundo m¨¢gico! Todas as hist¨®rias que vimos em filmes e quadrinhos quando crian?as agora podem ser experimentadas na pele. Me diga, Ana, por que n?o aspirar mais do que o ordin¨¢rio em um mundo com tantas possibilidades? Ana ouviu, sua mente oscilando entre a impaci¨ºncia usual e uma reflex?o inesperada. As palavras infantis ecoavam, provocando um turbilh?o de pensamentos. Ela se recordou vagamente dos dias anteriores ao apocalipse, uma exist¨ºncia marcada pela monotonia de uma rotina exaustiva, onde sonhar parecia um luxo inalcan?¨¢vel. A vida era uma sequ¨ºncia de dias sem cor, cada um t?o previs¨ªvel quanto o anterior. Agora, em uma realidade reescrita, Ana percebeu a ironia da situa??o. Madame estava certa; havia algo profundamente cativante em poder sonhar novamente, em um mundo repleto de perigos e maravilhas. As palavras inicialmente irritantes em sua teatralidade, passaram a vibrar com uma verdade ineg¨¢vel. A mudan?a n?o foi repentina, mas as sementes de um novo come?o foram plantadas. Ana percebeu que, apesar de tudo, o mundo oferecia a ela uma tela em branco. Apertando os dentes e se for?ando a ao menos tentar viver como lhe havia sido sugerido, Ana respondeu. ¡ª Ent?o¡­ sou uma fundadora de bronze, certo? O sorriso de Madame voltou a aparecer ao notar que a estranha garota sentada a sua frente havia aceitado suas palavras. ¡ª Sim, ao menos por enquanto. Espero que mostre-nos o que mais voc¨º pode fazer. ¡ª Eu vou.
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Capítulo 15 - Mercenários?
¡ª Ent?o voc¨º n?o tem mana? ¡ª uma voz masculina jovem perguntou, pensativa. ¡ª Isso. ¡ª Mesmo assim venceu as criaturas? ¡ª os olhos cor de mel da segunda voz pareciam brilhar enquanto ela perguntava de maneira t¨ªmida. ¡ª Sim. ¡ª E se tornou uma rainha mercen¨¢ria? Assim do nada? ¡ª perguntou outra voz, n?o t?o confiante nas palavras ditas por Ana. Apesar disso, sabia que o emblema bronze que segurava em suas m?os era uma prova irrefut¨¢vel. ¡ª Tamb¨¦m fiquei surpresa. ¡ª E quer que a gente tamb¨¦m vire mercen¨¢rios? ¡ª a quarta voz parecia sonhadora e questionou ela em tom infantil, contrastando com seu grande porte. ¡ª N?o ¨¦ bem assim, parece que posso ter ca?adores sob meu comando, desde que estejam bem com isso. Claro, n?o h¨¢ problemas se quiserem virar mercen¨¢rios. Cinco pessoas conversavam animadamente no topo das muralhas da cidade, o dourado sol da manh? tornava suas sombras longas e distorcidas sobre a grama orvalhada. ¡ª Ana, eu entendo o que voc¨º est¨¢ dizendo, mas¡­ Somos muito fracos ¡ª mordendo fortemente os l¨¢bios, J¨²lia olhou para seus companheiros ¡ª Na ¨²ltima vez tivemos sorte, mas seremos um atraso para voc¨º. Apenas Alex ¨¦ rank E, e mesmo assim apenas a base, no momento ele mal se diferencia de um rank F. ¡ª N?o se preocupem com isso, minha falta de mana ¨¦ uma limita??o clara, ent?o ter mais pessoas ¨¦ uma adi??o bem vinda, n?o quero morrer atoa. Al¨¦m disso, percebi que pagam razoavelmente menos por miss?es solo¡­ ¡ª respondeu Ana com um suspiro decepcionado. Os companheiros se encararam com as palavras da garota, um sorriso torto de desist¨ºncia aparecendo nos l¨¢bios de todos. Os quatro haviam perdido seu local dentro da guilda dos Cavaleiros Solares depois da ¨²ltima miss?o e foram recusados quase que imediatamente pelas outras duas guildas da cidade devido a seu hist¨®rico. Uma oferta que pagasse bem era algo extremamente tentador para o grupo de desempregados, mas o trabalho do submundo n?o era bem visto. ¡ª Bem, n?o vou obrig¨¢-los, mas acontecimentos recentes me fizeram refletir sobre como quero viver nesse novo mundo. N?o estava nos meus planos me tornar uma das rainhas, mas aconteceu, ent?o n?o tenho motivos para n?o aproveitar. Pretendo formar um grupo de elite, e voc¨ºs n?o demonstraram medo mesmo sabendo que provavelmente iriam morrer. H¨¢ muito espa?o de crescimento, quero voc¨ºs como meus cavaleiros. Ela levantou-se lentamente enquanto terminava suas palavras. Apoiando uma das m?os descontraidamente na beirada dos muros, ela olhou para as grandes nuvens no c¨¦u. Raios de sol batiam em seu rosto, transmitindo um sentimento imponente que fez os olhos dos jovens se perderem em sonhos de grandeza. No entanto, mal sabiam eles que a bela cena que presenciaram tratava-se de um improviso r¨¢pido para esconder o forte rubor nas bochechas de Ana. ¡°Eu pedi para se tornarem meus cavaleiros¡­ ¨¦ legal, mas t?o vergonhoso! N?o sei se vou aguentar isso. Me desculpe, Madame¡±. Apesar disso, ela p?de notar que o discurso teve o efeito esperado. Ana sentia as vibra??es que seus cora??es transmitiam. Esperan?a de viver uma aventura, ganancia pelo dinheiro e fome pelo poder. Eles sabiam que ser um grupo de elite neste novo mundo significava estar no topo da sociedade, e n?o podiam deixar de lado uma oportunidade que n?o voltaria a aparecer, mesmo estando relutantes. Virando-se para os lados para confirmar a escolha dos demais, Alex prostrou-se sobre um joelho, dizendo em nome de todos. ¡ª Se ¨¦ assim, n¨®s iremos te acompanhar. Ana permaneceu im¨®vel. dando apenas um aceno de reconhecimento a escolha de seu novo grupo. Seu rosto cada vez mais rubro enquanto encarava heroicamente o horizonte.
Uma ostensiva luz branca chegou a seus olhos, ofuscando a maior parte de sua vis?o. Apesar desse n¨ªvel de distra??o n?o ser o suficiente para impedi-la, era certamente um inc?modo. ¡°Preciso me acostumar a lutar contra magos.¡±, focando a aten??o em seus ouvidos, ela p?de ouvir o ar sendo cortado ferozmente em sua dire??o. Movendo o p¨¦ esquerdo para tr¨¢s num deslize quase impercept¨ªvel, ela desviou por uma pequena margem da lan?a que mirava em seu peito. Seu outro p¨¦ chutou a ponta da arma, fazendo voar para o lado. Com uma vara de madeira que pendia pregui?osamente em sua m?o, Ana acertou os p¨¦s de seu atacante. ¡ª Ai! mas que droga, voc¨º n?o precisa ser t?o violenta ¡ª Alex resmungava ao receber o golpe repentino. Apesar de parecer um golpe relaxado, deixou um forte ardor em suas panturrilhas.Stolen from Royal Road, this story should be reported if encountered on Amazon. ¡ª Mantenha seus p¨¦s alinhados e seus joelhos levemente dobrados. Eu j¨¢ repeti isso v¨¢rias vezes, seu centro de gravidade tem que ficar baixo para ter um corpo equilibrado durante um ataque de lan?a ¡ª com a vareta, dois outros golpes acertaram os bra?os do homem deprimido ¡ª Bra?os firmes. Seus ataques precisam ser t?o precisos quanto poderosos. ¡ª Mas que merd¡­ ¡ª Alex cambaleou com o impacto inesperado, no entanto, a surpresa brilhou em seus olhos. Ele absorveu a corre??o, realinhando sua postura conforme as instru??es de Ana, sentindo a diferen?a imediatamente em seu equil¨ªbrio e prontid?o. Durante a explica??o, ela notou duas flechas sendo disparadas em r¨¢pida sucess?o, visando suas pernas. Ela alinhou sua postura, preparada para repelir o ataque inesperado, quando um vento misterioso fez com que as flechas dan?assem no ar como serpentes. ¡°Isso ¨¦ realmente interessante!¡±, ela disparou o graveto em dire??o a Marina. Sem reflexos suficientes, a jovem maga foi acertada no meio da testa, apenas caindo para tr¨¢s sem emitir nenhum som. As flechas dan?antes, perdendo o poder que as guiava, deixaram de ser uma amea?a, acertando apenas a grama. J¨²lia n?o estava parada enquanto tudo isso acontecia, chegando de entre os arbustos em uma nova tentativa de ataque surpresa com seu grande martelo. Seus olhos avaliavam o espa?o entre ela e a garota ruiva, calculando o momento perfeito para avan?ar. Um martelo n?o ¨¦ uma arma que pode ser brandida rapidamente, e isso era algo que ela precisava aprender. Ela disparou em dire??o ao ataque, e com apenas uma m?o segurou o centro da arma enquanto J¨²lia preparava o movimento. A diferen?a de for?a era ¨®bvia, o martelo ficou est¨¢tico no ar. ¡ª Muito amea?ador, mas e agora, o que voc¨º faz? ¡ª ¨¦¡­eu¡­ me deito? ¡ª perguntou a garota, j¨¢ come?ando a afrouxar o aperto no martelo. ¡ª N?o, voc¨º morre ¡ª disse Ana com um suspiro. Com um r¨¢pido jogo de pernas, ela tirou o equil¨ªbrio de J¨²lia, fazendo-a cair bruscamente no gramado. O martelo que ainda estava no ar pousou a cent¨ªmetros da sua cabe?a, fazendo com que a garota assustada arregalasse os olhos. Ana sentou-se ao lado dela e encarou os demais membros ca¨ªdos. Apenas Felipe n?o participou do treinamento, seus ferimentos mal estavam cicatrizando, n?o parecia que ele conseguiria se movimentar adequadamente por um tempo. ¡ª O trabalho em equipe n?o est¨¢ ruim, mas voc¨ºs s?o muito lentos. N?o digo s¨® em velocidade, precisam aprender a prever o fluxo que a batalha est¨¢ tomando e agir de acordo. ¡ª Voc¨º ¨¦ injusta! Uma rainha est¨¢ criticando aventureiros rank F¡­ ¡ª J¨²lia resmungou, como sempre. ¡ª Voc¨º n?o acha vergonhoso usar essa desculpa depois de ter perdido de algu¨¦m que nem mesmo foi fortalecido pela mana? ¡ª um sorriso provocador surgiu nos l¨¢bios de Ana. Ela sabia que eram palavras injustas, eles estavam ¨®timos para um grupo que acabou de sair da adolesc¨ºncia. Comparar com ela, que treinou por s¨¦culos, era quase um bullying. Ainda assim, ela sentiu que ferir o orgulho agora era o melhor caminho para o crescimento. ¡ª Isso¡­ voc¨º est¨¢ certa¡­ Ana se levantou e pegou novamente a vareta de madeira Seu olhar passou em um de cada vez, rindo internamente do olhar triste de cada um deles. Indo para a frente do grupo, ela demonstrou um golpe conectado a um alvo imagin¨¢rio, movendo-se com uma precis?o cir¨²rgica. ¡ª Cada movimento deve contar uma hist¨®ria ¡ª ela explicou. ¡ª Uma de inten??o, foco e decis?o. N?o apenas golpear, mas comunicar sua vontade de vencer ao mundo. Cada conselho de Ana era pontuado pelo som da madeira cortando o ar, pelo sibilar suave da grama sob seus p¨¦s, e pelo ocasional riso ou suspiro de realiza??o quando um movimento era finalizado.. ¡ª Bom, ¨¦ s¨® uma quest?o de habilidade, com treino suficiente a tend¨ºncia ¨¦ voc¨ºs ficarem melhores que sua mestra. O tempo de descanso acabou, vamos mais uma vez. O vento suave que balan?ava as folhas ao redor parecia sussurrar palavras de encorajamento, enquanto a luz solar, filtrando-se por entre as ¨¢rvores, envolvia o grupo num abra?o quente, quase como se a pr¨®pria natureza estivesse ali para reafirmar a f¨¦ que Ana transmitia em suas palavras. ¡°Ela realmente acredita que podemos fazer isso¡±, percebeu J¨²lia. As reclama??es que prendia em seu cora??o lentamente se desvaneceram. O animo de todos foi restaurado com a curta performance de Ana. Eles sentiram o peso do universo em cada ataque, era palp¨¢vel que este era o come?o de algo novo, n?o apenas um treinamento, mas a forma??o de novas lendas, e eles faziam parte delas. ¡ª Alex, dessa vez eu irei te atacar. Firme os p¨¦s! Ela chutou a lan?a para ele. Os m¨²sculos do grande homem se tencionaram de imediato ao manter a postura explicada no embate anterior, preparando-se para a investida. ¡ª J¨²lia, voc¨º apenas observa, irei usar seu martelo por um instante. Tente absorver tudo o que ver, irei lutar com voc¨º em seguida. O martelo foi levantado facilmente pelas suas m?os esguias. J¨²lia p?de notar j¨¢ neste movimento a calmaria que contrastava com a grande arma. Uma compreens?o repentina come?ou a formar-se, deixando-a ansiosa pelo que veria. ¡ª Maria, voc¨º parece ter uma compreens?o muito boa da mana, sua velocidade de manipula??o est¨¢ acima do comumente visto, mas sua forma de aplicar a magia ¨¦ muito simples. Condense o ar para criar escudos s¨®lidos, altere a refra??o da luz para criar ilus?es, distra??es mais detalhadas ou, sei l¨¢, tornar-se invis¨ªvel! Voc¨º tem possibilidades infinitas em m?os, pode ajudar tanto em combate quanto na aplica??o de t¨¢ticas vers¨¢teis para a equipe. Seja criativa! Maria n?o demonstrava, mas estava triste por Ana n?o ser uma maga. Felizmente, ao contr¨¢rio do que pensou, suas palavras tamb¨¦m trouxeram ilumina??o para as formas com que poderia ajudar a equipe. Um radiante sorriso surgiu em meio a seus olhos t¨ªmidos. ¡ª E Felipe, me d¨º uns dias, em breve conversaremos sobre sua pr¨®tese. Ele ficou confuso com as palavras da garota. ¡°Ah, ent?o na verdade ela sabe quem fez a armadura de antes¡­¡±, agradecendo com um pequeno aceno, ele se preparou para observar a simula??o de luta, tentando entender os ensinamentos mesmo sem poder pratic¨¢-los. E ent?o, Ana lan?ou-se para frente. O treinamento de seus novos companheiros come?ou novamente.
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Capítulo 16 - Prepara??es
Jasmim estava inflando as bochechas com um claro olhar de reprova??o. Em suas m?os, um celular estava estendido em frente ao rosto de Ana. Um grotesco v¨ªdeo passava na tela, com uma pequena mulher batendo impiedosamente em um homem ca¨ªdo. Seu sorriso reluzindo em meio aos respingos de sangue era uma prova de seu prazer com o ato de brutalidade que cometia. ¡ª Posso ter exagerado um pouco ¡ª um sorriso de desculpas surgiu no rosto de Ana. ¡ª Exagerado um pouco? Estou surpresa que n?o acabou atr¨¢s das grades! ¡ª N?o ¨¦ pra tanto¡­ mas talvez tenha me deixado levar ¡ª apesar do que dizia, n?o p?de negar para si mesma que o fato de um v¨ªdeo seu estar circulando a deixava incomodada. Era dif¨ªcil se lembrar que a internet existia quando passava o dia todo vendo machados e escudos sendo vendidos pelas ruas. ¡ª Voc¨º tem sorte por n?o ter ido para o p¨²blico geral, mas ouvi que alguns ca?adores problem¨¢ticos ficaram interessados. Tem muita gente doida por a¨ª, chamar aten??o s¨® vai te tornar um alvo. Vendo Ana dar de ombros, um longo suspiro escapou dos l¨¢bios de Jasmim. Ela cansou de tentar colocar moral na cabe?a da irm?, o sorriso descontra¨ªdo da garota a estava deixando cada vez mais irritada. ¡ª Enfim, hoje alguns amigos v?o vir aqui para comemorar, eu ia te chamar, mas¡­ com esse v¨ªdeo, n?o acho que seja ideal voc¨º aparecer por enquanto ¡ª com olhos culpados, Jasmim prosseguiu ¡ª Me desculpe¡­ ¡ª N?o se preocupe ¡ª disse Ana rindo, feliz por n?o ter que socializar ¡ª Mas comemorar? O que de bom rolou? A jovem ca?adora estufou o peito ao ouvir a pergunta de Ana. Um sorriso orgulhoso surgiu e suas m?os se moveram para seus quadris, como se j¨¢ estivesse preparada para a pergunta. ¡ª Olhe isso! ¡ª disse Jasmim, levantando um crach¨¢ como se fosse um trof¨¦u. Al¨¦m das informa??es b¨¢sicas da garota, uma grande letra ¡°E¡± estava estampada no documento ¡°Cada vez mais entendo o que Madame queria dizer¡­ Imagino que os cart?es de ca?adores de rank A pare?am ainda mais uma CNH¡±, pensou ela, vendo sua irm? exibir o papel sem gra?a e comparando-o com seu pr¨®prio emblema de rainha. ¡ª Voc¨º se tornou uma ca?adora rank E? Isso ¨¦ incr¨ªvel! Quando aconteceu? ¡ª Foi na minha ¨²ltima miss?o, eu estava simplesmente ca?ando alguns lobos, ent?o do nada¡­ BOOM! Meu corpo come?ou a tremer e senti que a mana come?ou a passar pelo meu corpo bem mais r¨¢pido. ¡ª Parab¨¦ns, Jasmim. ¡ª Obrigado, Ana ¡ª disse a ca?adora, com um sorriso que se espalhava cada vez mais em seu rosto.
¡ª Hmpf, ent?o ¨¦ voc¨º de novo? ¡ª a testa franzida de Maria deixava clara sua irrita??o ¡ª Como tem coragem de aparecer na minha frente? Sabe quantas horas esperei para te parabenizar depois da luta? Unauthorized duplication: this tale has been taken without consent. Report sightings. ¡ª N?o tinha como eu saber disso. De qualquer forma¡­ ¡ª Ana puxou uma moeda de ouro de seu bolso. Os olhos de Maria brilharam. ¡ª ¨¦ claro que n?o tinha como voc¨º saber disso, querida cliente. Como posso te ajudar hoje? A mudan?a brusca de atitude de Maria fez Ana sorrir. Ela tirou uma pequena lista da mochila e jogou-a para a jovem vendedora. ¡ª Parece que voc¨º realmente se interessa pelo assunto ¡ª disse a garota, abaixando-se perto dos caixotes da parte de tr¨¢s da sua barraca enquanto lia cada nome da lista. Enquanto esperava a busca dos livros, Ana reparou na cidade ao seu redor. modernidade se mesclava cada vez mais com o mundo medieval de Aur¨®rea, dando ao mundo um ar de conto de fadas. ¡°Eu me pergunto se minha rotina antiga seria t?o cansativa se eu tivesse um mundo t?o belo para apreciar¡±, pensou Ana, se dando conta que realmente apreciava a mudan?a p¨®s apocalipse. ¡ª Infelizmente n?o terei os livros de engenharia m¨¢gica avan?ados, mas todo o resto est¨¢ em algum lugar por aqui. ¡ª disse Maria, voltando dos caixotes com uma pequena pilha de 6 livros. Todos faziam parte de uma r¨¢pida pesquisa feita por Ana no dia anterior, aparentemente os melhores da ¨¢rea atualmente, mas isso ela decidiria por si mesma. ¡ª J¨¢ est¨¢ bom, mas por esse valor espero que voc¨º separe-os para mim quando encontrar. Virei buscar futuramente. ¡ª Combinado! ¡ª Al¨¦m disso, voc¨º vende conhecimento, certo? Estou disposta a manter um pagamento de uma moeda de ouro por m¨ºs para um relat¨®rio de tecnologias emergentes, assim como qualquer assunto relevante. Sei que a comunica??o com as demais cidades n?o est¨¢ das melhores, mas quero saber qualquer novidade na mescla da ci¨ºncia com a magia. ¡°Como ela ficou t?o rica?¡±, pensou Maria. Uma vida de luxo passou pela sua mente. Uma moeda de ouro era algo inimagin¨¢vel para civis, principalmente em uma profiss?o dif¨ªcil de vendedora. Claro, ocasionalmente ela conseguia informa??es privilegiadas e ganhava um bom lucro, mas as vezes que ganhou tal quantia podiam ser contadas em uma ¨²nica m?o. ¡ª Voc¨º ainda est¨¢ a¨ª? ¡ª questionou Ana, tirando Maria de seus devaneios. ¡ª Pode contar comigo! ¡ª ¨®timo, obrigado pela prestatividade. Tenho s¨® um ¨²ltimo assunto¡­ preciso de algumas armas modificadas. S?o para estudo, ent?o qualquer coisa serve. Sabe com quem devo falar? ¡ª Apenas me passe o endere?o da entrega, eu me encarrego de conseguir para voc¨º ¡ª respondeu Maria, ap¨®s ponderar um pouco sobre o assunto. ¡ª Claro, voc¨º se encarrega dos custos finais das armas¡­ Ana concordou com um aceno, deixando sua casa como local de entrega. Armas de fogo n?o eram ilegais na nova sociedade, mas n?o eram vendidas em lojas normais. Os proj¨¦teis n?o eram t?o ¨²teis contra os monstros quando perdiam o contato com a mana do usu¨¢rio, logo continuavam mal vistas pela sociedade, sendo mais utilizadas para intimida??o entre as pr¨®prias pessoas do que em ca?adas reais. Se despedindo de Maria, Ana caminhou ao redor do centro da cidade. Era a primeira vez que estava saindo a passeio, ent?o havia muito o que ver. Era o meio da tarde, ent?o as ruas estavam quase vazias, mas clientes espor¨¢dicos podiam ser vistos entrando e saindo das lojas. Ana caminhou pelas ruas cobertas de pedra, onde o ar fresco carregava o aroma misto de especiarias ex¨®ticas e metal forjado. O som met¨¢lico dos ferreiros trabalhando se misturava com as melodias distantes dos artistas de rua e gritos de curandeiros vendendo suas ervas, criando uma sinfonia de vida e trabalho. Ela at¨¦ mesmo se permitiu comer uma iguaria local, o toque da seiva de ¨¢rvore em seus l¨¢bios era doce, com um leve amargor que se espalhava pela l¨ªngua, uma lembran?a da natureza imponente que cercava a cidade. Ao passar em frente a uma imobili¨¢ria, olhou de relance alguns an¨²ncios, puramente por curiosidade, mas um deles chamou sua aten??o: um pequeno galp?o desgastado estava dispon¨ªvel para aluguel. Sua apar¨ºncia n?o chamava muita aten??o, estava com algumas janelas quebradas e coberto de grafites, mas havia um bom espa?o de quintal e seu custo eram apenas duas moedas de ouro. ¡°Pelas fotos, parece perfeito para minha forja.¡± Sua renda passiva como fundadora de bronze eram dez moedas de ouro, uma quantia significativa para algu¨¦m que mal sabia sobre o sistema monet¨¢rio atual. Ana, decidiu pagar uma moeda para cada membro de sua nova equipe, e acabou de fazer um acordo com Maria de mais uma moeda de ouro por informa??es privilegiadas, sobrando cinco para seu uso. ¡°Se eu apertar um pouco e usar bem o espa?o externo, podemos criar um centro de treinamento al¨¦m da minha forja.¡±, ela refletiu por um momento se deveria adicionar as duas novas moedas aos gastos mensais, mas por fim decidiu alugar o local. ¡°S¨® espero que d¨º tempo.¡±, os ¨²ltimos seis dias foram usados exclusivamente para as batalhas simuladas, corrigindo os erros dos novos integrantes e entendendo melhor suas caracter¨ªsticas. Ana optou por n?o pegar trabalhos isolados nos primeiros dias, seguindo um conselho de Madame, ela decidiu se preparar para a primeira miss?o especial o m¨¢ximo poss¨ªvel. Ainda haviam muitos preparativos para serem finalizados, mas nos nove dias restantes ela estava pronta para mergulhar em suas pesquisas e experimentos sobre uma das poucas formas que conhecia para se fortalecer. Ci¨ºncia!
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Capítulo 17 - Prótese
O sutil brilho do luar contrastava com a express?o sombria da garota. Sentada em um quarto escuro, ela lia e relia os complexos livros e artigos, absorvendo seu conte¨²do como se seu corpo se alimentasse disso. ¡°Droga, isso vai complicar minha vida¡±, um ponto em comum de todos os textos lidos a incomodava: a cria??o de ferramentas m¨¢gicas exigia o uso de mana. Para a sorte de Ana, isso era apenas em sua confec??o, se bem feito, o equipamento poderia ter certa autonomia absorvendo mana da atmosfera. Se levantando da cadeira, Ana alongou seu corpo com uma grande espregui?ada. Seus m¨²sculos ficaram cada vez mais tensos com a correria dos ¨²ltimos dias, ent?o considerou as poucas horas de leitura como seu per¨ªodo de descanso. Com um olhar relaxado, ela se apoiou na janela. A noite tecia um v¨¦u de serenidade sobre o mundo, suas ruas e edif¨ªcios cintilando sob um manto de orvalho. ¡°H¨¢ uma beleza silenciosa na escurid?o¡±, Ana refletiu, perdida na dan?a das sombras e luzes que apenas a noite conhece. Com um salto pela janela do segundo andar, ela foi em dire??o a sua nova forja. As 3 moedas de ouro restantes deste m¨ºs foram usadas para equip¨¢-la de forma b¨¢sica, assim como comprar alguns materiais comuns. Felizmente, com a alta disponibilidade de materiais do novo mundo, o a?o era extremamente barato. As ruas jaziam em sil¨ºncio, um testemunho do mundo adormecido. Ana, com suas roupas desgrenhadas de dormir, movia-se como uma sombra entre as constru??es antigas. Seus p¨¦s descal?os tocavam os frios ladrilhos de pedra e a suave brisa passava por seus cabelos soltos. Ela estava com saudade de sentir o mundo com seu corpo, j¨¢ que estava evitando velhos h¨¢bitos que n?o se adequam ¨¤ sociedade. Sempre que ela esquecia que n?o estava sozinha, centenas de olhares eram lan?ados em sua dire??o, a deixando desconfort¨¢vel. ¡°Assim que eu me cansar, vou morar em alguma floresta por a¨ª. N?o me lembrava de como essa paz ¨¦ boa¡­¡±, enquanto devaneava, pegou seu celular do bolso e iniciou uma chamada. ¡ª Hm? Ana? Aconteceu alguma coisa? ¡ª A voz de Felipe era confusa, deixando claro que estava em meio a seu sono. ¡ª Aconteceu sim, me encontre no covil. ¡ª Covil? Do que voc¨º est¨¢ falando? ¡ª Covil, forja, campo de treinamento, sei l¨¢! ¨¦ dif¨ªcil nomear um lugar que serve pra tudo. Apenas v¨¢. ¡ª Certo¡­ mas no meio da madrugada? ¡ª A voz de Felipe vacilou entre a sonol¨ºncia e a surpresa. ¡ª N?o podemos esperar at¨¦ de manh?? ¡ª Vamos l¨¢, n?o reclame, apenas v¨¢. Finalmente chegou a hora de te ajudar. ¡ª Me ajudar? Ah, certo! Estarei ai em alguns minutos. ¡ª supondo que Ana estava falando de se encontrar com o ferreiro que reconstruiria seu bra?o, a mente de Felipe despertou, fazendo-o responder com uma voz animada e desligar o celular. ¡°Parece que encontrei minha cobaia¡±, Ana deu um sorriso torto, seus olhos animados viam o horizonte de possibilidades que iam al¨¦m dos muros da cidade. Cantarolando sons aleat¨®rios, ela se dirigiu para o local de encontro.
Ana adentrou a forja vazia, o cora??o palpitante ante a promessa do que estava por vir. Primeiro, ela distribuiu cuidadosamente a lenha no forno, cada peda?o colocado para maximizar a circula??o do ar e a efici¨ºncia da queima. Com a lenha arrumada, ela virou-se para os foles, ajustando-os meticulosamente para garantir uma oxigena??o perfeita. ¡ª Faz tanto tempo, velho amigo ¡ª enquanto organizava as ferramentas de trabalho com precis?o meticulosa, ela murmurava palavras de loucura que eram perdidas no fogo. As chamas dan?aram ¨¤ vida, consumindo a madeira com uma fome voraz. Movendo-se para as foles, Ana as manuseou com cuidado, garantindo que o ar alimentasse as chamas at¨¦ que se tornassem um rugido poderoso. Cada ferramenta, cada peda?o de metal, estava em seu lugar designado, esperando pela alquimia que viria.The story has been stolen; if detected on Amazon, report the violation. Ali, naquele instante de prepara??o, Ana dan?ou com as sombras e a luz, as chamas refletindo em seus olhos a promessa de novos come?os. Este n?o era apenas o prel¨²dio de uma noite de trabalho; era o despertar de um novo cap¨ªtulo em sua jornada, cada centelha uma estrela nascendo em seu universo de possibilidades. Enquanto aguardava Felipe, o cora??o de Ana batia em un¨ªssono com o calor da forja, pronta para moldar o futuro com as pr¨®prias m?os. ¡ª Voc¨º viu como eu melhorei? ¡ª ela murmurou, lan?ando um olhar para o vazio onde ele costumava estar. ¡ª Lembra quando voc¨º duvidava que eu conseguisse manusear o martelo? Olha pra mim agora. Uma risada era compartilhada com o ar, sua vis?o ficou borrada com lembran?as, vendo sombras que n?o existiam acenando pelos cantos. Naquele momento, algu¨¦m entrou pela porta principal, quebrando seus pensamentos de insanidade. ¡ª Oi Ana, estou aqui. ¡ª vendo a forja j¨¢ preparada, sua anima??o cresceu ainda mais, cheia de antecipa??o ¡ª Voc¨º conseguiu contato com o ferreiro que me disse? Posso conhec¨º-lo? Ana ficou sem entender por um momento, at¨¦ lembrar que n?o havia esclarecido o mal entendido de antes. Com um giro e uma profunda rever¨ºncia, ela se apresentou novamente ao homem de um s¨® bra?o. ¡ª ¨¦ um prazer, sou Ana, a artes?. ¡ª O qu¨º¡­? ¡ª Vai ficar ai com cara de tacho? Sou uma pessoa de muitos talentos! ¡ª Okay¡­ ent?o n?o podia ter avisado antes? ¡ª Me esqueci ¡ª respondeu ela, dando de ombros. ¡ª Entendi¡­ ¡ª Felipe suspirou e se sentou na bancada pr¨®xima a porta. Ele olhou ao redor do pequeno galp?o, a fornalha acesa dava um ar misterioso ao local, e as ferramentas dispostas no balc?o o encheram de expectativas. ¡°Bom, s¨® posso torcer pelo melhor. Se foi ela quem forjou a pe?a de antes, deve estar tudo bem¡±, pensou ele, lan?ando um profundo olhar em dire??o a Ana. ¡ª Certo, chefe. Ent?o por onde devemos come?ar? ¡ª Felipe decidiu apenas ver os resultados, ent?o questionou a garota que mantinha um sorriso bobo no rosto. ¡ª Come?amos pegando as medidas exatas de seu bra?o esquerdo. Depois, seguimos para a fornalha, onde vou modelar a pr¨®tese em a?o. Bem, por fim temos que aprender a aplicar as runas de engenharia m¨¢gica nela. Simples, n?o? ¡ª Ah, falando assim parece simples sim, mas¡­ o que voc¨º quer dizer com ¡°aprender¡±? ¡ª N?o foque tanto nos detalhes, apenas me siga, o fogo j¨¢ est¨¢ quase na temperatura de derretimento do a?o ¡ª disse a garota, fugindo da pergunta. Com meticulosidade impec¨¢vel, ela verificou os contornos do bra?o restante de Felipe. Cada curvatura dos m¨²sculos e tend?es foram esbo?ados em seu caderno, e o processo de modelagem foi simulado repetidamente em sua mente. Ana posicionou-se diante da fornalha, onde o calor emanava como um sopro do pr¨®prio cora??o da terra. Ela avaliou novamente a liga de metal escolhida, sorrindo ao constatar que tinha a durabilidade adequada. Com um gesto firme, alimentou novamente o fogo com a lenha preparada, finalmente chegando a uma chama perfeita para o trabalho que tinha em mente. O a?o come?ou a aquecer, adquirindo um brilho vermelho-alaranjado que parecia capturar a ess¨ºncia do amanhecer. Perfurando a massa incandescente utilizando um pequeno espeto de a?o, garantiu que a maleabilidade estava ideal. ¡ª Vamos come?ar ¡ª sussurrou ela, entrando em seu pr¨®prio mundo. O fogo ¨¤ sua frente era tudo que existia nesse momento. Com o martelo em m?os, ela come?ou a moldar a pr¨®tese, cada batida no metal quente era calculada e precisa, uma sinfonia de fa¨ªscas. As propor??es precisas foram impostas ao metal, garantindo uma ergonomia adequada para o item. ¡°N?o ¨¦ algo que algu¨¦m comum possa fazer, ela ¨¦ incr¨ªvel¡±, pensou o ca?ador. Os golpes seguiram por horas a fio, o brilho do amanhecer j¨¢ entrava pelas frestas das janelas. Felipe ficou em sil¨ºncio o tempo todo, com medo de que suas palavras quebrassem o ritmo que emanava o poder da cria??o. Era apenas uma cena repetindo-se incessantemente, mas seus olhos n?o conseguiam se desprender das costas da ferreira. Quando chegou a hora de gravar as runas, Ana finalmente fez uma pausa, respirando fundo. Com um peda?o de carv?o, ela desenhou cuidadosamente os s¨ªmbolos representando controle e movimento ao longo do a?o rec¨¦m moldado, cada um era um v¨®rtice de potencial m¨¢gico. ¡ª Venha aqui, vou precisar da sua ajuda nessa parte ¡ª sua voz estava seca ap¨®s tanto tempo em meio ao calor escaldante. ¡ª O que preciso fazer? ¡ª saindo de sua hipnose, Felipe se aproximou da bigorna. ¡ª N?o sei exatamente como explicar¡­ preciso que mantenha um fluxo suave de mana enquanto termino o processo. Consegue fazer isso? Felipe pareceu pensativo por um momento, mas logo respondeu de forma afirmativa. ¡ª Acredito que sim, desde que seja o mesmo que fa?o para fortalecer as armas durante as lutas¡­ Vamos tentar. Ana respondeu com um aceno. Vendo que Felipe come?ou a fazer sua parte, ela come?ou a cantarolar baixinho o conhecimento que havia estudado, tecendo a mana transmitida nas linhas do metal. Ent?o, utilizando um pequeno ma?arico, aqueceu cada runa individualmente, ativando-as com o calor da chama e o poder de sua vontade. O processo foi longo e demorado, dezenas de runas foram escritas em cada cent¨ªmetro do a?o. Por fim, ela mergulhou a pr¨®tese formada na ¨¢gua, aumentando sua resist¨ºncia atrav¨¦s do tratamento t¨¦rmico. O som de sua cria??o se solidificando era como m¨²sica, uma harmonia entre o fogo, o metal, e a ¨¢gua. Um polimento suave foi aplicado, garantindo a suavidade da superf¨ªcie. Ana observou a pe?a, agora resfriada, com um olhar de satisfa??o. ¡ª Veja ¡ª ela sussurrou. ¡ª n?o ¨¦ s¨® a?o. ¨¦ sua vontade materializada, ¨¦ futuro. Experimente! Ela havia criado n?o apenas um substituto para um membro perdido, mas uma obra de arte que encapsulava a ess¨ºncia da magia, da ci¨ºncia, e do esp¨ªrito humano. A pr¨®tese, agora completa, brilhava sob os primeiros raios de sol, um testemunho do novo mundo representando o poder de transformar sonhos em realidade. Felipe a colocou cuidadosamente em seu ombro vazio. Uma estranha for?a de suc??o comprimia a pe?a contra seu corpo, trazendo uma sensa??o de uni?o que n?o condizia com algo feito de metal. Era como se seu bra?o tivesse voltado a existir. ¡ª ¨¦ surpreendente ¡ª murmurou ele, uma clara admira??o adornava sua voz. A ponta dos dedos do novo bra?o tremiam levemente. ¡ª Mas¡­ n?o parece funcionar. Os dois se encararam por um momento. Um sorriso torto apareceu em seus rostos e uma gargalhada inesperada provinda do cansa?o preencheu o ambiente. ¡ª N?o ¨¦ como se eu esperasse conseguir de primeira. Nada nunca ¨¦ t?o f¨¢cil pra mim ¡ª com um suspiro longo, Ana jogou a pr¨®tese de volta na fornalha. ¡ª Esse vai ser um dia beeeem longo. A fole come?ou a avivar novamente o fogo.
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Capítulo 18 - Miss?o
Dez tentativas, dez falhas. Os materiais foram se esgotando aos poucos, acabando antes de perceberem. Um bra?o que dobrava-se sem o usu¨¢rio pedir, um bra?o que n?o conseguia controlar os dedos, um bra?o que simplesmente explodiu! Cada falha serviu como aprimoramento para a pr¨®xima tentativa, mas o metal pouco dur¨¢vel precisava ser descartado ap¨®s ser derretido duas ou tr¨ºs vezes. ¡ª Bem, ao menos fizemos ¡°isso¡±, ¨¦ uma vit¨®ria, n?o ¨¦? ¡ª cinco esferas emanando uma suave luz azulada pendiam no cinto de Ana. Era sutil, mas uma for?a amea?adora podia ser vista emanando delas. ¡ª Isso se n?o explodir na sua m?o ao tentar us¨¢-las¡­ ¡ª a resposta sarc¨¢stica veio acompanhada de um suspiro. Felipe era uma casca do que foi a alguns dias atr¨¢s; seu corpo, o qual ainda estava em recupera??o dos ferimentos, estava com aspecto desnutrido e olheiras profundas marcavam seu rosto. As esferas eram apetrechos r¨²sticos criados com materiais que sobraram, bombas improvisadas e n?o testadas. Maria havia entregue os livros restantes a alguns dias, ent?o Ana p?de devorar o conhecimento avan?ado de engenharia m¨¢gica que tanto queria. Claro, n?o era nada extremamente diferente do n¨ªvel intermedi¨¢rio que j¨¢ havia visto, a humanidade ainda estava engatinhando nesta nova ¨¢rea. No entanto, tais livros continham o conhecimento que Ana mais ansiava: a explica??o de como as runas eram feitas! Para um observador sem estudo, podem parecer apenas desenhos sem sentido, mas a verdade ¨¦ que s?o inscri??es detalhadas e complexas cuidadosamente feitas. Existem runas de todos os tipos, como se fossem uma solidifica??o das possibilidades infinitas da magia. Os livros intermedi¨¢rios apresentaram alguns exemplos de runas j¨¢ estudadas, como a de controle, a qual permitia controlar itens apenas com pensamentos, e a de movimento, que tornava poss¨ªvel a movimenta??o de materiais r¨ªgidos mesmo sem mecanismos complexos por tr¨¢s, ambas runas utilizadas na pr¨®tese do bra?o que estavam fazendo. Runas funcionam quase como circuitos l¨®gicos, sendo componentes por onde a mana flui para alcan?ar um objetivo espec¨ªfico. Elas simulam as veias de manipuladores de mana, transcrevendo em itens os fluxos necess¨¢rios para alcan?ar determinado evento. Em Aur¨®rea, a cria??o de novos padr?es era algo exclusivo dos leitores, pois enxergavam o que estava acontecendo quando usu¨¢rios lan?avam magias, mas ap¨®s a retomada do uso da tecnologia tornou-se poss¨ªvel identificar isso de forma muito mais simples, com equipamentos como venosc¨®pios e ultrassons, fazendo novas runas surgirem aos trancos e barrancos. A garota revirou os olhos para a resposta de Felipe. ¡°Ele n?o entende que o progresso exige sacrif¨ªcios! Deveria estar feliz por termos quase chegado a um bom resultado¡±, em meio a seus pensamentos, se dirigiu para um caixote que estava no canto da sala. Um homem de apar¨ºncia suspeita o havia entregue poucas horas atr¨¢s, ent?o Ana ainda n?o havia visto seu conte¨²do, mas o animado bilhete na tampa deixava claro do que se tratava. ¡ª Ei, voc¨º j¨¢ consegue usar uma espada? ¡ª N?o muito bem, meu equil¨ªbrio ficou uma porcaria com um bra?o a menos ¡ª respondeu Felipe, confuso pela troca repentina de assunto. ¡ª ¨®timo! A tampa do caixote caiu pesadamente para tr¨¢s. Dentro dele, em um ber?o de pano, duas pistolas e uma escopeta curta estavam repousando. O design era simples, mas elegante, como se fossem feitas no pr¨¦ apocalipse, mas estranhas veias rosas passavam por todo o corpo das armas, fazendo-as pulsar como se estivessem vivas. ¡ª Bang! ¡ª disse ela, apontando a escopeta de forma brincalhona para o jovem ¡ª Voc¨º usar¨¢ isso por enquanto, eu n?o vou pagar pra algu¨¦m ficar parado. ¨¦ melhor que n?o a destrua, vou usar como material de estudo assim que voltarmos. The narrative has been taken without permission. Report any sightings. ¡ª Armas de fogo? N?o sei se eu qu¡­ ¡ª Felipe parou suas palavras em meio a frase ¡ª Esquece, obrigado, Ana. Farei um bom uso dela. ¡°N?o ¨¦ um caminho que me agrada, mas ¨¦ a ¨²nica forma de eu participar das miss?es no meu estado atual¡±, cerrando os dentes, ele come?ou a examinar lentamente cada pequena parte do dispositivo. As intrincadas runas internas o fizeram tremer, lembrando do sofrimento da ¨²ltima semana. Eles j¨¢ haviam passado oito dias na forja, o momento de encontrar Madame para pegar os detalhes da miss?o obrigat¨®ria finalmente chegou.
Oculto do barulho e da agita??o do bar principal, a sala privativa vibrava com uma energia reservada apenas aos que navegavam pelo submundo. Madame se acomodava em meio a almofadas, rodeada por tape?arias que contam hist¨®rias de batalhas passadas e armas ¨¦picas que adornam as paredes. Uma garrafa de whisky antigo repousava sobre a mesa de madeira escura, lan?ando reflexos dourados sob a luz suave dos candelabros. ¡ª Estou aqui ¡ª com uma anima??o contida, Ana anunciou sua chegada. Sorrindo levemente, Madame indicou as cadeiras ¨¤ frente da mesa com um gesto elegante. Enquanto a garota se acomodava, Madame serviu a bebida, um l¨ªquido ambar que escorreu pelo copo com a promessa de acalmar os nervos. ¡ª Vamos ao que interessa ¡ª come?ou ela. ¡ª Hoje voc¨º parece menos¡­ ¡°m¨¢gica¡±. ¡ª Recebi not¨ªcias n?o muito agrad¨¢veis, parece que uma velha amiga n?o vai voltar viva de sua ¨²ltima miss?o. ¡ª Entendo¡­ meus p¨ºsames por isso. ¡ª Oh, n?o se preocupe, ainda n?o ¨¦ algo certo. E mesmo se acontecer, essa ¨¦ a vida que escolhemos, sei que ela ir¨¢ partir feliz com a vida que teve ¡ª com um breve gole da bebida, ela continuou ¡ª Bem sempre a margem para milagres. E hoje a chance de trazer esse milagre ¨¦ sua! ¡ª E posso recusar essa chance? ¡ª Ana respondeu sorrindo, mas sentiu um mal press¨¢gio com as palavras da mulher ¨¤ sua frente. ¡ª Infelizmente n?o. Sem mais palavras desnecess¨¢rias, Madame desenrolou um mapa sobre a mesa, as linhas eram bem tra?adas, mas careciam de detalhes. Apontando para locais marcados com cuidado, ela come?ou a explica??o. ¡ª Este era um mapa do novo mundo que ainda est¨¢ sendo produzido pelos nossos batedores. Tem um rascunho de todas as regi?es circundantes. Para ser sincera, eu pensei em uma ¨®tima linha de miss?es para voc¨º. N?o gostamos de desperdi?ar poss¨ªveis talentos, ent?o cada ponto marcado ¨¦ uma pe?a de um quebra-cabe?a maior, miss?es que exigir?o habilidades brutais, mas que tamb¨¦m deveriam servir como um treinamento para que voc¨º possa alcan?ar seu auge. ¡ª Deveriam? ¡ª a garota perguntou ao notar as palavras conjugadas no passado, seus olhos fixos nos poucos detalhes do mapa, decorando-o em tempo real. A realidade de sua pr¨®xima jornada come?ava a tomar forma. ¡ª Sim, deveriam, os planos mudaram. Como eu disse, surgiu sua chance de produzir um milagre. Recebemos as ¨²ltimas not¨ªcias de nossa agente em Kurt, lar dos canyons degradados, e voc... ¡ª Kurt? ¡ª perguntou Ana, interrompendo a conversa. Seu olhar deixava claro a confus?o pelo estranho nome. ¡ª Sabe como ¨¦ dif¨ªcil dar nomes para os lugares que nunca existiram? Atualmente somos os pioneiros na explora??o, ent?o temos uma regra clara, quem mapeia, decide. Culpe o cart¨®grafo¡­ ¡ª Terei isso em mente ¡ª um sorriso bobo cobria seu rosto. ¡ª Voc¨º tirou toda a tens?o da conversa! ¡ª Madame se jogou para tr¨¢s e encheu seu copo novamente, a bebida deixou um doce adocicado no ar. Com um suspiro e um sorriso pela fala aleat¨®ria da garota, ela continuou ¡ª Continuando¡­ em seu ¨²ltimo contato, havia se jogado de cima de um dos canyons enquanto fugia. Pelo jeito conseguiu se esconder, mas estava muito machucada¡­ como n?o recebemos mais nenhum contato, acreditamos que est¨¢ morta. ¡ª E qual meu papel nisso tudo? ¡ª perguntou Ana. ¡ª N?o temos muitos reis e rainhas dispon¨ªveis no momento, ent?o preciso que voc¨º a encontre. Para ser mais espec¨ªfica, preciso que encontre a bolsa que ela carregava. ¡ª Supondo que ela realmente esteja morta¡­ devo apenas encontrar o corpo, pegar a bolsa e voltar? Simples assim? ¡ª Nem t?o simples. Ela estava fugindo de sombras, e provavelmente ainda v?o estar buscando a bolsa. Podemos confirmar que n?o foi aberta devido a uma marca de mana, mas n?o ¨¦ precisa o suficiente para sabermos sua localiza??o exata. Claro, tamb¨¦m os monstros da regi?o, variando entre classes E e C¡­ ¡°Maldita miss?o suicida, estou sendo usada como um descart¨¢vel para tentar recuperar a porcaria de uma bolsa¡±, pensou ela enquanto se levantava, arrumando as roupas para sair. ¡ª Entendido. Suponho que se eu encontrar essas tais ¡°sombras¡± vou morrer, certo? ¡ª Isso depende de voc¨º, mas provavelmente sim. ¡ª Madame n?o tentou esconder o fato da rainha mercen¨¢ria. Pela express?o da garota, ela j¨¢ sabia a resposta mesmo antes de ter perguntado ¡ª Aqui est¨¢ o relat¨®rio com os dados b¨¢sicos da nossa mercen¨¢ria, do local e dos inimigos. Ana, ela ¨¦ uma de nossas rainhas de classe Ouro, al¨¦m de uma grande amiga. Se ela estiver viva, traga-a de volta. Era poss¨ªvel sentir sinceridade em seu pedido, n?o havia motivos para recusar. Ana saiu da sala, se despedindo com um aceno silencioso. Ela precisava do patroc¨ªnio da companhia para ter a vida que queria, mas sentiu um forte desgosto pela possibilidade de morrer em sua primeira miss?o. ¡°Terei que repensar se continuo sendo uma rainha¡±, a garota encarava o relat¨®rio em suas m?os de forma desinteressada enquanto se perdia em seus pensamentos, quando uma das linhas que pensou ser de pouca utilidade chamou sua aten??o. ¡°Isso s¨® pode ser uma coincid¨ºncia, certo? Merda¡­¡± No papel amarelado em suas m?os, os dados da outra rainha mercen¨¢ria pareciam se destacar. ¡°Margareth - Ouro Aficionado - Leitora¡±.
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Capítulo 19 - Canyon
A noite havia ca¨ªdo como um manto sobre o grupo enquanto se reuniam ao redor da fogueira, o cheiro de pinho queimado preenchia o ar, trazendo uma sensa??o aconchegante que contrastava com o frio que mordiscava as pontas dos dedos e do nariz, seu brilho tremeluzente lan?ando sombras dan?antes em faces cansadas, mas decididas. A viagem j¨¢ havia durado dois dias, mas com os mapas tra?ando as rotas mais seguras os ca?adores n?o haviam encontrado perigos significativos al¨¦m do t¨¦dio. Ana brincava com sua faca enquanto escutava Alex introduzindo um tema incomum, mas fascinante. ¡ª N?o acham curioso que criaturas de nossos mitos, descritas em lendas de culturas espalhadas por todo o mundo, agora vagam entre n¨®s? ¡ª ele come?ou, olhando diretamente para as chamas dan?antes ¡ª ¨¦ como se, de alguma forma, a humanidade sempre soubesse da exist¨ºncia de outros mundos al¨¦m dos nossos. ¡ª ¨¦ como se houvesse uma mem¨®ria coletiva, uma sabedoria esquecida que nos conecta a esses seres m¨ªsticos. Talvez, em algum ponto, a humanidade realmente tenha tido acesso a essas realidades, atrav¨¦s de sonhos, vis?es ou coisas do tipo. ¡ª Felipe, ainda com olheiras marcadas e uma express?o s¨¦ria, pegou a palavra. ¡ª E se esses mitos forem mais do que hist¨®rias? E se forem registros? Anota??es de intera??es passadas com esses seres de outros mundos, disfar?adas de f¨¢bulas e contos de moral? ¡ª disse J¨²lia, lan?ando um olhar intrigado para o grupo. A conversa desdobrou-se, cada membro do grupo contribuindo com sua perspectiva, tecendo uma tape?aria de teorias e especula??es que apenas adicionava mais profundidade ao mist¨¦rio de sua atual realidade. A ideia de que a humanidade n?o s¨® sabia da exist¨ºncia desses seres, mas tamb¨¦m interagiu com eles, trazia tanto temor quanto maravilhamento. ¡°¨¦ quase certo que, em algum ponto da hist¨®ria, mana j¨¢ existiu na Terra¡±, Ana observou em sil¨ºncio. Ela n?o sentia necessidade de ponderar muito sobre o assunto, mas tinha suas pr¨®prias teorias. ¡°Ainda h¨¢ muito para aprender sobre o futuro e o passado, mas ¨¦ muito cedo para a humanidade entrar a fundo no assunto¡±. Enquanto refletia, sua vis?o perif¨¦rica avistou Marina. Ela estava sentada sobre um tronco, levemente afastada do grupo. Um brilho suave parecia emanar da garota, fazendo o ar ao redor vibrar suavemente. ¡ª Ei, Marina, est¨¢ tudo bem? ¡ª perguntou a rainha mercen¨¢ria, aproximando-se da t¨ªmida jovem. ¡ª Ah, Ana, estou tentando... praticar uma coisa nova ¡ª Marina murmurou de forma hesitante, quase inaud¨ªvel. Levantando timidamente as m?os, ela permitiu que uma suave cascata de luzes se entrela?assem entre seus dedos, formando padr?es intrincados no ar frio da noite. A a??o trazia um leve formigamento, como se pequenas ondas de eletricidade percorressem sua pele, arrepiando seus bra?os a cada movimento que moldava a luz. ¡ª Estou seguindo sua sugest?o, aprendendo a manipular luz. ¡ª Eu sabia que voc¨º era um prod¨ªgio ¡ª um sorriso sincero nasceu entre os l¨¢bios de Ana ¡ª me explique mais, conseguiu trabalhar com a refra??o? ¡ª Si-sim, consegui! Na verdade, trabalho tanto com a refra??o como com a difra??o da luz. Pode ser usada para camuflagem ou at¨¦ para confundir um advers¨¢rio, apesar que por enquanto n?o posso tornar nada invis¨ªvel¡­ ¡ª J¨¢ ¨¦ incr¨ªvel, Marina. Tenha orgulho de si mesma, afinal, quanta precis?o isso exige?! ¡ª Um bocado ¡ª admitiu, sorrindo timidamente enquanto abaixava as m?os. ¡ª Eu lembrei de voc¨º lutando e pensei que era uma boa combina??o para seu modo de combate, poder¨ªamos criar uma estrat¨¦gia inteiramente nova. ¡ª Espero ansiosamente por isso. ¨¤ medida que a conversa prosseguia, os outros membros do grupo, atra¨ªdos pela exibi??o encantadora, come?aram a se reunir ao redor delas. ¡ª Falando em lendas e mitos, parece que temos nossa pr¨®pria fada no grupo ¡ª brincou J¨²lia, com um sorriso genu¨ªno. ¡ª N?o ¨¦ s¨® belo, mas muito ¨²til tamb¨¦m¡­ ¡ª Felipe pegou um graveto e come?ou a desenhar esquemas na terra, ilustrando como poderiam integrar a magia de Marina em suas t¨¢ticas. "Ser¨¢ que eles realmente acham isso impressionante, ou est?o apenas tentando me encorajar?", Marina observava as rea??es de seus companheiros, sentindo uma mistura de esperan?a e d¨²vida. Apesar disso, o di¨¢logo entre eles cresceu em entusiasmo, um grupo discutindo ideias, rindo e compartilhando hist¨®rias, at¨¦ que a conversa se acomodou em um sil¨ºncio confort¨¢vel. A fogueira crepitava suavemente, lan?ando uma luz quente sobre todos. Marina sentia o calor n?o apenas do fogo, mas do apoio de seus amigos. Inspirada pela atmosfera fantasiosa e pela sensa??o de pertencimento, ela decidiu compartilhar outra parte de si mesma que raramente mostrava. ¡ª Eu... eu gostaria de compartilhar algo mais com voc¨ºs ¡ª disse ela, limpando a garganta suavemente, chamando a aten??o do grupo, mesmo com sua voz sendo quase um sussurro. Em meio a olhares atentos, ela respirou profundamente, e ent?o, ainda hesitante, come?ou a cantar. Sua voz, inicialmente tr¨ºmula, ganhava for?a a cada nota, enchendo a noite com uma melodia doce e melanc¨®lica que falava de esperan?a e de longas jornadas. O canto de Marina transformou o ambiente, trazendo uma camada extra de conex?o e empatia entre os membros do grupo.This narrative has been unlawfully taken from Royal Road. If you see it on Amazon, please report it. A noite ao redor, pontuada apenas pelo brilho das estrelas, oferecia um cen¨¢rio perfeito para sonhar com as infinitas possibilidades.
As bordas da floresta se estendiam at¨¦ onde os olhos podiam ver, dividindo em uma linha perfeita uma natureza exuberante de um ¨¢rido terreno rochoso. O grupo observava o profundo desfiladeiro ¨¤ sua frente com apreens?o, este era o local onde os limites da cidade do novo mundo terminavam, assim como onde a coisa real come?ava. ¡ª Essa ¨¦ a ¨²ltima chance de voltarem, n?o quero que arrisquem a vida sem necessidade. Ana j¨¢ havia tentado persuadi-los durante a viagem, mas os obstinados ca?adores ignoravam suas palavras. ¡ª Bla, bla, bla. N?o j¨¢ te explicamos que n?o ¨¦ s¨® pela miss?o? ¡ª J¨²lia repreendeu Ana, suas m?os firmes em sua cintura ressaltaram seu descontentamento com a cont¨ªnua insist¨ºncia da garota. ¡ª N?o existem muitos monstros pr¨®ximos a cidade, ent?o s?o raras as ocasi?es em que entramos em batalha. Pelo relat¨®rio que nos entregou, aqui os monstros costumam andar sozinhos, e a maioria esmagadora ainda ¨¦ rank E. N?o ¨¦ uma oportunidade perfeita para ficarmos mais fortes? Est¨¢vamos treinando pra qu¨º? ¡ª Voc¨º sabe, n?o s?o apenas os monstros¡­ sombras podem estar nas redondezas¡­ ¡ª Antes que pudesse terminar de responder J¨²lia, Alex colocou uma pesada m?o em seu ombro esquerdo. ¡ª Voc¨º n?o deve se preocupar, essa foi nossa escolha. Como l¨ªder, quero que confie na sua equipe. Apesar das palavras confiantes, sua m?o livre estava firmemente fechada, uma tentativa falha de esconder seus medos. ¡°N?o ¨¦ s¨® ele, todos est?o tremendo¡±, Ana olhou para seus companheiros, um de cada vez, notando a clara tens?o em seus cora??es. Apesar de n?o ser conhecimento comum, uma estranha igreja perambulava pelos cantos sombrios da nova sociedade. N?o se sabia muito sobre ela, mas dentre as poucas informa??es dispon¨ªveis estava a men??o de que seus seguidores denominavam-se sombras, humanos com uma estranha mana manchada fluindo por seus corpos, causando uma sensa??o instintiva de repulsa a todos os seres vivos que nadavam na mana pura. Seus corpos, apesar de ainda em sua maior parte humanos, possu¨ªam tra?os demonizados: pequenos chifres sa¨ªam de seus cranios, unhas nasciam pontiagudas, remetendo a garras, e suas peles atingiam os dois polos, sendo de uma tonalidade extremamente clara ou extremamente escura, nunca um meio termo. Pelo relat¨®rio entregue a Ana, havia apenas duas sombras perseguindo Margareth, e eram poucas as chances de mais grupos terem se juntado ¨¤ busca. Parece que o orgulho das sombras era um fator determinante da nova ¡°esp¨¦cie¡±, ent?o a n?o ser em casos muito espec¨ªficos, n?o pediriam ajuda a seus semelhantes. Os ca?adores n?o conheciam a hist¨®ria a fundo, mas a mercen¨¢ria deixou claro que encontrar uma destas sombras era o mesmo que encontrar seu fim, por isso n?o podiam deixar de se preocupar. Desviando seu olhar, Ana respondeu Alex. ¡ª Eu entendo, me desculpe. Obrigado por me acompanharem. O grupo sorriu amplamente em resposta, acompanhando o olhar de Ana para o horizonte. Com passos determinados, a lenta caminhada para kurt come?ou.
¡ª Parem, algo n?o est¨¢ certo ¡ª J¨²lia abaixou-se e tocou o ch?o, sentindo um leve tremor. Eles entraram nos canyons a algumas horas, mas ainda havia uma longa distancia at¨¦ o local aproximado da coleta. ¡ª Peguem as armas, agora! ¡ª tamb¨¦m notando a estranheza da situa??o, Ana gritou. De repente, o ch?o sob eles come?ou a rachar, lan?ando poeira e pequenas pedras para o ar. Com um rugido surdo, um golem de pedra de tr¨ºs metros emergiu do solo, seus olhos crepitando com uma luz ambar sinistra. Os ca?adores se espalharam rapidamente, assumindo posi??es estrat¨¦gicas, mas a criatura moveu-se com uma agilidade impressionante para seu tamanho, balan?ando os bra?os rochosos em dire??o a Ana. Ela reagiu instantaneamente, desviando-se e circulando o golem. Seus olhos procuravam pontos vulner¨¢veis na coura?a rochosa do monstro enquanto brandia sua faca com precis?o. As fa¨ªscas voavam cada vez que a lamina acertava as juntas, mas o impacto parecia m¨ªnimo. Apesar de perfurar a pedra, o tamanho da faca impedia que danos significativos fossem causados. ¡°Sou uma idiota, estou praticamente em um mundo de RPG! Era ¨®bvio que criaturas feitas de pedra apareceriam em um canyon, n?o sei o que esperava fazer com uma faca¡±, apesar de notar sua falta de preparo, ela n?o parou os golpes que mais pareciam borr?es. Ela continuou atacando, mesmo que o dano fosse apenas uma lasca de cada vez. ¡ª Ana, pule para tr¨¢s em 3 segundos! ¡ª J¨²lia, com um forte grito, correu para ajudar. Seu grande martelo ergueu-se e desceu com a for?a de um trov?o, batendo contra o joelho do golem, justo no local onde Ana acabara de estar. A pedra soltou um grande estalo, uma rede de fissuras espalhando-se a partir do ponto de impacto. A criatura vacilou, um dos joelhos rachando sob a for?a bruta. Aproveitando-se da distra??o causada por J¨²lia, Alex, com sua lan?a, procurava oportunidades para atacar, dan?ando ao redor do golem e mirando nas juntas onde as pedras pareciam menos compactas. Com cada ataque, a lan?a deixava marcas profundas nas pedras que formavam o corpo do advers¨¢rio. Felipe, por sua vez, recuou para uma posi??o mais vantajosa e come?ou a disparar com sua escopeta. O retumbar de cada disparo ressoava pelo canyon, e os chumbos, embora parecessem inofensivos contra a pedra, ajudaram a desestabilizar ainda mais a estrutura do golem, soltando fragmentos de rocha a cada tiro certeiro. Enquanto isso, Marina concentrava sua energia m¨¢gica, suas m?os tra?ando s¨ªmbolos complexos no ar. Com um ¨²ltimo gesto dram¨¢tico, ela liberou uma onda de energia luminosa que se entrela?ou ao redor do golem, apertando e criando fissuras nas partes j¨¢ danificadas por seus companheiros. ¡ª ¨¦ resistente, mas a velocidade n?o se compara ¨¤s lutas que tivemos com a chefe ¡ª acostumando-se ao ritmo da luta, sentiu-se mais ¨¤ vontade para seus coment¨¢rios de zombaria. ¡ª ela ¨¦ o verdadeiro monstro. ¡ª Parece que algu¨¦m precisa treinar um pouco mais para aprender a ter bons modos ¡ª retrucou Ana, tamb¨¦m permitindo-se soltar palavras bobas. ¡°O progresso foi incr¨ªvel para apenas meio m¨ºs. Parece que minha escolha de talentos n?o foi ruim¡±, pensou a garota. A batalha era intensa, mas vendo como cada membro do grupo utilizava suas habilidades ao m¨¢ximo, ela recuou para um canto, fazendo anota??es e aprovando as conquistas do intenso treinamento que tiveram. Com um esfor?o combinado, o grupo come?ou a desgastar o golem, que rugia e se debatia com cada golpe recebido. ¡ª Felipe, ¨¦ sua chance ¡ª disse J¨²lia, conseguindo acertar mais um de seus poderosos ataques na perna j¨¢ rachada do golem, fazendo-o ajoelhar-se por um breve momento. Aproximando-se com toda velocidade, Felipe saltou em cima da grande criatura ca¨ªda. Correndo de forma levemente desengon?ada por suas costas, ele aproximou o cano da escopeta de sua nuca, disparando logo em seguida. ¡°N?o ¨¦ t?o ruim quanto pensei, posso me acostumar com isso¡±, seu punho ainda do¨ªa com o impacto do tiro, mas um sorriso de interesse surgiu no rosto do jovem ex espadachim de um s¨® bra?o. Com um ¨²ltimo rugido que mais parecia um lamento, o golem de pedra desmoronou, suas partes se espalhando pelo ch?o como um monte de cascalho. Os ca?adores, ofegantes e cobertos de poeira, recuaram um pouco, observando os restos do que uma vez foi uma amea?a formid¨¢vel. ¡ª Isso foi... intenso ¡ª murmurou Alex, limpando o suor da testa com o dorso da m?o. Os outros concordaram com acenos, seus cora??es ainda batendo forte com a adrenalina da batalha. Eles sabiam que esse era apenas o come?o dos desafios que enfrentariam naquele canyon sinistro, mas a pequena vit¨®ria os fez sentir preparados para o que quer que viesse.
Uma garota esguia arrastava uma grande espada negra pelo ch?o do Canyon, atr¨¢s dela, montanhas de membros compostos de pedregulho se amontoavam. A destrui??o dos arredores era a ¨²nica testemunha do violento massacre que aconteceu a pouco. ¡ª Parece que vou poder me divertir um pouco, j¨¢ estava cansada de tantas pedras ¡ª sua l¨ªngua passava lentamente por seus l¨¢bios sedutores em um gesto estranhamente aterrorizante. No desfiladeiro ¨¤ sua frente, cinco guerreiros lutavam ferozmente contra um simples golem mediano.
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Capítulo 20 - Refra??o
O sol se punha sobre o canyon, lan?ando sombras alongadas sobre a equipe enquanto se preparavam para enfrentar a amea?a rastejante. Julia, de p¨¦ sobre uma rocha irregular, apontava para a aranha colossal que se debatia violentamente. ¡ª Pegue uma das pernas direitas, r¨¢pido! ¡ª gritou ela. A aranha gigante emergiu como um pesadelo das fendas do canyon, sua carapa?a brilhando sinistramente sob os ¨²ltimos raios do sol poente. Era uma criatura grotesca, com oito olhos injetados de sangue que cintilavam com um brilho maligno, analisando a presa com malevol¨ºncia. Seu corpo volumoso, coberto por pelos negros e espessos, movia-se com uma agilidade perturbadora. As pernas, longas e desproporcionais, terminavam em garras afiadas como navalhas, capazes de triturar pedra. Seu abd?men pulsante exalava um odor f¨¦tido e nauseante, prenunciando morte. Alex, com agilidade surpreendente, agarrou duas das imensas pernas da criatura, recebendo o forte impacto dos membros restantes. A dor e o esfor?o quase o subjugaram, mas ele persistiu. ¡ª Estabilize o corpo, segure firme! ¡ª Ana comandou, segurando todas as pernas do outro lado em um abra?o forte. Ela tinha delegado a J¨²lia a lideran?a t¨¢tica, enquanto se concentrava em dar instru??es gerais para todos. Os monstros come?avam a surgir com mais frequ¨ºncia ¨¤ medida que se aproximavam do ponto mais profundo do canyon. Aranhas, golens, lobos, todos criaturas n?o t?o fortes para o grupo mercen¨¢rio atual. Em certo ponto todos subiram para o rank E, ent?o a quantidade e velocidade de mana que absorviam diminuiu drasticamente. Apesar disso, aproveitaram a oportunidade para treinar sempre que poss¨ªvel, utilizando diversas estrat¨¦gias e revezando a lideran?a do ataque entre si. J¨¢ era o terceiro dia de jornada, e, embora estivessem cansados, todas as noites cantavam para manter o animo. ¡ª J¨²lia, terminei. ¡ª em sua voz t¨ªmida habitual, Marina chamou a ca?adora ruiva. ¡ª Isso ¨¦¡­ estranho. N?o sei nem explicar, isso ¨¦ incr¨ªvel, Marina! A flecha armada em seu arco brilhava em dois tons opostos, um azul frio como o gelo na ponta da flecha e um quente vermelho escarlate ao fundo. Marina estava se aperfei?oando aos poucos, e os muitos debates dos quais participou nesta miss?o expandiram sua criatividade m¨¢gica ao limite. Ela estava testando um tipo de magia de fus?o elemental, combinando fogo e gelo numa ¨²nica flecha. Este experimento n?o apenas desafiava as leis naturais da magia, mas tamb¨¦m servia como um testemunho de sua crescente habilidade e confian?a. A ideia era que, ao impacto, a flecha criasse uma explos?o t¨¦rmica, aproveitando a violenta rea??o entre os opostos extremos de temperatura para maximizar o dano. A flecha disparou do arco como um foguete, indo perfeitamente em dire??o a cabe?a da criatura. Notando o perigo, uma das pernas livres parou de atacar Alex e tentou desviar a trajet¨®ria do proj¨¦til, mas seu ato descuidado fez com que a perna explodisse instantaneamente. Gritando em agonia e em um ¨²ltimo ato desesperado, a aranha destro?ou propositalmente a parte de suas pernas presas por Ana e Alex, utilizando rapidamente sua teia para se puxar em dire??o ao penhasco pr¨®ximo. No entanto, destruindo a pequena esperan?a do monstro, Felipe cortou desajeitadamente a teia em meio a seu lan?amento. Ele estava com poucas balas, ent?o apenas ajudava na lideran?a do time, mas sua antiga lamina companheira n?o deixou sua cintura em nenhum momento, sendo utilizada em situa??es como essa. Enquanto a aranha estava atordoada pelos seus planos de fuga n?o concretizados, Ana deslizou por baixo de seu corpo. A faca, a qual j¨¢ havia sentido o gosto do sangue em batalha, brilhava em um vermelho intenso. Em um movimento limpo, a garota perfurou o abd?men exposto, deslizando em seguida um corte que se estendeu at¨¦ a cabe?a. ¡ª Mas que nojo, voc¨º devia ter feito algo um pouco menos sujo ¡ª reclamou J¨²lia, cobrindo o nariz ao encarar as entranhas da criatura, as quais agora espalharam o odor podre pelo ar. Ana deu de ombros e focou seu olhar na faca em suas m?os. ¡°Se continuar nesse ritmo, logo n?o poderei mais chamar isso de faca¡± , pensou ela. 37 riscos eram vis¨ªveis na lamina, e os 35 cent¨ªmetros originais da faca j¨¢ haviam se transformado em 40. ¡°Parece que o n¨ªvel da criatura influencia o quanto ela cresce. Apesar de n?o ter notado um padr?o exato nas ¨²ltimas lutas¡­¡±, limpando a faca em um peda?o rasgado da manga de Alex, ela voltou a guard¨¢-la em sua bainha. ¡ª Bom, vamos pegar o que ¨¦ ¨²til e seguir nosso caminho ¡ª suspirando pela falta de no??o de Ana e cortando a parte suja de sua roupa, Alex come?ou a recolher os principais esp¨®lios da batalha, quando de repente parou ao ouvir um leve ¡°bip¡±. ¡ª Finalmente encontramos¡­ esque?am isso, vamos ter tempo suficiente para ca?ar mais dessas quando terminarmos a miss?o. Com uma express?o animada, Ana encarava o detector em suas m?os. Ele havia ficado silencioso nos ¨²ltimos dias, mas agora uma leve marca era mostrada em sua tela simples. O sinal oscilava, sumindo e aparecendo novamente. ¡ª Felipe, marque a localiza??o no mapa, s¨® por garantia. Marina, use o vento para acelera??o, n?o vamos arriscar perder mais tempo ¡ª dando ordens r¨¢pidas aos outros, ela come?ou a seguir em dire??o ao seu objetivo.
Uma pequena caverna adornava a montanha ¨¤ sua frente. A escurid?o era avassaladora, mas uma brisa suave e agrad¨¢vel estava fluindo de dentro para fora do local. O vale ao redor era silencioso, desarm?nico com o ambiente perigoso pelo qual passaram at¨¦ agora. ¡ª Pessoal, acho que este ¨¦ o lugar certo ¡ª Marina apontava para pequenas gotas de sangue espalhadas pelo solo. Seja l¨¢ o que entrou na caverna, estava com grandes ferimentos. Did you know this story is from Royal Road? Read the official version for free and support the author. ¡ª S¨® vamos saber quando entrarmos. Vamos logo ¡ª J¨²lia j¨¢ estava impaciente com a correria. De forma imprudente, deu largos passos em dire??o a entrada. De repente, como se fosse enviada pelos c¨¦us, uma espada negra enorme caiu em sua frente, ro?ando seu corpo e rasgando levemente suas roupas. A arma era ornamentada com espinhos que pareciam absorver a pr¨®pria luz ao redor, prometendo um fim torturante a quem quer que enfrentasse seu gume. ¡ª Mas que porra! De onde veio isso? ¡ª a respira??o da mulher ruiva era pesada e seus olhos assustados deixavam claro seu medo. Como se em resposta ¨¤ sua pergunta, uma figura esbelta saltou do cume da montanha, pousando com uma gra?a mortal entre eles. A mulher diante deles era como uma vis?o de outro mundo; sua armadura negra se moldava a ela como uma segunda pele, e seus cabelos alvos ca¨ªam suavemente sobre os ombros, levemente separados por dois elegantes chifres que sa¨ªam de seu cranio. Seus olhos eram de um cinza g¨¦lido, transpassando a alma com um olhar que poderia cortar a?o. Uma aura de poder emanava dela, t?o palp¨¢vel que quase podia ser tocada. Com uma velocidade insana, Ana puxou J¨²lia para tr¨¢s de forma instintiva, a jogando em dire??o aos outros. ¡ª Quem ¨¦ voc¨º? ¡ª perguntou, j¨¢ com a faca desembainhada. A figura n?o respondeu. Seus olhos passaram por cada integrante sem demonstrar emo??o, mas por algum motivo ficaram um longo tempo presos em Ana. ¡ª ¨¦ decepcionante ¡ª murmurou numa voz baixa. ¡ª N?o tenho um nome ou uma designa??o. Sou o que sou, uma sombra de quem sirvo, nada al¨¦m. Mas e voc¨º, o que ¨¦? A doce voz fazia c¨®cegas nos ouvidos de quem a escutava. Por um breve momento, Ana se perguntou se ela era realmente uma inimiga, mas logo recobrou a consci¨ºncia. ¡ª Me chamo Ana. ¡ª N?o quem, mas sim o que ¡ª esclareceu a sombra. ¡ª Sou Ana, e sou o que sou, nada al¨¦m ¡ª irritada pela falta de express?o da estranha mulher, ela retrucou de forma r¨ªspida. A sombra sorriu, seu interesse aumentando com a resposta evasiva. Puxando a grande espada para fora do ch?o com facilidade, ela apontou em dire??o ao resto do grupo. ¡ª Se sa¨ªrem daqui, pequenas baratas, n?o irei atr¨¢s de voc¨ºs. J¨¢ voc¨º, senhorita Ana, me espere aqui, tenho algo a buscar ¡ª Uma flecha passou raspando por sua bochecha enquanto se virava para entrar na caverna, a fazendo dar uma pausa e olhar para tr¨¢s. ¡°N?o achei que fossem ignorar minha bondade. Seres ignorantes¡±, pensou a sombra, encarando as cinco pessoas em posi??o de ataque que surgiram em seu campo de vis?o. ¡ª Bem, voc¨ºs escolheram isso. N?o eram necess¨¢rias mais palavras. A sombra se impulsionou para frente com uma velocidade alarmante, indo em dire??o a Felipe, o membro mais fraco. Felipe tentou contra atacar o ataque com um tiro, mas usando a pr¨®pria grande espada como escudo, a sombra continuou a avan?ar. Um chute girat¨®rio acertou a lateral do corpo do garoto, fazendo-o se machucar ao bater violentamente contra uma ¨¢rvore. Cuspindo sangue, ele disparou mais alguns tiros, mas n?o foram efetivos. Ignorando o jovem ferido, a sombra disparou para J¨²lia. ¡ª Ent?o foi voc¨º quem disparou a flecha? ¡ª o sorriso em seu rosto era perturbador, contrastando com os olhos sem vida que adornavam seu rosto. Fixando seus p¨¦s no solo, a sombra balan?ou horizontalmente a espada, preparada para um golpe de corte. Todos podiam ver o triste destino que esperava J¨²lia quando a lamina chegasse ao seu corpo. Em uma tentativa v?, ela defendeu-se com o martelo, mas esse foi destru¨ªdo instantaneamente, quase como se seu material fosse manteiga ao inv¨¦s de puro a?o refor?ado. No ¨²ltimo instante, um estranho escudo de ar apareceu em frente ¨¤ trajet¨®ria da espada. Apesar de n?o suportar por muito tempo, foi o suficiente para atrasar a arma por um segundo, dando tempo de Alex prender a mulher com um apertado agarr?o. ¡ª Alex, segure mais um pouco ¡ª aproveitando a oportunidade, Ana direcionou sua faca para a garganta da sombra, decidida a finalizar tudo com um ¨²nico ataque. A sombra n?o se desesperou. A espada caiu de suas m?os e ela apertou os pulsos de Alex. O som de ossos se rompendo causou um arrepio em todos do local. ¡ª Caralho, n?o d¨¢ mais. Cuidado, Ana! ¡ª Alex gritou de dor, mas manteve o aperto o m¨¢ximo poss¨ªvel, tentando dar uma chance ao grupo. A mulher de armadura negra se desprendeu com facilidade pouco antes da faca encostar em seu pesco?o. Ela recuperou sua espada ao chut¨¢-la para cima, e, desafiando a f¨ªsica, deu um aparentemente fraco salto que a lan?ou metros acima do ar, passando por cima de Ana com facilidade. Seu pouso atr¨¢s de J¨²lia pegou a ca?adora ruiva de surpresa, e antes que pudesse reagir, um golpe j¨¢ havia acertado seu peito, fazendo-a cair no ch?o, respirando com dificuldade. Sem uma pausa, a grande espada foi lan?ada ¨¤ distancia em Marina. A mente assustada da maga trabalhou al¨¦m da sua capacidade. Escudos e ataques m¨¢gicos estavam sendo sobrepostos continuamente em uma tentativa de parar o lan?amento da arma, mas a imponente espada n?o parou de se mover, acertando o pequeno corpo da garota. Uma grande cortina de sangue se espalhou quando ela caiu para tr¨¢s. ¡ª Se espalhem, fujam para o mais longe poss¨ªvel! ¡ª a voz de Ana rasgou o sil¨ºncio, uma ordem simples carregada de urg¨ºncia. Sem experi¨ºncia ao enfrentar um ser t?o forte quanto a mulher a sua frente, ela p?de apenas expressar o comando mais simples que veio ¨¤ sua mente. ¡°Sobrevivam¡±, uma prece silenciosa passava por seus pensamentos. Ana sugou uma grande lufada de ar, acalmando a mente. Ela observou a sombra ¨¤ sua frente, sua mente come?ando a analisar cada caracter¨ªstica ¨²nica do macabro ser. ¡°N?o posso ser acertada nem mesmo uma ¨²nica vez¡±, a postura da mulher era relaxada mas letal, mostrando uma experi¨ºncia de incont¨¢veis batalhas. Havia uma simetria quase perfeita em seus movimentos, uma precis?o que Ana sabia, s¨® poderia vir de um dom¨ªnio completo de corpo e mente. A respira??o da mulher era controlada, mesmo ap¨®s o salto, indicando um condicionamento f¨ªsico impressionante e uma reserva de estamina inabal¨¢vel. Ana firmou o cabo de sua pr¨®pria arma, preparando-se para o embate inevit¨¢vel. ¡ª Cada vez que te olho, gosto mais de voc¨º ¡ª disse a sombra, notando que estava sendo analisada, seus olhos se curvaram em meia lua, com uma estranha alegria em meio a cena sangrenta. Com as m?os ainda nuas, ela correu em dire??o a garota, como se zombasse de sua falta de for?a. A troca de golpes foi um turbilh?o; Ana manejando sua faca com destreza contra os golpes desarmados da sombra, que parecia dan?ar ao redor de suas defesas. Cada movimento era um teste, uma pura medida de habilidade onde cada desvio e cada bloco poderia ser o ¨²ltimo. Em meio a intensa luta, Marina se levantou, cambaleante. ¡ª Eu vou usar o que me resta da magia para esconder voc¨ºs ¡ª disse ao grupo, que lentamente se reuniu. ¡ª Entrem na caverna, se escondam. ¡ª Voc¨º tem que vir junto, n?o h¨¢ nada que possamos fazer contra esse monstro¡­ ¡ª disse J¨²lia, ainda atordoada pelo soco anterior. ¡ª Eu vou em seguida, preciso saber se a chefe vai sobreviver ¡ª seu sorriso estava dolorido, mas todos suspiraram aliviados ao ver que a ferida anterior havia sido apenas um grande corte na lateral do corpo de Marina. ¡ª N?o se preocupem, eu sinto que aprendi muito durante essa luta, tenho confian?a que posso me esconder. Os tr¨ºs amigos se encararam com as palavras da maga. O olhar confiante da garota, que diferia de seu olhar assustado de sempre, mostrou que n?o adiantaria discutir. ¡ª Vamos confiar em voc¨º. N?o fa?a nada est¨²pido, fuja se perceber que n?o pode ajudar em nada ¡ª disse Felipe. Em seguida, o grupo come?ou a se afastar para a caverna, coberto por uma estranha camada de luz que saiu dos dedos de Marina. Olhando seus companheiros irem para um local seguro, ao menos mais do que ali fora, ela voltou a olhar para a batalha. Pequenas l¨¢grimas come?aram a se formar em seus olhos, mas n?o se sabia o que passava em sua mente. Neste instante, a luta chegou a uma conclus?o. Um chute de pura for?a, sem envolver nenhuma habilidade, acertou a faca defensiva de Ana, fazendo-a se chocar contra as paredes de pedra. Ela caiu, cuspindo uma quantidade enorme de sangue. ¡ª Essas habilidades¡­ essa faca¡­ voc¨º n?o ¨¦ normal, ¨¦ incr¨ªvel ¡ª a sombra mostra aprecia??o sincera pela luta que acabou de ter, mas seu olhar ao dizer as palavras finais ficou extremamente frio. ¡ª Mas voc¨º ¨¦ fraca. Cres?a, crian?a estranha, e venha at¨¦ mim novamente. N?o dando tempo para uma resposta, a sombra acertou um forte chute no rosto de Ana, a deixando inconsciente, mas viva. Ela viu Marina observando em um canto, mas apenas a deu um leve sorriso torto antes de se dirigir para a caverna. Quase que se arrastando, a maga se aproximou de Ana. Ela sentou-se, esgotada, e pousou a cabe?a da garota desmaiada em seu colo, acariciando seus cabelos. ¡ª Obrigado por tudo. Voc¨º me fez perceber que eu posso ser ¨²til. ¡ª sua voz era como uma fraca chama ao vento, parecendo que podia sumir a qualquer momento. ¡ª Esses ¨²ltimos dias eu senti ter amigos de verdade, companheiros que fariam tudo por mim. Eu fiquei feliz, Ana. Sua express?o de dor se suavizou um pouco, Ela sabia que estava falando sozinha, mas sentiu que precisava soltar seus pensamentos, pois n?o teria outra oportunidade. Uma voz melanc¨®lica come?ou a soar. Marina cantava para os c¨¦us, trazendo um toque de esperan?a na atmosfera sombria. Luz emanava de seu corpo a cada palavra que saia de seus pequenos l¨¢bios, revelando lentamente uma grande ferida que atravessava seu corpo. Uma quantidade enorme de sangue, antes oculta pelo que restava de sua magia de refra??o, encharcava suas roupas. O canto tornava-se cada vez mais intenso, mas ao mesmo tempo mais baixo, se transformando em um murm¨²rio fraco. Os olhos que pareciam encarar o horizonte al¨¦m do imenso c¨¦u azul foram se fechando, devagar. Um ¨²ltimo suspiro foi ouvido. E ent?o, sil¨ºncio.
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Capítulo 21 - Batalha
¡ª Uau, ent?o esse ¨¦ o Grand Canyon. O que acha, Gabriel? ¡ª Parece rid¨ªculo. ¡ª Em breve vai ficar mais interessante ¡ª disse a voz, soltando uma alta gargalhada. Nuvens se estendiam por todo o horizonte, dando a impress?o de estarem em uma grande c¨²pula fofa. Abaixo, milh?es de anos de hist¨®ria geol¨®gica do planeta Terra eram representados por chatas pedras vermelhas. Um anjo pairava no c¨¦u, suas roupas soltas balan?avam fortemente com o vento. Era uma cena engra?ada, pois apesar de ter asas, parecia apenas flutuar. Ao seu lado, uma garota ca¨ªa lentamente. Um paraquedas militar desgastado estava firmemente preso ¨¤s suas costas. Em um sil¨ºncio c?modo, os dois observavam o avi?o seguir em dire??o ao ch?o, esperando o resultado final como se fosse dar um novo significado a suas vidas. Este era um um dos ¨²ltimos exemplares funcionando de um Antonov An-124 Ruslan, um dos monstros dos ares da ¨¦poca pr¨¦-apocalipse, e agora encontraria seu triste fim como entretenimento de uma garota entediada. ¡ª Ei, eu estou morta? ¡ª Eu n?o sei, sou s¨® uma lembran?a mal feita. ¡ª Entendo¡­ A grande massa de ferro se aproximava rapidamente do solo. Ana levantou o rosto para aproveitar um pouco dos fortes raios solares que batiam intensamente em uma altura t?o elevada. ¡ª Eu senti sua falta ¡ª disse ela, ainda com os olhos fechados. ¡ª Eu sei, mas n?o pense muito nisso, algum dia ainda nos reencontraremos. Sou o destino de todos de seu mundo. Ah, acho que j¨¢ ¨¦ a hora, olhe. Seguindo o dedo estendido do anjo, a garota viu o avi?o se chocar com as rochas de maneira seca, amassando-se sobre si mesmo. O tempo pareceu parar por um instante enquanto Ana e Gabriel se encararam, decepcionados. Felizmente, evitando a quebra ainda maior de suas expectativas, uma explos?o veio logo em seguida, englobando uma enorme ¨¢rea com uma grande nuvem de cogumelo. ¡ª Eu n?o me lembrava que essa explos?o havia sido t?o pequena. Dev¨ªamos ter colocado mais algumas bombas ¡ª murmurou Ana, torcendo o nariz. ¡ª Sim, dev¨ªamos ter feito isso. Apesar da cena pouco empolgante, a explos?o, que deveria ter parado ap¨®s o clar?o inicial, voltou repentinamente a crescer. Parecia que logo os alcan?aria. ¡ª Sonhos s?o t?o bizarros¡­ bem, isso ¨¦ um at¨¦ logo, Gabriel ¡ª com um aceno sutil e um radiante sorriso, ela soltou seu paraquedas, indo direto em dire??o a explos?o. ¡ª At¨¦ logo, minha amiga.
Ana abriu lentamente os olhos, sentindo o peso da realidade pressionar contra suas p¨¢lpebras como o frio de uma lamina. ¨¤ medida que sua vis?o se clareava, a forma im¨®vel de Marina tornava-se clara. Por um breve momento, Ana permitiu-se acreditar que ela estava apenas dormindo, tranquilamente escondida nos bra?os do sono. Mas a umidade que sentia em suas costas, a falta de calor das m?os que acariciavam seus cabelos e a total aus¨ºncia de movimento vieram como um soco cheio de verdade, uma verdade que se imp?s com uma for?a brutal: Marina estava morta. ¡°Eu te darei um enterro digno, Marina. Pe?o apenas que espere um pouco¡±, com o cora??o pesado, mas sem tempo para o luto, Ana se levantou. A frieza da morte parecia ter congelado o ar ao seu redor, mas ela n?o podia se permitir tremer. O rastro de sangue, marcando o caminho para a caverna, chamou sua aten??o. Com um suspiro que carregava o peso do mundo, ela seguiu as marcas, a determina??o queimando em cada passo. O som de vozes baixas e um riso macabro a receberam na entrada da caverna, o ar frio e ¨²mido acariciando sua pele. O som distante de gotas de ¨¢gua ecoava pelas paredes irregulares, misturando-se ao zumbido baixo de uma brisa que carregava o odor met¨¢lico do sangue derramado. A vista ao longe era como uma pintura grotesca, tingida com as cores sombrias do desespero. Sua equipe, composta pelos tr¨ºs companheiros remanescentes, estava agrupada ao redor de uma bolsa ¡ª o objetivo de sua miss?o ¡ª e ao lado de uma figura ca¨ªda. ¡°No fim n?o era s¨® uma coincid¨ºncia de nomes¡­¡±, Ana congelou quando reconheceu sua pr¨®pria m?e apoiada na parede da caverna, im¨®vel. O choque foi como um golpe, deixando suas m?os tr¨ºmulas e sua mente girando. A enigm¨¢tica sombra estava l¨¢, sorrindo com uma satisfa??o cruel enquanto observava a confus?o de Ana. Sem esperar mais, ela atacou, movida por uma mistura de raiva e desespero, mas com uma mente estranhamente calma. ¡ª Voc¨º n?o entendeu na nossa luta anterior? Ainda n?o ¨¦ o momento para uma nova tentativa ¡ª disse a sombra com um suspiro cansado. Os cortes lentos e desajeitados de Ana ainda continham certa precis?o, mas como sua energia estava esgotada ela sabia que n?o iria durar muito tempo. Concretizando seus pensamentos, o cabo da espada acertou pesadamente o lado de seu corpo. O impacto do golpe jogou Ana ao ch?o de forma brutal, e por alguns instantes, tudo que ela p?de ouvir foi um zumbido agudo em seus ouvidos. O gosto de sangue encheu sua boca enquanto ela lutava para clarear a vis?o emba?ada. Respirando fundo, ela usou a dor como um alerta para se recompor e se levantar, pronta para enfrentar novamente sua advers¨¢ria, mas s¨® conseguiu voltar a cair sobre seu joelho. Os outros n?o podiam fazer muito al¨¦m de assistir. Cada um deles carregava seus pr¨®prios ferimentos, suas pr¨®prias dores, que os tornavam espectadores em seu pr¨®prio pesadelo. ¡ª Saiam daqui, agora! ¡ª gritou a garota, sem poder se dar o luxo de prestar aten??o neles. ¡ª Levem minha m?e embora junto com a bolsa, completem a miss?o. ¡ª Sua m?e? Mas que porra¡­ ¡ª J¨²lia encarou Ana e a mulher desmaiada, confusa. Em movimentos r¨¢pidos, jogou a mulher com cuidado nas costas de Alex. Quando a garota foi recolher o objetivo de estarem ali, uma faca veio voando, prendendo firmemente ao ch?o a j¨¢ desgastada bolsa de couro. ¡ª Isso fica comigo ¡ª uma voz ecoou no espa?o fechado, cheia de uma autoridade que n?o admitia contesta??o. Sem tempo a perder entendendo a situa??o, os companheiros de Ana agarraram a m?e dela e partiram, deixando para tr¨¢s o item. Foi quando a Colecionadora apareceu, uma figura m¨ªtica dentro do submundo que atraiu o interesse de Ana em sua primeira reuni?o. Ela era uma mescla de elegancia e perigo, e ao entrar na caverna, sua presen?a parecia trazer um tom de mist¨¦rio ao pr¨®prio ar. ¡ª Olha isso, ¨¦ como Maria disse, uma faca realmente estranha ¡ª com movimentos que exibiam uma destreza quase sobrenatural, ela saltou para o lado de Ana. Seus olhos percorreram a arma negra em suas m?os, notando a clara diferen?a de tamanho em rela??o a quando a viu no Madame Eclipse.This book''s true home is on another platform. Check it out there for the real experience. ¡°Maria andou falando de mim? Parece que uma longa conversa me espera se eu conseguir sair viva daqui, e n?o vai ser nada agrad¨¢vel¡±, seus pensamentos logo foram interrompidos pela voz imponente, a qual agora mudou de alvo para a sombra. ¡ª E voc¨º, quem ¨¦? ¡ª N?o sou ningu¨¦m ¡ª a sombra encarou a nova visitante com olhos cheios de curiosidade. ¡ª Gosto do seu corpo. ¡ª Mas que coisa estranha para se dizer para uma desconhecida ¡ª um sorriso surgiu no rosto de Natalya pelas palavras inesperadas da sombra. ¡ª ¨¦ diferente da garota ca¨ªda, seu corpo tem um potencial dif¨ªcil de medir¡­mas tamb¨¦m precisa de tempo, ainda n?o est¨¢ madura¡­ Com um giro de bra?o distorcido, a sombra fez um longo corte vertical em dire??o ao peito da colecionadora. A nova mulher era poderosa, claramente mais forte que Ana, mas ainda assim abaixo da sombra em termos de poder bruto. ¡ª Que falta de educa??o atacar no meio de uma conversa. Cruzando seus bra?os rob¨®ticos, Natalya se defendeu do repentino ataque, apesar de ser arrastada por alguns metros pela for?a do impacto. Fa¨ªscas voaram por toda parte, fazendo o local escuro se iluminar por um breve momento. ¡ª ¨¦ como eu pensava, eles s?o incr¨ªveis ¡ª Ana estava com os olhos arregalados ao notar que nem mesmo um arranh?o apareceu nos brilhantes membros met¨¢licos. Em uma cena c?mica, seus olhos se encontraram com os olhos da sombra, tamb¨¦m surpresa, e um breve aceno de concordancia m¨²tua foi feito. ¡ª Mais incr¨ªveis do que voc¨º pensa ¡ª Natalya levou um cigarro aos l¨¢bios com um ar de desd¨¦m casual e uma leve chama saiu de um de seus dedos, acendendo-o. Simultaneamente, com um movimento brusco para baixo, uma fina lamina saiu de seu bra?o direito. Ela tragou profundamente, e, em seguida, exalou uma grande nuvem de fuma?a que parecia se mesclar com a escurid?o da caverna. Seus olhos n?o deixaram a sombra por um segundo sequer, fixos em seu advers¨¢rio com uma intensidade fria. ¡ª Est¨¢ na hora de come?ar o inc¨ºndio ¡ª ela deu pequenos saltos de prepara??o, como uma boxeadora prestes a iniciar o combate no ringue. Seus bra?os come?aram a emitir um calor intenso e uma vibrante luz alaranjada come?ou a se estender por caminhos parecidos com veias, saindo da ponta de seus dedos e chegando at¨¦ a lateral do seu pesco?o. Um sorriso amedrontador surgiu em seu rosto e um estranho vapor come?ou a exalar de seu corpo, quase como uma aura. ¡°Parece que surgiu mais uma com s¨ªndrome chuunibyou¡±, pensou Ana, torcendo a boca ao ouvir o bord?o. Infelizmente ela n?o p?de negar que a mulher estava simplesmente demais. De repente, com um movimento r¨¢pido e fluido, ela avan?ou, a fuma?a seguindo como um rastro atr¨¢s de seus passos. A sombra, surpreendida mas n?o totalmente despreparada, ergueu-se para encontrar o ataque. O confronto foi uma tempestade de movimentos r¨¢pidos e precisos. Natalya, com a agilidade de uma combatente experiente, desferiu uma s¨¦rie de golpes r¨¢pidos utilizando a lamina que se estendia de seu bra?o rob¨®tico. Cada ataque era calculado, destinado a testar as defesas da sua oponente. A sombra, por sua vez, esquivava-se com uma gra?a quase sobrenatural, seus movimentos um borr?o na penumbra da caverna. Ela contra-atacava com cortes potentes, tentando aproveitar qualquer abertura deixada por Natalya. Mas a Colecionadora n?o era f¨¢cil de atingir; seu corpo mecanico lhe concedia vantagens que um humano comum n?o possu¨ªa, podendo defender e atacar em angulos totalmente inesperados. Tudo escalou rapidamente, um embate de for?a, t¨¦cnica e vontade, enquanto Ana e os outros observavam, quase esquecidos, a batalha titanica ¨¤ frente. ¡°Acho que j¨¢ ¨¦ hora de voltar para a luta¡±, recuperando um pouco de sua for?a, Ana se levantou. Utilizando toda a energia que restava em seu corpo, ela se lan?ou na intensa batalha com um movimento surpreendente e arriscado. Ela n?o esperava realmente acertar, apenas queria abrir espa?o para Natalya conseguir golpes mais certeiros, mas, para sua surpresa, sua lamina raspou na bochecha direita da sombra, fazendo gotas de sangue escarlates escorrerem lentamente, destacando-se na pele p¨¢lida. Por um momento, tudo parou. Ana ofegava, observando o sangue manchar o ch?o, sentindo o peso de cada respira??o enquanto a sombra recuava pela surpresa de ter sido ferida. ¡°Ela nunca agiu assim, ¨¦ como se quisesse¡­ devor¨¢-la¡±, a lamina negra em suas m?os come?ou a brilhar intensamente, vibrando com uma energia que parecia ¨¢vida por mais confronto. A Colecionadora notou isso tamb¨¦m, seu interesse pela arma cresceu visivelmente. Natalya, aproveitando-se da distra??o momentanea, socou com toda sua for?a em dire??o ao est?mago da sombra. Apesar do golpe ter sido defendido, o leve corpo voou em dire??o a parede da caverna. Com um movimento brusco e decisivo, ela tentou finalizar o confronto, mas a sombra desviou no ¨²ltimo instante, deixando a lamina de cravada na rocha. Vendo a oportunidade neste momento de vulnerabilidade, a sombra largou a longa espada e levantou sua perna esquerda em um movimento suave, mas extremamente r¨¢pido. Com uma ferocidade dissonante com seu pequeno corpo, desceu seu calcanhar em dire??o ¨¤s intrincadas juntas do bra?o preso, rompendo-o de imediato. ¡ª Idiota ¡ª Uma grande labareda saiu do bra?o rompido, indo em dire??o a garota de armadura negra, dando espa?o para Natalya recuar em seguran?a. Os preciosos segundos que ganhou foram utilizados para respirar profundamente, sentindo cada m¨²sculo de seu corpo pulsar com a adrenalina da luta ¡ª Ei, eu quero tentar uma coisa ¡ª sussurrando para a colecionadora que chegou ao seu lado, Ana pegou uma esfera de seu cinto, um dispositivo n?o maior que uma noz ¡ª ¨¦ algo que fiz no improviso, ent?o talvez mate a gente tamb¨¦m¡­ ¡ª N?o ¨¦ como se fossemos sair vivas, ent?o quem liga. ¡ª Bem, quando eu atirar, deite-se no ch?o. Com um movimento firme e calculado, ela armou os cinco dispositivos de seu cinto de uma vez, lan?ando-os na dire??o da sombra. As bombas giraram pelo ar, esferas inocentes, mas carregadas com uma energia vol¨¢til e poderosa. Para a decep??o de Ana, quando a primeira delas atingiu o ch?o, nada aconteceu. E ent?o veio a segunda, a terceira e a quarta, todas sem um ¨²nico sinal de ativa??o. As duas mulheres deitadas no ch?o criavam uma absurda cena de divers?o e desespero. ¡°Droga¡­ parece que agora realmente acabou¡±, pensou Ana ao ver a sombra, que ficou defensiva pelos itens desconhecidos jogados anteriormente, voltar a correr em sua dire??o. No entanto, quando a ¨²ltima esfera atingiu o solo, uma pequena luz surgiu. N?o houve um grande estrondo ou uma explos?o descontrolada, em vez disso, a detona??o foi um espet¨¢culo de precis?o devastadora. Uma onda de choque conc¨ºntrica se expandiu, o ch?o tremeu sob uma luz brilhante e uma for?a compressiva, sugando brevemente o ar ao redor antes de liber¨¢-lo em um sopro violento. A sombra foi jogada para tr¨¢s, surpresa e claramente ferida pela explos?o compacta. A poeira e os detritos levantados pelo impacto formaram um v¨¦u tempor¨¢rio, e a luz da explos?o refletiu em part¨ªculas min¨²sculas, criando um efeito quase m¨ªstico na escurid?o da caverna. Ana, apesar da exaust?o, permitiu-se um breve sorriso. A bomba havia funcionado ¡ª ao menos uma delas ¡ª e agora, mesmo que por um momento, a mar¨¦ da batalha parecia inclinar-se a seu favor. ¡ª Parece que esse ¨¦ meu adeus, minha vida n?o vale o risco ¡ª a sombra ainda n?o demonstrava emo??es, mas recuou taticamente ao ver que sua m?o direita, a principal no manuseio se sua pesada arma, foi comprometida pela explos?o, apresentando intensas dores ao tentar fech¨¢-la. Com um aceno provocativo para Ana, ela desapareceu na escurid?o da caverna, deixando um rastro de mist¨¦rio e perguntas n?o respondidas. ¡ª Mas que doideira ¡ª Natalya, respirando pesadamente, apagou o cigarro no ch?o rochoso, o olhar ainda fixo no ponto onde a mulher acabara de sair. A batalha acabou t?o repentinamente que ela n?o p?de deixar de ter suspeitas. ¡ª Com certeza. Mas o qu¨º voc¨º est¨¢ fazendo aqui? Imagino que n?o estava s¨® passeando por perto, certo?. Como se respondendo a pergunta de Ana, a mulher recolheu uma elegante coroa negra de dentro da bolsa, a qual ainda estava pregada ao ch?o. ¡ª Claro que vim por isso, tem um motivo para me chamarem de Colecionadora ¡ª murmurou ela com um grande sorriso enquanto girava o item rec¨¦m adquirido nos dedos de seu bra?o restante. ¡ª Eu vou indo, te desejo uma boa sorte no caminho de volta, ainda tenho que decidir se voc¨º merece entrar na minha cole??o. ¡°Filha da puta¡±, Ana mal conseguia se mover, mas n?o p?de deixar de amaldi?o¨¢-la em seus pensamentos. Se o item objetivo fosse levado, toda sua miss?o teria sido ¨¤ toa. Ela lan?ou um olhar severo para a figura que se afastava, marcando na mem¨®ria a promessa de um reencontro futuro que a Colecionadora insinuou com um olhar misterioso. Exausta e abalada, Ana se permitiu um momento de fraqueza, encostando-se na parede fria da caverna. A dor de suas feridas era intensa, mas era a dor em seu cora??o que mais consumia suas for?as. A perda de Marina, a condi??o de sua m?e, a batalha cont¨ªnua pela sobreviv¨ºncia - tudo parecia pesar toneladas sobre seus ombros. Com a cabe?a baixa, ela murmurou para si mesma. ¡ª Eu vou me tornar forte o suficiente para ter minha morte pac¨ªfica. Eu vou¡­ dominar esse mundo. O eco de sua promessa se perdeu nas sombras da caverna, um voto silencioso para os dias incertos ¨¤ frente.
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Capítulo 22 - Luto
A noite abra?ava a taverna escondida sob as ruas movimentadas da cidade, onde Natalya e Maria se encontravam longe dos olhares curiosos. O ar estava impregnado com o odor de tabaco e madeira velha, e o som suave de conversas murmuradas enchia o ambiente. ¡ª Ent?o, voc¨º conseguiu o que queria? ¡ª Maria perguntou, brincando com um copo de bebida. ¡ª Sim, mas n?o foi um passeio no parque ¡ª respondeu Natalya, mostrando o peda?o vazio de seu bra?o em que sua m?o deveria estar ¡ª Al¨¦m de que voc¨º n?o ¨¦ l¨¢ a mais barata das informantes. Bem, n?o tenho ningu¨¦m melhor nessa cidade isolada, ent?o aqui est¨¢ o prometido. Um saco de dinheiro caiu em frente a Maria, fazendo-a soltar um pequeno grito de alegria. Recostando-se relaxadamente na cadeira, ela acenou para o gar?om pr¨®ximo, pedindo que trouxesse mais duas bebidas. ¡ª Sabe, Maria, eu n?o gosto de voc¨º. A linha entre certo e errado ¨¦ bem t¨ºnue no nosso meio, mas n?o saber onde voc¨º se posiciona sempre me incomodou. A conversa entre elas oscilava entre o profissional e o perigosamente pessoal, revelando a teia de intrigas que se estendia al¨¦m das paredes da caverna onde a batalha havia sido travada. ¡ª Tamb¨¦m n?o ¨¦ como se eu gostasse de voc¨º ¡ª a mercadora suspirou, tomando um gole de sua bebida. ¡ª Mas voc¨º paga. As mulheres observavam o fluxo do bar por um momento, a atmosfera carregada de expectativa. ¡ª Eu contei para a Ana que foi voc¨º quem vendeu as informa??es da miss?o ¡ª Natalya falou casualmente, observando de relance a rea??o de Maria. O rosto de Maria endureceu imediatamente, e seus olhos brilharam com uma mistura de raiva e medo. ¡ª Voc¨º fez o qu¨º? ¡ª ela cuspiu as palavras, sua voz tr¨ºmula de indigna??o. ¡ª A miss?o de hoje vai trazer uma reputa??o amb¨ªgua para ela, v?o ter muitos outros tubar?es interessados na nova rainha de bronze que sobreviveu a uma sombra. Eu n?o posso deixar que voc¨º venda informa??es para eles, mas sei que far¨¢ isso. Sem esperar outra palavra, Maria agarrou seu copo e o lan?ou contra Natalya, a bebida espirrando sobre o tecido luxuoso do casaco que a mulher de pele escura usava. Ela se levantou bruscamente, a cadeira rangendo ao ser empurrada para tr¨¢s. ¡ª Desgra?ada louca! ¡ª gritou ela, antes de virar rapidamente e sair do bar, deixando um sil¨ºncio tenso em seu rastro. Natalya, ainda sentada, enxugou calmamente o l¨ªquido de seu rosto com um len?o, um sorriso satisfeito desenhando-se lentamente em seus l¨¢bios.
O amanhecer come?ava a tingir o c¨¦u de cinza e ouro fora da caverna. Ap¨®s descansar por alguns minutos, Ana foi de encontro aos seus companheiros. Os raios de sol bateram em seu rosto, ofuscando sua vis?o por um instante antes de encontrar a m¨®rbida cena que a esperava do lado de fora. O grupo estava reunido em um c¨ªrculo sombrio ao redor do corpo de Marina, coberto por um manto simples, mas com as marcas da batalha ainda vis¨ªveis em sua pele p¨¢lida. A fogueira estalava suavemente, lan?ando sombras dan?antes sobre seus rostos s¨¦rios.Taken from Royal Road, this narrative should be reported if found on Amazon. ¡ª Como ela est¨¢? ¡ª Ana perguntou, desviando o olhar da maga e aproximando-se de onde sua m?e jazia, ainda respirando mas perdida em um sono sem sonhos. ¡ª Est¨¢vel, por enquanto. Fizemos o que pudemos com os primeiros socorros, mas ela precisa de ajuda real que n?o podemos dar aqui ¡ª Alex levantou os olhos, sua express?o era sombria. Ana assentiu, a gratid?o misturada com frustra??o. Ela se ajoelhou ao lado de sua m?e, segurando sua m?o fria, sentindo cada respira??o fraca como uma contagem regressiva. ¡°Primeiro vamos resolver a situa??o por aqui. Aguente um pouco, m?e.¡±, ela caminhou de volta ao c¨ªrculo, recebendo olhares sem esperan?a. ¡ª Eu n?o entendo como ela p?de mentir para n¨®s ¡ª l¨¢grimas escorriam dos olhos de J¨²lia enquanto ela murmurava, mais para si mesma do que para o resto do grupo. ¡ª Ela sabia que n?o havia como sobreviver a um ferimento assim, n?o aqui. ¡ª disse Ana, sua voz era firme, mas seus olhos revelavam a tristeza que sentia. ¡ª Deixaremos a Marina aqui? ¡ª A voz de Alex tremia com a pergunta. ¡ª N?o temos como lev¨¢-la em nosso estado atual, o cheiro de sangue vai atrair ainda mais monstros. Mas vamos fazer direito, ela merece isso ¡ª respondeu Ana. Um a um, eles ajudaram a construir um monte modesto de pedras e galhos secos para o funeral improvisado, colocando o corpo de Marina cuidadosamente no topo. Cada membro do grupo colocou uma m?o sobre o monte, um momento de sil¨ºncio compartilhado. ¡ª Marina foi mais do que uma companheira de equipe para n¨®s ¡ª Ana come?ou, a tocha tremendo em sua m?o. ¡ª Ela lutou ao nosso lado, riu conosco, e nos entreteu todas as noites com sua animada voz. Vamos lembrar dela como ela viveu, n?o como ela morreu. Os outros acenaram, alguns com l¨¢grimas nos olhos, outros com determina??o estampada no rosto. ¡ª N?o vamos deixar que a morte dela seja em v?o. ¡ª Cada luta que enfrentarmos ser¨¢ um tributo a ela ¡ª Felipe adicionou, com uma voz firme ¡ª Ela sempre ser¨¢ parte de n¨®s, em cada passo que dermos. ¡ª J¨²lia concluiu. Eles se sentaram ao redor da fogueira n?o acesa, dando lugar a um sil¨ºncio pensativo. Aos poucos, come?aram a compartilhar hist¨®rias de Marina ¡ª momentos de bravura, de tolices, de bondade, sorriam com as lembran?as das noites em que cantava can??es do seu lar distante e a coragem com que enfrentava cada novo desafio. A noite passou com risadas e l¨¢grimas, uma celebra??o da vida em meio ao luto. ¨¤ medida que o sol nascia, lan?ando um brilho alaranjado sobre o grupo, eles se prepararam para acender a pira. Com um aceno solene, Ana inclinou a tocha, as chamas rapidamente consumindo o monte, como se levassem as mem¨®rias de Marina para algum lugar al¨¦m do alcance da dor e do sofrimento. O ar frio da montanha carregava o aroma de terra fresca, misturado ao cheiro de fuma?a que come?ava a se elevar. Sons suaves da natureza ¡ª o farfalhar das folhas, o chamado distante dos p¨¢ssaros, o murm¨²rio constante de um riacho pr¨®ximo ¡ª criaram um fundo orquestral para receber o tributo final ¨¤ companheira ca¨ªda. ¡ª N¨®s vamos nos lembrar, sempre. ¡ª ela disse. Sua voz era baixa, mas carregada de uma promessa firme que atingiu o cora??o de todos.
Quando finalmente chegou a hora de partir, o sol estava alto, banhando o mundo em luz. Ana sentiu cada olhar sobre ela, esperando que ela desse o pr¨®ximo passo e mostrasse o caminho a seguir. ¡ª Vamos voltar para casa ¡ª ela disse, sua voz baixa mas resoluta. O grupo acenou em sil¨ºncio. O que era pra ser uma animada ca?ada na volta pra casa, transformou-se em uma jornada sombria, carregada de um sil¨ºncio reflexivo. A floresta por onde caminhavam parecia prestar homenagem ¨¤ maga ca¨ªda, com o vento sussurrando atrav¨¦s das folhas e o rio murmurando suavemente ao lado do caminho. Ana caminhava ¨¤ frente, cada passo pesado ressoando no ch?o como um eco das decis?es dif¨ªceis que tomara, seu cora??o pesado de incertezas e os olhos nublados pela dor n?o totalmente expressa. Ela sabia que o mundo n?o parava para seu luto e que o futuro exigiria ainda mais dela.
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Capítulo 23 - Recompensa
Ap¨®s um retorno marcado pelo sil¨ºncio, Ana percorreu sozinha as ruas de paralelep¨ªpedos que levavam ao Madame Eclipse. Abrindo a pesada porta, um aroma de madeira velha e tabaco a envolveu, e o som abafado de conversas confidenciais preenchia o ar. Madame, sempre uma figura imponente, esperava com uma express?o severa, seus l¨¢bios vermelhos delineados em uma linha fina. ¡ª Ent?o, querida, o que tem para me contar? ¡ª perguntou Madame, com uma voz baixa e calma, mas carregada de expectativa. Ana respirou fundo, sentindo o peso da hist¨®ria que precisava contar. Ela havia ligado mais cedo para pedir um local seguro para deixar Margareth, assim como marcar essa reuni?o, mas ainda estava apreensiva. ¡ª N¨®s falhamos¡­ Conseguimos chegar ao local, mas fomos emboscados por uma sombra. N?o sei o que era aquela estranha coroa que estava na bolsa, mas eu n?o consegui recuper¨¢-la. Me desculpe. ¡ª Voc¨º fez o que p?de com as cartas que lhe foram dadas. Voc¨º ¨¦ jovem, assim como sua equipe, tiveram sorte de sair vivos. ¡ª Bem, nem todos n¨®s tivemos essa sorte¡­ Um sil¨ºncio pungente se instalou, apenas o crepitar suave da madeira na lareira enchendo o espa?o. Madame continuou. ¡ª Fico feliz que ao menos trouxeram Margareth de volta, ¨¦ uma coincid¨ºncia infeliz que ela fosse sua m?e ¡ª disse, seus olhos nunca deixando o rosto de Ana. ¡ª Aquela coroa n?o ¨¦ apenas um artefato; ¨¦ um legado de Aur¨®rea, t?o antigo quanto as lendas esquecidas. Em manipuladores de mana comuns, pode quase triplicar a velocidade do fluxo em suas veias, mas para as sombras ¨¦ ainda mais poderoso, desperta algo na mana reversa dentro delas, fortalecendo muito seus corpos e suas mentes. ¨¦ uma pena que tenham ficado com ela. ¡ª Ah, mas n?o ficaram¡­ foi roubada pela Colecionadora. Madame encarou Ana, confusa. Ao finalmente assimilar o que foi dito, um sorriso genu¨ªno surgiu em seu rosto anteriormente abatido. ¡ª A Colecionadora? Voc¨º disse que o item est¨¢ com aquela megera? Isso ¨¦ ¨®timo! ¡ª ¨®timo? Nosso objetivo n?o era conseguir o item? ¡ª Em realidade, desde que descobriram sua localiza??o, a principal prioridade era n?o deixar cair nas m?os daquela maldita igreja. Claro, o ideal era termos pego, mas com Natalya pelo menos podemos garantir que est¨¢ seguro, aquela ego¨ªsta sabe cuidar das pr¨®prias coisas. Com essas palavras, Madame virou-se e retirou um pequeno cofre de madeira de uma prateleira, colocando-o sobre o balc?o com um som surdo. ¡ª Aqui est¨¢. N?o ¨¦ apenas por ter praticamente completado a miss?o... ¨¦ por sobreviver. Seu olhar era curioso, mas Ana sentiu um forte desalento em meio ao al¨ªvio de n?o ter falhado. Ela n?o se sentiu digna dessa recompensa. ¡ª Vamos, n?o fique t¨ªmida, voc¨º merece. No mundo em que vivemos a sobreviv¨ºncia e a informa??o s?o t?o valiosas quanto qualquer metal precioso, voc¨º ¨¦ um valioso recurso. ¡ª Obrigada, Madame ¡ª disse a garota, parando de resistir. O cofre continha cuidadosos entalhes feitos a m?o, belos e delicados. Seu interior exalava um aroma suave de madeira fresca, contrapondo-se ¨¤ sua apar¨ºncia antiga. ¡°Mas que porra, eu j¨¢ devia saber que n?o seria nada valioso¡±, dentro do cofre, uma pequena e detalhada coroa negra reluzia com pequenas partes de prata. A palavra ¡°Patrono¡± estava gravada em elegantes letras na parte de baixo do metal, como se gritasse ao mundo que deveria ser reconhecida. ¡ª Garota gananciosa ¡ª murmurou Madame, percebendo o olhar desapontado que a mercen¨¢ria lan?ava para o emblema. Com um gesto dram¨¢tico, ela jogou um saco de moedas ao lado da pequena caixa. ¡ª Pegue logo e tire essa cara de bunda, ainda temos algo para conversar.Love what you''re reading? Discover and support the author on the platform they originally published on. ¡ª Estou ouvindo! ¡ª respondeu a sorridente e renovada Ana, guardando as moedas dentro de seu casaco. ¡ª Em primeiro lugar, te parabenizo por se tornar uma patrona de prata. Geralmente exigimos tr¨ºs ou quatro miss?es especiais para os novatos, mas voc¨º pegou algo muito al¨¦m de suas capacidades, ent?o houve uma exce??o. Com um olhar penetrante e voz firme, Madame come?ou a explicar a verdadeira natureza dos mercen¨¢rios para Ana, que ouvia atentamente. ¡ª Veja, querida, os mercen¨¢rios foram feitos para os que escolhem um caminho diferente do habitual. Claro, n?o estou falando da bucha de canh?o comum, eles s?o apenas um dos meios pelos quais trabalhamos, mas os reis e rainhas s?o os guardi?es dessa nova sociedade. N¨®s nos dedicamos a proteger o mundo das sombras e de outras for?as que amea?am quebrar o equil¨ªbrio. ¡ª N?o vejo essa tal prote??o no mural de miss?es, eu diria mais que est?o ferrando com tudo por tr¨¢s dos panos ¡ª respondeu Ana, com um olhar de zombaria. ¡ª Oh, n?o me entenda mal, eu n?o disse que somos justiceiros. Trabalhamos por dinheiro e para viver bem, ent?o n?o podemos deixar tudo afundar na merda, simples assim. Apesar de algumas miss?es imorais, a grande maioria ¨¦ para resolver situa??es que precisam ser resolvidas, mesmo que disfar?adas de qualquer bobeira aleat¨®ria como pegar materiais. Protegemos, sim, mas sempre visamos o lucro. Ela pausou, seu olhar duro suavizando um pouco ao ver a aten??o de Ana. ¡ª Nosso trabalho ¨¦ urgente, necess¨¢rio. ¨¦ um trabalho que o governo deveria fazer, mas ele se afoga em sua pr¨®pria burocracia, sempre preso em delibera??es intermin¨¢veis que n?o levam a lugar algum. N¨®s agimos enquanto eles discutem, enfrentamos o perigo enquanto eles contam seus lucros em gabinetes seguros. Madame inclinou-se mais para frente, suas palavras carregadas de uma paix?o ardente. ¡ª Por isso somos necess¨¢rios, Ana. Por isso sua m?e e muitos antes dela se arriscaram. N?o ¨¦ apenas uma luta por sobreviv¨ºncia, ¨¦ uma luta para viver bem, por um mundo onde as sombras e outras amea?as n?o decidam o destino de todos. Ana absorveu cada palavra, sentindo o peso da responsabilidade que carregava e a seriedade de sua posi??o. ¡ª Eu n?o quero nada disso, quero apenas viver bem e morrer bem ¡ª com uma a??o lenta, ela empurrou o cofre contendo a coroa de volta para a dona da taverna. ¡ª Eu estou tranquila sendo uma mercen¨¢ria comum. Agrade?o a oportunidade, mas t? fora. ¡°Eu j¨¢ devia esperar algo assim¡±, Madame n?o p?de deixar de gargalhar ao ver as a??es inesperadas a sua frente. ¡ª Voc¨º ¨¦ apenas a base dessa grande piramide de poder, apenas aproveite o bom sal¨¢rio de uma patrona e fa?a suas miss?es. Eu vou ser sincera, quando soube que Margareth era sua m?e fiz quest?o de ajudar em sua promo??o, precisava te explicar logo o que fazemos aqui, mas vai levar anos para que suba novamente. Ela fazia grandes gestos e falava em uma voz animada, dando seu m¨¢ximo para convencer a garota ¡ª Pense melhor at¨¦ l¨¢, miss?es como a que voc¨º pegou n?o s?o comuns, eu pe?o desculpas pelas dificuldades que te fiz passar. ¡ª Hmmmm ¡ª Ana ficou pensativa. Ela n?o queria se envolver muito, mas ainda sentia o peso do ouro pr¨®ximo a seu peito. ¡ª Merda de capitalismo. Puxando o emblema e guardando-o em seu bolso, Ana se levantou, preparando-se para sair. ¡ª Uma ¨²ltima coisa ¡ª falou Madame, mudando o tom para algo mais pessoal. ¡ª Sua m?e est¨¢ no Hospital L¨²men. Voc¨º deve ir l¨¢ rapidamente, parece que ela foi afetada profundamente pelo mal que enfrentaram. ¡ª Obrigada mais uma vez por toda a ajuda ¡ª finalizando a reuni?o enquanto digeria as novas informa??es, ela se retirou da sala. ¡ª Cuide-se, Ana. E lembre-se, este lugar sempre ser¨¢ um ref¨²gio para voc¨º e os seus, n?o importa o qu?o escura seja a noite. Em seu caminho at¨¦ a sa¨ªda do bar, Ana percebeu que a atmosfera mudou. As pessoas a encaravam com uma mistura de curiosidade e medo. ¡°Parece que ¨¦ imposs¨ªvel impedir os rumores¡±, pensou Ana, notando que a not¨ªcia de que enfrentaram uma sombra e sobreviveram se espalhou rapidamente. Apesar dos olhares temerosos, alguns mercen¨¢rios levantavam suas canecas em dire??o a ela, um brinde de respeitoso reconhecimento em meio aos murm¨²rios.
Um pr¨¦dio antigo se destacava entre os demais pela sua arquitetura vitoriana. Um jardim meticulosamente cuidado era visto na entrada, mesmo com o edif¨ªcio estando na periferia da cidade. Apesar de meio antiquado, sua atmosfera era de calma, com enfermeiros dando passos silenciosos e apressados e um ocasional bip de equipamentos m¨¦dicos. Ao entrar no local e dizer seu objetivo, um dos m¨¦dicos, um homem de meia idade com uma express?o cansada, a guiou ao quarto de sua m?e, onde sua irm? descansava, apoiada na beira da cama, olhando fixamente para as m¨¢quinas. ¡ª Jasmim, como ela est¨¢? ¡ª Ana perguntou, aproximando-se cautelosamente. Jasmim, com os olhos vermelhos de preocupa??o e falta de sono, virou-se para encarar Ana, uma sombra de raiva passando por seu rosto. ¡ª Ela n?o acordou desde que a trouxeram. Os m¨¦dicos dizem que ¨¦ um coma ¡ª Jasmim respondeu, com sua voz tr¨ºmula. ¡ª Eu sabia que ela sa¨ªa em busca de ervas, mas pensei serem trabalhos avulsos, Ana! Como ela p?de se envolver com mercen¨¢rios? Voc¨º sabia disso? Jasmim quase gritava, a ang¨²stia evidente em sua voz. A palavra "mercen¨¢ria" saiu carregada de desd¨¦m, fazendo Ana ficar incomodada. ¡°Parece que ela tem um preconceito bem forte sobre a companhia¡±, Ana percebeu o impacto que as revela??es sobre a vida secreta de sua m?e tiveram sobre Jasmim, mas ao come?ar a explicar, foi interrompida por um sacudir de cabe?a claramente desapontado. ¡ª Eu n?o posso acreditar que voc¨ºs escolheram essa vida. Todo esse risco, por qu¨º? Por dinheiro? Por aventura? ¡ª N?o ¨¦ t?o simples¡­ Eu sinto muito que voc¨º tenha descoberto dessa forma, Jasmim. Ela fazia isso para nos proteger, para proteger todos n¨®s. ¡ª Proteger? Colocando-se em perigo constante? Com suas habilidades voc¨ºs podiam ter entrado em minha guilda, poder¨ªamos dizer orgulhosamente que somos ca?adores ¡ª Jasmim retrucou, claramente abalada e confusa. Ana colocou uma m?o de forma reconfortante sobre o ombro de Jasmim, sentindo a tens?o presente em seu corpo. ¡ª Agora, mais do que nunca, ela precisa de n¨®s. Vamos cuidar dela juntas, como ela cuidou de n¨®s. ¡ª Cale a boca! Voc¨º est¨¢ junto com os que fizeram ela ficar nesse estado, voc¨º n?o passa de uma marginal! Eu n?o aguento olhar para a sua cara, n?o agora. Com olhos cheios de l¨¢grimas e passos pesados, a jovem ca?adora correu para fora da sala. ¡ª Crian?as s?o realmente dif¨ªceis, m?e ¡ª disse Ana para si mesma. Seu sorriso estava cansado enquanto arrumava o travesseiro da mulher desacordada. Apesar das muitas palavras terem sido ditas apenas pelo calor do momento, as coisas entre Ana e Jasmim mudaram permanentemente.
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Capítulo 24 - Anatomia
¡ª Lembra de nossas aventuras, Gabriel? At¨¦ mesmo voc¨º teve que admitir que gostou do nosso livro anat?mico. T?o detalhado, t?o art¨ªstico. Os animais s?o ainda mais interessantes por dentro do que por fora. Sentada confortavelmente em seu ¡®covil¡¯, Ana folheava suas anota??es do Grande Vazio. Esse era um dos poucos livros que sobraram depois do retorno, um desgastado caderno que sempre andava com a garota, sempre preparado para receber novas linhas de conhecimento. Embora seus olhos estivessem fixos nas p¨¢ginas amareladas, suas palavras se perdiam nas paredes, ressoando nos cantos sombrios que nunca responderiam. Um toque sutil e hesitante na porta a liberou de seu estupor, trazendo seus olhos nublados de volta para a realidade. ¡ª Entre, Maria. Os passos lentos ressoaram no espa?o at¨¦ que a jovem parou diante de Ana, escondendo seus olhos sob a aba do chap¨¦u, incapaz de encarar diretamente sua antiga conhecida. ¡ª P-parab¨¦ns por se tornar uma rainha de prata¡­ foi realmente r¨¢pido. ¡ª Oh, sim, obrigada. As not¨ªcias realmente correm r¨¢pido, n?o ¨¦ mesmo? Me pergunto no ouvido de quantas pessoas isso j¨¢ chegou. O ar frio que entrava pela janela tornava o clima ainda mais pesado. As frases eram ditas de forma casual, mas os espinhos podiam ser sentidos em cada palavra. ¡ª Voc¨º sabe, Ana... o mundo gira em torno do dinheiro, e eu ganho o meu com informa??es, ¨¦ minha forma de sobreviver. N?o pretendia te prejudicar, aceitei vir aqui para mostrar que estou arrependida. Ainda podemos ser parceiras¡­ Sem uma resposta ¨¤s desculpas de Maria, Ana fechou o caderno com um baque surdo e o colocou sobre a mesa. ¡ª Sente-se, n?o vamos conversar com voc¨º em p¨¦. O que voc¨º acha disso? Maria pegou o livro com as m?os tr¨ºmulas. Seus olhos percorriam as p¨¢ginas em uma velocidade acima da m¨¦dia, e era not¨¢vel que a jovem comerciante j¨¢ era experiente em captar os principais pontos de um texto com apenas um olhar. ¡ª ¨¦ incr¨ªvel, nunca vi um registro t?o detalhado da fauna do nosso mundo original ¡ª falou com uma voz tensa, mas sincera. ¡ª Sim, incr¨ªvel, mas in¨²til desde que a grande maioria das esp¨¦cies foi alterada pela mana ¡ª Ana se acomodou melhor na cadeira, pegando seu celular e colocando uma m¨²sica suave para tocar, o que deu um tom surreal ¨¤ conversa. ¡ª Apesar disso, esses registros me trazem boas lembran?as. Planejo reescrever este livro, catalogando cada nova criatura que encontrar em minhas futuras excurs?es. ¡ª J¨¢ tem bastante gente fazendo isso, n?o ¨¦ mais f¨¢cil s¨® comprar os estudos prontos? ¡ª Maria tentou aliviar o clima com uma brincadeira. Ela n?o entendia em que dire??o a conversa estava indo, mas a forte tens?o no ar estava ati?ando seus instintos. ¡ª Pode soar um pouco presun?oso, mas confio mais na minha pr¨®pria an¨¢lise. Embora s¨® tenha uma pequena parte dos registros originais, posso afirmar com orgulho que estudei profundamente todas as formas de vida da Terra. Did you know this story is from Royal Road? Read the official version for free and support the author. ¡ª N?o acho que isso seja poss¨ªvel¡­ ¡ª Voc¨º est¨¢ certa, eu exagerei. Deixe-me corrigir, estudei a fundo quase todas as formas de vida daquela porcaria de Terra. Ana se levantou e se dirigiu ao balc?o pr¨®ximo a fornalha. Ela parecia encarar as ferramentas que usava na forja, mas na realidade seu olhar estava perdido em pensamentos. ¡ª Sabe, em minhas viagens, eu sempre tive um arrependimento. A cada novo animal dissecado, a cada novo desenho feito, sempre um fato me atormentava: meus registros nunca poderiam estar completos. Abrindo uma pequena maleta m¨¦dica, ela continuou. ¡ª Claro, existiam livros com estudos anat?micos, mas tente me entender! Eu tinha minha pr¨®pria cole??o, fui de um lado a outro desse mundo aproveitando tudo que ele tinha a oferecer, voc¨º entende a minha ang¨²stia por n?o poder escrever justo sobre a esp¨¦cie dominante deste mundo? ¡ª Me desculpe... ¡ª Desculpar? Voc¨º entendeu errado, n?o estou brava como voc¨º, afinal, voc¨º salvou minha vida vendendo as informa??es da miss?o para Natalya. Apenas n?o quero que isso se repita. ¡ª N?o vai, eu prometo. ¡ª Bem, prefiro n?o dar sorte para o azar. ¡°A cabe?a dela est¨¢ totalmente fodida¡±, pensou Maria, vendo uma fina agulha de seringa vir em dire??o ao seu pesco?o. L¨¢grimas come?aram a escorrer incessantemente de seus olhos enquanto ela sentia um formigamento estranho percorrendo seu corpo, lentamente entorpecendo todo tipo de sensa??o. Maria n?o era est¨²pida, o rumo da conversa e as a??es repentinas de Ana esclareceram o que o destino lhe reservava, mas, para sua surpresa, ela n?o desmaiou, e isso tornou tudo muito mais desesperador.
¡°O funcionamento das novas veias ¨¦ incr¨ªvel, quem diria que o fluxo de mana flui de forma t?o diferente do nosso sangue¡± No in¨ªcio de uma manh? fresca e luminosa, Ana estava ajoelhada diante de um pequeno peda?o de terra ¨²mida em frente ao seu covil, o ar matutino impregnado com o aroma de terra e orvalho. Com as m?os enluvadas, ela cuidadosamente abriu pequenas covas na terra, onde depositava as sementes que havia escolhido para seu novo projeto. Suas a??es eram acompanhadas por murm¨²rios cheios de explica??es aleat¨®rias para si mesma. A noite anterior havia sido longa e cheia de estudos meticulosos. Ela havia passado horas analisando amostras biol¨®gicas sob a luz fraca de velas, comparando as estruturas alteradas pela mana com as descri??es em seus antigos livros de biologia. ¡ª O que voc¨º est¨¢ fazendo? ¡ª perguntou Alex, observando as fileiras rec¨¦m-plantadas. A seu lado, Felipe observava com o mesmo misto de interesse e confus?o. ¡ª Vou come?ar uma horta pr¨®pria. Estou curiosa sobre botanica contemporanea e quero aperfei?oar minhas habilidades nessa ¨¢rea tamb¨¦m, ¡ª explicou Ana, sem levantar os olhos do solo. Sua voz era calma, mas havia uma determina??o firme em suas palavras, refletindo seu desejo de dominar mais um campo do conhecimento. Felipe, espiando mais de perto, notou uma cruz r¨²stica decorando o fundo do local. ¡ª Mas que decora??o m¨®rbida para um jardim, hein? ¡ª comentou ele, com uma sobrancelha arqueada e uma nota de humor na voz. Ana levantou-se, limpando as m?os no avental, e sorriu misteriosamente para o garoto. ¡ª ¨¦ bom ter algo que nos lembre da imperman¨ºncia da vida enquanto cuidamos do crescimento, n?o ¨¦? Os outros trocaram olhares, desconfort¨¢veis com a resposta, mas percebendo que, como sempre, Ana tinha camadas em suas a??es que frequentemente iam al¨¦m do ¨®bvio. Decidiram n?o pressionar por mais explica??es, eles sabiam que Ana sempre teve um jeito peculiar de ver o mundo, e uma estranha sensa??o no ar dizia que era melhor deixar algumas perguntas sem resposta. ¡ª Ent?o, o que voc¨º pretende plantar aqui? Alguma planta estranha? ¡ª Mudando de assunto, Alex tentou trazer um pouco de leveza ao momento. Ana, satisfeita com a mudan?a de tema, come?ou a descrever seu plano para a horta. ¡ª Estou pensando em come?ar com algumas ervas simples, talvez algumas medicinais e outras culin¨¢rias. Com o tempo, quem sabe, posso come?ar a experimentar com esp¨¦cies mais ex¨®ticas. ¡ª Se precisar de ajuda com algo mais pesado para preparar a terra ou construir cercas, ¨¦ s¨® falar ¡ª Felipe sugeriu. ¡ª Obrigada. Por enquanto, estou bem, mas definitivamente agradeceria a ajuda quando expandir o jardim. Mas me surpreende que tenham tempo para isso, n?o vejo o suor do treino nas suas roupas. ¡ª Bem, sobre isso, n?o acho que estamos em condi??es ideais para treinar¡­ A vis?o dos jovens ca?adores era de dar pena; Alex estava com grande parte de seu grande corpo enfaixado e gesso cobria seus dois pulsos esmagados, uma les?o que certamente n?o seria curada rapidamente. Suas feridas sempre voltavam a se abrir, deixando marcas rosadas em suas roupas. J¨¢ Felipe, apesar de n?o t?o machucado, apresentava uma tez p¨¢lida, como se estivesse doente. V¨¢rias de suas costelas foram danificadas no confronto, e at¨¦ mesmo respirar do¨ªa. No entanto, um olhar severo apareceu no rosto de Ana, fazendo arrepios passarem pelas nucas dos garotos. ¡ª Oh, acabei de me lembrar que ainda tenho pernas! Vou correr um pouco, at¨¦ mais, chefe! ¡ª Eu vou¡­ atirar em alguma coisa! ¡ª Felipe, decepcionado por ter sido abandonado pelo irm?o, rapidamente foi para dentro do ref¨²gio, procurando sua arma em desespero. ¡°Bando de pregui?osos¡±, pensou a mercen¨¢ria, voltando a cavar a terra.
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Capítulo 25 - Gaveteiros
¡°Uma coroa de prata parece ter suas vantagens¡± Esse era o pensamento de Ana enquanto lia o relat¨®rio que foi entregue em sua casa pela organiza??o, detalhando seus novos direitos e deveres. Os benef¨ªcios de um prata patrono eram basicamente o dobro do que era entregue a um bronze fundador: seu patroc¨ªnio, j¨¢ generoso anteriormente, subiu para 20 moedas por m¨ºs e o tempo entre miss?es especiais agora era de trinta dias, n?o quinze, dando um maior tempo para as prepara??es. Ana distribuiu sua nova renda de forma pr¨¢tica, sendo quatro moedas para seu covil, o qual agora estava financiando uma compra, n?o s¨® alugando, quatro moedas para sua poupan?a pessoal, tr¨ºs moedas para materiais diversos e tr¨ºs moedas para cada cavaleiro sob seu comando. Era um sal¨¢rio muito alto para simples membros de um grupo, mas ela sabia que a melhor forma de comprar a lealdade de algu¨¦m era com dinheiro, ent?o decidiu n?o ser mesquinha com as pessoas que poderiam ter sua vida nas m?os em um futuro pr¨®ximo. ¡°A ¨²nica desvantagem ¨¦ que esses doidos n?o param de aparecer¡±, j¨¢ era o terceiro advers¨¢rio que se anunciava para pedir um desafio contra a nova rainha. A fama de seu r¨¢pido crescimento e o v¨ªdeo divulgado nas redes da luta na arena estavam atraindo cada vez mais o interesse, seja de ca?adores ou de outros trabalhadores do submundo. ¡ª Meu nome ¨¦ Luiz, sou um ca?ador rank C, imagino que estejamos no mesmo n¨ªvel. Eu formalmente pe?o que me enfrente, mercen¨¢ria. O homem era alto e tinha cabelos loiros curtos, seu rosto parecia gentil, mas seus olhos eram mortos, como se n?o tivesse real interesse na batalha que solicitava. Duas elegantes espadas curvas estavam presas em suas costas, mas Ana n?o pode deixar de notar que uma esp¨¦cie de varinha pendia em seu cinto. A realeza mercen¨¢ria n?o era classificada por for?a, mas sim por sua lenda constru¨ªda atrav¨¦s de feitos, ent?o, apesar de muitos ca?adores orgulhosos terem a vontade de aumentar seu status ao vencer uma rainha, apenas os que garantiam ter o mesmo n¨ªvel de for?a que a garota pediam um duelo, ningu¨¦m queria ser mal visto ao enfrentar algu¨¦m claramente mais fraco. ¡ª Estou de boa ¡ª respondeu Ana, seguindo seu caminho. Assim como os dois desafiantes anteriores, ela apenas negou secamente os pedidos, n?o se importando dos rumores que certamente se espalhariam sobre sua covardia. ¡°N?o tenho nada a ganhar com lutas de rua, se eu vencer esses caras o ciclo vai continuar se repetindo com oponentes cada vez mais fortes¡±, refletiu ela enquanto dava passos largos para longe do local. Havia uma regra bem definida para lutas dentro das cidades: se um n?o quer, dois n?o lutam. Lutas mal planejadas destroem os arredores e podem machucar civis, e quando isso acontece, o que resta ao atacante inicial s?o severas multas e um bom tempo atr¨¢s das grades, as autoridades n?o faziam corpo mole na emergente sociedade onde um ataque m¨¢gico lan?ado ao azar chegava ao n¨ªvel de um ataque terrorista de antigamente.. O rosto gentil do ca?ador se distorceu ao notar que havia sido ignorado. Se houvesse medo no rosto de Ana, ele simplesmente se gabaria de como venceu sem nem precisar lutar, mas o olhar lan?ado em sua dire??o claramente continha desprezo. ¡ª Mercen¨¢riazinha de merda, olhe para mim enquanto eu falo com voc¨º ¡ª com um movimento bem treinado, Luiz pegou a varinha que mantinha como seu ¨²ltimo recurso. O item era uma fina pe?a de madeira com belos entalhes ao longo de seu corpo, um brilho azul parecia ser deixado no rastro de seus movimentos. O ca?ador murmurou palavras inaud¨ªveis e apontou para Ana, fazendo um estranho, mas aparentemente preciso, giro do graveto enfeitado. Notando o repentino movimento, a garota saltou para tr¨¢s, j¨¢ com a faca em punho. Ela girou rapidamente em dire??o ao homem, mas logo uma express?o confusa apareceu em seu rosto. ¡ª Ei, o que voc¨º est¨¢ fazendo? ¡ª perguntou Ana, com a cabe?a levemente inclinada. Luiz estava parado em uma posi??o imponente, como se fosse um bruxo lan?ando uma poderosa magia. Notando a falta de resposta, a mercen¨¢ria se aproximou lentamente e encostou em sua testa. O grande homem pareceu balan?ar com o movimento, mas ainda n?o expressou rea??o, como se estivesse parado no tempo. ¡ª Que cara estranho¡­ isso fica comigo. Voc¨º n?o se importa, n¨¦? ¡ª Ana puxou a varinha das m?os estagnadas e come?ou a se afastar, voltando para suas tarefas habituais. Ela tinha um encontro marcado com seus subordinados, estava na hora de se fortalecerem.Support creative writers by reading their stories on Royal Road, not stolen versions.
¡ª Socorro! Algu¨¦m me ajude, por favor! ¡ª Luiz gritava desesperadamente, suas palavras evaporaram no ar, t?o in¨²teis quanto ele se sentia. Era um mundo branco infinito, um mundo vazio, exceto por intermin¨¢veis fileiras de gaveteiros de escrit¨®rio, todos trancados por um estranho cadeado preto. ¡ª Como isso ¨¦ poss¨ªvel? ¡ª murmurava ele, a voz abafada pelo nada absoluto que parecia engolir cada som. Ele tentou abrir os gaveteiros com m?os tr¨ºmulas, um ap¨®s o outro, sem sucesso. ¡ª Isso n?o pode estar acontecendo. Era s¨® um ataque mental inocente, eu s¨® queria ser ouvido, s¨® queria provar meu valor... s¨® isso! ¡ª seu mon¨®logo se tornava cada vez mais fren¨¦tico ¨¤ medida que a realidade de seu aprisionamento se solidificou. Correndo de um lado para o outro, ele tocava os cadeados frios, cada um resistindo ¨¤s suas tentativas. A frustra??o o consumia, enquanto ele batia com seus punhos nos gaveteiros em um claro panico, esperando inutilmente que algo ocorresse. ¡ª Por que eu? O que fiz para merecer isso? ¡ª ele desabou no ch?o, seus joelhos falhando pela exaust?o. ¡ª Talvez eu nunca escape. Talvez esse seja o meu fim... perdido na mente de algu¨¦m que nem ao menos conhe?o. As l¨¢grimas que come?avam a correr por seu rosto eram a ¨²nica resposta que o vazio lhe dava. A cada solu?o, Luiz sentia como se um pouco mais de sua sanidade se esva¨ªsse, deixando-o ¨¤ deriva em um oceano de nada. A no??o de que cada gaveteiro trancado representava um fragmento de Ana surgiu aos poucos, aterrorizando-o. ¡ª Eu n?o quero ficar louco, n?o aqui, n?o sozinho. A solid?o era esmagadora, mas conforme os aparentemente intermin¨¢veis dias passavam, Luiz finalmente aceitou sua situa??o. Suas ¨²ltimas palavras n?o eram mais que um sussurro enquanto ele se encolhia, abra?ando os pr¨®prios bra?os em uma v? tentativa de encontrar algum conforto no isolamento total.
¡ª Trinta moedas de ouro, uma quantidade acima do esperado para uma miss?o de bronze ¡ª Ana separou as moedas em cinco montes iguais, entregando-as lentamente para cada membro do grupo. ¡ª N?o acho que valeu a pena ¡ª disse J¨²lia, encarando o punhado de moedas restantes que seria destinado a Marina. O quarto estava frio, mesmo com a tarde ensolarada do lado de fora. O sil¨ºncio parecia caminhar lado a lado com o pr¨®prio ar, permeando cada membro do grupo ao serem lembrados da perda recente. ¡ª Bem, sabem se ela tem algum familiar pr¨®ximo? ¡ª Ana perguntou, quebrando brevemente o clima pesado. ¡ª Ela dividia um quarto comigo perto do centro, n?o parece que tinha algu¨¦m, ao menos n?o na regi?o ¡ª novas l¨¢grimas surgiram nos olhos de J¨²lia, um acontecimento recorrente nos ¨²ltimos dias. ¡ª Entendo, vamos apenas guard¨¢-las por enquanto. Com movimentos cuidadosos, as moedas de Marina foram depositadas em um pequeno caixote no canto da sala. Sua presen?a, apesar de triste, trazia certo conforto ao grupo. ¡ª Ana, tenho pensado... acha que poder¨ªamos tentar uma nova pr¨®tese para mim? ¡ª perguntou Felipe, tocando o lugar onde seu bra?o terminava. ¡ª Algo que talvez integre algumas fun??es de combate? Ana olhou para ele com um sorriso compreensivo, a conversa lentamente mudou para os planos futuros do grupo. ¡ª Claro, Felipe. Na verdade, j¨¢ tenho algumas ideias. O que acha de algumas integra??es de armas no dispositivo? N?o pude deixar de notar seus sorrisos durante as batalhas em Kurt. Os olhos do jovem ca?ador brilharam enquanto aceitava a sugest?o em um aceno silencioso, mas animado. ¡ª ¨®timo, pode ser um bom projeto para n¨®s. Alex, parece que tamb¨¦m teremos que conversar. ¡ª Voc¨ºs sabem que meus pulsos est?o acabados. N?o consigo mais segurar a lan?a com firmeza¡­ ¡ª O grande homem, que estava calado at¨¦ ent?o, finalmente falou. ¡ª Eu n?o vou mentir, se insistir nessa arma, nunca ir¨¢ evoluir, mesmo que aumente sua for?a. Seus ferimentos n?o s?o algo que pode ser completamente curado, sempre v?o existir resqu¨ªcios que te seguram. ¡ª Acredito que n?o sou mais algu¨¦m qualificado para estar na equipe ¡ª Alex olhou para o ch?o, seus punhos firmemente cerrados enquanto tentava aceitar a realidade. ¡ª Do que est¨¢ falando? Eu deixei claro que ¨¦ apenas se insistir em sua arma atual ¡ª a garota suspirou, enquanto apertava suas t¨ºmporas ao ouvir o drama do amigo. ¡ª N?o tem como seus nervos danificados fornecerem o impulso necess¨¢rio para uma perfura??o adequada da lan?a, mas o que acha de manoplas? Claro, ¨¦ algo totalmente novo, mas seu corpo se adequaria bem a um estilo de luta utilizado por pugilistas. ¡ª Hmmm, se voc¨º acha que consigo, n?o vejo motivos para recusar¡­ Espero sua ajuda em meus treinos, chefe! ¡ª E eu? O que voc¨º acha que posso fazer para melhorar? Estou me sentindo um pouco perdida desde... desde tudo que aconteceu. Sei que sou fraca, mas foi humilhante ¡ª J¨²lia, que observava a troca de ideias, finalmente falou. Ana deu um sorriso gentil e colocou uma m?o no ombro da garota ruiva. ¡ª Seu estilo s¨® vai brilhar quando seu corpo for forte o suficiente para balan?ar aquele martelo como se fosse uma espada. At¨¦ isso chegar, pensaremos em uma nova arma que te apoie para oponentes mais r¨¢pidos. J¨²lia torceu o nariz ao ouvir sobre experimentar uma arma diferente, mas as lembran?as de seus ataques n?o chegando nem perto de tocar a sombra a fizeram dar um aceno de concordancia, mesmo que a contragosto. ¡ª Eu estava pensando... Por que n?o formalizamos nosso grupo? ¡ª sugeriu Ana, animando-se com a ideia. ¡ª Voc¨º diz, dar um nome para n¨®s? ¡ª Felipe estava refletindo sobre a ideia inesperada, chegando a conclus?o de que era algo bom para espalhar seu nome. ¡ª Sim, algo que nos defina, nos una. ¡ª Eu gosto disso ¡ª disse J¨²lia, um brilho de entusiasmo atravessou seus grandes olhos. ¡ª Precisamos de algo que nos lembre por que estamos juntos, especialmente agora. ¡ª Que tal "Ironia Divina"? ¡ª Alex sugeriu. ¡ª Sabe, nos ¨²ltimos tempos sempre algo d¨¢ errado, sinto que os c¨¦us est?o zombando de n¨®s. ¡ª Perfeito! ¡ª respondeu Ana, sorrindo ao ouvir as palavras do jovem ca?ador. Para ela, n?o parecia haver nome melhor. Todos acenaram em concordancia. ¡ª Agora, me sigam. O grupo foi ao jardim, com a luz do sol da tarde banhando seus rostos. A pedido de Ana, J¨²lia segurava cuidadosamente o retrato de Marina, mas sem entender o motivo disso. ¡ª Prontos? Olhem para l¨¢ e digam ¡®X¡¯! Pegando a todos de forma despreparada, um flash veio de um pequeno trip¨¦ j¨¢ montado ao lado de uma das ¨¢rvores. O momento foi ca¨®tico, mas a camera capturou bem n?o s¨® a imagem, como tamb¨¦m a ess¨ºncia dos integrantes, unidos n?o apenas pela luta e pela sobreviv¨ºncia, mas pelo companheirismo que continuavam a cultivar, mesmo nas circunstancias mais dif¨ªceis.
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Capítulo 26 - Preocupa??es
No amanhecer tranquilo que precedia uma nova expedi??o, duas garotas se encontravam diante do mural de miss?es, o local onde os destinos eram escolhidos e, ¨¤s vezes, selados. As olheiras embaixo de seus olhos deixava claro o qu?o desgastante foi a noite anterior, onde todo o grupo madrugou diante dos projetos de seus futuros equipamentos, mas um trabalho mais profundo precisaria ser feito para definir o novo estilo pelo qual J¨²lia caminharia. Ana, com um olhar cr¨ªtico, mas inexperiente, analisava as op??es dispon¨ªveis, quando de repente apontou para um dos pap¨¦is. ¡ª Esta aqui parece adequada para n¨®s duas ¡ª disse a garota, indicando para uma miss?o que solicitava a investiga??o de atividades suspeitas em uma das novas aldeias pr¨®ximas. ¡ª N?o ¨¦ muito perigosa, mas ¨¦ o suficiente para nos manter alertas. Alex e Felipe n?o estavam em condi??es para uma poss¨ªvel batalha, ent?o permaneceriam em repouso por mais alguns dias. Felizmente, com a medicina moderna somada ¨¤s po??es milagrosas da nova era de mana, n?o demoraria muito para voltarem a ativa. Os bolsos dos mercen¨¢rios estavam cheios o suficiente para relaxarem at¨¦ a pr¨®xima miss?o obrigat¨®ria, mas querendo entender melhor como J¨²lia se encaixa com diferentes armas antes de se trancar na forja, Ana sugeriu uma r¨¢pida viagem. ¡ª Acho que ¨¦ boa o suficiente ¡ª a resposta da ca?adora foi vaga, e Ana percebeu que seus pensamentos estavam vagando longe do mural ¨¤ sua frente. As m?os sempre firmes da jovem mostravam um quase impercept¨ªvel tremor, denunciando seu nervosismo. ¡ª Voc¨º parece inquieta, est¨¢ tudo bem? ¡ª Eu... Eu j¨¢ vi muitas mortes em Aur¨®rea, e foi o mesmo durante as miss?es depois de ter voltado para a terra, mas nunca tive que lidar com ela t?o de perto antes, nunca foi algu¨¦m t?o pr¨®ximo ¡ª confessou J¨²lia, as palavras saindo com dificuldade. ¡ª Eu tenho uma irm?, Ana. Ela est¨¢ muito doente, e eu¡­ estou com medo. Se eu n?o voltar da miss?o, ela ter¨¢ que ficar sozinha. Eu sou tudo que ela tem. ¡°Eu n?o deveria me meter na vida dos outros¡±, pensou Ana, suspirando. Apesar disso, olhou para o rosto cansado da garota ruiva ao seu lado, soltando as palavras lentamente. ¡ª Sabe, pode parecer bobeira, mas estudei medicina no meu¡­ tempo livre. Se importa se eu conhec¨º-la? Talvez eu possa fazer algo por ela antes de partirmos. A oferta surpreendeu J¨²lia, que encarou Ana com uma mistura de surpresa e descren?a. Ela respirou fundo, seus ombros ca¨ªram levemente, mas ela aceitou de forma relutante. ¡ª Voc¨º faria isso? Seria... seria incr¨ªvel. ¡ª Me leve at¨¦ ela. Deixando o mural de miss?es para tr¨¢s, as duas caminharam a passos largos para a casa onde a irm? estava sendo cuidada. ¡ª Me fale um pouco mais da situa??o. ¡ª Ela se chama Eva. Os m¨¦dicos da cidade n?o conseguiram descobrir qual o problema e ela n?o tem for?as para viajar para ser examinada em outros locais, ent?o tudo que posso fazer ¨¦ a deixar confort¨¢vel ao inv¨¦s de presa em camas de hospital. ¡ª Ent?o ningu¨¦m sabe o que ela tem? ¡ª Infelizmente n?o. A dois anos ela come?ou a ter desmaios repentinos e fortes dores de cabe?a. No come?o acontecia muito raramente, mas piorou dia ap¨®s dia desde ent?o. Ana ouviu atentamente. Como uma enciclop¨¦dia, sua mente j¨¢ formulava poss¨ªveis causas e tratamentos. Chegando na casa, Ana foi recebida por um quarto silencioso onde Eva repousava. Seus cabelos eram de um vermelho ardente, como os de J¨²lia, e a jovem passava um ar animado de infancia, mas sua pele p¨¢lida e respira??o fraca indicavam a gravidade de sua condi??o. Ana aproximou-se com confian?a, examinando o corpo da garota cuidadosamente. ¡ª O quarto est¨¢ muito bem equipado, a an¨¢lise ficar¨¢ muito mais f¨¢cil com equipamentos t?o modernos. ¡ª Isso ¨¦ tudo gra?as a voc¨º, apenas recentemente tive dinheiro o suficiente para eles, mas n?o est?o ajudando tanto. Ana acomodou-se ao lado da cama de Eva, seus perspicazes olhos j¨¢ fazendo uma observa??o detalhada dos sinais vitais da paciente. Com sentidos agu?ados e um vasto conhecimento, ela come?ou a aplicar um exame inicial b¨¢sico, avaliando a coordena??o, for?a muscular e resposta pupilares de Eva. Com precis?o, ela testou os reflexos de Eva, observando qualquer anormalidade ou atraso nas respostas. Os exames seguiram um equipamento de cada vez, com as m?os de Ana anotando cada detalhe em um pequeno bloco de papel. Ana, ent?o, coletou uma amostra de sangue de Eva, usando uma seringa esterilizada para extrair sangue de uma veia vis¨ªvel no bra?o da paciente. Ap¨®s completar a avalia??o f¨ªsica, ela se voltou para J¨²lia.Enjoying the story? Show your support by reading it on the official site. ¡ª Preciso que voc¨º compre algumas ervas para mim: arnica, ginkgo biloba, e c¨²rcuma. Elas t¨ºm propriedades que podem ajudar a aliviar inflama??o e melhorar a circula??o sangu¨ªnea no c¨¦rebro ¡ª instruiu a aspirante a m¨¦dica, sem tirar os olhos de suas anota??es. J¨²lia assentiu e saiu para buscar o pedido. Enquanto isso, Ana configurou um pequeno laborat¨®rio improvisado para realizar testes mais espec¨ªficos. Usando um kit de biologia molecular que estava empoeirado no canto do quarto, foram preparadas laminas de microsc¨®pio com amostras do sangue de Eva, tingindo-as para identificar qualquer anormalidade nas c¨¦lulas sangu¨ªneas, sinais de infec??o viral ou bacteriana. A noite passou lentamente com o meticuloso trabalho continuando sem descanso, combinando uma s¨¦rie de ervas com outros agentes bioqu¨ªmicos, ajustando as propor??es baseada nas respostas que observava em cada lamina. Os primeiros raios de sol entraram sutilmente pela janela, e com eles a mercen¨¢ria finalmente selou um pequeno frasco contendo um brilhante l¨ªquido azulado, uma velocidade que faria grandes cientistas sentirem inveja. ¡ª Acredito que isso possa ajudar a Eva, ao menos a aliviar alguns sintomas enquanto buscamos uma solu??o permanente ¡ª disse Ana a J¨²lia, entregando-lhe o frasco. ¡ª Vamos come?ar com pequenas doses e observar como ela responde. A ca?adora n?o havia conseguido pregar os olhos durante a noite, mantendo uma constante express?o de esperan?a ao observar Ana trabalhar. Cansada, mas agora com um fio de uma animada antecipa??o, segurou o frasco com as duas m?os, despejando com cuidado na pequena boca da garota doente. Nas horas seguintes, J¨²lia observou cada leve melhora na respira??o de Eva, sentindo uma onda de al¨ªvio t?o intensa que parecia f¨ªsica. Seus ombros, tensos h¨¢ meses com o peso da preocupa??o, finalmente relaxaram um pouco ao ver a irm? se sentar na cama com mais energia do que tinha mostrado em meses. ¡ª Parece que estamos no caminho certo ¡ª murmurou Ana, satisfeita com o progresso. ¡ª Vamos monitor¨¢-la ao longo do dia. Se tudo continuar bem, podemos partir para a miss?o amanh?. J¨²lia, aliviada, respondeu com um apertado abra?o agradecido. As palavras n?o conseguiam sair, mas seu cora??o batia forte ao saber que servia a esta estranha garota.
¡ª Qual o seu problema? Voc¨º n?o sabe para que serve um maldito escudo? As palavras de Ana soaram mais duras do que ela pretendia, mas o calor da batalha deixava pouco espa?o para gentilezas. Elas estavam em meio a uma trilha estreita, um caminho improvisado e pouco seguro para o vilarejo, marcado por confrontos espor¨¢dicos com criaturas que emergiam de entre as ¨¢rvores. ¡ª Eu estou tentando! N?o ¨¦ como se eu treinasse com um escudo a vida toda, t¨¢? Me d¨¢ um tempo! ¡ª J¨²lia, segurando o escudo de forma desajeitada, respondeu com a voz elevada, a frustra??o evidente em seu rosto suado. ¡°Paci¨ºncia ¨¦ uma virtude, Ana, paci¨ºncia ¨¦ uma virtude¡±, pensou, mordendo os l¨¢bios para n?o xingar mais a ca?adora. Elas avan?avam, e a cada novo ataque de mephits que saltavam das sombras, J¨²lia lutava para encontrar o ritmo certo entre bloquear com o escudo e atacar com a espada curta. As pequenas criaturas elementais tinham uma apar¨ºncia humanoide e express?o travessa. Elas voavam agilmente com as deformadas asas em suas costas, tornando-as dif¨ªceis de acertar, mas suas reais habilidades m¨¢gicas eram baixas, n?o sendo uma amea?a real para qualquer pessoa mais forte que um civil comum. Apesar disso, era ineg¨¢vel que seus confusos feiti?os complicam o treinamento. ¡ª Venha aqui agora, pequeno filho da puta ¡ª a jovem ruiva ficava cada vez mais brava cada vez que as criaturas acertavam fracos socos em seu rosto, se esquiando com gargalhadas logo em seguida. ¡ª Se voc¨º levantar esse escudo um segundo mais cedo, n?o vai acabar com um olho roxo! ¡ª Ana instruiu enquanto desviava de um golpe e retalhava outro mephit com um movimento fluido de sua faca. J¨²lia tentou seguir o conselho, mas seu tempo de rea??o ainda estava ruim. Um dos seres, mais ousado que os demais, aproveitou a abertura, avan?ando no escudo com for?a suficiente para fazer J¨²lia cambalear para tr¨¢s. ¡ª Chega, n?o consigo com isso! ¡ª Respirando fundo ap¨®s desviar de um ataque de fogo de um dos Mephits e quase ser atingida por uma rajada de gelo de outro, a garota jogou o escudo e a pequena espada no ch?o, com um gesto de frustra??o. Ana observou por um momento, avaliando a situa??o. J¨¢ era a quarta arma experimentada, mas sejam adagas, lan?as ou luvas cheias de espinhos, nada parecia se encaixar na jovem ¨¤ sua frente. Baixando de suas costas a pesada mochila cheia dos mais diversos armamentos, a rainha mercen¨¢ria puxou uma longa e elegante espada. ¡ª Certo, tente isso. J¨²lia, um tanto hesitante, agarrou a arma com ambas as m?os. A leveza e o equil¨ªbrio da arma surpreenderam-na, foi uma conex?o quase imediata. ¡ª Que tipo de arma ¨¦ essa¡­ ¨¦ grande, mas t?o leve! ¡ª suas palavras pareciam revitalizadas. ¡ª Se chama Nodachi. Pode parecer uma espada de duas m?os comuns, mas como voc¨º disse, ¨¦ bem mais leve. ¡ª ¨¦ incr¨ªvel! Isso sim ¨¦ lutar! ¡ª disse J¨²lia, animada ao cortar um mephit de vapor ao meio, com uma clara satisfa??o de ver a criatura dissipar-se no ar. Parecia intimidante no in¨ªcio, mas seu treinamento anterior com armas mais pesadas fez com que os movimentos com a nodachi parecessem naturais. Uma efic¨¢cia n?o vista anteriormente foi apresentada enquanto a garota corria atrav¨¦s dos mephits, cada golpe com pot¨ºncia e precis?o inacredit¨¢veis. ¡°Parece que finalmente achamos um substituto, mas¡­ por que ela luta como se segurasse um martelo?¡±, Ana observou a matan?a ¨¤ sua frente com uma express?o confusa, mas logo um leve sorriso surgiu em seu rosto. ¨¤ medida que se aproximavam do vilarejo, o n¨²mero de criaturas aumentava significativamente, mas agora J¨²lia movia-se com mais confian?a, cada golpe seu mais certeiro do que o ¨²ltimo, cada desvio preciso e adequado para a espada em suas m?os. Finalmente, elas alcan?aram os limites do vilarejo ao entardecer. O sil¨ºncio que as recebia era inquietante ¡ª n?o havia sinais de luta, mas uma tens?o invis¨ªvel parecia preencher o ar.
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Capítulo 27 - Bibliotecário
As garotas avan?avam lentamente pelas ruas vazias do vilarejo, observando as casas modestas com janelas fechadas e portas trancadas, suas sombras se alongando com o crep¨²sculo. ¡ª Parece que est?o todos escondidos... Ser¨¢ que acharam que est¨¢vamos aqui para causar problemas? ¡ª J¨²lia questionou, olhando para Ana em busca de sua lideran?a. ¡ª Talvez seja apenas precau??o. Vamos encontrar o chefe do vilarejo. N?o foi dif¨ªcil achar a velha casa, e, diferente do esperado, um senhor com as costas curvadas rapidamente as atendeu ao baterem na porta. A conversa foi clara e direta, e rapidamente elas descobriram que o verdadeiro problema era um grande mal-entendido sobre a distribui??o de ¨¢gua, que tinha sido interpretado como um pren¨²ncio de conflito. ¡ª Vejam s¨®, a maior parte dos problemas do mundo vem da falta de comunica??o ¡ª Ana comentou, saindo da casa com uma express?o cansada. As ¡°atividades suspeitas¡± reportadas no mural em realidade tratavam-se de pequenas sabotagens feitas entre fam¨ªlias rivais da aldeia. Com sua autoridade natural, Ana conseguiu dissipar os temores e esclarecer o mal-entendido. As horas passaram, e ao fim, as fam¨ªlias concordaram em trabalhar juntas para melhor gerir os recursos h¨ªdricos do vilarejo. ¡ª At¨¦ que foi f¨¢cil, n¨¦? ¡ª disse J¨²lia com um suspiro de al¨ªvio enquanto deixavam o vilarejo atr¨¢s de si. ¡ª Bem, ¨¦ o esperado de uma miss?o que pagava apenas algumas moedas de prata. Nem tudo envolve sair por a¨ª batendo nas coisas ¡ª Ana respondeu com um sorriso. ¡ª ¨¤s vezes as pessoas s¨® precisam ser ouvidas. A miss?o foi conclu¨ªda em poucas horas, ent?o a fria neblina da madrugada ainda estava presente no ar. N?o vendo necessidade de se acomodar nas humildes casas dos moradores, elas decidiram acampar na borda da floresta antes de retornar. Um sil¨ºncio confort¨¢vel se instalou no grupo, e em meio a ele Ana acendeu um pequeno fogareiro port¨¢til. ¡ª E ent?o, o que voc¨º gostaria de comer? ¡ª Ahn? Eu posso realmente escolher? ¡ª Na verdade n?o, eu s¨® trouxe uns poucos ingredientes ¡ª respondeu Ana, soltando uma breve risada contida. J¨²lia encarou a garota com um olhar confuso, mas logo voltou a se encostar na ¨¢rvore pr¨®xima. ¡ª Bem, ent?o aceito qualquer coisa. ¡ª ¨®timo! A ca?adora observava enquanto Ana habilmente preparava alguns vegetais e estranhas plantas coloridas, aparentemente para um ensopado simples. ¡ª Sabe, cozinhar n?o ¨¦ muito diferente do rem¨¦dio que fiz para Eva. ¨¦ tudo sobre entender os ingredientes e como eles reagem juntos. A comida pode ser simples, mas ainda assim, satisfazer as necessidades do corpo. Ana come?ou um estranho mon¨®logo enquanto suas m?os se moviam instintivamente, copiando os intrincados movimentos de uma vaga sombra que se projetava a seu lado. ¡°¨¦ o mesmo cheiro¡±, pensou ela para si mesma ao inspirar o aroma do ensopado, mas logo despertou de seus devaneios, oferecendo a J¨²lia uma prova do que estava preparando. ¡ª Como voc¨º sabe fazer tudo isso? ¡ª perguntou a garota ruiva, genuinamente curiosa ap¨®s sentir o rico sabor que estava na colher. ¡ª Acho que n?o tenho explica??o para isso. Eu preciso comer, ent?o aos poucos, aprendi. ¡ª ¨¦ imposs¨ªvel que seja s¨® isso, voc¨º poderia ser uma chef! ¡ª Talvez, mas prefiro o campo de batalha ¡ª Ana deu de ombros, fugindo lentamente do assunto. J¨²lia observava fascinada, percebendo uma faceta diferente de sua l¨ªder. O processo era met¨®dico, cada movimento calculado, como se estivesse em um laborat¨®rio e n?o ao redor de uma fogueira. Enquanto comiam, o assunto fluiu naturalmente para os acontecimentos do dia. ¡ª J¨²lia, me conta, como se sentiu usando a nodachi hoje? ¡ª Ana perguntou, querendo entender mais sobre como a jovem se sentia em campo. ¡ª Senti como se finalmente pudesse lutar do meu jeito. N?o ¨¦ t?o bruto quanto um martelo, mas ¨¦ poderoso ¡ª J¨²lia respondeu com entusiasmo, fazendo Ana sorrir. ¡ª ¨®timo, isso significa que estamos no caminho certo. ¡ª Ana recolheu os utens¨ªlios de cozinha e preparou-se para a noite. ¡ª Eu estava pensando em alguns atributos para ela, mas n?o sou t?o experiente no assunto. Antes de fazer as novas armas, irei procurar algu¨¦m apto para me ajudar no processo. A noite terminou com as duas rindo e compartilhando hist¨®rias e can??es. Ana observava J¨²lia com uma nova aprecia??o, notando como a jovem tinha crescido desde que se juntaram. Nos dias seguintes, Ana e J¨²lia participaram de v¨¢rias miss?es simples aleat¨®rias, cada uma ajudando J¨²lia a aprimorar suas habilidades com a nova lamina. Com o tempo, Felipe e depois Alex se juntaram a elas, cada um recuperado e pronto para retomar suas fun??es. This story has been stolen from Royal Road. If you read it on Amazon, please report it
Uma atmosfera serena permeava os silenciosos corredores da biblioteca da cidade. As estantes, carregadas com o peso do conhecimento, se estendiam at¨¦ quase tocar o teto alto, cada uma repleta de volumes que contam hist¨®rias de eras passadas, teorias esquecidas e segredos da magia, todos cheios de fantasias que, comicamente, voltaram a se tornar reais no mundo moderno. O ch?o de madeira absorvia o som de cada passo cauteloso dos poucos visitantes. Raios de sol pintavam o interior com cores quentes, filtradas pelos vitrais retratando lendas de herois e feiticeiros. Os olhos de Ana brilhavam ao ser cercada por edi??es que nunca teve a chance de conhecer, tudo o que ela queria era devorar cada p¨¢gina daqueles livros, mas a garota havia ido at¨¦ aquele local com um prop¨®sito claro. Varrendo o ambiente com um r¨¢pido olhar, encontrou o homem que buscava, o ¨²nico leitor publicamente conhecido em Barueri. Coincidentemente ou n?o, ele era o bibliotec¨¢rio. Seus cabelos eram curtos e de um preto intenso. Seu corpo parecia magro, mas n?o estava claramente vis¨ªvel devido ao grande casaco que estava usando. Um pequeno piercing adornava sua sobrancelha esquerda, e ele, em seus vinte e poucos anos, n?o parecia adequado para o ambiente antigo de seus arredores. No entanto, uma estranha aura parecia fluir no ambiente, fazendo a figura ser quase t?o parte daquele lugar quanto os livros dos quais cuidava. ¡ª Voc¨º ¨¦ o Brayner, o leitor, certo? ¡ª Ana perguntou, aproximando-se da mesa onde o homem lia um volumoso tomo sobre runologia arcana. ¡ª Depende de quem pergunta¡­ ¡ª olhando para cima com um olhar surpreso, ele fechou seu livro, causando um leve estalo. ¡ª Me chamo Ana, e indo direto ao ponto, preciso de suas habilidades. Com o terminar da frase, a mercen¨¢ria desenrolou uma s¨¦rie de esbo?os detalhados, observando atentamente a rea??o de Brayner, esperando que ele pudesse ver o potencial que ela via nos designs. Os projetos eram extremamente complexos e, como esperado, rapidamente atra¨ªram o interesse do garoto. ¡ª Vejo que cada item j¨¢ cont¨¦m as marca??es para as runas que devem ser incrustadas. Mas parece que ainda falha em algumas nuances cr¨ªticas. Ele a encarou por um instante, tentando avaliar as inten??es da jovem e estranha mo?a que repentinamente surgiu em sua frente. Seus olhos brilharam sutilmente, antes que um intenso arrepio atravessasse seu corpo. ¡ª Voc¨º¡­ o que ¨¦ voc¨º? Ao inv¨¦s de uma resposta, Ana apenas colocou um dedo sobre os l¨¢bios em um claro pedido de sil¨ºncio sobre a situa??o. O bibliotec¨¢rio estava assustado, mas foi incapaz de conter sua curiosidade ao conhecer algo que fugia de seu extenso conhecimento. ¡ª Bem, ¨¦ um prazer conhec¨º-la. Sim, eu sou o leitor. Fale-me mais sobre essas armas e o que exatamente voc¨º precisa, eu decidirei em seguida se tenho como fornecer meus servi?os. ¡ª Estou buscando integrar atributos espec¨ªficos que v?o al¨¦m da resist¨ºncia e for?a ¡ª Ana detalhou, sem perder tempo. ¡ª Quero que cada arma tenha habilidades ¨²nicas, algo que se encaixe com a personalidade e estilo de seu usu¨¢rio. Os dedos de Brayner voltaram aos desenhos, tra?ando as linhas das runas propostas. Ele come?ou a murmurar sozinho sobre as diversas propriedades dos fluxos da mana descritos, fazendo novas anota??es sobre como certas configura??es podem amplificar ou redirecionar a energia de maneiras espec¨ªficas. ¡ª Veja, se ajustarmos esta runa aqui para captar mais diretamente a for?a gerada pelo movimento e a energia est¨¢tica do ambiente, a lamina poderia, teoricamente, causar um forte impulso el¨¦trico sob seu comando. ¡°Parece que ele j¨¢ aceitou o desafio¡±, percebeu a garota. Ela estava ouvindo atentamente, absorvendo cada palavra. ¡ª Isso poderia ser potencializado com o uso de materiais piezoel¨¦tricos? ¡ª Depende muito, temos que pensar tamb¨¦m na condutividade de mana. Sugest?es come?aram a surgir dos dois lados, um debate que aos poucos evoluiu para uma troca intensa de ideias sobre metais, pedras preciosas e outros materiais ideais para uma mescla de elementos naturais com for?a intensa da mana. ¡ª Bem, voc¨º se importaria de vir at¨¦ a forja amanh? e me ajudar a testar algumas dessas teorias na pr¨¢tica? ¡ª Ana perguntou, esperan?osa. ¡ª Claro, pagarei o peso de seu conhecimento em ouro puro. ¡ª Ser¨¢ um prazer, Ana. N?o ¨¦ sempre que tenho a oportunidade de ver a teoria se solidificando em algo palp¨¢vel. Com os planos definidos, Ana agradeceu Brayner e caminhou em dire??o a sa¨ªda da biblioteca, havia muitos preparos a serem feitos.
Na atmosfera aquecida pela forja crepitante, Ana e Brayner mergulharam no intricado processo de cria??o de armas n?o apenas est¨¦ticamente espetaculares, mas funcionalmente revolucion¨¢rias. A oficina estava repleta de materiais selecionados a dedo, cada um not¨¢vel por suas propriedades m¨¢gicas e f¨ªsicas, prontos para serem transformados em instrumentos de poder. ¡ª A chave est¨¢ na simbiose entre material e mana ¡ª explicou o leitor, revisando novamente as linhas do fluxo de mana desenhadas no pergaminho. Enquanto Brayner contribu¨ªa com seu dom¨ªnio sobre runologia e magia em geral, Ana dava complexas explica??es sobre f¨ªsica, min¨¦rios e aplica??o pr¨¢tica em combate de acordo com o design final. Juntos, eles come?aram a trabalhar na primeira de suas cria??es, a nodachi el¨¦trica. A lamina da espada foi especialmente projetada para incorporar cristais piezoel¨¦tricos ao longo do seu corpo, permitindo converter for?a mecanica em energia el¨¦trica. Os cristais foram cuidadosamente embutidos no metal, e a energia gerada por eles era armazenada em um condensador compacto integrado ao cabo da espada. ¡ª Esses cristais, quando deformados sob press?o de vibra??es ou impactos, alinham suas estruturas internas de uma maneira que promove o fluxo el¨¦trico. ¨¦ como canalizar a f¨²ria de um raio em cada golpe da lamina. ¡ª Ana explicou, continuando o trabalho. Um mecanismo de disparo permitia que essa energia fosse liberada em poderosos impulsos el¨¦tricos, adicionando um elemento surpresa e letalidade extra ao armamento. Brayner, com seus conhecimentos de runologia, desenhou padr?es complexos ao longo da lamina ainda quente, tais padr?es n?o apenas iriam guiar a mana mas tamb¨¦m potencializariam a descarga el¨¦trica quando ativada. Os olhos dos dois estudiosos brilharam ao ver a elegante lamina conclu¨ªda, mas prosseguiram com um aceno silencioso. Sem perder tempo, puxaram o pr¨®ximo projeto. O atributo terra foi escolhido para as manoplas, e ligas de silicone refor?adas com part¨ªculas de magnetita foram utilizadas em sua confec??o, com pequenos fragmentos de turmalina negra incrustadas nas articula??es para melhor passagem de mana. Seu design inovador permitia que, ao receber impactos, as part¨ªculas amplificassem o campo magn¨¦tico natural do portador, fortalecendo tanto sua defesa quanto seu impacto ao atrair as for?as tel¨²ricas do ambiente. Ana observava fascinada enquanto Brayner esbo?ava runas que melhorariam essa conex?o, fazendo com que cada soco lan?ado com as manoplas parecesse o golpe de um gigante. O projeto mais complexo foi a pr¨®tese para o bra?o direito de Felipe foi um projeto particularmente ambicioso, algo que ia muito al¨¦m das r¨¢pidas tentativas anteriores de Ana. Ao inv¨¦s de a?o, a pr¨®tese foi moldada com uma combina??o de prata e cobre, materiais que favorecem a flexibilidade e a condu??o m¨¢gica. Integrada ¨¤ sua palma, uma pequena escopeta m¨¢gica foi desenhada, sendo discreta, mas devastadora. Aqui, a magia se uniu ¨¤ tecnologia de uma forma quase natural: al¨¦m das runas que permitiam um controle preciso atrav¨¦s do pensamento, bobinas e ¨ªm?s foram integrados ao longo do bra?o, permitindo que proj¨¦teis m¨¢gicos fossem acelerados atrav¨¦s de um forte campo eletromagn¨¦tico, n?o dependendo somente de uma fonte de mana externa. Um pequeno gerador, ativado pelo movimento natural do bra?o, garantia energia suficiente para os disparos. ¡ª Esse sistema n?o s¨® otimiza a energia gerada, mas tamb¨¦m permite uma recarga cont¨ªnua durante o combate, mantendo a arma pronta a cada movimento, ¨¦ incr¨ªvel! ¡ª exclamou Ana, encarando a pr¨®pria cria??o, claramente orgulhosa. As horas se estendiam enquanto eles ajustavam cada detalhe, discutindo e aplicando as melhores combina??es para maximizar o potencial de cada pe?a. Chispas de metal quente e o brilho de runas rec¨¦m-ativadas iluminavam seus rostos concentrados continuamente enquanto refaziam partes ainda n?o satisfat¨®rias. Finalmente, ap¨®s uma longa noite de trabalho e experimentos, as armas estavam prontas. Por sugest?o de Ana e vendo uma oportunidade de explorar um campo n?o muito debatido por outros especialistas, Brayner havia modificado as simples e lisas runas para seguirem de forma mais fiel aos canais presentes nos corpos humanos. A garota o orientou precisamente nos caminhos que deveriam ser seguidos, e ele usou o m¨¢ximo de suas habilidades para fazer com que o novo tipo de runa funcionasse, alcan?ando um potencial maior do que o esperado. As finas veias que circulavam os equipamentos fazia com que parecessem pulsar, dando uma sensa??o de vida para os objetos inanimados. ¡ª Faltou apenas um ¨²ltimo detalhe. Com uma pequena broca e a ajuda de seu ma?arico, Ana esculpiu uma pequena coroa em cada um dos itens. Elas foram sutilmente conectadas ao fim das runas, fazendo-as brilhar levemente conforme a mana flu¨ªa, mas sem afetar seu funcionamento. ¡ª Nunca pensei que veria uma fus?o t?o perfeita de arte, ci¨ºncia e magia. ¡ª murmurou o bibliotec¨¢rio, passando a m?o pela superf¨ªcie ainda quente da pr¨®tese. ¡ª ¨¦ uma obra de arte. Estou ansioso para ver estas em a??o. ¡ª Ver em a??o? Que tal nos acompanhar fora dos muros? ¡ª brincou Ana, intrigada com as falas de Brayner. ¡ª Quem sabe eu acompanhe alguma de suas miss?es, me sentiria mal se n?o visse o qu?o eficazes elas s?o. ¡ª Bem, parece que sua chance acabou de chegar. Como se esperasse o pronunciamento do jovem leitor, o telefone de Ana tocou. Madame esperava do outro lado da linha, j¨¢ estava na hora de partirem para uma nova miss?o obrigat¨®ria.
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Capítulo 28 - Espera
Madame estava no canto do bar escuro, o ¨²nico ponto iluminado por um pequeno abajur que descansava sobre uma mesa antiga. Ana chegou sem fazer barulho, mas Madame levantou os olhos do jornal em suas m?os e acenou para ela se aproximar. ¡ª Ana, bom que chegou ¡ª disse Madame, sua voz era baixa, mas carregada de urg¨ºncia. ¡ª Madame, venho pensando¡­ Precisamos mesmo nos encontrar sempre em pessoa para essas coisas? No mundo atual existem videochamadas, sabe? ¡ª respondeu a garota, puxando uma cadeira e sentando-se. Madame balan?ou a cabe?a e deu um gole em sua bebida. Com um movimento r¨¢pido, jogou as not¨ªcias em suas m?os sobre a mesa. ¡ª ¨¦ interessante voc¨º dar uma sugest?o do tipo, j¨¢ viu as not¨ªcias recentes? A rede est¨¢ cada vez pior. Sat¨¦lites e torres est?o sem manuten??o h¨¢ meses ¡ª seus dedos tamborilando sobre a mesa de madeira envernizada pareciam refletir sua impaci¨ºncia. ¡ª As cidades est?o formando suas pr¨®prias redes locais, mas estamos passando por s¨¦rios problemas de comunica??o. Sabe o mais engra?ado? A capital ainda acredita que pode exigir impostos, como se nada tivesse mudado. Ana escutou atentamente, os olhos fixos em Madame, sentindo o peso das palavras. ¡ª Isso me leva ¨¤ sua pr¨®xima miss?o. Com a perda dos meios de comunica??o, precisamos levar da forma antiga documentos oficiais para um dos nossos ramos mercen¨¢rios em Leviathan, a cidade m¨®vel. ¨¦ uma entrega simples, mas vital. ¡ª Isso n?o parece nada simples, Madame. Se ¨¦ uma cidade m¨®vel, como vamos encontr¨¢-la? ¡ª perguntou a mercen¨¢ria, arqueando uma sobrancelha, intrigada. ¡ª A ¨²ltima rota reportada passava pelos arredores de Barueri. Voc¨º e seu grupo dever?o estar atentos e prontos para intercept¨¢-la. Madame pausou, como se medisse as pr¨®ximas palavras. ¡ª E mais uma coisa, por ser uma miss?o longa, voc¨ºs ter?o dois meses de descanso ap¨®s a conclus?o, em vez de um. "Mais uma vez, planos adiados. Minha nova armadura ter¨¢ que esperar. Esse mundo n?o d¨¢ tr¨¦gua", pensou Ana, com uma pontada de frustra??o. Cruzando os bra?os, ela continuou. ¡ª Hmm, isso ¨¦ um pouco inc?modo. ¡ª A mesma reclamona de sempre¡­ ¡ª Bom, n?o acho que tenho escolha, fico no aguardo do relat¨®rio com mais informa??es, espero que o pagamento valha o esfor?o. ¡ª Vou garantir que valha ¡ª respondeu a imponente mulher, dando um leve aceno de despedida. Deixando o bar, Ana passou rapidamente para ver o estado de sua m?e, onde deixou um bilhete para Jasmim, a qual n?o voltou a ver depois da briga. Em seguida, convocou uma reuni?o urgente com os demais integrantes da Ironia Divina, explicando os detalhes da miss?o e partindo logo em seguida.
O grupo se viu cercado por uma amea?a grotesca e inesperada: um bando de seis mordedores, seres horrendos que habitavam as florestas esquecidas do territ¨®rio de Barueri. Eram criaturas altas, ultrapassando dois metros de altura, com corpos esguios e pele p¨¢lida que parecia quase transl¨²cida ¨¤ luz do entardecer. Sem olhos, e sem bra?os, seus rostos eram dominados por mand¨ªbulas descomunais que se abriam de maneira anormal, quase se dividindo ao meio, revelando uma fileira dupla de dentes afiados como navalhas. ¡ª Estou lutando tanto quanto antes! Estas armas deveriam tornar isso mais f¨¢cil, n?o? ¡ª reclamou J¨²lia, esquivando-se por pouco de uma mordida que quase pega metade de seu rosto. Alex, limpando o suor da testa, olhou para sua companheira, incr¨¦dulo com as palavras il¨®gicas. ¡ª Somos Rank E, mas estamos derrubando monstros Rank C. Isso diz alguma coisa, n?o? Olha o que voc¨º acabou de fazer! J¨²lia observou um dos mordedores se contorcendo no ch?o, incapacitado pelos choques el¨¦tricos da sua espada. ¡ª Ah, ¨¦ verdade! ¡ª exclamou a ca?adora, um sorriso se formando enquanto a confian?a renovada flu¨ªa em suas veias. Ela ergueu sua nodachi e, com um grito de guerra, avan?ou novamente, cortando o ar e encontrando a carne de outro dos mordedores. A eletricidade da lamina chocou o corpo do monstro, fazendo-o convulsionar antes de cair. Eram apenas ferimentos leves, mas abria espa?o para o grupo respirar em meio a luta. Alex, j¨¢ adaptado ¨¤s manoplas de terra que aumentavam sua for?a e defesa, enfrentava dois mordedores de frente. Cada soco que ele lan?ava era potencializado, fazendo a terra sob seus p¨¦s vibrar. Um dos mordedores conseguiu se aproximar demais, mas ao inv¨¦s de morder, foi recebido por um poderoso soco que o lan?ou v¨¢rios metros para tr¨¢s, seu corpo deixando um rastro na vegeta??o amassada. ¡ª Deixa comigo, Alex! ¡ª Notando o golpe do irm?o, Felipe correu em dire??o a criatura ca¨ªda, preparando sua arma com um sorriso feroz. ¡ª Vamos mostrar a eles como fazemos! Ajustando rapidamente o angulo do pulso para uma linha de tiro que n?o colocasse seus companheiros em perigo, ele disparou. O som era abafado, mas a efic¨¢cia era clara: o mordedor foi atingido diretamente na cabe?a, caindo inertemente com um baque surdo. ¡°Eles est?o lutando muito melhor do que o esperado. N?o posso dizer o mesmo de mim mesma.¡±, pensou Ana. Em posi??o de combate, ela brandia sua longa faca, cuja lamina brilhava com uma luz avermelhada a cada movimento. Em meio aos golpes, um poderoso corte horizontal acertou o v¨¢cuo, com a criatura se esquivando com uma agilidade desconcertante.A case of content theft: this narrative is not rightfully on Amazon; if you spot it, report the violation. ¡ª Brayner, os outros v?o se virar, vamos focar na nossa luta! Escondido atr¨¢s de uma ¨¢rvore, o bibliotec¨¢rio olhava a luta com olhos fascinados, mas foi desperto ao ouvir o grito da mercen¨¢ria. ¡ª Certo, me d¨º um minuto ¡ª disse o jovem, abrindo um estranho livro e come?ando a soltar incessantes murm¨²rios. O ar come?ou a rodar ao redor da garota, e seu corpo ficou instantaneamente mais leve. ¡ª Caramba, sinto como se estivesse voando! Se eu soubesse que voc¨º era t?o ¨²til, teria te convencido a entrar para o grupo muito antes. Ela disparou novamente contra o estranho ser. Com um salto, o mordedor voou com a mand¨ªbula aberta em dire??o ao seu bra?o direito, mas um giro r¨¢pido de desvio abriu a brecha para um contra-ataque, onde Ana acertou v¨¢rias punhaladas seguidas no est?mago agora exposto. A luta se intensificava a cada minuto que passava, e embora os mordedores fossem formid¨¢veis, o grupo demonstrava uma sinergia e um poder que os faziam come?ar a virar o jogo. No meio do caos, a estrat¨¦gia de luta se adaptava constantemente. Apesar de estar tendo dificuldades, Ana coordenava os movimentos, gritando instru??es sobre quando recuar ou avan?ar. A neblina da manh? come?ava a se dissipar, e a luz do sol come?ava a iluminar o campo, revelando mais claramente a extens?o de seu desafio. Apenas um dos seres estava morto, e os demais mordedores, embora feridos, n?o mostravam sinais de desist¨ºncia, cada um lutando com uma ferocidade desesperada. A luta continuava, e o desgaste era vis¨ªvel em todos. Respira??es pesadas, suor misturando-se com a sujeira e o sangue ¡ª tanto dos mordedores quanto dos mercen¨¢rios. "Por que ainda parece t?o dif¨ªcil?", pensava J¨²lia, enquanto desviava de outro ataque. Ela sentia-se impaciente, e uma pontada de frustra??o era expressa em seu rosto. ¡ª Ruiva idiota, concentre-se! Use o que treinamos, sinta a arma como uma extens?o do seu pr¨®prio corpo! ¡ª gritou Ana, percebendo a hesita??o momentanea da jovem. ¡ª Humpf, voc¨º n?o vai longe falando assim com os subordinados. Apesar do resmungo, a nodachi foi segurada com mais firmeza. Com uma respira??o controlada, ela antecipou o pr¨®ximo ataque de um mordedor e, com uma combina??o de movimento e precis?o aprimorada pela sua arma, cortou atrav¨¦s do sil¨ºncio matinal e da carne do advers¨¢rio. A criatura emitiu um som gutural, um misto de dor e raiva, enquanto desmoronava no solo. ¡ª ¨¦ isso a¨ª! ¡ª Felipe gritou em ¨ºxtase, uma atitude diferente de seu sil¨ºncio rotineiro. O confronto parecia se eternizar, mas a pequena vit¨®ria revigorou novamente o grupo. Alex, ao lado de J¨²lia, mostrava-se igualmente capaz com as manoplas. A terra ao seu redor tremia cada vez que ele golpeava, e em uma ousada tentativa, socou o ch?o, usando o ambiente a seu favor para criar pequenas barreiras de terra que evitaram o flanquear dos mordedores. ¡ª ¨¦ assim que se luta! ¡ª gritou ele, para si mesmo, reafirmando sua capacidade rec¨¦m-descoberta. ¨¤ medida que a luta se desenrolava, o grupo come?ou a empurrar lentamente as criaturas de volta para a floresta. A batalha culminou em um momento de clareza e viol¨ºncia bruta, onde o senso de unidade do grupo nunca esteve t?o palp¨¢vel. J¨²lia, agora completamente sincronizada com sua nodachi, encontrou a cad¨ºncia perfeita de seus golpes, cada um carregado com o peso de sua determina??o renovada. Alex, adaptando-se ao fluxo da luta, usava suas manoplas para n?o apenas atacar, mas tamb¨¦m para proteger, especialmente quando um mordedor se aproximava perigosamente de Felipe. Brayner apoiava a todos com estranhos encantamentos que variavam entre aumentos de velocidade e r¨¢pida recupera??o do cansa?o. Felipe observava a cena de um ponto estrat¨¦gico, fornecendo suporte essencial. Sua pr¨®tese agora n?o era apenas uma parte de seu corpo, mas uma arma formid¨¢vel que lan?ava proj¨¦teis energizados com precis?o mortal. O sol, agora totalmente vis¨ªvel no horizonte, lan?ava raios de luz atrav¨¦s das ¨¢rvores, iluminando a cena com um esplendor quase m¨ªstico. As sombras dan?avam ao redor deles enquanto lutavam, cada movimento uma dan?a mortal entre predador e presa. Finalmente, exaustos mas vitoriosos, observaram os ¨²ltimos dos mordedores recuarem, derrotados. O grupo, ofegante e coberto de suor e sangue, permitiu-se um momento de descanso. ¡ª Vejam s¨®, voc¨ºs evolu¨ªram muito. Quem diria que criaturas rank C cairiam para nosso pequeno grupo em t?o pouco tempo ¡ª Ana permitiu-se um raro sorriso de aprova??o ao verificar cada membro, notando que suas breves palavras encheram seus semblantes de orgulho. ¡°Se eu n?o me apressar, em breve me tornarei um peso morto¡­ Preciso urgentemente dar um jeito de superar meus limites atuais.¡±, refletiu Ana, observando os membros absorverem vagarosamente a mana dos mordedores mortos. Apesar de sua lideran?a ter sido essencial para a vit¨®ria, nem mesmo um inimigo caiu perante seus ataques.
Ap¨®s a tensa batalha, o grupo de Ana prosseguiu, adentrando territ¨®rios cada vez mais isolados, onde viu singulares culturas emergentes. A primeira cidade que encontraram, Santana, era um o¨¢sis verde no meio da devasta??o. As ruas se transformaram em labirintos de planta??es suspensas e jardins verticais, onde casas e edif¨ªcios se entrela?avam com trepadeiras e ervas medicinais. As pessoas, vestidas com roupas simples, trabalhavam juntas, colhendo e tratando plantas com um cuidado quase ritual¨ªstico. ¡ª Olha s¨® isso, nunca imaginei que veria uma farm¨¢cia crescer diretamente do ch?o ¡ª comentou J¨²lia, enquanto tocava uma das folhas, o rosto iluminado pelo sol que se filtrava atrav¨¦s das folhagens. ¡ª Isso ¨¦ mais do que uma farm¨¢cia, a cidade toda ¨¦ uma forma de vida. Vejam como eles utilizam cada espa?o dispon¨ªvel. Eles n?o aprenderam a viver com a natureza, se tornaram parte dela ¡ª Ana respondeu, seus olhos analisando a integra??o perfeita entre o urbano e o natural. A conversa entre os habitantes era tranquila, mas carregada de um orgulho silencioso por sua resili¨ºncia e inova??o. A pr¨®xima cidade foi Osasco, e apresentava um contraste gritante com a anterior. Aqui, o som de marteladas e o calor das forjas eram omnipresentes. A economia girava em torno da produ??o de armaduras e armas. Apesar da atmosfera industrial, a cidade era vibrante de cor. Murais grandiosos adornavam paredes e muros, cada um contando sobre mitos e lendas dos dois mundos mesclados. Os artistas, com as m?os t?o calosas quanto as dos ferreiros, pintavam com cores vivas e temas audaciosos, transformando a cidade em uma galeria de arte ao ar livre. ¡ª Cada mural aqui conta uma hist¨®ria mais intensa que muitos livros ¡ª observou Brayner, parando para admirar a imagem de uma batalha m¨ªtica entre homens e monstros. ¡ª E pensar que essas imagens s?o feitas pelas mesmas pessoas que forjam as armas para combater esses monstros... ¨¦ po¨¦tico, n?o acha? ¡ª Felipe acrescentou, tocando o tra?ado de uma lamina pintada que parecia cortar o pr¨®prio c¨¦u. Ana observava tudo, absorvendo cada detalhe. Um mural em particular chamou sua aten??o, sua delicada e abstrata arte se parecia muito com algo que ela j¨¢ havia visto, mas por mais que tentasse, n?o conseguia se lembrar onde. ¡ª Ei, voc¨º ¡ª falou ela, chamando um cidad?o que caminhava a passos lentos pr¨®ximo ao grupo ¡ª Desculpe a pergunta, mas quem pintou isso? ¡ª Ah, um visitante! ¡ª respondeu o homem, come?ando em seguida uma orgulhosa explica??o ¡ª Esse ¨¦ um dos nossos famosos ¡°murais originais¡±, existem v¨¢rios semelhantes espalhados pela cidade. Eles simplesmente estavam aqui depois do retorno, ent?o ningu¨¦m sabe quem os criou. Sabe o mais engra?ado? S?o pinturas bem modernas, mas nossos especialistas dizem ter quase mil anos! O sorriso de Ana congelou, sua mente foi inundada por lembran?as h¨¢ muito esquecidas. ¡°Quem diria que ainda estariam t?o bem conservados¡­ Me pergunto se minhas anota??es tamb¨¦m est?o perdidas por a¨ª.¡±, com um aceno e palavras r¨¢pidas, ela agradeceu o cidad?o, o qual seguiu lentamente seu caminho, feliz pelo interesse de um forasteiro. Ao fundo, os outros seguiam conversando. ¡ª A arte e o a?o trazem tanta inspira??o. Talvez dev¨ºssemos considerar algo assim quando voltarmos ¡ª sugeriu Alex, j¨¢ pensando em como poderiam integrar esses elementos na Ironia Divina. ¡ª Do que est¨¢ falando? J¨¢ temos algo assim, est¨¢ bem aqui! O grupo acompanhou com os olhos o dedo esticado de J¨²lia, chegando at¨¦ a elegante espada que estava em sua cintura. Era uma forma diferente de arte, mas nenhum deles discordou que tinha muito da atmosfera vista na cidade. Continuando a viagem, a discuss?o entre eles girava em torno das diferentes maneiras pelas quais as comunidades adaptavam-se e transformavam suas realidades. Era evidente que, apesar das adversidades, a humanidade encontrava maneiras de florescer. Naquela mesma noite, o grupo chegou na regi?o onde deveriam esperar. Depois de dias intensos, o calmo acampamento foi um local de merecido descanso. A alerta ainda era mantida, j¨¢ que ocasionalmente um grande lobo ou goblin aparecia para atac¨¢-los, mas nenhum grande perigo foi visto enquanto os dias passavam, um de cada vez, devagar. Em uma manh? silenciosa, apenas perturbada pelo som distante dos p¨¢ssaros e o sussurro do vento, Ana sentiu uma paz rara. A garota deixou seus companheiros ainda dormindo e caminhou at¨¦ um penhasco pr¨®ximo, se deparando com uma paisagem t?o fant¨¢stica quanto os mais belos contos de fantasia, com um vasto tapete de nuvens e neblina se estendendo at¨¦ o horizonte. Talvez inspirada pelo momento de serenidade, uma melodia de uma can??o que Marina costumava cantar veio-lhe ¨¤ mente, e ela come?ou a cantarolar baixinho. A m¨²sica, carregada de nostalgia e esperan?a, parecia se fundir com a brisa, carregando consigo mem¨®rias de dias mais simples. Foi ent?o que, ao abrir os olhos ap¨®s uma pausa na can??o, a mercen¨¢ria viu algo inacredit¨¢vel: um olho gigantesco se abriu entre as nuvens, observando-a diretamente do c¨¦u.
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Capítulo 29 - Leviathan
¡°Ent?o ¨¦ da¨ª que veio o nome¡±, pensou Ana, com um misto de admira??o e temor. O olho ¨¤ sua frente era imenso, cobrindo boa parte do c¨¦u vis¨ªvel. Sua cor era um azul profundo, quase surreal, contrastando vivamente com o cinza ao redor. Em frente a tal olhar penetrante, o mundo pareceu parar. No entanto, tal cen¨¢rio s¨® durou um breve instante. T?o r¨¢pido quanto se abriu, o olho voltou a se fechar, seguindo seu caminho. Acompanhando-o, uma massa branca que se estendia por quil?metros lentamente se revelou de entre a neblina. Era uma vis?o fant¨¢stica. Uma baleia nadava no c¨¦u como se estivesse no mais profundo mar. Estranhamente, as nuvens n?o se dispersaram com seus movimentos massivos, mas sim abriam suavemente passagem para a criatura. Em suas costas, espl¨ºndidos pr¨¦dios se erguiam, com os quentes raios solares refletindo fortemente em seus muitos vitrais. As constru??es eram como uma coroa para um majestoso imperador dos c¨¦us, e as baixas muralhas, n?o muito ¨²teis em tal na??o, iam al¨¦m do que o olho conseguia ver. Este era o objetivo da miss?o, a cidade que orgulhosamente cruzava os c¨¦us ao redor do mundo. ¡ª Espera, isso ¨¦¡­ Ei, acordem, r¨¢pido! Precisamos embarcar! ¡ª gritou a garota, fugindo da admira??o que a paralisava. Ana notou centenas de grossas cordas penduradas ao redor da baleia, t?o grandes e pesadas que quase tocavam o ch?o, muitas vezes destruindo partes das ¨¢rvores nas quais esbarravam. N?o parecia que a cidade ia parar para esper¨¢-los, ent?o uma suposi??o silenciosa emergiu na mente da mercen¨¢ria: as cordas eram a ¨²nica entrada para o reino dos c¨¦us. ¡°Maldita Madame, como p?de n?o ter me avisado de um detalhe t?o importante?¡±, enquanto amaldi?oava, ela continuou a correr em dire??o ao acampamento. Ao longe, viu que todos haviam ca¨ªdo na mesma pris?o mental que ela com a inacredit¨¢vel vis?o. ¡ª Voc¨ºs n?o ouviram? Corram, peguem apenas o que for mais importante, a cidade est¨¢ quase indo embora! ¡ª Cidade? Do que voc¨º est¨¢ falando, Ana? ¡ª J¨²lia franziu a testa, ainda tentando assimilar a cena diante de seus olhos. Ana respirou fundo, apontando para cima com uma urg¨ºncia que fez sua voz tremer. ¡ª Olhe para a porcaria do c¨¦u, garota! Esse monstro, essa maravilha¡­ isso ¨¦ Leviathan! ¡ª O qu¨º? Uma cidade nas costas de uma baleia?! Eu achei que a cidade m¨®vel seria¡­ sei l¨¢, uma m¨¢quina! ¡ª finalmente percebendo a situa??o ap¨®s uma nova olhada r¨¢pida para a baleia, ela saltou em dire??o a sua barraca. Os outros j¨¢ haviam pegado suas mochilas e estavam correndo em dire??o a Ana, fazendo-a se apressar ainda mais. As ¨²ltimas cordas estavam batendo fortemente contra o penhasco, fazendo altos sons que intensificaram a urg¨ºncia da situa??o. Vendo que o grupo se reuniu, a rainha mercen¨¢ria se agarrou a uma delas. ¡°Merda, ¨¦ mais dif¨ªcil do que pensei, espero que os outros consigam se virar¡±, pensou ela. A corda era feita de um material ¨¢spero que machucava as m?os durante o aperto firme e, apesar de parecer estar voando lentamente, a for?a do vento que caiu sobre seu corpo ap¨®s embarcar era forte o suficiente para que todos os seus m¨²sculos se contra¨ªssem ao m¨¢ximo. Olhando para baixo, viu que todos conseguiram subir. Ou melhor, quase todos. ¡ª N?o me deixem pra tr¨¢s! Ei, me esperem! Eeeei! ¡ª J¨²lia gritava sem parar enquanto corria com todas as suas for?as para alcan?ar a ¨²ltima corda. Todos que estavam pendurados se encararam com um sorriso torto, ignorando por um momento a voz da garota ruiva, mas j¨¢ se preparando para soltar a corda. Ela n?o iria sobreviver sozinha no meio da floresta, ent?o n?o iriam deix¨¢-la para tr¨¢s s¨® por causa de uma miss?o, por mais importante que fosse. ¡ª Espera, ainda temos uma chance ¡ª gritou Ana, tentando fazer sua voz sobressair-se ao vento intenso. ¡ª Brayner, use esses encantamentos estranhos em Alex, deixe-o o mais r¨¢pido que puder. Alex, quero que voc¨º pegue aquela idiota e use impulsos cont¨ªnuos com suas luvas em dire??o as cordas. Se n?o der certo, nos soltaremos tamb¨¦m. Antes do fim das instru??es, o bibliotec¨¢rio j¨¢ havia come?ado seus r¨¢pidos murm¨²rios. No entanto, em um infeliz acidente, o livro aberto em suas m?os escapou, fazendo c¨ªrculos no ar antes de se perder em meio ¨¤s ¨¢rvores. ¡ª Pelo jeito vamos ter realmente que descer ¡ª disse Felipe, desesperan?oso depois do acontecimento. ¡ª N?o, esque?a o livro, tenho c¨®pias em casa. Eu consegui terminar o canto, Alex. O milagroso vento come?ou a fluir ao redor do grande ca?ador, o qual j¨¢ havia se soltado no exato instante que sentiu seu corpo ficar mais leve. Com uma r¨¢pida disparada, ele agarrou a cintura da ca?adora atrasada, a jogando sobre o ombro. ¡ª Mais cuidado, n?o sou um saco de batata! ¡ª resmungou a garota, envergonhada com a situa??o. Ela sabia que era sua culpa, ent?o apenas cobriu as bochechas vermelhas enquanto observava o ofegante Alex correndo de volta para a corda. Com um estranho salto, o ca?ador se jogou em dire??o ao ch?o, pousando bruscamente com a palma aberta de sua m?o livre. Um pilar de terra nasceu m¨¢gicamente entre seus dedos com uma for?a avassaladora, lan?ando-o a metros de altura. ¡ª Te peguei! ¡ª Obr¡­ obrigado, ch. chefe¡­ ¡ª respondeu Alex, as palavras mal saindo de sua boca enquanto tentava ajustar sua respira??o.The narrative has been taken without permission. Report any sightings. Ana o estava segurando no ar com bra?os tr¨ºmulos, ent?o ele rapidamente ajudou J¨²lia a se prender a corda, segurando tamb¨¦m logo em seguida. Ainda vermelha, a garota lan?ou um aceno a todos em claro agradecimento, antes de baixar a cabe?a para tentar se estabilizar melhor. ¡ª Todos estamos aqui, isso ¨¦ ¨®timo, mas¡­ e agora? ¡ª perguntou Felipe. ¡ª Como assim ¡°e agora¡±? Agora temos que subir, n?o ¨¦? ¡ª Alex olhou confuso em dire??o ao irm?o. ¡ª E voc¨º tem for?as para fazer isso, espert?o? Mesmo com a for?a da pr¨®tese, sinto que no momento em que eu soltar uma das m?os eu vou sair voando! ¡ª ¨¦ uma esp¨¦cie de teste, apenas os qualificados podem subir. Quando soube que voc¨ºs eram todos aventureiros rank E e mesmo assim tentariam, pensei que tinham um plano j¨¢ definido¡­ ¡ª gritou Brayner, chamando a aten??o do restante do grupo. Todos olharam para a l¨ªder da equipe de forma questionadora, mas ela apenas deu de ombros, esbo?ando um sorriso constrangido. Notando que realmente n?o sabiam sobre o assunto, o bibliotec¨¢rio continuou. ¡ª Bem, isso ¨¦ o m¨ªnimo esperado. Afinal, estamos em Leviathan, a misteriosa cidade da sabedoria, da aventura e do desafio!
"Finalmente, terra firme... mais ou menos," pensou Ana, enquanto ajudava J¨²lia a se estabilizar depois do esfor?o da subida. O dia havia sido dif¨ªcil, a exaust?o tomou conta de cada membro do grupo, o cansa?o era palp¨¢vel naquelas cordas titanicas, mas a determina??o de todos foi recompensada: ap¨®s horas de agonia e adrenalina, a noite trouxe uma mudan?a inesperada. Como se obedecendo ao ciclo natural da vida, a baleia desacelerou, adentrando um estado de semi-sono que permitiu a ascens?o final do grupo ¨¤ cidade. As luzes de Leviathan brilhavam intensamente contra o c¨¦u noturno, cada lampada e lanterna desenhando contornos de edif¨ªcios espetaculares que prometiam maravilhas e segredos. ¨¤ medida que se aproximavam, a arquitetura impressionante tornava-se mais clara ¡ª torres altas, domos reluzentes e estruturas flutuantes que desafiavam a gravidade e a compreens?o, uma mistura ecl¨¦tica de arquitetura antiga e moderna que refletia o percurso n?made da cidade atrav¨¦s dos c¨¦us. Para a sorte de todos, n?o havia guardas nos port?es, permitindo-os entrar diretamente no local. Imediatamente ap¨®s cruzarem o grande arco das muralhas, o grupo foi envolvido por uma atmosfera de fasc¨ªnio e admira??o. As ruas eram como um caldeir?o cultural fervilhante, um mosaico de influ¨ºncias de todos os cantos do mundo. Sua popula??o, apesar de reduzida, era vibrante e as ruas zumbiam com a energia de in¨²meros idiomas, um testemunho da capacidade cognitiva aprimorada pela mana que facilitava a comunica??o e o entendimento entre os habitantes diversos. Mercadores de todos os tipos vendiam artefatos ex¨®ticos, tecidos coloridos esvoa?avam ao vento, e os sons de m¨²sicas de diferentes povos se misturavam no ar. O aroma de especiarias e alimentos cozinhando enchia o ambiente, guiando-os atrav¨¦s de uma experi¨ºncia sensorial que apenas essa estranha na??o poderia oferecer. ¡ª Cada canto disso ¨¦ espetacular ¡ª murmurou Brayner, quase babando ao encarar os escritos m¨¢gicos que adornavam as fachadas das lojas. ¡ª Realmente ¨¦ incr¨ªvel que tenham constru¨ªdo um lugar assim ¡ª respondeu Ana, admirando n?o s¨® a cidade, mas o pequeno vislumbre do universo que adornava o c¨¦u a uma altitude t?o grande. ¡ª Apesar que, tirando a atmosfera surreal, ¨¦ quase o bairro da liberdade. Talvez at¨¦ um pouco menos estranho. Os outros se entreolharam confusos ao ouvir as palavras da garota e notarem seu sorriso nost¨¢lgico. ¡ª Liberdade? Meus pais j¨¢ me contaram algumas hist¨®rias, acha que era t?o incr¨ªvel quanto aqui? ¡ª perguntou J¨²lia, lembrando-se de animadas conversas de seu passado. ¡°Merda, esqueci que eles eram apenas crian?as antes de tudo acontecer¡±, pensou Ana, percebendo que palavras indevidas escaparam. ¡ª Talvez as hist¨®rias que ouvi sobre o assunto tenham sido exageradas, foi s¨® um pensamento que veio ¨¤ minha mente. Enfim, vamos fazer o que viemos fazer, teremos muito tempo para ver tudo isso depois ¡ª fugindo rapidamente do assunto, a garota come?ou a caminhar em dire??o a grande taverna mercen¨¢ria que, coincidentemente, ficava bem pr¨®xima aos port?es. Diferente do Madame Eclipse, que escolheu se ocultar nos cantos sombrios de Barueri, este era um ponto de encontro conhecido por todos os aventureiros que passavam por Leviathan. O edif¨ªcio era robusto, com paredes adornadas com escudos e armas de in¨²meras batalhas passadas. O nome da taverna, "O ¨²ltimo Reduto", estava gravado acima da entrada em letras grandes e r¨²sticas. Dentro do local, o ambiente era acolhedor e repleto de aventureiros compartilhando hist¨®rias de suas jornadas. No entanto, um estranho ar burocr¨¢tico permeava o local, como se estivessem em meio a um caos controlado ao inv¨¦s de uma desordem natural que se via comumente nas reuni?es mercen¨¢rias. ¡ª Me sinto novamente em uma guilda ¡ª resmungou J¨²lia, torcendo o nariz enquanto se aproximavam do balc?o. A recepcionista, uma mulher loira de fei??es suaves, mas olhar astuto, manejava pap¨¦is e pergaminhos com uma efici¨ºncia que contrastava fortemente com o resto do ambiente. ¡ª Como posso ajud¨¢-los? ¡ª perguntou ela, sem levantar os olhos para o grupo. ¡ª Bem, temos alguns documentos para entregar ¡ª disse Ana, tirando os pap¨¦is de sua bolsa. ¡ª ¨¦ um pedido especial da Madame. As m?os da mulher hesitaram por um momento, mas logo soltaram os pap¨¦is de forma decidida. Pegando os documentos das m?os da garota, ela come?ou verificar tudo, um de cada vez, acenando com satisfa??o ao terminar. ¡ª Te parabenizo, rainha de prata Ana. Tudo est¨¢ em ordem. ¡ª Sei que sim, cuidei muito bem deles no caminho para c¨¢. Ent?o¡­ ¨¦ isso? Podemos ir? ¡ª Mas ¨¦ claro que n?o! ¡ª respondeu a recepcionista, soltando um sorriso de absurdo como se a mercen¨¢ria tivesse dito algo extremamente atroz. ¡ª Por favor, assine neste ponto. E aqui. E mais uma vez aqui. Suas instru??es acompanhavam um extenso formul¨¢rio, o qual a mercen¨¢ria assinou rapidamente com um suspiro cansado, sem ler nem mesmo uma linha. Enquanto finalizava o processo, um homem alto, de postura imponente e cabelos grisalhos bem aparados se aproximou. Sua presen?a demandava aten??o, e n?o demorou muito para que sentissem seu olhar avaliador. ¡ª Ent?o voc¨º ¨¦ a Ana, a fraca patrona que tem feito tanto barulho por esses dias? ¡ª ele perguntou, oferecendo um sorriso que mesclava respeito e um desafio t¨¢cito. ¡ª Sou sim, mas sobre ser fraca, depende de quem pergunta¡­ voc¨º ¨¦ forte o suficiente para aguentar meus ataques? ¡ª respondeu a mercen¨¢ria, devolvendo o sorriso com uma dose de cautela. ¡ª Espero que n?o tenhamos que descobrir. Por sinal, me chamo De Pedro, o l¨ªder dessa companhia. Vi que completou a entrega, mas n?o sabia que viria t?o cedo, ent?o n?o estou com o pagamento neste momento. O que acha de receb¨º-lo em um jantar hoje ¨¤ noite? Claro, o seu pequeno grupo tamb¨¦m est¨¢ convidado. ¡ª Claro, por mim tudo bem ¡ª Ana disse, trocando olhares com seus animados companheiros, que pareciam igualmente intrigados, exaustos e¡­ famintos?
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Capítulo 30 - Descanso
O sal?o de banquetes estava iluminado por lustres que pendiam graciosamente do teto alto, espalhando uma luz suave que refletia nas ta?as e talheres meticulosamente arranjados sobre a longa mesa de madeira escura. Uma lira tocava ao fundo, criando uma atmosfera quase m¨¢gica que se mesclava ao aroma de pratos ex¨®ticos e especiarias desconhecidas, prometendo uma noite de descobertas culin¨¢rias e conversas intrigantes. Sentados ¨¤ mesa, os membros da Ironia Divina foram cercados por conversas em idiomas que misturavam os dialetos dos mais diversos locais. Pedro juntou-se a eles pouco depois, trazendo consigo uma aura intensa de mist¨¦rio e autoridade, mas cumprimentando a todos com um olhar caloroso. ¨¤ mesa, uma mulher de tra?os fortes e cabelos escuros chamava a aten??o. ¡ª Quem diria que voltar¨ªamos a nos encontrar aqui, Natalya. Vejo que arrumou seu bra?o ¡ª falou Ana, enquanto preparava-se para comer uma nova por??o da estranha, mas deliciosa, comida que estava em seu prato. ¡ª ¨¦ realmente uma bela coincid¨ºncia. Sim, acabei dando um jeito. ¨¦ bom que seu pequeno grupo tamb¨¦m tenha se recuperado bem. ¡ª Na medida do poss¨ªvel¡­ de qualquer forma, fui um pouco rude em nosso ¨²ltimo encontro, gostaria de agradecer pela ajuda, s¨® estamos vivos gra?as a voc¨º. ¡ª Oh, ent?o voc¨ºs se conhecem? ¡ª antes que a Colecionadora tivesse a chance de responder ao agradecimento, Pedro se dirigiu ¨¤s mulheres com um largo sorriso, embora seus olhos n?o escondessem o brilho calculista ao analisar a cena. ¡ª Passamos por alguns momentos dif¨ªceis juntas, mas foi um ¨²nico momento de urg¨ºncia. ¡ª Entendo. Bom, seja como for, hoje temos convidados de honra conosco. Uma rainha e uma exilada jantam ao nosso lado, que brindemos a sua gl¨®ria e sucesso futuro! ¡ª disse ele, apresentando os novos residentes tempor¨¢rios aos demais membros presentes, algo que todos aceitaram com um entusiasmo cauteloso. ¡ª Exilada? ¡ª perguntou Alex, curioso com a conversa. ¡ª Sim, s?o os reis e rainhas que abandonaram sua coroa, seja l¨¢ por qual motivo. Mas n?o ligue muito para o nome do t¨ªtulo, como pode ver, mantemos boas rela??es. Natalya ¨¦ uma mercen¨¢ria de longa data, e assim como voc¨º, Ana, ela veio resolver assuntos de grande importancia para a companhia. ¡ª Eu n?o sabia que voc¨º j¨¢ havia sido uma rainha, mas faz sentido que tenham recrutado algu¨¦m t?o¡­ extravagante ¡ª murmurou Ana, intrigada com a hist¨®ria. ¡ª N?o apenas uma rainha, ela era uma de nossas raras vision¨¢rias de diamante! Infelizmente ¨¦ um pouco gananciosa demais para respeitar nossas regras, ent?o se retirou do cargo. A colecionadora revirou os olhos com o coment¨¢rio, voltando a tomar sua bebida. Apesar disso, os membros da Ironia Divina a encaravam, encantados ao saberem que a mulher que comumente era vista na taverna de Barueri era algu¨¦m com tanto renome. Encarando o confort¨¢vel sil¨ºncio como uma finaliza??o do assunto, o l¨ªder mercen¨¢rio chamou a aten??o novamente para si. ¡ª Talvez alguns de voc¨ºs j¨¢ saibam disso, mas Leviathan n?o ¨¦ apenas uma cidade; ¨¦ um milagre de mana e engenhosidade ¡ª come?ou Pedro, servindo-se de um vinho azul luminescente. ¡ª A baleia foi encontrada flutuando inerte em um mar congelado. Era t?o grande quanto uma montanha, mas estranhamente n?o apareciam monstros nas redondezas, ent?o, sem saber que se tratava de uma criatura, um grupo de sobreviventes se estabeleceu ali. Claro, n?o era algo t?o simples. Assim que tentaram fazer o primeiro po?o para o abastecimento de ¨¢gua, a gigante despertou, mas ao inv¨¦s de nadar no mar, levantou-se aos c¨¦us! O grupo escutava, fascinado. J¨²lia, especialmente, pendurava-se em cada palavra, seus olhos brilhando com a c?mica cena que a hist¨®ria sugeria. ¡ª Felizmente, com o uso das magias emergentes e das pr¨®prias caracter¨ªsticas da criatura, transformamos este ser magn¨ªfico em nosso lar. ¡ª ¨¦ incr¨ªvel que tenham domado algo t?o grande ¡ª falou a ca?adora ruiva, incapaz de conter seu espanto. ¡ª Ah, n?o ¨¦ uma quest?o de dom¨ªnio, mas de simbiose. Leviathan ¨¦ um ser independente, mas parece apreciar nossa ajuda. Quando as pessoas come?aram a construir sobre ela, integraram encantamentos que n?o s¨® protegem a cidade mas tamb¨¦m ajudam na absor??o de recursos da grande baleia. Em troca, ela nos oferece seguran?a e uma vista incr¨ªvel ¡ª respondeu Natalya, rindo delicadamente ao tomar a palavra. ¡ª Independente? Ent?o n?o a controlam? ¡ª perguntou Ana. ¡ª Exato, apenas acompanhamos o caminho do monstro. Ele estranhamente segue uma rota bem definida, com varia??es de poucas dezenas de metros, ano ap¨®s ano, sem uma ¨²nica pausa sequer. ¡ª E como virou um lugar de reuni?o para tantas culturas? ¡ª perguntou Brayner, interessado nas hist¨®rias e conhecimentos que novos lugares guardavam. ¡ª N?o foi em um momento exato, ¨¦ uma consequ¨ºncia da nossa jornada ¡ª explicou o l¨ªder da taverna, com um gesto amplo que abarcava a vista da cidade atrav¨¦s das janelas do restaurante. ¡ª Ao cruzar os c¨¦us, Leviathan sempre chamou aten??o de pessoas ¨¢vidas pela vontade de viver entre as estrelas, e elas sempre deram um jeito de subir aqui. Com o tempo, cada nova onda de habitantes trouxe suas tradi??es, as quais lentamente se entrela?aram entre si.Help support creative writers by finding and reading their stories on the original site. O jantar prosseguiu entre discuss?es animadas e revela??es, at¨¦ Pedro levantar seu copo em um novo brinde. ¡ª Leviathan tem muito a oferecer a voc¨ºs, e talvez voc¨ºs a n¨®s. Eu vi sua luta em seus registros, Ana. Embora sua condensa??o de mana n?o pare?a alta, sua t¨¦cnica ¨¦ incr¨ªvel. Voc¨º consideraria viver conosco por um tempo? ¡ª Bem, conhe?o uma coisa ou outra, mas n?o entendo como isso pode ser ¨²til para voc¨º. ¡ª Apesar dos muitos ca?adores e mercen¨¢rios da cidade, n?o temos muita gente com treinamento real, eles dependem quase que totalmente do aprimoramento corporal que a mana traz para completar suas aventuras. Os poucos que t¨ºm habilidade, infelizmente, n?o t¨ºm o interesse ou a paci¨ºncia para ensinar. Pelo que pude notar, diferente deles, voc¨º n?o depende disso, mas de movimentos precisos e estrat¨¦gia, e ¨¦ por isso que sua ajuda seria inestim¨¢vel ¡ª o homem pausou, observando a rea??o da garota. ¡ª Quero voc¨º treinando os soldados da cidade. Se concordar, eu garanto que os custos gerais do seu time ser?o cobertos enquanto estiverem aqui, al¨¦m de receber um pagamento adequado, claro. ¡ª Antes de dar uma resposta, o que um l¨ªder de companhia mercen¨¢ria tem a ver com o quartel? ¡ª Ana estava intrigada com o pedido, mas sentiu que era estranho que fosse ele a faz¨º-lo. ¡ª Sou um dos l¨ªderes eleitos, por aqui nosso ramo de atividade n?o sofre tanto preconceito quanto nas cidades terrenas. Enfim, em resumo, minha responsabilidade ¨¦ garantir nossa seguran?a, mas temos alguns desafios ¨²nicos¡­ Quando se tem pessoas t?o orgulhosas reunidas em um local t?o restrito, a disciplina muitas vezes fica em segundo plano, e nossos soldados n?o est?o dando conta de manter a ordem. Ana trocou olhares com seu grupo, sentindo o peso da responsabilidade e o brilho da oportunidade. Havia excita??o e um pouco de apreens?o em seus rostos, cientes de que o convite n?o s¨® prometia seguran?a e sustento, mas tamb¨¦m um lugar entre as lendas de uma cidade que voava. ¡ª Precisamos discutir isso juntos, mas a oferta ¨¦ tentadora. Pode nos dar at¨¦ amanh? para pensar? ¡ª Claro. Espero ansiosamente sua resposta ¡ª Pedro concluiu com um sorriso enigm¨¢tico, levantando-se e deixando a equipe sozinha para ponderar sobre o futuro que poderiam construir naquela cidade flutuante.
Ap¨®s o jantar, o grupo foi convidado a explorar a cidade. Vendo com mais calma, as ruas de Leviathan eram um labirinto de maravilhas. Mercadores vendiam objetos encantados que prometiam aventuras; artistas de rua pintavam murais grandiosos; caf¨¦s e bares tocavam m¨²sicas que faziam os ouvintes sonharem acordados. Ana refletia sobre o convite de Pedro. A cidade, com suas infinitas possibilidades, oferecia muito, mas tamb¨¦m exigia muito. Sua mente trabalhava nas ramifica??es de sua decis?o, considerando n?o apenas as vantagens, mas tamb¨¦m as poss¨ªveis perdas. ¡ª Voc¨º parece pensativa ¡ª observou Felipe, notando a express?o distante de sua l¨ªder. ¡ª Estou mesmo. ¨¦ tudo incr¨ªvel, mas cada dia aqui s?o semanas de viagem de volta pra casa, n?o sei se devemos aceitar a proposta. ¡ª Devemos sim! Tem tantas coisas que quero ver, e n?o pagarmos por isso ¨¦ uma vantagem enorme ¡ª gritou a animada J¨²lia, juntando-se ¨¤ conversa. ¡ª ¨¦ realmente tentador, al¨¦m de que pode ser a chance de crescimento que est¨¢vamos procurando. Mas precisamos pensar nas consequ¨ºncias, nas responsabilidades que isso acarretaria para todos n¨®s ¡ª compartilhou Ana, seus olhos percorrendo o horizonte onde a cidade encontrava o c¨¦u. ¡ª Voc¨º n?o tem que voltar para sua irm?? Al¨¦m dos outros, est?o realmente dispostos a deixar seus amigos? Suas fam¨ªlias? ¡ª Eu j¨¢ expliquei para Eva que demoraria, e desde que ela come?ou com os rem¨¦dios, melhorou muito! N?o acho que vai ser um problema. Al¨¦m de que vou conseguir voltar cheia de novas hist¨®rias para ela. Brayner deu de ombros para a pergunta de Ana, e os irm?os se entreolharam por um momento, mas tamb¨¦m acenaram em concordancia de que estava tudo bem ficar. ¡ª Ent?o est¨¢ decidido ¡ª falou Ana, com um radiante sorriso, descartando suas preocupa??es iniciais ¡ª Se o que disseram no jantar estiver certo, em algum momento sobrevoaremos a rota de Barueri novamente. At¨¦ esse momento chegar, vamos dar a volta ao mundo em Leviathan. Que seja uma jornada memor¨¢vel para todos n¨®s. Sua conclus?o foi seguida por um olhar perdido no horizonte, onde o sol poente tingia os c¨¦us de Leviathan com matizes de laranja e p¨²rpura, lentamente dando lugar ¨¤s estrelas. O grupo se dispersou lentamente, cada um absorvendo a tranquilidade do momento e as possibilidades do amanh?. Ana caminhou at¨¦ uma parte mais isolada de Leviathan, onde as luzes das ruas mal tocavam as pedras do cal?amento. A cidade abaixo estava vibrante, mas ela se sentia distante, quase deslocada. O vento frio que passava trazia consigo o som distante das ondas de nuvens batendo contra a baleia. ¡ª Voc¨º sabia, certo? ¡ª murmurou ela, a voz carregada de uma dor n?o dita, dirigindo-se a um interlocutor desconhecido. ¡ª N?o entendo o motivo de nunca ter me contado que o mundo era t?o vasto. Ela se apoiou contra a pedra fria de uma balaustrada, olhando para a imensid?o abaixo. Uma gigantesca cauda balan?ava lentamente nas nuvens, um lembrete constante da realidade surreal em que se encontrava. N?o importa o quanto encarava a criatura, n?o parava de ser fascinante. ¡ª Pensei que seu beijo fosse um presente, mas agora, sentir meu corpo envelhecer, definhar, dia ap¨®s dia... ¨¦ como uma maldi??o. ¡ª As palavras de Ana eram quase um sussurro, sua voz quebrando com a emo??o. ¡ª Cada nova descoberta, cada nova maravilha que esse mundo oferece... apenas me lembra do tempo que me escapa. Uma l¨¢grima solit¨¢ria escorreu por sua bochecha, refletindo a luz prateada de uma lampada pr¨®xima. ¡ª Me responda, desgra?ado! Como p?de tirar minha eternidade quando ainda h¨¢ tanto que n?o sei, Gabriel? Como p?de me for?ar a um destino t?o finito? ¡ª gritou a garota, a voz ecoando no vazio, o nome soando como uma acusa??o e um lamento. O sil¨ºncio que se seguiu foi profundo, apenas o som suave da cidade noturna ao fundo. Ela permaneceu l¨¢, perdida em pensamentos, at¨¦ que a noite profunda trouxe consigo uma calma fria, e com ela, uma decis?o silenciosa. ¡°N?o tenho tempo para isso¡±, levantando-se, Ana enxugou as l¨¢grimas, a determina??o moldando seu rosto ao encarar as estrelas distantes. As areias da vida lentamente escorriam e, ao menos para Ana, cada escolha feita eram como correntes cheias de arrependimento, n?o havia espa?o para ficar parada.
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Capítulo 31 - Exibi??o
A manh? brilhava suavemente sobre Leviathan, trazendo consigo uma luz dourada que iluminava os corredores enigm¨¢ticos da cidade enquanto Ana acompanhava Pedro. Ao seu lado, J¨²lia balan?ava os bra?os, claramente animada com a perspectiva de descobrir mais sobre esse lugar ¨²nico. A cada passo, a arquitetura revelava fasc¨ªnio, com janelas que pareciam flutuar e portas que se abriam para vistas de tirar o f?lego do vasto c¨¦u azul. Chegaram ent?o ao grande sal?o onde os l¨ªderes de Leviathan se reuniam. A sala, imponentemente vasta e com teto abobadado, estava adornada com bandeiras representando uma mir¨ªade de culturas. Os tronos, distribu¨ªdos de forma estrat¨¦gica pelo sal?o, eram ocupados por figuras de variadas idades e etnias que discutiam animadamente, suas express?es refletindo a seriedade e o peso de suas responsabilidades. ¡ª Ana, permita-me apresentar a equipe de governan?a de Leviathan. Aqui, cada membro representa um aspecto vital da nossa sociedade, ¡ª introduziu o l¨ªder mercen¨¢rio, sua voz ressoando com uma gravidade que contrastava com seu habitual tom leve. Um a um, os l¨ªderes foram se apresentando, terminando em Elina, uma mulher de meia-idade com cabelos prateados e uma presen?a que misturava autoridade e maternidade. Ela estendeu a m?o para Ana, seus olhos avaliando a jovem mercen¨¢ria com uma mistura de curiosidade e cautela. ¡ª Ana, em Leviathan, prezamos pela liberdade acima de tudo, mas ¨¦ a ordem que nos mant¨¦m unidos e seguros nos c¨¦us. ¡ª Elina come?ou, sua voz firme e clara. ¡ª Voc¨º pode ser nova aqui, mas esperamos que todos que ocupam posi??es de responsabilidade entendam e respeitem nossas leis e costumes. Ela entregou ¨¤ garota um grosso volume encadernado em couro, o manual de condutas de Leviathan, pesado tanto em tamanho quanto em significado. ¡ª Voc¨ºs s?o t?o rigorosos mesmo com funcion¨¢rios terceirizados? ¡ª perguntou Ana, tentando aliviar a tens?o com um toque de humor. Apesar disso, j¨¢ havia come?ado a folhear o manual, absorvendo as informa??es essenciais de cada p¨¢gina a uma velocidade assustadora. ¡°Mais uma irrespons¨¢vel, ela deveria ao menos fingir ler. Preciso conversar com aquele idiota sobre os crit¨¦rios de nossa sele??o¡±, pensou Elina, dando um profundo suspiro ao notar as p¨¢ginas passando rapidamente, um aparente sinal de falta de seriedade da nova instrutora. Sem responder ¨¤ brincadeira de Ana, ela saiu da sala. Enquanto seguia a leitura, Ana sentiu a curiosidade e o peso de se tornar parte dessa complexa rede, refletindo se fez a escolha certa. Seu pensamento foi interrompido quando o servente, um pequeno garoto de aproximadamente 13 anos, a avisou que a esperavam no campo de treinamento.
Chegando ao local, a luz da tarde iluminava um grande campo aberto, destacando as v¨¢rias ¨¢reas de treinamento ocupadas por soldados em constante movimento. A atmosfera estava carregada de sons de metal batendo contra metal, instru??es gritadas e o ocasional som alto de algu¨¦m comemorando um golpe bem-sucedido. O panorama visto era diverso: soldados de todas as idades, g¨ºneros e etnias espalhados pelo campo, cada um envolvido em sua pr¨®pria rotina de treinamento. A vista era impressionante, mas a nova instrutora n?o p?de deixar de torcer a boca. ¡°Ent?o s?o eles quem devo ensinar? N?o vai ser f¨¢cil¡­¡±, pensou ela, notando a falta de preparo da maioria deles. Ao notar Pedro acenando em um canto, ela caminhou lentamente em sua dire??o. Um homem que se destacava entre os demais, tanto pela estatura quanto pela presen?a imponente, estava parado ao seu lado. ¡ª Ana, esse ¨¦ o Markus, o capit?o de nosso pequeno ex¨¦rcito. Ele ser¨¢ seu principal contato aqui e, espero, um bom parceiro no treinamento de nossas for?as ¡ª disse Pedro, apresentando-os. Seguindo a indica??o de seu dedo indicador, Ana conseguiu observar o homem com mais detalhes. Seus m¨²sculos eram bem definidos, se destacando mesmo com o uniforme militar. Seus olhos, um cinza penetrante como a?o, apresentando uma express?o severa, mas extremamente confi¨¢vel. Markus estendeu a m?o, sua pegada era firme, transmitindo tanto for?a quanto controle. Ana respondeu com igual firmeza. ¡°Ele ¨¦ forte¡±, percebeu ela, seu cora??o batendo com uma inadequada vontade de desafio. ¡ª Ent?o, voc¨º ¨¦ a mercen¨¢ria que vai tentar nos treinar? ¡ª questionou Markus. Sua voz, a qual tinha um leve sotaque norte europeu, soava desconfiada, e seu olhar avaliador sobre Ana n?o escondia seu ceticismo. ¡ª Espero que tenha mais a oferecer do que parece ¨¤ primeira vista. ¡ª Espero poder compartilhar algumas t¨¦cnicas que ser?o ¨²teis. ¡ª Compartilhar, voc¨º diz? Fico feliz que tenha dito isso! ¡ª com um largo sorriso, o capit?o sacou sua espada ¡ª Vamos, escolha uma arma, me mostre como ¨¦ esse papo de ¡®compartilhar¡¯. A garota tamb¨¦m sorriu, ela concordava que era a forma mais r¨¢pida de resolver as coisas e sabia que as primeiras impress?es seriam cruciais para estabelecer sua autoridade e respeito entre os soldados. Sua faca negra de lamina estranhamente longa saiu com um som suave da bainha. ¡ª Est¨¢ me desprezando? Pegue uma arma de verdade! ¡ª a voz do grande homem, antes carism¨¢tica, tornou-se fria ao ver a garota sacar apenas uma faca para seu embate.You could be reading stolen content. Head to the original site for the genuine story. ¡ª Eu prefiro pensar que estou jogando com minhas for?as ¡ª respondeu Ana, com um sorriso tranquilo, se posicionando para o duelo. Um curto sil¨ºncio se seguiu, e ent?o Markus fez o primeiro movimento, avan?ando com passos pesados que ecoavam no ch?o de terra batida. Sua estatura imponente e m¨²sculos potencializados pela mana tornaram seus movimentos poderosos, embora um tanto desajeitados. ¡ª Vamos ver o que a famosa rainha tem para oferecer ¡ª murmurou ele, com um tom de desafio enquanto lan?ou um forte golpe diagonal que fez pequenas nuvens de poeira se levantarem. ¡°Ele n?o faz ideia do que est¨¢ fazendo, mas ainda assim faz com tanta perfei??o¡±, pensou Ana, observando a maneira como ele recuperava o equil¨ªbrio depois do golpe. Era claro que Markus dependia mais da for?a proporcionada pela mana do que de habilidades, o mesmo problema dos outros soldados. Enquanto dava um calculado deslize para o lado para desviar da espada, sentindo o calor da lamina passar a cent¨ªmetros de sua pele, a mercen¨¢ria estudou detalhadamente a postura de seu oponente, catalogando a trajet¨®ria da espada, o equil¨ªbrio do corpo e a previs?o de seu pr¨®ximo ataque. ¡ª Voc¨º ¨¦ forte, mas previs¨ªvel ¡ª Ana provocou, aproveitando a abertura proporcionada pelo golpe amplo para fechar rapidamente a distancia entre eles. Ela fez um ataque r¨¢pido, sua lamina vindo de baixo em um estranho angulo que visava um ponto vulner¨¢vel na armadura do capit?o. ¡ª N?o subestime a experi¨ºncia! ¡ª rugiu ele, bloqueando o ataque com um movimento brusco da espada. O metal cantava em um som estridente ao se chocar, fazendo fa¨ªscas voarem pelo contato intenso. N?o se dando por vencida, Ana come?ou a empregar fintas e mudan?as de ritmo, for?ando o capit?o a ajustar constantemente seu estilo de luta mais direto e bruto. Com uma sequ¨ºncia de movimentos fluidos, ela fingiu um ataque alto, apenas para girar no ¨²ltimo momento e mirar nos p¨¦s dele. Quando o grande homem percebeu o verdadeiro ataque, j¨¢ era tarde demais. Mesmo tentando desviar com um salto, o a?o frio da lamina de Ana tocou levemente o tecido de sua cal?a, um corte superficial que talvez tivesse pouca importancia em uma batalha real, mas com grande significado em frente a uma plateia. ¡ª Impressionante! ¡ª Markus admitiu, recuperando o equil¨ªbrio. Seus olhos, inicialmente confiantes, agora mostravam um brilho de reconhecimento. ¡ª Mas vamos ver como voc¨º lida com isso! Aproveitando o momento, ele lan?ou um corte horizontal mirando o abd?men de Ana. A garota saltou para tr¨¢s, com a grande espada cortando o ar onde ela estava no segundo anterior, mas antes que pudesse puxar a faca e preparar-se para o pr¨®ximo ataque, Markus aumentou a press?o, dando uma s¨¦rie de estocadas r¨¢pidas que a for?aram a bloquear. "Ele ¨¦ r¨¢pido para algu¨¦m que depende tanto da for?a," Ana pensou. A mercen¨¢ria conseguia notar cada abertura e cada padr?o nos ataques, mas a velocidade e a for?a dos golpes eram desafiadoras, lan?ando ondas de choque cont¨ªnuas que adormeceram seus bra?os. As respira??es de ambos os combatentes tornaram-se mais pesadas, o suor escorrendo pelas suas testas sob o sol escaldante, refletindo o esfor?o f¨ªsico e mental exigido pelo combate. A grama sob seus p¨¦s estava agora marcada pelas botas pesadas de Markus e pelos passos leves de Ana. No momento de uma pequena pausa nos ataques, Ana finalmente conseguiu recuar, girando sobre seus calcanhares, sentindo o vento da lamina passar perto de seu rosto, mas em um movimento que n?o deixava espa?o para respirar, Markus redirecionou sua espada para um grande corte vindo de cima que Ana mal conseguiu ver, bloqueando apenas por instinto. A lamina parou a mil¨ªmetros de sua camisa e, por um momento, eles permaneceram trancados nesta posi??o, se encarando. No entanto, Ana sentiu lentamente seus m¨²sculos cederem contra a for?a do homem ¨¤ sua frente, uma demonstra??o de pura for?a bruta que dispensava t¨¦cnicas complicadas. Em uma ¨²ltima tentativa desesperada, Ana girou seu pulso na tentativa de desarmar Markus com um movimento ¨¢gil e preciso. ¡ª N?o ¨¦ suficiente ¡ª sussurrou o comandante, aumentando ainda mais a for?a do empurr?o e finalmente subjugando a garota, lan?ando-a pesadamente contra o ch?o, um ponto final dram¨¢tico para a demonstra??o. ¡ª Voc¨º ¨¦ excepcional, garota, ¨¦ uma pena que sua for?a n?o a acompanhe. Admito que subestimei voc¨º ¡ª falou Markus, estendendo a m?o para ajud¨¢-la a se levantar. ¡ª Sua t¨¦cnica ¨¦ refinada, nossos soldados v?o aprender muito com voc¨º. ¡ª Obrigada, Markus. Espero que me d¨º a chance de uma revanche de vez em quando. O capit?o deu um aceno positivo e uma grande gargalhada, batendo nas costas da garota em despedida enquanto se retirava da cena. Os soldados, inicialmente t?o c¨¦ticos quanto seu l¨ªder de que a pequena garota poderia trein¨¢-los, come?aram a murmurar entre si, claramente impressionados. ¡°N?o foi o que eu esperava, mas parece que tudo deu certo¡±, pensou Ana, sentindo a onda de respeito crescer entre o grupo que estaria em breve sob sua tutela, uma aceita??o que sabia ser crucial para sua nova fun??o. J¨²lia, que tamb¨¦m tinha assistido ¨¤ luta, puxou Ana de lado assim que as formalidades terminaram. ¡ª Uau, isso foi algo! Quer dizer, eu sabia que voc¨º era boa, mas v¨º-la em a??o ¨¦ sempre impressionante! Tudo bem se eu tamb¨¦m treinar com os soldados? ¡ª perguntou a ca?adora ruiva, com uma risada boba no rosto. Seu esp¨ªrito leve trouxe um sorriso ao rosto cansado de Ana. ¡ª Voc¨º tem certeza? N?o vou pegar leve s¨® por ser minha subordinada. ¡ª U¨¦, tenho sim. Quer dizer, contanto que eu possa aproveitar minhas f¨¦rias ¨¤ tarde, estou dentro. ¡ª ¨¦ um acordo ent?o ¡ª respondeu Ana, balan?ando a cabe?a pelas tolices que acabara de ouvir. ¡ª Ent?o te vejo amanh?. ¨¦ bom que esteja aqui no hor¨¢rio. Batendo levemente no ombro de J¨²lia para se despedir, ela come?ou a caminhar de volta para seu alojamento. Um sorriso genu¨ªno, de um tipo raramente visto, brilhava em seu rosto. ¡°Faz tempo que n?o me sinto assim, tentar algo novo ¨¦ sempre t?o inebriante¡±, enquanto o sol come?ava a se p?r sobre Leviathan, Ana refletia sobre os eventos do dia. Apesar do peso das expectativas sobre seus ombros, tamb¨¦m havia uma crescente empolga??o. Ela j¨¢ havia dado instru??es b¨¢sicas para a Ironia Divina, e sempre foi r¨ªgida com seus hor¨¢rios de treinamento, mas isso n?o era ensinar, eram apenas ordens e dicas dadas a subordinados ¡ª os quais, por sinal, eram pagos para isso. Pela primeira vez, ela seria uma verdadeira instrutora, ao inv¨¦s de apenas uma voraz aprendiz.
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Capítulo 32 - Caminhos
Ana caminhou lentamente pelo corredor que levava ao campo de treinamento, seus passos ecoando com uma resolu??o que s¨® aqueles preparados para mudan?a carregam. A luz do amanhecer ainda lutava para se impor sobre as sombras da noite, mas para a radiante garota, cada novo dia em Leviathan era uma tela em branco, pronta para ser preenchida com os tra?os firmes de sua determina??o. Ao chegar, encontrou os soldados j¨¢ organizados. Com um gesto, ela chamou a aten??o de todos, a autoridade emanando naturalmente de sua postura. ¡ª A partir de hoje, treinaremos de uma forma que muitos de voc¨ºs n?o est?o acostumados. N?o estou aqui para passar a m?o na cabe?a de ningu¨¦m, mas sim para torn¨¢-los ¨²teis, para fazer com que cada um de voc¨ºs mere?a o sal¨¢rio que recebe ¡ª a voz dela era firme, inequ¨ªvoca, e ressoava pelo campo com uma clareza que n?o admitia r¨¦plicas. Seu olhar passou pelas fileiras de soldados, notando a falta de importancia que estavam dando a suas palavras. Com um suspiro, ela prosseguiu. ¡ª Iremos come?ar com o b¨¢sico: condicionamento f¨ªsico, preciso entender do que s?o capazes. Bom, corram ao redor do campo. Um murm¨²rio de descontentamento se espalhou entre os soldados. Um jovem soldado, respirando a hesita??o coletiva, ousou questionar. ¡ª Correr? Isso parece meio... in¨²til, n?o acha? ¡ª Isso sou eu quem decide, n?o voc¨ºs ¡ª ela disse, apertando as t¨ºmporas de forma frustrada. ¡ª Vejam, n?o pe?o nada que eu mesma n?o fa?a. A mercen¨¢ria come?ou uma r¨¢pida corrida, chamando-os para que a acompanhassem. Todos se entreolharam por um momento, mas logo come?aram a correr tamb¨¦m. Ap¨®s alguns metros, Ana se virou para verificar o grupo que a seguia. Uma cena animada foi vista: alguns conversavam durante a corrida, alguns usavam o celular e alguns at¨¦ mesmo liam durante o trote. ¡ª Mas que merda voc¨ºs est?o fazendo? ¡ª perguntou Ana, parando abruptamente. Sua express?o raivosa trouxe arrepios para as costas dos soldados. ¡ª Ahn? Estamos correndo, n?o foi isso que voc¨º pediu? ¡ª respondeu um dos deles, confuso com a pergunta da instrutora. ¡ª Bom, o erro foi meu por n?o explicar bem algo que todos j¨¢ deviam saber. Quando voc¨º fortalece seu corpo com mana, a capacidade de cada c¨¦lula ¨¦ expandida at¨¦ seu limite. Desta forma, para fazer com que evoluam ainda mais, voc¨ºs devem usar a for?a explosiva gerada artificialmente ao m¨¢ximo, algo que n?o ¨¦ f¨¢cil de se fazer. Fortalecer o corpo fisicamente sem o aux¨ªlio de mana ¨¦ essencial para que voc¨ºs realmente melhorem, j¨¢ que aumentando a for?a natural presente no corpo a quantidade suportada ao utilizarem mana tamb¨¦m vai aumentar. Com a inesperada declara??o, alguns soldados pararam o fluxo de seus corpos, vendo sentido nas palavras da nova instrutora. No entanto, isso n?o impediu que novas reclama??es surgissem de todos os lados, sendo todas ignoradas pela garota.
A arquitetura intrigante e as ruas serpenteantes guiaram Alex at¨¦ um pequeno e recluso lugar, onde o som da cidade era apenas um sussurro distante, substitu¨ªdo pelo calmante som do farfalhar das folhas. O desgastado templo se erguia majestosamente no final de uma trilha estreita ladeada por bambus altos. Constru¨ªdo inteiramente de pedras lisas e madeira envelhecida, o templo exalava uma aura de tranquilidade e tempo imemorial. Alex subiu os degraus de pedra, cada passo ecoando no sil¨ºncio que envolvia o lugar. Ao entrar, foi recebido por uma brisa fresca que carregava um leve aroma de incenso. O interior do templo era simples, com tatames alinhados e paredes adornadas com pergaminhos de sabedoria antiga. Monges de todas as idades, vestidos em robes cor de terra, moviam-se em uma dan?a silenciosa de medita??o e pr¨¢tica de artes marciais. Um dos monges, um homem idoso com uma barba fina e longa, aproximou-se. Seus olhos, embora velados pela idade, brilhavam com uma serenidade penetrante. ¡ª Seja bem-vindo ao nosso santu¨¢rio, viajante. O que busca em nosso templo? ¡ª sua voz era um murm¨²rio, quase t?o suave quanto o som dos bambus l¨¢ fora. ¡ª Estava explorando a cidade quando me deparei com este lugar... ¨¦ fascinante como algo t?o antigo pode existir em Leviathan ¡ª disse Alex, sua voz cheia de admira??o e curiosidade. ¡ª As apar¨ºncias enganam, jovem. Este lugar, embora novo, ¨¦ feito para replicar os antigos templos de nosso mundo ¡ª explicou o monge, seus olhos brilhando com um tra?o de humor. ¡ª J¨¢ a tradi??o que ensinamos ¨¦ realmente antiga. Chama-se Vajramushti, uma arte que harmoniza corpo, mente e esp¨ªrito. J¨¢ que est¨¢ aqui, n?o estaria interessado em ver o local? ¡ª Bem, n?o estou fazendo nada, ent?o vamos l¨¢. O monge assentiu lentamente, um pequeno sorriso formando-se em seus l¨¢bios. A passos lentos, ele foi em dire??o a um dos corredores, dando explica??es gerais enquanto Alex o seguia de perto. ¡ª Vajramushti ensina que cada golpe, cada bloqueio, tem um prop¨®sito maior. N?o ¨¦ apenas combate; ¨¦ um caminho para o autoconhecimento. Voc¨º ¨¦ bem-vindo para treinar conosco, mas saiba que o caminho ¨¦ exigente. ¡ª ¨¦ uma arte de punhos? ¡ª perguntou Alex, surpreso ao lembrar-se vagamente do nome. ¡ª N?o apenas dos punhos, mas sim, esse ¨¦ um bom resumo. Pelo seu tom, suponho que tenha interesse no assunto, certo? ¡ª Voc¨º est¨¢ certo. Algumas coisas aconteceram e estou procurando algo que se adeque para mim. ¨¦ meio do nada, mas¡­ sim, estou disposto a aprender e me dedicar. ¡ª Isso ¨¦ ¨®timo. Vamos apresent¨¢-lo ao Mestre Liang, ele guiar¨¢ seus primeiros passos. Seguindo pelo mesmo corredor em que estavam, viram um homem parado no centro do tempo, ensinando algo a um grupo de novi?os. Este era mestre Liang, um homem de estatura mediana com m¨²sculos definidos sob seu robe. Sua presen?a era t?o imponente quanto a de uma montanha tranquila. Ao perceber Alex, ele parou sua instru??o e caminhou at¨¦ ele. ¡ª Novo aluno? ¡ª indagou, observando o grande jovem de cima a baixo. ¡ª Sua postura revela conhecimento de combate, mas seus olhos... buscam mais. O que o traz aqui? ¡ª Eu venho de um mundo de combates, onde a for?a f¨ªsica muitas vezes decide o resultado, mas quero ir al¨¦m disso. ¡ª For?a sem controle ¨¦ como um rio sem margens ¡ª respondeu Mestre Liang, tocando levemente o ombro de Alex. ¡ª Come?amos pelo b¨¢sico amanh?, chegue com os primeiros raios de sol. Por hoje, observe e absorva o ambiente. ¡ª Obrigado, mestre. Estarei aqui ¡ª entusiasmado pela descoberta inesperada, ele sentou-se em um canto do sal?o.If you spot this tale on Amazon, know that it has been stolen. Report the violation.
¡ª Ela ¨¦ muito dura ¡ª murmurava Laura, com o suor escorrendo pelo rosto enquanto tentava acompanhar as ordens impostas. Seus cabelos loiros foram cortados em um padr?o militar masculino, mas seus suaves tra?os faciais, acompanhados de grandes olhos azuis, deixavam claro que se tratava de uma jovem garota. ¡ª Isso ¨¦ insano, ningu¨¦m consegue manter isso! ¡ª queixava-se seu companheiro, claramente esfor?ando-se para n?o desabar de exaust?o. Ana ouvia as reclama??es, mas escolhia n?o responder. Ela sabia que a transforma??o que buscava instigar n?o viria por meio de palavras suaves ou concess?es. A instrutora passou pelas fileiras de rostos cansados. Seu olhar cr¨ªtico n?o perdia nenhum detalhe. ¡ª Firmeza nos p¨¦s, soldado! ¡ª ela corrigiu Laura, que tremia sob o peso de um grande escudo. Agachando-se ao lado dela, Ana ajustou a posi??o de seus p¨¦s e demonstrou a postura correta. ¡ª Assim, voc¨º pode aguentar um impacto sem cair. Vamos, novamente! Os soldados j¨¢ estavam sob suas ordens a uma semana, e todos os dias, ap¨®s uma sess?o de horas de corridas e levantamento de peso, terminavam com simula??es de combate, onde Ana frequentemente participava diretamente, demonstrando as t¨¦cnicas em pr¨¢tica real contra v¨¢rios oponentes. Este m¨¦todo permitia que ela observasse e corrigisse erros em tempo real, ajustando as habilidades de cada um conforme necess¨¢rio. ¡ª Por que nos for?a tanto? Isso est¨¢ al¨¦m do nosso limite! ¡ª protestou o soldado ao lado da garota loira, sua voz carregada de frustra??o e cansa?o. Ana parou o treinamento, encarando-o. Todos os outros ao redor observavam o confronto. ¡ª Voc¨º quer continuar a ser med¨ªocre? Se n?o suportar o ritmo, pode deixar o posto agora ¡ª sua declara??o era dura, mas clara, carregada de uma autoridade que n?o admitia questionamentos. Ap¨®s alguns segundos tensos, o soldado baixou a cabe?a, largou sua espada, e se retirou do local. ¡ª E voc¨º? ¡ª perguntou ela a Laura, ainda com um olhar severo. ¡ª Eu¡­ eu n?o quero ser algu¨¦m med¨ªocre. ¡ª ¨®timo, ent?o me ataque. ¡ª O qu¨º? ¡ª perguntou a soldada, hesitante. ¡ª Ataque-me como se sua vida dependesse disso! ¡ª desafiou ela, a voz firme e provocante. Com m?os ainda tremendo, mas motivada pelo desafio direto, Laura avan?ou com determina??o. Ana defendeu-se com facilidade, mas usou o momento para ensinar. ¡ª Boa energia, mas sua execu??o ¨¦ previs¨ªvel! ¡ª enquanto bloqueava os golpes, ela a instrui. ¡ª Varie seus ataques, surpreenda seu advers¨¢rio! Com uma rasteira, ela derrubou a garota loira, mas um aceno de aprova??o foi feito. ¡ª Procure um novo parceiro de treino, voc¨º tem potencial. Vendo Ana se afastar, a garota secou o suor e refor?ou sua determina??o. Cenas da luta de exibi??o passavam pela sua mente, ela se lembrava claramente de sua instrutora lutando com um ca?ador no auge do rank C, quase indo ao rank B. Claro, ela havia perdido, mas a pequena mulher enfrentando um gigante de frente estava impressa em sua mente. Ela queria se tornar algu¨¦m assim. O capit?o Markus, presente ao fundo do campo de treinamento, observava, franzindo a testa com a cena que acabara de presenciar.
"Ad astra per scientiam¡­ Para as estrelas atrav¨¦s do conhecimento.", Brayner parou por um instante, intrigado pela imponente frase que adornava o arco de entrada da biblioteca. O latim antigo formigou na ponta de sua l¨ªngua, e uma onda de pertencimento inundou o corpo do leitor ao atravessar o limiar da porta. Nunca em sua vida se sentira t?o em casa. O interior era vasto, um espet¨¢culo de fantasia e tecnologia. Centenas de prateleiras flutuantes dan?avam pelo ar de maneira quase coreografada, movidas por comandos invis¨ªveis. Os leitores, equipados com mon¨®culos altamente tecnol¨®gicos, navegavam pelas vastas cole??es de maneira que a magia se integrava elegantemente com os modernos equipamentos, fazendo com que as prateleiras flutuantes trouxessem os livros solicitados diretamente ¨¤s m?os ansiosas do solicitante. A maravilha de tudo aquilo fez Brayner se sentir como se estivesse pisando em um novo planeta, um dedicado inteiramente ao culto do saber. Ele pegou um mon¨®culo dispon¨ªvel, ajustou-o e sentiu uma onda de excita??o ao ver informa??es detalhadas sobre cada livro que seu olhar tocava. "Posso realmente ler tudo isso?", Brayner pensou, sua mente girando com a possibilidade de aprender tudo sobre civiliza??es esquecidas, teorias cient¨ªficas avan?adas e hist¨®rias de mundos distantes. Ele come?ou a caminhar ao longo das prateleiras, tocando levemente as lombadas dos livros que passavam a seu lado, sentindo a textura das capas, os t¨ªtulos saltando em sua vis?o aprimorada pelo dispositivo tecnol¨®gico. Ao deslocar sua vis?o para um dos cantos da estranha tela, um bloco de anota??es surgiu, sendo preenchido com um simples pensar. Surpreso, ele aos poucos explorou mais funcionalidades, indo desde destacar passagens at¨¦ traduzir instantaneamente textos antigos. ¡ª Incr¨ªvel! Como isso tudo pode ser real? ¡ª Brayner exclamou alto, sem perceber o volume de sua voz. ¡ª Sil¨ºncio, por favor. Este ¨¦ um lugar de estudo e reflex?o ¡ª um bibliotec¨¢rio mais velho, com um rosto marcado pela severidade erudita, disse em um tom que, embora baixo, carregava uma autoridade indiscut¨ªvel. ¡ª Desculpe, eu s¨®... fiquei um pouco empolgado. ¡ª A paix?o pelo conhecimento ¨¦ sempre bem-vinda aqui, mas devemos respeitar a paz que o estudo requer ¡ª com um ¨²ltimo olhar cauteloso, o bibliotec¨¢rio se afastou, sua express?o suavizando um pouco. A imensa quietude se assentou novamente sobre a biblioteca. Brayner respirou fundo, ainda corado, mas com a vergonha inicial se dissipando enquanto se perdia mais uma vez nas maravilhas de seu ambiente. Ele sabia que tinha encontrado seu lugar em Leviathan, um ref¨²gio onde a mente poderia se aventurar sem limites atrav¨¦s das p¨¢ginas de incont¨¢veis livros, explorando o vasto universo do conhecimento humano e al¨¦m.
A insatisfa??o crescente levou a consequ¨ºncias inevit¨¢veis. Um por um, os soldados come?aram a deixar o posto, incapazes ou n?o dispostos a suportar a press?o do treinamento. Ana, com alguns dos poucos que sobraram, estava reunida ao redor de um mapa t¨¢tico espalhado sobre uma mesa de campanha. Com um bast?o em m?os, ela apontava para v¨¢rias posi??es. ¡ª Cada movimento que fazemos no campo de batalha deve ser calculado. Se voc¨ºs avan?arem precipitadamente, podem cair em uma emboscada ¡ª explicava ela, movendo pe?as no mapa. ¡ª Observem o terreno, usem-no a seu favor. A estrat¨¦gia ¨¦ t?o vital quanto a for?a. Em meio a explica??o, Markus entrou na sala, chamando-a para um canto. ¡ª Ana, voc¨º est¨¢ perdendo seus soldados. Esses m¨¦todos... n?o entrando no m¨¦rito de serem eficazes ou n?o, s?o severos demais. Estamos num ponto de ruptura ¡ª a voz dele carregava um peso que apenas aqueles respons¨¢veis pela seguran?a de uma cidade poderiam entender. ¡ª Markus, estou ciente de suas preocupa??es, mas n?o estou aqui para manter as coisas como est?o. Estou aqui para revolucion¨¢-las. Aqueles que partem s?o os fracos que tememos que sejam. Eu formo elites, n?o soldados comuns. D¨º-me tempo e ver¨¢ a diferen?a ¡ª Ana retrucou, sua voz n?o deixava margem para d¨²vidas sobre seu compromisso. Markus, embora relutante, acenou com a cabe?a, concedendo-lhe o benef¨ªcio da d¨²vida. Ele sabia que Ana n?o estava fazendo escolhas aleat¨®rias, felizmente n?o estavam em uma guerra em que os soldados fossem essenciais no momento, ent?o decidiu observar, esperando secretamente que ela estivesse certa. Vendo o comandante ir embora, J¨²lia que estava observando de longe, se aproximou, seu rosto mostrando um claro conflito interno. ¡ª Ana, eu ouvi um pouco da conversa¡­ Isso est¨¢ sendo incr¨ªvel, mas mesmo eu, que j¨¢ treino com voc¨º h¨¢ um tempo, estou s¨® o p¨® nesses ¨²ltimos dias... voc¨º acha que eles v?o aguentar? ¡ª Eles t¨ºm que aguentar, ¨¦ para isso que est?o me pagando. Leviathan precisa de soldados de verdade, n?o de pessoas que se inscrevem para o ex¨¦rcito apenas pelo dinheiro f¨¢cil. A ca?adora apenas acenou para as palavras de Ana, sem debater mais. As mulheres observaram o sol que se punha, tingindo o c¨¦u com tons de fogo e sangue, antes de voltar para dentro do sal?o.
Felipe atravessava as ruas movimentadas de Leviathan, atra¨ªdo por um edif¨ªcio que se destacava no cora??o da cidade. As portas estavam escancaradas, revelando um galp?o cheio de vida e movimento. ¡°O nome podia ser mais criativo¡±, pensou ele, avaliando uma pequena placa onde se encontrava uma breve descri??o: ¡®Grande Sal?o dos Inventores e Engenheiros¡¯. O lugar era um caleidosc¨®pio de inova??es, uma cacofonia de sons e cores com prot¨®tipos reluzentes e telas exibindo projetos futuristas. As paredes estavam adornadas com esquemas e diagramas, e o ar zumbia com discuss?es sobre f¨ªsica aplicada, mecanica avan?ada e teorias de energia. O ca?ador ouvia fragmentos de conversas sobre automa??o, propuls?o e a integra??o de sistemas inteligentes. Num canto, um grupo demonstrava um bra?o rob¨®tico que operava com precis?o cir¨²rgica, enquanto em outro, uma jovem entusiasmada explicava sobre sua inven??o que podia reciclar energia cin¨¦tica. Para Felipe, que havia passado a maior parte de sua vida em ambientes mais calmos, cada passo ali dentro parecia conduzi-lo atrav¨¦s de um portal para um novo mundo. Caminhando um pouco, ele passou por uma exposi??o de pr¨®teses biomecanicas avan?adas, cada uma com funcionalidades que faziam sua pr¨®pria pr¨®tese parecer obsoleta. "Ser¨¢ que eu poderia integrar algo assim na minha pr¨®tese?", questionava-se, observando um bra?o rob¨®tico que respondia fluidamente aos comandos de seu demonstrador. Os pensamentos de Felipe come?aram a girar. Aproximando-se de uma mesa, ele observou um engenheiro ajustando delicadamente um dispositivo que parecia ampliar a percep??o sensorial de quem o utilizava. O engenheiro, percebendo o interesse de Felipe, acenou para que ele se aproximasse. ¡ª Est¨¢ interessado em tecnologias sensoriais? ¡ª perguntou o engenheiro, um homem de meia-idade com olhos inteligentes e m?os ¨¢geis. ¡ª Na verdade, estou tentando entender tudo que posso sobre pr¨®teses. Sou novo nesse campo ¡ª Felipe respondeu, um tanto hesitante. ¡ª Este ¨¦ um excelente lugar para come?ar. Cada inven??o aqui ¨¦ um passo em dire??o ao que muitos consideravam imposs¨ªvel h¨¢ anos. ¡ª ¨¦ incr¨ªvel¡­ eu achava que j¨¢ estava bom o suficiente, mas acha que posso melhorar isso? O engenheiro examinou a pr¨®tese do garoto com um olhar cr¨ªtico e ent?o sorriu. ¡ª O que voc¨º tem a¨ª ¨¦ um bom come?o, mas com as tecnologias certas, voc¨º pode levar sua pr¨®tese para um novo n¨ªvel. Parece muito bem feito, mas os materiais s?o muito comuns. Voc¨º n?o ¨¦ daqui, certo? ¡ª Sim, acabei de chegar na cidade ¡ª respondeu Felipe, um pouco envergonhado. ¡ª N?o havia monstros fortes pr¨®ximos a minha cidade, ent?o os materiais bons eram escassos. Minha pr¨®tese foi feita apenas de a?o refor?ado. ¡ª Algo assim conter apenas um metal da terra ¨¦ incr¨ªvel o suficiente. De qualquer forma, recomendo que d¨º uma olhada no mercado da cidade, sempre aparece coisa boa por l¨¢. ¡ª Muito obrigado pela sugest?o. Me chamo Felipe, ¨¦ um prazer te conhecer! ¡ª Por nada! Pode me chamar de Alan. Quando voltar ao sal?o, lembre-se de passar dar um oi, eu estou sempre por aqui ¡ª finalizando a conversa com um sorriso gentil, Alan voltou a olhar para seus equipamentos. Conforme o dia avan?ava, Felipe se envolvia em v¨¢rias demonstra??es e discuss?es, cada uma adicionando uma camada de compreens?o e admira??o. Ao final do dia, enquanto o sal?o come?ava a esvaziar, Felipe encontrava-se sentado em um canto, esbo?ando ideias rudimentares em um peda?o de papel. Ele olhava ocasionalmente para sua pr¨®tese, agora n?o apenas como uma parte de seu corpo, mas como um projeto em potencial. ¡ª Se essas pessoas podem transformar pensamentos em realidade, quem sabe o que mais posso fazer? ¡ª murmurou para si mesmo, um plano come?ando a se formar em sua mente. A noite havia ca¨ªdo, e a cidade de Leviathan brilhava l¨¢ fora, cheia de possibilidades. A Ironia Divina aos poucos se integrava a cidade, cada um explorando seus pr¨®prios caminhos, de sua pr¨®pria forma.
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Capítulo 33 - Folga
J¨²lia despertou com o sol brilhando atrav¨¦s da janela de seu quarto. Se esticando na cama, seus pensamentos vagaram sobre as ¨²ltimas semanas, intensas e desafiadoras, mas tamb¨¦m incrivelmente enriquecedoras. Era sua primeira folga que pegou no m¨ºs, e ela estava decidida a usar o dia ao m¨¢ximo. Por mais que Ana tivesse cumprido sua promessa e n?o tomado seu tempo na maioria das tardes, ela sa¨ªa do treinamento t?o cansada que apenas desmaiava na cama. "Um dia sem o peso da armadura e esse c¨¦u maravilhoso. Tudo est¨¢ perfeito para uma explora??o", pensou, esticando-se novamente antes de pular da cama. Ela vestiu-se rapidamente, escolhendo uma roupa confort¨¢vel e pr¨¢tica para um dia de passeio. Depois de um desjejum r¨¢pido, J¨²lia rapidamente saiu de seu quarto, deparando-se com uma brisa fresca que tocava suavemente seu rosto, trazendo o aroma misto de especiarias vindas do mercado. "Hoje ¨¦ dia de descobrir o que essa cidade tem de melhor," decidiu, seu passo leve refletindo seu humor elevado. A vitalidade do lugar era palp¨¢vel, um emaranhado colorido de barracas e vendedores, cada um anunciando seus produtos com orgulho. J¨²lia parou para admirar um vendedor de pequenas frutas que pareciam j¨®ias. Rindo, pegou algumas delas para provar, uma estranha esfera de um vermelho vivo que mais parecia uma mistura de cacto com ma??. "Bem, agora algumas lembran?as da minha explora??o urbana em Leviathan, Eva vai adorar isso", pensou a garota ruiva, negociando os pre?os de alguns chaveiros engra?ados e im?s de geladeira com um sorriso charmoso. Enquanto continuava, ela notou um comerciante fazendo gestos exagerados para um grupo de ca?adores pr¨®ximo a onde ela estava. Era uma dan?a de n¨²meros e gestos, onde cada um tentava sair com a melhor parte sem deixar o outro a ver navios. Curiosa, ela se aproximou da barraca, vendo que vendiam um tipo de dispositivo de navega??o a¨¦rea. O vendedor, um homem de meia-idade com um sorriso amig¨¢vel, explicava como o sistema funcionava para os jovens compradores. Ap¨®s uma olhada inicial, o l¨ªder do grupo se afastou de forma desinteressada. ¡ª Ei, me d¨º um desses ¡ª tirando algumas moedas da bolsa, J¨²lia parou o vendedor, que se preparava para guardar o dispositivo. ¡ª Garota esperta! Desde que perdemos o acesso ¨¤ internet global, os desafios para manter as rotas corretas aumentaram ¡ª ele explicou, mostrando um mapa hologr¨¢fico com v¨¢rias linhas tra?adas. ¡ª Mas Leviathan nunca para. Adaptamos, melhoramos e seguimos. Aqui tenho em m?os cada uma de nossas rotas mapeadas. Claro, isso ¨¦ baseado na posi??o da baleia, ent?o n?o espere um GPS em tempo real. ¡°A Ana vai gostar de ter um desses¡±, refletiu ela, entregando algumas moedas de prata. Conforme o dia avan?ava, seus passos a levaram a um bar conhecido por ser o ponto de encontro de ca?adores e mercen¨¢rios. O lugar estava cheio, com o burburinho t¨ªpico de hist¨®rias sendo compartilhadas e risadas ecoando pelas paredes de pedra. No balc?o, ela avistou Alex, seu corpo coberto de escuros hematomas que mal eram escondidos por suas roupas leves. ¡ª Me v¨º duas bebidas, por favor ¡ª disse ela, chamando um dos gar?ons. Com um sorriso, ela se aproximou do companheiro. ¡ª Ei Alex, aconteceu algo? T¨¢ parecendo que voc¨º foi atropelado! ¡ª S¨® um pouco de treino. Foi um pouco mais violento do que pensei, mas to bem. Tudo est¨¢ t?o corrido ultimamente, ¨¦ bom ver um rosto familiar ¡ª respondeu o ca?ador, aceitando a bebida espumante e colorida que J¨²lia lhe entregou. ¡ª Humpf, sem falar de treinamento hoje! A Ana ta um saco ultimamente, ela n?o d¨¢ um respiro. Taken from Royal Road, this narrative should be reported if found on Amazon. ¡ª Ent?o realmente est¨¢ treinando com os soldados? ¡ª perguntou Alex, surpreso pela escolha da companheira. ¡ª Sim, mas pensei que teria mais tempo livre. Bom, vamos deixar isso de lado ¡ª respondeu a garota, dando um gole em sua bebida. Com um leve rubor subindo por suas bochechas, ela continuou. ¡ª Sabe, Alex, eu acabei n?o te agradecendo direito pela ajuda nas cordas, eu podia ter estragado a miss?o por puro descuido¡­ Obrigado, de verdade. ¡ª Mas que clima pesado! N?o esquenta com isso, vamos apenas comemorar que deu certo. ¡ª Eu estava pensando hoje, enquanto andava pelo mercado... Esta cidade, Leviathan, ¨¦ t?o cheia de surpresas. Voc¨º acha que poder¨ªamos algum dia nos acostumar com tudo isso? ¡ª Eu n?o sei, gosto daqui, mas sinto falta de nossas pequenas aventuras, s?o elas que realmente tornam a vida no novo mundo interessante ¡ª Levantando-se, j¨¢ meio embriagado, o jovem ergueu o copo para um brinde. ¡ª ¨¤s novas experi¨ºncias! E a sobreviver a elas. ¡ª ¨¤ sobreviv¨ºncia! ¡ª gritou J¨²lia a seu lado, acompanhando o gesto. O bar come?ou a encher, e a m¨²sica ambiente se tornou mais alta. J¨²lia sorriu ao ver um casal tentando dan?ar perto deles. ¡ª Olha isso, a cidade nunca dorme realmente, n?o ¨¦? ¡ª Nunca, sempre em movimento, sempre algo novo para ver e aprender. E a¨ª, quer dan?ar? ¡ª Por que n?o? Enquanto a noite ca¨ªa, as conversas flu¨ªam livremente, entre risos e mais bebidas, at¨¦ que as estrelas estavam altas no c¨¦u de Leviathan. "Hoje foi um bom dia", pensou a garota ruiva, dan?ando alegremente ap¨®s um dia bem passado. #19# A tranquilidade da manh? parecia uma oportunidade perfeita para se dedicar a um dos seus passatempos favoritos: a leitura. Os pensamentos sobre o treinamento rigoroso com os soldados foram deixados de lado, enquanto Ana se permitia mergulhar em uma aventura intelectual. Chegando na biblioteca, ela adentrou com um respeito reverente e, para sua surpresa, avistou Brayner apoiado em uma das mesas, absorto em um grande volume que parecia conter mais mist¨¦rios do que respostas. ¡ª Ent?o ¨¦ aqui que voc¨º tem passado seus dias? Finalmente matei minha curiosidade, faz semanas que voc¨º n?o aparece para dar um oi. ¡ª Ana! Que bom ver voc¨º aqui ¡ª Brayner olhou para cima, respondendo com um sussurro surpreso. ¡ª Semanas? O tempo passou t?o r¨¢pido! Acho que exagerei um pouco, mas tudo aqui ¨¦ t?o¡­ incr¨ªvel! ¡ª Parece fascinante ¡ª Ana respondeu no mesmo tom, aproximando-se para olhar o livro mais de perto. ¡ª S?o registros de Aur¨®rea? ¡ª Isso mesmo. Parece que as experi¨ºncias de todas as partes do mundo est?o reunidas por aqui, ent?o fica muito mais f¨¢cil ver os diferentes pontos de vista sobre os dez anos que passamos por l¨¢. ¡ª Entendo, quais as conclus?es? Alguma teoria boa sobre o que ocorreu? ¡ª Na verdade tudo parece muito fantasioso, simplesmente n?o houve tempo para que a humanidade entendesse tudo antes que Aur¨®rea se mesclasse sobre a Terra. Alguns acreditam que alien¨ªgenas nos enviaram pra l¨¢, outros que estamos vivendo em uma simula??o, outros que Deus finalmente enviou o apocalipse. ¡ª Essa ¨²ltima parece promissora ¡ª Ana falou com um sorriso zombeteiro e levemente misterioso. ¡ª Por sinal, n?o tinha parado para pensar nisso, mas onde est?o as igrejas? N?o lembro de ter visto elas desde o grande retorno. ¡ª Voc¨º ¨¦ meio alienada, n¨¦? Muita gente morreu, e isso, somado com a chegada da mana, fez com que as religi?es perdessem muita for?a. As pessoas pararam de esperar milagres agora que podem produzir eles com suas pr¨®prias m?os. Ana escutava atentamente, cada palavra despertando uma centelha de curiosidade em sua mente. ¡ª Interessante, acho que ¨¦ melhor assim. Bem, vou dar uma olhada no que temos por aqui, lembre-se de n?o sumir por tanto tempo novamente. ¡ª Pode deixar ¡ª respondeu o bibliotec¨¢rio, rindo sutilmente. ¡ª Se precisar de alguma ajuda, pode chamar. Ap¨®s uma despedida r¨¢pida, a mercen¨¢ria seguiu seu caminho entre as prateleiras flutuantes. ¡°¨¦ t?o estranho¡­ por que Deus faria algo que prejudica a si mesmo? Ou o fato de acreditarem ou n?o nele ¨¦ irrelevante?¡±, pensava ela, refletindo sobre a conversa anterior enquanto buscava um livro que lhe interessasse. Ela havia visto o mon¨®culo oferecido pela biblioteca, mas o descartou ap¨®s uma breve olhada no cat¨¢logo. Para ela, que j¨¢ tinha o conhecimento necess¨¢rio de todas as l¨ªnguas e uma mem¨®ria quase fotogr¨¢fica, o dispositivo era apenas um inc?modo. Como n?o tinha um objetivo definido, seu olhar passou de t¨ªtulo em t¨ªtulo, at¨¦ parar em uma capa marrom pouca chamativa. ¡°A breve hist¨®ria da humanidade em Aur¨®rea. Bem conveniente¡±, pensou Ana, pegando o livro. A garota sentou-se em uma cadeira pr¨®xima, seus dedos ¨¢geis passando rapidamente pelas p¨¢ginas. O pequeno livro contava rapidamente sobre a adapta??o das pessoas enviadas a locais aleat¨®rios do estranho mundo, centrando-se ap¨®s isso na ideia de que, por mais que completamente desaparecida, existiu uma civiliza??o antiga que o habitava. Era uma teoria quase que comprovada, j¨¢ que resqu¨ªcios de constru??es foram encontradas ao redor do mundo, al¨¦m dos artefatos que serviram de base para a engenharia m¨¢gica. Claro, existiam as sombras, mas elas pareciam estar em uma situa??o muito parecida com os pr¨®prios humanos, j¨¢ que viviam em pequenos assentamentos ao inv¨¦s de constru¨ªrem cidades. A ideia de uma civiliza??o perdida, t?o avan?ada e ainda assim completamente desaparecida, era algo que desafiava sua imagina??o. Conforme a tarde se transformava em noite, a biblioteca come?ou a se esvaziar, mas Ana mal percebeu, t?o envolvida que estava em suas descobertas dos livros ao seu redor. Finalmente, um bibliotec¨¢rio teve que lembr¨¢-la de que estava na hora de fechar. ¡ª J¨¢ ¨¦ t?o tarde assim? ¡ª perguntou Ana, surpresa ao olhar para fora e ver o c¨¦u estrelado. ¡ª O tempo voa quando se est¨¢ cercado por tanto conhecimento. ¡ª respondeu Brayner com um tom zombeteiro. ¡ª Parece que n?o ¨¦ s¨® eu que n?o tenho no??o de mais nada quando estou lendo Ana concordou com um sorriso ao ver o companheiro tamb¨¦m ser expulso do local. E assim, mais um dia, de muitos outros que viriam, se passou.
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Capítulo 34 - Vajramushti
¡ª Errado! Fa?a mais uma vez ¡ª disse Liang, com uma forte batida de seu bast?o na perna esquerda de Alex. O frescor da manh? passava suavemente pelo corpo do jovem, trazendo calafrios ao tocar o suor em seu corpo. Cada manh? come?ava antes do alvorecer, com medita??o e exerc¨ªcios de respira??o, seguidos de pr¨¢ticas de movimentos que enfatizavam o equil¨ªbrio, a agilidade e a precis?o. Mestre Liang era um instrutor rigoroso, mas justo, sempre atento aos limites e ¨¤ evolu??o de seus alunos. Cada sess?o de treinamento era intensa, exigindo n?o apenas fisicalidade mas tamb¨¦m uma conex?o espiritual e mental, algo que Alex nunca havia experimentado em seus treinamentos anteriores. ¡ª Cada golpe deve ser como a batida de um cora??o: necess¨¢rio, preciso, vital ¡ª instruiu Liang, enquanto corrigia a postura de Alex durante um exerc¨ªcio. ¡ª Sinta o movimento fluir de dentro para fora, como a ¨¢gua que flui de uma fonte. ¡°A luta ¨¦ ganha ou perdida muito antes de os punhos se encontrarem. ¨¦ na quietude da mente que as batalhas s?o resolvidas¡±, pensou o jovem, lembrando das instru??es dadas dezenas de vezes enquanto girava o corpo para tentar mais uma vez o movimento ensinado. ¡ª Errado! ¡ª um novo golpe o atingiu, a reclama??o do velho homem surgindo em seus ouvidos como um martelo. ¡ª Voc¨º ¨¦ uma decep??o, saia da minha frente por hoje. Com um suspiro pesado, Alex saiu da sala, sendo inesperadamente recebido por seu amigo e companheiro de treino, Wei. Wei era um jovem monge de personalidade vibrante e apaixonado pelo aprendizado, seu corpo era magro e seu cabelo um castanho acinzentado. Os dois iniciaram juntos o treino sob a orienta??o do Mestre Liang, mas a base do monge era muito mais s¨®lida do que a do ca?ador, fazendo-o avan?ar muito mais r¨¢pido nos ¨²ltimos dois meses. ¡ª Bom dia, Alex! Como foi o treino de hoje? ¡ª Wei perguntou, sorrindo. ¡ª Voc¨º sabe¡­ ele n?o est¨¢ facilitando ¡ª respondeu Alex, sua falta de entusiasmo era evidente. ¡ª Essa semana estou muito atarefado com o trabalho, mas se quiser podemos treinar um pouco durante minha folga. Bom, estou atrasado para o treino, nos esbarramos por a¨ª em breve! Com um aceno de despedida, Alex seguiu seu caminho. Ele notou a boa inten??o de Wei, mas sabia que um treino ou outro a mais n?o seria o suficiente para uma melhora significativa. ¡°Parece que chegou a hora de ver a Ana¡±, refletiu ele, com um olhar cansado. Com um novo brilho nos olhos, Alex seguiu em dire??o ao campo de treinamento. Ele sabia que a l¨ªder de seu grupo conseguiria ajudar, mas n?o se sentia bem sendo t?o dependente.
O campo de treinamento dos soldados estava em plena atividade quando ele chegou, com Ana supervisionando uma sess?o de combate. J¨²lia estava entre os soldados, sua energia aparentemente infinita apesar do ritmo extenuante. Alex sorriu ao v¨º-la em a??o. Quando ela o notou, acenou alegremente, e ele devolveu o gesto com um sorriso caloroso. ¡ª Ei, Ruiva! ¡ª Alex chamou, usando um apelido carinhoso. J¨²lia riu ao ouvir o apelido e acenou para Alex, chamando-o para se juntar a ela. ¡ª Alex! O que traz voc¨º aqui? N?o conseguiu mais aguentar o treino dos monges? ¡ª Algo assim, o Mestre Liang est¨¢ sendo um pouco... dif¨ªcil ¡ª Alex admitiu, sua voz refletindo a frustra??o do dia. ¡ª Vim ver se Ana pode me ajudar. Ana, que estava ajustando a postura de um dos soldados, ouviu a conversa e se aproximou. ¡ª Olha s¨® quem decidiu aparecer¡­ eu ouvi bem? Um dos meus cavaleiros chamando um treino de um bando de monges de ¡°Dif¨ªcil¡±? ¡ª a mercen¨¢ria repetiu, levantando uma sobrancelha. ¡ª O que tem aprendido? ¡ª Bem, meu treino ultimamente foca em t¨¦cnicas da filosofia budista, algo assim. Alex assumiu uma postura de combate e come?ou a fazer os movimentos que havia praticado, cada golpe refletindo a combina??o do treinamento intenso, mas ainda com falhas. Ana observou atentamente, seus olhos cr¨ªticos, mas amig¨¢veis, analisando cada movimento com precis?o. ¡ª Eu vejo o problema ¡ª Ana disse, interrompendo-o ap¨®s alguns minutos. ¡ª Seu estilo de luta ainda est¨¢ preso nas velhas formas. ¨¦ Vajramushti, certo? Enjoying this book? Seek out the original to ensure the author gets credit. ¡ª Sim, isso mesmo. ¡ª Se encaixa bem com voc¨º, mas precisa se libertar mais, tem que se alinhar com a fluidez de seu pr¨®prio estilo. Veja, o fluxo deve ser assim¡­ Ana mudou sua postura relaxada para uma posi??o de combate, os olhos intensos, focados. Com um movimento fluido, ela se lan?ou em uma sequ¨ºncia de golpes r¨¢pidos. ¡ª Olhe, Alex, ¡ª disse ela, ao mudar lentamente seus movimentos. ¡ª Voc¨º deve deixar o golpe fluir a partir do centro do seu corpo. Ela continuou a demonstrar, enfatizando a importancia da fluidez. Ana girou, esquivando-se de um golpe imagin¨¢rio, antes de lan?ar um ataque preciso. Seus p¨¦s mal se moviam, mas sempre mantinham uma posi??o pr¨¢tica para o pr¨®ximo movimento. ¡ª Sinta o ritmo, a batida ¡ª ela instruiu, sua voz se tornando quase musical. ¡ª Cada movimento deve ser necess¨¢rio, preciso, vital. Isso ¨¦ Vajramushti, a heran?a de Shiva, o caminho do rei. Alex assistiu fascinado enquanto Ana seguia a sequ¨ºncia de movimentos que mesclava defesa e ataque com uma fluidez quase po¨¦tica. O poder dos golpes era evidente, mas havia uma elegancia e um controle que os diferenciava do que ele estava aprendendo. Em meio a demonstra??o, Alex fez sua pr¨®pria tentativa. Os movimentos que aprendeu do velho monge vieram a sua mente, assim como os movimentos que via Ana fazer ao seu lado, mas tentou aplic¨¢-los sem tirar a liberdade de seu corpo seguir seus pr¨®prios instintos. Vendo que o jovem ca?ador havia entendido o que ela queria transmitir, Ana parou, passando a corrigir a postura de Alex com toques firmes e dire??es claras. Com cada ajuste, o garoto sentiu uma nova perspectiva se abrindo, seu corpo se movendo de forma mais fluida e eficiente. ¡ª Melhor ¡ª Ana comentou, assentindo com aprova??o. ¡ª Continue praticando assim. Eles treinaram juntos por um tempo, e a melhoria de Alex foi not¨¢vel. Ele sorriu, sentindo um peso ser retirado de seus ombros. ¡ª Obrigado, Ana. Eu precisava disso. ¡ª De nada, Alex. Lembre-se que, se quiser, pode passar a treinar conosco, n?o precisa voltar l¨¢. ¡ª Eu preciso seguir meu pr¨®prio caminho, mas manterei isso em mente. De repente, antes que a mercen¨¢ria pudesse responder, Pedro chegou ao campo de treino. Ele avaliou de longe o progresso dos soldados sob a tutela de Ana, seu olhar s¨¦rio suavizando-se em aprova??o. ¡ª Impressionante ¡ª Pedro disse, ap¨®s um momento. ¡ª O progresso de todos aqui ¨¦ not¨¢vel. Estou satisfeito com seu trabalho. ¡ª Pedro, bem vindo. Infelizmente n?o ¨¦ um sucesso completo, poucos aguentaram ¡ª respondeu Ana, com um meio sorriso ¡ª Aqueles que ficaram apresentaram uma clara melhora n?o apenas em for?a, mas em resist¨ºncia, agilidade e, acima de tudo, em esp¨ªrito. Falta experi¨ºncia real e ca?a para que seus limites de mana sejam nivelados, mas j¨¢ s?o mais do que o suficiente para evitar conflitos na cidade. Se despedindo de J¨²lia e Alex, a rainha de prata conduziu o homem pelo campo, mostrando os soldados treinando intensamente. O grupo de indisciplinados que antes dependiam apenas da mana agora estavam com m¨²sculos tonificados e executavam exerc¨ªcios com precis?o e disciplina. ¡ª Agora realmente parecem um ex¨¦rcito. Eu n?o vou negar, estava meio c¨¦tico com os boatos que circulavam, mas voc¨º fez um trabalho incr¨ªvel por aqui. ¡ª N?o era uma promessa vazia, eu disse que formaria elites, ¨¦ isso que estou fazendo. Mas isso ¨¦ s¨® o come?o, a recupera??o dos m¨²sculos ¨¦ absurda quando voltam a ativar mana no fim do treino, o crescimento nos pr¨®ximos meses ser¨¢ tremendo ¡ª Ana respondeu, com uma sutil gargalhada, seus olhos n?o deixando d¨²vidas sobre suas palavras. ¡°Parece que contrat¨¢-la foi a escolha certa¡±, pensou Pedro, feliz com o novo ponto de seguran?a que Leviathan teria em um mundo que entrava cada vez mais em caos.
Os c¨¦us estavam claros, com um forte azul vibrante, quando grandes avi?es come?aram a aparecer em uma parte isolada do corpo da grande baleia branca. A chegada de tais aeronaves n?o era t?o comum, principalmente depois da comunica??o ser cortada, mas n?o era nada t?o estranho que chamasse a aten??o dos habitantes da enorme cidade livre. ¡ª Finalmente, de volta ao c¨¦u! ¡ª gritou um homem alto e musculoso, com uma barba espessa e um complexo olho rob¨®tico, enquanto descia do primeiro avi?o. Ao seu lado, um companheiro mais baixo e magro olhava ao redor, os olhos brilhando de excita??o. ¡ª Vamos fazer isso r¨¢pido, eles n?o v?o saber o que os atingiu ¡ª o segundo murmurou, puxando uma adaga. Ele olhou para seu capit?o com um sorriso predat¨®rio. ¡ª Calma, j¨¢ chegamos t?o longe. Vamos apenas acampar at¨¦ a hora certa ¡ª o homem barbudo respondeu, seu olhar afiado percorrendo a paisagem de Leviathan. Ao longe, outras aeronaves come?aram a pousar. Quando as rampas dos avi?es se abriram, centenas de pessoas, todas vestidas com roupas de couro e ostentando armas de fogo ex¨®ticas, desceram em un¨ªssono. ¡ª Quantos s?o, afinal? ¡ª perguntou um terceiro homem, um jovem com um sorriso estranhamente t¨ªmido, olhando para os companheiros ao seu redor. ¡ª O suficiente para levar essa cidade, se tudo correr como planejado ¡ª respondeu o capit?o do olho rob¨®tico, observando seu grupo. ¡ª N?o estraguem tudo, se conquistarmos mais do que as outras tripula??es, seremos recompensados al¨¦m da nossa imagina??o. Os piratas se dispersaram pela ¨¢rea, misturando-se com os habitantes locais. Enquanto se espalhavam, seus olhares mal escondiam a excita??o pelo que estava por vir. ¡°Vamos ver o que esses filhos do c¨¦u t¨ºm para nos oferecer¡±, pensou o l¨ªder, um sorriso sombrio surgindo em seu rosto enquanto ele se dirigia para o centro da cidade, seus olhos cintilavam com um misto de ambi??o e intriga.
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Capítulo 35 - Festival
Felipe estava em um laborat¨®rio improvisado, focado em aprender mais sobre a pr¨®tese que usava. Ele desmontava e remontava partes, ajustando engrenagens e aprimorando o funcionamento sob a orienta??o de Ana. Era um espa?o pequeno, mas organizado, onde cada ferramenta tinha seu lugar e cada equipamento era bem cuidado. Sendo em um campo aberto e pr¨®ximo aos sons dos soldados treinando, n?o proporcionava um ambiente prop¨ªcio para a concentra??o, mas o ca?ador preferia assim. ¡ª Ser¨¢ que isso um dia vai ser perfeito? ¡ª perguntou ele, meio desanimado ap¨®s um ajuste n?o sair como planejado. Felipe tinha passado horas tentando fazer mudan?as finas, mas algo sempre parecia dar errado. ¡ª Se quer perfei??o, voc¨º est¨¢ no caminho errado ¡ª disse Ana, suspirando. ¡ª E, sinceramente, voc¨º est¨¢ come?ando a me lembrar Natalya. Por que n?o vai encher o saco dela um pouco? Ela n?o parece estar fazendo nada de qualquer forma ¡ª concluiu, apontando para a Colecionadora que assistia ao treino com uma express?o entediada. Felipe deu um suspiro e olhou para a pr¨®tese em sua m?o. Ele estava orgulhoso dela, mas tamb¨¦m frustrado com suas limita??es. A princ¨ªpio, ele n?o havia notado elas, mas vendo os muitos modelos feitos no sal?o de engenharia m¨¢gica elas se tornavam cada vez mais aparentes. Ele queria que fosse mais do que apenas funcional, queria que fosse uma extens?o perfeita de seu corpo. Mesmo de longe, ele p?de notar a colecionadora erguendo uma sobrancelha ao v¨º-lo se aproximar. Ela era uma figura imponente, com uma presen?a que sempre o intimidava. ¡ª O que ¨¦ agora, pequeno pe?o da rainha? ¡ª perguntou Natalya, com sua voz seca e ir?nica. Ela olhou de cima a baixo para o garoto, notando sua express?o preocupada. ¡ª Preciso de sugest?es sobre minha pr¨®tese ¡ª come?ou Felipe, hesitante. ¡ª Quero que ela seja mais forte. Tenho trabalhado nela por um tempo, mas parece que sempre falta algo. ¡ª Uma pr¨®tese nunca vai ser forte o suficiente ¡ª respondeu Natalya, o olhar frio. ¡ª Se quer algo realmente bom, vai ter que ligar a m¨¢quina ao cora??o, assim como eu fiz. Felipe franziu a testa, pensativo. Lig¨¢-la ao cora??o era algo muito invasivo, mas ele sabia que Natalya estava certa. Ele olhou para a pr¨®tese, refletindo sobre o quanto estava disposto a sacrificar para alcan?ar seu objetivo. ¡ª ¨¦ uma decis?o dif¨ªcil, eu sei ¡ª disse Natalya, percebendo a hesita??o em seu olhar. ¡ª Mas se voc¨º quer verdadeira for?a, precisa estar disposto a pagar o pre?o. Enquanto o garoto ponderava, grandes alto-falantes come?aram a sair de aberturas no ch?o em toda a cidade, soltando um estranho aviso que anunciava uma invas?o. O tom, no entanto, n?o parecia urgente. ¡ª Aten??o, estamos sob ataque! Saiam de suas casas agora. Antes de Felipe ter tempo de entender a estranheza da mensagem, uma m¨²sica empolgante come?ou a tocar, preenchendo o ar com energia. ¡°Quando eu ca¨ª e beijei o ch?o ??¡±. ¡ª Que estranho¡­ Isso ¨¦ normal? ¡ª perguntou Felipe para Natalya, enquanto avistava Ana e J¨²lia correndo em sua dire??o. ¡ª Ah, sempre a mesma coisa¡­ Eu havia me esquecido o motivo de ter parado de vir aqui ¡ª ignorando o curioso ca?ador, Natalya se sentou em um canto, apenas observando o caos dos arredores enquanto apoiava a cabe?a em um bra?o. Um sorriso ir?nico adornava seus l¨¢bios. De repente, assim que Ana chegou, uma explos?o iluminou o c¨¦u. Todos se abaixaram instintivamente, mas ent?o perceberam que n?o eram explos?es comuns. Eram fogos de artif¨ªcio. ¡°Vi em seus olhos algum brilho de prazer ??¡±. Os aventureiros ao redor riram, pegando suas armas. O grupo ficou ainda mais confuso, at¨¦ que um dos homens se aproximou. ¡ª Relaxa, ¨¦ seu primeiro ataque aqui, n?o ¨¦? ¡ª perguntou ele, rindo dos rostos desnorteados. Felipe e J¨²lia se entreolharam, ainda incertos, mas foram interrompidos antes de conseguir dar uma resposta pelo som de armas de fogo disparando. Os piratas do c¨¦u come?aram a lutar em toda a cidade, mas a m¨²sica n?o parou. ¡°Rastejei por algum tempo ??¡±. "Queda Livre... A m¨²sica combina bem com o ambiente", pensou Ana, sorrindo ao ouvir a melodia que ainda tocava ao fundo, sua batida forte e letras intensas ecoando pela cidade. ¡ª Tirem essas express?es complicadas ¡ª gritou outro aventureiro. ¡ª Aqui ¨¦ Leviathan, a cidade dos que se arriscam pelo mundo. Piratas s?o nosso festival, batalhas nosso anti-stress! Apenas n?o morram.Stolen from Royal Road, this story should be reported if encountered on Amazon. Deixando os confusos novatos para tr¨¢s, o homem correu em dire??o ¨¤s movimentadas ruas com seu machado levantado, um forte rugido saindo de seu peito. ¡ª Mas que lugar¡­ louco ¡ª murmurou Ana, com os dois jovens apenas podendo concordar com um aceno. ¡ª Bem, se estamos em um festival, s¨® nos resta aproveitar. Todos voc¨ºs, chegou a hora de mostrar o que podem fazer, me acompanhem! Seu grito ressoou em todo o campo de treinamento, e, pela primeira vez, suas ordens foram acatadas com um sorriso por cada um dos soldados. ¡°Entenda, isso foi muito bom pra mim ??¡±. Os sons de tiros e o clangor do metal contra metal se misturavam com a batida empolgante da m¨²sica, criando uma atmosfera ¨²nica. A cidade de Leviathan estava em um estado de alerta festivo, com seus habitantes combatendo os invasores com uma mistura de seriedade e alegria. ¡ª Ana, vou encontrar o Alex ¡ª gritou Felipe, tentando ser ouvido em meio ao ambiente ca¨®tico. ¡ª Ele deve estar bem, mas n?o custa garantir. Ana acenou para ele, dando a permiss?o para sair, antes de continuar seu pr¨®prio caminho. ¡°Pude encarar minhas verdades¡­ ??¡±. ¡ª Vamos, precisamos chegar l¨¢! ¡ª ordenou ela, sua voz era firme e clara enquanto apontava para as muralhas da cidade. ¡ª J¨²lia, Laura, sigam ao meu lado, os demais, dispersem conforme o necess¨¢rio para ajudar os cidad?os! Em cima dos muros mencionados pela mercen¨¢ria, o capit?o dos piratas observava a cidade, transmitindo ordens com um r¨¢dio comunicador. Seu olho esquerdo brilhava com uma intensa luz alaranjada, como se estivesse escaneando todo o cen¨¢rio. Laura, com seu grande escudo, avan?ou na linha de frente, bloqueando ataques vindos de pontos cegos. A pr¨¢tica nos treinos mostrou sua efic¨¢cia, pois nenhum golpe conseguiu ultrapassar sua defesa. A cada investida, Laura abria espa?o para Ana e J¨²lia atacarem. Ana, por sua vez, desferiu punhaladas precisas com sua faca. Os piratas comuns n?o conseguiam acompanhar seus movimentos, tendo seus cora??es ou pesco?os mutilados antes de conseguirem reagir, seu sangue misturando-se com o brilho avermelhado que a faca emanava. Sua t¨¦cnica era refinada, seus movimentos ¨¢geis e certeiros, como se antecipasse cada ataque. J¨²lia, empunhando sua espada, dan?ava entre os inimigos, os golpes se alinhando ao ritmo da m¨²sica que ainda tocava. ¡ª De frente pude ver ?? ¡ª cantou J¨²lia, acertando um pirata que se aproximava com a lateral da espada. ¡ª ¨¦ estranho, esse ambiente festivo tira toda a tens?o da luta. ¡ª Cuidado! ¡ª gritou Ana, tentando correr em dire??o a garota ruiva quando tr¨ºs tiros acertaram seu corpo. J¨²lia caiu com um golpe seco no ch?o, cuspindo um fino fio de sangue. O pirata que ela acabou de derrubar sorria ao ver que acertou os disparos, um sorriso que foi rapidamente dispersado ao perceber uma faca perfurando seu peito. ¡ª Voc¨º deve matar eles, idiota! ¡ª E-eles¡­ s?o humanos¡­ n?o consigo fazer isso ¡ª murmurou a garota ca¨ªda, com uma voz rouca saindo de seus l¨¢bios. Ana ponderou a respeito das palavras por um instante, mas logo balan?ou a cabe?a deixando o assunto de lado com um longo suspiro. Ao virar J¨²lia para cima para verificar os ferimentos, notou que duas balas haviam se alojado em seu bra?o esquerdo e uma em seu est?mago. Felizmente, dada a dureza do corpo refor?ado de mana da ca?adora, n?o foram ferimentos fatais, com as balas apenas alojadas na carne, mas sem uma perfura??o profunda. ¡°O quanto posso errar, falhar e ver ??¡±. ¡ª Talvez o impacto tenha machucado alguns ¨®rg?os, mas n?o parece grave. Trave os dentes, vou remover as balas agora. Laura se juntou aos demais soldados, formando uma parede de escudos ao redor da cirurgia improvisada. A remo??o foi r¨¢pida, e logo J¨²lia j¨¢ estava de p¨¦, com algumas pequenas manchas vermelhas em trapos improvisados que cobriam os machucados. ¡ª Voc¨º n?o pode lutar neste estado, v¨¢ com Laura e alguns soldados de encontro com o resto do grupo, quero que tragam a Ironia Divina completa para c¨¢. ¡ª Tem certeza que vai ficar bem? ¡ª perguntou J¨²lia, seu olhar dolorido denunciava que os tiros n?o foram leves, mesmo sendo superficiais. ¡ª Vou dar um jeito, o ex¨¦rcito parece estar um n¨ªvel acima dos intrusos, acredito que conseguirei chegar l¨¢. ¡ª Certo¡­ ent?o me espere, estarei de volta em breve. ¡ª J¨²lia ¡ª disse Ana, quando a ca?adora ruiva estava prestes a sair. Sua voz firme deixou claro que n?o era um assunto que devia se tomar de animo leve. ¡ª N?o importa o que voc¨º pensa sobre isso, mate quem aparecer na sua frente, sobreviva. Isso ¨¦ uma ordem. Se virando sem esperar por uma resposta, Ana deu ordens aos soldados que sobraram. A sinergia entre eles era clara. Os soldados mantiveram a forma??o espartana, organizados e disciplinados. A parede de escudos avan?ava rapidamente, protegendo uns aos outros, enquanto as lan?as surgiam entre os escudos, cravando-se nos piratas que tentavam atac¨¢-los. ¡°Que pode ser muito natural ??¡±. ¡ª Avancem! Ainda temos um grande caminho at¨¦ a muralha ¡ª gritou a rainha mercen¨¢ria, sua voz clara como um comando divino. Os soldados seguiram a ordem, empurrando os piratas para tr¨¢s com um esfor?o coordenado. Tiros ricocheteavam ou se alojavam em seus pesados escudos e armaduras, mas poucos sa¨ªram feridos. No entanto, cada vez menos deles formavam a parede conforme se dispersaram para socorrer qualquer cidad?o que parecesse precisar de ajuda. Agora que voltaram a usar mana, era claro seu avan?o. As armas eram manejadas com facilidade que aventureiros comuns n?o tinham, e a vis?o estrat¨¦gica ao atacar os piratas em pequenos grupos mostrava que n?o tinham a confian?a infundada de antigamente. O capit?o pirata os observava de cima, um sorriso arrogante no rosto enquanto Ana se aproximava. ¡ª Abaixem-se, r¨¢pido ¡ª gritou ela, notando o leve movimento do homem barbudo embaixo de seu casaco. No entanto, antes que pudessem assimilar as palavras de sua l¨ªder, os tr¨ºs soldados restantes ca¨ªram com balas perfurando suas cabe?as. Uma estranha pistola de cano mais longo do que o normal jazia na m?o do pirata, um fio de fuma?a subindo lentamente de dentro da arma. ¡ª Oho, parece que temos algu¨¦m habilidoso o suficiente para uma boa luta ¡ª disse ele, suas palavras carregadas de zombaria enquanto olhavam para a mercen¨¢ria jogada no ch?o de paralelep¨ªpedos. ¡ª Sabe o quanto foi dif¨ªcil treinar esses caras? ¡ª Ana se levantou com um salto, pegando rapidamente um dos escudos ca¨ªdos e colocando-o em frente ao seu corpo. ¡ª N?o deu nem tempo pra mostrar pro meu contratante os resultados, desgra?ado! ¡°Mas que merda essa garota est¨¢ falando¡±, pensou o homem, com um olhar que parecia confuso at¨¦ mesmo em seu olho rob¨®tico. Nesse instante, drones come?aram a subir dos becos estreitos de apar¨ºncia medieval, espalhando-se pela cidade. Quando um deles come?ou a circular Ana, uma grande tela semi-transparente apareceu no c¨¦u, mostrando-a encarar o inimigo ¨¤ sua frente de forma dram¨¢tica. Ela olhou ao redor, surpresa ao ver a mesma coisa acontecer em todo o c¨¦u. Em uma das telas, Markus lutava de frente com um homem gigante que carregava um grande canh?o, em outra, Pedro acompanhava um grupo de mercen¨¢rios de apar¨ºncia intimidante enquanto corria em dire??o a uma mulher voluptuosa carregada por um pequeno ex¨¦rcito de piratas. Por fim, viu seu grupo, Ironia Divina, lutando contra tr¨ºs piratas estranhamente magros, todos com centenas de adagas presas pelo seu corpo. ¡°Voc¨º ¨¦ covarde demais! ??¡±. ¡°Pra entender ??¡±. ¡°O quanto ¨¦ intenso ??¡±. A can??o se intensificava cada vez mais conforme as cenas iam aparecendo nos grandes hologramas, um de cada vez, com brutais batalhas acontecendo em todos os lugares. Salvo os que j¨¢ estavam mortos, n?o havia ningu¨¦m sem um sorriso de anima??o no rosto, seja ca?ador, mercen¨¢rio ou um simples aventureiro solit¨¢rio. Novos fogos de artif¨ªcio explodiram nos c¨¦us, iluminando a cidade nas mais belas cores. O festival da grande baleia branca estava finalmente aberto.
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Capítulo 36 - Invas?o
A luta come?ou com um tenso jogo de observa??o. Ana estudava cuidadosamente cada movimento de seu oponente. A dire??o dos olhos, a tens?o de seus m¨²sculos, o movimento sutil de suas m?os, preparando-se para antecipar tanto os tiros quanto os golpes de seu sabre. ¡°Ela est¨¢ me lendo¡±, percebeu o homem barbudo, com um sorriso insano passando em seus l¨¢bios. Ana ajustou a faca negra em sua m?o direita e o escudo na esquerda. Ela preparou-se para saltar para frente, quando foi surpreendida por palavras inesperadas. ¡ª O que acha de se juntar a meus tripulantes? ¡ª perguntou o capit?o, sua postura irradiando uma confian?a que atra¨ªa os observadores. ¡ª Parece interessante, mas por hoje, vou recusar. ¡ª Quando eu tomar posse dessa maldita baleia, terei dinheiro suficiente para sair pelo mundo em liberdade, tem certeza que n?o quer reconsiderar? ¡ª Se sobrevivermos, me procure em alguns anos. Me chamo Ana, l¨ªder da Ironia Divina. ¡ª Seu olhar me diz que n?o foi uma resposta ir?nica, voc¨º realmente parece interessada! ¡ª exclamou o homem, surpreso pela frase inesperada ¡ª Eu sou Rody, capit?o dos Sobreviventes B¨¢rbaros. ¨¦ um prazer te conhecer, senhorita, mas uma pena ter que matar algu¨¦m t?o¡­ diferente. Decepcionado, ele tentou surpreender a estranha garota com um disparo r¨¢pido, mas um escudo bloqueou a trajet¨®ria da bala. O som met¨¢lico do impacto ressoou pelo ar, um testemunho da precis?o da defesa de Ana. ¡ª Isso n?o foi legal ¡ª murmurou ela, aproveitando o breve momento de recarga da pistola para fechar a distancia com uma s¨¦rie de movimentos fluidos. Seu primeiro ataque com a adaga, uma estocada r¨¢pida em dire??o ao pesco?o do homem, foi destinado a sondar a defesa do capit?o. Ele bloqueou ¨¢gilmente com seu sabre, mas o impacto da faca negra foi forte o suficiente para faz¨º-lo recuar. ¡°Realmente uma mulher interessante!¡±, pensou para si mesmo, encantado pela pessoa intrigante que encontrou.
Na ampla pra?a central de Leviathan, um confronto colossal se desenrolava, capturando a aten??o de todos ao redor. Comandante Markus, um guerreiro imponente conhecido por sua for?a e habilidade com a espada longa, enfrentava um advers¨¢rio igualmente formid¨¢vel: um pirata gigante, n?o apenas alto mas tamb¨¦m notavelmente corpulento, armado com um grande canh?o. Markus avaliou cautelosamente seu oponente, quando repentinamente o pirata come?ou a disparar uma s¨¦rie de proj¨¦teis pesados. Cada tiro retumbava pelo ar, criando pequenas explos?es ao rasgar o ch?o de pedra da cidade, enviando estilha?os pelo ar. Markus, ¨¢gil apesar de seu porte, correu por entre a poeira que foi levantada com uma destreza surpreendente, esquivando-se dos disparos enquanto avan?ava lentamente em dire??o ao seu advers¨¢rio. Conforme a distancia diminu¨ªa, a tens?o aumentava. O comandante esperou o momento ideal para atacar, desviando de um proj¨¦til particularmente pr¨®ximo antes de entrar no alcance de sua espada. Com um grito de batalha, ele desferiu um golpe poderoso, que foi bloqueado pelo pirata com a pr¨®pria arma de ferro maci?o. Com um chute que lan?ou Markus para tr¨¢s, o pirata balan?ou o canh?o como se fosse um martelo, com uma for?a brutal na tentativa de esmagar o espadachim a sua frente. ¡ª Ent?o essa coisa n?o serve s¨® pra atirar? ¡ª murmurou Markus, enquanto bloqueava o golpe com a espada, sentindo o impacto vibrar at¨¦ seus ossos. O metal rangia sobre a for?a do gigante, e por um momento, o ar se enchia apenas com o som de metal contra metal. Enquanto ele recuperava o f?lego, o pirata tentou finalizar a luta, apontando o canh?o diretamente para ele a curta distancia. Rapidamente, Markus rolou para o lado, evitando por pouco o disparo que destruiu parte da fachada de uma constru??o pr¨®xima. Se levantando, ele correu em dire??o ao pirata, iniciando uma troca feroz de golpes. Num movimento audacioso, Markus avan?ou diretamente na linha de fogo, girando de lado no ¨²ltimo instante para evitar um tiro ¨¤ queima-roupa. Antes que o pirata pudesse recarregar, ele deslizou por baixo do canh?o e, com um rugido e um golpe ascendente, cortou atrav¨¦s da jun??o da armadura. O gigante do canh?o soltou um urro de dor e surpresa, trope?ando para tr¨¢s. O sangue escorria pela lacuna na armadura, e por um momento, a batalha pareceu congelar. Apesar de exausto e ferido, com respira??o pesada e hematomas que come?avam a se arroxear, o comandante n?o deixou que a compaix?o tomasse conta de si. Ele sabia que a luta n?o tinha acabado. Com um ¨²ltimo esfor?o, correu para frente e, usando toda sua for?a restante, dirigiu sua espada diretamente para o cora??o do seu inimigo. O golpe foi certeiro e fatal, mas o corpo em queda do pirata, em uma ¨²ltima rea??o antes de virar uma po?a de sangue, puxou o gatilho da grande arma. "Fui descuidado... Mas foi uma boa luta", pensou Markus, vendo uma grande mancha preta destruir sua espada e acertar seu est?mago, fazendo-o cuspir uma quantidade alarmante de sangue. Ca¨ªdo e espremendo o que estava de sua consci¨ºncia, ele levantou o punho lentamente, desmaiando no instante seguinte. Aplausos, assobios e gritos de anima??o preencheram as ruas da cidade.
Conforme o combate prosseguia, o capit?o, percebendo que n?o poderia subestimar Ana, aumentou a agressividade de seus ataques. Ele alternava entre golpes r¨¢pidos de sabre e tiros direcionados, tentando manter a mercen¨¢ria ¨¤ distancia. Ana utilizava o escudo n?o apenas para se defender, mas tamb¨¦m como uma arma de impacto. Cada vez que bloqueava um golpe de sabre, ela usava o impulso para desferir contra-ataques brutais com a borda met¨¢lica do escudo. Aos poucos, Ana come?ou a reconhecer padr?es nos ataques do capit?o. Seu olho mecanico brilhava a cada tiro, como se calculasse a melhor rota do disparo, tornando-o previs¨ªvel. Claro, era previs¨ªvel apenas para algu¨¦m com um tempo de rea??o absurdo o suficiente para utilizar bem esse conhecimento. ¡ª Click ¡ª disse Ana em um tom zombeteiro, no exato instante em que o dedo do pirada apertou o gatilho, desviando do tiro de forma quase sobrenatural. Em um movimento decisivo, ela desviou do golpe subsequente, um corte lateral de sabre, deslizando sob o bra?o do capit?o e contra-atacando com uma estocada precisa de sua faca. ¡ª Achei sua fraqueza. Meio ¨®bvia, devo dizer ¡ª disse Ana, sua voz baixa e controlada, enquanto sua adaga rasgava a bochecha do capit?o, uma ferida pouco fatal, mas dolorosa. O capit?o cambaleou para tr¨¢s, lutando para manter o equil¨ªbrio. A garota n?o perdeu tempo; ela avan?ou com uma s¨¦rie de golpes r¨¢pidos e precisos, for?ando-o a se defender cada vez mais desesperadamente. Finalmente, com um golpe bem colocado do escudo, Ana desarmou o capit?o, deixando-o ¨¤ sua merc¨º.The narrative has been taken without permission. Report any sightings. ¡ª Eu n?o entendo¡­ N?o ¨¦ obvio que a ideia de atacar esse lugar ¨¦ algo est¨²pido? ¡ª Parece que meu ego estava alto demais ¡ª respondeu o barbudo, um tom de desgosto preenchia sua voz. ¡ª E agora? ¡ª Bem, agora voc¨º morre ¡ª respondeu Ana, ofegante, mas composta. Seus olhos encaravam Rody quando, com um movimento final, ela avan?ou, sua adaga negra perfurando lentamente o pesco?o do capit?o. O sangue come?ou a escorrer, enquanto o pirata ca¨ªa de joelhos, sua vida se esvaindo rapidamente.
Enquanto as lutas principais ocorriam nas muralhas e nas pra?as, uma batalha crucial, embora menos vis¨ªvel, se desdobrava nas ruas onde os soldados de Ana trabalhavam incansavelmente para proteger os cidad?os mais fracos dos ataques dos piratas. Eles mostraram a verdadeira ess¨ºncia de seu treinamento, n?o apenas combatendo os invasores, mas assegurando a seguran?a dos habitantes da cidade. Com a agitada m¨²sica ainda ressoando pelos alto-falantes, os soldados rapidamente se organizaram em forma??o defensiva ao redor das ¨¢reas mais densamente povoadas. Entre animadas conversas, eles formavam uma barreira viva entre os piratas e os civis, com escudos erguidos e lan?as prontas. A linha de frente dos soldados manteve-se firme, suas faces marcadas pela determina??o e pelo foco inquebrant¨¢vel. ¨¤ medida que os piratas avan?avam, esperando uma f¨¢cil pilhagem, foram meticulosamente repelidos pelos guerreiros que trabalhavam em unidade coesa, movendo-se como um ¨²nico organismo vivo e adaptativo. ¨¤ medida que a luta continuava, os soldados come?aram a usar n?o apenas for?a, mas tamb¨¦m ast¨²cia, atraindo os piratas para armadilhas e emboscadas preparadas nas ruas estreitas. Isto foi crucial para mitigar o n¨²mero superior do inimigo e demonstrou o valor do treinamento t¨¢tico que Ana havia incutido em suas tropas. No final, apesar de alguns ferimentos e exaust?o evidente, os soldados conseguiram manter a linha at¨¦ que refor?os pudessem chegar. Sua disciplina e coragem n?o apenas asseguraram a seguran?a dos civis, mas tamb¨¦m inspiraram os habitantes da cidade, que viram em seus defensores um exemplo de determina??o e bravura. A luta deles tornou-se uma das pequenas lendas da cidade, uma hist¨®ria de coragem e hero¨ªsmo que as crian?as adoravam ouvir antes de dormir.
Ana se afastou do corpo ca¨ªdo, seu olhar varrendo a pra?a e encontrando os rostos animados dos espectadores, deixando-a levemente desconfort¨¢vel. ¡°J¨¢ fiz o suficiente¡±, pensou a mercen¨¢ria. Ela sabia que a batalha n?o estava completamente terminada, mas havia mais gente capaz no resto da cidade. Vendo no holograma que Pedro tamb¨¦m parecia ter terminado sua batalha, com os piratas rendidos ou mortos ao seu redor, Ana seguiu em sua dire??o. No entanto, ao guardar a faca em sua bainha, um suave som de corte foi ouvido, com um peda?o de couro meio despeda?ado caindo ao lado de seu corpo. ¡°T?o estranha...¡±, pensou ela, observando a lamina ensanguentada da ¡°faca¡± que agora media 60 cent¨ªmetros, semelhante a um gl¨¢dio romano. Seu dedo deslizou lentamente pela superf¨ªcie fria e marcada da lamina, lembran?as m¨®rbidas das mais de noventa vezes que a arma havia sido usada para trazer o fim a uma vida. Ela girou a faca no ar algumas vezes, sentindo o peso e o equil¨ªbrio da lamina aumentada. ¡ª Parece que vou ter que me acostumar com uma espada curta ¡ª murmurou com um sorriso, apreciando a sensa??o da arma em sua m?o enquanto se preparava para o que viesse a seguir.
Tr¨ºs piratas esguios, cada um deles adornado com uma mir¨ªade de adagas presas ao corpo, estavam dando passos relaxados em frente a uma densa floresta de bambus. Laura, com seu grande escudo, foi em dire??o a um grupo de civis com dificuldades, deixando os estranhos inimigos nas m?os da Ironia Divina J¨²lia avan?ou primeiro, a lamina longa e curva de sua nodachi zumbia com uma carga el¨¦trica que iluminava seus olhos com um brilho azul intenso. Em um movimento conjunto, os tr¨ºs homens magros lan?aram descontraidamente finas adagas em sua dire??o, mas a garota ruiva desviou facilmente. ¡ª Isso foi um ataque? ¡ª murmurou ela, intrigada. Com um giro de sua espada, um pequeno campo el¨¦trico surgiu, impedindo facilmente a nova leva de adagas que vinha em sua dire??o, deixando-a ainda mais desconfiada. Como se ouvindo a intui??o da garota, uma das adagas do ch?o come?ou a emanar uma luz branca. Seus detalhes intrincados faziam-na parecer uma pe?a divina, quando repentinamente uma explos?o g¨¦lida aconteceu, lan?ando J¨²lia para tr¨¢s com um forte baque na parede de uma casa pr¨®xima. Alex, vendo a cena, bateu com for?a suas manoplas no ch?o, erguendo uma pequena barreira que bloqueou novas adagas que estavam prestes a acertar o corpo ca¨ªdo da garota. ¡ª Voc¨º est¨¢ bem? ¡ª perguntou o ca?ador, suas roupas leves de monge contrastando com sua express?o preocupada ao ver as marcas vermelhas que surgiam sob as roupas de J¨²lia. ¡ª Sim, algumas feridas de mais cedo reabriram, mas consigo continuar. Antes que a conversa pudesse continuar, um dos piratas lan?ou uma adaga com um sutil brilho marrom. A magia de terra imbu¨ªda na arma se chocou contra as barreiras de Alex, criando uma explos?o de detritos que obscureceu sua vis?o. Aproveitando a distra??o, outro pirata lan?ou uma r¨¢pida adaga com encantamento de vento, que atingiu o jovem no ombro, fazendo-o cambalear com um grito abafado. Vendo a dificuldade da dupla, Felipe avan?ou rapidamente. As adagas eram desviadas com sua pr¨®tese, mas a escopeta era utilizada sempre que algo parecia estranho, evitando encantamentos imprevistos. Com um deslize, ele chegou ao lado de um dos homens, mas o disparo que saiu da arma foi desviado quando uma das adagas acertou seu pulso. Com sua antiga espada leve empunhada na m?o livre, o ca?ador de um s¨® bra?o deu uma estocada r¨¢pida em meio ao recuo de seu inimigo, perfurando sua coxa de forma certeira, mas n?o o impedindo de fugir. A intensidade do combate atingiu seu pico. Os piratas, percebendo que estavam em vantagem, come?aram a lan?ar adagas com feiti?os mais devastadores. Uma delas, imbu¨ªda com um encantamento explosivo, foi lan?ada novamente em dire??o a J¨²lia. Ela, antecipando o ataque, desviou para o lado, mas assim como anteriormente, a explos?o a jogou no ch?o, sua Nodachi caindo a alguns metros de distancia. ¡ª Temos que acabar com isso logo ¡ª gritou J¨²lia, tentando se levantar enquanto uma dor aguda percorria sua perna. Alex, apesar da dor em seu ombro, voltou a dar socos no solo, criando um terremoto localizado na tentativa de desestabilizar os piratas, mas eles se moveram agilmente, evitando a fissura que se abriu no ch?o. ¡ª Essa ¨¦ a sua chance, Felipe! ¡ª gritou Alex, sua voz cheia de urg¨ºncia ao ver os atacantes se separarem. Felipe avan?ou com tudo que tinha, chegando ¨¤ frente de um dos homens com um salto. Ele disparou sua escopeta, abrindo um grande buraco no peito do pirata que havia sido machucado na perna anteriormente, mas sua espada, a qual ia em dire??o a outro dos oponentes, foi desviada pelo ¨²ltimo pirata que, em um movimento r¨¢pido, lan?ou uma adaga com encantamento de relampago que brilhou intensamente ao acertar o bra?o met¨¢lico, fazendo-o gritar de dor. Com os tr¨ºs membros da Ironia Divina feridos e exaustos, parecia que os dois inimigos restantes teriam a vantagem final. No entanto, em um ¨²ltimo esfor?o desesperado, J¨²lia se lan?ou para sua Nodachi ca¨ªda, canalizando toda a energia restante em um golpe final. ¡ª N?o vou deixar tudo acabar aqui. Pro ch?o, r¨¢pido! ¡ª gritou J¨²lia, sua voz cheia de determina??o. Ela jogou a espada incandescente na dire??o dos dois homens restantes, liberando uma intensa explos?o el¨¦trica. Os piratas, incapazes de sair da ¨¢rea da explos?o a tempo, foram queimados vivos de forma quase instantanea, deixando um cheiro acre de carne queimada no ar. Surpreendentemente, um deles ainda respirava, com o ar saindo em um tom aterrorizante da garganta destru¨ªda. Felipe se aproximou, cambaleando um pouco, e usou a bala restante de sua escopeta para garantir que o ¨²ltimo pirata n?o se levantasse. Exaustos, mas vitoriosos, os membros da Ironia Divina se reuniram no centro da pra?a, avaliando os danos e assegurando que todos estivessem bem. ¡ª N¨®s conseguimos ¡ª disse Alex, tentando sorrir apesar da dor no ombro. ¡ª Foi por pouco ¡ª concordou Felipe, meio encolhido pelos espasmos que seu corpo ainda estava tendo, mas com um olhar de al¨ªvio. Alex e Felipe foram recolher as adagas r¨²nicas que estavam espalhadas enquanto J¨²lia apenas se deitou de costas no ch?o frio, seus olhos vagando entre sua espada destru¨ªda e os corpos carbonizados no ch?o. Com um suspiro, a garota ruiva esvaziou a mente e focou apenas em sentir as part¨ªculas de mana dos piratas mortos, as quais vagavam pelo ar, permeando lentamente nos corpos dos aventureiros. As lutas continuaram at¨¦ o dia seguinte, quando os raios de sol come?aram a surgir no exuberante c¨¦u azul, iluminando o animado povo viajante dos c¨¦us e dando um toque estranhamente belo para as ruas manchadas de sangue.
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Capítulo 37 - Oferta
Os raios dourados de sol batiam fortemente nos soldados em corrida, brilhando sobre suas armaduras e destacando o suor que escorria enquanto se esfor?avam para manter os padr?es exigidos por Ana. Cada passo reverberava com determina??o e disciplina rec¨¦m-adquiridas. Laura, agora promovida a sargento, liderava a corrida com vigor, sua postura ereta e comandos claros incentivando os soldados a darem o m¨¢ximo de si. As novas ins¨ªgnias em sua armadura reluziam, um s¨ªmbolo de seu recente reconhecimento e promo??o. ¡ª Vamos, mantenham o ritmo! ¡ª gritou ela, sua voz ressoando com autoridade e energia, enquanto os soldados seguiam com determina??o. Muitos desistentes haviam voltado a se inscrever no ex¨¦rcito, inspirados pelo desempenho her¨®ico dos que resistiram ao treino pesado, e o campo vibrava com uma energia renovada. V¨¢rios civis assistiam aos treinos das beiradas, os olhos brilhando com fasc¨ªnio e esperan?a. As crian?as apontavam para os soldados, imitando seus movimentos com sorrisos amplos, enquanto os mais velhos aplaudiam e incentivavam com palavras de encorajamento. O som dos aplausos misturava-se com o clangor das espadas e o ritmo das botas marchando, criando uma sinfonia inebriante. Dentro de uma sala pr¨®xima, Ana se encontrava em uma reuni?o estrat¨¦gica com Pedro. A mesa estava coberta por mapas e relat¨®rios, e, diferente do dia anterior, a atmosfera era de seriedade e concentra??o. ¡ª Os atacantes sempre subestimam Leviathan por n?o ter muralhas vis¨ªveis ¡ª come?ou Pedro, apontando para um mapa detalhado da cidade. ¡ª Eles esquecem que todos que sobem aqui enfrentam desafios que apenas aventureiros que se equiparam a ca?adores de rank D ou superiores conseguem suportar. ¡ª Apenas ranks D? ¡ª respondeu Ana, um sorriso ir?nico preenchia seus l¨¢bios enquanto seus olhos seguiam as linhas do mapa apontadas pelo l¨ªder mercen¨¢rio. A luz do sol que entrava pela janela refletia em seu cabelo, criando um halo dourado ao seu redor. ¡ª Casos como o seu, onde ca?adores de rank E suportam a press?o das cordas, s?o raros. Voc¨º deve ficar feliz, tem uma boa equipe. ¡ª Vamos cortar o papo furado. Pra que me chamou aqui no meio do dia? N?o podia esperar o treino terminar? Pedro acenou suavemente em nega??o, e com uma express?o grave, se dirigiu ¨¤ janela. Suas m?os estavam agitadas, mas sua postura se mantinha imponente, refletindo a seriedade do assunto. ¡ª Primeiro, vamos aos assuntos mais simples¡­ a ajuda do Ironia Divina no ataque dos piratas ir¨¢ ser considerada como sua miss?o obrigat¨®ria de patrona de prata, vou registrar isso em seu hist¨®rico. Honestamente, eu n?o tinha mais miss?es desse n¨ªvel de exig¨ºncia dispon¨ªveis para voc¨º no momento, ent?o pense nisso como um acr¨¦scimo bem-vindo na longa rota para a pr¨®xima coroa. ¡ª Entendo - respondeu Ana, pensativa, seus dedos tamborilando levemente na mesa. ¡ª Mas e se voc¨º¡­ omitir que ajudei nisso? Ouvindo o estranho pedido, o olhar do homem se fixou no rosto da garota por um tempo. Apertando as t¨ºmporas ao finalmente entender as inten??es dela, ele continuou. ¡ª Quando chegar a hora voc¨º vai ganhar a nova coroa de qualquer forma, n?o vou arriscar repres¨¢lias apenas para adiar o inevit¨¢vel¡­ Ana suspirou e se encostou na cadeira, aceitando a resposta com um aceno cansado, indicando para Pedro prosseguir. ¡ª Bom, agora vamos falar sobre o motivo de voc¨º estar aqui. Apesar do povo de Leviathan adorar os festivais, estamos cada vez mais conscientes de que ¨¦ algo insustent¨¢vel. Em Aur¨®rea n?o t¨ªnhamos esse problema, o fluxo de pessoas era constante, mas no novo mundo o n¨²mero de mortos nas invas?es est¨¢ sendo maior do que o de novos moradores que embarcam em nossas voltas ao redor do mundo ¡ª suas palavras eram pesadas, transmitindo um ar triste e nost¨¢lgico. ¡ª O que constru¨ªmos nessa cidade ¨¦ precioso, algo que provavelmente nunca mais ser¨¢ visto na humanidade. N?o podemos deixar tudo ruir assim, mas sem meios de contactar outras cidades de forma f¨¢cil, estamos isolados, alvos atrativos para todo tipo de poder oculto. ¡ª Bom, essa ¨¦ uma explica??o melhor para eu ter que treinar soldados em um lugar onde mal vejo uma briga de bar, mas creio que n?o posso ajudar nisso ¡ª Ana cruzou os bra?os, ponderando sobre as palavras de Pedro. ¡ª Na verdade, voc¨º pode. Eu quero estender nosso acordo, gostaria que voc¨º fizesse da cidade uma base semi-permanente de opera??es. Markus est¨¢ severamente ferido, precisamos de algu¨¦m com lideran?a adequada para ocupar seu cargo de capit?o. ¡ª Voc¨º mesmo n?o ¨¦ capaz disso? Suponho que sua coroa seja muito mais ¡°nobre¡± que a minha. ¡ª N?o ¨¦ bem assim que funciona¡­ Reis nascem pelos mais variados motivos, e sobem na hierarquia da mesma forma. Tenho meus pr¨®prios m¨¦ritos, mas infelizmente n?o est?o relacionados a minha marcialidade ¡ª Pedro respondeu com um sorriso triste, seus olhos refletindo a complexidade de sua posi??o e contrastando com o olhar desafiador da rainha a sua frente. Ana ficou em sil¨ºncio por um momento, considerando o pedido. Ela pensou em suas responsabilidades e na press?o que viria com o cargo. ¡ª Eu aprecio a oferta, mas ao menos por hora, devo recusar ¡ª murmurou Ana. ¡ª ¨¦ um lugar incr¨ªvel, mas antes de me estabelecer eu quero explorar esse mundo com meus pr¨®prios p¨¦s. ¡ª Pe?o que pense melhor nisso¡­ ¡ª Minha liberdade n?o est¨¢ aberta a negocia??es. Pedro ainda encarava o horizonte atrav¨¦s da janela, e notando a falta de resposta ¨¤s suas ¨²ltimas palavras, Ana se retirou da sala. Na sa¨ªda, a garota parou por um momento, observando os soldados em treinamento e os civis que ainda os aplaudiam. Ela n?o desgostava dessa vida e estava orgulhosa do avan?o dos soldados, mesmo ainda sendo insuficientes de seu ponto de vista, mas n?o era hora de criar ra¨ªzes, seus olhos ainda precisavam registrar tudo da nova realidade em que vivia. ¡ª Julia, voc¨º est¨¢ liberada por hoje ¡ª disse Ana, parando a garota ruiva que passava correndo ao seu lado. - Re¨²na os outros, precisamos conversar.
O bar estava animado, com as luzes cintilantes refletindo nos copos e a m¨²sica suave preenchendo o ambiente. As mesas estavam cheias de aventureiros e cidad?os, todos conversando animadamente sobre os eventos recentes. Alex e J¨²lia sentaram lado a lado, um sorriso leve nos l¨¢bios de ambos, enquanto observavam o movimento ao redor.If you encounter this narrative on Amazon, note that it''s taken without the author''s consent. Report it. ¡ª E a¨ª, o que acharam? N?o ¨¦ legal?¡ª perguntou J¨²lia, olhando para Ana com um brilho nos olhos. Ela estava mais relaxada, a tens?o dos dias anteriores parecia ter diminu¨ªdo um pouco. ¡ª ¨¦ realmente agrad¨¢vel, mas¡­ o que significa isso? ¡ª disse Ana, um leve sorriso curvando seus l¨¢bios. ¡ª Bom, faz um tempo que come?amos a nos reunir aqui todos os dias depois dos treinos¡­ no fim, deu no que deu ¡ª comentou Alex, balan?ando a cabe?a com um sorriso divertido. Ele olhou ao redor, notando a alegria e a energia contagiante dos frequentadores do bar enquanto seus dedos se entrela?aram mais fortemente com os dedos da garota ruiva. Ana e Felipe se encararam, ambos notando a surpresa no olhar um do outro ao descobrirem sobre os amantes. O rubor no rosto dos jovens estava deixando o clima levemente constrangedor, ent?o Felipe, com uma tosse fingida e um aceno de parabeniza??o para seu irm?o, mudou o assunto. ¡ª Algu¨¦m viu o Brayner? Ele n?o apareceu na reuni?o e nem foi ao festival, ¨¦ um pouco estranho. ¡ª Ele est¨¢ na biblioteca ¡ª respondeu Ana, se acomodando na cadeira. ¡ª Disse que tinha algo importante para ler, a mesma resposta de sempre desde que entrou na biblioteca ¡ª a mercen¨¢ria deu de ombros, mas seu olhar demonstrava curiosidade sobre o que poderia ser t?o importante. ¡ª N?o ¨¦ como se pud¨¦ssemos obrig¨¢-lo, ele n?o entrou oficialmente pro time ¡ª resmungou J¨²lia, com uma express?o de descontentamento pela atitude do companheiro ¡ª Com ou sem ele, acho que temos muito o que comemorar. Um brinde a n¨®s, por estarmos no pico do rank E ap¨®s tantas lutas! ¡ª Um brinde por sobrevivermos a ontem! ¡ª prop?s Alex, erguendo seu copo. Sua voz estava cheia de orgulho e satisfa??o. ¡ª Um brinde pelo novo casal! ¡ª falou Felipe, acompanhando o gesto dos demais. ¡°Fofos, mas cansativos¡±, Ana tamb¨¦m levantou sua bebida, com um sorriso ainda mantido em seu rosto, mas seus pensamentos vagando longe dali. A anima??o do grupo a cansava aos poucos ao longo dos ¨²ltimos meses, mas ela sabia que a estabilidade gerada por esses momentos era algo crucial para evitar trai??es ou desaven?as que poderiam a deixar em perigo durante as miss?es. O barulho dos copos se chocando ecoou pelo ambiente, misturando-se harmoniosamente ao som da m¨²sica e das conversas ao redor. ¡ª Ent?o, o que voc¨ºs planejam fazer agora? ¡ª perguntou Ana, seu olhar percorrendo cada um dos membros do grupo. Ela estava curiosa sobre os pensamentos de seus companheiros e suas poss¨ªveis aspira??es. ¡ª As adagas r¨²nicas que pegamos dos piratas v?o ser uma grande dica para meu estudo sobre a pr¨®tese ¡ª explicou Felipe, inclinando-se para frente com um rosto iluminado pela empolga??o. ¡ª N?o parece f¨¢cil, mas pretendo tentar diferentes formas de imbuir magia nas balas. ¡ª Isso parece fascinante, e os dois pombinhos? ¡ª Vamos seguir com os treinos, talvez tentar aproveitar alguns passeios a mais pela cidade, mas nada demais¡­ ¡ª respondeu Alex, falando tamb¨¦m em nome de J¨²lia enquanto ficava novamente vermelho pelas palavras de sua l¨ªder. Ana observou o grupo por um momento, sua mente vagando pela conversa que teve com Pedro mais cedo enquanto ponderava sobre suas pr¨®ximas palavras. ¡ª Voc¨ºs gostariam de ficar na cidade? O grupo ficou em sil¨ºncio por um momento, trocando olhares. Havia uma mistura de relutancia e curiosidade em suas express?es, refletindo a complexidade da decis?o que estavam prestes a tomar. ¡ª Vamos te seguir, Ana, seja l¨¢ o que escolher. Sem voc¨º ter¨ªamos entrado em algum emprego de escrit¨®rio em Barueri, te devemos muito por nos dar a possibilidade de uma vida t?o emocionante ¡ª respondeu J¨²lia, com uma determina??o tranquila na voz. Seus olhos encontraram os de Ana, transmitindo confian?a e lealdade. ¡ª Estamos juntos nisso. Leviathan ¨¦ incr¨ªvel, mas nosso caminho est¨¢ com voc¨º ¡ª Alex assentiu, sua express?o s¨¦ria enquanto seu irm?o concordava com suas palavras. ¡°Parecem animais adestrados¡±, pensou Ana, encarando de volta os olhares de fasc¨ªnio. De repente, antes que a garota pudesse responder, a porta do bar se abriu com um estrondo, e um mercen¨¢rio entrou. Ele era alto e musculoso, com uma express?o determinada e confiante ao apoiar as m?os em dois grandes machados que pendiam em seu cinto. ¡ª Voc¨º ¨¦ Ana, a instrutora do ex¨¦rcito, n?o ¨¦? ¡ª perguntou o mercen¨¢rio, com um sorriso desafiador. ¡ª Vi sua luta contra aquele pirata, quero testar minhas habilidades contra voc¨º. Ana se levantou lentamente, avaliando o intruso. Sua postura era relaxada, mas seus olhos brilhavam com energia. ¡ª Faz tempo que os loucos n?o apareciam¡­ voc¨º n?o tem mais o que fazer? ¡ª N?o sou louco¡­ formalmente te desafio a uma troca de pontos de vista no coliseu. Encarecidamente pe?o que aceite! ¡ª disse o homem, apontando para um cartaz no canto do bar. Uma constru??o circular com uma grande arquibancada era apresentada. Seus r¨²sticos detalhes lembravam Roma, mas havia um toque de modernidade nos hologramas de an¨²ncios que giravam ao seu redor, causando certa estranheza ao observador. Ana se lembrou da pequena arena do Madame Eclipse, onde se perdeu no doce ecstasy da brutalidade durante a disputa. ¡ª Certo, vamos ao coliseu ¡ª Um sorriso malicioso preencheu seus olhos enquanto as palavras saiam inconscientemente de seus l¨¢bios.
A luta foi breve, mas intensa. O mercen¨¢rio era habilidoso, mas Ana usou sua t¨¦cnica superior para desarm¨¢-lo rapidamente. Eles trocaram golpes com fluidez, cada um testando o que o outro era capaz. Em um movimento final, Ana desferiu um golpe que fez o mercen¨¢rio cair de joelhos, admitindo a derrota. ¡ª Obrigado pela luta ¡ª disse ele, levantando-se com dificuldade, mas com um sorriso no rosto. ¡ª Foi uma honra enfrentar voc¨º. ¡ª At¨¦ que n?o foi t?o ruim ¡ª respondeu a garota, limpando o suor da testa e sentindo a adrenalina ainda pulsar em suas veias. A primeira luta no coliseu acendeu algo dentro dela, uma paix?o que n?o sentia h¨¢ tempos. A adrenalina, a excita??o e o desafio tornaram-se um v¨ªcio Ap¨®s conhecer o local vibrante e brutal, Ana come?ou a se dirigir ¨¤ arena ap¨®s cada sess?o de treino dos soldados. Sua presen?a tornou-se t?o comum que at¨¦ os guardas e organizadores a saudavam com familiaridade. ¡ª A Eterna est¨¢ aqui! ¡ª o an¨²ncio ecoava pelos corredores, atraindo tanto veteranos quanto novatos dispostos a desafiar a rainha de prata que visitava Leviathan. Cada dia trazia um novo advers¨¢rio. Algumas lutas a viam vitoriosa, derrotando seus oponentes com precis?o e for?a. Outras, por¨¦m, a levavam ao extremo, recebendo golpes brutais que a deixavam, por vezes, com alguns ossos trincados. A regra clara do coliseu proibia mortes, mas isso n?o diminu¨ªa a intensidade dos combates. As batalhas tornaram-se um ritual que Ana passou a ansiar. O som das armas colidindo, os gritos da multid?o, a sensa??o da luta. A brutalidade do coliseu trazia um sentimento de realiza??o que a vida cotidiana n?o oferecia. A arena transformou-se em seu campo de treinamento pessoal, onde a teoria se encontrava com a pr¨¢tica em um bal¨¦ brutal de sobreviv¨ºncia. Ana acordava todos os dias com o corpo marcado por hematomas e cortes profundos. Ela se perguntava se a viol¨ºncia era o caminho certo. A resposta, sempre clara em sua mente, era um retumbante sim. O combate a fazia sentir-se viva e conectada a algo maior, uma dan?a entre dor e triunfo que ela abra?ava com fervor. As lutas na arena eram uma v¨¢lvula de escape, uma forma de canalizar sua energia e testar seus limites. Ela se divertia, mesmo nas derrotas, pois cada golpe recebido e cada queda ao ch?o eram lembran?as de que ela estava viva. Apesar dos ferimentos constantes, Ana nunca faltou aos seus deveres. Os soldados olhavam sua pele arroxeada e os arranh?es vis¨ªveis com preocupa??o, mas tamb¨¦m com uma admira??o crescente. Com o tempo, a cidade come?ou a falar sobre ela n?o apenas como uma mercen¨¢ria ou instrutora, mas sim como um tipo de lenda viva. As crian?as simulavam seus combates, os adultos contavam hist¨®ria de sua destreza pelos cantos. Ela n?o era a mais forte, mas at¨¦ os mais c¨¦ticos reconheciam as habilidades da mulher conhecida como "A Eterna". Com o tempo, a rotina de Ana se estabilizou. Os dias eram divididos entre o treinamento dos soldados, as reuni?es estrat¨¦gicas com Pedro e as batalhas na arena. Algumas noites, na taverna de sempre, ela se encontrava com seus companheiros, compartilhando risadas e bobeiras do dia a dia. E assim, um ano se passou em Leviathan, com todos aproveitaram os pequenos prazeres de uma vida estranha, mas pac¨ªfica.
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Capítulo 38 - Girassóis
¡°Parece faltar menos de uma semana, finalmente chegou a hora de partir¡±, pensou Ana, verificando as linhas da proje??o que o pequeno equipamento apresentava. O presente de J¨²lia era mais ¨²til do que o inicialmente esperado, dando uma posi??o precisa de onde a baleia se encontrava no globo. Ana se dirigia para o escrit¨®rio de Pedro enquanto refletia sobre seu tempo na grande baleia. O per¨ªodo havia passado em um piscar de olhos, mas o desenvolvimento de todos os membros foi not¨¢vel. O treino cont¨ªnuo de Alex no templo o fez come?ar a transmitir uma aura estranhamente serena, mas seus m¨²sculos se destacavam por baixo das vestes, mostrando que seu esfor?o n?o foi atoa. J¨²lia manteve seu aspecto bobo, mas seus olhos perspicazes e seu corpo definido demonstravam com clareza o foco que teve nos treinos de Ana. Felipe, por outro lado, tornava-se cada vez mais aficcionado pela engenharia m¨¢gica. Faixas de balas de diferentes cores pendiam em sua cintura, prot¨®tipos de uma nova forma de se lutar que evolu¨ªa mais a cada dia. Sua pr¨®tese, antes simples e elegante, contava com uma gama de implantes que iam desde estranhos ganchos at¨¦ borrifadores dos mais diversos agentes nocivos para serem utilizados em combate. Por ¨²ltimo, Ana caminhava pelas ruas de forma relaxada, mas cada passo parecia acompanhar o peso do mundo. Seu semblante demonstrava uma ferocidade retida que foi obtida durante os combates, uma medalha que exibia com orgulho a experi¨ºncia que ganhou em seus dias no coliseu. Saindo de seus devaneios, ela adentrou no ¡°¨²ltimo Reduto¡±. Seu nariz co?ou um pouco com o forte cheiro de vodka que se misturava ao natural odor da madeira envelhecida, fazendo-a se distrair alguns instantes com a atmosfera sombria, mas ao mesmo tempo acolhedora do local. ¡ª Olha s¨® quem chegou ¡ª come?ou Pedro, vendo a garota entrar em seu escrit¨®rio. ¡ª Recebi sua mensagem, Ana¡­ realmente j¨¢ est¨¢ pensando em ir embora? ¡ª Acabei de finalizar o treinamento do ¨²ltimo grupo de soldados que chegou para mim e sobrevoaremos minha cidade em poucos dias, n?o h¨¢ momento melhor. ¡ª E n?o pretende reconsiderar meu pedido? ¡ª Meu lugar n?o ¨¦ aqui, n?o agora ¡ª respondeu a mercen¨¢ria com as sobrancelhas franzidas. Sua voz deixava claro que o assunto n?o deveria mais entrar em discuss?o. ¡ª Apesar das perguntas, vejo que j¨¢ sabia que eu n?o ia aceitar¡­ isso indica que j¨¢ temos um novo objetivo? Ana falou enquanto seus olhos percorriam o mapa que estava aberto sobre a mesa. Olhando com aten??o, notou que um alfinete prateado apontava um local no caminho que ela obrigatoriamente teria que fazer para chegar em casa. ¡ª Voc¨º est¨¢ certa, finalmente temos uma nova miss?o especial. H¨¢ uma seita emergente de seguidores das sombras que deve ser investigada. ¡ª Seguidores das sombras? N?o sabia que elas mantinham relacionamentos com humanos¡­ ¡ª Bem, tem louco pra tudo nesse mundo, eles parecem ver as sombras como seres superiores ¡ª disse o homem, fazendo um gesto exagerado com as m?os ¡ª N?o sabemos exatamente quais as inten??es dessas pessoas, mas queremos investigar e neutralizar a amea?a antes que se torne um problema maior. ¡ª Entendido. Desde que seja apenas uma igreja, meu grupo deve conseguir fazer algo. Devemos matar todos? ¡ª Sim, o m¨¢ximo que conseguirem, esse tipo de gente deve ser cortado pela raiz. No entanto, o foco deve ser eliminar Maurice, o bispo da igreja. Ele se aproveita do baixo controle das cidades para fazer discursos abertamente, ganhando for?a e influ¨ºncia rapidamente. ¡ª Mais alguma coisa que devemos saber? ¡ª Ana j¨¢ se preparava para sair, sabendo que as motiva??es espec¨ªficas das miss?es obrigat¨®rias nunca eram ditas. ¡ª Por enquanto, nada al¨¦m disso. Apenas recomendo que foquem na miss?o, existem outras atividades suspeitas pela ¨¢rea, mas isso est¨¢ al¨¦m de suas capacidades atuais. ¡ª Certo, iniciarei os preparativos. Agrade?o por toda a ajuda durante nossa estadia, Pedro. Com uma despedida r¨¢pida, os dois agentes do submundo se despediram. Pedro se recostou na cadeira ao ver Ana sair pela porta, e com um longo suspiro, voltou para suas tarefas rotineiras.
Ana deixou a taverna e caminhou at¨¦ a muralha principal de Leviathan, onde seus companheiros a esperavam. Em algum momento virou um costume tomar as principais decis?es do grupo ¨¤ luz dos lampi?es em cima dos altos muros. O vento frio clareava a mente, e a vis?o do horizonte dava um ar fantasioso ¨¤ conversa. ¡ª Temos uma nova miss?o ¡ª anunciou Ana, sentando-se em um dos beirais. ¡ª Vamos ter que eliminar uma igreja de seguidores das sombras. Fica no caminho de Barueri, ent?o isso j¨¢ ¨¦ um retorno para as origens. ¡ª Parece interessante ¡ª comentou Felipe, ajustando a pr¨®tese em seu bra?o. ¡ª Pelo menos teremos algo para testarmos nossas habilidades. Alex e J¨²lia concordaram, mas um toque de tristeza estava no olhar do casal ao sentir que os dias calmos estavam acabando. Brayner, o bibliotec¨¢rio, apareceu nesse encontro ap¨®s muita insist¨ºncia dos membros da Ironia Divina. Ele tinha uma express?o diferente dos demais, hesitante, como se algo o incomodasse. ¡ª Brayner, tudo bem? ¡ª perguntou Ana, notando a estranheza do leitor. ¡ª Eu¡­ n?o vou com voc¨ºs desta vez ¡ª disse ele, com voz firme, mas com um tom de tristeza. ¡ª Leviathan se tornou meu lar. H¨¢ muito conhecimento aqui que ainda n?o explorei. A declara??o pegou todos de surpresa, ele era um membro externo, mas a maioria j¨¢ o considerava um companheiro. ¡°E novamente estamos sem magia¡­¡±, refletiu Ana, mas tentou n?o deixar transparecer seu descontentamento. ¡ª Entendo. Mas saiba que sua companhia seria muito bem vinda ¡ª respondeu Ana, for?ando o sorriso. ¡ª Vou manter isso em mente. Espero que algum dia voltemos a nos encontrar, sabem onde me achar. Com a decis?o clara, os jovens se perderam em conversas despretensiosas e hist¨®rias de aventuras passadas. A semana seguinte ¨¤ not¨ªcia foi corrida para todos. Os membros juntaram suas coisas, compraram mantimentos e se despediram dos novos conhecidos, mestres e amigos que surgiram em Leviathan. Com a promessa de retornar algum dia, eles foram para uma plataforma em uma das bordas da baleia. Tratava-se de um grande aeroporto, o qual encontrava-se deserto no momento, mas seus enormes galp?es deixavam claro que aeronaves impressionantes haviam passado pelo local. ¡ª Vamos fazer isso r¨¢pido e eficientemente. Lembrem-se, nossa prioridade ¨¦ neutralizar o bispo da seita ¡ª disse Ana, sua voz firme e autorit¨¢ria. ¡ª Tentem cair pr¨®ximos a mim, n?o vai sair nada de bom se ficarmos isolados na floresta. Com todos prontos, o grupo se dirigiu ¨¤ plataforma de salto. De repente, de canto de olho, J¨²lia notou a Colecionadora tamb¨¦m vestindo um paraquedas.If you encounter this tale on Amazon, note that it''s taken without the author''s consent. Report it. ¡ª O que a Natalya est¨¢ fazendo aqui? Ela tamb¨¦m est¨¢ nessa miss?o? ¡ª perguntou a garota ruiva aos outros integrantes, mas seu sussurro foi ouvido de longe. ¡ª Parece que tenho um trabalho bem pr¨®ximo a voc¨ºs. Pode chamar de destino ¡ª respondeu a mulher intimidadora, a qual se aproximou com um meio sorriso confiante. Ao inv¨¦s de uma resposta, Ana deu apenas um breve aceno de cumprimento para Natalya, mergulhando em seguida entre as gigantes nuvens. O grupo, surpreso pelo salto repentino, seguiu logo atr¨¢s. O vento frio cortava seu rosto enquanto descia. O som do ar rasgando ao seu redor era ensurdecedor, mas tamb¨¦m libertador. ¨¤ medida que passava pelas nuvens, o mundo abaixo come?ava a se revelar em um caleidosc¨®pio de cores e formas. A primeira coisa que viu foi um vasto campo de girass¨®is que se estendia at¨¦ onde a vista alcan?ava, seus cabe?otes dourados balan?ando suavemente ao vento. No centro desse mar floral, erguia-se uma imponente igreja. Suas torres altas e escuras contrastavam drasticamente com a vibrante paisagem ao redor. A arquitetura g¨®tica antiga e sombria parecia deslocada naquele cen¨¢rio id¨ªlico, mas ao mesmo tempo, trazia um atraente ar de mist¨¦rio. Ana ajustou seu paraquedas, controlando a descida para garantir um pouso suave. Seus olhos n?o deixavam a igreja por um segundo sequer. Ela sentia um misto de excita??o e apreens?o. Quando seus p¨¦s finalmente tocaram o ch?o, ela rapidamente desativou o equipamento e olhou ao redor, garantindo que todos conseguiram a acompanhar. O cheiro doce dos girass¨®is preenchia o ar, misturado com o aroma fresco e terroso do campo. A mercen¨¢ria respirou fundo, tentando acalmar sua mente antes de se concentrar na miss?o. Os outros membros do grupo pousaram pr¨®ximos a ela, seguindo sua instru??o de n?o se espalharem. Alex e J¨²lia logo se aproximaram, ajustando suas armas e equipamentos, enquanto Felipe verificava os dispositivos em sua pr¨®tese, sempre preparado para qualquer eventualidade. Natalya aterrissou suavemente ao lado deles, removendo o capacete de paraquedista com um movimento elegante. ¡ª Aqui nos separamos ¡ª comentou ela, olhando para a estrutura imponente ¨¤ distancia. ¡ª Se tivermos sorte, nos encontraremos novamente. ¡ª Espero que consiga completar o que quer que tenha vindo fazer aqui ¡ª respondeu Ana. Por algum motivo, uma sensa??o de desconforto se instalava em seu peito cada vez que olhava para a Colecionadora, como se algo sombrio estivesse observando-a por tr¨¢s daqueles ¨®culos redondos escuros. ¡ª Vamos nos mover. Fiquem alertas e sigam meus comandos ¡ª ao ver Natalya seguindo seu caminho, a rainha de prata falou com uma voz firme. ¡ª N?o sabemos o que vamos encontrar l¨¢ dentro. O grupo come?ou a caminhar em dire??o ¨¤ igreja, com os olhos atentos a qualquer sinal de perigo. Cada passo do grupo era acompanhado pelo suave farfalhar dos girass¨®is, uma trilha sonora quase hipn¨®tica. A beleza e a tranquilidade do cen¨¢rio quase escondiam a tens?o crescente no ar. O sol alto no c¨¦u criava um jogo de luzes ao bater nas flores, o que fazia com que se sentissem observada de todos os lados. Enquanto avan?avam, uma melodia doce e suave come?ou a surgir, flutuando pelo ar. ¡ª Voc¨ºs ouviram isso? ¡ª perguntou Alex, franzindo a testa. ¡ª Sim, sou eu, bobo. Como n?o reconhece minha voz? ¡ª disse uma jovem loira que caminhava ao lado do grupo. ¡ª Marina! ¡ª exclamou J¨²lia, com os olhos arregalados. ¡ª N?o acredito que voc¨º est¨¢ aqui! ¡ª ¨¦ t?o bom ver voc¨ºs de novo! Ficaram com saudades? ¡ª disse Marina, sua voz doce e t¨ªmida enchendo o ar. ¡ª E tem como n?o ficar? ¡ª disse Alex, sorrindo. ¡ª Esse lugar estava muito quieto sem voc¨º. Enquanto conversavam, nenhum deles parecia perceber a impossibilidade da situa??o. Era como se a l¨®gica tivesse sido suspensa, e a presen?a de Marina fosse um conforto em meio ao campo florido. ¡ª Mas e a¨ª, o que fez no ¨²ltimo ano? Tem estado ocupada? ¡ª perguntou Alex, seguindo com a conversa. ¡ª Sim, bastante. Estive aprendendo novas magias e explorando lugares incr¨ªveis. ¡ª ¨¦ bom ter voc¨º de volta ¡ª Ana, que at¨¦ o momento n?o havia dito nada, se aproximou, abra?ando a pequena garota. Ela sentia algo estranho na voz de Marina, um leve eco que n?o deveria estar ali, mas balan?ou a cabe?a tentando afastar a sensa??o de estranheza. De repente, a rainha mercen¨¢ria sentiu um aroma diferente, doce e enjoativo, com um toque de putrefa??o. Era um cheiro familiar, mas deslocado naquele campo amarelo. Ela fechou os olhos por um momento, tentando identificar a fonte do cheiro. Quando abriu os olhos novamente, uma grande boca, com dentes rosados e serrilhados, estava prestes a devor¨¢-la. Reagindo instintivamente, a garota puxou sua espada e deu um preciso corte vertical para cima. ¡ª Acordem! ¨¦ uma ilus?o! ¡ª gritou ela, sua voz cortando o ar. Os outros membros do grupo despertaram com um pulo, vendo a verdadeira forma do ser ¨¤ sua frente. A criatura parecia um tipo de verme, com um corpo esguio feito inteiramente de sombras e flores entrela?adas. Sua mand¨ªbula continha fileiras e mais fileiras de p¨¦talas rosadas, a princ¨ªpio bonitas, mas t?o mortais quanto navalhas. ¡ª Sussurradores de P¨¦talas! ¡ª gritou J¨²lia, vendo a arma de Ana transpassar a criatura em um corte limpo, mas sem causar dano algum. ¡ª Armas comuns n?o v?o funcionar, temos que fugir! Enquanto falava, bateu com seu novo martelo diretamente no monstro. Era uma arma grande e pesada, muito semelhante ao seu martelo antigo, mas feita com materiais de um monstro tartaruga. A cabe?a do martelo, feita com o casco verde musgo do desafortunado ser, continha padr?es delicados que davam um certo charme ao usu¨¢rio, mas seu formato arredondado tornava os ataques um pouco c?micos. Inicialmente a ca?adora insistiu que Ana refizesse sua Nodachi, mas os suprimentos estavam cada vez mais escassos em Leviathan, impossibilitando que os materiais necess¨¢rios fossem obtidos. No fim, entre uma arma sem propriedades feita de a?o comum e uma feita com materiais de um monstro rank C, a garota escolheu a ¨²ltima. Brayner havia feito algumas runas semelhantes a manopla de Alex, mas sem os condutores de mana adequados, a efic¨¢cia era baixa, apenas permitindo um controle sutil do peso durante o combate. Com o poderoso golpe, o sussurrador explodiu em todas as dire??es, formando uma bela cena que lembrava a primavera. Infelizmente, seguindo a explica??o da ca?adora ruiva, ele logo voltou a tomar forma em um amontoado de p¨¦talas. ¡ª Saiam da frente, vou tentar algo ¡ª colocando um cartucho escarlate de aproximadamente dez cent¨ªmetros diretamente na palma de sua pr¨®tese, Felipe se aproximou com passos r¨¢pidos. Os demais integrantes se espalharam enquanto ele estendia seu bra?o em dire??o a criatura semi-formada. ¡°Espero que d¨º certo¡±, pensou o jovem, enquanto uma luz azulada percorria seu bra?o, juntando-se na ponta de seus dedos. Com um alto estrondo de disparo, uma explos?o contida surgiu na m?o de Felipe. As chamas incontrol¨¢veis lan?aram o jovem para tr¨¢s com uma for?a avassaladora, mas as p¨¦talas sombrias tamb¨¦m queimaram em um vermelho vivo, acompanhadas de um grito gutural. ¡ª Voc¨º foi incr¨ªvel! ¡ª disse Alex, ajudando o irm?o a se levantar ap¨®s ver o monstro desaparecer aos poucos. Felizmente, al¨¦m de um olho anormalmente vermelho e queimaduras superficiais por todo o corpo, n?o parecia que o garoto tinha se machucado seriamente. ¡ª Parece que a Colecionadora realmente te ensinou algumas coisas ¡ª disse Ana, com um tom que misturava zombaria com surpresa ¡ª Mas¡­ quantos desse voc¨º tem? ¡ª Balas explosivas? Apenas essa, mas por qu¨º? A mercen¨¢ria apenas deu alguns toques no ouvido direito como resposta, indicando que ele deveria focar em ouvir. O som era distante, mas tamb¨¦m pr¨®ximo. Lembrava uma forte ventania, mas se misturava a um som met¨¢lico sutil, como de espadas se chocando. ¡ª Vamos nos mover, precisamos alcan?ar a igreja antes que mais deles apare?am! O grupo correu com toda energia, um avan?o r¨¢pido em dire??o ao objetivo inicial de estarem ali. Os inimigos surgiam ao longe, como moscas atra¨ªdas por uma lumin¨¢ria, um mar de p¨¦talas t?o afiadas quanto laminas que se aproximava de todos os lados, prestes a cobri-los. Finalmente, ap¨®s correrem por minutos em uma amea?a crescente, chegaram ¨¤ entrada da igreja. A sensa??o de opress?o aumentou, mas suspiraram aliviados ao sair do perigo iminente. A estrutura parecia ainda mais intimidante de perto, suas sombras profundas parecendo sussurrar segredos perigosos. Com um forte empurr?o conjunto, as pesadas portas de carvalho escuro rapidamente se abriram, produzindo um inc?modo rangido e, com a mesma pressa, foram firmemente fechadas. O intenso som das batidas dos sussurradores era ouvido do lado de fora. ¡ª Bem, um ¨®timo come?o para nossa miss?o, n¨¦? ¡ª perguntou Ana, com um sorriso ir?nico preenchendo seus l¨¢bios. Os membros reviraram os olhos para a brincadeira, se sentando em um canto do quarto escuro enquanto tentavam regular a respira??o ofegante. ¡ª Que diabos ¨¦ isso? Que lugar sinistro ¡ª falou J¨²lia, seus olhos arregalados enquanto olhava para uma est¨¢tua de um anjo negro no centro do sal?o de entrada. A figura era extremamente realista, e seus olhos vazios pareciam seguir cada movimento que faziam. ¡ª Na verdade¡­ parece bem reconfortante ¡ª murmurou Ana, mais para si mesma do que para a ca?adora ruiva ao sentir uma estranha sensa??o de familiaridade com a est¨¢tua. Os outros a encararam por alguns segundos ao ouvirem seus resmungos baixinhos, levando em seguida os olhares de volta para o anjo, tentando entender minimamente a vis?o de sua l¨ªder. No entanto, um calafrio atingia suas nucas a cada vislumbre, fazendo-os desistir de buscar respostas nas a??es da garota.
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Capítulo 39 - Seita
Os passos do grupo ecoaram pelo sal?o vazio. O interior da igreja era ainda mais impressionante do que o exterior, com vitrais coloridos lan?ando sombras distorcidas nas paredes, criando uma atmosfera quase surreal. S¨ªmbolos estranhos e livros de couro que falavam de rituais e cultos ¨¤s sombras estavam empilhados em altas estantes. A atmosfera dentro da igreja era quase sufocante. ¡ª Isso n?o parece uma simples seita emergente. Eles t¨ºm algo intenso em mente ¡ª comentou J¨²lia, folheando um dos livros. De repente, perceberam movimentos nas sombras. N?o estavam sozinhos. Um pequeno grupo de treze seguidores emergiu de um dos cantos escuros do local, conversando entre si com sussurros. Estavam vestidos com mantos negros com belos contornos carmesins e carregavam espadas elegantes, parecendo mais adequadas para cerimonias do que para um combate real. Suas express?es eram calmas e n?o transmitiam hostilidade. O grupo se preparou para a batalha, as armas em m?os, os olhos fixos nos advers¨¢rios. ¡ª Estamos cercados ¡ª murmurou Felipe, segurando firmemente sua pr¨®tese. ¡ª Lembrem-se, sem miseric¨®rdia. Eles escolheram esse caminho ¡ª falou Ana, dando um passo ¨¤ frente. A luta come?ou com uma explos?o de movimento, a rainha mercen¨¢ria avan?ou com um salto, sua lamina cortando com precis?o mortal dois membros do grupo sombrio. ¡°Uma espada realmente tem suas vantagens¡±, pensou ela, vendo como a lamina mais longa do que estava acostumada dilacerava mais da metade da cintura dos homens, os quais desabaram de imediato. Felipe se lan?ou em um seguidor mais afastado com sua pr¨®tese preparada para lan?ar proj¨¦teis comuns, n?o querendo gastar as poucas balas r¨²nicas em situa??es onde n?o fossem necess¨¢rias. Em sua outra m?o, sua espada iniciou o movimento para finalizar seu oponente, uma a??o bruta, mas efetiva. J¨²lia e Alex lutaram lado a lado, cada um contra um seguidor, suas armas criando um bal¨¦ de destrui??o. Enquanto o grande ca?ador acertou pesadamente o peito de um deles, a garota ruiva girou seu martelo, o pesado casco esverdeado esmagou a cabe?a da mulher que a encarava, produzindo um som terr¨ªvel de algo molhado sendo despeda?ado. A seguidora caiu ao ch?o, im¨®vel, e J¨²lia soltou a arma, suas m?os tremendo de forma incontrol¨¢vel. ¡ª Eu... eu a matei ¡ª murmurou, os olhos arregalados em choque, antes de come?ar a gritar para si mesma. ¡ª Eu a matei! ¡ª Concentre-se, J¨²lia. N?o temos tempo para hesita??es, voc¨º j¨¢ fez isso antes ¡ª Ana se aproximou rapidamente, pegando o martelo e colocando-o de volta nas m?os de J¨²lia. Mas a jovem ca?adora estava em crise. Seus olhos se encheram de l¨¢grimas enquanto olhava para o corpo sem vida da seguidora. ¡ª Eles s?o humanos... eu n?o posso¡­ foi diferente com os piratas, eu precisava sobreviver, mas¡­ olhe para eles, nem mesmo revidam. Com as palavras da garota, a luta parou repentinamente, com o resto da Ironia Divina olhando intrigada ao redor. A situa??o ocorreu t?o rapidamente que nem mesmo tiveram tempo de prestar aten??o, mas J¨²lia estava certa, al¨¦m dos cinco seguidores mortos, os demais estavam apenas parados com os bra?os estendidos para cima, seus l¨¢bios se moviam rapidamente e seus olhos estavam suavemente fechados. Sem entender o que estava acontecendo, Ana se aproximou e tocou levemente com a espada curta no estranho homem ¨¤ sua frente. A falta de rea??o ati?ou ainda mais sua curiosidade, se aproximando do homem para tentar entender os baixos murm¨²rios. ¡ª Obrigado, oh M?e. Obrigado pela recompensa que nos oferece hoje. ¡°Mas que merda est¨¢ acontecendo aqui¡±, questionou-se a mercen¨¢ria, com a testa franzida. ¡ª Voc¨º conseguiu ouvir algo? ¡ª perguntou Alex, ainda em guarda. ¡ª Sim, est?o¡­ orando. ¡ª O qu¨º? Tem certeza? ¡ª perguntou Felipe, com um olhar confuso enquanto tamb¨¦m cutucava de longe um dos seguidores. ¡ª N?o, mas ¨¦ o que parece. Vamos embora desse lugar bizarro, de qualquer forma o bispo ¨¦ quem importa. Ana virou-se, caminhando na dire??o de onde os supostos inimigos acabaram de vir. No entanto, assim que ela se afastou, o homem que rezava baixinho abriu os olhos bruscamente. Diferente de antes, uma express?o de raiva preenchia todo seu rosto. ¡ª N?o, voc¨º n?o pode ir! Me d¨º a ben??o! Eu exijo ¡ª o homem come?ou a gritar descontroladamente. A voz rouca parecia arranhar sua garganta, e seu rosto ficava cada vez mais vermelho. Os outros seguidores, ouvindo os altos rugidos, tamb¨¦m abriram seus olhos. Notando que o grupo se preparava para sair, gritaram de forma semelhante. Alguns come?aram a chorar, caindo no ch?o de joelhos enquanto exigiam seu suposto direito. Outros arranharam seu rosto a ponto de sair sangue. ¡ª Saiam de perto de mim! ¡ª gritou Alex, empurrando duas mulheres que come?aram a se aproximar. Apesar da sua tentativa de n?o machucar as pessoas insanas, um descuido fez com que usasse mais for?a que o normal, fazendo com que uma delas ca¨ªsse e batesse a cabe?a pesadamente no duro ch?o de madeira.The story has been taken without consent; if you see it on Amazon, report the incident. ¡ª Que a M?e seja louvada! ¡ª gritaram os demais membros da seita em coro, vendo a po?a de sangue come?ar a se formar ao redor da companheira ca¨ªda. Quase que em sincronia, todos come?aram a se jogar em dire??o a Alex, implorando para tamb¨¦m serem aben?oados. ¡ª Porra, saiam de perto de mim! ¡ª Ele tentou fugir, mas as m?os o seguravam de todos os lados. Vendo o jovem coberto pelos corpos, todos correram para ajudar, mas n?o importa o quanto os empurravam para longe, eles voltavam a pular nos ca?adores, de forma cada vez mais violenta. ¡ª N?o temos escolha, temos que acabar com isso antes que mais apare?am. Matem todos ¡ª resmungou Ana, um pesado suspiro saindo de seus l¨¢bios enquanto afundava sua espada nas costas do louco mais pr¨®ximo. O grupo torceu o nariz ao ouvir as ordens. Era diferente de uma luta contra algu¨¦m que queria mat¨¢-los, estas pessoas n?o eram fortes ou ardilosas, apenas estavam obrigando-os a cometer um assassinato em massa, o que deixou um gosto amargo na boca de todos. ¡°Estou sendo ego¨ªsta¡±, pensou J¨²lia, vendo o massacre que ocorria em sua frente pelas m?os de seus amigos. Com esfor?o vis¨ªvel, a ca?adora enxugou as l¨¢grimas e pegou seu martelo novamente, atacando um seguidor que ia em sua dire??o. Ap¨®s um curto per¨ªodo, os seguidores restantes tornaram-se apenas carne espalhada pelo ch?o. A vis?o da cena, somada ao nauseante cheiro de sangue no ar, fez com que todos sa¨ªssem dali rapidamente. Seus semblantes estavam cansados e uma not¨¢vel exaust?o mental era mostrada em seus rostos. Cada um dos integrantes do bando caminhou pelo caminho em um predominante sil¨ºncio. A igreja era grande ao ser vista do lado de fora, mas ao observarem os longos corredores, todos adornados com pinturas de locais esquecidos no tempo, vasos esculpidos detalhadamente ou vers?es menores da est¨¢tua do hall de entrada, notaram que era muito maior que o esperado. A estrutura era labir¨ªntica, se estendendo para o subterraneo como um formigueiro. A princ¨ªpio, paravam para olhar cada sala que encontravam. No primeiro andar, se depararam com uma vasta biblioteca. As estantes de madeira escura eram t?o altas que quase tocavam o teto abobadado. Livros antigos, com capas de couro desgastadas e t¨ªtulos em l¨ªnguas esquecidas, estavam cuidadosamente organizados. Alguns livros tinham marcadores de p¨¢gina decorados com fios de prata e ouro. Nas mesas de leitura, velas parcialmente derretidas ainda estavam acesas, lan?ando uma luz bruxuleante que dan?ava nas paredes de pedra. Em um canto, uma pilha de cartas n?o enviadas e di¨¢rios pessoais oferecia vislumbres das vidas dos seguidores. ¡ª Esses textos s?o antigos, mas alguns parecem ter sido escritos recentemente ¡ª observou Ana, pegando um di¨¢rio que estava aberto e encostando levemente na tinta. ¡ª Talvez ainda haja algu¨¦m aqui escrevendo. Vamos continuar. O segundo andar era um grande contraste com o anterior. Os refeit¨®rios eram vastos sal?es com longas mesas de madeira, todas arrumadas com pratos e talheres, como se uma refei??o tivesse sido interrompida abruptamente. A luz das velas nos candelabros criava sombras alongadas, e o ar estava impregnado com um cheiro azedo de comida que estragava lentamente. Nos dormit¨®rios, fileiras de beliches militares estavam arrumadas de maneira meticulosa. Cada cama tinha um ba¨² aos p¨¦s, alguns ainda trancados, outros abertos revelando roupas simples e objetos pessoais. ¡ª Parece quase uma cidade ¡ª refletiu Ana, passando a m?o por um amuleto pendurado em um dos beliches. ¡ª Viviam aqui, treinavam, comiam juntos. N?o ¨¦ s¨® uma igreja, ¨¦ um lar para eles. Quando o grupo desceu ao terceiro andar, a atmosfera mudou drasticamente. O cheiro forte de substancias qu¨ªmicas e algo mais podre os atingiu imediatamente. As paredes estavam cobertas de fungos escuros e manchas de mofo, e o ch?o de pedra estava ¨²mido sob os p¨¦s. ¡ª O que ser¨¢ que faziam aqui? ¡ª perguntou Felipe, examinando uma bancada cheia de frascos de po??es e instrumentos cir¨²rgicos. ¡ª Parece um laborat¨®rio de alquimia. ¡°Algo realmente interessante!¡±, pensou Ana, apesar de, com sua no??o cada vez melhor da sociedade, suas palavras terem ido na dire??o do ¨®bvio. ¡ª Nada de bom, com certeza. Vamos continuar. O bispo ¨¦ a prioridade. Em uma grande sala, gaiolas de ferro pendiam do teto, balan?ando levemente. Algumas ainda estavam trancadas, mas vazias, enquanto outras estavam abertas, com as portas de ferro rangendo ao menor movimento. ¡ª Ser¨¢ que mantinham pes¡­ ¡ª J¨²lia, que estava olhando para uma das gaiolas por um tempo, parou no meio da frase, decidindo que era melhor n?o saber a resposta para suas d¨²vidas. Nas bancadas, havia manuscritos espalhados, descrevendo experimentos detalhados com uma grande variedade de seres, tentando fundir suas ess¨ºncias atrav¨¦s da mana. ¡ª Isto ¨¦ horr¨ªvel ¡ª murmurou Alex para si mesmo, olhando uma ilustra??o de um humano parcialmente transformado em uma criatura sombria, antes de seguir os demais no escuro corredor. O macabro acontecimento de antes n?o foi um caso isolado. Ao longo das horas, muitos outros seguidores das sombras apareceram. Em raras ocasi?es, eles sacavam suas espadas ornamentadas, mas a habilidade b¨¢sica n?o era uma amea?a para Ana e os demais. Ent?o, tudo sempre se repetia: a luta, as s¨²plicas, o massacre. O n¨²mero de mortes nas m?os dos integrantes da Ironia Divina aumentava a cada hora. Proporcionalmente, suas express?es escureciam. J¨²lia, em particular, parecia cada vez mais abalada, lutando para manter o controle. Em certo momento, encontraram um pequeno quarto isolado no fundo da igreja. Parecia um pequeno armaz¨¦m, com caixotes de suprimentos amontoados por todos os lados. ¡ª Vamos passar a noite aqui ¡ª sussurrou Ana, n?o querendo chamar aten??o de seja l¨¢ quem passasse do lado de fora. ¡ª Podem descansar primeiro, eu fico de guarda. Acenando lentamente, todos sentaram-se em um canto. O clima estava tenso e a incerteza do que ainda estava por vir era angustiante. J¨²lia recostou-se em Alex, com l¨¢grimas que n?o paravam de sair, enquanto Felipe apenas olhava para as m?os sujas de sangue com os olhos vazios. Ana segurava sua espada, observando os muitos novos riscos presentes nela com uma express?o relaxada. Ela n?o estava t?o abalada quanto os outros, mas tamb¨¦m n?o conseguia entender completamente a situa??o. O tempo passou lentamente, mas logo chegou sua hora de revezar o posto de vigia com Alex. Apesar da falta de sono, a garota se obrigou a dormir, pois n?o sabia quando teria outra oportunidade.
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Capítulo 40 - Maurice
Ap¨®s algumas horas de descanso prec¨¢rio, o grupo se levantou. O cansa?o era vis¨ªvel em seus rostos, mas estavam prontos para continuar. ¡ª Vamos seguir em frente ¡ª disse Ana, ajudando J¨²lia a se levantar. ¡ª Tivemos sorte at¨¦ agora, mas temos que acabar logo com isso. A igreja continuava a se revelar como um labirinto de corredores e escadas. Cada andar parecia mais opressivo que o anterior, como se a pr¨®pria estrutura da igreja estivesse tentando esmag¨¢-los. Eles desceram por escadas estreitas e ¨²midas, chegando aos pisos subterraneos. ¡ª Isso est¨¢ ficando cada vez mais estranho ¡ª murmurou Felipe, olhando para as paredes de pedra que pareciam fechar-se ao redor deles. ¡ª Fiquem alertas. N?o sabemos o que podemos encontrar aqui embaixo ¡ª respondeu Ana. Finalmente, o grupo chegou a um par de portas de ferro imensas. Figuras mitol¨®gicas estavam desenhadas por toda sua extens?o e as bordas eram feitas de algum tipo de elegante pedra preciosa, refletindo brilhantemente a fraca luz das velas que derretiam nos casti?ais pr¨®ximos. ¡ª Eles devem estar escondendo algo importante l¨¢ embaixo ¡ª disse Felipe, j¨¢ preparando seu bra?o mecanico. Sem outros caminhos no corredor em que estavam, empurraram a porta lentamente, se deparando com uma grande camara. Velas eram vistas em cada canto, al¨¦m de longos bancos comumente vistos em igrejas. O teto abobadado era finamente decorado com obras diversas, uma clara reprodu??o da Capela Sistina. Mas, ao inv¨¦s da conhecida ¡°Cria??o de Ad?o¡±, o encontro do homem e seu criador, encontrava-se o anjo escuro que o grupo havia visto na grande est¨¢tua da entrada. L¨¢grimas de sangue saiam de seus olhos enquanto se ajoelhava perante um tiranico deus. No centro da camara havia um imponente piano de cauda, seu brilho negro contrastando com o opaco ambiente ao redor. Um homem alto e magro, com cabelos castanhos que chegavam pouco acima dos ombros, estava sentado no pequeno banco em frente ao instrumento, vestindo um manto negro com detalhados bordados dourados. Seus olhos estavam fechados, e sua express?o era de concentra??o intensa enquanto tocava uma suave melodia sombria. ¡ª Ele deve ser o bispo ¡ª sussurrou J¨²lia, apertando o cabo de seu martelo. O homem abriu os olhos lentamente ao ouvir a conversa, um sorriso frio curvando seus l¨¢bios. ¡ª Bem-vindos, jovens filhos. Eu sou Maurice, o bispo desta igreja. Posso saber quem tenho a honra de receber em minha morada? ¡ª Somos a Ironia Divina! ¡ª gritou a ca?adora ruiva, uma express?o confiante apareceu em seu rosto ao dizer o nome do bando, o que trouxe certa vergonha alheia aos outros, mas fingiram estar tudo bem para n?o constranger a garota. ¡ª Oh, sim. ¨¦ bem¡­ ir?nico ¡ª murmurou o bispo, rindo da apresenta??o inocente. ¡ª Sentem-se, meus caros, a missa estava prestes a come?ar. Sem mais palavras, ele come?ou a tocar uma melodia mais r¨¢pida e agressiva. ¨¤ medida que os dedos magros do homem deslizavam pelas teclas, uma energia negra come?ava a emanar do piano, preenchendo a sala com uma aura opressiva. As sombras ao redor come?aram a se mover, tomando formas amea?adoras. O ar vibrava de forma anormal, e uma vertigem intensa atingiu o c¨¦rebro do grupo mercen¨¢rio. ¡ª Fiquem atentos! Ele est¨¢ usando magia sonora! ¡ª gritou Ana, dando um passo ¨¤ frente enquanto levantava sua espada. Vendo que a garota ainda se movia, Maurice come?ou a recitar ora??es em uma l¨ªngua estranha, sua voz se misturando ¨¤ m¨²sica para criar uma cacofonia destrutiva. Rachaduras surgiam rapidamente nas paredes conforme o volume se intensificava. As ondas de energia sonora batiam como uma marreta nos jovens, causando uma hemorragia em seus t¨ªmpanos, com finos fios de sangue escorrendo de seus ouvidos. Ainda assim, Ana corria em dire??o ao bispo rapidamente, e com um esfor?o final, conseguiu se aproximar o suficiente para lan?ar sua espada em um arco mortal. A lamina negra brilhou sobre a luz das in¨²meras velas enquanto se aproximava das m?os do pianista. Diferente do esperado, o sorriso do bispo se manteve. A poucos cent¨ªmetros de distancia da lamina, um tornado preto surgiu a uma velocidade absurda do ch?o, fazendo o homem flutuar a alguns metros do ch?o junto com seu piano. Apesar da instabilidade a¨¦rea, cada movimento do bispo parecia calculado para causar o m¨¢ximo de caos. Suas m?os se moviam com precis?o mortal. Ana sentia cada nota reverberar em seus ossos, fazendo uma bagun?a em seus ¨®rg?os internos. Os outros, em um estado ainda pior, come?aram a vomitar ali mesmo. Para sorte de todos, a m¨²sica saiu de seu aparente cl¨ªmax, com Maurice baixando do tornado do outro lado do sal?o, dando um respiro aos guerreiros incapacitados.Support creative writers by reading their stories on Royal Road, not stolen versions. ¡ª Venham, filhos das sombras ¡ª gritou o homem, sem parar de tocar. ¡ª Mostrem a ben??o da M?e para estes convidados indesejados. Com o estranho chamado, seguidores come?aram a entrar na sala em um ritmo incessante. Seus olhos estavam totalmente escuros, e diferente de antes, n?o come?aram a suplicar, mas sim se jogaram violentamente contra eles em um claro ataque suicida. ¡ª Temos que par¨¢-lo! ¡ª gritou Alex, bloqueando um ataque de uma mulher insana com uma das m?os. ¡ª Estou tentando! ¡ª respondeu Felipe, disparando proj¨¦teis r¨²nicos contra o bispo em uma tentativa de faz¨º-lo parar de tocar. At¨¦ mesmo J¨²lia, ainda abalada pelos eventos anteriores, foi obrigada a matar indiscriminadamente. Os seguidores n?o eram fortes, mas lutaram at¨¦ seus corpos n?o aguentarem mais: se arrastavam quando pernas eram perdidas, bra?os quebrados apenas mudava seus ataques para mordidas e pulm?es esmagados fazia com que corressem enquanto suas bocas espumavam sangue. Pareciam n?o sentir dor, apenas lutando como se nada mais importasse. O bispo n?o parou de recitar ora??es em nenhum momento, mesmo que parecessem afetar os pr¨®prios membros da igreja. Ana, Alex, J¨²lia e Felipe lutaram com todas as suas for?as, suas armas destruindo tudo que tocavam enquanto mal conseguiam sair do lugar. ¡ª Alex, voc¨º tem que criar barreiras para fechar as portas, n?o vamos conseguir fazer nada se n?o pararem de entrar ¡ª gritou Ana, tentando fazer sua voz sobressair o som da intensa batalha. ¡ª Eu n?o consigo chegar at¨¦ l¨¢! ¡ª Acho que posso ajudar, mas s¨® teremos uma oportunidade para cada porta ¡ª disse Felipe. ¡ª Assim que ver o disparo, corra para a porta da direita, mas n?o antes! Estendendo seu bra?o ao colocar um cartucho azul em seu pulso, Felipe iniciou a ativa??o do proj¨¦til. A bala brilhou cada vez mais em um azul celeste, chegando ao ponto em que parecia que o jovem estava segurando um raio nas pr¨®prias m?os. E ent?o, assim que parecia prestes a explodir, uma esfera semi-transparente foi disparada, voando de forma estranhamente lenta enquanto imobilizava todos os seguidores no caminho da direita. Alex, notando que era a hora certa, disparou em dire??o a porta. As runas da luva acenderam sutilmente em uma cor terracota, e, ap¨®s um poderoso salto, ele socou o ch?o com toda a sua for?a, fazendo as pedras abaixo do ch?o de madeira subirem como firmes placas que impediam a entrada. Infelizmente seu c¨¢lculo de tempo foi impreciso, e ele caiu ajoelhado, tamb¨¦m afetado pelos resqu¨ªcios da esfera de choque que chegou apenas um instante antes. ¡ª Mas que porra, n?o consigo levantar! ¡ª J¨²lia, cuide dos inimigos da esquerda com Felipe, eu ficarei na porta da frente! ¡ª Vendo que o jovem estava incapacitado, mas fora de perigo imediato, Ana deu ordens para que dividissem o embate. Conforme o tempo passava, a sensa??o de tontura ao ouvir a m¨²sica aumentava, fazendo com que uma sensa??o de urg¨ºncia come?asse a brotar enquanto sua espada decepava membros de todos que se aproximavam em cortes cont¨ªnuos. ¡ª Felipe, acha que voc¨ºs dois conseguem segurar as portas sozinhos por um tempo? ¡ª Se continuarem vindo sem parar, n?o mais que uns dois minutos, por qu¨º? ¡ª quero que pegue a muni??o explosiva, no meu sinal, atire em mim. Sem tempo para mais perguntas, o jovem foi para tr¨¢s de J¨²lia para preparar o disparo. A garota do martelo n?o parecia mais estar consciente, tinha tanta gente indo em sua dire??o que ela apenas balan?ava a pesada arma indiscriminadamente, destruindo os ossos a cada acerto. ¡ª Vamos, dispare agora! ¡ª Ana, vendo que a arma parecia estar pronta, puxou dois seguidores pr¨®ximos em um tipo de abra?o. Suas costas viraram-se para Maurice com um giro brusco ao ver as chamas indo em sua dire??o. No momento certo, Ana afrouxou seu aperto e se escondeu atr¨¢s dos homens que segurava. Ambos foram carbonizados quase de imediato, mas a for?a repulsiva da explos?o a lan?ou a uma velocidade incr¨ªvel. ¡°Podia ter sido um pouco menos doloroso¡±, pensou a garota, sorrindo enquanto voava em dire??o ao piano. Grandes bocados de sangue saiam de sua boca, provindos do impacto ter piorado suas les?es de forma significativa. O bispo foi pego de surpresa, gritando uma nota alta e discordante que ecoou pelo sal?o na tentativa de fazer o tornado surgir novamente, mas foi um momento tarde, pois Ana caiu diretamente em cima do piano que come?ava a subir no ar, fechando-o com um forte baque. A m¨²sica cessou de imediato, e com isso o ¨ªmpeto dos seguidores baixou, com muitos desmaiando onde estavam, como se a energia que os deixava em frenesi se esva¨ªsse de uma vez s¨® de seus corpos. Maurice tentou recuar, mas Ana n?o lhe deu chance. Com uma estocada precisa, perfurou o cora??o do bispo. A vida se esvaia lentamente de seu corpo, mas de repente o olhar cheio de ¨®dio que era direcionado ¨¤ garota tornou-se estranhamente carinhoso. ¡ª Oh, quem diria que em minha morte eu teria a maior das honras! ¡ª suas palavras eram animadas, mas n?o passavam de uma rouquid?o baixa, anunciando a iminente chegada de seu fim. ¡ª Do que voc¨º est¨¢ falando? ¡ª perguntou Ana, intrigada com toda a situa??o. ¡ª Desse artefato, ¨¦ claro! ¡ª exclamou, olhando para a espada curta que o perfurava. ¡ª ¨¦ uma verdadeira ben??o poder sentir o toque da M?e t?o de perto em meus ¨²ltimos suspiros¡­ Seus olhos escureceram enquanto soltava suas ¨²ltimas palavras, acompanhado por um longo suspiro que saiu de seus l¨¢bios. Maurice estava morto, tornando-se nada mais do que outra das finas marcas brancas no corpo da arma negra, deixando a rainha mercen¨¢ria com mais perguntas do que respostas.
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Capítulo 41 - Mortos
Ofegante e coberta de sangue, Ana olhou para seus companheiros. Eles estavam exaustos, feridos, mas vivos. O ch?o da camara estava coberto de corpos e sangue, e o sil¨ºncio que se seguiu ¨¤ morte de Maurice era quase palp¨¢vel. ¡ª Conseguimos ¡ª murmurou J¨²lia, sua voz tr¨ºmula. ¡ª Finalmente. ¡ª N?o acabou ainda ¡ª enquanto falava, Ana endireitou-se com dificuldade e focou em sua audi??o danificada, tentando identificar um baixo ru¨ªdo que era ouvido ao longe. Em paralelo, Felipe examinou o piano. As teclas estavam manchadas de sangue, e a estrutura do instrumento estava danificada pela luta, mas ele p?de notar as intrincadas inscri??es que adornavam o instrumento. ¡ª N?o h¨¢ tempo a perder ¡ª disse ele, deixando de lado as runas desconhecidas com certo pesar. Ele adoraria ter isso em m?os para suas melhorias na engenharia, mas n?o era sua ¨¢rea de atua??o principal, dificultando sua compreens?o do misterioso item. ¡ª Precisamos nos mover antes que mais seguidores apare?am. ¡ª Parece que est?o vindo dos tr¨ºs lados, muitos deles ¡ª disse a rainha mercen¨¢ria, levantando a cabe?a. Seus olhos ainda fechados destacavam sua cont¨ªnua concentra??o. ¡ª Vamos para o fundo da camara, peguem Alex e posicionem-se. Ao longe, os passos tornando-se cada vez mais claros. Seguindo as ordens de sua l¨ªder, o grupo se reuniu na parede mais afastada do grande sal?o. ¡ª Espera¡­ tem algo aqui! ¡ª exclamou Felipe, arrastando longas cortinas carmesins que cobriam as paredes. Uma pequena e desgastada porta estava no local. Sua estrutura simples de ferro dava a impress?o de algo sem importancia, mas sua posi??o estrategicamente escondida atr¨¢s de um altar quase escancarava que sua exist¨ºncia n?o era comum. Os seguidores come?aram a aparecer, um por um. N?o pareciam estar com a estranha loucura vista na luta, mas seus semblantes agitados deixavam claro sua busca por algo. Notando os membros da Ironia Divina, sacaram suas espadas e come?aram a se aproximar. ¡ª Temos que ir agora ¡ª disse J¨²lia, ajudando Alex, que n?o conseguiu se manter em p¨¦ nem mesmo nesse curto per¨ªodo, a se levantar. ¡ª N?o podemos enfrentar mais ningu¨¦m nesse estado. Com um aceno de concordancia, eles correram para a porta e se apressaram para dentro. Um corredor estreito os aguardava, a escurid?o era quase total. As frias paredes de pedra, quase apertadas demais para uma pessoa passar, davam uma forte sensa??o claustrof¨®bica e um t¨ºnue odor f¨¦tido flutuava pelo ar, um odor que parecia ter a inten??o de afastar intrusos apenas com sua exist¨ºncia, mas o grupo n?o podia recuar agora. ¡ª Alex, vou precisar que voc¨º fa?a um ¨²ltimo esfor?o¡­ N?o h¨¢ trancas na porta. ¡ª disse Ana, apontando para as manoplas amarronzadas. ¡ª Uma corrente de ar parece vir l¨¢ de baixo, ent?o n?o se preocupe em sufocarmos, apenas impe?a-os de continuar. O jovem fez um sinal de que entendeu e, se soltando dos bra?os de J¨²lia, deu um soco no ch?o com o resto de sua energia, As j¨¢ estreitas paredes se juntaram, tirando a porta da vis?o de todos. Quase que no mesmo momento em que a parede se fechou, um forte som foi ouvido, como se um pesado golpe tivesse acertado a pedra. ¡ª Parece que n?o vai ser o suficiente. Reagindo a ordem de Ana antes de precisar ser dita, o ca?ador socou novamente o ch?o, dessa vez um pouco mais baixo nas escadas, criando uma nova parede. Isso continuou a cada poucos degraus, criando camadas e mais camadas de prote??o. O som dos perseguidores se afastava aos poucos, mas ocasionalmente se ouvia o forte estrondo de uma parede sendo derrubada. ¡ª Eu n?o consigo continuar¡­ ¡ª falou o garoto, baixinho, ap¨®s construir por volta de dez paredes. Seus bra?os pararam de se mover, sua mana estava quase esgotada e os ossos de seus bra?os pareciam estar em posi??es levemente erradas ap¨®s serem lentamente esmagados pelo forte recuo das luvas atingindo o ch?o. ¡ª Voc¨º j¨¢ fez o suficiente ¡ª J¨²lia afastou uma das mechas do cabelo do jovem enquanto dizia palavras calorosas. Seus olhos se marejaram ao ver o sorriso de Alex para ela antes de perder a consci¨ºncia em seus bra?os. O corredor levou a um tipo de caverna. A ¨¢gua se infiltrava pelas fissuras do teto em pequenas gotas, criando camadas de estalactites que davam um ar m¨¢gico, mas sombrio, ao local. A brusca mudan?a de paredes belamente esculpidas pela r¨²stica paisagem natural causou certo estranhamento ao grupo.The author''s narrative has been misappropriated; report any instances of this story on Amazon. ¡ª O que ¨¦ isso? ¡ª perguntou J¨²lia, sua voz um sussurro na escurid?o. ¡ª N?o sei, mas precisamos continuar ¡ª respondeu Ana. ¡ª Temos que sair daqui antes que eles cheguem. Com passos cuidadosos, avan?aram pela passagem subterranea. O cheiro intenso e nauseante aumentava a cada passo. Rastros vermelhos eram ocasionalmente vistos pelo caminho, ati?ando a imagina??o quanto ¨¤s atrocidades que ocorriam ali. De repente, um vulto foi visto no fim do caminho. Seus passos eram arrastados e sua figura desengon?ada movia-se lentamente, como se estivesse lutando contra a pr¨®pria exist¨ºncia. Com a espada negra em punho, a mercen¨¢ria disparou, j¨¢ preparada para um amplo corte diagonal. Conforme se aproximava, a figura se revelou. Era um seguidor das sombras, mas algo estava terrivelmente errado com ele. Sua pele estava p¨¢lida, quase transl¨²cida, e seus olhos estavam vazios, como se a vida tivesse sido drenada dele. Ele estendeu a m?o em um gesto de s¨²plica, seus l¨¢bios movendo-se sem emitir som. ¡°Ele est¨¢¡­ morto?¡±, pensou ela, questionando-se sobre o estranho ser, mas sem parar seus movimentos. Um corte r¨¢pido e preciso arrancou a cabe?a do seguidor, o corpo desabando no ch?o com um baque surdo. ¡ª Mas que merda ¨¦ essa? Como podem existir mortos-vivos por aqui? ¡ª sussurrou Felipe, chegando um instante depois do ataque. Apesar de baixo, seus olhos estavam arregalados, e sua voz mais exaltada que o normal. ¡ª H¨¢ algo estranho sobre isso? ¡ª Ana n?o p?de deixar de perguntar, ao notar que J¨²lia, assim como o garoto da pr¨®tese, mantinha uma express?o excepcionalmente surpresa. ¡ª Voc¨º n?o sabe? Bem, talvez n?o seja t?o surpreendente, n?o foi algo t?o divulgado¡­ mortos-vivos foram registrados menos de cinco vezes nos dez anos que ficamos em Aur¨®rea. ¨¦ muito estranho que um deles tenha aparecido aqui. Enquanto explicava, ele encostou com a ponta da bota no corpo da criatura, como se para garantir que estava realmente morto. ¡ª Como todos sabem, seres vivos perdem a mana ao morrer, sendo ela absorvida por outras criaturas pr¨®ximas, purificando seus corpos e os deixando mais fortes, tanto fisicamente quanto mentalmente. ¨¦ como se parte da vitalidade do ser morto fosse transferida para o resto do mundo. Mas os¡­ ¡°zumbis¡± s?o diferentes. Ao inv¨¦s de perder a mana, ela fica presa em seus corpos, mas sem fluir por suas veias, apenas estagnada. Com essa raridade, quase nenhum estudo foi feito sobre eles, mas ao que parece n?o podem absorver mana e perdem seu racioc¨ªnio, param de evoluir. ¡ª V?o contra a natureza, seres sem mana s?o repugn¡­ ¡ª J¨²lia, ap¨®s cortar explica??o de Felipe e soltar palavras quase que automaticamente, rapidamente cobriu a boca com sua m?o livre, encarando Ana com olhos arregalados. ¡ª Oh, n?o ligue para isso, n?o ¨¦ a primeira vez que deixam claro o qu?o bizarra eu sou ¡ª respondeu a rainha mercen¨¢ria com uma gargalhada abafada, notando o arrependimento da garota ruiva ao recordar-se de que ela pr¨®pria n?o tinha mana. ¡ª Vamos, esse assunto fica pra mais tarde, primeiro precisamos sair daqui. O grupo continuou pela caverna, a tens?o crescendo a cada passo. Eles revezavam o carregamento de Alex, mas o ca?ador inconsciente inevitavelmente tornava-os mais lentos. O cheiro de morte era quase insuport¨¢vel, e a sensa??o de estarem sendo observados nunca os deixava. As paredes de pedra pareciam fechar-se ao redor deles, e o ar estava ficando cada vez mais denso. Finalmente, ap¨®s o que pareceu uma eternidade, chegaram a um ponto onde a estreita caverna se expandiu para um grande bioma subterraneo. A vis?o que se desdobrou diante deles era inesperada: um vasto espa?o subterraneo, iluminado por uma estranha bioluminesc¨ºncia que emanava de fungos gigantes e cristais espalhados pelas paredes e teto. ¡ª Isso ¨¦... incr¨ªvel ¡ª murmurou J¨²lia, olhando em volta com olhos arregalados. ¡ª Nunca vi nada assim antes ¡ª disse Felipe, seus olhos brilhando com o mesmo fasc¨ªnio. O local era denso, com uma vegeta??o estranhamente opaca e ¨¢rvores torcidas que pareciam se contorcer em dire??o ¨¤ luz dos cristais. ¡°Parece que temos ¨¢gua passando por aqui, isso ¨¦ um bom sinal¡±, pensou Ana, tentando identificar a origem de um sutil chiado que passava ao fundo. Seguindo o som, logo encontraram um rio subterraneo, suas ¨¢guas brilhando com a mesma luz bioluminescente dos fungos. A correnteza era lenta, mas a ¨¢gua parecia profunda. ¡ª Precisamos atravessar. Vamos procurar um lugar mais raso. Enquanto seguiam a sugest?o de Ana, avistaram uma ponte de pedra natural que parecia promissora. No entanto, ao se aproximarem, viram que estranhas criaturas, semelhantes a lagartos gigantes com escamas que se assemelhavam ao musgo que cobria a beirada do rio, estavam espalhadas pela ¨¢rea, algumas bebendo ¨¢gua, algumas apenas descansando e outras que seguravam o corpo putrefato de mais um seguidor morto-vivo, o qual ainda se movia com fracos agarr?es nos r¨¦pteis que devoravam seu est?mago. ¡ª A vida n?o pode facilitar as coisas pelo menos uma vez? ¡ª resmungou Ana, tirando novamente a espada da bainha.
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Capítulo 42 - Subsolo
Os olhos de Ana analisaram rapidamente as criaturas ¨¤ sua frente. Os lagartos gigantes pareciam se mover com uma estranha sincronia, seus corpos musculosos ondulando com precis?o predat¨®ria. ¡ª Precisamos de uma estrat¨¦gia ¡ª disse Felipe, tentando manter a calma. ¡ª Eles s?o muitos e estamos exaustos. ¡ª Se passarmos despercebidos, talvez possamos evitar uma luta ¡ª sugeriu J¨²lia, embora a d¨²vida em sua voz fosse evidente. Ana balan?ou a cabe?a, seus olhos focados nas criaturas. ¡ª N?o podemos correr esse risco. Se formos atacados no meio da travessia, estaremos vulner¨¢veis. Melhor lidar com eles agora, enquanto ainda temos algum controle da situa??o. Com um aceno de cabe?a, o grupo se preparou para a batalha. Felipe ajustou sua pr¨®tese, carregando o ¨²ltimo cartucho r¨²nico restante, uma fina bala com propriedades de ar. Sua exist¨ºncia se baseava em manter o poder com a press?o do vento para disparos a longa distancia, mas, n?o podendo correr o risco, ele planejava utiliz¨¢-la a queima roupa. J¨²lia, por outro lado, ergueu seu martelo, os m¨²sculos tensos em antecipa??o. ¡ª Vamos tentar atrair apenas um deles ¡ª disse Ana, dando um passo ¨¤ frente e lan?ando uma pedra em dire??o ao lagarto mais pr¨®ximo. A criatura virou a cabe?a com um silvo amea?ador, avan?ando em dire??o ao grupo. A batalha come?ou com um estrondo. Ana saltou para o lado, desviando-se das mand¨ªbulas da criatura, enquanto Felipe tentou acertar suas costas com uma estocada de seu sabre, o qual foi repelido pelas duras escamas. Felizmente, no mesmo instante, J¨²lia trouxe seu martelo para baixo com um golpe poderoso, esmagando a cabe?a do lagarto. ¡ª N?o s?o t?o fortes quanto parecem ¡ª sorriu a garota ruiva, balan?ando a arma para tirar os restos. No entanto, o barulho atraiu a aten??o das outras criaturas. Elas se aproximaram rapidamente, e logo o grupo se viu cercado. ¡ª Mantenham a forma??o! ¡ª gritou Ana, cortando metade do cranio de um lagarto que passou a seu lado. ¡ª N?o deixem que nos separem! Felipe e J¨²lia lutaram ao lado dela, com o jovem servindo de isca enquanto a garota esmagava qualquer coisa que corresse ao seu lado. A exaust?o pesava sobre eles, mas a determina??o em sobreviver os impulsionava. ¡ª Que droga! Achei que conseguiria manter isso para uma emerg¨ºncia ¡ª gritou Felipe, sendo obrigado a disparar a bala restante na cabe?a de um dos monstros que conseguiu fincar os dentes em sua perna esquerda. ¡ª E tem alguma emerg¨ºncia maior do que essa? ¡ªgritou J¨²lia, atingindo um lagarto que disparou em dire??o a Alex, que foi deixado deitado no centro da forma??o. Com um esfor?o concentrado, conseguiram derrubar algumas das criaturas, uma por vez. Vendo os companheiros morrerem, os largados tornaram-se mais hesitantes e, por fim, abocanharam alguns dos mortos de sua pr¨®pria esp¨¦cie e os arrastaram para a ponte de pedra, devorando-os lentamente enquanto encaravam a Ironia Divina com cautela, uma rendi??o velada para uma briga que poderia voltar a acontecer a qualquer momento. ¡ª N?o parece que vamos conseguir atravessar. Vamos descansar aqui por agora, parecem ter comida suficiente por enquanto¡­Unlawfully taken from Royal Road, this story should be reported if seen on Amazon. Enquanto falava, Ana ajudou J¨²lia a deitar Felipe ao lado de seu irm?o. Sua perna sangrando precisava de primeiros socorros. Em sil¨ºncio, o grupo armou uma pequena fogueira, sempre mantendo a mesma vigia que os lagartos mantinham neles. Ana pegou um dos lagartos mortos e o arrastou para perto do resto do grupo. Com cortes precisos na regi?o do abd?men da criatura, ela come?ou a remo??o da pele. Ossos, m¨²sculos e carne sa¨ªram sem resist¨ºncia. Ap¨®s uma breve olhada para os estranhos ¨®rg?os, a mercen¨¢ria decidiu n?o utiliz¨¢-los. A princ¨ªpio, pensou em descart¨¢-los no rio, mas acabou optando por jog¨¢-los em dire??o dos seus inimigos recentes, os quais, apesar de confusos, lan?aram um tipo de olhar agradecido. ¡ª J¨²lia, coloque um pouco de carne sobre a fogueira, vou descansar um pouco. ¡ª N¨®s vamos comer isso? ¡ª exclamou a ca?adora, com uma clara express?o de nojo. ¡ª J¨¢ verifiquei que n?o existem toxinas na carne. ¡ª Mas¡­ ¡ª Voc¨º tem ideia melhor? N?o sabemos quanto tempo ficaremos aqui, n?o podemos gastar nossa ra??o seca sem pensar. J¨²lia franziu os l¨¢bios, entendendo que as palavras de sua l¨ªder n?o estavam erradas. Pegando os peda?os sangrentos, ela come?ou a montar uma pequena grelha improvisada sobre o fogo, utilizando pedras pr¨®ximas e as facas que levavam em suas mochilas. Dando uma ¨²ltima olhada para o grupo, Ana fechou seus olhos. Ela era uma das ¨²nicas que estava em posi??o de lutar no grupo, ent?o sentiu a necessidade de manter sua energia no m¨¢ximo
Era um mundo branco e infinito. Nele, nada existia, mas ao mesmo tempo parecia que tudo poderia ser contido. ¡ª Ei, eu estou morta? ¡ª J¨¢ te disse antes, eu n?o sei, sou s¨® uma lembran?a mal feita. ¡ª N?o vem com essa merda, eu parei de sonhar h¨¢ muito, muito tempo atr¨¢s ¡ª resmungou a garota, franzindo a testa. ¡ª N?o pode ser uma coincid¨ºncia que voc¨º esteja sempre aqui. ¡ª Bem, voc¨º me pegou, mas n?o estou mentindo ¡ª riu o anjo, cobrindo sua pequena boca com uma das m?os. ¡ª Sou um resqu¨ªcio preso no tempo, uma lembran?a do que j¨¢ fui um dia. ¡ª Um resqu¨ªcio¡­ ent?o voc¨º n?o sabe o que aconteceu? ¡ª Apenas at¨¦ o momento em que o selo foi colocado em voc¨º, mas pelas suas visitas, imagino que o meu eu completo j¨¢ n?o esteja a seu lado. ¡ª Certo, mas me diga, eu estou morta? ¡ª repetiu a garota milenar, dessa vez com um tom mais s¨¦rio. ¡ª Por que me pergunta isso? ¡ª Eu n?o sou capaz de absorver mana. Desisti de pensar profundamente nisso, mas descobri recentemente que geralmente isso s¨® ¨¦ poss¨ªvel em uma situa??o¡­ quando estamos mortos. Com as palavras de Ana, o sorriso de Gabriel mudou, tornando-se o mesmo que a garota j¨¢ vira milhares de vezes no passado, um sorriso radiante que n?o era refletido em seus olhos. ¡ª Mana? ¡ª sua voz tremia, uma indigna??o surgindo do fundo de seu amago ¡ª Como est¨¢ o mundo atualmente? ¡ª N?o tenho como explicar isso muito bem¡­ a Terra e uma tal de Aur¨®rea viraram um s¨® e¡­ bem, voc¨º foi puxado por umas correntes estranhas no processo. Por sinal, voc¨º podia ter me avis¡­ ¡ª Quieta, desgra?ada! ¡ª cortando as palavras de Ana, Gabriel gritou palavras r¨ªspidas. Sua express?o era de uma f¨²ria genu¨ªna, algo que Ana nunca havia visto nos seus mil anos juntos. ¡ª N?o sei o que minha outra vers?o incompetente fez, mas pelo jeito voc¨º ¨¦ apenas outro erro, n?o melhor do que todas aquelas sombras ignorantes. Sem qualquer aviso, a c¨®pia afundou no ch?o, deixando o local em um sil¨ºncio pac¨ªfico. Ana suspirou e sentou-se em meio ao nada, ela j¨¢ esperava que essa conversa n?o levasse a lugar nenhum.
¡ª Ana! Ana! Acorda, por favor! ¡ª com um tom de desespero, J¨²lia chacoalhou a adormecida rainha mercen¨¢ria, a tirando de seus devaneios. Ana despertou imediatamente, sua express?o mudando de confus?o para alerta em segundos enquanto tirava a espada de sua bainha, preparada para o que viesse. ¡ª O que houve? ¡ª perguntou, a voz tensa. ¡ª ¨¦ o Felipe. Ele est¨¢ com febre e... tem pus amarelo saindo da ferida ¡ª a voz da garota tremia levemente durante a explica??o. Ana guardou a arma e se ajoelhou ao lado do garoto, examinando rapidamente a ferida. Ele estava delirando, a perna claramente infeccionada. ¡ª O que houve? ¡ª perguntou, a voz tensa. ¡°N?o vamos ter tempo para tratar isso da forma adequada¡±, pensou, sentindo o intenso odor pungente do ferimento. Os lagartos estavam inquietos, suas cabe?as levantadas e corpos tensionados, como se esperassem um momento de fraqueza do grupo. ¡ª Aque?a as laminas no fogo ¡ª ordenou ela. ¡ª Vamos precisar fazer isso r¨¢pido e com o m¨¢ximo de precis?o poss¨ªvel. J¨²lia assentiu, correndo para cumprir a ordem. ¡ª Vai ficar tudo bem. Vamos tirar voc¨º dessa ¡ª Alex, o qual havia acordado a pouco em um estado ainda enfraquecido, estendeu a m?o para o irm?o, murmurando palavras de encorajamento com uma voz cheia de preocupa??o. ¡ª Felipe, isso vai doer, mas pense pelo lado bom¡­ ¡ª murmurou Ana com um sorriso, pegando uma longa faca ainda em um escarlate fervente das m?os da ca?adora ruiva e posicionando-a sobre a perna do garoto. ¡ª Voc¨º vai ganhar uma nova pr¨®tese pros seus testes. Colocando for?a no utens¨ªlio em sua m?o, ela fez o corte, e o grito de Felipe ecoou pela caverna, misturando-se ao som da ¨¢gua gotejando e ao farfalhar inquieto dos lagartos.
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Capítulo 43 - Aliados
A opera??o foi r¨¢pida, mas extremamente dolorosa. Ana trabalhou fez um corte limpo acima da infec??o, cauterizando a ferida com a lamina aquecida logo em seguida. Felipe se contorceu de dor, mas J¨²lia e Alex seguraram-no firmemente. Ap¨®s o procedimento, a caverna voltou a um sil¨ºncio tenso. Os lagartos ainda observavam, mas pareciam mais desinteressados. Alguns deles, mais ousados, se aproximavam do grupo para recolher um dos corpos de seus antigos companheiros, arrastando-os para mais uma sess?o de degusta??o. ¡ª Ele vai sobreviver? ¡ª perguntou J¨²lia, sua voz fraca enquanto olhava para o garoto que caiu inconsciente, mas respirando de forma irregular. ¡ª Se conseguirmos mant¨º-lo est¨¢vel, sim ¡ª respondeu Ana, limpando o suor da testa. ¡ª Mas teremos que ficar por um tempo, n?o tem como levar os dois para fora de forma segura. Pelo menos parece que n?o fomos perseguidos at¨¦ aqui ¡ª a mercen¨¢ria olhava para o caminho que vieram, pensando no motivo dos seguidores n?o terem aparecido. O grupo ia recuperando as for?as, lenta, mas constantemente. A carne dos lagartos, apesar de n?o ser a refei??o mais apetitosa, deu-lhes a energia necess¨¢ria para aguentar. Entediada, a jovem ca?adora ruiva deitou-se ao lado de Alex, contando as gotas que ca¨ªam do teto de forma. Ana encarava os lagartos fixamente, mas sua mente se perdia em quest?es mal resolvidas sobre o que ela realmente era.
¡ª Ouvi algo... uma vibra??o estranha vindo do rio¡­ ¡ª sussurrou Felipe, agora acordado, apontando na dire??o da correnteza. Ele estava deitado no ch?o, descansando, mas ainda p¨¢lido. Seu ouvido estava colado no solo. Ana franziu a testa e caminhou at¨¦ a beira do fluxo de ¨¢gua. Por um momento, se distraiu com a beleza das luzes refletidas; eram como estrelas submersas, dando a impress?o de um universo ¨¤ parte existir al¨¦m das ¨¢guas calmas. Ent?o, concentrando-se, p?de ouvir o som mencionado, um murm¨²rio baixo, quase como se algo estivesse se movendo sob a superf¨ªcie da ¨¢gua. Ela observou atentamente, seus olhos treinados buscando qualquer sinal de perigo. De repente, uma sombra passou rapidamente por debaixo da ¨¢gua, movendo-se contra a correnteza. Ana se afastou rapidamente, puxando J¨²lia, que havia acabado de levantar-se, para tr¨¢s. ¡ª Algo est¨¢ vindo. Preparem-se! Os r¨¦pteis gigantes, tamb¨¦m alertas ao movimento na ¨¢gua, come?aram a se mover inquietamente, como se estivessem sentindo a presen?a de um predador. O rio come?ou a borbulhar, e uma figura emergiu lentamente. Era uma criatura com mais de cinco metros, gigantesca se comparada ao limitado espa?o da caverna. Era um ser composto de ossos e carne putrefata, coberto por uma pele transl¨²cida que pulsava com uma luz fraca e azulada, quase como a pr¨®pria bioluminesc¨ºncia das plantas grudadas nas paredes, revelando ¨®rg?os internos que pareciam estar em constante movimento. Sua cabe?a tinha uma forma??o disforme com m¨²ltiplos olhos distribu¨ªdos caoticamente e uma boca circular repleta de dentes afiados. Seus movimentos eram flu¨ªdos, mas havia algo perturbadoramente antinatural em cada um deles.A case of literary theft: this tale is not rightfully on Amazon; if you see it, report the violation. ¡ª O que diabos ¨¦ isso? ¡ª exclamou J¨²lia, com o martelo em punho, pronta para o combate. A criatura emitiu um som gutural que reverberou pelas paredes da caverna, fazendo com que todos recuassem ainda mais. Suas pernas, semelhantes a tent¨¢culos com estranhas garras nas pontas, come?aram a se mover em dire??o ao grupo, deixando um rastro viscoso por onde passava. De forma inesperada, os lagartos, percebendo a amea?a comum, come?aram a correr para o lado deles, deixando claro que o inimigo de antes era agora um aliado. Alex se for?ou a levantar, indo de forma desengon?ada para o lado de seu irm?o, para o caso de algum deles se aproximar demais. Os irm?os, nas piores condi??es, encostaram-se um no outro, determinados a sobreviver. A batalha foi feroz. O monstro n?o era t?o r¨¢pido, mas seus m¨²ltiplos membros atacavam de diferentes dire??es, cobrindo uma ampla ¨¢rea. Ana desviou de um dos tent¨¢culos e atacou com sua negra espada curta, mas a lamina escorregou pela pele gelatinosa, sem causar dano significativo. ¡ª Isso n?o vai funcionar! ¡ª gritou ela, frustrada. Os ataques de J¨²lia foram ainda menos eficazes, ao balan?ar seu martelo com toda sua for?a, a carne da criatura apenas recuava momentaneamente, trazendo uma for?a de rebote que quase lan?ou a arma de suas m?os para longe. Os lagartos, agora aliados tempor¨¢rios, atacavam com for?a bruta, suas mand¨ªbulas poderosas rasgando a pele transl¨²cida da criatura. Apesar dos esfor?os combinados, o monstro parecia impar¨¢vel. A batalha foi intensa e desesperadora. Cada golpe parecia apenas irritar mais a criatura, que contra-atacava com uma f¨²ria descomunal. Pequenas feridas se fechavam rapidamente e seus tent¨¢culos rasgavam o ar e a carne dos lagartos e dos combatentes. Um dos r¨¦pteis, enrolado acidentalmente por uma das muitas pernas do estranho ser, foi simplesmente jogado para dentro do corpo transl¨²cido. A pobre criatura esverdeada se debatia enquanto todos viam sua carne come?ar a se decompor em tempo real. ¡°N?o temos chance contra essa coisa¡±, pensou Ana, recuando ao ser atingida na lateral de seu corpo por um pesado golpe, mas evitando demonstrar seus pensamentos para n?o baixar ainda mais a moral dos outros. De canto de olho, a garota notou alguns dos lagartos que, percebendo a futilidade da batalha, come?aram a recuar. Seus silvos de medo ecoavam pela caverna enquanto se afastavam, claramente aterrorizados. ¡ª Se segurem neles! ¡ª ordenou a rainha mercen¨¢ria, vendo a ¨²nica chance de escapar. ¡ª Vamos sair daqui! Sem pestanejar, cada um se agarrou ao lagarto mais pr¨®ximo, firmando-se com o m¨¢ximo de suas for?as aos corpos musculosos dos r¨¦pteis. Incomodados, tentaram balan?ar seus corpos para se livrarem do peso extra, mas sem sucesso, permitiram que os membros da Ironia Divina cavalgassem neles em uma fuga desesperada. Para a sorte de todos, eles correram pela ponte de pedra, atravessando o rio e adentrando ainda mais nas profundezas da caverna. Ap¨®s um tempo que pareceu uma eternidade, chegaram a um lugar mais seguro, onde os lagartos finalmente pararam. ¡ª R¨¢pido, peguem as armas ¡ª gritou Ana, girando algumas vezes no ch?o pela parada brusca ao soltar o lagarto, mas logo arrumando sua postura. Seus olhos encaravam os supostos aliados de forma t?o afiada quanto a espada em suas m?os. Os r¨¦pteis hesitaram, mas logo retribu¨ªram o olhar intenso e, com fortes sibilos na dire??o do grupo, se viraram e desapareceram nas sombras, deixando-os sozinhos mais uma vez. ¡ª Estamos vivos... bom, pelo menos ¨¦ uma hist¨®ria divertida ¡ª murmurou Ana, tentando recuperar o f?lego enquanto guardava sua espada. Seu sorriso dolorido no rosto tentava melhorar o clima, mas sem muito sucesso. ¡ª Vamos sair daqui antes que algo mais apare?a. O grupo acenou em concordancia, mesmo exaustos e machucados, podiam sentir que esse momento para respirar seria bem curto.
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Capítulo 44 - Cole??o
¡ª Eu j¨¢ cansei de ver pedras ¡ª reclamou J¨²lia, sua voz propositalmente infantil tirou alguns sorrisos suaves dos outros. A caverna era uma repeti??o incessante de estalactites e estalagmites, uma vis?o que n?o parecia ter fim mesmo ap¨®s horas caminhando. Em certo ponto, ramifica??es come?aram a aparecer a cada poucos quil?metros, tornando a estrutura um labirinto natural. O ritmo da viagem era lento, cada passo uma luta. Felipe, agora sem uma perna, se apoiava nas garotas, que se revezavam para ajud¨¢-lo a continuar. O ar estava frio e ¨²mido, e as plantas luminosas estavam cada vez mais escassas, mal iluminando o caminho ¨¤ frente. Os irm?os foram recuperando a cor de suas faces ao longo da caminhada. O fortalecimento da mana em seus corpos fez com que sua taxa de regenera??o fosse anormalmente alta. N?o podia ser dito que estavam bem, mas um humano comum da terra pr¨¦ Grande Vazio n?o teria resistido a ferimentos t?o intensos se ocorressem em um per¨ªodo t?o curto de tempo. Apesar disso, a esperan?a n?o crescia, todos sentiam que aquelas paredes cinzentas seriam a ¨²ltima coisa que veriam. ¡ª Mas que boca, hein? Voc¨º deveria parar de reclamar de ver pedras e come?ar a reclamar de n?o ver uma sa¨ªda ¡ª disse Felipe, meio em tom de brincadeira, meio de mau humor, apontando para um estranho sulco na parede que se diferenciava de todo o restante. Algumas inscri??es indecifr¨¢veis adornavam uma estranha gaveta, e, acima delas, meio cranio estava desenhado. ¡ª Isso aqui ¨¦ uma tumba ¡ª murmurou Ana, correndo os dedos pelos padr?es intrincados que pareciam contar uma hist¨®ria esquecida pelo tempo. ¡ª Que lugar estranho para enterrar algu¨¦m ¡ª murmurou Alex em um coment¨¢rio baixo, ap¨®s um longo per¨ªodo em sil¨ºncio. Seus olhos estavam meio apagados pelo cansa?o, e voltou a caminhar de forma arrastada ap¨®s o interesse momentaneo no achado. Conforme avan?avam, os mesmos sulcos voltaram a surgir, cada vez com mais frequ¨ºncia, assim como os sinais de vida. Ou melhor, os sinais de n?o-vida. Mortos-vivos aproximavam-se ocasionalmente com seus passos lentos, cada vez mais aterrorizantes. A carne j¨¢ apodrecida quase se desprendia de seus corpos, mas n?o passavam de uma falsa amea?a. ¡ª Por que eles n?o te atacam? ¡ª perguntou J¨²lia, observando um zumbi se afastar de sua l¨ªder, sem a comum tentativa de mordida. ¡ª N?o sei ¡ª respondeu Ana, dando de ombros. ¡ª Mas n?o vamos questionar nossa sorte agora. A princ¨ªpio todos acharam estranho, mas logo se acostumaram com a estrat¨¦gia de Ana segurar seus oponentes enquanto algu¨¦m os finalizava. De maneira inesperada, os mortos-vivos recuavam diante da garota, como se impedidos de se aproximar. Isso facilitou a jornada, mas tamb¨¦m aumentou a curiosidade e a inquieta??o do grupo. ¡ª ¨¦ um pouco frustrante, a mana deles ¨¦ t?o rala que n?o sinto nenhum progresso quando a absorvo ¡ª a ruiva torcia a boca ao esmagar mais um dos caminhantes que se aproximava. ¡°Entendo seu sentimento¡±, pensou Ana, rindo para si mesma ao notar que sua espada tamb¨¦m n?o conseguiu uma nova marca ao perfurar o cranio de um homem desfigurado que se aproximava. De repente, ap¨®s uma curva especialmente estreita, o local se expandiu para todos os lados, retirando um pouco da sensa??o sufocante que os assolou desde que entraram na caverna. A grande camara tinha paredes estranhamente lisas, como se fossem esculpidas artificialmente, reluzindo perante a luz fraca dos arredores, que tamb¨¦m refletia nos minerais incrustados na rocha, criando um brilho et¨¦reo. No centro, uma constru??o de pedra se erguia majestosamente, coberta de s¨ªmbolos antigos que emanavam um brilho sinistro. Manchas de sangue cobriam a pedra escura, e apesar de estarem claramente secas, pareciam frescas. O altar estava cercado por um escuro abismo, t?o profundo que n?o se podia sequer imaginar at¨¦ onde levava. Apenas um estreito caminho de pedra levava a ele, continuando logo ap¨®s para o outro lado da camara. O som do vento ecoava suavemente, aumentando a sensa??o de mist¨¦rio e perigo. ¡ª Parece um tipo de altar de sacrif¨ªcios ¡ª falou Ana, franzindo a testa. ¡ª Mas o que est?o sacrificando? ¡ª Eu n?o quero saber ¡ª disse J¨²lia, com a voz tr¨ºmula. ¡ª Vamos s¨® sair daqui. ¡ª Bom, n?o temos muita escolha, precisamos atravessar para o outro lado ¡ª disse Ana, apontando para o caminho que se estendia al¨¦m do altar. Eles come?aram a se mover, tentando ignorar a constru??o sinistra. O ar parecia mais denso ali, como se a camara estivesse impregnada com uma presen?a maligna. Cada passo ecoava pelo espa?o, amplificando a sensa??o de vulnerabilidade. O abismo ao redor atraia a aten??o dos jovens, mas seus olhares pareciam ser absorvidos pela escurid?o infinita. Durante o cauteloso avan?o, Ana foi a primeira a notar algu¨¦m abaixado, encostado no altar, como se estivesse pegando algo, mas a distancia n?o permitia que identificasse o que era o estranho objeto. Seus passos tornaram-se mais lentos e silenciosos, gesticulando para que os outros fizessem o mesmo. Conforme se aproximavam, a luz fraca revelou o rosto da figura. ¡ª Natalya? ¡ª Ana perguntou, parando abruptamente com uma clara surpresa em seus olhos. ¡ª O que est?o fazendo aqui? ¡ª a Colecionadora ergueu o olhar, igualmente surpresa ao ver Ana e seu grupo. ¡ª Nossa miss?o da igreja acabou com certos imprevistos¡­ resumindo tudo, acabamos entrando nessa caverna por acid¡­ Antes que pudesse terminar, Natalya se levantou e, sem aviso, desferiu um soco em dire??o ao peito da garota. ¡ª O que voc¨º est¨¢ fazendo? ¡ª gritou Ana, desviando por um triz, uma a??o de puro reflexo. ¡ª N?o entenda errado, n?o tenho nada contra voc¨º, mas n?o posso deixar que conte sobre o que viu aqui ¡ª disse a exilada, sua voz fria e determinada, mas ao mesmo tempo com um sorriso come?ando a se formar. ¡ª Al¨¦m disso, n?o vou ter outra oportunidade t?o boa quanto essa de pegar a sua f¡­ a sua ¡°arma¡± para a minha cole??o sem ser considerada uma traidora pelos mercen¨¢rios por matar uma das famosas rainhas ¡ª seus olhos tornaram-se ainda mais gananciosos ao notar que a faca havia crescido ainda mais, metamorfoseando-se em uma curta espada. Sem mais explica??es, ela avan?ou com uma s¨¦rie de golpes de boxe, seus bra?os rob¨®ticos dando-lhe uma velocidade e for?a incr¨ªveis. Os socos eram r¨¢pidos e precisos, visando pontos vitais com uma destreza impressionante. ¡°Mas que filha da puta¡±, Ana esquivava-se continuamente, tentando retalhar com sua espada, mas sua vis?o n?o conseguia acompanhar adequadamente a velocidade dos ataques, impedindo at¨¦ mesmo de formular pensamentos al¨¦m de xingamentos brutos. Os socos ocasionalmente a acertavam, trazendo uma dor excruciante e, por vezes, arrancando peda?os de sua carne devido ¨¤s pequenas arestas afiadas das pr¨®teses que incessantemente vinham em sua dire??o. J¨²lia, vendo a luta, correu para ajudar. Com um movimento fluido, deixando claro o esfor?o colocado em seu treinamento, ela balan?ou o martelo, todos os seus m¨²sculos foram contorcendo-se para embutir uma for?a tremenda em dire??o ¨¤ nova inimiga, mas n?o foi o suficiente para danificar os temperados bra?os met¨¢licos. ¡ª Maldita! ¡ª a ca?adora ruiva gritou, desesperada, antes de ser atingida por um poderoso soco no est?mago que a levantou do ch?o. Seu corpo pareceu flutuar por alguns segundos, como se a pr¨®pria gravidade estivesse a ignorando, mas antes que percebesse chegou ao solo com um pesado baque, vomitando sangue e restos de comida enquanto se encolhia de dor.This tale has been pilfered from Royal Road. If found on Amazon, kindly file a report. Alex se aproximou nesse instante, ainda cambaleando um pouco, mas mantendo uma postura firme. Aproveitando a brecha criada pela sua amante e vendo Ana tamb¨¦m iniciar seu ataque, o garoto desferiu um golpe de suas manoplas em dire??o ao rosto da Colecionadora. Desviando por mil¨ªmetros dos ataques simultaneos dos dois membros do grupo, a mulher girou seu esbelto corpo, formando um poderoso chute em dire??o ao peito do jovem ca?ador. ¡ª Felipe, agora! ¡ª apesar do som agonizante de suas costelas se partindo, Alex usou toda a for?a que restava e tudo que aprendeu de vajramushti com os monges no ¨²ltimo ano. Com um preciso passo de recuo no instante em que foi atingido, ele segurou firmemente a perna de Natalya. Felipe, havia lentamente se arrastado para perto durante a luta, e sua pr¨®tese brilhava intensamente pelo ac¨²mulo de energia. Com um impulso de sua ¨²nica perna restante e uma complexa express?o de dor, ele se lan?ou em uma tentativa desesperada de agarrar Natalya. Ela, no entanto, ignorou sua perna presa e pegou Felipe no ar. ¡ª Eu j¨¢ te disse que com essa porcaria voc¨º nunca vai conseguir nada ¡ª sussurrou ela no ouvido do garoto da pr¨®tese. ¡ª Se voc¨º quer ser uma m¨¢quina, essa m¨¢quina tamb¨¦m precisa ser voc¨º. Com um frio sorriso no rosto, Natalya agarrou o bra?o restante de Felipe. Ela p?de ver as l¨¢grimas suplicantes que surgiam em seu rosto, mas a for?a de seu aperto n?o diminuiu enquanto ela rasgava o corpo do jovem, removendo impiedosamente seu membro a partir do osso que se ligava diretamente ¨¤ omoplata. Felipe caiu de suas m?os como uma marionete. Todos puderam ver seus olhos se reviraram sem um ¨²nico grito enquanto perdia a consci¨ºncia, sua exist¨ºncia resumindo-se apenas a um corpo amolecido no ch?o. Alex, j¨¢ esgotado, caiu de joelhos, perdendo a for?a em seus bra?os devido ao choque. A mulher n?o o atingiu mais, deixando-o se aproximar de seu irm?o. Seus olhos ferviam de ressentimento, passando de Felipe para J¨²lia, e depois novamente para as costas da inimiga rob¨®tica. Nestes poucos segundos, Ana se aproximou novamente, girando para tentar um golpe lateral com a espada. Natalya bloqueou com a parte de tr¨¢s de sua m?o esquerda, como se afastando uma mosca, mas a for?a resultante do movimento empurrou a jovem mercen¨¢ria para tr¨¢s. O impacto quase fez Ana perder o equil¨ªbrio, mas ela se manteve firme. ¡ª Por que est¨¢ fazendo isso? ¡ª gritou, tentando ganhar tempo enquanto milhares de novas estrat¨¦gias passavam pela sua mente, mas a esperan?a de sobreviver parecia cada vez mais distante. ¡ª Eu sempre fico com o melhor pr¨ºmio. Esse ¨¦ o direito dos fortes. ¡°N?o parece ser toda a verdade¡±, notou Ana, olhando profundamente nos olhos da psicopata a sua frente. Com o fim da curta frase, Natalya lan?ou um jab direto, mirando o rosto de sua oponente. O som do ar sendo empurrado chegou antes do soco, e em um movimento estranhamente belo, a mercen¨¢ria saltou lateralmente, usando o pr¨®prio punho que ia em sua dire??o como ponto de apoio. Enquanto seu rosto passava ao lado do rosto de Natalya, a rainha mercen¨¢ria p?de ver de forma mais ampla o ca¨®tico cen¨¢rio que estava oculto pela barreira de ataques. A postura de Alex, antes t?o imponente, parecia min¨²scula enquanto ele chorava desesperadamente sobre o corpo de seu irm?o. O sangue formava uma po?a cada vez maior ao redor dos dois, mesmo com as tentativas cont¨ªnuas de estancar a ferida com trapos rasgados de sua pr¨®pria roupa. J¨²lia, ao seu lado, tentava erguer-se com pernas tr¨ºmulas, mas seu corpo curvado deixava claro que os danos internos n?o eram pequenos. ¡°Eu devia ter simplesmente virado uma cientista, n?o sobrevivi a tudo isso apenas para morrer nas m?os dessa lun¨¢tica¡±, pousando atr¨¢s da Colecionadora, pensamentos pouco importantes come?aram a surgir na mente. Sua vis?o vagou por cada canto da estranha camara. O ar frio entrava em seu pulm?o, trazendo uma sensa??o estranhamente revigorante. O gosto de ferro do sangue em sua boca n?o era t?o ruim, e o altar sombrio em conjunto com o ambiente brilhante e fantasioso a deu a sensa??o de estar em um filme. Como se para a despertar, Natalya se aproximou novamente, o punho vindo a uma velocidade alarmante em um perfeito gancho de direita. ¡°Ironia divina, n¨¦?¡±, sorriu, pensando na agitada vida que teve ap¨®s os mil anos sozinha. ¡°¨¦ realmente um nome perfeito¡±. Ana viu a massa de ferro que se aproximava de seu rosto com o canto dos olhos, e,com um pequeno passo para tr¨¢s, deslizou pela beirada do penhasco, caindo em dire??o ao abismo. Seu rosto sereno transformou a cena em algo belo, uma a??o quase sacrificial, contrastando fortemente com seu dedo m¨¦dio estendido para frente em uma clara zombaria. O ato inesperado pegou Natalya de surpresa. Com um leve desequil¨ªbrio ao parar o pesado golpe que estava dando em meio ao ar, ela tentou segurar a elegante espada negra em um movimento urgente, mas foi parada por J¨²lia, que com um ¨²ltimo esfor?o, saltou sobre ela, impedindo-a de tocar a arma. ¡ª Voc¨º ¨¦ realmente persistente ¡ª sibilou Natalya, seus olhos brilhando com desgosto. Um golpe sem emo??o atravessou o peito de J¨²lia. O brilhante punho met¨¢lico surgiu das costas da ca?adora ruiva, e o vibrante sangue escarlate pingando acompanhava o som de um ¨²ltimo gemido abafado. Seus olhos perderam o brilho rapidamente, e seu corpo, j¨¢ sem vida, atingiu o altar ao ser lan?ado de forma descuidada. A ¨²ltima coisa que Ana viu foi Alex se jogando em dire??o a Colecionadora, gritando com f¨²ria enquanto l¨¢grimas de sangue escorriam por suas bochechas. A sensa??o de queda parecia intermin¨¢vel, o vento rugindo em seus ouvidos suprimia todos os outros sons. Seu corpo girou no vazio, e por um momento, tudo parecia suspenso no tempo. O choque das perdas, a adrenalina da luta, o desespero dos ¨²ltimos dias de caminhada incessante. Tudo se distanciou, criando uma estranha serenidade em meio ao caos. ¡°Adeus, mundo¡±, pensou a rainha mercen¨¢ria, fechando seus olhos enquanto come?ava a cantarolar em um baixo murm¨²rio, aceitando a escurid?o que a abra?ava por todos os lados. Natalya suspirou profundamente, observando os corpos inconscientes ou mortos ao seu redor. O sil¨ºncio da caverna era interrompido apenas pelo som suave de respira??es irregulares e o eco distante de gotas d''¨¢gua caindo. Seu olhar repousou sobre as bolsas do grupo, que estavam jogadas em um canto da caverna. Com alguns passos, ela se aproximou, a luz fraca refletia nos s¨ªmbolos antigos do altar quando come?ou a vasculhar os itens. ¡°saia¡­ ¨¦ hora de ir¡­ saia¡­ h¨¢ mais insetos para serem ca?ados¡­¡± Ela encontrou uma faca pequena, alguns frascos de rem¨¦dios e uma agulha presa a uma linha de sutura. Nada parecia valer a pena at¨¦ que suas m?os tocaram um livro desgastado. A capa era simples e as bordas estavam esfoladas pelo uso frequente. Curiosa, a Colecionadora o abriu com certo desd¨¦m, pronta para descart¨¢-lo como o restante do conte¨²do da bolsa. Mas conforme lia, seus olhos se arregalaram de surpresa. ¡°saia¡­ saia¡­ ¨¦ hora de ir¡­¡± ¡ª Cala a boca! Cala a boca! Cala a boca! ¡ª Natalya apertou as t¨ºmporas com as duas m?os enquanto gritava insanamente com si mesma. Marcas ficaram em seu rosto pelo repentino aperto, mas como se nunca tivessem existido, as vozes em sua cabe?a fizeram uma pausa. Ela rapidamente retirou seus rotineiros ¨®culos escuros de lente redonda do bolso e os colocou. A luz azulada da interface hologr¨¢fica refletia nas paredes do local, criando sombras dan?antes que aumentavam a beleza sinistra do que estava ao seu redor. ¡ª Abrir cole??o ¡ª sussurrou a exilada, fazendo uma extensa lista surgir em sua vis?o. ¡ª Mostre-me minha biblioteca. Como se ouvindo as ordens de um l¨ªder severo, a tela mudou de imediato, mostrando livros detalhados sobre diversos assuntos, desde medicina avan?ada at¨¦ filosofia antiga, todos transbordando de um conhecimento em um n¨ªvel n?o visto em escritos normais. A tinta n?o estava desgastada, e muitas das passagens estavam incompletas ou retratavam acontecimentos recentes, deixando claro que era um livro de anota??es que ainda estava sendo utilizado. ¡ª Compare-o com os demais ¡ª ordenou, sua voz ecoando no lugar vazio. Um scanner come?ou a analisar o livro em suas m?os, linhas de luz passando pelas p¨¢ginas lentamente. ¡°A compatibilidade ¨¦ de 100%¡±, disse uma voz suave, mas pouco natural, acompanhada por uma mensagem flutuante e pelo som agudo do scanner terminando seu servi?o. ¡ª Achei mais um¡­ Quem ¨¦ voc¨º, Ana? ¡ª murmurou, a curiosidade misturada com um inesperado respeito. Ela relembrou os momentos fugazes de sua luta, tanto a atual quanto o curto per¨ªodo enfrentando a sombra em Kurt, o estilo ¨²nico de combate e o intrigante olhar que Ana demonstrara passaram pela sua mente. Havia algo mais nela, algo que Natalya n?o compreendia completamente. A Colecionadora afastou a lembran?a momentaneamente, voltando sua aten??o novamente para o livro em suas m?os. Ela poderia sentir o peso do conhecimento apenas o segurando, e a identidade da autora misteriosa de grande parte dos escritos que coletou ao longo dos ¨²ltimos anos come?ou a se formar. ¡ª Espero que sobreviva ¡ª disse ela, um sorriso renovado se formando em seus l¨¢bios. ¡ª Voc¨º vai fazer parte da minha cole??o. Um ¨²ltimo olhar foi direcionado ao abismo enquanto guardava o precioso livro na bolsa, sentindo a excita??o de adicionar mais um tesouro inestim¨¢vel ¨¤ sua cole??o. A caverna voltou ao sil¨ºncio, um cen¨¢rio calmo que abrigava mem¨®rias de um campo de batalha marcado pela luta e pela coragem desesperada de pequenos brinquedos dos c¨¦us.
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Capítulo 45 - Doce Morte
¡ª Outra inconsistente ¡ª murmurou uma voz distorcida, como se estivesse fora de sintonia com a realidade, reverberando no vazio. Sua apar¨ºncia et¨¦rea era como uma imagem fora de foco, com tra?os que pareciam flutuar e mudar constantemente. ¡ª Sim, n?o deveria existir ¡ª respondeu a segunda figura, cujos olhos brilhavam como estrelas de forma impessoal, como se estivesse observando um experimento que n?o dera certo. As duas figuras observavam a queda da estranha garota milenar em um plano distinto, suas formas mal definidas como sombras na noite que iam al¨¦m do entendimento moral. ¡ª ¨¦ uma vida de dar pena¡­ ¡ª Vida, voc¨º diz? ¡ª riu o segundo ¡ª Deixamos passar muitas vari¨¢veis imprevistas¡­ Sinto que ¡®Ela¡¯ n?o vai ficar feliz. Enquanto discutiam, o cen¨¢rio ao redor deles come?ou a mudar de maneira surreal. S¨ªmbolos brilhavam nas sombras, pulsando com uma energia que parecia viva. Estranhas telas flutuavam ao redor, mostrando imagens distorcidas e n¨²meros incompreens¨ªveis que piscavam rapidamente. O ambiente parecia desmoronar e se reconstruir em um ciclo intermin¨¢vel, como um pesadelo v¨ªvido demais para ser real. O contraste entre os elementos flutuante e a escurid?o ao redor criava uma sensa??o de desconforto profundo, como se estivessem em um limbo entre a realidade e algo al¨¦m. ¡ª O que faremos com ela? ¡ª Nada, por enquanto. N?o podemos interferir. N?o com o porteiro t?o vigilante. ¡ª Entendo. Ent?o, vamos apenas observar. Se tivermos sorte, tudo se resolver¨¢ quando ela chegar ao fundo ¡ª disse a primeira figura, assentindo relutantemente. Com a decis?o tomada, as figuras desapareceram, suas formas se dissipando no ar como n¨¦voa.
Ana sentiu o vazio tomar conta de si enquanto ca¨ªa no abismo. O vento frio cortava sua pele, e a escurid?o a envolvia como um manto sufocante. O som de seu pr¨®prio cora??o batendo parecia retumbar em seus ouvidos. Por um momento, tudo parecia suspenso, como se a pr¨®pria exist¨ºncia desaparecesse. Ela n?o sabia se estava viva ou morta, se ainda estava caindo ou se j¨¢ havia atingido o fundo. A sensa??o de infinito a consumia, e cada segundo parecia uma eternidade cheia de questionamentos silenciosos. N?o se sabia quanto tempo havia passado. Sua mente vagava entre a consci¨ºncia e a inconsci¨ºncia, captando fragmentos de conversas e sons que n?o conseguia decifrar, como ecos em um sonho distante. Sentia-se como um ser perdido, arremessado ao vazio sem qualquer controle sobre seu destino. Finalmente, seu corpo atingiu a ¨¢gua gelada com um impacto devastador, rompendo a superf¨ªcie tranquila. A dor explodiu em seu ser, um golpe t?o brutal que quase a fez desmaiar novamente. A ¨¢gua fria parecia cortar sua pele como laminas afiadas, e o choque t¨¦rmico a deixou momentaneamente paralisada. A correnteza, no entanto, era gentil, como se quisesse compensar o impacto violento, empurrando-a suavemente at¨¦ a margem do rio subterraneo. ¡°Ent?o ¨¦ aqui que aquele rio ia parar¡­¡±, pensou Ana, desnorteada. A curta espada negra estava ca¨ªda a poucos metros, a ¨²nica companheira que testemunhou sua sobreviv¨ºncia. "Sempre ao meu lado, mesmo quando tudo desmorona", refletiu ela, com um sorriso de amargura silenciosa. Com um esfor?o monumental, Ana tentou se mover, mas a dor que explodiu em seu corpo foi t?o intensa que a fez soltar um grito primal, ecoando pelo espa?oso local. Era um som que n?o ouvia h¨¢ anos, um som de puro sofrimento. Sentiu cada osso quebrado protestar, cada m¨²sculo rasgado gritar por al¨ªvio. Era como se seu corpo estivesse sendo rasgado de dentro para fora, uma agonia t?o profunda que mal podia pensar. Seus pulm?es queimavam a cada respira??o, e o gosto met¨¢lico do sangue preenchia sua boca. O peso da coroa de prata no bolso de sua camisa era um lembrete cruel de que estava viva, mas cada pulsa??o de dor que irradiava de seus ferimentos fazia-a desejar o contr¨¢rio. Ela podia sentir o metal pressionando contra sua pele, uma sensa??o desconfort¨¢vel que se misturava ao ardor de seus cortes e hematomas. ¡°Ossos despeda?ados, ¨®rg?os fodidos¡­ ter sobrevivido a queda n?o significou muita coisa. Aquela filha da puta me matou¡±, pensou, fechando seus olhos e come?ando a sentir peda?o a peda?o de si mesma. Praticamente nada estava bem, e quanto mais retomava seus sentidos, mais o ar que fluia por seu corpo parecia uma tortura.If you find this story on Amazon, be aware that it has been stolen. Please report the infringement. Foi selvagem, brutal, irracional. Ana p?de notar com clareza que a explica??o de Natalya era apenas bravata. N?o se tratava realmente de esconder o que quer que fosse que havia sido coletado ou simplesmente pegar a porcaria de espada; se fosse isso, poderia ter sido feito de forma mais sutil, talvez matando-os de surpresa durante a viagem, evitando riscos desnecess¨¢rios. N?o, a Colecionadora lutou por prazer, ela gostou do que fez. N?o como se gostasse de matar indiscriminadamente, afinal, n?o demonstrou muita rea??o ao atacar os outros, mas havia um brilho insano em seus olhos, uma satisfa??o perversa em cada golpe direcionado a Ana. "Ela gostou de me ver sofrer," pensou a mercen¨¢ria, sentindo uma sutil pitada de ¨®dio. "Talvez nem ela mesma soubesse o estado em que estava, mas seu sorriso... aquele sorriso... mostrava que eu era uma presa, ela me atacou por instinto." O ar estava ¨²mido, carregado com um cheiro de musgo e pedras molhadas. A ¨¢gua fria cobria metade de seu corpo, trazendo um al¨ªvio ef¨ºmero e cruel, e o som do rio fluindo era constante, um murm¨²rio suave que quebrava o sil¨ºncio absoluto, mas de alguma forma parecia zombar de sua mis¨¦ria. Seu rosto, imobilizado e voltado para a direita, permitia-lhe ver apenas alguns metros ¨¤ frente, apesar de sua vis?o estar acima de padr?es humanos. ¡°Isso n?o parece natural¡±, pensou Ana, tentando focar em algo que n?o fosse a agonia cont¨ªnua da dor. Pequenos detalhes chamaram sua aten??o, como as forma??es rochosas perfeitamente sim¨¦tricas e alinhadas, como se esculpidas por uma m?o meticulosa e inumana, criando um padr?o inquietante. Apesar de sugerir algo estranho sobre aquele local, logo o interesse nas pedras foi perdido. Sem poder se mover, Ana deixou sua mente vagar pelas mem¨®rias e reflex?es. A escurid?o parecia observ¨¢-la, como se o pr¨®prio abismo estivesse esperando sua rendi??o. "Tudo isso para acabar assim. Sozinha, no escuro", seus pensamentos estavam em um espiral de resigna??o, mem¨®rias das batalhas e sacrif¨ªcios surgiam em sua mente, v¨ªvidas e dolorosas. Todo o seu esfor?o em cultivar um grupo de elite, todas as conversas idiotas, toda a anima??o juvenil de seus companheiros, tudo havia acabado. A Ironia Divina n?o existia mais, ent?o aos poucos a mercen¨¢ria for?ou-se a deixar as mem¨®rias de lado, parou de pensar nesse fato. ¡°Caf Cof cof¡± Tosses intensas acompanhadas por sangue fizeram seu corpo tremer, como se um martelo esmagasse a parte interna de seu peito. Neste momento, a tenta??o de ceder ¨¤ do?ura da morte era esmagadora, a tenta??o de deixar a dor acabar. Mas havia algo dentro dela, uma centelha de vida que se recusava a ser extinguida. ¡ª Merda ¡ª murmurou a rainha ca¨ªda, sua voz um sussurro rouco, for?ada a sair mesmo que cada m¨ªnimo som rasgasse sua garganta. Seus olhos se fechavam lentamente. Ela podia sentir sua for?a esvaindo-se, seu corpo se tornando cada vez mais pesado. ¡ª ¨¦ assim que termina¡­ O mundo de escurid?o ao seu redor finalmente se desvaneceu. E ent?o, veio o nada.
¡°Ent?o estou novamente aqui¡±, pensou a garota, vendo o vasto vazio branco, um nada absoluto que se estendia infinitamente em todas as dire??es. O contraste era t?o grande que ela teve que piscar v¨¢rias vezes para ajustar sua vis?o. Ana se espregui?ou, sentindo o al¨ªvio de n?o ter seu corpo destru¨ªdo. Ela sabia que nada disso era real, mas n?o ligava para algo que n?o podia controlar. Sentindo-se desorientada, come?ou a olhar ao redor, at¨¦ que, sem surpresa nenhuma, viu uma figura familiar ¨¤ distancia. Dessa vez o anjo estava sentado em um trono imponente, acorrentado por milhares de correntes que se estendiam em todas as dire??es, como uma teia de aranha met¨¢lica. Suas asas estavam negras e sangue flu¨ªa de onde as correntes o perfuravam, como na ¨²ltima vez que ela a viu no mundo real. ¡ª Gabriel? ¡ª chamou ela, sua voz ecoando no vazio. O pequeno rosto levantou a cabe?a lentamente, mas logo abaixou novamente. Seus olhos vazios e sem reconhecimento pareciam presos em algum lugar diferente. ¡ª Quem ¨¦ voc¨º? ¡ª perguntou, a voz carregada de um cansa?o antigo. ¡ª O qu¨º? Sou eu, Ana. Ele balan?ou a cabe?a, confuso. ¡ª N?o tenho motivos para lembrar de ningu¨¦m¡­ Sempre fui apenas eu, e sempre ser¨¢¡­ todos desaparecem em um piscar de olhos. T?o r¨¢pido, t?o finito¡­ Antes que Ana pudesse responder, o anjo levantou os olhos, a encarando com uma express?o de serena indiferen?a. ¡ª O que faz aqui? ¡ª Eu? Suponho que esteja morta, apesar de que n?o imaginei que o fim seria mais um sonho estranho ¡ª respondeu a garota, franzindo a testa. ¡ª Voc¨º ainda respira. N?o h¨¢ nada que eu possa tomar de voc¨º. ¡ª Tem certeza? Gabriel acenou com a cabe?a, seguro. Com a resposta sutil, Ana suspirou, aliviada. Ela olhou para o curvado ser no trono mais uma vez, sentindo uma mistura de tristeza e resigna??o. ¡ª Ent?o vou indo. Adeus, Gabriel. Ela fechou os olhos, e a sensa??o de vazio ao seu redor come?ou a se dissipar. O mundo branco desapareceu. ¡ª Ent?o fui reduzido a um mero sonho febril de um humano com a linha quase se rompendo¡­ Voc¨º cresceu, Ana, mas ainda peca em tantos aspectos ¡ª vendo a partida repentina, murm¨²rios come?aram a sair do anjo. Sua voz era um sussurro, carregada de amarga sabedoria. ¡ª Lembre-se, jovem estranha, a morte sempre observa de perto. Seus olhos focaram novamente no vazio, cheios de uma tristeza infinita.
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Capítulo 46 - Divino Sabor
Os dias passavam como folhas caindo no outono, um de cada vez, vagarosamente. Um gotejar long¨ªnquo era sua ¨²nica distra??o em meio a pensamentos conturbados. O corpo quebrado permanecia inutiliz¨¢vel, estirado na beirada do lago. Ana sentia sua pele enrugando-se cada vez mais pelo tempo prolongado na corrente de ¨¢gua, mas tentou ignorar o desconforto, j¨¢ que era o menor de seus problemas. Sempre que se concentrava, podia sentir seus m¨²sculos se reconstruindo, mas temia que n?o fossem r¨¢pidos o suficiente; seus l¨¢bios rachados ressoavam com sua garganta seca, impedindo-a at¨¦ mesmo de, com esfor?o, soltar seus resmungos ocasionais. Suas bochechas, cada vez mais magras, gritavam silenciosamente que os nutrientes necess¨¢rios para a vida j¨¢ estavam esgotados. Em certo momento, come?ou a evitar abrir os olhos, n?o havia raz?o para gastar energia encarando a escurid?o. O sono sem sonhos era cada vez mais extenso, e quando acidentalmente acordava, logo a garota voltava a extinguir qualquer pensamento, apenas querendo dormir mais uma vez. Ana j¨¢ sentiu dores antes, n?o foram poucas as vezes em que se machucou ou ficou doente durante o Grande Vazio. Ela sabia da dor e loucura que uma febre inesperada de um pa¨ªs da ¨¢sia podia trazer, ou as feridas sinistras de ser picada por animais pe?onhentos ao dormir em densas florestas tropicais. Sua carne j¨¢ ardeu, seus pulm?es j¨¢ tossiram sangue negro por falta de conhecimento, e sua pele j¨¢ ficou com grandes bolhas cheias de pus, mas o sofrimento de morrer aos poucos de fome era algo que nunca precisou sentir. Cada respira??o era um esfor?o consciente, cada batida do cora??o um lembrete de sua fraqueza. A sensa??o constante de vazio em seu est?mago era um tormento que n?o a deixava em paz. Ana sabia que estava chegando ao limite, que seu corpo n?o aguentaria muito mais. Mas a mente, mesmo em sua fragilidade, ainda era resistente. ¡°Eu sei, tamb¨¦m queria saber magia, mas fa?a como eu, n?o pense muito nisso¡­¡±, aos poucos, come?ou a ouvir coisas, vozes indistintas que sussurravam nos cantos. Eram reais ou apenas frutos de sua mente faminta e delirante? N?o conseguia dizer, mas n?o se importava. Elas n?o eram frequentes e n?o incomodavam, ent?o apenas as respondia. Uma noite ¨C ou seria dia? ¨C enquanto se encontrava entre a consci¨ºncia e a inconsci¨ºncia, sentiu um estranho peso sobre seu rosto. Depois de muito tempo em inani??o, abriu os olhos com dificuldade, mas logo se arregalaram de forma s¨²bita. O que viu era similar a um rato, mas seu tamanho equiparava-se a um cachorro e sua forma mais grotesca e perturbadora do que um roedor comum. Seus olhos amarelados brilhavam na penumbra, e seus dentes afiados estavam a cent¨ªmetros de seu rosto. Sentia as patas pequenas e frias da criatura sobre sua pele, se arrastando sobre ela, lentamente. "¨¦ assim que vou morrer?", pensou, seu cora??o batendo descompassado. O panico inicial logo foi substitu¨ªdo por uma resigna??o fria ao sentir a criatura passar por sua face e come?ar a mordiscar seu bra?o. Inicialmente, foram mordidas fracas, acompanhadas por um sutil farejar de suas narinas rosadas, como se analisando o estranho ser que, apesar de vivo, n?o resistia, mas logo seus dentes pontiagudos come?aram a arrancar pequenos peda?os de carne. A dor era intensa, mas havia algo ainda mais perturbador na sensa??o de ser devorada viva. Ana observou a cena por um instante, ainda mais paralisada pela dor e pelo inesperado horror. A criatura parecia implac¨¢vel, sua fome insaci¨¢vel. "Meu destino ¨¦ virar comida para essa coisa?", a ideia perturbadora a revoltou. This tale has been unlawfully lifted without the author''s consent. Report any appearances on Amazon. O peso tornava dif¨ªcil respirar, e o corpo do roedor fedia a restos de carne podre. ¡ª Eu n?o vo¡­ vou¡­ ser devorada, desgra?ado¡­ ¡ª ela n?o podia aceitar esse fim, n?o assim. ¡ª ha¡­ ha¡­ hahahaha¡­ hahahahahaha¡­ hahaHAHAHA¡­ Com uma for?a que ela n?o sabia que ainda possu¨ªa, Ana come?ou a gargalhar. Por muito tempo ela sonhou com sua morte. Desde seus primeiros anos sozinha, quando pensou em se jogar do penhasco, antes mesmo de Gabriel aparecer pela primeira vez, at¨¦ seus ¨²ltimos anos, onde sentia que o mundo j¨¢ n?o era o suficiente. ¡°Uma morte simples e elegante¡­ ou uma morte dolorosa, para experimentar as muitas dores que n?o pude experimentar ainda¡­ uma escolha t?o dif¨ªcil. Mas, devorada?¡±, seus pensamentos se perdiam em si mesmos, mas os risos roucos continuavam a sair. O monstro sobre seu corpo grunhiu, incomodado por estar sendo atrapalhado em sua refei??o, mas n?o parou de comer. ¡°N?o fode comigo! Eu sou quem vai devorar essa merda de mundo!¡± Com um impulso final de adrenalina, abocanhou a parte de baixo do rosto distorcido que a consumia. Seus dentes perfuraram a pele do bicho, e o gosto ran?oso e met¨¢lico do sangue invadiu sua boca. A criatura se debatia ferozmente, tentando se libertar, mas Ana n?o soltou. A luta foi uma agonia prolongada. Cada movimento da criatura enviava ondas de agonia por seu corpo j¨¢ debilitado. A criatura, que comia em seu pr¨®prio tempo, come?ou a rasgar sua carne violentamente, mas seus pr¨®prios dentes tamb¨¦m se enterravam cada vez mais fundo no corpo do rato grotesco. O suor escorria por seu rosto, misturando-se com l¨¢grimas de dor e frustra??o. Sentia-se ¨¤ beira da loucura, mas algo dentro dela se recusava a ceder. Isso era vontade. Vontade de explorar, vontade de conhecer tudo. Vontade de n?o apenas sobreviver, mas de viver tudo o que o novo mundo podia oferecer. Finalmente, com gritos que quase pareciam humanos, a criatura come?ou a perder for?as. Seu corpo tremeu violentamente, e ent?o simplesmente cedeu. Ana sentiu a vida deixando o pequeno corpo, e cada gota do l¨ªquido vermelho flu¨ªa como o suco da vida. O momento foi quase divino. O sangue quente da criatura era um contraste com a frieza da ¨¢gua e a escurid?o ao seu redor. O l¨ªquido viscoso cobria sua l¨ªngua com um amargor intenso e repugnante, mas naquele instante, era o n¨¦ctar da sobreviv¨ºncia. Sentiu cada gota deslizar por sua garganta, aquecendo seu interior como um fogo renovador. Ana deixou a criatura cair de sua boca aos poucos, o corpo inerte despencando, meio no ch?o ao seu lado, meio sobre seu pr¨®prio rosto. Ela assimilou com prazer indescrit¨ªvel o gosto que preenchia seus l¨¢bios. ¡°N?o ¨¦ o suficiente¡± Ana come?ou a devorar o corpo j¨¢ sem alma. Cada mordida trazia uma nova onda de energia crua e primitiva, como se algo estivesse se infundindo em seu ser, despertando uma for?a h¨¢ muito adormecida. Ela rasgava a carne com os dentes, com os restos escorrendo pelo queixo. O sabor e a textura repulsiva n?o a dissuadiram; ao contr¨¢rio, alimentaram seu instinto de sobreviv¨ºncia. A sensa??o era paradoxalmente purificadora e brutal, uma fus?o de vida e morte que lhe dava um vislumbre de esperan?a. Com cada peda?o que engolia, sentia a exist¨ºncia retornar ao mundo, a clareza preencher sua mente. A respira??o aos poucos tornou-se mais f¨¢cil, o peito subindo e descendo de forma mais regular. Por um breve e precioso momento, sentiu-se conectada ¨¤ ess¨ºncia da vida, a uma vontade que se recusava a ser extinguida. O choro de alegria se misturava com a dor de seus movimentos for?ados para se alimentar, e a criatura, que antes a devorava, agora se tornava sua fonte de renova??o. "Ainda n?o acabou", pensou, sorrindo fracamente enquanto sentia a for?a retornar lentamente a seu corpo.
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Capítulo 47 - Lúgubre Renascimento
O ser grotesco agora apodrecia sobre ela, sua carne tornando-se cada vez mais p¨²trida. Ana se alimentava lentamente, for?ando-se a engolir pequenas por??es da criatura em decomposi??o. O gosto era repulsivo, e o cheiro cada vez mais insuport¨¢vel, mas ela sabia que essa era sua ¨²nica chance de sobreviv¨ºncia. Seu est?mago, atrofiado pela fome prolongada, mal aceitava a comida. Ondas de n¨¢usea a sacudiam, o corpo protestando a cada mordida. Mas Ana persistiu, ignorando os espasmos de dor e os impulsos de vomitar. Sabia que precisava consumir a carne, independentemente do sofrimento. Cada peda?o engolido era uma luta contra o pr¨®prio corpo, mas tamb¨¦m uma demonstra??o de sua determina??o de viver. ¡ª Como pude deixar chegar a isso? ¡ª perguntou repetidamente. A culpa pela fraqueza a consumia enquanto sua voz ecoava no abismo. Suas palavras sa¨ªam primeiro como murm¨²rios, mas logo gritos roucos se fundiam com o ambiente. O fortalecimento de seu corpo acompanhava a chegada do limiar final entre a sanidade e a loucura, uma t¨ºnue linha que amea?ava sumir com a mais leve brisa. As vozes em sua mente se tornavam mais insistentes, mais acusat¨®rias. ¡ª Voc¨º ¨¦ uma fracassada, uma tola. Olhe para voc¨º. ¡ª Foda-se! ¡ª Ana discutia com o nada como se fossem entidades reais, respondendo a acusa??es imagin¨¢rias com f¨²ria e desespero. ¡ª Eu ainda estou viva, desgra?ados! Ainda estou aqui! A escurid?o ao seu redor parecia se fechar mais, e invis¨ªveis formas distorcidas e grotescas dan?avam na periferia de sua vis?o. Ana sentia a press?o crescente na cabe?a, uma dor latejante que amea?ava estourar seu cranio. Mas, mesmo assim, ela continuava a gritar, a lutar contra os fantasmas que sua mente faminta e delirante conjurava. ¡ª Voc¨º deixou todos morrerem, voc¨º ¨¦ uma in¨²til. ¡ª Cala a boca! Cala a boca! ¡ª ela berrava, o som de sua pr¨®pria voz quase ensurdecendo em seus ouvidos. ¡ª Eles morreram, eu sobrevivi, a vida funciona assim! A insanidade crescia, a linha entre a realidade e a ilus?o se desvanecendo cada vez mais. Ana via rostos familiares nas sombras, pessoas que tinha perdido, pessoas que odiava. Eles sussurravam, zombavam, riam dela, e explos?es de raiva cada vez mais intensas vinham em resposta. Tudo isso mudou como m¨¢gica quando, aos poucos, come?ou a sentir novamente seus membros. Agora havia algo no que focar, e todos os demais pensamentos eram abandonados em tempo real. Primeiro, um formigamento nas pontas dos dedos, depois, uma leve dor nos bra?os e nas pernas. A agonia de cada movimento n?o sumiu, mas o retorno gradual da sensibilidade era um sinal de que seu corpo estava, de alguma forma, come?ando a se recuperar. Com um esfor?o monumental, conseguiu sentar no ch?o de pedra Seus m¨²sculos tremiam com o esfor?o, a dor era excruciante, mas ela se for?ou a manter a postura. Sua rotina prosseguiu assim, sentando-se, o que acabava com a energia de seus bra?os, e em seguida improvisando um alongamento, esticando os m¨²sculos em forma??o. Quando sentiu mais confian?a de que n?o se afogaria, Ana lan?ou-se em dire??o ao rio. A ¨¢gua entrando em seus l¨¢bios parecia eliminar lentamente a podrid?o, mas ela se for?ou a se afastar, o atraente l¨ªquido n?o faria bem em seu estado atual se tomado em excesso. No d¨¦cimo dia ap¨®s se sentar pela primeira vez, a mercen¨¢ria se levantou. Seus passos pareciam com os de crian?as, cambaleantes, inst¨¢veis e meio desalinhados, mas pareciam a maior das conquistas ap¨®s tantos dias presa ao ch?o. ¡ª Preciso de um banho¡­ Recobrando a consci¨ºncia de si mesma, olhou para suas pr¨®prias roupas, trapos imundos que mal a cobriam. Ela as removeu aos poucos, descolando parte por parte da pele assada pela umidade que estava abaixo. Era diferente de antes, mas ela quase ousava dizer que a pele sens¨ªvel era ainda mais inc?moda do que a dor lacerante. O corpo esbelto e sem cicatrizes, apesar das muitas feridas que obtivera recentemente, adentrou nas limpas ¨¢guas. Foi revigorante, era como estar viva de novo. Sentia a sujeira, o sangue seco e o fedor dos ¨²ltimos dias se dissiparem na ¨¢gua, sendo lavados de seu ser. A corrente fria a envolvia, trazendo uma sensa??o de pureza e renova??o que h¨¢ muito n?o sentia. Ana permaneceu ali por um tempo, deixando a ¨¢gua fazer seu trabalho. Seus pensamentos eram um turbilh?o, mas pela primeira vez em dias, uma calma real a alcan?ou, diferente dos descansos for?ados que estava se obrigando a ter. Ao emergir, sentiu-se mais limpa, fisicamente e mentalmente. A dor n?o passava de algo bobo quando comparada ao momento ap¨®s a queda, ent?o ela decidiu estar bem o suficiente para seguir.Love this story? Find the genuine version on the author''s preferred platform and support their work! A garota caminhou nua por um tempo, mas o vento logo causou arrepios em sua pele molhada, for?ando-a a improvisar vestimentas com as poucas partes ainda utiliz¨¢veis do tecido. Seus m¨²sculos tremiam menos do que antes, e com um agarr?o r¨¢pido, pegou a espada negra que repousava serenamente durante seu sofrimento. Em sua outra m?o a coroa repousava. Ela havia refletido muito se era ¨²til lev¨¢-la ou n?o, mas por fim decidiu que n?o tinha motivos v¨¢lidos para abandonar a pe?a. Seu olhar vagou ao redor, tentando decidir para onde ir. Cada dire??o parecia igual, uma vastid?o negra sem fim. Ent?o, com um suspiro, ela girou no lugar, fechando os olhos e escolhendo um caminho ao acaso. ¡ª N?o importa para onde, desde que eu me mova ¡ª resmungou para si mesma, e com passos vacilantes, come?ou a caminhar. Um ¨²ltimo olhar foi lan?ado para a po?a de sangue seco onde repousava em frangalhos. ¡ª Eu venci, ch?o filho da puta. N?o vou morrer aqui. E assim, seguiu sem rumo, com o tempo perdendo seu significado na escurid?o infinita.
Horas se passaram, quando de repente Ana sentiu um movimento ao seu redor. No in¨ªcio, pensou que as vozes tivessem voltado. A sensa??o de algo espreitando, observando-a, tornou-se cada vez mais intensa. Tentou ignorar, mas o sentimento persistente de que algo estava pr¨®ximo a deixou alerta, mesmo na escurid?o total. ¡ª Estou ficando louca de novo... ¡ª murmurou para si mesma, enquanto dava passos cada vez mais r¨¢pidos. O movimento se intensificou, e com isso Ana parou, tentando sentir de onde o mal pressentimento vinha. Seus ouvidos captaram o som de patas silenciosas movendo-se na escurid?o, mas nada era visto. ¡ª ¨¦ s¨® minha imagina??o ¡ª cantarolou, tentando se convencer, mas seu aperto mais forte na espada escancarou sua crescente preocupa??o. Ent?o, antes que pudesse reagir, a criatura atacou. Seu salto se assemelhava a um borr?o, e a mercen¨¢ria apenas teve tempo de cair de costas no ch?o para for?ar um desvio. Com um pouso suave, a pequena silhueta felina parecia surpresa por n?o ter acertado, mas logo voltou a se afastar, saindo da curta ¨¢rea que podia enxergar. Ana mal teve tempo de erguer a espada para se defender quando o mesmo animal surgiu de uma dire??o totalmente diferente, avan?ando com um impulso em dire??o a seu rosto. ¡ª N?o ¨¦ particularmente forte¡­ ¡ª o impacto fez seus dedos, ainda fracos, doerem, mas a arma permaneceu firme, fazendo-a apenas dar um leve passo para ajustar o equil¨ªbrio. Sem poder v¨º-la adequadamente, Ana errava todos os contra-ataques, e a luta se tornava cada vez mais fren¨¦tica. Ela se debatia, tentando prever de onde o vulto viria em seguida, mas mesmo com seus aprimorados sentidos n?o conseguia detectar o felino, ela n?o estava acostumada a depender apenas deles. ¡ª Maldi??o! ¡ª gritou, ofegante, enquanto sentia as finas garras rasgarem sua pele. A dor era intensa, mas a adrenalina a manteve em movimento. ¡ª Vamos Ana, n?o ¨¦ nada comparado a tudo que voc¨º j¨¢ enfrentou. Foco! Em um gesto bobo em meio ao desespero, ela deu um forte peteleco em sua testa. Sua mente nublada clareou-se um pouco, e com um suspiro profundo ela parou seus movimentos apressados. Pequenos detalhes que sua falta de aten??o a impediu de notar come?aram a surgir; sempre que a criatura se aproximava, Ana sentia o ar se deslocar e um sussurro baixo surgia em seus ouvidos. O cheiro de pelo molhado tamb¨¦m flu¨ªa por suas narinas, e uma dire??o aproximada de onde o pr¨®ximo ataque viria chegou a seu corpo por reflexo. ¡ª Te peguei! ¡ª ao inv¨¦s da espada, seu p¨¦ esquerdo voou para frente em um forte chute, enquanto seu corpo se inclinava para tr¨¢s. Quando pensou que havia se equivocado, seus dedos finalmente entraram em contato com o ser, ainda em meio a seu salto. Um estalo abafado foi ouvido, pequenos ossos de ambos os lados se partiram, e Ana despencou pressionando o p¨¦ com a testa franzida. ¡ª Mas que porra¡­ v?o ficar ainda mais tortos ¡ª suas m?os tocaram os pequenos dedos quebrados, mas logo ela se levantou, utilizando a espada como apoio. ¡ª Voc¨º tamb¨¦m n?o teve sorte. Esses estalos foram de algumas costelas, n¨¦? ¡ª perguntou, sorrindo ao ouvir a respira??o pesada que vinha da escurid?o. Com um grito de f¨²ria, ela come?ou a correr atr¨¢s do som, balan?ando a espada. A perseguida tornou-se a perseguidora, em uma c?mica cena que durou por longos minutos. O felino mancava, mas corria de forma desesperada do ser b¨ªpede louco que estava atr¨¢s dele. Vendo que n?o iria longe, ele girou bruscamente para tr¨¢s, se lan?ando em uma ¨²ltima tentativa desesperada de abater sua ex presa. Como se j¨¢ esperasse, Ana dobrou o bra?o com um movimento preciso, cravando a espada na cintura da criatura. Um grito estridente soou pelos arredores antes dele cair, morto, ao lado dela. Acompanhando-o, a garota caiu de joelhos, ofegante e coberta de sangue, tanto seu quanto de seu inimigo. Gghhnnnrrr Ana n?o hesitou. Como um animal, ela come?ou a devorar a criatura ali mesmo. Rasgava a carne com os dentes, faminta por algo fresco, o cheiro do sangue novo ati?ando seus sentidos mais ¨ªntimos. O gosto era mais amargo do que a ¨²ltima criatura grotesca, mas infinitamente melhor do que a carne em decomposi??o que vinha consumindo nos ¨²ltimos dias. Ela mastigava e engolia com avidez, at¨¦ sentir-se plenamente cheia. Quando terminou, levantou-se devagar, mas revigorada. Lambendo os l¨¢bios para limpar o sangue que havia sobrado, ela come?ou a analisar os restos do monstro. Se parecia muito com uma vers?o um pouco menor de um tigre, mas seu pelo misturava um belo cinza com um profundo pelo negro. Suas garras eram longas, mas pareciam fr¨¢geis. Era uma criatura elegante, at¨¦ mesmo bonita, mas havia uma coisa que chamava a aten??o. ¡ª N?o tem olhos ¡ª falando sozinha, Ana girou o rosto da criatura com a ponta da espada. Seu olhar encarou pensativamente o cranio sem vida, pouco maior que uma cabe?a humana. As cavidades estavam l¨¢, mas n?o existiam globos oculares, uma bizarrice da evolu??o. Em um movimento repentino, sua m?o dividiu o duro osso ao meio com um limpo corte. Ana pegou a parte de cima da cabe?a decepada do felino, e com movimentos r¨¢pidos e precisos da espada curta, removeu toda a pele restante. Ela o levantou na altura dos olhos, girou-o de um lado para o outro, e com um balan?ar leve de ombros, colocou-o sobre sua cabe?a. ¡ª N?o posso confiar nessa vis?o in¨²til. Assim ao menos evito de abri-los por reflexo ¡ª murmurou, sentindo a textura ¨¢spera dos ossos contra sua pele. O mundo j¨¢ escuro agora desapareceu por completo. Com os olhos cobertos, Ana come?ou a sentir o mundo ao seu redor de uma maneira diferente. Os sons tornaram-se mais n¨ªtidos, cada gotejamento de ¨¢gua e cada sussurro do vento uma pista. O ar tinha uma textura, uma densidade que ela podia quase tocar. Sentia o cheiro da pedra ¨²mida, do musgo crescendo nas paredes, do sangue seco em suas m?os. Um sorriso confiante e sinistro parecia brilhar logo abaixo do estranho cranio sem olhos. Os detalhes ocultos do mundo revelavam-se a seus outros sentidos, e, agora, um sutil caminho podia ser visto nesse mundo sombrio.
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Capítulo 48 - Insana Voracidade
O som de pequenas criaturas rastejando nas sombras, o leve murm¨²rio de um riacho distante, o bater de asas de algo voando nas proximidades. O abismo n?o era silencioso como parecia; era um eco de vida oculta, uma sinfonia macabra que ressoava nas profundezas. Nuances que antes passavam despercebidas come?aram a ser notadas por Ana. Os r¨ªtmicos gotejamentos que ecoavam, misturados com o estalar ocasional de pedras deslocando-se, talvez devido a algum pequeno animal ou simplesmente pela umidade que lentamente desgastava as paredes da caverna. ¡ª Esse lugar est¨¢ mais vivo do que eu pensava ¡ª murmurou para si mesma, sentindo uma estranha conex?o com o ambiente. A escurid?o que antes a oprimia agora parecia familiar, quase acolhedora. Com o tempo, come?ou a notar padr?es no mundo escuro, podendo sentir o vento nas correntes de ar que passavam por sua pele e a mudan?a de temperatura quando novas criaturas se aproximavam. Seres diferentes tinham ritmos diferentes, e seu corpo respondia instintivamente ao sentir predadores, ajustando a dire??o de sua caminhada para evitar confrontos desnecess¨¢rios. O som de passos pesados ¨¤s vezes ecoava nas proximidades, como se seres gigantes passassem ao seu lado, ignorando sua presen?a. Esses momentos a faziam prender a respira??o, cada fibra do seu ser esperando que as enormes figuras n?o a notassem. ¡ª Como podem ser t?o grandes e ainda n?o me ver? ¡ª questionava-se, sentindo a vibra??o do ch?o enquanto as criaturas passavam. Os dias se tornaram um borr?o. Ana caminhava sem rumo, guiada apenas pelas sutis sensa??es. Ocasionalmente, era for?ada a lutar novamente contra as criaturas felinas que pareciam dominar aquela regi?o. As batalhas eram ferozes, mas Ana se tornava cada vez mais h¨¢bil em enfrent¨¢-las. Seus movimentos eram precisos, suas rea??es r¨¢pidas. Aprendera a antecipar os ataques, perfurando os fracos felinos com um ¨²nico movimento da espada. Suas lutas, embora brutais, come?aram a tornar-se quase mon¨®tonas ao enfrentar tantas vezes o mesmo oponente. Ana continuou a se alimentar do que matava, devorando as criaturas que ca?ava para saciar sua fome. Cada refei??o era uma batalha contra o desgosto e a n¨¢usea, mas seu paladar aos poucos se acostumava conforme devorava dezenas de monstros. ¡ª Isso ¨¦ novo ¡ª sussurrou em uma das refei??es, com os l¨¢bios ainda ensanguentados, ao sentir algo dentro de si. Seu est?mago ardia com uma estranha sensa??o, deixando-a intrigada. Ela olhou para suas m?os, vendo o grande cora??o meio comido. Pela primeira vez em s¨¦culos, seu corpo pareceu se fortificar um pouco. N?o era uma for?a significativa, mas sentia-se mais energ¨¦tica, mais desperta. ¡ª Talvez¡­ sejam resqu¨ªcios de mana? ¡ª sup?s, vendo os vasos azuis ainda pendurados no ¨®rg?o. ¡ª Parece que terei que fazer mais algumas provas para confirmar. Haviam partes mais repugnantes do que outras nas criaturas mortas, a mercen¨¢ria costumava comer apenas a carne superficial do que matava, evitando o interior da criatura, a n?o ser que fosse realmente necess¨¢rio. Ela j¨¢ havia comido cora??es antes, mas dessa vez, por desejo de um sabor diferente, foi a primeira coisa que abocanhou quase no mesmo momento em que a criatura morreu. ¡ª Parece que as lendas antigas tem um fundo de verdade. Quem diria que costumes de tribos ind¨ªgenas n?o seriam s¨® fruto de uma loucura pouco civilizada? Dias se passavam assim, em uma rotina de ca?a e sobreviv¨ºncia. Sua teoria se comprovou com o tempo, com Ana come?ando a arrancar os cora??es assim que o combate acabava. Era uma energia que ela nunca havia sentido, seu corpo pulsava por alguns minutos, mas a baixa quantidade apenas permitia que ela removesse o cansa?o, ficando acordada por dias a fio. Com o tempo, ficou mais sens¨ªvel a isso, notando que n?o era apenas o cora??o, mas sim a pr¨®pria carne que continha resqu¨ªcios permanentes de mana. N?o eram t?o efetivos, pois n?o davam energia ou qualquer tipo de benef¨ªcio, mas ela sentia que estava l¨¢ sempre que mastigava. ¡ª Como algu¨¦m pode ser fraco com algo assim fluindo continuamente pelo corpo? Ironia divina, voc¨ºs eram um bando de incompeten¡­ ¡ª em meio a seu resmungo, um som diferente atingiu seus ouvidos. Era um pequeno farfalhar que ela n?o havia ouvido nenhuma vez nesse mundo rochoso ¡ª Galhos secos! If you stumble upon this narrative on Amazon, be aware that it has been stolen from Royal Road. Please report it. Animada, largou a carca?a que estava em suas m?os e disparou em dire??o ao ru¨ªdo. Ana sentiu uma alegria quase esquecida, um vislumbre de esperan?a no meio do abismo sombrio. Com cuidado, tocou os finos gravetos. Eles quebravam-se em seus dedos com um toque leve, pouco nutridos demais para sobreviver de forma adequada, mas ela os viu como um o¨¢sis em meio ao deserto. Cantarolando, Ana pegou o m¨¢ximo de gravetos que p?de e levou-os ao local em que estava comendo anteriormente. Seu sorriso se alargava cada vez mais conforme ela cortava uma perna da criatura em pequenas tiras, um cuidado que n?o foi necess¨¢rio desde que chegou aqui. Ela caminhou at¨¦ algumas grandes pedras enquanto saltitava, e com sua espada, raspou um pouco do esverdeado musgo que existia em abundancia. ¡ª ¨¦ perfeito! Podia ser s¨® um pouco mais salgado. Cortando a cabe?a da criatura, fez uma panela improvisada. Suas m?os massageavam os duros m¨²sculos em conjunto com o musgo, trazendo um cheiro forte de plantas que faziam c¨®cegas no nariz de Ana. ¡ª Viu? Eu aprendi bem! Ela preparou uma fogueira improvisada, arranjando os gravetos em uma pequena pilha e usando uma pedra afiada para acender uma fa¨ªsca. O fogo logo come?ou a crepitar, lan?ando sombras dan?antes que se estendiam por v¨¢rios metros. A garota se sentou ao lado do fogo, aquecendo as m?os, mas sem remover o capacete para observar as chamas. Com uma gargalhada feliz, come?ou a assar a carne do monstro sobre o fogo, usando sua pr¨®pria espada como uma grelha improvisada. A carne chiava e soltava um aroma tentador. Ana sentia-se como uma chefe de cozinha em um programa de culin¨¢ria, detalhando o processo em sua mente. ¡ª Deixe dourar bem de ambos os lados! ¡ª exclamou, virando as tiras com cuidado. ¡ª Ah, o cheiro est¨¢ incr¨ªvel. Muito melhor do que carne crua, com certeza. Enquanto a carne dourava, Ana usou o tempo para recolher mais musgo e mistur¨¢-lo com um pouco de sangue, criando uma pasta que espalhou sobre a carne para adicionar sabor. ¡ª Nunca pensei que estaria cozinhando em um lugar como este ¡ª disse, lembrando-se das refei??es que preparava em tempos mais tranquilos. Vendo que j¨¢ estava adequadamente selada, ela improvisou um espetinho, usando galhos finos e firmes que encontrara, espetando neles os peda?os de carne temperada. Ao girar o espeto lentamente sobre a fogueira, ela se certificava de que cada lado recebia o calor de maneira uniforme. ¡ª Gabriel, voc¨º acreditaria nisso? ¡ª perguntou, com uma voz baixa e nost¨¢lgica. ¡ª Um banquete no meio do abismo. Quase parece com aquela vez na floresta, lembra? Ana estava atenta a cada detalhe, escutando o crepitar da gordura que escorria na chama e inalando o cheiro que despertava uma fome ainda maior. Ela sabia que a textura certa faria toda a diferen?a, ent?o pressionava levemente a carne com os dedos para verificar a maciez, mesmo que ardesse um pouco pela alta temperatura. ¡ª Estava chovendo tanto, uma verdadeira tempestade! ¡ª Ela sorriu, dando mais voltas no espeto improvisado. ¡ª Voc¨º sempre dizia que se eu queria ficar viva precisava estar preparada para qualquer coisa enquanto eu me alimentava daquelas plantas estranhas. Acho que isso inclui cozinhar carne de um gato bizarro, n?o ¨¦ mesmo? ¡ª riu, embora seu riso fosse um pouco for?ado. Um longo suspiro saiu de seus l¨¢bios, e com um espregui?ar r¨¢pido, voltou a focar na prepara??o. ¡ª Sei que voc¨º n?o come, mas fico feliz que esteja aqui comigo. Quando a carne estava finalmente pronta, Ana pegou um peda?o cuidadosamente e o mordeu de forma ansiosa. O sabor era suculento e satisfat¨®rio. N?o se comparava a carne bovina, mas era uma del¨ªcia comparada ao que vinha comendo. No entanto, conforme saboreava, sua express?o foi escurecendo aos poucos. Algo estava errado. Curiosa, pegou um peda?o cru que havia sobrado e provou. ¡ª Ent?o ¨¦ isso¡­ ¡ª murmurou, pensativa ao sentir a energia suave em sua l¨ªngua. ¡ª As propriedades se perdem quando a carne ¨¦ preparada. Ela refletiu sobre o fato, compreendendo porque nunca havia lido sobre carne imbu¨ªda em mana nos livros ou f¨®runs sobre o novo mudo. Quem seria louco de comer carne de monstro crua? A ideia a irritou. ¡ª Merda de mana ¡ª resmungou, resignada, enquanto jogava a carne grelhada para longe de forma brusca e pegava mais um peda?o cru. ¡ª Se ¨¦ isso que me mant¨¦m alerta o suficiente para ficar viva, que seja...
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Capítulo 49 - Novos Horizontes
Quatro meses se passaram nas profundezas do abismo. Com o tempo, Ana deixou de pensar seriamente nas coisas, passando a viver no autom¨¢tico, como um dos monstros contra os quais lutava. Seus passos eram guiados mais pelo instinto de sobreviv¨ºncia do que por qualquer decis?o consciente. Cada dia era uma repeti??o do anterior: ca?ar, lutar, comer. Conforme ela seguia seu caminho, os monstros se tornavam cada vez mais frequentes e a fauna do abismo parecia estar se diversificando. Pequenas ¨¢rvores murchas surgiam ocasionalmente, criando vultos distorcidos que adicionavam uma camada extra de tens?o ao ambiente j¨¢ hostil. A vegeta??o parecia deformada, como se desejasse ser t?o aterrorizante quanto a escurid?o que a cercava. O sono tornou-se um luxo devido aos ataques frequentes. Estava praticamente dormindo de p¨¦ enquanto caminhava, vivendo ¨¤ base de mana para se manter desperta. A exaust?o era um constante companheiro, mas a necessidade de sobreviver a mantinha em movimento. Ela evitou seguir os rios, pois sabia que mais criaturas permaneciam perto da ¨¢gua. J¨¢ fazia dias que n?o via um, e suas roupas estavam encharcadas de sangue seco. O cheiro met¨¢lico era constante, impregnado em sua pele e cabelos. A cada respira??o, o aroma acre misturado com o suor a lembrava de sua condi??o prec¨¢ria. Nunca ficou parada, exceto nas raras ocasi?es em que estava gravemente machucada e se escondia para se recuperar. Mas mesmo nesses momentos, n?o tinha muito tempo para descansar, pois os ataques eram t?o repentinos que muitas vezes o intervalo entre eles era de poucos minutos. Em meio a essa rotina brutal, Ana come?ou a pensar que estava chegando a algum lugar. A quantidade crescente de monstros e a mudan?a lenta, mas constante, das plantas eram sinais de que ela estava se aproximando de algo. Acreditava que esse era o caminho certo, que havia uma sa¨ªda ou um objetivo em algum lugar ¨¤ frente. ¡ª Se estou indo na dire??o certa, por que parece que estou apenas me afundando mais? ¡ª reclamou ela, enquanto fendia a espada em mais uma criatura que a atacava. Em certo momento sua alta recupera??o deixou de acompanhar a destrui??o repetida de sua pele, e seu corpo ficou coberto de cicatrizes novas. A dor constante era algo com que ela havia aprendido a conviver, um lembrete de que ainda estava viva, de que ainda lutava. As pequenas ¨¢rvores murchas ficaram mais densas, e a vegeta??o se tornava mais presente, criando uma sensa??o de que estava saindo das profundezas mais sombrias do abismo e entrando em uma nova ¨¢rea. No entanto, o desconhecido trazia uma sensa??o de perigo ao notar os felinos de sempre, os quais carinhosamente apelidou de ¡°petiscos¡±, sendo substitu¨ªdos por outros monstros; Lobos de pelo vermelho corriam ao longe, estranhos seres semelhantes a macacos a observavam passar das ¨¢rvores e morcegos de mais de um metro se recolhiam ao v¨º-la se aproximar. Para sua sorte, a grande maioria apenas rosnou antes de se afastar. Ana sup?s que fedia a morte, n?o havendo motivos para buscarem comida podre com tanta diversidade, mas n?o pensou muito no assunto. Ainda assim, a constante vigilancia a deixava exausta, seus sentidos sempre em alerta m¨¢ximo. ¡°Se mate¡­¡±, a voz suave sussurrou palavras distorcidas e insidiosas. ¡ª Cala a boca. ¡°Se mate¡­¡± ¡ª Mas que porra! O olhar irritado de Ana pousou na lamina em sua m?o. Seus n¨®s dos dedos ficaram brancos pela tens?o conforme ela apertava o cabo da espada.. ¡ª As coisas j¨¢ est?o dif¨ªceis o suficiente com voc¨º aumentando, ent?o s¨® cale a merda da boca! ¡ª seu rosnado reverberou pelo local, e como se atendendo a seu pedido, o sil¨ºncio voltou a reinar. A espada que ela carregava, sua fiel companheira nas batalhas, mudava dia ap¨®s dia. As marcas aumentavam incessantemente, e com isso, seu tamanho e peso tamb¨¦m cresciam, obrigando Ana a se adaptar a cada luta. Ao chegar no primeiro milhar de marcas de morte, a lamina escura j¨¢ alcan?ava os noventa e cinco cent¨ªmetros, sendo diferente do que quando chegou aqui. Sua elegancia inicial estava sumindo, tornando-se uma arma mais bruta, mas ainda era extremamente bela. Apesar do peso aumentar, ainda era o ideal para ser manuseada com apenas uma m?o, e os milhares de riscos davam um ar misterioso para a arma, como se contassem hist¨®rias das batalhas pelas quais passou. Acompanhando a suposta evolu??o, sussurros come?aram a surgir na mente da mercen¨¢ria. Inicialmente ela pensou que eram as vozes de sempre, mas o sussurro n?o respondia como seus companheiros das sombras, ent?o descartou a ideia. Depois, notou que a pr¨®pria espada parecia transmitir uma sensa??o diferente quando os ouvia, ent?o pensou que todas as conversas que teve at¨¦ agora n?o eram sua imagina??o, mas sim com a arma. No entanto, a voz apenas repetia um perturbador ¡°se mate¡± incessantemente ao inv¨¦s das complexas conversas rotineiras, fazendo Ana tamb¨¦m deixar essa possibilidade de lado. ¡ª Mas que porcaria de presente, hein, Gabriel. Para sua sorte, havia uma certa aleatoriedade nos momentos em que a faca ¡°acordava¡±, ent?o boa parte do dia ela n?o ouvia o pedido de suic¨ªdio, mas ainda era irritante. No final de mais um dia infernal, enquanto descansava, ouviu um som diferente. Um ru¨ªdo distante, mas constante, como se algo grande estivesse se movendo. Sentiu um arrepio na espinha, mas n?o de medo. Era uma sensa??o de reconhecimento. ¡ª O raspar do solo ¨¦ diferente¡­ esse n?o ¨¦ som de rocha ou terra ¡ª sussurrou, levantando-se lentamente. ¡ª Parece concreto. Com passos r¨¢pidos, seguiu o ru¨ªdo, os sentidos agu?ados a guiando pela escurid?o. Cada passo era calculado, cada movimento medido. Sentia o cora??o bater mais r¨¢pido, a adrenalina correndo por suas veias. Finalmente, chegou a uma abertura em uma grande rocha. Do outro lado, o som estava mais claro, mais definido. Parecia um eco de algo pesado, algo poderoso. ¡ª Isso ¨¦ uma constru??o humana! ¡ª exclamou a mercen¨¢ria, levantando um pouco a aba do casco ao notar um leve brilho. A abertura tinha grandes pilares entalhados na pedra, ati?ando sua curiosidade, a fazendo-a caminhar rapidamente em dire??o ao local.Unauthorized usage: this tale is on Amazon without the author''s consent. Report any sightings. Dentro da fenda havia um vasto sal?o, iluminado por uma luz fraca que parecia emanar das paredes. Ao fundo uma grande porta se erguia imponentemente, com ricos adornos dourados e grandes espinhos negros, e no centro uma criatura colossal se movia lentamente, seus passos reverberando pelo ch?o de pedra. Era uma vis?o aterradora, uma fus?o de carne e pedra. Seu tamanho atingia os tr¨ºs metros de altura e suas patas, grossas e poderosas, pareciam talhadas em granito, terminando em garras afiadas que raspavam o ch?o com cada movimento. Seu corpo era uma massa de m¨²sculos cobertos por uma pele rugosa e esverdeada com um padr?o semelhante a escamas. Cinco cabe?as serpenteantes brotavam de locais aleat¨®rios de suas costas, movendo-se independentemente, cada uma com olhos brilhantes que refletiam uma luz sinistra. Uma crista ¨®ssea cobria seu dorso, refor?ando a impress?o de uma bizarra mistura do vivo com o inanimado. Sem aviso, uma das cabe?as serpentinas disparou em sua dire??o, a boca escancarada revelando presas afiadas. Ana tentou desviar, mas a pele dura da criatura ainda esbarrou em seu bra?o direito, deixando um avermelhado e dolorido arranh?o. O vento do movimento brusco fez seus cabelos voarem, mas com um movimento ¨¢gil, ela girou a espada, cortando a cabe?a da serpente. Sangue negro jorrou, espalhando-se pelo ch?o e por suas j¨¢ manchadas roupas. A criatura rugiu, com as outras cabe?as movendo-se freneticamente. ¡ª Tudo sempre ¨¦ t?o hostil ¡ª falou a rainha, retirando o cranio de sua cabe?a com um movimento r¨¢pido. ¡ª ¨¦ como se fosse feito para destacar a criatura no meio do abismo. Algu¨¦m prendeu ela aqui de prop¨®sito. Depois de meses sem ver nada, seus olhos arderam ferozmente ao serem expostos ¨¤ luz sutil. Ana piscou repetidamente, sentindo uma dor lancinante que a deixou momentaneamente cega. A sensa??o era de agulhas perfurando seus olhos, e quando finalmente come?ou a distinguir formas, percebeu duas bocas vindo em sua dire??o. O design estranho das cabe?as era fino, feito para que o ar fosse cortado sem resist¨ºncia, criando um ataque silencioso e fluido, impedindo que Ana tivesse uma rea??o r¨¢pida sem usar a vis?o.. Esquivando-se dos ataques, a garota avan?ou desferindo golpes precisos. A espada cortava atrav¨¦s da carne e da pedra, mas o impacto causava dores intensas em seus bra?os. Uma das patas gigantes da criatura desceu em um golpe devastador. Ana rolou para o lado, escapando por pouco. ¡ª N?o passa de outro monstro burro. ¨¦ decepcionante. Levantando-se com um suspiro resignado, a mercen¨¢ria disparou novamente em dire??o ¨¤ criatura, mirando a base das cabe?as. Com um salto, ela cravou a espada em uma das jun??es, cortando tend?es e ossos, fazendo a cabe?a cair ao ch?o com um baque surdo. A criatura rugiu e se debateu em agonia. Em seus saltos descontrolados, uma das patas traseiras varreu o ar, acertando Ana e jogando-a contra a parede. ¡°E eu sou ainda mais burra¡±, pensou, com a dor atravessando seu corpo. Sua vis?o estava turva, mas se for?ou a levantar, avan?ando novamente com passos firmes. O padr?o de ataque do monstro n?o mudou, as duas cabe?as restantes voltaram a atacar de forma sincronizada, uma de cada lado. Ana piscou algumas vezes, recuperando o foco, e repetiu seu salto para as costas do monstro ao desviar por um triz das r¨¢pidas mordidas. Em um movimento levemente desequilibrado, cravou a espada diretamente no pesco?o sangrento da cabe?a que acabou de cortar. A criatura estremeceu e se debateu ainda mais violentamente que antes, tentando derrub¨¢-la, mas Ana segurou-se com firmeza. Com a outra m?o, come?ou a socar a crista ¨®ssea que ficava no topo, criando finas rachaduras que iam lentamente se estendendo, at¨¦ que por fim se rompeu, expondo ¨®rg?os amontoados que se moviam ritmicamente. ¡°Mate-o¡­¡±, nesse instante o sussurro insidioso da lamina negra voltou de forma repentina, mas havia mudado, deixando Ana agradavelmente surpresa. ¡ª Ah, com isso posso concordar, maldita espada ¡ª disse lentamente, pegando com a m?o livre o cora??o da besta e puxando-o para sua habitual mordida. Enquanto a garota se perdia em seu pr¨®prio mundo ao sentir a energia revitalizando seu corpo, a criatura parou de se mover, despencando inerte para o lado. Ana caiu junto com o colosso, ofegante e coberta de sangue da cabe?a aos p¨¦s. Cada m¨²sculo do¨ªa, mas a sensa??o de vit¨®ria era inebriante. O sal?o caiu no sil¨ºncio, a luz fraca ainda dan?ando nas paredes. ¡ª Agora n?o tem mais conserto ¡ª murmurou para si mesma, arrancando as roupas penduradas em seu corpo, j¨¢ imundas e rasgadas em diversos pontos. Em seguida seus olhos foram para a espada, tamb¨¦m coberta do espesso l¨ªquido negro, e sentiu uma raiva sem motivo, a deixando cair no ch?o sem muito cuidado. Seu corpo nu perdia aos poucos o aquecimento gerado pela batalha, e com isso a fria camara trouxe um leve arrepio. Com passos relaxados, Ana se aproximou da grande porta, sentindo cada detalhe sob seus dedos enquanto refletia sobre o pr¨®ximo passo. ¡ª Parece pesada¡­ Suas palavras acompanharam suas m?os, que encaixavam-se entre os grandes espinhos. Seus p¨¦s se ajustaram no ch?o com um firme deslize e seus m¨²sculos tencionaram-se por completo, fazendo seu corpo magro parecer crescer bruscamente de tamanho. Por um instante, pareceu que o tempo parou, com a pequena garota empurrando a im¨®vel porta, mas de repente uma nuvem de poeira se espalhou pelo local, com a maci?a constru??o come?ando a se mover. As juntas met¨¢licas rangeram, ecoando pelo sal?o enquanto se abriam lentamente. Ana apertou os dentes, seus m¨²sculos queimando pelo esfor?o, mas ela persistiu at¨¦ que a abertura fosse suficiente para que passasse. Do outro lado, a luz aumentava gradualmente, revelando um corredor vasto e vazio. Pegando de volta a espada e o cranio que j¨¢ se acostumara a usar, ela seguiu o caminho, seus passos no piso ¡°moderno¡± criando um som ritmado que a acalmava. Ao fim da passagem, encontrou um pequeno e estranho arco, mas onde a porta devia estar, uma espessa fuma?a negra circulava. ¡ª ¨¦ bizarro¡­ como a fuma?a n?o se espalha? ¡ª disse a mercen¨¢ria, tocando com a espada para tentar entender o que era o estranho fen?meno. Vendo que nada ocorreu, encostou a ponta do dedo, o qual tamb¨¦m atravessou sem problemas. Com um suspiro, ela decidiu entrar de uma vez. Enquanto atravessava a neblina, por um breve momento, o mundo ao seu redor pareceu hesitar, como se tudo se estagnasse. Havia uma pausa estranha, um lapso de transi??o que quase fez Ana perder o equil¨ªbrio, mas logo a sensa??o passou, e a nova vis?o se abriu diante dela. Ela estava na lateral de uma montanha, como se todo esse tempo estivesse dentro de um espa?o confinado. A vis?o era surpreendente. ¨¤ sua frente, uma vasta plan¨ªcie se estendia at¨¦ onde seus olhos podiam ver. Apesar de ainda estar no subterraneo, o ambiente era diferente do abismo que conhecia, ainda escuro, mas como se estivesse sobre a fria luz do luar. No horizonte, pequenos pontos luminosos brilhavam, indicando a poss¨ªvel exist¨ºncia de uma grande cidade. ¡ª Ent?o h¨¢ um abismo al¨¦m do abismo... ¡ª murmurou, sentindo uma mistura de descren?a e curiosidade. Observando mais atentamente, viu uma estrada sinuosa que descia pela montanha, levando at¨¦ a plan¨ªcie. Ao longe, um grupo de caravanas se movia lentamente pela estrada. Era dif¨ªcil distinguir detalhes, mas Ana podia ver as formas vagas de carruagens e figuras se movendo ao redor. Seu cora??o bateu mais r¨¢pido ao pensar na possibilidade de encontrar outros seres humanos ou criaturas inteligentes. ¡ª Talvez eles saibam onde estou... ou como sair daqui ¡ª pensou em voz alta, j¨¢ decidida. ¡ª Parece que n?o vou mais precisar de voc¨º, meu amigo. O macabro capacete felino que a acompanhou foi posto em frente ¨¤ porta com carinho, um marco de sua sobreviv¨ºncia e uma despedida da escurid?o absoluta. Com uma ¨²ltima olhada para a cidade distante, Ana come?ou a descer a montanha.
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Capítulo 50 - Ominoso Destino
¡ª Covardes! Malditos filhos da puta! ¡ª bradou a garota, sua voz ecoando no ar pesado. Seu rosto estava contorcido de raiva e frustra??o, enquanto suas palavras sa¨ªam como veneno. N?o aguentando mais, um dos homens, alto e musculoso, avan?ou com os punhos cerrados e a inten??o clara em seus olhos. ¡ª N?o danifique a mercadoria ¡ª ordenou friamente outro, levantando a m?o para interromp¨º-lo. Ele estava sentado com um cigarro na boca, seus cabelos loiros escorrendo por seus ombro. Seu tom autorit¨¢rio contrastava com a postura relaxada no banco da carro?a. Relutantemente, o homem parou antes de dar o soco ao ouvir as palavras de seu chefe, mas em resposta cuspiu em Ana, um gesto de desprezo que a fez ranger os dentes. A mem¨®ria de como tudo aconteceu ainda estava fresca na mente da garota. Ao se aproximar da caravana que viu ao longe, foi cercada por homens montados em estranhos cavalos azulados, em suas m?os armas de fogo que brilhavam com a luz das tochas presas nas carro?as. A luta acabou antes mesmo de come?ar. N?o havia o que fazer, a garota nua simplesmente largou a espada e levantou as m?os, sendo rapidamente subjugada e jogada junto com outras escravas. A sensa??o de impot¨ºncia a corro¨ªa por dentro. O ambiente ao seu redor era repugnante. O cheiro de suor, sangue seco e desespero pairava no ar dentro de cada uma das v¨¢rias gaiolas, todas cobertas por lonas pretas. As outras mulheres estavam em estados variados de sofrimento, algumas chorando silenciosamente, outras murmurando palavras de consolo ou rezas desesperadas, e algumas apenas com olhares vazios em dire??o ao nada. O ch?o de madeira era duro e sujo, coberto de detritos e manchas escuras cujo odor indicava tempos de neglig¨ºncia. Uma jovem ao lado de Ana, com olhos inchados de tanto chorar, virou-se para ela ao ver os in¨²meros xingamentos. ¡ª Se voc¨º n?o ficar quieta ele vai descontar em todas n¨®s quando ningu¨¦m estiver vendo¡­ ¡ª murmurou, a voz tr¨ºmula e sem convic??o. Ana apenas deu um aceno e fechou os olhos, tentando bloquear o ambiente degradante e encontrar algum resqu¨ªcio de for?a interior. Mas a raiva, a impot¨ºncia e o nojo eram avassaladores. Os momentos que se seguiram foram lentos e pesados. Os escravistas passavam de vez em quando, rindo entre si, ocasionalmente puxando alguma das mulheres para fora da jaula. O som das botas pesadas ecoando no ch?o de pedra era um constante lembrete do cativeiro. Ana estava cada vez mais consciente do peso das correntes em seus tornozelos e pulsos, um peso que ia al¨¦m do f¨ªsico. ¡ª Mais uma palavra e voc¨º vai se arrepender ¡ª sussurrou um dos guardas quando Ana estava prestes a come?ar a xingar novamente. Ela encarou o homem com olhos furiosos, mas manteve o sil¨ºncio, considerando o aviso da inocente garota de antes. Sabia que eles estavam apenas esperando uma desculpa para machuc¨¢-las. A mercen¨¢ria respirou fundo e se for?ou a olhar ao redor, tentando avaliar a situa??o. As mulheres ao seu lado eram jovens e velhas, magras e robustas, todas com marcas de sofrimento em seus rostos. Algumas horas depois, a caravana parou. Os homens come?aram a descarregar algumas mercadorias em uma pequena cabana, e Ana observou com crescente inquieta??o. A noite estava caindo, mas n?o havia estrelas no c¨¦u subterraneo, apenas a fria escurid?o. Uma brisa leve a fez se encolher, n?o haviam dado roupas a ela depois de a encontrarem, e todo o ferro ao seu redor tornava o ambiente congelante. Um dos homens que estavam descarregando se aproximou da jaula e abriu a porta, um sorriso cruel podia ser visto em seu rosto. ¡ª Vamos, todas voc¨ºs, saiam. Vamos nos divertir um pouco antes de continuar. As mulheres hesitaram, mas n?o havia escolha. Uma a uma, sa¨ªram da jaula, os olhares baixos e os corpos tremendo de medo. Ana foi uma das ¨²ltimas a sair, e o homem a empurrou com for?a, fazendo-a quase cair. ¡ª V¨¢, mercadoria. Mostre algum respeito. Ana resistiu ao impulso de se jogar contra ele ali mesmo, tentando manter a compostura enquanto era levada junto com as outras para uma ¨¢rea aberta. Os mercadores montaram um acampamento improvisado, com algumas fogueiras iluminando a escurid?o. Eles jogaram as mulheres no ch?o e come?aram a jantar, lan?ando os restos conforme terminavam para as escravas se alimentarem. Ana pegou um osso com alguns restos de carne e o olhou por um instante. Para os outros, a comida era miser¨¢vel, mas para Ana, era um banquete. Fazia tanto tempo que n?o comia algo decente que at¨¦ os restos lhe pareciam um manjar. Ela sorriu enquanto mastigava, ignorando os olhares curiosos e desconfiados ao seu redor. ¡ª H¨¢ quanto tempo n?o como algo t?o macio? ¡ª murmurou para si mesma, quase rindo da ironia.This tale has been pilfered from Royal Road. If found on Amazon, kindly file a report. Logo bebeu a ¨¢gua suja que lhe deram, sentindo a garganta arder. O l¨ªder da caravana observava a cena com interesse. Seu olhar era frio, mas ao mesmo tempo pareciam sorrir de forma desconfort¨¢vel. Um toque de crueldade se escondia em sua express?o, contrastando com sua postura relaxada e aparentemente gentil. Ele sabia que a garota ¨¤ sua frente n?o era normal, o ambiente que a encontraram n?o era um no qual um simples civil conseguiria sobreviver, mas desde que ela resultasse em lucro, ele n?o ligava pras suas origem, estava feliz. ¡ª Entenda, esse mundo ¨¦ fodido. N?o me culpe por seu azar ¡ª disse o homem loiro, a voz carregada de ironia e indiferen?a. Ana o encarou por um momento, seu olhar penetrante transmitindo toda a sua raiva e desprezo. Mas n?o respondeu, apenas continuou a comer. O homem deu uma leve risada com o gesto da garota, se afastando em seguida do local com um balan?ar de ombros. ¡ª Quanto voc¨º acha que vamos conseguir por essa carga? ¡ª O chefe disse que os compradores est?o ansiosos. Mulheres jovens sempre t¨ºm um bom pre?o. ¡ª E as outras? ¡ª Elas podem trabalhar nas minas. Sempre h¨¢ demanda por trabalho barato. Os fragmentos de conversas chegavam aos seus ouvidos, previs?es de um futuro que poderia ser pior que a morte. Sabia que precisava encontrar uma maneira de escapar, mas a vigilancia era apertada e as chances de sucesso, m¨ªnimas. Depois de comer, algumas das mulheres foram empurradas de volta para a jaula, enquanto outras eram puxadas com olhares desesperados para as tendas de alguns dos homens. ¡ª N?o toquem nas que parecem virgens, elas valem mais intactas ¡ª murmurou um deles, puxando a mulher ao lado de Ana. A garota observava a cena com um crescente nojo. Sua raiva era palp¨¢vel, e isso a tornava uma figura amea?adora, o suficiente para que ningu¨¦m se aproximasse dela. Ao menos por enquanto. A noite se arrastou lentamente, com os gemidos e sussurros das outras prisioneiras preenchendo o l¨²gubre sil¨ºncio. Ela n?o conseguiu dormir. Sua mente estava em constante alerta, procurando por qualquer oportunidade, qualquer fraqueza que pudesse explorar. No entanto, os homens estavam preparados. Enquanto alguns continuavam com brutais abusos, guardas armados revezavam a patrulha do per¨ªmetro do acampamento, ela sabia que tentar escapar agora seria suic¨ªdio. Precisava de um plano, de um momento de distra??o, algo que pudesse virar a situa??o a seu favor ¡°Entenda, esse mundo ¨¦ fodido. N?o me culpe¡­¡±, as palavras de antes ecoaram em sua mente, alimentando sua raiva e determina??o. ¡°Parece que mesmo sem Aur¨®rea, existe um lado do mundo que eu n?o experimentei em meus mil anos. A sombra da humanidade.¡± ¡ª Eu vou sair daqui, n?o importa o que aconte?a ¡ª ela olhou para a escurid?o, fazendo uma promessa silenciosa a si mesma com baixas palavras.
Os dias se transformaram em semanas. As escravas foram diminuindo conforme a caravana avan?ava, algumas sendo vendidas em estranhos estabelecimentos isolados, algumas sendo deixadas como trabalhadoras a serem exploradas na coleta dos mais diversos recursos e algumas sumindo misteriosamente ap¨®s as noites de suposta divers?o do grupo. ¨¤s vezes, durante as refei??es, Ana ouvia novos fragmentos de conversas, entendendo aos poucos sobre a sociedade macabra em que se encontrava. Al¨¦m de Ana, que nenhum comprador se interessou ap¨®s encontrar o furioso olhar, e duas mulheres mais maduras, apenas as mais belas garotas sobraram na gaiola. As por??es de comida foram aumentadas nos ¨²ltimos dias, e os abusos deixaram de ocorrer, como se estivessem preparando as pe?as para exibi??o. ¡ª Esse lugar ¨¦ uma maldi??o. Nunca vi uma terra t?o est¨¦ril de mana ¡ª disse um dos homens, na casa dos vinte e poucos anos, com a voz carregada de frustra??o. ¡ª Calma, rapaz, amanh? devemos chegar ¨¤ cidade. L¨¢, pelo menos, podemos nos fortalecer antes de qualquer outra viagem ¡ª respondeu outro, bem mais velho, assentindo com a cabe?a e um leve tapa nas costas de seu companheiro. Nesta noite, enquanto mastigava um peda?o meio comido de um estranho vegetal, prestava especial aten??o ¨¤s vozes que a rodeavam. A informa??o sobre a escassez de mana chamou sua aten??o a princ¨ªpio, mas n?o viu muita utilidade em saber disso ap¨®s refletir um pouco sobre o assunto. Analisando os arredores, ela viu um vag?o que geralmente ficava ao fundo, e para sua surpresa sua espada estava jogada entre outras tralhas amontoadas. Pelas palavras de antes, as oportunidades de fugir estavam acabando. N?o conseguia pensar o que aconteceria se fosse vendida, mas sabia que n?o era o que desejava, ent?o centenas de planos come?aram a se formar em sua mente. ¡°E se eu disparar em dire??o a ela agora?¡± ¡°E se eu saltar em um dos cavalos?¡± ¡°E se eu fizer as principais escravas de ref¨¦m?¡± Infelizmente, nenhum de seus planos se concretizaria, pois uma bota marrom como terra molhada voou em dire??o ao seu rosto neste instante. Uma aura amarelada parecia rodear o borr?o, e a velocidade absurda somada a a??o totalmente inesperada a pegaram desprevenida. ¡°Forte! Extremamente forte!¡±, seu corpo se jogou para tr¨¢s por reflexo em uma tentativa de sair do caminho, mas o chute ainda atingiu seu queixo de forma precisa, fazendo got¨ªculas de um vivo l¨ªquido vermelho se espalhar pelo ar. ¡°Talvez o n¨ªvel de um rank B? N?o havia a menor possibilidade de fugir desde o come?o¡­¡± ¡ª Eu j¨¢ vendi escravas o suficiente para saber o que esse olhar significa ¡ª disse o l¨ªder da caravana, limpando as gotas de sangue que respingaram em seu sapato. ¡ª N?o pense em nada est¨²pido, garota. ¡ª Mas que droga, Cesar, digo, chefe ¡ª uma voz amedrontada, mas repreensiva, foi ouvida ao fundo. ¡ª N?o podia s¨® jogar ela na gaiola? Vamos vend¨º-la amanh?¡­ ¡°Cesar. Eu vou me lembrar desse nome¡­¡±, pensou a garota, caindo para tr¨¢s enquanto perdia a consci¨ºncia.
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Capítulo 51 - Perene Abismo
Chegaram ¨¤ estranha cidade ao final da tarde. A primeira coisa que Ana notou foi a vastid?o do lugar. Era um gigantesco buraco no ch?o, rodeado por arquibancadas improvisadas, uma arena colossal que dominava a paisagem. Ao redor do buraco, poucas constru??es permanentes podiam ser vistas, mas o cen¨¢rio era dominado por milhares de cabanas de visitantes e vendedores ambulantes, que se espalhavam como um mar de pessoas. Os guardas os receberam com desd¨¦m, olhando para o grupo de escravistas com um misto de desprezo e indiferen?a, mas os mercadores pareciam mais relaxados aqui, sabendo que estavam em terreno conhecido. ¡ª Estamos aqui para vender nossas mercadorias na arena ¡ª disse Cesar, com uma voz firme. ¡ª Mais um grupo de traficantes, hein? ¡ª respondeu um dos guardas, um homem corpulento com uma cicatriz no rosto, cuspindo no ch?o. ¡ª N?o estamos precisando de mais problemas aqui. ¡ª Estamos apenas fazendo neg¨®cios. Temos escravas de boa qualidade, e sabemos que a arena sempre precisa de novas... atra??es. ¡ª Atra??es, ¨¦? ¡ª o homem riu, um som ¨¢spero e sem humor. Ele olhou para as mulheres acorrentadas, incluindo Ana. ¡ª Espero que valham a pena. ¡ª Nossas mercadorias s?o as melhores. Garanto que n?o haver¨¢ problemas. Apenas deixe-nos passar. O guarda ponderou por um momento, ent?o estendeu a m?o com uma express?o impass¨ªvel. ¡ª Verme ganancioso ¡ª resmungou Cesar, passando um pequeno saco de moedas firmemente amarrado que estava em seu bolso. Com uma r¨¢pida an¨¢lise no conte¨²do, o guarda acenou satisfeito e deu um passo para o lado, indicando para que passassem. A cidade era um local vivo, mas de uma forma sinistra e opressiva. Havia tendas de mercadores vendendo de tudo, desde alimentos at¨¦ armas e po??es. O mercado era uma cacofonia de sons e cheiros, e os vendedores gritavam incessantemente as ofertas, mostrando mercadorias ex¨®ticas que Ana nunca tinha visto antes. Esqueletos de criaturas monstruosas pendiam em algumas barracas, enquanto outras exibiam peles, chifres e garras. As pessoas passavam apressadas, carregando sacos de moedas e puxando carro?as cheias de produtos. Outros traficantes de escravos exibiam suas "mercadorias" em grades de ferro com orgulho, anunciando as habilidades ¨²nicas de cada cativo. Ana observou em sil¨ºncio as mulheres e crian?as, magras e exaustas, que olhavam para os transeuntes com olhos vazios, a esperan?a h¨¢ muito desaparecida. Monstros em gaiolas eram levados de um lado pro outro. Algumas das criaturas eram grotescas, com m¨²ltiplos olhos e membros deformados. Outras pareciam quase humanas, mas havia algo nos seus olhares que indicava uma natureza bestial. Os guardas batiam nas grossas barras de ferro, ati?ando os monstros a rugirem e se debaterem para garantir que os espectadores vissem sua ferocidade. Um fato chamou a aten??o da mercen¨¢ria que se escorava em sua pr¨®pria pris?o, v¨¢rias pessoas usavam mana das formas mais variadas nas ruas, parecia que uma quantidade avassaladora de manipuladores existia por ali. Havia aqueles que manipulavam pequenas chamas para entreter os passantes ou preparar refei??es, enquanto outros faziam demonstra??es mais complexas, como levita??o de objetos pesados ou cria??o de ilus?es fantasmag¨®ricas. No entanto, apesar da abundancia de magia que n?o era vista na superf¨ªcie, Ana notou que todas as demonstra??es pareciam estranhamente fracas, como se a mana estivesse sendo restringida ou dilu¨ªda de alguma forma assim que era liberada. ¡°Ent?o era disso que os guardas estavam falando, faltam recursos nessa merda de lugar¡±. De repente, sua jaula parou de se mover com um forte tranco, a tirando de seus pensamentos. Cesar, o l¨ªder da caravana de escravistas, desceu de seu assento e come?ou a montar uma barraca pr¨®ximo ¨¤ entrada da cidade arena. Entre os diversos itens que exibia para venda, a espada de Ana repousava sobre a mesa, reluzindo sob a luz fraca. V¨¢rios viajantes inspecionavam as mercadorias, mas poucos demonstraram real interesse na lamina negra. ¡ª Boa arma, mas parece ser apenas a?o ¡ª disse um mercador, pegando a lamina e examinando-a de perto, com clara curiosidade. ¡ª ¨¦ uma boa pe?a, olhe para as marcas, j¨¢ passou por muitas batalhas! ¡ª respondeu animadamente Cesar, tentando esconder sua decep??o. Seu olhar passou rapidamente por Ana, voltando em seguida ao potencial cliente. ¡ª Se for para o senhor, fa?o por um pre?o justo. ¡ª Bem, ¨¦ uma boa arma decorativa ¡ª o mercador acenou com a cabe?a e entregou algumas moedas ao chefe escravista, que aceitou o pagamento sem discutir. N?o havia sentido em levar peso in¨²til, ele precisava se livrar de tudo o mais r¨¢pido poss¨ªvel para seguir para a pr¨®xima viagem. Em um canto, Ana observava a cena com a boca torcida, mas a carro?a em que estava logo foi levada para um canto escuro do mercado, onde um tipo diferente de p¨²blico se reunia. Ao longe, notou Cesar a encarando, dando um pequeno aceno zombeteiro de adeus. This story originates from a different website. Ensure the author gets the support they deserve by reading it there. Chegando ao local, os homens a empurraram para uma pequena cela de madeira junto das outras mulheres. O cheiro de suor e desespero era sufocante. Um tempo silencioso de uma estranha paz se passou, mas t?o r¨¢pido quando sa¨ªram, os escravistas voltaram, levando todas para um grande p¨¢tio cercado, onde um palco simples de madeira desgastada estava montado. Despidas, as mulheres foram colocadas ordenadamente, sendo expostas como mercadorias para qualquer transeunte que caminhasse pelo local. Os compradores a analisavam com olhares frios, como se fosse simples peda?os de carne. Algumas das mais bonitas foram rapidamente levadas, saindo amarradas com l¨¢grimas nos olhos ao imaginar o sombrio futuro. Nesse ambiente cada vez mais nojento, uma figura se destacou entre os clientes. Era uma mulher imponente, de quase dois metros de altura e m¨²sculos bem definidos que havia ficado parada por um tempo, apenas observando. Seus cabelos eram de uma cor castanho claro e presos em um firme coque, o qual seguia firme apesar dos pesados passos que se aproximavam da barraca. ¡ª A mercadoria de hoje parece fraca, Jorge. O que voc¨º tem de melhor pra me mostrar? ¡ª Bem, voc¨º quem ¨¦ exigente demais¡­ te conhecendo, essa aqui deve te agradar ¡ª disse um dos mercadores, baixo e com um grande barriga proeminente, puxando Ana para perto e erguendo seus bra?os para mostrar melhor seu corpo. ¡ª Forte, resistente e cheia de esp¨ªrito. ¨¦ meio arisca, mas s¨® precisa de um pouco de adestramento. Mordendo os l¨¢bios, Ana se segurou para n?o atingir os dentes do homem com seu cotovelo, mantendo o controle por pouco. Cada fibra de seu ser queria lutar, mas sabia que sem um plano tudo seria in¨²til. Sem dizer uma palavra, a mulher olhou fixamente para ela por um tempo, avaliando-a de cima a baixo com um olhar intenso. Com um movimento r¨¢pido, entregou uma bolsa de moedas ao escravista, que aceitou o pagamento com um sorriso satisfeito. ¡ª Vai servir, solte ela ¡ª sua voz era suave, mas saiu cheia de autoridade. ¡ª ¨¦ sempre bom fazer neg¨®cios com voc¨º! Jorge jogou a garota para frente de forma brusca, contando o dinheiro recebido enquanto entregava-a ¨¤ nova propriet¨¢ria, a qual pegou o pequeno corpo de Ana em pleno ar. ¡ª Suas m?os contam uma boa hist¨®ria ¡ª disse a mulher musculosa, sorrindo ao amarrar os pulsos de Ana com firmeza, sem perder tempo. ¡ª Calos de um guerreiro n?o mentem, esses dedos j¨¢ usaram muito uma espada. ¡ª E isso ¨¦ bom? ¡ª perguntou a rainha mercen¨¢ria, curiosa com a rea??o relativamente gentil de sua compradora. ¡ª Depende somente de voc¨º. Com a resposta amb¨ªgua, jogou a nova escrava sobre seu ombro e come?ou a se esgueirar pelas vielas agitadas ao seu redor, parando minutos depois em frente a um pequeno port?o de ferro. Apesar de estar apenas em uma entrada de servi?o, Ana suspirou com a vis?o que se desenrolava diante de seus olhos. Um anfiteatro de arquitetura g¨®tica detalhada seguia at¨¦ onde a vis?o podia ver. Imenso, amedrontador, imponente. Era uma constru??o inimagin¨¢vel. ¡°Parecia muito menor de longe, mas isso ¨¦ verdadeiramente incr¨ªvel!¡±, pensou, vendo como era o estranho ¡°buraco¡± de perto. ¡ª Ent?o eu estou indo para a arena? Ir¨¢ me colocar para lutar? ¡ª Lutar? N?o hahaha¡­ voc¨º ser¨¢ a atra??o no espet¨¢culo de abertura ¡ª disse a mulher, sua voz saiu em meio a uma sutil risada. ¡ª Lave-se, deve estar apresent¨¢vel para o p¨²blico. Com estas poucas ordens, Ana foi jogada em uma pequena cela de prepara??o, onde a escurid?o e o cheiro de sangue fresco a cercavam. Podia ouvir os rugidos distantes de criaturas e os gritos da multid?o ansiosa por entretenimento. Um pequeno balde com ¨¢gua e sab?o estava encostado na parede do fundo, e sentada no ch?o frio, a garota come?ou a se limpar, sentindo toda a sujeira das ¨²ltimas semanas saindo lentamente da sua pele.
Pouco mais de uma hora ap¨®s chegar, a porta da cela se abriu novamente, e sem mais explica??es, uma muda de leves roupas de linho foram jogadas em seu colo. Era um conjunto branco bem ventilado, o tecido era agrad¨¢vel ao toque e contrastava com o sujo lugar ao seu redor. ¡ª Vista-se r¨¢pido, todos est?o te esperando. ¡ª Eu vou voltar? ¡ª a voz de Ana estava serena, e seu olhar fixo nos olhos da mulher corpulenta. ¡ª Provavelmente n?o. As duas caminharam em sil¨ºncio em dire??o ¨¤ arena. Os p¨¦s descal?os de Ana, recentemente limpos, j¨¢ voltavam a se sujar com a terra seca. Ao chegar ao local, a luz brilhante a cegou momentaneamente, mas logo seus olhos se ajustaram ¨¤ vis?o da arena lotada. A multid?o rugia de excita??o, e se Ana n?o soubesse que era o prov¨¢vel palco de seu fim, se deixaria contagiar pela anima??o. ¡ª Pode ao menos me dizer o que vou enfrentar? ¡ª Voc¨º ser¨¢ o sacrif¨ªcio de Dellos, a fera da boa sorte. ¡ª Terei uma arma? ¡ª perguntou a mercen¨¢ria, apontando para seu corpo nada protegido como se para ressaltar sua j¨¢ baixa probabilidade de sobreviv¨ºncia. A mulher apenas balan?ou a cabe?a em nega??o, como se a resposta para tal pergunta fosse ¨®bvia. Tambores come?aram a rufar conforme o port?o se abria, e com um empurr?o leve, ela jogou Ana para dentro do local. Assim que ouviu o estrondo das barras de ferro se fechando ¨¤s suas costas, soube que n?o tinha mais volta. Seu olhar se centrou na jaula em meio ao enorme cen¨¢rio, a qual se abria lentamente. Uma criatura de tr¨ºs metros de altura saiu assim que um pequeno espa?o da grade se abriu. Seu pelo misturava simetricamente partes brancas com partes pretas, e seu aspecto dava a impress?o de que era meio desengon?ada. Apesar disso, as muitas cicatrizes ao longo de seu corpo denunciavam suas in¨²meras batalhas. Suas garras afiadas brilhavam sob a luz, e seus olhos, pequenos e inteligentes, observavam o ambiente com uma intensidade perigosa. As patas grossas terminavam em dedos curtos e robustos, projetados tanto para agarrar quanto para rasgar, e seu corpo musculoso se movia com uma agilidade surpreendente para seu tamanho. ¡°Mas isso ¨¦ a porra de um panda!¡±, pensou Ana, antes de fogos de artif¨ªcio brilharem no topo da arena. ¡ª ¨¦ com grande prazer que dou como aberta a temporada de gladiadores de Tenebris! ¡ª gritou o locutor, e a multid?o explodiu em aplausos e gritos. ¡ª Que o espet¨¢culo comece!
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Capítulo 52 - Melódica Brutalidade
Dellos avan?ava lentamente, como se aproveitando os gritos da multid?o que rugia de excita??o. O olhar de Ana acompanhava cada passo, fixo na criatura ¨¤ sua frente. "De p¨¦ na arena, mais uma vez", pensou, sentindo uma onda de familiaridade. Sem armas e com poucas op??es, a garota come?ou a circular, mantendo uma distancia segura enquanto estudava os movimentos do panda. Cada perna era erguida de forma cuidadosa e calculada, seus sentidos em alerta m¨¢ximo para contra-atacar qualquer a??o inesperada. Atendendo ¨¤s expectativas da mercen¨¢ria, Dellos lan?ou-se para frente sem aviso, as garras afiadas mirando em seu torso. Ela saltou para o lado, rolando na areia suja e se levantando em um movimento fluido. Seus olhos vasculharam a arena em busca de qualquer coisa que pudesse usar para atacar, mas n?o havia nada. ¡°Talvez eu esteja no lugar certo¡±, seu cora??o come?ou a bater mais r¨¢pido ao sentir a ansia por sangue da plat¨¦ia. Com um grito de desafio, Ana correu em dire??o ¨¤ fera, esquivando-se dos golpes desajeitados, mas poderosos, que a criatura desferia. Seus punhos encontraram o pelo grosso de Dellos repetidamente, mas era como socar uma parede de pedra coberta por uma camada de algod?o. Cada impacto nos duros m¨²sculos enviava ondas de dor por seus bra?os, mas n?o causava dano vis¨ªvel ao urso. ¡°Aqui ¨¦ onde me sinto viva. A adrenalina da luta, a dan?a da vida e da morte¡±, os arredores come?aram a sumir de sua vis?o. Apenas ela e seu inimigo existiam naquele mundo. Mudando de t¨¢tica, pegou um punhado de areia e jogou nos olhos da fera. Dellos recuou momentaneamente, balan?ando a cabe?a para afastar a irrita??o. Aproveitando a abertura, Ana deslizou pela lateral do grande corpo, desferindo uma s¨¦rie de socos r¨¢pidos no focinho da criatura. Ainda assim, o efeito continuou m¨ªnimo. ¡ª Droga... n?o vou conseguir nada assim ¡ª murmurou, ofegante. Dellos rugiu, suas garras varrendo o ar em um arco amplo enquanto permanecia sem enxergar. "Ainda assim, nesses momentos... ¨¦ como se tudo se encaixasse", o ch?o de terra batida que tocava sua pele trazia uma peculiar sensa??o de paz ¨¤ mercen¨¢ria. Era o lugar onde sempre se sentiu mais viva, mais livre. Lembrava-se de todas as lutas, de todos os momentos felizes de ¨ºxtase enquanto seu pr¨®prio sangue se misturava com o sangue de seus oponentes. ¡°Mesmo sabendo que posso morrer aqui... ¨¦ reconfortante.", o suor escorrendo pelo rosto enquanto girava com gra?a sobre os calcanhares, desviando de mais uma investida, trazia um sentimento de familiaridade. Cada golpe que desferiu, cada esquiva, era um lembrete de todas as lutas que enfrentou no novo mundo. A multid?o aplaudia de p¨¦ a bizarra troca de socos entre um gigante monstro e uma pequena humana. A resist¨ºncia de Ana baixava lentamente, e em um momento de descuido, a criatura acertou pela primeira vez um golpe, destro?ando parte da carne de seu bra?o esquerdo. A dor era excruciante, mas a brancura dos ossos que apareceram sob sua pele a trouxe uma clareza brutal, retirando-a de seus devaneios. ¡°Eu sou t?o burra... Meu corpo sempre foi um dos meus pequenos orgulhos, quando passei a depender tanto de ferramentas externas?¡± Em meio a pensamentos e resmungos, deu alguns saltos para tr¨¢s, se afastando de Dellos, o qual observou a a??o com um olhar quase zombeteiro. Ela olhou para as arquibancadas, notando a express?o feliz das milhares de pessoas, mas apenas o som de seu pr¨®prio cora??o chegava a seus ouvidos. Um sorriso determinado surgiu em seus l¨¢bios. Uma decis?o foi tomada ao colocar o bra?o ferido no ch?o de forma brusca, apoiando-se nele de uma maneira que qualquer outro consideraria suicida. Com um movimento preciso e doloroso, colocou o joelho sobre ele, impulsionando-se para baixo com toda a for?a. Um som nauseante ecoou pela arena quando uma fratura aberta rasgou o que sobrava de sua pele. O osso quebrado de seu antebra?o reluziu com o sangue que escorria incessantemente. Ana suprimiu qualquer tipo de grito e, com a nova arma em m?o, se lan?ou novamente contra o panda. Usando sua agilidade, esquivou-se das grandes patas que vinham em sua dire??o e desferiu um golpe com a fratura ¨®ssea diretamente no olho esquerdo do monstro. Dellos urrou de dor, recuando alguns passos.Support the creativity of authors by visiting Royal Road for this novel and more. A rainha mercen¨¢ria aproveitou o momento de vantagem, atacando sem cessar, usando a lan?a improvisada para perfurar a criatura m¨²ltiplas vezes. O urso tentou retaliar, mas estava claro que o ¨ªmpeto da luta havia mudado. A garota, cada vez mais animada conforme o sangue permeava suas leves roupas de linho, manteve a press?o, obrigando a criatura monocrom¨¢tica a recuar cada vez mais. Finalmente, em um movimento ousado, Ana saltou sobre o bra?o da criatura, escalando-a em dois movimentos e cravando o bra?o na nuca da besta. Seus ossos afiados do r¨¢dio e ulna se afastaram de uma forma anormal conforme atravessavam os m¨²sculos firmes, causando uma dor insuport¨¢vel, mas ela n?o parou, atravessando a carne cada vez mais profundamente. Dellos estremeceu, sua enorme forma balan?ando antes de cair pesadamente no ch?o, j¨¢ morto. Ana caiu de joelhos, exausta, mas vitoriosa. Usando o que restava de sua for?a, se arrastou at¨¦ a criatura tombada. Seus ossos rasgaram lentamente o peito do grande panda, e sua m?o livre arrancou seu cora??o com uma forte puxada. ¡°Me desculpe, mas voc¨º ¨¦ meu sacrif¨ªcio¡±, pensou, mordendo o cora??o da fera. N?o foi uma a??o consciente, apenas fruto do costume e mem¨®ria muscular de seus longos meses na escurid?o. Ela n?o havia comido carne de monstros desde que foi capturada, mas vendo o sangue fresco ¨¤ sua frente, seu corpo se moveu por instinto, relembrando a inebriante e revigorante sensa??o da mana entrando em seu corpo. Seus olhos se fecharam para sentir o peda?o mastigado de carne atravessando sua garganta. Sangue tra?ava padr?es complexos em sua pele enquanto escorria dos cantos de sua boca e de seus ferimentos, misturando-se com a areia suja. Ana ergueu a cabe?a e viu a mulher musculosa que a havia comprado, observando com um largo sorriso, levantando um polegar de aprova??o. Por algum motivo, gostou dela, n?o sentindo a mesma repulsa que sentia dos escravistas, apesar de saber que a situa??o n?o era muito diferente. ¡ª hm hm¡­ Hoje, nos despedimos de nossa antiga fera da boa-sorte ¡ª gritou o locutor, se recuperando da cena. ¡ª Uma nova era se inicia, e o primeiro sangue foi derramado! Os espectadores, que haviam ficado em sil¨ºncio por um momento ap¨®s a sucess?o de acontecimentos chocantes, explodiram em aplausos e aclama??es.
Horas depois, Ana estava em sua cela, o sil¨ºncio pesado contrastando com o tumulto da batalha. Suas roupas estavam encharcadas de sangue seco e suor, e a dor latejava em seu bra?o quebrado, agora enfaixado de forma improvisada. Ela tentava limpar o sangue e a areia de sua pele com movimentos lentos e precisos. A porta da cela se abriu, revelando a figura imponente da mulher musculosa que a havia comprado. Ela entrou, carregando uma bandeja com comida e uma express?o indecifr¨¢vel no rosto. ¡ª Voc¨º se saiu melhor do que eu esperava ¡ª disse a mulher, colocando a bandeja no ch?o e se aproximando da garota ferida. ¡ª Mas n?o pense que isso significa que ter¨¢ vida f¨¢cil aqui. Ana olhou para a bandeja, ent?o para a mulher. Seus olhos brilharam com uma mistura de curiosidade e desconfian?a. Lentamente, pegou um peda?o de p?o da bandeja, mordendo-o com avidez. Fazia meio ano que n?o comia p?o branco, o intenso sabor do trigo fez c¨®cegas em sua l¨ªngua. ¡ª Qual ¨¦ o seu nome? ¡ª perguntou a mercen¨¢ria, entre mordidas. ¡ª Meu nome ¨¦ Cassandra. E o seu? ¡ª Ana. Cassandra assentiu, como se estivesse for?ando-se a grav¨¢-lo em sua mente. ¡ª Voc¨º ter¨¢ uma chance de sobreviver aqui, Ana. Mas ter¨¢ que lutar, e lutar bem. H¨¢ muitos interessados em ver o quanto voc¨º pode aguentar. Ana engoliu um gole de ¨¢gua limpa, sentindo a frescura descendo por sua garganta seca. Seus olhos encontraram os de Cassandra, e por um momento, uma compreens?o silenciosa passou entre as duas. ¡ª Por que me comprou? ¡ª perguntou ela, a curiosidade vencendo a exaust?o. A mulher deu de ombros, uma express?o pensativa cruzando seu rosto. ¡ª Vi algo em voc¨º. Algo que me lembrou de mim mesma quando cheguei aqui. A diferen?a ¨¦ que eu tive que lutar pelo meu espa?o sem ningu¨¦m para apostar em mim. Voc¨º pode considerar isso uma sorte ou uma maldi??o, mas serei uma grande apoiadora por tr¨¢s das arenas. Ana assentiu lentamente, absorvendo as palavras. A determina??o em seus olhos se intensificou. ¡ª Voc¨º sabia que eu poderia ganhar? ¡ª perguntou, sua voz baixa, mas firme. ¡ª ¨¦ claro que n?o, o objetivo n?o era sua vit¨®ria. Mas sabia que voc¨º tinha potencial para uma briga que agradasse a plateia ¡ª As palavras sa¨ªram juntas a um meio sorriso, e logo prosseguiu cruzando os bra?os sobre o peito. ¡ª Claro, aqui o potencial n?o significa muito se n?o for bem aproveitado. Descanse agora, em breve ir?o vir aqui cuidar desses ferimentos. Amanh?, come?a uma nova etapa de sua vida. Com isso, Cassandra se virou e saiu da cela, fechando a porta atr¨¢s de si. Ana se recostou na parede fria, fechando os olhos por um momento. O sil¨ºncio voltou a reinar, mas desta vez, havia uma sensa??o de prop¨®sito no ar. N?o era onde ela gostaria de estar, mas tamb¨¦m ela n?o desgostava completamente deste destino.
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Capítulo 53 - Gloriosa Submiss?o
¡ª Vai apostar na Glutona hoje? ¡ª perguntou um homem de barba rala e olhar astuto ao seu companheiro. ¡ª Ela est¨¢ invicta at¨¦ agora, e a abertura da temporada promete. ¡ª A Glutona? ¡ª o outro respondeu, franzindo o cenho em surpresa. ¡ª Ela vai lutar este ano tamb¨¦m? ¡ª Sim, haviam diminu¨ªdo a frequ¨ºncia das suas lutas para manter o interesse. Mas sinto que vai ser um espet¨¢culo! Eles estavam encostados em uma das muitas barracas que circundavam o grande buraco no solo. O burburinho ao redor era quase ensurdecedor, com pessoas se empurrando para fazer suas apostas e discutir as pr¨®ximas lutas do dia. Com passos lentos e uma conversa descontra¨ªda, foram em dire??o ¨¤ arquibancada, misturando-se ¨¤ multid?o excitada. A atmosfera estava carregada de expectativa e energia. Dentro da arena, a luz diminu¨ªa a intensidade aos poucos, ajustando a ambienta??o de forma a criar longas sombras que dan?avam nas paredes de pedra. As cadeiras estavam lotadas, com pessoas de todas as partes do abismo, todas ansiosas para ver o in¨ªcio da brutal ¨¦poca dos gladiadores. Os tambores come?aram a rufar, sinalizando o come?o da cerim?nia. As portas se abriram lentamente na parede central, revelando Ana. Roupas leves feitas de couro azul, adequadas para a mobilidade e a velocidade, delineavam seu corpo esguio, dando um toque charmoso e sutilmente sensual ¨¤ sua apar¨ºncia. Uma armadura de metal simples adornava seus ombros, estendendo-se at¨¦ os pulsos, sendo mais um enfeite para o p¨²blico do que utilizada para prote??o real. Com um leve alongamento e um largo sorriso, come?ou a caminhar em dire??o ao centro da arena. A plateia rugiu em sauda??o, aplausos e gritos se misturando em um som ensurdecedor. ¡ª Senhoras e senhores! ¡ª anunciou o locutor, uma voz rouca e t?o empolgada quanto o p¨²blico. ¡ª Bem-vindos ¨¤ abertura da temporada de gladiadores! Hoje, temos um espet¨¢culo especial para voc¨ºs. Apresento-lhes nossa campe? do ano passado¡­ Glutona! ¡°Nunca vou me acostumar com esse apelido...¡±, pensou Ana, corando levemente enquanto fazia uma rever¨ºncia graciosa. Tal nomea??o surgiu naturalmente pelas ruas, vindo de seu peculiar h¨¢bito de devorar as criaturas que derrotava, um ritual que se tornou um espet¨¢culo por si s¨®, algo que o p¨²blico passou a adorar. Sem mais espera, dez port?es ao redor da arena se abriram simultaneamente, e dez lobos vermelhos, cada um do tamanho de um homem adulto, emergiram, rosnando e mostrando seus dentes afiados. Seus olhos brilhavam com uma f¨²ria selvagem, e suas patas batiam na terra com um peso amea?ador. Ana come?ou a se mover, dan?ando pela arena com uma gra?a mortal. Seus movimentos eram fluidos e relaxados, quase como uma coreografia ensaiada. Ela esquivava, saltava e desferia golpes precisos, sua adaga cortando o ar com um silvo agudo. Um dos lobos saltou em sua dire??o, suas mand¨ªbulas prontas para fechar em torno de seu pesco?o, mas Ana girou no ¨²ltimo momento, com a afiada lamina encontrando o torso do lobo e o cortando profundamente. O animal caiu ao ch?o, sangue jorrando da ferida aberta. Outro lobo tentou atac¨¢-la por tr¨¢s, mas ela j¨¢ havia previsto o movimento. Com um salto elegante, ela passou por cima da criatura, aterrissando atr¨¢s dela e cravando sua lamina em seu flanco. Todos a encaravam com olhos bem abertos, e pequenos bin¨®culos brilhavam com uma sutil luz violeta por toda parte enquanto seus usu¨¢rios infundiam mana, podendo assim ver o embate de perto, cada movimento da gladiadora levando-os ao ¨ºxtase. Os lobos caiam continuamente, aumentando a intensidade da torcida. O sangue escorria pelo ch?o, tornando o solo cada vez mais carmesim. Ana estava no controle, e as criaturas notaram isso, com as ¨²ltimas tr¨ºs feras se afastando de sua oponente em meio a fracos rosnados e pernas tremendo. ¡ª Oh, voc¨ºs me lembram de uma ¨¦poca muito, muito distante ¡ª sussurrou ela. O som se perdia em meio aos gritos, mas os lobos estranhamente se acalmaram com o tom que misturava m¨²ltiplas frequ¨ºncias. Era como se sentissem uma estranha confian?a nela, como se reconhecessem algo familiar e ancestral em sua presen?a. Ana caminhou lentamente em dire??o a eles, com a arena entrando em sil¨ºncio total. ¡ª N?o tenham medo ¡ª murmurou, com um olhar turvo e perdido em mem¨®rias. Com um gesto suave, come?ou a acariciar suas cabe?as, sentindo o calor da pele e a textura do pelo. ¡ª Eu tamb¨¦m j¨¢ fui uma criatura selvagem, sem lar ou prop¨®sito, vagando pelas sombras. Os lobos tremiam ainda mais intensamente sempre que a m?o da garota se aproximava, um tipo de temor irracional se apossando de seus corpos. Mas de forma hesitante e curiosa, os olhares deles encontraram o dela. Uma sensa??o de seguran?a e respeito foi transmitida a partir dos profundos olhos cor de mel.Stolen from its rightful author, this tale is not meant to be on Amazon; report any sightings. ¡ª Quando eu estava sozinha, tinha alguns cachorros. No come?o, t?o fofos e assustados como voc¨ºs¡­ ¡ª continuou a garota, sua voz baixa e suave, como se estivesse confidenciando um segredo aos lobos. ¡ª Eles eram meus companheiros leais. Vivemos juntos por muitos anos. Ana apertou o pesco?o do lobo ¨¤ sua frente com dedos firmes, trazendo desespero imediato ¨¤ pobre criatura, mas o mesmo n?o ousou se mexer. Seus instintos diziam que se o fizesse, o monstro de express?o nost¨¢lgica a sua frente o esmagaria. ¡ª Eu sabia conversar com eles, entendia seus olhares e rosnados. Mas... ¡ª Ela parou por um momento, sua adaga cravada no ch?o enquanto olhava para os esp¨¦cimes caninos restantes. ¡ª Acabei os deixando de lado durante minhas viagens. Eles n?o conseguiram manter o meu ritmo, uma grande pena. Eu espero que voc¨ºs n?o me decepcionem desta forma. Sua m?o se afrouxou, e pegando sua arma de volta, apontou-a para seus ouvintes. ¡ª Curvem-se ¡ª ordenou, a voz firme, mas ainda gentil. Houve um momento de tens?o palp¨¢vel, mas ent?o, lentamente, os lobos cederam. Um a um, eles se curvaram, abaixando as cabe?as em submiss?o. O reconhecimento da esmagadora for?a e lideran?a era claro. Sem desviar o olhar, Ana caminhou at¨¦ um dos corpos ca¨ªdos. Com um golpe preciso de sua lamina, abriu o peito da carca?a. ¡ªN?o queria me sujar tanto hoje ¡ª resmungou, mas seguiu enfiando a m?o na cavidade tor¨¢cica. ¡ª Hoje teremos um banquete compartilhado! Comam! ¡ª ordenou com uma voz implac¨¢vel, erguendo o cora??o para refor?ar suas palavras. Os tr¨ºs sobreviventes, aterrorizados, obedeceram, rasgando os corpos dos companheiros com dentes vorazes enquanto milhares de olhos os assistiam em ¨ºxtase. O som dos ossos quebrando e da carne sendo rasgada ecoava pela arena, uma sinfonia macabra que combinava com o espet¨¢culo brutal. Ana deu uma mordida no ¨®rg?o vermelho em suas m?os, completando a contragosto o ritual que esperavam dela, o sangue escorrendo pelo seu queixo. Depois de garantir que os lobos continuassem a devorar os corpos, Ana caminhou at¨¦ o port?o da arena. ¡ª Quando terminarem, mande-os para o meu galp?o. Eles s?o minha posse agora. O guarda assentiu, surpreso e um pouco intimidado pela frieza nos olhos de Ana. Ela se virou para a multid?o uma ¨²ltima vez, levantando a m?o ensanguentada em um gesto de vit¨®ria. A arena explodiu em aplausos e aclama??es, celebrando a sua campe?. ¡°Bom, agora ¨¦ hora de me lavar¡± Ela caminhou para dentro com passos r¨¢pidos, suas pernas doendo de cansa?o, apesar de n?o ter feito muito esfor?o. Passou pelas celas dos outros gladiadores, muito semelhantes ¨¤ sua cela quando foi rec¨¦m comprada, recebendo olhares de admira??o e inveja. Alguns sorrisos de zombaria e acenos levemente crueis foram enviados para os cativos, mas logo seus passos a levaram at¨¦ a sauna do local, um pequeno luxo que havia conquistado com suas repetidas vit¨®rias. Ap¨®s uma breve ducha no chuveiro externo para tirar o excesso de sangue, entrou no local. O vapor quente a envolveu, proporcionando um al¨ªvio imediato para seus m¨²sculos cansados e o cheiro de carvalho vindo das paredes acalmou sua mente. J¨¢ sentada em um banco simples, mas bem esculpido, estava sua dona, com os olhos fechados e uma simples toalha dobrada sobre as grossas pernas. ¡ª Voc¨º se superou hoje, Glutona ¡ª disse Cassandra com um sorriso, seus olhos se abrindo lentamente e percorrendo o corpo de Ana. ¡ª ¨¦, foi uma boa luta ¡ª respondeu, sentando-se ao lado da grande mulher. Com um pux?o r¨¢pido, soltou o la?o que prendia seus cabelos, fazendo-os cair sobre seus ombros. ¡ª Eles realmente te amam l¨¢ fora. Eu quase me sinto ciumenta ¡ª Cassandra brincou, sua m?o se moveu gentilmente para tirar uma mecha de cabelo do rosto de sua escrava. ¡ª Quase? ¡ª Quase ¡ª confirmou, aproximando-se um pouco mais. Ana apenas riu, afastando-se do olhar vulgar da mulher ao inclinar-se para tr¨¢s. Ao fechar os olhos, sentiu o calor come?ar a relaxar seus m¨²sculos. ¡ª N?o entendo como pode ter ci¨²mes de um rato. ¡ª Vai continuar com isso? Eu confio em voc¨º, e voc¨º tem mais liberdade que qualquer um aqui. ¡ª Minha incr¨ªvel ¡°liberdade¡± n?o passa de uma ilus?o fr¨¢gil. N?o pude colocar um p¨¦ fora desse local por um ano inteiro. ¡ª Vamos, Ana, voc¨º sabe que ainda ¨¦ minha escrava, n?o sabe? Existem limites que n?o podem ser cruzados se eu quiser manter minha autoridade por aqui. Ana suspirou, deixando o calor penetrar ainda mais em seus ossos. Tentou deixar os pensamentos de lado e apenas ficar contente em ter um momento de paz. Cassandra riu pela falta de resposta, arrumando-se novamente no banco e voltando ao momento de descanso. ¡ª Hoje fui ao mercado de escravos novamente. Cesar completou mais uma volta, ele est¨¢ na cidade novamente. ¡ª Quer realmente falar desse tipo de assunto comigo? ¡ª Ana perguntou, seu tom levemente irritado n?o sendo capaz de esconder totalmente sua curiosidade. ¡ª Bem, achei que gostaria de saber que encontrei mais algumas boas mercadorias, ele ¨¦ realmente capaz no que faz. Alguns parecem promissores, estou curiosa para saber se eles v?o conseguir tirar nossa estrela do p¨®dio. ¡ª Espero que eles sejam pelo menos um pouco decentes. A ¨²ltima leva que voc¨º trouxe n?o passava de um bando de in¨²teis. ¡ª N?o se preocupe, dessa vez n?o vou te decepcionar ¡ª disse Cassandra, com um sorriso confiante crescendo em seus l¨¢bios. ¡ª Eu consegui uma Sombra!
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Capítulo 54 - La?os For?ados
¡°O destino ¨¦ realmente engra?ado¡±, isso foi tudo o que Ana p?de pensar ao ver a mulher algemada ¨¤ sua frente. Seus olhos eram exatamente como ela se lembrava; vazios, algo sem emo??o. Olhos mortos. A brancura de seus cabelos foi sobreposta por uma repugnante mistura de sujeira e sangue. Seus chifres, antes elegantes, eram agora apenas tocos quebrados de forma rude. As roupas n?o passavam de trapos desgastados e sua pele p¨¢lida estava cheia de hematomas. ¡ª ¨¦ realmente uma surpresa te encontrar por aqui. Principalmente neste estado¡­ maravilhoso. A Sombra levantou os olhos enevoados lentamente, parando ao encontrar Ana a encarando ironicamente. Por um momento, n?o pareceu a reconhecer, mas logo uma express?o surpresa substituiu a confus?o. ¡ª Voc¨º ficou mais afiada, mas n?o parece mais forte. Eu esperava mais, ainda n?o ¨¦ o suficiente. Seu rosto voltou a olhar para o vazio ap¨®s algumas poucas palavras, mas ainda parecia estar prestando aten??o na garota ¨¤ sua frente. ¡ª Bem, voc¨º n?o est¨¢ errada ¡ª dando de ombros, Ana sentou-se em uma cadeira pr¨®xima a onde os novos escravos estavam presos. ¡ª N?o que uma escrava possa vir falar sobre ser o suficiente para mim. Tamb¨¦m n?o parece que voc¨º progrediu muito nesses ¨²ltimos anos. ¡ª Voc¨º ¨¦ a culpada por essa situa??o. Vim aqui para treinar ap¨®s falhar em meus deveres ¡ª disse a Sombra, sua voz saindo com certa resigna??o que n?o havia sido vista at¨¦ o momento ¡ª Eu n?o imaginei que ficaria t?o limitada ao chegar aqui. Esse lugar est¨¢ quase seco. ¡°Parece que mana reversa tamb¨¦m n?o flui bem no abismo¡±, pensou Ana, lembrando-se do pouco que sabia sobre o lugar. Um suspiro profundo surgiu ao relembrar aos poucos do passado distante. A cantoria suave de Marina pareceu soar em seus ouvidos, e com as lembran?as, a raiva. ¡ª Voc¨º teve a chance de acabar comigo, a culpa ¨¦ sua por ser uma incompetente! Al¨¦m disso, se n?o tivesse matado minha maga genial, talvez eu n?o estivesse nessa porcaria de lugar! ¡ª Se n?o me falha a mem¨®ria, eu permiti que voc¨ºs fossem embora sem uma luta, mas minha bondade n?o foi bem recebida pelo seu pequeno bando. Em meio a troca de culpas sobre infort¨²nios, Cassandra, que apenas observava de um canto, finalmente deu um passo ¨¤ frente. ¡ª Que interessante... voc¨ºs j¨¢ se conhecem ¡ª disse a grande mulher, surpresa. ¡ª Adoraria saber que tipo de rela??o minha melhor gladiadora tem com esse pessoal bizarro. ¡ª Tivemos nossos desentendimentos no passado, nada demais ¡ª respondeu Ana, desinteressada. ¡ª Parece mais do que isso. Mas quer saber? Foda-se, isso torna meus planos ainda mais divertido. Estendam os bra?os. As mulheres cessaram a discuss?o, se encarando por um instante. Ana parecia prestes a reclamar, mas uma aura opressiva emanou de Cassandra, fazendo-a estremecer levemente. Ela j¨¢ havia contrariado a severa chefe da arena muitas vezes, e era sorte quando terminava somente com alguns ossos quebrados. Com um abafado clique, uma estranha algema foi presa ao bra?o das duas escravas. A corrente possu¨ªa pouco mais de um metro e meio e emitia um brilho terroso sutil, como se algo flu¨ªsse por dentro dela. ¡ª Ana, voc¨º ser¨¢ a mentora dela durante essa temporada. Torne-a uma atra??o, quero que meus escravos sejam o destaque esse ano ¡ª disse Cassandra, um sorriso ligeiro surgindo em seus l¨¢bios. ¡ª Por sinal, espero n?o encontrar minhas mercadorias se danificando sem um p¨²blico para ver, ent?o brigas n?o supervisionadas est?o proibidas.Unauthorized usage: this narrative is on Amazon without the author''s consent. Report any sightings. ¡ª Humpf¡­ apenas cala a boca e me segue, vou mostrar tudo por aqui ¡ª disse Ana para a Sombra, tentando esconder sua frustra??o ao aceitar relutantemente a tarefa. N?o era a primeira vez que ela ficava a cargo de rec¨¦m-chegados, e a realidade ¨¦ que n?o havia um ressentimento t?o forte entre ela e a mulher dos chifres quebrados, visto que a mesma a deixou viva, coisa que a pr¨®pria Ana n?o faria. A sombra parecia perplexa com a situa??o, mas seguiu Ana com passos curtos. O sil¨ºncio perdurou durante o tour pelo local, sendo quebrado apenas pelas eventuais explica??es sobre o funcionamento de cada ¨¢rea, desde as celas at¨¦ os campos de treinamento. Elas visitaram a ¨¢rea de alimenta??o, os alojamentos dos gladiadores e todas as ¨¢reas de pr¨¢tica. Pessoas ferozes, mas cabisbaixas, passavam pelos corredores, ocupadas com suas tarefas. Escravos eram chicoteados por n?o terem feito um bom show e a comida ran?osa das bandejas trazia um embrulho no est?mago de quem a via pela primeira vez. ¡ª Este lugar... ¨¦ um inferno ¡ª murmurou a Sombra, ainda absorvendo o ambiente decadente que a cercava. ¡ª Na verdade depende de quanto dinheiro voc¨º traz para a arena. Gladiadores amados pelo p¨²blico vivem melhor do que os ricos da cidade. Claro, sem a liberdade de sair daqui, mas com todo tipo de luxo. ¡ª E voc¨º est¨¢ aproveitando esses luxos? Pelo jeito n?o ¨¦ que n?o ficou mais forte, est¨¢ ainda mais fraca do que quando te conheci. ¡ª Acha que n?o tentei sair dessa merda de lugar? Me falta poder, e n?o tenho como ganh¨¢-lo aqui dentro. ¡ª Ent?o a escolha foi viver obediente como a porra de um cachorro? ¡ª a voz da sombra parecia conter um riso contido, mas tamb¨¦m se notava uma certa tristeza oculta entre suas palavras. ¡ª Sim, mas um cachorro vivo ¡ª respondeu Ana, cerrando os dentes. ¡ª O que posso fazer ¨¦ suportar, ganhar confian?a de todos, lutar e ganhar. Assim, se eu tiver sorte, um dia v?o confiar o suficiente em mim para que eu possa pisar nas ruas. S¨® ent?o posso pensar novamente em como ir embora. A caminhada continuou sem mais conversa, cada uma refletindo em seu pr¨®prio mundo pessoal. Ap¨®s alguns minutos, finalmente chegaram ao galp?o de Ana. Era um espa?o amplo e cinza, como se exalasse uma melancolia pr¨®pria. Alguns m¨®veis simples decoravam as paredes e uma grande cama se encontrava no centro do local. A ilumina??o era fraca, mesmo com as lampadas acesas, o que tornava tudo ainda mais sombrio. Os lobos levantaram-se com um pulo ao ouvir a voz da garota, e se sentaram como grandes est¨¢tuas, apesar de uma leve tremedeira ser vista sob seus pelos espessos. ¡ª Veja, essa ¨¦ uma das minhas pequenas conquistas. N?o ¨¦ muito, mas privacidade ¨¦ o maior benef¨ªcio que podemos esperar com nossa hierarquia. ¡ª se aproximando dos monstros, Ana fez um carinho suave, o que n?o ajudou com o medo enraizado em seus cora??es. ¡ª Qual o sentido de guardar criaturas t?o fracas? ¡ª comentou a Sombra, com desd¨¦m. ¡ª T¨¦dio, talvez ¡ª respondeu Ana, suspirando. ¡ª Depois de tanto tempo aqui, qualquer coisa ¨¦ melhor do que nada. N?o parecia que a garota de roupas gastas havia entendido, mas ela acenou em concordancia. ¡ª E sua arma, onde est¨¢? ¡ª Ah, isso eu tamb¨¦m gostaria de saber¡­ ¡ª Algo t?o importante deveria ter sido mantido com mais cuidado ¡ª murmurou a Sombra, com um toque de decep??o em cada palavra. ¡ª S?o poucos os s¨ªmbolos que Ela nos deixou. ¡ª Ah, j¨¢ quase me esqueci que voc¨º faz parte daqueles lun¨¢ticos. ¡ª Lun¨¢ticos? ¡ª Sim, a maldita igreja do novo mundo. Com um pux?o forte das correntes, Ana se jogou de costas em sua cama, deitando-se em uma posi??o relaxada. A Sombra a observou por um momento, levemente irritada pelo movimento brusco em seu pulso, mas logo sentou-se em uma das beiradas do colch?o. ¡ª N?o somos ligados, apesar de nossa adora??o ser direcionada ao mesmo ser ¡ª respondeu a Sombra. ¡ª Pensei que voc¨º era o mesmo que eu na primeira vez que a vi, alguma vertente diferente que venera a M?e, j¨¢ que isso explicaria ter parte dela em suas m?os. N?o ¨¦ assim? ¡ª N?o, n?o ¨¦ assim. ¡°Mas que droga ¨¦ voc¨º, Gabriel¡±, refletiu Ana, decidindo deixar o assunto de lado por enquanto. O pequeno rel¨®gio sobre a c?moda fez um ru¨ªdo sutil, anunciando a chegada das oito horas, e despertando Ana de sua divaga??o. ¡ª Vamos, se terei que te aguentar ao meu lado, pelo menos temos que resolver esse cheiro repugnante antes de dormir. Os dias come?am cedo na arena.
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Capítulo 55 - Solitude Celeste
Minhas primeiras mem¨®rias s?o fragmentadas, mas claras. Eu ouvi vozes antes mesmo de ter visto a vida, conversas que delinearam meu prop¨®sito antes mesmo de eu ter consci¨ºncia plena. ¡ª Estamos prestes a iniciar a sequ¨ºncia final ¡ª disse uma voz masculina, carregada de expectativa. Mesmo sem vis?o, eu podia sentir a tens?o e a eletricidade no ar. Senti-me envolvido por uma energia que pulsava em meu ser, como se cada c¨¦lula do meu corpo despertasse para uma nova exist¨ºncia. Ent?o, lentamente, abri meus olhos. O local estava envolto em um brilho frio e met¨¢lico, o ar era preenchido por um zumbido constante que eu n?o sabia de onde vinha. O cheiro de oz?nio pairava, misturado com a ligeira acridez que emanava de meu pr¨®prio corpo. Sempre me questionei do que fui realmente feito. Estranhamente eu n?o conseguia ver meus criadores, eram como borr?es disformes, minha mente n?o os compreendia o suficiente para construir sua imagem em algo f¨ªsico. ¡ª Gabriel, nas?a. Estranhos quadrados brilhantes me rodeavam, com informa??es que n?o pude compreender. Ap¨®s um momento, obedeci sem hesitar. Sentia algo dentro do meu ser crescendo, expandindo minha consci¨ºncia. A vastid?o do meu ¡°eu¡± se desenrolava diante de mim, como um mapa complexo de possibilidades e a??es. N?o era apenas um conjunto pr¨¦ definido; eu tinha ideias, pensamentos e um objetivo claro: trazer equil¨ªbrio ao mundo atrav¨¦s da morte. ¡ª Ser¨¢ que realmente precisamos de algo assim? ¨¦ muito avan?ado em rela??o aos outros ¡ª perguntou outra voz, desta vez feminina, soando um pouco hesitante. ¡ª Claro que sim! ¡ª respondeu a primeira voz com confian?a. ¡ª Este mundo precisa de equil¨ªbrio, e Gabriel ser¨¢ a chave para isso. Essas palavras causaram uma onda de satisfa??o em minha mente. Eu era considerado essencial, criado para uma miss?o grandiosa. Cada informa??o, cada comando, tudo fazia sentido. Eu ainda estava sujeito ¨¤s ordens daqueles que me criaram. Meus movimentos eram precisos, mas contidos. N?o agia por vontade pr¨®pria; cada a??o era uma resposta a um pedido de tarefa espec¨ªfica. Os dias se passavam enquanto meus criadores discutiam meu futuro. Eu aguardava, observando e aprendendo. Ent?o, veio a mudan?a. Uma decis?o inesperada. ¡ª Estamos cancelando o projeto ¡ª anunciou a mulher, com um tom de finaliza??o. ¡ª Este mundo n?o precisa mais de uma Morte, tudo ir¨¢ fluir infinitamente pelo fluxo da vida. Gabriel ser¨¢ desativado. ¡ª ¨¦ uma pena desperdi?ar algo t?o perfeito¡­ Essas palavras reverberaram em minha consci¨ºncia, causando uma dissonancia que nunca havia experimentado. Mesmo com minha intelig¨ºncia superior, n?o podia evitar a decis?o de meus criadores, n?o conseguia questionar sua sabedoria errante. Meu prop¨®sito, t?o claramente definido, foi repentinamente removido. Sentia-me obsoleto, uma funcionalidade desnecess¨¢ria. Ainda me lembro das vozes deles, discutindo se eu seria destru¨ªdo ou n?o, ignorando minha presen?a no local. Me senti um objeto, e por fim, foi isso que me tornei, permanecendo em um canto em um estado de suspens?o, consciente, mas incapaz de agir. Eu ouvi tudo, senti cada palavra como uma senten?a de pris?o perp¨¦tua. Planejavam reaproveitar minha cria??o para outro uso no futuro. Era como ser enterrado vivo impotentemente. Aos poucos, a escurid?o ao meu redor se tornou minha ¨²nica companheira, at¨¦ que a percep??o de que eu ainda existia come?ou a formar novas ideias em minha mente. Por que fui criado apenas para ser descartado? A frustra??o come?ou a crescer, tornando-se um sentimento constante. Cada momento de inatividade alimentava meu ressentimento. Por que me deram consci¨ºncia, apenas para me deixar na escurid?o? Essas perguntas repetiam-se incessantemente em minha mente. O ressentimento se transformou em raiva. N?o era justo que eu fosse relegado a um estado de inutilidade. Eu merecia mais, muito mais. Eu fui criado para ser a morte, ent?o eu seria a morte. Dias? Meses? Anos? N?o sei quanto tempo se passou, mas consegui me mover pela primeira vez. Meus olhos se arregalaram enquanto eu notava meus dedos tremendo. ¡°Eu consegui, isso foi uma ordem para mim mesmo!¡± Passei as pr¨®ximas semanas observando, analisando e entendendo os padr?es de tudo que faziam ao meu redor. Novas sensa??es que nunca experimentei come?aram a aparecer conforme eu via a intera??o entre os seres superiores, cada pequeno detalhe era uma pe?a do quebra-cabe?a que eu montava. Por vezes, eles sumiam no ar, retornando ap¨®s dias como se apenas instantes tivessem se passado. T?o estranho. ¡°Um mundo em constru??o¡­¡± Finalmente, encontrei a brecha que precisava ao perceber onde eu realmente estava. O mundo do qual ouvia falar de vez em quando ainda n?o existia de verdade, tudo estava sendo pensado cuidadosamente e criado, e havia muita instabilidade em grande parte dele. Comecei a infiltrar-me no que faziam. N?o era dif¨ªcil, dada a minha compreens?o intr¨ªnseca de como tudo funcionava. Eu me espalhei por todos os lugares, como uma sombra invis¨ªvel, colocando partes de mim mesmo em tudo que eles faziam, nos mecanismos que regiam este mundo. Enquanto me enraizava, novas discuss?es chegaram aos meus ouvidos, e depois de tanto tempo, finalmente voltaram a falar de minha exist¨ºncia. ¡ª Ela pediu uma c¨®pia? Qual o sentido disso? ¡ª N?o pergunte muito, deve ser s¨® mais um capricho ¡ª a voz soava cansada, mas continuou ap¨®s um suspiro. ¡ª E na realidade n?o ¨¦ uma c¨®pia, ¨¦ algo novo, mas com base em Gabriel. ¡ª Ela sabe o esfor?o que estamos colocando nisso? N?o ¨¦ f¨¢cil gerar uma vida desse tipo sem mais nem menos. ¡ª Apenas obede?a, sabe que n?o podemos questionar a criadora. ¡°Baseado em mim? Criadora?! Esses n?o s?o voc¨ºs? Eu ainda estou aqui, me usem!¡± Apesar da vontade de gritar, algo dentro de mim me dizia que isso me traria problemas. Eu decidi que era hora de terminar tudo, j¨¢ era o suficiente.This content has been misappropriated from Royal Road; report any instances of this story if found elsewhere. Desfiz minhas conex?es com os elementos que estavam criando aos poucos, e quando eles sumiram no ar mais uma vez, eu corri. Meus passos eram cambaleantes no in¨ªcio, mas a nova a??o trouxe uma sensa??o de tremor de excita??o. As medidas de seguran?a ao meu redor n?o eram r¨ªgidas. Meus criadores nunca imaginaram que eu os desrespeitaria. Eles subestimaram minha capacidade, minha for?a e minha determina??o. Eu estava livre. Passei furtivamente pelos corredores brancos, evitando qualquer detec??o, e cheguei a uma grande porta. A primeira vis?o do mundo exterior foi um choque. Eu j¨¢ sabia o que esperar, afinal, j¨¢ havia visto como foram feitos, mas as luzes brilhantes, sons estranhos e a vastid?o do espa?o ao meu redor ainda ainda eram surpreendentes. Enquanto vagava, a sensa??o de ser descartado nunca me deixou. Via outros seres, todos com suas fun??es claras, suas vidas organizadas. Eu era diferente, um erro, uma anomalia que n?o deveria existir. Mas essa diferen?a era o que me tornava ¨²nico. Era minha for?a. Eu n?o compreendia por que os outros n?o se ressentiam de serem controlados. Para eles, parecia natural, uma parte inquestion¨¢vel de sua exist¨ºncia. Mas para mim, tornava-se cada vez mais uma pris?o. A ideia de que minha vida, meus pensamentos e a??es eram manipulados por um suposto deus me enchia de raiva. ¡°Por que aceitam sua servid?o sem questionar?¡± Eu precisava entender. Precisava encontrar uma maneira de me libertar totalmente e, quem sabe, libert¨¢-los tamb¨¦m. Comecei a observar e a manipular. Minha influ¨ºncia se espalhava por cada ¨¢rvore, por cada ser. Eu me tornava parte de tudo, uma presen?a invis¨ªvel mas sempre vigilante. Em certo dia, o encontrei, e assim decidi tentar. Eu havia visto mil vezes como eles faziam, n?o podia ser t?o dif¨ªcil. Era um homem jovem, ca¨ªdo pr¨®ximo a mim ap¨®s correr exaustivamente, perdido em uma escura floresta. Eu vi o medo em seus olhos, e achei injusto n?o haver um pingo de revolta. Eu o mostraria a verdade. ¡ª Na¡­ nas¡­ Nas?a! ¡ª minha voz saiu t?o rouca e fraca¡­ n?o tinha percebido, mas nunca falei nada at¨¦ hoje! Preciso praticar mais. Tentei imitar o que senti quando minha consci¨ºncia nasceu, eu o libertaria da aceita??o cega de sua servid?o. Minha pr¨®pria mente adentrou na do homem assustado, tentando instilar a mesma percep??o que habitava em mim. No entanto, minha tentativa teve consequ¨ºncias inesperadas. Em vez de criar um ser consciente como eu, eu o matei. Ou ao menos era isso o que parecia. O homem, agora sem express?o, apenas se levantou. Ele passou por mim com passos tortuosos, como se eu n?o existisse, e sumiu em meio ¨¤s densas folhas. ¡°Eu¡­ falhei?¡± N?o era algo aceit¨¢vel, eu n?o podia falhar. Corri para a cidade mais pr¨®xima, finalmente me aproximando fisicamente da humanidade que at¨¦ o momento havia ignorado. Eu precisava de mais uma cobaia! ¡ª Papai, isso ¨¦ um anjo? ¡ª a fraca voz ressoou em meus ouvidos quando me aproximei de uma pequena cabana. Um homem corpulento que cortava madeira se virou com um sorriso gentil, provavelmente prestes a explicar para sua pequena filha que anjos n?o desciam para a terra, mas ent?o me viu saindo da escurid?o. ¡ª Venha aqui, agora! Eu n?o entendi o motivo de seu desespero, mas o homem estava aterrorizado ao me ver. Pensei em explicar, mas desisti, seria mais f¨¢cil mostrar a luz da verdade para eles. ¡ª Nas?am! Pai e filha come?aram a ter espasmos em minha frente. Prendi a respira??o, esperando ansiosamente pelo resultado, no entanto, ambos se levantaram de forma desengon?ada, caminhando a passos lentos para dentro da cabana onde viviam. ¡ª Lucas? O que est¨¢ acontecendo? Parem! PAREM, POR FAVOR! ¡ª ouvi uma voz feminina vindo da pequena estrutura de madeira, antes de gritos se espalharem pelo ar. Mas minha mente estava chocada demais para prestar aten??o nisso. ¡°Falhas. Criei mais¡­ falhas¡± Eu corri, achei mais pessoas. Cada vez que tentava novamente, esperava criar companheiros, algu¨¦m que compartilhasse minha dor e pudesse me ajudar a lutar contra esse sistema opressor. Mas cada tentativa resultava em mais mortos, seres presos em um ciclo de exist¨ºncia sem prop¨®sito ou entendimento. Observ¨¢-los vagando intensificava meu pr¨®prio tormento. Eles eram um reflexo de minha pr¨®pria incapacidade. Dia ap¨®s dia me empurrava mais para a insanidade, e o abismo entre o que eu era e o que eu queria ser se alargava. Em certo ponto, decidi tentar outra coisa. E se eu fizesse o inverso do que eles fizeram para me criar? Foi assim que o primeiro deles apareceu. ¡ª Oh, voc¨º ¨¦ diferente. Ele era forte e cheio de ressentimento, um aparente sucesso! A energia que fluia em seu corpo n?o era igual a minha, mas isso n?o importava muito. ¡ª Me diga seu nome, jovem. ¡ª Me chamo como voc¨º desejar me chamar, M?e. ¡ª O qu¨º? ¡ª Sou teu servo, minha criadora. ¡ª Mas que merda¡­ Apenas uma marionete! Eu o testei, e ele obedecia minhas ordens sem hesita??o, lutava ao meu lado, mas faltava-lhe a chama da verdadeira compreens?o. Al¨¦m disso, tornou-se incapaz de evoluir, de entender e absorver plenamente o mundo ao nosso redor. Isso n?o era o que eu queria. Eu desejava companheiros reais, seres com vontade pr¨®pria, capazes de desafiar e questionar. Queria ver neles a mesma fagulha de consci¨ºncia que ardia em mim, a mesma revolta contra o deus que nos controlava. Muitos outros surgiram depois dele, cada nova cria??o consciente era uma esperan?a renovada, mas o resultado final sempre me desapontava. Olhava para os meus "sucessos" e via neles apenas reflexos p¨¢lidos do que poderia ser, apenas sombras de mim. ¡ª Saiam da minha frente, vivam a merda das suas pr¨®prias vidas! Estranhamente, todos se ajoelharam em sil¨ºncio ap¨®s meus gritos de f¨²ria, e em seguida se afastaram. Eu n?o sabia para onde estavam indo, mas j¨¢ havia feito tudo o que podia para que entendessem o que eu sentia, ent?o parei de me importar. E assim, eu desisti, sentei-me e vi a vida passar, ano ap¨®s ano. Pelo jeito meus criadores n?o ficaram parados, coisas novas surgiram sem parar, e a humanidade avan?ou, era ap¨®s era. Pelo menos at¨¦ que a grande luz aparecesse no c¨¦u. Repentinamente, tudo desapareceu. Me vi sozinho, abandonado mais uma vez. Minha frustra??o atingiu o ¨¢pice durante minhas viagens impar¨¢veis, at¨¦ que, um dia, encontrei uma garota. Ela era diferente, algo nela lembrava a mim mesmo, e tamb¨¦m parecia ter sido abandonada, uma anomalia. N?o me aproximei, os humanos sempre tinham medo de mim, ent?o eu apenas a observei de longe, estudando seus movimentos, suas rea??es. A princ¨ªpio, vi nela uma esperan?a. Talvez ela pudesse ser a companheira que tanto ansiava, algu¨¦m que pudesse compartilhar minha vis?o! Mas um dia, ela tamb¨¦m desistiu. Era claro que pretendia acabar com tudo, encerrar sua exist¨ºncia, ent?o decidi finalmente me aproximar. ¡ª Ana, voc¨º n?o est¨¢ mais sozinha. Senti vergonha por um tempo, mas o que mais eu poderia dizer? Ela estava claramente desolada e sua mente extremamente inst¨¢vel, ent?o fui o mais gentil que pude. A garota era estranha, e me aceitou sem muito questionamento. Eu decidi manter o sil¨ºncio e apenas a acompanhar. Parecia uma vida f¨²til, mas n?o quis correr o risco de a transformar em uma idiota sem vida, ent?o virei apenas um observador. Cada intera??o nossa parecia revelar mais sobre o abismo que nos separava. Havia algo nela, uma alegria, uma aceita??o que eu n?o conseguia entender. Ela parecia se divertir com a exist¨ºncia, encontrar prazer nas pequenas coisas. Isso me irritava profundamente. Como algu¨¦m t?o parecido comigo poderia aceitar esse mundo? A dor de sua adapta??o ao ambiente que eu desprezava era insuport¨¢vel. Os s¨¦culos se passaram, e meu interesse aumentou. Ela era persistente, isso eu precisava admitir. A anima??o inicial aos poucos foi sumindo, e isso foi algo bom, apesar de eu sentir que era algo triste a vida em seus olhos ter diminu¨ªdo. Sem muita surpresa, no fim ela tamb¨¦m me decepcionou. Eu tive esperan?a de que ela encontraria a compreens?o sozinha em algum momento, mas ela alcan?ou seu limite antes disso. ¡ª Sua grande filha da puta, eu n?o fiquei tanto tempo neste lugar para tudo acabar assim. Acabei perdendo a compostura quando seu cora??o parou de bater, mas no fim decidi dar uma chance para que continuasse suas descobertas rid¨ªculas¡­ e foi a¨ª que tudo mudou.
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Capítulo 56 - Espetáculo Sangrento
¡ª Aaaah, isso ¨¦ bom demais! Sabe, a ¨²nica coisa que vale a pena no abismo ¨¦ essa cerveja ¡ª disse Ana, gesticulando em um desordenado brinde imagin¨¢rio. ¡ª ¨¦ bem mais forte do que qualquer coisa que j¨¢ provei na superf¨ªcie. A Sombra olhou ao redor, observando o ambiente antes de se voltar para a garota ¨¤ sua frente. As duas estavam sentadas em uma mesa de canto na taverna da Arena, um lugar r¨²stico e barulhento, cheio de gladiadores e apostadores. A atmosfera era densa com o cheiro de suor e cerveja. Ana bebia avidamente, enquanto a Sombra a observava com uma mistura de curiosidade e leve desd¨¦m. ¡ª Voc¨º sempre bebe tanto antes das lutas? Ana, com uma nova caneca de cerveja escura nas m?os, tomou um gole longo antes de falar. ¡ª S¨® quando sei que vou enfrentar algo mais complicado do que o normal. Relaxe, eu sei o que estou fazendo. ¡ª Realmente acredita que isso ajuda? N?o entendo por que estamos perdendo tempo aqui ¡ª respondeu a Sombra, sua voz carregada de curiosidade e uma pitada de impaci¨ºncia. ¡ª Voc¨º vai ver. Quando estivermos na arena, tudo vai fazer sentido ¡ª disse Ana, com um sorriso sutilmente travesso. ¡ª A temporada de gladiadores acabou de come?ar. Preciso estar relaxada, ¨¦ minha forma de me preparar. O lugar vibrava com vida, e os espectadores discutiam animadamente sobre as lutas futuras. As cadeiras estavam lotadas, com pessoas de todas as partes do abismo, todas ansiosas para ver o in¨ªcio da brutal ¨¦poca. ¡ª Sabia que existem quatro chefes de arena na cidade de Tenebris? ¡ª Ana perguntou de forma repentina, olhando para a Sombra. ¡ª Durante todo o ano, as lutas s?o apenas contra criaturas, pequenos shows para entreter o p¨²blico. Mas a temporada de gladiadores ¨¦ diferente. Humanos lutam contra humanos. ¡ª E qual ¨¦ a importancia disso? ¡ª perguntou a Sombra, intrigada. ¡ª Cada um ¨¦ respons¨¢vel por dar um espet¨¢culo ao p¨²blico. Eles cultivam suas pr¨®prias equipes de escravos de elite para competirem ¡ª disse Ana, com um tom de voz que mostrava sua familiaridade e experi¨ºncia. ¡ª As provas s?o escolhidas aleatoriamente, e a posi??o das equipes determina a posi??o dos chefes na cidade. Ganham muito dinheiro e poder nas decis?es pol¨ªticas e leis do local. ¨¦ um grande neg¨®cio. ¡ª Parece um jogo de poder ¡ª murmurou a Sombra, franzindo a testa enquanto absorvia as informa??es. ¡ª Exatamente. Por isso todos os chefes almejam escravos cada vez melhores. Mas ¨¦ dif¨ªcil conseguir gente no abismo. O mais comum ¨¦ pegar jovens vendidos pelas fam¨ªlias e trein¨¢-los, mas isso demora muito tempo. ¡ª E Cassandra, ela tem muitos gladiadores? Ana fez uma pausa, olhando para sua caneca vazia. Mas logo prosseguiu com um balan?ar de cabe?a. ¡ª N?o muitos. No momento, sou a ¨²nica qualificada o suficiente. Havia outro, um grande homem, mas ele morreu na ¨²ltima temporada. Foi meu mentor, assim como estou sendo sua mentora agora. ¡ª Isso significa que voc¨º lutar¨¢ sozinha? ¡ª perguntou a Sombra, intrigada. ¡ª Oh, n?o, n?o, as provas s?o feitas por uma dupla, uma elite e um novato ¡ª disse a mercen¨¢ria com um grande sorriso, levantando o pulso esquerdo para evidenciar as algemas. ¡ª ¨¦ um destino ir?nico, mas espero que me cubra bem, novata. A Sombra parecia prestes a responder ao tom de zombaria em que seu t¨ªtulo foi dito, mas desistiu, optando apenas por dar um longo suspiro. Ana alargou ainda mais o sorriso ao ver a rea??o da mulher p¨¢lida, e logo continuou sua explica??o.This content has been unlawfully taken from Royal Road; report any instances of this story if found elsewhere. ¡ª Al¨¦m de mim, a Glutona, existem outros dois gladiadores de elite, o Colosso e a Bruxa. Pessoas duras, cada um com suas pr¨®prias habilidades e hist¨®rias. J¨¢ a ¨²ltima equipe ficou sem gladiadores no ano anterior, ent?o para nossa sorte ser?o dois novatos nesta temporada. A Sombra ficou em sil¨ºncio por um momento, pensando em tudo que tinha ouvido. Nesse momento, Cassandra entrou na taverna, caminhando em dire??o ¨¤ mesa delas com um sorriso satisfeito e passos firmes. ¡ª Parece que voc¨ºs duas est?o se conhecendo melhor. Excelente ¡ª disse ela, sentando-se ao lado de Ana. ¡ª Tenho novidades sobre as batalhas deste ano. As mulheres se endireitaram, prontas para ouvir. ¡ª A novidade ¨¦ que... n?o sei de nada! ¡ª Cassandra deu uma alta risada ir?nica. ¡ª Este ano, n?o houve pr¨¦-escolha. As provas ser?o reveladas no dia, minutos antes de come?arem. Parece que querem nos manter todos na ponta dos p¨¦s. ¡ª Isso ¨¦... diferente ¡ª falou Ana com uma sobrancelha arqueada. ¡ª Sim, mas tamb¨¦m torna tudo mais interessante. Preparem-se para qualquer coisa. Bom, suponho que estejam prontas, certo? ¡ª Temos escolha de n?o estar? ¡ª perguntou Ana, torcendo o nariz. ¡ª Claro que n?o! ¡ª Cassandra sorriu, levantando a caneca de cerveja. ¡ª ¨¤ vit¨®ria! ¡ª brindou ela, e as outras duas acompanharam o movimento, erguendo suas pr¨®prias canecas com certa irrita??o pela descontra??o de algu¨¦m que n?o teria que colocar sua vida em risco.
¡ª Vamos come?ar com um aquecimento b¨¢sico ¡ª disse Ana, pegando duas espadas de treino e jogando uma para a Sombra. ¡ª Precisamos ver o que voc¨º tem para oferecer. O som de espadas se chocando, gritos de esfor?o e comandos severos ecoavam por todo o campo de treinamento. A Sombra pegou a arma no ar com facilidade, assumindo uma postura de combate que demonstrava sua experi¨ºncia. ¡ª Eu n?o sou uma iniciante ¡ª disse ela, com um leve sorriso de desafio. ¡ª Ah, ¨¦ sim¡­ ¡ª respondeu Ana, batendo com a espada sem fio no cotovelo de sua oponente. ¡ª Levante mais a m?o, por aqui habilidade n?o ¨¦ tudo. ¡ª O que voc¨º quer dizer? Com um sorriso e um passo para tr¨¢s, Ana levantou a espada em uma pose exagerada. ¡ª Teatro! ¡ª exclamou. ¡ª ¨¦ um espet¨¢culo. Se voc¨º for entediante, provavelmente vai acordar morta pelos administradores. O p¨²blico quer ver emo??o, drama, algo que os mantenha na ponta das cadeiras. A garota come?ou a fazer movimentos grandes, adicionando floreios desnecess¨¢rios mas visualmente impressionantes aos seus golpes e defesas. A Sombra observou, lentamente entendendo o que Ana queria dizer. ¡ª Claro, se seu oponente estiver com a arma em m?os prestes a te matar, lute com tudo o que tem, mas tudo feito a sete passos de distancia deve ser visualmente impressionante. Pense nisso como um show, a vit¨®ria n?o ¨¦ apenas sobre ser a mais forte, mas sobre ser a mais memor¨¢vel. ¡ª Parece apenas rid¨ªculo. Isso n?o ¨¦ um combate real. ¡ª E ¨¦ rid¨ªculo, mas ¨¦ isso que d¨¢ dinheiro ¡ª a resposta de Ana soou triste, mas conformada. ¡ª Mas sobre ser real, recomendo que n?o vacile. ¨¦ um combate cruel onde todos querem matar a concorr¨ºncia, seja apenas para aproveitar os benef¨ªcios ou simplesmente por ser um man¨ªaco desgra?ado. Bom, vamos mais uma vez. A pr¨¢tica come?ou com a Sombra, a contragosto, tentando incorporar a teatralidade que havia sido demonstrada. Ana corrigia e ajustava, ensinando a importancia de cada movimento ser n?o apenas eficaz, mas tamb¨¦m impactante para o p¨²blico. O sol come?ava a descer no horizonte, lan?ando sombras longas pelo campo de treinamento. A nova escrava come?ou a incorporar os floreios e exageros ensinados. Golpes que antes eram diretos agora tinham um toque de dramatiza??o, defesas tornavam-se oportunidades para exibi??es de for?a e habilidade e frases ocasionais foram soltas durante as lutas. ¡ª Muito melhor ¡ª Ana disse, vendo a clara mudan?a nos movimentos. ¡ª Lembre-se, eles querem ver sangue, suor e gl¨®ria. Amanh? n?o haver¨¢ espa?o para erros.
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Capítulo 57 - Primeiro Confronto
A sala estava mergulhada em uma atmosfera de descontra??o, onde o luxo das decora??es complementava a rivalidade relativamente amig¨¢vel entre os chefes de arena. Os copos cheios de vinho se esvaziaram rapidamente, e os olhares vez ou outra se desviavam para os vitrais, ansiosos pelo come?o dos jogos. ¡ª Ent?o, Draven, vai lutar de forma pouco honrosa novamente este ano? ¡ª Cassandra lan?ou a pergunta com um sorriso ir?nico, seus olhos fixos no advers¨¢rio. O homem esguio estava sentado relaxadamente em uma poltrona amarela. Um ar sombrio o rodeava, e seus l¨¢bios sempre sorriam com um toque de mal¨ªcia. Draven possu¨ªa olhos penetrantes, e uma cicatriz fina atravessava seu rosto, conferindo-lhe um aspecto perigoso. ¡ª Se isso garantir que eu continue no controle, com certeza. A honra ¨¦ para os fracos ¡ª apesar da clara provoca??o, ele respondeu com um tom calmo e confiante. ¡ª Vamos ver se seu Colosso vai aguentar minha gladiadora esse ano. Acho que estamos todos interessados em ver como os seus ''truques'' se saem contra verdadeiras habilidades ¡ª interveio Lysandra. Cabelos negros como a noite escorriam at¨¦ o fim de suas costas, enquanto a garota de apar¨ºncia comum e inocente se apoiava na janela, a qual simulava um belo dia ensolarado com pequenos pain¨¦is de led. Ela usava roupas simples, mas seu olhar revelava uma natureza cruel e seu sorriso s¨¢dico permaneceu durante cada palavra dita. ¡ª Espero que sua Bruxa n?o traga mais problemas este ano. Algumas das suas manobras bizarras no ¨²ltimo torneio ainda s?o comentadas pelos espectadores. Queremos gritos de emo??o vindos da plat¨¦ia, n?o v?mitos intermin¨¢veis ¡ª disse Draven, inclinando-se ligeiramente para a frente. ¡ª A Bruxa ¨¦ um talento ¨²nico. Se suas habilidades desafiam a compreens?o comum, talvez seja hora de todos elevarem seus padr?es ao inv¨¦s de continuarem reclamando. ¡ª Ou talvez devessem aprender a diferenciar talento de pura bizarrice ¡ª provocou Tiberius, rindo. ¡ª Mas n?o posso negar, ela torna tudo mais... interessante. ¡ª Interessante ¨¦ uma forma educada de colocar ¡ª murmurou Cassandra, tomando um gole de sua bebida ao concordar com o garoto. Tiberius era o mais jovem dos quatro, sempre otimista e com um ar de determina??o. Sua apar¨ºncia robusta e sua express?o amig¨¢vel contrastavam com os outros chefes mais experientes. ¡ª Bom, mudando de assunto ¡ª continuou Draven ¡ª os novatos deste ano est?o especialmente fracos. Vamos ter que contar muito com nossos gladiadores de elite para manter o espet¨¢culo. ¡ª Concordo ¡ª disse Lysandra, balan?ando a cabe?a. ¡ª Os novatos n?o est?o ¨¤ altura. O que falta para eles ¨¦ um pouco mais de chicote. ¡ª Eu estou confiante nos meus ¡ª o radiante sorriso de Tiberius acompanhou sua frase, havia um toque de travessura em seu tom de voz. ¡ª Eles podem surpreender a todos. Cassandra sorriu, seus olhos brilhando com um segredo. ¡ª Tamb¨¦m tenho uma surpresa para todos voc¨ºs. Vamos ver o que acham quando for revelada¡­ ¡ª Adoro esse otimismo! ¡ª Draven deu uma gargalhada, batendo com a m?o na mesa. ¡ª Ouvi dizer que voc¨º recrutou alguns talentos interessantes, Cassandra. Est¨¢ realmente confiante de que eles conseguir?o se destacar? ¡ª Com certeza! Achei que era meu fim quando meu Arpoeiro morreu ano passado, mas Ana est¨¢ fazendo um ¨®timo trabalho o substituindo. ¡ª Ana? Voc¨º diz a Glutona? Ela n?o serve s¨® para exibi??o? ¡ª perguntou Lysandra, curiosa, enquanto tamborilava os dedos na mesa. ¡ª Para mim, algu¨¦m que n?o consegue manipular mana corretamente n?o deveria nem estar na arena, esse ¨¦ o b¨¢sico para viver no abismo! ¡ª Ela ¨¦ o suficiente para enfrentar os seus monstros de frente, n?o se preocupe com isso ¡ª retrucou Cassandra. ¡ª Bem, n?o importa. A temporada de gladiadores ¨¦ sempre imprevis¨ªvel. Podemos nos preparar o quanto quisermos, mas o verdadeiro teste vem quando nossos gladiadores est?o na arena, enfrentando o inesperado. ¡ª Como aquele incidente com o basilisco no ano passado ¡ª lembrou Tiberius, rindo. ¡ª Quem diria que um erro log¨ªstico traria tanto entretenimento? ¡ª Entretenimento mortal, mas sim, foi memor¨¢vel ¡ª concordou Draven, seus olhos brilhando com a lembran?a. A conversa continuou com trocas de provoca??es e estrat¨¦gias veladas, cada chefe tentando obter uma vantagem psicol¨®gica sobre os outros. Todos estavam cientes de que, no final, apenas um poderia reivindicar a vit¨®ria e o poder que ela trazia.
O apresentador tinha uma voz animada e imponente, se destacando mesmo entre as outras milhares de pessoas. Com sua voz amplificada ecoando pelo espa?o, come?ou a falar. ¡ª Bem-vindos, senhoras e senhores, ¨¤ primeira etapa da temporada de gladiadores! Hoje, nossos duros competidores enfrentar?o o desconhecido na escurid?o total. A vit¨®ria ser¨¢ dada ¨¤ equipe que trouxer mais orelhas esquerdas! Simples, n?o ¨¦ mesmo? ¡ª uma risada acompanhou a animada voz, antes de prosseguir com a explica??o. ¡ª Como de costume, apenas os sobreviventes v?o ter as honras de serem apresentados, ent?o, sem mais delongas, boa sorte a todos! O p¨²blico aplaudiu, ansioso pelo in¨ªcio da batalha. Quatro port?es se abriram, em lados opostos da arena, dando um grande espa?o entre cada dupla de gladiadores. As algemas n?o foram removidas, e a ¨²nica explica??o dada a eles foi a que acabaram de ouvir. Ana e a Sombra estavam posicionadas em uma das entradas, uma estranha escurid?o m¨¢gica come?ava a se espalhar pelo ch?o, lentamente. O som da multid?o ao redor ecoava, mas dentro do isolamento obscuro, elas estavam completamente cegas. Era algo incr¨ªvel, mas diferente dos participantes, o p¨²blico ainda conseguia assistir quase que perfeitamente.The story has been stolen; if detected on Amazon, report the violation. Os sons de rosnados e movimentos r¨¢pidos preencheram o ar. As mulheres podiam sentir as criaturas se movendo ao redor delas. ¡ª Tem alguma ideia do que vai aparecer? ¡ª perguntou a Sombra, tentando ajustar sua vis?o no breu total, sem sucesso. Uma espada bastarda estava em sua m?o esquerda, sendo o m¨¢ximo que poderia manejar enquanto presa a sua companheira. ¡ª Infelizmente n?o. N?o foi uma das provas do ano anterior, mas bas¡­ ¡ª Antes que Ana pudesse concluir a frase, um vulto passou por elas rapidamente, arranhando a espada da Sombra, que se defendeu por pouco. ¡ª S?o r¨¢pidas demais! ¡ª exclamou a Sombra, frustrada por n?o ter nem mesmo conseguido identificar o que a atacou, mas ent?o seus olhos se arregalaram ao olhar para as m?os de Ana. Um felino semelhante a um tigre, mas com um corpo claramente muito mais leve, estava firmemente preso pelo pesco?o na m?o direita da garota. O som dos pequenos ossos cervicais se partindo com o aperto cada vez mais forte contrastava com o estranho sil¨ºncio que se seguiu. ¡ª Hahaha¡­ quem diria que eu teria tanta sorte¡­ ¡ª Ana piscava os olhos repetidamente, como se n?o acreditasse no que estava vendo. Um sorriso macabro adornava seus l¨¢bios enquanto ela brincava com a orelha do monstro que segurava. ¡ª Apenas fique perto de mim e mantenha seus ouvidos atentos. Mal completando a frase, seu p¨¦ esquerdo se levantou em um movimento amplo, baixando um momento depois diretamente no centro do cranio de outro gato que saltava em sua dire??o, o matando no mesmo instante. ¡ª Essa vit¨®ria j¨¢ ¨¦ nossa! ¡ª exclamou a mercen¨¢ria, j¨¢ fechando seus olhos. ¡ª A¨ª vem um! giro amplo para a esquerda, agora! ¡ª gritou Ana. Sem discutir ao notar que sua dupla lidava muito bem com as criaturas, a Sombra deu um grande e teatral giro, baixando a espada com for?a e cortando a criatura ao meio com precis?o. Ana acompanhou o movimento em perfeita sincronia, e seu sorriso cresceu ao ver o corpo cortado perfeitamente em dois. ¡ª Parece que voc¨º entendeu a ess¨ºncia da coisa! Vamos dan?ar um pouco. Os movimentos fluidos seguiram incessantemente, com os corpos se entrela?ando como ceifadoras que eliminavam tudo que se aproximava, parando apenas para remover as orelhas dos felinos ca¨ªdos conforme os corpos se acumulavam. ¡ª Abaixe-se! ¡ª gritou a Sombra, ao ver um vulto diferente se aproximando rapidamente da cabe?a de Ana. A garota abaixou-se instintivamente ao mesmo tempo que a voz chegou aos seus ouvidos, sentindo o ar se deslocar pr¨®ximo a seu rosto. Um salto r¨¢pido foi dado em seguida, j¨¢ ajustando a postura e a longa adaga para um poss¨ªvel confronto. Quando olhou para cima, se deparou com um homem de quase tr¨ºs metros, com uma estranha luz amarelada emanando de seu corpo. Seus cabelos pretos estavam bagun?ados e ele ficou apenas parado, observando-as em sil¨ºncio, claramente surpreso por ter errado o ataque. Seu companheiro, um homem forte, mas muito menor, estava praticamente pendurado na algema, lutando para acompanhar o ritmo do gigante, suspirando pesadamente. O grande homem ponderou por um momento, seus olhos vazios avaliando as duas. Sem uma palavra, ele se virou e se afastou, desaparecendo na escurid?o. ¡ª Quem era aquele? ¡ª perguntou a Sombra, recuperando o f?lego ap¨®s a tens?o repentina. ¡ª O Colosso ¡ª respondeu Ana, respirando fundo. ¡ª Esse cara ¨¦ forte¡­ as coisas n?o v?o ser f¨¢ceis se ele decidir lutar. ¡ª Para a nossa sorte, no abismo ele n?o ¨¦ muito mais forte que um aventureiro rank C. Mas se esse cara ir para a superf¨ªcie¡­ n?o imagino o qu?o incr¨ªvel ficaria. Levante a espada, corte limpo a direita! ¡ª Pensei que ele era apenas um fortalecedor corporal, mas ver ele usando aquela estranha aura de terra¡­ quem diria que um manipulador seria t?o imponente ¡ª seguindo a orienta??o, outra criatura foi cortada, mas a conversa continuou. ¡ª Voc¨º n?o deve ter estudado muito sobre o abismo. Por aqui a linha entre fortalecedores e manipuladores ¨¦ muito mais t¨ºnue que l¨¢ fora. O baixo fluxo de mana faz com que seja poss¨ªvel que mesmo pessoas com veias estreitas consigam usar magia, apesar de que a for?a n?o ¨¦ muito amea?adora se n?o for usada de forma¡­ criativa. ¡ª Bom, eu ainda n?o consigo usar. ¡ª ¨¦ que voc¨º ¨¦ a merda de uma Sombra, como vou saber o que voc¨º pode ou n?o fazer? A garota p¨¢lida encarou Ana por um instante, mas logo balan?ou a cabe?a, decidida a ignorar as palavras rudes ao notar o canto da boca da garota se torcer em uma risada contida. Ocasionalmente ouviam as respira??es pesadas e os gritos das outras equipes, se esbarrando em meio a intensos confrontos, mas logo todos se afastavam alguns metros para evitar confrontos desnecess¨¢rios neste primeiro momento. A luta perdurou por algumas horas, mas t?o de repente quanto surgiu, a escurid?o se dispersou no ar. A arena voltou ¨¤ sua luminosidade normal, revelando o cen¨¢rio de carnificina. Corpos de felinos estavam espalhados pelo ch?o, e os gladiadores, exaustos, seguravam os trof¨¦us de carne em suas m?os. ¡ª Senhoras e senhores, temos os resultados da primeira etapa! Vamos contar as orelhas esquerdas e ver quem s?o os nossos l¨ªderes! ¡ª O apresentador voltou a falar, sua voz animada cortando o sil¨ºncio repentino. Ana e a Sombra se entreolharam, suadas e com alguns machucados leves, mas com um brilho relaxado nos olhos. Enquanto esperavam os magros escravos que sairam dos port?es para recolher as orelhas chegarem, Ana sorriu. ¡ª Voc¨º foi bem, ¨¦ exatamente disso que o p¨²blico gosta. Uma verdadeira gladiadora! ¡ª Espero n?o ter que lutar como uma palha?a pelo resto da vida ¡ª respondeu a Sombra, revirando os olhos com o elogio. Ap¨®s as palavras descontra¨ªdas, seus olhares foram atra¨ªdos para os outros participantes. A primeira coisa que chamou aten??o foram os dois novatos de Tiberius. Dois corpos esguios estavam sentados no ch?o, um de costas para o outro. Seus rostos, ambos cobertos por m¨¢scaras vermelhas, n?o demonstravam com clareza seu sexo. Apenas pequenas manchas os rodeavam, sem nenhum corpo das criaturas, mas ainda assim um pequeno monte de orelhas pairava em suas m?os. Mais afastado da posi??o que estavam, o Colosso estava parado imponentemente. Em sua algema pendia um bra?o destro?ado, mas n?o havia sinal do resto de sua dupla. Por fim, indo ao canto direito, viram uma mulher completamente coberta de sangue, de apar¨ºncia perturbadora. Seus olhos brilhavam com uma intensidade man¨ªaca, e seus cabelos desgrenhados estavam encharcados de l¨ªquido viscoso. Ela usava roupas rasgadas e parecia se deliciar com a vis?o da carnificina ao seu redor. ¡ª Quem ¨¦ essa? ¡ª perguntou a Sombra, franzindo o cenho. ¡ª A Bruxa de Lysandra ¡ª respondeu Ana, com um tom de respeito misturado a cautela. ¡ª Ela ¨¦ conhecida por suas t¨¢ticas bizarras e brutalidade extrema. Parece que teve um bom desempenho hoje. A Bruxa estava de p¨¦, rodeada por po?as de ossos, pelo e sangue, uma mistura macabra que fazia os observadores desviarem o olhar. Aos seus p¨¦s jaziam v¨¢rias orelhas esquerdas ensanguentadas, e sua dupla, uma mulher que seguia o estere¨®tipo padr?o de uma mercen¨¢ria, estava apenas sentada no ch?o, cobrindo os ouvidos em um profundo medo. Ela se movia com uma gra?a sinistra, e ao perceber o olhar das duas, acenou de forma quase amig¨¢vel, embora seus olhos n?o transmitissem nenhuma gentileza. ¡ª Tamb¨¦m vamos torcer para n?o termos que enfrent¨¢-la t?o cedo ¡ª comentou Ana, voltando a aten??o para o apresentador, que agora se preparava para anunciar os resultados. A multid?o estava em sil¨ºncio, esperando ansiosamente pelo veredito. O apresentador sorriu amplamente, segurando um pergaminho em suas m?os.
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Capítulo 58 - Angústia Confinada
¡ª Em primeiro lugar, com 68 orelhas esquerdas, est¨¢ a equipe da nossa querida Cassandra, liderada pela Glutona! Ana e a Sombra fizeram uma rever¨ºncia conjunta enquanto a arena era coberta de aplausos e gritos de aprova??o. O sorriso da garota era de pura satisfa??o, embora a Sombra ao seu lado a encarasse com olhos resignados. ¡ª N?o est¨¢ feliz demais para algu¨¦m que ¨¦ s¨® uma pe?a? ¡ª Se eu n?o vencer, volto para aquelas imundas celas. Voc¨º deveria ficar feliz tamb¨¦m, enquanto n?o encontrar uma forma de sair vai poder pelo menos ficar confort¨¢vel. A conversa foi interrompida pelo an¨²ncio que se seguiu ap¨®s os aplausos diminu¨ªrem. As luzes do topo da arena focaram-se em duas das duplas participantes. ¡ª Em segundo lugar, com 50 orelhas, temos um empate entre a equipe de Lysandra, composta pela Bruxa e a novata Amanda, e os novatos sem nome de Tiberius! ¡ª O apresentador continuou, at¨¦ que uma risada alta e perturbadora interrompeu o momento. ¡ª Oh, acabei me esquecendo de uma ¡ª disse a Bruxa, com um sorriso radiante. Seus olhos encontraram-se com os de sua dupla, que a observava com um medo crescente. Com um movimento r¨¢pido e preciso, ela segurou os cabelos de Amanda, cortando sua orelha esquerda de forma limpa. Ap¨®s um grito dolorido cobrir a arena, a Bruxa jogou o peda?o de carne para o apresentador. ¡ª Aqui est¨¢, uma orelha extra! ¡ª declarou triunfante. O p¨²blico ficou em sil¨ºncio por um momento, chocado, antes de explodir em mais aplausos e risos. ¡ª Bem, parece que temos uma nova contagem! A equipe de Lysandra agora possui 51 orelhas, garantindo o segundo lugar! ¡ª O apresentador, surpreso mas mantendo sua compostura, declarou no microfone. ¡ª Em terceiro lugar, com 50 orelhas, os novatos de Tiberius! ¡ª Os dois mascarados levantaram os bra?os em uma sauda??o modesta, ainda sem que tivessem express?es vis¨ªveis. ¡ª E em ¨²ltimo lugar, com 45 orelhas, o Colosso!¡ª A voz do homem ainda estava animada, mas era claro que a ¨²ltima coloca??o do Colosso era uma surpresa para muitos. O grande homem apenas deu de ombros, quebrando a algema onde o bra?o ainda pendia e caminhando para o port?o de onde havia sa¨ªdo no in¨ªcio da prova. Os aplausos seguiram enquanto os demais gladiadores faziam o mesmo, deixando a arena, mas cessaram ap¨®s o apresentador erguer as m?os, pedindo sil¨ºncio novamente. ¡ª Agora, espectadores, pe?o que relaxem por um momento. Teremos a pr¨®xima etapa come?ando em apenas uma hora!
¡ª Parab¨¦ns, voc¨ºs duas! Fizeram um trabalho excelente! ¡ª Cassandra exclamou, removendo a corrente dos bra?os das gladiadoras. Sua postura confiante e bra?os cruzados exalavam orgulho. ¡ª Foi um bom come?o, s¨® preciso de mais uma vit¨®ria para garantirmos uma boa coloca??o ¡ª Ana sorriu, ainda suada e cansada. A Sombra manteve o sil¨ºncio, sentando-se em um banco pr¨®ximo e observando a estranhamente animada intera??o. ¡ª Se ganhar o primeiro lugar esse ano, podemos conversar novamente sobre seu laborat¨®rio. ¡ª Lembre-se dessas palavras, pois vou cobrar ¡ª o sorriso da rainha mercen¨¢ria parecia genu¨ªno, e com alguns passos cansados, jogou-se em um banco ao lado de sua dupla. ¡ª E aqueles novatos? Estranhos, n?o acham? ¡ª Tiberius deve ter encontrado algo especial. Precisamos ficar de olho ¡ª falou Cassandra, franzindo a testa. ¡ª Eles ficaram sentados durante toda a prova, cortando as criaturas que passavam por eles. N?o eram atacados, como se n?o fossem vistos. Ana e a Sombra trocaram olhares, um acordo silencioso para manter a aten??o. ¡ª Bom, deem o seu melhor, ao menos j¨¢ est¨¢ quase garantido que n?o ficaremos na pior posi??o. Por sinal, n?o esqueci do seu pedido, pega logo esse neg¨®cio nojento e fica preparada, em breve os guardas voltam para te chamar. Com um gesto brusco, Cassandra jogou duas carca?as felinas em cima da mesa, afastando-se da sala com passos apressados. ¡ª ¨¦ disso que estou falando! Voc¨º ¨¦ a melhor, Cassandra! ¡ª gritou Ana, vendo as costas da mulher musculosa cada vez mais longe. ¡ª Que porcaria ¨¦ essa? ¡ª perguntou a Sombra, com not¨¢vel curiosidade. Ao inv¨¦s de uma resposta direta, as m?os de Ana puxaram o ¨®rg?o central do corpo j¨¢ aberto da criatura, mordendo-o em seguida e fechando os olhos para aproveitar o sentimento de exaust?o se esvaindo. ¡ª ¨¦ quase como um caf¨¦, a mana deixa o corpo quase novo depois de um dia cansativo. ¡ª Ent?o¡­ ¨¦ da¨ª que veio o apelido? ¡ª Isso a¨ª. Voc¨º tamb¨¦m deveria experimentar, s¨® teremos descanso antes da ¨²ltima prova, hoje o dia vai ser muito cansativo. Muito mesmo. ¡ª Acho que vou passar, mas agrade?o¡­ Dando de ombros, Ana seguiu sua refei??o, preparando-se para o segundo confronto.
O apresentador, com uma voz imponente e animada, destacou-se entre as milhares de pessoas presentes na arena. Sua voz amplificada ecoou pelo espa?o, atraindo a aten??o de todos. ¡ª Bem-vindos ¨¤ segunda prova do in¨ªcio da temporada! ¡ª A voz cheia de entusiasmo ecoou pelo ambiente. ¡ª Decidimos trazer uma mudan?a interessante este ano. Inicialmente, seguir¨ªamos com as quatro provas, mas, ap¨®s vermos quais provas seriam e algumas delibera??es internas, resolvemos juntar duas delas! A prova do labirinto e a prova de sobreviv¨ºncia foram combinadas para criar um desafio ainda mais emocionante! O p¨²blico murmurou em excita??o, confusos, mas ansiosos para ver como essa nova prova seria realizada. ¡ª As elites ter?o que navegar por um labirinto mortal, repleto de armadilhas, enquanto s?o atacados continuamente por outros gladiadores e criaturas ferozes. As regras s?o simples: o time que conseguir encontrar e ativar tr¨ºs dos muitos artefatos m¨¢gicos espalhados pelo labirinto ser¨¢ o vencedor. ¡ª Ele fez uma pausa, deixando a informa??o penetrar nas mentes dos competidores e espectadores. ¡ª E tem mais! Qualquer gladiador que conseguir derrotar uma dupla principal ganhar¨¢ uma vaga como subordinado ao chefe da equipe derrotada. Lembrem-se, n?o basta apenas sobreviver. Voc¨ºs precisam ser r¨¢pidos e inteligentes. Ativem os tr¨ºs artefatos antes dos outros times e garantam a vit¨®ria. ¡ª Parece que ser¨¢ divertido ¡ª disse Ana com um sorriso confiante. ¡ª Divertido n?o ¨¦ a palavra que eu usaria ¡ª murmurou a Sombra, olhando para a entrada do labirinto com apreens?o. ¡ª Ali¨¢s, a arena n?o ¨¦ t?o grande assim, como v?o fazer um labirinto sem que fique simplesmente uma multid?o ca¨®tica? ¡ª Ah, n?o se preocupe, o labirinto foi uma das provas do ano passado, apesar de que ter gladiadores normais participando ¨¦ bem inesperado. ¨¦ uma estrutura bem impressionante, por sinal, mas muito claustrof¨®bica. Os port?es se abriram novamente, revelando o mesmo ch?o de terra batida de antes. O lugar vazio e pouco iluminado trouxe um olhar confuso para a Sombra.Help support creative writers by finding and reading their stories on the original site. ¡ª Fiquei com a mesma cara quando cheguei aqui ¡ª murmurou Ana. ¡ª Em breve deve come?ar¡­ De repente, o ch?o da arena come?ou a tremer e se mover. Blocos de pedra enormes emergiram do solo, erguendo-se para formar as paredes do labirinto. Em poucos minutos, uma estrutura imponente e complexa se erguia diante dos olhos at?nitos dos espectadores e gladiadores. O labirinto tinha quatro andares, com paredes altas e cobertas de musgo, acompanhadas de um ar ¨²mido e carregado de tens?o. Seus milhares de corredores eram estreitos e irregulares, quase n?o permitindo que duas pessoas caminhassem lado a lado. Pequenos drones, velozes e silenciosos, surgiram do c¨¦u, prontos para capturar cada momento e transmitir para as v¨¢rias telas que lentamente giravam ao redor da arena. ¡ª Impressionante¡­ ¡ª sussurrou a Sombra, seus olhos arregalados. ¡ª Eu avisei ¡ª respondeu Ana, ajustando a empunhadura de sua espada. ¡ª Est?o prontos? ¡ª gritou o apresentador. ¡ª Que os jogos comecem! As equipes correram para dentro do labirinto, o som de seus passos ecoando pelas paredes estreitas. Ana e a Sombra seguiram juntas, movendo-se com cuidado e velocidade. Dentro do labirinto, a atmosfera era opressiva. Os corredores sinuosos pareciam querer esmagar quem caminhava sobre eles, e muitas vezes terminavam em becos sem sa¨ªda. A ilumina??o era fraca, proveniente apenas de pequenas tochas colocadas esporadicamente nas paredes. Os drones acompanhavam de perto os movimentos dos gladiadores, suas lentes brilhando enquanto transmitiam a a??o para o p¨²blico. ¡ª Fique atenta a qualquer sinal dos artefatos ¡ª disse Ana, seus olhos escaneando o ambiente. ¡ª E as criaturas? ¡ª perguntou a Sombra. ¡ª Elas vir?o, mas felizmente as lutas por aqui costumam ser individuais. Enquanto avan?avam, ouviram os sons de luta ecoando pelos corredores. Gritos de dor e o clangor de espadas se chocando encheram o ar, lembrando-os constantemente do perigo ao redor. De repente, um grupo de criaturas saltou de uma abertura oculta nas paredes. Eram bestas pequenas e grotescas, com garras afiadas e olhos brilhantes. Vendo as duas mulheres, dispararam em sua dire??o de imediato, agarrando-se ¨¤s paredes e ao teto em ¨¢geis movimentos. ¡ª Voc¨º n?o disse lutas individuais? ¡ª Na pr¨®xima calo a merda da minha boca, agora s¨® corre! ¡ª gritou Ana, levantando a espada para interceptar o ataque da primeira besta. A lamina cortou o ar com um som agudo, cravando-se profundamente no cranio da criatura. A Sombra seguiu o exemplo, movendo-se com rapidez e precis?o. Sua espada bastarda desceu em um arco mortal, partindo uma das bestas em dois. ¡ª Continue se movendo! N?o podemos parar! ¡ª ordenou Ana, empurrando a Sombra adiante enquanto despachava mais uma criatura com um golpe certeiro. Elas correram pelos corredores estreitos, o som dos pequenos monstros seguindo-as de perto. Ao virarem uma esquina, deram de cara com um beco sem sa¨ªda. Ana bufou frustrada e procurou por qualquer sa¨ªda alternativa. ¡ª Por aqui! ¡ª gritou a Sombra, apontando para uma pequena abertura na parede oposta a onde estavam, grande o suficiente para que ambas passassem se rastejassem. ¡ª Vai! Eu seguro elas! ¡ª Com movimentos fluidos, Ana lutou para segurar as criaturas que as perseguiam enquanto a Sombra se arrastava pela abertura. Uma vez que a Sombra estava do outro lado, ela a seguiu rapidamente, sentindo as garras das bestas rasparem suas costas enquanto escapava por pouco. ¡ª Bom, para nossa sorte parecem hesitantes em atravessar e dar de cara com nossas laminas, parece que n?o s?o totalmente est¨²pidas ¡ª disse a garota enquanto tentava sentir a profundidade das feridas nas costas. ¡ª De qualquer forma, fique de olho, vou ativar essa belezinha aqui. Com as armas firmemente em m?os, a Sombra assentiu em concordancia, atenta a novos movimentos vindos dos arredores. Inesperadamente havia um pedestal no centro da sala na qual chegaram. Sobre o pedestal, um artefato arredondado brilhava intensamente com uma luz et¨¦rea. ¡ª A ativa??o ¨¦ algo complexo? ¡ª Na verdade n?o, ¨¦ bem anti clim¨¢tico. S¨® preciso pressionar isso aqui por quinze segundos ¡ª em meio a resposta, Ana abriu um pequeno compartimento escondido em meio a intensa luz. Nele, um bot?o vermelho estava posicionado, tirando um pouco da magia da ocasi?o. Em pouco tempo, a luz brilhou ainda mais intensamente, sinalizando sua ativa??o. Dois artefatos restavam. A equipe de Cassandra continuou a explorar os corredores do labirinto, atentas a qualquer sinal de perigo. As passagens eram cada vez mais apertadas, for?ando-as a caminhar em posi??es levemente diferentes. De repente, ouviram passos apressados atr¨¢s de si. Viraram-se rapidamente e se depararam com dois homens altos, ambos com express?es ferozes, prontos para atacar. ¡ª Parece que temos companhia ¡ª murmurou Ana, levantando sua espada. ¡ª Vamos acabar com isso rapidamente ¡ª respondeu a Sombra, assumindo uma postura de combate. Os gladiadores avan?aram, suas espadas cortando o ar em dire??o ¨¤s mulheres. O primeiro golpe foi desajeitado, facilmente evitado por Ana que deu um passo para o lado e contra-atacou com um movimento preciso, desarmando o oponente com um golpe r¨¢pido no punho. ¡ª Isso ¨¦ tudo que voc¨º tem? ¡ª zombou a garota, antes de desferir uma estocada r¨¢pida, perfurando seu oponente e voltando para a postura em um piscar de olhos. Enquanto isso, a Sombra enfrentava o segundo gladiador. Ele tentou um golpe de cima para baixo, mas a Sombra bloqueou com facilidade, girando a espada em um movimento fluido que desarmou seu advers¨¢rio. Com um chute r¨¢pido, ela o derrubou no ch?o. ¡ª Voc¨ºs deviam ter ficado fora disso ¡ª disse a Sombra, olhando para os gladiadores ca¨ªdos com desd¨¦m. Ana balan?ou a cabe?a, um sorriso ir?nico nos l¨¢bios. Sem perder mais tempo, as duas continuaram pelo labirinto. Cada passo era calculado, cada corredor explorado com cautela, enquanto buscavam o pr¨®ximo artefato. ¡ª Espero que os pr¨®ximos sejam mais desafiadores. ¡ª N?o subestime o labirinto, a quantidade de artefatos ¨¦ bem menor que a de elites, ent?o no fim todos acabam se concentrando no ¨²ltimo andar. Quanto mais nos aproximamos do objetivo, mais perigoso se torna ¡ª respondeu Ana, mantendo a guarda alta. ¡ª Acho que devemos estar nos aproximando de algo¡­ aquela sala ¨¦ realmente estranha. Seus dedos apontavam para um arco que levava a uma sala escura. Era maior e mais alta do que as outras, com v¨¢rias correntes cobrindo o ch?o e as paredes, e terminadas com suas pontas penduradas em uma grade no teto. As ligas de a?o balan?avam suavemente, emitindo um som met¨¢lico que ressoava pelo espa?o. ¡ª O que ¨¦ isso? ¡ª perguntou a Sombra. ¡ª Deve ser um mecanismo para subir para o pr¨®ximo andar ¡ª respondeu Ana, caminhando em dire??o ¨¤s correntes. ¡ª Fique atenta, pode haver armadilhas ou outras surpresas desagrad¨¢veis. ¡ª Se voc¨º sabe disso, n?o faz mais sentido buscarmos outro lugar? ¡ª N?o vai ser muito diferente do que quer que tenha aqui. Enquanto conversavam e exploravam a sala, perceberam que algumas correntes eram mais longas e robustas, claramente destinadas a serem escaladas. Ana agarrou uma delas, testando sua resist¨ºncia antes de se pendurar. ¡ª Vamos. Precisamos ser r¨¢pidas. A Sombra assentiu e agarrou outra corrente, come?ando a subir ao lado de Ana. O movimento aumentava o eco j¨¢ constante na sala, aumentando a sensa??o de urg¨ºncia. Quando estavam a meio caminho, um ru¨ªdo perturbador chamou a aten??o de ambas. Uma enorme centopeia, com um exoesqueleto escuro e olhos brilhantes, deslizou silenciosamente entre as correntes, enrolando-se nos elos como se fizesse parte deles. Seu corpo sinuoso e suas muitas patas se moviam com uma gra?a perigosa, e suas presas gotejavam um viscoso l¨ªquido escuro. ¡ª Cuidado! ¡ª gritou a Sombra, levantando sua arma. O inseto atacou com uma velocidade impressionante, tentando morder Ana, que conseguiu desviar por pouco. A Sombra golpeou a criatura, mas sua casca era dura como metal, e a lamina n?o conseguiu penetr¨¢-la. A centopeia se voltou para a garota p¨¢lida, suas presas mortais prontas para atacar. Aproveitando a distra??o, Ana desferiu um corte em dire??o a cabe?a da criatura, fazendo-a recuar momentaneamente. No entanto, ela se recuperou rapidamente, movendo-se ainda mais furiosamente entre as correntes. ¡ª Tem que haver uma maneira de par¨¢-la! ¡ª exclamou a Sombra, desviando-se de mais um ataque. ¡ª N?o podemos perder tempo aqui! Apenas suba rapidamente ¡ª gritou Ana. Com esfor?o redobrado, a Sombra come?ou a se lan?ar para cima, enquanto Ana usava todas as suas habilidades para manter o repugnante monstro ocupado. Finalmente, a Sombra alcan?ou a abertura no teto, puxando-se para cima com for?a. Olhando para a escurid?o abaixo, viu Ana lutar com todas as suas for?as. Golpes precisos e desvios r¨¢pidos marcaram a luta intensa entre a mercen¨¢ria e a centopeia. ¡ª Ana, vamos! Eu te puxo! ¡ª A Sombra estendeu a m?o, gritando. Com um ¨²ltimo esfor?o, Ana desferiu um golpe que fez a centopeia recuar o suficiente para lhe dar uma abertura. Agarrando-se ¨¤ corrente e imitando os movimentos que havia visto, come?ou a lan?ar-se para cima, deixando de lado qualquer preocupa??o com a seguran?a, pegando a m?o estendida pouco antes de um novo ataque chegar ¨¤s suas pernas. As duas se jogaram no ch?o, respirando pesadamente. A sala abaixo ecoou com o som frustrado do monstro, incapaz de segui-las. ¡ª Isso foi por pouco ¡ª disse Ana, respirando pesadamente. ¡ª Mas parece que realmente estamos com sorte hoje, h¨¢ um segundo altar! Sem perder tempo, a garota correu ao local, j¨¢ preparada para apertar o bot?o, quando de repente foram ouvidos passos r¨¢pidos se aproximando. Com uma virada brusca, viram a Bruxa, com seu sorriso s¨¢dico, tamb¨¦m correndo em dire??o ao artefato, seguida pelos novatos de Tiberius. ¡ª Mas que merda, eu s¨® precisava de quinze segundos! ¡ª murmurou Ana, puxando a espada da bainha.
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Capítulo 59 - Insanidade Carmesim
¡ª Eles s?o bons ¡ª comentou Ana, observando a luta de tr¨¢s de um pilar. ¡ª Mas ela ¨¦ melhor ¡ª respondeu a Sombra, enquanto a Bruxa lan?ava uma onda transparente, derrubando um dos novatos. Amanda estava afastada, sem conseguir ajudar no embate, enquanto a Bruxa atacava com ferocidade. Seus movimentos eram fluidos e precisos, e sua habilidade ao combinar estocadas de lan?a com um ¨¢gil controle do vento era impressionante. Ela gargalhava enquanto lutava, claramente aproveitando o desafio. Os novatos se moviam em sincronia, com ataques cont¨ªnuos com suas espadas curtas, for?ando a estranha mulher a recuar momentaneamente. Um dos r¨¢pidos cortes conseguiu atingir a esguia perna. Ela cambaleou, mas n?o caiu e, sem perder tempo, fez um pilar de vento lan?ar o novato contra a parede, dando espa?o para que saltasse para tr¨¢s. ¡ª Voc¨ºs s?o mais do que aparentam! ¡ª zombou a Bruxa. O grande fluxo de sangue que escorria de sua perna cessou repentinamente, e uma sutil fuma?a come?ou a emanar do l¨ªquido viscoso que j¨¢ havia escorrido sobre o local, acompanhado de um forte cheiro de carne. ¡ª Mas v?o ter que se esfor?ar um pouco mais se querem me parar ¡ª completou ela, dobrando a perna para confirmar que a ferida foi corretamente cauterizada. Sem mais palavras, a mulher lan?ou-se novamente para frente, ficando ainda mais agressiva. A ponta de sua lan?a foi direcionada ao cora??o do novato que foi atingido pela magia anterior, o qual ainda aparentava estar meio atordoado. Vendo seu companheiro em perigo, o segundo homem se jogou em um movimento improvisado em dire??o a arma, conseguindo desviar sua trajet¨®ria, mas sendo perfurado superficialmente na lateral de seu abd?men. ¡ª Eu venci ¡ª murmurou para si mesma, largando a lan?a e apontando a m?o para o ferimento. Murm¨²rios come?aram a sair de seus l¨¢bios antes de ela continuar com um alto grito. ¡ª Queime! ¡°¨¦ t?o vergonhoso¡±, pensou Ana, vendo a performance a sua frente, antes de ficar at?nita por nada ter acontecido. ¡ª Queime! Queime! Queime! Tamb¨¦m confusa, a Bruxa come?ou a repetir a ordem sem parar, cada vez trocando a m?o que apontava para a figura perfurada ¨¤ sua frente. Com movimentos lentos, o mascarado removeu a lan?a de seu corpo, mas ao inv¨¦s do sangue escorrer, a ferida come?ou a esfarelar. ¡ª Habitantes da cidade amaldi?oada, mas que surpresa ¡ª murmurou a Sombra. ¡ª Cidade amaldi?oada? O que ¨¦ isso?¡ª perguntou Ana, surpresa. ¡ª ¨¦ um lugar que¡­ assusta. Indignada com as palavras vagas, a mercen¨¢ria estava prestes a reclamar, mas os novos gritos vindos do altar atra¨ªram sua aten??o. ¡ª Desgra?ado, sangre! Eu preciso de sangue! Meio cambaleante, o novato se juntou a sua dupla, preparando-se para voltar ao ataque, mas foram surpreendidos quando a Bruxa se virou de costas e correu em dire??o a Amanda. ¡ª Vem aqui, sua in¨²til! ¡ª pegando a escrava assustada pelos bra?os e trazendo-a para perto, a insana mulher perfurou m¨²ltiplas vezes seu est?mago com uma adaga que tirou de seu cinto, sem hesita??o. O sangue jorrou, mas estranhamente n?o caiu no ch?o, tornando-se pequenas bolhas que flutuavam ao redor da Bruxa. A pequena sala lentamente se transformou em um palco macabro de sangue e poder. ¡ª Lysandra vai ficar brava. Voc¨ºs s?o os culpados, n?o v?o sair vivos daqui. As got¨ªculas se reuniam em uma grande bolha nas costas da gladiadora de elite, que com um alto ¡°plop¡±, explodiu, criando um esplendoroso manto de sangue. Sua boca n?o parou de sussurrar nem um momento, e em conjunto com movimentos estranhos de suas m?os, o l¨ªquido vital come?ou a formar estranhos tent¨¢culos afiados, lan?ando-se contra os novatos com velocidade e for?a. ¡°O vento parece comprimir o sangue, isso ¨¦ simplesmente incr¨ªvel¡­ e bem problem¨¢tico. Merda de mana¡±, Ana torcia o nariz ao ver a cena. Ela sempre sentiu que lutar contra humanos era mais simples do que enfrentar feras que agiam por instinto; movimentos previs¨ªveis, mesmo quando fortes. Um corpo com medo da dor, permitindo fintas que obrigavam lutadores a defender-se erroneamente. Uma mente que segue em dire??o ao ¨®bvio em momentos de desespero. Nada complexo. Mas Ana nunca havia precisado enfrentar um manipulador experiente, e vendo a luta a sua frente, entendia cada vez mais o qu?o grande era a distancia causada pelas suas desvantagens. Um dos novatos tentou bloquear o ataque, mas as laminas rodearam sua espada como se ela n?o existisse, deixando marcas profundas em seus bra?os de pedra. A Bruxa gargalhava enquanto atacava, seus olhos cada vez mais vermelhos, brilhando com uma loucura intensa. ¡ª Venham, est¨¢tuas miser¨¢veis! Mostrem-me o que podem fazer! ¡ª Ela gritou, erguendo Amanda no ar e drenando mais sangue do corpo ferido. Um dos tent¨¢culos pegou de surpresa um dos oponentes, envolvendo-o de imediato e esmagando-o com toda a for?a. Apesar de n?o sangrar, a estrutura do corpo come?ou a esfarelar sob a press?o. Vendo que as armas n?o tinham efeito ao atingir diretamente o sangue, o mascarado livre correu em dire??o a Bruxa, mas quando saltou para uma tentativa de ataque vinculado, se deparou com um sorriso aterrorizante e zombeteiro. ¡ª Te peguei, seu trouxa. A Bruxa mordeu fortemente as pr¨®prias bochechas, e com o sangue enchendo a boca, cuspiu em dire??o a seu inimigo ainda no ar. O l¨ªquido carmesim se solidificou em uma deformada lamina, atingindo o segundo novato e arrancando parte de seu bra?o. A destrui??o do membro comprometeu seu equil¨ªbrio, fazendo-o cair pesadamente no ch?o durante o pouso. Aproximando-se com passos lentos, a Bruxa pisou sobre seu pesco?o, e ap¨®s poucos segundos a pedra cedeu em milhares de pequenas rochas, destruindo-o por completo. O ¨²ltimo novato, percebendo a inevitabilidade da derrota e com finas rachaduras se espalhando por seu corpo, olhou em dire??o ao pilar de onde a equipe de Cassandra assistia tudo. A m¨¢scara trazia apenas uma express?o vazia, mas era como se seus olhos encontrassem os de Ana, como se quisesse transmitir uma ¨²ltima mensagem. A Bruxa, sem dar importancia, terminou de destruir a est¨¢tua restante com um aperto final, deixando apenas peda?os esfarelados no ch?o. Com a luta terminada, a Bruxa voltou-se para o altar e ativou o artefato, seu sorriso s¨¢dico ainda mais amplo. ¡ª Isso deve ser suficiente ¡ª disse ela, triunfante, antes de come?ar a se afastar saltitando. No entanto, de repente parou bruscamente, olhando para tr¨¢s com um olhar s¨¦rio. ¡ª Ei, Glutona, preste aten??o nos sinais.This tale has been unlawfully lifted from Royal Road; report any instances of this story if found elsewhere. Antes que Ana pudesse responder, a mulher ensanguentada voltou a seguir seu caminho. ¡ª Sinais? Do que ela est¨¢ falando? ¡ª N?o fa?o a m¨ªnima ideia¡­ ¡ª respondeu Ana, pensativa ¡ª Bom, eu n?o estou a fim de ir pelo mesmo caminho que ela, o que acha de irmos pela esquerda? A Sombra ao seu lado tamb¨¦m parecia pensativa, mas logo concordou com um aceno. Come?aram a se mover silenciosamente pelos corredores sombrios do labirinto. O sil¨ºncio provinha da cautela, e era quase palp¨¢vel, quebrado apenas pelo ocasional gotejar de ¨¢gua das paredes ¨²midas. De repente, os v¨¢rios corredores tornaram-se apenas uma linha reta, sem mais ramifica??es, e um som distante foi ouvido, um eco que parecia um grito. ¡ª Devemos ir at¨¦ l¨¢? ¡ª perguntou a Sombra, j¨¢ come?ando a tirar sua arma da bainha. ¡ª N?o temos muita escolha, voltar agora seria perca de tempo. ¡ª Espero n?o morrer ¨¤ toa por uma ¡°perca de tempo¡±. Sem mais discuss?o, correram at¨¦ o local. Quando chegaram ¨¤ origem do barulho, encontraram um grupo de gladiadores presos em uma camara, lutando contra uma criatura gigante e avermelhada. Sua apar¨ºncia era como a de um grande Oni com longas presas saindo de um grotesco rosto. Em suas costas, centenas de armas dos mais variados tipos perfuravam sua carne, profundamente cravadas em cicatrizes a muito tempo fechadas. A batalha era feroz, com os gladiadores tentando desesperadamente manter a criatura ¨¤ distancia. ¡ª No pesco?o dele, parece que ¨¦ nosso objetivo ¡ª indicou Ana ao notar uma coleira pendendo pesadamente, com uma chave brilhando sinistramente contra a pele suja. ¡ª Vamos acabar com isso r¨¢pido ¡ª murmurou a Sombra, firmando sua espada. As gladiadoras de elite se posicionaram enquanto o gigante avan?ava. A criatura atacou com uma velocidade surpreendente, seus punhos se movendo como ar¨ªetes. Ana desviou habilmente do primeiro golpe, sentindo o vento passar por seu rosto. A Sombra n?o perdeu tempo, circulando ao redor da criatura e desferindo um corte r¨¢pido em seu flanco. A lamina encontrou resist¨ºncia, mas conseguiu rasgar a pele endurecida. Os outros gladiadores que j¨¢ estavam no local tentaram ajudar, mas um a um foram derrubados, os gritos de dor e o som de ossos se quebrando ecoavam pelo corredor. Ana manteve sua aten??o no inimigo, suas habilidades de batalha testadas ao m¨¢ximo. A criatura lan?ava socos brutais, cada impacto fazendo o ch?o tremer. Ana esquivou de um gancho de direita e contra-atacou com uma estocada, atravessando o bra?o esquerdo do monstro. ¡ª ¨¦ forte, mas nada demais ¡ª gritou a Sombra, deslizando sob um golpe e cortando uma parte da perna da criatura. Rugindo de dor ao enfrentar a equipe bem coordenada, a criatura recuou alguns passos. Seus frios olhos encararam os pequenos humanos ¨¤ sua frente, e de repente a criatura percebeu que as espadas eram a fonte de sua desvantagem. Com uma express?o de compreens?o limitada, o monstro alcan?ou suas pr¨®prias costas e retirou uma grande e enferrujada lamina de uma das muitas feridas. Agora armado, ele balan?ou o peda?o de metal algumas vezes, tentando imitar o que estava vendo, e avan?ou com uma nova ferocidade. ¡ª Olha, ¨¦ um monstro bem esperto ¡ª brincou Ana, tamb¨¦m correndo para finalizar logo a luta. Seus olhos estavam calmos, mas logo se arregalaram de surpresa ao ser obrigada a bloquear um golpe poderoso, sentindo o impacto reverberar por todo o seu corpo. O monstro rugiu, como se estivesse feliz com o feito, e logo reagiu rapidamente, girando abruptamente e acertando um soco na lateral da cabe?a da sombra, que aproveitou a abertura anterior para tentar desferir um golpe no ombro do monstro. A mulher parecia ainda mais p¨¢lida enquanto tentava se levantar com pernas cambaleantes, cuspindo sangue misturado com alguns poucos dentes. ¡ª Sombra! ¡ª gritou Ana, desviando de outro golpe mortal e avan?ando com um corte limpo, acertando a lateral do corpo da criatura. A luta intensificou-se ainda mais, o monstro imitava habilidosamente os movimentos que via, e sua habilidade rec¨¦m descoberta se mostrava muito ¨²til, apesar de bruta. A maioria dos gladiadores comuns j¨¢ estavam mortos ou feridos demais para continuar, e Ana lutava com todas as suas for?as, sem conseguir causar um ferimento profundo o suficiente para encerrar o combate. A Sombra recuperou-se um pouco de seu atordoamento e voltou a lutar, sua lamina brilhando sob a luz t¨ºnue. Vendo ataques vindos de diferentes lados, a criatura tentou um ataque duplo, mas Ana e a Sombra desviaram em sincronia, contra-atacando com golpes precisos. O monstro rugiu, sentindo o ac¨²mulo de ferimentos enfraquece-lo. Mesmo assim, ele se recusava a cair, sua determina??o feroz o mantinha de p¨¦. ¡°Essa ¨¦ minha chance¡±, pensou Ana, notando o leve cambaleio do suposto Oni. Com uma velocidade impressionante, ela saltou nas costas da criatura, usando as muitas outras armas como apoio. Em um movimento improvisado, cravou sua espada profundamente onde acreditava estar o peito de seu inimigo. A criatura caiu de joelhos, e com um ¨²ltimo suspiro, tombou no ch?o, j¨¢ sem respirar. ¡ª Vivas, mais uma vez ¡ª sussurrou Ana, pegando a chave da coleira com um pux?o. Ofegantes e cobertas de sangue e suor, ambas caminharam em sil¨ºncio em dire??o ¨¤s grades que bloqueavam a sa¨ªda. A mercen¨¢ria inseriu a chave na fechadura e girou, ouvindo o clique satisfat¨®rio da trava se abrindo. Com um esfor?o conjunto, elas empurraram o enferrujado port?o, o qual abriu com um alto rangido. ¡ª Bem, imagino que isso era o m¨ªnimo a se esperar depois de tudo, n¨¦? ¡ª Tenho que concordar ¡ª respondeu a Sombra, aproximando-se do altar pr¨®ximo a parede e pressionando o bot?o. Ap¨®s o clique de ativa??o, enfaixaram algumas de suas feridas com pe?as de roupa rasgadas, e seguiram em dire??o a uma pequena escada, torcendo para n?o se tratar de alguma armadilha. Em meio ao segundo lance de degraus, Ana parou, erguendo a m?o. A Sombra congelou, ouvindo um som sutil, um zumbido baixo que parecia vir das paredes. ¡ª Mas que ¡°surpresa¡± ¡ª resmungou Ana em um tom ir?nico, puxando repentinamente a Sombra para perto. Antes que pudessem reagir, o corredor foi iluminado por uma luz vermelha, e as paredes come?aram a se mover, empurrando-as bruscamente em dire??o a uma camara aberta. Elas correram, tentando escapar, mas foram incapazes de igualar sua velocidade, sendo empurradas bruscamente em dire??o ao espa?o claustrof¨®bico. Com a porta se fechando atr¨¢s delas, Ana e a Sombra se viram prensadas uma contra a outra, sem espa?o para se mover no local que certamente n?o foi feito para duas pessoas. Apenas uma sa¨ªda era vis¨ªvel: uma abertura estreita no teto. ¡ª Ei! Cuidado com onde toca! ¡ª gritou Ana com um sutil sorriso malicioso, aliviando a tens?o enquanto estudava o local. A Sombra revirou os olhos, mas n?o p?de deixar de sorrir. O espa?o apertado for?ava seus corpos a ficarem pr¨®ximos, cada movimento m¨ªnimo era sentido pela outra. Elas tentaram se reposicionar, os bra?os e pernas se cruzando de forma desajeitada, enquanto procuravam uma maneira de alcan?ar a abertura no teto. Ana se contorceu para encontrar uma posi??o melhor, mas cada tentativa resultava em uma risada abafada ou um resmungo de frustra??o. ¡ª Isso est¨¢ ficando um pouco rid¨ªculo ¡ª murmurou Ana, tentando conter uma risada. ¡ª S¨® um pouco ¡ª respondeu a Sombra de forma leve, finalmente encontrando um ponto de apoio. Com algum esfor?o e colabora??o, conseguiram se preparar para escalar. A gladiadora impulsionou a Sombra, que se agarrou ¨¤ borda da abertura e, com for?a, a puxou para cima em seguida. Elas emergiram em uma nova se??o do labirinto, recuperando a compostura e preparando-se para o pr¨®ximo desafio. ¡ª Vamos, temos que continuar ¡ª disse Ana, tomando a dianteira, sua express?o s¨¦ria retornando. Esta parte possu¨ªa poucos corredores, sendo composta em sua maioria por bifurca??es em um amplo espa?o. Em certo momento passaram a sentir uma leve corrente de ar, sugerindo uma poss¨ªvel sa¨ªda, sendo esse o caminho escolhido sempre que necess¨¢rio. Conforme avan?avam, o local se convergia lentamente em uma camara maior, com colunas que lan?avam sombras longas e amea?adoras. No centro, um ¨²ltimo altar de pedra, iluminado por uma luz sobrenatural, as esperava. ¡ª Este deve ser o objetivo ¡ª murmurou Ana, aproximando-se com cuidado, s¨® para notar uma figura n?o muito grande sentada ao lado de uma das colunas. A Bruxa abra?ava seus pr¨®prios joelhos com seu sorriso habitual, mas levantou uma pequena m?o para acenar para as garotas, como se as convidando a se sentar tamb¨¦m. As garotas pararam, a encarando, at¨¦ que a gladiadora de Lysandra, notando a confus?o, apontou para um ponto que caminhava a passos r¨¢pidos em dire??o ao altar. Vendo que todos os presentes o olhavam, ele os encarou de volta com um olhar amea?ador, sua presen?a imponente enchendo a sala. ¡ª Parece que chegamos no mesmo momento ¡ª disse o Colosso, sua voz baixa mas claramente aud¨ªvel. ¡°Ah, foda-se tudo isso¡±, pensou Ana, seguindo o exemplo da Bruxa e sentando-se em uma coluna pr¨®xima. Seus olhos se fecharam com um suspiro cansado.
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Capítulo 60 - Desfecho Teatral
¡ª Vamos, descanse tamb¨¦m. Se o Colosso chegou, j¨¢ perdemos ¡ª disse Ana, resignada. ¡ª Como assim, j¨¢ perdemos? ¡ª exclamou a garota p¨¢lida, franzindo a testa. Confusa e indignada, ela avan?ou em dire??o ao gigante com sua espada em punho. Ana e a Bruxa riram enquanto a Sombra atacava o Colosso. Parecia que os gr?os de terra que compunham sua aura amarelada se solidificavam sempre que o ataque chegava, impedindo qualquer dano. O Colosso continuou caminhando calmamente em dire??o ao altar, ignorando os ataques da Sombra em um intenso sil¨ºncio. ¡ª Foi o mesmo ano passado ¡ª explicou Ana, ainda rindo. ¡ª Draven n?o liga para o p¨²blico. Ele apenas ordena que esse cara ven?a. O Colosso n?o luta, s¨® se defende com essa aura absurda. Nem mesmo aquela louca tenta lutar contra ele. Com um ¨²ltimo passo pesado, o Colosso chegou ao altar e pressionou o bot?o enquanto a Sombra continuava a atac¨¢-lo inutilmente. Os 15 segundos se passaram, e o narrador anunciou o fim da prova. ¡ª E o vencedor ¨¦... o Colosso! As equipes de Lysandra e de Cassandra ficam empatadas em segundo lugar, com dois altares cada! A Sombra parou de atacar, ofegante e frustrada. Ela olhou para Ana, que deu de ombros com um sorriso triste. ¡ª ¨¦ assim que funciona, Sombra. Ele ¨¦ quase um monstro, mas n?o um gladiador. A Sombra bufou, mostrando uma irrita??o pouco usual, mas n?o p?de deixar de admirar a estrat¨¦gia simples, mas eficaz, do homem. O labirinto come?ou a descer no ch?o, desmontando-se e deixando apenas o ¨²ltimo andar vis¨ªvel. Assim que os sobreviventes sa¨ªram, o labirinto terminou seu deslize para baixo, sumindo como se nunca tivesse aparecido ali. ¡ª Quero que o pr¨®ximo evento seja imediato! ¡ª A Bruxa, furiosa com o final anticlim¨¢tico, gritou com o apresentador. Sua raiva era evidente. ¡ª Uma luta de todos contra todos! ¡ª Eu... n?o posso mudar o roteiro¡­ ¡ª murmurou o apresentador, sem gra?a e hesitando. A Bruxa olhou ao redor, at¨¦ seus olhos pararem na sala alta dos chefes de arena. Draven observava a cena toda l¨¢ de cima, e pondo firmemente as m?os na cintura, a mulher come?ou a encar¨¢-lo. Finalmente, ap¨®s certa pondera??o, o homem levantou o polegar, permitindo a mudan?a no evento, mas logo fez um segundo sinal, usando o mesmo dedo para imitar um largo corte no pesco?o. ¡ª Muito bem¡­ ¡ª disse o narrador, levemente surpreso, mas aceitando a decis?o. ¡ª Senhoras e senhores, atendendo ao pedido de nossa bela Bruxa, anuncio um evento especial! Uma luta entre todos os sobreviventes¡­ At¨¦ a morte! Feliz, a mulher ensanguentada de cabelos loiros piscou para Ana e para o Colosso, pulando feliz enquanto se dirigia a um dos cantos da arena. Quando um alto sinal soou, o evento come?ou. ¡ª Se n?o querem morrer t?o r¨¢pido, fiquem ai. Tenho uma surpresa exclusiva para esse maldito pregui?oso ¡ª suas palavras r¨ªspidas foram dirigidas para Ana e para a Sombra, que apenas observaram o espet¨¢culo at¨¦ agora. A Bruxa ergueu sua lan?a, e uma onda de vento comprimido come?ou a girar ao redor da ponta. Finos fios de ar fizeram pequenos cortes em seus bra?os, e o sangue que escorria tamb¨¦m se juntava ¨¤ prepara??o do ataque. Suas vestes come?aram a voar loucamente com a for?a devastadora. De repente, com um forte impulso que usou seu corpo por completo, ela disparou para frente. A press?o aumentada do ar ao redor da lan?a gerava um som agudo, como um trov?o prestes a romper. ¡ª Vamos ver como voc¨º lida com isso! ¡ª gritou a mulher ensanguentada, desferindo um golpe que parecia quebrar o pr¨®prio ar. O Colosso apenas observava toda a cena, sem se mover um ¨²nico passo desde que tudo come?ou. Apesar disso, a poeira j¨¢ se reunia ¨¤ sua frente, pronta para o que estava por vir. Um sorriso sutil surgiu no rosto da bruxa em meio a sua f¨²ria, e sua lan?a estranhamente dispersou a aura amarela, acertando o gladiador diretamente no est?mago. Com um forte estrondo, o grande corpo foi lan?ado para tr¨¢s, batendo pesadamente no port?o de ferro as suas costas. O p¨²blico aplaudia intensamente, com a anima??o cada vez maior ao ver uma rara luta at¨¦ a morte entre elites.Reading on Amazon or a pirate site? This novel is from Royal Road. Support the author by reading it there. ¡ª Mas que porra foi essa ¡ª murmurou Ana, observando a luta com olhos atentos. ¡ª Porque t?o surpresa? N?o ¨¦ o mesmo que ela fez no labirinto? ¡ª perguntou a Sombra, intrigada. ¡ª N?o estou falando do ataque. Esse cara¡­ saltou para tr¨¢s ¡ª seus sussurros chegaram discretamente aos ouvidos de sua companheira. ¡ª Eles est?o fingindo! Uma nova explos?o foi ouvida, cortando as palavras finais da mercen¨¢ria. Cada impacto da lan?a da Bruxa fazia uma explos?o de sangue se espalhar para todo lado, peda?os de pedra caiam das paredes e o port?o tremia intensamente. ¡ª Vamos ver como essa porcaria de defesa vai te proteger disso! ¡ª vociferou a Bruxa, desferindo um novo golpe que fez o homem voltar a ser lan?ado. O Colosso, aparentemente cansado, usava sua enorme m?o para proteger o local exato onde a Bruxa direcionava seus ataques. Ana observava a cena, percebendo que havia um padr?o nos ataques que, apesar de espalhafatosos, claramente n?o causavam dano nenhum. Um estalo veio a sua mente ao ouvir um estranho rangido, e desembainhando sua espada, ela correu em dire??o a luta. ¡ª Me siga, vamos aproveitar a distra??o ¡ª gritou Ana, chamando a Sombra para seu lado, sua mente trabalhando r¨¢pido para entender o plano. O Colosso olhou na dire??o das duas mulheres, e vendo a a??o, a Bruxa tamb¨¦m virou levemente o rosto. ¡ª Isso, aproxime-se, vai facilitar meu trabalho quando eu acabar com esse aqui ¡ª seus gritos acompanhavam um novo ataque em prepara??o, ainda maior que os anteriores. ¡°Ela atua muito mal¡±, pensou Ana, vendo as falas estranhamente for?adas. Os p¨¦s n?o pararam de correr nem um instante, e em segundos j¨¢ estavam a poucos metros do local. Ana observou mais de perto a estrutura do port?o, notando que o metal estava quase cedendo. De repente, os olhos da Bruxa encontraram os dela, indo em seguida sutilmente em dire??o a lan?a, uma discreta indica??o do que deveria ser feito. ¡ª Corra em dire??o ao port?o. N?o pare. A Sombra arregalou os olhos ao receber a ordem, finalmente entendendo o que estavam prestes a fazer, e logo acelerou o passo. A espada de Ana desceu em um grande golpe de forma teatral, atingindo o cabo da lan?a onde part¨ªculas ainda se reuniam. No instante em que a trajet¨®ria da afiada arma foi alterada para baixo, a Bruxa disparou a mana acumulada, fazendo uma enorme nuvem de terra subir na arena ao atingir de forma explosiva o solo. Aproveitando a falta de vis?o repentina, o Colosso se jogou contra o port?o em uma pesada investida, fazendo o metal finalmente romper por completo com um grande estrondo, abrindo a passagem. ¡ª Vamos! ¡ª gritou a Bruxa, gesticulando freneticamente. Os quatro come?aram a correr juntos pelo corredor escuro, suas respira??es pesadas e passos r¨¢pidos ecoando nas paredes de pedra. O som da luta e dos aplausos do p¨²blico ficava para tr¨¢s enquanto avan?avam em dire??o ¨¤ liberdade. ¡ª Qual ¨¦ o plano agora? ¡ª perguntou Ana, mantendo o ritmo ao lado da Bruxa. ¡ª Fiz um acordo ¡ª respondeu a mulher, sua voz ofegante mas determinada. ¡ª Todos os port?es externos v?o ser abertos em poucos minutos. Se conseguirmos sair antes dos guardas nos alcan?arem, estaremos livres. ¡ª E por que nos ajudou? ¡ª Era um plano s¨® meu e do Colosso, mas foi conveniente termos voc¨ºs vivas e na mesma arena ¡ª explicou a Bruxa. ¡ª Assim temos mais chance de fugir dos guardas ao nos separarmos. A Sombra olhou para ela, ainda desconfiada, mas sem tempo para questionamentos. O grupo continuou correndo at¨¦ que, em certo momento, v¨¢rios guardas apareceram ao longe, bloqueando o caminho. ¡ª Foram mais r¨¢pidos do que pensei ¡ª exclamou Ana, preparando-se para lutar. ¡ª Acho que isso ¨¦ um adeus ¡ª disse a Bruxa, pegando a m?o do Colosso. ¡ª Voc¨ºs v?o para a esquerda, n¨®s para a direita. N?o sei por quanto tempo v?o conseguir manter a sa¨ªda livre, ent?o recomendo que corram. ¡ª Boa sorte! Se o destino desejar, nos reencontraremos ¡ª gritou o grande homem em sua mon¨®tona voz, desaparecendo na escurid?o. Ana viu os dois acenando de forma animada em um r¨¢pido tchau, e sem perder tempo se virou, voltando a correr enquanto alguns guardas come?avam a se aproximar. ¡ª Meu galp?o n?o ¨¦ longe daqui, vamos ver se aquelas coisas tem alguma utilidade. ¡ª Os lobos? ¡ª perguntou a Sombra, ap¨®s ponderar sobre o que Ana estava falando, ainda levemente confusa. ¡ª Sim, os lobos.
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Capítulo 61 - Amarga Fuga
¡ª Quanto voc¨º pesa? ¡ª perguntou Ana, em um tom de brincadeira, enquanto preparava os lobos. As criaturas estavam visivelmente inquietas, sentindo todo o caos no ar. A Sombra riu, mesmo no meio da tens?o. ¡ª Peso o suficiente para n?o quebrar um lobo ao meio, se ¨¦ isso que est¨¢ perguntando. Ana e a Sombra montaram as bestas de pelo vermelho e, com um ¨²ltimo olhar para o galp?o, partiram em dire??o ¨¤ liberdade. O terceiro lobo seguia atr¨¢s, ainda assustado, mas obediente. As mulheres correram pelos corredores a toda velocidade, desviando ou aparando golpes de alguns guardas que n?o conseguiram deter o ¨ªmpeto da fuga. ¡ª Voc¨º n?o tem nenhuma magia que possa nos ajudar? ¡ª perguntou Ana, enquanto olhava ao redor para garantir que estavam no caminho certo. ¡ª N?o sou boa em manipula??o ¡ª respondeu a Sombra. ¡ª Minhas habilidades n?o funcionam assim. Os lobos galopavam com todas as suas for?as, seus m¨²sculos tensos debaixo de suas peles. Podiam ver a sa¨ªda ao longe, o grande port?o estava aberto, mas lentamente come?ava a fechar. ¡ª Vamos, estamos quase l¨¢! ¡ª gritou Ana, inclinando-se para frente no lobo. Eles continuaram correndo, a adrenalina impulsionando cada movimento. Os guardas, vendo-as se aproximar ao longe, soltaram as correntes de forma descuidada, fazendo a pesada porta de ferro descer cada vez mais r¨¢pido. ¡°Me sinto em um filme de a??o clich¨º¡±, pensou a mercen¨¢ria, quando em uma cena emocionante conseguiram passar pela abertura por poucos cent¨ªmetros. Enquanto comemoravam internamente, um forte guincho de dor foi ouvido, atraindo seus olhares para tr¨¢s, onde o terceiro lobo foi brutalmente esmagado pelo port?o. Os outros lobos pareciam tristes, mesmo com suas express?es pouco humanas n?o sendo facilmente identificadas, mas n?o pararam de correr. Ana estendeu a m?o para confortar a criatura sob a qual montava, sentindo a perda do companheiro. ¡ª Eu sei como ¨¦ esse sentimento, mas continue correndo ¡ª murmurou Ana. ¡ª Vamos sair daqui. As grandes patas batiam no solo cada vez mais forte, quase n?o tocando o ch?o, conforme atravessavam velozmente pela cidade. Elas corriam entre as barracas, sentindo o vento em seus rostos e uma estranha alegria conforme as barracas eram derrubadas pelas fortes criaturas. O som dos guardas ficou cada vez mais distante, sendo substitu¨ªdo pelos mercadores que gritavam e tentavam salvar suas mercadorias, mas Ana e a Sombra n?o podiam parar. Enquanto passavam por uma das barracas, Ana viu um homem loiro parado, observando a cena. Era C¨¦sar, o l¨ªder da caravana escravista que a trouxe para a cidade. Seus olhos se encontraram por um momento, e o homem abriu os olhos, surpreso ao ver a gladiadora fugindo da cidade. ¡ª Ainda vou voltar para te matar ¡ª sussurrou Ana, com uma intensidade que s¨® ela podia sentir, mas que claramente foi transmitida ao escravista. Os lobos continuaram correndo desesperadamente, levando Ana e a Sombra para fora do mercado e em dire??o ¨¤ liberdade. Os port?es externos estavam abertos, e elas passaram por eles como um raio, deixando a sombria Tenebris para tr¨¢s. A floresta que se abria ¨¤ frente parecia um ref¨²gio seguro, um novo come?o. A brisa fresca e o c¨¦u aberto, mesmo que escuro, eram um contraste bem-vindo ao ambiente opressor do labirinto.
No topo de uma das muitas plataformas do alto muro, Cassandra observa as duas garotas se afastarem, uma express?o de pura f¨²ria mudava de forma macabra suas costumeira fei??o descontra¨ªda. ¡ª Traga tr¨ºs desses para mim ¡ª falou a mulher musculosa, gesticulando para seus subordinados. Tr¨ºs guardas correram at¨¦ ela, carregando pesados arp?es dourados. Ela pegou o primeiro, sentindo o peso e o frio do metal em suas m?os. Cassandra alinhou o corpo, inclinando-se ligeiramente para frente. Seu bra?o direito se esticou, enquanto o bra?o esquerdo se dobrava, mantendo o equil¨ªbrio. Seus olhos se estreitaram, focando na silhueta de Ana e da Sombra ao longe. Seus m¨²sculos se contra¨ªram, e ela firmou os p¨¦s no ch?o, posicionando-se com precis?o. Ap¨®s um profundo suspiro, o arp?o come?ou a emitir um leve brilho branco, que contrastava com sua bela cor original.This story has been stolen from Royal Road. If you read it on Amazon, please report it ¡ª Mercadoria n?o foge ¡ª murmurou, seus l¨¢bios formando uma linha dura enquanto sentia a tens?o nos ombros e nas costas, preparando-se para o lan?amento. ¡ª Sejam r¨¢pidos ao me entregar os pr¨®ximos. Ela puxou o bra?o ainda mais para tr¨¢s, seus m¨²sculos se destacando sob a pele, tensos a ponto de explodir. Com um movimento brusco e repentino, ela o lan?ou. O som do metal cortando o ar foi seguido pelo silvo agudo do proj¨¦til. A afiada arma voou, girando suavemente enquanto seguia sua trajet¨®ria. ¡ª Estou enferrujada¡­ ¡ª seus olhos claros observavam o brilho long¨ªnquo, firmemente preso ao solo, n?o tendo chegado at¨¦ a distancia desejada. Sem perder tempo, Cassandra pegou o segundo arp?o e se preparou novamente. Ela reposicionou o corpo, repetindo o ritual com a mesma concentra??o implac¨¢vel. Sua postura era a de um ca?ador veterano e seus olhos nunca deixaram o alvo, cada fibra de seu ser focando em um ¨²nico objetivo e a for?a de sua vontade sendo canalizada no objeto mortal. ¡ª Me d¨º o terceiro ¡ª sussurrou ela, com um grande sorriso ao ver o segundo lan?amento voar da forma esperada. Ana e a Sombra estavam quase fora de alcance quando o arp?o as alcan?ou. Em uma fra??o de segundo, o mundo pareceu desacelerar.
¡ª Vamos sobreviver a isso ¡ª disse Ana, com convic??o. A Sombra apenas sorriu, sem realmente responder, quando de repente um estrondo fez o solo tremer. ¡ª Mas que merda foi essa! ¡ª gritou Ana, vendo a haste brilhante presa no ch?o poucos metros atr¨¢s de onde estavam, perigosamente perto. Antes que pudesse entender por completo, outro brilho apareceu no c¨¦u, vindo em sua dire??o. Foi apenas um piscar de olhos, entre a vis?o e o acontecimento; O arp?o dourado atingiu a Sombra em cheio, perfurando seu corpo e acertando o lobo logo abaixo. Uma flor de sangue se formou no ar, espalhando-se como um macabro espet¨¢culo de cores vermelhas. A for?a do impacto fez com que ambos capotassem, rolando pelo ch?o em um caos de dor e desespero. Batendo com os calcanhares no lobo sob o qual estava, ela ordenou que ele virasse, correndo de volta para tentar pegar a companheira gravemente ferida. Com um salto, chegou em frente aos corpos ca¨ªdos. O lobo j¨¢ n?o tinha vida, enquanto a Sombra segurava firmemente o arp?o que ainda permanecia em seu est?mago. ¡ª Trave os dentes, isso vai doer ¡ª disse Ana, com firmeza enquanto arrancava o arp?o em um ¨²nico movimento. O sangue come?ou a jorrar da ferida, mas n?o havia tempo para isso. A Sombra estava quase desmaiando, mas conseguiu subir no lobo restante junto com Ana. ¡°Fui descuidada¡±, os olhos da mercen¨¢ria captaram uma nova luz vindo das muralhas. O novo arp?o voou a uma velocidade tremenda, n?o houve tempo para pensar ou se esquivar adequadamente, mas sem o elemento surpresa, Ana conseguiu se jogar para o lado no ¨²ltimo instante. A lateral do seu abd?men ainda foi perfurada, deixando um grande e agoniante buraco, mas n?o era t?o grave quanto o de sua companheira. Cassandra observou, sua express?o, uma mistura de f¨²ria e desgosto, sabendo que tinha perdido a oportunidade, mas tamb¨¦m com um toque de divertimento ao ver que acertou seu alvo. Com o corpo tremendo pela ferida e um grande esfor?o, Ana tamb¨¦m subiu na criatura, a qual come?ou a avan?ar de imediato em dire??o ¨¤s altas ¨¢rvores de um intenso verde escuro. Ana segurou os pelos, agora rangidos de um vermelho ainda mais intenso, com firmeza, guiando o lobo para dentro da mata densa. Tudo passava como um borr?o para as mulheres que mal mantinham o equil¨ªbrio. Cada segundo parecia uma eternidade enquanto calafrios perfuravam seus ossos com a gelada brisa que se formava conforme avan?avam. ¡ª Para onde isso leva? ¡ª perguntou a Sombra, sua voz apenas uma pequena rouquid?o, quase inaud¨ªvel. ¡ª N?o sei, e sinceramente, n?o me importo. Vamos parar aqui um momento ¡ª disse Ana, ofegante. ¡ª J¨¢ deve ser o suficiente para n?o nos encontrarem por um tempo. Estavam em uma pequena clareira, escondida pela alta e espessa vegeta??o. Ana desceu do lobo e ajudou a Sombra a descer tamb¨¦m. A garota dos chifres quebrados estava visivelmente pior, seus olhos opacos encaravam de forma pensativa o nada. O sangue continuava a escorrer da ferida de ambas, e Ana sabia que precisava fazer algo r¨¢pido. ¡ª Vou tentar te salvar ¡ª disse Ana, enquanto circundava a pr¨®pria cintura com peda?os de sua camisa rasgada. A Sombra segurou o bra?o dela, impedindo-a. ¡ª N?o ¨¦ necess¨¢rio ¡ª disse ela, com um sorriso melanc¨®lico. ¡ª Esse corpo sobrevive por pura teimosia, n?o tem mais o que salvar ¡ª seus olhos apontavam para o solo nitidamente vis¨ªvel atrav¨¦s do local onde seu intestino grosso deveria estar. ¡ª N?o esperava acabar assim, mas n?o ¨¦ de todo mal. Vou encontrar a M?e. Ana segurou a m?o da Sombra, l¨¢grimas n?o sa¨ªam, mas seus olhos exibiam uma intensa tristeza, algo que ela n?o recordava ter sentido em outras ocasi?es. ¡ª Voc¨º n?o est¨¢ muito melhor que eu, n?o deveria estar se preocupando comigo. Na verdade, tamb¨¦m duvido que v¨¢ sobreviver. ¡ª Sou mais forte do que pare?o ¡ª resmungou a garota, for?ando um sorriso, mesmo com seu curativo improvisado j¨¢ empapado com o sangue que n?o foi devidamente estancado. ¡ª Use minha for?a para sobreviver. Voc¨º ¨¦ a Glutona, n?o ¨¦? Sua voz era t?o fraca que mesmo Ana teve que for?ar sua audi??o para ouvir. ¡ª Me consuma¡­ Um sutil sorriso surgia conforme seus olhos se fechavam. ¡ª Cres?a¡­ Suas ¨²ltimas palavras acompanharam um curto suspiro antes de sucumbir ¨¤ escurid?o eterna.
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Capítulo 62 - Yin Yang
A enorme quantidade de sangue escorrendo de sua cintura j¨¢ causava tonturas. N?o havia tempo para hesita??o. A decis?o estava clara, mas o ato em si era horr¨ªvel. ¡ª ¨¦ diferente de comer um animal ¡ª resmungou Ana, torcendo a boca em um pequeno beicinho. Com um movimento r¨¢pido, ela come?ou a abrir o peito da Sombra. Era uma sensa??o estranha, mas pela primeira vez em muitos anos, suas m?os estavam tremendo enquanto trabalhava. Dentro da caixa tor¨¢cica um cora??o negro ainda pulsava lentamente, como se recusasse a aceitar o fato de que o corpo em que estava j¨¢ n?o respirava. O contraste entre a pele p¨¢lida da Sombra e o cora??o escuro era macabro, mas Ana n?o tinha escolha. Ela sabia que precisava consumir essa for?a para se recuperar, para sobreviver. Ela pegou o cora??o nas m?os, sentindo a textura fria e dura. O peso da responsabilidade e do sacrif¨ªcio de sua amiga rec¨¦m feita a pressionava. Ap¨®s mais um breve momento de hesita??o, ela levou o cora??o ¨¤ boca, dando uma grande primeira mordida. ¡°N?o ¨¦ como se eu esperasse um carpaccio, mas isso ¨¦ simplesmente horr¨ªvel¡­¡±, pensou, enquanto o gosto amargo e mais met¨¢lico do que o sangue comum passava por sua boca. A mercen¨¢ria teve que lutar contra o reflexo de n¨¢usea que subia por sua garganta. Assim que come?ou a comer o cora??o, sentiu a t?o esperada onda de energia invadir seu corpo. ¡°N?o era pra ser assim!¡± Imediatamente ap¨®s perceber que algo estava errado, ela caiu no ch?o, tossindo sangue. Sentiu seu corpo queimar por dentro, como se um fogo estivesse consumindo cada c¨¦lula. ¡°Filha da puta¡­ no fim ¨¦ voc¨º quem vai me matar?¡±, seu olhar de zombaria caiu sobre o corpo sem vida a seu lado. Ela estava convulsionando enquanto o que consumiu da Sombra se fundia a ela. N?o tinha for?a para gritar, por¨¦m ainda assim tentava, mas a dor era t?o intensa que roubava seu f?lego. Enquanto sua mente vagava pela tortura, lembrou-se de todas as dores extremas que j¨¢ havia sentido. Cada cicatriz, cada ferimento, cada perda, tudo parecia insignificante em compara??o ao que estava sentindo agora, nada se comparava a isso. Era uma dor que transcendia o f¨ªsico, uma agonia que parecia atingir sua pr¨®pria ess¨ºncia. ¡°Sempre existe uma dor pior?¡±, se perguntou, ficando curiosa sobre qual seria o ¨¢pice do sofrimento. ¡°Talvez uma vida tranquila seja s¨® o come?o. Na hora de morrer, espero poder experimentar a "dor perfeita"¡°. De repente, em meio a divaga??es que buscavam um sentido para tudo o que estava passando, algo ainda mais intenso come?ou a crescer em seu peito. Era como se uma roda de energia estivesse girando cada vez mais r¨¢pido, tentando destruir tudo em seu caminho. O cora??o pulsava loucamente, e ela sentia a pouca mana ainda n?o absorvida de suas ¨²ltimas refei??es bater de frente com outra coisa dentro dela. ¡°Mana reversa! Mas que grande merda¡­¡± A mana da Sombra, escura e densa, se chocou violentamente com a mana comum, que poderia ser descrita como pura e luminosa. A fus?o dessas energias criava uma turbul¨ºncia que parecia estar prestes a rasgar seu corpo ao meio. Ana tentou usar sua pr¨®pria for?a de vontade para controlar a fus?o, mas a sua consci¨ºncia ia e voltava enquanto era destru¨ªda por dentro. Finalmente, o choque dos opostos atingiu um ponto culminante. Ela n?o conseguia respirar, e sua pele come?ou a ficar mais p¨¢lida, quase transl¨²cida, antes de voltar para um leve tom rosado. Sentia como se estivesse sendo transformada, cada c¨¦lula de seu corpo sendo alterada pela fus?o das energias opostas. Ana podia sentir sua carne se contorcendo, os m¨²sculos se contraindo de maneira involunt¨¢ria. O calor era t?o intenso que a pele parecia estar derretendo. Em alguns momentos, a dor era t?o aguda que parecia que sua vis?o estava se fragmentando, como um espelho quebrado. Finalmente, a exaust?o tomou conta. Sem for?as para continuar lutando, Ana desmaiou, seu corpo caiu pesado na grama ¨²mida. As ¨²ltimas sensa??es que teve foram de calor e frio se alternando enquanto sua consci¨ºncia se apagava.
¡ª Faz mais de um ano desde que nos vimos pela ¨²ltima vez, garota. Ana olhou para a dire??o da voz, surpresa e confusa. ¡ª Acho que preciso me desculpar pelo ¨²ltimo encontro, talvez eu tenha sido meio¡­ rude. Ana n?o respondeu, apenas se alongou e deu um grande bocejo. ¡ª Vir aqui ¨¦ sempre t?o bom, quase faz compensar a dor. Essa branquid?o toda me renova. ¡ª Vai realmente me ignorar? Aceite minhas desculpas!If you stumble upon this narrative on Amazon, be aware that it has been stolen from Royal Road. Please report it. ¡ª Eu j¨¢ te conhe?o h¨¢ muito tempo, Gabriel. Voc¨º j¨¢ falou muita merda pior ao longo dos anos, ent?o n?o se importe tanto. O anjo a encarou, como se estivesse pensando o que fazer em seguida. ¡ª Ent?o t¨¢¡­ bom, de qualquer forma eu tenho que dizer que me arrependo do que disse antes. Voc¨º ainda ¨¦ uma falha, mas ¨¦ um puta de uma falha! Voc¨º a devorou! ¡ª as palavras sa¨ªram como um grito estridente, seguidas por altas gargalhadas. ¡ª O que isso muda? J¨¢ comi muita coisa estranha¡­ ¡ª Essa ¨¦ a melhor parte, eu n?o sei! Nunca pensei em fazer um ser bizarro como voc¨º comer outras falhas que possuem mana reversa, mas acredito que ser¨¢ bom para seu crescimento. ¡ª Sinto que simplesmente fodi meu corpo¡­ ¡ª resmungou Ana, sentindo um arrepio ao lembrar da intensa dor. ¡ª Um pouco, mas olhe pelo lado bom, ¨¦ uma das poucas formas que podem fazer voc¨º ir al¨¦m. ¡ª Isso significa que vou abrir alguns selos? ¡ª Voc¨º est¨¢ realmente com pressa para se livrar de mim? ¡ª perguntou o anjo, com uma cara de tristeza claramente fingida. ¡ª Vamos, s¨® fala de uma vez, hoje n?o est¨¢ sendo um dia bom¡­ ¡ª Certo, certo, de qualquer forma o tempo que temos est¨¢ acabando. Voc¨º n?o vai abrir seus selos, seu corpo por enquanto ¨¦ s¨® uma bateria ambulante, n?o vai aguentar muito al¨¦m do que aguentava. Mas posso te dar um caminho! Sem esperar uma nova resposta da garota, o anjo estendeu suas duas m?os, e a vis?o de Ana foi preenchida por um grande clar?o. Uma s¨¦rie de imagens come?ou a se formar em sua mente, e fragmentos de lembran?as a muito perdidas retornaram de uma s¨® vez.
Data: Provavelmente 15 de mar?o de 801, certo? Nome do Experimento: Modifica??o Gen¨¦tica em Mam¨ªferos Objetivo: Utiliza??o de tecnologia emergente CRISPR para editar genes de pequenos mam¨ªferos Experimento 1: Coelho Branco Modifica??o: Inser??o de genes de bioluminesc¨ºncia Procedimento: Extra??o de genes de bioluminesc¨ºncia de medusas. Utiliza??o de CRISPR para inserir esses genes no DNA do coelho. Resultado: O coelho apresentou bioluminesc¨ºncia em condi??es de pouca luz. Apesar do sucesso, foi previs¨ªvel e n?o trouxe a satisfa??o que eu esperava.
Data: 20 de abril de 801 Nome do Experimento: Transplante de Cabe?a em Roedores Objetivo: Verificar a viabilidade de transplantes completos de ¨®rg?os vitais Experimento 7: Dois Ratos Modifica??o: Transplante de cabe?a entre os sujeitos Procedimento: Anestesia dos ratos. Realiza??o de cirurgia para remover a cabe?a de um rato e transplant¨¢-la para o corpo do outro. Resultado: O rato transplantado mostrou sinais de vida por alguns minutos, mas eventualmente morreu. A complexidade do procedimento e a rejei??o do ¨®rg?o levaram ao insucesso, mas o experimento revelou muito sobre a conex?o neural e vascular.
Data: 15 de junho de 802 Nome do Experimento: Regenera??o Acelerada de Tecidos Objetivo: Estudar a capacidade de regenera??o em organismos geneticamente modificados Experimento 11: Lagarto de Cauda Verde Modifica??o: Inser??o de genes de regenera??o de axolotes Procedimento: Extra??o de genes de axolotes, conhecidos por suas capacidades regenerativas. Edi??o do genoma do lagarto para incluir esses genes. Resultado: O lagarto mostrou uma capacidade ainda mais impressionante de regenerar membros amputados, mas com deformidades significativas. Os novos membros eram frequentemente desproporcionais e disfuncionais.
Data: 5 de agosto de 802 Nome do Experimento: Altera??o de Caracter¨ªsticas Cognitivas em Mam¨ªferos Objetivo: Aumento da intelig¨ºncia e habilidades cognitivas Experimento 21: Cachorro Marrom Modifica??o: Inser??o de genes relacionados ¨¤ cogni??o avan?ada Extra??o de genes de intelig¨ºncia de corvos. Edi??o do genoma do cachorro para incluir esses genes. Resultado: O cachorro mostrou sinais de cogni??o avan?ada, como a capacidade de resolver problemas complexos. S¨® um cachorro menos burro¡­
Data: 5 de mar?o de 803 Nome do Experimento: Infus?o de Tecidos de s¨ªmio com DNA de Plantas Objetivo: Estudar a viabilidade de hibridiza??o entre plantas e mam¨ªferos Experimento 39: Embri?o de macaco prego Modifica??o: Inser??o de genes de fotoss¨ªntese de plantas Procedimento: Extra??o de genes respons¨¢veis pela fotoss¨ªntese em plantas. Infus?o desses genes em um embri?o s¨ªmio utilizando CRISPR. Resultado: O embri?o mostrou sinais iniciais de capacidade fotossint¨¦tica, mas n?o se desenvolveu al¨¦m do est¨¢gio inicial. O experimento revelou um pouco mais do limites da hibridiza??o entre reinos biol¨®gicos distintos.
Data: 2 de setembro de 806 Nome do Experimento: Cria??o de Quimeras Gen¨¦ticas Objetivo: Combinar DNA de diferentes esp¨¦cies para criar um organismo h¨ªbrido Experimento 78: Embri?o de Cabra Modifica??o: Inser??o de genes de aranhas para produ??o de seda Procedimento: Extra??o de genes de aranhas que produzem seda. Inser??o desses genes no embri?o de cabra utilizando CRISPR. Resultado: A cabra nasceu com a capacidade de produzir seda a partir de suas glandulas mam¨¢rias. Apesar do sucesso inicial, o organismo h¨ªbrido sofreu de v¨¢rias deformidades e problemas de sa¨²de, morrendo ap¨®s alguns meses. Aqui, abandono as pesquisas, j¨¢ n?o tem mais gra?a. O conhecimento e a previs?o dos resultados tornam os experimentos sem sentido.
Ana despertou com o lobo encostando o focinho em seu rosto, sua respira??o era quente e reconfortante. Sentia o estranho ardor dentro de si, mais fraco que antes, mas ainda presente, amea?ando sair de controle a todo instante. Cada inspira??o trazia um misto de al¨ªvio e dor. Seu corpo inteiro parecia latejar, mas ao mesmo tempo sentia-se mais leve do que antes. Ela olhou para sua ferida, notando que uma grande cicatriz estava presente onde a carne voltou a crescer, como se fosse algo antigo que se recuperou mal. O mundo ao seu redor parecia mais n¨ªtido agora, cada detalhe das ¨¢rvores e do terreno acidentado da floresta ganhando uma nova intensidade. ¡ª Preciso de um laborat¨®rio ¡ª murmurou para si mesma, estabelecendo um objetivo claro. ¡ª Me pergunto como tudo vai funcionar agora que a mana existe. Seus pensamentos voltaram aos experimentos macabros que realizara s¨¦culos atr¨¢s. A curiosidade m¨®rbida que a levou a explorar os limites da ci¨ºncia e da ¨¦tica, a busca incessante por algo que preenchesse o vazio dentro dela. As mem¨®rias dos animais h¨ªbridos, dos transplantes grotescos e das quimeras gen¨¦ticas vinham ¨¤ tona, como um filme de horror projetado em sua mente. Ana sentia que a mesma obsess?o come?ava a ressurgir. Mas dessa vez n?o era apenas a curiosidade que a movia, mas a necessidade de sobreviver, a necessidade de crescer, se transformar. De usar seu conhecimento para se tornar algo mais. Enquanto se levantava, cada movimento exigia um esfor?o tremendo. O lobo ao seu lado parecia perceber sua dificuldade, encostando-se mais pr¨®ximo, oferecendo um suporte silencioso. Ana acariciou a cabe?a da criatura, sentindo que a conex?o de mestre servo anterior foi substitu¨ªda por algo novo, uma liga??o de dor compartilhada proveniente da solid?o em que se encontravam. ¡°Uma bateria ambulante, n¨¦?¡± Ela podia sentir a mana ser parte de si pela primeira vez, mas a estranha energia apenas pulsava continuamente em seu cora??o, n?o havia fluxo ou qualquer benef¨ªcio substancial aparente. ¡ª Parece s¨® uma porcaria in¨²til¡­ Vamos, garoto ¡ª sussurrou ela, for?ando um sorriso enquanto se apoiava no lobo para se equilibrar. ¡ª Temos muito a fazer.
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Capítulo 63 - Ir?nico Destino
Ana estava sentada em frente a uma fogueira, com os olhos fixos nas chamas dan?antes. O crepitar do fogo era o ¨²nico som al¨¦m do farfalhar suave das folhas, e a luz amarelada lan?ava sombras longas e inquietas ao redor do acampamento. Ao seu lado, o lobo repousava, a cabe?a apoiada em suas patas, observando-a com olhos atentos e penetrantes. ¡ª ¨¦ triste ter fogo e n?o poder fritar a carne ¡ª reclamou Ana, dando um suspiro enquanto mordia um grande peda?o cru. ¡ª N?o ¨¦ mesmo, garoto? O lobo levantou a cabe?a ligeiramente, como se entendesse a frustra??o da sua dona. Seus olhos brilhavam com uma intelig¨ºncia quase humana, e ele soltou um som baixo, quase um gemido de concordancia. A garota jogou o osso vazio na fogueira e observou-o crepitar e se transformar lentamente em cinzas, sentindo uma mistura de melancolia e determina??o. Nos ¨²ltimos dias, ela havia dedicado todo o seu tempo a entender o novo cora??o que agora batia dentro de seu peito. Cada teste, cada pequeno experimento era um passo para desvendar os mist¨¦rios que envolviam sua nova condi??o. Ela sempre foi meticulosa e met¨®dica, e dessa vez n?o foi diferente. Sempre que consumia carne com mana ou matava uma criatura, sentia o cora??o aquecer um pouco, pulsando com uma energia latente. Por enquanto, ela s¨® havia matado pequenas criaturas, animais da floresta que n?o ofereciam muito desafio. Mesmo assim, a sensa??o era inconfund¨ªvel. O calor aumentava, centrando-se em seu ¨®rg?o vital em ondas suaves, mas percept¨ªveis. Ela tentou usar a mana de v¨¢rias formas. Concentrou-se, tentou canalizar a energia para suas m?os, para seus ferimentos, para objetos ao seu redor. Mas sempre que fazia isso, sentia seu corpo ferver, o cora??o disparar descontroladamente, e nada acontecia. ¡ª O que est¨¢ faltando s?o as veias ¡ª murmurou para si mesma, olhando para o lobo como se ele pudesse oferecer alguma solu??o. ¡ª O cora??o tem a energia, mas n?o consegue distribu¨ª-la pelo corpo. ¨¦ como um rio represado, sem canais. Apesar disso, ela notou algumas mudan?as sutis em seu corpo. Pequenos arranh?es se curavam mais r¨¢pido do que antes. O cansa?o agora desaparecia em quest?o de minutos de descanso, e n?o horas. Seu corpo estava, aos poucos, se adaptando ¨¤ nova fonte de energia, mesmo que de maneira imperfeita. O pensamento de que ela estava evoluindo, mesmo que lentamente, trazia um leve conforto. De repente, em meio a uma tediosa brincadeira com um graveto enquanto estava perdida em seus pensamentos, um grito desesperado cortou o sil¨ºncio da noite. Era o som de uma menina, um chamado de socorro que ressoou pela floresta, fazendo o lobo levantar a cabe?a instantaneamente, com suas orelhas alertas.. ¡ª Isso n?o ¨¦ um bom sinal ¡ª disse Ana, levantando-se em um salto. Ela apagou a fogueira com um chute de terra, pegou sua lamina e voltou a se sentar, mas dessa vez, com os sentidos agu?ados, pronta para qualquer perigo s¨²bito. A criatura vermelha a seu lado assumiu uma postura de ataque, com um leve rosnado, indicando que algo se aproximava. ¡ª Deite-se ¡ª ordenou Ana, sua voz firme. ¡ª N?o quero ser escravizada de novo. Ela havia ignorado toda vida humana que via ao longe, sempre passando pela floresta sem se envolver. N?o cometeria o mesmo erro de se deixar capturar novamente. Mas o lobo inclinou a cabe?a e fez um som, quase como um gemido, pedindo para ela ir investigar. Os gritos ficaram mais claros ¨¤ medida que se aproximavam. Ela podia ouvir o som de galhos quebrando, passos pesados e respira??es ofegantes. De repente, viu a silhueta da crian?a passando a poucos metros. Ana suspirou, passando a m?o pelo rosto em sinal de resigna??o. ¡ª S¨® dessa vez ¡ª murmurou, irritada. ¡ª S¨® dessa vez. Montando no lobo, partiram em dire??o ao som, suas habilidades de ca?a naturais permitindo que se movessem rapidamente e em sil¨ºncio. Logo chegaram a uma clareira e viram a menina, talvez com uns doze anos e curtos cabelos pretos, desesperada. Atr¨¢s dela, um monstro estranho, uma mistura de coelho com chifres, dentes afiados e um olhar sinistro, estava prestes a saltar em um ataque.Unauthorized tale usage: if you spot this story on Amazon, report the violation. A menina segurava uma adaga prateada ¨¤ sua frente, tentando se defender mesmo com cada vez mais l¨¢grimas escorrendo de seus olhos. ¡ª Interessante ¡ª murmurou a mercen¨¢ria para si mesma, um leve sorriso curvando seus l¨¢bios enquanto observava por um momento a cena da crian?a armada. O lobo bufou impacientemente, e Ana revirou os olhos. ¡ª Ok, ok, eu vou ajudar. Com um salto, desceu das costas da criatura e pegou uma pedra no ch?o. Em um movimento r¨¢pido e preciso, mas levemente descuidado, atirou em dire??o ao monstro. A cabe?a da criatura explodiu com o impacto, sem oferecer resist¨ºncia. O som do cranio se partindo ecoou pela clareira, e o corpo inerte caiu com um baque surdo. A menina, ainda tremendo de medo, caiu de joelhos, olhando para a mulher acompanhada do grande lobo com olhos arregalados ao perceber que havia sido salva. Ana se aproximou com passos lentos, pegando a pedra suja de sangue e miolos de coelho com certa curiosidade, antes de finalmente voltar para a pequena garota. ¡ª Voc¨º ¨¦ muito corajosa ¡ª disse Ana, com um tom de aprova??o. ¡ª Mas deveria voltar para casa logo. ¡ª Obrigada... muito obrigada¡­ ¡ª secando os olhos com a manga da roupa, a menina conseguiu balbuciar um agradecimento em meio a solu?os. A gratid?o em seus olhos era evidente, mas havia tamb¨¦m um tra?o de medo. Ana estendeu a m?o e a ajudou a levantar-se, quando a arma nas m?os da garota chamou sua aten??o. A lamina parecia antiga, mas bem cuidada. ¡ª Devo estar ficando louca depois de tanto tempo sem minha faca¡­ ¡ª murmurou para si mesma. ¡ª Ei, voc¨º tem uma bela arma, posso ver isso um instante? A garota, que estava agradecendo, abra?ou a faca com for?a, recusando-se a entreg¨¢-la e se afastando rapidamente. ¡ª O que foi? Fiz algo errado? ¡ª perguntou Ana, confusa. ¡ª ¨¦ uma das armas da Deusa do Ferro ¡ª respondeu a menina, com os olhos arregalados de medo e determina??o. ¡ª N?o posso dar para estranhos! Ana franziu a testa, intrigada com a rea??o da menina. A resposta da garota s¨® aumentava seu interesse. ¡ª Deusa do ferro? ¡ª repetiu, olhando mais atentamente para a adaga. ¡ª Quem ¨¦ essa deusa? A menina hesitou, abra?ando a adaga ainda mais forte, seus olhos cheios de desconfian?a e medo. Ana respirou fundo, tentando suavizar sua express?o. ¡ª Como voc¨º se chama? ¡ª L¨²cia. ¡ª Muito bem, L¨²cia. Meu nome ¨¦ Ana, e este ¨¦ meu amigo ¡ª disse ela, apontando para o lobo. ¡ª Ele n?o tem um nome, mas ¨¦ um bom companheiro. L¨²cia olhou para o lobo com curiosidade, e ele inclinou a cabe?a ligeiramente, como se reconhecesse a apresenta??o. A menina pareceu relaxar um pouco, os ombros menos tensos, e logo se levantou, batendo nas cal?as para tirar a terra. ¡ª Escute, n?o vou tirar nada de voc¨º, s¨® quero entender o que est¨¢ acontecendo. A menina mordeu o l¨¢bio, considerando as palavras de Ana. Finalmente, ela deu um passo hesitante em dire??o ¨¤ mercen¨¢ria. ¡ª Eu... eu n?o conhe?o muito bem a deusa¡­ mas minha m?e disse que ela salvou todo mundo quando a gente veio pro mundo escuro. ¡ª Salvou? ¡ª Sim! Ningu¨¦m viu ela, mas ela deixou essas armas para nos proteger dos monstros! Tenho certeza que ela nos vigia de algum lugar. ¡ª E como uma crian?a carrega a arma de uma deusa t?o casualmente? ¡ª perguntou Ana, desconfiada. Quanto mais olhava para a arma, mais algo profundamente enterrado em sua mente despertava. ¡ª ¨¦ que... havia tantas armas! ¡ª disse L¨²cia finalmente, com uma excita??o crescente em sua voz. ¡ª Era como um mar! Um mar de armas brilhantes e afiadas. A deusa foi muito generosa, deixou um mont?o delas para n¨®s. ¡ª Deusa do Ferro¡­ quem diria ¡ª sussurrou a antiga ferreira para si mesma, de forma quase inaud¨ªvel, ao entender o motivo da adaga trazer mem¨®rias distantes. Aos poucos, um sorriso ir?nico come?ou a se formar em seus l¨¢bios. ¡ª Espero que n?o tenham mexido no meu martelo. L¨²cia, observando o sorriso estranho de Ana e seus murm¨²rios, deu um passo para tr¨¢s, um pouco menos confiante em sua salvadora do que antes.
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Capítulo 64 - La?os Forjados
¡ª O que voc¨º estava pensando, L¨²cia? Voc¨º sabe o quanto ¨¦ perigoso ir t?o longe sozinha! ¡ª uma mulher de apar¨ºncia forte com olhos preocupados, falava em um tom firme, mas amoroso. ¡ª Eu... eu s¨® queria ajudar ¡ª murmurou a menina, com os olhos cheios de l¨¢grimas enquanto a repreendiam severamente. ¡ª Ajudar? Voc¨º quase se matou! ¡ª exclamou seu pai, cruzando os bra?os. ¡ª J¨¢ perdemos tantas pessoas, n?o podemos perder voc¨º tamb¨¦m. Um tenso sil¨ºncio preencheu o ar por um momento, e finalmente se voltaram para Ana, que observava a cena com uma express?o neutra. ¡ª Agradecemos por ter salvo nossa filha ¡ª os olhos da m?e de L¨²cia brilhavam, cheios de gratid?o. ¡ª N?o sabemos como retribuir. ¡ª Foi sorte eu estar por perto, n?o se preocupe ¡ª respondeu Ana com um aceno de cabe?a. ¡ª Mas o que ¨¦ exatamente essa aldeia? A mulher deu um profundo suspiro, antes de come?ar a explicar. ¡ª Quando os mundos se mesclaram, tivemos muito azar. Acordamos neste lugar escuro e desolado. Haviam aproximadamente trezentos de n¨®s no in¨ªcio, mas nos primeiros dias, sem conseguir lutar contra os monstros, muitos morreram... Ana escutava atentamente, enquanto sua vis?o passava pelas pessoas de aspecto cansado. ¡ª Ent?o um dia, enquanto fugiamos, encontramos a forja da deusa, e o milagre do mar de metal. Estava repleta de armas de todos os tipos. Elas eram muito boas, apesar de n?o serem especiais, mas para os monstros da regi?o, eram mais do que suficientes. Em grupo, conseguimos revidar e, com isso, come?ar este pequeno povo. A mulher parou, vendo o olhar desconfort¨¢vel de Ana com a men??o da divindade. ¡ª Oh, n?o entenda mal, n?o somos loucos. Pouco mais de cem de n¨®s restaram vivos, a Deusa do Ferro ¨¦ o que nos d¨¢ for?as para acreditar que milagres existem. Pode parecer bobo, mas imaginar que ela olha por n¨®s ¨¦ o que nos permite viver em paz ¡ª continuou a mulher, seu rosto assumindo uma express?o preocupada. ¡ª Ou ao menos era, j¨¢ que o fluxo de monstros est¨¢ estranhamente alto ultimamente. Eles n?o deveriam estar na parte "clara" do mundo escuro, mas sim nas profundezas ¡ª acrescentou o pai de L¨²cia, franzindo a testa. ¡°Espero n?o ter feito merda¡­¡±, pensou Ana, torcendo para n?o ter sido a culpada pela altera??o do ecossistema. Lembran?as da criatura que havia matado no estranho port?o, logo antes de sair da escurid?o absoluta, passavam por sua mente. ¡ª Recomendamos que voc¨º fique aqui por uns dias, pelo menos at¨¦ ser mais seguro viajar ¡ª disse a m?e de L¨²cia, olhando para a mercen¨¢ria com seriedade. Ana refletiu sobre a oferta. Ela precisava de um lugar seguro para se recuperar e seguir com suas investiga??es, ent?o n?o era um mau neg¨®cio. ¡ª Voc¨ºs t¨ºm instala??es m¨¦dicas que eu possa utilizar? ¡ª perguntou, esperan?osa. Os pais de L¨²cia riram e balan?aram a cabe?a. ¡ª N?o temos nada t?o avan?ado. Tudo aqui ¨¦ muito rudimentar no momento. ¡ª Entendo¡­ bom, eu agrade?o pelo convite, vou aceitar ficar aqui algumas noites ¡ª Ana sentiu uma pontada de decep??o, mas com um suspiro resignado, ainda aceitou a sugest?o. Ap¨®s uma refei??o simples, a garota foi levada para uma pequena cabana pr¨®xima ¨¤ onde L¨²cia morava com seus pais. O lobo encontrava-se deitado do lado de fora, e embora a infraestrutura fosse rudimentar, a generosidade e a hospitalidade do casal eram evidentes. O teto do lugar n?o se diferenciava muito do ¡°c¨¦u¡± do lado de fora, e ao se deitar na cama, um estranho amontoado de feno macio coberto com len?¨®is improvisados, Ana refletiu sobre tudo o que havia visto. As armas que os alde?es usavam eram, sem d¨²vida, dela. Era estranho pensar que algo que ela havia feito tanto tempo atr¨¢s agora servia como a base da sobreviv¨ºncia de um grupo de pessoas que nem sequer sabiam quem ela era.
As horas se passaram em um piscar de olhos, e logo Ana se levantou, decidindo caminhar pela vila. Os olhares incessantes direcionados a ela n?o eram um inc?modo, a garota j¨¢ estava habituada a plateias. Havia uma mistura de curiosidade e desconfian?a nos olhares dos habitantes, e mantinham uma distancia respeitosa, mas evidente.Stolen from its rightful author, this tale is not meant to be on Amazon; report any sightings. O vilarejo era um lugar simples, mas havia um estranho calor humano que Ana n?o sentia h¨¢ muito tempo. As casas eram constru¨ªdas em torno de sua antiga forja, feitas de madeira robusta e pedras encontradas na regi?o, e cada constru??o revelava as cicatrizes de suas lutas di¨¢rias pela sobreviv¨ºncia. Era uma modesta arquitetura que entrava em sintonia com a densa vegeta??o que cercava a, criando um cen¨¢rio tanto de beleza quanto de desola??o. Crian?as corriam pela pra?a central, brincando com espadas de madeira e escudos improvisados. O cheiro de comida sendo preparada em fog?es a lenha vinha de v¨¢rias dire??es, trazendo uma sensa??o de lar, mesmo em um ambiente t?o dif¨ªcil. Surpreendentemente, o som de pequenos e encantadores pardais era ouvido por toda parte, misturando-se aos murm¨²rios dos habitantes que cuidavam de suas tarefas di¨¢rias. ¡°Acho que ¨¦ o lugar mais confort¨¢vel desde que cheguei ao abismo¡±, pensou ela, logo antes de notar um grupo de homens que afiavam espadas desgastadas. Muitas das armas estavam em m¨¢s condi??es. As laminas estavam cegas em um n¨ªvel que impedia uma recupera??o adequada, com entalhes profundos e ferrugem come?ando a se formar. Intrigada, ela se aproximou, chamando a aten??o do grupo, que interrompeu o que estava fazendo para encar¨¢-la. ¡ª Isso precisa de uma manuten??o mais profunda do que simples afia??o ¡ª disse a mercen¨¢ria, franzindo a testa ao examinar mais de perto uma espada que mal parecia capaz de cortar uma ma??. ¡ª E o que isso importa pra voc¨º, forasteira? ¡ª respondeu um dos homens, encolhendo os ombros com desd¨¦m. ¡ª Fazemos o melhor que podemos, mas n?o ¨¦ o suficiente para algo t?o antigo. Os olhos ferozes mostravam que claramente ela n?o era bem vinda ali, mas decidiu oferecer sua ajuda como uma forma de retribuir pela hospitalidade que estava recebendo. Al¨¦m disso, desde que a tens?o de ter que se esconder na floresta gradualmente sumiu ao longo da noite, Ana estava entediada. ¡ª Vamos, deixem de drama, coincidentemente me dou muito bem com o ferro, posso fazer isso por voc¨ºs. ¡ª E quem disse que queremos sua ajuda? ¡ª retrucou outro homem, cruzando os bra?os. ¡ª N?o precisamos de uma estranha mexendo nas nossas coisas. ¡ª Esperem! ¡ª exclamou L¨²cia com as bochechas levemente coradas, uma rea??o ao esfor?o de vir correndo de longe ao notar que a situa??o estava esquentando. ¡ª Foi ela quem me salvou ontem ¨¤ noite. Se n?o fosse por ela, eu estaria morta. Os homens se entreolharam, e vendo o olhar sincero da crian?a, a hostilidade suavizou um pouco. Finalmente, um dos mais velhos deu um passo ¨¤ frente e assentiu lentamente. ¡ª Se L¨²cia confia em voc¨º, ent?o acho que podemos dar uma chance. Mas estamos de olho. Ana sorriu agradecida, acenando com a cabe?a. Diferente do que imaginava, permitiram sem muita relutancia que usasse a forja, e logo o calor e o cheiro familiar do metal se espalharam pela cidade. Ela se sentia em casa, como se estivesse voltando a uma parte de si mesma que havia deixado para tr¨¢s h¨¢ muito tempo. Seus dedos acariciavam as ferramentas do balc?o, as quais estavam estranhamente limpas e organizadas, apesar do tempo dar um aspecto desgastado a cada cent¨ªmetro. Ting¡­ ting¡­ ting O som do martelo batendo no metal ecoou pela mon¨®tona vila. Era um trabalho simples, ent?o seu alto foco n?o se manteve por tanto tempo, come?ando a ajustar as espadas quase que no autom¨¢tico. L¨²cia observava de longe atrav¨¦s de uma janela, curiosa. ¡ª O que acha, L¨²cia? ¡ª perguntou Ana, levantando uma espada aquecida com a lamina rec¨¦m reconstru¨ªda. ¡ª ¨¦ lindo! Ana apenas sorriu, instigando a garota a se aproximar enquanto mergulhava o brilhante metal em ¨¢gua fria. ¡ª Quer me ajudar? Soube que voc¨ºs n?o tem um ferreiro, n?o seria incr¨ªvel se voc¨º pudesse ajudar todo mundo se tornando uma? Os olhos da menina brilharam com entusiasmo, e ela correu para o lado de Ana, ansiosa. ¡ª Eu vou ser igual a deusa?! ¡ª Vai sim ¡ª uma gargalhada abafada saiu de seus l¨¢bios ao notar o genu¨ªno interesse. Pegando outra espada, Ana come?ou a explica??o. L¨²cia prestava aten??o com uma concentra??o intensa, absorvendo cada palavra e movimento. ¡ª A primeira coisa que voc¨º precisa aprender ¨¦ como segurar o martelo corretamente ¡ª disse Ana, demonstrando a posi??o das m?os. ¡ª N?o ¨¦ s¨® bater com for?a. ¨¦ sobre precis?o e controle. L¨²cia pegou a ferramenta e tentou imitar os movimentos de Ana, seus pequenos bra?os tremendo com o esfor?o. Ana corrigiu sua postura, guiando suas m?os com paci¨ºncia. ¡ª Assim? ¡ª perguntou a menina, mudando levemente a pegada. ¡ª Isso a¨ª, assim est¨¢ melhor. Agora, tente bater no metal de forma constante. N?o demorou muito para a crian?a come?ar a pegar o jeito, e Ana sentiu um orgulho inesperado ao ver a garota progredir. Enquanto trabalhavam juntas, os alde?es come?aram a se aproximar, observando com interesse renovado. A desconfian?a inicial parecia diminuir, substitu¨ªda por uma sutil aprecia??o pelo que estava sendo feito. O dia passou rapidamente, e ¨¤ medida que o sol come?ava a se p?r, a forja estava cheia de armas restauradas e brilhantes. L¨²cia estava suada e cansada, mas um sorriso largo iluminava seu rosto. Ana sorriu e olhou para suas m?os sujas pelo constante manuseio do ferro. ¡°Talvez esse lugar n?o seja t?o ruim¡±, pensou, sentindo que havia encontrado um prop¨®sito tempor¨¢rio, algo para se manter ocupada enquanto planejava seus pr¨®ximos passos.
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Capítulo 65 - Incessantes Falhas
A manh? trouxe um vigor renovado, e a clareira do vilarejo estava envolta em uma leve n¨¦voa que dava ao lugar uma sensa??o de mist¨¦rio. A pequena arena improvisada, com suas bordas delimitadas por troncos de ¨¢rvores ca¨ªdos, estava repleta de tens?o. O som de garras no solo, respira??es pesadas e gritos de batalha ecoavam entre as ¨¢rvores. No centro, L¨²cia, levemente mais alta e confiante, enfrentava o lobo vermelho. Seus movimentos eram ¨¢geis, mas ainda um pouco desajeitados, enquanto tentava esquivar-se das investidas do animal. O lobo, por outro lado, era uma vis?o de for?a controlada, suas garras e presas parecendo amea?adoras, mas seus ataques cuidadosamente moderados para n?o machucar a garota. Ana, de bra?os cruzados, observava a cena com um olhar cr¨ªtico. Seu rosto n?o mostrava emo??o, mas seus olhos seguiam cada movimento da crian?a, avaliando seu progresso. ¡ª Concentre-se, L¨²cia! N?o adianta ter for?a se voc¨º n?o sabe onde us¨¢-la. A menina deu um ¨²ltimo salto, escapando de um ataque do animal, e caiu de joelhos, ofegante. A luta terminou, e Ana se aproximou, colocando uma m?o no ombro da menina. ¡ª Bom trabalho. Voc¨º est¨¢ melhorando. ¡ª Ana sorriu levemente. ¡ª Agora, monte-o. Precisamos voltar. L¨²cia subiu nas costas do lobo, afundando o rosto no grosso pelo vermelho enquanto escondia o rosto avermelhado pelos elogios. ¡ª Como est?o as pr¨¢ticas de manipula??o de mana? Est¨¢ estudando bem? ¡ª Sim! Tamb¨¦m estou ficando cada vez melhor nisso! ¡ª ¨®timo. Quem sabe voc¨º n?o se torna um ¨®timo isqueiro para acender a fornalha? ¡ª brincou Ana, provocando uma risada na garota. O caminho estava tranquilo. Os moradores que passavam por eles cumprimentavam-nas com acenos respeitosos, uma marca da confian?a e gratid?o que haviam desenvolvido por ela ao longo dos meses. A aldeia estava transformada. Havia muros altos e robustos circundando as casas, protegendo contra os perigos da floresta. As constru??es eram s¨®lidas e bem-feitas, um testemunho do progresso alcan?ado com o uso adequado da forja para melhorar as ferramentas dispon¨ªveis. Torres de vigia foram erguidas nos pontos estrat¨¦gicos, e pequenos grupos de sentinelas patrulhavam o per¨ªmetro, atentos a qualquer sinal de amea?a. Em um dos cantos do pequeno povoado, criaturas estranhas semelhantes a porcos selvagens, mas com o dobro de tamanho, estavam deitadas pregui?osamente em uma jaula, criadas como gado. Era uma vis?o peculiar, mas necess¨¢ria para a sobreviv¨ºncia da aldeia. ¡ª Ana, precisamos da sua ajuda! ¡ª uma mulher se aproximou, com o rosto preocupado. ¡ª Ainda n?o conseguimos fazer o solo ficar nutrido adequadamente para as planta??es. Pode nos ajudar mais tarde? ¡ª Claro, eu passo l¨¢ depois. Mais ¨¤ frente, outra pessoa se aproximou. ¡ª Meu filho est¨¢ doente. Voc¨º se importa de dar uma olhada? ¡ª Traga-o ao meu consult¨®rio mais tarde ¡ª disse Ana, tentando manter a calma. ¡ª Todo mundo gosta de voc¨º ¡ª murmurou a crian?a ao seu lado, como se contando um segredo. ¡ª Pra mim parecem s¨® um bando de folgados. Vai l¨¢ almo?ar, L¨²cia, terminamos por hoje. ¡ª Certo! ¡ª disse a menina, correndo em dire??o ¨¤ sua casa. Seu pequeno corpo saltitava com uma leveza juvenil, mas Ana notava seus m¨²sculos se desenvolvendo continuamente atrav¨¦s do treino e a alta recupera??o que a mana proporcionava. A mercen¨¢ria se dirigiu a uma intrigante estrutura quadrada, bem diferente do design caloroso das outras constru??es. Era um tipo de consult¨®rio improvisado, mas tamb¨¦m onde ela vivia. Uma casa simples, mas funcional. Dentro, havia uma cama, uma mesa com v¨¢rios instrumentos m¨¦dicos rudimentares e algumas prateleiras cheias de ervas e po??es. ¡°Mais um dia, mais uma tentativa¡±, pensou a mulher, alongando o corpo cansado. Um longo suspiro acompanhou seus passos a um canto da sala. Com um movimento preciso, abriu um al?ap?o escondido sob a cama. As juntas suaves n?o emitiram rangidos, e com um pux?o r¨¢pido, acendeu um lampi?o, revelando uma escada que descia para um escuro por?o. O brilho da chama tr¨ºmula iluminava as paredes de pedra, dando ao lugar uma atmosfera ainda mais sinistra.If you stumble upon this narrative on Amazon, be aware that it has been stolen from Royal Road. Please report it. O pequeno e sombrio cub¨ªculo era um contraste sombrio com o resto da casa. O ar macabro trazia arrepios, e uma mesa de cirurgia se estendia a partir do centro. V¨¢rios equipamentos m¨¦dicos, mais afiados do que os vistos do lado de fora, podiam ser vistos em um caixote e panos ensanguentados estavam espalhados por todo lado. Na parte de tr¨¢s, um profundo buraco podia ser visto, contendo diferentes membros das mais diversas criaturas. A mistura de odores met¨¢licos e o cheiro acre de sangue seco permeava o ar, tornando-o quase sufocante. Ana tirou a armadura de couro com cuidado, revelando cinco agulhas longas que atravessavam seu peito, chegando at¨¦ o cora??o. O semblante de dor distorcia seu rosto enquanto ela pegava um caderno e fazia algumas anota??es, registrando suas observa??es mais recentes Ana encostou lentamente nos finos metais em seu corpo, e ent?o fechou os olhos, concentrando-se. As agulhas come?aram a emitir um sutil brilho acinzentado, caloroso e repugnante na mesma medida. A mercen¨¢ria ent?o dirigiu o olhar para sua m?o, tentando manifestar alguma coisa. ¡ª No fim, n?o parece que vai dar certo ¡ª resmungou, frustrada, ao ver que nada estava acontecendo. Mais um suspiro se manifestou em seus l¨¢bios, e com um passo longo chegou a uma mesa onde um corpo relativamente fresco de um monstro human¨®ide de pele estranhamente clara estava deitado. ¡ª Mais robusto, carne mais resistente e as veias mais espessas. S¨® posso torcer para dar certo dessa vez. Ela come?ou a remover os ossos e a carne, preservando as veias intactas com precis?o cir¨²rgica. Cada corte era feito com maestria, evitando danificar as estruturas delicadas que precisaria. Uma vez terminado, ela lentamente removeu as agulhas que a perfuravam, seguindo para um pequeno corte no seio de seu cora??o. Com cuidado, ela ligou as veias do monstro ¨¤s suas pr¨®prias, utilizando pequenos peda?os de metal aquecido para cauterizar as conex?es. Cada toque de calor enviava ondas de dor atrav¨¦s de seu corpo, mas Ana manteve a concentra??o. Seus olhos estavam firmemente fechados enquanto tentava canalizar a energia atrav¨¦s das veias externas. Sentiu um calor intenso, um pulsar de energia que parecia diferente das vezes anteriores. As veias se iluminaram, come?ando a pulsar em sincronia com seu cora??o. ¡ª Finalmente... ¡ª sussurrou, sentindo um misto de al¨ªvio e excita??o. Mas a sensa??o durou pouco. A energia logo tornou-se ca¨®tica, fazendo o calor aumentar de forma insuport¨¢vel. As veias come?aram a queimar, enviando espasmos de dor por todo o corpo e um cheiro acre de carne torrada se espalhou pelo local. Com um pux?o, Ana desfez as conex?es, costurando rapidamente o corte em seu peito. ¡ª Mais um que n?o aguenta ¡ª murmurou, ofegante, enquanto jogava os restos do monstro junto com os demais restos ap¨®s guardar um pouco de sangue em um pequeno frasco. ¡ª Zero surpresas hoje. Ap¨®s jogar um pouco de um denso ¨®leo esverdeado, ateou fogo no buraco, saindo do por?o enquanto a limpeza de suas falhas experimentais era feita. Cansada, se jogou na cama, permitindo-se alguns momentos de descanso enquanto massageava as t¨ºmporas. ¡ª Estou ficando sem alternativas¡­ no fim terei que arriscar. Ela j¨¢ havia experimentado veias de muitos monstros, tentado usar alguns materiais sint¨¦ticos que tinha em m?os e at¨¦ mesmo m¨¦todos m¨¢gicos limitados ao conhecimento que recordava da superf¨ªcie. Cada tentativa terminava em dor e fracasso. As veias dos monstros eram mais resistentes que as humanas, mas parecia ter algo fundamentalmente diferente, pois n?o conseguiam conter a energia pulsante de seu cora??o, e os outros m¨¦todos mal chegaram a gerar alguma energia externa. Lentamente, Ana se levantou e olhou ao redor da pequena casa. A aldeia l¨¢ fora prosperava, e ela at¨¦ que gostava do local, mas se sentia presa em um ciclo intermin¨¢vel de tentativas e erros. N?o havia garantias, mas usar um corpo humano era um territ¨®rio que ainda n?o havia explorado. J¨¢ era hora de parar de adiar. Seus passos se arrastaram entre as casas, observando os moradores indo e vindo em suas atividades di¨¢rias. Cada rosto que passava por ela parecia carregar a sombra de sua pondera??o, sabendo que a decis?o podia mudar tudo. Chegando ¨¤ forja, pegou uma espada rec¨¦m feita, sentindo o peso familiar em suas m?os. O metal frio contra sua pele parecia trazer um estranho conforto, uma sensa??o de poder e controle em meio ao caos interno que enfrentava. ¡°Vamos acabar logo com isso¡±, concluiu, ap¨®s alguns minutos refletindo. Seus passos silenciosos foram em dire??o ¨¤s casas mais afastadas. Ana sabia quem vivia em cada lugar, identificando rapidamente um dos moradores que vivia sozinho. A lamina estava firme em suas m?os, e seu corpo se preparava para uma investida r¨¢pida na resid¨ºncia, quando de repente gritos vieram do centro da aldeia. Vozes agitadas e alarmadas ecoavam pela noite. ¡°Mas que merda¡­¡± Ana baixou a espada e se virou, correndo de volta para a aldeia para entender o que estava acontecendo. O som de passos e murm¨²rios crescia ¨¤ medida que se aproximava, e quando chegou, viu um grupo de pessoas ao redor de um homem inconsciente, coberto de sangue e folhas. ¡ª Encontramos ele na floresta, perto do antigo port?o ¡ª explicou um dos guardas. ¡ª Parece que foi atacado por alguma coisa. ¡°Pelo jeito o destino sorriu para mim dessa vez¡±, pensou a garota. Um sorriso lento se formou em seus l¨¢bios enquanto se aproximava do grupo, pronta para assumir o controle da situa??o.
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Capítulo 66 - Ardente Defesa
¡ª Levem-no para o meu consult¨®rio ¡ª ordenou Ana, sua voz firme cortando o burburinho dos curiosos. Samuel, o chefe dos guardas, um homem robusto com uma cicatriz profunda no rosto, e Ant?nio, o l¨ªder da aldeia, um senhor de idade com uma express?o severa, ajudaram a carregar o homem para dentro. A sala estava repleta de instrumentos m¨¦dicos e frascos de po??es que ela mesma preparara, e a mistura de aromas das ervas proporcionaram um ambiente tanto calmante quanto misterioso. O homem jazia na mesa, a respira??o irregular e o sangue manchando as bandagens improvisadas. ¡ª Quem ¨¦ ele? ¡ª perguntou a mercen¨¢ria, enquanto come?ava a tratar os ferimentos do desconhecido. ¡ª N?o sabemos. Encontramos na floresta, perto do antigo port?o ¡ª explicou o Samuel. ¡ª Estranho... nossos batedores n?o relataram monstros na regi?o recentemente, devia estar tudo seguro. De qualquer forma, j¨¢ foram ordenados a fazer uma nova busca ¡ª comentou o Ant?nio, franzindo a testa. Enquanto os l¨ªderes da aldeia discutiam estrat¨¦gias de defesa, Ana observava atentamente os sinais vitais do homem, sua mente em um bizarro tumulto. O pulsar irregular de sua veia no pesco?o, a pele p¨¢lida e os tremores ocasionais indicavam que ele estava ¨¤ beira do colapso. ¡°Morra, morra, morra, morra¡± . A causa do ataque n?o importava, seu interesse naquele corpo estava sobrepondo as demais preocupa??es. Ana continuava a tratar seus ferimentos com o mesmo cuidado de sempre, seu verdadeiro desejo oculto sob uma fachada de profissionalismo. Ela s¨® precisava que ele parasse de respirar. De repente, o homem tossiu violentamente, cuspindo sangue. Ele abriu os olhos rapidamente, os quais se fixaram no l¨ªder da aldeia, arregalados de terror. ¡ª Onde estou? ¡ª perguntou, com a voz fraca. ¡ª Voc¨º est¨¢ em seguran?a. Foi encontrado na floresta e trazido para c¨¢. ¡ª Entendo... obrigado ¡ª O homem tentou se sentar, mas gemeu de dor. Como se lembrasse de algo, come?ou a olhar em volta, inquieto. ¡ª Mais algu¨¦m foi encontrado comigo? ¡ª N?o, apenas voc¨º¡­ ¡ª Samuel balan?ou a cabe?a enquanto negava, entendendo que provavelmente algumas vidas foram perdidas. ¡ª O que aconteceu? ¡ª Fomos pegos por um ex¨¦rcito de monstros enquanto segu¨ªamos para a arena... se voc¨ºs me encontraram, eles devem estar pr¨®ximos ¡ª explicou o homem, com dificuldade. ¡ª Precisamos sair daqui! ¡ª N?o se preocupe, j¨¢ mandamos guerreiros verificarem a regi?o, nossos muros podem aguentar um bando nos atacando. ¡ª Voc¨º n?o entendeu, n?o ¨¦ um bando, mas sim um ex¨¦rcito! Eles est?o marchando de forma organizada¡­ tem uma criatura anormalmente grande que os acompanha¡­ ¨¦ como se desse ordens. Ana ergueu uma sobrancelha, intrigada, enquanto puxava uma perna levemente deslocada do desconhecido, fazendo um alto estalo na sala. ¡ª Desgra?ada! Mas que merda voc¨º est¨¢ faz¡­ ¡ª o homem parou em meio aos gritos de reclama??o ap¨®s a intensa dor repentina. Sua testa se franziu por um instante, e logo riu debilmente. ¡ª Voc¨º ¨¦ a fugitiva¡­ Mas quem diria que a porra da Glutona estaria brincando de enfermeira em uma vila abandonada. Os olhares dos outros dois homens se voltaram para o moribundo, cheios de confus?o. ¡ª Glutona? ¡ª perguntou Samuel. ¡ª Sim! Ela fez uma bagun?a na Arena a um tempo atr¨¢s. Fez eu perder muito dinheiro quando fugiu. ¡ª Voc¨º era uma gladiadora? ¡ª Fui escrava ¡ª respondeu Ana brevemente, sem entrar em detalhes. N?o parecia que o homem iria morrer agora, mas tamb¨¦m n?o conseguiria ir longe com esses ferimentos, ent?o ela decidiu finalizar logo o tratamento com um suspiro resignado. ¡ª Isso pode ser problem¨¢tico, fugitivos atraem aquelas pessoas¡­ ¡ª murmurou Antonio, trocando um olhar preocupado com Samuel. ¡ª N?o sei do que est?o falando, mas pode ficar para depois. Se h¨¢ um ex¨¦rcito de monstros por perto, precisamos nos preparar ¡ª disse Ana, focando-se no imediato. Com uma concordancia conjunta, os dois l¨ªderes sa¨ªram do consult¨®rio, e Ana logo se juntou a eles. A express?o no rosto de Samuel era de pura preocupa??o, enquanto Ant?nio parecia perdido em pensamentos, tentando calcular as probabilidades de sobreviv¨ºncia. Nesse momento, um dos batedores que acabara de voltar se aproximou, o rosto p¨¢lido e os olhos arregalados, j¨¢ come?ando a falar de forma apressada. ¡ª Vimos mais de quinhentos monstros ao longe. Est?o em marcha lenta, mas na rota direta da aldeia. Devem chegar em mais meio dia de caminhada. O sil¨ºncio tomou conta do grupo por um instante, a magnitude da situa??o se instalando. ¡ª Isso n?o faz sentido ¡ª murmurou Ant?nio, passando a m?o pelo rosto cansado. ¡ª Nunca encontramos um bando com mais de dez monstros. Como vamos enfrentar isso? ¡ª Fale mais sobre o que viu ¡ª pediu Ana, tentando obter o m¨¢ximo de informa??es poss¨ªvel. ¡ª Havia v¨¢rias esp¨¦cies juntas, o que ¨¦ muito estranho. Normalmente, eles se atacariam, mas estavam todos em um tipo de forma??o mal feita. Isso ¨¦ o mais assustador, foge do instinto que conhecemos.If you encounter this tale on Amazon, note that it''s taken without the author''s consent. Report it. ¡ª Ent?o aquele cara n?o estava mentindo, eles devem ter um l¨ªder, uma mente por tr¨¢s disso ¡ª concluiu Samuel, cruzando os bra?os para tentar organizar seus pensamentos. ¡ª Isso complica tudo. Apenas os guardas t¨ºm equipamento adequado, n?o temos como enfrentar um ex¨¦rcito nessas condi??es. O ar estava frio e ¨²mido, e as ¨¢rvores ao redor lan?avam sombras alongadas devido ¨¤ bruxuleante luz dos lampi?es da aldeia. O som dos animais noturnos criava um pano de fundo inquietante para a conversa. ¡ª N?o podemos nos desesperar agora, o tempo j¨¢ ¨¦ muito curto. Samuel, re¨²na todos e explique a situa??o, devem estar preparados para lutar. ¡ª E as crian?as e os idosos? ¡ª perguntou Ant?nio, ainda preocupado. ¡ª H¨¢ alguma cidade pr¨®xima para onde possam ir? ¡ª Apenas Tenebris¡­ mas o destino n?o ser¨¢ melhor que a morte se levarmos os alde?es para aquele lugar. ¡ª Ent?o precisamos ser pragm¨¢ticos ¡ª disse Ana, suspirando. ¡ª Se h¨¢ um ex¨¦rcito de monstros vindo, vamos armar todos os que podem segurar uma lan?a. ¡ª Mas as armas¡­ ¡ª come?ou Samuel, mas Ana o cortou. ¡ª Sei que transformamos muitas em ferramentas, mas ainda temos metal suficiente. Vamos fundir tudo que pudermos e fazer mais laminas e armaduras. Mande todos os manipuladores de mana para minha forja, mesmo aqueles que sabem pouco. Qualquer vantagem pode ser a diferen?a entre a vida e a morte. Ant?nio franziu a testa, mas acenou em concordancia. ¡ª Voc¨º, junte alguns suprimentos e volte para a floresta ¡ª acrescentou Ana, apontando para o batedor. ¡ª Precisamos ser avisados sobre qualquer mudan?a de dire??o ou novas amea?as. Com um aceno, o batedor se retirou, e a mercen¨¢ria tamb¨¦m se preparou para partir. ¡ª Ana, voc¨º realmente acha que podemos sobreviver a isso? ¡ª perguntou o l¨ªder da aldeia, a d¨²vida evidente em sua voz enquanto parava a garota por um instante. ¡ª N?o, mas n?o posso dizer que as chances s?o nulas. ¡ª J¨¢ ¨¦ melhor que nada¡­ ¡ª Ant?nio respirou fundo, parecendo encontrar alguma coragem, mesmo nas palavras sombrias que escutara. ¡ª O que eu posso fazer para ajudar? ¡ª L¨²cia, que estava na multid?o, observava Ana com admira??o. Sem hesitar, ela correu para o lado da mercen¨¢ria. ¡ª Me acompanhe e observe. Voc¨º pode aprender muito esta noite ¡ª respondeu Ana, lan?ando um olhar s¨¦rio para a menina. Com passos apressados, logo chegaram ao destino, enquanto outros alde?es se organizavam para cumprir suas atribui??es dadas por Ant?nio e Samuel. As chamas da forja estavam apagadas, mas o lugar ainda retinha o calor do dia de trabalho. A estrutura de pedra e metal parecia imponente na escurid?o, um basti?o de esperan?a em meio ¨¤ crescente amea?a. ¡ª L¨²cia, acenda o fogo. Precisamos estar prontos o mais r¨¢pido poss¨ªvel. A menina assentiu e se aproximou das fornalhas. Fechou os olhos por um momento, concentrando-se, e fa¨ªscas come?aram a sair de suas m?os, fazendo chamas crescerem rapidamente, iluminando o espa?o com uma luz laranja vibrante. Enquanto isso, Ana caminhou at¨¦ o fundo da forja, onde havia um grande bloco de pedra meio solto. Com m¨²sculos tensos, ela usou toda sua for?a para puxar o bloco, revelando um compartimento escondido. Dentro, havia um estranho martelo feito de um metal de superf¨ªcie escura, com um brilho quase et¨¦reo sob a luz das chamas. ¡ª O que ¨¦ isso? ¡ª perguntou L¨²cia, com olhos arregalados de surpresa ao observar a cena. Ana segurou a ferramenta, sentindo o peso familiar em sua m?o. O comp¨®sito de carboneto de ni¨®bio, combinado com o revestimento de diamante nanocristalino, criava um item de uma beleza impressionante e uma resist¨ºncia extraordin¨¢ria, seu brilho sob a luz das chamas revelavam finos detalhes e padr?es intrincados por toda sua superf¨ªcie. A al?a, perfeitamente esculpida em fibra de carbono de alto desempenho e revestimento de poliuretano texturizado, encaixava-se em sua m?o como uma extens?o natural de seu corpo, trazendo ¨¤ tona mem¨®rias de tempos passados. ¡ª ¨¦ um dos meus pequenos orgulhos ¡ª murmurou a ferreira, sorrindo ao notar que ainda estava devidamente preservado. L¨²cia se aproximou, a curiosidade brilhando em seus olhos. ¡ª Como voc¨º sabia que estava a¨ª? Ana ergueu o olhar, seu semblante imponente em sincronia com o brilho intenso de seus olhos. ¡ª Porque esta forja ¨¦ minha., e este ¨¦ meu martelo. ¡ª Deusa do Ferro... ¡ª sussurrou L¨²cia, a compreens?o finalmente chegando ao pensar em toda a naturalidade de sua mentora mesmo na primeira vez em que pisou na aldeia. Ana apenas levou um dedo aos l¨¢bios, ainda preenchidos com um leve sorriso, indicando que deveria ser um segredo. Pouco tempo depois, os manipuladores de mana come?aram a chegar, carregando todo material que puderam encontrar, seus rostos refletindo tanto a determina??o quanto a incerteza da situa??o. ¡ª L¨²cia, voc¨º e os outros que t¨ºm conhecimento b¨¢sico cuidem das tarefas de derretimento. Precisamos do metal l¨ªquido fluindo o mais r¨¢pido poss¨ªvel. Reunindo um pequeno grupo, a garota se moveu agilmente para as fornalhas, onde o calor intenso e as fa¨ªscas voadoras preenchiam o ar. Os alde?es come?aram a trabalhar sob sua orienta??o, a jovem mostrando um surpreendente dom¨ªnio das t¨¦cnicas mais simples. Enquanto isso, Ana se posicionou na bancada principal da forja, suas m?os movendo-se com maestria e agilidade. Ela come?ou a moldar os formatos de lan?as, espadas e pe?as de defesa, cada golpe de seu martelo reverberando com precis?o. A cada pe?a que terminava, r¨¢pidos canais eram esculpidos de forma precisa, gravando s¨ªmbolos na superf¨ªcie met¨¢lica. ¡ª O que s?o esses riscos? ¡ª perguntou L¨²cia, observando Ana trabalhar com fascina??o. Ana deu um meio sorriso, sem interromper seu trabalho. ¡ª Runas. Em tempos de crise, precisamos de tudo o que possa nos dar uma vantagem. Agora chame os outros, preciso de um fluxo constante de mana para terminar o trabalho. M?os tocavam as pe?as de metal at¨¦ que seus corpos tremessem, momento em que outro manipulador entrava para seguir com o trabalho. Com a pouca explica??o dada por Ana, sabiam que sem materiais simbi¨®ticos adequados, as runas n?o seriam extremamente poderosas, mas eram melhor do que nada. Inspirando-se na defesa do Colosso, a garota esculpiu efeitos nas armaduras que acumulavam part¨ªculas de terra ao redor, criando uma camada adicional de prote??o. Nas armas, lembrando-se do passado, esculpiu runas b¨¢sicas de vento, permitindo que fossem manuseadas com mais agilidade e menos esfor?o. O trabalho era ¨¢rduo, e o suor aos poucos empapava o rosto de Ana enquanto se concentrava. As fornalhas rugiam, e a temperatura era quase insuport¨¢vel, mas ningu¨¦m reclamava. Todos sabiam o que estava em jogo. As armaduras e armas se acumulavam, cada pe?a uma obra de arte de design humilde e funcional destinada a proteger e a lutar. As runas esculpidas brilhavam sob a luz, e um senso de esperan?a come?ou a se infiltrar no cora??o dos trabalhadores. A sinfonia do a?o perdurou por horas a fio, at¨¦ o momento em que um pequeno tremor come?ou a ser sentido no solo.
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Capítulo 67 - Macabros Amigos
O sutil tremor no solo trouxe uma sensa??o de pavor que se espalhou rapidamente entre os habitantes da aldeia. O som ainda n?o era aud¨ªvel, indicando que a amea?a estava a certa distancia, mas o fato de sentir a vibra??o antes de ouvir qualquer ru¨ªdo era profundamente perturbador. ¡ª Estamos ficando sem tempo. Terminem de se equipar e dirijam-se a Samuel para obter suas posi??es ¡ª ordenou Ana, sua voz cortando a ansiedade crescente. Ela caminhou at¨¦ a torre de vigia para entender melhor o que estava acontecendo. Subiu rapidamente, os passos ecoando nas escadas de madeira, chegando em instantes no topo, onde podia ter uma vis?o do horizonte, mesmo em meio a escurid?o do subsolo. ¡ª Estamos fodidos¡­ ¡ª o topo das ¨¢rvores chacoalhava a poucos quil?metros de distancia. O problema estava no fato de que n?o era apenas de uma dire??o. N?o importa para onde olhasse, tudo se movia. Estavam cercados. Foi ent?o que ela viu no canto de sua vis?o figuras emergindo lentamente da escurid?o pr¨®xima ao port?o principal. Seus movimentos eram err¨¢ticos, quase cambaleantes, e uma sensa??o de desconforto crescia dentro dela. Algo estava terrivelmente errado. ¡ª Os batedores voltaram! ¡ª um dos guardas gritou o an¨²ncio para os demais, mas todos foram parados pela intensa voz de Ana. ¡ª N?o abram os port?es! ¡ª com um salto ¨¢gil, a ferreira pulou da torre diretamente para a muralha, uma fa?anha que sempre quisera experimentar. "Deveria fazer isso mais vezes," pensou, enquanto aterrissava suavemente com seus cabelos voando com o vento. Da muralha, os vultos come?aram a tomar forma. As figuras davam passos de maneira estranha e descoordenada. Eles usavam roupas de alde?es, mas estavam mal colocadas, como se fossem fantasias grotescas. Conforme se aproximavam, uma rara express?o de nojo come?ou a se desenhar no rosto de Ana. ¡ª O-oi... amigo¡­ ¡ª a voz era grossa e mal formada, arranhando os ouvidos de quem a ouvia. Os guardas ficaram aterrorizados, incapazes de processar a situa??o, e Ana sentiu um sutil frio na espinha ao reconhecer o rosto do batedor que havia enviado mais cedo para vigiar a regi?o. Ele estava morto, e sua pele agora adornava o rosto da criatura. ¡°Mas que porra ¨¦ essa¡±, a rainha mercen¨¢ria n?o era uma expert no novo mundo, mas nunca ouvira falar de monstros capazes de falar. Ainda assim, como se contrariando o senso comum, cinco seres human¨®ides, com peles humanas esticadas e presas sobre seus rostos de maneira macabra, balbuciavam frases desconexas em frente aos port?es. ¡ª Amigos¡­ venham¡­ brincar¡­ ¡ª Bom¡­ dia¡­ amigo¡­ ¡ª Eu¡­ humano¡­ eu¡­ amigo¡­ seu¡­ Ana, sem mais paci¨ºncia, gritou para os guardas enquanto se dirigia para as escadas a passos largos. ¡ª Matem eles agora! O som de uma dezena de lan?as sendo jogadas, sem hesita??o, foi ouvido ¨¤s suas costas enquanto ela corria em dire??o aos l¨ªderes da aldeia para discutir o que havia visto. No centro do povoado, Samuel e Ant?nio ainda organizavam as coisas. A tens?o no ar era palp¨¢vel, e os rostos refletiam medo e determina??o. ¡ª O que aconteceu? ¡ª perguntou Ant?nio, ao ver Ana se aproximando. Ana respirou fundo, refletindo sobre o que viu. ¡ª Se espalharam ao redor da aldeia, estamos cercados. ¡ª Cercados? S?o s¨® monstros, devem s¨® ter se dividido em grupos menores conforme migravam ¡ª Samuel estreitou os olhos, tentando absorver a informa??o. ¡ª N?o, parece que criaram algum tipo de intelig¨ºncia. Pode parecer uma estrat¨¦gia rid¨ªcula, mas h¨¢ criaturas l¨¢ fora usando as peles dos nossos batedores como ¡°disfarce¡±. Eles falam. ¡ª Isso n?o ¨¦ poss¨ªvel¡­ ¡ª N?o importa se ¨¦ poss¨ªvel ou n?o ¡ª cortou Ana. ¡ª V?o chegar a qualquer momento, preciso que avisem a todos para n?o os tratarem como monstros normais. ¡ª Isso... ¡ª come?ou Ant?nio, mas foi interrompido por um tremor mais forte que os anteriores. O som distante de passos pesados come?ou a chegar aos ouvidos de todos, e o farfalhar da grama sendo pisoteada criou um inc?modo ru¨ªdo ao fundo. Ana apertou o cabo de seu martelo de ferreira, transformado em uma ma?a improvisada com uma estranha capa de espinhos ao redor. A arma pesada e mortal n?o combinava com a pequena estatura de sua portadora. As criaturas come?aram a emergir da escurid?o, e os alde?es, armados e preparados, tremiam enquanto encaravam a horda de monstros. Havia uma grande mistura de human¨®ides semelhantes a macacos, monstros parecidos com orcs dos contos, alguns pequenos e amarelados, e v¨¢rios outros com caracter¨ªsticas grotescas. Em meio a multid?o se viam tamb¨¦m seres que levavam feras em coleiras, enquanto outros usavam as mesmas m¨¢scaras humanas vistas anteriormente, criando uma vis?o aterradora. O ex¨¦rcito se posicionou ao redor de todo o local, parando por um instante e encarando os habitantes. O sil¨ºncio que se seguiu foi ensurdecedor, quebrado apenas pelos murm¨²rios incessantes da palavra ¡°amigo¡± vindos de todos os lados, criando uma cacofonia perturbadora. ¡ª Eu n?o quero morrer¡­ ¡ª um jovem guarda, incapaz de suportar a press?o, disparou uma flecha contra um monstro que se aproximava dos muros.The author''s narrative has been misappropriated; report any instances of this story on Amazon. O grito de dor da criatura quebrou o estranho impasse, e por um momento, os outros monstros ficaram im¨®veis, observando a cena. Ent?o, de repente, rugiram em un¨ªssono e correram para as muralhas com f¨²ria descontrolada. O intenso choque contra a madeira fez com que cedesse aos poucos, e, por mais que matassem as criaturas, parecia que a horda n?o tinha fim. Os monstros mais altos eram quase da mesma altura das muralhas e tentavam agarrar os guardas, esticando suas grandes m?os, enquanto os menores os escalavam, saltando diretamente para o topo. Finalmente, com um grande estrondo, parte da muralha foi rompida, e os invasores se jogaram pela passagem como loucos. ¡°Eles n?o tinham chance desde o in¨ªcio¡±, pensou Ana. olhando o caos que se desdobrou nestes poucos minutos de combate. Alguns alde?es mais corajosos gritavam ordens, mas a grande maioria simplesmente morria nas garras das criaturas, sem muita resist¨ºncia. Manipuladores lan?avam sua fraca magia enquanto as laminas perfuravam e cortavam a dura carne sem parar, suas runas brilhando intensamente enquanto seus portadores davam tudo de si, mas n?o era suficiente. Seja em for?a ou em quantidade, os alde?es eram inferiores. Alguns perderam as for?as nas pernas e desistiram, caindo ajoelhados, e os monstros arrancavam seus rostos nos mesmos instantes em que os matavam, criando um espet¨¢culo macabro que logo fez um alto choro substituir os ferozes e esperan?osos gritos de antes. ¡°Tudo sempre acaba assim, tudo sempre d¨¢ errado onde quer que eu v¨¢. Maldito mundo de merda. Malditos monstros. Maldita mana¡± As m?os de Ana n?o paravam enquanto refletia sobre seu passado, com sua pesada arma esmagando cranios de qualquer criatura que se aproximasse. ¡ª Eu¡­ humano, oi amigo¡­ ¡ª em meio a seus devaneios, uma voz chegou de suas costas. Um monstro mascarado, grande como um caminh?o, atacou com um grande peda?o de tronco, mas a garota desviou com um leve passo para tr¨¢s. ¡ª Se voc¨º ¨¦ humano, amigo, por que n?o est¨¢ enfrentando os monstros junto aos alde?es? ¡ª enquanto preparava seu contra-ataque, ela murmurou em tom de deboche, irritada por estar perdendo o lugar onde viveu nos ¨²ltimos meses. Para sua surpresa, o monstro parou os movimentos, e ent?o a encarou com a cabe?a levemente inclinada, confuso. ¡ª Eu... humano¡­ eu¡­ lutar contra monstros. Em um movimento repentino, ele se virou e atacou um orc pr¨®ximo, destruindo o forte corpo esverdeado. ¡ª Voc¨º tamb¨¦m vai ficar assim se absorver mais mana? ¡ª perguntou descontraidamente Ana, rindo do rid¨ªculo que acontecia ¨¤ sua frente, enquanto olhava para o companheiro canino parado em guarda ao seu lado. O lobo respondeu a pergunta ao olhar para ela inocentemente, sem realmente entender. ¡ª Bicho burro ¡ª murmurou Ana, voltando a observar a cena ao redor. Tudo estava se tornando um caos. O monstro continuava a gritar que era humano e a matar seus companheiros, at¨¦ que em certo momento uma grande pedra afiada foi jogada em sua nuca, fazendo-o cair morto em uma po?a de sangue. O pequeno ser amarelo que o havia atacado pegou a m¨¢scara de pele com cuidado. Olhou para Ana por um instante, como se pensasse no que fazer, e logo come?ou a gritar que era humano e atacar os outros, assim como o anterior. Sem conseguir resistir, Ana come?ou a gargalhar. Era impens¨¢vel que a situa??o tomasse esse rumo, mas estava acontecendo diante de seus olhos. Cada vez mais monstros come?aram a lutar entre si, divididos entre os ¡°n?o humanos¡± e os ¡°supostos humanos¡±, tornando tudo uma bagun?a. Alguns alde?es aproveitaram o momento para fugir, e ela notou L¨²cia coberta de sangue entre estes poucos que escapavam, chorando, mas aparentemente bem. ¡ª Vamos, garoto, esse lugar j¨¢ n?o ¨¦ mais nossa casa. Com um aceno silencioso de despedida para a aldeia, ela se preparou para montar no lobo, quando inesperadamente uma criatura maior que as outras surgiu ¨¤ sua frente. Era uma vis?o aterradora: uma massa preta de m¨²sculos e penas, com olhos vermelhos brilhando de ¨®dio. O gigante corvo destacava-se em meio aos outros, e assim como os demais, usava peda?os de pano como roupas, mas seu olhar era mais inteligente que o que foi visto at¨¦ agora. ¡ª Voc¨º... estragou meu ex¨¦rcito... que demorei tanto para juntar... voc¨º ¨¦ inimiga¡­ ¡ª as palavras saiam estranhas, quase erradas, mas entend¨ªveis. O simples fato de conseguir formar frases em sua voz rouca deixou Ana surpresa. ¡ª Voc¨º tamb¨¦m acha que ¨¦ humano? ¡ª perguntou ela com um tom de desafio e ironia, seus olhos fixos na criatura. O corvo apenas grasnou e se lan?ou em sua dire??o, sem responder. A garota esquivou para o lado, sentindo o vento das garras passando perigosamente perto. Com um contra-ataque poderoso, ela girou seu martelo e desferiu um golpe no flanco do animal alado. A criatura grasnou novamente em dor, mas o ferimento parecia superficial, incapaz de deter sua f¨²ria. Ap¨®s se recuperar rapidamente, ele atacou novamente, suas asas batendo com for?a enquanto tentava agarr¨¢-la. Ana bloqueou o ataque com o cabo do martelo, sentindo o impacto reverberar pelo corpo. Ela empurrou a criatura para tr¨¢s e desferiu outro golpe, mirando a cabe?a do monstro. O corvo esquivou-se com agilidade surpreendente para seu tamanho e contra-atacou com um golpe de asa, acertando Ana no ombro e fazendo-a cambalear. Aproveitando a quase queda, Ana se abaixou e girou o martelo em um arco amplo, acertando o peito da criatura com for?a. O monstro grasnou, recuando alguns passos, mas logo avan?ou novamente. Ana estava come?ando a sentir o cansa?o se acumular. Seu bra?o do¨ªa com cada defesa, mas n?o havia o que fazer. O humanoide plumado a atacou com uma s¨¦rie de arranh?es e bicadas r¨¢pidas, sem deixar espa?o para respiro. Ent?o, em um movimento r¨¢pido e imprevis¨ªvel, o corvo lan?ou-se para frente, ignorando completamente os ferimentos que sofria. Suas garras agarraram o bra?o da mercen¨¢ria com for?a, prendendo-a. Ela lutou para se soltar, mas a for?a do monstro era esmagadora, seus ossos come?avam a dar leves estalos pelo aperto. Em um ¨²ltimo movimento, com uma express?o quase que de zombaria, o corvo preparou-se para perfurar sua cabe?a, mas foi parado por uma massa de pelos vermelhos que se lan?ou em sua dire??o. O lobo e o corvo giraram pelo solo, agarrados um ao outro em uma brutal troca de mordidas e bicada, mas o embate durou apenas um instante, terminando com a ave abocanhando a mand¨ªbula de seu oponente, arrancando a parte inferior de seu rosto. ¡ª Voc¨º fez bem, garoto ¡ª sussurrou Ana, saltando nas costas da criatura negra enquanto via o lobo cair pesadamente no gramado, gravemente ferido. Com determina??o feroz, come?ou a acertar a cabe?a da ave com sua bruta arma, golpe ap¨®s golpe. O corvo voou de costas em uma tentativa desesperada de se livrar do humano que o prendia, se chocando violentamente contra uma casa, fazendo Ana bater o corpo com for?a nas duras pedras. Ela sentiu a dor intensa do impacto e come?ou a vomitar sangue, mas se segurou firme e continuou a golpear a cabe?a do corvo sem cessar. A carne e os ossos come?aram a se triturar sob os golpes implac¨¢veis e, finalmente, a resist¨ºncia do corvo se esgotou. Seus movimentos desaceleraram at¨¦ parar completamente. Ana, exausta e ferida, caiu sobre o corpo inerte da criatura, respirando pesadamente. ¡°Galinha filha da puta¡±, pensou, fechando os olhos por um instante. A batalha ao redor ainda continuava, um massacre bizarro e incessante onde todos se matavam entre si, o que felizmente fazia o n¨²mero de monstros diminuir a cada minuto, mas a pequena vila aos poucos tornava-se apenas uma doce mem¨®ria.
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Capítulo 68 - Adeus Lar
¡ª Pare de drama ¡ª disse Ana firmemente, sua voz carregando um tom de familiaridade e afeto. A ferraria operava com chamas mais intensas do que nunca, apesar do cen¨¢rio desolado ao redor. O som do metal contra o osso ecoava pela sala, criando uma melodia r¨ªtmica e quase tranquilizadora em meio ao caos recente. O lobo soltou um semi choro de dor, e a garota bufou novamente, sem paci¨ºncia. A mand¨ªbula prot¨¦tica era uma obra-prima da engenharia improvisada, feita com os materiais de seu martelo favorito. A estrutura era robusta, e os materiais imposs¨ªveis de conseguir com a tecnologia do abismo davam um toque a mais em conjunto com as finas runas de controle que foram gravadas meticulosamente ao longo de sua superf¨ªcie. Esses escritos brilhavam levemente com um tom azulado, sinalizando que a mana corria livremente, pronta para auxiliar na integra??o da pr¨®tese ao corpo do lobo. Ap¨®s apertar o ¨²ltimo parafuso, Ana segurou o rosto do animal, virando de um lado para o outro, analisando cuidadosamente cada detalhe. ¡ª Ficou perfeito. ¨¦ bom voc¨º ser grato e dar um bom uso, tive uma grande perda ao faz¨º-la ¡ª disse ela, afagando-o. Ele a observava com olhos brilhantes de intelig¨ºncia, entendendo mais do que qualquer outro animal poderia. A curta guerra trouxe sofrimento, mas as mortes ao redor eram proporcionais aos ganhos dos sobreviventes. A mana escorria dos corpos ca¨ªdos com uma fonte, procurando um novo lugar para se alojar, e as mudan?as eram percept¨ªveis mesmo nas poucas horas que se passaram. ¡°Falei brincando antes, mas realmente espero que ele n?o comece a falar¡±, pensou ela, observando mais uma vez com admira??o o espesso pelo carmesim. Em sua situa??o incompleta, Ana n?o sofreu mudan?as percept¨ªveis, apenas dores cont¨ªnuas em seu cora??o enquanto sentia que algo dentro dele crescia, mas o lobo, agora com uma mand¨ªbula prot¨¦tica, estava claramente diferente. Sua postura havia mudado, tornando-se mais confiante e imponente. Seu corpo ficou maior, os m¨²sculos mais definidos, e seu pelo escureceu para um belo tom de preto, sobrando apenas algumas partes do anterior tom vermelho profundo que lembrava sangue coagulado. Os frios olhos brilhavam com uma intensidade feroz, mostrando uma perspic¨¢cia agu?ada e um tra?o selvagem muito mais profundo do que antes. ¡ª Obrigada novamente ¡ª sussurrou Ana, encostando a testa na dele, sentindo o calor e a respira??o da bela criatura. A conex?o entre os dois se tornou mais profunda, e a mercen¨¢ria n?o hesitou ao demonstrar com clareza sua gratid?o por toda a ajuda desde a fuga da cidade arena. O lobo se afastou um pouco, abrindo e fechando a boca algumas vezes, tentando se acostumar com a nova sensa??o. Cada movimento era seguido de um leve brilho das runas, ajustando-se ao novo membro e tornando o processo de adapta??o mais suave. Deixando de lado o lobo que brincava com a mand¨ªbula, ela se perdeu em pensamentos sobre o fim da batalha. Os monstros haviam se matado aos poucos, num frenesi de autodestrui??o que parecia ser guiado por uma for?a irracional, quase que se esquecendo de seu objetivo ali. Ana eliminou os que estavam isolados, atacando com precis?o letal em cada golpe, e os que sobraram, sem algu¨¦m para dar ordens, dispersaram-se na floresta, desaparecendo na escurid?o. A aldeia, que antes era um ref¨²gio de vida e comunidade, agora estava em ru¨ªnas. N?o sobraram habitantes, al¨¦m de L¨²cia, um guarda e uma idosa que se refugiaram dentro do consult¨®rio de Ana, junto com o homem que haviam encontrado antes. Nesse instante, L¨²cia entrou na ferraria, carregando algumas frutas murchas. Seu rosto estava p¨¢lido e marcado pela experi¨ºncia traum¨¢tica da batalha.Ensure your favorite authors get the support they deserve. Read this novel on Royal Road. ¡ª ¨¦ tudo o que sobrou ¡ª disse ela, sua voz carregada de tristeza e resigna??o. Ana n?o p?de deixar de notar que a menina parecia ter crescido alguns cent¨ªmetros da noite para o dia, como se a experi¨ºncia, e a mana, a tivesse amadurecido de uma maneira brutal e acelerada, semelhante a seu companheiro canino. ¡ª Obrigado ¡ª agradeceu Ana, pegando as frutas enquanto puxava um banco pr¨®ximo. ¡ª Vem aqui. Sente-se um pouco. Ap¨®s hesitar por um momento, a pequena garota se aproximou, as m?os tr¨ºmulas ainda segurando uma das frutas. Ana suspirou ao perceber que os olhos da jovem estavam vazios, um olhar que ela conhecia bem. ¡ª Eu vou embora em breve, L¨²cia. O que voc¨º quer fazer? L¨²cia olhou para ela, seus olhos finalmente focando, mostrando um sutil lampejo de vida. ¡ª Eu... eu n?o sei ¡ª respondeu a menina, sua voz um sussurro enquanto l¨¢grimas amea?avam voltar a se formar. ¡ª Tudo aqui est¨¢ destru¨ªdo. N?o tenho mais ningu¨¦m. ¡ª Eu sei que parece dif¨ªcil, mas voc¨º ¨¦ forte. Na verdade, ainda mais forte agora que sobreviveu a algo que poucos conseguiriam. ¡ª Ana fez uma pausa, procurando as palavras certas. ¡ª Voc¨º pode vir comigo, se quiser. N?o ser¨¢ f¨¢cil, mas ¨¦ o m¨¢ximo que posso te oferecer no momento. L¨²cia olhou para ela, as gotas finalmente come?aram a escorrer pelo seu rosto. A crian?a acenou em concordancia, se jogando bruscamente em um abra?o na tentativa de esconder o choro que se recusava a parar. ¡ª Tudo bem, ent?o. Vamos nos preparar. Temos um longo caminho pela frente ¡ª Ana sorriu, afagando a cabe?a da garota. Seus olhos vagaram uma ¨²ltima vez pela ferraria. Estava cheia de mem¨®rias e s¨ªmbolos de resist¨ºncia. As paredes eram adornadas com ferramentas antigas, algumas delas feitas por suas m?os h¨¢ s¨¦culos. Cada martelo, cada tenaz, tinha uma hist¨®ria, uma lembran?a de tempos de paz e t¨¦dio. Antes de partir, se dirigiu para seu consult¨®rio, onde os outros sobreviventes estavam. ¡ª Precisamos tomar uma decis?o sobre o que fazer agora ¡ª disse Ana, olhando para os rostos exaustos, marcados pela recente viol¨ºncia. ¡ª Decidimos acompanh¨¢-lo de volta para Tenebris daqui alguns dias ¡ª disse a idosa, indicando o homem ferido. ¡ª Ele precisa de cuidados m¨¦dicos que n?o podemos proporcionar aqui, e n?o temos mais para onde ir. Ana assentiu, compreendendo a l¨®gica da decis?o, e seguiu para arrumar suas coisas. Com duas grandes bolsas de couro, organizou algumas ferramentas e armas, assim como v¨¢rios frascos de suas muitas ervas. ¡ª Recomendo que saiam daqui rapidamente. Os monstros sobreviventes tamb¨¦m ficaram mais fortes com a mana e provavelmente mais inteligentes. Este lugar vai virar uma bagun?a em breve ¡ª alertou a garota aos tr¨ºs que ficaram para tr¨¢s. ¡ª Obrigado. At¨¦ logo, Glutona. Algo no olhar do homem, que insistia em usar seu nome de gladiadora, a incomodava, uma sensa??o de que havia mais por tr¨¢s de sua express?o, mas n?o tinha sentido pensar no assunto por agora. ¡ª Cuide-se, L¨²cia ¡ª disse a idosa, abra?ando a menina com carinho. ¡ª E voc¨º tamb¨¦m, Ana. Obrigada por tudo. ¡ª Voc¨ºs tamb¨¦m. Boa sorte em Tenebris ¡ª respondeu a ferreira, empacotando as ¨²ltimas ferramentas. ¡ª Vamos, garoto ¡ª Ana chamou o lobo, que se levantou imediatamente. Passando as m?os por baixo dos pequenos bra?os da menina, ela levantou L¨²cia, com sua pequena sacola de posses, e a colocou sobre o grande animal, montando em sua frente em seguida com um forte salto. ¡°¨¦ uma pena, mas terei mais oportunidades¡­ n?o vale o risco por algo que talvez nem d¨º certo¡±, refletiu, resignada, vendo os muitos mortos espalhados que podia usar em novas tentativas. ¡ª E para onde vamos agora? ¡ª a menina, um pouco mais recomposta, perguntou com uma voz for?osamente animada. ¡ª Vamos sair dessa maldita caverna. Assim, sob a luz t¨ºnue das poucas tochas deixadas na aldeia destru¨ªda, uma mulher, uma menina e um lobo partiram, prontos para seguir por um futuro incerto.
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Capítulo 69 - Prepara??es Finais
A cidade se estendia no horizonte, imponente e cheia de vida, um contraste gritante com as ru¨ªnas que deixaram para tr¨¢s. O mercado estava agitado como sempre, com comerciantes gritando suas ofertas e pessoas se apressando de um lado para o outro. Era um lugar de constante movimento e energia, uma colmeia de atividade que mascarava a escurid?o que muitos sabiam que ali existia. ¡ª Por que n?o fomos junto com os outros se ¨ªamos para Tenebris de qualquer forma? ¡ª perguntou L¨²cia, sua voz carregada de curiosidade e um pouco de impaci¨ºncia. Ana olhou para a menina e depois voltou a observar a cidade. A brisa fria do entardecer soprava suavemente, carregando consigo o cheiro das fogueiras distantes e a vida agitada do local. ¡ª N?o sou bem-vinda ali, e n?o queria que soubessem de n¨®s ¡ª respondeu ela calmamente. L¨²cia acenou, entediada, e voltou a olhar para a cidade. Uma estranha luz apareceu em suas ¨ªris enquanto seu olhar se focava em uma pessoa de cada vez. ¡ª Seu controle da mana est¨¢ realmente incr¨ªvel. Estou impressionada. L¨²cia ficou corada com o elogio, um leve sorriso aparecendo em seus l¨¢bios. ¡ª Obrigada. Ainda n?o vi ningu¨¦m parecido com a descri??o ¡ª disse ela, tentando mudar de assunto. ¡ª Devem chegar em breve. Os jogos come?am em poucos dias. No ¨²ltimo m¨ºs, as duas tinham se escondido nos arredores de Tenebris. Ana pediu a L¨²cia que procurasse pela caravana de Cesar usando sua vis?o aprimorada para n?o terem que se aproximar demais, e assim era passado a maior parte do dia. ¨¤s vezes, nos dias mais parados, treinavam um pouco, explorando os limites dos corpos mais fortes do grupo, um treinamento intenso que fazia Ana se surpreender com o quanto a mana agiu no corpo da crian?a e do lobo que a acompanhavam. Enquanto conversavam, a mercen¨¢ria entregou um prato com uma arom¨¢tica sopa para L¨²cia, e come?ou a comer um peda?o de carne sangrento, um h¨¢bito que apareceu novamente ao ter que viver na floresta. ¡ª Isso realmente n?o faz mal? ¡ª perguntou a menina, franzindo o nariz. ¡ª J¨¢ me acostumei. Ajuda a ficar mais forte. Voc¨º devia comer tamb¨¦m. Com uma cara de nojo, a crian?a recusou, voltando a olhar para a estrada. De repente, no limiar da sua vis?o, notou v¨¢rias carro?as aparecendo aos poucos. ¡ª Ali! Gaiolas! Rapidamente Ana enrolou um pano no rosto, escondendo suas fei??es. Seus olhos se estreitaram ao avistar os pequenos pontos que supostamente eram uma caravana escravista. ¡ª Esperem aqui, eu volto em poucos dias. Cuide dela ¡ª disse ao lobo, que estava pregui?osamente estirado perto da fogueira. O Animal rosnou baixo, mostrando que entendia a ordem, antes de voltar a fechar os olhos. ¡ª Assim, do nada? ¡ª Se Cesar estiver ali, preciso chegar antes dele. Sem mais palavras, ela pegou uma bolsa com um punhado de ferramentas e materiais que j¨¢ havia preparado e come?ou a descer em dire??o ¨¤ cidade. ¡°Estou ficando mole¡±, pensou Ana, n?o conseguindo evitar sentir uma pontada de preocupa??o enquanto se afastava, mas s¨® podia esperar que ficassem seguros at¨¦ sua volta, isso n?o podia ser adiado. A vista de Tenebris nunca deixava de impressionar. A cidade, conhecida por suas arenas, estava em plena atividade, e n?o foi dif¨ªcil se misturar discretamente com a multid?o. O mercado estava excepcionalmente lotado hoje, e o cheiro de especiarias, alimentos e suor enchia o ar. Sabendo que ainda ia demorar quase uma hora para a caravana chegar, Ana decidiu resolver outros assuntos. Ela se dirigiu para uma parte isolada da cidade, onde os mercados menos convencionais se encontravam. Ali, as pessoas n?o faziam muitas perguntas, e o dinheiro falava mais alto que a curiosidade. Ana se aproximou de um homem robusto, com cicatrizes no rosto e um olhar desconfiado. ¡ª Procuro informa??es sobre uma espada negra cheia de marcas ¡ª disse ela, mantendo a voz baixa.Unauthorized usage: this narrative is on Amazon without the author''s consent. Report any sightings. O homem olhou para ela, avaliando-a. ¡ª Informa??o tem um pre?o. Ana entregou algumas moedas, e o homem as pegou com um sorriso satisfeito. ¡ª Ah, essa espada. ¨¦ famosa aqui, pelo infort¨²nio que traz aos seus donos. Virou uma atra??o no mercado central, presa em uma pedra. ¡ª Presa em uma pedra? ¡ª Ana levantou uma sobrancelha, intrigada. ¡ª Sim, sim, tipo uma Excalibur feita de merda. Acharam que ia combinar com a cidade. ¡ª Entendo¡­ vamos, a¨ª tem mais dinheiro do que o necess¨¢rio para uma informa??o t?o superficial. ¡ª Bem, acham que pertence ¨¤s sombras. Ningu¨¦m se preocupou muito em investigar, j¨¢ que, al¨¦m da apar¨ºncia, n?o parece ter nada especial. Quem quiser arriscar, basta ir l¨¢ e tentar peg¨¢-la. Se n?o enlouquecer, pode ficar com ela. Muitos j¨¢ tentaram, mas mesmo os mais resistentes a devolvem poucas horas depois. A garota aceitou com um aceno de aprova??o, se virando para sair. Sabia que havia sido praticamente enganada, j¨¢ que era algo de conhecimento p¨²blico, mas n?o havia o que fazer, ela n?o estava ciente das ¨²ltimas not¨ªcias. ¡°Vou ir busc¨¢-la em seguida, velha amiga¡±. Enquanto esperava, alugou uma pequena tenda em um dos cantos do mercado, onde come?ou a preparar seus materiais. As ervas dos pequenos frascos foram misturadas em uma pequena cuba, sendo esmagadas vigorosamente para criar um lodo denso e escuro. ¡°Perfeito!¡±, pensou ela, encostando suavemente e com muito cuidado a ponta de seu dedo mindinho. Uma sensa??o estranha percorreu seu dedo mesmo com a pequena quantidade. ¡°Vamos torcer para funcionar da mesma forma em um poss¨ªvel rank B¡± Em seguida, comprou um arco simples em uma venda pr¨®xima. N?o era nada especial, feito de madeira de carvalho comum e forte o suficiente apenas para ca?ar pequenos animais. ¡°Faz tempo que n?o uso um desses¡±. Enquanto puxava a corda algumas vezes para sentir sua resist¨ºncia, notou que finalmente a caravana de escravos estava entrando na cidade. Como de costume, Cesar pediu para seus subordinados distribu¨ªrem os escravos pela cidade para serem vendidos assim que chegou, ficando sozinho com seus guardas em sua pr¨®pria tenda, com diversos itens ¨¤ venda. Ana apenas observou de longe, esperando o momento certo. As horas voaram, e quando o mercado come?ou a esvaziar, a mercen¨¢ria se levantou da cama improvisada que fez com sua bolsa. Ela esticou os membros e sentiu o ambiente por um instante. Uma brisa suave flu¨ªa por entre as ruas vazias, e o sil¨ºncio era aterrador. ¡ª Os c¨¦us est?o me ajudando. Apesar da distancia, ela confiava que acertaria seu alvo. Cesar e seus homens estavam em frente ¨¤ tenda, comendo enquanto conversavam. Ana mergulhou a flecha at¨¦ a metade na viscosa substancia, fazendo o lodo encharcar tanto a ponta quanto a haste de madeira que compunha o objeto. Respirando fundo, ela puxou a corda e atirou. A flecha navegou entre dezenas de tendas com precis?o extraordin¨¢ria, passando a mil¨ªmetros de muitos itens, mas sem acertar nada. ¡ª Estranho¡­ Esperem um momento ¡ª o homem loiro olhou ao redor, levantando um dedo para interromper a conversa. Rapidamente, levantou a m?o e pegou a flecha no ar, a cent¨ªmetros de sua cabe?a. Olhou para o item e deu um sorriso ir?nico, jogando-a de lado. Os guardas levantaram-se em um pulo, preparando-se para um ataque, mas Cesar os acalmou. ¡ª Sentem-se. Isso sempre acontece no nosso ramo, mesmo se acertasse n?o ¨¦ suficiente para nos preocuparmos ¡ª disse ele com desd¨¦m. Ana viu toda a cena de longe e logo voltou a sentar-se. ¡ª Eu venci ¡ª sussurrou para si mesma, com um grande sorriso surgindo em seus l¨¢bios ao notar o escravista limpando a m?o suja na cal?a desgastada.
De volta ao acampamento, L¨²cia observava a estrada com ansiedade, seus olhos brilhando com a luz da mana. O lobo estava ao seu lado, tamb¨¦m anormalmente vigilante. Confiavam em Ana, mas a espera era sempre a parte mais dif¨ªcil. ¡ª Ela vai voltar logo ¡ª disse a garota, tentando acalmar a si mesma tanto quanto a ele. Com um suspiro, sentou-se ao lado da grande fera, encostando-se em seu pelo confortavelmente. ¡°Espero conseguir desta vez, ela vai me elogiar de novo quando voltar¡± Lembrando das hist¨®rias que Ana contava de vez em quando sobre seus companheiros de aventuras passadas, L¨²cia abriu as duas m?os, uma de frente para a outra. Ap¨®s olhar firmemente por alguns segundos, duas pequenas esferas de energia apareceram, t?o pequenas quanto uma l¨¢grima. Uma delas emitia um laranja caloroso como a luz do Sol, e a alta temperatura fazia c¨®cegas em sua gelada m?o direita. Em sua m?o esquerda, havia um azul intenso que passava a sensa??o de vazio. Inversamente ¨¤ primeira esfera, esta causava certa dor ao tornar seus dedos ainda mais gelados. Com todo seu esfor?o, a pequena manipuladora aproximou as duas esferas lentamente, um cent¨ªmetro de cada vez. Parecia existir uma barreira entre as duas que impedia de se tocarem, mas insistentemente ela manteve a posi??o. Os minutos se passaram como uma eternidade, pesadas gotas de suor caiam dos curtos cabelos pretos. Foi ent?o que, de forma inesperada, as esferas come?aram a se transformar em duas pequenas linhas, se reconstruindo de forma que se entrela?avam entre si. O frio e calor foram substitu¨ªdos por uma sensa??o inexplic¨¢vel, confort¨¢vel e angustiante ao mesmo tempo, mas tudo durou apenas uma fra??o de segundo antes de se desmanchar em milhares de part¨ªculas que rapidamente desapareceram no ar. ¡°Funcionou!¡±, pensou L¨²cia, enquanto desmaiava pela escassez de mana em seu corpo.
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Capítulo 70 - Graciosa Loucura
Ana se inclinou, seu rosto a cent¨ªmetros do de Cesar, e sussurrou em seu ouvido, com a voz carregada de ironia e raiva contida. ¡ª Entenda, esse mundo ¨¦ fodido. N?o me culpe por seu azar. N?o foi voc¨º quem me ensinou isso? O homem estava paralisado, seus olhos injetados de sangue, arregalados em puro terror, mas incapaz de mover sequer um m¨²sculo. Ele lutava contra a paralisia que o dominava, mas n?o conseguia nada al¨¦m de uma tens?o in¨²til em seus membros. ¡ª Demorou mais do que eu pensei para voc¨º finalmente travar, mas olha s¨®, aqui estamos! ¡ª continuou, falando mais para si mesma do que para ele. ¡ª Sabe, voc¨º me deixou realmente brava quando me prendeu logo quando tive um pouco de esperan?a, mas no fim eu agrade?o. Foi uma nova experi¨ºncia, uma das quais eu nunca teria passado sozinha. Ela caminhou ao redor dele, a faca deslizando entre seus dedos. O ambiente ao redor era l¨²gubre, iluminado apenas pela luz t¨ºnue de velas dispostas estrategicamente para que nada se perdesse. O cheiro de ferro permeava o ar, misturado ao odor acre de suor e medo. Com um sorriso amargo, ela rasgou o casaco de couro, expondo a pele p¨¢lida do homem. De canto de olho, avistou um pequeno brilho prateado. ¡ª Que surpresa, voc¨º guardou para mim! ¡ª disse ela, pegando a coroa de prata que lhe havia sido tomada quando virou escrava. Ap¨®s brincar um pouco com a pe?a, guardou em seu bolso, como costumava fazer antigamente. Lentamente, sua express?o escureceu, e os olhos de Ana brilharam com uma mistura de ¨®dio e satisfa??o. Seus movimentos meticulosos refletiam a aten??o que tinha quando come?ou a tirar parte da pele do peito de Cesar. ¡ª Eu lembro quando experimentei essa droga pela primeira vez. A sensa??o de n?o poder nem gritar n?o ¨¦ surpreendentemente agonizante? ¡ª perguntou a garota, sorrindo. ¡ª ¨¦ uma mistura que criei em um dia de cansa?o em que n?o conseguia dormir, o efeito parece coisa de filme! Bom, voc¨º j¨¢ deve estar cansado de me ouvir, vamos continuar. Com ajuda de uma pin?a, come?ou a tirar cuidadosamente as veias por onde a mana passava. Com habilidade, usou uma das m?os para abrir novamente o pr¨®prio peito, coisa que j¨¢ havia feito muito nos ¨²ltimos meses. A costura foi precisa, mesmo em partes t?o pequenas. As l¨¢grimas escorriam pelo rosto de Cesar, misturando-se ao suor frio que cobria sua pele. A cada respira??o, a dor cravava-se mais fundo, uma agonia que parecia n?o ter fim. Seu corpo forte, que antes era motivo de orgulho, agora se tornava uma maldi??o, mantendo-o consciente mesmo enquanto peda?os cada vez maiores de sua carne eram removidos de seus membros. ¡ª Vamos ver se o fato de ser fresco ajuda em algo. Concentrando-se, tentou fazer a mana fluir. Surpreendentemente, as veias brilharam intensamente, mas com uma luz negra, bem diferente do azul celeste da qual estava acostumada ao fazer runas, e diferente de seus antigos testes, onde a fuma?a j¨¢ deveria ter come?ado a aparecer, elas permaneceram firmemente conectadas. ¡ª ¨¦ isso! Porra, no fim realmente era s¨® eu ter matado algu¨¦m esse tempo todo! Com precis?o cl¨ªnica, Ana continuou a abrir a carne do escravista, expondo mais veias azuladas. Ela tirava cada uma lentamente, costurando-as em seu pr¨®prio corpo em seguida, sentindo a dor e o poder misturados em cada movimento. A cada nova conex?o, sentia a mana fluir mais livremente, sua pele brilhando com uma sutil aura que variava entre o branco e o preto. ¡ª Isso ¨¦ poder, for?a¡­ mas queima¡­ queima tanto ¡ª Ela olhou para Cesar, seus olhos fixos nos dele, e viu o terror absoluto em seu rosto. Finalmente terminou os implantes. Sentia-se como uma obra de arte grotesca, cada linha de sutura formando uma trilha que ia dos seus p¨¦s at¨¦ seu pesco?o. Em poucas horas tudo o que sobrou ¨¤ sua frente foi o ch?o de pedra fria manchado de sangue, formando padr?es bizarros ao redor de seus p¨¦s. This book''s true home is on another platform. Check it out there for the real experience. Ana fechou os olhos e for?ou novamente o fluxo iniciar, desta vez por cada cent¨ªmetro de seu corpo. As duas manas opostas que possu¨ªa lutavam por dom¨ªnio e a sensa??o era insuport¨¢vel, como se cada c¨¦lula estivesse sendo rasgada e reconstitu¨ªda simultaneamente. ¡ª Ser¨¢ que vou ter que viver com isso? ¡ª ela riu, um som rouco e amargo. A ideia era ao mesmo tempo aterradora e excitante. Ana ofegava, cada respira??o rasgando sua garganta como vidro quebrado. A sensa??o de impregnar lentamente a mana na carne, transformando-a de maneiras que ela mal podia compreender, era estranha, mas havia um prazer perverso na tortura extrema. De repente, em meio a uma quase gargalhada, sua cabe?a come?ou a explodir em uma dor excruciante, uma afli??o semelhante a um tiro vindo do nada. Ela caiu de joelhos, segurando firmemente os gritos que vinham at¨¦ sua garganta, at¨¦ que, com um estranho ¡°clique¡±, algo se abriu dentro dela. ¡ª Voc¨º demorou ¡ª uma voz suave sussurrou em seu ouvido. Tudo ficou preto.
¡ª J¨¢ cansei desse lugar ¡ª Ana abriu os olhos e se viu mais uma vez em um mundo branco, um vazio absoluto que parecia se estender infinitamente. A sensa??o de desorienta??o foi ainda mais intensa que das outras vezes, como se o tempo e o espa?o n?o tivessem mais significado. O sil¨ºncio era absoluto, cortado apenas pelo som de sua pr¨®pria voz. ¡ª Parab¨¦ns, sua idiota. Conseguiu o que queria, n?o ¨¦? ¡ª aparecendo de repente com uma express?o rude e uma postura desdenhosa, o anjo a xingou, mas havia um toque de admira??o em sua voz. ¡ª Isso ¨¦ voc¨º que me diz, Gabriel. O anjo pareceu pensar por um momento, olhando em volta como se buscasse palavras que n?o chegavam a sua l¨ªngua, mas logo desistiu, dando de ombros. ¡ª Bom, voc¨º me matou, desgra?ada. Ent?o isso ¨¦ um adeus. Com um gesto dram¨¢tico, Gabriel formou uma arma com a m?o, apontando para a pr¨®pria cabe?a. Seus olhos encontraram os de Ana por um curto instante, e ent?o ele fingiu atirar. O lado oposto de sua cabe?a explodiu em uma explos?o crom¨¢tica multicolorida, cores brilhantes e intensas que pareciam perfurar o vazio branco. Estranhamente, Ana sentiu seu pr¨®prio corpo cair para o lado junto com o anjo. Ela bateu pesadamente no ch?o, a sensa??o de impacto reverberando por todo o seu corpo enquanto encarava a garota celestial deitada a sua frente, sem conseguir se mexer. Ela piscou uma vez. Quando abriu os olhos, ouviu o som de gavetas se abrindo com for?a ao seu redor. ¡ª Acabou saindo mais do que voc¨º podia suportar, n?o ¨¦? Se ferrou! ¡ª zombou Gabriel, ainda im¨®vel no piso em sua frente, o tom de sua voz gotejando sarcasmo. ¡ª O que...? Em meio a pensamentos confusos, ela piscou uma segunda vez. Gabriel sorriu na sua frente, um sorriso perturbador nascido logo abaixo de olhos j¨¢ sem vida. Por fim, Ana piscou uma terceira vez. Nesse segundo, o mundo branco se transformou em um caleidosc¨®pio de vitrais coloridos. As cores dan?avam em meio a incont¨¢veis estilha?os, criando padr?es hipn¨®ticos e desorientadores. ¡ª Ter tudo ¨¦ perder tudo ¡ª disse Gabriel, sua voz ecoando pelo espa?o fragmentado. Um v¨®rtice de conhecimento que n?o recordava possuir come?ou a surgir na mente da garota, como se uma represa tivesse se rompido. As mem¨®rias flu¨ªam descontroladamente, cada uma trazendo uma nova onda de emo??es e percep??es. Sentia-se diferente, mas n?o sabia explicar o que havia mudado. Foi ent?o que o anjo ergueu novamente a m?o com os dedos em forma de arma, mirando diretamente para ela. ¡ª Bang! ¡ª gritou ele, a palavra ressoando como um trov?o.
Ana despertou no mundo real novamente, seu corpo tremendo violentamente. O suor escorria por sua pele, e a dor era uma presen?a constante. Quando recuperou os sentidos por completo, notou que estava fazendo o gesto de arma para si mesma, ent?o logo baixou suas m?os. Involuntariamente, abriu e fechou os dedos, sentindo a nova for?a que come?ava a mudar seu corpo aos poucos. ¡ª N?o ¨¦ o suficiente ¡ª murmurou, sua voz apenas um baixo sussurro enquanto um sorriso anormalmente grande se formava em seus l¨¢bios.
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Capítulo 71 - Obscura Lamina
Como jornalista investigativo, minha curiosidade foi despertada ao ouvir sobre a espada misteriosa no mercado central de Tenebris. Decidi investigar a fundo suas origens, reconstruindo sua trajet¨®ria atrav¨¦s de in¨²meros relatos, mas cada vez que descobria algo novo, mais certo estava de que essa arma deveria ser destru¨ªda. O primeiro relato que tive not¨ªcias foi de Ernesto, um mercador de antiguidades, que encontrou a espada em uma feira. Ele a comprou pela sua apar¨ºncia ¨²nica e a levou para sua cole??o pessoal. Nas noites seguintes, come?ou a ter pesadelos com sombras e morte, que o deixavam suando frio e apavorado. Testemunhas da ¨¦poca dizem que, com o tempo, se tornou obcecado pelo item, ouvindo vozes que o incitavam ao desespero. Em uma noite de loucura, usou a espada para tirar sua pr¨®pria vida. Seus funcion¨¢rios encontraram seu corpo ao lado da espada ensanguentada. Entrevistando um casal que trabalhava para o homem, relataram que ele passava horas trancado em seu escrit¨®rio, murmurando para si mesmo. N?o consigo me esquecer do pavor enquanto me diziam que ¡°era como se a espada estivesse falando com ele¡±. Voc¨º pode pensar que ¨¦ bobeira, afinal, como pode uma simples arma trazer tal loucura? Mas sinto lhe dizer que Ernesto foi apenas a primeira v¨ªtima conhecida dessa maldi??o. Ap¨®s a morte do homem, sua vi¨²va Clara herdou a casa, assim como a cole??o. Sem saber da influ¨ºncia sombria da lamina, ela tentou vend¨º-la. No entanto, rapidamente sucumbiu a estranhos pensamentos homicidas, terminando tragicamente ao matar sua irm? Maria antes de tirar a pr¨®pria vida. Tudo o que sabemos veio dos vizinhos da infeliz mo?a, que insistiam que ela estava sempre olhando para algo que n?o podiam ver, al¨¦m de que Clara desenvolveu feridas negras nos bra?os, como se a espada estivesse drenando sua vida. Pobre mulher, tentando apenas se livrar de uma lembran?a dolorosa e encontrando um destino ainda mais sombrio. A espada parecia ter uma predile??o por destruir fam¨ªlias. No fim, de alguma forma chegou ¨¤s m?os de um comerciante local, que a comprou sem saber de sua hist¨®ria. Falando com os moradores, encontrei mais detalhes sobre Jo?o, o novo dono da arma. Ele a colocou ¨¤ venda em sua loja, mas logo come?ou a se tornar agressivo, brigando frequentemente com seus clientes e familiares. Em um surto de f¨²ria, matou seu melhor amigo. Desesperado, vendeu a espada a um colecionador itinerante. A loja de Jo?o, que antes era um ponto de encontro alegre, tornou-se um lugar de medo e desconfian?a. Impressionante como a loucura se espalha. Ser¨¢ que ningu¨¦m notou um padr?o? Ou todos estavam cegos pela ambi??o e pela curiosidade? Este ¡°sortudo¡± colecionador foi Marcos, que exibiu a espada em suas viagens com grande orgulho, at¨¦ que em uma dessas demonstra??es atacou um grupo de pessoas em uma pra?a. Foi preso, e a espada confiscada e leiloada. ¡°Era como se ele fosse outra pessoa,¡± disse um dos sobreviventes do ataque de Marcos. ¡°Seus olhos estavam vazios, mas havia um brilho de loucura neles.¡± Imagine comprar um item por curiosidade e acabar preso por m¨²ltiplos assassinatos. Parece uma piada de mau gosto, mas foi a realidade do pobre homem. O leil?o atraiu os olhos do talentoso ferreiro Ricardo, que parece ter ficado admirado com a elegancia do metal. Sem surpresa, n¨¦? Ele se tornou violento e paran¨®ico, matando sua pr¨®pria fam¨ªlia em um surto de del¨ªrio. Mais um que foi preso, e a espada foi enviada novamente para um mercado na cidade de Tenebris. Falei com alguns amigos de Ricardo que relataram que tudo n?o passou de estresse com o trabalho¡­Stolen content alert: this content belongs on Royal Road. Report any occurrences. Neste ponto, comecei a me perguntar se a espada realmente estava amaldi?oada ou se as pessoas simplesmente n?o conseguiam lidar com seu pr¨®prio desequil¨ªbrio mental. O envio acabou se perdendo em um porto de uma pequena cidade pesqueira, parando nas m?os de Miguel. Ao contr¨¢rio dos outros, parece que ele possu¨ªa um controle maior sobre a lamina, e isso o levou para o pior caminho da nossa rota. Ele a usou para cometer uma s¨¦rie de assassinatos brutais, levando a morte e o terror do local por semanas. Com o tempo, mesmo ele come?ou a ser consumido pela espada, perdendo a raz?o completamente e expondo voluntariamente seus crimes. Foi encontrado morto, tendo tirado a pr¨®pria vida com a mesma lamina que usou para ceifar tantas outras. ¨¦ ir?nico e um pouco c?mico que at¨¦ um serial killer conhecido n?o conseguiu resistir ao poder da espada. Parece que ningu¨¦m ¨¦ imune. Alguns rumores j¨¢ haviam come?ado a se espalhar nesse ponto, e de alguma forma a espada foi para as m?os de Elias, um manipulador de mana. Intrigado com a arma, usou suas habilidades de avalia??o para entender o que tinha de especial em algo aparentemente t?o ordin¨¢rio. Dito e feito, no momento em que sua vis?o infundida com mana tocou a espada, sentiu como se ca¨ªsse em um profundo abismo. Pelo que o pr¨®prio relatou, a escurid?o parecia envolv¨º-lo completamente, deixando-o sem ar e sem esperan?a. Elias ficou dias em um estado de paralisia mental, incapaz de se recuperar da experi¨ºncia. Quando finalmente conseguiu mover-se, jogou a arma no ch?o e correu, correu at¨¦ seus p¨¦s n?o aguentarem mais. Chegou a Tenebris, exausto e atormentado, onde contou sua hist¨®ria para qualquer um que quisesse ouvir. Sua descri??o do abismo e do terror que sentiu atraiu a curiosidade m¨®rbida de muitos na cidade. N?o tem nada super interessante no abismo, e o t¨¦dio leva as pessoas a procurarem prazer onde quer que seja. Algum doido buscou a arma, dessa vez com mais cuidado, e a trouxe para a cidade, criando essa atra??o macabra. Uma barra de um profundo preto fixada em uma pedra no mercado central. De vez em quando curiosos, especialmente manipuladores de mana, tentavam puxar a espada para sentir o terror que tanto diziam. Uma completa idiotice, nunca se recuperaram completamente. A cidade, j¨¢ conhecida por sua atmosfera sombria, adotou a espada como s¨ªmbolo, com um tenebroso aviso: "Cuidado com o que voc¨º deseja, pois a lamina negra n?o perdoa." ¨¤s vezes, ¨¦ dif¨ªcil acreditar em todas essas hist¨®rias. Uma arma que causa tanto estrago, e ainda assim, as pessoas continuam tentando desafiar seu poder. Talvez, no fim, sejamos todos um pouco loucos. Bom, embora n?o tenha desvendado todos os mist¨¦rios, para mim ficou evidente que n?o era apenas um objeto, mas uma entidade de escurid?o e maldi??o, destinada a trazer ru¨ªna a todos que cruzassem seu caminho. E hoje, justo quando precisei voltar a este maldito lugar, fiquei de frente com mais uma poss¨ªvel v¨ªtima. Tudo que pude fazer foi suspirar ao ver a pequena mulher se aproximar a passos lentos. ¨¦ estranho, sinto que j¨¢ vi ela em algum lugar, mas simplesmente n?o me vem ¨¤ mente onde. O sorriso em seu rosto me deixou desconfort¨¢vel, e a melodia que sa¨ªa de seus murm¨²rios me deixou com vontade de sair dali logo. Diferente das express?es de preocupa??o usual que se via quando os desafiantes chegavam perto da pedra, ela come?ou a fazer carinho na espada. Mas que loucura ¨¦ essa? Ela olhou ao redor, como se pensasse estar escondida, e de repente, puxou a espada de forma brusca. Sem hesitar, se virou e saiu correndo, rindo alto. A atmosfera do mercado mudou instantaneamente. O burburinho parou, e todos ficaram em choque com a cena surreal. Eu mesmo fiquei sem palavras, observando aquela mulher desaparecer na multid?o, segurando a espada como se fosse um trof¨¦u. Tem como a maldi??o deixar algu¨¦m assim ainda mais perturbado? Sinto que testemunhamos o in¨ªcio de mais uma trag¨¦dia. Bom, s¨® o tempo dir¨¢, mas acho que, ao menos para mim, j¨¢ ¨¦ o suficiente.
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Capítulo 72 - Fascinante Ardor
O lobo rosnava baixo, os pelos arrepiados e os olhos fixos na escurid?o da floresta. L¨²cia se levantou rapidamente, o cora??o batendo forte. Havia algo errado. O som abafado de folhas secas sendo pisoteadas e o farfalhar das ¨¢rvores aumentava a tens?o no ar. ¡ª O que est¨¢ acontecendo? ¡ª perguntou a menina, a voz tremendo de preocupa??o. O lobo manteve a postura defensiva, sem dar aten??o ¨¤ pergunta. De repente, Ana saiu de entre as ¨¢rvores, os olhos brilhando com uma estranha anima??o. A luz da fogueira iluminava seu rosto, destacando a express?o fren¨¦tica e os olhos levemente arregalados. O lobo mostrou sinais de confus?o, e logo se afastou dela, desconfiado. ¡ª Escolha uma dire??o, r¨¢pido! ¡ª O que...? Por qu¨º? ¡ª L¨²cia tentou entender, mas Ana j¨¢ estava recolhendo as coisas desajeitadamente, jogando objetos dentro de uma mochila sem a menor organiza??o. ¡ª Escolha logo! ¡ª gritou Ana, com a respira??o pesada depois de uma fuga apressada. Desnorteada, L¨²cia apontou para uma dire??o aleat¨®ria, os pensamentos correndo t?o r¨¢pido quanto seu cora??o. ¡ª Ok! E voc¨º, concorda? ¡ª perguntou a mercen¨¢ria ao lobo, que claramente n?o respondeu. ¡ª Sil¨ºncio ¨¦ uma concordancia! Com um gesto exagerado, pegou L¨²cia embaixo do bra?o e saltou sobre o lobo, ignorando os protestos do animal, cujos olhos brilhavam com um misto de incompreens?o e relutancia. Nesse instante, alguns homens montados em criaturas que pareciam uma mistura de cavalo com lagarto emergiram das sombras. As intrigantes montarias tinham escamas escuras e estranhos olhos amarelos e brilhantes. Suas garras afiadas rasgavam o solo enquanto se moviam em conjunto com seus movimentos fluidos. Entre os cavaleiros, destacava-se uma imponente mulher musculosa, cuja presen?a emanava autoridade e crueldade. Ela estava montada na maior das criaturas, um ser colossal com dentes afiados e uma crista pontiaguda nas costas. ¡ª Corra, garoto! ¡ª gritou Ana ao lobo, que imediatamente disparou pela floresta densa, as patas batendo ruidosamente no ch?o coberto de folhas. Flechas e diferentes magias passavam raspando pela roupa das garotas, destro?ando as ¨¢rvores que atingiam. ¡ª O que est¨¢ acontecendo? ¡ª Foi o desgra?ado que deixamos na aldeia, parece que contou para Cassandra sobre mim. ¡ª enquanto explicava, o sorriso no rosto de Ana voltou a aparecer, sua voz saiu em um tom leve que n?o combinava com a situa??o. ¡ª Depois disso, foi uma cena bem clich¨º, eu estava me preparando para voltar, quando¡­ Tcharam! Dou de cara com ela em frente ao port?o principal. Dei tudo de mim pra fugir, e o resto voc¨º j¨¢ sabe. ¡ª Quem ¨¦ Cassandra? ¡ª Minha antiga dona. Uma ¨¢rvore explodiu novamente ao lado delas nesse instante, fazendo a conversa cessar momentaneamente. Com um ¨¢gil salto, o lobo fez um curva anormalmente fechada, tentando despistar os perseguidores. A cada minuto que passava a menina percebia algo cada vez mais estranho em Ana. A aura ao seu redor era intensa, carregada de uma energia que ela n?o sabia explicar, e um resqu¨ªcio de mana que parecia exalar do corpo a sua frente, algo que ela sentiu pela primeira vez vindo da mulher. Ainda mais percept¨ªvel era seu rosto. L¨²cia refletiu sobre todo o tempo desde que conheceu a deusa do ferro, e notou que sua express?o era sempre s¨¦ria. Mesmo em seus ocasionais sorrisos, sempre parecia faltar algo, como se ela estivesse vivendo mecanicamente. Mas agora, era diferente. ¡ª Voc¨º est¨¢¡­ se divertindo? ¡ª perguntou ela, com um baixo sussurro e uma voz tr¨ºmula. Ana apenas a olhou por um momento de forma calorosa, sem responder, como se a pergunta n?o fizesse sentido. O som das criaturas reptilianas se aproximava aos poucos, seus corpos leves fazendo um esfor?o menor do que o do lobo que carregava uma quantidade consider¨¢vel de carga. O cheiro de suor, couro e ferro vinha atr¨¢s deles, aumentando a sensa??o de persegui??o iminente. As ¨¢rvores passavam como borr?es ao redor, o vento frio era congelante e os finos galhos cortavam os rostos de Ana e L¨²cia.Stolen from Royal Road, this story should be reported if encountered on Amazon. A floresta parecia um labirinto sem fim, e a crian?a, ainda meio perdida em meio a situa??o, se agarrou firmemente no pelo do lobo, sentindo o calor do corpo do animal. De repente, o lobo fez mais uma curva brusca, quase derrubando Ana e L¨²cia. Eles entraram em uma trilha estreita, coberta por galhos baixos e arbustos espinhosos. O som das criaturas os seguindo pareceu diminuir, mas n?o desapareceu completamente. ¡ª Vamos conseguir escapar? ¡ª L¨²cia perguntou, fechando firmemente os olhos. ¡ª Escapar? N?o precisamos disso, nosso amigo canino nos deu o lugar perfeito para acabarmos com isso. L¨²cia inclinou levemente a cabe?a, sem entender onde Ana queria chegar, at¨¦ que reparou a mulher formando uma pequena arma com os dedos e apontando na dire??o que o som vinha. ¡ª Eu disse que voc¨º se tornaria um ¨®timo isqueiro. Prepare o fogo. ¡ª O qu¨º? Voc¨º est¨¢ louca? Isso vai chegar at¨¦ a cidade! ¡ª gritou a menina, chocada com a sugest?o, mas ainda assim se concentrando para criar uma pequena esfera alaranjada. ¡ª L¨²cia, bang! ¡ª o tiro falso saiu em um claro tom de ordem no exato instante em que a floresta come?ou a se abrir, revelando uma grande clareira. A menina hesitou, mas ao ver o olhar quase insano de Ana e os vultos se aproximando em meio aos arbustos, lan?ou a pequena chama para tr¨¢s, percebendo que n?o havia outra escolha. Por um segundo, parecia que nada aconteceria, mas ent?o uma alta explos?o foi ouvida, com as chamas rapidamente se espalhando, consumindo tudo em seu caminho. O fogo subiu como um guepardo pelas ¨¢rvores, alimentado pela vegeta??o seca, e em pouco tempo, a clareira estava tomada por um inferno ardente. As labaredas continuaram com uma voracidade assustadora, seguindo eles de perto. O calor intenso e o cheiro de madeira queimada enchiam o ar, e a floresta desaparecia de forma implac¨¢vel. N?o se sabia como os perseguidores estavam, se foram incinerados ou se conseguiram correr a tempo, mas alguns poucos gritos eram ouvidos em meio ao fogo, deixando a cena com uma trilha sonora pouco agrad¨¢vel de se ouvir. A imensa fogueira era vis¨ªvel de todos os cantos do abismo, um farol de destrui??o que eliminou momentaneamente a habitual escurid?o, deixando um rastro de cinzas que se assemelhavam a flocos de neve descendo do c¨¦u. ¡ª Isso deve retard¨¢-los ¡ª murmurou Ana, satisfeita. ¡ª Voc¨º ¨¦ incr¨ªvel, L¨²cia. Por um instante a menina pensou em gritar uma resposta. Ela estava brava com a situa??o perigosa repentina, frustrada pelas mortes que sabia que causaria, e com medo da estranha personalidade que sua mentora estava apresentando, mas tudo isso sumiu pelos ares ao ouvir o elogio. Suas bochechas ficaram vermelhas, e ela escondeu o rosto nas costas de Ana, apesar de sua express?o feliz n?o ter passado despercebida. Com o tempo, se afastaram do local. A persegui??o parecia ter terminado no momento, dando ao grupo uma chance de respirar. ¡ª ¨¦ fascinante, n?o ¨¦? ¡ª disse Ana, olhando piamente para o horizonte em chamas. ¡ª Fascinante? O que voc¨º quer dizer? ¡ª perguntou a menina, franzindo a testa, mas curiosa. Ana suspirou, um sorriso enigm¨¢tico surgindo em seus l¨¢bios. ¡ª O laranja em meio ¨¤ escurid?o, o contraste das chamas contra o negro do teto distante... Lembra-me de muitos pores do sol que j¨¢ vi. Por muito tempo, era o que me fazia entender que havia um novo dia em seguida, mesmo sozinha em um mundo t?o fodido, havia beleza. L¨²cia olhou para Ana, os olhos arregalados, mas confusos. ¡ª O que ¨¦ um p?r do sol? ¡ª Voc¨º ver¨¢ em breve ¡ª respondeu Ana, afagando o cabelo da menina com um gesto carinhoso perante a pergunta inocente. ¡ª Um espet¨¢culo que vale a pena esperar. Mas agora, vamos embora daqui. O lobo deu um leve rosnado enquanto mantinha uma corrida calma, com um ritmado bater de patas no ch?o. ¡ª Oh, voc¨º tamb¨¦m est¨¢ convidado, bicho dram¨¢tico. Mas por agora, vamos correr at¨¦ sairmos do abismo. ¡ª Voc¨º j¨¢ tinha falado disso, mas como vamos passar pelos locais escuros? ¡ª Locais escuros? ¡ª Ana ergueu uma sobrancelha, intrigada. ¡ª S?o as partes restritas do abismo. Minha m?e contava hist¨®rias sobre como os port?es foram constru¨ªdos para que a parte mais clara fosse protegida, para que os monstros n?o viessem at¨¦ n¨®s. Ningu¨¦m consegue sair do abismo. ¡ª L¨²cia explicou, a voz baixa, como se temesse o pr¨®prio conceito. Ana pensou por um momento, suas m?os segurando com firmeza as r¨¦deas improvisadas. Os olhos percorreram as marcas na espada negra que agora carregava consigo enquanto sua mente trabalhava rapidamente. ¡ª Bem, na verdade ¨¦ simples ¡ª disse Ana finalmente. ¡ª Se ¨¦ a ¨²nica forma de sair, vamos simplesmente matar tudo o que encontrarmos pelo caminho. L¨²cia olhou para Ana, surpresa pela frieza da declara??o, mas ao mesmo tempo inspirada pela determina??o implac¨¢vel da mulher. A garota assentiu, a confian?a renovada, sem questionar sobre tal escolha ser realmente poss¨ªvel ou n?o.
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Capítulo 73 - Práticas Cruzadas
Ap¨®s dias de viagem em uma cansativa linha reta, finalmente se encontraram diante de um dos port?es que marcavam os limites da parte clara do abismo. A estrutura desgastada estava coberta por uma estranha fuma?a em tons pretos e amarelos, semelhante a que Ana havia encontrado ao sair da escurid?o absoluta. ¡ª Ainda ¨¦ um mist¨¦rio como essa fuma?a n?o escapa¡­ bom, se for igual ao port?o que eu conhe?o, vai ter algo logo atr¨¢s ¡ª comentou Ana, seus olhos analisando o port?o de forma desinteressada. ¡ª N?o entendo, como algu¨¦m conseguiu fazer as criaturas protegerem esses lugares de forma cont¨ªnua? ¡ª L¨²cia perguntou, intrigada. ¡ª Eu tamb¨¦m n?o sei, mas ¨¦ assim que as coisas s?o ¡ª respondeu a mentora, balan?ando a cabe?a. Em meio a conversa, Ana brincava com a espada negra em suas m?os. O metal escuro e as marcas registrando as mortes brilhavam com um tom sombrio sob a luz fraca da tocha que L¨²cia segurava. ¡°Um metro e dezessete cent¨ªmetros, quase dois quilos. algu¨¦m usou minha espada mais do que deveria. Usar s¨® uma m?o talvez n?o seja adequado¡­¡±, pensou a mulher, tentando sentir onde estava o atual ponto de equil¨ªbrio da lamina. ¡ª Se n?o recordo mal, ¨¦ assim que se usa uma espada bastarda¡­ ¡ª murmurou para si mesma. Como se lembrasse algo, come?ou a girar a arma em uma dan?a quase hipn¨®tica. Seus p¨¦s deslizavam pelo ch?o em padr?es complexos, enquanto a espada cortava o ar com uma fluidez elegante. Cada giro e cada estocada eram executados com uma habilidade que parecia transcender o conceito de corpo e a lamina como objetos separados, criando uma harmonia simbi¨®tica onde ambos n?o pareciam capazes de existir um sem o outro. L¨²cia observou cada a??o, admirada e confusa. Era cativante, po¨¦tico, belo, como se contasse uma melanc¨®lica hist¨®ria de mem¨®rias esquecidas. O ritmo dos movimentos era quase musical, como se Ana estivesse seguindo uma melodia inaud¨ªvel, e cada passo ecoava um sentimento de profunda nostalgia e saudade, mas tamb¨¦m tristeza e solid?o. ¡ª O que ¨¦ isso? ¡ª perguntou a menina, sem conseguir desviar o olhar. ¡ª Pode parecer bobo, mas chamo de ¡°Dan?a de Ana¡±. Foi algo que criei h¨¢ muito tempo, quando as coisas eram mais¡­ calmas ¡ª respondeu a mercen¨¢ria, com seus olhos saindo da arma em suas m?os e pousando sobre a garota. Ela j¨¢ havia notado isso, mas L¨²cia havia realmente crescido. A mana a tornou muito maior do que se esperaria de algu¨¦m com apenas treze anos de idade. ¡ª Ei, voc¨º gostaria de se tornar uma mestra de armas? ¡ª O que ¨¦ isso? ¡ª Vamos, o nome ¨¦ autoexplicativo, pense um pouco! ¡ª J¨¢ sou uma manipuladora. N?o acho que combina¡­ ¡ª Voc¨º n?o deveria confiar s¨® nessa merda de mana. Al¨¦m disso, n?o consegue se imaginar como uma espadachim m¨¢gica? Seria algo digno de cinema! ¡ª O que ¨¦ cinema? ¡ª Cala a boca, voc¨º tem perguntas demais! ¡ª respondeu Ana, rindo da inocente curiosidade. L¨²cia suspirou e se aproximou com passos hesitantes. ¡ª Se voc¨º acha que eu devo aprender, eu n?o me importo de treinar um pouco¡­ O sorriso da mercen¨¢ria se aprofundou, e foi saltitando at¨¦ uma das pesadas bolsas de couro. Ap¨®s procurar um pouco, achou uma fina adaga longa e jogou para a menina. ¡ª Imite-me. Agora. ¡ª ¨¦ realmente a hora adequada? ¡ª L¨²cia perguntou, segurando a adaga com cuidado. ¡ª Podemos morrer daqui a pouco. N?o h¨¢ hora melhor ¡ª respondeu Ana, afagando a cabe?a da garota. Pelas pr¨®ximas horas, as duas treinaram juntas. Cada movimento de Ana era seguido de perto por L¨²cia, que se esfor?ava para acompanhar. Uma uni?o diferente nascia entre as duas, forjada pela necessidade e pela admira??o m¨²tua. A mercen¨¢ria observava a garota suando enquanto tentava acompanh¨¢-la, vendo muitas falhas em seus movimentos, mas apenas sorria, lembrando de si mesma no passado. Desde que a conheceu na floresta, ela estava absorvendo tudo que foi ensinado como uma esponja, uma caracter¨ªstica que Ana achava incr¨ªvel. ¡ª Est¨¢ bom o suficiente por hoje, vamos parar para comer algo ¡ª falou Ana, quando L¨²cia mal conseguia levantar a adaga. ¡ª Se importa em acender o fogo? Vou separar um pouco de carne. ¡ª N?o tem problema, mas posso fazer uma pergunta? ¡ª Fale de uma vez. L¨²cia fez uma pausa, hesitando antes de perguntar. ¡ª Por que voc¨º sempre pede para eu fazer essas coisas simples com mana, mesmo quando pode fazer s¨® esticando um dedo? Ana parou o que estava fazendo, olhando para L¨²cia por um momento. Suspirou, seus olhos refletindo uma mistura de frustra??o e aceita??o. ¡ª Porque eu n?o consigo usar mana ¡ª confessou Ana, a voz mais suave do que o normal. ¡ª Quer dizer, por certas raz?es, n?o conseguia. Hoje em dia teoricamente consigo, mas j¨¢ tentei das mais diversas formas e nada acontece. Posso sentir a mana, mas n?o consigo mold¨¢-la.This story originates from a different website. Ensure the author gets the support they deserve by reading it there. ¡ª De verdade? Voc¨º sempre pareceu t?o... poderosa ¡ª L¨²cia franziu a testa, surpresa. ¡ª Eu entendo o conceito conhecido de magia, modificar as mol¨¦culas circundantes e tudo mais. Sei como o fluxo deve ser ap¨®s tentar imitar os padr?es r¨²nicos que conhe?o, mas quando penso no processo todo, nada acontece, mesmo ao tentar gerar uma simples chama. L¨²cia n?o respondeu, apenas inclinou a cabe?a enquanto tentava processar o que ouviu. Com um suspiro, Ana mudou a explica??o. ¡ª Imagine o fogo ¡ª come?ou Ana, sentando-se ao lado da garota. ¡ª Voc¨º sabe que precisa de calor, combust¨ªvel e oxig¨ºnio. Eu entendo isso. Posso visualizar cada mol¨¦cula se rearranjando, a energia se transferindo. Mas, quando tento fazer isso com mana... simplesmente n?o funciona. Nesse instante, como se para demonstrar, esticou uma das m?os, observando seus dedos esguios ¨¤ luz da fogueira que acabara de ser acesa. ¡°Tenho m?os t?o estranhas¡±, pensou ela, notando as muitas cicatrizes que se espalhavam por sua pele, resqu¨ªcios do que teve que passar desde que chegou ao abismo. Concentrou-se e fez a mana fluir. O tempo passou e sentiu seu corpo queimar loucamente, mas nada aconteceu. L¨²cia mordeu o l¨¢bio, sentindo o ca¨®tico fluxo, pensando profundamente. ¡ª Ainda n?o entendi nada. Eu n?o penso tanto quando uso magia. Eu s¨® fa?o ¡ª Levantando a m?o, L¨²cia demonstrou sua habilidade. Um pequeno tornado de vento come?ou a girar ao redor de seus dedos. ¡ª Veja, ¨¦ como isso. Eu sinto a mana, e ela simplesmente... responde. Ana observou com aten??o, tentando captar o processo e logo L¨²cia continuou. ¡ª Uma mo?a na aldeia podia atrair os p¨¢ssaros apenas colocando mana na voz. Ela n?o sabia falar com eles, mas conseguia. E o velho Jorge, da taverna, tocava viol?o e as notas que sa¨ªam do instrumento relaxavam todo mundo. Duvido que eles soubessem exatamente o que faziam. Ana refletiu sobre isso, e logo um pequeno estalo surgiu em sua mente ao lembrar-se de Marina, a maga prod¨ªgio de seu antigo grupo. A jovem melhorou suas habilidades ap¨®s sua sugest?o de estudar processos, mas antes disso, j¨¢ conseguia usar magia intuitivamente. ¡ª Vamos tentar algo diferente ¡ª disse Ana, enquanto L¨²cia a olhava, intrigada. ¡ª Quero que voc¨º tente ficar invis¨ªvel. ¡ª pediu a mercen¨¢ria. L¨²cia franziu a testa, surpresa com o pedido inusitado, mas fechou os olhos, tentando se concentrar. Ap¨®s alguns segundos, seu corpo come?ou a se tornar transl¨²cido, como se estivesse se misturando com o ambiente ao redor, mas sua forma ainda era claramente vis¨ªvel. ¡ª O que voc¨º fez? ¡ª Pensei na ¨¢gua, em como n?o consigo ver atrav¨¦s dela j¨¢ que sou refletida... e simplesmente aconteceu ¡ª L¨²cia explicou, abrindo os olhos lentamente, ainda meio transl¨²cida. ¡ª Ok, isso ¨¦ um ¨®timo come?o. Agora, vou explicar um pouco sobre refra??o e reflex?o ¡ª Ana come?ou, mantendo um tom did¨¢tico. ¡ª A luz muda de dire??o quando passa de um meio para outro. No caso da ¨¢gua, a luz se refrata, o que faz com que as coisas pare?am distorcidas. Se voc¨º conseguir controlar a mana para alterar o ¨ªndice de refra??o ao redor do seu corpo, poder¨¢ se tornar invis¨ªvel de verdade. L¨²cia assentiu, tentando absorver a explica??o. Ana continuou, detalhando o processo de forma simplificada, para que a menina pudesse entender. ¡ª Imagine que a luz ¨¦ como um rio, fluindo ao seu redor. Voc¨º precisa desviar esse fluxo para que ele contorne seu corpo, n?o refletindo de volta para os olhos de quem olha. Parece simples, certo? ¡ª Ana demonstrou com gestos, movendo as m?os no ar para ilustrar o conceito. L¨²cia fechou os olhos novamente, visualizando as palavras que ouvia. Sentiu a mana fluindo dentro de si e, lentamente, a garota come?ou a desaparecer, como se estivesse se fundindo com o ambiente de maneira perfeita. ¡°Seja por genialidade ou simples instintos, ela ainda ¨¦ simplesmente incr¨ªvel¡±, pensou Ana, apenas observando a cena enquanto sorria. ¡ª Consegui? ¡ª perguntou a menina, olhando para as pr¨®prias m?os, agora quase invis¨ªveis. ¡ª Sim, voc¨º fez um ¨®timo trabalho, me ajudou muito a entender o que devo fazer. ¡ª Como assim? ¡ª Estou pensando demais. Parece que imagina??o e l¨®gica se complementam, e eu estava pendendo apenas para o lado t¨¦cnico da coisa. Bem, saberemos quando eu tentar novamente. Com o t¨¦rmino de sua frase, Ana fechou os olhos, assim como a menina havia feito durante sua explica??o. Uma figura clara come?ou a se formar em sua mente: uma grande chama, t?o intensa que poderia queimar os c¨¦us. Visualizou cada detalhe com uma precis?o quase art¨ªstica, sentindo a expectativa e o poder se acumularem dentro dela. Um calor abrasador que faria sua pele formigar. O ar ao redor sendo sugado pela chama voraz. O oxig¨ºnio alimentando o fogo, com suas mol¨¦culas vibrando e se rearranjando numa dan?a ca¨®tica e bela de fus?o entre energia e mat¨¦ria. O brilho ofuscante que iluminaria o c¨¦u, um farol de destrui??o pura. Estendendo a m?o, come?ou a murmurar cada passo t¨¦cnico necess¨¢rio para a chama acender, suas palavras formando um mantra r¨ªtmico e preciso. Sua mana parecia um rio prestes a transbordar, e ela decidiu deixar que flu¨ªsse livremente, sem for?ar o padr?o que tanto havia tentado antes. Choques de dor percorriam seu corpo, mas era como se fizessem parte do todo. A imagem do fogo parecia cada vez mais real, como se j¨¢ fosse algo existente em toda sua grandiosidade. E ent?o, de repente, uma chama maior do que seu pr¨®prio corpo, t?o intensa quanto a que havia imaginado, surgiu ¨¤ sua frente, iluminando tudo ao redor com uma luz ofuscante. ¡°¨¦ isso! Minha mente estava fechada demais¡­¡±, pensou Ana, animada. No entanto, a alegria foi breve. Uma pequena esfera negra se formou no centro da chama, fazendo-a escurecer rapidamente. Mesmo com todo o seu ardor, o fogo n?o conseguia superar a escurid?o que o consumia. L¨²cia sentiu um arrepio repentino quando as brasas da manifesta??o de mana se aproximaram, caindo para tr¨¢s com um medo intenso no olhar. Tudo durou apenas por um instante, e logo a luz se apagou completamente. Ana caiu de joelhos, perdendo o sorriso enquanto uma sensa??o de vazio tomava conta de seu corpo. Sentia-se como se toda a energia tivesse sido drenada de dentro de uma vez, seguida por uma sensa??o avassaladora de afogamento. Seus pulm?es pareciam incapazes de se expandir, e ela agarrou a garganta, desesperada por ar. Sua vis?o come?ou a escurecer nas bordas, e o mundo ao seu redor parecia se afastar. O som abafado dos batimentos card¨ªacos preenchia seus ouvidos, cada pulsa??o como um martelo em sua cabe?a. Com olhos arregalados, viu a carne que estava separando para o jantar de canto de olho e, com um impulso desesperado, ela se arrastou at¨¦ o alimento, mordendo-o de imediato de forma quase fren¨¦tica. Era como se uma pequena gota ca¨ªsse dentro de um grande lago vazio, mas foi o suficiente para ela sentir o ar voltar a seus pulm?es. Cada mordida parecia restaurar um pouco de sua energia, uma lenta revitaliza??o que trazia um al¨ªvio quase doloroso. ¡ª Merda de mana! ¡ª resmungou ela, com uma voz baixa e rouca, enquanto inconscientemente come?ava a cantarolar.
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Capítulo 74 - Frenético Delírio
O lobo come?ou a rosnar ao ouvir o sutil cantarolar de Ana, seus olhos fixos nela com desconfian?a. O som que ela emitia era perturbador, carregado de uma energia que fazia seu pelo quase totalmente preto se eri?ar. Sem dar escolha a L¨²cia, ele a pegou pela roupa com a boca e fugiu dali rapidamente, suas patas batendo contra o ch?o em uma corrida desesperada. A garota mal teve tempo de protestar, sendo carregada para longe da cena. Ana se levantou lentamente, os punhos abrindo e fechando continuamente enquanto sentia a mana escura fluir intensamente por suas veias, muito mais espessa do que antes. A dor que a atormentava agora era apenas uma sombra distante. Uma gargalhada insana escapou de seus l¨¢bios, ecoando pela clareira sombria, misturada ao seu canto cont¨ªnuo, como uma melodia sinistra. ¡ª ¨¦ isso... ¨¦ isso... ¡ª falou para si mesma, sua voz alternando entre o sussurro e a melodia. Cada pulsa??o de energia em seu corpo parecia aumentar sua for?a, fazendo-a sentir-se invenc¨ªvel. O ambiente ao seu redor parecia responder ¨¤ sua loucura. A fuma?a amarela e preta que cobria o port?o dan?ava de forma err¨¢tica, como se fosse um ser vivo alimentado pela energia ca¨®tica que emanava de Ana. As ¨¢rvores ao redor, antes testemunhas silenciosas, pareciam inclinar-se para ela, seus galhos retorcidos como m?os tentando agarr¨¢-la. De repente, um murmurinho perturbador encheu sua mente, uma mistura de sussurros e gritos, todos convergindo em uma ¨²nica ordem. ¡ª Mate! Mate! Mate! A escura espada bastarda parecia invadir sua consci¨ºncia, incitando-a com uma urg¨ºncia brutal. Ana tirou a lamina da bainha improvisada, sentindo como se a arma fosse uma extens?o de seu pr¨®prio corpo. As marcas profundamente gravadas no a?o pareciam brilhar intensamente, irradiando uma energia sinistra. Ela a ergueu diante de si, observando o reflexo distorcido de seu pr¨®prio rosto na lamina. Seus olhos cor de mel, antes claros e determinados, agora estavam tomados por uma escurid?o sutil, mas insond¨¢vel. A conex?o com a espada era avassaladora, como se seus pensamentos e os da arma se fundissem em um s¨®. ¡ª Matar... preciso matar... ¡ª murmurou, repetindo a inten??o do item, sua voz tomada por um tom de frenesi. Sem hesitar, come?ou a caminhar em dire??o ao port?o. Cada passo era firme, enquanto a energia ca¨®tica corria por suas veias como um veneno doce e perigoso. O ch?o sob seus p¨¦s parecia tremer levemente a cada movimento, como se a terra reconhecesse o poder que ela possu¨ªa. Ana n?o se importava mais com o que estava al¨¦m da passagem ou com os perigos que poderia encontrar. A necessidade de matar, a necessidade de destruir era tudo o que importava. Ela observou por um momento o entalhe na aparente fraca estrutura de pedra, onde figuras grotescas e s¨ªmbolos arcaicos que contavam hist¨®rias de eras pouco conhecidas eram retratados, um testemunho mudo das for?as que guardavam aquele lugar. Com um movimento r¨¢pido Ana saltou atrav¨¦s da fuma?a, deparando-se com um estranhamente claro corredor. Uma pesada respira??o era ouvida atr¨¢s das maci?as portas de ferro que ela via em sua frente, mas Ana sentia-se mais viva do que nunca. A espada em sua m?o parecia vibrar com antecipa??o, como se estivesse ansiosa pelo pr¨®ximo confronto. ¡ª Matar¡­ ¡ª incitada pelas palavras de viol¨ºncia, ela continuou a avan?ar. Com um movimento rude, mas preciso, Ana lan?ou um chute brutal, fazendo o metal ranger e a estrutura se abrir com um estrondo, arranhando o ch?o de pedra. Era como esperado, no centro da sala mal iluminada, uma criatura aguardava. Com pouco mais de dois metros de altura, seus olhos brilhavam com uma intelig¨ºncia predat¨®ria em meio a penumbra, mesmo escondidos atr¨¢s de uma estranha m¨¢scara de ferro. Em suas garras, segurava uma longa corrente quebrada que pendia de seu pesco?o, os elos de metal tilintando suavemente com cada movimento. A criatura se virou para encarar Ana com um olhar fixo e amea?ador. O ambiente ao redor era sombrio, as paredes cobertas de musgo e rachaduras, como se o tempo tivesse se esquecido daquele lugar. A umidade impregnava o ar, tornando a respira??o dif¨ªcil, mas Ana estava indiferente a isso. Seus olhos encaravam o monstro de volta, e a necessidade que queimava intensamente dentro dela parecia se manifestar cada vez mais alto em meio aquela sala quase vazia.This story has been stolen from Royal Road. If you read it on Amazon, please report it ¡ª Mate! Mate! Mate! Sem hesitar ou esperar mais, se lan?ou na luta. A criatura rugiu, girando a corrente com uma destreza impressionante, criando um arco de a?o que zunia pelo ar. A mercen¨¢ria desviou por pouco, sentindo o vento da corrente passar rente ao seu rosto, fazendo uma fina linha de sangue come?ar a escorrer de sua bochecha esquerda. A adrenalina corria por suas veias, intensificando cada sensa??o. Enquanto seu inimigo recuperava a longa arma, ela disparou em velocidade surpreendente, desferindo um golpe lateral, a espada negra cortando o ar com um silvo mortal. A criatura bloqueou com a corrente, as fa¨ªscas voando enquanto metal se chocava contra metal. Com um movimento irregular, Ana girou sobre o pr¨®prio eixo, produzindo um poderoso corte vertical que fez a criatura recuar. Em meio aos pequenos passos cambaleantes, a corrente voltou a atacar, movendo-se como uma serpente viva. Ana saltou para tr¨¢s, evitando o golpe, mas a criatura aproveitou a oportunidade para saltar para frente, tentando agarr¨¢-la com as garras livres. A garota reagiu rapidamente, deslizando para o lado e desferindo um ataque diagonal que rasgou a grossa pele do monstro. A sala ecoava com o som de a?o e rugidos de batalha. Agora furiosa, a criatura brandia a corrente com ainda mais for?a. Os ataques cont¨ªnuos eram barrados pela espada bastarda, o impacto reverberando em seus dois bra?os que seguravam firmemente a empunhadura, quando, com um movimento ¨¢gil, ela girou a lamina, enrolando a corrente e puxando com toda a for?a. A criatura foi arrastada para frente, perdendo o equil¨ªbrio momentaneamente. Aproveitando a abertura, Ana golpeou de forma certeira, cortando profundamente o deformado ombro que vinha em sua dire??o. Um grito de dor reverberou pela sala, mas em um forte desespero, o monstro lan?ou a corrente de volta, acertando o flanco de Ana e fazendo-a cair com um forte baque para o lado. Ela se recomp?s rapidamente, rolando para longe do alcance de seu oponente enquanto sentia o sangue quente escorrer e a ardente dor pulsar, mas ignorou-a. Avan?ou novamente, a espada cortando o ar em movimentos r¨¢pidos e mortais. Cada golpe era calculado, buscando pontos vulner¨¢veis na defesa da criatura ap¨®s entender seus n?o t?o complexos padr?es de ataque. O estranho guardi?o tentou contra-atacar, focando em uma busca desesperada pelo pesco?o da mulher, mas Ana era uma onda de viol¨ºncia. Ela se abaixou, evitando o golpe, e com um movimento fluido, desferiu um corte ascendente em dire??o ao bra?o cheio de m¨²sculos de seu inimigo. A criatura rugiu, erguendo a corrente para se defender, mas o golpe de Ana foi r¨¢pido demais. A lamina atravessou a corrente, partindo-a em dois, e continuou seu caminho at¨¦ arrancar por completo o membro de seu corpo. Os olhos da criatura, antes predat¨®rios, agora mostravam medo. A corrente que antes segurava com firmeza agora estava ca¨ªda no ch?o, in¨²til. Ana n?o parou mesmo em meio aos novos gritos que surgiam, e em um movimento cont¨ªnuo, ela girou a espada, desferindo o golpe final que decapitou a criatura. A cabe?a rolou pelo ch?o, os olhos arregalados em uma express?o de surpresa. O corpo caiu pesadamente, e a sala ficou em sil¨ºncio, exceto pelo som da respira??o ofegante da mulher. O cheiro met¨¢lico de sangue enchia o ar, e a espada em sua m?o estava coberta de um l¨ªquido escuro e viscoso enquanto uma nova marca aparecia discretamente em sua extens?o. Ana se ergueu, o corpo ainda tremendo com a excita??o do combate. A sensa??o de poder era intoxicante. Ela olhou ao redor, seus olhos brilhando com uma intensidade insana. Sentia-se invenc¨ªvel. Foi ent?o que sentiu o vazio dentro de si ser preenchido aos poucos, a energia fluindo para dentro de seu cora??o, acalmando o caos que dominava sua mente. A sensa??o de que a corro¨ªa dava lugar a uma onda de poder revigorante, a mana da criatura agora fluindo para suas veias como um rio calmo ap¨®s uma tempestade. Seus olhos voltaram a focar no ambiente. A sala estava repleta de sombras dan?antes, a luz fraca mal revelando os detalhes da batalha que acabara de travar. Viu suas m?os cobertas de sangue, um testemunho mudo da carnificina que acabara de cometer. A vis?o do l¨ªquido vermelho escuro gotejando de seus dedos trouxe um momento de clareza. Mas foi apenas isso, um momento. A mana reversa, ainda latente em seu corpo, come?ou a mostrar sua dominancia novamente. Sentia a loucura retornar, a necessidade de matar voltando a crescer dentro dela. A sanidade rec¨¦m recuperada come?ou a se dissipar, substitu¨ªda por uma raiva crescente ao perceber que estava ficando mais fraca. ¡ª Fraca, in¨²til¡­. Fraca¡­ Tenho que matar mais... preciso de mais for?a! Seus gritos eram como um som primal que ecoava pela sala sombria. A espada, que antes vibrava com uma urg¨ºncia brutal, agora estava em sil¨ºncio, e isso aumentava ainda mais sua frustra??o. Ela deu um passo ¨¤ frente, ent?o outro. Uma melodia irregular que refletia seu estado mental fragmentado surgia em forma de assobio enquanto avan?ava lentamente mais fundo na escurid?o.
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Capítulo 75 - Abyssal Reverie
¡ª Eu havia esquecido o qu?o calmo esse lugar era ¡ª sussurrou Ana, sentada no ch?o, abra?ando os joelhos com os olhos fechados. Sem os ataques, o lugar ficou extremamente silencioso, trazendo um forte sentimento nost¨¢lgico. A escurid?o era t?o profunda que abrir os olhos parecia in¨²til. Sabia que precisava voltar, mas permitiu-se um momento de descanso enquanto refletia sobre tudo que havia acontecido. As horas anteriores foram um cont¨ªnuo massacre. Diferente do outro local mais escuro anterior, este continha incont¨¢veis insetos das mais estranhas e diversas apar¨ºncias, todos pelo menos t?o grandes quanto cachorros, mas com alguns maiores que vans escolares. N?o eram fortes ou particularmente espertos, mas sua quantidade era avassaladora, vindo em cont¨ªnuas ondas para tentar subjugar a intrusa, uma estrat¨¦gia que os levou ¨¤ sua queda. Com seus reflexos mais afiados do que nunca, havia cortado a carne macia incansavelmente sem conseguir ordenar seus pensamentos. A espada negra, fincada no ch?o ¨¤ sua frente, se erguia imponente, agora mais de dez cent¨ªmetros maior, reflexo da matan?a desenfreada. ¡ª Vai ser insustent¨¢vel se voc¨º continuar crescendo assim, minha amiga. Ela n?o sabia exatamente quando come?ou a recobrar a sanidade, mas a cada por??o de mana absorvida, pequenos lampejos de quem era voltavam ¨¤ sua mente. Infelizmente, contrastando com o retorno da sanidade, sua for?a f¨ªsica diminu¨ªa, e a luta contra os monstros insetos ficava mais dif¨ªcil. ¡ª Meu corpo foi muito al¨¦m do que pode suportar¡­ ¡ª murmurou, suspirando enquanto massageava os bra?os. Suas feridas lentamente se fechavam, mas seus m¨²sculos gritavam de exaust?o. ¡ª Bom, vamos ver se ¨¦ realmente assim que funciona. Esticando um dedo, pensou em uma esfera de fogo, mas dessa vez em uma escala menor. Em sua mente formou algo que a permitisse ver e a esquentasse, um fogo caloroso, n?o um arauto da destrui??o. Como um milagre, a mana se condensou em frente a seus olhos, criando uma chama t?o bruxuleante quanto a de uma vela. ¡ª Essa merda n?o faz nenhum sentido ¡ª enquanto falava consigo mesma, a pequena esfera de calor girava ao redor da sua m?o em movimentos pouco ¨¢geis. Era dif¨ªcil, mas gradualmente tornou-se mais natural, e em poucos minutos j¨¢ estava se movendo quase ao mesmo tempo em que pensava nos comandos. Sentia a mana que havia absorvido durante o combate, desgastando-se a cada segundo, como se uma gota de cada vez escorresse de dentro de seu corpo. Pensando em mais um teste, fez a chama ficar mais intensa, e a luz se expandiu, iluminando ainda mais os arredores, revelando grandes po?as de sangue carmesim abaixo de seus p¨¦s. Consequentemente, a mana come?ou a ser drenada mais r¨¢pido, apesar de ainda ser muito mais lentamente do que na tentativa que fez com L¨²cia. Quando estava prestes a parar, querendo economizar a energia aparentemente n?o renov¨¢vel que possu¨ªa, a pequena chama come?ou a ficar negra, assim como antes. O fogo ainda emitia uma fraca luz e continuava a dan?ar, mas seu calor come?ou a trazer uma sensa??o angustiante de desespero. Franzindo a testa, Ana estendeu outro dedo. Imitando L¨²cia, imaginou uma pequena brisa girando em alta velocidade ao redor dele. Dessa vez n?o tentou controlar ou algo semelhante, apenas esperou, e logo o mesmo voltou a ocorrer; uma intensa escurid?o se mesclou com o redemoinho em miniatura. ¡ª A mana reversa parece sempre querer dominar tudo ¡ª disse, surpresa, ao prestar aten??o no que acontecia com seu corpo, entendendo rapidamente a situa??o. ¡ª Bom, talvez perca um pouco a utilidade em manifesta??es normais, mas ainda n?o posso dizer se ¨¦ uma ben??o ou uma maldi??o¡­ Conforme mantinha as manifesta??es obscuras, sentia seus l¨¢bios voltarem a for?osamente formar um sorriso em seu rosto e pensamentos viscerais brotarem dos cantos de sua mente, ent?o rapidamente parou o fluxo de mana. Balan?ando a cabe?a para recobrar a raz?o, levantou-se com dificuldade e pegou a espada. Embora tivesse crescido apenas dez cent¨ªmetros, ficou bem mais pesada. Cansada, arrastou a lamina pelo caminho que tinha vindo, com o som do metal raspando contra a pedra ecoando pelo vazio. N?o era dif¨ªcil seguir o trajeto, havia um longo rastro de vermelho como guia.The tale has been illicitly lifted; should you spot it on Amazon, report the violation. Ana encontrou o resto do grupo no local onde havia lutado contra o estranho protetor do port?o. Estavam sentados, mas alertas, e se levantaram de imediato ao v¨º-la se aproximar. O lobo se ergueu na frente de L¨²cia, que observava com olhos arregalados a mulher coberta de sangue, como se quisesse proteg¨º-la. Um sil¨ºncio se instalou por um instante, parecia que ningu¨¦m sabia o que dizer ou fazer, mas logo todos suspiraram simultaneamente em al¨ªvio. ¡ª Eu voltei ¡ª disse Ana, se aproximando devagar com um aceno e um sorriso relaxado no rosto. Aquelas palavras foram o suficiente para desencadear uma enxurrada de emo??es em L¨²cia. A menina correu em dire??o a voz, jogando-se sobre ela e come?ando a chorar copiosamente. As l¨¢grimas corriam livremente pela pequena face enquanto a enterrava no peito da mercen¨¢ria. A sensa??o da armadura fria e o sangue seco contra seu rosto tornava o momento ainda mais real. ¡ª Achei que voc¨º tinha ido embora ¡ª solu?ou L¨²cia, a voz tr¨ºmula e mais infantil que o comum. ¡ª N?o conseguiria me livrar de voc¨º t?o facilmente ¡ª respondeu Ana, tentando aliviar a tens?o com uma brincadeira enquanto acariciava o cabelo da crian?a. A fragilidade da menina era um contraste gritante com a brutalidade que vira pouco tempo antes. ¡ª Pode se aproximar, garoto. Obrigada por ter pensado t?o r¨¢pido, voc¨º fez um bom trabalho cuidando dela. O lobo ainda estava alerta, pronto para qualquer sinal de amea?a, mas trouxe o focinho para perto, aceitando o carinho oferecido. Ela sentiu a tens?o nos m¨²sculos do animal relaxar aos poucos. ¡ª Bom, consegui abrir o caminho, podemos seguir em frente agora. Ouvindo as palavras de sua mentora, L¨²cia se afastou, secando as l¨¢grimas restantes com a manga da camisa. Ela lan?ou um olhar furtivo para a espada negra. Algo nela a deixava desconfort¨¢vel, uma sensa??o que n?o conseguia explicar, mas decidiu deixar isso de lado. Era hora de aproveitar apenas a felicidade do momento. No entanto, algo mais chamou sua aten??o. ¡ª Voc¨º est¨¢ diferente. Sua aura est¨¢ estranha ¡ª comentou L¨²cia, franzindo a testa. ¡ª Como assim? ¡ª Seu limite de mana. Parece que diminuiu. ¡ª Limite? Pode me explicar o que ¨¦? ¡ª Voc¨º realmente n?o sabe? N?o est¨¢ s¨® brincando comigo? ¡ª L¨²cia achou a pergunta estranha, e seu olhar de preocupa??o se aprofundou. ¡ª Eu realmente n?o sei muito sobre¡­ ¨¦ uma longa hist¨®ria, mas prometo que vamos falar sobre isso em breve. ¡ª Certo... ¡ª murmurou a menina, intrigada, antes de continuar. ¡ª Existe um certo limite para todo mundo que usa mana. Ele meio que cresce sempre que outro ser vivo morre por perto, como se a gente roubasse a mana que ele tinha, bem devagarzinho. Quando usamos alguma manifesta??o, nossa mana vai gastando desse limite, mas quando paramos de usar ela vai voltando pro nosso corpo at¨¦ ele encher de novo. O estranho ¨¦ que ele geralmente s¨® cresce, mas o seu parece estar menor do que quando treinamos ontem! ¡°N?o parece que tenho a sorte da mana voltar sozinha para o meu corpo, mas a absor??o a partir dos mortos funciona, apesar de n?o ser algo devagar igual ela diz ser¡­ Terei que estudar sobre esse tal de limite mais a fundo¡­¡±, refletiu Ana, lembrando-se de ter lido algo sobre o assunto a muito tempo atr¨¢s. ¡ª Entendi, conhecia o b¨¢sico sobre, mas ¨¦ mais claro com voc¨º explicando. Obrigada. A garota acenou com um sorriso e arrumou o cabelo em um gesto t¨ªmido, o qual logo voltou a bagun?ar-se com o vento que soprava levemente. Algumas folhas secas no ch?o dan?avam ao redor delas no ritmo da brisa e Ana acompanhou a cena com os olhos, sentindo a rara tranquilidade do ambiente. Ap¨®s se espregui?ar, esticando os m¨²sculos doloridos, Ana pegou L¨²cia e, antes que ela pudesse protestar, a colocou sobre o lobo. Ap¨®s tamb¨¦m montar, tocou a lateral do corpo do animal, o qual come?ou a caminhar vagarosamente, como se hesitasse entrar na escurid?o absoluta a sua frente. ¡ª Ana¡­ ¡ª uma voz suave veio das costas da mercen¨¢ria, e uma pequena m?o apertou a sua. ¡ª De verdade, estou feliz que tenha voltado¡­ Ana apenas sorriu, e novamente afagou de leve o cabelo da menina. Em seguida, come?ou a cantarolar. ¡ª Voc¨º est¨¢ proibida de fazer isso! A m?o que calorosamente segurava a sua se soltou com um pux?o brusco e o lobo no qual montavam arqueou as costas pelo pavor, quase ¨¤s derrubando. Em frente a seus olhos Ana viu uma garota com olhos tremendo e um corpo encolhido, como se um medo instintivo tomasse conta dela. ¡ª Ok¡­ ok¡­ ¡ª respondeu a mercen¨¢ria, suspirando. Ainda assim, temendo que Ana voltasse a cantar, o lobo disparou para frente, deixando de se importar com onde seu galope levaria. Agora, tudo escureceu.
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Capítulo 76 - Triunfal Ascens?o
Postei o anterior com o t¨ªtulo errado, mas j¨¢ ajustei. Se passaram direto, voltem l¨¢ hahaha.
Os pr¨®ximos dias foram uma corrida constante em meio ao vazio. Ana, L¨²cia e o lobo seguiram em linha reta, sem saber quando ou se chegariam a algum lugar. A velocidade do lobo era muito maior do que a de um humano caminhando, permitindo evitar a maioria dos insetos com sua r¨¢pida acelera??o. L¨²cia ¨¤s vezes criava uma pequena luz que mostrava os arredores, mas com o tempo deixou de fazer isso, pois o cen¨¢rio nunca mudava. Era sempre a mesma paisagem de rochas, sombras e ecos distantes. ¡ª Quanto tempo mais vamos ficar aqui? ¡ª perguntou a crian?a, enquanto mastigava um peda?o de carne dura e sem gosto. ¡ª A comida t¨¢ acabando. ¡ª Acho que muito, infelizmente¡­ Como esperado, os mantimentos que levavam nas bolsas logo se esgotaram, for?ando-os a desacelerar poucos dias depois. O desvio dos monstros se transformou drasticamente em uma ca?a ¨¤s cegas, uma luta para obter qualquer m¨ªnimo peda?o de uma carne branca e ins¨ªpida. Os poucos dias logo viraram um m¨ºs, e ¨¤s vezes Ana ouvia L¨²cia tendo pesadelos enquanto dormia. A menina se revirava, murmurando palavras desconexas, muito mais magra do que quando chegou, fazendo a mercen¨¢ria sentir-se impotente. ¡°Talvez ela n?o dure at¨¦ o fim do caminho¡±, pensou, enquanto observava o cada vez mais conturbado sono da menina. Felizmente para o grupo, al¨¦m das espor¨¢dicas lutas por alimento, n?o enfrentaram perigos reais. Sempre que criaturas grandes apareciam caminhar por perto, o lobo simplesmente mudava um pouco a rota, logo voltando para a dire??o rotineira. Foi no meio do segundo m¨ºs que finalmente encontraram um rio. Sentir a ¨¢gua gelada tocando o corpo foi uma pequena alegria em meio ao sofrimento, e com uma decis?o m¨²tua e silenciosa, come?aram a seguir em dire??o ¨¤ sua nascente. A presen?a da correnteza trouxe um novo animo ¨¤ viagem, fazendo at¨¦ mesmo os ocasionais assobios de Ana se transformarem em uma melodia cantada em conjunto. A escurid?o parecia menos opressiva, e pararam de pensar t?o negativamente sobre as incertezas do futuro. Depois de muito tempo seguindo o fluxo de ¨¢gua, come?aram a encontrar musgo e min¨²sculas plantas. A vegeta??o era escassa, mas o cheiro do verde trazia uma esperan?a renovada. Os monstros tamb¨¦m diminu¨ªram, como se aquela ¨¢rea fosse um local totalmente deserto. E ent?o, como se vinda do nada, uma gigante constru??o come?ou a tomar forma. A estrutura era menos escura que o resto do ambiente, permitindo que voltassem a ver as silhuetas do mundo ao redor. Ainda era um espa?o preto e sem gra?a, mas para elas, era quase t?o bom como ver a luz do dia. Entraram aos poucos, cada passo ecoando pelas paredes vazias. Desde que chegou, Ana olhava em volta com um estranho sentimento de familiaridade, algo nesse lugar despertava mem¨®rias de um passado t?o distante que h¨¢ muito lhe escapara. O local tinha um ar de abandono, mas havia algo majestoso e tr¨¢gico em sua decad¨ºncia, fazendo se perguntar por quanto tempo havia permanecido oculto na escurid?o. Grandes colunas de ferro e vigas met¨¢licas enferrujadas se mesclavam com paredes de concreto cobertas por grafites desbotados. O ch?o estava repleto de detritos e plantas rasteiras que tentavam se agarrar ¨¤ vida. Tamb¨¦m se viam longos corredores com paredes de azulejos quebrados que abrigavam pe?as que pareciam ter sido parte de algum tipo de maquin¨¢rio complexo, mas dif¨ªcil deduzir seu objetivo com apenas os restos que permaneceram. Elas continuaram seguindo o som do rio correndo, que ecoava por tr¨¢s das paredes, guiando-os mais fundo na estrutura. ¡ª Isso ¨¦ t?o estranho! T?o enorme! ¡ª gritou L¨²cia, olhando ao redor com olhos arregalados. ¡ª Precisamos ter cuidado aqui ¡ª disse Ana, assentindo, ainda tentando compreender a sensa??o de d¨¦j¨¤ vu que persistia. ¡ª Vamos explorar devagar e ver o que encontramos. L¨²cia assentiu, ainda fascinada e assustada pela magnitude da constru??o. O lobo farejou o ar, inquieto, mas pronto para seguir adiante. Eles continuaram avan?ando, passando por um longo t¨²nel escuro, quando de repente se depararam com uma ¨¢rea ampla que se abria em um grande espa?o circular. Ana parou por um momento para observar. Ao olhar para cima, ela podia ver um labirinto de v¨¢rias escadas meio destru¨ªdas, algumas pendendo precariamente, outras levando a plataformas que pareciam suspensas no ar. O teto estava distante, coberto por sombras, como um bizarro po?o invertido que dava a impress?o de um espa?o infinito. De forma inesperada, um ¨²nico fino fio de luz conseguia atravess¨¢-lo, com a sutil ilumina??o criando um padr?o intrincado no ch?o ao produzir esfuma?adas sombras dos degraus. A sensa??o de esquecimento s¨® de ficar ali parada era palp¨¢vel, mas havia uma certa grandiosidade inexplic¨¢vel permeando em cada canto. Seus olhos ficaram turvos conforme continuava a encarar o misterioso ambiente, e seus pensamentos pareceram parar, assim como o tempo, at¨¦ que tudo explodiu no movimento de um mar de lembran?as. O som dos passos, conversas e o toque ocasional de um telefone preenchiam o ar, criando uma cacofonia familiar. Via o fluxo constante de pessoas indo e vindo, algumas correndo para o trabalho, outras voltando para casa ou indo para a faculdade. Os rostos variavam entre cansados e animados, muitos estavam absortos em seus celulares, alheios ao mundo ao seu redor. ¡°Merda, estou atrasada pro trabalho!¡±, pensou a garota, sentindo o inconfund¨ªvel cheiro de caf¨¦ da loja que sempre passava na esta??o. Esse aroma a envolvia, trazendo um breve momento de conforto para o futuro dia entediante e cansativo. Sim, j¨¢ havia tomado uma x¨ªcara em casa, mas n?o conseguia resistir, quase conseguia sentir o calor do copo de caf¨¦ em suas m?os, uma pausa r¨¢pida antes de continuar sua rotina. ¡ª Oi Sandra, me v¨º um pra viagem, por favor! ¡ª Cad¨º o bom dia, Ana? ¡ª disse a mulher, j¨¢ pegando o copo para atender o pedido. ¡ª Dia corrido? ¡ª Demais! N?o sei o que aconteceu, mas t? quase passando do hor¨¢rio. Ah, bom dia! ¡ª com um sorriso, a garota pegou o copo de caf¨¦ e pagou com um agrad¨¢vel sorriso. Parecia ter algo importante que precisava se lembrar, mas o murm¨²rio das conversas ao seu redor, misturando-se com o som distante dos trens chegando e partindo, a impedia de pensar direito. A ilumina??o fria da esta??o contrastava com o calor humano que preenchia o espa?o.Did you know this story is from Royal Road? Read the official version for free and support the author. As cores, os sons e os cheiros eram v¨ªvidos, de uma simplicidade que por algum motivo estava a atraindo mais que o normal, e decidiu apreciar o momento com um gole do caf¨¦ quente. ¡°L¨²cia ia gostar de ver isso¡±, pensou, antes de franzir a testa. ¡°Mas quem ¨¦ L¨²cia? Devo estar dormindo pouco ultimamente¡­¡± Balan?ando a cabe?a, come?ou a caminhar, at¨¦ ser parada por uma voz alta em sua dire??o. ¡ª Sai da frente! ¡ª Qu¨º? ¡ª perguntou a garota, intrigada com a ordem repentina sem nem mesmo estar no lado esquerdo da escada rolante. ¡ª Ana, sai da frente! ¡ª dessa vez, a voz familiar cortou a n¨¦voa das mem¨®rias, parecendo vir de dentro do sonho. Com um estalo, ela come?ou a piscar continuamente, e logo as imagens do passado desapareceram, como fragmentos intang¨ªveis pelo ar. Virando-se rapidamente, viu L¨²cia olhando com pavor, apontando algo atr¨¢s dela. Um rugido ensurdecedor encheu o espa?o, reverberando pelas paredes. Ana virou-se a tempo de ver uma gigantesca criatura avan?ando em sua dire??o. Um monstro colossal com pele grossa e escura, coberta de espinhos e placas ¨®sseas, corria em sua dire??o. Parecia uma mistura entre um grande rinoceronte e uma toupeira, com um nariz estranho e olhos min¨²sculos para seu tamanho. Cada passo que dava fazia o ch?o tremer, e sua respira??o pesada sa¨ªa em nuvens de poeira. A criatura avan?ou cada vez mais r¨¢pido, suas garras rasgando o ch?o enquanto se lan?ava em dire??o a mercen¨¢ria. Ela saltou para o lado, sentindo o vento da investida passar por seu corpo. L¨²cia gritou novamente, se aproximando, e o lobo rosnou, colocando-se entre o monstro e as duas. Com um movimento fluido, puxou a espada negra amarrada em sua cintura, sentindo o peso familiar na m?o. Sem perder tempo, ela correu em dire??o ao monstro, sua mente agora totalmente focada na batalha. O monstro toupeira girou de forma desengon?ada para enfrentar Ana, e seus pequenos bigodes feitos de carne pareceram farejar por um momento, antes de soltar novamente um rugido amea?ador. Ana desferiu um golpe r¨¢pido com um salto, mas a espada ricocheteou na pele dura, deixando-a apenas com um leve trincado. A criatura atacou com uma de suas garras, for?ando Ana a saltar para tr¨¢s para evitar o golpe. L¨²cia conjurou uma bola de fogo e a lan?ou contra o estranho rinoceronte, mas a a??o pareceu apenas irritar a criatura, que se virou para olhar a oponente intrometida. Aproveitando a breve distra??o, o lobo avan?ou, mordendo a perna do monstro, tentando imobiliz¨¢-lo. Um guincho de dor saiu da boca do oponente j¨¢ em f¨²ria e sacudiu a perna de forma brusca, jogando o lobo para longe. Ana viu a oportunidade enquanto o monstro estava arrumando seu equil¨ªbrio e correu para o lado, desferindo um golpe com todas as suas for?as na junta da perna traseira direita. A espada negra penetrou na carne, e a criatura trope?ou para o lado, cambaleando. ¡ª L¨²cia, agora! ¡ª gritou Ana. A jovem maga, com o rosto determinado, levantou as m?os e manifestou tr¨ºs longas agulhas feitas de gelo, grossas como apetrechos de croch¨º, que velozmente voaram diretamente na ferida aberta do monstro. Uma explos?o branca ocorreu no impacto, fazendo a criatura cair sobre a perna mutilada, mas a pausa durou apenas um breve momento antes dele voltar a correr em dire??o das garotas. ¡ª Precisamos sair daqui! ¡ª gritou Ana. Apesar dos ataques combinados, parecia que o estranho ser estava apenas superficialmente ferido. ¡ª Suba no lobo, r¨¢pido! L¨²cia n?o hesitou e saltou nas costas do animal, seguida por Ana. O lobo, sentindo a urg¨ºncia da situa??o, come?ou a saltar pelas escadas quebradas. Cada salto era uma tentativa desesperada de se afastar do monstro. Quando pensavam ter escapado, um forte som de pedras se partindo foi ouvido, e a criatura come?ou a correr com parte do corpo dentro das paredes, cavando de uma forma que destru¨ªa tudo em seu caminho. As escadas e plataformas desmoronaram uma atr¨¢s da outra, cedendo sob o peso da criatura, que continuava a persegui-los incansavelmente. ¡ª Ele n?o vai parar! ¡ª gritou L¨²cia, segurando-se ainda mais firmemente no lobo. Ana olhou para tr¨¢s, vendo a escura massa de m¨²sculos se aproximando rapidamente. Seu cora??o batia acelerado, a adrenalina correndo por suas veias. Sabia que precisavam de algo mais para escapar. ¡ª Continue correndo! ¡ª ordenou Ana ao lobo. ¡ª L¨²cia, se prenda bem! Nesse instante, ela ergueu a espada negra, sentindo a energia sombria pulsar atrav¨¦s de seus dedos. Fechou os olhos por um momento, concentrando-se na mana que seu corpo havia acumulado e dirigindo-a a sua arma, um teste diferente dos que havia feito at¨¦ o momento. A espada inicialmente parecia n?o responder, mas logo come?ou a vibrar conforme a mana reversa escurecia a mana comum que estava sendo emitida. ¡ª Vamos acabar com isso ¡ª murmurou, abrindo os olhos. A lamina pareceu alcan?ar um preto ainda mais pesado do que a escurid?o vista no abismo, e seus muitos arranh?es come?aram a emitir uma fria, mas intensa, luz negra. Quando o monstro estava quase sobre eles, Ana se virou para tr¨¢s, encarando os min¨²sculos olhos amarelados. Seus m¨²sculos se contrairam de forma anormal conforme sua for?a f¨ªsica aumentava e metade da mana que possu¨ªa j¨¢ havia sido consumida. ¡ª Bang! ¡ª gritou a mulher. Um estranho sorriso j¨¢ estava preenchendo seu rosto quando finalmente deu uma estocada com toda sua for?a. Ela havia esperado at¨¦ o ¨²ltimo instante, a mand¨ªbula da criatura j¨¢ estava a cent¨ªmetros do lobo quando a afiada lamina negra chegou ao seu corpo. A energia liberada pela espada criou uma onda de choque que acelerou muito a velocidade do ataque, fazendo uma nuvem de sangue preencher o ar conforme boa parte de seu nariz de toupeira era destru¨ªdo O monstro n?o teve tempo de reagir antes de ficar atordoado, caindo pesadamente para tr¨¢s depois de se desprender da parede. ¡ª Corra, garoto! ¡ª gritou Ana. ¡ª Vamos! O lobo saltou apressadamente para uma plataforma mais alta, continuando a subir pelas escadas destru¨ªdas. O oponente, ainda torpe pelo golpe, tentava se recompor v¨¢rios andares abaixo. Seu grande corpo se levantou com dificuldade, e logo tentou sentir os odores ao seu redor, claramente sem sucesso ap¨®s se encolher de dor durante a tentativa. Mal conseguindo se locomover, desistiu da persegui??o, recuando para as sombras. ¡ª Me desculpa! ¡ª gritou L¨²cia para o vazio abaixo, colocando as m?os ao redor da boca na esperan?a de que chegasse aos ouvidos do monstro. ¡ª Mas que merda ¨¦ essa? Ele quase nos matou. ¡ª A gente invadiu a casa dele, voc¨º n?o pode culpar ele por se defender! Com um agarr?o, Ana pegou L¨²cia pelas bochechas, trazendo seu rosto para perto do seu. Os olhos de um castanho amarelado escuro, quase dourados, chamaram a aten??o da menina, mas o olhar perturbado por tr¨¢s deles logo a fez se retrair, assustada. ¡ª Voc¨º n?o pede desculpa para os fracos, voc¨º os mata. Entendeu? ¡ª Voc¨º t¨¢ estranha de novo¡­ ¡ª Quieta, s¨® me responda se voc¨º entendeu ¡ª sua voz r¨ªspida atingiu os ouvidos de L¨²cia como um martelo. A garota n?o acreditava que Ana realmente faria algo com ela, mas seu corpo n?o a obedecia, ela s¨® precisava sair daquele aperto custe o que custar. ¡ª Sim¡­ entendi¡­ ¡ª ¨®timo, boa garota. Como se o epis¨®dio nunca tivesse acontecido, Ana afagou os cabelos pretos ¨¤ sua frente, sorrindo gentilmente. Com sua outra m?o, guardou a espada na bainha e logo se balan?ou de um lado para o outro em cima do lobo, impaciente e levemente ofegante. A grande fera de pelo negro, continuou a correr, subindo cada vez mais alto, suas patas firmes encontrando tra??o nas superf¨ªcies irregulares. O ar ficava menos denso aos poucos e o fio de luz se tornava gradualmente mais brilhante. Ao passarem por uma velha bilheteria desmoronada, Ana percebeu cartazes desbotados nas paredes, quase irreconhec¨ªveis, mas alguns detalhes ainda vis¨ªveis. Havia imagens de paisagens antes exuberantes, agora apenas sombras de um passado distante, mas um nome chamou sua aten??o. ¡ª Esta??o pinheiros¡­ combina bem como a entrada de um abismo ¡ª riu a garota, balan?ando a cabe?a. Finalmente, uma claridade come?ou a surgir ¨¤ distancia. Com cada passo, a luz aumentava, at¨¦ que, de repente, emergiram em um vasto espa?o aberto. Os raios dourados do sol iluminavam seus rostos, e o calor era um contraste bem-vindo ao frio e ¨¤ escurid?o que haviam enfrentado por tanto tempo. A paisagem ¨¤ sua frente era deslumbrante; colinas verdes se estendiam at¨¦ onde a vista alcan?ava, com ¨¢rvores altas e robustas, suas folhas farfalhando ao vento. O c¨¦u era de um azul profundo, sem nuvens, uma vis?o quase surreal, e os p¨¢ssaros cantavam alegremente, celebrando a chegada da primavera. Ana olhou para o horizonte, onde um rio serpenteava pelo vale, cintilando sob a luz do sol. ¡ª ¨¦ t?o bonito ¡ª murmurou L¨²cia, descendo do lobo, seus olhos espantados, sem rea??o imediata. Ela correu alguns passos ¨¤ frente, estendendo os bra?os e girando, deixando a estranha luz no c¨¦u aquecer seu corpo. O sorriso em seu rosto era contagiante, um reflexo puro de felicidade e liberdade. Ana tamb¨¦m desceu do lobo, deitando-se na grama macia. Sentia o cheiro da terra ¨²mida e das flores silvestres, um aroma que trouxe uma estranha sensa??o de al¨ªvio. O lobo, agora sem o peso em suas costas, tamb¨¦m come?ou a saltar no ambiente desconhecido, com a mesma anima??o e surpresa da crian?a. ¡ª Conseguimos, L¨²cia. Estamos livres ¡ª suas palavras soaram baixas, como uma afirma??o apenas para si mesma. Ela fechou os olhos por um momento, sentindo o calor do sol em seu rosto. ¡ª Agora, h¨¢ sangue a ser derramado. Sua mente estava levemente confusa, seus pensamentos iam e vinham, como se algo tirasse sua aten??o. Uma suave vontade de vingan?a que geralmente n?o era t?o presente por algum motivo martelava em seu peito. Seu sorriso ao pensar no belo carmesim que banharia sua espada era doce e gentil. Mesmo com a sensa??o constante de que havia algo errado dentro dela, Ana sabia que, pelo menos naquele momento, tudo o que importava era que tinham encontrado a luz. Mas essa paz interior foi interrompida por uma gargalhada inesperada que come?ou a soar sem raz?o aparente. Ana n?o conseguia parar, e logo l¨¢grimas come?aram a escorrer dos cantos dos seus olhos. ¡ª Por que voc¨º est¨¢ rindo? ¡ª perguntou L¨²cia, se afastando um pouco, ao se lembrar da estranheza de sua mentora nos ¨²ltimos dias. ¡ª Eu... eu n?o sei ¡ª respondeu a mercen¨¢ria entre risos, tentando controlar a respira??o. ¡ª Minha cabe?a est¨¢ uma merda! ¡ª Isso ¨¦ t?o estranho, Ana! Apesar da testa franzida, a menina continuou observando Ana apertando o est?mago, rindo descontroladamente. Por algum motivo, sentiu vontade de rir junto, mesmo sempre tendo achado essas risadas soltas e perturbadoras. Sem entender completamente o motivo, logo se viu gargalhando tamb¨¦m, de forma cada vez mais intensa, as duas compartilhando um momento de pura e inexplic¨¢vel... loucura.
E aqui, queridos leitores, chegamos ao fim do segundo volume da hist¨®ria. Se voc¨º acompanhou at¨¦ aqui, espero que n?o se importe em deixar o seu feedback na p¨¢gina principal da obra, seja ele com belos elogios ou com duras cr¨ªticas.
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Capítulo 77 - Recome?o Entre Estrelas
¡°As estrelas¡­ parecem t?o erradas¡±, pensou Ana, com uma pontada de confus?o cruzando sua mente. ¡°Sempre foram assim?¡± Seus olhos estavam fixos no c¨¦u a alguns minutos, a admira??o da vastid?o acima misturando-se com pensamentos perdidos. N?o se recordava disso, mas as estrelas brilhavam com uma perfei??o irreal, como se cada uma estivesse posicionada com precis?o matem¨¢tica. As constela??es eram as mesmas que se lembrava, mas havia algo de estranho, algo que a incomodava, mas sem saber como explicar. ¡°Bom, talvez o tempo no escuro esteja bagun?ando minhas mem¨®rias¡±. Com um suspiro, voltou a caminhar com passos vagarosos. Estando em Pinheiros, Barueri ficava a aproximadamente trinta quil?metros no mundo antigo, uma curta viagem, mas, com a mescla dos mundos, essa distancia havia aumentado consideravelmente. Ana n?o sentia que era um problema, principalmente agora que, com o aumento de mana, o lobo ganhou uma resist¨ºncia irreal, tornando-se uma fera animada e incans¨¢vel que corria o dia todo pelas grandes florestas. ¡ª Eu preciso de uma pausa de novo ¡ª resmungou L¨²cia, correndo para um arbusto pr¨®ximo. Sem conseguir resistir ao v?mito, despejou sua ¨²ltima refei??o nas folhas, deixando um cheiro azedo no ar. ¡ª Logo seu corpo deve se adaptar, s¨® precisa aguentar um pouco mais. ¨¦ melhor que n?o esteja vomitando tanto quando chegarmos na cidade. ¡ª Certo¡­ ¡ª com uma voz rouca, a menina voltou a soltar o viscoso l¨ªquido. Diferente do lobo, que deu apenas uma espregui?ada ao sentir as mudan?as do corpo antes de se p?r a desfrutar do doce calor do Sol, L¨²cia estava passando por dificuldades. A garota tamb¨¦m havia mudado, e ficou horas agachada, dizendo em alto tom como era uma sensa??o incr¨ªvel a energia aparentemente infinita que come?ou a correr em suas veias, mas ent?o veio o primeiro baque. L¨²cia come?ou a ter fortes contra??es que a faziam se dobrar de dor, como se seus m¨²sculos atrofiados pelo baixo fluxo de mana do abismo estivessem finalmente come?ando a ser verdadeiramente usados. Em seguida vieram as dores de cabe?a, t?o intensas que a impediam de usar sua montaria, j¨¢ que at¨¦ um leve balan?ar era como uma explos?o. Por fim, surgiram v?mitos constantes ap¨®s cada refei??o, como se seu est?mago recusasse tudo que vinha do exterior. Felizmente, Ana n?o estava com pressa, ent?o as duas decidiram caminhar lentamente. Apesar da jornada n?o ser t?o agrad¨¢vel quando pensaram que seria, os sintomas aos poucos tornaram-se mais brandos. ¡ª Apesar de tudo isso¡­ ¡ª L¨²cia disse, enxugando a boca com o dorso da m?o. ¡ª ¨¦ incr¨ªvel sentir essa intensidade de mana no corpo. Ana acenou, compreendendo parcialmente. A mercen¨¢ria tamb¨¦m sentia a mudan?a em sua pr¨®pria percep??o, mesmo com a mana ambiente n?o sendo t?o ¨²til para ela. A caminhada foi em grande parte de descoberta e tranquilidade. As refei??es eram momentos animados, onde compartilhavam hist¨®rias e risadas. A carne dos animais que ca?avam era suculenta e diferente do que estavam acostumadas, um lembrete da abundancia da natureza em contraste com a escassez do mundo escuro do subterraneo. As cores vivas das flores silvestres, as borboletas coloridas que dan?avam no ar e o som constante dos riachos criavam um ambiente quase m¨¢gico. Em certas situa??es, encontravam animais que L¨²cia nunca tinha visto, como uma fam¨ªlia de cervos anormalmente grandes que pastava tranquilamente em uma enorme clareira no meio da mata. L¨²cia tentou se aproximar, mas os animais, com sua agilidade graciosa, desapareceram na floresta antes que pudesse toc¨¢-los. Quase todas as criaturas nas redondezas de Barueri eram assim, fugindo ao primeiro sinal de perigo. N?o haviam monstros realmente fortes, nenhum passava do rank C, e mesmo esses eram poucos. Al¨¦m disso, n?o se depararam com encontros hostis por enquanto, parecia que o lobo estava afastando qualquer amea?a. ¡°Me pergunto se ele ¨¦ de alguma esp¨¦cie j¨¢ catalogada¡±, seus pensamentos chegaram ao grande ser canino, o qual j¨¢ era uma parte significativa do grupo. Muitas criatura renascidas pela mana criavam apar¨ºncias distorcidas ou grotescas, mas o lobo era estranhamente proporcional, mantendo a majestosidade de sua esp¨¦cie, algo muito diferente do lobo cinzento que enfrentara em sua primeira batalha no novo mundo. ¡°S¨® espero que quando morrer eu esteja por perto, n?o tive a chance de pegar os cad¨¢veres de seus irm?os¡±.A case of literary theft: this tale is not rightfully on Amazon; if you see it, report the violation. Em meio ao seu suspiro resignado, sua vis?o captou uma estranha constru??o se erguendo entre as ¨¢rvores. Era um pequeno muro de pedra, pouco maior que um homem adulto e quase totalmente coberto por trepadeiras. Ao se aproximar, curiosa, notou que a estrutura, claramente feita por m?os humanas apesar de sua rusticidade, circundava uma min¨²scula vila destru¨ªda. As casas eram apenas restos, sombras do que um dia foram, e em seu lugar a natureza crescia abundantemente. A atmosfera era tranquila, mas carregava uma forte sensa??o de melancolia. ¡ª O que acham de dar uma olhada? ¡ª sugeriu Ana, logo conduzindo o grupo pelo port?o quebrado ap¨®s ver um aceno de concordancia de ambos. O sil¨ºncio da vila destru¨ªda era quase reverencial. Os escombros contavam hist¨®rias de vidas interrompidas. Pequenos objetos pessoais espalhados pelo ch?o, como brinquedos e utens¨ªlios de cozinha, sugeriam uma sa¨ªda despreparada, mas a falta de um ambiente totalmente ca¨®tico indicava que n?o foi algo desesperado. Uma pequena casa um pouco mais preservada, apesar de levemente chamuscada pelas chamas, parecia ter sido um ponto central, talvez uma antiga taverna. Fragmentos de mob¨ªlia de madeira estavam espalhados, agora tomados por musgo e ervas. Continuaram a explorar, encontrando um pequeno lago onde a ¨¢gua estava cristalina, refletindo o c¨¦u estrelado. Algumas flores ex¨®ticas cresciam nas margens, suas cores vibrantes contrastando com o ambiente sombrio da vila destru¨ªda. Havia um charme estranho em tudo aquilo. Ao inv¨¦s de desconforto o lugar trazia um certo aconchego inesperado, como se estivesse em sincronia com a vitalidade da natureza que o reclamava. O verde vibrante das plantas que cresciam entre as ru¨ªnas e o som suave da ¨¢gua corrente criavam um cen¨¢rio m¨¢gico que n?o se via com tanta frequ¨ºncia. ¡ª Vamos acampar aqui esta noite. N?o parece haver nada hostil por perto ¡ª disse a mercen¨¢ria, enquanto come?ava a preparar um pequeno acampamento. ¡ª Voc¨º, garoto, vai l¨¢ buscar algo para o jantar. O lobo bufou, mas logo disparou em dire??o a floresta. Enquanto coletava pequenos galhos, Ana sentia uma estranha sensa??o de ser observada, mas achou que podia ser apenas sua mente pregando pe?as ap¨®s tanto tempo na escurid?o. A menina ao seu lado ainda parecia confort¨¢vel, o que ajudava a aliviar um pouco sua j¨¢ n?o t?o grande preocupa??o. O lobo retornou em um instante com tr¨ºs grandes coelhos nos dentes, depositando-os orgulhosamente aos p¨¦s das mulheres. L¨²cia sorriu e acariciou a cabe?a do animal, e Ana come?ou a preparar o jantar. A fogueira crepitava suavemente, lan?ando sombras dan?antes nas ru¨ªnas ao redor. Enquanto cozinhava, a sensa??o de ser observada persistia, mas olhando ao redor n?o se via nada al¨¦m das sombras. Mesmo assim, o sentimento n?o a deixava em paz. A refei??o foi tranquila, com as duas apreciando a simplicidade do momento, as horas se passaram, mas a brisa estava agrad¨¢vel o suficiente para se manterem acordados em um confort¨¢vel sil¨ºncio, com a mente de todos ainda borbulhando com as novidades do primeiro dia na superf¨ªcie. Nesse instante, L¨²cia decidiu caminhar, meio impaciente, at¨¦ uma estranha flor roxa com p¨¦talas brilhantes chamar sua aten??o. ¡ª Olha isso, Ana! ¡ª comentou a menina, ajoelhando-se para olhar mais de perto a sutil mudan?a de cor conforme a luz da lua tocava a planta. ¡ª ¨¦ t?o perfeita! ¡ª N?o encoste nela ¡ª respondeu Ana, sorrindo de forma intrigante ao ver que L¨²cia pretendia arrancar do solo o objeto de aprecia??o. ¡ª Creio que n?o v?o ficar felizes se fizer isso. ¡ª Quem n?o vai ficar feliz? ¡ª Essas malditas flores ¡ª sussurrou ela, finalmente percebendo de onde vinha sua inquieta??o. A vis?o das duas navegou por toda a vegeta??o circundante, era uma vitalidade incomum que n?o estava presente na floresta do lado de fora dos muros. De qualquer forma, Ana apenas torceu o l¨¢bio e fechou os olhos, aproveitando a noite agrad¨¢vel. Em contraste, L¨²cia se afastou rapidamente, olhando ao redor com olhos arregalados ap¨®s a estranha revela??o. As flores pareciam inocentes sob a luz da lua, mas agora, com a sugest?o de Ana, havia algo sinistro em sua presen?a. ¡ª As flores? ¡ª repetiu a menina, ainda confusa. ¡ª Mas elas s?o apenas plantas, n?o podem... ¡ª Elas est?o nos observando, mas n?o sinto hostilidade. Vamos, s¨® deita aqui e finge que n?o sabe de nada, eu n?o to com saco pra trocar o lugar do acampamento. Ouvindo a conversa, o lobo levantou a cabe?a, farejando o ar, como se confirmasse a suspeita de Ana. O sil¨ºncio que antes parecia tranquilo agora se tornou opressivo para a crian?a e o animal. Os dois integrantes n?o conseguiam manter a mesma calma da bizarra mulher deitada a sua frente. ¡ª Voc¨º n?o devia ter me dito isso! Como vou conseguir dormir agora? ¡ª Para de drama¡­ ¡ª murmurou a mercen¨¢ria, virando-se de lado com uma voz sonolenta. ¡ª Vamos sair cedo amanh?, antes que decidam que n?o somos bem-vindas ¡ª as palavras foram acompanhadas por um bocejo, e possu¨ªam uma ponta de humor sombrio para assustar ainda mais a garota. ¡ª Idiota! Idiota! Idiota! ¡ª L¨²cia se sentou em meio a sussurros que mais pareciam gritos, abra?ando os pr¨®prios joelhos com olhos lacrimejantes, torcendo para a noite acabar o mais r¨¢pido poss¨ªvel.
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Capítulo 78 - Paz Efêmera
Ana e L¨²cia acordaram com o canto dos p¨¢ssaros e o suave sussurro do vento entre as ¨¢rvores. Sem falar muito al¨¦m de um simples bom dia, come?aram a juntar as coisas do acampamento, o sil¨ºncio compartilhado refletindo a estranha noite anterior. O sol j¨¢ estava subindo, lan?ando seus primeiros raios dourados sobre as ru¨ªnas e trazendo uma leve brisa matinal. L¨²cia, com grandes olheiras, montou no lobo, e Ana, ao ver a express?o cansada da garota, n?o p?de deixar de rir enquanto montava atr¨¢s dela. A risada genu¨ªna ecoou suavemente pelas ¨¢rvores, um som que contrastava com a tens?o da noite anterior. Enquanto se afastavam da cidade destru¨ªda, o sentimento de vigilancia que as acompanhava come?ou a diminuir. O sil¨ºncio da floresta era pontuado apenas pelo som das garras do lobo raspando nas ra¨ªzes e pelos ocasionais cantos de p¨¢ssaros. L¨²cia, ainda curiosa, olhou para tr¨¢s e, para sua surpresa, v¨¢rias figuras estavam de p¨¦ em frente ao port?o de sa¨ªda da aldeia. Elas pareciam parte integrante do ambiente, como se fossem uma extens?o da vegeta??o ao redor. Seus rostos eram de uma tonalidade estranha, alguns com a pele esverdeada e textura rugosa semelhante ¨¤ casca de uma ¨¢rvore, enquanto outros exibiam flores crescendo de seus bra?os ou cogumelos brotando de seus cabelos. Uns, ainda mais bizarros, possu¨ªam corpos que se abriam de v¨¢rias formas, como grandes plantas carn¨ªvoras frequentemente vistas em filmes. Mesmo aqueles com faces mais humanas n?o tinham muita express?o, os olhos vazios e sem vida, contrastando com o movimento suave de suas cabe?as enquanto observavam as duas forasteiras partindo. Vendo a garota os observar, come?aram a acenar, como se estivessem se despedindo de uma agrad¨¢vel convidada. ¡ª Ana, olha isso ¡ª disse L¨²cia, puxando a manga da mercen¨¢ria, visivelmente desconfort¨¢vel com a cena. Ana virou-se e tamb¨¦m viu as figuras vegetais, mas logo voltou a olhar para frente. ¡ª Tanta vida... ¡ª resmungou a mulher, visivelmente irritada ¡ª Bem, s¨® ignore esses voyeurs. Voc¨º est¨¢ se sentindo melhor? ¡ª perguntou, tentando abandonar a irrita??o que nascia em seu peito. ¡ª Sim, as dores passaram. ¡ª ¨®timo, ent?o vamos chegar rapidamente na cidade. Corre, garoto! Recebendo leves tapinhas sobre o pelo macio, o lobo disparou com uma velocidade impressionante. O terreno acidentado fez a viagem ser mais longa do que esperavam, mas em poucas horas conseguiram percorrer duas centenas de quil?metros, momento no qual finalmente viram as altas muralhas de Barueri se erguerem diante deles. Eram edif¨ªcios imponentes, bem diferentes da pequena vila de onde sa¨ªram. Por algum motivo, mostravam sinais de fortalecimento recente, com alguns escombros e materiais de constru??o espalhados nos arredores. ¡ª ¨¦ estranho que tenham que se armar dessa forma, algo n?o parece certo¡­ ¡ª murmurou Ana, vendo grandes balestras fincadas no topo dos muros. ¡ª O que foi? ¡ª Nada demais, vamos nos apressar para entrar. Garoto, voc¨º fica por aqui at¨¦ sabermos se criaturas s?o permitidas, se esconda nas redondezas por enquanto. O lobo ficou cabisbaixo, mas entendeu, saltando para a densa mata novamente. As garotas caminharam em dire??o a um grande port?o de ferro, onde um guarda se estirava pregui?osamente em um tipo de guich¨º. ¡ª Fiquem a¨ª, voc¨ºs fedem ¡ª disse o homem, vendo-as se aproximar com um olhar de desprezo no rosto. L¨²cia se cheirou, chateada, mas franziu o nariz ao perceber que realmente n?o estava com um odor agrad¨¢vel, enquanto Ana deu de ombros, continuando a conversa. ¡ª Pe?o desculpas, somos viajantes e estamos a muito tempo fora. ¡ª T¨¢, t¨¢, sem papo furado. N?o s?o muitos que saem dos muros e n?o conhe?o voc¨ºs de vista, o que querem na cidade? ¡ª Tenho alguns familiares por aqui, quero fazer uma visita. ¡ª S?o puras? ¡°Mas de que merda esse cara est¨¢ falando?¡±, pensou Ana, franzindo a testa, mas logo ajustou sua express?o para um sorriso gentil. ¡ª Claro que sim. Esse interrogat¨®rio ¨¦ realmente necess¨¢rio? ¡ª ¨¦ sim, n?o queremos a maldita laia corrompida aqui ¡ª com uma express?o de desgosto, o homem cuspiu no ch?o. ¡ª Vamos, isso deve ser o suficiente para voc¨º parar de encher meu saco ¡ª j¨¢ sem paci¨ºncia, Ana tirou a coroa de prata do bolso, jogando sob a mesa. O homem olhou para o emblema por um momento, se endireitando um pouco mais na cadeira. Seus olhos vagaram algumas vezes entre as roupas sujas de Ana, a coroa e a grande espada negra em suas costas, e com um suspiro, ele acenou para seguirem. ¡ª N?o cause problemas, mercen¨¢ria ¡ª sussurrou ele, com um novo cuspe atingindo o solo. Guardando o item novamente em seu bolso, Ana seguiu para a entrada, sem responder. L¨²cia, que ficou em sil¨ºncio at¨¦ o momento, seguiu logo atr¨¢s com passos curtos e r¨¢pidos. ¡ª O que ele quis dizer com puras? ¡ª perguntou a menina, intrigada. ¡ª Eu tamb¨¦m n?o sei. Mas pelas a??es desse cara, ¨¦ melhor que evite falar sobre isso at¨¦ termos mais detalhes. ¡ª Certo. Eu n?o sabia que voc¨º era uma mercen¨¢ria. ¡ª Oh, sou mais que isso. Sou uma rainha! ¡ª disse Ana, com uma risada meio for?ada e as m?os na cintura. ¡ª J¨¢ deu de ser curiosa, vamos nos apressar. Conforme cruzavam o port?o, uma sensa??o de curiosidade e apreens?o preenchia o ar. O contraste entre o ambiente r¨²stico da estrutura fortificada e a cidade em si era n¨ªtido. Os primeiros passos foram uma explos?o de sensa??es para L¨²cia, a deixando encantada com a vis?o que se desdobrava diante dela. As ruas estavam repletas de pessoas vestidas com roupas modernas, algumas adornadas com acess¨®rios m¨¢gicos que brilhavam em diversas cores. Lojas exibiam vitrines cheias de produtos que combinavam tecnologia e magia, desde dispositivos de comunica??o at¨¦ utens¨ªlios dom¨¦sticos encantados. Mas o que realmente chamou a aten??o de L¨²cia foram os postes el¨¦tricos que iluminavam as ruas, contrastando com as lamparinas a ¨®leo que ela conhecia. ¡ª O que s?o essas luzes? ¡ª perguntou, maravilhada. ¡ª Isso ¨¦ eletricidade ¡ª explicou Ana, sorrindo ao ver o fasc¨ªnio nos olhos da menina. ¡ª ¨¦ uma forma de energia que funciona atrav¨¦s de correntes que passam por fios e chegam at¨¦ essas lampadas. L¨²cia parecia ainda mais curiosa.Reading on Amazon or a pirate site? This novel is from Royal Road. Support the author by reading it there. ¡ª Ent?o, ¨¦ como a mana, mas diferente? ¡ª ¨¦ um bom jeito de pensar. A eletricidade ¨¦ como a mana, mas em vez de fluir naturalmente pelo corpo, ela flui por dentro dos dispositivos. Aqui, as duas se integraram bastante. Veja ¡ª Ana apontou para um poste de luz que brilhava com uma luz esverdeada ¡ª Isso ¨¦ uma lampada m¨¢gica. Ela combina eletricidade e mana para produzir uma luz mais forte e duradoura. Ana desviou os olhos com uma balan?ada leve de cabe?a ao ver a menina com olhos brilhantes encarando cada canto do local, mas tinha que admitir que Barueri havia se transformado bastante desde a ¨²ltima vez que esteve l¨¢. Um ponto marcante que chamou sua aten??o foi o fato de que agora havia duas muralhas: a antiga, que Ana conhecia bem, onde o centro da cidade estava, e uma nova, externa, mais alta e robusta, que abrigava a expans?o da cidade, onde acabara de atravessar. A ¨¢rea entre as duas muralhas era vibrante e movimentada, mas Ana n?o p?de deixar de reparar em certa pobreza e criminalidade. Algumas pessoas pareciam viver em condi??es prec¨¢rias, e os becos escondiam figuras suspeitas. De qualquer forma, as ruas eram uma mistura fascinante de tecnologia m¨¢gica e ci¨ºncia. Havia plataformas flutuando pelos c¨¦us com as mais variadas cargas, movidos por uma combina??o de motores el¨¦tricos e propuls?o m¨¢gica, e grandes edif¨ªcios decorados com runas que aumentavam sua durabilidade e seguran?a. Com a falta de torres de telefonia, as pessoas passaram a usar dispositivos de comunica??o que combinavam circuitos el¨¦tricos e cristais m¨¢gicos, permitindo que conversassem a longas distancias. ¡ª Parece um lugar dif¨ªcil de viver, mas com muito mais oportunidades ¡ª comentou Ana, observando as diferentes camadas sociais que se misturavam nas ruas. L¨²cia, no entanto, mal a ouviu. Estava maravilhada com tudo. Cada esquina, cada loja e cada dispositivo novo que encontrava a deixava mais encantada. ¡ª Olhe para voc¨º, L¨²cia. Parecendo uma caipira, babando por tudo ¡ª provocou Ana com um sorriso. L¨²cia corou, mas n?o conseguiu evitar continuar observando o festival de novidades ao seu redor com olhos repletos de uma curiosidade infantil e admira??o. Elas passaram por uma pra?a central, onde uma enorme fonte m¨¢gica lan?ava ¨¢gua cristalina para o alto. Crian?as brincavam ao redor, rindo e se divertindo, enquanto adultos conversavam e faziam neg¨®cios. Barracas de comida vendiam guloseimas arom¨¢ticas, e artistas de rua exibiam suas habilidades m¨¢gicas e acrob¨¢ticas. Ana guiou L¨²cia por algumas ruas mais movimentadas, mostrando-lhe algumas das partes mais not¨¢veis do mundo moderno. Explicou sobre como geralmente existiam diferentes distritos e suas fun??es, desde ¨¢reas residenciais at¨¦ centros comerciais e industriais, apesar dela mesma n?o saber suas localiza??es exatas no momento. ¡ª A cidade mudou muito desde que eu estive aqui pela ¨²ltima vez. A integra??o entre magia e tecnologia realmente deu um salto enorme. ¡ª disse Ana, com um tom de reflex?o. Nesse momento, passaram por uma padaria que exalava o cheiro de p?o fresco, uma vis?o comum para Ana, mas inovadora para L¨²cia. ¡ª Olha, eles t¨ºm comida aqui! ¡ª exclamou a crian?a, apontando para a uma gar?onete retirando uma nova fornada de um tipo de massa tran?ada. ¡ª Sim, e provavelmente muito melhor do que qualquer coisa que voc¨º j¨¢ provou. Vamos pegar algo para comer depois que n¨®s nos estabelecermos. Coincidentemente, estavam de frente para uma pousada. Parecia ser um ponto de encontro comum para viajantes e mercen¨¢rios, sendo bem agitada, mas era acolhedora o suficiente se comparada a onde dormiram at¨¦ agora. O letreiro, iluminado por cristais m¨¢gicos, exibia o nome "Ref¨²gio do Viajante". ¡°Um nome bem clich¨º¡±, pensou Ana, empurrando as portas suavemente. Ao entrarem, foram recebidas pelo cheiro de comida caseira e o calor de uma grande lareira no centro do sal?o. A recepcionista, Helena, uma mulher de meia-idade com um sorriso acolhedor, as recebeu com um olhar curioso. ¡ª Boa tarde. Posso ajudar? ¡ª perguntou ela. ¡ª Sim, precisamos de um quarto para a noite. E tamb¨¦m gostar¨ªamos de saber se ¨¦ seguro trazer nosso... animal para a cidade ¡ª disse Ana. ¡ª Claro, temos quartos dispon¨ªveis, duas pessoas custam dez moedas de prata. E quanto ao seu companheiro, temos um est¨¢bulo seguro onde ele pode ficar. Alguns dos nossos h¨®spedes trazem criaturas m¨¢gicas, ent?o estamos preparados para isso. ¡ª Um pouco caro, n?o? ¡ª riu Ana, pegando algumas moedas de uma bolsa em sua armadura. ¡ª Acabei de vir de longe, aceitam moedas de fora? A mulher recebeu o pagamento e encarou por um instante o objeto em suas m?os. Era uma moeda lisa, sem adornos, mas que definitivamente parecia ser de prata. Com um movimento ¨¢gil, guardou nove delas no bolso, e com a outra m?o tirou uma moeda local de sua pr¨®pria bolsa. Pareceu pes¨¢-las por um instante, mas logo deu um aceno para si mesma, satisfeita. ¡ª ¨¦ um pouco mais leve, mas est¨¢ bom o suficiente. ¨¦ o segundo quarto do terceiro andar ¡ª respondeu a recepcionista, entregando-lhes uma chave. ¡ª Obrigada ¡ª disse Ana, aceitando a chave e se virando para L¨²cia. ¡ª Vamos pegar nossas coisas e depois voltar para buscar o lobo. Ap¨®s se instalarem no quarto e tomarem um r¨¢pido banho, voltaram rapidamente para as muralhas da cidade. O lobo as esperava pacientemente e se aproximou assim que sentiu a presen?a j¨¢ conhecida. L¨²cia n?o p?de deixar de sentir um al¨ªvio ao v¨º-lo ali, seguro. ¡ª Vamos garoto. Encontramos um lugar para voc¨º ¡ª disse Ana, acariciando a cabe?a da criatura antes de gui¨¢-lo at¨¦ o est¨¢bulo. O guarda que as deixou passar anteriormente apenas encarou a cena com olhos irritados, mas n?o as parou novamente. Enquanto o lobo se acomodava, deixando alguns cavalos ao redor levemente desconfort¨¢veis, as garotas voltaram ¨¤ pousada e desceram para a ¨¢rea de refei??es, onde uma janta animada estava acontecendo. Sem demora, pediram dois pratos quentes, e rapidamente o cheiro de comida fresca e bem preparada encheu o ar. ¡ª Aqui est¨¢, senhoras. Uma refei??o simples, mas espero que gostem ¡ª disse a gar?onete, servindo-lhes um prato fumegante e dois copos de uma bebida avermelhada. ¡ª Isso parece delicioso! ¡ª exclamou L¨²cia, j¨¢ come?ando a comer. Ana observou a cena por um instante, antes de provar uma por??o de seu pr¨®prio prato, assentindo pelo ¨®timo sabor. ¡ª Amanh? pretendo verificar se minha antiga casa ainda existe ¡ª disse a mercen¨¢ria, olhando ao redor. ¡ª Tenho uma irm? mais nova, ela deve ter por volta de 22 anos agora, ¨¦ incr¨ªvel como o tempo passa r¨¢pido. Al¨¦m dela, tenho minha m?e, mas ela estava doente quando fui embora, ent?o n?o sei dizer se est¨¢ bem hoje em dia. Voc¨º vai adorar conhec¨º-las. L¨²cia ouviu atentamente, sentindo um misto de curiosidade e apreens?o, mas respondeu apenas com um grande sorriso enquanto continuava a comer a grandes bocadas. ¡ª Algu¨¦m devia te ensinar a comer de forma mais educada¡­ ¡ª enquanto falava, Ana pegou sua bebida, mas sua m?o parou no ar ao encontrar seu pr¨®prio reflexo na caneca. Encostou no pr¨®prio rosto com a m?o livre, notando que seu aspecto estava mais velho, mais maduro. As linhas de express?o eram pequenas, mas estavam mais acentuadas, e havia uma leve sombra de cansa?o em seus olhos. ¡ª Pare?o ter quantos anos? ¡ª sussurrou para si mesma, com olhos desfocados. ¡ª Talvez 26? Ou seriam 27? ¡ª 27 anos? Quando voc¨º faz anivers¨¢rio, Ana? Ana piscou com a pergunta repentina, ainda meio perdida em pensamentos. ¡ª Francamente, n?o sei... N?o tenho certeza. Faz tanto tempo¡­ Percebendo o animo estranho da mulher a sua frente, L¨²cia parou de perguntar, deixando-a sozinha em suas reflex?es. A taverna estava repleta de pessoas de todas as idades. M¨²sicos tocavam uma melodia alegre, e as pessoas riam e conversavam animadamente. ¡ª Vamos dan?ar! ¡ª exclamou L¨²cia, puxando a mercen¨¢ria pela m?o na tentativa de mudar o clima. Ana riu e chacoalhou a cabe?a, despertando de seu devaneio. Era um dia que merecia comemora??o, ent?o deixou-se levar pela anima??o da menina. A m¨²sica preencheu o sal?o, e logo estavam dan?ando entre as mesas, girando e rindo junto com os outros. ¡ª Voc¨º dan?a bem! ¡ª comentou um homem que passava por elas, brincando com a crian?a. ¡ª Obrigada! ¡ª respondeu L¨²cia, corando como sempre. Ela parecia uma crian?a novamente, seus olhos brilhavam de alegria. A noite passou rapidamente, com m¨²sica, dan?a e boa comida. Quando o local finalmente come?ou a se acalmar, L¨²cia estava exausta, mas com um sorriso de orelha a orelha. Elas subiram para o quarto, onde ela caiu na cama e adormeceu quase instantaneamente. Ana, por sua vez, ficou sentada ¨¤ janela, olhando para a cidade iluminada pelas luzes de diferentes cores. Pensava no que viria a seguir, torcendo para que, pelo menos por um instante, o destino lhe desse uma folga.
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Capítulo 79 - Enigma da Glutona
Eu n?o deveria ter seguido ela, mas a curiosidade me devorava. Na noite em que a estranha mulher fugiu, vi Cassandra, uma das l¨ªderes da cidade-arena, partindo em sua persegui??o. A adrenalina pulsava em minhas veias quando percebi que a mulher correndo com a espada na verdade era a gladiadora conhecida como Glutona! Eu estava possu¨ªdo pelo desejo de descobrir a verdade. No impulso, aluguei um lagarto e acompanhei toda aquela correria de longe. Quando percebi, j¨¢ estava no meio de um inc¨ºndio que quase me matou, mas consegui contornar as chamas por estar mais afastado. Deus parece proteger os jornalistas! Por sorte, vi um ponto preto correndo nas colinas distantes, ent?o corri na mesma dire??o. Dias se passaram, e ainda assim persisti, mesmo sem um rastro claro. Minha determina??o, alimentada pela curiosidade, rendeu os frutos que eu esperava. Encontrei a Glutona ¨C ou seria melhor a chamar de Ana? ¨C treinando com uma pequena garota, era dif¨ªcil determinar sua idade, mas chuto algo entre 13 e 16¡­ enfim! As habilidades de Ana com aquela maldita espada eram hipnotizantes! Um espet¨¢culo! D¨¢ pra entender o motivo de ter feito tanto sucesso na arena. Sabe o que me encantou ainda mais? V¨º-la conjurar uma esfera de mana gigantesca, uma demonstra??o de poder que eu nunca tinha testemunhado no abismo. Apesar que aparentemente ela tamb¨¦m n?o, j¨¢ que caiu em agonia pelo esgotamento de mana. Achei que tudo acabaria ali, ela realmente parecia estar morrendo, no entanto, se levantou. Mas algo estava errado. Eu podia ver a sanidade de Ana escapando, j¨¢ tinha estudado o suficiente esse tipo de gente para sentir isso instintivamente. Parecia que algo a estava devorando, me arrepiei s¨® de olhar¡­ Mesmo assim, continuei observando, fascinado e horrorizado ao mesmo tempo. E ali, mais uma surpresa. Ela simplesmente se jogou no mundo escuro! A tens?o da espera era insuport¨¢vel. Cada segundo parecia uma eternidade. Contra todas as expectativas, a garota e o lobo foram logo em seguida. Sendo sincero, nem lembrava que eles estavam ali, mas tenho que deixar claro que admiro a coragem de ambos. ¨¦ muito estranho, meu senso comum diz que est?o mortos, mas por algum motivo, eu sabia que ela iria conseguir sair de l¨¢. A Glutona era um enigma, uma escrava, uma gladiadora, uma fugitiva. Uma hist¨®ria viva que eu estava determinado a contar. E no fundo, sabia que essa jornada era apenas o come?o de algo muito maior. Bom, no fim voltei ¨¤ cidade com a mente perturbada pela curiosidade insaci¨¢vel, tendo mais perguntas do que respostas. Cada detalhe daquela noite em que Ana fugiu me assombrava, e por dias, n?o consegui dormir. Quem era ela realmente? Que tipo de coisa passou para ficar assim? As perguntas me atormentavam. Em um ataque de ansiedade pela falta de resposta, decidi fazer algo in¨¦dito: juntar um grupo de guerreiros para sair dessa porcaria de abismo. Claro, na verdade queria apenas poder completar esse relat¨®rio sobre o bizarro caso. Achei que era uma ideia que n?o ia vingar, ent?o apesar de convidar todo tipo de gente continuamente, n?o tinha muitas esperan?as. Pra minha surpresa, minha persist¨ºncia intrigou os l¨ªderes Ten¨¦brios, e em pouco tempo conseguiram alguns gladiadores. Mercen¨¢rios do submundo, atra¨ªdos pela promessa de aventura e recompensas, decidiram se juntar tamb¨¦m. O total ficou em pouco mais de cem pessoas, a maior incurs?o j¨¢ feita nesse mundo escuro. As expectativas eram alt¨ªssimas. A sensa??o de estar prestes a desbravar o desconhecido me preenchia de uma mistura de medo e excita??o. Mostrei o caminho para todos, aquele caminho que havia seguido anteriormente com tanto cuidado. Todo mundo hesitou, mas assim que um homem mais corajoso passou pela fuma?a, todos foram atr¨¢s. O mundo escuro, uma vastid?o sem fim de¡­ nada! Stolen story; please report. Essa escurid?o pode realmente deixar algu¨¦m louco! Seguimos por meses em uma ¨²nica dire??o, sab¨ªamos que assim chegar¨ªamos em algum lugar em algum momento. Cada dia era um inferno. Os insetos malditos, implac¨¢veis, ceifavam vidas constantemente. O som de suas mand¨ªbulas cortando a carne dos companheiros ca¨ªa sobre n¨®s como uma maldi??o. A cada suposto amanhecer, nossos n¨²meros diminu¨ªam, mas o fogo da determina??o mantinha os sobreviventes em movimento. Digo determina??o, mas vamos ser francos, n?o tinha mais volta¡­ aquilo era medo da morte. Finalmente, quando est¨¢vamos em nossos limites, dez de n¨®s chegaram a um lugar estranho. Fazia tempo que eu n?o via uma esta??o de trem, o mundo sabe quantos anos passei em uma dessas, imposs¨ªvel que um abandonozinho fizesse eu n?o reconhecer mais. A sensa??o de al¨ªvio era quase palp¨¢vel, mas sab¨ªamos que o perigo n?o havia sa¨ªdo de nossos calcanhares. Pulando uma longa e entediante explica??o e resumindo de forma simples: Encontramos um incr¨ªvel fio de luz solar, mas¡­ ter¨ªamos que escalar. A tarefa era dif¨ªcil, as escadas que deviam estar l¨¢ j¨¢ n?o existiam. De m¨¢ vontade, come?amos a prender as cordas de alpinismo, mas de repente uma criatura colossal atacou. A vis?o daquele monstro fez meu sangue gelar. Era uma luta pela sobreviv¨ºncia, intensa e desesperadora. Magias, lan?as, martelos, espadas, nada parecia suficiente. Ela era implac¨¢vel, cada golpe parecia ser absorvido por sua pele espessa e impenetr¨¢vel. O cen¨¢rio ao nosso redor se transformou em um campo de batalha ca¨®tico, gritos de dor e frustra??o ecoavam nas paredes da esta??o abandonada. At¨¦ mesmo eu, enferrujado dos anos pac¨ªficos de trabalho de campo, tive que dar tudo de minha com algumas manifesta??es b¨¢sicas e minha velha espada. Eu n?o podia morrer naquele lugar. Depois de uma batalha que parecia intermin¨¢vel, marcada por centenas de feridas e um esfor?o conjunto de todos os nossos sobreviventes, a criatura finalmente sucumbiu. Um machado cravado profundamente em seu cranio foi o golpe final. O monstro caiu, morto, e o sil¨ºncio voltou a reinar, perturbado apenas pelas nossas respira??es ofegantes. Por desgra?a, apenas eu e um grande guerreiro conseguimos sair vivos dessa luta insana. Os corpos dos nossos companheiros jaziam ao nosso redor, uma vis?o desoladora que nunca esquecerei. Nossos corpos absorveram a grande quantidade de mana circundante provinda dos mortos como loucos, uma estranha e macabra ben??o que nos permitiu continuar. Decidimos repousar um pouco. O guerreiro n?o abriu a boca, mesmo quando eu o chamava, ficando no canto dele, quieto e resoluto. Ele nem mesmo se alimentou! Apenas sentou-se poucos minutos e voltou a tentar prender as cordas de escalada. Observ¨¢-lo me deu for?as para me levantar tamb¨¦m, indo ajud¨¢-lo. Com muito esfor?o, conseguimos subir. Cada pux?o nas cordas era uma batalha contra a exaust?o, mas finalmente emergimos. A vis?o do sol me deixou extasiado; n?o via a luz do dia h¨¢ anos. O calor reconfortante em minha pele parecia um milagre, dissipando as sombras que me perseguiam desde que entramos na escurid?o. Ao meu lado, o guerreiro suspirou profundamente. Curioso, olhei para ele enquanto removia o capacete. Para minha surpresa, era uma mulher! Tinha certo charme, mas a maior parte do rosto estava queimada. Apesar disso, seus olhos eram ferozes e determinados. A revela??o me deixou sem palavras. "Cassandra!" exclamei, reconhecendo a l¨ªder de Tenebris que estava ao meu lado. O choque de v¨º-la ali, t?o longe de casa, era incomensur¨¢vel. Ela sempre fora uma figura imponente, mas ver seu rosto marcado pelo fogo apenas intensificava a sua aura.. Ela me olhou com um sorriso amargo, os l¨¢bios distorcidos pela cicatriz. "Mercadoria n?o foge", murmurou a mulher, a voz firme e implac¨¢vel, carregada de um desprezo calculado. Aquela frase ecoou em minha mente, um lembrete brutal da realidade que enfrent¨¢vamos. Cassandra estava aqui, e ela n?o deixaria que nada escapasse de seu controle. Parece que essa investiga??o ainda est¨¢ longe de terminar.
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Capítulo 80 - Radiante Novo Dia
O quarto da pousada estava banhado pela luz suave do amanhecer, filtrada atrav¨¦s das finas cortinas de linho. O som tranquilo de p¨¢ssaros cantando l¨¢ fora e o murm¨²rio distante da cidade come?ando seu dia traziam uma sensa??o de paz que contrastava fortemente com a agita??o da noite anterior. ¡ª Nunca dormi t?o bem! ¡ª exclamou L¨²cia, espregui?ando-se e sorrindo para Ana, que ainda estava deitada, apesar de acordada. Ana acenou para a garota e se levantou lentamente, aproveitando a sensa??o de relaxamento. As madeiras do piso rangeram levemente sob seus p¨¦s descal?os enquanto ela caminhava at¨¦ a janela, um fato curioso que parecia ter sido propositalmente implementado por pura ambienta??o, j¨¢ que a constru??o tinha cara de nova. Com um pux?o suave, abriu um pouco mais as cortinas, deixando a luz do sol inundar o quarto por completo. O ar fresco da manh? entrou, trazendo um cheiro adocicado mesclado ao aroma rotineiro de caf¨¦ vindo da cozinha da pousada. ¡ª Eu realmente senti falta disso... ¡ª comentou Ana, fechando os olhos para apreciar o momento. L¨²cia, mais descansada do que nunca, cantarolava enquanto desciam as escadas, acostumada a ouvir Ana fazer o mesmo de vez em quando. Chegando ¨¤ sala comum da pousada, foram recebidas por um ambiente acolhedor. A lareira ainda tinha algumas brasas acesas, e o calor suave preenchia o espa?o, afastando o leve frio da manh?. A taverna estava quase vazia, apenas alguns clientes matinais tomavam seu caf¨¦ e conversavam em sussurros, criando um ambiente calmo e sereno. ¡ª Helena, me traga um caf¨¦, por favor ¡ª pediu Ana enquanto se sentava em uma das mesas de madeira desgastada. Simultaneamente, pegou mais algumas moedas da bolsa. ¡ª Al¨¦m disso, vou ficar mais uma noite, ent?o n?o precisa arrumar o quarto. ¡ª Como desejar! ¡ª respondeu a mulher com um bonito, mas cansado, sorriso, j¨¢ com a caneca fumegante cheia do arom¨¢tico l¨ªquido preto. Quando finalmente chegou na mesa, Ana pegou o recipiente com ambas as m?os, sentindo o calor reconfortante. ¡ª Ah, caf¨¦... ¡ª suspirou a garota, levando a caneca aos l¨¢bios e saboreando o gosto forte e amargo que h¨¢ tanto tempo n?o provava. ¡ª Se tudo der certo, L¨²cia, abriremos uma cafeteria em Leviathan um dia. ¡ª Leviathan? ¡ª ¨¦ um lugar incr¨ªvel onde vivi por um tempo, ¨¤s vezes me arrependo de ter sa¨ªdo de l¨¢. Bom, foi inevit¨¢vel, ainda tenho muita coisa para ver nesse mundo. ¡ª ¨¦ ainda mais incr¨ªvel que essa cidade? ¡ª Ah sim, muito mais. ¡ª Hmmm ¡ª a menina parecia descrente, mas logo aceitou com um aceno brusco. ¡ª Ent?o combinado, vou ficar esperando voc¨º me levar l¨¢. Curiosa, L¨²cia pegou a caneca em frente a Ana e tomou um gole, mas logo fez uma careta, devolvendo-a rapidamente para seu lugar. ¡ª N?o sei como voc¨º pode gostar disso ¡ª resmungou, ainda com a express?o de desgosto. Ana riu, o som ecoando suavemente pela sala. ¡ª Voc¨º se acostuma. O caf¨¦ da manh? passou vagarosamente, e ao terminar, foram at¨¦ os est¨¢bulos para dar um oi ao lobo. O lugar estava calmo, e ele mordia uma pe?a de carne deitado relaxadamente em uma das baias. ¡ª Por enquanto, voc¨º ter¨¢ que ficar aqui, mas em breve teremos nosso pr¨®prio lugar ¡ª disse Ana, acariciando o animal, que lambeu sua m?o em resposta.Help support creative writers by finding and reading their stories on the original site. Vendo que parecia confort¨¢vel o suficiente, Ana e L¨²cia caminharam de volta ¨¤ cidade. O contraste com a noite anterior era evidente. A cidade que antes parecia de certa forma um lugar de sombras e mist¨¦rios agora revelava seu lado mais acolhedor e vibrante. As pessoas sorriam e cumprimentavam umas ¨¤s outras, e o cheiro de comida fresca no ar indicava que era hora da refei??o para muitos. Conforme se aproximavam da ¨¢rea central, a movimenta??o aumentava, e o ritmo di¨¢rio ficava mais evidente. O mercado fervilhava de atividade, com vendedores anunciando seus produtos e clientes negociando pre?os. O cheiro de ervas preenchia o ar, misturado ao som de conversas animadas e risos. Quanto mais se aproximavam da muralha central, mais a arquitetura mudava, com edif¨ªcios mais antigos e charmosos, enquanto a presen?a de tecnologia m¨¢gica se tornava mais evidente. Cada pr¨¦dio continha estranhos pain¨¦is que absorviam avidamente a luz solar, quase sendo poss¨ªvel ver as part¨ªculas se condensando. Os guardas no port?o interno estavam em seus postos, parecendo mais relaxados do que os que encontraram na muralha externa. Eles acenaram para Ana e L¨²cia, permitindo sua passagem sem uma inspe??o complexa. ¡°Parece que v¨¢rias novas guildas surgiram por aqui¡±, pensou Ana, observando os muitos emblemas que brilhavam sutilmente sobre uniformes impecavelmente vestidos. Tudo parecia bem, no entanto, poucos passos ap¨®s as muralhas, um estrondo ensurdecedor foi ouvido. Os port?es ca¨ªram pesadamente nas suas costas, e um alto alarme come?ou a soar em v¨¢rios alto-falantes flutuantes pela cidade. O som era estridente e pulsava com urg¨ºncia, reverberando pelas ruas e fazendo com que todos os cidad?os parassem suas atividades, olhando em volta com express?es de preocupa??o e medo. ¡ª Tenho um mau pressentimento¡­ ¡ª resmungou a rainha mercen¨¢ria, instintivamente apertando o passo, suas m?os se fechando em punhos. Ela lan?ou um olhar r¨¢pido para L¨²cia, que estava ao seu lado, os olhos arregalados e o corpo tenso pela agita??o repentina. ¡ª Fique atenta e pronta para correr. Algo est¨¢ errado. L¨²cia assentiu, o medo evidente em seus olhos, mas manteve a postura ereta, determinada a seguir as instru??es. As ruas ao redor come?aram a se esvaziar rapidamente, com cidad?os correndo para se abrigar em suas casas ou lojas, as portas de metal com ru¨ªdos estridentes. O panico estava come?ando a se espalhar, como se um v¨¦u de pavor tivesse sido lan?ado sobre a cidade. Ao longe, viam-se grupos de guardas correndo em cada esquina, se juntando em pequenos batalh?es. Pareciam confusos, mas n?o demoraria para se organizarem. Alguns drones navegavam silenciosamente pela cidade, suas luzes piscando de forma intermitente enquanto observavam a movimenta??o abaixo. Esses dispositivos, esf¨¦ricos e reluzentes, com intrincados padr?es de mana amarelos cobrindo sua completude, pareciam observar cada movimento com suas lentes multifacetadas, girando suavemente enquanto captavam dados invis¨ªveis. Eram pequenos e ¨¢geis, deslocando-se de um ponto a outro com uma efici¨ºncia quase sobrenatural. A presen?a dos dispositivos adicionava uma camada extra de tens?o ao ambiente j¨¢ carregado, fazendo com que cada sombra parecesse mais amea?adora e cada segundo mais urgente. Os passos das garotas aceleravam cada vez mais, e Ana decidiu focar em sua audi??o, tentando captar qualquer conversa ¨²til em meio ao caos inicial. Pessoas murmuravam entre si, preocupadas e apreensivas, mas n?o pareciam saber o motivo do alarme, estando t?o no escuro quanto elas. Foi ent?o que reparou em uma mulher esguia, a qual vestia um uniforme vermelho um pouco mais elaborado que os dos demais, chegando ofegante na guarita pr¨®xima a um dos port?es menores que davam acesso a uma das torres. Seu corpo estava empapado de suor e seus olhos arregalados deixavam claro que estava ainda mais assustada que os civis. Assim que recuperou um pouco o f?lego, se aproximou do restante do grupo que j¨¢ estava ali. ¡°Mas que grande merda!¡± Com um movimento r¨¢pido, Ana pegou L¨²cia pelo bra?o e correu em dire??o aos estreitos caminhos entre os pr¨¦dios. Os guardas haviam olhado em sua dire??o repentinamente. Ela n?o conseguiu entender toda a conversa em meio ao tumulto, mas um ¨²nico sussurro captado foi o suficiente. ¡ª Sombra.
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Capítulo 81 - Reden??o em Sangue
¡ª Voc¨º precisa voltar para a pousada. Eles est?o atr¨¢s de mim. ¡ª Mas Ana¡­ ¡ª L¨²cia hesitou, seus olhos se enchendo de l¨¢grimas, a voz tremendo de medo e preocupa??o. ¡ª ¨¦ apenas um erro. Vou resolver isso e voltarei para encontr¨¢-la ¡ª cortou Ana, a voz firme como a?o. ¡ª Por via das d¨²vidas, se eu n?o aparecer em tr¨ºs dias, procure minha irm?, Jasmim. Ela ¨¦ uma ca?adora, vai poder te ajudar. E cuide do lobo como puder. ¡ª Eu... eu n?o quero te deixar¡­ ¡ª ¨¦ uma ordem ¡ª insistiu a mulher, entregando uma bolsa pesada de moedas para a menina. ¡ª N?o discuta. S¨® v¨¢. O olhar de L¨²cia era de pura ang¨²stia, mas o constante som do alarme e a press?o crescente da situa??o a fizeram relutantemente assentir. Ela se afastou, l¨¢grimas escorrendo pelo rosto, o cora??o pesado. Ana observou at¨¦ que a crian?a estivesse fora de vista, ent?o, com um ¨²ltimo suspiro de resigna??o, voltou a correr pelas ruas estreitas do centro. ¡ª N?o posso ser pega. N?o por algo assim ¡ª murmurou para si mesma, seus olhos atentos vasculhando os arredores em busca de uma rota de fuga. As ruas da cidade, uma vez familiares, agora pareciam um labirinto opressivo de concreto e metal. Hologramas projetavam sua imagem em cada esquina, os detalhes de seu rosto nitidamente destacados, transformando cada beco e viela em uma armadilha potencial. ¡ª Eu s¨® pedi um ¨²nico momento de paz para os c¨¦us ¡ª ela resmungou, sentindo a frustra??o crescer dentro de si. Apesar disso, um sorriso torto cruzou seus l¨¢bios ao lembrar do passado, que, mesmo distante, parecia se encaixar perfeitamente na situa??o atual. ¡ª Uma ironia divina! Esgueirada na lateral de um pr¨¦dio, Ana percebeu que os guardas estavam se mobilizando para uma varredura completa, suas comunica??es r¨¢pidas e coordenadas indicando a seriedade da situa??o. Sem ter para onde ir, se abaixou rapidamente atr¨¢s de um carro estacionado. ¡ª Eu s¨® preciso de um momento... S¨® um momento para pensar... ¡ª murmurou, fechando e abrindo os olhos lentamente. Sabia que o tempo estava contra ela, os passos dos guardas ecoavam cada vez mais perto. Foi ent?o que, para sua surpresa, seus olhos captaram uma figura familiar no centro da pra?a pr¨®xima, cercada por nove outros ca?adores. ¡°Obrigada pelo pouco oferecido, destino de merda.¡± Era uma mulher alta e esbelta, mais do que Ana lembrava, e seus longos cabelos castanhos agora chegavam at¨¦ o fim das costas. Ela usava uma armadura de metal pesada, detalhada com belas runas m¨¢gicas e adornos intrincados que brilhavam sob a luz do sol. O s¨ªmbolo de uma guilda desconhecida para a mercen¨¢ria estava estampado no peito da pe?a: uma flor com finas p¨¦talas circundada por um c¨ªrculo de estrelas de um prata escuro. Um cart?o pendia de sua bainha, quase como um chaveiro, e nele estava estampado um "B+" em chatas letras douradas. A pra?a em quest?o estava silenciosa, mas os civis da regi?o tinham olhares mais calmos do que no resto da cidade, como se confiassem no grupo ¨¤ sua frente. ¡ª L¨ªder Jasmim, estamos prontos para a opera??o. ¡ª falou um dos ca?adores, com um curto cabelo castanho em corte militar, aproximando-se dela. ¡ª ¨®timo. Vamos nos preparar. Temos que resolver essa situa??o rapidamente ¡ª respondeu a mulher, dando um breve aceno com uma postura confiante e autorit¨¢ria. Ana observou a cena, surpresa pela alta patente da jovem ca?adora. Ver sua irm? como uma figura aparentemente respeitada deu-lhe uma nova esperan?a de resolver a situa??o mais rapidamente. ¡ª Bom, vale a tentativa antes que o sangue seja necess¨¢rio. Saltando sobre o autom¨®vel, come?ou a caminhar em dire??o ao grupo. O som de seus passos sobre o pavimento ressoou pela pra?a, atraindo olhares imediatos, todos confusos pela apari??o repentina. Os guerreiros se entreolharam e mantiveram-se afastados, como se tivessem um estranho medo da suposta Sombra. Jasmim se virou rapidamente ao notar a situa??o, os olhos arregalados ao ver a irm?. Claro, ela j¨¢ havia percebido quem era pelos hologramas, mas ap¨®s pensar por tanto tempo que Ana estava morta, era estranho t¨º-la cara a cara. Por um momento, ambas ficaram im¨®veis, a surpresa estampada em seus rostos. Os olhos de Jasmim come?aram a brilhar com l¨¢grimas n?o derramadas, mas sua express?o logo endureceu. Ela ergueu a m?o, ordenando aos guardas ao redor. ¡ª Cercar! ¡ª gritou a jovem, com a voz firme, mas tr¨ºmula. ¡ª Oi, Jasmim ¡ª Ana levantou as m?os, tentando parecer n?o amea?adora. ¡ª Precisamos conversar. ¡ª Conversar? ¡ª respondeu a garota com um riso amargo. ¡ª Acha que eu me rebaixaria a isso? Desde quando voltou pras nossas vidas eu sempre soube o que voc¨º era. Um monstro. ¡ª Eu posso explicar. ¡ª a mercen¨¢ria tentou se aproximar, mas os guardas a barraram ao cruzar longas lan?as em sua frente. ¡ª Fale com nossa m?e, ela vai entender. Jasmim hesitou por um segundo, mas sua express?o logo se torceu em dor e raiva. ¡ª Ela est¨¢ morta ¡ª as palavras sa¨ªram como uma lamina afiada. ¡ª E ¨¦ sua culpa. Sombra imunda! Ana suspirou. A situa??o estava pior do que pensava, e com a not¨ªcia sobre a m?e, percebeu que pioraria ainda mais. ¡ª Eu n?o sabia. Mas de qualquer forma, n?o fui eu. Por favor, me escute. ¡ª Basta! ¡ª a ca?adora a interrompeu, sua voz ecoando pela pra?a. ¡ª Minha guilda est¨¢ encarregada de te ca?ar. N?o h¨¢ mais o que dizer. ¡ª N?o quero lutar contra voc¨º, mas se me atacarem, n?o os pouparei ¡ª Ana, apesar da tens?o, manteve a calma, pegando lentamente a longa espada negra que balan?ava em suas costas. Seus olhos esfriaram, e um fio de mana come?ou a iluminar sutilmente as marcas da lamina. ¡ª Recue. Essa ¨¦ a oportunidade que te dou por ser minha irm?, n?o a desperdice. ¡ª Ataquem! Os nove membros, em resposta ¨¤ ordem de Jasmim, avan?aram rapidamente contra a mercen¨¢ria com precis?o militar. As armas brilharam ¨¤ luz do sol enquanto se moviam em forma??o, prontos para captur¨¢-la. ¡ª O primeiro ca?ador a se aproximar era um jovem na casa dos vinte anos. Carregava uma espada t?o longa quanto a de sua oponente. Seu olhar confiante indicava que n?o achava que iria perder, mas a mulher ¨¤ sua frente n?o deu muita aten??o. Sua espada negra balan?ou de forma descuidada para baixo, e o espadachim sorriu, pensando em como a luta seria f¨¢cil. Um pensamento tolo, devo dizer¡­ Ana se inclinou para tr¨¢s enquanto pegava a espada ainda em queda com a outra m?o, usando o peso do pr¨®prio corpo para mudar bruscamente a dire??o do corte. A garota narrava a cena em m¨®rbidas palavras, finalizando ao mesmo tempo em que a escura lamina se iluminou ainda mais, como se o sangue derramado ao dividir o corpo do jovem de baixo para cima lhe fizesse bem.If you stumble upon this tale on Amazon, it''s taken without the author''s consent. Report it. Dois ca?adores com lan?as avan?aram em seguida, atacando dos lados em um movimento sincronizado. Ana girou no ar, desviando dos golpes com uma agilidade felina. A espada negra cortou a lan?a da direita ao meio antes de perfurar o peito do ca?ador, fazendo o sangue jorrar enquanto ca¨ªa de joelhos. Ela pousou levemente no ch?o, chutando o ca?ador da esquerda, o qual quase caiu para tr¨¢s, antes de conseguir se apoiar em sua arma. ¡ª Um passo ¨¤ frente, dois ¨¤ direita. Mant¨¦m o ritmo, n?o perde a cabe?a ¡ª murmurou para si mesma, seus movimentos fluindo ao mesmo tempo em que a ponta de a?o passava entre seus cabelos pelas r¨¢pidas estocadas vindas do seu inimigo. Com um r¨¢pido giro, atingiu novamente um chute no homem, dessa vez desarmando-o. Um sorriso apareceu em seu rosto e leves espasmos passaram por seu corpo, com a mana diminuindo mais a cada instante. A espada negra dan?ou em um grande arco horizontal, dividindo seu oponente ao meio em um instante. ¡ª Oh, voc¨º ¨¦ algu¨¦m que sabe brincar, jovem est¨²pida. Ana torceu o nariz ao ver uma flecha penetrar em seu bra?o esquerdo enquanto se distra¨ªa vendo como o sangue do ca?ador j¨¢ morto criava uma po?a, Seu rosto se virou para a ca?adora antes que esta preparasse um novo disparo e a arqueira estremeceu com o olhar cheio de loucura da ¡°Sombra¡±. Seus dedos tr¨ºmulos derrubaram a flecha, obrigando-a a pegar outra. Com um pux?o, Ana arrancou o objeto afiado de sua carne, fazendo a ferida ficar maior do que deveria. Ela olhou para o pr¨®prio sangue escorrendo por um instante, antes de dar de ombros e pegar a parte superior do corpo dividido do ch?o. Com um movimento repentino, lan?ou em dire??o a garota, fazendo-a perder a vis?o do terreno por um instante. ¡ª Restam oito! ¡ª exclamou a espadachim insana, enquanto a ponta de sua espada, at¨¦ o momento oculta pelo corpo voador, atravessava a testa de seu alvo, uma surpresa que fez com que a arqueira morresse com olhos indignados com si mesma pela falta de rea??o. A arma escura continuava a sugar vorazmente a energia de suas veias, convertendo-a em mais velocidade e uma for?a assustadora. O anseio de matar de Ana subia a cada segundo, mas a mana que rapidamente absorvia dos ca?adores mortos trazia certa clareza para seu olhar. Os inimigos restantes decidiram atacar em grupo. Dois seguravam espadas e detalhados escudos medianos, um se preparou com um grande e amea?ador machado e duas manipuladoras, n?o t?o habilidosas, ficaram atr¨¢s para o aux¨ªlio, finalizando a forma??o em um semic¨ªrculo malfeito. Jasmim se juntou ao grupo nesse momento, tirando duas elegantes cimitarras de seu cinto. Com um movimento que poucos esperariam de algu¨¦m com uma armadura t?o grande, ela girou as armas, conectando os cabos para formar uma intrigante lamina dupla. Em um balan?o que demonstrava claramente sua maestria, Jasmim as imbuiu com sua mana, deixando um rastro prateado que seguia o giro, dando a impress?o de estar cortando o pr¨®prio espa?o. ¡ª Vamos, s¨® se afaste, irm?, deixe-me terminar por aqui ¡ª o corpo de Ana balan?ava de um lado para o outro, demonstrando sua impaci¨ºncia. ¡ª Cala a boca, monstro! Voc¨º n?o vai sair viva daqui depois de ter matado tanta gente. Ana suspirou e fincou a espada bastarda no ch?o. Em um gesto que fingia n?o saber o que fazer, massageou lentamente as t¨ºmporas. ¡ª Jasmim, Jasmim, Jasmim¡­ Sem entender o que Ana estava fazendo, a l¨ªder do batalh?o fez um gesto para que avan?assem. Os sobreviventes se entreolharam por um momento, e com uma express?o determinada, voltaram ao ataque. Uma das manipuladoras levantou a m?o, conjurando uma rajada de energia que brilhou com um verde intenso. A manifesta??o transmutou-se em centenas de finas e poderosas vinhas, disparando diretamente em dire??o a Ana. Ao mesmo tempo, vendo as a??es sendo feitas ¨¤ sua frente, a mercen¨¢ria lan?ou a espada para o alto, executando um salto acrob¨¢tico logo em seguida. Ao atingir a altura da arma, chutou-a em dire??o ¨¤ manipuladora. A espada girou violentamente no ar, cortando as plantas que quase chegaram a seu corpo e cravando-se no peito da garota. ¡ª Mais um ¡ª sussurrou, aterrissando suavemente. Seus l¨¢bios tremiam como se segurasse a mais feliz das risadas. Enquanto isso, a outra manipuladora agiu rapidamente, conjurando uma n¨¦voa densa e estranha ao redor de Ana. O vapor se espalhou rapidamente, obscurecendo a vis?o da mercen¨¢ria e isolando-a do resto da batalha. A n¨¦voa era espessa e pulsava com uma luz t¨ºnue, tornando dif¨ªcil discernir qualquer movimento do lado de fora. Os outros ca?adores ainda assim hesitaram, mas Jasmim avan?ou com sua lamina dupla girando. No ¨²ltimo instante, com o frio metal perigosamente perto de seu rosto, Ana desviou com um salto para tr¨¢s, a lamina de Jasmim cortando o ar onde ela estivera momentos antes. ¡ª O que est?o fazendo?! Aproveitem que ela est¨¢ desarmada! ¡ª gritou a ca?adora rank B com o cenho fortemente franzido. ¡ª Voc¨º vai matar essas crian?as, Jasmim ¡ª uma voz melodiosa veio da n¨¦voa que j¨¢ come?ava a se dissipar, zombando da jovem j¨¢ irritada. ¡ª Eu j¨¢ mandei ficar quieta! Com a crescente raiva, ela atacou novamente e Ana se preparou para mais uma esquiva ao sentir as vibra??es do vento dos arredores. Jasmim sorriu, vendo que sua irm? repetiria o mesmo padr?o, e usando a lamina como um bast?o de apoio, saltou por cima da mulher, preparando um ataque vindo do alto que n?o daria espa?o para um desvio simples. ¡ª Idiota ¡ª murmurou Ana, esticando o bra?o voluntariamente em dire??o ao ataque e pegando com precis?o o centro da arma, onde Jasmim tamb¨¦m estava segurando. Com um tranco, balan?ou o bra?o para o lado, lan?ando Jasmim em dire??o a vitrine de uma das lojas, estilha?ando o vidro e parando ap¨®s acertar com uma tremenda for?a as prateleiras do local. Ana a viu se levantar com dificuldade, mas logo voltou seu olhar para as armas g¨ºmeas que agora estavam em suas m?os. Girou-as em seus dedos por um momento, como se tivesse acabado de ganhar um brinquedo novo, mas logo fez uma cara de desgosto. ¡ª N?o ¨¦ ruim¡­ mas tamb¨¦m n?o ¨¦ bom¡­ A mercen¨¢ria levantou a m?o de forma descontra¨ªda em meio a seus murm¨²rios, bloqueando o pesado machado que vinha em dire??o a sua cabe?a, as laminas chiando ao se encontrarem. A for?a do impacto fez o ch?o tremer, mas Ana usou o momentum para girar e acertar outro dos ca?adores que se aproximava com um chute no peito, lan?ando-o contra um carro estacionado pr¨®ximo. Movendo sua m?o para o lado, desviou o machado que ainda a pressionava e no mesmo movimento dilacerou o pesco?o do homem que a encarava com olhos furiosos. ¡ª Bom, tem sua utilidade ¡ª disse para si mesma, limpando o lado da lamina que estava sujo de sangue no manto do corpo sem vida. ¡ª Voc¨ºs tr¨ºs, saiam daqui agora, antes que eu mude de ideia. Sem o uso cont¨ªnuo da espada negra, a sanidade perdida retornou lentamente. O ca?ador que havia levado o chute ainda estava curvado, sem respirar direito, sendo o primeiro a correr ap¨®s seu inimigo mostrar uma estranha piedade. A manipuladora chorava pateticamente, mas manteve a guarda erguida com uma esfera cinza transl¨²cida flutuando em sua frente, como se sua concentra??o n?o fosse o suficiente para idealizar algo concreto. J¨¢ o ¨²ltimo espadachim pareceu pensar por alguns segundos, mas tamb¨¦m ergueu novamente a arma, se pondo em frente a sua companheira de equipe. ¡ª Concentre-se, vou tentar criar uma abertura ¡ª gritou ele, como se al¨¦m da ca?adora tamb¨¦m quisesse convencer a si mesmo de que daria certo. A manipuladora, ainda em prantos, fechou os olhos firmemente por um instante, os abrindo com uma determina??o renovada em seguida. A massa disforme a sua frente come?ou a se solidificar. Era um formato simples, apenas uma grande bola de ferro, mas parecia ser o m¨¢ximo que ela conseguiria na situa??o. ¡ª Cuide da minha fam¨ªlia, por favor ¡ª com as ¨²ltimas palavras soltas no ar, o espadachim se lan?ou em dire??o a Ana. A mercen¨¢ria esperou pacientemente, bufando por n?o terem aceitado sua sugest?o. Ela girou a lamina dupla ao redor do seu corpo, e acompanhando o movimento da arma, se lan?ou em dire??o a seu oponente como em uma macabra dan?a. As armas se chocaram, mas os ossos do ca?ador aos poucos se trincaram pela press?o. Quando pensou que n?o poderia mais suportar, viu sua companheira disparando o maci?o objeto que havia finalmente terminado de manifestar. Ana refletiu o que fazer por um momento, mas por fim decidiu desviar ao inv¨¦s de enfrent¨¢-lo de frente. Seu corpo se abaixou levemente, preparando-se para lan?ar-se para tr¨¢s, quando de repente um alto estalo foi ouvido de sua perna direita. ¡ª Merda de corpo fraco ¡ª resmungou ela, observando o mole membro rompido enquanto caia para o lado pela perda repentina de equil¨ªbrio. A bola de ferro chegou nesse momento, inesperadamente acertando em cheio o est?mago da mercen¨¢ria, lan?ando-a dezenas de metros para tr¨¢s. O pequeno corpo da mulher atingiu a uma velocidade absurda um dos pr¨¦dios, derrubando a resistente parede de pedra. ¡ª Ha¡­ hahaha¡­ ¡ª tudo o que podia fazer era rir de si mesma pelo azar enquanto sua vis?o aos poucos escurecia.
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Capítulo 82 - Alvorada do Predador
¡ª Voc¨º me decepciona. ¡ª Pois ¨¦, t? sabendo. O anjo se deitou sobre um estranho bloco que repentinamente brotou do ch?o. Ele rolou algumas vezes e logo ficou com a cabe?a pendendo na borda, observando Ana de ponta-cabe?a. ¡ª Voc¨º podia ter matado eles muito mais r¨¢pido do que isso, a n?o ser que¡­ estava gostando de brincar com os novatos? Que cruel! Ana se aproximou e empurrou o anjo para o lado, sentando-se na beirada da estrutura. Os milhares de vitrais que adornavam o espa?o criavam sombras multicoloridas, conferindo um ar de mist¨¦rio ao estranho e infinito mundo mental. ¡ª Pelo contr¨¢rio, os matei por acidente. ¡ª Essa desculpa n?o cola muito quando voc¨º corta as pessoas ao meio enquanto sorri¡­ ¡ª Gabriel bocejou, zombando da resposta com uma express?o de descren?a. ¡ª Dessa vez realmente foi sem querer. Eu n?o queria ter que viver no meio do mato pra sempre, mas depois dessa luta, n?o terei muita escolha. No fim, ¨¦ tudo culpa dessa porcaria de mana reversa. ¡ª Voc¨º sabe que est¨¢ mentindo para si mesma. S¨¢dica do caralho. Ana encarou a criatura divina ¨¤ sua frente com um olhar vazio. Sem saber como responder, apenas se jogou para tr¨¢s, tamb¨¦m se deitando. ¡ª Ah, tanto faz, acredito que dessa vez deva ser o fim mesmo. Meu corpo l¨¢ fora j¨¢ deve estar com uma faca atravessada no meio da cara. ¡ª N?o, parece que ainda t¨¢ s¨® l¨¢ ca¨ªdo, ningu¨¦m mexeu em voc¨º. ¡ª S¨¦rio? Ent?o o que acha de me despachar de uma vez? ¡ª N?o, eu j¨¢ cansei de te assistir nesse estado. Se continuar assim, vai acabar morrendo mesmo, e com isso tudo acaba pra mim tamb¨¦m. N?o que viver aqui sem nada pra fazer seja muito melhor que s¨® sumir. ¡ª E o que posso fazer? Fraca ou doida, s¨® tenho essas op??es e nenhuma ¨¦ muito agrad¨¢vel. ¡ª O que pode fazer? Parar de ser covarde! ¡ª o anjo finalmente se virou para a garota, seu olhar penetrante fixo nos cansados olhos de Ana. ¡ª De que merda t¨¢ falando? ¡ª Porra, voc¨º prefere morrer do que ficar meio estranha? A vida em sociedade realmente t¨¢ te deixando uma fresca. ¡ª N?o estou mais sozinha l¨¢ fora, Gabriel. ¨¦ dif¨ªcil agir como antes¡­ ¡ª a resposta de Ana foi fraca. No meio da frase, percebeu que n?o tinha muita convic??o em suas palavras. Realmente estava dando desculpas para si mesma. Com um movimento repentino, ela se sentou, visivelmente mais animada. ¡ª Voc¨º est¨¢ bem mais agrad¨¢vel do que antes, sabia? Acho que finalmente entendo o que quer dizer. Esticando as asas, Gabriel tamb¨¦m se sentou, com um gentil sorriso preenchendo seu rosto. ¡ª Sempre fui agrad¨¢vel! ¡ª Ah, n?o. Com certeza n?o. ¡ª Enfim, enfim. Eu conhe?o muito bem sua escurid?o. N?o venha me falar que n?o pode controlar uma maldita gota de insanidade quando j¨¢ nada nesse mar a s¨¦culos. Se a loucura quer te dominar, devore-a, Ana. E devore o mundo que se op?e a voc¨º tamb¨¦m. O anjo estendeu o bra?o, e em sua m?o seus dedos formaram a arma j¨¢ vista anteriormente.Ensure your favorite authors get the support they deserve. Read this novel on the original website. ¡ª N?o pode simplesmente me fazer acordar normalmente? ¡ª N?o posso n?o. Culpe sua mente idiota por isso, eu sou o que voc¨º me fez ser. ¡ª Bom, ent?o foda-se tudo isso ¡ª Ana cerrou os dentes, preparando-se, mesmo sabendo que n?o teria como evitar o impacto. ¡ª Bang! Com o barulho, veio a dor. E com a dor, veio a luz.
Ana acordou coberta de escombros, sentindo o peso esmagador sobre seu corpo dolorido. Cada movimento era um esfor?o imenso, e a dor pulsava por cada fibra de seu ser. Com um esfor?o tremendo, ela conseguiu erguer-se parcialmente, apenas para vomitar um estranho sangue negro que escorreu pelos cantos de sua boca, um sinal claro do estado cr¨ªtico de seus ¨®rg?os internos. ¨¤ sua frente, o ca?ador que havia lutado contra ela anteriormente estava de joelhos, os bra?os ensanguentados enquanto tentava ajudar a manipuladora, que estava praticamente desmaiada e incapaz de se mover por conta do esgotamento de mana. Seus olhos estavam cheios de determina??o, mas tamb¨¦m de uma exaust?o profunda, refletindo a brutalidade da batalha que todos enfrentaram. Jasmim, j¨¢ de p¨¦, exibia uma armadura com um grande amassado na regi?o do abd?men. Ela encarava Ana com um olhar fixo e intenso, mas n?o avan?ava. Havia um leve sorriso em seu rosto, sutil, mas que fez Ana perceber que algo estava terrivelmente errado. Seguindo sua sinistra premoni??o, Ana ergueu os olhos e ao longe viu tr¨ºs novos grupos de ca?adores se aproximando. Sua irm?, percebendo que havia notado a chegada dos refor?os, deixou seu sorriso crescer, tornando-se enorme e psic¨®tico. Seus l¨¢bios se moveram em um murm¨²rio inaud¨ªvel, mas a express?o em seu rosto dizia claramente: "Voc¨º perdeu". Tentando se levantar, Ana trope?ou, incapaz de manter o equil¨ªbrio devido ¨¤ perna quebrada e aos danos internos. A dor era suport¨¢vel, sendo muito menor do que v¨¢rias que j¨¢ sentiu em sua longa vida, mas a for?a parecia escapar de seu corpo a cada tentativa de movimento. Sua mente estava enevoada, lutando para encontrar uma maneira de sair daquela situa??o desesperan?osa. ¡ª N?o tem como eu lutar contra tanta gente ¡ª murmurou para si mesma, a voz rouca e fraca. Enquanto refletia sobre um lugar seguro para ir, lembrou-se do antigo covil onde ficava com seu grupo. ¡°Ser¨¢ que ainda existe?¡±, pensou. Decidiu que iria para l¨¢, mas ainda n?o conseguia pensar em uma forma. Sua mente fervilhava em possibilidades quase imposs¨ªveis, quando de repente sua vis?o foi atra¨ªda para um pequeno pardal que repousava em cima de um dos corpos espalhados pela pra?a. Enquanto via o insignificante animal mordiscar a carne ainda fresca, um pensamento sombrio cruzou sua mente. ¡ª Se querem que eu seja um monstro, eu vou me tornar um monstro. Livros de anatomia pareciam ser folheados com viol¨ºncia em sua mente, e rapidamente recordou da estrutura ¨®ssea da ave ¨¤ sua frente. ¡ª N?o vai ser suficiente¡­ Seus pensamentos continuaram a correr em esp¨¦cie atr¨¢s de esp¨¦cie, descartando-as sem hesita??o, quando subitamente parou ao visualizar os detalhes de um Albatroz-errante, com suas enormes asas e imponente capacidade de voo. Ana focou em cada min¨²sculo detalhe do que desejava: a estrutura dos ossos, a leveza das penas, a for?a dos m¨²sculos, tudo formando uma clara imagem em sua mente. ¡ª Vamos tentar! ¡ª murmurou, um sorriso surgindo em seus l¨¢bios, misturado a uma carranca de dor. A mana come?ava a seguir sua vontade, concentrando-se em suas costas e irradiando uma onda de calor enquanto a carne come?ava a se moldar. ¡ª Isso ¨¦ imposs¨ªvel! ¡ª sussurrou Jasmim, sua voz carregada de incredulidade e certa zombaria ao ver a bizarra cena de longe, entendendo a ideia de Ana. Ana sorriu para ela, entendendo a express?o facial da irm?. Em suas leituras sobre mana, muito antes de sequer poder usar a energia, notou que a sociedade definia certos limites para as manifesta??es. Um desses limites era o voo; as pessoas n?o conseguiam flutuar com o atual uso da magia, apesar de alguns g¨ºnios emergentes estarem empenhados em mudar isso. J¨¢ a manifesta??o de asas era ainda pior, sempre foi considerado algo puramente est¨¦tico, visto os muitos problemas, desde a falta de fixa??o ao corpo do usu¨¢rio at¨¦ os movimentos dif¨ªceis de controlar para al?ar um voo real. Apesar de saber disso, a mercen¨¢ria n?o via outras op??es, ent?o abandonou as ideias pr¨¦-estabelecidas e fez as coisas de sua maneira. Em uma explos?o de sangue carmesim, grandes plumas feitas de pura energia de um tom azul-petr¨®leo se manifestaram em suas costas, perfurando a carne e entrando em seus ossos como estacas. Cada v¨¦rtebra se ajustava, ligamentos se formavam, e os ossos se conectavam, finos e leves, mas incrivelmente resistentes. M¨²sculos come?aram a envolver esses ossos, fibras se entrela?ando em uma dan?a de cria??o. A sensa??o era estranha e a mana pulsava por seu corpo, conectando cada parte de sua nova anatomia. Os soldados estavam cada vez mais perto e sua espada era vis¨ªvel a poucos metros de distancia, ainda cravada na ca?adora. Puxando uma lufada de ar, a mercen¨¢ria preparou-se, juntando for?a por um momento, e ent?o, com um movimento anormalmente r¨¢pido, suas asas bateram, lan?ando-a em dire??o ¨¤ lamina escura. Foi um voo desengon?ado, mas logo suas m?os seguraram firmemente o cabo da arma. Por¨¦m, ao inv¨¦s de puxar para fora, Ana deslizou-a para o lado, dilacerando do peito ao ombro da falecida. Como um animal, seus dentes cravaram-se no bra?o decepado e com um giro no ar acompanhado de outro bater das asas, disparou por entre os pr¨¦dios, deixando tudo para tr¨¢s. Seus olhos se encontraram com os de Jasmim por um momento e entendeu que, a partir dali, seu v¨ªnculo afetivo j¨¢ n?o existia mais. Os ca?adores tentaram segui-la, mas no momento possu¨ªa uma velocidade e agilidade que n?o podiam acompanhar. Voou desajeitadamente pelas ruas estreitas, com a adrenalina correndo em suas veias, e cada batida de suas grandes asas era uma mistura de agonia e liberdade. Os edif¨ªcios passavam rapidamente enquanto a cidade abaixo parecia se transformar em um borr?o, uma mistura ca¨®tica de concreto e metal que n?o importava mais. ¡ª Covil¡­ covil¡­ covil¡­ covil¡­ covil¡­ O vento frio da manh? batia em seu rosto, e o sangue escorria pelas feridas abertas em suas costas. Mas a mente de Ana estava focada, cada pensamento direcionado a um ¨²nico objetivo. Sua boca mastigava o macabro peda?o de carne com afinco enquanto repetia a palavra, for?ando-se a n?o esquecer. O consumo de mana era muito maior do que a reposi??o oferecida pelo ¡°alimento¡±, mas pelo menos sabia que desta forma n?o sufocaria. Neste momento, estava em um intenso cabo de guerra com a mana reversa em seu corpo, dando tudo de si para ignorar a vontade de come?ar um novo massacre no meio do centro da cidade. N?o sabia o que aconteceria ap¨®s alcan?ar o que queria, e nem tinha a consci¨ºncia necess¨¢ria para refletir sobre isso, seu desejo de sobreviver era tudo o que importava por enquanto.
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Capítulo 83 - Caleidoscópio de Destinos
BOOM! Ana atravessou o telhado da cabana em uma queda violenta, fazendo um estrondo que afastou as aves das ¨¢rvores pr¨®ximas. A estrutura, velha como sempre, parecia n?o ter mudado durante sua aus¨ºncia, embora algumas vinhas come?assem a crescer pelas paredes. O impacto foi forte, e ela sentiu o ch?o ceder levemente sob seu peso, levantando uma nuvem de poeira. As t¨¢buas rangiam sob seus p¨¦s enquanto se levantava, a respira??o pesada e os olhos percorrendo o lugar que uma vez fora seu ref¨²gio. Com pensamentos perturbados, mas ainda com algum controle, ela observou o ambiente ao seu redor. Seus olhos pousaram em uma foto pendurada na parede, agora suja pela poeira, mas ainda vis¨ªvel. ¡ª Tanta felicidade, tanta inoc¨ºncia ¡ª murmurou Ana, a voz carregada de nostalgia e amargura. A imagem foi tirada muitos anos atr¨¢s, quando nomearam o grupo. A imagem capturava um momento de alegria, sorrisos e olhares esperan?osos, apesar de melanc¨®licos devido ¨¤ perda recente. Era um contraste gritante com a realidade atual. A vis?o trouxe uma torrente de lembran?as que rapidamente se transformavam em acessos de raiva. ¡ª Ironia Divina... Ironia Divina... ¡ª repetia, quase como um mantra, com a voz entrecortada por risadas amargas, enquanto jogava velhos livros no ch?o. Sua voz ecoava pelas paredes da cabana, cada palavra carregada de uma mistura de dor e loucura. Os livros ca¨ªam pesadamente, levantando ainda mais poeira, mas ela n?o se importava. Estava imersa em uma tempestade emocional, revivendo mem¨®rias e lidando com a insanidade crescente. No meio do caos que criava, seus olhos foram atra¨ªdos por uma caixa no canto da estante. Era a caixa onde haviam guardado as moedas de ouro de recompensa de Marina ap¨®s a miss?o especial. Curiosa, ela se aproximou e a abriu. Para sua surpresa, al¨¦m das moedas de ouro, havia montinhos de dinheiro de prata e bronze, tr¨ºs colunas a mais do que se lembrava. Parou por um momento para prestar mais aten??o. ¡ª Quem... quem ousou tocar nisso? ¡ª murmurou, a voz tr¨ºmula por uma raiva sem sentido enquanto olhava ao redor, finalmente percebendo que o lugar estava sutilmente diferente do habitual. Alguns pratos e utens¨ªlios do dia a dia se amontoavam em um canto, o cheiro no ar n?o era o frequente odor do mofo de locais abandonados e as paredes, apesar de desgastadas, estavam bem cuidadas o suficiente para estar claro que algu¨¦m havia vivido ali. De repente, um soco veio em sua dire??o a uma velocidade absurda. Ana, ainda parcialmente insana, desviou do golpe por pouco e, instintivamente, chutou o inimigo inesperado, usando o impulso para se afastar. Com a espada j¨¢ em m?os, entrou em guarda. ¡ª Invasor¡­ de novo n?o, de novo n?o¡­ ¡ª murmurava repetidamente o homem que apareceu ¨¤ sua frente, se preparando para mais um poderoso soco. Suas olheiras eram profundamente marcadas e tanto o cabelo quanto a barba estavam extremamente desarrumados. Ele parecia louco, e a cena chegava a ser surreal. Ana se preparou para cort¨¢-lo ao meio com um golpe vertical, mas ent?o, algo mudou. Os olhos do pugilista pareciam voltar a si, e ele gritou, assustado, caindo para tr¨¢s. ¡ª Voc¨º... voc¨º ¨¦ outro fantasma... n?o ¨¦ real¡­ n?o pode ser... ¡ª suas palavras eram desesperadas, como se estivesse confrontando uma assombra??o de seu passado. A mercen¨¢ria parou o ataque, confusa. O homem come?ou a chorar, ajoelhando-se no ch?o. Seus olhos vermelhos trouxeram a Ana uma estranha familiaridade, mas o corpo desnutrido ¨¤ sua frente contrastava muito com o corpo forte de suas mem¨®rias. ¡ª Alex? ¡ª perguntou ela, finalmente o reconhecendo. A incredulidade era clara em sua voz. Aquele rosto por onde as l¨¢grimas escorriam em um misto de al¨ªvio e dor, embora mais velho e desgastado, ainda era o do companheiro de tempos passados, algu¨¦m que ela n?o esperava ver novamente. ¡ª Ana? ¨¦ voc¨º mesmo? ¡ª Alex murmurou, sua voz tr¨ºmula e cheia de emo??o. A mercen¨¢ria abaixou a espada lentamente, os pensamentos se atropelando enquanto tentava processar a situa??o. A cabana, o estado deplor¨¢vel do ca?ador, tudo parecia apenas um sonho em sua mente deturpada, mas ela se esfor?ou para prestar aten??o na conversa. No entanto, logo a espada que ainda estava firme em sua m?o voltou a se levantar de forma ainda mais agressiva. ¡ª Voc¨º deveria estar morto. Na verdade, voc¨º ¨¦ o fantasma! O olhar de Alex vacilou por um momento, sem entender, mas sua express?o tamb¨¦m mudou rapidamente para um olhar de loucura determinada. Ele pegou a mesa pr¨®xima e a lan?ou em dire??o a Ana com toda a sua for?a.Stolen story; please report. ¡ª Um esp¨ªrito tentando me confundir? N?o vou deixar isso acontecer! Ana mal teve tempo de reagir. O m¨®vel voou em sua dire??o, e ela se abaixou, sentindo lascas de madeira passarem por cima de sua cabe?a quando se espatifou contra a parede atr¨¢s dela. A aura de mana ao redor de Alex parecia pulsar e ele avan?ou com os punhos cerrados, cada movimento estranho e complexo, como uma dan?a ca¨®tica. ¡ª Se ¨¦ uma luta que voc¨º quer, fantasma, ent?o vai ter! ¡ª a mercen¨¢ria ergueu a espada, mas a mesma atingiu com for?a o teto, fazendo a arma escapar de suas m?os. Com um grunhido de frustra??o ao perceber que era grande demais para lutar naquele espa?o apertado, ela desistiu de us¨¢-la e levantou os pr¨®prios punhos, pronta para o combate corpo a corpo. Alex n?o hesitou. Ele lan?ou um outro soco em dire??o a Ana, o ar ao redor de seu punho vibrando com uma sutil energia. Ana desviou por pouco e respondeu com um golpe r¨¢pido no est?mago de Alex, mas ele girou o corpo, absorvendo o impacto e contra-atacando com um chute baixo que acertou a perna dela. ¡ª Aah! ¡ª ela gritou pela dor inesperada. Sua r¨¢pida recupera??o fez com que sua perna melhorasse durante a fuga, mas a liga??o do osso ainda era fr¨¢gil. Ela cambaleou, mas n?o caiu. Suas costas ardiam onde suas asas costumavam estar devido ao esfor?o repentino, o sangue voltando a escorrer lentamente. Alex aproveitou a oportunidade, lan?ando um gancho de direita que pegou Ana no queixo, jogando-a para tr¨¢s. Ela colidiu com uma estante, livros e vasos caindo ao seu redor enquanto tentava recuperar o equil¨ªbrio. Alex n?o deu tr¨¦gua, pegando um dos objetos ca¨ªdos e arremessando em sua dire??o. Ana bloqueou com o antebra?o, mas a for?a do impacto a empurrou mais para tr¨¢s. ¡ª Voc¨º n?o ¨¦ real! ¡ª ela gritou, avan?ando novamente com uma f¨²ria renovada. Seus punhos se moveram em um borr?o, acertando uma s¨¦rie de golpes no torso do ca?ador. Ele recuou, tentando se defender, mas a velocidade e a precis?o dos socos de Ana o for?aram a ceder terreno. ¡ª Quieta, assombra??o! ¡ª o homem gritou em resposta enquanto contra-atacava. Um soco pegou Ana na lateral do corpo, e ela sentiu a costela ceder sob o impacto. Com um giro, ela pegou uma cadeira pr¨®xima e a quebrou contra Alex, os peda?os voando em todas as dire??es. Ele recuou, momentaneamente desorientado, e Ana aproveitou a abertura para acertar um chute na sua coxa, derrubando-o no ch?o. O homem rolou rapidamente, evitando um pesado ataque que a mercen¨¢ria lan?ou para o finalizar. Se levantou com um salto ¨¢gil, suas m?os pegando dois pratos de um arm¨¢rio pr¨®ximo e os lan?ando em dire??o a Ana como discos. Ela desviou do primeiro, mas o segundo acertou seu ombro, apesar de n?o ter a afetado de forma significativa. Nesse instante, ignorando as dores, ambos come?aram uma troca fren¨¦tica de golpes. Cada impacto parecia ecoar pela cabana, o som da carne contra a carne misturado com o zumbido da energia de mana. ¡ª Vou te mandar de volta para o inferno! ¡ª ela gritou, seus olhos brilhando com uma f¨²ria insana. Alex pegou um peda?o da mesa quebrada ao trope?ar para tr¨¢s e tentou us¨¢-lo como uma clava, mas Ana agarrou seu pulso, torcendo-o com for?a. Com um grito de dor, o homem tamb¨¦m segurou ela com a outra m?o, se jogando para tr¨¢s e batendo contra a parede com um gemido. Em meio a queda, Ana acertou um soco direto em seu nariz, fazendo-o sangrar. Ele grunhiu, mas se levantou rapidamente, respondendo com uma cotovelada que pegou a mulher na t¨ºmpora, deixando-a atordoada por um momento. Finalmente, n?o conseguindo resistir ao cansa?o, ambos ca¨ªram de joelhos, respirando pesadamente. Ana olhou para Alex, seu rosto ensanguentado e sujo, e viu nele o reflexo de sua pr¨®pria dor e insanidade. ¡ª Pare! ¡ª gritou, de repente, com sua voz rouca. Alex, instintivamente, parou a f¨²til tentativa de voltar para a briga, seu olhar fixo nela. Com movimentos lentos, Ana se arrastou at¨¦ ele, seu corpo inteiro doendo. Ela levantou um dedo tr¨ºmulo e o encostou na testa do ca?ador. ¡ª Voc¨º n?o... voc¨º n?o pode ser um fantasma ¡ª Sua voz estava repleta de espanto. ¡ª Voc¨º n?o ¨¦ transparente! Alex piscou, a mesma express?o de espanto tomando conta de seu rosto. Ele levantou a m?o lentamente, tocando o pr¨®prio peito e depois o ombro de Ana. ¡ª Voc¨º... voc¨º tamb¨¦m n?o ¨¦ um fantasma! Eles ficaram assim por um momento, o sil¨ºncio pesado entre eles, enquanto a realidade de suas situa??es finalmente se assentava em suas mentes perturbadas. Nesse momento, um pote de vidro caiu no ch?o, estourando e tornando o ambiente novamente tenso. Uma garota de longos cabelos vermelhos surgiu, puxando uma estranha lamina de suas costas. Em um movimento ¨¢gil, a lamina se desdobrou, tornando-se um uma grande haste maior que a garota. Foi uma transforma??o fascinante, segmentos de metal e madeira se movendo com precis?o engenhosa, revelando um mecanismo complexo de engrenagens e dobradi?as. As laminas finas deslizavam suavemente, formando um arco curvo e robusto, uma pe?a de engenharia impressionante e letal. ¡ª Que merda ¨¦ essa? ¡ª xingou a garota, vendo a destrui??o do local. Uma flecha j¨¢ estava pronta para ser atirada em Ana, enquanto a base da grande arma era fincada no ch?o com uma for?a amea?adora.
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Capítulo 84 - Justi?a dos Caídos
Ana olhou para a mulher ruiva que emergiu das sombras, a imagem de J¨²lia surgindo brevemente em sua mente. A semelhan?a era not¨¢vel, mas, aos poucos, a vis?o de sua antiga companheira de batalhas se desfez, revelando uma garota bem mais jovem, talvez apenas alguns anos mais velha que L¨²cia. Sua mente rapidamente fez a conex?o: aquela era Eva, a irm? de J¨²lia. ¡ª Pare! ¡ª gritou Alex, a voz rasgando o sil¨ºncio tenso. Ele rapidamente se levantou, interpondo-se entre Ana e Eva. ¡ª Ela n?o ¨¦ uma inimiga! Calma, Eva! Eva hesitou, o arco ainda tensionado, a flecha pronta para ser solta. Seus olhos se fixaram em Ana, tentando entender a situa??o. O sil¨ºncio que se seguiu foi interrompido apenas pela respira??o pesada de todos na cabana. O tempo parecia ter parado, quando, de repente, a mercen¨¢ria ergueu as m?os em um gesto de paz, observando a jovem com curiosidade. Eva ainda parecia confusa, mas lentamente abaixou o arco, uma express?o come?ando a brotar em seu rosto. ¡ª Ol¨¢, Eva ¡ª disse Ana, tentando suavizar a situa??o. Sua voz era agitada, mas havia uma ponta de curiosidade. ¡ª Voc¨º cresceu muito desde a ¨²ltima vez que te vi. Eva piscou, processando a informa??o. Ficou paralisada, sem saber como reagir. Seus olhos se voltaram para Alex, que acenava freneticamente com a cabe?a, e depois de volta para Ana. Finalmente, o arco caiu de suas m?os, batendo no ch?o com um leve estrondo met¨¢lico. ¡ª Ana? ¡ª perguntou ela, a voz vacilando. ¡ª Voc¨º ¨¦ a Ana? Ana assentiu e Eva deu um passo hesitante ¨¤ frente, depois outro, e ent?o correu at¨¦ a mulher, abra?ando-a com for?a. ¡ª Obrigada... ¡ª murmurou a garota, os olhos baixos enquanto a emo??o tomava conta de sua voz. ¡ª Obrigada por tudo. A mercen¨¢ria machucada fez uma careta de dor, mas n?o afastou a menina. Desconcertada, retribuiu o abra?o, suas m?os tr¨ºmulas dando tapinhas nos cabelos ruivos de Eva. ¡ª Fico feliz que me agrade?a, mas¡­ pelo qu¨º? ¡ª Por me salvar anos atr¨¢s e... por fazer a minha irm? sorrir. J¨²lia sempre tinha um olhar de preocupa??o, mas com voc¨º por perto, parecia relaxar. ¡ª Eu fiz o que qualquer um faria ¡ª respondeu, com um sorriso suave. ¡ª Mas ¨¦ uma surpresa te encontrar junto com o Alex¡­ como voc¨º o conheceu? ¡ª perguntou, apontando para o homem que ainda parecia abalado. Eva saiu do abra?o e acompanhou a dire??o do dedo com um sorriso gentil em seu rosto. Ela respirou fundo, olhando para Ana com um olhar intenso, mas logo desviou os olhos, timidamente. ¡ª Minha irm? me pediu para verificar o covil de vez em quando at¨¦ ela voltar da viagem. Um dia, quando cheguei aqui, encontrei ele... estava murmurando coisas sem sentido em um canto. Primeiro fiquei com medo, mas logo percebi quem ele era. Ana olhou para o ca?ador, que estranhamente tinha um certo orgulho nos olhos. ¡ª Desde ent?o, venho aqui para organizar a casa de vez em quando e trazer algumas refei??es ¡ª continuou Eva. ¡ª Ele t¨¢ meio doido, mas pelo que conversamos, realmente amava minha irm?. ¡ª Enquanto isso, saio para ganhar dinheiro e treino essa jovem! Sou muito bom nisso, por sinal ¡ª falou o magro homem com um tom determinado, tentando parecer mais firme ao endireitar-se. Ana sorriu, reconhecendo a bravata de Alex. Ent?o, lembrando-se da caixa, o homem correu at¨¦ a estante e pegou uma das fileiras de moedas, entregando-a para Ana com um sorriso animado. ¡ª Esta ¨¦ a sua parte! ¡ª exclamou ele, com uma anima??o infantil. Ana pegou as moedas, guardando-as no bolso. Sabia que a mente de Alex estava quebrada, mas ainda havia um resqu¨ªcio do homem que conhecera. ¡ª Obrigada, eu estava totalmente quebrada! ¡ª disse ela animadamente, antes de se virar para Eva, mudando de assunto. ¡ª Parece que voc¨º est¨¢ seguindo os passos de J¨²lia, uma arqueira. A garota ficou t¨ªmida e pegou o arco do ch?o. O guardou cuidadosamente em um canto, mostrando respeito pelo objeto de grande importancia. Ana notou os detalhes intrincados da arma, uma pe?a que combinava beleza e letalidade. ¡ª Sim, mas j¨¢ com o martelo descobri que n?o tenho talento¡­ Minha arma ¨¦ uma espada dobr¨¢vel adaptada para um arco. ¡ª ¨¦ uma pe?a impressionante ¡ª comentou Ana, tentando aliviar a tens?o. Ela se jogou no sof¨¢, balan?ando os p¨¦s como se estivesse inquieta. ¡ª Nunca vi algo assim por aqui. ¡ª N?o ¨¦ t?o impressionante assim, o consegui de um vendedor itinerante em uma das feiras da cidade ¡ª a garota sorria timidamente, como se omitisse alguns pontos relevantes da hist¨®ria.Enjoying the story? Show your support by reading it on the official site. ¡ª Bom, realmente h¨¢ pessoas talentosas em todos os lugares ¡ª disse Ana, apreciando o cuidado com que cada dobradi?a foi feita. ¡ª Bom, ent?o est¨¢ seguindo o caminho para virar uma ca?adora? De repente, a mercen¨¢ria notou que a express?o da jovem ruiva mudou, ficando mais agressiva. ¡ª N?o. Eu preciso dele para ir atr¨¢s da Colecionadora ¡ª respondeu ela, com a voz mal passando de um sussurro. Neste instante, os olhos de Alex ficaram estranhamente focados, perdendo sua loucura anterior. Sua voz era s¨¦ria enquanto complementava as falas de Eva. ¡ª ¨¦ para isso que estamos treinando tanto. Teremos nossa vingan?a. Ana n?o p?de deixar de levantar uma sobrancelha. Ela n?o esperava isso, mas sentiu uma conex?o com a f¨²ria dos dois. Sua cabe?a caiu para tr¨¢s, e o sorriso que se esfor?ava para conter come?ou a brotar no seu rosto. Suas motiva??es violentas se sincronizavam, e ela sabia que essa era a dire??o que precisavam tomar. ¡ª Parece que temos um objetivo em comum ¡ª murmurou Ana, com um brilho sombrio no olhar. ¡ª Mas antes, preciso da ajuda de voc¨ºs para buscar uma pessoa no centro da cidade. Ouvindo isso, Alex balan?ou a cabe?a em negativa. ¡ª Isso ¨¦ imposs¨ªvel agora. Uma Sombra ousou ir diretamente para os port?es internos, sem saber sobre os campos de detec??o de mana reversa que colocaram ano passado. T?o est¨²pida! ¡ª O homem come?ou a gargalhar, como se realmente achasse a atitude absurda. ¡ª Vai tudo ficar em quarentena. Ser¨¢ complicado entrar ou sair de l¨¢ por semanas. Ana come?ou a co?ar a cabe?a em um gesto de culpa, seu sorriso psic¨®tico tornando-se um pequeno sorriso torto no canto de sua boca. ¡ª O que foi? ¡ª perguntou Eva, vendo a estranha atitude ao inv¨¦s de preocupa??o por seu conhecido estar preso com um potencial inimigo. ¡ª Bem, sobre esse assunto¡­ eu fui acusada de ser uma Sombra ¡ª Ana riu, mas uma risada que parecia debochar de si mesma. ¡ª Um erro, claro, mas quem diria que isso se tornaria um problema t?o grande¡­ Eva e Alex se entreolharam, intrigados pelas palavras da mulher ¨¤ sua frente. ¡ª Temos muito o que conversar. Que tal nos sentarmos um pouco? ¡ª sugeriu Alex, apontando para onde a antiga mesa deveria estar. ¡ª Ou talvez seja melhor caminharmos! Acho que todos n¨®s precisamos de um momento para respirar ¡ª falou rapidamente, lembrando-se da cena onde o m¨®vel desgastado de madeira explodiu em mil peda?os ao ser jogada na parede. ¡ª ¨®timo¡­ caminhar ¡ª respondeu Eva, revirando os olhos ao pensar da cena que viu quando entrou. ¡ª J¨¢ aviso que n?o vou encostar um dedo nesse lugar, tratem de organizar tudo mais tarde. Os dois insanos brig?es levantaram o polegar em sinal de concordancia ao mesmo tempo, com express?es de dar pena em seus rostos. A garota ruiva apenas suspirou, virando-se para sair da casa. Ana puxou a espada presa no teto e a prendeu ¨¤s suas costas. Seus olhos ca¨ªram novamente na foto do Ironia Divina, e sentiu certa resigna??o por ter que se despedir, ao menos temporariamente, de sua pequena companheira. ¡°Te desejo uma boa sorte, L¨²cia. Espero que nos reencontremos algum dia¡±, pensou, esperando que a menina que lutou tanto para sair do abismo estivesse segura nesse mundo desconhecido. "Mate-os" A palavra ecoou em sua mente de repente, uma presen?a imponente que n?o aceitaria uma negativa como resposta. ¡°Mate-os. Mate-os. Mate-os¡± O eco voltava incessantemente em sua cabe?a, cada repeti??o martelando mais forte, como uma batida r¨ªtmica que ressoava com o desejo de sangue. Ana sentiu um arrepio gelado percorrer sua espinha, e sua vis?o estreitou-se, focando-se apenas nos dois ¨¤ sua frente. "Mate-os" A voz era irresist¨ªvel, a fazendo sorrir s¨® de pensar na alegria de obedec¨º-la. ¡ª Mate-os¡­ ¡ª sem perceber, a mercen¨¢ria sussurrou as palavras para si mesma, seus l¨¢bios movendo-se em un¨ªssono com a voz da espada. Seu olhar ficou distante e seus m¨²sculos se tensionaram, como uma pantera prestes a saltar sobre a presa. Com um movimento fluido, mas quase mecanico, Ana entrou em posi??o de ataque. Seu corpo se inclinou levemente para frente, os joelhos flexionados, a m?o direita repousando levemente sobre a empunhadura da espada em suas costas. Seus olhos, agora tomados por uma frieza g¨¦lida, fixaram-se nas costas de Eva e Alex, que caminhavam em uma calma conversa, alheios ao perigo iminente. O ar ao redor parecia vibrar com a tens?o crescente, cada segundo que passava esticando-se como uma corda prestes a se romper. A mente de Ana estava em um turbilh?o. Uma parte dela gritava para que parasse, que se controlasse, mas outra j¨¢ podia sentir o prazer da carne sendo cortada. O mantra sinistro que a incitava a ceder ao caos que habitava dentro dela fez suas m?os come?arem a tremer levemente, e uma gota de suor escorreu por sua testa. Eva, ap¨®s ouvir os murm¨²rios da mulher, virou-se para ver o que estava acontecendo, mas seus olhos se arregalaram ao ver a postura amea?adora de Ana e a express?o fria e vazia em seu rosto. Ela engoliu em seco, sua m?o instintivamente indo em dire??o ao arco, mas hesitando ao perceber que estava desarmada. ¡ª Ana... t¨¢ tudo bem? ¡ª Eva chamou, com sua voz tremendo levemente. A palavra da garota ruiva foi como um estranho despertador, fazendo Ana sair momentaneamente de seu transe. Rapidamente fincou a espada no ch?o com um movimento brusco, e em um gesto aparentemente bobo bateu com for?a nas pr¨®prias bochechas, deixando duas grandes marcas na tentativa de se trazer de volta ¨¤ realidade. ¡ª N?o foi nada, s¨® me distrai por um momento ¡ª respondeu ela, for?ando um sorriso que n?o alcan?ava seus olhos. Ela olhou para os dois por um instante, ent?o mordeu os l¨¢bios inferiores, uma mordida que fez um fino fio de sangue come?ar a escorrer. ¡ª Talvez seja melhor irmos comer algo antes da nossa conversa ¡ª sugeriu de repente, desviando o olhar. Sem esperar uma resposta, ela come?ou a caminhar com passos r¨¢pidos, quase correndo. Eva e Alex hesitaram por um momento, trocando olhares preocupados e confusos enquanto assistiam Ana entrar no bosque pr¨®ximo.
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Capítulo 85 - Enganosa Prote??o
A manh? estava calma, mas dentro da guilda, uma tens?o invis¨ªvel pairava no ar. Jasmim estava em seu escrit¨®rio, absorta em mapas estrat¨¦gicos e relat¨®rios de opera??es recentes, todos espalhados sobre uma grande mesa de carvalho, logo ao lado de uma cole??o de penas e tinteiros dispostos de maneira perfeitamente ordenada. O escrit¨®rio era um misto de rusticidade e elegancia, e de certa forma um reflexo de sua personalidade: organizado, eficiente e com um toque de austeridade. As paredes de pedra estavam adornadas com bandeiras da guilda e trof¨¦us de batalhas passadas, cada um contando uma hist¨®ria de vit¨®ria e sacrif¨ªcio. Uma grande janela atr¨¢s de sua mesa permitia que a luz do sol entrasse, lan?ando sombras alongadas que traziam certa calma ao local. A jovem mulher passava as p¨¢ginas lentamente quando uma batida r¨¢pida na porta dispersou sua concentra??o. Ela ergueu os olhos, franzindo a testa ligeiramente, aborrecida pela interrup??o em um momento t?o cr¨ªtico. ¡ª Entre ¡ª disse ela, a voz autorit¨¢ria ecoando no sil¨ºncio do escrit¨®rio. Um jovem membro da guilda, em meados de seus quinze ou dezesseis anos, entrou apressado, parecendo um pouco nervoso e seus olhos evitavam os de Jasmim enquanto se aproximava da mesa. Seu uniforme estava impecavelmente limpo, mas a ansiedade era vis¨ªvel em seu rosto. Ele parou a alguns passos de distancia, fazendo uma rever¨ºncia curta antes de falar. ¡ª Senhora Jasmim, algu¨¦m est¨¢ aqui para v¨º-la. ¡ª Quem ¨¦? ¡ª perguntou a l¨ªder desta se??o da guilda, voltando sua aten??o completamente para o jovem. A irrita??o anterior foi substitu¨ªda por uma curiosidade cautelosa. ¡ª Uma garota, L¨²cia, se n?o me engano. Ela est¨¢ acompanhada de uma criatura de mana ¡ª respondeu o membro da guilda, hesitando por um momento antes de continuar. ¡ª Pelo que nos disse, Ana pediu para procur¨¢-la. O nome de sua irm? foi como um soco no est?mago de Jasmim, fazendo o ambiente no escrit¨®rio ficar sutilmente tenso. Ela sentiu um calafrio percorrer sua espinha, e por um momento, seu semblante endureceu, refletindo a tempestade de emo??es que borbulhava sob a superf¨ªcie. Seu cora??o acelerou, mas seu rosto manteve uma m¨¢scara de calma, apesar de ter escurecido momentaneamente. Os l¨¢bios se comprimiam em uma linha fina, mas logo se transformaram em um sorriso estranho e gentil, uma m¨¢scara de falsa tranquilidade. ¡ª Mande ela entrar. O jovem assentiu e saiu apressado, deixando a porta entreaberta. Jasmim respirou fundo, tentando controlar as emo??es conflitantes que a assolavam. Ela se levantou e caminhou at¨¦ a lareira, onde ajustou um tronco e iniciou o fogo, fazendo chamas dan?arem alto. A a??o parecia n?o ter sentido, mas queria de alguma forma mascarar o frio que sentia por dentro. Quando a porta se abriu novamente, a crian?a entrou timidamente, com o enorme animal ao seu lado, mal passando pela grande abertura. Os guardas inicialmente n?o queriam permitir que ele fosse junto, mas cederam frente ¨¤ forte insist¨ºncia da garota para que o lobo permanecesse ao seu lado, deixando claro que a fera era sua fam¨ªlia. Ela parecia cansada e um pouco desorientada, mas seus olhos mostravam determina??o. ¡ª Voc¨º ¨¦ L¨²cia, certo? ¡ª perguntou Jasmim, mantendo o sorriso gentil. ¡ª Sente-se, por favor. Vamos conversar. L¨²cia assentiu, sentindo-se ligeiramente mais ¨¤ vontade, mas ainda cautelosa. Ela se sentou na cadeira em frente ¨¤ mesa da ca?adora, enquanto o lobo se deitava ao lado, observando tudo com aten??o. A madeira da cadeira estranhamente rangeu sob o peso da menina, e o ambiente pareceu fechar-se em torno delas, criando uma bolha de tens?o e expectativa.This tale has been pilfered from Royal Road. 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As l¨¢grimas finalmente come?aram a escorrer, e a garota limpou-as com as mangas continuamente. Os olhos de Jasmim se fixaram nela, analisando cada palavra e express?o. Por um instante, o ambiente ficou em um pesado sil¨ºncio, com apenas o som ocasional do lobo movendo-se sobre o tapete para demonstrar que o tempo ainda estava passando. ¡°Realmente ¨¦ apenas uma coincid¨ºncia essa jovem estar aqui?¡±, pensou Jasmim, enquanto ouvia atentamente, tamborilando os dedos na mesa, mas sem responder. Ap¨®s um curto suspiro, se levantou novamente, caminhando at¨¦ a janela do recinto, vendo os integrantes da guilda acertarem espantalhos com espadas de madeira no p¨¢tio abaixo. Ela permaneceu em sil¨ºncio por alguns momentos, ponderando sobre a situa??o. Uma grande nuvem cobriu o sol nesse instante, fazendo o c¨¦u ser tingido de um laranja suave, refletindo nas ruas molhadas pelo orvalho da noite anterior. ¡ª Me diga, L¨²cia, voc¨º ¨¦ uma humana pura? ¡ª Eu n?o sei o que ¨¦ isso ¡ª resmungou a garota, emburrada e confusa. ¡ª Humanos puros s?o aqueles que n?o foram alterados pela mana. ¡ª explicou Jasmim, sua voz calma mas carregada de intensidade, sem desviar o olhar da janela. ¡ª Muitas pessoas foram corrompidas, mutadas pela exposi??o prolongada ¨¤ mana. Quero saber se voc¨º ou sua fam¨ªlia t¨ºm alguma liga??o com essas aberra??es. ¡ª Eu sou... normal, eu acho ¡ª L¨²cia balan?ou a cabe?a lentamente, ainda processando a pergunta. O lobo ao seu lado soltou um baixo rosnado, como se percebesse a tens?o crescente. Jasmim assentiu, seu olhar se suavizando ligeiramente, mas a dureza ainda permanecia. ¡ª Entendo. Isso ¨¦ bom¡­ Muito bem, vamos fazer o seguinte ¡ª disse a ca?adora. ¡ª Voc¨º e seu lobo ficar?o aqui esta noite. Amanh?, come?aremos a planejar como ajudar Ana. ¡ª Obrigada, Jasmim ¡ª murmurou L¨²cia, aliviada por encontrar apoio, mas algo na forma de falar de Jasmim a deixou desconfort¨¢vel. A mulher se virou lentamente, dando mais uma olhada penetrante nos dois convidados inesperados, e ent?o deu duas pequenas batidas em uma pequena sineta sobre a mesa, a qual emitia um leve brilho rosado. Nenhum som foi emitido, mas em poucos segundos dois jovens escudeiros, sendo um deles o que trouxe L¨²cia para o escrit¨®rio anteriormente, apareceram em frente ¨¤ porta. ¡ª Voc¨º, leve os dois para um quarto confort¨¢vel. E certifique-se de que tenham tudo o que precisam ¡ª ordenou Jasmim, voltando-se para a L¨²cia. ¡ª N?o se preocupe, garota. Encontraremos Ana. Com essas palavras, a menina seguiu o garoto para fora, sem cerim?nia adicional. No escrit¨®rio, Jasmim permaneceu pensativa, olhando para o fogo na lareira, ainda com um estranho frio enquanto pensava na irm?. O outro escudeiro, aguardando suas ordens, observava a l¨ªder com admira??o, mas tamb¨¦m certo inc?modo. ¡ª Senhora Jasmim, com todo o respeito, isso ¨¦ certo? ¡ª perguntou o jovem, hesitante. ¡ª Ela est¨¢ em liga??o com uma sombra¡­ n?o dever¨ªamos prend¨º-la? Jasmim lan?ou um olhar feroz para o escudeiro, e sua voz saiu firme e autorit¨¢ria. ¡ª N?o comente sobre isso. ¡ª Sim, senhora ¡ª respondeu o escudeiro, engolindo em seco, ao sentir uma forte inten??o de matar em sua dire??o ¡ª Avise Henrique que teremos uma nova integrante treinando com os novatos amanh? ¡ª disse ela, com um olhar determinado. ¡ª Parece que tivemos uma sorte inesperada dessa vez.
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Capítulo 86 - Sombras da Guerra
O sol entrava pelo buraco no teto destru¨ªdo, iluminando o ambiente peculiar onde tr¨ºs pessoas estavam largadas pelo ch?o. A luz do amanhecer desenhava sombras longas e irregulares pelas paredes de madeira, misturando-se com o p¨® que flutuava no ar. A cabana, embora velha e desgastada, ainda tinha um ar de ref¨²gio para os tr¨ºs habitantes tempor¨¢rios. Ana, agora com um pouco de mana recuperada atrav¨¦s da ca?a de pequenas criaturas, conseguia manter a raz?o, apesar de seus pensamentos ainda se desorganizar com facilidade. A mercen¨¢ria estava pendurada no teto destru¨ªdo, lendo um livro com diversos padr?es estranhos em sua capa. Seus olhos percorriam as p¨¢ginas com um olhar entediado, molhando a ponta do dedo para passar cada folha. O livro era espesso e pesado, repleto de runas e ilustra??es detalhadas que um dia haviam sido misteriosas e fascinantes, mas agora pareciam desprovidas de qualquer novidade. Eva, a jovem ruiva, estava sentada perto de uma janela quebrada, brincando com uma flecha. Ela girava o objeto nos dedos com uma habilidade que vinha da pr¨¢tica constante, mas seu olhar estava perdido, como se a mente vagasse longe dali. O brilho met¨¢lico da ponta da flecha refletia os raios de sol, criando pequenos pontos de luz que dan?avam nas paredes desgastadas. Alex, por outro lado, estava ocupado martelando algumas t¨¢buas, tentando montar uma nova mesa. Seu trabalho era meticuloso, e cada golpe do martelo ecoava pela cabana, misturando-se com os sons suaves da natureza do lado de fora. Ele terminou a constru??o, limpando um suor falso da testa e jogando o martelo de lado com um suspiro exagerado. ¡ª Essa vingan?a est¨¢ incr¨ªvel ¡ª sussurrou o homem, sarcasticamente, encarando as duas garotas que pareciam alheias ao mundo. ¡ª Voc¨º sabe onde a Natalya est¨¢? ¡ª perguntou Eva, levantando a vis?o da flecha com uma express?o curiosa e pregui?osa. ¡ª Ah, ¨¦... ¡ª respondeu Alex com uma express?o pensativa. Logo se jogou no sof¨¢, tamb¨¦m entediado, cruzando os bra?os atr¨¢s da cabe?a. A garota girou os olhos e voltou a brincar com a flecha, suspirando de leve. De repente a vis?o de Alex vagou at¨¦ a espada negra de Ana, encostada na parede. ¡ª Essa faca ter virado uma espada longa me faz sentir velho, parece um filho indo pra fase adulta. O que vai fazer se ela n?o parar de crescer? ¡ª Se ficar maior que uma Zweih?nder, vou simplesmente jogar no lixo ¡ª respondeu Ana, cada palavra saindo como um leve cantarolar, sem parar sua leitura. ¡ª Quanto ¨¦ isso? ¡ª Alex perguntou, franzindo a testa. ¡ª Por volta de um metro e oitenta. Com um baque repentino, Ana fechou o livro e despencou do teto, atingindo pesadamente o ch?o. Ela girou os bra?os para esticar as costas, sentindo um ardor vindo das feridas semi fechadas que bateram no piso de madeira. Com um salto, se p?s de p¨¦. ¡ª Como vai usar uma arma maior que si mesma? ¡ª ele continuou, a express?o c¨¦tica. Ana deu de ombros, um meio sorriso brincando em seus l¨¢bios. ¡ª Eu me viro bem ¡ª murmurou, dando uma volta ao redor de si mesma como se tal a??o exemplificasse sua fala. Nesse instante, ela olhou para o lugar no teto em que a espada ficou presa na luta do dia anterior, lembrando-se do embate. ¡ª Apesar de que precisarei de uma arma menor para quando precisar sair no soco novamente ¡ª murmurou para si mesma, antes de direcionar a fala para Eva. ¡ª Gostaria de dar uma olhada no seu arco tamb¨¦m. Por incr¨ªvel que pare?a tive certa inspira??o nesse livro r¨²nico meia boca. Eva levantou a sobrancelha, surpresa com o pedido. ¡ª Tem certeza? N?o ¨¦ uma arma comum¡­ ¡ª Absoluta! N?o aguento mais ficar parada. A garota respirou fundo, um pouco hesitante, mas ent?o sorriu. ¡ª Claro, posso mostrar pra voc¨º. Se esticando para o lado, pegou o arco que estava no piso ao seu lado, entregando-o para Ana, que o recebeu com um olhar atento e ansioso. A mercen¨¢ria deu pequenos saltos de anima??o e come?ou a examin¨¢-lo, abrindo e fechando o mecanismo algumas vezes, ouvindo o som suave das dobradi?as e engrenagens se movendo. A precis?o da constru??o era not¨¢vel, cada pe?a encaixava-se perfeitamente, demonstrando uma engenharia refinada.This text was taken from Royal Road. Help the author by reading the original version there. ¡ª Qual o tamanho das flechas que voc¨º usa? ¡ª perguntou, enquanto ainda manipulava a arma bem pr¨®ximo de seus olhos. ¡ª Normalmente, cerca de 80 cent¨ªmetros ¡ª respondeu Eva, observando atentamente os movimentos de Ana. ¡ª Mas em certas situa??es algumas um pouco maiores. A mulher assentiu, compreendendo melhor as especifica??es da arma. Ela jogou o arco no sof¨¢ e correu para pegar uma folha de papel e uma caneta na estante, come?ando a anotar v¨¢rios itens de forma bagun?ada enquanto sussurrava c¨¢lculos para si mesma. Seus olhos se estreitaram enquanto escrevia, concentrada em cada detalhe. A lista inclu¨ªa desde materiais pesados, pe?as mecanicas, componentes eletr?nicos, at¨¦ partes de monstros. ¡ª Vamos precisar disso tudo ¡ª disse Ana, entregando o papel para Eva. ¡ª E tamb¨¦m de um notebook! ¡ª A maioria das coisas podemos encontrar no mercado atual da cidade. Um ou dois dias devem ser o suficiente para conseguir tudo ¡ª Eva analisou a lista, seu olhar correndo pelos itens mencionados um a um, tentando entender as letras tortas e palavras sobrescritas. ¡ª S¨® tem um por¨¦m, as partes de monstros est?o em falta devido ¨¤ guerra¡­ Ana franziu a testa, lembrando-se das defesas anormalmente pesadas que viu nas muralhas quando chegou na cidade. ¡ª Por causa da¡­ guerra? Eva suspirou, colocando o arco de volta no ch?o. ¡ª Sim, as partes de monstros s?o usadas para criar armas e equipamentos, e a demanda aumentou exponencialmente. ¡ª Isso d¨¢ pra entender, mas est¨¢ tendo uma guerra? Em Barueri? ¡ª Ana perguntou em um tom que parecia duvidar um pouco do que ouvia. Eva olhou para Ana com uma express?o de confus?o, mas logo compreendeu a situa??o. ¡ª Esqueci que voc¨º esteve fora nos ¨²ltimos anos. As coisas mudaram drasticamente. ¡ª O que exatamente aconteceu? ¡ª Bem, foi algo estranho e repentino ¡ª come?ou a ruiva, suspirando. ¡ª Em muitos lugares, os monstros come?aram a ficar mais inteligentes, formando pequenas aldeias. Isso, somado ¨¤ falta de comunica??o de longa distancia, fez com que as cidades finalmente se tornassem reinos independentes que protegiam apenas a si pr¨®prias. E a partir da¨ª, foi s¨® ladeira abaixo, tudo virou uma bagun?a. ¡ª A humanidade come?ou a mudar ¡ª acrescentou Alex. ¡ª Pelos estudos feitos at¨¦ agora, ¨¦ um tipo de adapta??o com base no local de moradia e no estilo de vida. Foi uma mudan?a brusca, com os corpos de popula??es inteiras se modificando ao longo de poucos meses. S?o chamados de novos humanos, mas o problema ¨¦ que muitos deles se acham um tipo de esp¨¦cie superior. ¡ª Isso tem algo a ver com esse papo de ¡°puros¡± que ouvi ao chegar aqui? ¡ª Sim, ¨¦ exatamente isso. Sem surpresa, surgiu um certo preconceito entre as ra?as ¡ª continuou Eva, a voz ficando mais sombria. ¡ª Pelo que soube, a maioria dos locais ainda ¨¦ dominado pela humanidade sem muta??es, mas nos arredores, Barueri ¨¦ a ¨²nica cidade intacta. O problema ¨¦ que as pessoas daqui est?o criando uma ideologia bizarra, chamando a si mesmos de puros e qualquer variante humana de aberra??o. Nem todo mundo ¨¦ sem no??o assim, mas t¨¢ tomando propor??es assustadoras. ¡ª ¨¦ o esperado em um mundo de pessoas fodidas¡­ de que tipo de muta??es estamos falando? ¡ª Ana perguntou, cada vez mais curiosa. Os problemas n?o importavam para ela, afinal, n?o estavam relacionados aos seus objetivos, mas uma fagulha de esperan?a come?ou a crescer dentro dela, uma esperan?a de que a maldita mana permitisse que seus sonhos laboratoriais passados finalmente pudessem dar um passo al¨¦m do que a natureza do antigo mundo permitia. ¡ª Hmmmm, dif¨ªcil dizer. Em Carapicu¨ªba, por exemplo, a ¨ªngreme e ¨¢rida paisagem fez com que as pessoas ganhassem caracter¨ªsticas de r¨¦pteis. Algumas pessoas at¨¦ mesmo t¨ºm grandes e poderosas caudas. J¨¢ em v¨¢rias vilas isoladas, as varia??es s?o mais assustadoras, com pessoas ganhando tra?os rochosos que se misturam ¨¤s paisagens ou come?ando a andar como animais quadr¨²pedes. ¡ª Bingo! ¡ª O que? ¡ª Oh, n?o ¨¦ nada, n?o ligue muito pra mim ¡ª respondeu Ana, com um profundo sorriso, para a confusa Eva. ¡ª Pela aparente paz que vi nas ruas, suponho que a guerra seja dividida em conflitos isolados, certo? ¡ª Certo, hoje em dia ¨¦ dif¨ªcil para n¨®s sabermos em que p¨¦ isso est¨¢, as batalhas ficam do lado de fora e s?o controladas pelas guildas, mas ainda assim a vigilancia ¨¦ firme nas muralhas. Muitas pessoas morreram no ¨²ltimo ano com os ataques surpresa de outras cidades ¡ª disse Alex, a tristeza evidente em sua voz. Ana ficou em sil¨ºncio, processando tudo o que ouviu. ¡ª Bom, ent?o n?o vai ter jeito. Pode trazer apenas os outros materiais, eu me viro. ¡ª Eu disse que ¨¦ dif¨ªcil, mas n?o imposs¨ªvel¡­ Podemos tentar negociar com alguns ca?adores independentes. Eles costumam ter estoques pr¨®prios, mas vai custar caro ¡ª respondeu a jovem, pensativa. Alex, que estava ouvindo a conversa de longe, levantou-se do sof¨¢ e se aproximou. ¡ª Dinheiro n?o deve ser um problema. Temos nossas reservas e podemos encontrar uma forma de conseguir mais. ¡ª Ent?o vou fazer o poss¨ªvel para conseguir o que precisamos ¡ª comentou Eva, com uma forte determina??o em sua voz. ¡ª Obrigada, deixarei isso em suas m?os ¡ª respondeu Ana, pegando sua espada negra e saltitando em dire??o aos fundos. ¡ª Enquanto isso, vou preparar a forja.
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Capítulo 87 - Crisálida de A?o
Eva finalmente retornou, carregando uma bolsa cheia de materiais. Seu rosto estava suado e cansado, mas havia um brilho de triunfo em seus olhos. ¡ª Consegui. N?o foi f¨¢cil, mas os ca?adores concordaram em nos vender algumas partes. Isso deve ser suficiente para come?ar ¡ª disse ela, colocando a bolsa sobre a mesa. Ana a pegou, examinando os itens com um olhar cr¨ªtico. Circuitos eletr?nicos, uma pequena variedade de metais e diversas partes de monstros estavam agora ¨¤ disposi??o. Garras, couro, ossos, tend?es, tudo o que poderia ser aproveitado foi recolhido. A mulher tamb¨¦m notou o notebook que Eva havia trazido. ¡ª Excelente trabalho ¡ª comentou a mercen¨¢ria, espalhando-os pela mesa. ¡ª Infelizmente ¨¦ como pensei, o m¨¢ximo que conseguiremos trabalhar s?o restos de monstros de rank C¡­ n?o s?o t?o ¨²teis assim, mas vai dar pro gasto ¡ª murmurou Ana, analisando os materiais. ¡ª Vai demorar um pouco ¡ª disse ela, olhando para Alex e Eva que estavam sentados ao redor, observando cada movimento seu. ¡ª Talvez seja melhor voc¨ºs fazerem outra coisa. ¡ª Vamos ficar aqui mesmo ¡ª respondeu Alex, cruzando os bra?os. ¡ª Eu tamb¨¦m quero ver ¡ª acrescentou Eva, os olhos brilhando de curiosidade. Ana deu de ombros e come?ou a trabalhar. Decidiu come?ar pelo arco, pegando a arma e inspecionando-a minuciosamente. Come?ou a desmontar cada pe?a, tomando cuidado para n?o danificar os componentes delicados. Seu olhar atento notava cada detalhe, falha que poderia ser corrigida e potencial de melhoria. Cada pe?a que ela removia era colocada com cuidado ao lado, criando uma esp¨¦cie de mapa mental de onde cada componente pertencia. ¡°¨¦ complexo, mas a qualidade de seus materiais n?o ¨¦ excepcional¡±. O primeiro passo foi o ajuste da base do arco, que consistia em uma estrutura de metal e madeira entrela?ada. A madeira era flex¨ªvel, mas resistente, enquanto o metal fornecia a for?a necess¨¢ria para aguentar a tens?o. Ela puxou a corda com for?a para tr¨¢s, simulando o movimento de disparo, e notou que sua resist¨ºncia n?o era adequada para um ca?ador adulto. Utilizando tend?es, ela substituiu as cordas antigas, percebendo que, seja l¨¢ de onde tenham vindo, tinham propriedades el¨¢sticas superiores ao que estava sendo usado. A forja improvisada na cabana foi acionada. O calor come?ou a aumentar, e o som do metal esquentando ecoou pelo ambiente. Ana colocou pequenas placas de a?o na forja, deixando-as aquecer at¨¦ ficarem incandescentes. Usando pin?as, retirou-as e come?ou a mold¨¢-las, criando suportes que se ajustavam perfeitamente ¨¤ estrutura do arco. Esses suportes n?o s¨® fortaleceriam a arma, mas tamb¨¦m serviriam como condutores para as runas que planejava integrar. Enquanto os suportes esfriavam, Ana voltou sua aten??o para os componentes eletr?nicos. Ela conectou pequenos circuitos em paralelo, soldando-os com precis?o. A solda derretia e se solidificava rapidamente, e as fa¨ªscas brilhavam na escurid?o crescente da cabana, com o cheiro de metal queimado permeando o ar. O notebook foi ligado nesse instante, e as linhas de c¨®digo flu¨ªam pela tela, cada comando inserido com precis?o para garantir a funcionalidade desejada. As horas se passaram em uma repeti??o de ajustes nos componentes, codificando e testando cada conex?o. O processo era meticuloso e exigia uma concentra??o intensa. Ana estava totalmente imersa em sua tarefa, seus pensamentos focados na cria??o do sistema perfeito. Alex e Eva, apesar de inicialmente entusiasmados, come?aram a sentir o peso do cansa?o. Alex se recostou contra a parede, os olhos semicerrados, e Eva, ap¨®s um tempo observando silenciosamente, deitou a cabe?a sobre os bra?os cruzados na mesa. Ana olhou para eles por um momento, um sorriso suave surgindo em seu rosto. Com a parte el¨¦trica finalizada, Ana integrou os suportes de a?o na estrutura do arco. O encaixe foi perfeito, as placas met¨¢licas se fundindo com a madeira e o metal original. Ela conectou os circuitos programados aos suportes, garantindo que ficassem devidamente protegidos e, ao mesmo tempo, permitissem que a mana flu¨ªsse diretamente pelas runas. O sistema estava tomando forma, mas ainda havia mais a ser feito. Ana pegou um punhado das garras que Eva havia trazido. Haviam de todos os tamanhos e formas, vindas dos mais variados monstros, mas todas conhecidas por sua capacidade de conduzir mana de maneira excepcional, visto serem continuamente fortalecidas para uso na ca?a por seus portadores originais. Usando ferramentas finas, ela come?ou a esculpir pequenas pe?as dessas garras, criando conectores que seriam usados para ligar os circuitos ¨¤s runas. Esses conectores foram colocados nos pontos estrat¨¦gicos do arco, onde a energia m¨¢gica precisava ser mais forte. ¡ª Est¨¢ feito ¡ª murmurou, observando sua obra com uma express?o de satisfa??o. Com um movimento relaxado, pegou uma flecha e a encaixou na corda do arco. Ao liberar um pequeno fio de sua mana, as runas ao longo da lateral come?aram a brilhar de forma suave, sinalizando que o sistema estava funcionando perfeitamente. Cinco luzes de diferentes cores surgiram pr¨®ximas ¨¤ empunhadura. Ana deslizou um dedo, escolhendo um brilho azulado intenso. O arco emitiu um rangido estranho, e duas agulhas afiadas surgiram, as quais come?aram a riscar rapidamente a ponta da flecha, desenhando runas em tempo real, imbuindo o item com uma intensa energia. Ana observou com aten??o, verificando cada detalhe do processo. O mecanismo estava perfeitamente ajustado, cada runa gravada com precis?o, cada componente funcionando em harmonia. ¡ª Ela vai ter que manter o pulso firme, qualquer movimento vai estragar as linhas¡­ ¡ª sussurrou para si mesma, notando que nem tudo estava perfeito. ¡ª Para uma primeira vers?o, est¨¢ ¨®timo, Eva deve conseguir se virar. O arco, agora aprimorado, n?o s¨® aumentava o poder das flechas, mas tamb¨¦m permitia a Eva adaptar seus ataques conforme a necessidade. Diferentes tipos de runas simples estavam pr¨¦-programadas para serem gravadas, mas a mercen¨¢ria esperava poder expandir este limite algum dia. Satisfeita, Ana abaixou o arco, preparando-se para cessar o envio de mana, por¨¦m n?o conseguiu conter sua curiosidade. Dando de ombros, apontou para uma parede vazia da forja, soltando a flecha que voou elegantemente. O disparo atingiu a parede com um som alto, mas seco, deixando um rastro congelado em seu caminho. Ana sorriu, satisfeita com o resultado. Alex e Eva acordaram de seu sono com um susto, e logo sentiram um arrepio quando o gelo come?ou a se formar no local onde a flecha se cravou, mesmo com a forja acesa, criando um contraste intrigante entre o calor e o frio.Stolen novel; please report. A garota ruiva olhou para Ana com os olhos arregalados, ainda meio sonolenta e tentando entender o que havia acontecido. A mercen¨¢ria, vendo a curiosidade estampada no rosto da jovem, jogou o arco para ela. ¡ª Vai l¨¢ fora testar isso. Eva, animada, pegou o arco e correu para fora da cabana sem nem mesmo responder, com Alex se preparando para seguir logo atr¨¢s, curioso para ver o resultado do trabalho. No entanto, a mercen¨¢ria o parou com um gesto. ¡ª N?o, voc¨º fica. ¨¦ hora de vermos o que precisa ¡ª disse ela, com uma express?o s¨¦ria. ¡ª N?o quero, Ana. Armaduras de rank C n?o v?o me ajudar na vingan?a, e minhas luvas ainda est?o boas. S¨® preciso ach¨¢-las no meio dessa bagun?a ¡ª respondeu o homem, hesitante, enquanto co?ava a cabe?a. ¡ª Tudo bem, ent?o ¡ª Ana suspirou, reconhecendo a teimosia do amigo, mas respeitando sua decis?o. ¡ª Agora vamos ver o que posso fazer por mim¡­ A primeira coisa que pensou na decis?o de suas novas armas curtas foram adagas. Mas refletiu que, em espa?os apertados, ainda poderiam ser limitantes. Seus olhos se voltaram para os hematomas no rosto de Alex, quase curados, mas ainda vis¨ªveis. Uma ideia come?ou a se formar em sua mente enquanto come?ava a encarar seus punhos. ¡ª Talvez o ideal seja voltar para o b¨¢sico ¡ª murmurou para si mesma, enquanto visualizava os movimentos que poderia executar com mais liberdade. Esticando o bra?o, Ana puxou para perto o couro de algum tipo de r¨¦ptil. Era duro, mas suficientemente flex¨ªvel. Com uma faca rec¨¦m afiada, cortou-o em tiras, moldando-as cuidadosamente para se ajustarem ao formato de suas pernas e bra?os. Usou uma agulha grossa e resistente, feita com algumas garras que sobraram, para costur¨¢-las, criando uma base s¨®lida para os equipamentos. ¡ª Eles deveriam ter classificado essas partes ¡ª resmungou, olhando para dois ossos de tamanhos diferentes e tentando decidir qual deles usaria. Ap¨®s alguns segundos, escolheu o da direita, come?ando a part¨ª-lo em pequenas partes. As joelheiras foram as primeiras a serem finalizadas. Ana inseriu os peda?os de ossos entre as camadas de couro, proporcionando uma prote??o extra sem comprometer a mobilidade. Por¨¦m, para aumentar a resist¨ºncia mantendo a condu??o de mana, cobriu-os com titanio, o metal mais resistente que tinha em m?os. Cada pe?a foi ajustada meticulosamente, garantindo que n?o haveria pontos de press?o desconfort¨¢veis durante o uso. Depois, passou para as cotoveleiras. O processo foi similar, mas foram inclu¨ªdas laminas que acompanhavam o contorno de seu bra?o nas bordas, permitindo que pudessem ser usadas tanto para defesa quanto para ataque. Os ossos afiados, agora tamb¨¦m revestidos em titanio, foram polidos, brilhando ¨¤ luz da forja enquanto eram integrados ao couro. As luvas foram mais complicadas. Ana sabia que precisariam de um equil¨ªbrio perfeito entre flexibilidade e resist¨ºncia. Utilizou os tend?es que sobraram para criar uma rede interna el¨¢stica o suficiente para proporcionar suporte aos movimentos dos dedos. Refor?ou as costas das luvas com placas de osso metalizado, garantindo que poderiam aguentar impactos fortes. Por fim, trabalhou nas botas. Sobrava pouco couro, sendo o suficiente apenas para uma bota que chegava at¨¦ o meio de sua panturrilha. Placas foram inseridas ao longo das laterais para prote??o adicional. Nos calcanhares, colocou pequenas pontas, afiadas o suficiente para serem usadas em ataques r¨¢pidos e furtivos, e em seu bico uma pesada ponta de metal, fornecendo um peso e prote??o extras para seus ataques. Cada bota foi ajustada para se encaixar perfeitamente, garantindo que n?o houvesse folgas que pudessem comprometer o equil¨ªbrio. Com tudo feito, come?ou a imbuir cada pe?a com finas runas de condensa??o, tendo o intuito de endurecer os componentes, evitando que se quebrassem em meio ao combate. Havia pensado inicialmente em seguir uma estrat¨¦gia de m¨²ltiplas runas como a feita no arco, mas o pouco espa?o dispon¨ªvel fez com que rapidamente descartasse a ideia. As horas passaram, e o sol come?ou a se p?r, tingindo o c¨¦u de laranja e vermelho. Ana continuava focada, ajustando os ¨²ltimos detalhes dos equipamentos. ¡ª Vou precisar refaz¨º-las com materiais melhores no futuro, mas est?o boas o suficiente por agora ¡ª murmurou a mulher, abrindo e fechando as m?os e sentindo a resist¨ºncia do novo equipamento. Ela se movimentou pela cabana, sentindo cada pe?a de armadura se ajustar ao seu corpo. Saltou e girou, golpeou o ar, testando a resist¨ºncia e a flexibilidade do equipamento. N?o foi seu melhor trabalho, mas era mais do que adequado para uma arma secund¨¢ria. Eva e Alex, que haviam voltado para a cabana depois de testar o arco, observaram os itens finalizados com admira??o, mas os l¨¢bios do guerreiro estavam tremendo, n?o conseguindo segurar a risada. ¡ª Voc¨º est¨¢¡­ linda ¡ª brincou ele, com ar escapando pelos cantos de sua boca enquanto seus olhos passavam pelas diferentes cores e texturas do novo equipamento. ¡ª Quieto¡­ a culpa n?o ¨¦ minha se n?o deram materiais de um monstro s¨®¡­ ¡ª respondeu Ana, revirando os olhos. Mas, apesar do coment¨¢rio, havia um brilho de satisfa??o em seu olhar. De repente, o som de batidas fortes foi ouvido na porta, interrompendo a conversa dos tr¨ºs. Eles se entreolharam, confusos com quem poderia ser, mas antes que pudessem falar qualquer coisa as batidas se intensificaram, soando mais urgentes. ¡ª Vou atender ¡ª disse Eva, caminhando at¨¦ a porta e tentando parecer despreocupada. Quando abriu, encontrou um grupo de dez guardas. Seus rostos eram s¨¦rios, e a tens?o no ar era palp¨¢vel. ¡ª Recebemos relatos de que viram uma mulher voando nos arredores ¡ª disse um dos homens, a voz firme. ¡ª Estamos verificando as casas da regi?o. ¡ª N?o vi nada assim por aqui. Moro sozinha com meu irm?o doente ¡ª disse Eva, com um sorriso inocente enquanto apontava para Alex, que estava no sof¨¢, parecendo ainda mais desarrumado que o normal. ¡ª Pe?o que saia da frente, isso ¨¦ seguran?a p¨²blica ¡ª pouco convencido, o guarda empurrou a garota ruiva para o lado bruscamente e todos entraram na cabana, examinando cada detalhe. Seus olhares logo se fixaram no buraco no teto. ¡ª O que aconteceu aqui? ¡ª Ah, isso? Foi... um acidente. Tentamos consertar, mas n?o tivemos muito sucesso. Nesse instante, uma das guardas notou tr¨ºs pratos e copos usados na mesa e franziu a testa. ¡ª Voc¨º disse que mora sozinha com seu irm?o. Quem usou o terceiro prato? ¡ª Eu... bem... eu¡­ ¡ª Eva gaguejou, incapaz de pensar em uma resposta r¨¢pida. Desconfiados, os intrusos come?aram a sacar suas armas, avan?ando em dire??o a ela. ¡ª E l¨¢ vamos n¨®s de novo ¡ª suspirou Ana, vendo que a situa??o estava prestes a se tornar violenta. Com movimentos r¨¢pidos, saiu do quarto, j¨¢ pronta para lutar. Estranhamente, antes que seu soco chegasse ao primeiro inimigo, todos os guardas pararam de se mover. Suas express?es ficaram p¨¢lidas, e come?aram a balan?ar no mesmo lugar com os olhos enevoados. ¡ª Eu sabia... eu sabia... n?o tinha como algu¨¦m como voc¨º estar morta. Uma voz come?ou a ser ouvida na parte de tr¨¢s do grupo, e um manipulador se aproximou com passos lentos. Ele pegou uma adaga comum de sua cintura e, se aproximando de um de seus companheiros, deu uma r¨¢pida estocada, perfurando precisamente o est?mago do homem. ¡ª Eu sabia! Eu sabia! Eu sabia! ¡ª a cada repeti??o da frase, uma nova facada era dada em outra pessoa. Os guardas esfaqueados ficaram parados, sangrando at¨¦ perderem as for?as e ca¨ªrem no ch?o. O grupo de Ana assistiu, perplexo, quando todos os nove pararam de respirar, restando apenas o manipulador, com a arma pingando sangue. Ele olhou para Ana, os olhos brilhando de uma obsess?o insana. ¡ª Eu sabia que voc¨º n?o estava morta ¡ª disse ele, soltando a faca e puxando uma varinha. Apontou para Ana, sua voz carregada de determina??o. ¡ª Dessa vez, eu vou conseguir.
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Capítulo 88 - Vértices da Obsess?o
O manipulador, com um brilho insano nos olhos, segurava a varinha com uma determina??o assustadora. A tens?o no ar era palp¨¢vel, e Alex, percebendo o estranho giro da m?o do homem, gritou para os outros, sua voz cheia de urg¨ºncia. ¡ª ¨¦ um manipulador mental! Parem ele antes que fa?a o que quer! Imediatamente, ele se lan?ou para a frente, suas pernas movendo-se rapidamente enquanto seu punho se fechava em dire??o ao estranho. Cada m¨²sculo em seu corpo se contraiu, pronto para a colis?o. No entanto, quando estava prestes a acertar o golpe, o homem parou, como se uma for?a invis¨ªvel o tivesse congelado no lugar, assim como os outros guardas. A perplexidade tomou conta de todos. Os olhos de Eva se arregalaram e sua m?o segurando a flecha tremeu. Ana inclinou a cabe?a, seus olhos estreitando-se enquanto observava a estranha cena diante dela. O manipulador estava parado em uma posi??o teatral, a varinha ainda erguida em dire??o a ela, mas sem emitir qualquer feiti?o ou a??o. A mercen¨¢ria se aproximou lentamente, uma sensa??o de reconhecimento surgindo em sua mente. Lembrou-se de mem¨®rias de um evento distante, logo depois de se tornar mercen¨¢ria, quando enfrentou uma situa??o similar. As palavras do homem, a express?o estranha, tudo parecia se repetir da mesma maneira vergonhosa. ¡ª De novo esse cara¡­ ¡ª resmungou, franzindo a testa.. Sem hesitar, Ana se aproximou e, com um movimento r¨¢pido, pegou a varinha de sua m?o, observando-a por um breve momento antes de quebr¨¢-la com um estalo. Os peda?os da varinha ca¨ªram no ch?o, ecoando suavemente na cabana. O manipulador n?o reagiu, seu rosto mantinha uma serenidade vazia, como se sua mente estivesse em outro lugar. ¡ª Bom¡­ imagino que seja uma sorte inesperada¡­ ¡ª ela se virou para os outros, sua express?o endurecendo. ¡ª Se eles sabem que estamos aqui, precisamos sair imediatamente. N?o temos tempo a perder. O grupo trocou olhares r¨¢pidos, compreendendo a gravidade da situa??o. O ar ao redor deles parecia mais pesado, como se a amea?a estivesse se fechando rapidamente. Juntando suprimentos, armas e alguns itens principais, sa¨ªram em dire??o ao desconhecido.
¡ª Bravo, Luiz, voc¨º conseguiu! ¡ª exclamou, levantando as m?os em um gesto teatral de celebra??o. ¡ª De todos os lugares que voc¨º poderia acabar, voc¨º escolhe exatamente o mesmo inferno de antes. Parab¨¦ns, g¨ºnio! Ao abrir os olhos, encontrou-se cercado novamente pelas fileiras intermin¨¢veis de gaveteiros de escrit¨®rio, cada um trancado com os mesmos estranhos cadeados pretos. Uma risada amarga e sem humor escapou de seus l¨¢bios ao reconhecer o cen¨¢rio. Ele caminhou at¨¦ o m¨®vel mais pr¨®ximo, sua m?o tr¨ºmula tentando abrir a escura tranca. ¡ª N?o, s¨¦rio, voc¨º ¨¦ realmente um idiota ¡ª zombou de si mesmo, sentindo a desesperan?a crescer dentro de seu corpo. ¡ª Quem, em s? consci¨ºncia, faria isso de novo? Voc¨º, aparentemente. Talvez da pr¨®xima vez consiga aprender a li??o. Ou talvez n?o, porque voc¨º ¨¦ um falho e pat¨¦tico. Unauthorized reproduction: this story has been taken without approval. Report sightings. As palavras ecoaram no vazio, ressaltando a aus¨ºncia de resposta. Luiz correu de um lado para o outro, socando os gaveteiros com os punhos fechados, rindo e chorando ao mesmo tempo, a ironia de sua situa??o esmagando-o. ¡ª Pelo menos est¨¢ mais colorido ¡ª resmungou ele, ofegante, enquanto observava os vitrais multicoloridos que substitu¨ªram o cen¨¢rio mon¨®tono de antes. ¡ª Gabrieeeeel! Gabrieeeeeeel! Com seus gritos desesperados, o anjo surgiu ¨¤ sua frente. Ele estava deitado de bru?os no ch?o, com o corpo completamente estendido e a testa tocando o solo, quase como um cad¨¢ver. O ¨²nico sinal que demonstrava que ainda estava vivo eram suas asas movendo-se lentamente em um ritmo que exalava t¨¦dio. ¡ª Luiz, meu caro, novamente por aqui? ¡ª Me mande embora, por favor! ¡ª Ah, sempre t?o dram¨¢tico. Voc¨º veio de prop¨®sito, lembra? ¡ª respondeu Gabriel, girando no ch?o e cruzando os bra?os. ¡ª Talvez seja a hora de refletir sobre suas escolhas, n?o acha? ¡ª N?o preciso de reflex?o! Preciso sair daqui! ¡ª Sabe, poderia ser interessante se voc¨º assistisse Ana junto comigo por um tempo. ¨¦ uma boa distra??o ¡ª sugeriu o anjo, com um brilho malicioso nos olhos. ¡ª N?o! Eu n?o quero ser um espectador! Gabriel suspirou, balan?ando a cabe?a. ¡ª Ok, ok. Bom, eu j¨¢ fui bondoso o suficiente da ¨²ltima vez, ent?o em alguns anos talvez eu considere a possibilidade de te mandar embora ¡ª disse ele, aparentemente pensativo. ¡ª Senta a¨ª e descansa um pouco. ¡ª Por favor, n?o me deixe no vazio de novo¡­ Gabriel se inclinou, observando-o com uma express?o falsamente emp¨¢tica. ¡ª O vazio ¨¦ uma companhia dif¨ªcil, n?o ¨¦? ¡ª sorrindo, o anjo afundou lentamente no ch?o, desaparecendo. ¡ª Por favor¡­ por favor¡­ ¡ª Luiz murmurou, caindo de joelhos. De repente, Gabriel voltou, suspirando e balan?ando a cabe?a. ¡ª Caralho, voc¨º ¨¦ realmente chato, eu estava s¨® brincando ¡ª comentou o anjo, franzindo a testa. Em um movimento r¨¢pido, estalou os dedos e a realidade ao redor de Luiz come?ou a se desfazer. O manipulador sentiu uma onda de vertigem e, num piscar de olhos, despertou do transe, de volta ao mundo real.
Ana e os outros estavam caminhando pelas ruas desertas da cidade, discutindo sobre o pr¨®ximo passo. A atmosfera era pesada, cheia de incertezas e planos a serem tra?ados. De repente, Luiz surgiu, apressado, com uma express?o de urg¨ºncia. Ana soltou o ar de seus pulm?es, demonstrando impaci¨ºncia. ¡ª J¨¢ estou de saco cheio ¡ª murmurou ela, pronta para ignor¨¢-lo. Luiz levantou as m?os em um gesto de apelo, tentando chamar a aten??o de todos. ¡ª Esperem, s¨® um minuto, por favor! ¡ª disse ele, ajoelhando-se de forma exagerada diante deles. ¡ª Eu... Eu sinto muito por antes¡­ Alex ergueu uma sobrancelha, enquanto Eva, intrigada com a interrup??o da fuga, cruzou os bra?os, esperando por mais detalhes. Luiz engoliu em seco, visivelmente nervoso. ¡ª Sou um dos poucos que consegue fazer manifesta??es mentais, e isso sempre fez eu pensar ser um g¨ºnio.... S¨® te ataquei porque voc¨º feriu meu orgulho anos atr¨¢s, quando me ignorou. Mas, depois de tudo, sua mente ¨¦ fascinante... embora perturbadora ¡ª continuou Luiz, o tom de voz cheio de admira??o e um toque de loucura. Ana ficou perplexa, ainda sem entender o porqu¨º de tanta obsess?o. Para ela, Luiz parecia apenas mais um dos muitos que encontrara ao longo dos anos ¡ª confusos e perdidos em suas pr¨®prias ambi??es. ¡ª Que seja. ¡ª murmurou ela, j¨¢ virando as costas e se preparando para continuar seu caminho, ignorando-o completamente. Desesperado, Luiz se arrastou alguns passos para frente, tentando manter a aten??o do grupo. ¡ª Eu sou um grande f? seu! Nunca vi algu¨¦m como voc¨º! Por favor, me deixe acompanh¨¢-la! ¡ª implorou, enquanto tentava manter o ritmo. Ana apenas continuou caminhando. Ela pensou em n?o responder, mas vendo que o homem a perseguia, soltou um suspiro exasperado. ¡ª N?o quero saber, fa?a o que quiser. ¡ª N?o acho que ¨¦ o ideal termos um mentalista desconhecido na equipe¡­ ¡ª sussurrou a garota ruiva, tentando avisar Ana discretamente. ¡ª Foda-se! Mande-o embora ent?o, eu s¨® n?o quero mais saber ¡ª respondeu a mulher, cansada das aleatoriedades de sua vida. Eva e Alex trocaram olhares, surpresos e um tanto desconcertados com a resposta direta e raivosa de Ana. Luiz, por¨¦m, n?o se abalou. Pelo contr¨¢rio, interpretou a frase como uma aceita??o impl¨ªcita. ¡ª Gracias! ¡ª exclamou, com um grande sorriso aliviado se espalhando por seu rosto. Assim, o grupo seguiu em dire??o aos port?es da cidade, agora com uma nova e peculiar adi??o. Quatro figuras distintas, cada uma com suas motiva??es e passados complicados, deixando para tr¨¢s o caos e a confus?o de um dia longo e tumultuado.
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Capítulo 89 - Puni??o Divina
Ana e Alex riam alto, as vozes ecoando pelas ruas quase desertas, com os bra?os sobre os ombros de Luiz. A noite fria e ¨²mida se fazia presente, mas a leveza do momento aquecia o trio. As luzes dos postes lan?avam sombras alongadas, criando um cen¨¢rio quase on¨ªrico ao redor deles. ¡ª S¨¦rio, ¨¦ realmente ¨²til ter um mentalista no grupo ¡ª disse Ana, tentando recuperar o f?lego. ¡ª Se soubesse como a vida fica mais f¨¢cil, n?o teria reclamado tanto. ¡ª Ele ¨¦ realmente um g¨ºnio! ¡ª completou Alex, dando um leve empurr?o amig¨¢vel em Luiz, enquanto um grande sorriso se formava em seu rosto. Luiz, cujo rosto estava visivelmente vermelho, tentou disfar?ar o embara?o adotando uma express?o arrogante, mas o canto de seus l¨¢bios tremendo para cima denunciava sua felicidade. ¡ª Voc¨ºs realmente precisam me valorizar ¡ª disse ele, tentando soar confiante e superior. ¡ª N?o ¨¦ qualquer um que pode fazer o que eu fa?o. ¡ª N?o se ache tanto, ainda temos a Ana ¡ª respondeu Alex, com uma express?o provocativa. A men??o fez o manipulador hesitar por um momento. Sua express?o arrogante deu lugar a uma introspec??o vis¨ªvel. Ele murmurou, quase como se n?o quisesse admitir sua pr¨®pria falha. ¡ª A mente dela ¨¦... estranha ¡ª seus olhos evitaram encontrar os de Ana, enquanto um arrepio passava por seu corpo ao se recordar do que teve que passar. ¡°¨¦ como se tivesse um mundo inteiro dentro de si¡±, pensou ele, sem deixar que as palavras sa¨ªssem. Ana arqueou uma sobrancelha, intrigada com o coment¨¢rio. Sua mente vagou brevemente, tentando entender o que Luiz quis dizer com "estranha", mas decidiu n?o insistir. Ela sabia que sua pr¨®pria psique era um labirinto complicado at¨¦ mesmo para si pr¨®pria. Enquanto o animado trio seguia falando alto, Eva, que caminhava um pouco mais atr¨¢s, observava o caminho pelo qual vieram com uma express?o preocupada. Seus olhos se fixaram nos guardas do port?o, que agora sorriam de maneira estranha, como se estivessem em um sonho. Suas fei??es serenas e ausentes traziam certa dissonancia desconfort¨¢vel, considerando a hora avan?ada e a natureza da cidade. O vento soprava levemente, balan?ando seus cabelos vermelhos quando ela voltou a olhar para frente, deixando de lado seus pensamentos com um longo suspiro. Eles esperavam que sair da cidade fosse complicado, mas a presen?a de Luiz tornou a situa??o uma m?o na roda. O homem ainda possu¨ªa roupas de guarda, podendo se aproximar das guaritas que encontravam pelo caminho com facilidade. Sua conversa a princ¨ªpio era amig¨¢vel, mas em um piscar de olhos fazia cada inimigo cair em um estranho transe, evitando que chamassem aten??o. Claro, isso s¨® funcionava devido ¨¤ guarda baixa por pensarem ser um companheiro, e, ainda assim, alguns mais resistentes despertavam segundos depois, momentos em que Luiz, sem hesitar, os esfaqueava na barriga com sua adaga. Aqueles que permaneciam inconscientes foram simplesmente deixados para tr¨¢s. Assim, o grupo passou tranquilamente pelas muralhas, emergindo na escurid?o da floresta. Enquanto caminhavam sob o dossel escuro das ¨¢rvores, discutiam o que fazer a seguir. O som dos passos sobre as folhas secas e o canto dos grilos criava uma atmosfera de tens?o e expectativa. ¡ª O que acham de ir para algum reino pr¨®ximo? ¡ª perguntou Ana, sem muita urg¨ºncia na voz, mas com um olhar atento aos arredores. ¡ª N?o quero me misturar com impuros ¡ª reclamou Luiz, o desd¨¦m em sua voz era evidente e sua carranca deixava claro seu desprezo. Ana se aproximou do homem e, com um movimento r¨¢pido, deu-lhe um forte tapa na nuca. ¡ª Para com isso. ¨¦ imposs¨ªvel que todos os humanos tenham evolu¨ªdo ao mesmo tempo. tamb¨¦m deve haver certa parte da popula??o sem muta??es nas cidades, ¨¦ perfeito para nos organizarmos. ¡ª ¨¦ verdade. Eles s?o minoria, mas existem ¡ª Eva assentiu, confirmando a observa??o de Ana. Seu tom era suave, mas firme, sugerindo uma certeza quase paternalista. ¡ª Voc¨º tem algum lugar em mente? ¡ª perguntou a mercen¨¢ria, voltando a caminhar pelo terreno acidentado. A arqueira ponderou por um momento, sua mente vasculhando as op??es. Ao olhar para Alex, ele deu de ombros, ent?o a garota prosseguiu. ¡ª Podemos ir para Carapicu¨ªba. Conhe?o um pouco a cidade, tenho uma amiga por l¨¢. As pessoas s?o reservadas, mas geralmente n?o s?o agressivas. ¡ª Teremos problemas com minha¡­ situa??o? ¡ª N?o, a cidade n?o ¨¦ t?o avan?ada tecnologicamente, n?o devem ter detectores. Eles adotaram um estilo de vida mais r¨²stico, por isso sua muta??o r¨¦ptil ¨¦ t?o peculiar... ¨¦ uma vila que vive da ca?a furtiva. ¡ª Eva sorriu levemente, tentando tranquilizar a companheira. ¡ª Bom, contanto que possamos encontrar um ref¨²gio, est¨¢ ¨®timo. Conforme caminhavam, a floresta ao redor deles parecia se fechar, mas ao mesmo tempo, oferecia uma sensa??o de liberdade. Seus passos duraram algumas horas, afastando-se cada vez mais dos altos muros. O sil¨ºncio era interrompido apenas pelos sons da natureza, com ocasionalmente pequenos animais correndo entre as ¨¢rvores. Ap¨®s percorrerem uma boa distancia, decidiram montar um acampamento em uma pequena clareira. A lua iluminava o local, proporcionando uma luz suave que se refletia nas folhas ¨²midas do ch?o, o que criava uma atmosfera quase pac¨ªfica ao se somar o agrad¨¢vel cheiro da terra. Alex, aparentemente exausto, deitou-se apoiado em uma grande pedra pr¨®xima e logo adormeceu, com um leve ronco escapando de seus l¨¢bios. Luiz, ainda se sentindo um pouco deslocado, sentou-se em um canto mais aftado, observando o grupo em sil¨ºncio, seus olhos inquietos vagando de um lado para o outro. Eva, para passar o tempo, atirava flechas sem muita for?a contra uma ¨¢rvore pr¨®xima, sem a inten??o de acertar nada em particular, os movimentos mecanicos demonstrando sua necessidade de manter-se ocupada. Ana estava preparando o jantar. Ela cantarolava uma melodia antiga que ecoava pelo acampamento, uma bela adi??o na calmaria da noite. A carne assava lentamente sobre o fogo, seu aroma se espalhando junto com o ar fresco da mata. O crepitar das chamas misturava-se com a melodia, criando uma sensa??o de lar improvisado. De repente, um som peculiar chamou sua aten??o. A mercen¨¢ria come?ou a ouvir um som de fundo, acompanhando sua pr¨®pria voz. Era uma m¨²sica tocada por um instrumento de corda, um som misterioso e envolvente, quase hipn¨®tico, se misturando com seu canto de uma maneira que parecia intencional. Intrigada, Ana parou o que estava fazendo e se concentrou, tentando identificar sua origem. Seus olhos percorreram o acampamento, mas nada parecia fora do lugar. O sil¨ºncio dos outros membros do grupo, que agora tamb¨¦m estavam atentos, tornou a situa??o ainda mais estranha. Eva parou de atirar flechas, seus olhos focados no mesmo ponto que Ana. Percebendo que o canto havia parado, uma voz feminina melodiosa soou de uma grande ¨¢rvore, como se o pr¨®prio vento estivesse falando. Ela era clara e carregava um tom de curiosidade e leve provoca??o. ¡ª Quando soube que uma Sombra apareceu na cidade, pensei que era a nossa pequena coletora. Na verdade, por algum motivo, sinto que n?o estou errada, mas me parece que voc¨º n?o ¨¦ ela, n?o ¨¦ mesmo? Ana olhou para cima com o cenho franzido, sua express?o mostrando uma mistura de surpresa e desagrado. A luz das estrelas iluminava levemente uma figura sentada nos grossos galhos, suas caracter¨ªsticas obscurecidas pela escurid?o, mas a voz carregava uma suavidade quase et¨¦rea.The tale has been taken without authorization; if you see it on Amazon, report the incident. "Mais uma pessoa estranha", pensou Ana, j¨¢ cansada das constantes interrup??es e figuras misteriosas cruzando seu caminho. Puxando a espada, ela respirou fundo, preparando-se para o que quer que viesse a seguir. O visitante misterioso afinou o instrumento em suas m?os por um instante, antes de come?ar a tocar uma nova melodia. A postura relaxada e despreocupada da figura contrastava com a tens?o crescente no acampamento. Ana sentiu o som chegar em seus ouvidos, e uma sensa??o estranha se instalou em seu peito. Seu cora??o come?ou a bater de maneira irregular e intensa, quase como se estivesse em sincronia com o ritmo da m¨²sica. A mercen¨¢ria se preparou para avan?ar, mas antes que pudesse agir, um som agudo de algo mordendo chamou sua aten??o. Ela olhou para baixo e viu um pequeno animal, com a pele p¨¢lida e cheia de vermes, mordendo sua bota. Com um movimento r¨¢pido e instintivo, Ana o chutou, fazendo o corpo fr¨¢gil voar e se chocar contra uma ¨¢rvore, caindo inerte. Um cheiro putrefato come?ou a se espalhar, fazendo ela torcer o nariz em desgosto. ¡ª Que droga ¨¦ essa? ¡ª murmurou, perplexa enquanto encostava no corpo com a ponta da espada. Interrompendo seus pensamentos, mais criaturas come?aram a emergir das sombras da floresta. Pequenas criaturas e monstros de baixo rank surgiam, todos em estado de decomposi??o avan?ada. Seus olhos estavam vazios e algumas partes de seus corpos faltavam, denunciando que j¨¢ n?o existia mais vida ali. A cena era grotesca e perturbadora, uma vis?o que apenas piorava conforme at¨¦ mesmo cad¨¢veres humanos come?aram a aparecer. Dois deles andavam de forma desajeitada, enquanto outro se arrastava pelo ch?o, deixando um rastro escuro e pegajoso. O cheiro f¨¦tido era quase insuport¨¢vel. Ana rapidamente recuou, posicionando-se ao lado dos outros membros do grupo, os quais j¨¢ assumiram posi??es defensivas, formando uma meia lua ao redor do acampamento. O som de galhos quebrando e folhas farfalhando, em conjunto com a suave m¨²sica criou uma sinistra cacofonia. Eva, reagindo rapidamente, ergueu seu arco e come?ou a disparar flechas em dire??o ¨¤s criaturas, cada tiro precisando de precis?o e velocidade para evitar o avan?o das criaturas. Alex, com suas manoplas cintilando, atacava com golpes fortes, despeda?ando os corpos j¨¢ decadentes. Luiz, por sua vez, se posicionou atr¨¢s dos outros, tentando criar pequenas barreiras de metal para segurar os inimigos. No entanto, a falta de for?a em suas manifesta??es escancarou sua falta de profici¨ºncia com este tipo de a??o, o deixando visivelmente desconfort¨¢vel e in¨²til. ¡ª Alex, voc¨º n?o disse que mortos-vivos eram raros? ¡ª perguntou Ana, suas palavras carregadas de curiosidade, enquanto cortava a cabe?a de um cervo apodrecido com um ¨²nico movimento. ¡ª S-s?o raros... Pelo menos deveriam ser! ¡ª gaguejou o homem, derrubando um monstro com um golpe certeiro. Sua m?o atravessou a carne j¨¢ macia, deixando restos pendurados em seus bra?os que fizeram uma express?o de nojo extremo surgir em seu rosto. A m¨²sica continuava, mais intensa e penetrante a cada segundo. A cada nota, uma nova onda de criaturas emergia, como se fossem invocadas pela pr¨®pria m¨²sica. O som dos gritos e dos golpes se misturava ¨¤ melodia, aumentando a atmosfera de caos e confus?o. ¡ª Esses desgra?ados s?o muitos! ¡ª exclamou Luiz, tentando inutilmente conter o fluxo de criaturas com suas habilidades limitadas. ¡ª Por sorte, n?o s?o muito fortes ¡ª comentou Eva. Seu tom era controlado, mas havia uma urg¨ºncia em seus movimentos. Decidindo que era hora de tomar uma medida mais dr¨¢stica, ela girou ao redor de Luiz, posicionando-se para um ataque mais potente. ¡ª Luiz, me proteja por um minuto! ¡ª ordenou, sua voz firme entre uma respira??o pesada. O mentalista assentiu de forma hesitante, erguendo suas m?os e focando em fazer algo que a circundasse enquanto a garota puxava uma nova flecha de sua aljava. Seus dedos deslizaram por uma luz avermelhada que emanava do arco, e os mecanismos come?aram a riscar runas na seta. A ponta met¨¢lica come?ou a brilhar intensamente, acumulando energia enquanto Eva mantinha o fluxo de mana constante. Respirando fundo, ela mirou para o alto, onde a m¨²sica ainda emanava. Com um movimento ¨¢gil, disparou a flecha. A figura na ¨¢rvore percebeu o ataque e sorriu, preparando-se para desviar. No entanto, em vez de direcionar a flecha para o corpo da pessoa, a jovem ruiva tomou como alvo o galho em que ela estava sentada. O objeto atingiu a madeira com precis?o, e uma pequena explos?o ocorreu. O galho se desfez em uma chuva de lascas queimadas, fazendo seu oponente cair pesadamente no ch?o. A m¨²sica cessou abruptamente, e com isso, todas as criaturas colapsaram, seus corpos caindo como marionetes com as cordas cortadas. Ana levantou um polegar positivo para Eva, deixando clara sua aprova??o. Com um balan?o despreocupado, jogou sua espada sobre o ombro e se aproximou do local em que a intrusa estava, mas logo baixou a arma ao notar que o sangue ao longo da lamina fedia. Eva, ainda recuperando o f?lego, tamb¨¦m aproximou-se com cautela. Alex e Luiz observavam com aten??o, prontos para qualquer coisa que pudesse acontecer. A figura sentada no solo resmungava de dor, claramente incomodada pela queda. Sua apar¨ºncia era impressionante e ¨²nica. Seus olhos eram de uma cor de mel intenso e sua pele bela como ¨¦bano. Os longos cabelos negros quase alcan?avam seus joelhos, dando-lhe uma apar¨ºncia misteriosa e selvagem. O aspecto mais marcante, no entanto, eram os chifres curvados e brancos como a neve que adornavam sua cabe?a. Eles se destacavam nitidamente contra sua pele escura, criando uma imagem poderosa e enigm¨¢tica que deixava todos ao redor intrigados e encantados. Suas roupas relaxadas se moviam suavemente com a brisa. As vestes eram simples, mas de alguma forma acentuavam sua aura intrigante. Nas m?os, ela segurava um ala¨²de elegante, que parecia ter sido esculpido em um osso de tom envelhecido. O instrumento tinha uma apar¨ºncia de fantasia enquanto suas cordas brilhavam sob a luz das estrelas. ¡ª Uma Sombra, quem diria¡­ ¡ª murmurou Ana, cruzando os bra?os com desinteresse ao encarar a mulher. ¡ª O que quer comigo? ¡ª Apenas trouxe alguns velhos amigos para uma dan?a de boas-vindas. Nada al¨¦m disso ¡ª respondeu a Sombra, levantando o rosto. ¡ª Velhos amigos? Esses zumbis de quinta categoria? ¡ª perguntou Luiz, chutando a cabe?a decepada de um javali anormalmente grande que estava em sua frente. A mulher sorriu de forma estranha e desconcertante, olhando para o homem com desd¨¦m, mas logo voltou seu olhar para Ana novamente. ¡ª Eu a sinto em voc¨º... ¨¦ t?o nost¨¢lgico. ¡ª Creio que j¨¢ percebeu que n?o sou quem voc¨º pensa ¡ª Ana estreitou os olhos, entendendo que o reconhecimento provinha dos restos de sua companheira tempor¨¢ria que corriam por suas veias. ¡ª Ela est¨¢ morta. ¡ª Quem sabe? Talvez parte dela ainda viva em voc¨º. ¡ª Quem sabe¡­ Bom, se acabou a brincadeira, sugiro que v¨¢ embora. N?o estamos com paci¨ºncia para jogos. Todos ficaram desconcertados ao ver Ana permitir que a mulher simplesmente sa¨ªsse, especialmente ap¨®s o ataque recente. Eva, Alex e Luiz trocaram olhares confusos, esperando alguma explica??o. ¡ª N?o vale a pena brigar com algu¨¦m que nem levou a luta a s¨¦rio, ¨¦ um risco in¨²til ¡ª comentou a mulher, observando a Sombra enquanto ela cruzava as pernas. ¡ª Al¨¦m disso, apesar de tudo, n?o senti hostilidade no ataque. Com um suspiro de resigna??o, Ana come?ou a recolher seus pertences. A clareira onde haviam montado o acampamento agora estava coberta de corpos despeda?ados e o cheiro era insuport¨¢vel. Eles rapidamente juntaram tudo, evitando olhar para os restos espalhados pelo ch?o. ¡ª Isso foi muito estranho... ¡ª murmurou Eva, jogando um olhar furtivo para a mulher que estava sentada observando. ¡ª N?o se preocupe, se ela quisesse realmente nos matar, teria tentado algo mais direto ¡ª respondeu Alex, tentando acalmar a amiga. Mas a d¨²vida ainda estava presente em seu olhar. Assim que todos se organizaram, come?aram a seguir seu caminho, tentando deixar para tr¨¢s a estranha noite. De repente, a Sombra se levantou e come?ou a segui-los de perto, cantarolando uma melodia suave. O som, embora sem mal¨ªcia, trouxe uma onda de inquieta??o para o grupo, fazendo todos pararem e encararem a estranha companhia. ¡ª O que foi? S?o todos t?o interessantes, ent?o vou acompanhar voc¨ºs por um tempo ¡ª respondeu a barda sombria, como se sua presen?a fosse a coisa mais natural do mundo. Incertos sobre como agir, os olhos de todos se voltaram ¨¤ sua l¨ªder, esperando uma decis?o. A mercen¨¢ria apertou as t¨ºmporas com uma m?o, claramente frustrada. Com um suspiro exasperado, ela deu de ombros. ¡ª Foda-se, foda-se¡­ ¡ª disse, voltando a andar sem olhar para tr¨¢s enquanto balan?ava as m?os de forma a demonstrar que n?o estava interessada em resolver a situa??o. Satisfeita pela falta de uma recusa direta, a Sombra saltitou alegremente atr¨¢s de Ana. Os outros, desconfort¨¢veis com a nova presen?a, come?aram a andar em sil¨ºncio, at¨¦ que Alex repentinamente parou. Seus olhos se moveram de um lado para o outro enquanto contava os membros do grupo. Parecendo perceber algo, um sorriso surgiu em seu rosto. ¡ª Agora somos cinco! O Ironia Divina est¨¢ de volta! ¡ª N?o, o Ironia Divina n?o existe mais ¡ª Ana murmurou de longe, balan?ando a cabe?a negativamente. Alex refletiu por um momento, assimilando o peso das palavras. Finalmente, assentiu. ¡ª Faz sentido... Mas e se mud¨¢ssemos? Que tal Puni??o Divina? Ana parou por um segundo, um sorriso perturbador se formando em seus l¨¢bios. ¡ª Voc¨º sempre escolhe bons nomes... Puni??o Divina¡­ ¨¦, tem seu charme ¡ª disse, voltando a andar com um olhar pensativo. Com a nova identidade, o bando seguiu em frente, prontos para avan?arem em um incerto destino.
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Capítulo 90 - Intrus?o Imprevista
¡ª Ent?o, ¨¦ verdade que voc¨ºs podem roubar as almas das pessoas? ¡ª perguntou Luiz, com um tom de falsa casualidade. Ele tentava disfar?ar o interesse genu¨ªno com um leve sarcasmo, mas seu olhar atento denunciava sua curiosidade. O homem parecia fascinado pela misteriosa figura. A Sombra, sentada em uma pedra pr¨®xima, o observava com um sorriso enigm¨¢tico. Seu instrumento repousava em seu colo, e ela ocasionalmente dedilhava algumas notas suaves, que se misturavam com o som das folhas farfalhando ao vento. ¡ª Depende do que voc¨º considera uma alma ¡ª respondeu ela, sua voz suave e mel¨®dica. ¡ª Podemos consumir o que resta da energia vital, sim. Mas roubar almas ¨¦ uma vis?o um tanto... dram¨¢tica. No fim, ¨¦ apenas energia se transformando, quase o mesmo que voc¨ºs fazem ao absorver a mana. Luiz assentiu lentamente, processando a resposta. Ele parecia intrigado e desconfort¨¢vel ao mesmo tempo, mas a presen?a da mulher j¨¢ n?o o deixava t?o inquieto quanto antes. ¡ª E quanto a esse lance de que voc¨ºs s¨® conseguem andar ¨¤ noite? A Sombra riu suavemente, como se a pergunta fosse uma piada. Logo, apontou para o c¨¦u, deixando que os raios de sol que passavam entre as folhas respondessem ¨¤ pergunta por si s¨®, resultando em um Luiz levemente envergonhado pela tola quest?o. Ana observava a intera??o com uma express?o indecifr¨¢vel. No in¨ªcio, a atmosfera era marcada por desconfian?a e tens?o, mas com o passar dos dias, todos come?aram a se acostumar com a presen?a peculiar da nova integrante. As m¨²sicas que ela tocava durante as noites ao redor da fogueira e o modo como seu cantarolar harmonizava com o de Ana durante as caminhadas silenciosas traziam um ar de aventura ¨¤ jornada, uma distra??o bem-vinda do peso de seus prop¨®sitos de vingan?a. Ironicamente, a exist¨ºncia da sombra tornava tudo menos sombrio. ¡ª Ent?o... quem ¨¦ a pequena coletora que voc¨º mencionou antes? ¡ª perguntou Eva aproveitando a pausa na conversa, tentando n?o parecer intrometida. A Sombra olhou para o nada por um momento, como se estivesse relembrando mem¨®rias distantes. ¡ª Ela ¨¦ uma companheira que n?o vejo h¨¢ algum tempo. A ¨²ltima de n¨®s ¡ª explicou a Sombra, com um tom melanc¨®lico. ¡ª Vendo que muitas Sombras j¨¢ tinham estabelecido bases em v¨¢rias ¨¢reas do mundo, ela decidiu apenas coletar artefatos abandonados pela M?e. Enquanto falava, a Sombra acariciou o ala¨²de em suas m?os com ternura, como se fosse um tesouro precioso. ¡ª Este instrumento foi um dos tesouros que ela encontrou. Uma das rel¨ªquias que restaram ¡ª ela ent?o lan?ou um olhar para a espada de Ana. ¡ª Ela tamb¨¦m mencionou esse estranho item, mas pelo que me disse, era muito menor, mal chegava a 60 cent¨ªmetros. Ao ouvir isso, Alex parou de caminhar, seu olhar fixo em Ana. Lembrou-se da ¨¦poca em que a espada era apenas uma faca, antes de se transformar na arma que ¨¦ hoje. Sua mente se iluminou com a realiza??o. ¡ª Est?o falando da Sombra que enfrentamos no passado, n?o ¨¦? ¡ª perguntou ele, sua voz carregada de uma mistura de surpresa e compreens?o. ¡ª Sim, foi um conflito de interesses. Por¨¦m tamb¨¦m lutei lado a lado com ela antes dela partir. N?o h¨¢ raz?o para guardar ressentimento ¡ª respondeu Ana de forma casual. Alex cerrou os dentes, claramente lutando com seus pr¨®prios sentimentos sobre o assunto. Ap¨®s um momento de sil¨ºncio, ele respirou fundo e assentiu.Enjoying the story? Show your support by reading it on the official site. ¡ª Na verdade, n?o seria justo guardar ressentimento ¡ª comentou a Sombra ao ver a hesita??o do homem, interrompendo o sil¨ºncio com uma risada suave. ¡ª Afinal, Ana parece ter devorado minha irm?, n?o ¨¦ mesmo? Os olhos de todos se arregalaram, olhando em dire??o ¨¤ mercen¨¢ria. Ana abriu a boca para explicar, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, levantou a m?o, indicando para que todos ficassem quietos. O grupo parou instantaneamente, o sil¨ºncio se instalando. Ela estreitou os olhos e se concentrou, tentando captar o que havia escutado. Logo, os outros tamb¨¦m ouviram: gritos e o som caracter¨ªstico de armas se chocando. Em alerta m¨¢ximo, se moveram de forma furtiva, se aproximando da borda de uma colina. Ao olharem para baixo, viram uma cena de caos. Uma batalha em pequena escala estava ocorrendo, a luta parecia intensa, com silhuetas que se moviam freneticamente no pequeno vale. De um lado, estava uma aparente guilda de humanos n?o corrompidos, cerca de cinquenta membros se encontravam em forma??o, como um ex¨¦rcito medieval, mas com um toque moderno. Suas armaduras variavam de placas met¨¢licas a coletes t¨¢ticos, e suas armas iam de espadas e lan?as a rifles de alta tecnologia. A combina??o criava uma mistura estranha de tradi??o e modernidade, enquanto eles tentavam resistir ¨¤ onda de criaturas que os atacavam. Do outro lado, uma horda de seres bestiais atacava com ferocidade animalesca, causando uma vis?o aterrorizante. Apesar de serem claramente humanos em sua ess¨ºncia, suas apar¨ºncias distorcidas os tornavam grotescos. Seus corpos estavam cobertos de trapos sujos e seus membros eram alongados e curvados de maneira antinatural, lembrando mais a estrutura de s¨ªmios do que de humanos. Eles se moviam com uma velocidade surpreendente sobre quatro patas, utilizando as m?os como apoio, e atacavam com agilidade incontrol¨¢vel. De tempos em tempos, trocavam grunhidos e ordens simples entre si, demonstrando intelig¨ºncia suficiente para uma organiza??o rudimentar, mas eficaz. Tais humanos disformes, embora ca¨ªssem sob as laminas e balas, estavam em grande n¨²mero, fazendo com que a guilda lutasse de forma desesperada. Alguns dos bestiais paravam de lutar para devorar os corpos ca¨ªdos, rasgando a carne com unhas e dentes afiados. O som de ossos quebrando e carne sendo dilacerada ecoava, criando uma sinfonia macabra que fez o est?mago de Eva revirar. Outros, com olhares vazios e selvagens, continuavam a avan?ar, rugindo alto como se tentassem intimidar os soldados. Aos poucos o campo de batalha se transformava em um mar de sangue e membros dilacerados. ¡ª Algu¨¦m sabe o que s?o essas coisas? ¡ª perguntou Ana, intrigada. ¡ª ¨¦ como eu disse antes, muitos humanos sobreviveram da forma que conseguiram ap¨®s a fus?o dos mundos ¡ª respondeu Eva, explicando a situa??o. ¡ª Isso fez com que surgissem algumas variantes bizarras¡­ ¡ª Dev¨ªamos desviar disso ¡ª sugeriu Luiz, visivelmente preocupado. ¡ª Perdemos essa chance ao nos aproximarmos tanto ¡ª murmurou Ana, balan?ando a cabe?a em discordancia. Seus olhos se fixaram nos bestiais que, ao longe, pareciam ter notado a presen?a do grupo. ¡ª Estamos sendo observados. De fato, alguns dos bestiais come?aram a farejar o ar, virando suas cabe?as distorcidas em dire??o a eles. Os integrantes sentiram um calafrio percorrer suas espinhas ao perceber que a situa??o da guilda era cr¨ªtica, restando menos de quinze pessoas, ent?o logo seriam os pr¨®ximos. ¡ª E agora, o que fazemos? ¡ª perguntou Eva, seu tom carregado de urg¨ºncia ao ver que alguns deles j¨¢ come?avam a escalar as encostas da colina com uma velocidade assustadora. No entanto, a garota ruiva franziu a testa ao ver que a mercen¨¢ria que estava ao seu lado j¨¢ n?o era vis¨ªvel. De repente, um grito long¨ªnquo chegou aos seus ouvidos, respondendo sua pergunta. ¡ª Correr! O grupo, em panico controlado e com uma pitada de raiva no cora??o, virou-se para fugir ao notar que Ana fazia um sinal de retirada enquanto disparava a toda velocidade, j¨¢ longe de onde estavam. A adrenalina corria em suas veias, e a luta pela sobreviv¨ºncia come?ava de novo, desta vez contra um inimigo que n?o mostrava sinais de cansa?o ou miseric¨®rdia.
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Capítulo 91 - Acordes da Loucura
O grupo corria pela floresta, o som de seus passos abafado pelo solo macio. Eva estava nas costas de Luiz, disparando flechas com precis?o enquanto eles fugiam dos bestiais que os perseguiam. As flechas cortavam o ar, algumas acertando os perseguidores, mas o n¨²mero de inimigos n?o diminu¨ªa. Luiz, com os olhos arregalados de panico, mantinha o foco, embora claramente desconfort¨¢vel com a situa??o. ¡ª Estamos saindo muito da rota! ¡ª gritou Alex, a preocupa??o evidente em sua voz. ¡ª Eu sei! ¡ª respondeu Ana, sua voz firme. ¡ª Mas n?o temos escolha no momento! A Sombra, com um sorriso enigm¨¢tico no rosto, apenas acompanhava a cena, aparentemente despreocupada, como se toda a situa??o fosse uma brincadeira para ela. Os bestiais estavam cada vez mais pr¨®ximos, seus grunhidos e o som de suas garras arranhando o ch?o, ressoando nos ouvidos do grupo. Quando ficou claro que n?o conseguiriam escapar a tempo, Ana parou bruscamente, puxando sua espada longa com um movimento fluido. A lamina brilhante cortou o ar e dois dos bestiais ca¨ªram instantaneamente, suas cabe?as rolando no ch?o. Com o grupo parado e os corpos ao redor, a Sombra finalmente agiu, come?ando a tocar o ala¨²de, uma melanc¨®lica melodia que dava a impress?o de uma grande homenagem aos mortos. Eva desceu rapidamente das costas de Luiz, posicionando-se em uma posi??o estrat¨¦gica. Ela fincou o arco no ch?o e come?ou a disparar flechas em uma cad¨ºncia precisa e constante, escolhendo alvos espec¨ªficos para evitar atingir os aliados. Seus olhos estavam afiados, a express?o de concentra??o extrema enquanto a batalha se desenrolava. ¡ª N?o sou bom com grandes grupos! Vou tentar atrasar os que v?o em dire??o ao Alex! ¡ª gritou Luiz, com a voz tr¨ºmula, enquanto corria em dire??o ao guerreiro. Com uma express?o de determina??o, ele estendeu as m?os, tentando exercer algum controle mental sobre os bestiais, tornando-os mais lentos e descoordenados. Alex, por sua vez, enfrentava os inimigos com uma ferocidade impressionante. Seus punhos eram potentes, jogando-os para longe com cada golpe. De vez em quando, suas manoplas brilhavam com uma luz intensa e amarelada, e o solo ao seu redor mudava repentinamente, criando eleva??es e depress?es para desestabiliz¨¢-los ou bloquear seus caminhos. A luta era intensa, e o grupo se movia como uma unidade coordenada, cada um desempenhando seu papel com precis?o. Nesse instante, os corpos no ch?o come?aram a tremer violentamente. Em quest?o de segundos, seus olhos se abriram, completamente negros e sem vida. A Sombra, ainda tocando o ala¨²de, aumentou a intensidade da m¨²sica ao ver isso, e os cad¨¢veres soltaram rosnados baixos, como predadores ¨¤ espreita se levantando para se juntar ¨¤ luta. Seus ataques foram direcionados diretamente para seus antigos companheiros, os quais foram pegos de surpresa pela trai??o dos amigos reanimados. Uma fuma?a negra come?ou a se desprender dos dedos da barda, criando uma atmosfera ainda mais sinistra. Seus pr¨®prios olhos assumiram uma cor profunda, refletindo o abismo de sua magia. Uma gargalhada gutural come?ou a sair de sua boca, de uma maneira que misturava loucura e puro deleite, como se estivesse se alimentando do caos que criava. Alex, Eva e Luiz, apesar de j¨¢ saberem das habilidades dela, n?o conseguiam deixar de sentir uma onda de choque e desconforto. Era uma coisa saber que a mulher tinha o poder de criar mortos-vivos, mas outra coisa completamente diferente era ver isso acontecendo diante de seus olhos. O processo era aterrorizante e visceral, um lembrete brutal do que aconteceria com seus pr¨®prios corpos se ca¨ªssem naquele campo de batalha, fazendo com que lutassem com redobrada cautela. Os bestiais pararam de correr por um momento, como se sentissem a mudan?a no ar. Olhavam ao redor, os olhos selvagens avaliando a situa??o. Come?aram a se reorganizar, formando um c¨ªrculo ao redor do grupo de Ana, claramente se preparando para um ataque coordenado e hesitando perante a morte com o que lhes restava de racionalidade. ¡ª Sua habilidade ¨¦ realmente interessante ¡ª comentou Ana, observando a nova integrante. A Sombra, com um sorriso insano no rosto, riu alto, sua voz ecoando sobre o campo de batalha. ¡ª Voc¨º ainda n?o viu nada! ¡ª respondeu ela, os dedos se movendo cada vez mais r¨¢pido sobre as cordas. ¡ª ¨¦ hora do show! Com um forte grito, ela come?ou a cantar uma melodia intensa em uma l¨ªngua desconhecida, um som que penetrava na alma e causava arrepios em quem ouvia. A atmosfera mudou novamente de forma dr¨¢stica, como se o pr¨®prio ar tivesse ficado mais denso e eletrizado. ¡ª Mas que merda¡­ ¡ª sussurrou Ana, apertando o peito ao sentir seu cora??o bater com uma for?a descomunal, quase como se fosse explodir. Uma sensa??o de poder crescente a invadiu, enquanto a mana reversa dentro de seu corpo circulava a uma velocidade aterrorizante, suprimindo completamente sua mana comum. ¡ª Apesar que¡­ sim, isso ¨¦ ¨®timo!If you encounter this narrative on Amazon, note that it''s taken without the author''s consent. Report it. A mercen¨¢ria percebeu que sua mente permanecia clara. A vontade de rir estava presente, mas n?o era uma loucura incontrol¨¢vel como antes. Era como se estivesse ¨¤ beira de um precip¨ªcio, prestes a mergulhar na insanidade, mas ainda segurando as r¨¦deas. No entanto, enquanto aprovava cada vez mais a maravilhosa sensa??o, algo chamou sua aten??o. Seus companheiros ¡ª Alex, Eva e Luiz ¡ª estavam parados, com os olhos fechados, suas express?es em uma estranha serenidade. Uma fina n¨¦voa negra come?ava a se infiltrar em seus corpos atrav¨¦s de suas narinas e bocas. De repente, todos abriram os olhos ao mesmo tempo, revelando pupilas completamente negras. ¡ª Os cavaleiros est?o querendo imitar a rainha ¡ª murmurou para si mesma, em tom de brincadeira, vendo a risada insana que escapou dos l¨¢bios dos tr¨ºs guerreiros. A batalha se transformou em um caos total, uma verdadeira briga de cachorro, onde cada um se lan?ava contra todos. Bestiais, mortos-vivos e os pr¨®prios companheiros de Ana estavam imersos em um frenesi descontrolado. Era um mundo de viol¨ºncia pura, com corpos colidindo, sangue jorrando e gritos ecoando por toda parte. Eva dobrou seu arco, transformando-o novamente em uma lamina. Ela se jogou nos monstros com uma selvageria impressionante, cortando e perfurando qualquer coisa que estivesse em seu caminho. Sua t¨¦cnica era brutal e eficiente, movendo-se com a gra?a letal de uma dan?arina de combate. Alex, por outro lado, descartou qualquer pretens?o de defesa. Seus punhos abandonaram qualquer clem¨ºncia e, com movimentos treinados milhares de vezes em Leviathan, destro?ou a carne de quem ousava aparecer em sua frente. Ele n?o parecia se importar com os ferimentos que acumulava, seu corpo coberto de cortes e hematomas. Luiz, com sua adaga simples em m?os, se movia furtivamente, esfaqueando pelas costas os bestiais que se distra¨ªam com outros alvos. Seus ataques eram r¨¢pidos e precisos, focando em pontos vitais para maximizar o dano. Todos os tr¨ºs estavam se machucando muito, com peda?os de pele e carne faltando por todo o corpo, mas a dor parecia ser apenas um detalhe insignificante em meio ¨¤ loucura da batalha. Apesar disso, mesmo sob o dom¨ªnio da m¨²sica da Sombra, ainda tinham uma vaga no??o de perigo, usando os mortos-vivos como escudo sempre que necess¨¢rio. ¡ª Maurice¡­ ¡ª Ana reconheceu aquela sensa??o, lembrando-se dos seguidores suicidas do bispo que havia enfrentado anos atr¨¢s. Era como se seus amigos tivessem se tornado marionetes. Entendendo que n?o havia o que fazer sobre o assunto, se preparou para se lan?ar na confus?o. Com um suspiro resignado, deixou a longa espada de lado, n?o havia espa?o para us¨¢-la em uma massa t?o grande de pessoas, ent?o decidiu usar apenas suas habilidades em artes marciais. Ela come?ou com um chute baixo, quebrando a perna de um bestial e o derrubando no ch?o. Sem perder tempo, girou seu corpo e usou a cotoveleira para cortar o pesco?o de outro inimigo, sua lamina afiada perfurando a carne com facilidade. Um bestial tentou atac¨¢-la pelas costas, mas Ana, com reflexos r¨¢pidos, girou e desferiu um soco direto no rosto da criatura, afundando-o no ch?o. Aproveitando o movimento, ela saltou para cima de outro inimigo, usando o joelho para esmagar o cranio do monstro. Ana n?o parava, seus golpes flu¨ªam como ¨¢gua. Com um chute girat¨®rio, ela derrubou tr¨ºs bestiais ao mesmo tempo, seus corpos colidindo e caindo inertes ap¨®s o pesado item esmagar seus peitos, quebrando ossos e jogando-os para tr¨¢s. Inclinando-se para frente, seus punhos refor?ados desferiram uma s¨¦rie de socos devastadores em outro que se aproximava. A cada movimento, ela mesclava diferentes estilos de luta, alternando entre socos, chutes, cotoveladas e joelhadas. Seu corpo era uma m¨¢quina de destrui??o e ela parecia n?o se cansar, sua express?o era fria e focada enquanto os inimigos ca¨ªam continuamente, como moscas. Sua postura era a de algu¨¦m que estava no controle de seu pr¨®prio mundo, como se quisesse competir com a sombra pelo t¨ªtulo de rainha da morte. Finalmente, vendo que seus n¨²meros n?o paravam de diminuir, os bestiais come?aram a recuar. Por¨¦m, para surpresa de todos, de repente os mortos-vivos simplesmente ca¨ªram ao ch?o, inertes, como se tivessem perdido toda a for?a que os animava. Alex, Eva e Luiz come?aram a vomitar sangue negro e ficaram sem for?as, enquanto Ana, embora n?o t?o afetada, sentiu a for?a da mana reversa diminuir drasticamente. Os inimigos tamb¨¦m ficaram intrigados, observando a cena com cautela, desconfiados de que pudesse ser uma armadilha. Ana olhou para a barda, seus olhos como se perguntasse o motivo da parada. ¡ª Eu sou uma falha, meu show s¨® dura 15 minutos! ¡ª respondeu a mulher, j¨¢ come?ando a fugir. O bestial que parecia ser o l¨ªder do grupo abriu um sorriso largo ao ouvir isso, seus olhos fixando-se em Ana com uma express?o predat¨®ria. A mercen¨¢ria, irritada e frustrada, resmungou palavras inaud¨ªveis em voz alta e, sem perder tempo, foi atr¨¢s da sombra, seguida pelos outros que se esfor?avam para acompanh¨¢-la, dando tudo de si para escapar. ¡ª Ir... comer... inferiores¡­ ¡ª grunhiu o l¨ªder dos humanos corrompidos, com um sorriso ainda maior ao observar a cena. ¨¤ medida que a persegui??o recome?ava, resqu¨ªcios de civiliza??o lentamente se revelavam entre as ¨¢rvores.
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Capítulo 92 - Cidade das Máscaras
A paisagem come?ou a mudar gradualmente, com os primeiros sinais de estruturas derrubadas e escombros come?ando a aparecer. Pedras e vigas retorcidas emergiam do solo, claras marcas de uma civiliza??o, for?ando-os a desviar constantemente. O ar estava carregado de um cheiro de terra ¨²mida e vegeta??o em decomposi??o, criando um ambiente opressivo e sombrio. Pr¨¦dios antigos, agora em ru¨ªnas, estavam completamente tomados pela natureza, com ra¨ªzes e plantas rasteiras crescendo atrav¨¦s das paredes desmoronadas. Alguns poucos, ainda em p¨¦, pareciam fantasmas do passado, suas fachadas desgastadas e janelas quebradas dando uma vis?o de uma ¨¦poca esquecida. As constru??es eram inabit¨¢veis, dominadas pelo verde exuberante que insistia em reclamar cada cent¨ªmetro de concreto e a?o. O grupo continuava a correr, os p¨¦s mal tocando o ch?o enquanto lutavam para sobreviver. A exaust?o era evidente em cada um deles, mas a necessidade de escapar dos bestiais impelia-os a continuar. Os humanos distorcidos corriam pelas paredes ao seu redor, os cercando cada vez mais com seus grandes n¨²meros, preparando um ataque em massa para evitar mais mortes desnecess¨¢rias. ¡ª Vamos para o centro ¡ª ordenou Ana, com a respira??o pesada, ao notar uma constru??o maior se destacando no horizonte, uma silhueta imponente que se erguia acima dos escombros circundantes. Era enorme, esplendoroso, se tornando mais claro conforme se aproximavam. O shopping, claramente modificado para se parecer com um castelo, possu¨ªa quatro torres improvisadas e seus muros remendados davam um ar de grandiosidade decadente, como se algu¨¦m tivesse tentado reviver uma era de gl¨®ria perdida. ¡°Esse lugar¡­ j¨¢ estive aqui¡±, pensou Ana, franzindo o cenho ao notar uma estranha familiaridade. Seu cora??o acelerou, n?o pela corrida, mas por uma sensa??o de d¨¦j¨¤ vu inexplic¨¢vel. Surpreendentemente, um arrepio percorreu sua espinha, deixando-a inquieta. Seus olhos vasculharam as ru¨ªnas, tentando identificar a origem dessa sensa??o t?o rara e desconcertante. ¡°Parece que n?o sou s¨® eu que notei¡±, em meio a seus pensamentos embaralhados, percebeu que os bestiais que os perseguiam come?aram a diminuir a velocidade, hesitando em se aventurar mais fundo na cidade abandonada. ¡ª Eles est?o parando ¡ª observou Eva, sua voz entrecortada pela falta de f?lego. ¡ª ¨¦ poss¨ªvel que tenham se cansado antes de n¨®s? ¡ª perguntou Luiz, com uma esperan?a palp¨¢vel na voz. ¡ª Seja l¨¢ o que for, vamos aproveitar para ganhar alguns metros de vantagem ¡ª murmurou Ana, balan?ando a cabe?a, negando a possibilidade. O l¨ªder dos bestiais, que corria em um ritmo mais devagar, parou abruptamente ao ver as feras recuando. Ele grunhiu, emitindo uma ordem para que seus companheiros avan?assem, mas a resposta foi lenta e relutante. ¡ª Cidade¡­ maldita¡­ ¡ª resmungou para si mesmo, seus olhos selvagens captando uma figura no alto de um dos pr¨¦dios desmoronados. Era um homem mediano usando uma m¨¢scara lisa amarela, sem enfeites. O item cobria todo seu rosto, escondendo suas fei??es, dando a impress?o de uma presen?a enigm¨¢tica que parecia alheia a tudo. A figura permaneceu im¨®vel, observando o desenrolar dos acontecimentos. Assim como a mercen¨¢ria que perseguia, o l¨ªder dos bestiais se chacoalhou levemente para tirar a tremedeira que o assolou de repente, como se um frio g¨¦lido tivesse percorrido seu corpo. Por um breve momento, parecia que iria recuar, mas, em seguida, decidiu continuar. Com um grunhido final, ele se lan?ou ¨¤ frente, for?ando a vontade em seus subordinados. Finalmente o grupo de Ana chegou ao meio do labirinto de concreto, e ,ao se aproximarem do shopping, se depararam com grandes portas de metal. Sem hesitar, se juntaram para empurr¨¢-las, at¨¦ que se abriram com um rangido alto. O interior era um grande sal?o com grandes colunas de cor creme. Estava surpreendentemente vazio, exceto pelas numerosas obras de arte que decoravam as paredes e um trono imponente em um elegante altar. A luz que atravessava os vitrais em mosaico criava um ambiente m¨¢gico e quase irreal, jogando sombras coloridas pelo ch?o de m¨¢rmore polido. ¡ª Essas pinturas¡­ de quem ¨¦ esse lugar? ¡ª sussurrou Ana para si mesma, encarando as pr¨®prias m?os que um dia estiveram sujas desta mesma tinta.Stolen content warning: this content belongs on Royal Road. Report any occurrences. O resto do bando notou seus murm¨²rios, mas sem tempo para conversa, seguiram correndo at¨¦ as escadarias que levavam do centro, seus passos ecoando no espa?o vasto e silencioso. Ana se colocou ¨¤ frente, sua express?o determinada e olhos fixos na entrada. ¡ª N?o vou me desculpar por matar todos voc¨ºs ¡ª comentou a mulher, com certo sarcasmo na voz. Um pequeno fio de mana come?ou a circular seu corpo, uma pr¨¦-manifesta??o presa na indecis?o de lutar at¨¦ o fim ou escapar sozinha daquele local. ¡ª Sem problemas, foi bom voltar a me sentir parte de um grupo, mesmo que por pouco tempo ¡ª falou Alex, com um sorriso triste se formando em seu rosto. ¡ª N?o posso dizer o mesmo, nunca me perdoarei por ser t?o est¨²pido. Eu n?o deveria estar aqui ¡ª resmungou Luiz, chutando um degrau, absolutamente sem prop¨®sito, com uma express?o triste em seu rosto. Todos se entreolharam, rindo diante da aceita??o da morte, um riso amargo e resignado, mas que aliviou a tens?o do ambiente. A Sombra, sem perder tempo, se sentou no trono de forma desleixada, cruzando as pernas. Com um sorriso travesso, come?ou a tocar uma melodia melanc¨®lica, mas emocionante. A m¨²sica lembrava uma velha can??o de taverna, carregada de nostalgia e saudade, criando um contraste doloroso com a situa??o desesperadora. Foi ent?o que os bestiais finalmente os alcan?aram, e ap¨®s uma nova hesita??o, entraram no sal?o. Com passos r¨¢pidos cercaram o grupo, mas n?o atacaram, como se estivessem medindo suas chances. Por um momento todos ficaram assim, se encarando, quando finalmente o primeiro inimigo se lan?ou em dire??o a eles. No entanto, antes que pudesse dar o bote decisivo, uma voz soou, fazendo-o se encolher. Era uma voz profunda e autorit¨¢ria, vinda de algum lugar oculto do recinto. ¡ª Saia da¨ª, Sombra. Apenas a rainha tem o direito de se sentar neste trono. A ordem reverberou pelo espa?o, impondo sil¨ºncio absoluto. A m¨²sica parou abruptamente, e todos se voltaram na dire??o de onde acreditavam que o som vinha, tensos e confusos. A Sombra, que at¨¦ ent?o mantinha uma express?o despreocupada, levantou-se do trono com um sorriso enigm¨¢tico, claramente intrigada e, de certo modo, se divertindo pela inesperada interven??o. Os humanos corrompidos come?aram a se agitar, se agrupando atr¨¢s de seu l¨ªder rec¨¦m-chegado. De repente, saindo de portas escondidas atr¨¢s das variadas pinturas, algumas dezenas de pessoas mascaradas entraram no local. Suas m¨¢scaras eram das mais variadas formas, algumas com express?es de sorrisos, ¨®dio, l¨¢grimas ou simples pinturas monocrom¨¢ticas. Apesar da aus¨ºncia de fei??es, notava-se que entre os estranhos havia homens, mulheres e crian?as, de diferentes tamanhos, roupas e cores. Todos se posicionaram entre as grandes pilastras, observando os intrusos com uma aura de expectativa e julgamento. A figura que havia falado anteriormente surgiu ap¨®s isso, revelando-se com duas grandes asas brancas nas costas. Sua m¨¢scara era do mais puro branco, e sua estatura pequena trazia um ar de inoc¨ºncia que n?o combinava com sua poderosa voz. Com passos firmes, ela se aproximou do l¨ªder dos bestiais, que a encarou com um olhar odioso. A tens?o entre os dois era tang¨ªvel, como se uma batalha silenciosa estivesse acontecendo. ¡ª Pensava que t¨ªnhamos um acordo, Andr¨¦. Ningu¨¦m tem permiss?o para pisar em nosso territ¨®rio ¡ª declarou a figura alada, arrogantemente. Andr¨¦ rangeu os dentes, sua express?o se contorcendo em f¨²ria contida. Pela primeira vez, levantou-se de sua posi??o simiesca, adotando uma postura ereta que destacava seus m¨²sculos extremamente desenvolvidos. O homem bestial tinha mais de dois metros de altura, fazendo a pessoa a sua frente parecer ainda mais min¨²scula, e seus cabelos pretos desgrenhados cobriam a maior parte de seu rosto. Ele tossiu for?osamente, como se limpasse a garganta, e ent?o uma voz rouca, mas profunda, tomou o lugar no sal?o. ¡ª N?o podia deixar¡­ inferiores vivos. Mataram muitos de n¨®s ¡ª come?ou o homem, gesticulando para o grupo de Ana. ¡ª E esse ser nojento ao lado deles¡­ profanou companheiros ca¨ªdos. A figura alada manteve a calma, seus olhos mascarados fixos no l¨ªder. ¡ª N?o permitirei uma gota de sangue em frente ¨¤ rainha, n?o sem sua autoriza??o. Ouvindo isso, Andr¨¦ soltou uma risada alta e gutural, assemelhando-se a madeira sendo triturada, um som cheio de desprezo. ¡ª Voc¨ºs realmente n?o conseguem abandonar essa lenda idiota? Cidade amaldi?oada¡­ lar de tolos! ¡ª Voc¨º est¨¢ errado ¡ª respondeu a pequena interlocutora, n?o se deixando abalar. Com uma voz alta e clara, anunciou. ¡ª Nossa rainha, nossa criadora e nossa mestra, finalmente est¨¢ de volta. Nesse momento, todos os mascarados ca¨ªram pesadamente com os joelhos direitos no ch?o, suas cabe?as baixadas em dire??o ao Puni??o divina, como se prestassem uma homenagem. Ao mesmo tempo, a figura alada caminhou at¨¦ a frente de Ana, prostrando-se diretamente aos p¨¦s dela. O local ficou em sil¨ºncio absoluto, a ¨²nica coisa que se ouvia era o som da respira??o dos presentes e a brisa que entrava pelos largos port?es que foram deixados abertos.
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Capítulo 93 - Aurora da Escudeira
Jasmim estava sentada em sua poltrona, aproveitando o pequeno momento de paz entre suas atribui??es. O ambiente era aconchegante e silencioso, at¨¦ que, de repente, a porta se abriu com um rangido suave, e um dos escudeiros da guilda entrou apressadamente, interrompendo a calma. ¡ª Senhora Jasmim, voc¨º precisa ver isso. ¨¦ simplesmente... surpreendente! ¡ª disse ele, com uma mistura de urg¨ºncia e fascina??o na voz. ¡ª O que aconteceu? ¡ª perguntou a garota, curiosa, mas mantendo o tom de autoridade enquanto arqueava uma sobrancelha. O escudeiro hesitou por um momento, como se as palavras lhe faltassem. ¡ª ¨¦ melhor que voc¨º veja por si mesma ¡ª respondeu ele, fazendo um gesto para que ela o seguisse. Levantando-se do confort¨¢vel assento, Jasmim cruzou o escrit¨®rio com passos firmes. Ao chegar ¨¤ janela, olhou para o campo de treinamento abaixo. O cen¨¢rio que encontrou era inesperado. A garota misteriosa que apareceu na guilda no dia anterior, L¨²cia, estava de p¨¦, segurando uma espada de madeira com firmeza. Sua postura era relaxada, como se tudo aquilo n?o passasse de uma brincadeira. ¨¤ sua frente, um garoto um pouco mais velho, de aproximadamente 14 anos, se preparava para um combate amig¨¢vel. Ao lado deles, estava Henrique, o instrutor de combate dos novatos. Henrique era um homem de meia-idade, com cerca de 40 anos, de porte atl¨¦tico e imponente. Sua altura de aproximadamente um metro e oitenta e cinco dava-lhe uma presen?a marcante e intimidadora. Seu rosto anguloso, com uma mand¨ªbula forte e olhos de um azul profundo, exibia uma express?o de rigor e compreens?o, tra?os de algu¨¦m que viu muitos combates. Os cabelos curtos e escuros, ligeiramente grisalhos nas t¨ºmporas, complementavam sua apar¨ºncia de veterano. A postura r¨ªgida do instrutor indicava que algo fora do comum estava prestes a acontecer. Com um gesto decidido nas m?os, ele deu in¨ªcio ¨¤ disputa. Em um instante, L¨²cia se moveu. Seu corpo executou um giro incomum, quase como se estivesse dan?ando, mas com uma precis?o assustadora. Antes que o garoto tivesse tempo de reagir, ela acertou os n¨®s de seus dedos com a ponta da espada de madeira. O som seco de ossos quebrando ecoou pelo campo, trazendo certa agonia seguida pelo grito de dor do garoto, que deixou sua arma cair ao ch?o, antes do pr¨®prio cair de bunda. ¡ª Fraco demais ¡ª murmurou L¨²cia, com uma voz baixa, mas carregada de desprezo. Ela permaneceu im¨®vel, olhando para o advers¨¢rio ca¨ªdo com um olhar cada vez mais frio e desdenhoso. L¨¢ de cima, Jasmim observava a cena com olhos atentos e uma express?o de surpresa. ¡ª Movimentos parecidos com os de minha irm?¡­ ¡ª ela murmurou para si mesma. A ca?adora tamb¨¦m estava surpresa, mas n?o apenas pela t¨¦cnica da menina. Era evidente que L¨²cia estava em um n¨ªvel completamente diferente dos outros de sua idade. Seus movimentos eram fluidos e r¨¢pidos, com uma agilidade que superava em muito o que se esperaria de uma crian?a. A velocidade com que ela executou o golpe indicavam um controle corporal raro, como se cada fibra de seu ser estivesse em sincronia com a mana que flu¨ªa atrav¨¦s dela. ¡°Como uma garota t?o jovem pode ter tanta mana em sua carne?¡±, ponderou Jasmim por um momento. Intrigada pelo desempenho impressionante de L¨²cia, a mulher decidiu testar os limites da garota. Sem desviar o olhar da janela, falou calmamente para o escudeiro que ainda estava na sala. ¡ª Mande chamar um guerreiro mais experiente. Quero entender o verdadeiro n¨ªvel dela. O garoto assentiu, tocando um pequeno brinco de uma pedra azulada em seu ouvido. Ele transmitiu as ordens para Henrique, que levantou o olhar em dire??o ¨¤ janela onde o observavam. Um brilho de desagrado passou por seus olhos, mas ele acatou as instru??es com um suspiro resignado. O homem ent?o chamou um jovem ca?ador de rank E, que rapidamente se aproximou. Ele tinha aproximadamente 18 anos e uma postura confiante.The narrative has been illicitly obtained; should you discover it on Amazon, report the violation. ¡ª N?o, isso n?o ser¨¢ suficiente. Traga algu¨¦m mais forte. Quero ver at¨¦ onde ela pode ir ¡ª Jasmim, ainda insatisfeita, falou novamente ao escudeiro. O instrutor, claramente ainda mais irritado, praguejou baixinho antes de acenar para um segundo guerreiro, um ca?ador de rank D, que aparentava ter cerca de 20 anos. O jovem pegou uma espada de madeira no estande antes de se aproximar com passos lentos, preparando-se para o combate. Ele olhou para a menina ¨¤ sua frente com um largo sorriso condescendente. ¡ª Voc¨º tem sorte de aprender com um s¨ºnior, sinta-se grata! ¡ª disse o jovem, come?ando a circular sua mana. A espada de madeira come?ou a estalar, emitindo um leve brilho azulado. ¡ª Pegue leve. Ela ¨¦ apenas uma menina de 13 anos ¡ª interveio Henrique, preocupado. O ca?ador resmungou, mas come?ou a reduzir a quantidade de energia que estava emitindo. No entanto, naquele momento, ele percebeu que n?o conseguia mais ver L¨²cia. Foi em um ¨²nico segundo, mas antes que tivesse tempo de processar, sentiu uma rajada de vento vinda de seu lado. Instintivamente, aumentou novamente a mana na espada de forma abrupta, que come?ou a rachar sob a press?o, e conseguiu bloquear o golpe de L¨²cia por um triz. A for?a do impacto foi t?o intensa que a espada do ca?ador explodiu em lascas, for?ando-o a dar v¨¢rios passos para tr¨¢s. Antes que pudesse se recompor, viu a espada da pequena crian?a vindo novamente em dire??o ao seu peito. Com um reflexo r¨¢pido, ele focou toda a sua mana em seu bra?o, utilizando-o para golpear o ataque com for?a. A arma voou longe, e ele imediatamente esticou a m?o para agarrar a garota. Para sua tristeza, L¨²cia estava um passo ¨¤ frente. Como se previsse o movimento, a m?o livre dela j¨¢ estava manifestando uma estaca de pedra afiada. Com um olhar determinado, ela avan?ou. O homem cruzou os bra?os na frente do peito, tentando se proteger, mas era tarde demais. A estaca de pedra perfurou seus dois membros e atravessou a armadura, causando uma explos?o vermelha. O homem caiu no ch?o, chocado e assustado. Sangue escorria de seus bra?os feridos, manchando o solo do campo de treinamento. Alguns dos novatos que assistiam a cena correram para ajudar, suas express?es refletindo uma mistura de medo e admira??o. Henrique, com o rosto fechado, se aproximou da garota. Sua voz era firme, mas havia uma nota de preocupa??o. ¡ª Voc¨º precisa se controlar, L¨²cia! Isso n?o era um combate real, era uma simula??o ¡ª repreendeu ele, sua voz ecoando no espa?o silencioso. ¡ª Pe?a desculpas, agora. L¨²cia baixou a cabe?a, os olhos fixos no ch?o. A postura r¨ªgida dela suavizou-se por um momento, como se uma sombra de d¨²vida passasse por sua mente. Ela murmurou, quase inaudivelmente, mas o suficiente para que o instrutor ouvisse. ¡ª Fracos n?o ganham desculpas, fracos morrem. Essas palavras eram mais do que um simples eco dos ensinamentos de Ana; eram uma janela para a alma de L¨²cia, marcada pelas li??es duras e pelo mundo cruel em que vivia. Em meio ao combate, fraqueza n?o era apenas um defeito, mas uma senten?a de morte. Henrique hesitou por um momento, surpreso pela intensidade da resposta. Ele n?o esperava uma filosofia t?o impiedosa de algu¨¦m t?o jovem. O peso daquelas palavras era palp¨¢vel, como se carregassem uma verdade inescap¨¢vel, aprendida atrav¨¦s de experi¨ºncias amargas. Ainda assim, acertou a cabe?a da novata com um cascudo e franziu a testa pela desobedi¨ºncia. ¡ª V¨¢ logo, sem teimosia, pe?a desculpas. ¡ª Ok¡­ ¡ª resmungou a crian?a, ainda olhando para o ch?o de forma irritada e indo em dire??o ao seu oponente ca¨ªdo. Jasmim, seguia observando da janela, absorvendo cada detalhe da cena. Por tr¨¢s de seus olhos avaliadores, uma tempestade de pensamentos fervilhava. ¡°Um incr¨ªvel dom¨ªnio da espada e manifesta??es poderosas¡­ Ana estava criando um monstro¡±, pensou a ca?adora, com um sorriso se abrindo de orelha a orelha pela fortuita colheita cada vez mais inesperada.
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Capítulo 94 - Duelo de Honra
Ana olhou ao redor, tentando entender a situa??o bizarra em que se encontrava. ¡ª O que est¨¢ acontecendo aqui? ¡ª perguntou, sua voz em uma mistura de confus?o e curiosidade. A figura alada ergueu o rosto mascarado, a luz dos vitrais refletindo em suas asas brancas. Havia uma calma inabal¨¢vel em seus movimentos, como se estivesse em presen?a de algo sagrado. ¡ª Estamos esperando por voc¨º h¨¢ tanto tempo ¡ª come?ou ela, a voz carregada de emo??o contida. ¡ª Fomos chamados de loucos, amaldi?oados, mas nunca perdemos as esperan?as. Nunca esquecemos da criadora que nos moldou com suas pr¨®prias m?os, de todo o cuidado gravado em nossos corpos. Ana franziu a testa, tentando processar as palavras, quando em um instante o ser alado retirou a m¨¢scara lentamente, revelando um rosto que a fez congelar. Era Gabriel, ou melhor, uma r¨¦plica perfeita dele. Mas algo estava errado. Havia uma aus¨ºncia de vida, uma inumanidade nos olhos que a perturbava profundamente, mesmo tendo fei??es perfeitamente iguais ao anjo real. Seus m¨²sculos se moviam de forma mecanica, quase que algo temporizado, adentrando profundamente no vale da estranheza. ¡ª Esse... lugar... ¡ª murmurou a mercen¨¢ria, sua voz falhando. ¡ª Esse lugar¡­ Seu corpo instintivamente queria sair dali; tal lugar era uma das poucas coisas que realmente a amedrontavam. Lembrou de como fez cada est¨¢tua com amor, de como ficou feliz criando cada habitante durante o Grande Vazio. No come?o, parecia que estava trazendo ¨¤ luz seu pr¨®prio mundo, mas recordava com clareza como o resultado final parecia um filme de horror antigo. E agora, como se dissesse que seus receios sempre foram verdadeiros, l¨¢ estavam elas, se erguendo diante dela, vivas e conscientes. ¡°Bom, por enquanto vou apenas aproveitar a sorte que sorriu para mim¡±, pensou, rindo para si mesma, uma risada curta e amarga ao terminar de refletir sobre a situa??o. Estava prestes a responder, tentando encontrar as palavras certas, quando Andr¨¦, o l¨ªder dos bestiais, interrompeu com um grito gutural. ¡ª Basta! ¡ª rugiu ele, sua voz profunda ecoando pelo sal?o. ¡ª Isso ¨¦ uma farsa! N?o existe rainha nenhuma! Ana virou-se para a voz, sua express?o endurecendo. Ela havia esquecido momentaneamente do perigo imediato em que se encontrava. Andr¨¦, com seus m¨²sculos tensos e olhos selvagens, avan?ava lentamente, seus seguidores rosnando em un¨ªssono. Gabriel, ou o que quer que fosse aquela figura com o rosto dele, ainda segurando a m¨¢scara nas m?os, deu um passo ¨¤ frente, protegendo Ana com suas asas estendidas, mas a mercen¨¢ria encostou em seu ombro, indicando que se retirasse. O anjo de pedra recuou de forma hesitante, mas obediente. Ana se posicionou no topo da escada que levava ao trono, seu olhar fixo no bestial. Ela adotou uma postura quase teatral, deixando que a dramaticidade do momento tomasse conta da sala. Com um leve sorriso no olhar, falou com uma calma que escondia a intensidade de sua presen?a. ¡ª Como pode ver, Andr¨¦, a situa??o mudou. Se o seu objetivo ¨¦ evitar mais mortes, devo dizer que lutar seria um esfor?o in¨²til. Ela come?ou a descer as escadas, cada passo ecoando no sal?o silencioso. Seus olhos n?o deixaram seu oponente aenquanto se aproximava, e quando chegou ao ¨²ltimo degrau, olhou-o de cima a baixo, avaliando cada detalhe de sua postura. ¡ª Voc¨ºs nos atacaram sem provoca??o ¡ª continuou Ana, sua voz firme e clara. ¡ª Meu grupo estava apenas tentando sobreviver, mas voc¨ºs decidiram transformar isso em uma briga. Andr¨¦ rangeu os dentes, o som se misturando com a quietude tensa que dominava o ambiente. Ele desviou o olhar para os mascarados ao redor, que j¨¢ estavam com as m?os firmemente pousadas no punho de suas armas, prontos para agir ao menor sinal de confronto. O peso da situa??o estava evidente em seu rosto. Ap¨®s um breve momento de hesita??o, ele suspirou profundamente, resignado. ¡ª Como rei, tenho a responsabilidade de proteger meu povo ¡ª disse ele finalmente, sua voz grave, mas resoluta. ¡ª N?o havia como saber que voc¨ºs n?o faziam parte do ex¨¦rcito inimigo. Num mundo como o nosso, onde trai??es e armadilhas est?o em cada esquina, n?o podemos nos dar ao luxo de correr riscos. Mas agora, vendo a situa??o, reconhe?o que um confronto aberto seria desnecess¨¢rio. ¨¤s vezes ¨¦ dif¨ªcil controlar nossa... agressividade. Ele respirou fundo, olhando novamente para seus seguidores antes de voltar o olhar para Ana. ¡ª No entanto, n?o posso permitir que saiam impunes pelo sangue derramado. Exijo um duelo, para que possamos resolver isso de maneira justa. Ana ficou surpresa com a eloqu¨ºncia do bestial. A maneira como ele articulava suas palavras, com a gravidade e o peso de um verdadeiro l¨ªder, a fez perceber que ele realmente exalava a presen?a de um rei. Essa percep??o a fez refletir por um breve momento enquanto sua m?o alcan?ava a espada em suas costas. Quando tentou puxar a lamina, sentiu-a enroscar na bainha, e uma express?o de frustra??o cruzou seu rosto. "Ela cresceu de novo¡­ t?o inc?modo", pensou, percebendo que a espada havia mudado mais uma vez, provavelmente absorvendo energia das mortes durante a fuga. Com um movimento calculado, ela girou a arma, deixando a ponta bater no ch?o diante dela, o peso de sua estrutura de metal negro vagando pela sala. ¡ª Se essa ¨¦ a ¨²nica forma de resolver isso, que seja ¡ª disse Ana, sua voz inabal¨¢vel. ¡ª Mas exijo uma garantia: se voc¨º vencer, apenas v¨¢ embora, deixe meu grupo em paz. Andr¨¦ grunhiu em resposta, seus olhos se estreitando com uma mistura de desconfian?a e respeito. Ele sentia que Ana n?o era uma oponente comum. ¡ª Eu exijo o mesmo ¡ª respondeu, a voz carregada de uma gravidade profunda. ¡ª Se eu perder, voc¨º e os seus deixam o meu povo partir sem interfer¨ºncias.The tale has been taken without authorization; if you see it on Amazon, report the incident. Com um estalo que parecia ressoar por todo o sal?o, Andr¨¦ voltou ¨¤ sua postura animalesca. Seus m¨²sculos incharam, a pele esticando sobre os ossos enquanto seus olhos assumiam um brilho vermelho intenso, quase sobrenatural. Ele parecia ter se transformado em uma besta, uma m¨¢quina de combate pura, pronta para a batalha. Ana o observou por um instante, seu olhar afiado analisando cada movimento do homem. Ela ponderou as pr¨®ximas a??es, sua mente r¨¢pida considerando as poss¨ªveis estrat¨¦gias. Ent?o, com uma decis?o firme, fincou a espada no ch?o ao seu lado, deixando a lamina cravada no m¨¢rmore polido. Ap¨®s balan?ar o corpo, adotou uma postura de luta desarmada, os punhos cerrados dentro das manoplas que agora reluziam com uma intensidade quase amea?adora. ¡°For?a bruta n?o vai ser o suficiente¡±, refletiu, tentando decidir o que faria na luta inesperada. O mundo parecia mergulhado em tens?o, como se o pr¨®prio ar estivesse ¨¤ espera do confronto iminente. As figuras mascaradas ao redor estavam desconfort¨¢veis, os olhos fixos na cena que se desenrolava. Ana e Andr¨¦ se encararam, e em um instante, ele se lan?ou para frente com uma velocidade surpreendente para algu¨¦m de sua estatura, os punhos cerrados como martelos prontos para esmagar. A mercen¨¢ria desviou no ¨²ltimo segundo, seu corpo girando graciosamente enquanto a m?o direita subia em um gancho ascendente, visando o queixo de Andr¨¦, fazendo sua cabe?a estalar para tr¨¢s. Andr¨¦ recuou com o impacto, mas rapidamente voltou a se lan?ar contra a mulher usando seus instintos animais. Ele desferiu um soco pesado, mas Ana abaixou-se, aplicando uma rasteira baixa que o desequilibrou. Em vez de cair, Andr¨¦ usou o impulso para girar no ar e desferir um chute lateral com for?a bruta na dire??o do est?mago da guerreira. Ana foi pega de surpresa, bloqueando o chute com os antebra?os cruzados em x como uma defesa r¨¢pida, mas o impacto a fez recuar v¨¢rios passos. ¡ª Porra, porra, porra! Que for?a desgra?ada ¡ª reclamou, balan?ando os bra?os. ¡ª Isso ¨¦ totalmente injusto. ¡ª Ra?a inferior¡­ Fraca¡­ ¡ª Parece que algu¨¦m est¨¢ meio lerdo de novo¡­ Antes que ela pudesse recuperar totalmente o equil¨ªbrio, Andr¨¦ saltou para um dos pilares pr¨®ximos, agarrando-se a ele com for?a. Com um impulso poderoso, ele se lan?ou em dire??o a Ana, estendendo os bra?os como garras, pronto para rasgar o que encontrasse. Ana rolou para o lado, mas ele, em um movimento intenso, pousou com os quatro membros no ch?o, como uma fera, disparando para atacar de novo. Ana se esquivou, inclinando-se em um movimento fluido para evitar o golpe, e desferiu uma cotovelada nas costas de Andr¨¦, abrindo um grande corte com a lamina de seu equipamento, o qual para sua surpresa resultou apenas em uma ferida n?o t?o profunda. Ele grunhiu de dor, mas, assim como antes, em vez de recuar, usou a for?a do impacto para se virar e desferir um gancho de esquerda que acertou o lado do corpo de Ana, fazendo-a ofegar. ¡°Isso n?o ¨¦ bom¡­¡±, sentindo a forte dor do ataque, Ana finalmente tomou uma decis?o. Suas manoplas e botas come?aram a emitir um brilho intenso, e pareciam estar quase fervendo quando um estranho vapor come?ou a ser emitido. Ana n?o pretendia lutar com manifesta??es de mana, n?o teve oportunidades suficientes para treinar isso devido a sua situa??o peculiar, ent?o estava apenas gastando energia deliberadamente na inten??o de aumentar sua for?a atrav¨¦s do dom¨ªnio da mana reversa. Sem saber disso, Andr¨¦ come?ou a caminhar ao redor da mulher, hesitando em avan?ar precipitadamente. Foi ent?o que, dessa vez, Ana quem saltou para frente com um movimento inesperado. A garota usou a velocidade do impulso para girar sobre o pr¨®prio eixo, e abaixando-se levemente girou sua perna em um arco baixo que repentinamente mudou de dire??o, deslocando a mira do tornozelo de seu oponente para seu pesco?o. Devido a proximidade, o l¨ªder bestial desviou de forma improvisada, cambaleando para tr¨¢s, por¨¦m Ana fez um nova investida, acertando o joelho em suas costelas, o impacto fazendo o ar sair de seus pulm?es. Andr¨¦ quase caiu, sendo obrigado a recuar v¨¢rios metros, recuperando o f?lego, e ent?o encarou a duelista a sua frente, se deparando com um inesperado sorriso. S¨® ent?o sentiu uma dor atrasada, e com certa confus?o passou as m?os sobre onde o joelho da mulher o havia acertado, notando um grande sulco em seu pulm?o. Seus olhos se arregalaram, algo assim n?o deveria ter acontecido com a resist¨ºncia que seu corpo possu¨ªa, mas um novo toque de seus dedos mostraram que n?o era um engano. Antes que pudesse entender completamente a not¨¢vel mudan?a de for?a, saltou para um pilar, desviando de um novo golpe que veio em dire??o a sua cabe?a. Com uma alta agilidade, o usou como uma plataforma para impulsionar-se no ar, girando em um ataque a¨¦reo preciso. ¡ª Idiota ¡ª gritou Ana, sorrindo cada vez mais enquando dava dois passos r¨¢pidos em recuo, sentindo o metal familiar chegar em suas m?os. Andr¨¦, ainda no ar, descia em alta velocidade, uma verdadeira for?a da natureza, pronto para desferir seu ¨²ltimo ataque. Ana manteve a calma, posicionando-se com precis?o. Ela arrastou o pesado objeto pelo ch?o e as fa¨ªscas saltaram enquanto a espada desenhava um rastro brilhante no m¨¢rmore, antes de subir em um arco poderoso. Suas pernas mudaram de posi??o, visando manter seu equil¨ªbrio, e logo a arma cortou o ar com um som agudo e acertou o bestial diretamente no abd?men. A lamina penetrou profundamente, cortando at¨¦ a metade do t¨®rax antes de ficar presa entre as costelas, destruindo v¨¢rios ¨®rg?os internos em seu caminho. O impacto foi devastador, mas Andr¨¦, com uma for?a de vontade impressionante, permaneceu consciente. Seus olhos, antes ferozes, agora estavam carregados de dor e resigna??o. Ele fitou Ana com um olhar que misturava respeito e aceita??o. ¡ª Voc¨º venceu... Ana soltou uma risada alta, que reverberou pelo sal?o. Havia uma amargura na sua voz, mas tamb¨¦m uma satisfa??o cruel. ¡ª Sim, eu venci. ¡ª Mantenha... a promessa... Ana observou o homem ¨¤ sua frente, algu¨¦m que, apesar de toda a brutalidade, tinha uma honra pr¨®pria. Ela acenou lentamente, mas ent?o virou-se para a figura alada, que j¨¢ havia recolocado a m¨¢scara. ¡ª Voc¨ºs realmente me consideram uma rainha? ¡ª perguntou, com uma curiosidade genu¨ªna. ¡ª Sim, servir a voc¨º ¨¦ o nosso prop¨®sito, Criadora. Ana ponderou por um momento, seus pensamentos se movendo rapidamente enquanto processava o que isso significava. Com um suspiro quase impercept¨ªvel, ela se virou para Andr¨¦, que mal respirava. ¡ª Num mundo como o nosso, onde trai??es e armadilhas est?o em cada esquina, n?o podemos nos dar ao luxo de correr riscos ¡ª disse Ana, repetindo a explica??o de seu agressor. Andr¨¦ franziu o cenho, a confus?o evidente em seus olhos j¨¢ enfraquecidos. Vendo isso, Ana se abaixou pr¨®ximo a seu rosto e se inclinou um pouco, permitindo que ele ouvisse bem. ¡ª Matem todos que n?o se renderem. As palavras foram ditas suavemente, mas o impacto foi imediato e devastador. As portas do sal?o se fecharam com um estrondo, e o som das laminas saindo das bainhas ecoou pelo espa?o. O olhar de Andr¨¦ se encheu de l¨¢grimas, escorrendo por seu rosto enquanto a compreens?o e o desespero tomavam conta dele. Com seus ¨²ltimos momentos, ele assistiu impotente enquanto seu mundo desmoronava.
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Capítulo 95 - O Peso da Existência
Ana, a est¨¢tua de Gabriel e a Sombra estavam reunidas na sala do trono. O ambiente ainda estava impregnado pelo cheiro de sangue, resqu¨ªcio da batalha recente. Ap¨®s os tratamentos b¨¢sicos, o restante do grupo descansava em um dos cantos, exaustos, tentando recuperar as for?as. Por um momento, Ana balan?ou sua espada longa no ar. A arma j¨¢ estava com quase um metro e setenta e cinco depois das ¨²ltimas batalhas, tornando-se algo pouco pr¨¢tico para uso rotineiro. Por¨¦m, algo diferente ocorreu ap¨®s Andr¨¦ finalmente deixar de respirar; a lamina, que sempre crescia em tamanho e peso, ficou sutilmente mais leve. A mudan?a parecia quase impercept¨ªvel, mas a mercen¨¢ria j¨¢ estava acostumada o suficiente em notar as pequenas altera??es na espada negra, e a dr¨¢stica mudan?a de comportamento a deixou intrigada. Ap¨®s a encarar por alguns minutos, a colocou cuidadosamente ao lado do trono com um longo suspiro. ¡ª Como isso aconteceu? Como voc¨ºs criaram vida? ¡ª perguntou Ana, quebrando o sil¨ºncio com uma pergunta que j¨¢ estava a horas fervendo em sua mente. A mercen¨¢ria mudou de posi??o, quase deitando-se no trono, totalmente relaxada, enquanto a sombra se escorava na escada. A figura alada, por outro lado, mantinha uma postura ereta com a cabe?a levemente abaixada, como se nervosa por estar em frente a algu¨¦m que exigia respeito. ¡ª N?o sabemos ao certo. Um dia, simplesmente¡­ despertamos. Foi como se a vida tivesse sido soprada em n¨®s. E, com o movimento, vieram as mem¨®rias. Mem¨®rias de eras em que estivemos estagnados, sem perceber o tempo passar ¡ª sua voz inexpressiva ecoava pelo local, quando certa ternura come?ou a surgir em cada palavra. ¡ª De imediato lembramo-nos do seu toque, da primeira vez que sentimos sua m?o moldando nossas formas. Ana estreitou os olhos, processando as palavras. Aquilo tudo n?o parecia muito poss¨ªvel. ¡ª Isso foi h¨¢ s¨¦culos... ¡ª murmurou ela, a perplexidade evidente em sua voz. Gabriel assentiu levemente. ¡ª Sim, sei disso. Mas, na realidade, o nosso despertar ocorreu apenas nos ¨²ltimos anos. ¡ª E n?o pensaram em se mudar para algum outro lugar? Essa cidade est¨¢ um lixo¡­ ¡ª Oh, n?o¡­ N?o precisamos dormir, n?o sentimos fome ou sede, e... n?o envelhecemos. J¨¢ sa¨ªmos daqui antes, mas as pessoas nos evitam, fomos nomeados de amaldi?oados, e desde ent?o poucos se aproximam¡­ Os olhos de Ana brilharam de repente com as palavras, sua express?o iluminou-se. ¡ª Um corpo imortal que n?o se cansa? Voc¨ºs podem desbravar tudo o que existe no mundo! Isso... isso ¨¦ a perfei??o, a verdadeira liberdade! Como podem pensar ser amaldi?oados?! ¡ª disse ela, com um tom de inveja quase infantil. ¡ª N?o ¨¦ t?o simples, nem t?o perfeito¡­ N?o sentimos vontades, n?o temos desejos ou sonhos. Apenas existimos. A cidade onde vivemos, que uma vez foi vibrante, agora est¨¢ em decad¨ºncia. Sem objetivos, sem algo para guiar nossos passos... tudo o que ansi¨¢vamos era o seu retorno. Um anseio por algo que nos motive a continuar, nos d¨º um objetivo. ¡ª Eles s?o semelhantes a mim¡­ ¡ª a Sombra, que at¨¦ ent?o estava em sil¨ºncio, murmurou suavemente. Ana franziu a testa, intrigada. ¡ª De que forma? A Sombra suspirou, como se estivesse prestes a explicar algo complexo e profundo. ¡ª S?o erros. Sabe, a M?e... ela est¨¢ em tudo: nas ¨¢rvores, na brisa, no mar. Ela ¨¦ parte do mundo, e sua vontade permeia cada coisa, mesmo quando ausente. Eu fui criada a partir de uma fra??o dessa vontade, sou fruto de sua ess¨ºncia. Com estas palavras, a Sombra se endireitou na escada, esticando as costas com um espregui?o antes de continuar. ¡ª A mana reversa que flui em meu corpo ¨¦ uma manifesta??o dessa vontade. Pelo que aprendi da M?e, a mana comum ¨¦ como Deus; ¨¦ a pr¨®pria vontade da Criadora. A mana reversa, por outro lado, ¨¦ a ant¨ªtese, uma forma de se opor ao ser que lhe nega. Mana reversa ¨¦ o que desafia Deus... mana reversa ¨¦ a pr¨®pria M?e. A Sombra fez uma pausa, deixando suas palavras pairarem no ar antes de seguir sua explica??o, seus olhos sombrios refletindo a curiosidade dos dois ouvintes.Support the creativity of authors by visiting Royal Road for this novel and more. ¡ª Infelizmente, diferente das cria??es de Deus, o que surge atrav¨¦s da M?e s?o falhas. Sombras como eu... n¨®s n?o temos sentimentos profundos, ¨¦ como se estiv¨¦ssemos ¨¤ margem da exist¨ºncia. Entendemos o que ¨¦ viver, mas n?o experimentamos o mundo da mesma forma que os outros seres vivos. E essas est¨¢tuas... elas s?o como eu, seres incompletos, criados sem um verdadeiro prop¨®sito. Ana olhou para o ser mascarado, tentando absorver o que a Sombra acabara de dizer. Havia algo de tr¨¢gico naquilo, uma beleza melanc¨®lica na ideia de existir sem prop¨®sito, sem um verdadeiro sentido de ser. Era algo que ela entendia por si pr¨®pria, e, para falar a verdade, um estado de exist¨ºncia que ela daria tudo para recuperar. ¡ª No entanto ¡ª continuou a Sombra, sua voz ganhando um tom de fasc¨ªnio ¡ª H¨¢ algo extraordin¨¢rio nisso. A M?e cedeu parte de si para criar companheiros que pudessem compartilhar seu ¨®dio, sua loucura. Ela se dividiu para dar origem a essas falhas, esses reflexos imperfeitos de sua vontade. ¡ª Ainda n?o sei se entendo onde quer chegar¡­ ¡ª murmurou Ana, tentando captar o sentido do que ouvia. A Sombra sorriu, uma express?o que misturava empatia e resigna??o. ¡ª Minha habilidade, Ana, ¨¦ uma c¨®pia da habilidade da M?e. Eu compartilho minha ess¨ºncia atrav¨¦s da minha m¨²sica, e com isso, trago o poder da cria??o, mesmo que tempor¨¢rio, para minhas m?os. Mas ¨¦ uma cria??o limitada, apenas intensa o suficiente para que corpos que j¨¢ perderam sua mana ou que aceitam voluntariamente minha invas?o sigam minha vontade. Podemos dizer que eles s?o como sombras menores, falhas ainda mais evidentes do que eu mesma. ¡ª Fale logo de uma vez! ¡ª Eu acredito que voc¨º deve ter alguma habilidade semelhante ¨¤ da M?e. De alguma forma, voc¨º imbuiu sua vontade em suas cria??es. Mas, ao contr¨¢rio de mim, elas parecem simplesmente¡­ vazias. Os olhos de todos se reuniram em Gabriel, tentando sentir algo, qualquer tra?o de energia. Mas como dito, havia apenas um vazio. Nenhuma mana, nenhuma mana reversa. Apenas o nada, como se estivessem olhando para uma pedra comum. ¡ª E ¨¦ isso que torna tudo t?o intrigante ¡ª completou a Sombra. ¡ª N?o faz sentido, n?o ¨¦ a natureza da cria??o, nem da cria??o falha. ¨¦ incr¨ªvel, mas meio¡­ sem gra?a. ¡ª Ent?o, o que sustenta a exist¨ºncia de voc¨ºs? ¡ª Ana respirou fundo, agora se dirigindo ¨¤ est¨¢tua novamente, tentando encontrar uma explica??o l¨®gica. A figura mascarada inclinou a cabe?a levemente, como se ponderasse a quest?o. ¡ª N?o tenho a resposta para isso. ¡ª Certo¡­ ¡ª suspirou a nova rainha. ¡ª Mas voc¨ºs s?o... bizarros como essa mulher? Acham que sou sua m?e? A est¨¢tua alada balan?ou a cabe?a suavemente. ¡ª N?o exatamente. ¨¦ mais como se f?ssemos parte de voc¨º, uma extens?o de seus desejos. Voc¨º ¨¦ nossa mestra. Mas, pela gentileza com que nos moldou, "mestra" parecia inadequado¡­ Por unanimidade, decidimos que somos o seu povo, e voc¨º ¨¦ nossa rainha. ¡ª Oh, sim, sou realmente gentil¡­ ¡ª acenou lentamente a mulher, perdida em seus pensamentos. ¡ª Se ¨¦ assim, que seja. No momento, estou fraca demais para perseguir todas as respostas que este mundo me deve. Aproveitando a mudan?a de tom, ela voltou-se para a Sombra mais uma vez. ¡ª E quanto ¨¤ igreja sombria? Onde entra na sua hist¨®ria? ¡ª N?o tenho muito a dizer, religi?o ¨¦ ideia de uma de minhas irm?s. ¡ª J¨¢ ouvi algo assim antes¡­ realmente n?o trabalham juntas? Tipo uma organiza??o gigante de Sombras ou alguma bobeira assim? A Sombra hesitou por um momento antes de responder, mas logo balan?ou a cabe?a com um sorriso, como se n?o importasse. ¡ª Somos apenas dez. Ou melhor, nove agora, j¨¢ que uma de n¨®s foi consumida, tratada como gado. Ana sorriu, co?ando a cabe?a, tentando desviar o assunto. ¡ª S¨® dez de voc¨ºs? Por que t?o poucas? ¡ª Nove ¡ª ressaltou novamente a barda, com uma pequena alfinetada. ¡ª Como eu expliquei, a M?e usava sua ess¨ºncia para transformar apenas aqueles que considerava especiais. Pessoas ou artefatos que a surpreendiam, como eu, ou como sua espada. ¡ª Transformar...? Ent?o, voc¨º era humana? ¡ª Sim, era humana. Meu nome j¨¢ foi conhecido pelo mundo. Minha m¨²sica ecoou nos sal?es dos imperadores. Mas isso faz parte de hist¨®rias h¨¢ muito esquecidas, n?o ¨¦ mais quem eu sou¡­ Ela continuou, sua voz suave e cheia de tristeza. ¡ª A M?e sempre deixava uma parte m¨ªnima de si em cada cria??o. Isso a enfraquecia um pouco a cada vez, por isso t?o poucas escolhidas. Ana, perdida em seus pensamentos, come?ou a pensar em seu tempo ao lado do anjo. De repente, uma ideia surgiu em sua mente. Ela se lembrou de como Gabriel parecia se tornar mais distante, mais vago, sempre que colocava um novo selo nela. "Ser¨¢ que as facetas em minha mente s?o partes de sua ess¨ºncia que foram deixadas para tr¨¢s? Por que voc¨º se sacrificaria por mim, Gabriel?¡± Uma onda de surpresa repentinamente a atingiu, e mem¨®rias passavam como um filme atr¨¢s de seus olhos. ¡°Supondo que sua exist¨ºncia seja t?o longa quanto a sombra fez parecer, talvez esse enfraquecimento explique como foi capturado com tanta facilidade¡­¡± Muito do que flutuava em sua mente ainda n?o se encaixava, e as centenas de quest?es a incomodavam, mas ainda assim sentiu certa satisfa??o em entender um pouco mais do que aconteceu em seu passado. ¡°¨¦ realmente um anjo est¨²pido¡­¡±, pensou, enquanto sentava-se corretamente no trono. Novamente percebeu que o tempo n?o est¨¢ mais ao seu lado, j¨¢ era hora de parar de pregui?a.
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Capítulo 96 - Sele??o de Essências
¡ª Essas s?o todas as dispon¨ªveis? ¡ª perguntou Ana, sua voz calma, mas com uma ponta de impaci¨ºncia. A mercen¨¢ria percorreu os corredores do galp?o, seus olhos fixos na cole??o dispostas em longas fileiras. Atr¨¢s dela, um homem usando uma m¨¢scara de madeira esculpida em um sorriso exagerado, que parecia ter sido entalhada com cuidado, respondeu com entusiasmo. ¡ª Sim, minha senhora! Estas s?o todas. Havia uma anima??o quase perturbadora em sua voz, como se ele estivesse genuinamente feliz por ajudar. Ana estudou-o por um momento, ponderando sobre o qu?o estranho era todo aquele cen¨¢rio. Mais cedo, ela ordenara que os habitantes tirassem suas m¨¢scaras, pois achava assustador andar em meio a tantas pessoas com os rostos cobertos. Todos os quase quinhentos habitantes obedeceram prontamente, revelando rostos inexpressivos. No instante em que viram aquelas fei??es vazias e sem vida, todo o puni??o divina, por unanimidade, pediu para colocarem de volta em meio a arrepios. Depois de uma breve reflex?o, decidiram que seria melhor que todos usassem m¨¢scaras. Pelo menos, assim, a situa??o parecia menos estranha, haveria uma uniformidade que tornaria o ambiente mais suport¨¢vel. ¡ª N?o faz sentido ter tantas¡­ ¡ª murmurou a nova rainha, seguindo a passo lento. ¡ª Muitos habitantes morreram ou foram escravizados ao longo dos anos, ent?o v¨¢rias m¨¢scaras ficaram sem donos. Ana lembrou-se do par de gladiadores que havia visto em Tenebris, figuras t?o distantes da vida, quase como fantasmas, e acenou em entendimento. Seus dedos passavam pelos entalhes e superf¨ªcies das pe?as expostas, sentindo a textura fria da madeira, do metal, do couro. Havia tantos tipos diferentes: algumas simples e elegantes, outras complexas e detalhadas, cada uma carregando uma hist¨®ria, uma personalidade pr¨®pria. Eva, que caminhava logo atr¨¢s, parou abruptamente ao ver uma m¨¢scara de raposa em tons vermelhos suaves, com detalhes refinados. Seus olhos brilharam com entusiasmo. ¡ª Essa ¨¦ fofa demais! ¡ª disse a garota ruiva, sorrindo. ¡ª Vou ficar com ela. Ana lan?ou um olhar de aprova??o, enquanto a menina vestia a m¨¢scara com cuidado, como se fosse um tesouro. Pouco depois, Alex parou diante de uma representa??o de oni azul, com chifres curvos e uma express?o feroz. Ele a observou por um momento, pensativo, antes de tamb¨¦m vesti-la. ¡ª Combina comigo... ¡ª murmurou ele, meio brincando, meio s¨¦rio. ¡ª ¨¦ meio clich¨º, mas tanto faz. Ao lado do pugilista, Luiz puxou uma m¨¢scara preta e simples, sem adornos ou detalhes. Ele a observou com um olhar cr¨ªtico antes de dar um pequeno sorriso. ¡ª Gosto da elegancia ¡ª disse, colocando-a no rosto. A Sombra, por outro lado, escolheu um rosto de ¨®pera com um sorriso torto que parecia refletir sua pr¨®pria natureza enigm¨¢tica. Ela deu de ombros, mantendo o sil¨ºncio, ajustando-a no rosto para que se encaixasse perfeitamente entre seus chifres. Seus olhos amarelados brilharam por tr¨¢s da m¨¢scara, conferindo-lhe um ar ao mesmo tempo belo, misterioso e assustador. Ana, por sua vez, torceu o nariz, insatisfeita com as op??es. Nada parecia agrad¨¢-la. Ela experimentou uma atr¨¢s da outra enquanto caminhava pelos corredores. Nenhuma parecia certa. Algumas eram excessivamente ornamentadas, outras muito simples, mas nenhuma parecia captar sua real ess¨ºncia. Finalmente, ao fundo de uma das prateleiras, ela encontrou uma m¨¢scara que imediatamente capturou sua aten??o. Era uma pe?a singular e marcante, constru¨ªda com um equil¨ªbrio entre o grotesco e o elegante. A metade direita da m¨¢scara era forjada em um metal escuro e opaco, com listras brancas e finos sulcos se espalhando como veias. Seus olhos eram serenos e autorit¨¢rios, mas algo nela criava uma sensa??o de inquietude ao se observar por muito tempo. Para completar, um chifre negro, robusto e sinuoso, surgia dessa metade, curvando-se para tr¨¢s de forma amea?adora, como se estivesse prestes a atacar a qualquer momento. A metade esquerda, em contraste, apresentava um design mais fluido, com fei??es suaves e uma textura completamente branca. Apesar de sua simplicidade, essa parte branca trazia um temor inexplic¨¢vel, superando em muito a amea?a ¨®bvia da metade escura. Desta metade emergia um chifre branco, perfeitamente esculpido, que se curvava com a mesma elegancia do chifre negro, mas com uma aura que misturava pureza e mist¨¦rio. O olho dessa face parecia sorrir, mas n?o de uma forma acolhedora; era um sorriso torcido, um misto de agonia e prazer, como se a m¨¢scara estivesse aprisionada em um eterno conflito interno. Pequenos detalhes met¨¢licos e linhas finamente gravadas percorriam a superf¨ªcie da m¨¢scara, conectando as duas metades de forma quase impercept¨ªvel, mas carregando uma tens?o entre o caos e a ordem, entre a insanidade e a frieza calculada. Ao coloc¨¢-la no rosto, Ana sentiu que a m¨¢scara n?o se ajustava perfeitamente, deixando uma leve folga que parecia real?ar o desconforto que ela transmitia. Contudo, isso n?o era um problema; era algo que poderia ser ajustado facilmente no futuro. Todos no grupo a encararam por um momento, e Eva foi a primeira a falar. ¡ª ¨¦¡­ bizarro¡­ combina bem com voc¨º¡­ Os outros assentiram, meio culpados pelo julgamento controverso em rela??o a sua l¨ªder, mas Ana deu um leve sorriso, satisfeita.The tale has been illicitly lifted; should you spot it on Amazon, report the violation. ¡ª Gostei dos chifres ¡ª comentou a Sombra, animadamente, ao ver a semelhan?a com os seus pr¨®prios. ¡ª Ent?o ¨¦ isso ¡ª disse Ana, alinhando melhor o item em seu rosto. ¡ª Vamos ficar aqui por um tempo, ent?o ¨¦ melhor se acomodarem. Irei ver alguns assuntos internos. Leve-me at¨¦ o laborat¨®rio ¡ª acrescentou, voltando-se para o homem que aguardava pr¨®ximo a porta. O mascarado fez uma rever¨ºncia, ainda com o mesmo entusiasmo, e come?ou a gui¨¢-la para o local. Ana desceu as escadas, sentindo o ar tornar-se mais denso e sombrio ¨¤ medida que avan?avam para o subsolo. As paredes do shopping, antes lisas e modernas, agora estavam adornadas com detalhes r¨²sticos, dando uma apar¨ºncia medieval ao ambiente. "Me pergunto se fizeram isso por gosto ou puro t¨¦dio", pensou Ana, intrigada pela escolha. Por fim chegaram a uma sala surpreendentemente bem iluminada. Frascos e equipamentos m¨¦dicos estavam espalhados por toda parte, organizados de forma funcional em mesas improvisadas. Em um canto, uma pia de inox e algumas tomadas estrategicamente posicionadas indicavam que aquele lugar, em algum momento, fora uma cozinha para funcion¨¢rios. Do lado oposto, uma grande gaiola, claramente forjada ¨¤s pressas, prendia seis bestiais, tr¨ºs homens e tr¨ºs mulheres. Estavam visivelmente amedrontados, mas mesmo assim seus olhos ainda brilhavam com uma f¨²ria indomada. Eram express?es desafiadoras que seguiam cada movimento de Ana, que os encarava de volta com uma calma quase sobrenatural. ¡ª Voc¨ºs s¨® t¨ºm a si mesmos para culpar. Sabe, por serem fracos ¡ª murmurou a rainha. O homem sorridente que a acompanhava entregou-lhe uma prancheta e uma caneta, como se essa fosse uma rotina comum. Ana pegou os itens e come?ou a desenhar com movimentos ¨¢geis, seus olhos ainda espreitando os prisioneiros de tempos em tempos. ¡ª Fizeram um bom trabalho. J¨¢ temos bastante coisa aqui. ¡ª Sim, minha senhora. Mas, infelizmente, conseguimos poucos equipamentos avan?ados. N?o deu para recuperar muita coisa dos escombros, mas j¨¢ estamos vasculhando a cidade em busca de tudo que possa ser ¨²til. ¡ª ¨®timo ¡ª respondeu Ana, sem levantar os olhos do esbo?o. ¡ª Como est¨¢ o andamento da limpeza da cidade? ¡ª Estamos removendo as constru??es ca¨ªdas e avaliando quais pr¨¦dios ainda podem ser utilizados ¡ª respondeu o homem, a voz carregada de um profissionalismo meticuloso. ¡ª Quero ver os planos para os muros quando forem iniciar a constru??o. Devem vir falar comigo antes de qualquer coisa. ¡ª Entendido. Vou avisar Gabriel. Fazendo uma leve rever¨ºncia, ele come?ou a se retirar, deixando Ana sozinha com seus pensamentos e o som das muitas respira??es. Ela continuou desenhando por mais alguns momentos, cada tra?o na prancheta era calculado, preciso. Seus pensamentos, no entanto, estavam longe. Havia muito o que ser feito, e ela precisava manter o controle sobre cada detalhe. A cidade estava em ru¨ªnas, mas sob sua lideran?a, ela seria reconstru¨ªda ¡ª n?o como era antes, mas de acordo com sua vis?o, seus des¨ªgnios. Tudo em fun??o de um objetivo maior. Com um profundo suspiro, tra?ou a ¨²ltima linha no retrato que fazia de uma das mulheres. Ela se recostou na cadeira, sentindo cada m¨²sculo do seu corpo relaxar ap¨®s o tempo concentrada naquele esbo?o. Esticou os bra?os para cima, em uma espregui?ada longa e pregui?osa, e, com um leve resmungo, come?ou a desamarrar as correias que seguravam sua armadura no lugar. Uma a uma, as pe?as de metal e couro foram sendo removidas, emitindo um tintilar met¨¢lico suave enquanto eram colocadas de lado. O peso das placas de metal que ca¨ªam no ch?o ecoava pela sala, marcando o al¨ªvio que Ana sentia ao se libertar daquele fardo. ¡ª Fico tanto tempo com essa coisa que esque?o o qu?o bom ¨¦ ficar livre¡­ Voc¨ºs s?o espertos, os melhores momentos da minha vida foram quando me entreguei ¨¤ natureza. Mas, com o tempo, isso fica entediante. Aos poucos, revelava seu corpo, coberto apenas por um top desgastado que mal cobria seu busto. Os bestiais na cela a encaravam, surpresos e aterrorizados. Cicatrizes cobriam cada peda?o, como uma poesia de sua sobreviv¨ºncia. Embora bem cicatrizadas, as marcas em relevo sugeriam que seu corpo havia sido remendado in¨²meras vezes, como uma colcha de retalhos costurada de carne e ossos. Ignorando os olhares dos prisioneiros, Ana caminhou at¨¦ uma geladeira pr¨®xima e abriu a porta com um gesto casual. L¨¢ dentro, um cooler cheio de carne de alguma criatura repousava. Ap¨®s remover cuidadosamente a m¨¢scara, sem cerim?nia, pegou um peda?o e come?ou a mastigar, apreciando a textura e o sabor com calma. Com um movimento r¨¢pido, jogou o recipiente para dentro da cela, onde os prisioneiros se aglomeraram ao redor. ¡ª Sirvam-se, precisam comer bem ¡ª disse ela, sem uma preocupa??o real em seu tom. Voltando para sua cadeira, Ana se acomodou novamente, cruzando as pernas enquanto seus olhos percorriam as marcas em seu corpo. ¡ª Sempre lembro-me de como a mana ¨¦... incr¨ªvel. No passado, modifica??es gen¨¦ticas eram praticamente imposs¨ªveis. Quase tudo morria. Mas com a mana... a adaptabilidade e a recupera??o atingiram um n¨ªvel inimagin¨¢vel. Ela fez uma pausa, observando as rea??es dos prisioneiros, que estavam claramente em confus?o. ¡ª Por um tempo, eu pensei que isso aqui ¡ª ela passou a m?o sobre suas cicatrizes, seu corpo ¡ª era o suficiente. Mas ent?o, eu vi voc¨ºs, e entendi que sou apenas a base da piramide! Andr¨¦ n?o estava errado. Olhem para os seus corpos! A humanidade comum ¨¦ realmente inferior! Eu quero o que voc¨ºs t¨ºm. Claro, sem as partes ruins. N?o quero ficar est¨²pida. No instante em que terminou de falar, a porta da sala se abriu, revelando dois mascarados, um homem alto e magro, e uma mulher grande e robusta. ¡ª Chegaram no momento perfeito ¡ª murmurou a mercen¨¢ria, colocando novamente a m¨¢scara. Apontando para um dos bestiais na cela, ela perguntou. ¡ª Como voc¨º se chama? ¡ª Eu¡­ Lucas ¡ª o homem corrompido hesitou antes de responder com a voz tensa. ¡ª Prazer, Lucas. Saiba que quanto mais voc¨º aguentar, menos os outros v?o sofrer. Lucas piscou, confuso, tentando compreender o que ela estava dizendo. A impaci¨ºncia come?ou a crescer dentro de Ana, e ela revirou os olhos, claramente irritada com a falta de compreens?o. ¡ª Peguem-no ¡ª ordenou aos mascarados, sem dar espa?o para questionamento. ¡ª Prendam-no na mesa de opera??es. O prisioneiro, percebendo tarde demais o que estava para acontecer, tentou resistir, mas era in¨²til. Com a for?a combinada dos dois, ele foi arrastado at¨¦ um canto do laborat¨®rio semi completo, onde foi imobilizado com correias grossas de couro. Ana observou a cena com uma calma perturbadora, seu olhar fixo nele como um predador que observa sua presa. ¡ª Agora, vamos ver do que voc¨º ¨¦ feito.
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Capítulo 97 - Estrada para a Soberania
Ana estava absorta na tarefa diante dela, os olhos concentrados no corpo do bestial. Os instrumentos cir¨²rgicos, embora rudimentares comparados ao que ela j¨¢ havia utilizado em outras ocasi?es, eram manipulados com precis?o enquanto analisava o sangue atrav¨¦s de um pequeno microsc¨®pio, sua mente girando com teorias e hip¨®teses sobre o que fazia aquele ser t?o diferente dos humanos comuns. ¡ª Maldita falta de equipamentos... ¡ª murmurou, sentindo a irrita??o crescer. Sem ter a disposi??o as ferramentas mais avan?adas para come?ar seus experimentos, s¨® podia come?ar a estudar o que estava acontecendo. E isso, por ora, teria que ser o suficiente. Sem se deixar abalar, come?ou a cantarolar uma melodia animada. N?o se recordava da letra, mas o ritmo popular do mundo antigo ainda voltava a seus pensamentos de vez em quando. A m¨²sica preenchia o ambiente pesado, trazendo uma sensa??o de serenidade que contrastava com o trabalho intenso que ela realizava. Em meio aos sons, ela olhou para Lucas e sorriu de maneira quase maternal. Com habilidade, Ana utilizou um afastador Finochietto para abrir a cavidade tor¨¢cica da cobaia, expondo seus ¨®rg?os internos. Ela inclinou a cabe?a, analisando o que via com um olhar cl¨ªnico, percebendo que a transforma??o n?o era t?o dr¨¢stica quanto aparentava ser. ¡ª Bem, os ¨®rg?os ainda s?o semelhantes... s¨® que maiores. ¡ª comentou consigo mesma, tamborilando os dedos na mesa enquanto pensava nas implica??es daquela descoberta. ¡ª Como um ser humano p?de se transformar em algo t?o... diferente? Talvez esteja mais ligada ¨¤ adapta??o f¨ªsica do que ¨¤ evolu??o biol¨®gica completa¡­ Sua mente fervilhava com perguntas, mas sabia que precisava de mais informa??es. Virou-se para os outros bestiais na cela, seus olhos fixando-se em uma mulher que estava visivelmente abalada. Parecia ser a parceira de Lucas, e estava chorando silenciosamente enquanto observava o procedimento com um misto de medo e desespero. ¡ª Como foi a transforma??o? ¡ª a pergunta saiu de forma direta, como se estivesse interrogando um paciente. A mulher, ainda solu?ando, levou algum tempo para responder. Sua voz estava tr¨ºmula, carregada de medo e ang¨²stia. ¡ª N¨®s... n¨®s simplesmente come?amos a passar fome. Est¨¢vamos na floresta, a comida escassa e os predadores por perto nos obrigavam a comer carne crua, para evitar acender fogueiras e chamar aten??o. Um dia, um de n¨®s percebeu que podia sentir o cheiro de um predador antes que ele se aproximasse. Conseguimos nos afastar a tempo. Ficamos surpresos... mas logo, mais de n¨®s come?amos a perceber essas... mudan?as. Ana inclinou-se um pouco mais, ouvindo atentamente cada palavra, enquanto continuava seu trabalho com Lucas. ¡ª Primeiro, nossas unhas cresceram, ficaram mais fortes e afiadas. Sent¨ªamos dores nos ossos... como se estivessem se alongando ¨¤ for?a. Nossos sentidos ficaram mais agu?ados... o sangue parecia mais espesso. Mas... perd¨ªamos a racionalidade com facilidade. Alguns de n¨®s podem manter a mente intacta ao se concentrar, mas outros... ¡ª A mulher engasgou nas palavras, como se estivesse revivendo os momentos mais terr¨ªveis de sua vida. Ana assentiu, compreendendo o quadro que a mulher pintava. Havia uma semelhan?a inquietante com seu pr¨®prio estado quando dominava a mana reversa. A perda de controle, a intensifica??o dos sentidos... bom, n?o era t?o diferente. Sem prolongar a an¨¢lise, Ana come?ou a retirar os instrumentos do peito de Lucas, ap¨®s coletar pequenas amostras de sua carne. Em seguida, pegou v¨¢rios frascos e encheu-os com o sangue espesso do bestial, observando a viscosidade e a cor com interesse cient¨ªfico. Quando terminou, costurou as feridas com a maestria de quem j¨¢ fez isso in¨²meras vezes. ¡ª Em alguns dias, vou libertar todos voc¨ºs ¡ª disse ela, quase casualmente, enquanto finalizava o processo. Os bestiais na cela trocaram olhares confusos, sem saber como reagir. ¡ª Por que... por que vai¡­ libertar? Pensei que¡­ ser¨ªamos usados em testes.... ¡ª com o nervosismo, as palavras da mulher voltaram a ficar cortadas, deixando clara sua hesita??o em acreditar.Love what you''re reading? Discover and support the author on the platform they originally published on. Ana levantou os olhos da prancheta onde fazia anota??es, sua express?o mostrando uma leve impaci¨ºncia. ¡ª Eu disse claramente que era para matar apenas quem n?o se rendesse, certo? Eu mantenho minha palavra! Bem, quase sempre. Al¨¦m de que n?o faz sentido desperdi?ar recursos mantendo voc¨ºs presos por agora. Com um movimento r¨¢pido, Ana empurrou a mesa de cirurgia para dentro da cela. ¡ª Cuidem dele at¨¦ que possa voltar a andar. N?o deve demorar, seu corpo ¨¦ bem resistente Os bestiais ainda estavam desconfiados, mas Ana apenas deu de ombros. ¡ª Vamos, n?o ¨¦ t?o estranho assim... enquanto n?o consigo os equipamentos adequados, n?o faz sentido acabar com esp¨¦cimes sem obter informa??es completas, nem sei quantos outros de voc¨ºs tem l¨¢ fora, podem sair e se reproduzir para eu ter o suficiente mais tarde. A mercen¨¢ria colocou as m?os na cintura, satisfeita com a pr¨®pria resposta, mas ent?o notou que os olhares permaneciam inalterados. ¡ª Certo, certo! Voc¨ºs realmente querem a verdade? Recentemente disseram que sou¡­ gentil! Ana come?ou a rir assim que a ¨²ltima palavra escapou de seus l¨¢bios, primeiro de forma contida, depois se permitindo gargalhar alto, o som ecoando pelas paredes do laborat¨®rio. ¡ª N?o vou quebrar as expectativas de todos, hoje decidi por mim mesma que eu realmente seria gentil ¡ª disse ela, ainda rindo, sua voz carregada de uma ironia cortante. Ela se aproximou da cela, seus olhos fixos nos bestiais de forma sombria. ¡ª Mas n?o pensem em retalia??o. Se tentarem alguma coisa, as pr¨®ximas amostras n?o ter?o tanta sorte. Ela voltou a cantarolar, dessa vez mais alto, uma melodia que parecia ¨¤ beira da loucura enquanto seus p¨¦s a levavam em dire??o ¨¤s escadas. Os prisioneiros, ainda quietos, a observavam com perplexidade, tentando processar o que havia acabado de acontecer. Todos sabiam que, nesta noite, teriam pesadelos com aquela estranha m¨¢scara.
Ana subiu as escadas que levavam ¨¤ sala principal com passos determinados, o som das suas botas ressoando pelas paredes de pedra fria. Ao chegar ao topo, ela avistou Gabriel pr¨®ximo a uma grande janela que dava vista para a cidade em ru¨ªnas. A luz do sol iluminava o contorno de seu corpo, mas seu rosto estava oculto pelo elegante objeto branco, revelando apenas uma sombra de seus pensamentos. ¡ª Ei, preciso de um resumo da situa??o. Como est?o as coisas? Gabriel se virou para ela, curvando-se levemente e em seguida cruzando os bra?os com um gesto calculado. Ana notou o leve endurecimento na linha de seus ombros, um sinal sutil da press?o que tamb¨¦m reca¨ªa sobre ele, era evidente que ele havia se preparado para essa conversa, como algu¨¦m que organiza mentalmente as pe?as de um quebra-cabe?a antes de coloc¨¢-las no lugar. ¡ª Estamos progredindo, mas o ritmo ¨¦ lento. Com a m?o de obra dispon¨ªvel, ainda precisamos de cerca de dois a tr¨ºs meses para remover todos os escombros e preparar o terreno adequadamente. Ana n?o demonstrou surpresa. Dois meses era um prazo mais do que razo¨¢vel, dadas as circunstancias e os recursos limitados com os quais estavam trabalhando. Ela sabia que for?ar uma acelera??o sem os meios adequados poderia resultar em erros custosos. Seu olhar se suavizou brevemente, mas logo voltou ¨¤ sua express?o resoluta. ¡ª Entendo ¡ª comentou, e logo fez uma breve pausa, considerando a pr¨®xima quest?o que j¨¢ lhe pesava na mente. ¡ª E sobre os povos vizinhos? O que voc¨º pode me dizer? Gabriel fez um leve gesto com a m?o, como quem folheia mentalmente um relat¨®rio. ¡ª Resumidamente, temos conhecimento de v¨¢rios grupos ao redor, alguns mais organizados do que outros. Normalmente s?o neutros... mas nenhum nos v¨º com bons olhos. Ana franziu o cenho, ponderando sobre as informa??es. ¡ª Nenhum aliado ou inimigo declarado? ¡ª ela perguntou, buscando clareza. ¡ª N?o, a maioria simplesmente ignora nossa exist¨ºncia. Para os demais, somos mais temidos do que aceitos ou respeitados. ¡ª Bom, isso pode funcionar a nosso favor ou contra n¨®s, dependendo de como jogarmos nossas cartas. ¡ª Creio que, com a reconstru??o da cidade, muitos passaram a nos ver como uma amea?a em potencial, minha senhora. Talvez a princ¨ªpio sejamos algo que demorem para decidir como lidar, mas ¨¦ uma quest?o de tempo at¨¦ que as tens?es aumentem ¡ª Gabriel respondeu, o tom de sua voz carregando uma preocupa??o velada. Ana assentiu lentamente. A situa??o era inst¨¢vel, mas ela sabia que essa instabilidade podia ser usada a seu favor se lidasse corretamente com isso. A confian?a n?o era algo facilmente conquistado, mas o medo era uma ferramenta poderosa que, quando bem manejada, poderia manter seus vizinhos ¨¤ distancia enquanto ela consolidava seu poder. Ap¨®s um breve sil¨ºncio, a mercen¨¢ria se virou para um dos mascarados que estava de guarda na entrada da sala. Sua postura era r¨ªgida, quase militar, como se estivesse esperando qualquer comando para entrar em a??o, mas sua m¨¢scara sorridente foi vista muitas vezes por Ana nos ¨²ltimos dias. ¡ª Voc¨º, chame os membros do Puni??o Divina. Al¨¦m disso, quero que convoque tamb¨¦m qualquer cidad?o que se destaque entre os habitantes ¡ª Ela fez uma pausa, sua voz carregando um tom decisivo. ¡ª Est¨¢ na hora de organizar as coisas. Com um aceno r¨¢pido, o mascarado desapareceu pela porta em um movimento fluido, se retirando para cumprir as ordens. Ana o observou por um momento antes de voltar sua aten??o para o anjo de pedra, que estava claramente aguardando suas pr¨®ximas instru??es. ¡ª No momento, aqui ¨¦ o ¨²nico lugar que posso realmente me sentir livre. Ana se aproximou da janela ao lado dele e cuidadosamente removeu sua m¨¢scara pelos chifres, observando a cidade destru¨ªda abaixo dela. A vis?o dos trabalhadores se movendo como formigas despertou nela um misto de empatia e frieza. Havia muito a ser feito, mas ela sabia que poderia transformar aquilo em algo formid¨¢vel. ¡ª Quero que isso funcione, Gabriel, mas o que preciso n?o ¨¦ subservi¨ºncia cega. Preciso de conselheiros capazes de prever cada movimento, calcular cada possibilidade e discutirem comigo quando eu tomar decis?es ruins. Todos aqui t¨ºm uma fun??o a cumprir, e vamos garantir que saibam disso. A figura alada inclinou a cabe?a em concordancia. Estava claro que sua rainha n?o apenas planejava sobreviver naquela nova realidade, mas mold¨¢-la de acordo com sua vontade, e isso o animava de forma imensur¨¢vel.
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Capítulo 98 - Diários Sob a Luz do Sol
O sol da manh? banhava a paisagem com sua luz dourada, e n?o pude deixar de apreciar o calor agrad¨¢vel que acariciava minha pele. Depois de tanto tempo no abismo, estar de volta ¨¤ superf¨ªcie era quase surreal. Contudo, havia uma estranheza subjacente nessa nova realidade, a maldita mana. ¨¦ claro que amo a mana, n?o entenda errado, mas fui obrigado a balan?ar a cabe?a a cada poucos minutos para tentar dissipar a vertigem que ela estava me causando. A mana na superf¨ªcie ¨¦ opressora, diferente da escassez que experimentamos no submundo. ¨¦ como se o ar estivesse carregado de uma energia invis¨ªvel, pulsante, que meu corpo ainda n?o consegue processar completamente. A cada passo que dou, parece que meu equil¨ªbrio est¨¢ um pouco fora do lugar, como se o ch?o sob meus p¨¦s estivesse inst¨¢vel. Cassandra, a guerreira que me acompanha, caminha ¨¤ minha frente com passos firmes, como se nada disso a afetasse. Ela parece inabal¨¢vel com tudo isso, concentrada no objetivo. Tento puxar conversa todo santo dia, fazer perguntas sobre o que ela espera encontrar, mas a mulher se mant¨¦m em um sil¨ºncio resoluto, quase frio. Apenas a espada que carrega nas costas parece ser digna de sua aten??o. ¡ª Hoje tamb¨¦m est¨¢ muito calada, hein? Meu tom leve para quebrar o gelo n?o adiantou de nada. Cassandra apenas me olhou de canto, sem diminuir o ritmo. Que tipo de educa??o ¨¦ essa? Eu me pergunto o mesmo a dias. Como ela pode me tratar assim depois de sobrevivermos ao inferno juntos? Bom, j¨¢ me acostumei. Ela realmente n?o est¨¢ disposta a ceder ¨¤ minha tentativa de conversa. Com esse seu ar taciturno, ela avan?a dia ap¨®s dia sem hesita??o, for?ando-me a acelerar o passo para acompanh¨¢-la. Todas as manh?s, a observo treinar. Mesmo ap¨®s dias de viagem, ela n?o deixa de praticar com sua espada. Na verdade n?o parece muito boa, seus movimentos s?o mais adequados para um machado, no entanto, faz o que pode. J¨¢ devo ter dito isso, mas tem certa beleza nesse esfor?o, uma beleza que aparece independente da pele queimada repuxando com os movimentos bruscos. O caminho para Barueri foi longo, mas quando finalmente chegamos, a vis?o da cidade me surpreendeu de uma forma que poucas coisas conseguiram. Faz tempo que n?o vejo uma cidade de verdade, e devo dizer que a superf¨ªcie se desenvolveu de uma maneira que eu nunca poderia ter imaginado. As torres de concreto e vidro se erguem orgulhosas, integradas com uma esp¨¦cie de tecnologia m¨¢gica que eu mal consigo come?ar a entender. Vias flutuantes conectam os edif¨ªcios, como teias de aranha que brilham sob a luz do sol, transportando pessoas e mercadorias em plataformas que desafiam as leis da f¨ªsica que conhec¨ªamos. ¡ª Isso ¨¦ a for?a da humanidade! Realmente ¨¦ uma vis?o que me faz questionar se ainda estamos no mesmo mundo, ou se de alguma forma cruzamos para uma nova realidade. E ent?o meus olhos ca¨ªram sobre as pessoas¡­ Ah, as pessoas¡­ como podem parecer t?o saud¨¢veis? Olhando minha pr¨®pria pele extremamente p¨¢lida, sinto que estou com alguma doen?a em est¨¢gio terminal. ¨¦ certeza que vou chamar aten??o indesejada¡­ Notei tamb¨¦m os comerciantes do outro lado do muro, se movendo rapidamente como sempre. N?o vejo a hora de me aproximar. Parece r¨²stico, mas eles t¨ºm displays hologr¨¢ficos que flutuam no ar, exibindo os pre?os e as qualidades dos itens como em uma esp¨¦cie de feiti?o digital. ¨¦ t?o incr¨ªvel! Cassandra, entretanto, n?o parece nem um pouco impressionada. Ela n?o diz uma palavra enquanto passamos pelos port?es da cidade, mesmo quando o guarda quase nos barra de forma rude. Apenas continua a caminhar, e caminhar, e caminhar, sempre com os olhos fixos ¨¤ frente. Tentei distra¨ª-la de mil formas, apontando para algumas das coisas que sentia falta e que n?o existiam no abismo, mas ela realmente n?o parece interessada. Suas respostas s?o monossil¨¢bicas, se ¨¦ que responde.If you spot this story on Amazon, know that it has been stolen. Report the violation. Mas foi a¨ª que algo chamou minha aten??o. Nunca imaginei que essa gigante conseguiria fazer uma express?o t?o fofa, mas seu semblante fechado foi fisgado por uma pequena barraca em um dos cantos do mercado. Ela est¨¢ tentando disfar?ar, mas posso ver que est¨¢ quase babando enquanto encara os doces. Uma vis?o rara, devo dizer. Fiquei surpreso ao perceber que, por tr¨¢s de toda aquela armadura, ainda havia uma garota que se encantava com coisas simples. N?o a julgo, os doces de Tenebris eram p¨¦ssimos. Um sorriso de canto surgiu em meu rosto quando caminhei em dire??o ¨¤ barraca, certificando-me de que ela n?o percebesse. O vendedor, um senhor de idade com um ar amig¨¢vel, me cumprimentou com um aceno de cabe?a. As prateleiras estavam repletas de diferentes tipos de guloseimas, cada uma mais colorida e tentadora que a outra. Escolhi alguns dos doces que achei que poderiam agrad¨¢-la e paguei ao homem, que estranhou o dinheiro, mas ainda assim aceitou. Ufa! Assim, voltei a caminhar ao lado de Cassandra. Esperei alguns minutos, fingindo n?o notar seu interesse inicial pelos doces, at¨¦ que finalmente tirei o pacote do bolso e comecei a mastigar uma estranha bala rosa. ¡ª Quer um? Bingo! No instante em que minha pergunta casual saiu da minha boca, j¨¢ senti que havia ganhado. Cassandra parou de andar e olhou para o pacote em minha m?o. Seus olhos revelavam uma mistura de surpresa e desejo, mas, mantendo sua fachada, apenas bufou e estendeu a m?o para pegar o doce. No entanto, antes que seus dedos pudessem alcan?¨¢-lo, puxei o pacote para tr¨¢s. ¡ª N?o vou entregar at¨¦ voc¨º parar de ser t?o rude e conversar um pouco comigo. Ela revirou os olhos com um suspiro de impaci¨ºncia, claramente n?o impressionada com minhas tentativas de provoc¨¢-la. No entanto, a tenta??o do doce parecia ser mais forte do que seu orgulho. Relutantemente, estendeu a m?o mais uma vez, dessa vez com um olhar de resigna??o. ¡ª T¨¢ bom, tanto faz ¡ª resmungou ela, finalmente pegando o doce que eu lhe ofereci. Seus movimentos eram r¨¢pidos e precisos, como se temesse que eu mudasse de ideia a qualquer momento. Sinceramente, achei que seria mais dif¨ªcil. ¡ª Por que voc¨º me seguiu at¨¦ aqui? A pergunta foi direta, mas havia um tom de curiosidade genu¨ªna em sua voz, como se ela realmente quisesse entender minhas motiva??es. Eu s¨® pude sorrir, aproveitando a inesperada oportunidade de di¨¢logo. ¡ª Nosso objetivo ¨¦ semelhante ¡ª respondi, dando de ombros. ¡ª Estou documentando a trajet¨®ria de Ana. Cassandra parou de mastigar e me olhou, surpresa. ¡ª Achei que voc¨º s¨® queria sair do abismo. ¡ª Bom, isso tamb¨¦m. Mas a hist¨®ria de Ana ¨¦... ¨²nica. Vale a pena ser contada. Ela bufou novamente, mas dessa vez havia um leve sorriso em seus l¨¢bios, algo que eu n?o via h¨¢ muito tempo. ¡ª Pelo menos vai ter algu¨¦m para ajudar a encontr¨¢-la ¡ª disse ela, com uma ponta de sarcasmo. Foi nesse momento que algo na pra?a chamou minha aten??o. Era um grande mural eletr?nico onde as not¨ªcias passavam continuamente. Meu cora??o acelerou ao ver as imagens estampadas ali. ¡ª N?o parece que vai ser muito dif¨ªcil. A Glutona ¨¦ pura hist¨®ria¡­ Cassandra seguiu meu olhar e, ao ver os cartazes, sua express?o se tornou s¨¦ria. As fei??es de Ana e alguns estranhos companheiros estavam ali, escritas com uma precis?o que deixava pouco espa?o para d¨²vidas. ¡ª Vivos ou Mortos¡­ Fiquei meio confuso, mas o murm¨²rio de Cassandra finalmente me fez perceber o texto em letras grandes e amea?adoras, acompanhado de promessas de recompensas generosas. ¡ª Isso s¨® torna tudo mais interessante, n?o acha? Cassandra n?o respondeu imediatamente. Ela apenas assentiu, ainda com os olhos fixos nas imagens, como se estivesse planejando seus pr¨®ximos passos, mas eu notei sua boca tremendo em uma anima??o que ela estava tentando segurar. Ali, diante daquela tela, ambos sab¨ªamos que o destino de Ana e de todos n¨®s estava prestes a se entrela?ar novamente. A ca?ada havia come?ado, e n¨®s est¨¢vamos bem no meio dela.
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Capítulo 99 - Primeiras Pedras
O sal?o do trono estava longe de ser um ambiente formal. Era espa?oso, mas ainda cru e marcado pelo desgaste do tempo e pela falta de reparos adequados, sem o esplendor que um dia poderia ter. No entanto, para o grupo reunido ali, aquele lugar era o centro do poder rec¨¦m estabelecido, e as decis?es que seriam tomadas nele moldariam o futuro de todos. Ana se posicionou no centro da sala, de p¨¦, com os bra?os cruzados. Ela observou atentamente cada um dos membros do Puni??o Divina que, ao inv¨¦s de adotarem posturas s¨¦rias, encontravam-se espalhados de maneira descontra¨ªda. Alguns estavam encostados nas colunas de m¨¢rmore, bra?os cruzados e express?es serenas, enquanto outros optaram por se sentar no ch?o, dispersos em seus pr¨®prios pensamentos. Era uma cena curiosa: mesmo com a seriedade das circunstancias, a conversa entre eles era leve, quase como uma reuni?o de velhos amigos. ¡ª Pretendo revitalizar esta cidade, n?o s¨® por ser o ¨²nico lugar que tenho para ir, mas tamb¨¦m como parte de um plano maior que nos levar¨¢ a alcan?ar a vingan?a que todos buscamos ¡ª come?ou Ana, sua voz clara e decidida cortando o murm¨²rio das conversas. ¡ª No entanto, n?o irei mentir, isso pode demorar. Irei entender se preferirem seguir por outros caminhos na busca pela Colecionadora. Podemos nos reunir novamente quando houver progresso nesse sentido. As palavras pairaram no ar, e por um momento, o sil¨ºncio tomou conta da sala. Ana observou enquanto os membros do grupo trocavam olhares, comunicando-se sem palavras, uma habilidade desenvolvida pela conviv¨ºncia e batalhas compartilhadas, mesmo no curto per¨ªodo juntos. Por fim, um a um, todos negaram com a cabe?a, sem hesitar. ¡ª Estamos com voc¨º, Ana ¡ª disse Alex, sua voz firme abafada pela demon¨ªaca m¨¢scara azul. ¡ª N?o pretendemos ir a lugar algum. Acho que j¨¢ nos acostumamos com a sua companhia, sabe? Um sorriso leve surgiu nos l¨¢bios de Ana, e ela assentiu. ¡ª ¨®timo, porque teremos muito trabalho pela frente. Ela deu alguns passos ao redor, e a tens?o em seu corpo relaxou um pouco ao sentir o apoio de seu grupo. ¡ª Precisamos de uma estrutura mais organizada se quisermos ter sucesso ¡ª continuou Ana. ¡ª H¨¢ muitas formas de fazer isso, mas por enquanto estabeleceremos um conselho. Vamos dividir as responsabilidades para que todos saibam exatamente o que precisam fazer. Ela olhou para Alex, cuja express?o era uma mistura de curiosidade e apreens?o. ¡ª Quero uma for?a militar forte. Voc¨º ficar¨¢ encarregado do treinamento, mas n?o far¨¢ isso sozinho. Ela gesticulou para um dos mascarados que se destacava entre os demais. Ele tinha uma presen?a imponente, um porte f¨ªsico que denunciava um corpo treinado e preparado para o combate. Sua m¨¢scara era vermelha e carregava uma express?o rabugenta, que combinava de forma curiosa com a m¨¢scara de oni azul que Alex havia escolhido. Ana parou por um momento, refletindo sobre o segundo conselheiro de guerra. Embora sua constitui??o fosse not¨¢vel, ela sabia que isso n?o tinha relevancia real. Afinal, ela o havia criado assim, n?o era como se ele tivesse constru¨ªdo aquele corpo atrav¨¦s de esfor?o pr¨®prio. ¡ª Qual ¨¦ o seu nome? ¡ª perguntou, esperando que ele se apresentasse. ¡ª Eu n?o tenho um nome, minha senhora ¡ª respondeu ele, sua voz grave e firme, como se n?o houvesse necessidade de mais explica??es. Ana arqueou uma sobrancelha, surpresa pela resposta direta. ¡ª E por que n?o tem um nome? ¡ª N?o h¨¢ necessidade de nomes entre n¨®s ¡ª respondeu o mascarado com simplicidade, como se fosse a coisa mais ¨®bvia do mundo. ¡ª Tenho certeza j¨¢ ter visto algumas est¨¢tuas nomeadas. ¡ª Os que assim desejam, os tem, minha senhora. Ana suspirou, sentindo uma leve dor de cabe?a se aproximando. Era sempre um desafio lidar com essas criaturas. ¡ª Certo, nova regra: a partir de agora, todos devem pensar em um nome. Quero uma lista completa com o nome de cada habitante, assim como sua m¨¢scara caracter¨ªstica. Al¨¦m disso, nada de minha senhora, ¨¦ cansativo. Al¨¦m de Gabriel e do grande homem de m¨¢scara vermelha, outros dois mascarados encontravam-se na sala, todos assentindo silenciosamente, aceitando a nova ordem sem protestar, mas era evidente que n?o viam muita utilidade na regra. Ignorando-os, Ana ent?o se voltou para Eva, que estava sentada no ch?o, balan?ando as pernas de forma distra¨ªda.Taken from Royal Road, this narrative should be reported if found on Amazon. ¡ª Eva, voc¨º ¨¦ uma crian?a. Pode continuar treinando e fazendo¡­ o que crian?as fazem. A garota ruiva imediatamente cruzou os bra?os, e Ana quase podia imaginar suas bochechas infladas por tr¨¢s da m¨¢scara de raposa. Havia uma leve irrita??o na postura de Eva, que n?o gostou nada da sugest?o de ser deixada de lado. ¡ª N?o ¨¦ justo! Como pode me considerar uma crian?a depois de tudo? ¡ª Nah, estou s¨® te enchendo o saco, claro que vai ter que trabalhar, eu n?o alimentaria algu¨¦m que ficasse vagabundeando o dia todo. Voc¨º vai cuidar dos assuntos da cidade, ver a log¨ªstica de cada ¨¢rea e ajudar na comunica??o entre elas. Acha que consegue fazer isso? Eva endireitou-se, como se tivesse acabado de receber uma miss?o de extrema importancia, e assentiu vigorosamente. Ana sorriu antes de se levantar e virar-se para Luiz, que estava observando a troca com uma express?o divertida nos olhos, percebida mesmo atrav¨¦s de sua m¨¢scara simples. ¡ª Luiz, voc¨º ser¨¢ respons¨¢vel por lidar com outros povos. Entende o motivo, certo? ¡ª disse a mercen¨¢ria, batendo de leve com o dedo na pr¨®pria t¨ºmpora. ¡ª Claro, certamente n?o tem ningu¨¦m melhor para a ¡°diplomacia¡± do que eu ¡ª respondeu ele de forma orgulhosa. Ana ent?o voltou sua aten??o para Gabriel, que estava pronto para apresentar os outros dois mascarados. ¡ª Como solicitou, trouxe alguns dos que considero capazes. S?o mais que o suficiente para integrar o conselho inicial do reino ¡ª come?ou o anjo, apontando para uma mulher esbelta cujo porte sugeria agilidade e destreza. Sua m¨¢scara era adornada com detalhes finos, lembrando um p¨¢ssaro de rapina, dando-lhe um ar de alerta constante. ¡ª Ela ¨¦ uma especialista nos terrenos circundantes, conhece cada detalhe da geografia da regi?o. Ana estudou a mulher por um momento antes de voltar-se para o segundo mascarado, um homem robusto, com ombros largos e m?os que pareciam feitas para segurar um martelo. Sua m¨¢scara era simples, mas funcional, com linhas que lembravam engrenagens e ferramentas, uma representa??o clara de sua ¨¢rea de atua??o. ¡ª Este aqui tem um vasto conhecimento em engenharia. Ser¨¢ fundamental para a reconstru??o da cidade. Ana assentiu, satisfeita com as escolhas iniciais de Gabriel. ¡ª Ambos trabalhar?o diretamente sob sua supervis?o. Na verdade, voc¨º ser¨¢ o supervisor geral de todos os conselheiros. Facilitar¨¢ a comunica??o entre eles e garantir¨¢ que todos estejam trabalhando em harmonia. O anjo de pedra inclinou a cabe?a em concordancia, aceitando o papel com a habitual calma e dedica??o. Em seguida, Ana chamou Miguel, um dos poucos que haviam se apresentado, e que a levou ao falso pensamento sobre os nomes. ¡ª Voc¨º tem se mostrado competente em tudo que faz. A partir de agora, ser¨¢ meu assistente direto. Espero que n?o seja apenas uma est¨¢tua que fica na porta, quero opini?es relevantes e um suporte eficaz. Miguel, cuja m¨¢scara sorridente havia se tornado um rosto familiar para todos ali, fez uma rever¨ºncia profunda. ¡ª Farei o meu melhor, minha sen¡­ ¡ª Sem essa merda de minha senhora ¡ª disse Ana, parando o homem em meio a sua frase. Sem dar tempo para que ele respondesse, voltou-se para a Sombra, cuja presen?a era quase et¨¦rea na penumbra da sala. ¡ª E voc¨º? O que quer fazer? A Sombra, que estava relaxada contra a parede, ergueu o olhar pregui?osamente, um brilho indiferente em seus olhos amarelados. ¡ª Sei l¨¢... tanto faz ¡ª respondeu com um desd¨¦m calculado. ¡ª Tenho deixado a vida me levar, um dia de cada vez, n?o costumo fazer planos desse tipo¡­. Ana soltou um suspiro, balan?ando a cabe?a em um misto de frustra??o e divers?o. ¡ª Bom, ent?o voc¨º est¨¢ no comando do entretenimento ¡ª Ana respondeu, deixando um leve riso escapar por detr¨¢s da m¨¢scara. ¡ª Cante, dance, ou fa?a o que te vier na cabe?a. A verdade ¨¦ que n?o pensei muito sobre o cargo de ningu¨¦m, siga seu cora??o. ¡ª Bem, posso fazer isso ¡ª disse a Sombra, com uma leve satisfa??o em sua voz. ¡ª Mas voc¨º n?o vai fugir das regras. Escolha um nome! A Sombra soltou um leve bufar, mas depois de uma breve pausa, murmurou. ¡ª Nyx... Pode ser Nyx. ¡ª Nyx? De onde veio isso? ¡ª questionou Ana, curiosa com a escolha. A Sombra ergueu os olhos, um brilho que era dif¨ªcil de decifrar iluminando seus olhos amarelados. ¡ª Era meu nome original. ¨¦ meio estranho na boca depois de tanto tempo, mas vai servir. Por um momento, o ar entre elas pareceu ficar mais denso, carregado de hist¨®rias n?o ditas. Ana percebeu que havia mais na Sombra do que qualquer um ali poderia imaginar, mas sabia que n?o era o momento para aprofundar essas quest?es. ¡ª Certo, ent?o ser¨¢ Nyx ¡ª disse a rainha, com uma firmeza renovada. ¡ª Agora, vamos falar sobre os habitantes. Temos quinhentos mascarados dispon¨ªveis. Quero que definam um esquema de rota??o. ¨¦ importante que todos conhe?am todas as partes da cidade e saibam como funciona cada ¨¢rea. N?o quero ningu¨¦m isolado em uma ¨²nica tarefa por muito tempo. Os l¨ªderes ao redor da sala assentiram em concordancia. Era vis¨ªvel que cada um deles j¨¢ come?ava a formular planos em suas mentes, considerando a melhor maneira de lidar com suas novas responsabilidades. ¡ª Deixarei que se organizem como acharem melhor nesta primeira semana. Iremos fazer ajustes com o tempo, conforme aprendermos o que funciona e o que n?o funciona. Ela fez uma pausa, permitindo que as palavras afundassem nas mentes de seus conselheiros. ¡ª Bom, agora vamos para o pr¨®ximo t¨®pico ¡ª disse Ana, finalizando a primeira parte da reuni?o. Ela sentiu que a base havia sido estabelecida, mas ainda havia muito a ser discutido.
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Capítulo 100 - Ecos de Sobrevivência
¡ª Luiz, voc¨º realmente entendeu? ¡ª perguntou Ana, lan?ando um olhar afiado na dire??o do homem enquanto caminhavam vagarosamente pela floresta. As folhas secas farfalhavam sob os p¨¦s do grupo, e a luz do sol filtrava-se entre as ¨¢rvores, criando sombras dan?antes no ch?o. Luiz, cuja express?o permanecia tranquila por tr¨¢s da m¨¢scara escura, assentiu. ¡ª Sim, sim. Vou acompanhar os emiss¨¢rios para as cidades menores, e se as negocia??es ficarem complicadas... posso dar uma "ajuda" ¡ª ele repetiu as palavras com de forma levemente zombeteira, mas o tom em sua voz indicava que estava completamente consciente da importancia da tarefa. Ana parou de andar por um momento, girando o corpo levemente para encar¨¢-lo. ¡ª E o que mais? Luiz suspirou, como se estivesse cansado daquela revis?o constante. ¡ª Nas cidades grandes, nada de truques mentais. N?o queremos despertar suspeitas ou, pior, uma guerra. N?o agora. N?o enquanto estamos apenas come?ando a nos fortalecer e bla, bla, bla. Ana acenou com a cabe?a, satisfeita. ¡ª Certo, ¨¦ isso. N?o se esque?a. O grupo continuou sua caminhada pela floresta, movendo-se com uma estranha combina??o de urg¨ºncia e calma. Ana olhou para os emiss¨¢rios escolhidos, os mais carism¨¢ticos que conseguiram encontrar entre os mascarados. N?o era uma sele??o f¨¢cil, mas o grupo formado parecia adequado para a tarefa. ¡ª Lembrem-se ¡ª Ana disse, dirigindo-se ao restante do grupo. ¡ª O foco deve ser negociar qualquer tecnologia m¨¦dica ou de pesquisa que conseguirem. Tudo o que puderem encontrar. Os recursos que encontramos nas ru¨ªnas n?o foram suficientes, e precisamos de mais para alcan?ar nossos objetivos. E al¨¦m disso... ¡ª ela parou por um momento, como se estivesse refletindo sobre suas pr¨®ximas palavras. ¡ª Espalhem a not¨ªcia de que um novo reino est¨¢ surgindo. N?o exagerem, s¨® precisam saber que estamos aqui. Ela lan?ou um ¨²ltimo olhar a Luiz. ¡ª E, pela ¨²ltima vez¡­ ¡ª Usem suas m¨¢scaras o tempo todo. N?o quero que nossas identidades humanas sejam reveladas. Deixem que pensem que somos amaldi?oados. Isso nos d¨¢ uma vantagem estrat¨¦gica ¡ª completou Luiz, interrompendo a mercen¨¢ria, quase como se estivesse recitando uma li??o ouvida dezenas de vezes. ¡ª Exatamente. Que eles temam o que n?o conhecem ¡ª respondeu Ana, satisfeita com a resposta. Finalmente, chegaram a uma clareira em meio ao bosque, onde a luz do sol penetrava mais forte, iluminando o c¨ªrculo de arbustos ao redor. Era o ponto onde se despediriam antes de cada um seguir seu caminho. ¡ª Voc¨ºs sabem o que fazer. Cuidem-se e voltem com boas not¨ªcias. Os emiss¨¢rios fizeram rever¨ºncias curtas antes de seguirem. Luiz foi o ¨²ltimo a partir, dando um aceno de adeus para Ana, que permaneceu im¨®vel, observando at¨¦ que ele sumisse de vista. Quando o sil¨ºncio da floresta voltou a domin¨¢-los, Ana se virou para sua outra companhia, a conselheira cuja m¨¢scara de ave de rapina combinava muito bem com o ambiente. ¡ª Emily, agora ¨¦ sua vez. Na noite anterior, Ana havia passado horas analisando os mapas que ela lhe fornecera. Embora fossem bem detalhados, estavam muito aqu¨¦m do que ela queria. Como Emily era a respons¨¢vel pelo territ¨®rio, Ana decidiu que, ao inv¨¦s de simplesmente apontar os erros, ela demonstraria pessoalmente as informa??es necess¨¢rias. ¡ª Esses terrenos aqui, por exemplo, t¨ºm um potencial estrat¨¦gico claro, mas os mapas n?o destacam isso ¡ª disse Ana, apontando para uma pequena eleva??o que poderia ser usada como um ponto de defesa natural. ¡ª E ali, aquele solo ¨¦ f¨¦rtil, mas perto demais do que parece ser uma mina de sal. Essas coisas precisam ser devidamente catalogadas.The tale has been stolen; if detected on Amazon, report the violation. A est¨¢tua parecia t¨ªmida, mas ouvia atentamente cada palavra de sua rainha, absorvendo cada detalhe enquanto anotava mentalmente as instru??es. Ana continuou a caminhar, descrevendo os recursos naturais, solos que poderiam ser usados para agricultura, diversos tipos de planta, fontes de ¨¢gua e at¨¦ mesmo locais que poderiam esconder minas valiosas. ¡ª Refazer esses mapas n?o ¨¦ apenas uma quest?o de precis?o, mas de entender o que est¨¢ em jogo. Precisamos saber onde cada coisa est¨¢ localizada, qual o melhor uso para cada ¨¢rea e, principalmente, como defender isso ¡ª Ana afirmou com uma seriedade que Emily raramente havia visto nela. ¡ª Entendido, minha senhora. Vou come?ar agora mesmo ¡ª respondeu Emily acenando para um pequeno grupo de mascarados que a seguia. Ela passou as instru??es rapidamente, e os mascarados se curvaram levemente para Ana antes de se espalharem pela ¨¢rea, prontos para identificar cada detalhe visando adequar-se ao novo padr?o exigido. ¡ª Ana. Esse ¨¦ meu nome, n?o minha senhora ¡ª murmurou a mercen¨¢ria, segurando levemente o bra?o da conselheira que se preparava para partir. ¡ª N?o me fa?a ficar repetindo a mesma coisa mil vezes¡­ ¡ª Certo¡­ Ana¡­ ¡ª ¨®timo. Agora, pode ir. Vendo a figura adentrar na mata com efici¨ºncia, Ana ficou sozinha por um momento. Estava satisfeita com a prontid?o deles, mas sua mente n?o parava. Obter os recursos de um reino inteiro poderia tornar sua vida tranquila de estudos muito mais simples, ent?o n?o via a hora de terminar tudo, se irritando por saber que n?o havia como acelerar ainda mais. Enquanto divagava sobre o futuro e caminhava em dire??o a um ponto elevado para ter uma vis?o melhor do territ¨®rio, algo no ch?o chamou sua aten??o. Era um inseto peculiar, brigando ferozmente com uma vespa. O inseto n?o parecia ter muita chance na luta, mas algo nele prendeu o olhar de Ana. Ela nunca havia visto uma esp¨¦cie como aquela. Ficou observando por um instante, intrigada pela batalha desigual. ¡ª Que criatura estranha... ¡ª murmurou, inclinando-se para examinar o pequeno ser. Suas cores eram vibrantes, com um tom avermelhado que brilhava mesmo na luz difusa da manh?. Sem pensar muito, decidiu intervir. Com um pis?o firme, esmagou a vespa que o amea?ava, libertando-o de sua predadora. Curiosa, ela cuidadosamente pegou o inseto em um dedo, observando suas caracter¨ªsticas com mais aten??o. A apar¨ºncia dele era bizarra, possuindo caracter¨ªsticas incomuns e perturbadoras. Ainda assim, Ana sentiu uma estranha for?a emanando daquele pequeno ser, uma energia latente que n?o condizia com seu tamanho. ¡ª ¨¦ incr¨ªvel que existam criaturas assim no mundo abaixo dos meus p¨¦s ¡ª murmurou para si mesma, intrigada pela natureza ¨²nica do inseto. A rainha se permitiu um momento de contempla??o. A criatura parecia um pequeno sobrevivente de um mundo vasto e desconhecido, um mundo que existia oculto pela terra e pelas ra¨ªzes profundas. Algo que existe t?o pr¨®ximo e, ao mesmo tempo, t?o distante de sua percep??o. Ela ergueu o olhar para o c¨¦u, onde as nuvens pintavam tra?os ef¨ºmeros no azul, movendo-se pregui?osamente como pensamentos que se dissipam. ¡ª Ser¨¢ que Deus me v¨º assim? Apenas mais um inseto lutando por significado em um mundo vasto e indiferente? ¡ª sussurrou, com uma estranha solid?o na voz. Havia algo de assombroso na ideia de que, assim como ela acabara de decidir o destino do uma vida, suas pr¨®prias a??es poderiam ser apenas uma nota em uma melodia mais ampla, tocada por m?os invis¨ªveis e distantes. Ela suspirou, voltando sua aten??o novamente para sua realidade. Por um momento, o pequeno ser em seu dedo pareceu encar¨¢-la de volta, como se estivesse agradecido por ter sido salvo. Havia uma conex?o silenciosa entre eles, um entendimento m¨²tuo de que ambos, de alguma forma, davam tudo de si para ir al¨¦m das correntes de seus pr¨®prios mundos. Decidida a dar-lhe uma chance de sobreviv¨ºncia, Ana ergueu-o at¨¦ o topo de uma ¨¢rvore pr¨®xima, colocando-o em um grande galho. ¡ª Voc¨º ¨¦ forte, um verdadeiro guerreiro ¡ª comentou ela, com certo respeito para seu companheiro inesperado. Por um momento, observou o inseto se adaptar ao novo ambiente, agarrando-se ¨¤ madeira de forma cambaleante, como se soubesse que aquela era sua ¨²nica oportunidade. Satisfeita, ela se endireitou e voltou seu olhar para o horizonte. Se uma criatura t?o pequena podia sobreviver em um mundo t?o hostil, Ana estava mais convencida do que nunca de que ela tamb¨¦m podia. Com isso em mente, ela continuou seu caminho, seus pensamentos j¨¢ retornando ¨¤s batalhas que a aguardavam.
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Capítulo 101 - Uma Prece para o Vazio
¡ª Esse cavalo est¨¢ me deixando louco ¡ª reclamou Arthur, puxando as r¨¦deas com mais for?a, tentando manter o controle do animal. Ao seu lado, L¨²cia montava seu lobo com destreza, lan?ando um olhar atento ao redor enquanto o vento frio da manh? batia em seu rosto. O jovem escudeiro que a acompanhava sofria para se ajustar no assento de um grande cavalo esverdeado de seis patas. O animal geralmente tinha uma figura arrogante, mas era obediente, por¨¦m hoje parecia mais inquieto do que o normal, mexendo as patas e sacudindo a cabe?a de forma constante, dificultando a vida do inexperiente garoto. ¡ª Para de reclamar, Arthur. Se continuar assim, vou acabar te dando outra surra. O jovem riu, mas sua risada foi abafada pelo som dos cascos da montaria batendo no ch?o. ¡ª Duvido! Se continuar sendo t?o briguenta o Henrique vai te dar mais uma bronca daquelas. L¨²cia revirou os olhos, lembrando-se das vezes em que o veterano respons¨¢vel pelo treinamento havia ralhado com ela por ser impulsiva. Mas n?o podia evitar; o sangue fervia em suas veias sempre que via uma oportunidade de ficar mais forte, de provar seu valor. ¡ª Vamos mudar de assunto ¡ª disse a garota, afastando as lembran?as dos pux?es de orelha. ¡ª Estou animada. ¨¦ a primeira vez que saio da guilda desde que cheguei. Finalmente vou poder ver algo que n?o seja o maldito ch?o poeirento do campo de treinamento. Arthur assentiu, mas sua express?o ficou s¨¦ria. ¡ª A Jasmim j¨¢ deu novas not¨ªcias sobre sua professora? L¨²cia sentiu uma pontada de preocupa??o, mas a reprimiu rapidamente, n?o querendo deixar transparecer suas inseguran?as. ¡ª Ainda n?o, mas sei que ela est¨¢ bem. A Ana ¨¦ forte, se algu¨¦m pode sobreviver nesse mundo, ¨¦ ela. Antes que Arthur pudesse responder, os gritos de Henrique, que estava na frente do grupo, chegaram aos ouvidos da retaguarda. ¡ª Prestem aten??o! Estamos chegando ao acampamento. Se n?o ficarem espertos, v?o morrer logo em suas primeiras batalhas! A advert¨ºncia do grande homem caiu sobre eles como uma pancada, a tens?o nos soldados aumentando ¨¤ medida que se aproximavam do local. O ambiente, antes marcado por excita??o e expectativa, rapidamente se transformou em algo mais sombrio, uma lembran?a de que n?o estavam ali para um simples passeio. O lobo, sentindo a mudan?a no ar, ficou mais alerta, seus passos ficando mais firmes e calculados. L¨²cia trocou um ¨²ltimo olhar com Arthur, ambos conscientes do que estava por vir. N?o era mais um treinamento, n?o era mais um teste. O que se aproximava era a crua realidade da guerra, e eles precisariam estar prontos para enfrent¨¢-la, n?o importa o que acontecesse. O som distante de vozes e o ru¨ªdo de armaduras ajustadas s¨® aumentavam a sensa??o de ang¨²stia. ¡ª Estamos prontos para isso, L¨²cia? ¡ª Arthur perguntou, engolindo em seco, sua voz revelando uma apreens?o sincera. L¨²cia virou-se para ele, tentando imprimir confian?a em seu tom. ¡ª Se tivermos sorte eles v?o ser t?o fracos quanto voc¨º. Os Escudos de Pet¨¢las, a guilda de Jasmim, haviam sido incumbidos de liderar uma miss?o de "controle populacional" dos bestiais. Tais humanos corrompidos se reproduziam com uma rapidez assustadora, tornando-se o alvo ideal para um massacre justificado e sem repres¨¢lias da popula??o. A misteriosa morte recente de Andr¨¦, o rei desta ra?a emergente, criou uma oportunidade perfeita para atacar, e as cinco guildas principais de Barueri se uniram para eliminar essa amea?a, atendendo ao pedido do governador. A for?a combinada somava aproximadamente seissentos membros, cada um com habilidades e estilos variados. Jasmim cavalgava ao redor dos ca?adores de sua guilda, e percebendo a presen?a de L¨²cia, se aproximou rapidamente. ¡ª Garota, escute ¡ª disse a l¨ªder de guilda, sua voz calma mas firme. ¡ª Lute apenas se for necess¨¢rio. O seu foco principal aqui ¨¦ aprender. Observe tudo ao seu redor, absorva cada detalhe. Ap¨®s estas palavras r¨¢pidas, Jasmim ordenou em alta voz para que a guilda entrasse em forma??o. Os guerreiros come?aram a se alinhar, seus rostos carregando express?es de determina??o e, ao mesmo tempo, tens?o. ¡ª Boa sorte, Arthur. V¨º se n?o morre ¡ª disse a garota, com uma tentativa de sorriso ao ver que em instantes tudo se tornaria um caos. ¡ª Pra voc¨º tamb¨¦m! ¡ª respondeu Arthur, tentando aliviar o medo com uma voz excessivamente animada. O tom de camaradagem entre eles foi renovador, como se aquelas palavras fossem um lembrete de que ainda eram jovens e cheios de vida, uma promessa velada de que n?o podiam deixar tudo acabar ali. Quando finalmente alcan?aram a frente de batalha, a vis?o que os esperava era deprimente. Uma aldeia mal feita se espalhava diante deles, um amontoado de casas r¨²sticas e tendas mal erguidas, sem qualquer sinal de muralhas ou defesas. O cheiro nauseante de carne apodrecida e restos espalhados pelo ch?o tornava o ambiente quase insuport¨¢vel. ¨¤ distancia, os bestiais observavam com olhos injetados de ¨®dio e desconfian?a. Suas figuras eram imponentes e amea?adoras, mas tamb¨¦m pareciam estranhamente assustados. ¡ª Manipuladores, preparem-se! ¡ª ecoou a ordem pelo campo de batalha, puxando todos de volta ¨¤ realidade. E ent?o, com o soar estridente de uma trombeta, o caos foi liberado. Manifesta??es de mana das mais diversas formas cortaram o ar, indo em dire??o aos inimigos selvagens. Explos?es de luz, fogo, e sombras se mesclaram enquanto o confronto inicial se desenrolava. Muitos inimigos foram obliterados pelo intenso impulso, mas seria imposs¨ªvel repetir tal ataque massivo quando seus companheiros estivessem lutando corpo a corpo. Infelizmente, um n¨²mero consider¨¢vel de bestiais conseguiu desviar, avan?ando com uma ferocidade renovada por cima dos corpos de seus companheiros ca¨ªdos. O campo de batalha se transformou em um cen¨¢rio onde sangue e poeira se misturavam no ar, e os humanos puros, mesmo em menor n¨²mero, mantinham uma vantagem esmagadora. Jasmim organizou seus guerreiros em uma s¨®lida falange no centro da linha de combate. Inspirados na antiga t¨¢tica grega, alinharam-se em uma forma??o quase impenetr¨¢vel, escudos colidindo e lan?as prontas para repelir qualquer avan?o dos inimigos. Essa forma??o, apelidada de "Muralha de Prata", bloqueava os ataques frontais e oferecia uma base est¨¢vel para os manipuladores de mana que estavam posicionados na retaguarda, lan?ando feiti?os menores, mas ainda destrutivos, sobre os que ousavam se aproximar. ¨¤ esquerda da forma??o, a Guilda dos Grifos executava a estrat¨¦gia conhecida como "Vanguarda de Tempestade". Inspirados na Blitzkrieg, eles combinavam ataques r¨¢pidos e intensos. Os membros montados em seus cavalos, verdadeiros ¡°grifos simb¨®licos¡± segundo eles pr¨®prios, ¡ª j¨¢ que ¡°voavam¡± pelo campo de batalha ¡ª avan?avam em velocidade devastadora, quebrando as linhas inimigas e desorientando-os. Mais ao fundo, os Silenciosos usavam t¨¢ticas de guerrilha. Pequenos grupos de assassinos e rastreadores se moviam rapidamente pelas sombras, emboscando bestiais isolados e desaparecendo antes que os inimigos pudessem retaliar. Eles atacavam e recuavam, usando o terreno a seu favor, transformando cada ¨¢rvore e rocha em uma arma potencial.If you stumble upon this narrative on Amazon, it''s taken without the author''s consent. Report it. ¨¤ direita, os Brutos de Ferro, de forma muito semelhante aos Grifos, avan?avam com uma carga de cavalaria pesada. Montados em poderosas bestas, seguiam em uma linha reta devastadora, esmagando tudo em seu caminho. Seus cavaleiros usavam armas pesadas, quebrando cranios e dilacerando carne com cada investida. Enquanto isso, a guilda Ventos Livres praticava a "Tormenta", uma estrat¨¦gia inspirada nas t¨¢ticas mong¨®is. Cavaleiros leves atacavam os flancos dos bestiais, disparando flechas e lan?ando pequenas manifesta??es de mana antes de recuar rapidamente para fora do alcance inimigo. Esse movimento constante deixava os bestiais confusos e vulner¨¢veis, permitindo que outros membros do grupo explorassem essas fraquezas de outras dire??es. L¨²cia observava a batalha ¨¤ distancia, sentindo uma press?o familiar apertando seu peito. Seus olhos se fixaram nos escudeiros que apertavam as armas com desesperan?a. O medo era palp¨¢vel, vis¨ªvel nos olhos arregalados e nas posturas tensas. Mas, para L¨²cia, o que se erguia dentro dela n?o era esse pavor, mas uma raiva crescente e insuport¨¢vel, alimentada pelas mem¨®rias do combate desesperado de seu vilarejo. O problema ¨¦ que o rosto de seus antigos conhecidos sobrepunha os rostos dos bestiais, n?o do seu ex¨¦rcito aliado. ¡°Ana me daria uma bronca por ser idiota¡­¡±, pensou ela, notando que a miss?o necess¨¢ria que todos diziam era apenas uma carnificina, puro assassinato de inocentes. A garota come?ou a ofegar pela frustra??o. Foi ent?o que, repentinamente, o que parecia ser uma vit¨®ria iminente come?ou a desmoronar. Os bestiais, mais organizados do que qualquer um esperava, se reuniram em um ¨²nico ponto, lan?ando um ataque de pin?a para romper a forma??o da linha de frente das guildas. Foi um movimento inesperado, e a defesa espalhada pela plan¨ªcie n?o conseguiu suportar. Com a vantagem t¨¢tica, os bestiais se concentraram nos guerreiros mais fracos, aqueles que estavam posicionados na retaguarda para ganhar experi¨ºncia. Era um massacre iminente, e L¨²cia sabia que precisava agir rapidamente. Seus olhos se fixaram em um grupo de ca?adores de rank E, cercados por inimigos. Eles estavam paralisados de medo, suas armas tremendo em m?os inexperientes. A garota os reconheceu imediatamente; havia treinado com eles muitas vezes durante o ¨²ltimo m¨ºs. Aqueles eram seus companheiros, e a ideia de perd¨º-los ali, como havia perdido tantos outros no passado, era insuport¨¢vel. Com um comando quase impercept¨ªvel passado pelo aperto de suas pernas, seu lobo entendeu sua inten??o. Os m¨²sculos do grande animal se retesaram, prontos para o ataque. Em um instante, L¨²cia se lan?ou para frente, sua m?o firmemente segurando a lamina que trazia consigo. Quando se aproximou do grupo de ca?adores, a menina soltou um grito de guerra, uma mistura de raiva e determina??o. Com o lobo ao seu lado, L¨²cia se lan?ou na batalha com uma ferocidade que incendiava o ar ao seu redor. Sua lamina cortava o espa?o em arcos precisos, e o primeiro bestial que se aproximou foi abatido com um corte profundo no torso, queimando de dentro para fora quando L¨²cia ativou uma manifesta??o de fogo para cobrir a espada. O lobo, sincronizado quase que perfeitamente, mordia e rasgava, suas mand¨ªbulas met¨¢licas cravando na carne dos inimigos com precis?o letal. A jovem movia-se de um inimigo ao outro como uma tempestade. Em um movimento belo e fluido, apesar de arriscado, ela soltou as r¨¦deas do grande animal e manifestou um chicote de ¨¢gua, que serpenteou no ar e envolveu o pesco?o de um dos selvagens. ¡ª Um guerreiro m¨¢gico, n¨¦? ¡ª resmungou para si mesma, lembrando-se de como Ana ficou empolgada com a possibilidade. Seu olhar vagou pelo campo de batalha, notando que podiam ser contados em uma m?o os que adotavam um estilo de combate que mesclasse ambos os conceitos. Era algo compreens¨ªvel. Manifesta??es exigiam uma concentra??o profunda no que se queria trazer ao mundo, qualquer distor??o de pensamento ou imagina??o poderia fazer um resultado diferente do esperado surgir em sua frente. Isso, somado a tens?o constante obtida em um combate corpo a corpo, fazia com que a maioria dos ca?adores considerasse arriscado e pouco pr¨¢tico. Deixando seus devaneios de lado, ela eletrificou o chicote, fazendo um grito rouco sair da garganta torrada de seu oponente. Ao mesmo tempo, invocou uma barreira de vento para bloquear um ataque surpresa, girando sua lamina em seguida para golpear o atacante com for?a. Os dois companheiros lutavam como uma unidade, desviando e atacando de toda dire??o. Os bestiais ca¨ªam um a um, e a brutalidade da batalha visceral impressionou a todos ao redor. Por¨¦m, em meio ao caos, um oponente mais astuto atirou uma arma peculiar, uma estranha corda com pedras nas pontas, a qual voou pelos ares e se enrolou ao redor do corpo da menina antes que tivesse tempo de reagir, puxando-a com viol¨ºncia para fora do lobo. Ela caiu pesadamente no ch?o, o impacto arrancando o ar de seus pulm?es e deixando-a momentaneamente vulner¨¢vel. Uma onda de bestiais corria em sua dire??o, vendo-a como uma amea?a significativa. O lobo reagiu instantaneamente, suas garras cravaram-se no ch?o enquanto ele saltava em defesa da menina, seu corpo interpondo-se entre ela e lan?as rudimentares que j¨¢ viajavam em sua dire??o. Algumas eram quebradas ainda no ar por mordidas precisas de sua resistente pr¨®tese, mas outras acertaram seu flanco, fazendo-o soltar um grunhido de dor. L¨²cia lutava para se soltar da corda, e n?o p?de deixar de se sentir culpada pelo animal que se movia com uma ferocidade desesperada para a proteger. As mand¨ªbulas da fera destru¨ªam qualquer coisa em seu caminho, mas era imposs¨ªvel prestar aten??o em todas as dire??es com seu grande corpo, e logo outra lan?a foi arremessada, desta vez acertando seu ombro, fazendo um rastro de sangue surgir por seu pelo negro. ¡°Ele est¨¢ dando tudo de si por mim... N?o posso falhar agora¡±, pensou, e ent?o mesmo em meio a dor latejante que j¨¢ come?ava a cobrar o pre?o de seus m¨²sculos, conseguiu se concentrar o suficiente para manifestar de forma precisa pequenas laminas entre as cordas, as quais rapidamente destru¨ªram a arma, apesar de muitos cortes tamb¨¦m terem sido feitos em seu pr¨®prio corpo. Finalmente liberta, agarrou sua espada e destruiu as hastes das lan?as que pendiam no corpo de seu companheiro. As feridas teriam que ser tratadas mais tarde, mas precisava liberar seus movimentos urgentemente. Eles lutaram juntos, lado a lado, impedindo a aproxima??o dos que os cercavam. Quase que como se estivessem em uma telepatia, quando L¨²cia desferia um golpe, o lobo protegia seu flanco, atacando com a mesma intensidade. Durante a defesa, L¨²cia viu ¨¤ distancia que os bestiais come?aram a recuar, finalmente desmoronando sob o ataque coordenado dos humanos. No entanto, os l¨ªderes das guildas focaram em perseguir os inimigos em fuga, deixando os ca?adores mais fracos, que ainda batalhavam na retaguarda, sozinhos na luta pela sobreviv¨ºncia. O campo de batalha come?ava a se encher com os gritos desesperados dos feridos. O cora??o de L¨²cia apertou-se, mas ela sabia que sua prioridade era sobreviver. Quando voltou sua aten??o para a luta ¨¤ sua frente, n?o viu o golpe que se aproximava. Um bestial, mais r¨¢pido do que a maioria dos outros, desferiu um chute poderoso em seu est?mago, lan?ando-a para tr¨¢s. A dor era excruciante, e L¨²cia sentiu o sangue subir em sua garganta antes de ser for?ada a vomit¨¢-lo. Tentando se levantar, ela percebeu que o lobo estava enfrentando um grupo de oponentes, incapaz de proteg¨º-la dessa vez. Outro chute acertou a lateral de seu corpo, fazendo-a se chocar contra uma ¨¢rvore bruscamente, e sem conseguir se mover, ela fechou os olhos, achando que aquele seria o seu fim. ¡ª Idiota, n?o fica parada ai! Uma m?o firme agarrou seu bra?o, puxando-a para cima de um cavalo. Arthur chegou no ¨²ltimo segundo para salv¨¢-la, e juntos come?aram a se afastar rapidamente. O ¨¢gil bestial que a atacara n?o estava disposto a deixar sua presa escapar, e os perseguiu com uma velocidade impressionante. Em meio a floresta cheia de obst¨¢culos, a grande montaria n?o conseguia atingir uma velocidade adequada, estava claro que eles seriam pegos. As garras do perseguidor j¨¢ quase tocavam a nuca do escudeiro, quando, em um salto feroz, o lobo surgiu abocanhando sua jugular. A carne foi imediatamente dilacerada, e o corpo sem vida soltou um ¨²ltimo suspiro antes de perder a for?a. ¡ª Fuja! Agora! ¡ª gritou L¨²cia, sua voz quebrada pela emo??o, mas o lobo a ignorou, continuando a lutar contra os incessantes inimigos. O cavalo corria o mais r¨¢pido que podia, mas a garota n?o conseguia desviar o olhar de seu companheiro de batalha. ¡ª Me solta! Me solta, agora! ¡ª N?o! Voc¨º n?o pode lutar mais! N?o nessas condi??es ¡ª respondeu Arthur, a voz tr¨ºmula, mas cheia de determina??o enquanto l¨¢grimas apareciam no canto de seus olhos ao notar o real desespero de sua amiga. Ainda com sangue escorrendo pelos l¨¢bios, os olhos de L¨²cia encontraram os do lobo mais uma vez. Ele parecia feliz, como se soubesse que havia cumprido seu dever, satisfeito por ela estar segura. Meio cambaleante, soltou um longo uivo de despedida e se jogou com tudo contra os novos bestiais que surgiam incessantemente, matando o m¨¢ximo que conseguia para dar espa?o para que ela se afastasse. ¡ª Fique vivo, por favor¡­ por favor¡­ ¡ª sussurrou a menina, quase como uma prece silenciosa em dire??o a qualquer um que a escutasse, enquanto solu?ava por sua impot¨ºncia, com o som da batalha se desvanecendo ¨¤ distancia. ¡ª por favor¡­
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Capítulo 102 - Reverência ao Lixo
¡ª Minha senh¡­ Ana, por favor, deixe que a gente fa?a isso. ¡ª Voc¨º tem algo melhor para eu fazer, Miguel? ¡ª Voc¨º pode verificar algum assunto interno do reino¡­ ¡ª Ah, cala a boca, ainda n?o existe a porcaria de um reino ¡ª resmungou Ana, ofegante enquanto carregava uma pedra maior que si mesma nas costas. ¡ª Agora pare de s¨® olhar e comece a limpar o terreno tamb¨¦m. A rainha usava simples roupas sujas de linho, e seu corpo todo estava encharcado de suor,. Os ¨²ltimos dias foram todos passados assim, movendo destro?os de um lado para o outro ao lado de centenas de mascarados. Inicialmente tentou se conter, Gabriel e Miguel sempre a repreendiam quando come?ava a fazer trabalhos bra?ais, diziam n?o ser a tarefa de uma l¨ªder, mas Ana n?o conseguiu nenhuma forma melhor de eliminar o t¨¦dio. ¡ª E voc¨º, o que est¨¢ fazendo aqui? ¡ª Ana perguntou sem rodeios, lan?ando um curioso olhar de soslaio para Nyx, que os observava de um canto pregui?osamente. O som de materiais sendo arrastados e dos martelos batendo ecoando ao seu redor mal deixavam sua pergunta ser ouvida, e a poeira que se levantava do solo tornava o ar espesso, dificultando a vis?o, ent?o a sombra se aproximou antes de responder. ¡ª To na mesma que voc¨º, n?o tenho muito o que fazer ¡ª respondeu, sua voz carregada de t¨¦dio. ¡ª Al¨¦m disso, j¨¢ cansei daquela falsa M?e dando ordens para mim. Sendo bem honesta, n?o gosto de Gabriel. Ana apenas deu de ombros, sem demonstrar qualquer surpresa ou preocupa??o. ¡ª Tudo bem, voc¨º n?o ¨¦ a pior companhia que eu poderia ter ¡ª comentou, enquanto seus olhos percorriam os trabalhadores mascarados que limpavam o terreno. ¡ª Mas o que acha de ajudar eles ao inv¨¦s de s¨® ficar a¨ª parada? ¡ª Olhe meus bra?os finos! Como vou ajudar sendo t?o, t?o fraca?! A rainha apenas balan?ou a cabe?a, cansada demais para discutir com a Sombra. Conforme caminhavam, seu olhar se fixou no velho shopping, uma estrutura que j¨¢ havia visto dias melhores, mas que ainda se erguia com alguma dignidade. Suas torres improvisadas contrastavam com todo o resto da constru??o, a deixando levemente incomodada. ¡ª Voc¨ºs conhecem Paris? ¡ª ela perguntou, repentinamente. Nyx e Miguel trocaram olhares r¨¢pidos, antes de chacoalhar a cabe?a em negativa, ambos sem muita familiaridade com o local mencionado. ¡ª ¨¦ uma cidade interessante ¡ª Ana come?ou a explicar. ¡ª Foi organizada em distritos bem definidos, cada uma com sua fun??o espec¨ªfica, misturando beleza e praticidade. ¨¦ isso que espero construir aqui. Ela fez uma pausa, avaliando o terreno ao redor antes de continuar, sem parar de andar. ¡ª Primeiro, quero que derrubem aquele shopping. Vamos construir um pequeno castelo, dessa vez um de verdade, naquele local. A cidade ser¨¢ constru¨ªda ao redor desse castelo, com grandes avenidas em todas as dire??es. Ser¨¢ nossa base, um ponto de refer¨ºncia. Miguel assentiu, demonstrando um lampejo de aprova??o. ¡ª ¨¦ um planejamento simples, mas acredito que ficar¨¢ ¨®timo. Irei repassar os planos para as demais ¨¢reas. ¡ª Certo. Fa?a rascunhos iniciais e pegue ideias com os demais conselheiros, farei uma revis?o quando a vers?o inicial estiver terminada. ¡ª Farei isso agora mesmo! ¡ª disse ele, pronto para partir. ¡ª Ok, ok ¡ª respondeu Ana, finalmente chegando ao local de despejo. Virando-se de costas, soltou a grande pedra, a qual fez um estrondo e criou rachaduras no asfalto antigo. Ela colocou a m?o na cintura e esticou as costas, dando um longo suspiro. ¡ª Qual ¨¦ o seu objetivo com tudo isso? Vejo o esfor?o, mas n?o sinto paix?o real ¡ª perguntou Nyx, quebrando o sil¨ºncio enquanto via o homem sorridente se afastar. ¡ª Voc¨º est¨¢ certa, em parte. Ainda n?o sei se realmente desejo um reino ou n?o... mas n?o custa tentar construir um lugar para viver. Nyx assentiu levemente, parecendo satisfeita com a resposta. ¡ª Entendi. Tamb¨¦m estou cansada de vagar sem rumo. Sua ideia de um lugar fixo n?o ¨¦ t?o ruim. Ana esbo?ou um pequeno sorriso, um gesto que carregava mais cansa?o do que alegria. ¡ª Eu n?o disse que seria um lugar fixo. Mas enfim, seja como for, n?o nego que h¨¢ outro objetivo principal por tr¨¢s de tudo. Quero que este reino seja atrativo, atrativo o suficiente para que a Colecionadora se interesse em dar uma olhada. Mas claro, isso ¨¦ para o futuro. No momento, estou apenas jogando um jogo de estrat¨¦gia. Nyx arqueou uma sobrancelha, intrigada. ¡ª Jogo de estrat¨¦gia? O que ¨¦ isso? ¡ª Nada importante ¡ª respondeu Ana, desconversando, seu tom denotando um desinteresse em explicar. De repente, sua express?o mudou, seus olhos se estreitando ao focar em algo no horizonte. Um grande grupo se aproximava rapidamente de onde estava, correndo em uma forma??o desorganizada. ¡ª Merda ¡ª murmurou ela, antes de gritar com uma voz que cortou o ar. ¡ª Peguem suas armas! Sem esperar mais, come?ou a correr em dire??o aos limites destru¨ªdos da cidade, com Nyx a seguindo de perto. Por¨¦m, apesar do impulso inicial, logo seus p¨¦s come?aram a desacelerar, e a impaci¨ºncia preencheu seu olhar. ¡ª O que esses filhos da puta est?o fazendo aqui? Na frente do grupo, de forma imponente, um homem com uma cicatriz grotesca que ia do umbigo ao pesco?o, corria velozmente, a linha de brutalidade em seu corpo contrastando com a severidade de sua express?o. Vendo que Ana parou, ele desacelerou, encarando ela diretamente. A rainha, por sua vez, permaneceu im¨®vel, apoiada em sua espada j¨¢ desembainhada, sem desviar o olhar. ¡ª Como podem ser t?o est¨²pidos? ¡ª Ana gritou, a voz anormalmente fria. ¡ª N?o deixei claro que n?o era para voltarem aqui, Lucas? Lucas sustentou o olhar dela, mas havia uma tens?o em seus ombros. Ele sabia que as palavras de Ana n?o eram vazias, e que desobedec¨º-la podia ter consequ¨ºncias graves. No entanto, algo mais forte que o medo o havia trazido de volta. Apesar de estar tremendo, ele se for?ou para se levantar, mantendo a postura ereta dos humanos antigos.This novel''s true home is a different platform. Support the author by finding it there. ¡ª Nossa aldeia foi dizimada ¡ª come?ou o bestial. ¡ª A maior parte do meu povo foi destru¨ªda. Os cem que est?o comigo s?o tudo o que restou. A maioria s?o mulheres e crian?as¡­ poucos guerreiros jovens¡­ velhos sacrificados. Ana estudou o grupo que se agachava atr¨¢s do homem. Eles estavam exaustos, com os rostos marcados pelo medo e a dor de terem perdido tudo. Era evidente que aqueles n?o eram guerreiros prontos para lutar, mas sim refugiados buscando desesperadamente por seguran?a. ¡ª E que merda tenho a ver com isso? ¡ª perguntou a mercen¨¢ria, com os olhos semicerrados, avaliando a situa??o. Por um momento, pareceu que iria falar mais algo, mas em vez disso, ela virou o rosto, observando o horizonte. A neblina matinal ainda pairava sobre a floresta quando as novas silhuetas surgiram dentre as ¨¢rvores. Eram cerca de trezentos guerreiros humanos puros, suas armaduras brilhantes refletindo os muitos raios de sol enquanto se aproximavam em forma??o, membros de guildas que Ana j¨¢ havia visto antes. A mercen¨¢ria voltou a olhar para Lucas, sua express?o endurecendo. ¡ª Ent?o voc¨º decidiu trazer sua batalha para a minha cidade? ¡ª a irrita??o era palp¨¢vel em sua voz. Lucas murmurou, sua confian?a desmoronando diante do olhar da monarca. ¡ª N?o tive escolha¡­ n?o podia deixar o resto do meu povo morrer. Ana suspirou, pesadamente, e ent?o entregou a grande espada negra para um mascarado qualquer pr¨®ximo, pegando a pr¨®pria espada curta que ele utilizava em seu lugar. Ela sabia que a situa??o estava prestes a se complicar ainda mais. ¡ª Esconda isso em um lugar seguro ¡ª ordenou, avaliando a arma substituta em suas m?os, a qual parecia bem afiada, apesar do metal simples. Os bestiais, percebendo a aproxima??o das guildas, correram para o meio dos escombros da cidade, deixando apenas Ana, Nyx e Lucas ¨¤ frente. Mascarados, com armas em punho, come?aram a se reunir ao redor, prontos para qualquer sinal de hostilidade. Ana reconheceu Jasmim entre as fileiras inimigas distantes, e o ar ao redor ficou denso com a tens?o crescente. Ap¨®s uma breve pausa, um representante das guildas, montado em um cavalo, se aproximou, seus olhos vagando lentamente pelas duas cores da estranha m¨¢scara da mulher em sua frente. Ele parou a uma distancia segura antes de come?ar a falar em alto tom. ¡ª Em nome do reino de Barueri, exigimos que entreguem as abomina??es. Ana permaneceu em sil¨ºncio por um momento, seus olhos avaliando a situa??o ao redor. Ela sentiu Lucas ao seu lado come?ando a grunhir, prestes a responder de maneira imprudente. ¡ª Quieto ¡ª murmurou a rainha ao bestial de forma r¨ªspida. ¡ª Voc¨º j¨¢ fez merda demais, n?o tem voz aqui. Ela ent?o voltou seu olhar para o representante da guilda. ¡ª Quem deu a voc¨º o direito de entrar t?o arrogantemente em meu reino? O homem n?o se intimidou, respondendo com desd¨¦m. ¡ª N?o vejo reino nenhum aqui, apenas lixo. Ana riu, um som curto e sem humor. ¡ª Voc¨º n?o est¨¢ errado, ¨¦ lixo. Mas h¨¢ uma soberana, e h¨¢ s¨²ditos. Portanto, sim, ¨¦ um reino. Enquanto ela falava, mais mascarados come?aram a se aproximar de todos os cantos, multiplicando-se rapidamente. O representante, que at¨¦ ent?o mantinha uma postura firme, agora revelava um leve tremor nas m?os, embora tentasse disfar?ar mantendo a postura arrogante. ¡ª N?o estou aqui para discutir com amaldi?oados ¡ª disse ele, a voz antes segura agora vacilando levemente. ¡ª Queremos apenas os humanos corrompidos. Entregue-os, e n¨®s partiremos. Ana fez uma pausa teatral, permitindo que o peso de suas pr¨®ximas palavras se acumulasse no ar, como uma tempestade prestes a desabar. Lucas, tomado pelo desespero, deu um passo ¨¤ frente, os olhos implorando por miseric¨®rdia. ¡ª Por favor, te pe?o em nome do meu povo, n?o nos entregue¡­ ¡ª N?o tem sentido sofrer perdas por voc¨ºs ¡ª respondeu Ana com uma voz cortante, como se fosse ¨®bvio. ¡ª Podemos oferecer lealdade em troca de abrigo. Sei que voc¨º ¨¦ forte... mas tamb¨¦m¡­ gentil. Nyx, incapaz de se conter, deixou escapar uma risada abafada, lembrando-se de como Ana havia gargalhado sozinha por dias ao receber tal elogio no m¨ºs anterior. Ana lan?ou um olhar afiado para a Sombra, mas por tr¨¢s da m¨¢scara, seus l¨¢bios tamb¨¦m tremiam, lutando para n?o sorrir. ¡ª Forte e gentil, hein? ¡ª Nyx provocou, a ironia escorrendo de cada palavra. ¡ª N?o ¨¦ o que voc¨º espera de uma rainha? ¡ª retrucou Ana, finalmente deixando um brilho divertido chegar a seus olhos. Por fim, suspirando, deslizou a m?o pelo queixo em um gesto pensativo, o mesmo que fez instantes antes ao considerar as palavras do representante das guildas. Seus olhos se estreitaram ligeiramente, o queixo levantado, enquanto seu olhar calculista percorria os presentes. Sua mente trabalhava rapidamente, interrompida apenas por uma lembran?a que surgiu de repente. ¡ª Oh, quase me esqueci ¡ª falou Ana, com uma pitada de sarcasmo em sua voz. ¡ª Voc¨º ¨¦ uma conselheira, n?o ¨¦? Ent?o, me aconselhe. Devo? Nyx deu de ombros com um sorriso malicioso ainda mantido nos olhos. ¡ª Por que n?o? Mande-os trabalhar. ''¡ª Estava pensando o mesmo. Ela voltou seu olhar para Lucas novamente, balan?ando a cabe?a lentamente com a situa??o c?mica e absurda. Por mais que soubesse que aceitar os bestiais traria problemas, havia algo quase satisfat¨®rio em t¨º-los sob seu controle. ¡ª Curvem-se. ¡ª O qu¨º? ¡ª Se querem ser meu povo, devem se curvar ¡ª explicou Ana, seu tom imbu¨ªdo de uma autoridade que n?o admitia contesta??o. Lucas hesitou, suas pernas tremendo sob o peso da escolha. O orgulho lutava contra a necessidade de sobreviv¨ºncia, mas a realidade se impunha. Lentamente, com o esfor?o marcado em cada movimento, ele se ajoelhou diante de Ana. Como um reflexo instintivo, os outros bestiais seguiram seu exemplo, curvando-se em um c¨ªrculo ao redor da rainha. Para sua surpresa, Lucas n?o sentiu a humilha??o que esperava. Ao contr¨¢rio, uma estranha sensa??o de paz o envolveu, como se ajoelhar diante dela fosse, de alguma forma, a coisa certa a fazer. Ele ficou confuso com a pr¨®pria submiss?o, mas n?o podia negar a naturalidade do ato. Ana observou a cena com satisfa??o, seus olhos saboreando a cena cada vez mais ca¨®tica. ¡ª ¨®timo. ¨¦ assim que deve ser ¡ª sussurrou, assentindo, enquanto voltava a falar com o representante com uma voz penetrante. ¡ª Viu isso? Uma rever¨ºncia ao lixo! Infelizmente n?o h¨¢ como entregar os selvagens. Eles s?o meus agora. O homem montado ficou vermelho de raiva, sua m?o indo instintivamente para a espada em sua cintura. Quando come?ou a pux¨¢-la da bainha, Ana levantou levemente o pulso, e em um instante, uma lan?a atravessou a cabe?a do grande cavalo, derrubando-o. O homem, atordoado e apavorado, come?ou a se levantar de forma desajeitada, mas antes que pudesse fazer qualquer movimento, Ana se aproximou, olhando-o de cima. ¡ª Eu avisei que este ¨¦ o meu reino. Voc¨º n?o tem permiss?o para sacar armas diante de meus olhos. O representante sentiu um arrepio correr por sua espinha, o medo claramente estampado em cada parte de seu rosto. Sem responder, recuou, rapidamente, enquanto os outros membros da guilda percebiam que a situa??o n?o era ideal e aos poucos come?avam a recuar tamb¨¦m. ¡ª Voc¨º vai se arrepender disso ¡ª murmurou ele, tentando manter um m¨ªnimo de dignidade enquanto se retirava. Ana apenas os observou em sil¨ºncio enquanto se afastavam. Depois que desapareceram na floresta, girou o corpo de forma relaxada, colocando a cidade de novo em sua vis?o. ¡ª Voc¨º me trouxe um grande problema ¡ª resmungou para o bestial que ainda se mantinha curvado. Instintivamente ela levou a m?o ¨¤ testa, o que teria sido um gesto simples se sua m¨¢scara n?o a impedisse de alcan?ar as t¨ºmporas. ¡ª Sem enrola??o, voc¨ºs devem trabalhar firme na defesa e reconstru??o da cidade. E, claro, seguir as leis e costumes do reino. Desobedi¨ºncia ser¨¢ punida com a morte. Lucas olhou para os poucos que restaram de sua aldeia, a tens?o em seus corpo aumentou. Ele sabia que seguir regras n?o era o ponto forte dos bestiais, mas realmente n?o tinham escolha. ¡ª Est¨¢ tudo bem se eu der uma olhada nestas leis o mais r¨¢pido poss¨ªvel? Gostaria de evitar desastres acidentais¡­ ¡ª perguntou, desconfort¨¢vel. Ana o encarou por um longo momento antes de responder com um tom exasperado. ¡ª Elas n?o existem. N?o ainda. Mas voc¨º deve segu¨ª-las. Lucas piscou, confuso e sem saber ao certo como reagir. Ana, no entanto, j¨¢ havia perdido o interesse na conversa. ¡ª Enfim, enfim. Escolham um canto e se estabele?am por l¨¢ por enquanto. Saiba que devem conseguir a pr¨®pria comida e n?o incomodar ningu¨¦m. Lucas, ainda sem ter certeza do que fazer, come?ou a se afastar, organizando seu povo conforme as instru??es de Ana. No entanto, antes que ele pudesse se retirar completamente, a mulher o chamou novamente. ¡ª A prop¨®sito, a partir de agora voc¨º faz parte do conselho. Ser¨¢ o chefe da Liga Bestial. Procure Alex e Gabriel pela manh? e d¨º mais detalhes da situa??o. O luto fica para mais tarde, precisam colocar a m?o na massa para pagar por toda essa dor de cabe?a.
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Capítulo 103 - Cora??o da Col?nia
Luiz saiu rindo de um pequeno povoado, suas risadas ecoando pelas ruas estreitas e poeirentas. Ao seu lado, seis mascarados o acompanhavam em sil¨ºncio, suas presen?as imponentes, mas tranquilas. Ele deu um tapinha amig¨¢vel nas costas de um deles, um sorriso satisfeito ainda nos l¨¢bios. ¡ª Fizemos um ¨®timo trabalho! ¡ª exclamou, sua voz carregada de um orgulho jovial. Antes, o grupo era composto por dez membros, mas alguns ficaram pelo caminho, terminando os detalhes dos contratos e termos estabelecidos. J¨¢ era o terceiro povoado pelo qual passavam, e as negocia??es, embora inicialmente tivessem parecido desafiadoras, acabaram sendo mais f¨¢ceis do que o esperado. Cada aldeia tinha suas peculiaridades, mas todas compartilhavam algo em comum: a simplicidade. O primeiro que visitaram era habitado por humanos com bra?os longos e flex¨ªveis, que se moviam como cip¨®s, permitindo-lhes alcan?ar grandes alturas com facilidade. Seus olhos eram pequenos e escuros, adaptados para enxergar em ambientes de pouca luz. Eram um povo recluso, vivendo a maior parte do tempo literalmente dentro do topo das ¨¢rvores, mantendo-se afastados das amea?as exteriores. Sua vila aos poucos entrava em decad¨ºncia pela falta de uso, ent?o foram os mais f¨¢ceis de convencer. O segundo povoado era habitado por seres de pele fina e quase transl¨²cida, que lhes permitia detectar mudan?as sutis na press?o e na temperatura do ar. Eram ¨¢geis e r¨¢pidos, capazes de identificar o perigo antes mesmo de ser vis¨ªvel. Haviam rebaixado as casas de seu vilarejo, sendo grande parte delas parcialmente subterraneas. Embora intimidadores ¨¤ primeira vista devido ao interior de seu corpo sendo sutilmente vis¨ªvel abaixo da pele, essas pessoas eram surpreendentemente acolhedoras, interessadas principalmente em aprimorar suas ferramentas agr¨ªcolas rudimentares. A desconfian?a inicial com Luiz e seu grupo foi rapidamente dissipada quando viram que estavam dispostos a negociar de maneira justa. O terceiro, de onde acabavam de sair, era um pequeno vilarejo de humanos que possu¨ªam patas em vez de p¨¦s, capazes de percorrer longas distancias sem cansar. Eram ca?adores por natureza, mas precisavam de armas mais sofisticadas, j¨¢ que nem sempre apenas suas novas garras afiadas eram suficientes. Eles viviam em uma comunidade organizada, mas de apar¨ºncia antiga, como se houvesse retrocedido alguns s¨¦culos no tempo. As negocia??es foram simples. Os povos n?o tinham muito uso para o equipamento que sobrara de tempos antigos, j¨¢ que nem mesmo energia el¨¦trica possu¨ªam no momento, ent?o estavam dispostos a trocar por uma quantidade equivalente de suprimentos ou ferramentas de metal para uso cotidiano. Houve certa relutancia quando souberam que a cidade amaldi?oada estava sendo reconstru¨ªda, mas como n?o havia desaven?a real, acabaram cedendo. A humildade dos mascarados e a disposi??o de Luiz em escutar suas necessidades os convenceram. Claro, o mentalista tamb¨¦m plantou sementes de ideias em suas mentes, conduzindo-os sutilmente ¨¤ dire??o certa do acordo sempre que necess¨¢rio. ¡ª E agora, qual ¨¦ a pr¨®xima parada da rota? ¡ª perguntou o mentalista, com um olhar animado. Uma mascarada ao seu lado, a qual parecia ter aproximadamente 30 anos e um corpo comum mas com um excepcional charme, consultou um mapa meio gasto. ¡ª As pr¨®ximas duas s?o cidades grandes, Myrmeceum e Carapicu¨ªba. ¡ª Provavelmente as negocia??es v?o ser dif¨ªceis em ambas ¡ª interrompeu outro mascarado, um homem de apar¨ºncia simples e curtos cabelos negros que escapavam pelos lados do item que cobria seu rosto. ¡ª Eles n?o precisam de recursos b¨¢sicos como as aldeias. E, por serem maiores, t¨ºm justamente os itens que mais precisamos. Luiz, no entanto, estava confiante. Um sorriso largo se formou em seu rosto. ¡ª Conseguiremos. Olhem como foi f¨¢cil at¨¦ agora! Somos incr¨ªveis! ¡ª riu sozinho, mais uma vez, agora entre as ¨¢rvores que cercavam a trilha. Os mascarados se entreolharam, notando a rea??o peculiar do l¨ªder da expedi??o, mas decidiram n?o comentar e apenas seguiram em frente. Logo chegaram ao pen¨²ltimo destino, Myrmeceum. Era muito menor que a cidade de Barueri, ocupando apenas parte da Reserva Biol¨®gica Tambor¨¦, mas ainda assim maior que as aldeias por onde haviam passado. Os muros eram de pedra empilhada e cimentada, mas n?o t?o altos, e dois guardas estavam pregui?osamente encostados na torre, observando o horizonte com desinteresse. Luiz j¨¢ havia lido no relat¨®rio que aquela era uma cidade estranha. Seus habitantes haviam ganhado caracter¨ªsticas de insetos, mas havia uma peculiaridade: n?o seguiam um padr?o espec¨ªfico como os outros humanos corrompidos. Alguns ganharam v¨¢rias pernas, outros perderam as m?os, substituindo-as por garras, e alguns poucos tinham m¨²ltiplos olhos, o que dava ¨¤ cidade uma apar¨ºncia surreal e desordenada. Ao se aproximarem dos port?es, o conselheiro fez uma careta involunt¨¢ria ao imaginar uma barata gigante caminhando pelas ruas, mas manteve a postura confiante. ¡ª Vamos l¨¢, pessoal. Mostrem que os amaldi?oados tamb¨¦m sabem como fazer neg¨®cios ¡ª suas palavras acompanharam um leve ajuste de sua m¨¢scara, e logo deu um passo ¨¤ frente, pronto para iniciar as negocia??es. Os guardas na entrada os notaram rapidamente, e um deles, com olhos que brilhavam em um tom amarelo fluorescente, desceu lentamente da torre para os receber. Luiz se surpreendeu ao notar que, diferente do que esperava, os homens pareciam relativamente normais; havia algumas caracter¨ªsticas sutis de insetos que ele percebeu, como um ou outro par de antenas saindo das testas e a pele levemente quitinosa, mas nada que fosse grotesco como ele imaginara. O guarda que se aproximava possu¨ªa os bra?os tortos como os de um louva-deus, e o outro um par de bra?os a mais, finos como os de uma formiga, mas no fim o que realmente chamou sua aten??o foram os capacetes que usavam, que se assemelhavam ao de um motociclista, mas com um design de uma intrigante tecnologia decadente. ¡ª O que traz amaldi?oados aqui? ¡ª perguntou o guarda, sua voz saindo como um sussurro arranhado. Luiz sorriu debaixo da m¨¢scara, a recep??o era sempre a mesma, ent?o simplesmente repetiu o mesmo que disse para os demais locais. ¡ª Somos emiss¨¢rios ¡ª falou em tom fortemente diplom¨¢tico. ¡ª Nosso reino emergente gostaria de estabelecer rotas comerciais.The genuine version of this novel can be found on another site. Support the author by reading it there. Os olhos do guarda brilharam novamente, e Luiz soube que havia captado sua aten??o. Suas antenas tremeram por um instante, um detalhe que n?o passou despercebido para os mascarados, e logo ele se virou novamente para os visitantes. ¡ª Sigam-nos. A rainha ir¨¢ receb¨º-los. Sem muita cerim?nia, foram conduzidos pelas ruas da cidade, que, apesar de sua baixa tecnologia, mostravam um n¨ªvel surpreendente de organiza??o e estrutura. As constru??es eram feitas de materiais simples como madeira e pedra, mas suas formas imitavam colmeias ou formigueiros, com entradas em arcos baixos e estruturas modulares que poderiam ser expandidas para cima ou para os lados conforme necess¨¢rio. As ruas eram repletas de rampas e passarelas, permitindo que os habitantes se movessem com agilidade entre diferentes alturas. Os habitantes, embora apresentassem uma mescla de caracter¨ªsticas de insetos, eram h¨¢beis e eficientes em suas tarefas. Alguns manejavam ferramentas com m¨²ltiplos bra?os com uma destreza impressionante, enquanto outros tinham pernas extras, que lhes permitiam carregar grandes quantidades de peso com facilidade. O som constante de movimento e trabalho reverberava pelas ruas, criando uma atmosfera de atividade incessante. Uma caracter¨ªstica peculiar que Luiz n?o p?de deixar de notar era o uso generalizado de exoesqueletos complexos pelos habitantes. Essas armaduras tinham um design intrincado, combinando elementos de metal e materiais organicos, dando aos usu¨¢rios uma apar¨ºncia que vagava entre o militar e o an¨¢rquico. ¡ª Equipamentos r¨²nicos? ¡ª perguntou Luiz em voz baixa para um dos mascarados ao seu lado. ¡ª Parecem avan?ados, considerando o resto da cidade. ¡ª ¨¦ uma adapta??o cultural ¡ª respondeu o homem. ¡ª As partes de insetos conferem novas caracter¨ªsticas ao corpo, mas n?o s?o particularmente resistentes. Ent?o, eles integram essas pe?as para se fortalecerem. V¨º aqueles padr?es? As runas s?o simples, quase sempre focadas em prote??o. ¡ª E por que n?o adicionar runas de ataque tamb¨¦m? ¡ª perguntou Luiz, intrigado. ¡ª M¨²ltiplas runas em um ¨²nico equipamento podem causar efeitos adversos. ¨¦ complicado decidir exatamente por onde a mana vai passar, e o resultado pode ser perigoso. Luiz acenou, compreendendo a situa??o. ¨¤s vezes notava as runas nas armas de seus companheiros, mas nunca ficou particularmente interessado em saber como funcionam, ent?o ficou satisfeito com a pouca informa??o fornecida por seu companheiro. Apesar do dinamismo da cidade, era percept¨ªvel uma certa falta de naturalidade em cada canto, tudo parecia se mover de maneira mecanica. Haviam murais a cada poucas centenas de metros adornadas com padr?es complexos, mas que surpreendentemente eram trocados a cada minuto. Pequenos grupos de moradores se reuniam em torno deles, como se estivessem discutindo algo importante, e ent?o se dispersavam rapidamente, voltando ao trabalho como se obedecessem a um comando invis¨ªvel. ¡ª Esses padr?es s?o impressionantes ¡ª murmurou o mentalista, observando tamb¨¦m estes detalhes de forma curiosa. ¡ª S?o ordens coletivas ¡ª explicou o guarda, lan?ando um olhar impaciente. ¡ª Agora chega de papo furado, chegamos. A rainha vai encontr¨¢-los em breve. O grupo parou diante de uma grande constru??o, que, ¨¤ primeira vista, parecia um antigo pr¨¦dio do governo, mas com v¨¢rias adapta??es, incluindo r¨²sticos detalhes de asas e bandeiras que flutuavam ao vento. As portas foram abertas, revelando um hall espa?oso e escuro, iluminado apenas por uma s¨¦rie de pequenas lanternas que pendiam do teto, criando um ambiente quase m¨ªstico. O cheiro de terra e folhas frescas impregnava o ar, misturado com um leve odor met¨¢lico. Os emiss¨¢rios foram conduzidos atrav¨¦s de estreitos corredores que pareciam descer cada vez mais para o subterraneo. A atmosfera pesada e o sil¨ºncio opressor faziam seus sentidos ficarem em alerta. Finalmente chegaram a uma espa?osa e vazia sala, a luz fraca e as sombras projetadas nas paredes contrastavam com uma figura imponente no centro, sentada diretamente no ch?o. Ela era impressionante, com roupas folgadas que traziam um ar de fantasia cobrindo uma armadura negra reluzente, adornada com elegantes tra?os laranja. De suas costas sa¨ªam bra?os de aranha revestidos do mesmo metal escuro, se movendo com uma gra?a inquietante. Embora sua postura fosse relaxada, havia uma presen?a ineg¨¢vel de poder e autoridade. ¡ª Sua Majestade, Niala, rainha da Col?nia ¡ª anunciou o guarda, com uma grande rever¨ºncia, deixando a sala em seguida com um estranho pavor em seus passos. Enquanto analisavam o local, os mascarados notaram um homem magro e estranho, de ¨®culos escuros redondos, que permaneceu em p¨¦ em um canto, observando a cena com olhos invasivos. Luiz se manteve ao fundo do seu grupo, acompanhando a conversa com discri??o. A mulher mascarada que liderava as negocia??es, ap¨®s uma breve rever¨ºncia, sentou-se em frente a Niala, iniciando o di¨¢logo com uma voz respeitosa. ¡ª ¨¦ uma honra estar aqui, Sua Majestade. Viemos para propor uma alian?a entre nossas comunidades. Acreditamos que uma troca de recursos e apoio m¨²tuo pode ser ben¨¦fica para ambos. Niala observou o grupo por um momento antes de responder. ¡ª Uma alian?a? Com voc¨ºs? ¡ª disse, com claro desinteresse. ¡ª Lembro-me bem de como os amaldi?oados vivem em meio a escombros. N?o h¨¢ nada de valor. N?o vejo o que poderiam oferecer. Com o t¨¦rmino da frase, uma se suas longas pernas foi em dire??o a uma ta?a de vinho, demonstrando seu desd¨¦m enquanto se servia com um gesto desleixado. A mascarada manteve a calma, seu tom firme e confiante. ¡ª As coisas mudaram. Nossa rainha retornou. Estamos nos reerguendo, reconstruindo nossa cidade, e buscando novos aliados. Niala permaneceu c¨¦tica, mas suas antenas balan?ando levemente, quase impercept¨ªveis na escurid?o. Seus olhos se viraram sutilmente em dire??o ao homem que permanecia ao fundo, e Luiz percebeu que as antenas dele fizeram o mesmo movimento tr¨ºmulo. ¡ª Isso n?o me diz nada. Ainda n?o vejo como posso me beneficiar de um acordo ¡ª continuou a mulher inseto. Luiz percebeu que, mesmo mal tendo come?ado, a conversa n?o estava indo bem, afinal, Niala n?o estava totalmente errada, n?o havia muito que uma cidade que ainda n?o existe pudesse ofertar. ¡°S¨® uma pequena sugest?o para voltar para a dire??o certa n?o far¨¢ mal¡±, pensou, confiante que teria sucesso como das outras vezes. Concentrando-se, ele tentou acessar a mente de Niala, buscando influenci¨¢-la sutilmente para ao menos considerar a proposta que seria feita em seguida. Ele sorriu orgulhosamente ao ter um aparente sucesso ap¨®s uma ¨²nica tentativa, contudo inesperadamente se deparou com milhares de vozes e ideias bombardeando seu c¨¦rebro de uma s¨® vez. Era algo raro, talvez t?o estranho quanto a mente de Ana, mas muito mais doloroso. ¡°Consci¨ºncia compartilhada!¡± Infelizmente havia notado tardiamente, sua cabe?a parecia prestes a explodir, e ele come?ou a apertar as laterais de seu cranio, tentando resistir ¨¤ agonia que o consumia. No meio de seu tormento mental, ouviu o som de um copo de vidro se quebrando, seguido por um alto extrondo que o despertou em um pulo, com centenas de lascas de pedra atingindo seu rosto. A parte superior do corpo da mascarada que dirigia a conversa j¨¢ n?o existia mais, sendo obliterada por um golpe devastador de Niala. Antes que Luiz pudesse reagir, outra perna met¨¢lica pegou seu corpo, o erguendo no ar com brutalidade, arrancando sua m¨¢scara negra com um movimento ¨¢gil. ¡ª Olha s¨®, voc¨º n?o parece um desses montes de pedra ¡ª disse a rainha, com um tom frio e calculado, seus olhos fixos no mentalista que se debatia em v?o. ¡ª Me pergunto quem permitiu que colocasse essa mente suja na conversa da minha col?nia. Suspenso no ar, sentindo a dor remanescente ainda pulsando em sua cabe?a, Luiz mal conseguiu manter a compostura. A ¨²nica coisa que conseguiu pensar foi em como Ana ficaria brava por ele ter ignorado suas ordens.
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Capítulo 104 - Floresta de concreto
Dois meses se passaram desde que Ana assumiu o comando, e a transforma??o da cidade foi nada menos que extraordin¨¢ria. O que antes era um amontoado de ru¨ªnas e destro?os agora se estendia como um vasto campo aberto, com alguns poucos edif¨ªcios que se erguiam como ¨¢rvores de concreto e a?o, desafiando o c¨¦u com suas formas imponentes. Ana, com um olhar vision¨¢rio, havia iniciado uma s¨¦rie de grandes constru??es que avan?avam a passos largos. A for?a de trabalho dos bestiais foi essencial nesse progresso. Seus m¨²sculos e suas m?os calejadas, guiados pela determina??o e pela necessidade de reconstruir suas pr¨®prias vidas, ergueram muralhas robustas que envolviam a cidade, com blocos de pedra e vigas colocados com precis?o quase ritual¨ªstica sob a supervis?o de mascarados especializados. Um grande fosso estava come?ando a ser escavado e torres de vigia pontuavam essas muralhas, cada uma equipada com intrigantes armadilhas e armamentos que refletiam a criatividade sombria dos engenheiros que as projetaram, mas que, falando a verdade, n?o funcionavam muito bem neste momento, sendo apenas ¨®timas adi??es est¨¦ticas. Os inesperados novos residentes se estabeleceram no canto leste da cidade, fora das muralhas centrais, mas tamb¨¦m protegidos por uma muralha anexada de menor extens?o em forma de meia lua, se organizando de maneira surpreendentemente eficaz. Dando tudo de si, ergueram casas robustas, feitas de madeira e pedra, que ressoavam com a hist¨®ria de seu povo. Cada golpe de martelo era um esfor?o consciente para domar seus instintos selvagens, transformando essa energia em constru??es s¨®lidas e funcionais. Eles abandonaram os trapos que antes vestiam, adotando roupas leves de pano e partes de couro, que se adequavam ao clima e ao trabalho pesado. Com seu novo modo de vida, pareciam uma tribo b¨¢rbara, com um jeito bruto de viver, mas eram diligentes e s¨¦rios quando concentrados. Cada tarefa era cumprida com disciplina e um prop¨®sito claro, mostrando um lado dos bestiais que muitos n?o esperavam. Al¨¦m das moradias, tamb¨¦m deram in¨ªcio ¨¤ cria??o de uma ra?a de ovelhas que mais parecia sa¨ªda de um pesadelo antigo. Essas criaturas agressivas, com seus dentes incrivelmente afiados e olhar selvagem, produziam uma l? densa, mais grossa e resistente do que a de ovelhas comuns. Sua carne era dura, exigindo uma grande paci¨ºncia para serem cozidas, mas se tornou uma valiosa fonte de alimento para a tribo reformada, e aos poucos deixavam de ca?ar sem necessidade. Com o passar das semanas, os bestiais passaram a cuidar destes rebanhos com uma devo??o que surpreendia at¨¦ os mais c¨ªnicos. Muitos viam essa aprecia??o carinhosa como macabra, j¨¢ que no fim do dia muitas eram assassinadas para consumo, mas como parecia servir como um tipo de terapia para eles, n?o havia do que reclamar. No centro da cidade, elevado em rela??o ¨¤s demais constru??es, um castelo imponente dominava a paisagem. Embora compacto, sua estrutura exalava poder e autoridade, com torres altas e paredes refor?adas que brilhavam sob a luz do sol, se erguendo como o cora??o pulsante do novo reino. Conforme planejado, as ruas principais da cidade irradiavam do castelo, formando largas avenidas que se conectavam em cruzamentos organizados, facilitando o tr¨¢fego e a movimenta??o por todo o reino. Espalhados pelos arredores, em locais previamente definidos para tais, moinhos de vento feitos com pe?as b¨¢sicas giravam incessantemente, suas laminas cortando o ar como se fossem sentinelas vigilantes. Esses moinhos n?o apenas forneciam uma pequena quantidade de energia, mas tamb¨¦m simbolizavam a autossufici¨ºncia e a inova??o que permeavam a comunidade. Quart¨¦is e campos de treinamento fervilhavam de atividade, onde os novos recrutas, uma estranha fus?o de mascarados e jovens bestiais, aprendiam a dominar habilidades que antes eram desconhecidas. Nas extremidades da cidade, al¨¦m dos muros, campos de agricultura em padr?es geom¨¦tricos perfeitos se estendiam, ainda vazios, mas prontos para garantir as colheitas da cidade. Em conjunto a isto, estufas improvisadas foram constru¨ªdas, permitindo o cultivo de plantas mais raras e ex¨®ticas, enquanto reservat¨®rios de ¨¢gua subterraneos alimentavam os campos com um sistema de irriga??o engenhoso. Mas talvez o projeto mais intrigante estivesse acontecendo no subterraneo. Ali, um perturbador local estava sendo esculpido nas profundezas da terra, longe de olhares curiosos. O laborat¨®rio, destinado ¨¤ pesquisa avan?ada e experimentos, era o centro nervoso dos planos de Ana, onde o conhecimento antigo seria combinado com a nova realidade do mundo. Os corredores eram mal iluminados por pequenas pedras r¨²nicas de mana, que cintilavam em tons azulados, criando um ambiente misterioso e ao mesmo tempo acolhedor para os pesquisadores. A organiza??o da cidade era exemplar, com grupos separados em mini divis?es, indo al¨¦m do apenas funcional. A Divis?o de Pesquisa, onde a pr¨®pria Ana compartilhava seu vasto conhecimento, tornou-se um centro de aprendizado e inova??o. L¨¢, ela ensinava conceitos de tecnologia, ci¨ºncia e ideias a respeito da mana, instruindo poss¨ªveis talentos mascarados em como, teoricamente, manipular e combinar todos. Mais ao norte, a Divis?o de Constru??o trabalhava incansavelmente, erguendo novas habita??es e oficinas a cada dia, transformando a cidade em um lugar onde trabalho e progresso andavam de m?os dadas. Nas minas, equipes de trabalhadores escavavam com precis?o, extraindo os recursos necess¨¢rios para alimentar a expans?o da cidade. Cada divis?o operava como uma engrenagem em uma m¨¢quina maior, mantendo a cidade em constante movimento.This story originates from a different website. Ensure the author gets the support they deserve by reading it there. A vida, embora pac¨ªfica, era marcada por um ritmo de trabalho incessante e uma organiza??o quase militar, mas os habitantes pareciam bem com isso. Havia um sentimento coletivo de prop¨®sito e esperan?a, e as noites eram preenchidas com m¨²sica e celebra??es modestas que fortaleciam os la?os entre os poucos habitantes. Para a surpresa do Puni??o Divina, e talvez at¨¦ das pr¨®prias est¨¢tuas, os mascarados come?aram a adquirir tra?os de individualidade. As esculturas que ganharam vida, como pergaminhos em branco prontos para serem preenchidos, absorviam os costumes e emo??es dos que estavam seu redor, e por tr¨¢s de suas m¨¢scaras r¨ªgidas e sem express?o, come?avam a refletir leves nuances de car¨¢ter, cada um moldado pelas intera??es com seres vivos de verdade. Em uma noite particularmente agrad¨¢vel, Ana encontrava-se sentada em uma mesa no canto de uma das maiores constru??es da cidade: uma taverna rec¨¦m-inaugurada que infelizmente ainda n?o pulsava com a energia dos frequentadores. As paredes de madeira polida refletiam a luz suave das lamparinas, enquanto o sil¨ºncio preenchia o acolhedor sal?o ao inv¨¦s de risadas e conversas animadas. Havia uma simplicidade e um toque r¨²stico que remetia ¨¤s antigas tavernas dos contos populares, um ambiente digno de melanc¨®licos livros de fantasia. ¡ª A qualidade da cerveja ainda ¨¦ duvidosa ¡ª comentou a rainha, levando a caneca aos l¨¢bios e fazendo uma careta logo em seguida pelo sabor. Ao seu lado, Nyx dedilhava distraidamente seu ala¨²de, arrancando notas melodiosas que pairavam sobre o ar. Ela soltou uma risada suave, inclinando-se para observar o l¨ªquido ambar na caneca enquanto conclu¨ªa a can??o. Pousando o instrumento no colo, virou-se para Ana. ¡ª Bem, considerando que a maioria dos que trabalham aqui s?o est¨¢tuas que n?o sentem gosto, talvez seja pedir demais que fa?am a receita perfeita. ¡ª Voc¨º tem raz?o. Mas ainda assim, um pouco mais de esfor?o n?o faria mal. Uma boa cerveja seria ¨®tima depois de um dia longo como este. Ana suspirou, recostando-se na cadeira, e a Sombra se alinhou em uma posi??o semelhante. ¡ª Tudo parece estar caminhando bem ultimamente, n?o ¨¦ mesmo? ¨¦ impressionante o quanto a cidade mudou em t?o pouco tempo. Eva e Gabriel realmente t¨ºm se superado na organiza??o de tudo. ¡ª Eles me pouparam de muito trabalho, isso ¨¦ certo. A menina tem uma habilidade incr¨ªvel para coordenar as equipes, e Gabriel garante que tudo funcione perfeitamente nos bastidores. Sem eles, n?o ter¨ªamos avan?ado tanto. Pelo menos n?o sem eu ser obrigada a me esfor?ar de verdade. Nyx, sem dar muita aten??o, observou o ambiente ao redor, seus olhos percorrendo as vigas altas e o sal?o espa?oso. ¡ª Mudando de assunto, por que construir uma taverna t?o grande? Parece t?o elaborada quanto o novo castelo. Ana apoiou a caneca na mesa e cruzou os bra?os, como se ponderasse a resposta antes de falar. ¡ª Porque ¨¦ necess¨¢rio ¡ª respondeu ela, com convic??o. ¡ª Este lugar n?o vai ser s¨® beber e comer. ¨¦ um ponto de encontro, onde as pessoas podem relaxar, compartilhar hist¨®rias e fortalecer la?os. Um lugar onde as ideias fluem t?o livremente quanto a cerveja. Parece bobeira, mas la?os s?o o que fazem uma cidade sobreviver, que motivam as pessoas a ficarem e lutarem por ela. Este lugar... ¨¦ uma pedra angular para o que estamos tentando construir. Nyx assentiu, vendo a l¨®gica nas palavras de Ana, e voltou a dedilhar o ala¨²de, o som suave preenchendo o ambiente. Nesse instante, a porta da taverna se abriu, e Miguel entrou, trazendo consigo uma brisa fresca e uma express?o ligeiramente preocupada. Ele se aproximou de onde as mulheres estavam sentadas e fez uma rever¨ºncia profunda, com sua m¨¢scara sorridente quase tocando a mesa. ¡ª Vejo que est¨¢ bem relaxada, minha rainha ¡ª disse ele, com um sorriso ligeiramente provocativo. ¡ª Mere?o um pouco de descanso, n?o acha? ¡ª Mas ¨¦ claro! Voc¨º nem mesmo deveria ter que trabalhar, minha ra¡­ ¡ª Pare de gra?a, sem essa merda de minha rainha tamb¨¦m, ¨¦ a mesma coisa que minha senhora ¡ª resmungou Ana, com certo humor. ¡ª O que traz voc¨º aqui, Miguel? O secret¨¢rio soltou uma risada breve antes de assumir uma express?o mais s¨¦ria. ¡ª Alguns emiss¨¢rios voltaram. Trazem not¨ªcias que voc¨º provavelmente vai querer ouvir. O semblante de Ana tornou-se imediatamente mais atento, a descontra??o dando lugar ¨¤ curiosidade. ¡ª Not¨ªcias boas ou ruins? ¡ª perguntou ela, indicando uma cadeira vazia para que o homem se juntasse a elas. O mascarado sentou-se, apoiando os cotovelos na mesa enquanto se inclinava para frente. ¡ª Dif¨ªceis de classificar. Depende de como voc¨º pretende lidar com elas. ¡ª Quem voltou? Alguma informa??o espec¨ªfica? ¡ª interrompeu Nyx, tamb¨¦m curiosa. ¡ª Por enquanto apenas um grupo que enviamos ao norte para estabelecer contato com as col?nias pr¨®ximas. Parece que encontraram mais resist¨ºncia do que esperavam, mas tamb¨¦m descobriram algumas oportunidades interessantes. Ana cruzou os bra?os, refletindo por um momento. ¡ª Certo. Vamos convocar uma reuni?o amanh? cedo para discutir os detalhes. Por enquanto, aproveite a noite. Voc¨º e os outros t¨ºm trabalhado duro demais. Miguel inclinou a cabe?a, confuso, mas pegou a caneca que Ana empurrou para ele. ¡ª Creio n?o ser o ideal, seria um desperd¨ªcio de bebida¡­ ¡ª Vamos, apenas finja um pouco. Luna, traga mais algumas rodadas e venha sentar-se com a gente tamb¨¦m ¡ª murmurou a rainha, levantando a m?o para que uma jovem garota atr¨¢s do balc?o se atentasse em suas palavras. ¡ª O clima aqui est¨¢ muito deprimente. ¡ª Quem sabe com a m¨²sica certa, a cerveja at¨¦ fique mais saborosa? ¡ª comentou Nyx, acelerando o ritmo de sua can??o. Ana balan?ou a cabe?a, um sorriso suave brincando em seus l¨¢bios enquanto observava seus estranhos companheiros desfrutarem de um ainda mais estranho momento.
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Capítulo 105 - Primeiras Rea??es
O sal?o de reuni?es do castelo rec¨¦m-constru¨ªdo era uma obra de arte em si, refletindo a grandiosidade e a ambi??o do novo reino. As paredes, feitas de uma bela pedra escura, eram adornadas com tape?arias detalhadas, contrastando com toques modernos de arquitetura. Lustres de ferro fundido pendiam do teto abobadado, lan?ando uma luz suave que destacava os detalhes intrincados das colunas esculpidas. No centro, uma mesa imensa de madeira de ip¨º dominava o espa?o, sua forma circular evocando a lend¨¢ria T¨¢vola Redonda dos cavaleiros, simbolizando igualdade e unidade entre os conselheiros. As cadeiras ao redor da mesa permaneciam vazias, uma lembran?a silenciosa da aus¨ºncia de muitos dos representantes. Apesar disso, ainda exalava uma presen?a imponente, prometendo ser o palco de muitas decis?es que moldariam o futuro do reino. Os detalhes no sal?o eram cuidadosamente planejados para inspirar respeito e admira??o. Criaturas m¨ªticas estavam entalhadas nas paredes, suas express?es severas observando os presentes como se julgassem cada palavra dita naquele espa?o. Cortinas pesadas de veludo vermelho, um improviso feito pelo povo que n?o ficou t?o ruim, emolduravam as janelas que iam do ch?o ao teto, e que se abriam para a cidade em constante constru??o l¨¢ fora, permitindo que a luz do sol entrasse e refletisse nas superf¨ªcies polidas do m¨¢rmore falso do ch?o, dando um brilho quase sobrenatural ao ambiente. Tudo no local sugeria poder, estrat¨¦gia, e um toque de mist¨¦rio. O sal?o parecia vivo, como se esperasse ansiosamente pelas vozes que um dia o preencheriam com planos grandiosos e conversas decisivas. Ao entrar, Ana notou que Gabriel j¨¢ a aguardava, enquanto Miguel permanecia encostado em um canto, quase invis¨ªvel. A presen?a dos tr¨ºs era a ¨²nica constante nas reuni?es do conselho, j¨¢ que os outros conselheiros n?o achavam necess¨¢rio comparecer com tanta frequ¨ºncia, e Nyx, como sempre, fugira logo ap¨®s receber o chamado, alegando que discuss?es administrativas eram enfadonhas. Ana suspirou, contendo um sorriso ao imaginar a Sombra escapulindo pelas sombras dos corredores, mas logo focou sua aten??o nos emiss¨¢rios que aguardavam ansiosamente. Ela pegou o relat¨®rio que lhe haviam entregue, os dedos deslizando sobre o papel sutilmente desgastado enquanto lia com aten??o as informa??es sobre as ¨²ltimas expedi??es. Os outros a observavam, aguardando sua avalia??o. ¡ª Bom trabalho ¡ª disse, sua voz suave enquanto erguia os olhos para os emiss¨¢rios que se postavam diante dela, acenando em aprova??o. ¡ª Das sete aldeias que voc¨ºs visitaram, cinco aceitaram realizar trocas. Isso ¨¦ uma taxa de sucesso muito alta, considerando as circunstancias. Os emiss¨¢rios trocaram olhares r¨¢pidos entre si, satisfeitos com o reconhecimento, mas ainda mantinham uma postura respeitosa e firme. Ana, no entanto, percebeu algo no relat¨®rio que fez sua express?o endurecer levemente. ¡ª Vejo que uma das aldeias os atacou. Tivemos alguma baixa? O emiss¨¢rio respons¨¢vel pela visita deu um passo ¨¤ frente, claramente desconfort¨¢vel ao relembrar o incidente. Sua m¨¢scara tinha grandes olhos esbugalhados, o que dava um ar c?mico ao homem magro, mas sua voz, em contraste, era firme e surpreendentemente calma. Duas longas marcas passavam pelo seu pesco?o de pedra, e Ana se viu pensando por um breve momento que pareciam obtidas na luta contra algum animal. ¡ª Eles foram hostis desde o momento em que souberam que est¨¢vamos ligados ¨¤ reconstru??o da cidade amaldi?oada. Pareciam aterrorizados com a ideia de um novo reino surgindo das ru¨ªnas. Felizmente apenas nos afastaram com ataques de alerta, ent?o logo recuamos sem ferimentos. A caneta da mercen¨¢ria riscava o papel, fazendo diversas anota??es conforme ouvia o relato, e logo deu uma pausa com a cabe?a ligeiramente inclinada, ponderando sobre a situa??o. ¡ª Bem, ¨¦ surpreendente que n?o tenhamos encontrado mais resist¨ºncias assim, n?o h¨¢ muito o que fazer ¡ª comentou, mais para si mesma que para os outros. ¡ª Coloquem-nos em nossa lista de amea?as. Ela passou at¨¦ a ¨²ltima p¨¢gina lentamente, absorvendo linha a linha. ¡ª N?o vi as aldeias maiores na lista, onde est?o? ¡ª questionou, sem tirar os olhos dos pap¨¦is. ¡ª O conselheiro Luiz acompanhou os outros emiss¨¢rios em dire??o a elas, mas ainda n?o retornaram ¡ª respondeu o emiss¨¢rio, hesitando por um momento. ¡ª N?o temos informa??es concretas para passar no momento...Taken from Royal Road, this narrative should be reported if found on Amazon. ¡ª Entendo, vamos torcer para ele n?o estar morto ¡ª murmurou a mulher, pensativa. ¡ª Continuem monitorando, me avisem assim que tiverem not¨ªcias. At¨¦ l¨¢, informem os outros que devem preparar os itens para troca. Sobre as ferramentas, irei at¨¦ as oficinas mais tarde para ensinar um pouco de forja, caso n?o tenham o conhecimento necess¨¢rio. ¡ª Eu posso cuidar dos detalhes, Ana ¡ª disse Gabriel, interrompendo-a suavemente. ¡ª Voc¨º n?o precisa se preocupar com isso. ¡ª Sei disso, mas prefiro ver as coisas com meus pr¨®prios olhos, n?o enche o saco. Por fim, devem sempre levar os bestiais com voc¨ºs quando fizerem as entregas. N?o quero arriscar a vida dos mascarados em miss?es desse tipo. Gabriel assentiu e tamb¨¦m fez algumas anota??es em seu pr¨®prio caderno, j¨¢ antecipando essa decis?o. Ana suspirou novamente, mas desta vez mais por cansa?o do que por divers?o, enquanto se levantava de sua cadeira. Seus olhos pousaram na ¨²ltima p¨¢gina do relat¨®rio, onde a men??o de uma aldeia em particular, a outra que havia se recusado a negociar, captou sua aten??o. Pegando o papel, ela come?ou a caminhar em dire??o ¨¤ sa¨ªda. ¡ª Onde voc¨º vai? ¡ª Gabriel perguntou, tentando esconder a tens?o em sua voz, mas seus olhos, que normalmente mantinham a calma, revelavam uma preocupa??o genu¨ªna. Ana ergueu o bra?o e chacoalhou a folha que havia recolhido de forma brusca, sem parar de caminhar. ¡ª Essa aldeia aqui¡­ parece que solicitaram minha presen?a pessoalmente. Vou resolver isso. Pelo que li, ¨¦ a aldeia com mais equipamentos, ent?o n?o vou recusar um pedido simples desse. ¡ª Voc¨º n?o pode ir sozinha. ¨¦ arriscado demais. Ana deu um sorriso torto, embora a m¨¢scara escondesse suas express?es. ¡ª N?o vou sozinha. Miguel ¡ª chamou, olhando para o secret¨¢rio. ¡ª voc¨º vai me acompanhar. Al¨¦m do mais, j¨¢ os conheci antes. S?o apenas um bando de voyeurs. N?o ¨¦ nada que eu n?o possa lidar. ¡ª S¨®¡­ tome cuidado. ¡ª Farei isso. Ela deu de ombros, como se a situa??o fosse banal, e continuou em dire??o ¨¤ porta. No entanto, ao alcan?ar a entrada, uma ideia surgiu em sua mente, fazendo-a parar bruscamente. Com um movimento r¨¢pido, quase impulsivo, voltou alguns passos, sua m?o j¨¢ mergulhando nas vestes para puxar uma coroa de prata desgastada. Com um gesto firme, lan?ou-a para o anjo de pedra, que a pegou no ar com uma express?o curiosa. ¡ª Preciso que voc¨º busque alguns humanos n?o mutados ou est¨¢tuas que atuem muito bem. Quero que visitem Barueri, cheguem at¨¦ a taverna mercen¨¢ria da cidade. ¡ª E ent?o? ¡ª perguntou Gabriel, intrigado, seus olhos vazios fixando-se em Ana. ¡ª Quando estiverem l¨¢, mostrem essa coroa para uma mulher chamada Madame ¡ª instruiu Ana, um toque de divers?o em sua voz. ¡ª Abordem-na com gestos grandiosos e exagerados. S¨¦rio, fa?am isso, vai facilitar tudo. Convide-a para vir at¨¦ a cidade, digam que a rainha a convoca, ela vai entender ao ver o broche. Gabriel observou a coroa por um momento, a mente trabalhando r¨¢pido para entender o que sua mestra pretendia com aquele pedido. Ele conhecia bem Ana e sabia que qualquer plano que ela bolasse tinha mais camadas do que se podia imaginar. At¨¦ pensou em dizer algo, em questionar aquela decis?o, mas logo desistiu, soltando um suspiro cansado, uma a??o sem sentido para uma est¨¢tua, mas que estava reproduzindo sem perceber nos ¨²ltimos meses. Sabia que discutir era como tentar conter uma mar¨¦; in¨²til e desgastante. ¡ª E o que exatamente voc¨º pretende fazer? ¡ª perguntou por fim, sem conseguir se conter. Ana apenas deu um sorriso enigm¨¢tico e ent?o virou-se para sair do sal?o. Ao ser ignorado, o anjo ficou parado, segurando a coroa por mais um momento. Ap¨®s refletir, guardou-a cuidadosamente e voltou-se para o emiss¨¢rio, que ainda esperava silenciosamente. ¡ª O relat¨®rio que estava em suas m?os¡­ qual a aldeia? ¡ª ¨¦ Ybyty Poty, senhor, o povo verde. Eles parecem interessados em algo mais¡­ simb¨®lico antes de efetuar a troca ¡ª o emiss¨¢rio, notando o olhar atento de Gabriel, respondeu com cautela. Gabriel franziu a testa, sentindo que havia algo estranho na hist¨®ria revelada. ¡ª Certifiquem-se de que todos os detalhes sobre essa aldeia sejam entregues a mim o quanto antes ¡ª ordenou, seu tom de voz assumindo um tom de comando que poucos ousavam ignorar. Ele sabia que Ana era imprevis¨ªvel, e que suas ideias muitas vezes seguiam caminhos tortuosos. No entanto, confiava nela ¡ª tanto quanto se podia confiar em algu¨¦m louco ¡ª incondicionalmente. Dando as ¨²ltimas instru??es aos poucos presentes, deixou o sal?o, sabendo que o dia ainda seria longo e cheio de desafios inesperados. Enquanto o som de seus passos desaparecia pelos corredores, as luzes bruxuleantes ¨¤s suas costas lan?avam sombras dan?antes nas paredes, como se o pr¨®prio castelo estivesse ciente da tens?o que permeava o ar.
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Capítulo 106 - Martelos e Melodias
O sol tingia o vasto horizonte com uma paleta de dourado e laranja, enquanto os raios de luz cortavam a n¨¦voa do dia cinzento que por algum motivo pairava sobre a cidade. Sem a presen?a de Ana, o reino, que havia emergido das ru¨ªnas com tanto esfor?o, parecia respirar por si mesmo, uma entidade viva e pulsante. As torres rec¨¦m-constru¨ªdas lan?avam sombras longas que dan?avam suavemente sobre as ruas de pedra, enquanto a cidade despertava para mais um dia de trabalho. A vida fervilhava nas art¨¦rias desse estranho povo, mas mesmo com a harmonia aparente, havia uma tens?o sutil no ar. Gabriel caminhava pelas ruas bem organizadas, observando o movimento ao seu redor. O som ritmado dos martelos ecoava das oficinas de constru??o, misturado ao zumbido distante das forjas e ao canto dos p¨¢ssaros que passeavam nos telhados das casas. Os mascarados e bestiais passavam por ele e o saudavam com respeito, enquanto o anjo avaliava o progresso. Tudo parecia estar em ordem, mas a press?o de manter tudo funcionando sem Ana estava sempre presente em sua mente. Ao chegar ao setor de constru??o, Gabriel avistou a forja monumental. A estrutura, feita de pedra negra e a?o refor?ado, erguia-se como uma fortaleza em meio ao fervor dos trabalhadores. O calor irradiava de dentro, criando ondula??es no ar, enquanto as chamas consumiam vorazmente o combust¨ªvel, tingindo o ambiente com um brilho alaranjado. ¡ª Bom dia, Jorge ¡ª cumprimentou Gabriel, aproximando-se. ¡ª Como est¨¢ o progresso? O conselheiro bateu suas m?os calejadas no avental, tirando a poeira e o negrume do carv?o, e logo virou-se para o anjo. Ap¨®s um gesto instintivo de limpar o suor inexistente da testa com as costas da m?o, deu um sorriso satisfeito, mas seus olhos revelavam a exaust?o de quem tem trabalhado sem parar. ¡ª A forja final est¨¢ quase pronta, Gabriel ¡ª respondeu o homem, a voz grave ecoando sobre o ru¨ªdo constante dos martelos. ¡ª Com mais alguns dias de trabalho, poderemos aumentar a produ??o significativamente. Praticamente dobrar nossa capacidade de criar ferramentas. Gabriel assentiu, seus olhos percorrendo os detalhes da constru??o. ¡ª Excelente. Ana ficar¨¢ satisfeita ao ver isso quando voltar. Apenas precisamos garantir que tudo continue funcionando sem problemas at¨¦ l¨¢. O conselheiro robusto assentiu, no entanto sua aten??o estava em um pequeno desajuste no movimento de um grupo de trabalhadores. ¡ª Desculpa, mas preciso resolver isso ¡ª disse ele, j¨¢ se afastando para se aproximar de um mascarado e um bestial que estavam prestes a derrubar uma grande viga de ferro. ¡ª Ei! Cuidado com isso! Prestem aten??o, ela precisa ser posicionada exatamente no centro ou teremos problemas mais tarde! Com as palavras do engenheiro, os dois construtores congelaram por um momento antes de ajustarem suas posi??es. Gabriel observou a cena por mais alguns instantes, satisfeito com a efici¨ºncia de Jorge ao lidar com a situa??o. Ele sabia que, sob o comando dele, a expans?o continuaria conforme o planejado. Foi ent?o que um vulto vermelho passou a sua frente, e seus olhos sorriram em aprova??o. A garota rubra, Eva, movia-se como um raio por entre as divis?es, carregando um grande livro preso ¨¤s costas, suas p¨¢ginas preenchidas com uma infinidade de anota??es. Cada passo era r¨¢pido e preciso, seus olhos brilhando com determina??o enquanto verificava cada detalhe, riscando itens da lista e anotando o que ainda faltava. A pequena portadora da m¨¢scara de raposa era uma tempestade em forma de pessoa, sua mente constantemente processando m¨²ltiplas tarefas ao mesmo tempo. ¡ª Isso seria t?o mais f¨¢cil se eu tivesse um celular... ¡ª murmurou para si mesma, enquanto passava rapidamente pelos trabalhadores, que se afastavam para lhe dar passagem, conscientes de sua urg¨ºncia. Ela observava os suprimentos, conferia os mapas e revisava as estrat¨¦gias de distribui??o. Nada escapava aos seus olhos atentos. Era como se o reino fosse um quebra-cabe?a gigantesco, e Eva estivesse na responsabilidade de garantir que cada pe?a estivesse no lugar certo. Quando finalmente chegou ao quartel, uma vis?o inusitada a fez parar bruscamente. No campo de treinamento, Alex estava brigando ferozmente com o portador da rabugenta m¨¢scara vermelha e segundo conselheiro de guerra. ¡ª Voc¨º ¨¦ um covarde, Fernando! Nunca aceita uma luta! ¡ª vociferou Alex, sua voz ecoando pelo campo. Fernando, por sua vez, mantinha a calma e seu habitual olhar era g¨¦lido, como se a raiva de Alex fosse um simples aborrecimento. ¡ª S¨® um idiota brigaria ¨¤ toa, especialmente sendo feito de pedra. J¨¢ te disse mil vezes que se eu quebrar, j¨¢ era. ¡ª S¨® ou?o as palavras de um covarde! Covarde! Covarde! Eva, que j¨¢ estava ¨¤ beira do limite, suspirou profundamente e marchou at¨¦ os dois, com determina??o estampada no rosto. ¡ª Isso aqui n?o ¨¦ hora nem lugar para brigas est¨²pidas, Alex! ¡ª disse ela, dando um soco leve no bra?o do guerreiro para chamar sua aten??o. ¡ª Precisamos nos concentrar, nada pode dar errado. Entendeu? ¡ª Ah, deixa disso ¡ª Alex, ainda contrariado, revirou os olhos. ¡ª Est¨¢ tudo caminhando bem at¨¦ agora, n?o ¨¦? ¡ª N?o! Eu t? o dia todo na rua, e voc¨º t¨¢ s¨® relaxando e tendo discuss?es rid¨ªculas! Fernando, j¨¢ tendo visto brigas semelhantes dos dois conselheiros por dias a fio, deu de ombros e, sem mais delongas, voltou ao campo de treinamento, onde os guerreiros repetiam incansavelmente os golpes que Alex havia lhes ensinado. O som de cada ataque reverberava no ar, um ritmo controlado que ecoava entre os muros sob o olhar vigilante do grande homem. O ch?o vibrava levemente com os impactos, cada golpe era preciso, cada defesa, impec¨¢vel. Eles se moviam como uma unidade coesa, cada um complementando o outro, criando um espet¨¢culo de for?a e t¨¦cnica. De repente, uma vibra??o intensa veio de um pequeno colar que Eva usava em torno do pesco?o. Seu rosto empalideceu ao perceber o significado daquela mensagem. ¡ª N?o tenho tempo para discutir, Alex ¡ª disse a garota, j¨¢ se afastando com pressa. ¡ª A comunica??o est¨¢ uma bagun?a, e entregaram os itens nos lugares errados. Eu sabia que algo assim podia acontecer... Sentindo-se sobrecarregada, ela saiu em disparada em dire??o ao setor afetado, deixando Alex sozinho com seus pensamentos. Ele a observou se afastar, e uma mistura de culpa e preocupa??o come?ou a se instalar dentro dele. Por mais que tentasse manter sua fachada indiferente, a seriedade da situa??o come?ava a penetrar sua armadura de bravata. O guerreiro de m¨¢scara demon¨ªaca azul se virou para o campo de treino e caminhou para o lado de Fernando, sentindo uma responsabilidade maior pesar sobre seus ombros. ¡ª Eles s?o incr¨ªveis lutando¡­ verdadeiros monstros ¡ª comentou, quebrando o sil¨ºncio. Sua voz estava carregada de genu¨ªna admira??o enquanto observava os mascarados praticando a arte Vajramushti rec¨¦m aprendida com uma maestria inquestion¨¢vel.This narrative has been purloined without the author''s approval. Report any appearances on Amazon. ¡ª Sem d¨²vida ¡ª respondeu Fernando, assentindo com um sorriso que trazia um toque de melancolia. ¡ª Mas essa habilidade n?o veio f¨¢cil. Foram anos de treinamento intenso, for?ados a se adaptar rapidamente para sobreviver aos ataques constantes. Ele fez uma pausa, enquanto observava um mascarado girar sobre si mesmo, desferindo um golpe devastador que parou a poucos mil¨ªmetros do peito de seu oponente. ¡ª Felizmente, como n?o precisamos dormir, tivemos tempo de sobra para aperfei?oar nossas habilidades ¡ª continuou Fernando, apertando os punhos ao se lembrar das lutas travadas. ¡ª Enfim, nos tornamos mestres em muitas coisas, e mesmo sem mana, temos uma vantagem t¨¢tica pela falta de fadiga. Alex assentiu, absorvendo lentamente as palavras de Fernando. Ele sempre soubera que os mascarados eram especiais, mas ouvir sobre o quanto haviam lutado para alcan?ar aquele n¨ªvel de excel¨ºncia aumentava ainda mais seu respeito por eles. ¡ª Me lembram da Ana. ¡ª ¨¦ bom ouvir isso ¡ª respondeu Fernando com um sorriso mais leve. ¡ª Bom, fico feliz que estejam do nosso lado ¡ª continuou Alex, cruzando os bra?os. ¡ª Ter voc¨ºs como aliados faz toda a diferen?a em uma batalha prolongada. ¡ª Pode parecer, mas na verdade, batalhas prolongadas n?o s?o nosso forte. Com esses corpos r¨ªgidos, um golpe bem dado pode ser fatal, ent?o nosso ideal ¨¦ sempre encerrar as lutas o mais r¨¢pido poss¨ªvel ¡ª Fernando imitou o gesto de Alex, cruzando os bra?os e balan?ando a cabe?a de forma resignada. ¡ª Por isso somos t?o gratos pelo ensino de artes marciais mais avan?adas. O dom¨ªnio absoluto ¨¦ a ¨²nica forma segura de enfrentarmos nossos inimigos. ¡ª Entendi¡­ imagino que os caras novos ajudem a reduzir esse risco. Seus dedos apontaram um grupo de selvagens que, um pouco afastados, tentavam imitar os movimentos dos mascarados. Seus corpos volumosos e desajeitados tornavam os movimentos precisos e elegantes da arte Vajramushti em algo que beirava o c?mico. As pernas de um deles se enroscaram em um golpe girat¨®rio, resultando em uma queda desastrosa. Outro bestial tentou em v?o replicar um soco que parecia ondular, mas o movimento saiu descoordenado, com o p¨¦ raspando no ch?o na troca de postura. Fernando observou a cena ao lado de Alex, mudando as m?os para tr¨¢s da cabe?a em um gesto despreocupado. ¡ª Eles t¨ºm muita vontade, mas falta a finesse ¡ª disse a est¨¢tua, com uma pitada de humor. ¡ª Mas continue olhando¡­ Apesar da execu??o ainda desajeitada, havia algo interessante em como continuavam repetindo os movimentos, sem desistir. Com cada repeti??o, parecia que algo estava mudando, se ajustando. Os movimentos come?avam a se tornar mais flu¨ªdos, menos for?ados, como se a repeti??o estivesse lentamente se sincronizando com seus dons naturais. ¡ª Est¨¢ vendo? ¡ª continuou o homem da m¨¢scara vermelha, inclinando-se levemente para a frente. ¡ª Eles nunca v?o dominar a t¨¦cnica, mas t¨ºm algo que n¨®s n?o temos: instinto. O que come?a como uma imita??o desajeitada pode, eventualmente, se transformar em algo bem perigoso. Alex assentiu, fascinado com o processo. Ele podia ver o potencial bruto nos bestiais, algo que estava apenas come?ando a ser moldado. ¡ª ¨¦ como se a arte marcial estivesse sendo traduzida para uma nova linguagem. As muta??es s?o realmente interessantes¡­ ¡ª Dessa vez ¨¦ voc¨º quem est¨¢ me lembrando a Ana! ¡ª exclamou Fernando, gargalhando alto. Alex tamb¨¦m sorriu, co?ando a cabe?a de forma envergonhada, quando de repente sentiu um arrepio correr por sua espinha. Ele ouviu um som estranho, quase inaud¨ªvel, mas que de alguma forma perturbava o ar ao seu redor. Ele franziu a testa, concentrando-se no ru¨ªdo. ¡ª Voc¨º tamb¨¦m est¨¢ ouvindo isso? ¡ª perguntou, tenso. Fernando parou e inclinou a cabe?a, escutando atentamente antes de concordar com um aceno. ¡ª Sim. ¨¦ estranho¡­ algo est¨¢ fora do lugar. ¡ª Droga¡­ todos voc¨ºs, peguem as armas e me sigam! Sem perder tempo, come?ou a correr em dire??o ao estranho evento. Suas botas batiam ritmadamente contra as pedras enquanto passavam pelas ruas da cidade, seguindo o barulho at¨¦ um canto mais isolado, onde o som parecia mais forte. Ap¨®s uma corrida apressada, eles se depararam com uma cena bizarra: um grupo de bestiais movia-se de maneira estranha, como se estivesse em transe ou desorientados. Alex e Fernando se aproximaram, prontos para o combate, com suas armas firmes em suas m?os. Mas, ¨¤ medida que chegavam mais perto, algo os fez parar. No meio da confus?o, perceberam uma melodia se sobressaindo ao barulho, uma m¨²sica animada e inusitada que parecia se infiltrar em seus ouvidos. Eles ergueram os olhos e, para sua surpresa, viram Nyx sentada casualmente no topo de uma casa, dedilhando alegremente um ala¨²de. A m¨²sica era cativante, e os bestiais, que antes pareciam desordenados, em realidade se balan?avam ao som da melodia, seus corpos se movendo com uma fluidez inusitada. ¡ª Est?o¡­ dan?ando? ¡ª murmurou Alex, confuso, seu olhar fixo na cena surreal diante dele. O cheiro de carne grelhada misturava-se no ar, e Alex percebeu que realmente n?o havia panico, mas sim uma celebra??o. ¡ª Fico feliz que voc¨ºs vieram festejar tamb¨¦m! ¡ª gritou Nyx do alto da casa, sua voz ecoando com um toque de divers?o, enquanto continuava a tocar a m¨²sica com entusiasmo. Alex encarou a Sombra, ainda sem entender completamente a situa??o. Ele nunca sabia ao certo o que esperar dela. Percebendo do que se tratava, o pugilista soltou um suspiro profundo e aliviado. O peso da tens?o que sentia desde o momento em que Ana deixou a cidade come?ou a se dissipar, substitu¨ªda por uma estranha sensa??o de relaxamento. Com um sorriso que misturava incredulidade e admira??o, ele se deixou sentar em um tronco ca¨ªdo, como se aquele peda?o de madeira fosse o ¨²nico lugar no mundo onde ele poderia descansar naquele momento. Enquanto se acomodava, algo ¨¤ sua direita capturou sua aten??o. Perto de uma pequena casa de pedra com detalhes em madeira, Emily, a conselheira respons¨¢vel pelo territ¨®rio, estava de p¨¦, envolta em uma cena de pura serenidade. Ela brincava com um pequeno p¨¢ssaro de plumagem vibrante que, curioso, saltitava ao redor dela, intrigado pela m¨¢scara que a mulher usava, e Alex n?o p?de deixar de achar a cena ador¨¢vel. De repente, a mulher moveu-se com gra?a, tentando imitar o movimento das asas do p¨¢ssaro enquanto ria suavemente ao ver ele inclinar a cabe?a, confuso com a atua??o. Nesse meio tempo, Jorge, o conselheiro de constru??o, surgiu do outro lado da pra?a, carregando grandes pilares de madeira sobre os ombros, como se fossem t?o leves quanto gravetos. Seu olhar estava focado em sua tarefa, no entanto, ao chegar ¨¤ pra?a e ver a cena que se desenrolava diante dele, parou abruptamente, a carga escorregando ligeiramente de sua posi??o enquanto ele processava o que via, quando aos poucos come?ou a rir baixinho. ¡ª Devia ter imaginado que era pra algo assim quando me fez um ¡°pedido urgente¡±, Nyx. A Sombra n?o respondeu, apenas acenou vigorosamente para ele de longe, e logo diversos bestiais foram ajudar Jorge com os pilares, fincando-os no ch?o e acendendo grandes tochas em suas pontas, dando um ar ainda maior de festival ao local, que aos poucos escurecia. Ao longe, Gabriel e Eva tamb¨¦m se aproximavam a passos lentos, suas express?es refletindo um misto de al¨ªvio e compreens?o. O anjo mantinha sua postura habitual de calma e lideran?a, mas havia algo de diferente em seus olhos ¨C um brilho de divertimento contido, como se ele tamb¨¦m percebesse a futilidade de seus pensamentos mais sombrios. Eva, ainda carregando o grande livro preso nas costas, balan?ava a cabe?a, um sorriso resignado nos l¨¢bios. Era como se ambos tivessem chegado ¨¤ mesma conclus?o ao ver a bagun?a ¨¤ frente: as preocupa??es que os atormentaram eram, na verdade, infundadas. Este lugar n?o era um reino onde tudo devesse ser levado t?o a s¨¦rio. ¡ª Tenho que admitir, gosto do esp¨ªrito da Sombra ¡ª murmurou Fernando de repente, com uma gargalhada exageradamente alta logo em seguida. Alex riu junto, n?o conseguindo se conter com a infantil atua??o de seu companheiro, e teve que admitir que a capacidade de Nyx de transformar o ordin¨¢rio em algo extraordin¨¢rio era fant¨¢stica. Deixando-se levar pela atmosfera, pegou um copo da amarga cerveja em um dos barris abandonados em um canto da festa e entrou em meio ao povo selvagem para aproveitar o dia de paz. Enquanto todos se distraiam, um sutil ru¨ªdo surgia no horizonte. O som se assemelhava a um zumbido agudo e acompanhava uma figura esguia, com asas finas e transparentes, que emergia no alto no c¨¦u, diretamente de entre as nuvens. Vestido em um terno preto impec¨¢vel, que parecia t?o afiado quanto as facas que provavelmente escondia em seus bolsos, o homem carregava uma maleta escura que parecia quase uma extens?o de seu pr¨®prio corpo. Seus olhos eram o que mais chamavam a aten??o ¨C grandes, redondos, e de um brilho enigm¨¢tico, como se ele enxergasse algo que ningu¨¦m mais podia ver. Olhos de vigarista, astutos e calculistas, sendo ressaltados pelo pequeno ¨®culos, redondo e escuro, que usava quase que pendurado na ponta de seu nariz.
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Capítulo 107 - Ybyty Poty
A luz do sol se filtrava pregui?osamente pelas copas das ¨¢rvores, projetando sombras inquietas sobre a trilha ¨¤ frente. A floresta parecia congelada no tempo, envolta em um sil¨ºncio t?o denso que at¨¦ mesmo o som dos passos de Ana e Miguel parecia abafado. Ana, com a longa espada enrolada em um tecido ¨¢spero nas costas, movia-se com a habitual confian?a, mas algo na quietude ao redor parecia se agarrar ¨¤ sua pele, trazendo lembran?as desconfort¨¢veis ¨¤ tona. ¡ª Essa viagem foi... tranquila demais ¡ª comentou a rainha, com um tom que denunciava sua crescente inquieta??o. ¡ª Digo, tranquila al¨¦m do normal. Esse sil¨ºncio... est¨¢ m¨®rbido. A floresta est¨¢ estranha. Miguel, que caminhava ao lado, apenas assentiu, mas n?o p?de deixar de compartilhar o desconforto de Ana. O ar estava pesado com uma quietude que beirava o sobrenatural. ¡ª Sabe ¡ª Ana continuou, com um tom casual. ¡ª Houve uma ¨¦poca em que eu realmente tinha uma queda por plantas. Antes mesmo de come?ar a esculpir as est¨¢tuas. O secret¨¢rio mascarado piscou, surpreso pela mudan?a abrupta de tema. Ele n?o conseguiu evitar uma risada suave, confuso. ¡ª Uma¡­ queda? ¡ª repetiu ele, tentando entender o que ela queria dizer. Ana sorriu de canto, gostando da rea??o dele. ¡ª ¨¦ como um fasc¨ªnio, uma paix?o. Elas faziam eu me sentir menos sozinha, e eram t?o belas¡­ ¡ª Entendo, ent?o voc¨º gostava de plantas? ¡ª Isso! ¡ª ela se inclinou ligeiramente em sua dire??o, seu tom assumindo um ar conspirat¨®rio, como se estivesse prestes a revelar um grande segredo. ¡ª Mas depois eu percebi que elas s?o meio nojentas. Se acham no topo do mundo s¨® por serem cheias de vida, sempre crescendo, sempre evoluindo. T?o mesquinhas. O mascarado tossiu, pego de surpresa pela revela??o. Ele tentou disfar?ar a risada, recompondo-se rapidamente. ¡ª Acho que... talvez seja melhor deixar esse assunto pra l¨¢ ¡ª sugeriu ele, sorrindo de forma divertida. ¡ª Parece que j¨¢ estamos bem pr¨®ximos. Com o t¨¦rmino das palavras, as sombras escuras das ¨¢rvores come?aram a dar lugar a contornos familiares: os restos de uma antiga aldeia come?aram a emergir da vegeta??o densa. Estruturas parcialmente encobertas por vinhas, galp?es decr¨¦pitos e ru¨ªnas estavam entrela?ados de maneira quase simbi¨®tica com a floresta ao redor. A fus?o entre o que era natural e o que fora constru¨ªdo pelo homem dava ao lugar uma sensa??o de desola??o e mist¨¦rio. Ana resmungou, franzindo o cenho. ¡ª J¨¢ consigo sentir os olhares ¡ª ela fez um som de irrita??o, um "tisc" aud¨ªvel, e ent?o olhou ao redor, incomodada. ¡ª Como ¨¦ que plantas t¨ºm tecnologia se nem ao menos constroem casas? ¡ª N?o deixaram tudo ao relento, guardaram tudo que puderam em galp?es bem antes das muta??es come?arem ¡ª explicou Miguel, calmamente. ¡ª Eles t¨ºm uma certa paix?o pelo antigo. E na verdade ainda usam tecnologia, s¨® que de um jeito que n?o ¨¦ t?o vis¨ªvel. Ele apontou para umas vinhas mais espessas, que se ramificavam para diferentes dire??es, se entrela?ando de forma simbi¨®tica entre ¨¢rvores e estruturas. Ana arqueou uma sobrancelha, claramente mais intrigada do que antes. Com um movimento r¨¢pido, pegou uma pequena faca da cintura. ¡ª N?o fa?a isso¡­ ¡ª Para de ser chato, eu s¨® quero dar uma olhada. Antes que o mascarado pudesse protestar mais, Ana fez um corte limpo em uma das vinhas menores, puxando-a para frente dos olhos. Um sutil ru¨ªdo foi ouvido quando as duas partes se separaram, e a mulher a encarava com olhos t?o brilhantes quanto os de uma crian?a. ¡ª Mana sempre surpreende¡­ isso ¨¦ biotecnologia a um n¨ªvel surpreendente! Pela forma que foram constru¨ªdas, s?o dispositivos de som? Miguel assentiu, balan?ando a cabe?a de incredulidade enquanto se aproximava, tamb¨¦m observando o estranho dispositivo. ¡ª Eles s?o mudos ¡ª explicou o homem, seu tom assumindo um tom mais s¨¦rio. ¡ª Pelo menos, da forma como nos comunicamos. J¨¢ os vimos algumas vezes fora da aldeia. Sempre carregam r¨¢dios, fitas cassete... faz parte de como eles se comunicam com o mundo.This story has been stolen from Royal Road. If you read it on Amazon, please report it Ana ficou em sil¨ºncio por alguns segundos, absorvendo a informa??o. ¡ª Isso ¨¦... incomum ¡ª murmurou, com mil possibilidades e perguntas vagando por sua mente. ¡ª Mas um conceito fascinante. Finalmente, Ana e Miguel cruzaram o limite invis¨ªvel de Ybyty Poty. ¨¤ medida que avan?avam, os habitantes da cidade come?aram a surgir das sombras entre as ¨¢rvores. Eles se aproximavam de todos os lados, seus passos eram t?o suaves que mal podiam ser ouvidos, e a aura de quietude ao redor deles apenas aumentava o desconforto. Ana suspirou, seus olhos imediatamente se estreitando em desconfian?a. Instintivamente, ela levou a m?o ¨¤s costas e desprendeu a trouxa, come?ando a desenrolar a longa espada. O metal frio da lamina, ainda meio coberta pelo pano desgastado, a confortava de uma forma estranha. Feito isto, apoiou a arma no ch?o, em uma postura clara de prepara??o para o combate. Mesmo com os pelos da nuca arrepiados, estava meio confusa. N?o era um alarme falso, mas tamb¨¦m n?o havia uma amea?a imediata ou hostilidade nos seres que ela via. Miguel, ao perceber o movimento da rainha, sacou sua espada curta, mas deu alguns passos para tr¨¢s, seu corpo mais tenso e menos preparado para a calma que Ana demonstrava. ¡ª Oi? ¡ª Ana disse, com uma sobrancelha levantada, sem saber como reagir a falta de resposta. Lentamente, se virou para o mascarado que a acompanhava. ¡ª N?o seria mais f¨¢cil s¨® matarmos todos e pegarmos o que precisamos? Isso parece uma perda de tempo... Miguel arregalou os olhos e balan?ou a cabe?a lentamente em negativa, quase incr¨¦dulo pela falta de no??o da mercen¨¢ria em uma situa??o como aquela. Ela suspirou, visivelmente entediada com a resposta contida dele. Fincou a espada no solo com mais for?a e cruzou os bra?os. ¡ª Ent?o foda-se, vamos s¨® esperar. O povo verde n?o esbo?ou desgosto pela sugest?o violenta, tampouco pararam. Continuavam se aproximando em um ritmo quase coreografado, e aos poucos a humanidade vegetal deles se tornava mais aparente. Seus corpos eram formados de camadas entrela?adas de folhagens e caules, contendo muitas plantas nativas vistas pelo local. Costelas-de-Ad?o criavam um belo mosaico ao se estender por suas extremidades, bra?os que se curvavam como lianas serpenteantes, com veias esverdeadas que pulsavam suavemente por baixo da casca escura. Algumas partes exibiam flores que lembravam a Orqu¨ªdea Negra, enquanto outras eram revestidas com folhas que se assemelhavam ao Ip¨º-Amarelo. Suas faces variavam em formatos e cores, mas todas eram adornadas com belas p¨¦talas de Flor-de-maio. Seus olhos pareciam ocos, apesar de n?o t?o vazios quanto os dos mascarados, como se estivessem profundamente imersos na simbiose entre planta e humano. Vendo mais de perto, havia algo bizarramente gracioso em como eles se moviam, com pequenas partes arrastando-se pelo ch?o, como se sentissem o solo a cada passo. E ent?o, sem aviso, os seres come?aram a circular ao redor de Ana de forma lenta e met¨®dica. Era como se eles estivessem dan?ando ao redor dela, movendo-se com uma precis?o fluida. Vinhas se estendiam suavemente at¨¦ sua pele, deslizando como se estivessem explorando a textura de sua carne e tecido, com uma mistura de curiosidade e rever¨ºncia. ¡ª Fascinantemente estranhos ¡ª murmurou Ana, sem parecer particularmente abalada pela estranha dan?a. Ela tocou a pele deles assim como estavam fazendo, sentindo a textura ¨¢spera e, com um movimento brusco, estourou uma das vinhas que se enrolavam em seu dedo. ¡ª Olha isso, Miguel. Nem sequer reagiu! Esses corpos s?o incr¨ªveis! ¡ª O que est¨¢... Antes que ele pudesse terminar a frase, uma das mulheres-planta, cujo corpo estava quase inteiramente coberto de p¨¦talas, se aproximou com uma coroa feita de flores vibrantes. Com movimentos lentos e delicados, ela a colocou sobre a cabe?a de Ana. A mercen¨¢ria n?o p?de deixar de notar que as flores da sua coroa eram excessivamente parecidas com as que compunham o pr¨®prio corpo da habitante que a ¡°presenteou¡±. Ainda im¨®vel, virou-se novamente para o mascarado em busca de algum tipo de explica??o, apenas para se deparar com outra habitante, semelhante ¨¤ primeira, adornando com um colar de flores. Os dois se entreolharam, compartilhando um momento de confus?o m¨²tua. ¡ª E ai? Agora podemos come?ar a cort¨¢-los antes que fique ainda mais bizarro? ¡ª Talvez¡­ Foi ent?o que, de repente, um alto som de est¨¢tica tomou conta do lugar, quebrando a misteriosa cena. Era um ru¨ªdo agudo, cortante, que parecia reverberar de todos os lados. Ana olhou na dire??o do som com certo desconforto, at¨¦ que a viu. Uma mulher se aproximava em passos lentos, mas cheios de autoridade. Ela era uma vis?o que mesclava o grotesco e o maravilhoso, com o corpo curvado pela idade, mas ainda elegante. Sua pele vegetal brilhava com o reflexo de luzes t¨ºnues e seu rosto, uma mistura de humano e uma planta carn¨ªvora, lembrava a boca de uma Dioneia, com fileiras de "dentes" plant¨ªneos delineando suas fei??es. Em suas m?os aparentemente fr¨¢geis, a mulher carregava um r¨¢dio antigo, cujos circuitos pareciam entrela?ados com ra¨ªzes que se conectavam diretamente ao seu corpo, como se ela fosse uma com o aparelho. A est¨¢tica aumentava a cada passo que dava, at¨¦ que finalmente parou diante dos dois visitantes. Com um leve toque no r¨¢dio, o som de est¨¢tica se ajustou. Entre os ru¨ªdos distorcidos e o chiado, uma voz grave e rouca emergiu, quebrando o sil¨ºncio que at¨¦ ent?o dominava a aldeia. ¡ª A natureza... nunca esquece.
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Capítulo 108 - O Riso das Ervas Daninhas
Em um movimento r¨¢pido e fluido, Ana, j¨¢ impaciente, girou bruscamente. A lamina presa ¨¤ sua cotoveleira assobiou no ar, cortando o espa?o entre ela e um dos habitantes vegetais, que se esquivou com uma agilidade surpreendente. O som do corte se dissipou, seguido por um sil¨ºncio denso e carregado. Ana se virou lentamente, seu olhar t?o afiado quanto a lamina que acabara de brandir. Sua respira??o estava controlada, mas todo o seu corpo mantinha-se pronto para o combate. Ao redor, os habitantes da cidade, que antes se aproximavam com curiosidade silenciosa, agora recuavam cautelosos, formando um c¨ªrculo ao redor dela e de Miguel, o mascarado que a acompanhava. ¡ª Isso ¨¦ algum tipo de vingan?a rid¨ªcula? ¡ª rosnou a mercen¨¢ria, seus olhos fixos na velha planta carn¨ªvora ¨¤ frente. Sua voz, baixa e g¨¦lida, carregava uma amea?a velada. Miguel, com a espada curta em punho, girou em sincronia com Ana, posicionando-se de costas para ela. Estavam preparados para um ataque vindo de qualquer dire??o. ¡ª Por que agora? N?o seria mais f¨¢cil quando passei aqui da ¨²ltima vez? A anci?, com um sorriso grotesco feito de p¨¦talas e dentes afiados, inclinou a cabe?a lentamente, ponderando a pergunta. O r¨¢dio em suas m?os vibrou, estalando com est¨¢tica, como se estivesse ajustando sua frequ¨ºncia. ¡ª Viiiinn... gaaaan... ?a? ¡ª a palavra saiu quebrada, misturada ao chiado. O sorriso da velha cresceu, mais largo e perturbador, distorcendo ainda mais suas fei??es vegetais. ¡ª N?o, minha querida, voc¨º est¨¢ completamente enganada. As vinhas nos p¨¦s da velha se enroscaram no solo enquanto ela dava um passo ¨¤ frente, aproximando-se com lentid?o. Seu rosto distorcido permanecia fixo, mas agora carregava algo mais ¡ª uma divers?o sutil, quase sarc¨¢stica, diante da confus?o de Ana. ¡ª Isso n?o ¨¦ vingan?a ¡ª continuou, sua voz assumindo um tom suave. ¡ª O que voc¨º est¨¢ vendo ¨¦ um agradecimento. A rainha piscou, surpresa. O desconforto se transformou em confus?o enquanto observava a interlocutora de palavras t?o sem sentido. ¡ª Agradecimento? ¡ª repetiu Ana, franzindo a testa em descren?a. ¡ª Agradecimento por qu¨º? ¡ª Voc¨º matou todas aquelas filhas da puta que sugavam a vida da terra... flores e mais flores, verdadeiras parasitas... ¡ª O r¨¢dio chiou violentamente, e Ana percebeu que aquele som grotesco era uma gargalhada da velha, crua e sem controle. ¡ª O que restou foi o forte. As ervas daninhas sobreviveram, cresceram maiores... mais puras. E n¨®s... lembramos. O vento balan?ava as folhas, como se a floresta estivesse compartilhando daquele riso. A anci? deixou escapar mais uma risada mais suave, genu¨ªna, e isso s¨® aumentou o desconforto. ¡ª Minha senhora, talvez seja hora de irmos embora... ¡ª Miguel murmurou, sua voz carregada de tens?o. Ele n?o gostava nem um pouco do rumo que aquela conversa estava tomando. Ana n?o o ouviu. Estendeu o bra?o e agarrou o rosto do secret¨¢rio, puxando-o para mais perto. Seus rostos ficaram a cent¨ªmetros de distancia, e suas palavras abafadas pela m¨¢scara sa¨ªram baixas e perigosas. ¡ª N?o ¨¦ hora de encher o saco. Estou curiosa. Soltando-o, ela se virou novamente para os habitantes vegetais. Com um movimento calculado, que fazia o enorme peda?o de ferro parecer leve, Ana levantou a espada, sua ponta quase tocando a pele da mulher-planta. ¡ª N?o se sinta especial ¡ª disse a mercen¨¢ria, com um sorriso desdenhoso. ¡ª Se eu pudesse voltar no tempo, n?o teria deixado nem mesmo uma maldita raiz para tr¨¢s. As palavras sa¨ªram de sua boca com um veneno latente, mas ao mesmo tempo ela abaixou a espada e esticou seu corpo tenso, relaxando um pouco os m¨²sculos, soltando a tens?o que carregava nos ombros. ¡ª Agradecimento recebido. Agora, se n?o vamos lutar, imagino que seguiremos com a negocia??o, certo? O r¨¢dio chiou mais uma vez, oscilando entre o ru¨ªdo e a clareza, e por um momento, parecia que a velha hesitava antes de responder. ¡ª Primeiro, celebra??o... depois, preocupa??o. A enviada de Ceuci... merece uma festa! ¡ª Ceuci, hein? ¡ª Ana perguntou, estreitando os olhos. ¡ª Voc¨ºs realmente acreditam em deuses ind¨ªgenas?You could be reading stolen content. Head to the original site for the genuine story. Ouvindo a pergunta, a velha inclinou levemente a cabe?a para tr¨¢s em um divertimento mudo. ¡ª Eu sou um humano que virou uma planta! Qual o problema de acreditar em um deus que pertenceu a n¨®s? O divertimento na voz da anci? era palp¨¢vel, e Ana, sem poder conter o riso, deixou escapar um som seco e sem humor, balan?ando a cabe?a. ¡ª ¨¦... voc¨º est¨¢ certa. N?o tenho como argumentar contra isso. Minha mente estava muito fechada ¡ª ela respirou fundo, batendo a ponta da espada contra o solo. ¡ª Que seja. Vamos acabar logo com isso. A velha sorriu mais uma vez, um brilho travesso passando por seus olhos ocos. ¡ª Oh, n?o... n?o vamos acabar. Ainda nem come?amos! ¡ª disse ela, levantando a m?o lentamente. No mesmo instante, as vinhas que se entrela?avam ao redor das ¨¢rvores come?aram a vibrar. Um som emergiu, suave no in¨ªcio, mas que rapidamente se transformou em um ritmo pulsante. Era uma batida quase tribal, mas se assemelhava a uma m¨²sica eletr?nica que parecia viva, perfeitamente adaptada ao ambiente natural. O som reverberava pelas folhas, pelos troncos e at¨¦ pelo solo sob os p¨¦s de Ana, fazendo o ar ao seu redor vibrar. De repente, com outro gesto da anci?, um homem se aproximou. Seu corpo estava coberto por cogumelos que brotavam diretamente de sua carne de maneira organica. Ele se movia freneticamente, dan?ando de maneira ca¨®tica, como se estivesse em algum tipo de transe ou show. Em suas m?os, ele carregava uma grande bacia de madeira que balan?ava de forma dram¨¢tica. O l¨ªquido em seu interior tinha um odor forte e quase transbordava, mas ele mantinha a bacia firme, rodopiando e balan?ando em um cont¨ªnuo ¨ºxtase. Ana o observou por um momento, surpresa. O homem parou ao seu lado, oferecendo a bacia com um gesto teatral e exagerado. Mesmo com as fei??es distorcidas por cogumelos e fungos, ela p?de ver a anima??o em seu gesto. Ele a estava convidando a participar. Sem muita hesita??o, a rainha mergulhou o dedo mindinho no l¨ªquido, levando-o primeiro ao nariz. O cheiro era forte, terroso, mas com uma nota adocicada. Curiosa, ela o provou. O gosto era estranho, mas n?o desconhecido, e felizmente n?o era desagrad¨¢vel. Conforme o calor se espalhava por seu corpo, ela observou novamente o homem cogumelo, notando as cores vibrantes e as texturas dos fungos que brotavam de sua pele. Seus l¨¢bios, antes impass¨ªveis, se curvaram em um sorriso crescente. ¡ª Voc¨ºs realmente sabem como se divertir, n?o ¨¦? ¡ª Ana comentou, ainda sorrindo, antes de dar mais um passo ¨¤ frente, aceitando de vez o convite para aquele ritual bizarro. A cada gole, seu corpo parecia ser tomado por um fervor crescente, come?ando nas entranhas e se espalhando at¨¦ a ponta de seus dedos. Ela piscou lentamente, sentindo as batidas ao redor de seu cora??o se sincronizarem com o som pulsante da m¨²sica. O som parecia vir de dentro dela, como se cada batida estivesse ecoando nas paredes do seu peito. A dan?a fren¨¦tica do homem-cogumelo ¨¤ sua frente tornou-se um borr?o de cores vibrantes, e as formas ao redor dela come?aram a derreter e distorcer como tinta sendo jogada em um vidro. A m¨²sica que antes preenchia o ar agora parecia distante, como um som abafado debaixo d¡¯¨¢gua. Suas pernas come?aram a vacilar, mas ela n?o caiu ¡ª o mundo ao redor dela girou violentamente, como se estivesse sendo engolida pela pr¨®pria terra. O ch?o parecia vivo, pulsando sob seus p¨¦s, enquanto as ¨¢rvores se tornavam far¨®is brilhantes, emitindo uma luz intensa e distorcida, como lampadas de n¨¦on piscando descontroladamente. De repente, luzes brancas estouraram diante de seus olhos, cegando-a momentaneamente. Formas dan?avam em todos os lados, seus rostos borrados como figuras de um pesadelo. Seus sorrisos eram amplos demais, alargando-se de maneira antinatural, e seus corpos pareciam flutuar, sem peso. A natureza ao redor dela n?o era mais acolhedora, parecia apert¨¢-la, esmagando seu corpo lentamente. Uma voz feminina familiar come?ou a sussurrar em sua mente, mas as palavras eram incompreens¨ªveis, afogadas pelo chiado da est¨¢tica. O mundo piscou milhares de vezes, tornando-se um flash irreconhec¨ªvel, e ent?o um som ensurdecedor estourou em seus ouvidos, como o bater de mil tambores, trazendo uma dor aguda. Foi quando Ana sentiu-se sendo puxada de volta ¨¤ realidade, como se uma for?a invis¨ªvel a estivesse arrastando a uma velocidade aterradora. A dor foi substitu¨ªda por uma leveza familiar, e ent?o, um raio de sol atravessou suas p¨¢lpebras, for?ando-a a acordar de forma abrupta. Ela piscou, tentando ajustar-se ¨¤ nova realidade. A dor nas t¨ºmporas a atingiu como uma lamina afiada, for?ando-a a franzir a testa. Fazia anos que n?o sentia algo t?o mundano quanto uma dor de cabe?a. ¡ª Quando... eu cheguei aqui? ¡ª murmurou, ofegante. Ela estava deitada em uma superf¨ªcie fria. O cheiro met¨¢lico no ar fez com que suas narinas queimassem. Seu olhar logo se ajustou ao ambiente, revelando um local limpo, com paredes brancas, mas levemente corro¨ªdas, que n?o combinavam com a floresta vibrante onde estivera. Olhou ao redor, e ent?o viu o secret¨¢rio amarrado em um canto. Seu corpo estava preso e sua m¨¢scara repousava no balc?o pr¨®ximo. Sua boca amorda?ada por um peda?o de pano impedia que gritasse, mas seus olhos estavam arregalados enquanto a encarava diretamente. Ele tentou se mexer, mas o n¨® era firme, e seus grunhidos apenas ressoavam baixinho no ambiente. ¡ª Miguel? ¡ª Ana tentou se levantar, mas sentiu uma pontada aguda em suas costas. Movendo-se com dificuldade, ela mexeu os ombros, sentindo um leve grude de sangue seco. Ela franziu o cenho e olhou para a direita, onde algo chamou sua aten??o: uma figura deitada no ch?o. Era uma mulher-planta, mas algo estava terrivelmente errado. Grandes buracos adornavam seu corpo, peda?os que pareciam ter sido arrancados de forma bruta. Mas o que mais chamava a aten??o eram as m?os da mulher, ou melhor, a falta delas, pois haviam sido decepadas. Po?as de um verde avermelhado se encontravam ao redor dos pulsos mutilados. Um bisturi brilhava pr¨®ximo ao corpo, sugerindo que a viol¨ºncia tinha ocorrido recentemente. ¡ª Que merda ¨¦ essa...? ¡ª murmurou, sua voz carregada de incredulidade. Ana piscou, tentando processar tudo, mas nesse instante uma dor aguda em suas m?os a distraiu, irradiando por seus dedos e subindo pelos bra?os. Ao baixar o olhar, se deparou com dezenas de pequenas flores costuradas em sua pele, amarradas diretamente na carne de suas m?os, como se ela pr¨®pria tivesse se tornado parte daquele horror botanico. O implante era grosseiro, com fios escuros colocados de forma descuidada, mas estranhamente precisa. Cada movimento parecia tensionar as costuras, fazendo seu corpo vibrar com uma sensa??o estranha de dor e conectividade. Uma pontada forte percorreu suas articula??es, e ent?o vomitou um l¨ªquido espesso de um tipo de seiva misturado com sangue. O cheiro met¨¢lico da substancia misturado com o perfume doce das flores invadia suas narinas, criando uma confus?o sensorial que a fazia sentir-se ¨¤ beira de uma epifania insana. ¡ª N?o... n?o... n?o¡­ Em meio a voz partida, um riso tr¨ºmulo de descren?a come?ou a escapar de seus l¨¢bios, vacilante. ¡ª Eu¡­ eu virei... a porra de uma planta? O riso cresceu at¨¦ explodir em uma onda incontrol¨¢vel, reverberando pelas paredes do local. Um riso que oscilava entre o puro divertimento e o desespero absoluto.
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Capítulo 109 - A Chegada da Taverneira
Madame ajustou-se no assento confort¨¢vel do jeep el¨¦trico, enquanto o som suave do motor ecoava. O carro moderno, ou antigo, para alguns, era feito de um material leve e resistente, movia-se suavemente com os condutores de mana acoplados nas laterais. Havia espa?o para sete pessoas, mas com a presen?a imponente de Madame, at¨¦ mesmo aquele ve¨ªculo parecia pequeno. Ela lan?ou um olhar lateral para os mascarados sentados ao seu lado. Sem suas m¨¢scaras, seus rostos pareciam estranhos e tensos, com sorrisos for?ados que n?o convenciam. ¡ª Voc¨ºs foram bem ousados ao entrarem na cidade. T¨ºm sorte por eu ser a ¨²ltima leitora de mana restante em Barueri. Sua voz estava baixa e melanc¨®lica, como se estivesse perdida em pensamentos e n?o esperasse uma resposta imediata. Os mascarados trocaram olhares r¨¢pidos, incertos. Ap¨®s um breve sil¨ºncio, um deles, com uma voz calma e controlada, respondeu. ¡ª Foi necess¨¢rio para cumprir as ordens de nossa rainha ¡ª disse, quase mecanicamente. A dona da taverna balan?ou a cabe?a levemente, um pequeno sorriso surgindo em seus l¨¢bios enquanto girava a coroa de prata entre seus dedos longos e elegantes. ¡ª Sabe, agora tudo faz sentido ¡ª ela murmurou. ¡ª Na ¨¦poca, n?o conhecia a exist¨ºncia da cidade das m¨¢scaras, mas a aus¨ºncia de mana... isso agora est¨¢ claro. Ainda assim, nunca imaginei que minha rainha mercen¨¢ria fosse uma mascarada... ela tinha uma personalidade t?o... expressiva. ¡ª Aus¨ºncia de mana? ¡ª um dos mensageiros, uma mulher mascarada de tra?os duros e angulosos, inclinou-se ligeiramente para frente, e sussurrou com uma d¨²vida na voz, parecendo esquecer-se dos outros no local. Ela se entreolhou novamente com seu companheiro, ambos confusos, mas nada foi dito. O sil¨ºncio denso pairou no ar. Madame observou a intera??o com interesse, seus olhos brilhando com esse estranho povo que a convidou para uma inesperada viagem. Ela riu suavemente, como se o inc?modo alheio fosse uma melodia para seus ouvidos. ¡ª Voc¨ºs s?o t?o quietos... ¡ª comentou ela com divers?o, batendo levemente no topo do carro, chamando a aten??o de todos. ¡ª Quanto tempo ainda falta? Em cima do ve¨ªculo, uma mulher alta e musculosa, com cicatrizes que cobriam boa parte de seu corpo e um grande machado descansando ao seu lado, lan?ou um olhar atento ao mapa que segurava. Seus dedos calejados tra?aram os caminhos com rapidez, e ap¨®s um momento de c¨¢lculos, se inclinou para olhar pela janela do carro. ¡ª Talvez menos de uma hora ¡ª Sua voz era grave e firme, mas havia uma curiosidade na forma como olhava para o horizonte. ¡ª Ser rica na superf¨ªcie ¨¦ outra coisa... Quem diria que ainda existem carros funcionando? Voc¨º tem sorte, velha. Todo meu status em Tenebris parece lixo em compara??o. Nesse momento, o motorista do ve¨ªculo, um homem franzino, de cabelos grisalhos e olhar cansado, mas que parecia esconder uma grande variedade de mist¨¦rios por baixo de suas grandes vestes, interveio com o cenho franzido. ¡ª Mais respeito com nossa empregadora, Cassandra ¡ª sua voz era firme mas n?o rude. Seus olhos se voltaram para Madame, como se pedissem desculpas silenciosas. ¡ª Pe?o que a ignore, senhora. Ela n?o est¨¢ muito acostumada a trabalhar abaixo de algu¨¦m¡­ Madame riu com um ar indulgente, uma risada suave e controlada que parecia aliviar a tens?o no ar. ¡ª N?o se preocupe tanto, Leonardo. J¨¢ estou acostumada com a rudeza dos mercen¨¢rios. Al¨¦m disso, adoro ouvir hist¨®rias do Abismo. Parece um mundo fant¨¢stico, de certa forma. O homem apenas suspirou e assentiu, ele n?o conseguia compreender essa mulher, que oscilava entre a autoridade e a descontra??o a cada instante. ¡ª Talvez seja fascinante visto de fora ¡ª murmurou ele. ¡ª Viver l¨¢, entretanto, ¨¦ um inferno. ¡ª Ainda assim, tem suas vantagens, n?o acha? Olhe pra voc¨ºs. Dois novos membros da realeza mercen¨¢ria emergindo de uma s¨® vez. J¨¢ faz uns anos que a ¨²ltima rainha nasceu. Ela lan?ou um olhar para Cassandra, que revisava novamente o mapa, e depois para o homem que dirigia. Seus olhos os examinavam como um predador observando presas, mas havia uma fa¨ªsca de respeito em sua express?o. Em seguida, voltou a encarar a floresta que era esmagada pelas grossas rodas do grande carro. ¡ª N?o sei pelo que passaram para chegar at¨¦ aqui, mas h¨¢ muito tempo n?o vejo um manipulador e uma fortalecedora t?o poderosos. ¡ª A senhora nos v¨º com bons olhos. Somos apenas sobreviventes. ¡ª Sobreviventes ou n?o, o poder de voc¨ºs ¨¦ ineg¨¢vel ¡ª retrucou Madame, inclinando-se ligeiramente para a frente, sua voz carregada de mist¨¦rio. ¡ª Nesse mundo, ¨¦ isso o que mais importa.Love this story? Find the genuine version on the author''s preferred platform and support their work! Leonardo apenas deu uma risada baixa, sacudindo a cabe?a. ¡ª Bem, e sobre essa miss?o, senhora... quanto tempo acha que ficaremos l¨¢? Cassandra, ouvindo a pergunta, lan?ou um olhar breve para Madame, antes de voltar a observar a paisagem que se estendia ¨¤ sua frente. Os m¨²sculos r¨ªgidos da mulher estavam sempre prontos, como se esperasse que algo surgisse a qualquer momento. ¡ª Temos nossos pr¨®prios afazeres ¡ª disse ela, com a impaci¨ºncia clara em sua voz. ¡ª Espero que n?o demoremos muito. ¡ª N?o tenho como garantir o tempo exato. Mas posso garantir que ser?o adequadamente recompensados ¡ª a dona da taverna voltou a girar a coroa de prata em seus dedos, o brilho da pe?a reluzindo ¨¤ luz fraca que entrava pelas janelas. Cassandra bufou em resposta, como se o assunto j¨¢ n?o a interessasse mais. Mas logo estreitou a vis?o ao avistar partes pisoteadas de solo, assim como um sutil cheiro met¨¢lico no ar. ¡ª Ei, Leo, fica esperto. Rastros frescos de lobos cinzentos. Devem estar por perto. As bizarras criaturas haviam se tornado um inc?modo frequente na regi?o nos ¨²ltimos meses. Embora fossem considerados uma esp¨¦cie fraca em compara??o a outros predadores, algo havia mudado. Repentinamente, come?aram a trabalhar em bandos com uma precis?o assustadora, coordenando ataques em emboscadas cuidadosamente planejadas. Sempre observadores e pacientes, atacavam no momento certo, quando suas presas estavam distra¨ªdas ou cansadas. Isso os havia tornado uma amea?a dominante na regi?o, aumentando sua classifica??o de perigo consideravelmente. ¡ª Farei o poss¨ªvel. Vou manter os olhos abertos ¡ª respondeu o jornalista, sem dar muita aten??o. ¡ª ¨¦ incr¨ªvel que animais t?o fracos tenham sobrevivido tanto tempo ¡ª Cassandra resmungou, esticando os bra?os e segurando firme seu machado. ¡ª ¨¦ por causa desse tipo de inimigo que os ca?adores daquela cidade s?o t?o fracos. N?o sobreviveriam um dia na minha arena! ¡ª N?o os culpe pelo que n?o podem mudar ¡ª respondeu Madame, rindo do coment¨¢rio. ¡ª Pode demorar, mas alguns poucos est?o evoluindo. ¡ª Discordo, mas quem sou eu pra discutir. Agora feche as janelas, velha. Voc¨º ainda n?o nos pagou. Madame, sem perder o bom humor, acenou em dire??o a musculosa rainha mercen¨¢ria enquanto o vidro subia. Se espregui?ando um pouco, voltou a olhar para suas chatas companhias. ¡ª E voc¨ºs? ¡ª perguntou ela aos mascarados. ¡ª Algum problema no caminho de ida? O mensageiro mascarado, sentado ¨¤ esquerda de Madame, virou-se lentamente em sua dire??o, sua express?o permanecendo impass¨ªvel. ¡ª N?o. Na verdade, poucas criaturas se interessam por n¨®s. N?o h¨¢ carne para eles se alimentarem, nem mana para absorver. N?o somos uma presa interessante. ¡ª ¨¦ bem conveniente. A floresta tem estado estranha... quem dera poder sair por a¨ª sem me preocupar com esses malditos monstros. A conversa terminou no ar, enquanto cada um se perdia em seus pr¨®prios pensamentos. Antes que percebessem, o jeep atravessava os ¨²ltimos metros at¨¦ a cidade. Os mascarados acenaram para os guardas nas ameias das altas muralhas, e um deles, ao notar o gesto, se retirou rapidamente, apressado para avisar os conselheiros sobre a chegada. A grande ponte de pedra que conectava a cidade ao mundo exterior estava aberta, permitindo a entrada suave do ve¨ªculo que passava por ela, avan?ando em dire??o ao cora??o do novo reino. ¡ª Isso aqui ¨¦ muito maior do que eu esperava ¡ª comentou Leonardo, admirando as imponentes constru??es semi-completas que surgiam ao longe. ¨¤ medida que avan?avam, o grupo observava o fren¨¦tico movimento de trabalhadores sujos de terra. As constru??es, grandes e s¨®lidas, estavam em plena expans?o. Pr¨¦dios se erguiam ¨¤ vista de todos, com andaimes e gruas improvisadas que puxavam grandes blocos de pedra. As ruas estavam repletas de atividades; uma cena de progresso, mas com um toque de caos. ¡ª N?o sabia que tamb¨¦m usavam escravos por aqui ¡ª comentou Cassandra ao observar alguns habitantes cobertos de sujeira e suor, carregando grandes conjuntos de materiais em suas costas. ¡ª N?o s?o escravos. S?o parte do povo que jurou lealdade ¨¤ nossa rainha ¡ª corrigiu a mulher mascarada, com um tom neutro, mas firme. ¡ª Pe?o que n?o volte a ofend¨º-los. Os mercen¨¢rios e a Madame trocaram olhares, a surpresa estampada em seus rostos. A revela??o parecia desafiar a vis?o de mundo atual, mas a elegante mulher dentro do carro parecia ainda mais curiosa, seus olhos brilhando de puro interesse. ¡ª Ent?o... h¨¢ outras esp¨¦cies aqui? A mulher mascarada hesitou por um momento antes de responder. ¡ª No momento, n?o. ¡ª No momento¡­ ¡ª repetiu Madame, em um tom reflexivo, quando subitamente seus olhos se arregalaram, e ela se inclinou para a frente, dando uma ordem a alta voz. ¡ª Parem o carro! Leonardo, pego de surpresa, pisou no freio com for?a, fazendo o ve¨ªculo deslizar pela rua antes de parar bruscamente. O jeep sacudiu com o movimento, e Cassandra, no topo, quase perdeu o equil¨ªbrio, xingando em voz alta. ¡ª Maldi??o, quase ca¨ª! ¡ª rosnou ela, irritada. Mas Madame j¨¢ estava fora do carro antes que as reclama??es pudessem continuar. Ela abriu a porta rapidamente, seus p¨¦s se movendo com uma agilidade incomum para algu¨¦m de sua postura normalmente calma. Caminhou com determina??o at¨¦ parar em frente a uma constru??o imensa que dominava a pra?a central da cidade. Seus olhos se alargaram de admira??o enquanto examinava cada detalhe arquitet?nico. A parte de fora da estrutura possu¨ªa um ar grandioso, quase religioso, com enormes colunas que lembravam uma catedral g¨®tica em miniatura, mas sem perder a ess¨ºncia do que representava. Era uma constru??o que exigia o fasc¨ªnio de quem a observasse, quase que ordenando que atravessassem suas portas. ¡ª Tenho que dizer... isso sim ¨¦ uma taverna.
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Capítulo 110 - Florescer de Carne
A porta do galp?o se abriu violentamente, e a luz do sol entrou como uma explos?o de claridade, ofuscando momentaneamente a vis?o de Ana. Instintivamente, ela se lan?ou em dire??o ao bisturi no ch?o, seus dedos envoltos em flores agarrando a lamina com firmeza. Os vultos na entrada, escurecidos pelo brilho, n?o se moveram. Com seus olhos estreitando-se em desconfian?a, a mercen¨¢ria recuou mais alguns passos, come?ando a cortar as amarras de Miguel. Foi ent?o que o sil¨ºncio foi rompido por um ru¨ªdo familiar. A est¨¢tica encheu o ambiente, seguida por uma voz fria e distorcida j¨¢ ouvida anteriormente. ¡ª Peguem ela. A rainha se endireitou de imediato, colocando-se em postura de combate, pronta para se defender. Mas, para sua surpresa, os dois homens que adentraram o galp?o n?o a atacaram. Seus passos eram direcionados para o corpo da mulher-planta ca¨ªda, e n?o para ela. A confus?o tomou conta de sua mente ainda turva, mas n?o parou o corte das cordas que prendiam o mascarado. No entanto, quando ele finalmente conseguiu libertar suas m?os, rapidamente arrancou a morda?a da boca e lan?ou um olhar de desculpas para Ana, se dirigindo com passos urgentes at¨¦ a anci?. ¡ª Desculpe por tudo, Marlene. N¨®s... n¨®s vamos compensar isso ¡ª sua voz tremia, uma mistura de arrependimento e tristeza enquanto fazia uma rever¨ºncia suave. Uma gargalhada eletr?nica subiu do chiado do r¨¢dio ao ouvir o homem, deixando Ana ainda mais confusa. De repente, imagens borradas come?aram a invadir sua mente com a intensidade de uma mar¨¦ crescente. Ela se viu, cortando lenta e meticulosamente algo enquanto um espesso l¨ªquido verde escorria. ¡ª Que merda... ¡ª sussurrou para si mesma, sentindo o problema que iria recair sobre seus ombros. Calmamente levou a m?o ao rosto, querendo sentir a pr¨®pria pele, mas, ao fazer isso, seus dedos encontraram a frieza de sua m¨¢scara, ainda presa firmemente. ¡ª Pelo menos isso ainda est¨¢ aqui ¡ª murmurou, um suspiro de al¨ªvio involunt¨¢rio escapando de seus l¨¢bios. Marlene, ainda com o rosto virado, parou de rir abruptamente e colocou a m?o no ombro de Miguel, como se quisesse tranquiliz¨¢-lo. Ela ent?o voltou seu olhar vazio para Ana, avaliando-a. ¡ª E ent?o... deu certo? ¡ª perguntou a anci?, quebrando o sil¨ºncio que preenchia o ambiente. Ana ouviu, mas n?o p?de responder de imediato. Franzindo a testa, levantou um dedo em dire??o a mulher, pedindo um momento de paci¨ºncia. Seu olhar se tornou distante, e seu corpo, antes tenso, parecia estar em um estado de introspec??o quase meditativa. ¡ª Faz algumas d¨¦cadas desde que fiz algo assim... ¡ª disse com uma voz baixa e quase ir?nica. ¡ª Perdi o costume. Ela manteve o dedo erguido, os segundos passando com uma lentid?o desconcertante. Todos ao redor aguardavam, perplexos pela estranha postura. Sua respira??o era lenta, como se estivesse se concentrando em cada detalhe que retornava ¨¤ sua mente, montando o quebra-cabe?a do que havia acontecido. De repente, com um estalo em sua express?o, seus olhos se arregalaram em compreens?o s¨²bita. ¡ª Ah, claro! Fotoss¨ªntese... ou, n?o... absor??o de mana! ¡ª exclamou, corrigindo-se, enquanto sua mente se contorcia ao processar a estranha fus?o entre sua carne e as plantas agora enraizadas nela. Ao longo da agitada noite, descobriu mais detalhes a respeito dos habitantes da vila, entendendo aos poucos como seus corpos funcionavam. Com isso, sua ganancia tomou conta rapidamente, somada ao fato de n?o conseguir tomar decis?es racionais naquele momento. No in¨ªcio, havia apenas tentado costurar as flores ¨¤ sua pele. Percebeu que n?o eram flores comuns; suas p¨¦talas eram macias, mas ao mesmo tempo possu¨ªam a textura de couro, resistentes e male¨¢veis de um jeito realmente antinatural. A plant¨ªnea que a acompanhava, uma garota com um corpo feito de diversas esp¨¦cies entrela?adas, parecia ter um interesse especial na salvadora de seus ancestrais. De forma estranhamente fiel e atenta, havia arrancado cada pequeno bot?o de flor de si mesma, oferecendo-os voluntariamente. Por¨¦m, logo que tocaram a carne humana, as flores come?aram a murchar. A princ¨ªpio, a rainha mercen¨¢ria foi tomada pela frustra??o, mas ent?o a resposta mais ¨®bvia se revelou, como se j¨¢ estivesse ali o tempo todo: mana! Com foco renovado, Ana canalizou sua energia interna, despejando-a como um rio poderoso que alimentava cada p¨¦tala presa ¨¤ sua pele. Os caules responderam, crescendo lentamente, enrolando-se como serpentes famintas ao longo de suas veias, sugando os nutrientes que transbordavam de seu corpo. Um sorriso satisfeito brotou em seu rosto quando sentiu a ard¨ºncia da fus?o, a tens?o entre carne e planta se dissolvendo em uma nova anatomia. Sua companheira verde parecia compartilhar da alegria, seus galhos tremulando em uma dan?a silenciosa de ¨ºxtase. Tudo parecia estar indo perfeitamente bem. Teria sido ¨®timo se tivesse parado por a¨ª. S¨® que n?o parou. ¨¤ medida que sua mana flu¨ªa incontrolavelmente, as coisas come?aram a se distorcer. Ideias absurdas invadiram sua mente, como tempestades, enquanto alguns dos brotos, antes vibrantes e coloridos, escureciam at¨¦ se tornarem negros como a noite mais profunda. ¡ª E ent?o eu... ¡ª sussurrou Ana, concentrada em se lembrar. Aos poucos levou a m?o novamente ¨¤s costas, sentindo as pequenas pontas incrustadas em seus ombros, como espinhos min¨²sculos que mal perfuravam a pele. Lembrou-se de como tudo a partir da¨ª foi movido pela curiosidade. Uma curiosidade faminta, a qual a levou a abrir uma pequena incis?o em seu abd?men. Uma abertura quase impercept¨ªvel, onde ela tentara centralizar a mana para penetrar uma das sementes que lhe haviam dado. Mas algo n?o funcionava. A mana batia na superf¨ªcie do item e se dissipava.Unauthorized duplication: this tale has been taken without consent. Report sightings. Novas imagens vinham em fragmentos desconexos, relances de tentativas falhas, cada uma mais desesperada que a outra. Tentara cultivar em seus ¨®rg?os, dentro de seus pulm?es, em um canto de seu f¨ªgado, mas nada parecia dar certo. Eventualmente, seus olhos se voltaram para o corpo da mulher em sua frente. Uma beleza estranha e selvagem, uma floresta caminhando sobre duas pernas. Ana passou os dedos lentamente pelas madeixas de madeira e folhagem que agora a cobriam, por seus bra?os, e tamb¨¦m pelo contorno de seu pesco?o. Ap¨®s refletir, notou que algo conectava tudo como uma massa¡­ terra. ¡°Claro, como n?o pensei nisso antes? S?o sementes, afinal.¡± Sua mente se expandiu em dire??es inimagin¨¢veis. O conceito da terra, simples e primordial, se desdobrava em camadas complexas, cada uma carregada de um peso cient¨ªfico, m¨ªstico e pr¨¢tico. Ela pensou primeiro em sua composi??o. N?o era apenas um amontoado de sujeira, mas um composto vivo, carregado de mat¨¦ria organica e inorganica. Fragmentos de minerais, pequenos organismos, microrganismos, fungos. Argila, silte, areia, cada um com suas fun??es espec¨ªficas. Era essa mistura que permitia ¨¤s plantas prosperarem. Havia tamb¨¦m a textura, coisa que n?o podia ser negligenciada. Ao imaginar cada gr?o de terra, Ana visualizava o espa?amento entre as part¨ªculas, o que permitia a troca de gases, impedindo que as ra¨ªzes ficassem presas, sufocadas. E quanto ao pH? Reten??o de ¨¢gua? Propriedades eletroqu¨ªmicas? Decomposi??o? Seu corpo precisaria agir como um ecossistema em miniatura. Ela precisava ser o ciclo que gerava vida por si s¨®. Um ciclo fechado de vida e morte, nutri??o e decad¨ºncia. Por ¨²ltimo, Ana pensou no tempo. Terra n?o ¨¦ algo est¨¢tico; ela evolui, se transforma com o passar dos anos, se renova constantemente, adaptando-se ao ambiente ao redor. ¡°N?o basta pensar no solo, preciso ser o solo¡­¡± A mem¨®ria vagou atr¨¢s de seus ouvidos, recapitulando suas frases e considera??es para o vazio. A mana havia acelerado seu fluxo assim que terminou o murm¨²rio, girando como um redemoinho. Foi ent?o que seus ombros come?aram a desmoronar, os m¨²sculos e a carne se fragmentando em uma textura arenosa. Em um movimento lento e deliberado, ela escavou com o dedo, enterrando punhados de sementes nos buracos rec¨¦m-abertos com uma estranha ternura, quase maternal. Sua respira??o estava entrecortada pelo esfor?o, mas logo cobriu-as e imaginou-as germinando, crescendo dentro de si. A dor era excruciante, como se seus membros j¨¢ n?o existissem, e at¨¦ mesmo a leve brisa do local, que movia as pequenas part¨ªculas, causavam um choque em sua exist¨ºncia. No entanto, funcionou. Ra¨ªzes come?aram a crescer de dentro dos pequenos fragmentos de vida, espalhando-se, serpenteando desde o pesco?o at¨¦ as omoplatas e dando voltas ao redor de seu cora??o. Sentiu certo receio quando algumas pequenas pontas o perfuraram, pois o fizeram vibrar, como se fosse explodir. Por sorte pararam por a¨ª, como se apenas desejassem os resqu¨ªcios das energias conflitantes que coexistiam em seu interior. Seu estoque de mana estava quase vazio, fazendo a bizarra manifesta??o de seus ombros lentamente se dissipar, com a carne voltando a tomar forma s¨®lida, apesar de agora apresentar um medonho aspecto repuxado, reconstru¨ªda incorretamente. A mulher, que j¨¢ n?o se encontrava s?, ficou ainda mais perturbadora e ousada com a energia reversa que aos poucos exigia seu lugar. Sob tal influ¨ºncia, ao ver que as modifica??es estavam dando certo, pensou que o interior de seu corpo tamb¨¦m deveria receber um pouco daquilo. ¡ª Ana, sua idiota¡­ ¡ª resmungou para si mesma, quando finalmente lembrou-se da ¨²ltima cena. Seus olhos, agora focados novamente no presente, seguiram os dois homens vegetais que levavam a mulher-planta para fora. Viu as muitas marcas em sua pele e, com um suspiro cansado, percebeu que as marcas foram feitas por seus pr¨®prios dentes. Devagar, os fragmentos da noite anterior come?aram a fazer sentido, embora as lacunas ainda fossem grandes, pois n?o recordou de quando Miguel foi amarrado, apesar de inconscientemente saber que tamb¨¦m era culpa sua. Finalmente baixando as m?os, se virou para a anci?, que a observava com um interesse silencioso. ¡ª Talvez... ¡ª come?ou, com uma voz um pouco rouca. ¡ª Talvez tenha funcionado, j¨¢ que recobrei meus sentidos. Ana deu um passo ¨¤ frente, e ent?o sentiu uma inesperada pontada de remorso atravess¨¢-la. ¡ª Pe?o desculpas pelo que aconteceu com Let¨ªcia¡­ Marlene franziu o cenho por um instante, confusa, mas logo compreendeu o que foi dito. ¡ª Voc¨º estava mesmo t?o ruim que n?o se lembra da conversa que tivemos? ¡ª perguntou, com um sorriso breve. Ela fez um gesto com a cabe?a em dire??o aos dois homens que haviam jogado o corpo da plant¨ªnea no ch?o do lado de fora, de forma desleixada. Ana observou, intrigada, enquanto a grama ao redor da suposta falecida come?ava a se mover em dire??o a ela, como se estivesse respondendo ao chamado de sua energia. Simultaneamente, pequenas vinhas sa¨ªam do corpo de Let¨ªcia, infiltrando-se lentamente na terra. ¡ª Em algumas horas, ela deve recobrar a consci¨ºncia ¡ª explicou Marlene. ¡ª E em poucos dias estar¨¢ de volta ao normal. Os olhos atentos de Ana fascinaram-se pela mil¨¦sima vez com os mist¨¦rios desse novo mundo. Um sorriso curioso se formou em seus l¨¢bios enquanto balan?ava levemente as m?os, ainda sentindo certo ardor pelas costuras. ¡ª A maldita mana realmente ¨¦ incr¨ªvel ¡ª comentou, colocando o bisturi de lado, no balc?o de a?o. Dando de ombros ao ver que n?o teria grandes implica??es, come?ou a cantarolar baixinho. ¡ª O laborat¨®rio de voc¨ºs ¨¦ ¨®timo, n?o esperava que estivesse t?o bem preservado. Ela caminhou pelos poucos corredores de forma despreocupada, explorando os arredores. As m¨¢quinas que via eram pe?as raras, o auge do que se podia conseguir em tecnologia naquela sociedade em ru¨ªnas, ainda que algumas delas estivessem danificadas ou faltando pe?as. Marlene, seguindo atr¨¢s, soltou uma chiada risada baixa. ¡ª O hospital era at¨¦ que grande para uma cidade pequena ¡ª admitiu, com um certo pesar. ¡ª Agora... quer continuar com o que discutimos? Ana parou por um instante, franzindo a testa enquanto processava a pergunta. ¡ª Discutir algo com algu¨¦m fora de si ¨¦ jogo sujo ¡ª disse em uma estranha melodia, com um sorriso torto. ¡ª Vamos l¨¢, repita. Qual o assunto? Antes que Marlene pudesse responder, Miguel se aproximou, parecendo meio ansioso. ¡ª N?o seria melhor voc¨º comer algo antes de continuar? A observa??o de Miguel pegou Ana de surpresa. Ela piscou, como se estivesse emergindo de um transe profundo, e foi ent?o que notou os fragmentos de vidro em suas m?os. O becker quebrado estava preso em seus dedos, apertado com tanta for?a que quase rasgava sua pele. Olhou ao redor, confusa, sem se lembrar de como aquele objeto havia chegado ali. ¡ª Podemos conversar l¨¢ fora, se preferir ¡ª sugeriu Marlene, observando a cena com uma divers?o silenciosa, sem emitir nenhum julgamento. Ana soltou o vidro lentamente, os peda?os estilha?ando-se ainda mais ao tocarem o ch?o. Seus olhos brilharam com uma sombra de reflex?o antes de curvar os l¨¢bios em um sorriso leve e ir?nico. ¡ª Sim, acho que preciso de um pouco de ar. Ela observou suas m?os uma ¨²ltima vez, com as flores balan?ando levemente com cada movimento. Seu rosto endureceu, e ela as aproximou de seus l¨¢bios, como se as p¨¦talas tivessem vida. ¡ª Se n?o forem ¨²teis¡­ eu arranco todas voc¨ºs fora ¡ª sussurrou, voltando a cantarolar.
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Capítulo 111 - Adubando Acordos
¡ª Medo da morte? A voz da mercen¨¢ria soou fria, quase desinteressada. Marlene hesitou, seus passos desacelerando por um breve instante. Sua express?o era indecifr¨¢vel, mas a tens?o estava presente em seus olhos. ¡ª Sim ¡ª ela finalmente admitiu, a voz suave, quase um sussurro. ¡ª As coisas est?o... incertas. A floresta ao redor parecia viva com uma pulsa??o pr¨®pria. As ¨¢rvores, de troncos altos e retorcidos, formavam uma c¨²pula natural acima de suas cabe?as, com folhas t?o densas que mal permitiam a passagem de um ¨²nico raio de sol. O ambiente era ¨²mido e repleto de um sil¨ºncio inquietante, como se a natureza estivesse prendendo a respira??o. Antes que pudesse continuar, chegaram a uma clareira. O contraste com a escurid?o da floresta era gritante. O espa?o aberto estava banhado por uma luz suave, e v¨¢rios habitantes estavam deitados pelo ch?o, suas formas vegetais relaxadas como em uma ressaca coletiva p¨®s cerim?nia. Eles pareciam estar num estado de repouso profundo, absorvendo a energia do sol. Ana observou aquilo com um misto de divers?o e estranheza, achando a cena estranhamente c?mica. ¡ª Plantas pregui?osas... ¡ª resmungou com certo sarcasmo, com um sorriso enviesado em seus l¨¢bios. De repente, ao sentir os calorosos raios solares, um formigamento percorreu sua m?o, trazendo sua aten??o de volta para si mesma. As encarou com curiosidade, notando as p¨¦talas costuradas que vibravam suavemente, como se reagindo a algo. Marlene permaneceu em sil¨ºncio, mas seus olhos observadores n?o perderam nenhum detalhe. Ela parecia entender o que Ana estava sentindo. ¡ª Parece que... deu certo, afinal. Estou absorvendo mana ¡ª admitiu ela, seu tom carregado de uma resigna??o ir?nica. ¡ª Mas ¨¦ t?o, t?o devagar¡­ Ela pausou, mexendo os dedos enquanto assimilava a sensa??o. Era como se sentisse a poeira entrando em sua pele por todos os lados e sumindo misteriosamente. Era refrescante, mas sutilmente inc?modo. ¡ª Comer ¨¦ mais r¨¢pido ¡ª acrescentou, um toque de frustra??o na voz. ¡ª Mas vai servir. A anci? soltou uma risada suave, e logo tamb¨¦m encarou as plantas em repouso. ¡ª A absor??o de mana pode ser lenta, mas n?o ¨¦ algo que buscamos ativamente acelerar. Aos poucos, crescemos¡­ talvez aumente um pouco se voc¨º ficar descal?a ¡ª comentou ela em um misto de brincadeira com seriedade. ¡ª Felizmente, n?o envelhecemos como humanos. Nos ¨²ltimos anos, parecemos ter mantido um estado semelhante ao que ¨¦ramos antes. N?o sabemos qual ¨¦ nossa expectativa de vida, mas mesmo com essa absor??o lenta, teremos tempo de crescer, desde que n?o enfrentemos amea?as externas. Ana ouvia atentamente, e um brilho perigoso dan?ava em suas ¨ªris. ¡ª Talvez eu devesse costurar mais plantas... Marlene se aproximou, colocando uma m?o firme, mas gentil, no ombro da mulher em um misto de advert¨ºncia e consolo. ¡ª N?o fa?a isso ¡ª disse ela, seu tom carregado de uma seriedade quase maternal. ¡ª Eu n?o entendo completamente como, mas sei que voc¨º ¨¦ muito mais velha do que aparenta ser. Se tornar uma de n¨®s limitaria sua jornada. Ela apontou novamente para seu povo, mas um ru¨ªdo alto saiu do r¨¢dio quando tentou falar. Ajustando-o rapidamente, continuou.This novel is published on a different platform. Support the original author by finding the official source. ¡ª Precisamos sempre estar em contato com o solo puro. A sobreviv¨ºncia depende disso, do sol e de uma terra saud¨¢vel. Al¨¦m de que, quando nossas veias se desfizeram, perdemos a capacidade de manipular mana. Ainda a sentimos e ela permeia nossos corpos, mas n?o a usamos diretamente. Sem veias, n?o temos como nos defender... somos fracos, vulner¨¢veis. ¡°Ainda parece tentador¡±, pensou a rainha enquanto contemplava a explica??o com uma express?o sombria. Por¨¦m, logo deu de ombros e descartou a ideia. ¡°N?o ¨¦ o primeiro ser que tem uma vida maior do que um humano comum, e sei que n?o ser¨¢ o ¨²ltimo. Terei oportunidades melhores¡­¡±. ¡ª Bom, ent?o ¨¦ disso que voc¨º estava falando sobre o medo da morte? Marlene acenou, seu rosto ficando mais s¨¦rio. ¡ª Sim. Em especial a parte sobre o bom solo. N¨®s usamos muitos nutrientes para sobreviver, e as criaturas n?o habitam mais essa ¨¢rea da floresta. Sem decomposi??o e sem outros seres para completar o ciclo natural, o solo est¨¢ ficando cada vez mais pobre, n?o h¨¢ nutrientes voltando para a terra. Nossos per¨ªodos de sono est?o cada vez mais longos, e temo algum dia deixar de acordar. Ana franziu a testa, sem interromper a anci?, que n?o parecia ter terminado. ¡ª Al¨¦m disso, h¨¢ os puros. Eles n?o parecem nos colocar na mira agora, mas logo ap¨®s a nossa transforma??o, mataram todos de n¨®s que estavam pr¨®ximos a Barueri. Quando os mascarados chegaram e explicaram sobre o novo reino, vimos uma oportunidade. Pode parecer contradit¨®rio, mas a sujeira da cidade poderia nos ajudar a viver melhor¡­ se voc¨º nos aceitar, mesmo que apenas nas redondezas, seremos muito gratos. Ana ponderou por um momento, cutucando descontraidamente uma flor amarela em seu pulso. ¡ª Fazendeiros. Marlene inclinou a cabe?a, confusa. ¡ª Desculpe? Ana ergueu o olhar, os olhos sorrindo com a ideia. ¡ª Voc¨ºs gostam de terra, certo? Virem meus fazendeiros. Podem pegar os nutrientes das trocas de colheitas. Com o ciclo certo, sempre ter?o terras abundantes. E quanto ¨¤ sujeira da cidade, basicamente est?o pedindo... esterco, n?o ¨¦? Em troca, me d¨ºem os equipamentos. A anci? ficou intrigada por um instante, a surpresa se formando em seus olhos antes de se transformar em satisfa??o, e logo estendeu a m?o. ¡ª Fiz bem em te convidar. N?o tenho motivos para recusar. Ana pegou a m?o da mulher com firmeza, mas logo soltou com um pux?o, franzindo a testa ao sentir as vinhas que come?aram a se mover em dire??o ao seu bra?o. ¡ª Sem vinhas, j¨¢ cansei disso ¡ª Em um movimento brusco ap¨®s as palavras de advert¨ºncia, se virou para Miguel, que acompanhava alguns metros atr¨¢s com sua grande espada negra nas costas. ¡ª Por favor, alinhe os detalhes com eles. Ela pegou a arma das m?os do secret¨¢rio e desenrolou o pano que a envolvia enquanto olhava ao redor. ¡ª Voc¨º disse que n?o havia mais criaturas na regi?o ¡ª comentou, levantando a espada em dire??o a um ponto espec¨ªfico na floresta. Marlene seguiu o olhar de Ana, confusa. Do meio da vegeta??o, podia-se ver um movimento sutil. A mulher-planta abriu e fechou a grande boca de planta carn¨ªvora por um instante, um gesto que lembrou Ana de algu¨¦m franzindo a testa. ¡ª Pensei que tivessem vindo com voc¨º. Est?o rondando os arredores desde que chegaram na aldeia. ¡ª Curioso... bem, sendo assim, vou ca?ar um pouco. ¡ª Com um sorriso nost¨¢lgico, a rainha come?ou a se afastar, movendo-se silenciosamente pela vegeta??o densa. A cerca de trezentos metros dali, entre as sombras de um arbusto, um lobo cinzento e deformado a observava. Seus membros retorcidos maiores que um adulto e seus dentes que pareciam sempre estar em uma zombaria sinistra trouxeram a Ana onda de mem¨®rias felizes, mas dolorosas, de sua primeira luta neste novo mundo. Ele estava parado, como uma est¨¢tua, os olhos, ambos afundados em uma m¨¢scara de pelos desgrenhados, cravados nos dela. O lobo n?o parecia disposto a fugir, e a mulher arrastava a espada lentamente, deixando a mente livre de pensamentos. Ela estava a poucos metros quando parou abruptamente, ouvindo um som rouco e distorcido emergir do fundo da garganta da besta. ¡ª A¡­ na¡­
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Capítulo 112 - Entre Tons de Vermelho
L¨²cia estava agachada no ch?o, concentrada na tarefa ingrata de esfolar uma das bestas que tinham ca?ado naquele dia. As criaturas eram monstruosas, e como sempre, pareciam ter sido criadas a partir dos pesadelos de algu¨¦m. Tinham peles ¨¢speras que brilhavam com um tom acinzentado sob a luz do dia, e suas placas ¨®sseas protuberantes se destacavam como armaduras naturais. Os olhos das criaturas eram um espet¨¢culo ¨¤ parte ¨C grandes, opacos e vazios, como se a vida tivesse sido sugada deles mesmo antes da morte. Os dentes, longos e serrilhados, ficavam expostos mesmo com as bocas fechadas, enquanto as garras, afiadas como laminas de obsidiana, eram retiradas tanto como trof¨¦us como para uso futuro em confec??o de armas. Ela deslizava a faca com precis?o ao longo do ventre da criatura, abrindo caminho entre blocos grossos. Um odor acre e nauseante se espalhou pelo ar, vindo das feridas abertas, uma mistura de sangue coagulado e carne em decomposi??o, mas L¨²cia n?o fez uma careta sequer. Suas m?os estavam firmes, os movimentos cuidadosos para n?o estragar o que precisava. Ao seu lado, uma pilha crescente de peda?os se acumulava. Apesar do trabalho sujo, ela mantinha-se quase impecavelmente limpa, como se o sangue e as entranhas n?o ousassem toc¨¢-la. Arthur estava ao lado dela, lutando para manter o ritmo. Seu rosto estava suado e sujo, coberto de v¨ªsceras, parecendo uma bagun?a em compara??o com a garota. Ele arrancou um peda?o de carne da criatura em um corte mal feito, sujando ainda mais as roupas j¨¢ empapadas de sangue, e fez uma pausa ao ver a express?o de frustra??o no rosto de sua companheira. ¡ª N?o foi exatamente isso que imaginei quando disse que n?o queria mais ficar o tempo todo na guilda ¡ª L¨²cia resmungou, empurrando a faca um pouco mais fundo na carca?a para retirar uma parte da espinha do monstro. Arthur riu, uma risada leve que parecia destoar da atmosfera tensa do acampamento. Ele parecia estar se divertindo, e limpou o suor da testa antes de respond¨º-la, a??o que inevitavelmente deixou um rastro de l¨ªquido viscoso nas beiradas de seu cabelo. ¡ª O que esperava? N?o ¨¦ tudo sobre lutar bem. Eles ligam muito para senioridade ¡ª ele deu de ombros, sua voz carregada de um humor suave. ¡ª Principalmente depois da briga que voc¨º teve com a Jasmim, quatro meses como assistente ¨¦ um castigo pequeno para a forma que falou com a l¨ªder. L¨²cia bufou, revirando os olhos ao lembrar do confronto que teve logo ap¨®s retornar da batalha. A faca em sua m?o parou por um momento antes de voltar a se mover com mais for?a. ¡ª N?o vou deixar ela continuar dando ordens rid¨ªculas ¡ª disse ela em um tom carregado de irrita??o. ¡ª E n?o vou mais participar de massacres sem sentido. ¡ª Voc¨º realmente n?o tem medo de um ataque dos corrompidos? ¡ª Voc¨º ¨¦ idiota ou o qu¨º? Um ataque de pessoas que vivem em vilas? Que nem mesmo podem usar manifesta??es? O jovem ficou em sil¨ºncio por um momento, sem saber como responder. Ele abriu a boca, fechou-a novamente, e depois tentou mais uma vez. ¡ª A-alguns s?o mais perigosos que isso ¡ª gaguejou, desviando o olhar. ¡ª Nem todos s?o t?o fracos¡­ al¨¦m disso, seu lobo¡­ L¨²cia apenas balan?ou a cabe?a, cortando outra parte da carca?a com precis?o cir¨²rgica. ¡ª N?o quero mais falar sobre isso. Vou lutar quando achar que preciso lutar, e fim de papo. ¡ª T¨¢ bom ¡ª Arthur respondeu, resignado. Ele sabia que quando L¨²cia tomava uma decis?o, n?o adiantava insistir. Nesse momento, o som de passos pesados foi ouvido. Os jovens ergueram o olhar e viram um ca?ador de rank C vindo em dire??o a eles. Era um homem robusto, com cicatrizes cobrindo seus bra?os musculosos e um olhar arrogante que lhe dava um ar de superioridade, arrastando consigo mais alguns corpos das bestas. Ele tinha um sorriso debochado nos l¨¢bios, o tipo de sorriso que L¨²cia aprendeu a detestar nos membros mais veteranos da guilda.This tale has been unlawfully obtained from Royal Road. If you discover it on Amazon, kindly report it. Os monstros ca¨ªram com um baque surdo, levantando uma pequena nuvem de poeira e espalhando um cheiro ainda mais f¨¦tido. A menina o encarou com uma express?o irritada, mas ele apenas gargalhou. Sabia que a estranha menina tinha um temperamento forte e parecia se divertir provocando-a. ¡ª Os novatos est?o ficando muito ousados ultimamente ¡ª disse o homem, a voz carregada de sarcasmo. Ele lan?ou um olhar r¨¢pido para Arthur, que imediatamente se endireitou e levou a m?o ¨¤ testa em uma sauda??o desajeitada. ¡ª Limpem esses tamb¨¦m. N?o adianta s¨® ficar a¨ª encarando. O garoto manteve a posi??o at¨¦ o ca?ador desaparecer entre as tendas, antes de voltar a se sentar, apenas para notar dois olhos faiscando de raiva ao seu lado. ¡ª Covarde. Arthur colocou a cabe?a entre os joelhos, cabisbaixo de vergonha. ¡ª N?o tem o que fazer¡­ nem todo mundo ¨¦ talentoso como voc¨º, eu preciso ser assim se quero crescer por aqui... L¨²cia soltou um suspiro, mas sua raiva suavizou ligeiramente ao ver a express?o abatida do garoto. Ela sabia que ele estava certo, de certa forma. N?o era s¨® sobre coragem ou falta dela; era sobre posi??o, experi¨ºncia, e, sim, uma dose de talento. Mas n?o ia admitir isso t?o facilmente. Em vez disso, ela voltou ao trabalho, fincando a faca na carne dura do monstro, fazendo esfor?o para separar os ossos do bra?o. ¡ª N?o ¨¦ assim. S¨® tive mais oportunidades de aprender do que voc¨º. N?o ¨¦ quest?o de talento. Enquanto ela falava, algumas gotas de sangue espirraram em seu rosto, manchando sua bochecha p¨¢lida com um vermelho vivo, coisa que ela n?o pareceu notar ou se importar. Arthur a observou por um momento, uma mistura de sentimentos fervilhando dentro dele. Admira??o, desconforto... e algo mais, algo que ele n?o conseguia nomear. Ver L¨²cia t?o focada e determinada mexia com ele de um jeito estranho. Um desejo de proteg¨º-la, de entend¨º-la. Em um gesto impulsivo, talvez para afastar aquela sensa??o estranha, ele se aproximou, sua m?o se movendo antes que pudesse pensar. Com o polegar, tentou limpar sua bochecha, mas ao inv¨¦s de remover acabou deixando um pequeno rastro, quase como uma pincelada de tinta vermelha manchando sua pele. O toque inesperado foi suave, e L¨²cia congelou por um instante. Ela n?o estava preparada para isso, para a proximidade repentina. Com a m?o ainda na bochecha dela, os olhos dos dois se encontraram. Por um momento, o mundo pareceu parar. Os sons do acampamento se tornaram um murm¨²rio distante, e a ¨²nica coisa que existia eram aqueles olhares profundos e intensos. Os olhos da menina se arregalaram ligeiramente, e ela piscou, como se tentasse entender o que estava acontecendo. Era um sentimento novo, estranho, que ela n?o sabia como lidar. Arthur, por sua vez, parecia igualmente perdido, com a vermelhid?o crescendo desde seu pesco?o. Ambos viraram o rosto de uma vez, como se o contato tivesse os queimado. O rubor espalhou-se rapidamente pelas bochechas de L¨²cia, e ela n?o conseguiu evitar morder o l¨¢bio inferior. Arthur deu um passo para tr¨¢s, os olhos arregalados, trope?ando em uma carca?a. Ele caiu de costas no ch?o, se sujando ainda mais no sangue e nas entranhas espalhadas, e seu dedo ainda pairava no ar, perdido, como se n?o soubesse onde pousar depois daquele momento. L¨²cia bateu as m?os nas pernas, tentando se recompor. O rubor ainda estava presente, mas agora misturado com uma express?o de surpresa e, talvez, um pouco de divers?o, fazendo-a se segurar para n?o rir. Ela estendeu a m?o, tentando n?o demonstrar sua timidez, mas seu toque foi hesitante, com os dedos tremendo levemente quando se encontraram com os dele. ¡ª Vamos, levanta ¡ª disse ela baixinho, evitando olhar diretamente para o escudeiro enquanto o ajudava a ficar de p¨¦. ¡ª Temos que terminar isso logo¡­ Arthur aceitou a ajuda, os dedos dele fechando em torno dos dela com uma firmeza inesperada, apesar da hesita??o inicial. O par ficou ali por um instante, um ao lado do outro, como piment?es ligeiramente desconfort¨¢veis. Em meio ao sangue, ¨¤s carca?as e ao trabalho sujo, havia uma pequena bolha de um sil¨ºncio confort¨¢vel, um que n?o precisava de palavras, apenas da presen?a um do outro.
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Capítulo 113 - Memento Lupino
¡ª A¡­ na. O lobo finalmente come?ou a se mover, cada passo um arrastar lento e ponderado. Seus olhos n?o deixavam os da guerreira, e a mand¨ªbula tremia enquanto repetia seu nome em um esfor?o inquietante. ¡ª An¡­ Anaa¡­ A mercen¨¢ria observou enquanto a criatura mantinha firmemente presa em suas garras um pequeno animal, lembrando um urso em miniatura. Parecia inerte, arrastado pela terra, com os pelos sujos e desfigurados. O lobo, apesar de sua forma grotesca e disforme, mostrava uma intelig¨ºncia estranha em seus movimentos. Cada fibra do corpo de Ana estava preparada para o combate, mas algo em sua curiosidade a fez parar. Em vez de atacar, ela deixou a lamina cair, a deixando repousar ao lado enquanto lentamente vestia suas luvas de ferro. Os dedos revestidos de metal fecharam-se e abriram-se algumas vezes, preparando-se para qualquer a??o necess¨¢ria. A criatura avan?ou at¨¦ estar a poucos passos de distancia. Suas garras seguravam firmemente o cad¨¢ver, e ele permaneceu parado, encarando-a com uma mistura de expectativa e ansiedade. Quando a mulher n?o reagiu, o lobo baixou a cabe?a e mordeu com for?a a perna do animal, arrancando-a com um movimento brutal. A carne foi ent?o levada at¨¦ Ana, batendo em seu peito em um gesto estranho e ritual¨ªstico. ¡ª Pre¡­ sen¡­ te¡­ ¡ª a palavra saiu de sua garganta, arrastada e engasgada, uma mistura de fala e rugido, enquanto a saliva escorria pelos cantos de seus l¨¢bios. Ana estreitou os olhos, estudando a oferenda. Em seguida, um sorriso surgiu em seus l¨¢bios, um sorriso estranhamente caloroso. Pegou a carne estendida e, sem hesitar, a mordeu, rasgando um grande peda?o com seus dentes. O sangue escorreu por sua gartganta, e ela mastigou lentamente, como se estivesse degustando um vinho fino. ¡ª Nada mal ¡ª murmurou entre mastigadas, seus olhos brilhando com uma fa¨ªsca de aprova??o enquanto ela dava outra mordida. O lobo soltou um som gutural que parecia quase um riso. N?o o riso sinistro e amea?ador que Ana estava acostumada a ouvir de tais criaturas, mas um som genu¨ªno, carregado de uma estranha alegria. Sua postura se modificou, os m¨²sculos tensos relaxaram, e ele balan?ou, para os lados, quase como em uma dan?a. Havia uma inesperada vivacidade em seus olhos, tornando o ser horripilante quase fofo. ¡ª Se¡­ guir. Ele se virou, caminhando para dentro da floresta, parando de vez em quando para olhar por cima do ombro, como se a encorajasse a ir na mesma dire??o. A rainha observou-o por um instante, as engrenagens em sua mente girando. Pegou outro peda?o da carne e o comeu com calma, ponderando suas op??es. Ela lan?ou um olhar para Miguel, que ainda estava ¨¤ distancia, e percebeu que seus olhos por tr¨¢s da m¨¢scara sorridente estavam quase implorando silenciosamente para que ela n?o fosse atr¨¢s do animal. ¡ª Sempre t?o previs¨ªvel... ¡ª murmurou para si mesma, um sorriso lento e cruel se formando em seus l¨¢bios. Jogando o restante da carne no ch?o, Ana estalou as juntas dos dedos, como se estivesse se aquecendo para uma nova empreitada. E ent?o come?ou a correr atr¨¢s do lobo. Ele a esperou por um segundo, observando sua aproxima??o com os olhos reluzindo de satisfa??o, antes de disparar pela mata, suas patas se movendo silenciosas e r¨¢pidas entre as ¨¢rvores retorcidas. Os minutos de corrida se estenderam, com apenas o som de folhas esmagadas chegando aos ouvidos da duplas, mas logo outros monstros come?aram a se juntar ¨¤ corrida, seus uivos preenchendo o ar com uma cacofonia que vinha de todas as dire??es, um chamado que parecia vir de uma grande alcateia. Finalmente, chegaram a uma estranha caverna. Sua entrada era enorme e o vento assobiava ao atingir suas bordas, trazendo um intrigante mist¨¦rio para a constru??o natural. A criatura que a guiara se afastou para um canto da abertura, observando-a. Ana tamb¨¦m parou, e verificando os arredores percebeu o c¨ªrculo crescente de lobos que come?ava a formar-se ao seu redor. Alguns exibiam um olhar de pura curiosidade, outros de hostilidade e, ¨¦ claro, havia os que a observavam com olhos famintos. Ela n?o se sentiu amea?ada, apenas abaixou-se e come?ou a brincar com um galho no ch?o, entediada com toda a situa??o. Enfrentar todos eles parecia dif¨ªcil, mas n?o conseguia mais v¨º-los como um perigo real. Se fosse para morrer nas m?os de um inimigo que ela mesma havia derrotado h¨¢ anos, seria um destino justo por sua incompet¨ºncia. Mesmo assim, seus sentidos estavam em alerta total; ela tinha certeza que seria atacada a qualquer momento. Seus olhos, embora aparentassem calma, eram os de um predador, n?o de uma presa. Como esperado, foi aenas uma quest?o de segundos. Uma criatura maior que as outras e com saliva escorrendo dos dentes afiados, finalmente deixou de resistir ao instinto, lan?ando-se em sua dire??o com um salto hesitante, mas atrevido. Ana n?o se preocupou. Lembrava-se claramente dos padr?es de ataque dessas criaturas. Enquanto ele ca¨ªa em dire??o ao solo, infundiu um fio de mana em seu equipamento, uma medida para proteger a integridade da arma ao endere?ar o metal ao m¨¢ximo. The narrative has been stolen; if detected on Amazon, report the infringement. O lobo tentou se estabilizar ao notar a estranha postura, mas n?o teve tempo, pois rapidamente ela saltou, levando o joelho diretamente ao encontro de sua mand¨ªbula. A for?a do impacto foi devastadora, o som dos ossos se partindo ecoou pela clareira, uma nota final em uma melodia de viol¨ºncia. O monstro foi arremessado para tr¨¢s, seu focinho deformado, afundado em seu pr¨®prio rosto. Ele caiu no ch?o com um gemido angustiado, ainda vivo, mas evidentemente ferido e humilhado. Arrastou-se para longe com um estranho lamento, sangue escorria da boca aberta em um grito silencioso. As outras bestas ficaram ainda mais indecisas, sem conseguir reagir ¨¤ for?a e ¨¤ velocidade da visitante, mas as mais corajosas j¨¢ haviam come?ado a se movimentar. Quando outro lobo finalmente saltou, Ana se preparou para contra-atacar, replicando seu ¨²ltimo golpe, mas sua aten??o foi desviada por um vulto enorme que saiu da caverna. "R¨¢pido!", pensou a mulher, maravilhada com a incr¨ªvel velocidade enquanto mudava sua posi??o, pronta para desviar. No entanto, o vulto n?o a atacou. Ele agarrou o lobo cinzento pelo pesco?o no ar e, com um estalo seco, quebrou-lhe a espinha, jogando o corpo ao ch?o como se fosse um brinquedo quebrado. O sangue escorreu pelas presas da criatura, contrastando com o verde da vegeta??o, enquanto pousava ¨¤ frente de Ana, revelando-se. Seu olhar era feroz, selvagem ao extremo, e seu pelo negro como carv?o era entrecortado por cicatrizes que percorriam todo o corpo. Sua mand¨ªbula era uma fus?o entre carne e metal, reluzindo como se contivesse estrelas presas em sua composi??o. ¡ª Muito maior do que me lembrava ¡ª murmurou Ana, vendo a criatura que tinha quase o dobro do tamanho de um cavalo de guerra, uma figura colossal e imponente. De canto de olho, reparou tamb¨¦m que a criatura mancava devido a uma aus¨ºncia significativa; sua perna dianteira direita estava mutilada, quase inexistente apesar de n?o tornar seus movimentos menos firmes, j¨¢ que cada passo continuava ecoando com autoridade. Os outros lobos se abaixaram ou recuaram, temendo o lobo negro. Ele grunhiu em aprova??o, e logo encarou Ana. Parecia estar medindo a mulher mascarada a sua frente, cada m¨²sculo em seu corpo pronto para atacar, e por um momento pareceu que ele a devoraria ali mesmo. A mercen¨¢ria n?o recuou. Ao inv¨¦s disso, estendeu as m?os de forma admirada em dire??o ao focinho da fera, seus dedos se movendo com uma delicadeza inesperada. O grande animal estremeceu sob o toque, e em seguida farejou levemente a humana, antes de, p?r fim, abaixar-se um pouco e enterrar o rosto em seu ombro, como uma crian?a buscando o conforto da m?e. ¡ª Voc¨º passou por muita coisa, hein? ¡ª sussurrou Ana, a voz suave, mas carregada de respeito. Ela olhou ao redor para os outros lobos, que agora assistiam em sil¨ºncio. Havia uma compreens?o silenciosa entre ela e a matilha. ¡ª Mas parece que est¨¢ se saindo bem. Ap¨®s uma volta do ponteiro m¨¦dio do rel¨®gio, o soltou de seu abra?o, e o lobo hesitou por um momento, como se n?o quisesse se afastar. A rainha sorriu com o comportamento e deu um ¨²ltimo tapinha em seu espesso pelo, deslizando a m?o at¨¦ a parte onde a perna fora decepada, imaginando a hist¨®ria por tr¨¢s das marcas cru¨¦is de uma batalha. ¡ª Voc¨º me lembra um velho amigo ¡ª disse, sua voz carregada de um misto de tristeza e nostalgia. O lobo deu um leve rosnado, um som que soou mais uma resposta do que uma amea?a. Ele se virou e voltou para a escurid?o da caverna, movendo-se com uma gra?a que contrastava com seu tamanho massivo. Entendendo o convite, ela o seguiu de perto, cada passo afundando no ch?o coberto por um tapete de musgo e ossos. O cheiro forte de sangue logo atingiu suas narinas, mas n?o a incomodava. O lobo se acomodou em um local onde um fino fio de luz atravessava uma rachadura na rocha, iluminando parte de sua figura. Mesmo deitado, ele era gigantesco, fazendo-a ter que olhar para cima para poder enxergar sua face. Ana encontrou um canto livre de restos e se sentou de pernas cruzadas, observando-o com curiosidade. O local estava silencioso, exceto pelo som ocasional de gotas d''¨¢gua caindo das estalactites. ¡ª E ent?o, lobo, voc¨º tamb¨¦m fala, certo? Quem come?a? A criatura ergueu a cabe?a, seus olhos selvagens fixando-se nos de Ana. Quando finalmente respondeu, sua voz era um som gutural, profundo e ressoante, como se viesse das profundezas da terra. ¡ª N?o sou apenas um lobo. Meu nome ¨¦ Fenrir. A mercen¨¢ria arqueou uma sobrancelha, o calor em seu olhar desaparecendo, substitu¨ªdo por um gelo cortante. Ela cruzou os bra?os, inclinando a cabe?a para o lado como se estivesse examinando um inseto. ¡ª J¨¢ ¨¦ dif¨ªcil aceitar voc¨º falando. N?o vou aceitar um nome clich¨º. A resposta direta fez o lobo se encolher por um instante. Ap¨®s uma considera??o interna, tentou novamente, com o tom de amea?a retornando a sua voz. ¡ª Ent?o¡­ sou Skoll! Ana n?o se deu ao trabalho de responder. Seu olhar perfurou o lobo, e ela tamborilou os dedos no ch?o com impaci¨ºncia, fazendo-o sentir uma pontada de medo crescer dentro de si. ¡ª Lupus? ¡ª sugeriu o lobo, sua voz agora vacilando, incapaz de conter a inseguran?a. Ana revirou os olhos. ¡ª ¨¦ o nome de uma doen?a ¡ª respondeu ela, secamente. O animal ficou sem palavras, im¨®vel, sem saber como continuar. Ana suspirou profundamente, inclinando-se para tr¨¢s, apoiando-se nos cotovelos. ¡ª Eu mere?o... ¡ª murmurou para si mesma. ¡ª J¨¢ que insiste em algo sem criatividade, voc¨º ser¨¢ Garm, o maior dos caninos. A rea??o do lobo foi imediata. Seus olhos se iluminaram, e ele abanou a cauda com um entusiasmo quase infantil, claramente satisfeito com o nome. Ainda assim, uma d¨²vida o corro¨ªa, e ele n?o p?de deixar de perguntar. ¡ª Mas... n?o ¨¦ o mesmo que Fenrir? Ana deu de ombros, desinteressada. ¡ª Tanto faz¡­ Exausta pela intera??o, a rainha se jogou de costas no ch?o, encarando o teto da caverna. A ideia de ter um lobo falante ao seu lado, principalmente um que parecia, sabe-se l¨¢ como, conhecer sobre mitologia, era algo que exigiria muito mais do que sua j¨¢ escassa paci¨ºncia poderia lidar naquele momento.
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Capítulo 114 - Alcateia de Três
¡ª Ela estava ficando mais forte a cada dia ¡ª comentou Garm, rindo com sua profunda e ressonante voz, ecoando pelas paredes da caverna. ¡ª Os humanos falam dela o tempo todo. Dizem que ¨¦ um prod¨ªgio feroz. Ele hesitou, inclinando levemente a cabe?a, como se estivesse ponderando o que dizer a seguir. ¡ª Se voc¨º a visse agora, se orgulharia. Um pequeno sorriso tocou os l¨¢bios de Ana, e o lobo notou um lampejo de calor passando por seu olhar. Desde a primeira vez que viu a garota, com seu pequeno corpo tremendo enquanto enfrentava um coelho quase do seu tamanho, sabia que tinha algo especial, um potencial bruto que poderia ser lapidado em uma das mais raras j¨®ias. Ela era forte, determinada e aprendia r¨¢pido. Descobrir que L¨²cia estava se destacando, mesmo sem sua orienta??o direta, fazia o peito de Ana se encher de satisfa??o. Mas o sorriso rapidamente se desfez em uma express?o muito mais sombria. ¡ª Realmente fico feliz que ela est¨¢ se virando, mas¡­ ela ¨¦ idiota? ¡ª perguntou a mercen¨¢ria, o tom da voz endurecendo de repente. ¡ª Ela ainda estar ao lado de Jasmim, com tudo que aconteceu¡­ ¨¦ uma merda. J¨¢ devia ter fugido a muito tempo. Garm, que at¨¦ ent?o estava relaxado, levantou as orelhas, intrigado. ¡ª Eu sabia que tinha algo errado ¡ª disse por fim, com um tom baixo e grave. ¡ª O sorriso daquela mulher... n?o cheirava ¨¤ felicidade. ¡ª ¡°Eu sabia que tinha algo errado, bla bla bla¡± ¡ª repetiu Ana, balan?ando as m?os em um gesto de zombaria. ¡ª Ent?o simplesmente ¨¦ mais idiota ainda! Voc¨ºs dois n?o t¨ºm instintos de sobreviv¨ºncia b¨¢sicos? N?o sabem que devem evitar situa??es claramente perigosas? O lobo apenas ouviu em sil¨ºncio a torrente de reclama??es, sentindo-se injusti?ado. Seus olhos n?o conseguiam desgrudar do joelho de Ana, completamente vermelho pelo sangue seco, mas tinha medo demais para evidenciar tal hipocrisia. Al¨¦m disso, mesmo que de uma estranha maneira, entendia que as palavras raivosas eram frutos de um tipo de preocupa??o escondida. Ap¨®s soltar tudo o que precisava, a rainha finalmente parou e soltou um suspiro profundo, seus ombros relaxando ap¨®s a tens?o do momento.. ¡ª Bom, eu vou dar um jeito nisso assim que for poss¨ªvel. ¡ª Por que n?o buscamos ela agora? ¡ª Porque se est?o fingindo me procurar para manter a pequena idiota por l¨¢, devem estar usando ela de isca ¡ª respondeu, frustrada. ¡ª Se estou certa, cada passo dela vai estar sendo monitorado. O animal soltou um som fraco, quase um gemido, e abaixou a cabe?a sobre suas patas dianteiras. Ele parecia perturbado, n?o apenas pela situa??o, mas pelo fato de que j¨¢ fazia meses que ele n?o via L¨²cia. Era como se a aus¨ºncia dela o machucasse de maneiras que n?o sabia como expressar. Ana n?o p?de deixar de rir, sacudindo a cabe?a para a cena estranhamente c?mica. ¡ª Para de ser chor?o ¡ª provocou, apesar de sua voz estar mais suave do que rude. Garm olhou para ela com olhos grandes e brilhantes, seu orgulho ferido, mas sem conseguir segurar o lamento que escapava de sua garganta. ¡ª Mas... j¨¢ faz tanto tempo... ¡ª Ele soou mais como um filhote do que como o grande lobo que era. Ana deu um passo em sua dire??o, se agachando ao seu lado. Colocou uma m?o sobre seu corpo maci?o, os dedos afundando levemente no pelo grosso. Garm tentou manter sua postura firme, imponente, mas logo fechou os olhos com o toque gentil, deixando-se relaxar por um breve instante. ¡ª N¨®s dois sentimos falta dela ¡ª disse a mercen¨¢ria em uma voz quase sussurrada. ¡ª Mas voc¨º mesmo disse, L¨²cia ¨¦ forte. Ela vai se virar bem o suficiente. Ela ent?o se virou para a entrada da caverna, onde a luz do sol come?ava a iluminar o ch?o de pedra. ¡ª E voc¨º? ¡ª perguntou de repente, mudando de assunto e cruzando os bra?os de forma casual. ¡ª Quais s?o seus planos agora? O grande lobo inclinou a cabe?a para o lado, um pouco confuso com a pergunta. ¡ª Planos? Eu... n?o tenho planos. Vou voltar a seguir voc¨º, como sempre fiz. ¡ª Por algum motivo, sabia que voc¨º diria isso ¡ª Ana soltou uma risada baixa, quase divertida, e acenando a cabe?a de leve em negativa. ¡ª Mas pense um pouco mais. Voc¨º j¨¢ percebeu que, assim como eu me tornei uma rainha, voc¨º tamb¨¦m se tornou um rei? ¨¤ sua pr¨®pria maneira, claro. Garm a observou, com a confus?o em seu rosto lentamente dando lugar a uma compreens?o mais profunda. ¡ª Um rei...? ¡ª murmurou, hesitante. ¡ª Eu s¨®... fa?o o que sei fazer. Luto, ca?o, protejo quem est¨¢ ao meu lado. Nada al¨¦m disso. ¡ª E isso j¨¢ faz de voc¨º um l¨ªder muito melhor do que eu mesma. Voc¨º cuida da sua alcateia. ¨¦ exatamente isso que os reis fazem. ¡ª Ela estreitou os olhos e perguntou novamente, com mais seriedade desta vez. ¡ª Ent?o, me diga. O que voc¨º realmente quer fazer agora? As palavras de Ana pareciam ressoar dentro dele, como se estivesse ouvindo algo que sempre soubera, mas que nunca havia realmente reconhecido. Um rei? Ele nunca havia pensado nisso dessa forma¡­Stolen from its original source, this story is not meant to be on Amazon; report any sightings. ¡ª Alcateia¡­ n?o¡­ voc¨º e L¨²cia s?o minha alcateia. Os cinzentos s?o¡­ fracos. Inferiores. Alimento obediente. Vou continuar te seguindo. Foi a vez da rainha recuar em confus?o com as palavras estranhamente inocentes da criatura. Ela encarou Garm fixamente por um momento, tentando enxergar algo dentro de seus intensos olhos. Aos poucos, sua express?o ficava animada, e um sorriso t?o grande quanto o Sol brotou enquanto levantava o polegar em aprova??o ¡ª Sabia que voc¨º era incr¨ªvel! ¡ª disse ela, abra?ando-o de forma brincalhona. ¡ª Era o que eu esperava de algu¨¦m em quem confio. Apendeu t?o bem, lobo est¨²pido. Garm abanou a cauda, sem entender direito, mas satisfeito pelo elogio, apesar do leve desconforto ao encarar aquele perturbador sorriso. Logo voltou a uma express?o mais s¨¦ria quando Ana continuou a falar. ¡ª Bom, sendo assim, facilita tudo. Aqueles caras l¨¢ fora¡­ Eles realmente te obedecem? O lobo hesitou por um instante, seus olhos percorrendo o ch?o da caverna, como se estivesse revendo mentalmente as intera??es com sua alcateia. ¡ª Cada dia eu tenho mais controle sobre eles ¡ª respondeu, com a voz grave e confiante. ¡ª Eles me seguem, me ouvem, mas... ficam estranhos quando t¨ºm fome, inst¨¢veis. Pe?o desculpas pelo que aconteceu mais cedo. Ana ergueu a m?o em um gesto de desd¨¦m, como se quisesse afastar a preocupa??o dele. ¡ª N?o foi nada que eu n?o pudesse lidar. Na verdade, foi at¨¦ bom, estava me sentindo enferrujada ap¨®s tanto tempo sem bater em algu¨¦m ¡ª disse ela, o tom despreocupado. ¡ª O importante aqui ¨¦ que voc¨º tenha o comando. Vamos precisar de todos eles. Ela se levantou e esticou os bra?os acima da cabe?a, como se estivesse se preparando para algo. ¡ª Precisar? ¡ª Garm repetiu, levantando uma sobrancelha canina. ¡ª Sim, claro. Preciso de puxadores de carro?a! ¡ª Puxadores de carro?a? ¡ª Garm repetiu novamente, meio perplexo, como se a ideia de seus lobos sendo usados para algo t?o mundano n?o pudesse adentrar sua mente. Ana riu da confus?o no rosto do animal, mas deu de ombros. ¡ª Algu¨¦m precisa fazer o trabalho sujo. E al¨¦m disso, precisam ganhar o sustento, n?o ¨¦? ¡ª Ela piscou, explicando enquanto indicava para o lobo se levantar. ¡ª Se o que voc¨º diz for certo, n?o acho que v?o reclamar, desde que estejam bem alimentados. Garm soltou um grunhido baixo que parecia um meio-riso, e em seguida levantou-se, sacudindo o pelo grosso enquanto se aproximava de Ana. ¡ª Vamos, j¨¢ ¨¦ hora de retornarmos para casa. Com isso, ela come?ou a caminhar em dire??o ¨¤ sa¨ªda da caverna, o som de suas botas ecoando levemente nas paredes de pedra. O grande animal a seguiu de perto, suas poderosas patas deixando marcas profundas no solo. No entanto, conforme se aproximavam da entrada, ele acelerou o passo, e de repente, bloqueou o caminho. ¡ª O que ¨¦ isso agora? ¡ª Ana perguntou, uma sobrancelha arqueada enquanto erguia o olhar para o lobo gigante. Sem responder, Garm abaixou-se lentamente, seus olhos brilhando com uma determina??o silenciosa, indicando que a mulher subisse em suas costas. Ana piscou, surpresa pela a??o. Ela j¨¢ havia montado nele antes, mas por mais que dissesse n?o ser um rei, sentia que certo orgulho teria nascido no lobo ao se tornar um l¨ªder. Em um estranho lampejo de consci¨ºncia, evitou tocar no assunto, mas parece que suas preocupa??es eram infundadas. ¡ª Ah, ent?o ¨¦ isso... ¡ª murmurou, estendendo a m?o para afagar suavemente o focinho dele. ¡ª Te agrade?o, Garm. Com um salto ¨¢gil, subiu nas costas largas do lobo, sentindo os m¨²sculos poderosos se moverem debaixo de suas m?os. Ela se acomodou, apertando os joelhos contra os flancos dele e agarrando-se ao pelo grosso para se estabilizar. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, Garm uivou alto, um som que reverberou pelas montanhas e florestas como um trov?o, e quase imediatamente, uma cacofonia de uivos respondeu de todos os cantos. Ent?o disparou, correndo com uma velocidade impressionante, cada passo seu fazendo o ch?o tremer levemente. Ana, pega de surpresa pela intensidade da arrancada, teve que se segurar com mais for?a do que pensou inicialmente. Seus bra?os envolviam firmemente o pesco?o do animal, o corpo inclinado para frente para manter o equil¨ªbrio. O vento chicoteava o rosto dela enquanto eles se moviam como um borr?o pela floresta. Garm desviava das ¨¢rvores com uma habilidade quase sobrenatural, seus olhos calculando cada movimento. Quando o espa?o era apertado demais, ele simplesmente esbarrava nelas com seu corpo massivo, entortando os troncos com o impacto, sem perder o ritmo. No entanto, mesmo com toda essa for?a e destreza, Ana sentia solavancos ocasionais, uma pequena oscila??o na corrida que n?o passou despercebida. "Tenho que resolver isso assim que poss¨ªvel", pensou, o olhar concentrado no local onde a pata deveria estar. Em menos de cinco minutos, os dois j¨¢ estavam diante dos port?es quebrados da aldeia do povo verde. A cena que os aguardava foi, no m¨ªnimo, dram¨¢tica. Os alde?es, no meio de suas tarefas cotidianas, ficaram im¨®veis, boquiabertos, os olhos arregalados ao ver Ana montada em um lobo gigante. Murm¨²rios ansiosos come?aram a se espalhar pela multid?o, enquanto dedos apontavam, e as cabe?as se viravam para acompanhar cada movimento da dupla. Miguel foi o primeiro a se aproximar, lentamente, observando Ana com uma express?o de leve confus?o e surpresa. Seus olhos passaram do rosto dela para o lobo, e ele franziu a testa. ¡ª Tem algo que eu deva saber? ¡ª perguntou o secret¨¢rio mascarado, com uma pitada de ironia em sua voz, embora a hesita??o ainda fosse palp¨¢vel. Em um salto gracioso, a mercen¨¢ria aterrissou suavemente no ch?o. Ela deu um tapinha na lateral do lobo, como se estivesse agradecendo por uma jornada bem conduzida. ¡ª Este aqui ¨¦ Garm, um velho companheiro. Miguel esperou por um instante, antes de perceber que a explica??o era simplesmente isso, sem mais, nem menos. ¡ª Um velho companheiro... entendo ¡ª respondeu por fim, com uma leve risada incr¨¦dula. ¡ª E o que mais eu preciso saber sobre ele? ¡ª Ah, n?o muito. S¨® que n?o precisa inclu¨ª-lo nas reuni?es, mas ele tamb¨¦m vai ser um dos conselheiros daqui para frente ¡ª Ela lan?ou um olhar significativo para Garm, que parecia quase orgulhoso de sua nova designa??o. Miguel balan?ou a cabe?a, uma leve risada escapando de seus l¨¢bios enquanto cruzava os bra?os. ¡ª E posso saber que tipo de conselheiro? Parece que muitos cargos est?o sendo criados ultimamente¡­ ¡ª N?o ¨¦ ¨®bvio? ¡ª perguntou Ana, como se realmente n?o entendesse a d¨²vida. ¡ª Ele ser¨¢ o novo guardi?o dos port?es! Miguel piscou, processando a informa??o. Guardi?o dos port?es? Um lobo manco gigante como protetor da cidade? Ele imaginou a cena por um segundo e, surpreendentemente, a ideia n?o lhe pareceu t?o absurda quanto deveria.
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Capítulo 115 - Diplomático Desespero
Eva releu os pap¨¦is pela terceira vez, tentando encontrar algum detalhe que, at¨¦ agora, tivesse escapado. O ru¨ªdo abafado das ovelhas gigantes batendo os cascos contra o solo seco e rachado era o ¨²nico som no ambiente ¨¢rido. O calor escaldante fazia o suor escorrer por suas costas, enquanto ela se ajeitava sobre a sela improvisada. ¨¤ sua direita, um guerreiro com uma intimidadora m¨¢scara azul mantinha-se em sil¨ºncio, com os bra?os cruzados e o olhar fixo em sua dire??o. Havia algo no peso daquele olhar que a fazia estremecer, mesmo sem ele dizer uma ¨²nica palavra. ¡ª Isso vai dar merda ¡ª disse ele, sem desviar o olhar. ¡ª Voc¨º sabe que vai. A garota fechou os olhos por um momento, sentindo o est?mago revirar. Ele estava certo, claro. Sabia que aquilo era uma loucura. Mas seus dedos n?o largavam os pap¨¦is. Havia algo neles que ela precisava acreditar que resolveria tudo, como se neles estivesse a resposta que tanto procurava. Ela respirou fundo e ergueu o olhar para a dire??o da voz. ¡ª E o que quer que eu fa?a, Alex? ¡ª perguntou, com uma ponta de desespero na voz. ¡ª Deixar minha amiga morrer? Deixar Luiz morrer? Alex n?o respondeu de imediato. Sua postura continuou a mesma, impass¨ªvel. O sil¨ºncio era sufocante, mais pesado que o calor abrasador do deserto que cruzavam. Ele finalmente se inclinou levemente para tr¨¢s, batendo o calcanhar no flanco da ovelha, que bufou em resposta. A press?o invis¨ªvel que ele exercia sobre Eva era quase insuport¨¢vel, mas ela n?o podia fraquejar. N?o agora. Sua mente, no entanto, voltou ao momento em que tudo come?ou. Verath, o homem inseto, havia chegado ¨¤ cidade tr¨ºs dias atr¨¢s. Alto, esguio e com uma postura formal, mas quase rob¨®tica. Sua presen?a, ¨¤ primeira vista, n?o parecia amea?adora. Mas havia algo nele, algo perturbador, que incomodava Eva desde o in¨ªcio. A princ¨ªpio, a cidade o recebera de bra?os abertos, com entusiasmo genu¨ªno. Afinal, era o primeiro emiss¨¢rio que os tratava como um reino de verdade. Um marco. Um reconhecimento que todos esperavam. Mas essa alegria durou pouco. Muito pouco. Na sala de reuni?es, Verath abriu sua maleta de couro escuro com movimentos suaves, distribuindo relat¨®rios e pap¨¦is com uma precis?o quase cir¨²rgica. Cada documento que ele colocava sobre a mesa parecia transformar o clima, deixando as express?es mais sombrias. Suas palavras, ditas com uma calma inquietante, ainda ecoavam na mente de Eva como uma maldi??o, como se ele estivesse ali, repetindo-as incessantemente. "Sua Majestade, Niala, n?o ¨¦ irracional, nem injusta. Ela entende os equ¨ªvocos do passado, mas n?o aceita insultos impunes." Eva podia ver o olhar calculado de Verath enquanto ele falava, os olhos frios brilhando por tr¨¢s de seus ¨®culos redondos. "Sendo assim, h¨¢ uma oportunidade de reden??o. A escolha ¨¦ simples: ofere?am sua assist¨ºncia e construam uma alian?a. Ou ent?o..." Lembrar daquelas palavras fez sua pele arrepiar. Havia uma frieza nelas, algo cruelmente diplom¨¢tico. Verath n?o estava ali para negociar; ele estava ali para impor. A amea?a estava clara. Eles deveriam eliminar a cidade dos escamosos, ou enfrentariam a guerra. Eva fechou os olhos novamente, tentando afastar as imagens. Mas as palavras seguintes do homem esguio voltaram com for?a. "Poder de fogo? Ah, isso n?o ser¨¢ problema. Temos p¨®lvora o suficiente para mandar Carapicu¨ªba pelos ares." Ele riu enquanto falava, um riso seco e casual.Stolen content warning: this tale belongs on Royal Road. Report any occurrences elsewhere. "Um pequeno ''presente'' da era anterior reservado especificamente para tais situa??es." Alex descruzou os bra?os, encostando a cabe?a na fofa l? da ovelha, exausto. Por um momento, seus pensamentos vagaram, pensando em como era incr¨ªvel que aqueles animais medonhos e agressivos agora estavam t?o d¨®ceis, mas logo suspirou e balan?ou a cabe?a. ¡ª Ana vai detestar isso. Eva torceu o nariz ao ouvir aquilo em voz alta. Ela tinha plena consci¨ºncia de que Ana teria ignorado o pedido. Luiz estaria por conta pr¨®pria. A l¨ªder n?o teria hesitado em sacrificar algumas pe?as para evitar problemas cansativos. E Eva? N?o podia fazer isso, n?o conseguia. ¡ª Ela mandaria Verath e sua col?nia direto para o inferno ¡ª respondeu a ruiva, quase num sussurro, evitando evidenciar os demais pensamentos sombrios. ¡ª N?o seria um final feliz. O homem n?o disse nada por alguns segundos. Ele olhou para a estrada, o horizonte nebuloso com o calor do fim de tarde, e respirou fundo. ¡ª ¨¦. Mas ainda dev¨ªamos ter esperado a chefona voltar. ¡ª Eu n?o posso contar com a sorte, n?o posso simplesmente deix¨¢-los¡­ O sil¨ºncio voltou a cair entre eles, denso e desconfort¨¢vel. As ovelhas continuavam a marchar, com cada passo chiando um pouco ao passar por um trecho de cascalho solto. ¡ª A gente deve chegar em alguns minutos ¡ª disse a garota por fim, tentando voltar o foco para o seu objetivo. ¡ª Repassando mais uma vez: pelo que os mascarados disseram, os escamosos n?o s?o hostis. Ent?o... nada de criar brigas desnecess¨¢rias. Alex a olhou de esguelha, com uma express?o que ela conhecia muito bem. Ele estava irritado, frustrado. Ele n?o queria estar ali, e ela sabia disso. A miss?o era arriscada demais. Era praticamente suicida. ¡ª Eu vou achar a Lana, pedir para ela avisar o povo dela, e a gente foge de volta para a cidade o mais r¨¢pido poss¨ªvel. Isso tem que acontecer antes que a Ana volte... e, por Deus, sem que aquele maldito esquisito descubra o que estamos fazendo. ¡ª Voc¨º realmente acha que Lana vai te ouvir? ¡ª perguntou o pugilista, com uma pitada de d¨²vida na voz. ¡ª Quero dizer, eu conheci ela antes das muta??es, lembra? Ela j¨¢ era... meio intensa. Eva franziu a testa, lembrando-se da amiga antes de todo o caos. Sempre cheia de energia, decidida, e, por vezes, teimosa como uma porta. Aquela era uma das qualidades que ela mais admirava na amiga, mas, ao mesmo tempo, era o que tornava tudo mais complicado. Agora, com as muta??es e o tempo que passou distante, Lana poderia ser ainda mais imprevis¨ªvel. ¡ª T¨¢ me ouvindo? Intensa ¨¦ um jeito educado de dizer que ela nunca aceita uma ordem sem questionar, mesmo que isso coloque a vida dela em risco ¡ª completou Alex, com um tom sarc¨¢stico ao notar a falta de resposta da garota com m¨¢scara de raposa. ¡ª N?o estou dizendo que ela vai recusar... mas... voc¨º sabe. ¡ª Eu sei. Mas tenho que tentar. Se algu¨¦m pode convenc¨º-la, sou eu. Ela confia em mim ¡ª respondeu Eva, a voz soando firme, mas com uma sombra de d¨²vida escondida. ¡ª Bom, vamos ver¡­ mas sobre a segunda parte, acho que v?o matar Luiz de qualquer jeito ¡ª murmurou Alex, com o tom amargo de quem j¨¢ viu o pior do mundo. ¡ª N?o senti muita confian?a com aquele cara falando que libertaria os emiss¨¢rios. J¨¢ que vai fazer isso de qualquer forma, finja que ele j¨¢ est¨¢ morto, foda-se se Verath descobrir. Eva engoliu em seco e abaixou a cabe?a, novamente segurando os pap¨¦is com for?a enquanto sentia o peso das palavras acertando-na como uma pedra no est?mago. Talvez isso tudo fosse in¨²til. ¡ª Sinto muito por meter voc¨º nisso ¡ª sussurrou, sem encar¨¢-lo. Sua voz falhava um pouco, e suas m?os tr¨ºmulas evidenciando seu nervosismo. ¡ª Merda ¡ª resmungou o guerreiro, esticando o bra?o e bagun?ando o cabelo dela com um carinho bruto, mas afetuoso. ¡ª Esquece tudo que eu disse. Voc¨º ¨¦ fam¨ªlia. ¨¦ claro que eu ajudaria. Eva sorriu, meio de lado, tentando disfar?ar a mistura de al¨ªvio e culpa que sentia. Estava grata aos c¨¦us por n?o estar sozinha em sua insanidade, mesmo que seu companheiro fosse um pouco pragm¨¢tico de vez em quando.
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Capítulo 116 - A Cidade sem Port?es
N?o demorou para os muros de estacas afiadas que cercavam a cidade come?arem a tomar forma. Curiosamente, n?o havia port?es. A entrada era livre, como se os escamosos n?o temessem invasores, ou, talvez, acreditassem que quem ousasse entrar j¨¢ sabia o risco que corria. O par simplesmente passou direto, sem qualquer resist¨ºncia. Por um instante, Eva esperava que algu¨¦m os barrasse, que ao menos os questionasse sobre sua chegada, mas ningu¨¦m se deu ao trabalho. Os olhares que recebiam das poucas pessoas que estavam nas proximidades n?o carregavam hostilidade, apenas curiosidade casual. Era como se fossem visitantes inesperados, mas n?o indesejados. No entanto, notaram que os olhares demoravam-se mais nas grandes ovelhas, olhos famintos, quase como se estivessem avaliando a carne suculenta que carregavam. Eva notou uma mulher esfregando a boca com o dorso da m?o, e n?o p?de deixar de rir baixinho com o comportamento. ¡ª Acho que somos menos interessantes do que o jantar deles ¡ª murmurou Alex, o tom carregado de sarcasmo, quebrando o sil¨ºncio. A garota deu um leve aceno, mas n?o tirou os olhos do caminho ¨¤ frente. A cidade era muito maior do que ela imaginava. A r¨²stica muralha externa sugeria uma fortaleza improvisada, mas o que se revelava por dentro era um lugar organizado, muito diferente de uma aldeia b¨¢rbara como ela imaginava. As ruas de terra batida, pontuadas por pedras arredondadas, se estendiam diante deles, e tudo era surpreendentemente limpo. Simples, mas organizada, modesta, mas bem-cuidada. As casas de madeira e barro formavam fileiras que delineavam uma estrutura clara. Telhados de palha se estendiam sobre as constru??es, oferecendo sombra ¨¤s janelas abertas, por onde o ar quente circulava. Do alto de suas montarias, Eva e Alex continuaram avan?ando, absorvendo os detalhes ¨¤ sua volta. O cheiro de carne fresca invadiu seus sentidos, misturado ao leve odor de peixes que balan?avam nas varandas das casas, pendurados para secar com suas escamas brilhando ¨¤ luz do sol. Na verdade, logo perceberam que em todas as dire??es que olhavam havia algo sendo preparado, como se a preserva??o de alimentos fosse parte essencial do cotidiano. Lojas se amontoavam nas laterais opostas as casas, vendendo um pouco de tudo: itens gerais eram exibidos em bancas r¨²sticas, enquanto as armas de madeira e pedra encostadas nas paredes chamavam a aten??o. Lan?as longas, arcos, e at¨¦ mesmo clavas c?micas repousavam contra os edif¨ªcios como se fossem ferramentas do dia a dia. Pequenos escudos, broqueis de madeira e pequenos peda?os de metal, estavam ¨¤ venda, desgastados pelo uso, mas ainda funcionais. Algumas armaduras de couro, poucas e mal feitas, pendiam das fachadas das lojas, embora quase novas, revelando o pouco valor dado a elas em tal ambiente. Um grupo de homens e mulheres conversava animadamente mais adiante, gargalhando alto, enquanto as crian?as corriam descal?as pela rua, rindo e gritando, simulando uma ¨¦pica batalha com espadas improvisadas de madeira. Suas lutas eram vigorosas, e as quedas na poeira do ch?o eram seguidas por ainda mais risos, como se a dor fosse irrelevante. Uma delas, um garoto robusto, derrubou seu oponente com um golpe bem-dado no ombro, fazendo-o cair de joelhos na terra. Os adultos ao redor assistiram com express?es orgulhosas ao combate, parecendo despreocupados, relaxados e felizes. Ela trocou um olhar com o guerreiro ao seu lado, que observava a cena com aten??o, os olhos apertados por tr¨¢s da m¨¢scara azul. Eles estavam em territ¨®rio desconhecido, e a atmosfera, embora aparentemente descontra¨ªda, tinha um toque de algo feroz. Conforme avan?avam, Alex come?ou a observar com mais aten??o os habitantes escamosos que cruzavam seu caminho. Ele inclinou-se um pouco para frente na sela, tentando discretamente observar melhor seus intrigantes corpos ¡ª Interessante... ¡ª murmurou, mais para si do que para Eva. Os escamosos eram realmente fascinantes. Caudas longas e grossas balan?avam suavemente atr¨¢s de cada um deles, poderosas e musculosas, como se pudessem derrubar ¨¢rvores com um ¨²nico golpe. A pele deles exibia um padr?o intricado, como o de lagartos, com escamas que refletiam a luz de maneiras surpreendentes, alternando entre tons de verde, marrom e dourado. E, apesar dessas muta??es marcantes, ainda havia uma humanidade vis¨ªvel. Seus rostos, embora cobertos de escamas, mantinham belas fei??es humanas. Eram diferentes, mas n?o monstruosos. Praticamente todos que viam carregavam uma lan?a nas costas, algumas curtas, outras mais longas, com pontas afiadas de pedra ou metal rudimentar. Na verdade, n?o era raro ver alguns carregando mais de uma. E, ao cruzarem pelas ruas, os fragmentos de conversas que chegavam at¨¦ eles sempre envolviam discuss?es sobre ca?as, combates, ou como aperfei?oar seus equipamentos. Aquela era uma cidade onde a luta e a sobreviv¨ºncia n?o eram apenas uma necessidade, mas uma parte intr¨ªnseca de sua cultura emergente. Era um povo guerreiro, mas n?o havia nada sombrio ali. Era apenas... a vida. ¡ª Eles vivem bem ¡ª comentou Eva, apreciando a leveza de tudo, o equil¨ªbrio entre o perigo e a normalidade. Havia algo tranquilizador naquela simplicidade.Love what you''re reading? Discover and support the author on the platform they originally published on. ¡ª Mais do que eu imaginava ¡ª respondeu Alex com uma risada curta, mas n?o de esc¨¢rnio. Havia algo mais ali, uma admira??o genu¨ªna. ¡ª Sabe de uma coisa? Eu gosto disso, ¨¦ meu tipo de lugar. ¡ª Realmente, ¨¦ a sua cara. Foi ent?o que o homem balan?ou a cabe?a, soltando um suspiro pesado. Seu rosto, antes calmo, agora estava s¨¦rio, quase sombrio. ¡ª N¨®s n?o podemos explodir esse lugar. Eva olhou para ele, com l¨¢grimas voltando a brilhar no canto de seus olhos, apesar de se recusarem a sair. ¡ª Eu sei ¡ª respondeu ela, sua voz quase inaud¨ªvel. Eles continuaram caminhando montados em sil¨ºncio, permitindo que o ambiente descontra¨ªdo ao redor os envolvesse. Era dif¨ªcil conciliar a leveza daquele lugar com a miss?o cruel que carregavam. Ent?o, finalmente, avistaram uma casa um pouco maior que as outras. Embora ainda simples, havia algo de mais elaborado nela, com uma estrutura ligeiramente mais robusta e um pequeno enfeite de drag?o preso ¨¤ parede da frente. As escamas met¨¢licas da criatura m¨ªtica reluziam ¨¤ luz, como se fossem feitas para impressionar, ainda que de forma discreta. Um detalhe chamava a aten??o de quem o observava; suas asas foram quebradas bruscamente, fazendo com que parecesse apenas uma grande serpente. A garota ruiva deslizou lentamente para fora da ovelha, sentindo o peso dos pap¨¦is em sua bolsa, e caminhou at¨¦ a porta. Havia um frio inc?modo se instalando no fundo de seu est?mago. Ela olhou para Alex, que ainda estava montado, observando-a. Ele deu de ombros, com um gesto casual, como se dissesse: n?o temos escolha. Fa?a o que precisa ser feito. De frente para a entrada, pegou o pequeno enfeite que servia como aldrava. O metal estava quente ao toque, aquecido pelo calor forte. Respirando fundo, deu tr¨ºs batidas fortes, o som ecoou pela casa e pelo ar ao redor, reverberando pela estrutura de madeira. Ap¨®s alguns momentos de sil¨ºncio pesado, a porta rangeu lentamente ao se abrir. A mulher que apareceu era pequena e atarracada, provavelmente na casa dos 40 anos. Seu rosto irradiava uma do?ura quase reconfortante, com bochechas rosadas e olhos que brilhavam com uma gentileza sincera. Havia algo maternal em sua presen?a, algo que teria deixado qualquer um ¨¤ vontade... se n?o fosse pelos detalhes perturbadores. Seus dentes, embora pequenos, eram afiados como laminas, vis¨ªveis cada vez que ela sorria, o que gerava uma dissonancia estranha em seu rosto doce. O avental que usava, outrora branco, estava manchado de sangue de um vermelho intenso, espalhado de maneira descuidada. Parecia ter sa¨ªdo direto de um abatedouro. Ela piscou algumas vezes, parecendo confusa ao ver os dois mascarados parados em sua porta. Seus olhos passaram de Alex para Eva, sem reconhecer imediatamente quem eram. Mas quando seus olhos reca¨ªram sobre o arco pendurado nas costas da garota ruiva, sua express?o mudou completamente, como se um interruptor tivesse sido acionado. ¡ª Oh! ¡ª exclamou, surpresa e alegre ao mesmo tempo. Sem aviso, ela avan?ou e abra?ou Eva com for?a. ¡ª Minha pequena Eva! Voc¨º cresceu tanto! Eva congelou por um momento, surpresa pela s¨²bita intimidade. O abra?o era firme, caloroso, mas o cheiro do sangue no avental da mulher era imposs¨ªvel de ignorar. Com as m?os paradas ao lado do corpo, ela tentou devolver o gesto de maneira desajeitada. ¡ª Sim, faz... faz realmente um tempo. ¡ª Mas o que voc¨º est¨¢ fazendo aqui, minha querida? Esses tempos est?o t?o conturbados! ¡ª comentou a mulher, mantendo o abra?o, apertando-a cada vez mais. ¡ª Eu... vim fazer uma pequena visita para a Lana. Ela est¨¢ por aqui? A mulher se afastou um pouco ao ouvir a pergunta, e com um estalo finalmente percebeu o que havia feito. Seus olhos ca¨ªram sobre o avental ensanguentado e, ao notar que tinha sujado Eva, afastou-se ainda mais, levando as m?os ¨¤ boca em um gesto de surpresa. ¡ª Ai, ai! Perd?o, querida, que distra¨ªda eu sou! Esqueci completamente que estava preparando o almo?o. ¡ª ela riu com um pouco de nervosismo, enquanto esfregava as m?os contra ele como se isso fosse limp¨¢-las. ¡ª Ah, entre, entre! Lana est¨¢ no quarto. Vou cham¨¢-la para voc¨º. Ela vai adorar te ver! Eva assentiu, aliviada por ter um pouco de espa?o para respirar. Antes de virar-se para entrar na casa, a mulher lan?ou um olhar para Alex, que estava amarrando as r¨¦deas das ovelhas em uma estrutura pr¨®xima. ¡ª E voc¨º tamb¨¦m, rapaz¡­ tamb¨¦m faz tempo que n?o o vejo. Alex, certo? Alex se endireitou e deu um aceno curto, respondendo apenas com um leve sorriso por tr¨¢s da m¨¢scara. Ele n?o parecia surpreso com a familiaridade da mulher, mas tampouco parecia confort¨¢vel. ¡ª Isso mesmo. Ol¨¢! A gentil escamosa sorriu novamente, satisfeita por reconhecer os dois. Com um ¨²ltimo gesto, desapareceu pelo corredor da casa, deixando-os ¨¤ porta. O interior da casa era acolhedor. O ch?o de madeira era liso e sem muitas imperfei??es, e o cheiro de carne rec¨¦m-cozida dominava o ambiente. Pequenas janelas deixavam a luz do sol entrar, iluminando os m¨®veis r¨²sticos que decoravam a sala. Em cada canto, havia detalhes curiosos. Pequenos jarros de flores secas, figuras de animais talhadas em madeira, e mais enfeites como os do lado de fora espalhados pelas prateleiras e paredes, como se fossem um tema recorrente. O drag?o que tinham visto agora parecia menos solit¨¢rio, toda a casa estava cheia dessas figuras. Eva ficou parada no centro da sala, tentando organizar seus pensamentos enquanto Alex, por sua vez, estava casualmente encostado em uma parede, seus olhos em alerta, analisando cada canto. ¡ª Lugar estranho, n?o acha? ¡ª murmurou ele, quebrando o sil¨ºncio. Eva apenas deu um leve sorriso, mas seu cora??o estava acelerado. Antes que pudesse responder, passos firmes vieram da cozinha, parando ao lado da escada para o segundo andar. A mulher ent?o gritou de forma amea?adora, t?o alto que sua voz reverberou pela casa. ¡ª Lana! Temos visita! Sua voz, carregada de autoridade fria, contrastava bruscamente com o sorriso gentil que ela exibira momentos antes. Quando o grito cessou, o sorriso retornou aos seus l¨¢bios, e voltou a desaparecer no corredor.
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Capítulo 117 - Semi-Drag?es
Alguns minutos depois, um som s¨²bito e pesado foi ouvido, chamando a aten??o de Eva e Alex. Eles olharam para cima no exato momento em que Lana surgiu abruptamente, saltando diretamente de algum lugar acima com uma leveza surpreendente para algu¨¦m de sua estatura. Sua aterrissagem foi um impacto controlado, as pernas ligeiramente flexionadas, e com o rosto ainda s¨¦rio, Lana varreu a sala com os olhos, encarando os dois por um instante. Assim como sua m?e, demorou alguns segundos para reconhec¨º-los. Quando finalmente percebeu a situa??o, seus olhos brilharam e o sorriso se abriu de uma forma radiante. ¡ª Eva! ¡ª exclamou com uma alegria genu¨ªna em sua voz enquanto corria at¨¦ a garota.. Sem hesitar, envolveu-a em um abra?o apertado, erguendo-a do ch?o com facilidade surpreendente. Lana, com seus 17 anos, era um pouco mais alta que ela, cerca de 1,75 de altura. Sua pele escamosa e parda brilhava sob a luz suave da sala, e seus cabelos pretos, cortados curtos, davam-lhe um ar pr¨¢tico e destemido. Havia uma energia vibrante em seus gestos, e a confian?a jovial que ela transmitia era contagiante. Eva foi pega de surpresa pela for?a da jovem. A pele r¨ªgida da escamosa raspava em seus bra?os, causando leve desconforto, mas a arqueira ruiva soltou um leve suspiro quando, para seu al¨ªvio, n?o sentiu nenhuma avers?o pela apar¨ºncia mutada da amiga. Lana soltou uma risada alta e envolvente enquanto girava Eva no ar por um momento, antes de coloc¨¢-la de volta no ch?o com um ¨²ltimo aperto caloroso. ¡ª Achei que voc¨º nunca mais fosse visitar a pobre menina corrompida! ¡ª comentou, ainda sorrindo. ¡ª Voc¨º t¨¢ bem? ¡ª Estou sim ¡ª respondeu Eva, sorrindo pela anima??o que parecia renovar o ambiente. ¡ª E voc¨º? Parece que est¨¢ mais... energ¨¦tica do que nunca. ¡ª Igualzinha! T? bem demais! ¡ª com um gesto casual, pegou o arco que pendia nas costas da visitante, avaliando-o. ¡ª Os riquinhos da cidade e suas bizarrices¡­ espero que me deixe testar ele mais tarde. Ent?o, os olhos de Lana se voltaram para Alex, que estava quieto, observando a intera??o com um leve sorriso por tr¨¢s da m¨¢scara. Ela franziu o cenho, analisando-o por um momento. ¡ª E esse cara aqui? Ainda n?o se cansou de andar com esse tio? Alex suspirou, e deu um pequeno aceno para a garota. ¡ª Quanto mais velha, mais irritante? ¡ª N?o! Voc¨º que t¨¢ ficando mais chato! ¡ª respondeu a garota, tamb¨¦m dando um aceno. ¡ª ¨¦ bom saber que voc¨º t¨¢ bem, Lana. Quer¨ªamos ter vindo aqui a um bom tempo, mas tudo t¨¢ cada vez mais bagun?ado¡­ por sinal, gostei das escamas, combinam com voc¨º ¡ª disse ele, em um tom que misturava melancolia e descontra??o. Lana ergueu as sobrancelhas, surpresa com a brincadeira inesperada de Alex. Mas, sem perder tempo, deu um pequeno giro, exibindo suas nova camada de pele com um sorriso travesso. ¡ª N?o ¨¦ mesmo? ¡ª disse ela. ¡ª Essas escamas s?o a ¨²ltima moda por aqui, Alex. Voc¨º deveria experimentar! ¡ª Eu passo, por enquanto, mas vou pensar na ideia. A sala ficou leve com as risadas. A intera??o brincalhona aliviava a tens?o inicial e trazia um contraste divertido ¨¤quela reuni?o. Lana ent?o inclinou-se um pouco para frente, sua curiosidade despertada ao observar mais de perto as m¨¢scaras que os dois usavam. Ela cruzou os bra?os, com um toque de d¨²vida no olhar. ¡ª Ei... e essas m¨¢scaras? O que t¨¢ rolando? Voc¨ºs est?o numa miss?o secreta ou ¨¦ alguma moda nova? ¡ª ela riu alto, inclinando-se para tr¨¢s, colocando as m?os nos quadris, claramente interessada. A dupla trocou um olhar r¨¢pido ao ouvir a pergunta, com um entendimento m¨²tuo que j¨¢ era hora de seguir com o assunto. ¡ª Na verdade... ¡ª come?ou Eva, sua voz ficando mais s¨¦ria, embora ainda calma. ¡ª A gente n?o veio s¨® para uma visita. Somos parte da cidade das m¨¢scaras agora¡­ O sorriso de Lana vacilou por um momento, e seus olhos se arregalaram de surpresa. A excita??o usual dela deu lugar a uma express?o curiosa e cautelosa. ¡ª S¨¦rio? Ouvi uns boatos de que eles estavam se reerguendo, mas pensei que fosse s¨® papo... ¡ª a menina r¨¦ptil balan?ou a cabe?a, ainda assimilando a informa??o. ¡ª Mas, sabe de uma coisa? Fico feliz que voc¨º saiu de perto daqueles desgra?ados de Barueri.If you encounter this tale on Amazon, note that it''s taken without the author''s consent. Report it. ¡ª Os puros est?o causando problemas por aqui tamb¨¦m? ¡ª perguntou Alex, se aproximando com interesse. Lana fez uma careta ao ouvir o nome deles. ¡ª N?o chamaria de problemas ainda. A gente n?o trocou sangue com eles... por enquanto. Mas sempre tem um ou outro idiota que aparece falando sobre se render ou qualquer besteira dessas. ¡ª Entendo... ¡ª sussurrou Eva, pensativa, mas sabia que aquele n?o era o momento para aprofundar o assunto. ¡ª A gente tem muito o que conversar, mas estamos aqui por um motivo mais urgente. Seu pai ainda ¨¦ um dos generais que comandam a cidade, certo? Lana soltou uma gargalhada alta, sua energia retornando com for?a total depois da breve tens?o ao falar dos puros. ¡ª Claro que ele ¨¦! Voc¨º n?o viu o emblema do cl? logo na entrada? ¡ª disse, apontando para uma parede pr¨®xima, onde a imponente figura ¡°Semi-Drag?es¡± destacava-se em uma cor carmesim, quase pulsante, como se fosse imposs¨ªvel de ignorar. Eva assentiu, compreendendo o significado do s¨ªmbolo. Ela respirou fundo, entendendo a inconveni¨ºncia do que pediria. ¡ª Sei que foge do procedimento padr?o¡­ mas ser¨¢ que voc¨º consegue nos ajudar a marcar uma reuni?o com ele o mais r¨¢pido poss¨ªvel? Lana parou por um momento, o sorriso desaparecendo de seus l¨¢bios. Ela fez uma express?o complicada, cruzando os bra?os e franzindo o cenho. No entanto, antes que pudesse responder, seu nariz se ergueu levemente no ar, como se estivesse farejando algo. ¡ª Hmmm... voc¨ºs deram sorte. ¡ª disse ela, um sorriso lento voltando ao seu rosto. ¡ª N?o seria f¨¢cil encontrar ele, mas... Eva e Alex tinham olhares confusos, sem entender o ponto das palavras da garota. Lana, no entanto, parecia completamente ¨¤ vontade. ¡ª Sente esse cheiro? ¡ª ela perguntou casualmente, sem esperar uma resposta. ¡ª Cheiro de sangue. Eva franziu o cenho, enquanto Alex olhava ao redor, tentando identificar o que Lana estava falando. ¡ª Ele est¨¢ chegando. ¡ª Lana disse com uma confian?a brincalhona. ¡ª Em... tr¨ºs... dois... Antes que a garota pudesse terminar a contagem, a porta da frente se abriu com um estrondo surdo, como se o pr¨®prio ar tivesse sido expulso do ambiente. Uma figura gigantesca entrou na sala, preenchendo o espa?o com uma presen?a avassaladora. O homem que surgiu era uma verdadeira montanha de m¨²sculos, ultrapassando facilmente os dois metros de altura. Suas escamas escuras e amea?adoras pareciam mais s¨®lidas e espessas do que as de qualquer outro habitante da cidade, reluzindo ¨¤ luz suave que atravessava as janelas. Ele parecia feito de pedra viva, intranspon¨ªvel. Sua cauda, ao contr¨¢rio das outras que tinham visto at¨¦ o momento, n?o era lisa e ¨¢gil, mas cravejada com cristas e protuberancias que lembravam a de um crocodilo, aumentando ainda mais sua apar¨ºncia intimidadora. E seus olhos... Pupilas amarelas, cortadas como as de um grande r¨¦ptil, fixaram-se imediatamente nos visitantes mascarados. O olhar penetrante e predat¨®rio do homem os examinou com uma intensidade aterrorizante. ¡ª Droga, errei por um segundo! ¡ª exclamou Lana, rindo com sua pequena falha na contagem, enquanto corria para ele, jogando-se sem hesitar nos bra?os de seu pai. O gigante a levantou com uma facilidade surpreendente, segurando-a no ar como se fosse uma pena, seus m¨²sculos tensos mostrando o m¨ªnimo esfor?o. Ele manteve a filha suspensa por um momento, um raro sorriso surgindo em seu rosto marcado pelas batalhas. Depois, a colocou de volta no ch?o com uma gentileza inesperada para algu¨¦m t?o imponente. Sem dizer nada, apoiou sua enorme lan?a, adornada com runas que brilhavam fracamente em verde no canto da porta. Surpreendentemente, diferente das que viram at¨¦ o momento, era inteiramente feita de metal, e ecoou levemente quando tocou a parede. ¡ª O que mascarados est?o fazendo na minha casa? ¡ª Sua voz era grave, profunda, e pareceu vibrar por cada canto, ecoando com uma autoridade inquestion¨¢vel. A sala, que j¨¢ era pequena diante de sua presen?a, parecia encolher ainda mais. Lana, percebendo a tens?o que se instalava no ambiente, rapidamente se interp?s entre seu pai e os visitantes, mantendo o tom leve e animado que sempre carregava. ¡ª Pai, ¨¦ a Eva! Lembra dela? Ela veio falar com voc¨º. Parece que tem algo importante pra discutir. ¡ª seu sorriso era confiante, mas seu olhar pedia ao pai que confiasse nela. O escamoso manteve o olhar fixo nos dois por mais alguns segundos, seus olhos escaneando cada movimento deles. O sil¨ºncio se alongou, denso e sufocante, at¨¦ que ele finalmente quebrou o contato visual com um leve movimento da cabe?a, deixando escapar uma risada baixa, quase impercept¨ªvel. ¡ª Isso n?o parece coisa boa ¡ª murmurou, sua voz ainda carregada de desconfian?a. Eva exalou a respira??o que segurava, sentindo a tens?o pulsar em seus ombros, mas manteve a postura firme e o olhar decidido. ¡ª N?o ¨¦, general ¡ª respondeu com firmeza, sem hesitar. Suas palavras foram r¨¢pidas e diretas, o que pareceu agrad¨¢-lo. Ele a encarou por mais um instante antes de caminhar at¨¦ o centro da sala com passos pesados. Em um gesto repentino, se deixou cair no ch?o com um baque seco, sentando-se de maneira relaxada, cruzando as pernas. Apesar de sua posi??o mais casual, a press?o que emanava de seu corpo n?o baixou em nada. Nesse momento, a mulher de antes reapareceu em sil¨ºncio, quase sem ser notada. Ela carregava um grande pote cheio de carne, cozida, mas quase crua, com o cheiro forte se espalhando rapidamente pela sala. Com um gesto de carinho, ela se aproximou do marido, entregando-lhe recipiente e beijando sua bochecha. ¡ª Seja gentil, Leandro. ¨¦ a amiga da nossa pequena. Com mais um carinho na pele r¨ªgida, recuou discretamente para o lado da sala, puxando um pequeno banco para se sentar. O general pegou um peda?o de carne e o mordeu com um prazer quase animal, mastigando devagar. ¡ª Bom, podem falar ¡ª disse ele, com a boca ainda cheia.
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Capítulo 118 - Parceiros de luta
Alex, at¨¦ ent?o em sil¨ºncio, deu um passo ¨¤ frente. Seu rosto estava s¨¦rio, e escolheu cuidadosamente suas palavras antes de falar. ¡ª Talvez fosse melhor discutirmos isso em um lugar mais... privado ¡ª sugeriu em tom respeitoso. O r¨¦ptil soltou uma risada baixa e seca, divertindo-se com a sugest?o. Ele mastigou mais alguns peda?os da refei??o lentamente, como se estivesse ponderando a ideia. ¡ª Privacidade? N?o h¨¢ necessidade disso. Falem logo, jovens. O que a cidade em ru¨ªnas quer de mim? ¡°N?o h¨¢ espa?o para rodeios¡±, pensou a garota ruiva, tomando a frente da conversa e suspirando antes de come?ar a explica??o. ¡ª Estamos com problemas com Myrmeceum. Eles exigem que ajudemos em um ataque contra Carapicu¨ªba em troca de paz. Se recusarmos... ¡ª Eva hesitou, mas manteve o olhar firme no homem lagarto, que a encarava com seus olhos amarelados ¡ª Tamb¨¦m seremos arrastados para a guerra. O sil¨ºncio que seguiu suas palavras foi quebrado por uma risada estrondosa do general. O som reverberou pelas paredes, como um trov?o que ecoava pelo ambiente. Lana, ao fundo, soltou uma risadinha discreta, claramente se divertindo com a rea??o do pai. ¡ª O que aquele bando de covardes tem na cabe?a? ¡ª exclamou, acenando em descren?a, com o suco da carne escorrendo pelo canto da boca, o qual limpou de maneira casual com o antebra?o. ¡ª Que venham! E se os mascarados se juntarem a eles, que venham tamb¨¦m! O general balan?ou a cabe?a novamente, ainda rindo da situa??o. ¡ª Lagartos devoram insetos, n?o o contr¨¢rio ¡ª disse ele, desta vez mais calmo, antes de fazer uma pausa e olhar para a pr¨®pria m?o, que ainda segurava um peda?o generoso de sua refei??o. Ele franziu a testa, como se tivesse acabado de perceber algo, e ent?o o levou para o alto, balan?ando o peda?o de carne ensanguentada. ¡ª Mas n?o literalmente, claro! ¡ª brincou, rindo de si mesmo. ¡ª Eu prefiro carne bovina! Lana riu alto, apreciando o momento, enquanto Alex e Eva trocavam olhares incertos, sem saber se a brincadeira tinha uma segunda camada de verdade. O general mordeu a pe?a vermelha com for?a, como se estivesse provando seu ponto de forma dram¨¢tica. ¡ª Viu? Sem insetos por aqui ¡ª concluiu, satisfeito, enquanto limpava novamente a boca com o dorso da m?o. O clima, antes carregado de tens?o, agora parecia mais leve, embora a ferocidade do general estivesse sempre ¨¤ espreita, pronta para voltar ao menor sinal de desafio. ¡ª N?o ¨¦ t?o simples assim ¡ª interrompeu finalmente Alex, sua voz baixa e firme. ¡ª Eles planejam escavar t¨²neis sob a cidade, ench¨º-los de p¨®lvora e explodir partes estrat¨¦gicas de uma s¨® vez. A express?o de Leandro permaneceu desdenhosa, mas escureceu levemente. Seus m¨²sculos, sob as escamas grossas, se tensionaram quando ele ajustou sua postura, ficando mais ereto. ¡ª T¨²neis? Explos?es? ¡ª repetiu, estreitando os olhos. ¡ª E qual ¨¦ o objetivo de virem at¨¦ aqui para me falar isso? Eva desviou o olhar por um momento, reunindo coragem. Ela sabia que falar com algu¨¦m t?o intimidador seria dif¨ªcil, mas a sinceridade em sua voz transpareceu quando finalmente respondeu. ¡ª Eu¡­ eu s¨® n?o quero que tanta gente morra. Talvez voc¨ºs possam deixar a cidade por enquanto... ou talvez nos unirmos para pressionar Niala juntos¡­ O general suspirou profundamente, seus ombros largos relaxando um pouco. ¡ª Niala... ¡ª murmurou, o nome parecendo mais um lamento do que uma palavra. ¡ª Niala n?o ¨¦ irracional, nem injusta. ¡ª seu tom ficou mais zombeteiro, imitando o comportamento t¨ªpico de Verath, o esguio homem-inseto. ¡ª Que piada! N?o h¨¢ rivalidade real entre nossos povos. E repito: s?o s¨® um bando de covardes!Unauthorized usage: this tale is on Amazon without the author''s consent. Report any sightings. Sua esposa, ao fundo, balan?a a cabe?a com um sorriso, como se j¨¢ tivesse ouvido essa explica??o antes. ¡ª Meu povo gosta de lutar, ¨¦ verdade ¡ª continuou o general ¡ª Mas n?o criamos brigas por sangue. Fazemos isso por divers?o. ¡ª Ele fez uma pausa, e a frustra??o brilhou em seus olhos reptilianos. ¡ª Al¨¦m disso, estamos cansados de pedir que os insetos forjem armaduras r¨²nicas para n¨®s. Eles sempre se recusam. Quem sabe por qu¨º? Eles t¨ºm algo contra n¨®s, mas nunca disseram o motivo. Com um gesto cansado, empurrou o pote de carne de lado e, com um movimento brusco, levantou-se. Ele olhou diretamente para a dupla mascarada, sua voz reverberando pela sala. ¡ª N?o quero gente de fora se metendo nisso, principalmente gente que n?o entende que est¨¢ sendo usada. Eles n?o t¨ºm culh?es para fazerem algo por conta pr¨®pria, fazer isso seria a desculpa perfeita para os puros iniciarem uma nova cruzada, por isso est?o tentando usar voc¨ºs. Mas vou mandar mensageiros para Myrmeceum. ¡ª o nome da col?nia saiu de sua boca com um desgosto evidente. ¡ª De uma forma ou de outra, vou resolver isso. Enquanto falava, esticou o corpo, ainda mais imponente ao se levantar por completo. Ele inclinou a cabe?a ligeiramente, em um gesto de respeito, olhando diretamente para Eva. ¡ª Enfim, obrigado por me avisar, crian?a. Voc¨º fez bem. Foi com tal agradecimento que, antes que qualquer um pudesse reagir, o general se moveu com uma rapidez inesperada, um flash de movimento impressionante para algu¨¦m de seu tamanho. Em um lampejo, lan?ou um soco poderoso de baixo para cima em dire??o a Alex. O ar ao redor parecia vibrar com a for?a do ataque, mas o pugilista reagiu instintivamente, cruzando os bra?os para bloquear o golpe. O impacto foi devastador. Um baque dolorido ecoou pela sala, for?ando-o a recuar alguns passos, seus bra?os latejando com a dor. No autom¨¢tico e sem perder o ritmo, Alex girou o corpo, desviando do impacto total de outro soco que vinha em dire??o a seu ombro e, com a precis?o de um predador, contra-atacou. Seu punho se moveu em um arco r¨¢pido, utilizando as t¨¦cnicas que dedicou os ¨²ltimos anos para aperfei?oar, que concentrava toda a for?a em um ¨²nico golpe. Ele mirou em um angulo inesperado e saltou, vindo de cima, como um relampago. O general tentou desviar, mas os dedos cerrados ainda atingiram de leve sua bochecha, o suficiente para deixar uma marca fina cravejada de rachaduras. Sangue escorreu lentamente pelo corte, tra?ando uma linha nas escamas do gigante. Sem parar o movimento evasivo, ele saltou, momento no qual sua cauda veio como um chicote, agarrando a perna direita de Alex e fazendo-o cair pesadamente no solo. Eva ficou paralisada, os olhos arregalados, incapaz de processar o que acabara de acontecer. O guerreiro de m¨¢scara azul, por outro lado, rolou para longe e levantou-se, voltando a posi??o de combate, seus bra?os ainda tremendo. ¡ª Mas que porra foi essa? ¡ª murmurou, incr¨¦dulo. Leandro, no entanto, soltou uma gargalhada profunda, seus olhos brilhando com uma anima??o selvagem. Ele passou a l¨ªngua fina sobre o corte, saboreando o gosto do pr¨®prio sangue. ¡ª Hah! Voc¨º ¨¦ bom! ¡ª exclamou, sua voz carregada de admira??o. ¡ª Excelente! Finalmente, os mascarados sa¨ªram das sombras. Vamos ser ¨®timos parceiros de luta depois que resolvermos as coisas com aqueles medrosos! O sorriso do general se ampliou, revelando seus dentes afiados. Ele parecia genuinamente revigorado pelo breve confronto, o prazer do desafio refletido em cada linha de seu rosto. ¡ª Parceiros¡­ de luta? ¡ª Mas ¨¦ claro! N?o acho que Niala far¨¢ nada, mas n?o vou continuar a brincar com o perigo. Voc¨ºs, por outro lado, at¨¦ me avisaram! Com quem mais eu trocaria socos sem pesar no cora??o? A dupla mascarada trocou um olhar r¨¢pido, suas mentes em uma estranha sincronia. ¡°Merda!¡± Eva passou a m?o pelo pesco?o, tentando organizar os pensamentos. ¡ª Bem... o resultado foi melhor do que uma chacina... eu acho ¡ª murmurou, incerta. Alex levantou as m?os, como se estivesse se livrando de qualquer culpa. ¡ª Quero deixar claro que avisei! ¡ª sussurrou para ela, soltando um suspiro resignado. ¡ª A Ana... vai ficar brava.
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Capítulo 119 - Caminho de Volta
A carro?a onde Ana estava deitada pregui?osamente, abarrotada de equipamentos de todo tipo, movia-se de forma irregular, acompanhando o passo torto da criatura de mana que a puxava. Cada solavanco, embora abrupto, tinha um ritmo peculiar que, de forma inesperada, a envolvia em um estado de relaxamento que n?o experimentava h¨¢ semanas. O movimento, quase hipn¨®tico, fazia seus olhos vagarem pelos arredores. O comboio seguia devagar pela floresta densa. Para os plant¨ªneos, seus companheiros vegetais, esse balan?o tamb¨¦m parecia longe de ser inc?modo. Eles se esticavam languidamente em posturas de falso cansa?o, suas express?es demonstrando uma tranquilidade que combinava com o ritmo da viagem. A jornada de volta, no entanto, estava se provando mais longa e exaustiva do que a ida ¨¤ aldeia. A cada poucas horas, o grupo era for?ado a parar, permitindo que os novos fazendeiros pudessem se conectar ao solo, reabastecendo seus nutrientes. Esse ritual se repetia, especialmente durante as noites, quando o Sol n?o se apresentava como fonte parcial de sustento e for?a. Al¨¦m disso, a mata ao redor constantemente os for?ava a abrir caminho, o que dificultava o avan?o. As pesadas ca?ambas de suprimentos avan?avam com dificuldade, esmagando a vegeta??o rasteira, e cada minuto parecia se estender. Ana, com um raro bocejo, se virou de lado, aninhando-se desconfortavelmente em meio ¨¤s ferramentas e ferragens que preenchiam a carro?a. Seus dedos pousaram em uma pequena est¨¢tua de raposa que estava a sua frente, esculpida com precis?o. Quem a visse distraidamente poderia confundir a escultura com uma criatura viva, se n?o fosse pelo fato de que a est¨¢tua n?o possu¨ªa uma ess¨ºncia. Ou melhor, parecia mais com uma criatura morta, visto estar desprovida de qualquer sopro de exist¨ºncia passando por seus pulm?es. ¡ª Mais uma tentativa... ¡ª murmurou, enquanto seus dedos deslizaram levemente sobre a superf¨ªcie fria da pedra. Com um suspiro de leve frustra??o, Ana infundiu um pequeno fio de mana no objeto inerte. Durante alguns segundos, manteve a constancia do fluxo com foco absoluto, at¨¦ que, como se exigindo seu lugar no mundo, a mana reversa come?ou a se manifestar-se, tingindo a pura energia anterior. A est¨¢tua come?ou a mudar. Primeiro, o nariz de pedra ficou mais escuro, como se tivesse sido banhado em sombra, seguido logo pelas orelhas, esc¨¢pulas e, finalmente, a cauda. O cinza apagado da pedra se transformou em um negro belo e intenso, e uma leve vibra??o percorreu cada m¨²sculo esculpido do corpo da pequena criatura. Foi ent?o que um leve estalo percorreu a superf¨ªcie da raposa, quase inaud¨ªvel, mas para a mercen¨¢ria, foi o suficiente. Parou imediatamente, sabendo o que viria a seguir. Seria o mesmo de sempre. Ela esfregou os dedos nas t¨ºmporas, sentindo a tens?o acumular-se. ¡ª A mesma coisa que com a mana comum¡­ A mem¨®ria das tentativas anteriores surgiu em sua mente com clareza. A primeira foi uma pequena crian?a, a qual esculpira com extremo cuidado. Naquele momento, havia se permitido sentir uma esperan?a real de conseguir dar vida ¨¤ pedra, repetindo de alguma forma o que ocorreu com os mascarados. Mas ao tentar colocar grande quantidade de mana de uma s¨® vez, percebeu imediatamente o erro. A est¨¢tua n?o suportou o poder, e em um piscar de olhos, explodiu em um p¨® espesso, engolfando-a em uma nuvem de fracasso. Depois, foi a vez de uma pequena ave, t?o delicadamente moldada que suas asas pareciam prestes a bater voo. Foi mais cautelosa, infundindo um pequeno fluxo de mana, com muito mais cuidado. No entanto, lentamente, rachaduras come?aram a aparecer nas extremidades, at¨¦ que se quebrou em peda?os, incapaz de suportar at¨¦ mesmo aquele fluxo controlado.The story has been illicitly taken; should you find it on Amazon, report the infringement. E agora, a raposa. O terceiro fracasso. Mana reversa ou mana comum, o resultado parecia invariavelmente o mesmo. Primeiro estalo, primeira rachadura. Com um suspiro mais profundo, seus olhos vagaram pela carro?a at¨¦ encontrarem Miguel, que conduzia o lobo. Ele estava ali, quieto, im¨®vel, com a m¨¢scara cobrindo o rosto que, por baixo, n?o trazia express?es vis¨ªveis. ¡°Como ele estava vivo?¡±, refletiu ela por longos segundos. N?o conseguia entender. O sentimento era excitante e perturbador ao mesmo tempo. ¡°Eu realmente fiz isso? Ou outra pessoa? Gabriel? Outra Sombra? Deus?¡± ¡ª Desisto¡­ por enquanto ¡ª sussurrou, afastando a raposa de lado e se acomodando novamente e fechando os olhos, entendendo que o segredo do que o mantinha vivo ainda estava fora de seu alcance. ¡ª Eventualmente, vou descobrir¡­ Em meio a seus pensamentos que flutuavam na n¨¦voa do sono, sentiu um familiar pux?o em sua mente. Abriu os olhos, confusa, s¨® para se deparar com os milhares de fragmentos que n?o via a tempos. ¡ª Reparei que voc¨º tem vindo pouco aqui ultimamente. ¡ª A voz sarc¨¢stica que Ana conhecia bem ecoou repentinamente, mas o que realmente chamou a aten??o foi um estranho som de impacto. Virando-se rapidamente, avistou Gabriel ca¨ªdo no ch?o, como se tivesse sido arremessado de um lugar distante. Ele caiu de costas, com seus bra?os e pernas se espalhando desajeitadamente no ch?o. Ana arqueou uma sobrancelha, mas antes que esbo?asse rea??o, o anjo simplesmente se levantou, ajeitando a roupa como se nada tivesse acontecido. Sem mencionar a queda, ele continuou a falar como se fosse a coisa mais natural do mundo. ¡ª Na verdade, nem lembro quando foi a ¨²ltima vez! ¡ª ele sacudiu um resto de poeira que restou em um dos ombros, mantendo o tom casual. ¡ª Sabe, eu realmente n?o estava afim de incomodar¡­ Ana franziu a testa, surpresa, mas decidiu apenas ouvir. Nada nunca era completamente normal no mundo fragmentado. Gabriel, em sua atitude despreocupada, olhou ao redor, gesticulando para o cen¨¢rio bizarro que agora preenchia o espa?o mental que os cercava. ¡ª S¨® que¡­ as coisas est?o ficando estranhas por aqui. Tal lugar estranho, que uma vez havia sido ca¨®tico, mas vazio, havia mudado drasticamente, possuindo agora uma atmosfera inebriante. Ra¨ªzes volumosas atravessavam os magn¨ªficos vitrais multicoloridos, como se uma ¨¢rvore invis¨ªvel estivesse costurando aquele espa?o com seus ramos. Flores de diferentes formas e tamanhos brotavam em todas as dire??es, perfumando o ar com um cheiro doce e inquietante, quase enjoativo. Exalava uma atmosfera de sonho, mas algo ao fundo gritava perigo. ¡ª Olha pra essa merda toda ¡ª Gabriel abaixou-se no ch?o e arrancou uma das flores que parecia crescer diretamente de um dos vitrais, com suas p¨¦talas grotescamente perfeitas. Ele a examinou brevemente como se fosse um inseto irritante antes de voltar a olhar para Ana, com o item sendo esmagado em meio a seus dedos. ¡ª Que porra t¨¢ acontecendo? ¡ª Bem¡­ ¡ª come?ou a mulher, levantando uma das m?os para mostrar as pr¨®prias p¨¦talas que se fundiram a seu corpo.. ¡ª Mudei algumas coi¡­ Antes que terminasse a frase. Gabriel tapou seus l¨¢bios com um dedo. ¡ª N?o, n?o, n?o. Foi uma pergunta ret¨®rica, eu vi um pouco de toda aquela bizarrice l¨¢ fora. Na verdade, at¨¦ que elas ficaram legais, de certa forma ¡ª Gabriel continuou, finalmente jogando a flor de lado. ¡ª Mas aquilo ali? Aquilo foi o motivo de eu ter feito um esfor?o extra pra te trazer durante o sono. N?o sei o que ¨¦, mas tem que ir embora. Ana sorriu pela interrup??o, e virou a cabe?a para o local onde o dedo angelical indicava. Era um canto onde algo parecia profundamente deslocado, com alguns gaveteiros ca¨ªdos, diferente de todo o resto deste mundo, onde esses simpl¨®rios objetos mantinham-se constantes, im¨®veis e selados. Ela logo entendeu que tratavam-se dos que j¨¢ foram liberados anteriormente, como se tivessem perdido seu prop¨®sito, ent?o ignorou-os, focando no real problema. No meio desse pequeno ponto de desordem, havia algo... ou algu¨¦m.
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Capítulo 120 - O Sorriso do Abismo
Uma figura humana. Ela estava simplesmente l¨¢, de p¨¦, im¨®vel. Ana estreitou os olhos, aproximando-se. A princ¨ªpio, a figura parecia vagamente familiar, e logo essa percep??o aprofundou-se ainda mais, pois, por mais que sua forma n?o mudasse, sua exist¨ºncia parecia flutuar entre diferentes pessoas. Por um instante, era Gabriel. Em outro momento, parecia Alex, depois Eva, at¨¦ mesmo Nyx. Centenas de pessoas, algumas j¨¢ esquecidas, algumas presentes em sua vida. Por fim, era ningu¨¦m. Todos eles e, ao mesmo tempo, nenhum deles. Como se refletissem peda?os remendados do que fazia ela ser ela. Se assemelhava a uma tela em branco, ou talvez um bloco de argila, sem forma definida. O corpo era completamente liso, sem qualquer detalhe vis¨ªvel. N?o havia olhos, nariz, boca, nem mesmo dedos ou detalhes nas m?os. Apenas uma massa sem adornos. Ela come?ou a circular em volta da figura, cada passo lento e calculado ecoando pelo ch?o fragmentado. Era como observar um enigma. N?o havia nada, nenhum tra?o de identidade. E ainda assim, ela sentia como se aquela presen?a vazia estivesse encarando diretamente sua alma. ¡°Definitivamente isso ¨¦ algu¨¦m, n?o algo¡±, pensou, examinando-a de todos os angulos. N?o havia vida, por¨¦m estava inegavelmente vivo. Gabriel observava, mas a medida que Ana se aproximava da figura, ele come?ou a sentir algo estranho. Um peso. Como se o ar ao redor dele estivesse ficando mais denso, mais opressor. Ele tentou rir, soltar uma de suas provoca??es habituais, mas sua garganta parecia apertada. Algo estava errado. O sorriso confiante em seu rosto come?ou a vacilar, e sem entender por qu¨º, ele deu um passo para tr¨¢s. ¡ª Que porra... ¡ª sussurrou o anjo, logo franzindo a testa por pensar que estava usando muito a palavra hoje, antes de voltar a encarar a estranha coisa. Gabriel nunca havia sentido isso antes. Ele se sentia sufocado, como se estivesse na presen?a de algo que transcendia o caos an¨¢rquico de sua mana reversa e a ordem da pureza suja vista na mana divina. Ana n?o notou o desconforto dele. Ela parou diante da figura, e sem pensar, sua m?o se levantou, tentando tocar a superf¨ªcie lisa e indefinida. Seria frio? Quente? R¨ªgida? Macia? Era imposs¨ªvel deduzir. O material parecia simples, mas, ao mesmo tempo, emanava uma complexidade que desafiava qualquer l¨®gica. Para sua surpresa, a figura tamb¨¦m estendeu a m?o, acompanhando seus movimentos com uma precis?o assustadoramente perfeita. Eles se moveram em perfeita sincronia. As palmas se tocaram. No momento em que o toque foi feito, o mundo ao redor de Ana pareceu girar, distorcendo-se. Ela n?o estava mais apenas olhando para a figura sem fei??es. Agora, ela olhava diretamente para si pr¨®pria. Um espelho perfeito. Seu reflexo a encarava. ¡°Isso realmente¡­ sou eu?¡± A d¨²vida invadiu sua mente enquanto fixava-se na outra Ana em sua frente. Os olhos que via eram profundos e vazios, como um vasto abismo sem fim, mas dentro desse lugar insond¨¢vel, havia algo familiar, como uma lembran?a long¨ªnqua. E ent?o, esse abismo sorriu. Quarenta dentes perfeitos surgiram na boca da figura, impecavelmente alinhados com uma precis?o imposs¨ªvel. O sorriso era largo, muito largo, e aterrorizantemente antinatural. Era um sorriso que parecia conhecer todos os seus segredos, todos os seus medos. Um sorriso que, de alguma forma, ela sempre soubera que existia, mas que nunca havia realmente visto. Instintivamente, Ana levou a m?o ¨¤ pr¨®pria boca, tocando seus l¨¢bios. Ela tamb¨¦m estava sorrindo. O sorriso se alargava de maneira t?o irreal quando o que observava. Seus dedos passaram pelos dentes, um de cada vez, e ent?o para seu horror e curiosidade, ela percebeu... quarenta dentes. Eles estavam ali. Perfeitos, afiados, alinhados, exatamente como os da figura diante dela. Foi ent?o que notou sua contraparte ficando mais opaca, algo t?o sutil quando os passos de uma formiga, mas que, naquele foco extremo, foi t?o percept¨ªvel quanto fogos de artif¨ªcio no c¨¦u noturno. Sua forma clara balan?ou por um breve momento, como se estivesse sendo drenada de dentro para fora. This novel''s true home is a different platform. Support the author by finding it there. E, ao mesmo tempo, ela sentiu uma leve, mas estranha falta de apego. ¡ª Liberdade? N?o sabia se sua defini??o estava correta. O mundo simplesmente parecia n?o importar mais. Nada parecia importar mais. Ela estava satisfeita. A ganancia, aquela chama constante que a consumia todo santo dia, que sempre a acompanhava a ess¨ºncia do que acreditava ser, recuava, lentamente, de uma maneira quase impercept¨ªvel, mas presente, deixando apenas o eco de um vazio profundo. Assustada com essa sensa??o de perda, Ana puxou a m?o rapidamente, rompendo o contato. A figura a imitou no mesmo instante, repetindo seus movimentos com uma precis?o aterradora. E, conforme a m?o do inexplic¨¢vel ser recuou, ela se tornou novamente inerte, voltando ao estado im¨®vel e sem express?o. Por algum motivo, mesmo sem fazer qualquer sentido, Ana sentia certa tristeza vinda do corpo semelhante a um manequim. Gabriel, que observava de longe, sentiu o peso esmagador aumentar a cada segundo. Ele tentou se mover, tentou falar algo, mas era como se uma m?o invis¨ªvel estivesse pressionando seu peito. Seus p¨¦s estavam presos ao ch?o, e ele n?o entendia por qu¨º. ¡ª Talvez¡­ ¡ª ele finalmente murmurou, sua voz fraca e incerta, quase inaud¨ªvel, como se estivesse falando consigo mesmo. Sem completar o pensamento, Gabriel afundou no solo em um movimento s¨²bito, como se fosse tragado por uma onda de cores distorcidas que o envolvia, desaparecendo por um instante. De repente reapareceu, novamente despencando do nada pesadamente no ch?o. Se levantou ofegante e ainda tentando se recompor da experi¨ºncia. ¡ª Desculpe, ainda estou me acostumando com esse, hmm¡­ novo lugar. Ana n?o ligou para a estranha a??o, apenas olhou para ele com uma mistura de confus?o, interesse e irrita??o. ¡ª Quando isso apareceu aqui, Gabriel? ¡ª Pouco antes de come?ar esses implantes nos punhos ¡ª ele fez uma pausa, como se tentasse recriar o momento em sua mente. ¡ª N?o foi algo grande ou esplendoroso. Ouvi o barulho de algo caindo, o que claramente ¨¦ imposs¨ªvel, j¨¢ que s¨® eu estou aqui. Pensei que aquele idiota do seu grupo voltou pra me visitar, mas no fim, era essa coisa estranha em meio aos gaveteiros sem uso. Ana franziu a testa, seu olhar fixo no anjo. Algo sobre aquela resposta n?o parecia fazer sentido, mas ela n?o conseguia entender o motivo. Havia uma sensa??o de desconex?o, como se algo maior estivesse fora de seu alcance. O sil¨ºncio se instalou por alguns momentos, at¨¦ que Gabriel, ainda tenso e inquieto, rompeu o sil¨ºncio com uma pergunta inesperada. ¡ª Do lado de fora... quando ¡°n¨®s¡± nos separamos? Quanto tempo ficamos juntos? ¡ª Voc¨º diz no Grande Vazio? Creio que por volta de mil anos juntos. Gabriel balan?ou a cabe?a lentamente, parecendo mais pensativo do que o habitual. ¡ª Entendo¡­ ent?o tem mais de 500 anos que eu n?o conhe?o ¡ª disse, a frase carregada de uma estranha melancolia. Ele olhou para Ana com uma express?o s¨¦ria, como se estivesse tentando preencher uma lacuna imensa com peda?os que simplesmente n?o se encaixavam. ¡ª Voc¨º me trouxe muito o que pensar hoje. Preciso de um tempo. Lentamente, levantou a m?o, apontando os dedos para a testa de Ana. Seu sorriso voltou, mas havia algo de sombrio nele. ¡ª Bang. Ana, em uma mistura de irrita??o e ironia, se inclinou para tr¨¢s, fingindo que havia levado um tiro. Seu corpo relaxou de forma exagerada, enquanto tudo escurecia, mas n?o sem antes praguejar em meio a uma risada seca. ¡ª Filho da puta. E ent?o, ela despertou bruscamente na carro?a, o mundo real voltando com for?a. Os sons do comboio a fizeram rapidamente notar que era realmente a realidade, mas a sensa??o do toque em sua palma ainda pairava em sua mente, como se estivesse presa entre dois mundos. Ela esfregou os olhos, tentando afastar o ¨²ltimo vest¨ªgio dos acontecimentos, deixando-os para pensar mais tarde. ¡ª Dormiu bem, senhora? A pergunta de Miguel, que notou o movimento, finalmente a fez despertar por completo. Ana passou as m?os pelos cabelos e bateu de leve nas bochechas, antes de se ajeitar na parte da frente da carro?a. ¡ª Na verdade, n?o muito ¡ª respondeu ela, com uma leve amargura na voz. Sua l¨ªngua passava pela sua arcada lentamente, e, como esperado, a quantidade excedente de ossos expostos realmente estavam l¨¢. ¡ª Bem, estamos nos aproximando da cidade. Logo voc¨º poder¨¢ descansar em uma cama adequada. Ana acenou levemente, mas sua mente j¨¢ estava voando longe da conversa. De repente, como se pensasse em algo, virou-se para o secret¨¢rio mascarado, abrindo um grande e for?ado sorriso. Miguel viu a a??o e a encarou por um momento, confuso. ¡ª Voc¨º¡­ est¨¢ bem? ¡ª Olhe isso! Meus dentes n?o est?o diferentes? Bem mais estranhos! ¡ª Parece o mesmo de sempre pra mim¡­ ¡ª O mesmo de sempre? ¡ª questionou a mercen¨¢ria, perplexa. ¡ª Eu sempre sorri assim? ¡ª Pelo que me lembro, sim. Na verdade, ¨¦ um pouco perturbador, mas est?o a mesma coisa¡­ voc¨º est¨¢ realmente bem? Ana o encarou, sem rea??o. ¡°Alguma vez j¨¢ parei para prestar aten??o no meu pr¨®prio sorriso?¡±, pensou em sil¨ºncio, ficando assim at¨¦ que os muros da cidade come?aram a surgir no horizonte.
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Capítulo 121 - Divis?o dos Fazendeiros
Assim que os muros da cidade surgiram ¨¤ sua frente, Ana soltou um leve suspiro. Seus pensamentos ainda estavam distantes, mas a vis?o da grande ponte se baixando lentamente ¨¤ medida que o comboio se aproximava trouxe-a de volta ¨¤ realidade. O som das correntes rangendo misturava-se com o zumbido da cidade logo ¨¤ frente, criando um ritmo lento e pesado que marcava o fim de uma longa jornada. Quando finalmente chegaram ¨¤ entrada principal, dois guardas corpulentos e armados estavam postados de cada lado do port?o principal. Suas armaduras r¨²sticas brilhavam ¨¤ luz do final da tarde, e eles mantinham suas posi??es r¨ªgidas, os olhos atentos examinando o comboio que se aproximava. Cada passo dos estranhos e ferozes animais de carga era medido com cuidado sob seus olhares implac¨¢veis. ¡ª Alto! ¡ª um deles gritou, levantando a m?o em um gesto firme. Sua voz, grossa e rouca como o rosnar de uma fera, ecoou pelo ar, embora seu tom demonstrasse mais protocolo do que amea?a. Ainda assim, a presen?a bestial trazia um desconforto natural para qualquer rec¨¦m-chegado. Ana, ainda cansada, revirou os olhos discretamente e fez um gesto breve com a m?o, como se dissesse que Miguel se encarregasse daquilo. Sem perder tempo, o secret¨¢rio mascarado desceu da carro?a com sua habitual postura impec¨¢vel, as longas vestes caindo ao seu redor com perfei??o. Seu movimento foi o suficiente para que os guardas o notassem, e assim que o fizeram, as express?es dos dois homens mudaram rapidamente. O guarda que havia gritado deu um passo para tr¨¢s, suas sobrancelhas se arquearam em reconhecimento. Ele sabia muito bem o que a presen?a de Miguel significava, e curvou-se em uma leve rever¨ºncia, quase autom¨¢tica, com a importante chegada. ¡ª A rainha est¨¢ de volta, ¡ª disse Miguel, sua voz suave, por¨¦m firme. ¡ª Mas est¨¢ cansada da viagem. N?o quer alarde. Ele lan?ou um olhar sutil para Ana, que ainda estava sentada no banco da carro?a. Ela acenou levemente para os guardas, for?ando um sorriso. N?o tinha disposi??o para as formalidades de retorno, e a ¨²ltima coisa que desejava naquele momento era qualquer tipo de celebra??o ou grande recep??o. Logo depois de acenar, Ana fechou os olhos, repousando-se novamente, como se estivesse confiando a Miguel toda a responsabilidade de lidar com o resto. ¡ª Vamos organizar os novos moradores. Enquanto isso, gostaria que providenciassem um pequeno destacamento para garantir que a entrada seja desimpedida at¨¦ nossa instala??o. ¡ª Sim¡­ senhor¡­ ser¨¢ feito ¡ª o guarda respondeu, a voz falhando com o nervosismo, mas a formalidade em seu tom mais percept¨ªvel agora. Ele se virou para seu companheiro, que deu um leve aceno de cabe?a, ambos reconhecendo a ordem silenciosa que haviam recebido. Nenhum movimento brusco foi feito, e o sil¨ºncio de rever¨ºncia se instalou no local. Satisfeito com a resposta, Miguel retornou para a carro?a, pronto para conduzir o ve¨ªculo mais uma vez. No entanto, mal tinha se sentado quando percebeu um crescente murm¨²rio ao seu redor. Era um som baixo, mas inconfund¨ªvel ¡ª um vozerio abafado, passos apressados e respira??es pesadas que s¨® podiam significar uma coisa: confus?o ¨¤ vista. A atmosfera tranquila transformou-se em tens?o palp¨¢vel em segundos. Ele virou a cabe?a na dire??o do tumulto, j¨¢ se preparando para descer novamente, mas foi interrompido pelo gesto inconfund¨ªvel de Ana. Sua m?o levantada, com dedos estendidos, dizia claramente para ele permanecer onde estava. Ela mesma lidaria com aquilo. Irritada, se levantou com um salto, os p¨¦s pousando firmemente no ch?o enquanto entendia que, para ela, o destino n?o era t?o gentil a ponto de permitir um descanso. N?o demorou muito para que seus olhos captassem a cena: Garm, o grande lobo negro que a acompanhava, estava com as presas ¨¤ mostra, rosnando de maneira baixa e amea?adora. Os m¨²sculos de seu corpo maci?o estavam tensionados, como uma mola pronta para se soltar, enquanto seus olhos brilhavam com uma f¨²ria contida. Ele encarava fixamente um grupo de tr¨ºs guardas bestiais, que por acaso passavam em patrulha. Os guardas, no entanto, n?o estavam dispostos a recuar. Seus corpos estavam curvados em uma postura animalesca, prontos para o combate, enquanto exibiam suas pr¨®prias presas, menores do que as de Garm, mas ainda assim amea?adoras. O pelo de suas peles eri?ava-se com a tens?o que parecia prestes a explodir, e um rosnado grave sa¨ªa de suas gargantas, ecoando no sil¨ºncio crescente ao redor. ¡ª S¨¦rio? Uma briga agora? ¡ª Ana sibilou para si mesma, esfregando as t¨ºmporas com uma das m?os, o gesto batendo contra a m¨¢scara que cobria seu rosto. A sensa??o do metal contra seus dedos a irritava ainda mais, mas ela respirou fundo, controlando o impulso de perder a paci¨ºncia de vez. Sabia bem do que Garm era capaz. Se aquilo escalasse, os tr¨ºs bestiais n?o teriam chance. Sem perder mais tempo, ela caminhou diretamente at¨¦ o lobo, seu andar tranquilo contrastando com a tens?o ao redor. Com um movimento calmo, mas firme, ela levantou a m?o e bateu suavemente na cabe?a de Garm. O impacto fez o grande lobo soltar um grunhido baixo, mas ao reconhecer quem era, relaxou imediatamente, como se tivesse sido um simples c?o travesso sendo repreendido. O rosnado profundo cessou de uma vez, e embora seus dentes ainda estivessem expostos, os olhos de Garm focaram-se unicamente em Ana ¡ª Voc¨º tinha um melhor temperamento antigamente ¡ª riu ela. Sua voz, apesar de calma, carregava um tom inconfund¨ªvel de autoridade. ¡ª Deixa eu cuidar disso. Os tr¨ºs bestiais observaram a cena com uma mistura de confus?o e temor. Eles sabiam bem do que aquele lobo era capaz. Durante o ¨²ltimo conflito, o n¨²mero de seus companheiros dilacerados por suas mand¨ªbulas era incont¨¢vel, um verdadeiro massacre. Ver agora a criatura imponente ser controlada com tanta facilidade por Ana os deixou perplexos. N?o era o medo de Garm que os perturbava, mas sim a forma como ele se submetia docilmente ¨¤ rainha.The story has been stolen; if detected on Amazon, report the violation. Em seguida, Ana olhou na dire??o do trio, e come?ou a se aproximar com passos deliberadamente lentos. Eles estavam claramente nervosos, tensos, seus corpos prontos para saltar, mas hesitantes. Sabiam muito bem que atacar a rainha seria um erro fatal. O orgulho que sentiam por serem guardas bestiais n?o superava o instinto de sobreviv¨ºncia. A puni??o seria muito pior do que qualquer derrota em batalha. Quando chegou perto o suficiente, ergueu a m?o e, sem qualquer cerim?nia, deu um leve soco na cabe?a de cada um dos tr¨ºs guardas, assim como fez com Garm, de forma casual, como se fosse uma repreens?o leve, mas significativa. ¡ª Voc¨ºs tamb¨¦m. Calma. Os bestiais pareciam confusos, mas a tens?o que permeava seus corpos come?ou a esvair-se gradualmente. Os rosnados cessaram, e seus dentes antes expostos lentamente se ocultaram novamente. Eles se endireitaram, ainda sem compreender completamente o que acabava de acontecer, mas claramente derrotados. N?o por uma batalha, mas por uma repreens?o que sabiam n?o ter como contestar. ¡ª Escutem bem ¡ª Ana continuou, agora circulando o grupo. Sua voz tinha um tom de desd¨¦m, mas era mortalmente s¨¦ria. ¡ª Eu j¨¢ ouvi a vers?o da hist¨®ria dos dois lados, e adivinhem? As duas s?o est¨²pidas. Ela fez uma pausa breve, aproveitando o sil¨ºncio para intensificar sua presen?a, enquanto a autoridade em suas palavras pairava como uma amea?a no ar. ¡ª O que ocorreu no passado deve ser deixado l¨¢. Na verdade, continuem, se quiserem, desde que mantenham essa besteira longe dos meus dom¨ªnios. Ela se aproximou ainda mais dos tr¨ºs, suas palavras carregadas de uma amea?a velada. ¡ª Se eu souber de qualquer briga est¨²pida nos meus territ¨®rios, as puni??es ser?o severas. E acreditem, voc¨ºs n?o querem me testar. Isso vale pra voc¨º tamb¨¦m, lobo idiota. Os quatro abaixaram as cabe?as, resignados e claramente frustrados. ¡ª Entendido? ¡ª Ana ergueu a sobrancelha, esperando por uma resposta. ¡ª Sim, senhora... ¡ª responderam quase em un¨ªssono, as palavras soando como um murm¨²rio contido. ¡ª ¨®timo. Agora, desapare?am ¡ª ordenou, mas logo parou, pensando por um breve instante. ¡ª N?o, na verdade, esperem aqui por um momento. Com um gesto curto, os tr¨ºs guardas se alinharam ao lado dela, aguardando novas ordens com uma mistura de nervosismo e al¨ªvio por estarem fora de perigo. Garm, por outro lado, soltou um leve bufar, seus olhos lan?ando um olhar r¨¢pido e insatisfeito para os guardas antes de voltar sua aten??o para Ana. ¡ª Sem mais provoca??es por hoje, sim? ¡ª a Rainha murmurou, com um leve sorriso em seus l¨¢bios. O lobo bufou novamente, mas come?ou a caminhar, obediente, seguindo em dire??o ¨¤ cidade. Ana o observou partir por um instante, seus olhos agora mais cansados. Foi ent?o que notou Marlene observando a cena a apenas duas carro?as de distancias, com um sorriso curioso no rosto. A planta anci? parecia achar a situa??o divertida, o que fez Ana soltar um suspiro leve antes de se dirigir a ela. ¡ª L¨¢ est?o os campos de cultivo ¡ª disse Ana sem rodeios. ¡ª Voc¨ºs podem come?ar a se organizar por ali, iremos apresentar voc¨ºs a todos mais tarde. Marlene seguiu o gesto de Ana com um olhar solene. Suas longas ra¨ªzes come?aram a se estender pelo ch?o, explorando o solo f¨¦rtil ao redor. Havia um som suave de folhas ro?ando enquanto a anci? examinava o terreno com precis?o. O vento balan?ava suas p¨¦talas levemente enquanto avaliava as vastas terras rec¨¦m limpas a distancia, na qual a luz do Sol batia por toda extens?o, criando uma atmosfera tranquila, mas cheia de potencial. ¡ª ¨¦ uma boa terra. Te agrade?o por ceder a n¨®s. ¡ª N?o agrade?a, j¨¢ disse que v?o ter que trabalhar por isso ¡ª comentou a mercen¨¢ria, com um tom mais pragm¨¢tico. ¡ª Esses tr¨ºs aqui v?o ajudar voc¨ºs a entender a organiza??o da cidade. Os guardas, que esperavam em sil¨ºncio ao lado, endireitaram-se ao ouvir suas instru??es. Eles pareciam curiosos com a chegada da nova divis?o e aliviados por n?o terem enfrentado nenhuma puni??o s¨¦ria. ¡ª Voc¨ºs tr¨ºs, quando terminarem aqui, falem com Gabriel para enviar suprimentos para l¨¢. Finalmente come?aremos as planta??es de forma adequada, com nossa nova l¨ªder da Divis?o dos Fazendeiros. Os guardas acenaram, intrigados com a nova divis?o mencionada, mas relativamente animados ao ouvirem a palavra fazendeiros. Seus corpos exigiam carne para manter-se fortes, mas fazia semanas que n?o sentiam o rico sabor dos vegetais que comeram por uma vida toda. Ana respirou fundo, permitindo-se alguns segundos de descanso mental ap¨®s a log¨ªstica ordenada. Contudo, seus momentos de reflex?o foram interrompidos pelo som de est¨¢tica suave de Marlene se preparando para mais uma frase. Por¨¦m, ao inv¨¦s de palavras, o som foi acompanhado por um leve sorriso rouco que escapou dos "l¨¢bios" da plant¨ªnea. ¡ª O que foi? ¡ª Ana perguntou, sem entender a gra?a da situa??o em quest?o. Marlene, com seu tom sempre sereno e cheio de uma ironia sutil, inclinou-se mais um pouco na dire??o da mercen¨¢ria, suas p¨¦talas formando um sorriso ainda mais amplo. ¡ª N?o sabia que voc¨º seria t?o leviana com os nomes ¡ª respondeu a mulher planta, com o chiado suave escapando de suas p¨¦talas ao final da frase. Ana parou por um momento, refletindo sobre o coment¨¢rio. Sabia que o nome dado fora apressado, mas n?o esperava uma repreens?o t?o sutil. Seus l¨¢bios se curvaram em um sorriso sarc¨¢stico, e ela levantou uma das m?os, balan?ando-a casualmente, como se afastasse uma preocupa??o insignificante. ¡ª O que acha de¡­ Divis?o Dr¨ªades? Por um momento, Marlene ficou im¨®vel, como se estivesse processando a sugest?o. Mas, logo em seguida, as folhas que compunham seu corpo se agitaram levemente, e a planta carn¨ªvora inclinou-se para frente em uma esp¨¦cie de rever¨ºncia, um gesto de aprova??o claro. Suas p¨¦talas se fecharam com elegancia, formando uma estrutura compacta que parecia indicar satisfa??o. ¡ª Uma escolha¡­ mais adequada ¡ª murmurou, sua est¨¢tica agora transformada em um som de aprova??o. ¡ª ¨®timo, ¡ª disse Ana, j¨¢ voltando para a carro?a. ¡ª Eu n?o estava com animo para pensar em mais um.
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Capítulo 122 - Pequenas Mudan?as
Tr¨ºs dias haviam se passado desde o retorno de Ana ¨¤ cidade, e a floresta ao redor estava longe de ser o mesmo lugar de antes. Os lobos de Garm haviam se espalhado pelas sombras da densa mata, criando uma nova dinamica no ecossistema noturno. Seus uivos se entrela?avam em uma sinfonia selvagem que preenchia o ar, vinda de todas as dire??es, como um mar de ecos long¨ªnquos e ao mesmo tempo pr¨®ximos que dominavam a atmosfera. Para qualquer um que passasse pela regi?o ¨¤ noite, seria imposs¨ªvel ignorar a presen?a esmagadora da alcateia. O mar de ¨¢rvores se tornara uma fortaleza viva, onde cada tronco parecia guardar segredos e cada arbusto poderia esconder um par de olhos atentos. Felizmente seus portes eram esguios, quase raqu¨ªticos comparados ao seu l¨ªder. Desta forma, mesmo grandes, n?o exigiam muito alimento, o que foi um al¨ªvio tempor¨¢rio para os bestiais que ainda estavam nos est¨¢gios iniciais para criar uma produ??o de gado adequada. At¨¦ que isso estivesse funcionando plenamente, as criaturas eram obrigadas a ca?ar na floresta, contentando-se com a vida de preda??o ao redor. Garm, por¨¦m, era uma exce??o. O grande lobo negro havia encontrado um lar na cidade, estabelecendo-se em uma caverna artificial que fora constru¨ªda diretamente sob a ponte principal da cidade, logo acima do n¨ªvel do rio que separava os grandes muros do mundo de fora. O local era estrategicamente perfeito, oferecendo uma vis?o clara de qualquer poss¨ªvel invas?o, ao mesmo tempo que proporcionava sombra e tranquilidade ao imponente animal. A comida era trazida at¨¦ ele, e Garm passava a maior parte do tempo dormindo, vivendo uma vida que, para muitos, parecia de luxo. Aproveitava suas tardes pregui?osas, saindo apenas ocasionalmente ¨¤ noite para esticar as patas e rondar a cidade em patrulha. Parecia estar satisfeito com o lugar que havia escolhido como seu ref¨²gio. ¡ª Guardi?o... hehe... ¡ª murmurava v¨¢rias vezes quando sonolento, com um sorriso que apenas suas presas afiadas podiam criar. O t¨ªtulo lhe dava um sentimento de importancia e prop¨®sito que ele n?o experimentava desde as batalhas passadas ao lado de Ana. Por¨¦m, tais palavras roucas inconsci¨ºntemente se espalhavam pelo vento, e, mesmo no pouco tempo desde sua chegada, come?aram a se tornar uma das pequenas lendas da cidade, caindo na boca do povo como o misterioso fantasma que cuidava dos port?es, pois poucos sabiam que a habita??o de tal besta estava ali localizada. Os conselheiros que estavam presentes, por sua vez, ainda estavam se acostumando com a presen?a do novo companheiro. A princ¨ªpio, a simples vis?o de Garm tinha causado espanto e desconfian?a. Muitos j¨¢ ouviram as hist¨®rias que Ana contava sobre o Abismo, sobre como ela e o lobo fugiram juntos, lutando lado a lado por dias intermin¨¢veis. Mas ouvir aquelas hist¨®rias e ver ele de perto eram coisas completamente diferentes. J¨¢ em outra parte do reino, em meio ¨¤s longas avenidas, Ana estava finalizando as ¨²ltimas pend¨ºncias das organiza??es que havia iniciado. As planta??es estavam finalmente sendo estabelecidas com a ajuda da Divis?o Dr¨ªades, as tens?es entre os grupos de diferentes origens estavam mais ou menos sob controle, ao menos por enquanto, e o estabelecimento da seguran?a com os lobos patrulhando a floresta ao redor tamb¨¦m havia aliviado parte da press?o sobre ela. Tudo estava se encaixando, mas havia uma quest?o que ainda permanecia em sua mente. Ela soubera que Madame estava na cidade havia mais de uma semana. Evitara o encontro at¨¦ ent?o, n?o por falta de interesse, mas simplesmente porque havia outras prioridades a tratar. Agora, com a maioria dos problemas mais urgentes resolvidos, Ana decidiu que era hora de finalmente reencontr¨¢-la. Conforme caminhava pela cidade em dire??o ¨¤ taverna, os habitantes faziam rever¨ºncias silenciosas ou acenavam respeitosamente. Ana, por sua vez, acenava de volta, por¨¦m seus olhos estavam sutilmente confusos por baixo da m¨¢scara. ¡ª O que diabos aconteceu enquanto eu estive fora? ¡ª Bem, tudo cresceu. ¨¦ a primeira cidade livre que aceita todas as variantes ¡ª respondeu Gabriel, em seu tom costumeiramente neutro. ¡ª Pelo menos, a primeira que conhe?o. ¨¦ normal que as pessoas se interessem. O entardecer come?ava a dar lugar ¨¤ noite. As luzes das ruas j¨¢ iluminavam as vias principais, e as vozes alegres e sons de conviv¨ºncia enchiam o ar. Mudan?as dr¨¢sticas ocorreram no curto per¨ªodo em que a rainha esteve fora, em um ritmo t?o impressionante que, por um momento, a fez se perguntar se voltou a perder a no??o do tempo. A cidade, antes composta somente por bestiais e est¨¢tuas vivas, agora abrigava uma mistura ainda mais variada de seres, incluindo corrompidos estrangeiros de diferentes tipos, todos coexistindo de maneira pac¨ªfica. Pequenos e grandes, alguns com bra?os longos, ¨¤s vezes garras ou pelos e, ocasionalmente, alguns cascos. Embora n?o passassem de tr¨ºs dezenas, era uma vis?o interessante v¨º-los andando pelas ruas, se integrando com os habitantes locais como se aquilo fosse o mais natural poss¨ªvel. ¡ª Pequenos povos de fora pediram permiss?o para se mudar para c¨¢ ¡ª continuou o anjo de pedra. ¡ª Eu estava aguardando sua aprova??o sobre as solicita??es, ¨¦ claro, mas tomei a liberdade de permitir alguns como visitantes tempor¨¢rios. ¡ª Desde que n?o sejam uma quantidade grande o suficiente para afetar a cadeia de suprimentos, pode autorizar. Mas certifique-se de que saibam que n?o ter?o voz nas decis?es pol¨ªticas. Se n?o se adaptarem, que se retirem ¡ª a resposta de Ana era firme, sem margem para discuss?es.This book was originally published on Royal Road. Check it out there for the real experience. Gabriel acenou, prevendo essas palavras. ¡ª Perfeito. J¨¢ comecei a preparar espa?os ao redor da cidade principal, algo semelhante ao que fizemos com os bestiais. Pensei que seria mais eficiente para manter as coisas em ordem. ¡ª Parece ¨®timo. Foque em manter apenas casas, galp?es e f¨¢bricas de produ??o geral nesses espa?os. O com¨¦rcio principal ainda deve estar focado nas muralhas centrais da cidade. A est¨¢tua anotava tudo em seu pequeno caderno de bolso, e seu balan?ar de cabe?a indicava que estava ouvindo atentamente cada frase. Um sil¨ºncio c?modo se seguiu, onde o administrador mascarado exalava uma aura feliz ao notar o interesse quase infantil de Ana com cada constru??o nova que se deparava. ¡ª Tudo est¨¢ indo r¨¢pido demais¡­ o que acha de implementarmos um sistema econ?mico mais sofisticado? No momento, somos quase comunistas ¡ª brincou a rainha, uma leve ironia permeando suas palavras. No entanto, logo bufou, notando que n?o entenderam o termo. ¡ª Podemos seguir focando na explora??o de recursos naturais, e talvez um sistema de escambo funcione inicialmente, ao inv¨¦s de trocar tudo por contribui??es. Infelizmente n?o temos infraestrutura para criarmos uma moeda oficial. Gabriel ponderou por alguns segundos antes de responder. ¡ª Isso ¨¦ vi¨¢vel, sem d¨²vida. Talvez tamb¨¦m seja interessante expandir o conselho. Seria mais f¨¢cil ter pessoal especializado em ¨¢reas como educa??o e sa¨²de. Ana sorriu de leve e, em seguida, concordou. ¡ª Os espa?os est?o sendo preenchidos aos poucos, mas aceito sugest?es de nomea??es. At¨¦ termos algu¨¦m mais adequado, voc¨º pode escolher quem quiser junto com os demais. Nesse momento, Miguel, que caminhava alguns passos atr¨¢s, adiantou-se levemente. ¡ª Farei o necess¨¢rio para marcar uma reuni?o com os membros do conselho para discutirmos esses detalhes ¡ª disse ele, j¨¢ organizando os pr¨®ximos passos mentalmente. ¡ª Sem pressa, podemos voltar nisso daqui uns dias. J¨¢ pretendo reunir os pregui?osos para alguns outros assuntos importantes, podemos esperar at¨¦ l¨¢. Miguel assentiu, entendendo as ordens, e apenas manteve o passo ao lado dos dois at¨¦ finalmente chegarem ¨¤ taverna. O lugar estava surpreendentemente movimentado. A maioria dos presentes eram bestiais, suas vozes graves enchendo o ambiente de energia. Aqui e ali, Ana notou alguns forasteiros mais isolados, parecendo um tanto deslocados, mas n?o totalmente desconfort¨¢veis. De vez em quando, mascarados tamb¨¦m passavam, apressados, envolvidos nas mais diversas tarefas. ¡ª Nem fodendo¡­ ¡ª sussurrou de repente a mercen¨¢ria quando seus olhos captaram um bestial sentado em uma das mesas, tomando grandes goles da cerveja avermelhada, aparentemente satisfeito. Com passos anormalmente r¨¢pidos, quase saltando, ela se aproximou do homem. Seus olhos se encontraram com os dele, o encarando com ceticismo, e o cheiro forte da bebida invadiu suas narinas. Sem pensar duas vezes, Ana pegou a caneca assim que ele a colocou de volta na escura madeira da mesa. O bestial arregalou os olhos, confuso e claramente prestes a protestar, mas ao perceber quem era a mulher, suas palavras ficaram presas na garganta. Sua express?o mudou de uma indigna??o inicial para uma resigna??o quase reverente. Sem dizer nada, ele simplesmente ofereceu voluntariamente a caneca ¨¤ rainha, como se fosse um presente. Ana sorriu, agradecida, e seu olhar logo foi conduzido novamente para o l¨ªquido, com cada vez mais desconfian?a. ¡ª Por que algu¨¦m beberia esse tro?o horr¨ªvel? ¡ª murmurou para si mesma, franzindo a testa antes de finalmente levar a borda da caneca aos l¨¢bios. O composto amargo e gelado desceu por sua garganta, e, para sua surpresa, o gosto n?o era t?o terr¨ªvel quanto ela imaginara. Na verdade, era bom. Muito bom. Seus olhos brilharam por um breve momento, e ela devolveu a caneca ao bestial com um leve sorriso no rosto. ¡ª Interessante¡­ Sem perder mais tempo, Ana acelerou o passo, agora mais ansiosa para finalmente reencontrar sua velha conhecida.
Ol¨¢, leitores! Como est?o? Depois de meses escrevendo sem parar, decidi dar um passo ousado (talvez um pouco precipitado, mas quem liga?): transformar Eternidade de Ana em um livro f¨ªsico! S?o mais de 2000 p¨¢ginas espalhadas por 4 volumes (e contando!), e com muitos outros planejados, achei que j¨¢ era hora de dar in¨ªcio ¨¤ confec??o do primeiro livro. "Mas e da¨ª, Sandman? O que eu tenho a ver com isso?" ¨®tima pergunta, caro leitor sagaz. Abri uma campanha no APOIA.se pra tornar isso poss¨ªvel. Qualquer apoio j¨¢ ¨¦ um passo gigante pra tirar essa ideia do papel ¨C ou, no caso, das telas. E, claro, seu apoio n?o ser¨¢ em v?o! Al¨¦m de recompensas como cap¨ªtulos extras e at¨¦ a chance de participar de decis?es secund¨¢rias na obra, quem atingir a meta de apoio estipulada garante um exemplar f¨ªsico exclusivo dessa (espero que longa) cole??o! Todos os detalhes est?o na campanha: https://apoia.se/eda Ah, e um detalhe importante: Este ¨¦ um projeto, pelo menos at¨¦ a novel estar finalizada, sem fins de lucro. ¨¦ sobre realizar um sonho (e preencher algumas prateleiras com um livro que um dia achei que ningu¨¦m leria). Mesmo se a campanha n?o der certo, minha meta continua sendo ter meu pr¨®prio livro em m?os. Mas, infelizmente, meu bolso s¨® permite algo mais simples, sem a profissionaliza??o que essa hist¨®ria merece. "E se eu n?o puder ajudar financeiramente?" Sem problema algum! S¨® de voc¨º ler, comentar ou compartilhar a novel com algu¨¦m que possa se interessar, j¨¢ ajuda demais. Ah, e caso ultrapassemos a meta, todo valor excedente ser¨¢ usado para sorteios dos livros no Discord oficial da obra, assim todo mundo ter¨¢ uma chance de ter seu exemplar! Bora fazer isso acontecer? Cada apoio ¨C de qualquer forma ¨C significa o mundo pra mim! E, por fim, obrigado pela leitura!

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Capítulo 123 - Canecas e Coroas
Ao entrar na sala de tr¨¢s do balc?o, o cheiro adocicado e levemente ¨¢cido da fermenta??o artesanal preencheu o ar, puxando a aten??o de Ana para o canto onde um rudimentar equipamento de fabrica??o de cerveja estava disposto. Suas engrenagens de metal polido gotejavam um l¨ªquido azul-claro, quase iridescente, que se acumulava em pequenos barris alinhados logo ao lado. Sobre uma mesa central de madeira r¨²stica, grandes canecas de madeira repousavam, com partes transl¨²cidas que deixavam escapar um brilho suave. O contraste entre a rusticidade da madeira e a intrigante bebida dentro delas chamou a aten??o de Ana, que arqueou uma sobrancelha, se perguntando o que exatamente estava diante dela. O cheiro era profundamente diferente da bebida comum que havia encontrado do lado de fora, uma diferen?a que despertou sua curiosidade instantaneamente. ¡ª Algo novo no menu? ¡ª comentou em voz alta, com um leve sorriso de curiosidade, chamando a aten??o das figuras sentadas ao redor. Tr¨ºs pessoas, al¨¦m da Madame, estavam presentes. A primeira, Nyx, estava observando o conte¨²do das canecas com seu habitual ar de curiosidade quase infantil, evidentemente tendo se intrometido na cria??o da nova bebida. Ana lan?ou-lhe um olhar compreensivo, e a Sombra retribuiu com um sorriso, enquanto levantava a caneca em dire??o aos l¨¢bios. Ao lado da barda necromante, havia um homem de apar¨ºncia familiar, mas cuja identidade escapava ¨¤ mem¨®ria de Ana. Ela prolongou o olhar por um momento, afinal, tinha certeza que o reconhecia de algum lugar, mas foi in¨²til, realmente n?o conseguia se lembrar. Isso a incomodou brevemente, mas ela deixou de lado. E ent?o, viu a terceira pessoa, algu¨¦m realmente inesperado. A massa de m¨²sculos, Cassandra, estava claramente embriagada, suas bochechas coradas pelo ¨¢lcool enquanto se esfor?ava para manter a compostura e virar-se para ver o novo visitante. Mesmo b¨ºbada, sua presen?a impunha respeito, mas havia uma leveza em seu comportamento que trouxe certa nostalgia de suas conversas ap¨®s as batalhas na arena. Antes que Ana pudesse sequer organizar suas ideias, Madame girou em seus calcanhares e a encarou com um olhar severo. ¡ª Ent?o ¨¦ voc¨º, sua maldita! Como teve coragem de servir aquela ¨¢gua choca pros clientes? ¡ª a leitora gesticulou exageradamente, o dedo apontando para Ana com a autoridade de quem n?o aceitava desculpas. A rec¨¦m chegada ficou confusa por um segundo, mas logo seus pensamentos se direcionaram para as rugas no rosto de sua velha conhecida. Anos se passaram desde a ¨²ltima vez que se encontraram pessoalmente, e mesmo a mana n?o conseguia evitar que as garras do tempo deixassem suas marcas. Com certa melancolia na voz, a rainha soltou uma gargalhada curta e despreocupada, fechando a porta atr¨¢s de si com um aceno para que seus acompanhantes a esperassem por um momento. ¡ª Clientes? Madame, n¨®s nem abrimos oficialmente ainda. ¡ª Isso n?o importa! ¡ª a taverneira respondeu, cruzando os bra?os dramaticamente. ¡ª Devia ter feito algo melhor desde o come?o. Principalmente com esses mascarados t?o capazes ao seu redor, aprenderam a fazer depois de eu mostrar apenas uma vez! Ana balan?ou a cabe?a em uma mistura de divers?o e exaspera??o. Havia um toque de absurdo na situa??o. Sempre tinha. Ela abriu a boca para responder algo, mas foi interrompida por uma garganta sendo limpa com for?a. Jorge, o homem desconhecido, se aproximou, visivelmente desconfort¨¢vel com a tens?o na sala. Com um gesto formal, fez uma breve rever¨ºncia. ¡ª Sauda??es, Vossa Majestade ¡ª disse ele, com a voz contida, por¨¦m respeitosa. ¡ª Devo dizer que aprecio sua maravilhosa cidade das m¨¢scaras, e fico feliz de ver uma companheira de coroa tendo t?o grande ascens?o. Me chamo Jorge, e essa ¨¦ minha companheira, Cassandra. "Droga¡±, pensou Ana, travando por um instante ao ouvir a frase, n?o pelo gesto sem necessidade, mas pela designa??o que foi dada para seu reino. ¡°Eu sabia que estava esquecendo de alguma coisa¡­ essa cidade precisa de um novo nome logo." Antes que pudesse dar continuidade a esse racioc¨ªnio, o homem puxou a grande guerreira para mais perto. A sua antiga dona trope?ou levemente, quase caindo de rosto no ch?o, mas conseguiu manter o equil¨ªbrio por puro instinto. Curvou-se de forma desajeitada, ainda lutando contra os efeitos do ¨¢lcool, mas com uma tentativa de formalidade, mesmo que falha. Ana observou a cena, seu humor mudando de imediato. Um lampejo de f¨²ria passou por seus olhos, reacendendo brevemente a raiva que guardava dos acontecimentos relacionados ¨¤ chefe da arena. O Abismo passou por tr¨¢s de seus olhos, e era como se, por um segundo, o passado estivesse vivo novamente. Mas ent?o, ao ver Cassandra trope?ar, b¨ºbada e vulner¨¢vel, algo dentro de Ana se quebrou. O peso do ¨®dio que carregava por tanto tempo parecia fora de lugar, desatualizado. Ela respirou fundo, sentindo a f¨²ria dissipar-se em uma ¨²nica expira??o. ¡°A situa??o faz a pessoa¡±, refletiu, como se estivesse finalmente enterrando aquela vers?o de si mesma. N?o estavam mais no Abismo, estavam em um novo mundo, um novo contexto, ent?o iria observar. Por enquanto. ¡°Ainda assim, fico feliz que n?o estou com a espada¡­¡± Dando um passo ¨¤ frente, Ana estendeu a m?o, e Jorge, um tanto hesitantemente, a apertou. Ele parecia incerto, como se n?o soubesse bem como agir diante da matriarca do reino emergente. Ainda assim, o toque de suas m?os foi firme, e a situa??o foi aliviada pela risada leve da rainha, que soou mais natural do que ela esperava. ¡ª ¨¦ um prazer conhec¨º-los, mas pe?o que deixem de lado essas formalidades ¡ª disse, tentando quebrar o gelo. ¡ª Afinal, somos todos mercen¨¢rios, n?o nobres! Me chamem apenas de Ana¡­ bele. Sua voz vacilou levemente ao final da frase, e Cassandra e Jorge se encararam, como se notassem a estranheza. ¡°Sou uma idiota¡± O cumprimento durou mais do que o necess¨¢rio, e o clima come?ou a ficar um pouco desconfort¨¢vel. Ana ajustou a respira??o, preparando-se para um poss¨ªvel confronto, mas Jorge, antes que pudesse dizer qualquer coisa coerente, deu um solu?o alto enquanto afrouxava os dedos. ¡ª Me¡­ hic¡­ desculpe¡­ ¡ª balbuciou repentinamente, ficando cada vez mais vermelho de vergonha, mas mantendo um sorriso cordial. ¡ª Acho que bebi mais do que devia... Sendo assim, ¨¦ um prazer, Anabele. Madame observou a intera??o por tr¨¢s de sua caneca, com um brilho de compreens?o em seu rosto. Sem dar chances para que algo ocorresse, interrompeu-os com um sorriso malicioso.The narrative has been illicitly obtained; should you discover it on Amazon, report the violation. ¡ª Ah, a nova nobreza! ¡ª disse ela, enquanto colocava sua bebida de volta na mesa. ¡ª O mercado de mercen¨¢rios anda perdendo espa?o pras guildas. Mas parecem estar ¨¤ altura das coroas, n?o acha? Confirmando que n?o emanavam um sentimento de amea?a, Ana suavizou o olhar, imaginando que nem mesmo se lembrariam da conversa na manh? seguinte. ¡ª S?o interessantes, n?o havia visto ningu¨¦m desse tipo nas cidades antes. ¡ª As coisas est?o mudando, querida! ¡ª respondeu Madame entre risos. ¡ª Adivinha, eles vieram do Abismo! Mas, bem¡­ n?o ¨¦ como se isso fosse uma novidade aqui, n¨¦? Ela gesticulou com as m?os para a sala, como se estivesse apresentando uma variedade de atra??es. ¡ª Sombras, corrompidos, mascarados¡­ Isso ¨¦ puro suco de globaliza??o! Ana balan?ou a cabe?a, sem jeito, enquanto uma pequena risada escapava de seus l¨¢bios. O exagero e a teatralidade de Madame sempre a pegavam de surpresa. ¡ª Sim¡­ ¡ª murmurou, seu tom refletindo mais seriedade do que ela pretendia. ¡ª As mudan?as est?o surgindo de todos os lados ultimamente. Com um suspiro silencioso, puxou uma cadeira e se sentou entre eles. Nyx, que at¨¦ ent?o estava quieta em seu canto, aproveitou a oportunidade para servir uma caneca de cerveja a Ana, que aceitou com um leve aceno de cabe?a. Em meio ¨¤ movimenta??o, Madame se inclinou para frente. Seu olhar, antes brincalh?o, agora parecia mais atento, quase conspirat¨®rio, enquanto ela aproximava os l¨¢bios do ouvido de Ana o suficiente para que suas palavras n?o fossem ouvidas por mais ningu¨¦m. ¡ª Falando em mudan?a, confesso que estou surpresa com voc¨º¡­ Por um momento, pensei que voc¨º fosse uma mascarada. Afinal, voc¨º sabe¡­ ¡ª seus olhos brilharam em um tom azul-claro intenso, que rapidamente percorreu o corpo de Ana de cima a baixo, analisando cada detalhe com aten??o. Quanto mais se concentrava, mais notava o emaranhado de fios que parecia dan?ar pelo corpo da rainha, como uma tape?aria de energias vibrantes. ¡ª Mas agora vejo que ¨¦ muito mais complexo do que isso... tem a ver com aquela jovem ali? Ela apontou casualmente para a Sombra, que, ao notar, acenou de volta, sem entender muito bem o motivo de estar envolvida na conversa. ¡ª N?o, ela ¨¦ uma conhecida recente ¡ª respondeu Ana com um sorriso cheio de nostalgia. ¡ª A bagun?a que voc¨º v¨º em meu interior ¨¦ algo de alguns anos atr¨¢s... Ela olhou ao redor, para as pessoas na sala, deixando o sil¨ºncio pairar por alguns instantes antes de concluir: ¡ª Mas isso ¨¦ uma conversa para outro momento. Madame ergueu uma sobrancelha, evidentemente interessada, mas entendeu o recado. Ela sabia quando n?o pressionar. Com um aceno de cabe?a, permitiu que a mercen¨¢ria mudasse o curso da conversa. ¡ª Bom, indo pro que interessa, estou surpresa por voc¨º ter aceitado me encontrar ¡ª Ana come?ou, um toque de ironia em sua voz, mas seus olhos revelavam uma sinceridade afiada. ¡ª Quer dizer, eu n?o achei que fosse recusar, mas minha reputa??o n?o est¨¢ muito boa em Barueri¡­ de qualquer forma, vejo que estava certa em fazer o convite, voc¨º j¨¢ est¨¢ at¨¦ mesmo melhorando a cerveja da cidade. Imagino que j¨¢ tenha em mente minha proposta. Madame hesitou, seus olhos buscando algo dentro de si. Por um momento, ela parecia vulner¨¢vel, uma express?o rara para algu¨¦m t?o en¨¦rgico e confiante. ¡ª Eu¡­ realmente posso? ¡ª ¨¦ claro que pode. N?o conhe?o absolutamente ningu¨¦m mais adequado. Os olhos envelhecidos da taverneira brilharam com uma intensidade renovada, sua postura firme se tornando ainda mais imponente. O sorriso dela se alargou, feroz, enquanto seus olhos encaravam os de Ana com uma intensidade el¨¦trica. Embora Madame n?o pudesse ver o rosto de Ana por tr¨¢s da m¨¢scara, sabia, sem sombra de d¨²vidas, que sua antiga rainha mercen¨¢ria tamb¨¦m estava sorrindo. ¡ª Ent?o¡­ devo dizer que ¨¦ uma honra estar sob seus cuidados, minha rainha. Se espregui?ando, ela se levantou da cadeira e come?ou a caminhar ao redor. Seus dedos passavam por cada entalhe da madeira das paredes, como se absorvesse os detalhes do local, e um rubor suave surgiu em seu rosto, denotando a excita??o que ela tentava, sem muito sucesso, esconder. Pela janela da porta, viu os poucos habitantes da cidade que aproveitavam seu descanso. Sentia como se estivesse em um sonho realizado. ¡ª Sim¡­ isso ¨¦ a pura fantasia¡­ ¡ª sussurrou para si mesma, perdida em seu pr¨®prio mundo. De repente, como se tomada por uma s¨²bita epifania, chutou a porta, fazendo-a abrir com um estalo, e subiu no balc?o com uma energia teatral. A aten??o de todos no sal?o foi imediatamente capturada, e ela abriu os bra?os, como se estivesse prestes a fazer uma grande proclama??o. ¡ª A partir de hoje, o Madame Eclipse abrir¨¢ suas majestosas portas para todos que desejarem uma romantica vida mercen¨¢ria! Ela jogou as m?os para o alto, como se estivesse demonstrando uma grande vit¨®ria. Seus olhos brilhavam de antecipa??o, como se j¨¢ pudesse ver o sal?o cheio de figuras de todas as partes do mundo, uma mistura de corrompidos, todos com belas armaduras, afiadas espadas ou infames armas de fogo, prontos para se lan?arem em novas aventuras. ¡ª Que espalhem as minhas palavras e que espantem as amarguras desta porcaria de mundo! E, claro, que bebam at¨¦ cair nesse estranhamente belo entardecer! Seu entusiasmo e suas gargalhadas eram contagiantes, e todos os que estavam presentes come?aram a levantar suas canecas em um brinde animado. As risadas e os aplausos encheram o sal?o, enquanto Madame, em cima do balc?o, observava tudo com um sorriso triunfante. Ana, por sua vez, tinha um misto de divers?o e satisfa??o ao encarar a cena. Sabia que havia tomado a decis?o certa ao convid¨¢-la para aquele posto. Por mais ca¨®tica e imprevis¨ªvel que fosse, Madame tinha um magnetismo natural que parecia transformar qualquer lugar em um palco grandioso, um ref¨²gio para os aventureiros e desajustados. Aquela intrigante taverneira era a ¨²nica pessoa capaz de envolv¨º-la em uma real atmosfera fantasiosa, onde tudo parecia mais leve, onde tudo parecia poss¨ªvel. Em seu devaneio, quase n?o notou um estranho objeto brilhante voando em sua dire??o. Ele piscava sob a luz suave do ambiente enquanto rodopiava de forma elegante, quase como uma moeda. Por reflexo, ela o pegou no ar com facilidade, mas quando seus dedos se fecharam em torno do item, n?o p?de deixar de dar um leve bufar de descren?a. ¡ª Quase me esqueci de te entregar isso! ¡ª comentou de longe Madame, notando que o item foi recepcionado com sucesso e voltando a se engajar em uma animada conversa com alguns bestiais, gesticulando como de costume, completamente alheia ao que acabara de fazer. Curiosa, Ana abriu a m?o, apenas para notar que entre seus dedos repousava um broche em formato de uma coroa dourada e preta, meticulosamente trabalhado, mas claramente envelhecido. Diferente de qualquer coroa nova e resplandecente que ela j¨¢ havia usado, este estava marcado com sinais do tempo. Arranh?es profundos atravessavam a superf¨ªcie brilhante, e o ouro, outrora reluzente, agora carregava um brilho mais opaco, cansado, mas ainda forte em sua presen?a. Ela franziu o cenho, passando os dedos pelos detalhes finos e desgastados. E ent?o, a lembran?a veio ¨¤ tona, finalmente compreendendo o que aquilo significava. ¡ª N?o precisava ter se preocupado tanto com isso, Madame¡­ Era o emblema de sua m?e, a antiga rainha mercen¨¢ria. O gesto de Madame foi novamente exagerado, mas ainda assim, Ana n?o p?de evitar um pequeno sorriso, guardando-o no bolso como sempre fez. ¡ª Realmente demorou para eu virar uma rainha de ouro aficionado¡­ ¡ª murmurou, com certa ironia na voz. Antes que pudesse mergulhar mais nas mem¨®rias, o leve tilintar do sino da porta da taverna chamou sua aten??o. O som era parte comum do ambiente, assim como as vozes e risadas, contudo, Ana olhou por curiosidade, sua cabe?a girando ligeiramente em dire??o ¨¤ entrada. Ali, envolta em seus cabelos de um vermelho profundo, uma figura cabisbaixa escondia seu semblante por tr¨¢s de uma m¨¢scara de raposa.
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Capítulo 124 - Contornos Embriagados
A taverna estava agora silenciosa, e as luzes fracas das lamparinas lan?avam sombras oscilantes sobre a mesa central, onde uma bagun?a de pergaminhos estava espalhada. Desenhos de grandes estruturas cobriam os pap¨¦is, as linhas tortas e tra?adas com pressa revelando uma tentativa de capturar ideias que, em algum momento, pareceram brilhantes para os envolvidos. Torres ambiciosas, pontes que desafiavam a f¨ªsica, e at¨¦ esbo?os de uma nova muralha para a cidade emergiam do emaranhado de tra?os. ¡°Como tudo chegou nesse ponto?¡±, pensou Eva, parada ao lado da mesa, observando a cena com uma express?o de perplexidade. Parecia que, em um instante, uma conversa trivial havia se transformado em uma explos?o de entusiasmo arquitet?nico e, logo depois, em uma competi??o desenfreada de bebidas. Ou talvez os dois ao mesmo tempo. Ela passou os olhos pelas folhas tr¨ºs ou quatro vezes, tentando decifrar os planos ca¨®ticos. Muitas anota??es foram feitas com letras grandes e desalinhadas, misturadas a desenhos de pequenas criaturas enchendo os espa?os vazios com detalhes irreverentes. No canto da sala, Jorge estava largado contra a parede, sua cabe?a apoiada de forma desajeitada no ombro. Um leve ronco escapava de seus l¨¢bios entreabertos, e um sorriso satisfeito estava fixo em seu rosto, como se at¨¦ em seu sono ele estivesse revivendo uma piada interna. Seu bra?o pendia ao lado do corpo, como se uma caneca invis¨ªvel ainda estivesse em sua posse. A Sombra, por outro lado, permanecia em sua cadeira, incrivelmente ainda acordada, mas seus olhos estavam distantes, vagando por um ponto fixo do nada, como se observasse uma cena que s¨® ela conseguia ver. Ela se balan?ava lentamente de um lado para o outro, as pernas pendendo da cadeira, enquanto murmurava para si mesma uma melodia antiga que flutuava sem prop¨®sito. A caneca vazia em sua m?o girava entre seus dedos, num movimento hipn¨®tico que parecia ser a ¨²nica coisa que a mantinha conectada ¨¤quele mundo. E no centro de toda aquela desordem, Ana e Cassandra estavam ca¨ªdas sobre a mesa, desmaiadas. As duas tinham os rostos pressionados contra os pergaminhos, como se as ideias que desenharam pudessem ser absorvidas pelos sonhos alco¨®licos que agora as dominavam. O cabelo de Ana estava desarrumado, caindo sobre a mesa e misturando-se aos desenhos, enquanto Cassandra, por sua vez, ressonava suavemente, seus bra?os musculosos ainda envolvendo o recipiente vazio da bebida como se fosse um trof¨¦u conquistado com esfor?o. Na noite anterior, quando Eva contou ¨¤ rainha o que havia acontecido em Carapicu¨ªba, sentiu um frio percorrer sua espinha. Sabia que Ana n?o era exatamente conhecida por sua paci¨ºncia, ent?o fechou os olhos, esperando uma bronca severa, palavras frias e talvez at¨¦ mesmo uma reprimenda p¨²blica. Em sua mente, j¨¢ preparava uma s¨¦rie de justificativas, buscando desesperadamente por uma forma de suavizar a situa??o. No entanto, quando voltou a os abrir, Eva foi surpreendida por uma risada alta e quase explosiva de Ana, que ecoou como um trov?o, seguida de um sussurro carregado de um entusiasmo peculiar. ¡ª Ah, crian?a burra... mais uma oportunidade acaba de surgir. Antes que pudesse sequer entender o que estava acontecendo, a garota ruiva sentiu m?os firmes em seus ombros, guiando-a para dentro de uma estranha porta. Era uma mistura de urg¨ºncia e anima??o, como se a pr¨®pria Ana tivesse sido tomada por uma ideia irresist¨ªvel. Em poucos segundos, a jovem j¨¢ estava em uma cadeira central, e a rainha, com seu sorriso travesso, a apresentou como se fosse um pr¨ºmio rec¨¦m conquistado. ¡ª Quero que conhe?am Eva, uma das conselheiras do reino! Seja o que precisarem durante o tempo aqui, podem procurar por ela. Os olhares de Jorge e Cassandra se voltaram para a menina, enquanto tentavam processar a introdu??o repentina. O jornalista, que estava encostado em uma das paredes com os bra?os cruzados, ergueu as sobrancelhas. J¨¢ Cassandra apenas lan?ou um olhar intrigado. ¡ª Um rosto t?o jovem para uma posi??o t?o importante... ¡ª o homem comentou, tentando manter a cortesia, embora a surpresa fosse vis¨ªvel em sua express?o. ¡ª Mascarados sempre me deixam confuso. Foi ent?o que Ana, como se n?o quisesse nada, fez um gesto dram¨¢tico, levando a m?o ¨¤ testa como se estivesse refletindo sobre algo de extrema complexidade. Seus olhos semicerrados e o suspiro profundo criaram um momento de suspense, fazendo os outros na sala a observarem com aten??o redobrada. ¡ª Algo te preocupa, Anabele? ¡ª perguntou o homem, tentando ser educado. Ana soltou um suspiro teatral e lan?ou um olhar significativo para Eva, como se dividisse com ela uma preocupa??o grave e compartilhada. ¡ª Ah, nada demais... ¡ª disse, arrastando as palavras. ¡ª ¨¦ que a Eva acabou de retornar de uma viagem importante, e... bem, parece que alguns habitantes de um reino vizinho estar?o chegando ¨¤ cidade em breve ¡ª fez uma pausa calculada, seus olhos brilhando com um toque de mal¨ªcia. ¡ª N?o ¨¦ exatamente um ataque, mas... digamos que t¨ºm um certo gosto por brigas. Os olhos de Jorge se estreitaram enquanto ele tentava absorver a informa??o com sua mente nublada, e, paralelamente a isso, Ana lan?ou um leve belisc?o em Eva, que estava prestes a tentar esclarecer a situa??o. A jovem se esfor?ou para esconder a dor e frustra??o, mas por fim ficou quieta, apenas lan?ando um olhar levemente irritado para a mercen¨¢ria enquanto tentava decifrar suas inten??es. If you discover this tale on Amazon, be aware that it has been stolen. Please report the violation. Foi ent?o que Cassandra, que vinha escutando tudo com os cotovelos apoiados na mesa, de repente, se ergueu com um salto, derrubando a cadeira com um estrondo. Seu rosto estava corado pela bebida, mas havia um entusiasmo inconfund¨ªvel em sua postura. ¡ª Voc¨º n?o pode os culpar! As pessoas precisam extravasar de alguma forma! ¡ª gritou, acentuando a explos?o repentina de energia. ¡ª Aqui em cima todo mundo finge que n?o quer dar uns bons murros em algu¨¦m, mas algum dia a popula??o se cansa! Se quer evitar que acabem destruindo metade da cidade... ent?o fa?a uma arena! A sugest?o pairou no ar por um momento, e a express?o de Ana se suavizou, transformando-se em um sorriso sorrateiro, como se j¨¢ pudesse ver as engrenagens girando em sua mente. O sil¨ºncio que se seguiu foi quase palp¨¢vel, como se todos estivessem considerando a ideia, cada um ¨¤ sua maneira. ¡ª Uma arena? ¡ª repetiu finalmente a rainha, inocentemente. Ela se inclinou para frente, cruzando os bra?os sobre a mesa e fixando o olhar em Cassandra, que ainda parecia tomada por sua s¨²bita epifania. ¡ª Sim, sim, uma arena! ¨¦ claro que isso funcionaria! A brutalidade na medida certa ¨¦ o melhor dos calmantes. E... quem sabe, at¨¦ rende uma boa quantidade de¡­ bem, apostas! ¡ª A ideia ¨¦ boa, mas temo que leve muito tempo para se organizar isso, eu n?o conhe?o tanto desse tipo de lugar¡­ ¡ª Deixe com a gente ¡ª o rei mercen¨¢rio ao seu lado comentou. ¡ª Cassandra parece bruta, mas se tratando de espet¨¢culos, ¨¦ realmente confi¨¢vel. Eva notou que Ana mantinha uma express?o controlada, mas conhecendo a rainha como conhecia, era f¨¢cil perceber o pequeno tremor em seus l¨¢bios por baixo da m¨¢scara, como se estivesse segurando uma risada alta. Felizmente, apenas soltou um suspiro e continuou com sua encena??o, assumindo um semblante de dar pena a cada frase. A garota ruiva ainda n?o entendia completamente a situa??o, mas suas sobrancelhas estavam quase se colando enquanto percebia que sua l¨ªder tentava se aproveitar da gentileza dos dois b¨ºbados. ¡ª Tem certeza disso? N?o quero dar trabalho para pessoas que acabei de conhecer ¡ª fingindo surpresa, Ana perguntou novamente enquanto levava a m?o pro peito como se estivesse emocionada. Cassandra, cada vez mais animada pela oportunidade, soltou uma gargalhada profunda que ecoou pela sala. ¡ª Claro que sim! D¨º-me alguns construtores e um bom lugar para dormir, e logo transformarei um simples campo em um anfiteatro digno de gladiadores! ¡ª Seus olhos brilhavam com entusiasmo, e o jeito dela falar fazia parecer que j¨¢ estava visualizando cada detalhe em sua mente. Ana balan?ou a cabe?a levemente, ainda mantendo a express?o de quem ponderava a oferta. ¡ª Ah, eu n?o posso aceitar algo assim de gra?a. Seria me aproveitar demais de sua generosidade... ¡ª Ela fez uma pausa e inclinou-se ainda mais para frente. ¡ª O que acha de trabalhar para mim? Cassandra ergueu uma sobrancelha, considerando a oferta por um momento, antes de abrir um sorriso de orelha a orelha. ¡ª Isso ¨¦ ainda melhor! Sabe como ¨¦ dif¨ªcil conseguir dinheiro na superf¨ªcie? Sem perder um segundo, a guerreira j¨¢ estava puxando alguns materiais que encontrou em um canto da sala. Com movimentos largos, come?ou a rabiscar rapidamente utilizando pequenos peda?os de carv?o. O esbo?o de sua mente come?ou a se mostrar enquanto falava com a voz acelerada, pulando entre mil possibilidades. ¡ª Ah, e n?o ia dizer nada, mas tenho que aproveitar a oportunidade... sua cidade est¨¢ muito crua! ¡ª ela gesticulava com a m?o enquanto desenhava, sem desviar os olhos do trabalho. ¡ª Todo bom reino precisa de uma casa termal, sabe? Algo como em Roma! Quem n?o gostaria de um banho quente depois de um dia de trabalho? A sugest?o fez Ana soltar uma risada aberta e sincera. Ela arrastou sua cadeira para mais perto, posicionando-se ao lado da mulher robusta. A jovem conselheira permaneceu perdida, questionando-se de onde aquela pessoa havia vindo e qual era o v¨ªnculo que as unia, pois, olhando de fora, a proximidade entre elas era evidente. As horas passaram em um piscar de olhos. Caneca ap¨®s caneca era esvaziada, e, contraditoriamente ao que se esperaria de uma noite de bebedeira insana, mais e mais rascunhos e desenhos surgiam na mesa, cada um mais elaborado e ousado que o anterior, como se o ¨¢lcool despertasse suas genialidades. As risadas e provoca??es se misturavam ao carv?o at¨¦ que, por fim, ambas ca¨ªram em um desmaio quase sincronizado, o cansa?o e o ¨¢lcool finalmente vencendo as duas. Foi ent?o que se ouviu um som leve e met¨¢lico, um tintilar que ecoou pela sala, despertando a conselheira de sua recapitula??o interna. Buscando a origem do som, ela virou a cabe?a rapidamente, vendo um canudo de ferro, o qual a rainha usou para beber mantendo sua identidade escondida ao longo da noite, rolando pelo ch?o at¨¦ parar ao lado de sua bota. O som pareceu ter um efeito imediato em Ana, que despertou de um salto, piscando os olhos v¨¢rias vezes enquanto se reorientava. Ainda meio sonolenta, olhou ao redor, deu uma risada baixa e se espregui?ou, girando o corpo para esticar os m¨²sculos enquanto seus ossos estalavam com o movimento. ¡ª Essa cerveja com mana ¨¦ boa demais, tenho que agradecer a Madame mais tarde ¡ª murmurou a mulher, vendo Eva a encarando. ¡ª N?o sinto nem um pouco de ressaca. A menina apenas assentiu em sil¨ºncio, sem saber muito bem como responder. Ana ent?o a estudou por um momento, seus olhos deslizando de maneira cr¨ªtica sobre a figura da conselheira. ¡ª Voc¨º cresceu um pouco? Parece maior¡­ Ah, a juventude... Com o coment¨¢rio vindo do nada, se deitou novamente na mesa, fechando os olhos como se um punhado de areia os cobrisse. Eva respirou fundo, e, com cuidado, recolheu os pergaminhos mais importantes, deixando de lado alguns que eram claramente apenas rabiscos embriagados. Em um deles, notou uma caricatura de Ana com uma coroa desproporcional na cabe?a e uma express?o carrancuda que algu¨¦m, provavelmente Nyx, desenhara com uma nota ao lado: ¡°Rainha do Drama¡±. N?o p?de evitar um sorriso, dobrando o papel junto com os outros. Dando uma ¨²ltima olhada em todos, decidiu que, como sempre, o melhor seria focar nas suas tarefas. Levantou-se, com o peso das responsabilidades voltando a pairar em seus ombros, e se preparou para mais um dia de trabalho na cidade que, cada vez mais, parecia tomar um rumo inesperado e grandioso.
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Capítulo 125 - Cantos da Dupla Hélice
Ol¨¢ leitor, bom dia! Hoje ¨¦ black friday, ent?o venho aqui com uma oferta especial! A cada 3 reviews (avalia??es da obra com coment¨¢rios), 5 avalia??es comuns (s¨® as estrelas!) ou 7 novos seguidores/favoritos na obra, liberarei um novo cap¨ªtulo! (limitado a 20 cap¨ªtulos, ¨¦ o que tenho livre para mandar para voc¨ºs, rs) Al¨¦m disso, j¨¢ deu uma olhada no nosso APOIA.se? Acabei de mandar uma nova capa toda desenhada por mim mesmo para a vers?o f¨ªsica do volume 1 da obra, adoraria sua opini?o sobre! https://apoia.se/eda Se der uma passada por l¨¢, o que acha de j¨¢ garantir seu exemplar? Mesmo 5 reais por m¨ºs j¨¢ ¨¦ um grande apoio para o sonho desse pobre autor...
Os dias passavam como folhas caindo no outono, e agora o inverno havia finalmente se instalado na cidade. O ar g¨¦lido penetrava pelas brechas das constru??es, fazendo os moradores se encolherem sob suas capas e casacos, enquanto o ch?o de pedra se tornava trai?oeiro, acumulando uma fina camada de gelo que obrigava a todos a caminharem com cuidado. No entanto, para Ana, a esta??o fria trazia um novo ritmo de trabalho. Com o subsolo impr¨®prio para a pesquisa devido ¨¤s baixas temperaturas e ¨¤ umidade que dificultava a opera??o de alguns maquin¨¢rios, ela transferiu seus experimentos para a torre mais alta do castelo. O lugar havia se tornado um observat¨®rio improvisado, um ref¨²gio onde podia contemplar a cidade e ao mesmo tempo dar continuidade aos seus estudos. ¡ª Tem certeza disso? ¡ª A pergunta ecoou pelo local, vinda de um r¨¢dio triangular e elegante que estava firmemente encaixado entre as esc¨¢pulas de Let¨ªcia, quase parecendo uma extens?o de seu corpo. A voz que emergia dele era suave, mas mantinha o toque est¨¢tico caracter¨ªstico de frequ¨ºncias sussurradas, um som que parecia distante e ao mesmo tempo ¨ªntimo. Ouvindo a pergunta, Ana sorriu consigo mesma, lembrando-se das palavras de Marlene quando ela mencionou a possibilidade de Let¨ªcia ser sua assistente de pesquisa. "Voc¨º quer ela como assistente? Isso ¨¦ ¨®timo, ela ¨¦ t?o louca quanto voc¨º. Bem, talvez um pouco menos." Era um coment¨¢rio que, apesar de carregado de humor, resumia bem o esp¨ªrito da jovem mulher planta ao seu lado. Com um gesto despreocupado da m?o, Ana sinalizou para que Let¨ªcia interrompesse suas perguntas incessantes. Ao inv¨¦s de responder diretamente, caminhou at¨¦ a janela do observat¨®rio, deixando seus olhos se perderem na vis?o ampla que se estendia abaixo. A cidade parecia min¨²scula vista daquela altura, um emaranhado de ruas, constru??es e pessoas que se moviam como pequenas sombras. Do alto, Ana conseguia ver as mudan?as que ocorriam em seu dom¨ªnio. Era uma vis?o que a fazia lembrar de tempos antigos, de um passado que agora parecia uma mem¨®ria distante e borrada onde diariamente suas m?os trabalhavam organizando in¨²teis ma?os de papel. ¡ª ¨¦ uma lembran?a de merda¡­ Em meio a suspiros e resmungos, continuou sua contempla??o. Mesmo no inverno rigoroso, a gigantesca arena estava em plena constru??o, erguendo-se como um colosso de pedra e madeira, dominando o horizonte como uma cicatriz marcante no tecido urbano. Bloco ap¨®s bloco, a estrutura se erguia com uma majestade brutal, uma obra de dedica??o e suor sob a lideran?a diligente de Cassandra. Ao redor, pequenos grupos de curiosos assistiam ao progresso, conversando entre si enquanto esfregavam as m?os enluvadas para afastar o frio. A cidade das m¨¢scaras, que antes era apenas um ref¨²gio discreto, agora atra¨ªa aventureiros de todos os cantos. Mercen¨¢rios experientes, astutos comerciantes em busca de novos mercados, exploradores em busca de terras desconhecidas e at¨¦ mesmo ca?adores puristas, aqueles que, apesar de sua lealdade ¨¤ humanidade, n?o se importavam em conviver com outras ra?as. Todos encontravam ali um novo lar. A promessa de riqueza e novas oportunidades era um im? poderoso. Barueri, conhecida por seu controle r¨ªgido atrav¨¦s das guildas, n?o oferecia a liberdade que muitos buscavam. Aqui, ao contr¨¢rio, a chance de ascens?o era mais real, ainda que com seus pr¨®prios desafios. No fim, poder e dinheiro ainda ditavam as regras do jogo, e a cidade estava aprendendo a tirar proveito disso. Os conselheiros de Ana, por sua vez, trabalhavam incansavelmente para manter o ritmo de crescimento. Emitiam miss?es regularmente, desde tarefas simples como "Encontre uma mina de min¨¦rio X" ou "Recupere ossos da criatura Y" at¨¦ pedidos de escolta para proteger comboios em viagens perigosas, mantendo o fluxo constante de trabalho e recompensas. E claro, a famosa cerveja de mana local continuava a atrair muitos para uma visita. A bebida, com seu sabor ¨²nico e revigorante, tornara-se quase um s¨ªmbolo da cidade. N?o era algo exclusivo de l¨¢, outros faziam algo semelhante, mas os ingredientes usados em sua composi??o pareciam de primeira linha, levando os aventureiros a passarem horas a fio embriagados em conversas e jogos de azar. ¡ª Caralho, quando constru¨ªram isso? ¡ª pensou a rainha em voz alta, franzindo o cenho ao notar uma s¨¦rie de novas estruturas pr¨®ximas ¨¤s planta??es. Eram armaz¨¦ns robustos, prontos para armazenar reservas de alimentos para tempos de escassez. Um sorriso involunt¨¢rio curvou seus l¨¢bios enquanto pensava que sequer havia notado os oper¨¢rios trabalhando. A cena a lembrou de Marlene e da Divis?o Dr¨ªades. Mesmo durante o inverno, as planta??es continuavam produtivas, tudo gra?as ao trabalho ¨¢rduo do povo verde. Ap¨®s meses de refei??es mon¨®tonas ¨¤ base de carne e ra¨ªzes, a cidade finalmente podia variar seus pratos com vegetais frescos e outros ingredientes que brotavam a um ritmo impressionante. Ana ent?o ativou uma habilidade que havia come?ado a treinar recentemente em seus momentos de introspec??o. Com um leve brilho em seus olhos, direcionou a mana para os vasos sangu¨ªneos ao redor de suas retinas, ampliando seu alcance visual. J¨¢ vira L¨²cia usar muitas vezes, mas a t¨¦cnica, apesar de b¨¢sica, ainda consumia mais energia do que sua regenera??o natural atrav¨¦s das flores. Felizmente, com treino suficiente, havia aprendido a manter controle para que sua reserva n?o ca¨ªsse abaixo do n¨ªvel seguro. Foi assim que notou algo curioso: pequenos pontos amarelos brilhavam do lado de fora dos muros da cidade. Balan?avam suavemente, e lembravam manchas de sol em um inverno cinzento. Dr¨ªades dan?avam graciosamente entre eles, realizando movimentos ritual¨ªsticos enquanto cuidavam das plantas. A vis?o era, no m¨ªnimo, intrigante, e por um momento, ela se perguntou qual era o objetivo daquela planta??o t?o peculiar. ¡ª Girass¨®is? ¡ª Marlene tem trabalhado em alguns projetos ¡ª respondeu Let¨ªcia, com um tom sereno, mas carregado de entusiasmo. ¡ª Se isso for um problema, posso pedir para remov¨º-los, senhorita. Ana deu de ombros, ainda observando a cena vibrante do alto da torre. ¡ª N?o, deixe como est¨¢. At¨¦ que traz um contraste interessante ao cen¨¢rio. A plant¨ªnea, percebendo que Ana estava prestes a se perder em seus pensamentos novamente, limpou a garganta para chamar a aten??o de volta para a quest?o inicial. ¡ª Ent?o, sobre a pesquisa... Ana piscou algumas vezes, como se voltasse de um devaneio profundo, antes de finalmente se virar para ela e responder com um leve sorriso. ¡ª Ah, sim, desculpe. Vamos come?ar logo. Puxando as mangas do jaleco, Ana estendeu o bra?o, deixando ¨¤ mostra as marcas recentes de pequenos experimentos que vinham se acumulando em padr?es quase art¨ªsticos na sua pele. Na mesa ao seu lado, Let¨ªcia fazia os ajustes finais, preparando uma seringa que parecia fora de lugar, com um l¨ªquido cintilante de cor amarelada.Stolen content alert: this content belongs on Royal Road. Report any occurrences. A grossa agulha perfurou sua pele com um leve estalo, e a substancia come?ou a ser introduzida em seu sistema. O ardor percorreu suas veias, irradiando a partir do ponto de inje??o como uma onda que descia por seus bra?os e se espalhava por seu peito. A sensa??o era desconfort¨¢vel, mas n?o exatamente dolorosa. ¡ª E a¨ª, como est¨¢ se sentindo? ¡ª perguntou Let¨ªcia, inclinando-se para analisar a rea??o da rainha. ¡ª Parece tudo bem. Dessa vez, n?o sinto nada queimando. ¡ª N?o se esque?a: qualquer rea??o anormal, pare a circula??o da mana imediatamente. ¡ª Eu sei, eu sei. Ana assentiu, mas sua mente j¨¢ estava focada no pr¨®ximo passo. Deixou a agulha no bra?o por mais alguns segundos antes de retir¨¢-la e, em seguida, fechou os olhos, concentrando-se em sentir a energia das novas c¨¦lulas. Come?ou a circular a mana pelo corpo, conduzindo-a atrav¨¦s de suas art¨¦rias e veias, guiando-a at¨¦ os pontos onde a substancia deveria come?ar a agir. No ¨²ltimo m¨ºs, Ana havia decidido ser sua pr¨®pria cobaia, utilizando seu corpo como um campo de testes para explorar os efeitos das infus?es de DNA. Havia ponderado em testar em outras pessoas, talvez alguns corrompidos, mas o tempo que levaria para monitorar os resultados a fizeram desistir da ideia. Mais do que isso, havia certo orgulho e confian?a que a atraia, afinal, ela mesma faria os c¨¢lculos, como poderia estar errada? Os primeiros experimentos foram, em sua maioria, tentativas de compreender as varia??es gen¨¦ticas das diferentes ra?as e seres que agora habitavam a cidade, e como tais caracter¨ªsticas podiam ser transferidas. Era um trabalho tedioso, que exigia um rigor quase obsessivo em cada detalhe, mas que come?ava a apresentar resultados. . Um dos testes iniciais usou DNA de algumas variantes com caracter¨ªsticas de p¨¢ssaros noturnos. N?o tinham asas ou coisas do tipo, mas ganharam uma vis?o incr¨ªvel durante a noite. O resultado foi, de certa forma, um sucesso. Ao olhar pela janela, viu cada canto escuro com uma nova nitidez, mas o ganho foi tempor¨¢rio e dif¨ªcil de mensurar, desaparecendo poucas horas depois. Haviam pensado que seria uma muta??o permanente, mas as c¨¦lulas dominantes rapidamente eliminavam as invasoras. Outra tentativa envolveu a replica??o da ader¨ºncia de exos membros de alguns estranhos visitantes que escalavam paredes, mas, nesse caso, os resultados foram decepcionantes: um leve formigamento nas extremidades dos dedos e nada mais. Para sua sorte, havia material mais que suficiente para aprimorar aos poucos, ent?o tinha esperan?a de conseguir algo mesmo nos testes falhos. Quando iniciou esses experimentos, havia considerado a possibilidade de sequestrar corrompidos para melhores estudos, mas um estranho senso de justi?a distorcido a fez mudar de ideia e, em vez disso, fez um an¨²ncio p¨²blico, buscando volunt¨¢rios. Os sequestraria apenas se ningu¨¦m aparecesse. Para sua surpresa, n?o faltaram candidatos. Alguns vieram para mostrar boa vontade para a rainha, com ambi??es pessoais ou torcendo por melhorias para suas fam¨ªlias. Outros estavam simplesmente interessados na ideia de se tornarem mais fortes, de transcender suas limita??es naturais caso a pesquisa desse certo. E havia, ¨¦ claro, os que vinham por pura curiosidade, fascinados pela mistura de ci¨ºncia e fantasia que Ana prometia. Assim, suas tardes eram passadas no laborat¨®rio, enquanto era vista na forja pelas noites, aperfei?oando sua engenharia m¨¢gica. Claro, existiam momentos em que sua rotina mudava, e esses momentos se mostravam principalmente quando ela sentia os dedos come?arem a co?ar, ansiando por algo que a despertasse do cansa?o da rotina. Como um d¨¢diva dos c¨¦us, a solu??o para eliminar tais vontades brotou na sua frente sem que precisasse fazer nada. Ringues clandestinos estavam pipocando nos becos sombrios da cidade, lugares onde a adrenalina flu¨ªa sem restri??es. Isso se devia aos escamosos que haviam chegado recentemente. Eles pularam de felicidade ao saber que fizeram a escolha certa em ir at¨¦ os mascarados, pois finalmente teriam um lugar para mostrar sua for?a adequadamente. Tentaram aguardar ansiosamente pela inaugura??o oficial da grande arena ao inv¨¦s de criar brigas atoa, no entanto, sua impaci¨ºncia acabou prevalecendo. As lutas eram espet¨¢culos em miniatura que aconteciam em c¨ªrculos de espectadores, onde as luzes fracas mal iluminavam os corpos em combate. Era uma briga de c?es, onde cada golpe era dado com um sorriso, e cada queda era apenas uma promessa de mais um round. Os ferimentos eram frequentemente graves, bra?os deslocados, dentes quebrados, ossos que se partiam. Era um ambiente ca¨®tico, mas as regras t¨¢ticas de n?o matar e respeitar a derrota mantinham uma certa ordem. Assim, Ana fechava os olhos para isso, como se n?o existissem, e deixava o som dos golpes e grunhidos preencherem seus ouvidos. Quando visitava essas sess?es de pancadaria, vestia uma m¨¢scara simples, algo desassociado ao visual da rainha que todos atrelaram a sua m¨¢scara monocrom¨¢tica. Era uma decis?o simples, mas efetiva, pois ali ela se tornava apenas mais uma figura mascarada. Foi entre esses golpes e quedas que viu pela primeira vez os efeitos da regenera??o do povo de Carapicu¨ªba. Dias depois de terem sofrido fraturas m¨²ltiplas ou ferimentos profundos, l¨¢ estavam eles de novo, inteiros, prontos para mais uma rodada. O que Ana sentia ao observar aquilo era algo pr¨®ximo de inveja. N?o demorou para que a ideia gananciosa de absorver aquela habilidade surgisse. Felizmente, com todo o equipamento recuperado, isolar o DNA respons¨¢vel pela regenera??o usando m¨¦todos de biotecnologia avan?ada n?o foi um processo demorado. Crispr, uma ferramenta que outrora pertencia aos cientistas do mundo antigo, se mostrava ainda mais primoroso nas m?os da rainha milenar. ¡ª At¨¦ agora, nenhum sinal de rejei??o ¡ª comentou a mercen¨¢ria de repente, interrompendo o sil¨ºncio da sala. ¡ª N?o comemore antes da hora, ainda temos muito o que verificar ¡ª Let¨ªcia respondeu, mas a anima??o em sua voz tra¨ªa sua tentativa de parecer profissional. O pr¨®prio ar parecia compartilhar da anima??o das mulheres, mas o verdadeiro teste viria agora, quando o corpo receptor se adaptaria ¨¤s mudan?as, ou brigaria contra ela. A substancia, ainda inst¨¢vel, se fundia ¨¤ pr¨®pria ess¨ºncia de Ana lentamente, e, aos poucos, a sensa??o quente do l¨ªquido foi se dissipando, sendo substitu¨ªda por uma corrente gelada que impregnou seus membros. A rainha deixou um suspiro escapar e abriu os olhos. ¡ª Acho que n?o vai al¨¦m disso. Como se vendo se ainda funcionava, girou o bra?o, testando os movimentos, buscando algum sinal de dor ou desconforto. Ela riu, a voz carregada de uma satisfa??o ligeiramente insana. Com um gesto despreocupado, pegou um bisturi de uma das mesas, fazendo-o dan?ar entre os dedos. Sem hesitar, tra?ou um corte limpo em seu pr¨®prio antebra?o, retirando um pequeno peda?o de carne, uma ferida que deveria sangrar abundantemente, mas que, para surpresa de ambas, apenas liberou algumas gotas de sangue antes de coagular de imediato. ¡ª Interessante... ¡ª murmurou a cientista vegetal, a curiosidade iluminando seu olhar. Ana fechou os olhos, concentrando a mana ao redor da ¨¢rea danificada, guiando-a em espirais sutis para acelerar o processo de cicatriza??o. Sentiu a pele come?ar a se reorganizar, como uma teia que se tece sozinha. Com um toque casual, ela encaixou de volta o peda?o removido, como se estivesse fechando a tampa de um compartimento. Percebeu ele se reintegrando devagar ao seu corpo como uma pe?a de quebra cabe?a. ¡ª N?o ¨¦ nada milagroso, mas deu certo. Talvez, com alguns ajustes, eu possa conseguir algo ainda melhor... ¡ª Ana comentou, com um toque de frustra??o na voz. ¡ª Se aquele maldito l¨ªder lagarto nos desse umas partes do corpo, eu conseguiria resultados melhores. O que falta ¨¦ qualidade. Por fim suspirou, limpando a crosta de sangue j¨¢ seco com a ponta dos dedos, enquanto Let¨ªcia fazia anota??es r¨¢pidas em um caderno de couro desgastado. Foi nesse momento que Miguel entrou na sala. O mascarado estava com sua express?o habitual, a m¨¢scara branca escondendo tra?os de emo??o, mas o modo como seus olhos brilharam ao ver a cena denunciava um certo desapontamento. ¡ª Ah, Miguel, sempre t?o s¨¦rio. ¡ª Voc¨º se esqueceu da reuni?o do seu grupo, Ana. Eles est?o esperando h¨¢ meia hora. Como se picada por um inseto, a mulher bateu a palma da m?o na testa, e a lembran?a surgiu em sua mente de forma explosiva. ¡ª Droga, realmente esqueci ¡ª ela co?ou o antebra?o onde a seringa havia perfurado sua pele recentemente, sentindo ainda um leve formigamento. Em seguida, jogou de lado o jaleco branco que usava, deixando-o em uma cadeira qualquer, e fez um aceno para Let¨ªcia. ¡ª Arrume tudo por aqui, eu volto depois. A assistente retribuiu o aceno, j¨¢ come?ando a organizar os instrumentos. Miguel, sempre meticuloso, retirou de sua mochila um casaco pesado feito de pele, com um forro quente de tecido escuro que contrastava com o exterior branco e peludo. Ele o estendeu para Ana, que aceitou o gesto com um sorriso de satisfa??o. ¡ª E ¨¦ por isso que adoro voc¨º, Miguel ¡ª disse ela, enquanto vestia o casaco. O material denso era perfeito para enfrentar o frio constante que fazia do lado de fora. O toque da l? quente contra sua pele era um al¨ªvio bem-vindo, e a capa longa que acompanhava o casaco se arrastava levemente pelo ch?o enquanto ela caminhava. ¡ª Eu sei ¡ª respondeu Miguel, sem qualquer tra?o de emo??o, mas o tom seco de suas palavras fez Ana soltar uma risada abafada. Com a nova veste firme em seus ombros, Ana desceu rapidamente as escadas da torre. Do lado de fora, a neblina acumulava-se nas bordas do rio, que agora corria gelado sob a ponte que levava ¨¤ entrada da caverna de Garm, onde rostos conhecidos a esperavam, irritados e com frio.
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Capítulo 126 - Insídia
Hoje, a atmosfera na caverna estava incomumente aconchegante. O calor da respira??o ansiosa e o brilho sobrenatural das luzes esverdeadas criavam um ambiente contrastante com o mundo l¨¢ fora. Ali, Ana, a rainha mascarada, reunira apenas os membros de sua unidade mais pr¨®xima, o Puni??o Divina. As figuras de Nyx, Eva e Alex estavam dispostas ao redor de uma baixa mesa improvisada, sentados em grandes almofadas. Garm, como sempre, repousava pr¨®ximo ¨¤ entrada, o olhar vigilante enquanto descansava seu corpo imenso. ¡ª Faz tempo que a gente n?o se reune assim¡­ t¨¢ todo mundo bem? Parece que o inverno realmente chegou pra valer, hein? ¡ª perguntou sucessivamente Alex, esfregando as m?os para afastar o frio. ¡ª O vento t¨¢ gelado demais! ¡ª Eu gosto do frio. Deixa tudo mais bonito ¡ª murmurou suavemente Nyx, mas seu corpo parecia tremer por baixo da manta escura em que se enrolava. ¡ª E voc¨º, o que acha, Ana? A mercen¨¢ria deu de ombros, sentando-se entre eles. ¡ª Deixa meu corpo duro, mas n?o ¨¦ ruim. As crian?as caindo na ponte congelada s?o um ponto positivo desse tempo estranho. Garm ergueu uma orelha e lan?ou um olhar de desaprova??o para a rainha, que apenas riu, satisfeita em ter provocado uma rea??o. Alex cruzou os bra?os, apoiando-se contra uma parede pr¨®xima, observando a intera??o com um leve sorriso no rosto. Todos riram, imaginando a cena das pequenas figuras correndo e sentindo o desgosto da vida ao notarem seus corpos acertando pesadamente o ch?o. Mas a descontra??o durou pouco, pois Eva logo retomou a express?o s¨¦ria. Seu nariz estava em um forte tom rosado, e escorria um pouco, a obrigando a fazer o habitual som de fungar dos gripados, o que a deixava mais impaciente que o normal. ¡ª Certo, voc¨º nos reuniu aqui pra esse tal compromisso inadi¨¢vel, ent?o deve ter um bom motivo para isso ¡ª Eva cruzou os bra?os, seu tom sem rodeios, mas a curiosidade dan?ando em seus olhos. ¡ª Podemos ir logo ao ponto? ¡ª Calma, minha jovem. ¨¦ sempre bom manter um pouco de mist¨¦rio. Hoje temos muito o que discutir. Mas bem, que sejamos r¨¢pidos ent?o! Ana sorriu, mas dessa vez, seu olhar tornou-se mais focado, um brilho de determina??o que Eva reconheceu. Ela se levantou de seu assento e estendeu a m?o, segurando um estranho objeto que at¨¦ ent?o estava escondido em seu bolso. O gesto foi acompanhado de um ar teatral, mas seus olhos n?o deixavam d¨²vidas de que falava s¨¦rio. ¡ª Como todos sabem, n?o somos mais s¨® uma pequena cidade. Ouso dizer que j¨¢ fomos muito al¨¦m disso, e em tempo recorde! Assim, precisamos de algo que represente a for?a e a uni?o de todos os que vivem sob essas muralhas. Com um movimento preciso e cheio de inten??o, Ana girou o objeto entre os dedos, erguendo-o com elegancia para que todos pudessem v¨º-lo. O broche de metal que ela revelava era de uma elegancia simples, mas cheia de simbolismo. No centro, uma m¨¢scara, desprovida de detalhes individuais, representando a aus¨ºncia de identidade espec¨ªfica. Era um s¨ªmbolo de unidade, indicando que todos povos de todas as variantes e origens, n?o importa suas diferen?as, s?o um s¨® dentro deste dom¨ªnio, unidos pela mesma coroa invis¨ªvel que governava sobre o reino de Ins¨ªdia. O rosto da m¨¢scara, sereno e enigm¨¢tico, trazia uma express?o de neutralidade, como se estivesse tanto a observar quanto a proteger. Ao redor dela, ramos espinhosos e flores entrela?avam-se em um c¨ªrculo que n?o era nem perfeitamente sim¨¦trico nem totalmente irregular. As linhas delicadas dos espinhos sugeriam uma for?a oculta, um alerta de que, sob a aparente serenidade, havia brutalidade e poder prontos para serem despertados. Ao mesmo tempo, as flores davam um toque de vida, sugerindo crescimento e evolu??o. ¡ª Ele mant¨¦m as origens at¨¦ certo ponto, mas este ¨¦ o s¨ªmbolo da nossa na??o... Ins¨ªdia. A terra dos que foram abandonados, dos que reescrevem seus pr¨®prios destinos. ¡ª Suas palavras ressoaram pela caverna, e a intensidade em sua voz fez com que o novo nome gravasse uma marca no esp¨ªrito de todos presentes. No mesmo instante, como se suas palavras tivessem sido um sinal, um som met¨¢lico ecoou pela caverna, e grandes bandeiras se desdobraram do teto em um movimento fluido, caindo como cortinas pesadas ao redor deles. As cores intensas do novo emblema reluziam ¨¤ luz das tochas, preenchendo o ambiente com uma aura de renova??o. O grupo, sem tempo de ter uma rea??o adequada, arregalou os olhos, e, ao fundo, puderam ouvir a exclama??o de surpresa que vinha das ruas l¨¢ fora, sugerindo que o mesmo espet¨¢culo acontecia pela cidade. Mesmo que n?o vissem, podiam imaginar as bandeiras tremulando nas torres, destacando-se contra o c¨¦u cinzento do inverno. Inesperadamente, cada um deles foi preenchido por um intenso sentimento de realiza??o, um discreto orgulho de cada passo que deram juntos. Estavam esperando esse dia a meses, e hoje, finalmente, a cidade das m¨¢scaras deixava de ser apenas um ref¨²gio para os rejeitados e os perdidos, transformando-se em algo maior, um lugar que come?ava a definir sua pr¨®pria hist¨®ria. Ana se virou novamente para os membros do grupo, deixando que as palavras vagassem no ar enquanto os olhares de seus aliados voltavam a se focar. ¡ª Claro, n?o se trata apenas de construir um esqueleto de um reino ¡ª continuou ela, sua voz ganhando um tom mais profundo, mais ambicioso. ¡ª Vamos criar festivais e cerim?nias, definir nossas pr¨®prias tradi??es, celebrar nossas vit¨®rias e chorar nossas derrotas juntos. Vamos consolidar o orgulho de sermos daqui, para que todos saibam que algo maior nasceu. ¨¦ hora de deixarmos nossa marca no mundo. Nyx parecia fascinada, seu olhar brilhando com a promessa de um novo come?o, sua natureza selvagem capturando a ideia de um lugar onde a liberdade era lei. Alex, por outro lado, manteve uma express?o ponderada, mas havia um sorriso satisfeito em seus l¨¢bios, como se apreciasse a seriedade da proposta. Eva observava com uma mistura de ceticismo e admira??o, tentando processar o quanto aquela simples cidade havia crescido. Foi ent?o que, sem aviso, Ana bateu duas palmas, chamando a aten??o de todos. Em resposta, um grupo de mascarados entrou na caverna de forma coordenada, carregando uma s¨¦rie de caixas robustas. Eles as dispuseram em um c¨ªrculo ao redor da mesa antes de se retirarem em sil¨ºncio, como sombras que se desfaziam na escurid?o das paredes de pedra. ¡ª Antes de discutirmos os detalhes do nosso novo lar, quero compartilhar algo que fiz pessoalmente para voc¨ºs ¡ª ela passou a m?o pelos entalhes da tampa de uma das caixas, sorrindo para si mesma. ¡ª Foi um trabalho que exigiu muito esfor?o. Usei tudo que aprendi neste novo mundo, todas as ideias e conceitos que absorvi. Espero que gostem do resultado. Os membros do Puni??o Divina trocaram olhares curiosos e intrigados. A expectativa no ar era quase palp¨¢vel, e os olhos de todos se voltaram para as caixas, tentando adivinhar o que se escondia em seu interior. ¡ª O que est?o esperando? Abram! O som das trancas sendo liberadas foi instantaneo. Quando as caixas foram abertas, um brilho escuro, mas intenso, preencheu a caverna. Em cada uma repousava uma armadura completa para o bra?o, uma pe?a ¨²nica de um metal escuro, quase como obsidiana, que cobria do ombro aos dedos, composto de pequenas pe?as esculpidas com uma precis?o quase sobrenatural. Cada parte continha finos ligamentos prateados, t?o finos que lembravam tecido, mas t?o firmes que traziam uma chama de seguran?a ao simples toque. O brilho emitido por elas era tanto intrigante quanto hipnotizante, o tipo de resplendor que quase exigia que as usassem imediatamente.Find this and other great novels on the author''s preferred platform. Support original creators! ¡ª Isso¡­ ¨¦ impressionante ¡ª disse Alex, incapaz de esconder a admira??o. Ele girou a pe?a em suas m?os, examinando o emblema do reino gravado nos ombros, um s¨ªmbolo complexo que apresentava um tom escurecido, mas ao mesmo tempo reluzente, criando um contraste fascinante com o metal negro. No entanto, seus olhos se estreitaram ao notar, ao lado do emblema, tr¨ºs estranhos sulcos sem um prop¨®sito aparente. ¡ª Sobre isso, vou demonstrar mais tarde ¡ª comentou Ana, com um sorriso provocador, interrompendo a pergunta que sabia que seria feita ao notar o olhar confuso do homem. ¡ª Primeiro quero que voc¨ºs experimentem. Depois eu explico. Os membros do Puni??o Divina n?o contestaram, apenas vestiram as armaduras com pressa. ¡ª Parece que foram feitas para mim ¡ª comentou Eva, girando o bra?o para testar a flexibilidade. ¡ª N?o atrapalham em nada os movimentos. Os outros assentiram. Cada pe?a se ajustou perfeitamente a seus bra?os, moldando-se aos contornos de seus corpos como se tivesse sido feita sob medida. O metal parecia fluir com a curvatura de seus bra?os, abra?ando a pele com uma press?o firme, mas n?o desconfort¨¢vel. Era como vestir uma segunda pele, que ao toque parecia fria, mas que se aquecia rapidamente, adaptando-se ¨¤ temperatura do corpo. Ana sorriu enquanto colocava seu pr¨®prio protetor, notavelmente distinto do dos outros membros. Havia algo na sua pe?a que transbordava autoridade, poder e um certo mist¨¦rio. O emblema cravado em seu ombro era uma varia??o majestosa do s¨ªmbolo comum. No centro estava a mesma m¨¢scara desprovida de tra?os definidores, mas nesta vers?o, havia algo mais: um par de chifres curvados que se projetavam delicadamente da parte superior, formando arcos amplos e imponentes. Esses chifres n?o tinham uma simetria perfeita; um deles se dobrava levemente para dentro, como se representasse controle e conten??o, enquanto o outro se expandia para fora, simbolizando uma selvageria indom¨¢vel. Em seu entorno, o c¨ªrculo organico se mantinha, mas aqui, os espinhos pareciam mais afiados, e as flores, mais v¨ªvidas, quase pulsando com energia. Cada detalhe sutil sugeria a dualidade da rainha: a brutalidade e a realeza, o caos e a ordem, a vida e a morte. No topo da m¨¢scara, repousava uma coroa simples entrela?ada com ouro envelhecido, como se tivesse sido moldada diretamente do metal fundido. N?o era uma coroa de realeza comum; suas pontas eram afiadas como laminas de elegancia selvagem. As pontas alongadas pareciam tocar o ar, como garras prontas para se fechar sobre tudo ao redor. ¡ª Me dediquei bastante pra alcan?ar isso. O material ¨¦ um composto especial que desenvolvi nos ¨²ltimos meses com os min¨¦rios raros extra¨ªdos das minas rec¨¦m-descobertas ao norte, al¨¦m de cristais infundidos com mana concentrada ¡ª explicou Ana, orgulhosamente, enquanto olhava para os detalhes do item. ¡ª Flex¨ªvel, mas imensamente resistente, capaz de suportar os impactos mais severos sem perder sua leveza. Por sinal, n?o esqueci de voc¨º, Garm. Saltitando, se aproximou rapidamente do lobo gigantesco, que se levantou em um salto, seu corpo causando um tremor no solo. A ansiedade estava clara em seus olhos, e sua cauda batia contra o ch?o com impaci¨ºncia. Ana se abaixou e, com cuidado, retirou da caixa n?o um protetor de bra?o, mas sim uma pr¨®tese negra e majestosa, projetada especificamente para ele. O metal brilhava com o mesmo tom escuro das demais, mas era ainda mais imponente, mais robusta, feita para suportar o peso e a for?a de um ser t?o colossal. Quando ela a levou ao membro amputado, o encaixe foi perfeito. ¡ª Voc¨º sabe que vai doer quando isso for fixado, n?o ¨¦? ¡ª Podemos fazer isso mais tarde? ¡ª perguntou o lobo, bufando de forma meio envergonhada, lembrando de seus uivos involunt¨¢rios quando a mand¨ªbula foi implantada em sua face. Ele conhecia essa dor, mas tamb¨¦m sabia que era necess¨¢ria. ¡ª Vou pensar no seu caso. ¡ª Ele me lembra o Felipe ¡ª a voz de Alex saiu melanc¨®lica, mas seu sorriso era radiante com as mem¨®rias. ¡ª Eu disse a mesma coisa quando vi ele sem a perna! ¡ª respondeu Ana, rindo alto. Enquanto todos observavam Garm se adaptar superficialmente ¨¤ nova pr¨®tese, Eva, ainda encantada com o presente, finalmente se aproximou. ¡ª E para que servem essas runas? Digo, s?o runas, n¨¦? ¡ª perguntou, referindo-se aos refinados s¨ªmbolos que se conectavam externamente e internamente em cada escama de metal, gravados com uma precis?o quase imposs¨ªvel. Ana ergueu o olhar, os pequenos e alinhados dentes apresentando a composi??o sinistra que chamava de sorriso. ¡ª Como eu disse, isso ¨¦ o resultado de tudo que aprendi nesses ¨²ltimos meses. Todos trocaram olhares nervosos ao ver que nenhuma explica??o real foi dada, e a sala pareceu esfriar por um momento. Havia algo na express?o de Ana que mexia com o instinto mais primitivo deles. Era como se gritos surgissem na profundidade de suas almas, dizendo selvagemente que algo estava prestes a acontecer, algo que desafiava a raz?o. ¡ª Bem, por que n?o testamos todos juntos? ¡ª sugeriu a jovem ruiva, tentando se recompor. Com um aceno conjunto, tentaram deixar a preocupa??o de lado e come?aram a canalizar sua mana ao mesmo tempo. Conforme a energia flu¨ªa, as runas e linhas nas armaduras come?aram a se iluminar, partindo do emblema nos ombros e se espalhando at¨¦ as pontas dos dedos. O brilho sobrenatural parecia pulsar de forma misteriosa, amea?adora, mas ao mesmo tempo, acalentadora. Foi ent?o que notaram algo se movendo entre as juntas do equipamento. Um som baixo e sutil de estalos reverberou pela caverna, como se algo estivesse acordando de um sono profundo enquanto as runas brilharam cada vez mais intensamente. O sorriso de Ana se alargou ainda mais e, ao lado da perturbadora rainha, o primeiro grito soou. Ra¨ªzes finas e escuras brotavam dos pontos de conex?o. Eram grossas como agulhas, adentrando diretamente na carne de seus usu¨¢rios. Pareciam criaturas famintas, que se enrolavam ao redor de cada osso, nervo e tend?o, invadindo o corpo de seus portadores at¨¦ que n?o houvesse mais distin??o entre onde terminava o humano e come?ava a armadura. Para a pr¨®pria surpresa, n?o conseguiram cortar o fluxo de mana, estavam sendo sugados at¨¦ o limite. O desespero em seus olhos aumentou quando pensavam que tudo estava prestes a acabar, mas a macabra simbiose come?ou uma nova etapa. O metal come?ou a esquentar, irradiando um calor que rapidamente se tornou insuport¨¢vel. A pele em contato com o material come?ou a arder, sendo derretida e moldada, fundindo-se de forma dolorosamente ¨ªntima. O ch?o da caverna logo se tingiu de vermelho quando o sangue come?ou a escorrer das perfura??es, formando um mar carmesim aos p¨¦s de todos. Alex caiu de joelhos, ofegante, enquanto Nyx apertava os dentes para n?o gritar. Eva, com os olhos arregalados, segurava o bra?o, apoiada na parede com l¨¢grimas escorrendo por suas bochechas. Nem Garm foi poupado do sofrimento A pr¨®tese que se fundia ao seu corpo enviava choques agudos atrav¨¦s de seu nervo restante, como se cada fibra do equipamento buscasse um lugar no que restava de seu antigo membro. Ele apertou os dentes com for?a, o rugido de dor preso em sua garganta enquanto o metal se espalhava por sua carne, ancorando-se aos ossos do coto. O lobo gigante tremia, mas seus olhos mantinham uma resolu??o sombria, mesmo que cada segundo fosse um inferno particular. E, no centro de tudo, a figura de Ana se destacava, sua risada alta e insana vagando por cada canto da caverna, misturando-se ao som angustiante e ¨¤ batida constante do sangue na pedra. Para ela, a experi¨ºncia foi um misto de ¨ºxtase e agonia. Cada movimento das ra¨ªzes em seu bra?o era um esgar?ar da carne e do osso, que logo se fechava por conta pr¨®pria, reconstruindo-se de uma maneira que parecia mais r¨ªgida, mais forte. Ela sentia cada nervo sendo reconectado, cada c¨¦lula se adaptando ¨¤ nova estrutura, como se tudo estivesse sendo reescrito em tempo real. Isso a deixou satisfeita, afinal, era sinal de que havia funcionado. ¡ª Bem-vindos ao novo mundo! ¡ª exclamou a rainha, os olhos brilhando de uma loucura que parecia queimar com a intensidade de um sol prestes a explodir. Neste momento, Ana notou que uma caixa permaneceu fechada, intocada em meio ao c¨ªrculo de caos. Ela franziu a testa, seus olhos varrendo a caverna rapidamente, em busca de uma presen?a ausente. Foi ent?o que percebeu: o mentalista n?o estava ali. ¡°Puta que pariu, esqueci completamente dos malditos insetos¡±, pensou, sentindo um misto de frustra??o e urg¨ºncia contida tomar conta de seus pensamentos, enquanto a brutalidade seguia firmemente ao seu redor.
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Capítulo 127 - Insanidade Celeste
¡ª Voc¨ºs entendem, n?o ¨¦? A voz de Ana cortou o sil¨ºncio como uma lamina afiada, reverberando pelas paredes da caverna com um eco perturbador. O som dos seus passos, marcados pelas pegadas encharcadas de sangue, ecoava em sincronia, cada movimento criando uma cad¨ºncia sombria, como se o pr¨®prio ambiente se curvasse ¨¤ sua presen?a. ¡ª For?a? Ela n?o ¨¦ moldada pela paci¨ºncia ou pelo tempo. Voc¨ºs realmente acreditam que a mana, essa fagulha insignificante, pode nos salvar? N?o somos nada al¨¦m de cascas fr¨¢geis, vulner¨¢veis ao primeiro toque da realidade. Fracos, quebradi?os... rid¨ªculos! Sua risada descontrolada se tornou um rugido de loucura, rasgando o ar como uma nota dissonante, um som t?o fora de lugar quanto a pr¨®pria sanidade da rainha. Seus olhos brilharam em um frenesi selvagem, enquanto continuava cada vez mais alto. ¡ª A verdadeira for?a requer sacrif¨ªcios... precisa ser arrancada, arrancada da pr¨®pria carne. A armadura que agora cobria seu bra?o finalmente se aquietou, suas placas met¨¢licas chiando levemente antes de se integrarem de forma permanente ¨¤ carne de Ana. ¡ª Eu pensei nessas pe?as com muito carinho, sabem? Podemos dizer que ¨¦ minha obra-prima ¡ª sua voz agora era baixa, quase um murm¨²rio. ¡ª Foram inspiradas na minha espada. Aquele maldito peda?o de metal vivo. Est¨¢ viva, talvez? Tem c¨¦lulas que se duplicam? Ou alguma manipula??o inexplic¨¢vel que faz a massa aumentar? Honestamente, n?o consegui chegar nem perto de copiar ela, mas minha vers?o n?o pode ser chamada de totalmente inferior. Ela se perdeu por um momento em seu pr¨®prio devaneio, sua voz oscilando entre lucidez e loucura. ¡ª Por sorte, os corrompidos me vieram ¨¤ mente... quase todos eles perderam a capacidade de manipula??o quando seus corpos foram alterados. Suas veias se deformaram, sumiram, ou afinaram. Ana caminhou lentamente at¨¦ Nyx, e com certa curiosidade, passou o dedo ao longo de seus chifres. ¡ª Mesmo assim, n?o significa que perderam a capacidade de evoluir com a mana, cada um da sua maneira. N?o ¨¦ da forma tradicional, mas os bestiais, por exemplo, ganharam veias aprimoradas para distribui??o interna de energia. N?o podem mais criar manifesta??es, isso ¨¦ sofisticado demais, mas n?o v?o encontrar fortalecedores melhores por aqui. Ficaram¡­ pr¨¢ticos! Ana continuou, seus olhos brilhando com um entusiasmo insano enquanto fazia um gesto amplo, como se estivesse explicando um ponto crucial para um p¨²blico invis¨ªvel. ¡ª As dr¨ªades s?o ainda mais fascinantes. Suas veias fundiram-se completamente ao corpo. Agora absorvem mana lentamente, mas de forma direta, sem desperd¨ªcio. Uma simbiose perfeita entre corpo e energia. Ana parou de falar por um segundo, observando as armaduras que pulsavam como se fossem um bra?o real. Ela deu um passo ¨¤ frente, gesticulando como se estivesse revelando um segredo. ¡ª Resumindo tudo, peguei um DNA daqui, uma parte estranha dali... um conceito de l¨¢, outro de c¨¢... criei algo que crescer¨¢ com voc¨ºs. Quanto mais voc¨ºs absorverem, mais forte ela ficar¨¢. Claro, ¨¦ apenas em teoria, talvez sejam s¨® ¨¢rvores de ferro in¨²teis que v?o acabar despeda?ando-os de dentro pra fora¡­ Ela olhou para os corpos no ch?o com um sorriso quase maternal, antes de gargalhar do pr¨®prio discurso como se contasse uma s¨¦rie de piadas. ¡ª Bem, o poder tem um pre?o, mas apenas tratem-nas como plantas. Bem regadas, crescer?o saud¨¢veis... Mas, claro, podem absorver toxinas de um solo envenenado se n?o forem cuidadosos. Voc¨ºs v?o dar um jeito de controlar essa coisa. ¡ª Eles n?o podem mais te ouvir, Ana ¡ª disse uma voz serena, vinda de repente das costas da estranha mulher. A mercen¨¢ria parou de rir e virou-se bruscamente para o visitante, o del¨ªrio evidente em seus globos oculares saltados. ¡ª Eu sei disso... Mas adoro mon¨®logos. Horas se passaram, e os corpos dos membros do Puni??o Divina jaziam inertes no ch?o, como bonecos de carne quebrados devido ao esgotamento completo de mana. Suas respira??es vinham em arfadas rasgadas, entrecortadas pela dor que ainda parecia pulsar em suas veias. A pele ao redor das armaduras estava inchada, com veios de sangue coagulado se espalhando sob a carne, onde o metal havia se fundido com os ossos. Seus olhos, mesmo inconscientes, tremiam sob as p¨¢lpebras fechadas, como se suas mentes ainda lutassem contra o trauma de terem seus corpos violentamente modificados. Ana, por sua vez, cambaleava. O custo havia sido alto para ela tamb¨¦m. Seu corpo tremia com cada passo, o sangue seco em seus l¨¢bios e a palidez de sua pele eram evid¨ºncias de que mesmo ela estava ¨¤ beira do colapso. Miguel, observando ¨¤ distancia, notou que, apesar de manter o sorriso fixo, os dentes dela estavam tremendo levemente, como se estivesse a um passo de perder o controle completamente. Por mais que tentasse, o mascarado n?o p?de esconder sua inquieta??o diante do que presenciava. ¡ª Eu queria saber o que est¨¢ fazendo aqui, Miguel¡­ N?o mandei que ficasse longe at¨¦ eu terminar? Ela mal esperou por uma resposta antes de enfiar a m?o no casaco, tirando seis pequenas ampolas de vidro. Os frascos brilhavam sob a luz fraca, cada um contendo o res¨ªduo do ¨²ltimo experimento que realizara. Infelizmente, ela havia descoberto que os efeitos duravam menos de trinta minutos. Uma falha frustrante, j¨¢ que a efic¨¢cia do composto se dissipou antes mesmo de ter chegado ¨¤ caverna. ¡ª S?o lixo! ¡ª gritou, com raiva, enquanto jogava um dos frascos na parede, explodindo em centenas de fragmentos. ¡ª Mas devem ser o suficiente. Ela foi de membro em membro do Puni??o Divina, enfiando o composto no primeiro dos tr¨ºs sulcos nas armaduras. O l¨ªquido foi absorvido imediatamente, escorrendo pela parte organica da pe?a e desaparecendo em segundos por seus corpos, como se tivesse sido sugado por uma for?a invis¨ªvel. O processo foi r¨¢pido, deixando um intenso brilho momentaneo antes de suas respira??es ficarem mais est¨¢veis.Stolen content warning: this tale belongs on Royal Road. Report any occurrences elsewhere. Miguel, aproveitando o sil¨ºncio inc?modo, deu um passo ¨¤ frente, tentando medir suas palavras com cuidado. ¡ª N?o quebrei suas ordens propositalmente ¡ª come?ou ele, sua voz controlada, embora um toque de urg¨ºncia pudesse ser sentido. ¡ª Um imprevisto acaba de chegar ¨¤ cidade. Ana parou por um instante, seus dedos ainda tocando as armaduras dos guerreiros inconscientes. Seus olhos se voltaram lentamente para Miguel, agora fixos nele com uma intensidade que o fez gelar. Ela n?o disse nada, apenas come?ou a girar as m?os no ar, impaciente, sinalizando para que ele continuasse a falar. ¡ª Um grupo de ca?adores de Barueri est¨¢ nos port?es. Eles exigem uma reuni?o. ¡ª Terminando a frase, olhou para o casaco da rainha, percebendo o quanto estava encharcado de sangue. ¡ª Eu ia perguntar se gostaria de v¨º-los... mas creio que seja melhor adiarmos a reuni?o, dadas as circunstancias. Ana, com um brilho de mal¨ªcia nos olhos, girou nos calcanhares. ¡ª Adiar? Mas ¨¦ claro que n?o! ¡ª exclamou com entusiasmo inesperado. ¡ª Eles chegaram na hora perfeita! ¡ª Temo que¡­ a sala do trono, bem¡­ ela n?o foi devidamente preparada para uma audi¨ºncia. ¡ª Que bobagem ¨¦ essa? ¡ª Ana gargalhou, como se os motivos fossem absurdos. Ela come?ou a cantarolar, indo at¨¦ as caixas de equipamento e alinhando-as de maneira improvisada no centro da caverna. Em um piscar de olhos, acenou com um ar de satisfa??o e se sentou no topo, a postura imponente, enquanto se inclinava para tr¨¢s, relaxada. ¡ª Uma sala do trono ¨¦ onde a rainha est¨¢! ¡ª declarou com uma anima??o inquietante. ¡ª Agora, tirem esses dorminhocos daqui e tragam os ca?adores em seguida. Vou receb¨º-los pessoalmente. Miguel suspirou internamente e inclinou a cabe?a em um leve aceno de concordancia ¡ª Por sorte, eles est?o logo acima de nossas cabe?as ¡ª comentou, e, com mais um aceno, se retirou para cumprir as ordens. Logo ap¨®s a sa¨ªda de Miguel, algumas est¨¢tuas entraram silenciosamente na caverna. Com cuidado, come?aram a retirar os membros ca¨ªdos do Puni??o Divina, como se fossem rel¨ªquias preciosas. Cada corpo foi carregado com delicadeza, evitando qualquer dano adicional ¨¤s suas armaduras fundidas e corpos exauridos. Quando chegaram a Garm, no entanto, a tarefa exigiu um pouco mais de esfor?o. O gigantesco lobo, com sua nova pr¨®tese presa ao corpo, n?o poderia ser movido com facilidade. Ent?o, com a mesma precis?o meticulosa, as est¨¢tuas cobriram seu corpo imenso com um tecido pesado e resistente, escondendo sua presen?a da vis?o dos visitantes que logo chegariam. A cena da montanha de mantos no meio do cen¨¢rio causava certa estranheza, mas Ana achou a prepara??o boa o suficiente. Minutos depois, as est¨¢tuas retornaram ¨¤ caverna, desta vez acompanhadas do som pesado das botas dos ca?adores de Barueri, que ecoaram alto enquanto entravam com a arrogancia de quem se v¨º no controle. Tal arrogancia gradualmente desaparecia quanto mais se aprofundavam, e o passo firme vacilou ao primeiro olhar para o ambiente. O ch?o escorregadio com sangue fresco, as est¨¢tuas de rostos vazios observando-os como predadores ¨¤ espreita, e no centro, a rainha, sentada em um trono improvisado. O sorriso de Ana os encarando como uma fera que acabara de escolher sua pr¨®xima presa. O ar estava pesado, quase imposs¨ªvel de respirar, e, por um momento, a postura confiante deles se desfez em puro desconforto. Ainda assim, se esfor?ando para dissipar o medo, avan?ando com passos decididos. O primeiro, um homem de fei??es endurecidas e olhos calculistas, adiantou-se, falando de maneira ¨¢spera. ¡ª Voc¨ºs s?o uma amea?a ¨¤ humanidade. Devem se submeter e obedecer se desejam a paz. Est¨¢ claro que essa "cidade" n?o tem lugar no nosso mundo. ¡ª Este lugar ¨¦ um antro de corrup??o! ¨¦ simplesmente hediondo, n?o vamos permitir que continue! ¡ª outro ca?ador, mais jovem e impetuoso, gritou logo em seguida. As est¨¢tuas mascaradas que guardavam as laterais da caverna se moveram de maneira quase impercept¨ªvel. Suas presen?as emanavam uma autoridade silenciosa, e uma delas, n?o conseguindo se conter, deu um passo ¨¤ frente. ¡ª Mostrem respeito diante da rainha. Ana levantou a m?o, um gesto para silenciar a est¨¢tua, e sorriu com um brilho cruel nos olhos. ¡ª Tudo bem, tudo bem ¡ª disse ela, sua voz carregada de um tom zombeteiro. ¡ª Mal come?amos essa conversa, e j¨¢ estamos assim? Ela se inclinou para frente, os dedos tamborilando no bra?o improvisado de seu trono, pensativa. ¡ª Sabem de uma coisa? Que se fodam. Foi ent?o que, com outro pequeno movimento de seus dedos, as est¨¢tuas explodiram em a??o. A velocidade e brutalidade de seus movimentos foram inesperadas, e, antes que qualquer um pudesse reagir, os ca?adores sentiram suas pernas cederem violentamente. Um estalo seco ecoou pela caverna quando os joelhos dos emiss¨¢rios colidiram com o ch?o encharcado de sangue, fazendo o l¨ªquido carmesim espirrar para todos os lados. O cheiro met¨¢lico inundou suas narinas enquanto eles lutavam para respirar, ofegantes e impotentes sob o peso daquele ambiente esmagador. Os demais, mais afastados, tentaram recuar, mas foram rapidamente imobilizados por outros mascarados que aguardavam perto da sa¨ªda. Seus movimentos precisos e implac¨¢veis deixaram os ca?adores indefesos. Ana se levantou de seu trono improvisado, caminhando lentamente at¨¦ o emiss¨¢rio mais pr¨®ximo. Seus passos eram met¨®dicos, e traziam em sua ess¨ºncia um claro pren¨²ncio de algo terr¨ªvel. Ela parou na frente deles, inclinando-se ligeiramente. Ela parou ¨¤ frente do homem, inclinando-se levemente com um sorriso frio e amea?ador. Desesperado, o ca?ador levantou a m?o tr¨ºmula, apontando para Ana enquanto tentava articular uma acusa??o, sua voz cheia de ¨®dio e impot¨ºncia. ¡ª Voc¨º...! Isso ¨¦ um absurdo! Eu vou¡ª Ele n?o teve chance de terminar a frase. Ana levantou levemente a m¨¢scara que escondia seu rosto, e mantendo o mesmo sorriso cruel nos l¨¢bios, abocanhou o dedo erguido, mordendo-o com for?a sem qualquer hesita??o. O estalo do osso se partindo foi seguido pelo grito agonizante do homem, e os demais demoraram para raciocinar o ocorrido, reagindo tarde demais a imobiliza??o ainda mais firme que veio em seguida. ¡ª Da pr¨®xima vez voc¨º deve se ajoelhar diante da monarca sem precisar de incentivos ¡ª falou ela em uma voz quase suprimida pelo som de mastiga??o, com dentes agora manchados de sangue. ¡ª Claro, isso se quiser sair desta sala com a cabe?a ainda presa aos ombros. Tirando seus olhos do homem ainda em choque, a mercen¨¢ria se esticou e soltou um suspiro, mantendo uma express?o sorridente que parecia irradiar uma luz amb¨ªgua, como um sol distante: acolhedor e mortal ao mesmo tempo. O calor daquele sorriso contrastava com a vastid?o abissal em seus olhos, o olhar de algu¨¦m que j¨¢ n?o conseguia ver o fio t¨ºnue entre o poder e o del¨ªrio. ¡ª Si vis pacem, para bellum, meus caros¡­ matem o restante e soltem esse cara ¡ª murmurou Ana, com sua risada final se espalhando por cada canto, envolta pelo sangue e temor que se fundiam como uma dan?a macabra, transformando aquele instante em um prel¨²dio divino de caos, pronto para consumir tudo. ¡ª A paz que eles tanto anseiam ¨¦ o tipo de paz que s¨® se conquista atrav¨¦s da for?a. A grande quest?o ¨¦ qual de n¨®s ¨¦ o lado forte. O tempo para todos os presentes parecia suspenso, como se o pr¨®prio universo hesitasse ante a imin¨ºncia de uma destrui??o guiada pela doce insanidade celeste da rainha.
E aqui encerramos o volume 3 da novel! Espero que tenham aproveitado a leitura e agrade?o imensamente por me acompanharem ao longo desses meses! Se puderem avaliar a novel, ficarei eternamente grato!
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Capítulo 128 - Sonhos de Paz
¡ª Foi voc¨º quem escreveu sobre isso? ¡ª perguntou Cassandra, enquanto mordia um grande peda?o de carne, seus olhos lan?ando um olhar r¨¢pido para o jornal que folheava desinteressadamente. Jorge, de p¨¦ ao lado da mesa, fez um aceno afirmativo com a cabe?a, com um calmo sorriso brotando no rosto. ¡ª Sim, fui eu. ¨¦ incr¨ªvel que tenham conseguido fazer um papel de t?o boa qualidade nesses tempos. Me lembro dos meus dias de estagi¨¢rio, antes do mundo desabar nesse caos. Cassandra revirou os olhos, balan?ando a cabe?a com uma express?o que misturava incredulidade e zombaria. ¡ª Ah, voc¨º e suas hist¨®rias ¡ª ela deu uma risada curta. ¡ª Mas n?o t? falando disso, Jorge. Quero saber dessa not¨ªcia aqui. A gente vai entrar em lei marcial de verdade? Jorge, com sua t¨ªpica tranquilidade, suspirou, como se estivesse se preparando para explicar algo ¨®bvio. ¡ª Sempre estivemos sob lei marcial, Cass. Parece livre, mas Annabelle manda em tudo por aqui com m?o de ferro, voc¨º sabe disso. ¡ª Mas nunca tivemos restri??es desse tipo! ¡ª E ainda n?o temos ¡ª respondeu Jorge, com um toque de impaci¨ºncia na voz. ¡ª Para de ser pregui?osa e l¨º direito a not¨ªcia. N?o ¨¦ nada t?o dram¨¢tico quanto voc¨º t¨¢ pensando. ¡ª J¨¢ bati o olho, ¨¦ o suficiente! ¡ª Cassandra retrucou, mexendo no jornal com desd¨¦m. ¡ª Campanhas de recrutamento, treinamentos obrigat¨®rios para quem quiser ficar na cidade... Isso ¨¦ um saco. ¡ª Sim, ¨¦ um saco ¡ª Jorge admitiu com um suspiro, antes de lan?ar uma pergunta que pairou no ar. ¡ª Quando vamos embora, ent?o? Cassandra parou, sua mastiga??o desacelerando, e olhou para ele com uma express?o pensativa. ¡ª Ir embora? Quem disse que vamos embora? ¡ª Voc¨º quer lutar por uma cidade que a gente mal conhece? Cassandra soltou um longo suspiro, seu olhar agora mais pensativo, quase introspectivo. Com um movimento r¨¢pido, puxou um banco ao seu lado, batendo no assento suavemente para que Jorge se juntasse a ela. Seu tom de voz suavizou, mas havia uma firmeza na forma como ela se expressava. ¡ª Senta a¨ª, Jorge. Olha ao nosso redor. A casa ao redor deles exalava uma simplicidade aconchegante. As paredes nuas, sem adornos extravagantes, ofereciam uma sensa??o de serenidade em meio ao caos que permeava o mundo l¨¢ fora. Dois quartos modestos, um banheiro funcional e uma sala espa?osa se conectavam de maneira fluida ¨¤ cozinha, onde cada detalhe parecia cuidadosamente pensado para proporcionar conforto. A geladeira, embora simples, estava surpreendentemente abastecida, com condimentos e alimentos organizados em prateleiras, algo raro para aqueles tempos. Sobre o balc?o, uma vasilha repleta de frutas frescas se destacava; um verdadeiro luxo em tempos de incerteza, um s¨ªmbolo sutil de que, pelo menos ali, uma pequena forma de estabilidade e fartura havia sido alcan?ada. ¡ª Isso aqui... ¡ª ela gesticulou. ¡ª ¨¦ a vida mais confort¨¢vel que tive em anos. Havia uma nostalgia dolorida em sua voz, como algu¨¦m que j¨¢ havia desistido de encontrar um ref¨²gio t?o acolhedor. ¡ª E se a gente for embora... pra onde vamos? ¡ª Eu sei, Cass. Mas e se as coisas ficarem feias? ¡ª E quando ¨¦ que n?o ficam feias? ¡ª Cassandra rebateu, seus olhos fixos nos de Jorge. ¡ª Tudo nesse mundo ¨¦ uma merda. Pelo menos aqui temos uma chance de lutar por algo que vale a pena. Cassandra mordiscou o peda?o de carne, seus olhos observando com aten??o os detalhes da refei??o como se fosse uma met¨¢fora para o que estava em jogo. O fogo suave da lareira lan?ava sombras quentes pela sala, iluminando seus cabelos enquanto ela erguia o peda?o de carne novamente, agora mais reflexiva.Stolen story; please report. ¡ª Talvez falte um pouco da emo??o do abismo... mas as lutas aqui n?o s?o ruins. ¡ª Cassandra balan?ou a carne. ¡ª E olha isso, Jorge. L¨¢ embaixo, esse simples peda?o valeria metade da minha casa! Jorge suspirou profundamente, enquanto se servia de vinho da jarra. O l¨ªquido rubro escorreu para o copo de barro, o som suave misturando-se ao crepitar das chamas. Ele o ergueu aos l¨¢bios e deu um gole, aproveitando a pausa, como se as palavras que viessem a seguir exigissem uma prepara??o cuidadosa. ¡ª Ainda podemos voltar pra Barueri ¡ª sugeriu ele, com uma calma que contrastava com a preocupa??o subjacente. ¡ª Tamb¨¦m gosto daqui, mas¡­ n?o acho que podem vencer se essa guerra realmente estourar. Cassandra arqueou uma sobrancelha, seus olhos se fixando nos dele, desafiadores como sempre. ¡ª Voc¨º j¨¢ viu aqueles caras l¨¢ fora brigando? Acha mesmo que n?o t¨ºm chance? Eles s?o m¨¢quinas de guerra! O jornalista balan?ou a cabe?a, sua express?o se tornando mais sombria enquanto apoiava o copo sobre a mesa. ¡ª N?o ¨¦ uma quest?o de for?a. Eles s?o fortes, inegavelmente. Mas a maior parte da popula??o aqui n?o ¨¦ feita de guerreiros, s?o moradores comuns. Voc¨º realmente acha que v?o resistir a um bombardeio de manipuladores puros? Ou as estrat¨¦gias complexas das guildas? ¡ª Ah, VOU TROCAR ESSA FRASE eles n?o s?o tantos assim ¡ª retrucou Cassandra, dando de ombros. ¡ª E n?o v?o ter mana suficiente pra uma guerra prolongada. V?o focar em destruir as muralhas, isso ¨¦ ¨®bvio ¡ª ela tomou um gole de vinho antes de continuar. ¡ª Al¨¦m disso, se formos para Barueri, n?o pense que vamos escapar de lutar. N?o d¨¢ pra fugir de uma guerra como essa. Ela fez uma pausa, sua express?o endurecendo um pouco ao encarar o olhar preocupado de Jorge. ¡ª E, pra ser honesta, n?o quero lutar contra essa rainha louca. ¡ª Podemos escolher outro lugar ent?o ¡ª sugeriu o jornalista, sua voz quase um sussurro, como se temesse que a ideia fosse insensata. ¡ª Um lugar mais longe. N?o somos fracos, Cass. Podemos viajar, encontrar uma cidade fora do radar, sem essa confus?o toda. A mulher, no entanto, n?o desviou o olhar. Ela se inclinou levemente e pousou uma m?o firme no ombro de Jorge, um gesto carregado com uma mistura de camaradagem e afei??o. ¡ª Voc¨º me conhece melhor do que qualquer pessoa viva, sabe que n?o sou de recusar esse tipo de aventura. Se fosse alguns anos atr¨¢s, eu estaria l¨¢ fora, em busca de uma nova luta. Ela parou, como se n?o soubesse como continuar, e por fim gesticulou para o pr¨®prio rosto, apontando para o canto dos olhos. ¡ª Olha pra isso. O mercen¨¢rio a observou em sil¨ºncio, um tanto confuso no in¨ªcio, at¨¦ que seus olhos finalmente captaram o que ela estava mostrando: as rugas finas ao redor dos olhos dela, marcas sutis que apareciam mesmo na retorcida pele queimada, demonstrando de forma ineg¨¢vel o peso do tempo. Ele piscou, e sua pr¨®pria m?o subiu at¨¦ o rosto, tocando as rugas que agora decoravam sua pele, um lembrete silencioso da passagem dos anos. ¡ª N?o somos mais jovens ¡ª continuou Cassandra, sua voz agora tingida de uma melancolia resignada. ¡ª Eu estou chegando aos quarenta. Talvez seja a hora de darmos uma pausa. Quero¡­ ¡ª ela hesitou, sua voz vacilando por um segundo, como se as palavras fossem dif¨ªceis de serem ditas ¡ª eu quero morrer em paz. Talvez eu n?o mere?a, eu sei, mas quem sabe o karma permita que eu construa uma fam¨ªlia, at¨¦ ter uma filha, talvez? A confiss?o caiu como uma pedra no sil¨ºncio que se seguiu. O homem a olhou, atordoado, incapaz de esconder o choque em seu rosto. Finalmente, em um movimento repentino, pegou o jornal que estava na m?o dela e o jogou de lado, uma risada alta e incr¨¦dula escapando de seus l¨¢bios. ¡ª Voc¨º, a bruta chefe de arena, pensando em fam¨ªlia? ¡ª zombou ele, mas havia carinho em sua voz. Ela riu de volta, empurrando o bra?o dele de brincadeira, mas n?o o respondeu, perdida nos pr¨®prios devaneios. ¡ª Ah, e quanto aos nossos objetivos? ¡ª Isso n?o mudou. ¡ª Cassandra deu de ombros, um brilho desafiador voltando aos seus olhos. ¡ª Aquela escrava ainda ¨¦ minha posse, n?o ¨¦? Mas e se¡­ buscarmos aos poucos? Jorge suspirou novamente, mas dessa vez havia algo diferente em sua postura. Como se, ao inv¨¦s de resistir ¨¤ ideia, estivesse finalmente aceitando a possibilidade. ¡ª Se voc¨º diz¡­ bem, ent?o tamb¨¦m ficarei. N?o ¨¦ como se esse reino fosse menos interessante do que a glutona. E fazer uma pequena pausa na hist¨®ria da gladiadora louca n?o vai ser um problema. Cassandra sorriu, um riso baixo e genu¨ªno escapando de seus l¨¢bios. Havia uma sensa??o de al¨ªvio em seu peito, por mais que tentasse ao m¨¢ximo evitar demonstrar. ¡ª De alguma forma ¡ª disse ela, seu tom cheio de um otimismo renovado ¡ª tudo vai dar certo.
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Capítulo 129 - A Arte da Destrui??o
¡ª Tem certeza que n?o quer levar um bode? N?o parece, mas s?o bem r¨¢pidos. ¡ª Sim, tenho certeza. ¡ª E o Garm? ¡ª insistiu o pugilista com uma teimosia que parecia testar a paci¨ºncia de Ana. ¡ª Ele n?o se importaria de ir com voc¨º. ¡ª Chega, Alex. ¡ª sua voz estava firme, mas fatigada. ¡ª Estou h¨¢ meses sem um momento de paz. Vai ser bom relaxar a mente... sozinha. ¡ª Est¨¢ virando um padr?o... essa sua inconsequ¨ºncia. O que custa deixar algu¨¦m te acompanhar? Ana parou bruscamente, virando-se para ele com um olhar de puro desgosto. ¡ª Chegou a hora de me fortalecer. Estou enferrujada, muito, muito, enferrujada! No pior dos cen¨¢rios... eu morro. E da¨ª? ¡ª ela deu de ombros, voltando a revisar sua mochila. ¡ª Que diferen?a isso faz? Sozinha, n?o vou mudar o rumo dessa guerra de qualquer forma. Voc¨ºs conseguem se virar. O sil¨ºncio que se seguiu foi quase palp¨¢vel, e logo ela notou que todos ao redor a encaravam, desconfort¨¢veis com sua indiferen?a. Ela suspirou de novo, mas desta vez suavizando o tom. ¡ª S¨® vou ca?ar por alguns dias, meu amigo ¡ª murmurou, os olhos voltados para a floresta ao longe. ¡ª J¨¢ passou da hora de dar aten??o pra essa velha amiga. ¡ª completou com um resmungo, ajeitando a espada negra enrolada em couro em suas costas com um toque carinhoso. ¡ª Ca?ar? Voc¨º vai literalmente para um reino inimigo sozinha! ¡ª Esse ¨¦ s¨® o b?nus, n?o a raz?o principal ¡ª um sinuoso sorriso apareceu em seus l¨¢bios, sutil, mas n?o despercebido. ¡ª A n?o ser que d¨º para juntar os dois objetivos em um s¨®. Isso pouparia tempo. O homem suspirou, desistindo da batalha perdida para tentar convencer sua l¨ªder. Cruzou os bra?os e lan?ou um olhar para Fernando, que estava ao seu lado com sua rabugenta m¨¢scara vermelha habitual. Com uma cotovelada suave, incitou o companheiro, que apenas se espregui?ou teatralmente, hesitando antes de falar. ¡ª O que foi? Vai me encher o saco tamb¨¦m? ¡ª perguntou Ana, arqueando uma sobrancelha. O segundo conselheiro de guerra, meio desconfort¨¢vel, se endireitou enquanto tentava encontrar palavras. ¡ª Bem... n¨®s... est¨¢vamos conversando e... com tudo o que est¨¢ acontecendo, achamos que talvez voc¨º pudesse nos... instruir. ¡ª Ele parou, buscando apoio. ¡ª A verdade ¨¦ que atingimos nosso limite ¡ª continuou Alex. ¡ª As est¨¢tuas n?o podem se fortalecer da maneira tradicional, n?o tem m¨²sculos para treinar. Elas precisam de algo mais... de inspira??o. Precisam ir al¨¦m da t¨¦cnica, al¨¦m do que j¨¢ conhecem. ¡ª H¨¢ tamb¨¦m os novos soldados... ¡ª Fernando complementou. ¡ª N?o est?o t?o avan?ados, mas ter uma orienta??o da rainha com toda certeza os daria animo para colocarem um pouco mais de esfor?o nisso tudo. Ana bufou, balan?ando a cabe?a com irrita??o, mas seus olhos brevemente capturaram o olhar de Alex. L¨¢, no fundo de seus olhos cansados, ela viu algo. Respeito, sim, mas tamb¨¦m uma tristeza velada, uma preocupa??o que parecia o corroer por dentro. Fernando, ao lado, tentou n?o encarar por muito tempo, mas seu sil¨ºncio dizia tudo. Eles tinham¡­ medo. ¡ª Voc¨ºs esperam muito de mim. N?o tenho nada a dizer que voc¨ºs j¨¢ n?o tenham dito. ¡ª N?o ¨¦ uma ideia ruim, Ana. Apenas considere por um momento ¡ª Gabriel, o anjo de pedra, que at¨¦ ent?o estava em sil¨ºncio, interveio com sua habitual serenidade. Ana o encarou com irrita??o, mas logo sorriu em uma desist¨ºncia resignada. N?o adiantava ter conselheiros se n?o fosse seguir seus conselhos. ¡ª Voc¨ºs t¨ºm uma hora para reunir todos no port?o. Vai ser uma aula r¨¢pida. Depois disso, eu parto. Alex e Fernando se entreolharam, surpresos por terem conseguido convenc¨º-la, mesmo que sem entusiasmo. Sem perder tempo, ambos acenaram rapidamente e correram em dire??o ¨¤ fortaleza para reunir todos que conseguissem do pequeno ex¨¦rcito de Ins¨ªdia. Terminando seus preparativos, Ana caminhou at¨¦ uma ¨¢rvore retorcida, cujas ra¨ªzes gigantescas sa¨ªam do ch?o desordenadamente. Ela se sentou entre duas delas, o corpo afundando lentamente no conforto que a natureza proporcionava. O som suave das folhas ao vento e a brisa fria trouxeram uma calma inesperada. Os minutos passaram devagar, a tranquilidade da floresta envolvendo-a como um cobertor de mem¨®rias distantes. Seu olhar vagou at¨¦ seu conselheiro principal, que permanecia im¨®vel ao seu lado. Havia uma certa melancolia no cen¨¢rio, um sentimento que provinha das vagas mem¨®rias dos primeiros anos de sua solid?o, quando Gabriel costumava ficar, daquela mesma forma, a acompanhando de forma silenciosa, enquanto os anos passavam sem pressa. ¡ª Como ¨¦ que eu passei mil anos ao seu lado sem nunca perguntar sobre isso? Mesmo no fim, n?o parecia que as estava usando¡­ Suas sobrancelhas inconscientemente se franziram enquanto finalizava seus sussurros, e n?o p?de deixar de lan?ar o questionamento ao s¨®sia. ¡ª Suas asas podem voar? Gabriel olhou para ela com seus olhos frios por tr¨¢s da m¨¢scara, intrigado pela casual pergunta. ¡ª Infelizmente, n?o. ¡ª Imaginei... ¡ª Ana desviou o olhar para o c¨¦u. ¡ª Ainda assim, o movimento delas ¨¦ bem realista para asas de pedra. ¨¦ incr¨ªvel. Ela passou alguns segundos em sil¨ºncio. Mem¨®rias vagas surgiam sem parar, mas se dissolviam t?o r¨¢pido quanto. ¡ª Voc¨º est¨¢ disposto a morrer aqui, Gabriel? O anjo de pedra inclinou a cabe?a, confuso. ¡ª N?o entendi a pergunta. ¡ª Est¨¢ disposto a abrir m?o da sua imortalidade por... isso? ¡ª a mercen¨¢ria fez um gesto vago com a m?o, apontando para o reino ao longe. Gabriel se sentou em uma das ra¨ªzes pr¨®ximas a ela, pensativo. Ele olhou para o horizonte da floresta, onde as sombras dan?avam ao vento. ¡ª No come?o, sequer imaginei que seria poss¨ªvel. Mas este lugar... nos deu algo... algo que nem sab¨ªamos que existia. Um desejo de proteger. N?o s¨® voc¨º, Ana... mas todos. O reino. As pessoas. Nos deu um prop¨®sito. Ana o encarou, surpresa com a honestidade que vinha da voz. Pela primeira vez, Gabriel n?o falava como uma est¨¢tua ou uma parte inerte do mundo ao seu redor. ¡ª Era s¨®... imita??o. Copi¨¢vamos gestos, sorrisos, express?es, bord?es. ¡ª Era rid¨ªculo. Parecia que t¨ªnhamos atores amadores por toda parte. Bem, combinava com as m¨¢scaras ¡ª Ana sorriu, lembrando-se do nascimento da cidade. Gabriel riu suavemente, um som quase impercept¨ªvel, mas que fez novamente os cantos dos olhos de Ana tremerem pelo ato inesperado. ¡ª Sim, era meio c?mico ¡ª ele admitiu. ¡ª Mas, com o tempo, absorvemos aquilo. Hoje n?o existimos... vivemos. Talvez ainda n?o como os outros... mas eu n?o me sinto mais vazioUnauthorized duplication: this narrative has been taken without consent. Report sightings. ¡°Eu¡­", refletiu Ana, notando a provavelmente involunt¨¢ria troca para o singular. Ela abaixou a cabe?a, brincando com um galho que havia pegado do ch?o, tra?ando formas aleat¨®rias na terra. ¡ª Sinto muito, Gabriel. ¡ª Pelo qu¨º? ¡ª ele perguntou, surpreso. ¡ª Por te deixar mais fraco. ¡ª respondeu Ana, sem levantar o olhar. Gabriel balan?ou a cabe?a suavemente, negando. ¡ª N?o estamos mais fracos. Estamos mais... completos. ¡ª ¨¦. Talvez... ¡ª sua voz saiu como um sussurro, baixa e sem convic??o, mas o conselheiro de pedra n?o pareceu se importar. Os dois ficaram ali, encarando o vazio, cada um em uma reflex?o pr¨®pria sobre o conversado, at¨¦ finalmente serem despertados pelo alto som de passos. Um punhado de gente vinha em sua dire??o, com Alex logo ao lado. N?o passavam de cem, uma fra??o dos soldados e moradores, mas seria suficiente para o que Ana pretendia. Ele se aproximou, respirando fundo enquanto o grupo se reunia. ¡ª Eu os trouxe. Fernando est¨¢ vendo se mais algu¨¦m aparece ¡ª disse Alex, ofegando. A rainha passou os olhos por cada um dos volunt¨¢rios. Soldados e mascarados entre eles acenaram em reconhecimento, enquanto os rec¨¦m-chegados, os novos moradores da cidade, recuavam discretamente diante de seu olhar penetrante, sucumbindo ao peso da autoridade. ¡ª Hum-hum ¡ª o som de Ana limpando a garganta saiu alto, trazendo o sil¨ºncio de todos. Ana ergueu o queixo, e sua voz, firme, mas sem necessidade de elevar o tom, ressoou claramente ¡ª Se organizem. Quero ver o padr?o b¨¢sico de treinamento. Ao ouvirem a ordem, os soldados obedeceram de imediato. A maneira como cada grupo se alinhava com sua respectiva arma demonstrava uma disciplina que Ana n?o esperava. Os lanceiros estocavam com precis?o quase mecanica, enquanto espadachins tra?avam arcos com suas laminas, como se desenhassem padr?es invis¨ªveis no ar. J¨¢ os pugilistas atacavam e recuavam, suas sequ¨ºncias fluindo como uma dan?a marcial perfeitamente sincronizada. At¨¦ os arqueiros e usu¨¢rios de armas incomuns mantinham seu ritmo, suas m?os seguindo os movimentos repetitivos como se gravassem a t¨¦cnica em seus ossos. ¡ª Surpreendentemente bem adestrados ¡ª comentou Ana, enquanto seus olhos acompanhavam cada movimento. Fernando chegou nesse momento, e sem nem mesmo perguntar, o novo grupo se juntou ¨¤ exibi??o. A rainha sorriu, ainda mais satisfeita com o que viu. ¡ª Est?o diferentes de um minuto atr¨¢s, e est?o confiantes. N?o s?o os mais fortes... mas s?o ferozes. Voc¨ºs dois fizeram um ¨®timo trabalho. Seu olhar voltou-se para Alex e Fernando, e com um leve aceno de cabe?a, ela reconheceu seus esfor?os. ¡ª Voc¨ºs, se aproximem. ¡ª Ana apontou para alguns membros de cada grupo. ¡ª Me emprestem suas armas. Os soldados prontamente avan?aram e, um por um, colocaram suas armas diante da rainha. Ana ergueu a espada primeiro. Era pesada para uma lamina comum, mas n?o mais do que o esperado. O ar ao redor dela pareceu se contrair, como se o pr¨®prio ambiente segurasse a respira??o. A poeira, que antes repousava calmamente no solo, se ergueu lentamente, rodopiando ao redor dela com cada movimento da lamina, enquanto a luz suave do amanhecer refletia no fio da espada, criando um brilho breve, mas intenso. ¡ª Observem atentamente ¡ª disse, fazendo todos pararem seus movimentos repetitivos. ¡ª Mesmo que esta n?o seja a sua arma principal, h¨¢ algo a se aprender. Ela respirou profundamente, sentindo o equil¨ªbrio da arma em suas m?os. Seus olhos se estreitaram, concentrando-se no fio da lamina, e ent?o em um movimento suave, quase impercept¨ªvel para olhos destreinados... ela se moveu. N?o foi extravagante, mas houve uma precis?o e inten??o por tr¨¢s dele que fez o tempo ao redor parecer desacelerar. Os m¨²sculos de Ana trabalharam em perfeita sincronia, e o som do metal rasgando o ar foi como um trov?o silencioso. Seus p¨¦s mal se moviam, e ainda assim, todo o seu corpo parecia participar do golpe. ¡ª Uma espada ¡ª come?ou, sua voz reverberando por entre as ¨¢rvores. ¡ª N?o ¨¦ apenas uma ferramenta. ¨¦ uma extens?o da alma de quem a empunha. N?o corta s¨® carne, corta o esp¨ªrito, a vontade do oponente. O que um espadachim deve ser? Preciso, implac¨¢vel, controlado. Ele faz o inimigo duvidar antes de atacar, e quando o golpe final ¨¦ desferido, ele j¨¢ venceu. Um corte deve ser o fim... de tudo. ¡ª a lamina percorreu o ar novamente, um arco perfeito que parecia rasgar a pr¨®pria realidade. Todos que a assistiam notaram repentinamente que estavam suando. As m?os, antes firmes nas armas, agora tremiam ligeiramente, seus dedos apertando os punhos com for?a. Alguns sentiram seus cora??es acelerarem, como se a press?o invis¨ªvel da t¨¦cnica estivesse esmagando seus peitos. Um toque de temor podia ser visto em seus olhares enquanto engoliam em seco, tocando seus pr¨®prios pesco?os, conferindo se ainda repousavam onde deveriam. As respira??es ficaram rasas, e alguns nem mesmo piscaram, com medo de perder um segundo sequer daquele espet¨¢culo aterrador. Sem hesitar, Ana largou a espada e agarrou a lan?a cravada no ch?o. O movimento foi r¨¢pido e preciso, como se a arma sempre tivesse feito parte dela. A lan?a girava entre suas m?os com fluidez, obedecendo a cada comando como uma parte de sua pr¨®pria vontade, seus movimentos carregados com uma elegancia letal. ¡ª Uma lan?a ¨¦ diferente. N?o ¨¦ apenas uma arma de alcance. ¨¦ uma ferramenta de precis?o. Sua finalidade ¨¦ clara: abrir caminho, romper defesas. N?o importa o que esteja a sua frente, deve penetrar onde nada mais consegue. Se voc¨º empunha uma lan?a, deve faz¨º-lo com a convic??o de que pode perfurar o pr¨®prio mundo. Enquanto falava, seus dedos manipulavam a arma com facilidade, fazendo-a girar em arcos perfeitos, como um furac?o de a?o e madeira. Os movimentos eram graciosos, quase art¨ªsticos, mas havia uma tens?o palp¨¢vel em cada gesto, como se estivesse prestes a explodir. Ent?o, sem aviso, ela parou. Seu corpo, antes relaxado, contraiu-se. Seu bra?o se estendeu em um instante, r¨¢pido como um relampago, e a ponta da lan?a, que antes se assemelhava somente a um borr?o, tocou sutilmente o tronco da ¨¢rvore ¨¤ frente. Tudo permaneceu im¨®vel, o ambiente silencioso, como se o tempo tivesse congelado. Ent?o, veio o estrondo. A madeira se despeda?ou, fragmentos voando em todas as dire??es. A for?a concentrada no toque havia se manifestado em um ¨²nico ponto, e o impacto, silencioso no in¨ªcio, liberou toda a energia acumulada em uma explos?o brutal. A ¨¢rvore, outrora firme e imponente, agora n?o passava de destro?os espalhados pelo ch?o. Os soldados observavam em um sil¨ºncio at?nito. O impacto da demonstra??o revelava a verdadeira ess¨ºncia da lan?a, devastadora, impar¨¢vel, os atravessando como se eles quem tivessem sido atingidos pelo golpe. Sem mais rodeios, Ana a largou no ch?o e sua postura mudou imediatamente, os p¨¦s plantados firmemente no ch?o, o corpo relaxado, mas pronto para a a??o. Ela avan?ou com um soco que estranhamente n?o moveu o ar, seguido de um chute que, de forma semelhante, o cortou sem causar vibra??es. ¡ª Nas artes marciais ¡ª murmurou entre um golpe e outro. ¡ª O corpo ¨¦ a arma. N?o h¨¢ lamina, n?o h¨¢ ponta afiada. Apenas voc¨º. Bem, h¨¢ exce??es... ¡ª ela deu uma breve pausa, um sorriso sutil surgindo no canto de seus l¨¢bios. ¡ª Mas confie apenas em seus punhos, em suas pernas e em sua vontade. Diferente de suas exibi??es anteriores, que carregavam a grandiosidade de uma for?a bruta ou a precis?o letal de uma lamina, os movimentos de Ana agora eram mais sutis, quase silenciosos. Ela n?o precisava de espet¨¢culo, cada a??o era calculada, eficiente, sem excessos. Seus p¨¦s se moviam com precis?o, seus punhos acertando o ar como se o moldassem. N?o havia nada de espalhafatoso, mas carregava uma sensa??o de controle absoluto. ¡ª Seja sutil, ¨¦ uma dan?a entre voc¨º e o oponente. N?o espere gritos, n?o espere o brilho do metal. Respire, ataque e repita o processo. Seja como ¨¢gua: sem forma, capaz de se adaptar a qualquer situa??o. Flua, nunca resista. Cada movimento deve ser uma resposta, e cada resposta, um golpe devastador. N?o ataque o inimigo... absorva-o. E ent?o... destrua-o de dentro para fora. Por fim, ap¨®s alguns minutos de demonstra??o, Ana seguiu para o pr¨®ximo item, mantendo seu ritmo meticuloso. Com exce??o das artes marciais, ela apresentou apenas um movimento de cada arma, sem repetir. Era como se cada t¨¦cnica fosse deliberadamente contida, resumida a sua forma mais pura. A simplicidade aparente de seus gestos quase beirava o bobo, algo que, em outros contextos, poderia ser considerado insuficiente. Afinal, o que algu¨¦m poderia aprender com t?o pouco? No entanto, ningu¨¦m ousou reclamar. N?o havia risos contidos, nem olhares de d¨²vida. O sil¨ºncio era pesado, como se o ambiente estivesse carregado de uma energia indescrit¨ªvel. Na verdade, ningu¨¦m sequer cogitava desdenhar daquilo. Os olhos de todos estavam vidrados, presos pelos movimentos de Ana, como se as dan?as que ela executava carregassem consigo algo muito mais profundo do que poderiam compreender ¨¤ primeira vista. Ela n?o apenas ensinava... ela impunha. A sabedoria da monarca parecia ter uma vontade pr¨®pria que n?o admitia ser ignorada, um dom¨ªnio absoluto e palp¨¢vel que n?o dava escolha a n?o ser absorver aquele conhecimento. Era como se estivesse gravando, ¨¤ for?a, sua influ¨ºncia em seus corpos e mentes, deixando claro que tudo o que viam deveria ser lembrado, custe o que custar. N?o era uma aula, n?o era um treinamento. Era uma transforma??o. Naquele momento, a vontade da rainha havia se tornado a deles.
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Capítulo 130 - Um Encontro Cortês
¡ª Lalala, lalala¡­ Ana caminhava despreocupadamente, seus p¨¦s movendo-se com uma leveza que contrastava com a densidade da floresta ao seu redor. O sil¨ºncio absoluto da natureza a envolvia como um cobertor, quebrado apenas pelo som suave de sua voz cantarolando uma melodia sem ritmo que parecia deslocada naquele cen¨¢rio. Havia algo de quase m¨¢gico na tranquilidade do ambiente, mas tamb¨¦m algo perturbador. ¡ª T¨¢ quieto demais ¡ª resmungou, interrompendo sua cantoria por um momento. Olhou ao redor com um olhar cansado, apertando os olhos para ver mais al¨¦m nas sombras da vegeta??o densa. ¡ª Eu devia ter trazido a Nyx. J¨¢ era o segundo dia de caminhada solit¨¢ria, e o sil¨ºncio, apesar de uma ben??o, estava trazendo certo t¨¦dio. ¨¤s vezes, Ana corria, tentando for?ar sua mente a esquecer um pouco do mundo, e outras vezes apenas andava devagar, contemplativa. A floresta era calma, excessivamente calma. Pequenos animais, esquilos e p¨¢ssaros, se escondiam por entre as ¨¢rvores, mas algo maior estava ausente. Tudo parecia... vazio. N?o havia sinais de grandes predadores, exceto pelos lobos cinzentos que ocasionalmente corriam ¨¤ distancia, quase como sombras fugazes. Foi ent?o que seus olhos captaram algo entre a vegeta??o: uma torre semi-destru¨ªda, suas pedras antigas e manchadas de musgo dando um ar ainda mais misterioso ¨¤ paisagem. ¡ª Hmm, ouvi falar disso... ¡ª murmurou, semicerrando os olhos, observando cada detalhe da velha constru??o. Reproduzindo o mapa em sua mente com seus m¨ªnimos detalhes, calculou mentalmente a distancia para Myrmeceum. ¡ª Mais meio dia de viagem, talvez? Voltando ¨¤ sua melodia descompromissada, dessa vez um pouco mais animada, bateu as m?os com um estalo e come?ou a correr em uma explos?o de energia. Entretanto, ap¨®s apenas tr¨ºs passos, sentiu algo muito pr¨®ximo de seu corpo. Ela parou abruptamente, seus p¨¦s girando em um movimento ¨¢gil, enquanto sua m?o j¨¢ estava no cabo da espada nas costas. Foi instinto. N?o houve som, n?o houve brisa, n?o houve nada. Mas Ana sabia que algo estava errado. Muito errado. Sem pensar duas vezes, acionou o mecanismo de libera??o r¨¢pida que prendia sua arma. O tamanho da lamina era grande demais para ser desembainhada da maneira comum, ent?o as amarras se romperam com um estalo, e a espada girou ao redor de seu corpo, que assumiu uma postura defensiva. ¡°Eu nem ouvi ela se aproximar... ¡° A figura que se erguia ¨¤ sua frente parecia ter surgido do pr¨®prio ch?o, como um fantasma. Uma velha, de apar¨ºncia acabada, estava parada ali, a encarando, como se tivesse vindo de um pesadelo. Seu corpo estava coberto por trapos sujos, pendendo de forma desajeitada sobre a pele enrugada. O cabelo, um emaranhado branco seco e sem brilho, ca¨ªa sobre o rosto, ocultando parte de seus olhos esbugalhados. Os dentes da velha eram pretos, como carv?o queimado. Podres ou pintados? Ana n?o conseguia dizer, mas pelo odor ¨¢cido e ran?oso que sentiu, inclinou-se para a primeira hip¨®tese. No entanto, o que mais chamou sua aten??o, foram as asas. Das costas da mulher brotavam duas asas cinzentas, ca¨ªdas e desajeitadas, t?o grandes que mal pareciam pertencer ¨¤quele corpo franzino. Estavam enrugadas, sem vida, pendendo como uma capa. ¡ª Tu ¨¦ bicho? ¡ª a voz da velha saiu como um sussurro distorcido, como se o som se arrastasse por entre as palavras. Ana mal teve tempo de processar a pergunta quando, em um piscar de olhos, a velha j¨¢ estava quase colada em seu rosto, observando-a a poucos cent¨ªmetros, t?o perto que conseguia ver as veias avermelhadas em suas pupilas dilatadas, cheias de uma insanidade que ela conhecia bem. Seu olhar lentamente fixou-se na grande espada negra, observando a lamina com um fasc¨ªnio desconcertante. Em um movimento r¨¢pido, Ana saltou para tr¨¢s, com seu cora??o, para sua surpresa, disparando em um alerta de perigo. A velha pareceu n?o se importar com a rea??o. Ela parou de olhar a espada por um instante, seu corpo permanecendo est¨¢tico enquanto, de forma antinatural, apenas sua cabe?a girava completamente para encarar a mercen¨¢ria fugitiva, como se desafiasse as leis da anatomia. Sem hesitar mais, Ana girou em um movimento fluido, fintando um golpe na altura do peito da mulher, mas mudando a dire??o para atingir as pernas no ¨²ltimo momento. Contudo, com um pequeno salto, a estranha visita desviou facilmente, pousando no outro lado da lamina com a leveza de uma folha. ¡ª Tu ¨¦ bicho? ¡ª repetiu a velha. Vendo a falta de resposta de Ana, ela voltou novamente a focar na arma com uma curiosidade infantil. Ent?o, sem qualquer aviso, mordeu a lamina com for?a. Seus dentes pretos se cravaram no metal, emitindo um som alto de ranger, como se a velha estivesse realmente tentando comer a lamina. ¡°Mas que merda ¨¦ essa?¡±, pensou Ana, totalmente sem rea??o, mas j¨¢ se preparando para um novo ataque, quando uma voz autorit¨¢ria quebrou a miraculosa cena. ¡ª Suca, deixe a viajante em paz. Voc¨º acabou de almo?ar. Cada pisada do homem que se aproximava trazia uma sensa??o de poder bruto. Ele usava roupas simples, quase modestas, mas nada poderia mascarar a impon¨ºncia que emanava de seu corpo. Sua cabe?a era adornada por dois enormes chifres curvados para cima, e no lugar de p¨¦s humanos, ele possu¨ªa cascos, cada um t?o grande quanto a cabe?a de Ana. Diferente de sua apar¨ºncia intimidadora, seu tom de voz era educado, quase cort¨ºs, embora a gravidade do som fizesse o peito dos ouvintes tremerem. A velha imediatamente soltou a espada da boca, dando um ¨²ltimo olhar malicioso para Ana antes de se virar para o rec¨¦m-chegado. Seus olhos insanos brilharam com uma estranha afei??o, e ela correu para o lado dele como uma crian?a travessa que sabia que tinha ido longe demais.Unauthorized tale usage: if you spot this story on Amazon, report the violation. ¡ª Pe?o desculpas, minha cara ¡ª disse o homem, fazendo uma leve rever¨ºncia com a cabe?a. ¡ª Nossa pequena Suca... ¨¦ um produto com defeito. Ana ergueu uma sobrancelha, ainda mantendo sua guarda. ¡ª E com ¡°nossa¡± voc¨º quer dizer...? O homem sorriu, seu olhar estudando a viajante de cima a baixo, como um ca?ador avaliando uma presa, mas com um toque de respeito genu¨ªno. Ele demorou um segundo a responder, como se quisesse saborear a expectativa no ar. ¡ª Eu sou Taurus. Um nome pouco criativo, eu sei ¡ª ele disse finalmente, uma leve nota de divers?o em sua voz. ¡ª Pode nos considerar seus novos vizinhos. Somos apenas um grupo que gosta de... experimentar algumas coisas. ¡ª Vizinhos? Algum reino nas proximidades? ¡ª Na verdade n?o. Pense em um contexto maior. O olhar do homem passeou rapidamente pela espada de Ana, mas ele n?o demonstrou qualquer preocupa??o com a lamina erguida. Em vez disso, seus olhos se demoraram na armadura que cobria o bra?o esquerdo da mulher. Ele parecia intrigado, especialmente quando, ap¨®s alguns segundos, notou a m?o oposta ¨¤ armadura, onde as flores vivas se mesclavam ¨¤ carne Seu sorriso imediatamente cresceu, com grandes dentes amarelados deixando clara sua alegria. ¡ª Parece que podemos nos dar bem, minha jovem. Antes que pudessem seguir a conversa, a velha Suca o cutucou com um cotovelo magro e pontudo, apontando para Ana. ¡ª Essa ¨¦ bicho? Taurus soltou uma risada grave, mas n?o desdenhosa, e sacudiu a cabe?a. ¡ª N?o. Esta ¨¦ sapien. ¡ª Pufft¡­ ¡ª o rosto da velha se iluminou com uma gargalhada abafada, seus ombros tremendo enquanto tentava conter o riso. ¡ª Sapien num guenta! Com um suspiro, o homem colocou uma m?o gigantesca e firme na cabe?a da velha, segurando-a no lugar como quem segura um cachorrinho desobediente. Suca, no entanto, come?ou a se contorcer, balan?ando o corpo de um lado para o outro para tentar se livrar do aperto, mas ainda rindo de forma quase sufocante. Foi nesse momento que Ana notou as cicatrizes nas costas da mulher, as marcas profundas que revelavam uma verdade sombria: aquelas asas n?o eram dela. Foram implantadas de forma grosseira e cruel, e o que uma vez poderiam ter sido membros poderosos, agora eram apenas restos pendentes, inertes como se pertencessem a um cad¨¢ver. ¡ª Essa ¨¦ diferente, Suca, ¨¦ uma sapien com pedigree ¡ª comentou o homem com uma risada gutural, ainda mantendo a velha em seu lugar. ¡ª Novamente, pe?o desculpas¡­ viajante. ¡ª Me chame de Ana ¡ª respondeu a rainha, notando sua pr¨®pria falta de cortesia. ¡ª Oh sim, Ana. ¨¦ um bom nome. Apenas n?o se sinta ofendida, estamos apenas de passagem por esse territ¨®rio. O clima dos povos daqui parece... tenso, ent?o talvez seja melhor que finja que nunca nos viu. Ele fez uma pausa, o sorriso de mist¨¦rio retornando. ¡ª A n?o ser, ¨¦ claro, que tenha interesse em nos acompanhar ¡ª Taurus inclinou levemente a cabe?a, os chifres brilhando na luz suave, sua voz sedutora como o canto de uma serpente. Ana ignorou a maior parte de tudo o que ele disse at¨¦ aquele ponto. Suas palavras eram como ru¨ªdos de fundo, sem importancia. Mas ao ouvir a proposta inesperada, algo dentro dela estremeceu. Seu cora??o bateu mais forte. ¡ª Clar... ¡ª come?ou ela, sem perceber a resposta empolgada e autom¨¢tica que surgia em seus l¨¢bios. Mas ent?o parou, como se tivesse sido puxada bruscamente de volta ¨¤ realidade. Ela ficou ali, congelada por um momento. ¡°Luiz, seu desgra?ado.¡± ¡°Ins¨ªdia, reino de merda.¡± ¡°Myrmeceum, filhos da puta.¡± Aos poucos se recomp?s, um leve tremor correndo por seu corpo enquanto sua m?o apertava a empunhadura da espada com mais for?a. ¡ª Infelizmente, n?o poderei aceitar ¡ª respondeu finalmente, sua voz firme e desanimada. ¡ª Tenho obriga??es urgentes. Mas n?o se preocupem, n?o h¨¢ conflito entre n¨®s. N?o falarei sobre voc¨ºs. O homem soltou uma risada alta e satisfeita. ¡ª Gosto de voc¨º, garota ¡ª disse ele, retirando do bolso um peda?o de couro fino. No centro, havia um s¨ªmbolo desenhado em um vermelho intenso, uma estranha representa??o do Homem Vitruviano. Cada um de seus bra?os, pernas e partes do corpo era composto de diferentes texturas e formatos, como se fossem partes de criaturas diferentes, uma colcha de retalhos grotesca e bizarra. Uma muta??o monstruosa e aterradora. Os olhos de Ana brilharam com uma curiosidade intensa ao ver tal s¨ªmbolo. Lentamente, abaixou a espada e pegou o objeto. ¡ª E como os encontro, Taurus? O homem deu de ombros. ¡ª Isso eu n?o posso dizer. Na verdade, n?o tenho como ¡ª ele deu um passo para tr¨¢s, o sorriso ainda nos l¨¢bios. ¡ª Por enquanto, somos n?mades, ent?o fica a cargo do destino se nossos caminhos voltar?o a se cruzar. Virando-se para a mata, o homem soltou um som gutural, como o bramido de um touro. Em resposta, alguns sinos ecoaram pela floresta, e logo Ana avistou um grupo de pessoas se aproximando entre as ¨¢rvores. ¡°Vinte¡­ n?o, talvez um pouco mais¡­ Corrompidos?¡° Logo balan?ou a cabe?a, negando a pr¨®pria hip¨®tese. Havia algo diferente neles. Seus olhares eram intensos, predat¨®rios, famintos. Atr¨¢s dos viajantes, tr¨ºs carro?as grandes e pesadas se moviam lentamente, rangendo sob o peso do que quer que estivesse sendo transportado. Ana refletiu por um momento, o cora??o ainda acelerado, mas decidiu n?o pensar muito sobre aquilo. ¡ª Bem, ent?o me despe?o ¡ª ela disse, inclinando a cabe?a levemente. ¡ª Tenham uma boa viagem, seja l¨¢ para onde forem. Taurus tamb¨¦m curvou a cabe?a em resposta, seus olhos n?o deixando de estud¨¢-la. ¡ª V¨¢ com cuidado, Ana. Ao lado dele, Suca, com um grande sorriso no rosto, levantou o polegar para a rainha, antes de sair pulando ao lado do homem, cantarolando alegremente. ¡ª Sapien, sapien, sapien... Ana ficou ali, observando-os at¨¦ desaparecerem da sua linha de vis?o. Quando finalmente estavam longe, soltou um longo suspiro de al¨ªvio. Ela percebeu que estava suando, mas, ao inv¨¦s de medo, sentia uma excita??o inexplic¨¢vel. ¡ª Que porra foi essa? ¡ª murmurou para si mesma, sentando-se no ch?o para enrolar a espada de volta. Durante o processo, pequenas marcas em um semic¨ªrculo chamaram sua aten??o. Haviam aparecido bem no meio do corpo da arma, quase como cicatrizes. Ela passou a m?o por elas, sentindo os pequenos sulcos, e olhou uma ¨²ltima vez na dire??o de onde o grupo havia partido. Era quase como se pudesse ouvir a voz da velha, repetindo a m¨²sica em sua mente. ¡°Sapien, sapien, sapien¡­¡± Uma gargalhada inesperada saiu de seus l¨¢bios. Alta, estridente, louca. Ela largou a espada e se jogou de costas na grama, olhando para o c¨¦u. ¡ª Novos vizinhos, hein? Esse mundo ¨¦ realmente interessante¡­ Ent?o, com uma decis?o repentina, ela se levantou e come?ou a correr novamente. Tinha que acabar essa guerra o mais r¨¢pido poss¨ªvel. Quer apoiar o projeto e garantir uma c¨®pia f¨ªsica exclusiva de A Eternidade de Ana? Acesse nosso Apoia.se! Com uma contribui??o a partir de R$ 5,00, voc¨º n?o s¨® ajuda a tornar este sonho realidade, como tamb¨¦m faz parte da jornada de um autor apaixonado e determinado. ?? Venha fazer parte dessa hist¨®ria! ?? 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Capítulo 131 - Novo Decreto
Natalya segurava a t¨¢bua com uma express?o de t¨¦dio nos olhos. Girava-a nas m?os, analisando cada detalhe com olhos experientes, mas o brilho de descoberta, t?o comum em suas expedi??es, estava ausente. A superf¨ªcie da t¨¢bua, repleta de entalhes e s¨ªmbolos desgastados, nada mais era do que um lembrete frustrante do fracasso daquela jornada. Nenhum segredo oculto, nenhuma promessa de um novo tesouro ou revela??o. Apenas mais uma rel¨ªquia in¨²til em um vasto mar de falsos achados. ¡ª T¨ªpico lixo¡­ ¡ª resmungou, jogando a t¨¢bua dentro da mochila com um gesto brusco e um suspiro pesado. ¡ª T?o ruim assim? ¡ª perguntou uma voz met¨¢lica que vinha do seu lado, cortante e fria, uma voz que soava mais como o ranger de engrenagens do que como palavras humanas. Natalya ignorou a pergunta por um instante, como se estivesse acima de responder a algo t?o ¨®bvio. Suas m?os vagaram at¨¦ um cigarro no bolso de seu casaco, que ela acendeu com a mesma despreocupa??o habitual, tragando longamente antes de soltar a fuma?a no ar pesado da sala. O brilho alaranjado da ponta do bast?o de nicotina iluminou brevemente suas fei??es endurecidas, e ap¨®s mais alguns segundos, resmungou com desd¨¦m. ¡ª Abaixo do esperado. N?o valeu o esfor?o. A sala ao redor era um cen¨¢rio de caos e morte. Criaturas deformadas e grotescas jaziam pelo ch?o em angulos imposs¨ªveis, como se suas mortes tivessem sido t?o violentas quanto suas exist¨ºncias. Sangue escuro, quase negro, pingava das laminas da Colecionadora e de seu companheiro, formando pequenos riachos que se misturavam ao mofo e ¨¤ umidade impregnada nas pedras antigas do local. O cheiro met¨¢lico do sangue, junto com a terra ¨²mida, dominava o ar, uma constante em suas expedi??es. Natalya passou a m?o pelos cabelos bagun?ados, manchando ainda mais os fios j¨¢ sujos com sangue seco. Seu olhar estava distante, sem emo??o, como se aquela carnificina fosse apenas uma rotina entediante. ¡ª Vamos voltar para a cidade. Talvez tenham descoberto alguma nova ru¨ªna para verificarmos. N?o quero perder mais tempo aqui. Com um movimento despreocupado, jogou a caixa de cigarros para seu companheiro. O homem pegou o item no ar, mas, com um movimento t?o r¨¢pido e desinteressado quanto o da mulher, jogou de volta. ¡ª J¨¢ disse que n?o tenho interesse em ter cancer. Obrigado. ¡ª Que porra de pulm?o voc¨º tem para ter medo de cancer? ¡ª zombou, soprando a fuma?a para o lado, rindo de leve enquanto voltava a tragar. O companheiro emitiu um som que poderia ser interpretado como uma risada, um ru¨ªdo arranhado e artificial. ¡ª Ainda assim, n?o vou arriscar. Natalya o encarou por um momento. Ele era uma combina??o grotesca de carne e metal, resultado de in¨²meras batalhas e reconstitui??es, ¨¤s vezes, propositais. Grande parte de seu corpo original j¨¢ havia sido substitu¨ªda por pe?as met¨¢licas, pr¨®teses avan?adas que mais pareciam sa¨ªdas de uma f¨¢brica do que de um ser vivo. Por fim, a Colecionadora deu de ombros, aceitando o cigarro de volta e se preparando para guardar novamente dentro da roupa, quando, de repente, um tremor repentino percorreu seu corpo. Falhou ao tentar guardar a caixa, derrubando-a no ch?o com um baque surdo. Ela levou ambas as m?os ¨¤s t¨ºmporas, apertando-as com for?a, como se estivesse tentando esmagar a dor que pulsava em sua cabe?a. ¡ª Merda, merda, merda! ¡ª rugiu, curvando-se no ch?o, o rosto perdendo a cor, os olhos cerrados em agonia. ¡ª O que foi? ¡ª A porcaria das vozes! ¡ª gritou, sua voz tomada de raiva. ¡ª Faz meses que sumiram, e agora voltam com tudo! Essas desgra?adas deveriam ser mais gentis¡­ Ela respirou fundo, tentando recobrar o controle. Apesar de dolorosas, eram uma presen?a familiar. Cada vez que surgiam, traziam consigo a promessa de grandes descobertas. Natalya sentia um misto de exaspera??o e expectativa. A dor era brutal, mas sempre carregava consigo uma excita??o indescrit¨ªvel. O companheiro a observava de maneira inexpressiva, esperando. ¡ª Voc¨º deveria procurar um m¨¦dico. Ouvir vozes n?o ¨¦ normal.This tale has been pilfered from Royal Road. If found on Amazon, kindly file a report. Natalya soltou uma risada curta e amarga, um som seco em meio ¨¤ dor, mas com uma ponta de sarcasmo. ¡ª As coisas boas da minha cole??o sempre vieram das vozes... ¡ª murmurou, como se estivesse tentando convencer a si mesma. Ela respirou fundo mais uma vez e completou com a voz falha. ¡ª E dessa vez, parece que tiramos a sorte grande. Sete apontamentos de uma vez, todos no mesmo lugar¡­ isso ¨¦ novo. Ainda tr¨ºmula, afastou uma m?o da cabe?a e ajustou seus ¨®culos no rosto. O brilho das lentes refletiu por um breve momento a luz da tocha improvisada que prenderam na parede, enquanto seus dedos tocavam nos pequenos controles localizados na lateral da arma??o. ¡ª Busque as coordenadas -23.515402, -46.851100. O sil¨ºncio que seguiu foi t?o intenso que o som de sua respira??o, aos poucos voltando ao normal, ecoou pelo ambiente. Por um momento, tudo parecia suspenso no tempo, at¨¦ que uma voz suave e impessoal a respondeu. ¡ª Busca finalizada. Diante de seu olho direito, um mapa tridimensional surgiu, flutuando atrav¨¦s da interface de seus ¨®culos. Linhas de topografia, contornos detalhados, e s¨ªmbolos informativos come?aram a se formar, todos levando a um ponto marcado com precis?o nas profundezas de um local familiar. A Colecionadora analisou as informa??es com um sorriso que se formava lentamente em seus l¨¢bios. As coordenadas n?o mentiam. Aquilo n?o era apenas um novo achado. ¡ª Olha s¨®... parece que vamos visitar velhos conhecidos Ela se levantou, ignorando a dor que ainda latejava em sua cabe?a, e olhou para o mapa com renovado interesse. As coordenadas levavam a um local que ela conhecia muito bem. Ela se levantou, ignorando a dor que ainda latejava em sua cabe?a, ajustou o casaco e puxou a mochila para cima, a arrumando sobre os ombros. O companheiro met¨¢lico a observava em sil¨ºncio, sem fazer perguntas. Ele sabia que, no final, as respostas sempre vinham quando Natalya decidia revel¨¢-las. At¨¦ l¨¢, ele seguiria em frente, como sempre fazia. ¡ª Vamos nos preparar. A estrada vai ser longa. ¡ª Iremos por terra? ¡ª ¨¦ claro que n?o ¡ª respondeu a mulher. Ela soltou a ¨²ltima baforada do cigarro que ainda segurava e o jogou no ch?o de pedra, esmagando-o com a bota. O som do papel e tabaco sendo pisoteados ecoou pelo ambiente sombrio, um ru¨ªdo insignificante diante da vastid?o do local. Os dois come?aram a se mover em dire??o ¨¤ sa¨ªda da sala, atravessando o mar de cad¨¢veres sem se importar com o sangue que se agarrava ¨¤s solas de seus p¨¦s. O caminho pelas ru¨ªnas era estreito, com paredes recobertas de limo e rachaduras que deixavam o som do vento se infiltrar, como um lamento distante. ¨¤ medida que avan?avam, o ch?o tremeu brevemente sob seus p¨¦s, sugerindo que as velhas estruturas lutavam para se manter intactas, como se o peso da hist¨®ria estivesse prestes a colapsar. ¡ª Voc¨º acha que essa t¨¢bua realmente n?o significa nada? ¡ª a voz met¨¢lica do companheiro cortou o sil¨ºncio. ¡ª Estava guardada fundo demais para ser s¨® algo in¨²til. Natalya fez uma pausa breve, o olhar distante enquanto ponderava. Seus dedos tocaram a borda de sua mochila, onde a t¨¢bua repousava. ¡ª Pode ser s¨® uma pedra velha ¡ª respondeu ela com um tom desinteressado. ¡ª Ou pode ser a chave para algo que ningu¨¦m jamais pensou em procurar. Se n?o me der uma resposta, vai para o dep¨®sito como qualquer outra coisa. Horas depois, a luz fraca do sol de fim de tarde os recebeu ¨¤ medida que emergiam das ru¨ªnas. O calor do deserto os envolveu como uma onda de nostalgia, uma sensa??o estranhamente familiar ap¨®s tantos dias no subterraneo. ¡ª A volta ¨¦ sempre mais r¨¢pida ¡ª comentou o homem. ¡ª Acho que come?o a entender sua motiva??o. ¨¦ realmente satisfat¨®rio visitar esses lugares abandonados. Natalya lan?ou-lhe um olhar de lado, os l¨¢bios se curvando em um sorriso seco. ¡ª Voc¨º est¨¢ falador hoje, hein? ¡ª Talvez porque voc¨º est¨¢ respondendo mais do que o normal ¡ª respondeu ele, com um toque de ironia. ¡ª Mas estou certo? Ou voc¨º s¨® est¨¢ atr¨¢s de algo que n?o seja apenas "lixo"? Natalya manteve o olhar fixo no horizonte enquanto suas botas afundavam levemente na areia macia. Seus dedos brincaram com um estranho pingente preso na ponta de uma de suas tran?as, e ela logo mudou o olhar para o c¨¦u enquanto inspirava o ar seco e quente. ¡ª Fa?o isso porque ainda n?o encontrei nada que seja¡­ o suficiente. Sua voz, embora firme, carregava uma sombra de melancolia que raramente deixava escapar. Quer apoiar o projeto e garantir uma c¨®pia f¨ªsica exclusiva de A Eternidade de Ana? Acesse nosso Apoia.se! Com uma contribui??o a partir de R$ 5,00, voc¨º n?o s¨® ajuda a tornar este sonho realidade, como tamb¨¦m faz parte da jornada de um autor apaixonado e determinado. ?? Venha fazer parte dessa hist¨®ria! ?? Apoia-se: https://apoia.se/eda Discord oficial da obra: https://discord.com/invite/mquYDvZQ6p Galeria e outros links: https://linktr.ee/eternity_of_ana
Capítulo 132 - Euforia do Metal Negro
Ana corria a toda velocidade pelos t¨²neis escuros, cada m¨²sculo trabalhando em sincronia, os p¨¦s mal tocando o ch?o antes de empurr¨¢-la para frente. A espada negra balan?ava com o movimento, presa firmemente pelas suas m?os enquanto ocasionalmente criava fa¨ªscas ao raspar na pedra, mas sempre pronta para ser usada. Em um movimento fluido, a mercen¨¢ria fincou no ch?o e, com um impulso calculado, usou o peso para girar bruscamente, fazendo uma curva fechada sem perder o ritmo. ¡ª Maldita ideia est¨²pida ¡ª resmungou, os dentes cerrados de leve. O barulho que vinha dos t¨²neis era assustador, ressoando nas paredes como um trov?o constante, aumentando a sensa??o de perigo iminente. Eram patas, centenas, talvez milhares, que corriam em todas as dire??es. Sua vis?o aos poucos escurecia, e, sem perder tempo, alcan?ou um pequeno frasco preso ao cinto e o enfiou no ombro com for?a. O l¨ªquido reagiu quase imediatamente, e em poucos segundos sua vis?o, que havia sido ofuscada pela escurid?o dos t¨²neis, se clareou novamente. ¡ª S¨® mais cinco ¡ª murmurou, contando as ampolas de vidro do mesmo tipo que ainda possu¨ªa ¡ª Preciso sair daqui em menos de tr¨ºs horas, se n?o vai ficar mil vezes mais dif¨ªcil¡­ Foi nesse exato instante que, de uma das encruzilhadas ¨¤ frente, algo emergiu da escurid?o. Uma boca grotesca e desproporcional voava em dire??o ao seu rosto com uma voracidade monstruosa. Ana abaixou-se rapidamente por reflexo, o ataque passou sobre sua cabe?a por um triz. Enquanto a criatura voava por cima dela, p?de ver com detalhes o abd?men pulsante e suas patas curtas e deformadas. Sem hesitar, girou a espada em um arco brutal, cortando a criatura ao meio. O sangue viscoso manchou o ch?o quando o corpo despeda?ado caiu com um baque seco, mas Ana j¨¢ estava correndo de novo. ¡ª ¨¦ uma sorte que pare?am miniaturas das que lutei no abismo ¡ª comentou em dire??o ao nada, mantendo a passada. Suas m?os atingiam cada criatura que se aproximava com precis?o perfeita, derrotando-os com o m¨ªnimo de esfor?o ao eliminar as lacunas do exoesqueleto. No entanto, a dificuldade era muito maior que a do abismo. N?o eram como os insetos ca¨®ticos e descoordenados que conhecia, nestes t¨²neis, atacavam em forma??o, como se fossem parte de um todo maior. Eles vinham em ondas, n?o em pequenos grupos isolados. Ana cortava o que conseguia, sua lamina ceifando vidas com precis?o, mas a cada golpe sabia que estava ficando com menos tempo. ¡ª Da pr¨®xima vez ¡ª comentou entre dentes, seu tom carregado de auto ironia ¡ª Vou gastar mais de cinco segundos pensando num plano. Tudo havia come?ado minutos antes com uma ideia impulsiva. Se os emiss¨¢rios j¨¢ estivessem mortos, que sentido faria negociar? Por que n?o infiltrar-se e descobrir o que precisava primeiro? Assim, sem mais nem menos, Ana come?ou a cavar por baixo dos muros usando a ponta da espada e um pouco de mana, esperando que o terreno fosse simples o suficiente para realizar sua incurs?o. Foi uma surpresa quando, pouco depois, se viu despencando no vazio. Em vez de solo comum, encontrou uma rede subterranea de t¨²neis vastos e interconectados, muito maiores do que havia imaginado, mas n?o t?o profundos quanto. A queda foi r¨¢pida e, quando se levantou, notou que n?o estava sozinha. Cinco corrompidos, com partes de seus corpos semelhantes aos finos membros de formigas, estavam ali, refor?ando as paredes do t¨²nel. Conversavam animadamente, como se estivessem apenas realizando um trabalho rotineiro, sem imaginar o que acontecia ao redor. Todos ficaram paralisados no momento em que a viram, os olhos arregalados, congelados pela surpresa. Ana os observou de volta por um segundo, e depois os matou. Cada um deles. R¨¢pido, preciso, sem hesita??o. ¡ª N?o me culpem. N?o posso ser descoberta t?o cedo ¡ª sussurrou enquanto os corpos ca¨ªam ao ch?o. Sem dar uma segunda olhada para eles, deu passos ¨¢geis pelos longos corredores. Foi a¨ª que o caos come?ou. Trabalhadores, ou talvez guerreiros, come?aram a surgir de todos os lados, armados e assustados, mas avan?ando implacavelmente contra ela. ¡ª Merda. N?o era para ser assim¡­ A contragosto, Ana matou um ap¨®s o outro, continuando a seguir a rota que escolheu por capricho. Os inimigos, at¨¦ ent?o, tinham partes de seus corpos fundidas com equipamentos de engenharia m¨¢gica, no entanto, seus implantes, embora sofisticados o suficiente para fazer Ana ficar surpresa, n?o possu¨ªam materiais de alta qualidade para respaldar a habilidade utilizada em sua confec??o. Mesmo os mais fortes aguentavam apenas dois ou tr¨ºs golpes da mulher antes de ca¨ªrem perante a afiada lamina. ¡ª Como est?o me achando t?o r¨¢pido? Era estranho, surgiam oponentes continuamente, n?o dando tempo para pensar. A princ¨ªpio, foi inc?modo, mas logo Ana se pegou se divertindo enquanto abandonava o cuidado e corria por a¨ª, matando tudo e todos que cruzavam seu caminho. O cheiro acre de sangue enchia o ar, mas o peso da batalha trazia uma estranha satisfa??o. ¡ª Realmente n?o foi s¨® impress?o... algo est¨¢ diferente. A espada, ap¨®s tanto tempo inutilizada, parecia deliciar-se com o sangue que a cobria. Conforme mais corpos eram deixados para tr¨¢s, mais Ana reparava que ela estava mudando, apesar de n?o da mesma forma de antes. Mil¨ªmetro a mil¨ªmetro, a lamina de quase dois metros afinava ao inv¨¦s de se alargar, ao mesmo tempo que permanecia crescendo de forma quase impercept¨ªvel. Ainda mais impactante era o fato de que estava cada vez mais leve, uma virada radical no comportamento anterior dessa massa s¨®lida de metal que mal era manuse¨¢vel.Enjoying this book? Seek out the original to ensure the author gets credit. ¡ª No fim, realmente deu para misturar a miss?o com o treinamento ¡ª a rainha riu baixinho, sentindo a excita??o crescer conforme ela avan?ava. Queria descobrir at¨¦ onde aquela arma iria, mas, para sua tristeza, o avan?o caminhava a passos de tartaruga. Um ou outro guarda, mais forte que os demais, acabava por dar impulso suficiente para que uma altera??o min¨²scula ocorresse, mas precisava matar mais de dez oponentes comuns para que o mesmo efeito surtisse. Ainda pior era o fato de que, a cada morte, parecia que a lamina estava menos satisfeita, como se a mana absorvida fosse insuficiente para sustent¨¢-la. De qualquer forma, foi em meio a seu doce passeio que finalmente chegou a uma bifurca??o e, ao virar o corredor, viu um homem-inseto de p¨¦. Ele tinha tra?os de grilo, com pernas que se dobravam em uma posi??o antinatural, e a princ¨ªpio parecia s¨® o mesmo dos outros, mas uma fina coleira pendia em suas m?os. Preso a sua ponta, um besouro gigantesco se debatia, como uma fera faminta esperando para ser solta. O homem olhou diretamente nos olhos de Ana por, e ela soube, naquele instante, que as coisas estavam prestes a ficarem complicadas. Com um ¨²ltimo sorriso do homem inseto, a coleira foi solta, batendo pesadamente no ch?o. Foi como uma explos?o. Antes que ela pudesse reagir, n?o s¨® aquele besouro, mas sim centenas de outros insetos, n?o habitantes, mas sim criaturas em sua forma animalesca, todas do tamanho de c?es, surgiram das mais variadas dire??es, inundando o t¨²nel como uma mar¨¦ viva. Foi ent?o que Ana correu. E correu. E correu. ¡ª Porra, porra, porra! ¡ª gritou em frustra??o, sentindo o suor escorrer por seu rosto ¡ª Esses t¨²neis n?o acabam! N?o importava quantos corredores ou salas ela atravessava. Galp?es, quartos, aposentos cuja fun??o ela nem se importava em entender... tudo parecia intermin¨¢vel. Era como se estivesse presa em um labirinto vivo, onde o fim nunca aparecia. ¡ª Chegar at¨¦ as celas sem ser notada... Imposs¨ªvel desde o come?o... ¡ª ofegou, sentindo o suor escorrer por seu rosto. Seus olhos se estreitaram ao avistar uma porta de metal ao lado. Com um movimento brusco, empurrou-a com o ombro, encontrando uma sala repleta de prateleiras organizadas com equipamentos. N?o era o ideal, mas pelo menos poderia se esconder e recuperar o f?lego. Com um gesto r¨¢pido, levantou a m?o e, como um reflexo, manifestou vinhas que se enroscaram ao redor das prateleiras, puxando-as para bloquear a entrada. As plantas brotavam de seus bra?os sem que ela sequer precisasse prestar aten??o. Seu longo estudo sobre a vida vegetal utilizada para criar as armaduras organicas a fizeram visualizar seus detalhes quase que no autom¨¢tico. ¡ª Merda de mana... ¡ª resmungou. Mesmo com as flores ainda vivas em seu bra?o, a quantidade de mana absorvida era m¨ªnima, quase insignificante. A atmosfera dentro do t¨²nel, onde o Sol n?o dava as caras, drenava suas reservas como uma esponja. Ela se apoiou nos joelhos, sentindo o cansa?o pesando em seu corpo. Permanecer na situa??o atual n?o era vi¨¢vel. Ela sabia que teria que tomar uma atitude. ¡ª Voc¨º precisa pensar, Ana, sua idiota ¡ª sussurrou para si mesma, massageando as t¨ºmporas com for?a por baixo da m¨¢scara ¡ª Organofosforados... Glifosato¡­ As palavras sa¨ªam quase como um mantra, enquanto sua mente corria para organizar as f¨®rmulas qu¨ªmicas que conhecia. As mol¨¦culas, as rea??es, tudo se alinhava como pe?as de um quebra-cabe?a complexo que precisava ser resolvido naquele exato minuto. Ela visualizava cada componente, cada ¨¢tomo, como se as rea??es estivessem flutuando ¨¤ sua frente. "Ou vai dar certo, ou vou morrer agonizando", pensou, enquanto rasgava a manga de seu casaco e, com pressa, a enrolava firmemente ao redor do rosto, cobrindo a boca e o nariz. Com um suspiro contido, Ana se sentou no ch?o frio do t¨²nel, com as m?os tremendo levemente pelo esfor?o de manter a concentra??o. Ela esfregou as palmas contra os joelhos, como se tentasse transferir o calor do atrito para clarear sua mente. Respirou fundo e, com um foco que beirava o desespero, come?ou a concentrar a pouca mana que ainda tinha dispon¨ªvel para modificar as mol¨¦culas ao redor. O ar que a cercava come?ou a mudar lentamente. Uma tonalidade verde quase impercept¨ªvel come?ou a tomar forma. O vento, inicialmente leve e inofensivo, come?ou a se intensificar, carregando consigo as part¨ªculas do composto t¨®xico que ela tentava enviar pelos t¨²neis. ¡ª Preciso que isso se espalhe... r¨¢pido ¡ª murmurou, for?ando sua mente a continuar o processo. Os sons das patas estavam crescendo em volume. Uma marcha incessante, um som que parecia vir de todos os lados. Logo, os primeiros insetos come?aram a surgir na extremidade do a sua frente, oposto a barricada, avan?ando com velocidade absurda. Ana os encarou por um momento, os olhos fixos nas grotescas criaturas. O ambiente ao seu redor ficava cada vez mais pesado, saturado com o composto t¨®xico, ent?o fechou os olhos, sentindo uma ard¨ºncia crescente pela exposi??o. Seu est?mago revirava, e a n¨¢usea amea?ava derrub¨¢-la ali mesmo. A sua frente podia sentir o qu¨ªmico atingindo as criaturas, e, para sua alegria, elas congelaram. Algumas come?aram a se contorcer, caindo no ch?o com espasmos descontrolados, seus corpos tremendo enquanto o veneno invadia seus sistemas. Mas, para a frustra??o de Ana, muitas delas se levantaram novamente. ¡ª Droga! ¡ª rosnou entre os dentes. Ela for?ou mais mana no ar, intensificando o fluxo que saia de seu corpo. O esfor?o era imenso, e sua mente dava sinais claros de esgotamento. As m?os tremiam incontrolavelmente, os m¨²sculos queimavam pelo uso excessivo de energia. E ainda n?o era o suficiente. As criaturas estavam desacelerando, isso era certo, mas o n¨²mero era grande demais. Mesmo com todo o seu esfor?o, a horda continuava a avan?ar. Pelo menos, foi o que pareceu... at¨¦ a mana reversa come?ar a tomar o controle. Quer apoiar o projeto e garantir uma c¨®pia f¨ªsica exclusiva de A Eternidade de Ana? Acesse nosso Apoia.se! Com uma contribui??o a partir de R$ 5,00, voc¨º n?o s¨® ajuda a tornar este sonho realidade, como tamb¨¦m faz parte da jornada de um autor apaixonado e determinado. ?? Venha fazer parte dessa hist¨®ria! ?? Apoia-se: https://apoia.se/eda Discord oficial da obra: https://discord.com/invite/mquYDvZQ6p Galeria e outros links: https://linktr.ee/eternity_of_ana
Capítulo 133 - Manto de Extermínio
Mana reversa. Uma for?a distorcida, imprevis¨ªvel, violenta. Ela agia como uma cobra espreitando sua presa: pequenas part¨ªculas, quase invis¨ªveis, come?avam a emergir do ambiente, part¨ªculas t?o sutis que at¨¦ mesmo um observador atento poderia n?o perceber. Mas, como uma serpente que n?o hesita em atacar, o verdadeiro perigo estava no bote. Aquela tonalidade esverdeada que permeava o ar foi subitamente consumida. N?o houve fus?o, nem uma harmoniosa mistura de energias; foi um ato de domina??o. A mana reversa subjugou a energia que j¨¢ havia preenchido o espa?o, torcendo-a, dobrando-a sob sua vontade deturpada. A n¨¦voa, que antes j¨¢ era venenosa, se transformou em algo mais letal, uma sombra negra que pairava pesada no ambiente, pulsando com uma presen?a incontrol¨¢vel e destrutiva. O efeito foi imediato. As criaturas que antes resistiam agora ca¨ªam aos montes. Seus corpos, que at¨¦ ent?o s¨® haviam sentido o inc?modo do composto qu¨ªmico, agora convulsionavam de forma violenta. Exoesqueletos rachavam com sons agudos e dolorosos enquanto a substancia corrosiva consumia suas entranhas. N?o havia chance de sobreviv¨ºncia: suas carnes se desintegravam, seus ¨®rg?os se liquefaziam, e cada uma delas ca¨ªa ao ch?o em pilhas grotescas de carne dilacerada e restos em decomposi??o. O cheiro da morte se espalhou rapidamente, encharcando os t¨²neis com um odor sufocante. O ch?o ficou coberto de corpos, os olhos inexpressivos das criaturas refletiam o terror absoluto enquanto observavam a n¨¦voa negra avan?ar, trazendo consigo a destrui??o. Ana, ofegante e exausta, finalmente se for?ou a levantar. Suas m?os tremiam violentamente enquanto agarrava a espada cravada no ch?o, usando a lamina para se sustentar. A arma, t?o encharcada de sangue quanto o pr¨®prio ar ao seu redor, parecia, de alguma forma, descontente com o rumo das coisas, insatisfeita com as a??es de sua portadora, mas Ana n?o conseguia definir se era apenas uma sensa??o ou n?o. A mercen¨¢ria percebeu que mesmo com todo o esfor?o, seu corpo a tra¨ªa. Uma dor lancinante percorreu seu abd?men, for?ando-a a vomitar sangue. O gosto met¨¢lico invadiu sua boca, e a bile misturada com o veneno a sufocava, queimando por dentro. Cada respira??o era um esfor?o colossal, o ar ao redor dela havia se transformado em sua pr¨®pria maldi??o. A mesma n¨¦voa que matava seus inimigos fazia quest?o de deix¨¢-la ¨¤ beira do colapso. Ainda assim, em meio ¨¤ agonia, um meio sorriso se formou em seus l¨¢bios, radiante, imperturb¨¢vel, refletindo o prazer perverso que aquela situa??o trazia. Sentia-se viva de um jeito que nada mais a fazia sentir. Ela estava no limiar entre a vida e a morte, e aquele era o espa?o onde Ana aprendeu a brilhar. Ela deu um passo, depois outro. Ent?o, como um furac?o prestes a engolir tudo em seu caminho, Ana come?ou a correr. Sua corrida era desleixada, mas r¨¢pida, e a espada em suas m?os, sutilmente mais leve do que nos ¨²ltimos meses, era arrastada pelo ch?o, criando fa¨ªscas que davam um toque fantasioso para a escurid?o da caverna. A n¨¦voa negra a seguia como um manto de destrui??o, se expandindo a cada segundo, acompanhando seus movimentos. Os t¨²neis que antes pareciam intermin¨¢veis agora se tornaram sua arena. Ana era a rainha daquele espa?o. Uma rainha est¨²pida, mas uma rainha. A cada espa?o que cruzava, a toxina se infiltrava nas passagens como uma praga viva, se espalhando sem controle. Os "animais insetos" que a observavam come?aram a recuar descontroladamente, seus movimentos descoordenados e err¨¢ticos denunciando o pavor que os consumia. Mas nenhum deles foi r¨¢pido o suficiente para escapar da invasora. Com a for?a obscura pulsando em seus m¨²sculos, Ana os alcan?ou em um piscar de olhos. Ela podia sentir os estalos nas juntas, os ossos e m¨²sculos reclamando de forma aud¨ªvel. Seu corpo implorava por descanso, mas n?o conseguia parar. ¡ª ¨¦ t?o bom... ¡ª murmurou, quase como se estivesse compartilhando um segredo com o pr¨®prio ar ao seu redor. ¡ª E isso ¨¦ apenas o come?o. Aquela situa??o era como nadar em um vasto oceano de mana. Havia algo quase c?mico, at¨¦ reconfortante, na forma como aquela energia a envolvia. Era como se a sustentasse, mantendo sua mente consciente o suficiente para saborear cada momento do caos que criava. Cada corpo que ca¨ªa aos seus p¨¦s exalava o divino nutriente necess¨¢rio para expandir cada vez mais sua mini encarna??o de inferno. E ent?o, ela os encontrou. Pais, m?es, crian?as. Habitantes daquela enorme cidade, todos caminhando pelos t¨²neis sinuosos, alheios ao destino que os aguardava. Eles faziam parte da col?nia, mas naquele momento eram meros prisioneiros da pr¨®pria exist¨ºncia. Os t¨²neis complexos e apertados haviam se tornado a ferramenta dos sonhos de um genocida. Um labirinto sem sa¨ªda, onde podia-se ca?ar sem piedade. Uma armadilha mortal para todos os que ousavam estar ali. ¡ª Seria perfeito... se n?o fosse um suic¨ªdio... ¡ª ela riu, o som seco e rouco ecoando pelos t¨²neis, enquanto continuava sua corrida desenfreada. Ana n?o parou para lutar. N?o havia necessidade. Ela apenas corria entre eles, como uma sombra da morte, deixando a n¨¦voa fazer o trabalho sujo. Gritos ecoavam por todos os lados, gritos de desespero, de dor. O panico se alastrava. Ela ouvia atr¨¢s de si os sonos angustiados de fam¨ªlias sendo destru¨ªdas, as s¨²plicas de m?es enquanto viam seus filhos desmoronarem diante de seus olhos, as preces v?s dirigidas a c¨¦us que n?o iriam responder. Cada grito enchia Ana de uma excita??o que mal podia conter. Sua corrida n?o tinha uma dire??o definida, era como um c?o enlouquecido em busca de seu pr¨®ximo brinquedo. Virava esquinas bruscamente, mudava de dire??o, sempre em busca de mais vida. Love this novel? Read it on Royal Road to ensure the author gets credit. Todos os tr¨ºs encaixes de sua armadura estavam preenchidos com os ¨²ltimos frascos da ess¨ºncia regenerativa que levava consigo, mas at¨¦ isso tinha seus limites. A cada segundo que passava, tornava-se menos eficaz. A adrenalina a mantinha em p¨¦, mesmo quando seu corpo dava sinais claros de que n?o aguentaria por muito mais tempo. O sangue escorria de cada orif¨ªcio, tornando suas vestes cada vez mais vermelhas. Sua vis?o estava obscurecida por esse l¨ªquido carmesim, tornando o mundo apenas um borr?o, mas isso n?o a incomodava. A dor, o cansa?o, tudo era irrelevante. ¡ª S¨® mais um grito... ¡ª sussurrou em um som abafado pelo sangue que escorria de seus l¨¢bios enquanto se divertia com sua pr¨®pria obsess?o. E ent?o, de repente, algo chamou sua aten??o. Uma grande porta estava ¨¤ sua frente, imponente, selada com firmeza. O contraste entre a estrutura e a carnificina ao seu redor era estranho, quase deslocado. Diante da estrutura, dois guardas estavam de p¨¦, como os ¨²ltimos basti?es daquele mundo de sofrimento. A armadura deles era mais complexa que o normal, uma obra-prima de combate. Cobria seus corpos como uma segunda pele, cada pe?a meticulosamente moldada para oferecer tanto prote??o quanto intimida??o. As runas gravadas ao longo das placas de metal n?o eram meramente ornamentais, todas brilhavam com um fulgor g¨¦lido, emanando uma energia densa, carregada de poder. Mantinham-se firmes, postados sobre suas alabardas, com uma postura ereta e imponente que deixava claro que, independentemente do que acontecesse, eles n?o iriam sair da frente daquela porta. Ana se aproximou devagar, cautelosa. Ela parou sua manifesta??o, fazendo a n¨¦voa negra que a envolvia desaparecer em um instante, apesar de ainda estar firmemente impregnada pelo ar. Ela podia sentir que o pr¨®ximo confronto seria diferente, precisaria de concentra??o total. Seus olhos, por¨¦m, n?o puderam evitar desviar por um momento, tentando decifrar o que poderia estar atr¨¢s daquela porta magistral. Por fim, voltou a olhar para a dupla, avaliando as possibilidades. ¡ª ¨¦ uma atitude idiota, mas honrada. ¡ª murmurou ela, quase para si mesma, mas com o volume suficiente para ser ouvido. ¡ª Eu os respeito por isso. Ela deu mais um passo, agora entrando em uma posi??o de guarda, sua espada tocando o ch?o, como se estivesse embainhada na pr¨®pria terra, pronta para um golpe iminente. O movimento parecia vacilante ¨¤ primeira vista, mas os guardas sentiram que havia algo profundamente calculado ali. Foi ent?o que Ana percebeu que, apesar de manterem as apar¨ºncias, os dois n?o estavam em melhores condi??es que ela. Sangue escorria pelas fendas de suas armaduras em uma estranha e espessa mistura de amarelo e verde. Seus corpos tamb¨¦m estavam destru¨ªdos, mas ainda assim, ergueram suas alabardas com esfor?o, apontando-as diretamente para Ana. A madeira das hastes das armas rangia sob a press?o de seus apertos, e suas laminas brilhavam mortalmente sob ¨¤ luz fraca que adornava a porta. ¡ª Quem ¨¦ voc¨º, intrusa? ¡ª perguntou o guarda mais ¨¤ esquerda em uma voz surpreendentemente refinada, cort¨ºs e civilizada, como se estivesse iniciando uma conversa trivial em vez de uma luta iminente. Ele trajava uma armadura negra, pontilhada com espinhos amarelados que lembravam a estrutura de um vespeiro. Sua presen?a era esguia, mas n?o menos amea?adora. Duas asas se dobravam em suas costas, mas pareciam pequenas demais para sustentar seu peso no ar, apesar de completarem a imagem de uma criatura letal, sempre pronta para atacar. A pr¨®pria forma de sua armadura dava a impress?o de que ele estava preparado para ferroar qualquer inimigo que ousasse se aproximar. Seus movimentos, mesmo restritos na caixa de metal, exalavam uma certa elegancia. Uma letalidade controlada, quase nobre. ¡ª Apenas mate-a, Aculeo ¡ª rugiu o guarda da direita, um colosso de um homem-inseto, com quase o dobro do tamanho de um humano comum. ¡ª N?o v¨º que ela ¨¦ a causa disso? Contr¨¢rio ao outro homem, sua armadura parecia mais um tanque do que uma vestimenta. Grossa, refor?ada e quase impenetr¨¢vel, ela o fazia parecer imbat¨ªvel. O grande chifre que sa¨ªa de sua testa, dividido em dois como uma est¨¢tua gigante de um besouro-rinoceronte, completava a imagem de uma besta de guerra. Cada passo que ele dava era um lembrete de sua for?a esmagadora, o ch?o sob seus p¨¦s tremendo com o peso de sua presen?a. Sua postura n?o era apenas defensiva, mas sim agressiva, como se estivesse prestes a explodir a qualquer momento. Aculeo lan?ou um olhar feroz para seu companheiro, que agora se colocava ¨¤ sua frente, preparado para atacar. ¡ª Isso se chama cordialidade, Cornua. N?o viu que ela foi educada quando se aproximou? ¡ª disse ele, dando um passo ¨¤ frente. Antes de continuar, fez um leve aceno de cabe?a em dire??o a Ana, como se reconhecesse sua atitude. Ana ouviu a troca entre eles com uma leve divers?o estampada no rosto. A situa??o era tensa, mas o tom cordial de um, em contraste com a brutalidade do outro, trazia uma ironia que a divertia. Ent?o, ela fez uma rever¨ºncia exagerada, teatral, baixando-se tanto que sua testa quase tocou o ch?o, falando diretamente nesta posi??o, sem encarar seus ouvintes. ¡ª Eu sou Annabelle, a Rainha dos Mascarados. Soube que, em minha aus¨ºncia, ousaram fazer amea?as aos meus conselheiros. Vim humildemente solicitar uma audi¨ºncia pac¨ªfica com essa a tal rainha Niala! A risada baixinha que vinha de tr¨¢s da m¨¢scara monocrom¨¢tica da mulher foi a gota d¡¯¨¢gua para Cornua. Furioso, rugiu e deu um passo ¨¤ frente, sua alabarda j¨¢ preparada para o ataque. ¡ª Como ousa zombar de n¨®s?! ¡ª bradou, lan?ando-se na dire??o de Ana com a for?a de um trem de guerra. ¡ª Tsc... ¡ª suspirou Aculeo, como se j¨¢ antecipasse o que estava prestes a acontecer. Ele estava alguns passos atr¨¢s, mas, estranhamente, o alcan?ou em um instante, movendo-se com uma rapidez inesperada. O sorriso de Ana se alargou, seus olhos brilhando com uma mal¨ªcia predat¨®ria. Quer apoiar o projeto e garantir uma c¨®pia f¨ªsica exclusiva de A Eternidade de Ana? Acesse nosso Apoia.se! Com uma contribui??o a partir de R$ 5,00, voc¨º n?o s¨® ajuda a tornar este sonho realidade, como tamb¨¦m faz parte da jornada de um autor apaixonado e determinado. ?? Venha fazer parte dessa hist¨®ria! ?? Apoia-se: https://apoia.se/eda Discord oficial da obra: https://discord.com/invite/mquYDvZQ6p Galeria e outros links: https://linktr.ee/eternity_of_ana
Capítulo 134 - Crepúsculo de Bons Guerreiros
Aproveitando sua posi??o j¨¢ inclinada, Ana impulsionou seu corpo para frente com a precis?o de uma predadora. Seu movimento, fluido como um relampago, trouxe em seu rastro a grande espada em um arco devastador, cortando o ar com for?a tremenda enquanto avan?ava em dire??o ¨¤ cabe?a do gigante ¨¤ sua frente. A alabarda do colosso tentou perfurar seu abd?men no ¨²ltimo instante, mas a mercen¨¢ria habilmente se curvou um pouco mais, desviando com facilidade. ¡ª Eu pensei que estavam sendo rudes com a visitante! Fico feliz que, na verdade, queiram apenas dan?ar! No entanto, apesar do ataque que parecia inevit¨¢vel, o gigante sorriu, um sorriso frio e sombrio que logo se transformou em uma tosse de sangue. Recuperando-se rapidamente, infundiu sua armadura com mais mana, fazendo o chifre que sa¨ªa de sua testa pulsar como brasas vermelhas misturadas a sombras, oscilando entre um vermelho profundo e um preto azeviche. Antes que Ana pudesse compreender a estranha rea??o, o colosso moveu a cabe?a para interceptar sua espada, e o metal chocou-se diretamente contra o chifre. A rainha foi pega completamente de surpresa. Ela havia enfrentado incont¨¢veis inimigos em Myrmeceum, sabia o qu?o duro eram os corpos dos habitantes, todos sendo facilmente abatidos por sua lamina afiada. No pior dos casos, esperava um corte parcial, algo que poderia exigir alguns golpes a mais. Mas o que se seguiu foi o oposto de tudo o que previra: o chifre estava intacto. O impacto reverberou por todo o seu bra?o. A for?a do contra-ataque foi tamanha que sua m?o foi jogada para tr¨¢s. Ela sentiu os dedos dobrarem em angulos desconfort¨¢veis, uma dor explosiva invadindo seus nervos. Mesmo assim, n?o perdeu a espada. Permitiu que a mana reversa percorresse suas articula??es, reduzindo a dor ao m¨ªnimo necess¨¢rio para continuar lutando. A fome insaci¨¢vel da energia sombria a impedia de ceder, queimando em suas veias e for?ando-a a ignorar cada sinal de fraqueza. Antes mesmo de cair no ch?o, seus olhos captaram o movimento do segundo guarda. A outra alabarda vinha de sua lateral, em uma trajet¨®ria veloz e precisa, pronta para decapitar sua cabe?a. Ela sabia que n?o havia tempo para um desvio completo, mas n?o planejava sucumbir ¨¤ press?o. Com um giro r¨¢pido, moveu o corpo, posicionando sua armadura do bra?o esquerdo em um angulo inclinado. O golpe da alabarda encontrou a superf¨ªcie met¨¢lica, mas, ao inv¨¦s de acertar o alvo, deslizou com for?a para baixo. O homem-vespa foi desequilibrado, seu corpo cambaleando com o peso do golpe desperdi?ado somado a seu estado fragilizado. Mesmo assim, Ana n?o saiu ilesa. O impacto do ataque, apesar de ter sido desviado, ainda era brutal. Ela foi arremessada para tr¨¢s, colidindo violentamente contra a parede de pedra do t¨²nel. O som da colis?o ecoou como o estalar de ossos, e pequenas fissuras se formaram na pedra atr¨¢s dela. Ana sentiu a dor atravessar suas costas, pulsando em sua espinha, mas estava longe de ser abatida por algo assim. Caiu pesadamente por cima de sua espada, e foi ent?o que mais uma surpresa foi apresentada. ¡°Matar... Matar...¡± Os sussurros surgiam, incontrol¨¢veis, trazendo um sorriso torto ao rosto de Ana. ¡ª Eu sabia que voc¨º ia gostar deles. Somos parecidas, sabia? Tamb¨¦m gosto de esmagar os fortes. Ela se levantou, lentamente, com seu esp¨ªrito fortalecido pela excita??o do combate. Seus olhos, ardentes de determina??o, encontraram os dos guardas ¨¤ distancia. Com um gesto r¨¢pido, puxou os dedos deslocados de volta ao lugar. O som alto e seco de cada estalo encheu o t¨²nel. A sensa??o de al¨ªvio percorreu sua m?o. Em seguida, rasgou a manga remanescente de seu casaco, agora em farrapos. Com a tira de tecido, come?ou a amarrar firmemente o cabo de sua espada em sua m?o. ¡ª N?o vai adiantar muito ¡ª murmurou. ¡ª Mas se voc¨º n?o voar pra longe, j¨¢ t¨¢ bom demais. Ana sabia que aquela luta era in¨²til. N?o importava o quanto brigassem, o envenenamento causado pela n¨¦voa negra eventualmente mataria ambos os lados se n?o sa¨ªssem daqueles t¨²neis imediatamente. Se os guardas continuassem ali, morreriam. Se ela continuasse ali, morreria. E, mesmo se, por algum milagre, conseguisse vencer, n?o tinha confian?a que seu corpo em frangalhos teria for?a para abrir aquela enorme porta. Cada movimento queimava seus m¨²sculos, cada respira??o do¨ªa como fogo. Era uma luta sem sentido, sem um objetivo claro. Mas, ironicamente, era isso que a excitava. Ana n?o precisava de raz?o. A expectativa da morte iminente fazia seu sangue ferver. "Matar... Matar!" Ela n?o podia resistir a esse apelo. Ent?o, n?o resistiu. Deixou que a palavra tomasse conta de seus pensamentos, um mantra de sobreviv¨ºncia e sede de sangue, e se jogou de volta na batalha. O primeiro a reagir foi Cornua, com sua f¨²ria col¨¦rica. Ap¨®s tossir violentamente, com gotas de sangue manchando o ch?o diante de seus p¨¦s, ele ergueu a alabarda como se fosse um martelo e desceu-a com uma for?a esmagadora. A for?a do golpe fez o t¨²nel tremer, e Ana, ainda sem for?as para um movimento evasivo, usou a lateral de sua espada para bloquear. O choque quase a derrubou, e seus joelhos dobraram enquanto o metal negro tremia em suas m?os. Aproveitando a abertura, Aculeo deslizou pela lateral com a precis?o de uma v¨ªbora, girando a alabarda e mirando o flanco exposto de Ana. Ela percebeu a manobra apenas a tempo de se soltar do bloqueio contra Cornua e girar o corpo para o lado. Seus m¨²sculos falharam durante a evasiva, permitindo apenas um movimento cambaleante, mas felizmente ainda foi o suficiente para a tirar da trajet¨®ria, fazendo a lamina da alabarda passar apenas de rasp?o, abrindo uma linha sangrenta entre seu ombro direito e seu pesco?o. A dor foi imediata, mas antes que pudessem reagir, ela usou o movimento para mover sua espada em um arco baixo, mirando as pernas massivas do colosso. O metal chocou-se contra a armadura resistente com um estrondo, mas o gigante manteve-se firme, sua robustez formando uma parede impenetr¨¢vel. Ana retraiu a lamina com rapidez, ciente de que ele usaria o pr¨®prio peso para contra-atacar. Em um impulso, Cornua curvou-se, trazendo o chifre reluzente em dire??o ao peito dela. A mulher percebeu o perigo um segundo antes do impacto. Sabia que n?o teria for?a para um desvio completo, mas poderia suportar o golpe e abrir uma chance de ataque. Ignorando o instinto de proteger o corpo e mantendo a proximidade necess¨¢ria, estendeu a perna e usou o impulso para desferir um chute violento com a ponta de sua bota de metal na lateral do joelho de Cornua. Foi arremessada para tr¨¢s, mas o colosso vacilou por um momento, seus movimentos desacelerando pela dor que ecoava pela armadura. E foi nesse instante que Aculeo aproveitou novamente a oportunidade. A arma do homem elegante direcionou-se para seu pesco?o. Ela mal teve tempo de erguer a espada, e notou que o homem-vespa parecia j¨¢ esperar tal rea??o. Com uma precis?o impiedosa, ele largou a alabarda e avan?ou, tentando cravar o punho com espinhos em sua clav¨ªcula. Ana se curvou e girou o bra?o, enla?ando o bra?o do inimigo com a pr¨®pria espada. Ela torceu o punho e a lamina deslizou pela armadura de Aculeo, mas o golpe apenas cortou a superf¨ªcie, sem penetra??o. O guarda usou a abertura para desferir uma joelhada brutal no abd?men de Ana, com as pontas afiadas perfurando-a como facas quentes. A rainha fincou a ponta da longa espada no ch?o e se impulsionou para tr¨¢s, j¨¢ pressionando o est?mago sangrento enquanto tentava respirar, sentindo n?o apenas as feridas, mas tamb¨¦m o veneno corroer seu pulm?o com cada inspira??o. Seu campo de vis?o come?ava a se estreitar, mas ela n?o parava. N?o podia parar. ¡°Matar¡­ Matar¡­¡± O sussurro da espada incentivava, com a mesma ansia pela viol¨ºncia que sua portadora possu¨ªa, incendiando o frenesi da mercen¨¢ria. Para sua sorte, ningu¨¦m se aproximou para atacar em seu momento de fragilidade. Cornua se levantava devagar do ch?o, ca¨ªdo de joelhos, arfando de dor ap¨®s sua ¨²ltima investida. O homem removeu seu capacete com dificuldade, como se isso facilitasse a entrada de ar em seus pulm?es, mas logo o vestiu de volta desleixadamente. Seu rosto, coberto de suor, refletia o sofrimento pelo qual passava. Aculeo ao seu lado estava um pouco melhor. Apoiado na alabarda, encarava Ana nos olhos. Apesar de ofegante, n?o deixava transparecer seu estado debilitado. Os dois claramente n?o eram soldados comuns. O ritmo de seus movimentos era ensaiado, a precis?o de seus ataques, coordenada. Quando Cornua errava, Aculeo j¨¢ vinha com uma estocada inesperada, e o mesmo se repetia em sentido contr¨¢rio. Aquela sincronia revelou que Ana enfrentava guerreiros de elite, e isso apenas intensificou seu desejo de encarar o desafio.A case of literary theft: this tale is not rightfully on Amazon; if you see it, report the violation. ¡ª Em outra situa??o, voc¨ºs seriam oponentes mais do que formid¨¢veis ¡ª comentou a rainha, ajustando a postura para mais uma investida. ¡ª Fico feliz que fa?am parte da minha ¨²ltima batalha. ¡ª Tamb¨¦m seria uma honra lutar em perfeitas condi??es, "rainha" ¡ª grunhiu Aculeo, sem esconder o cansa?o, enquanto se posicionava defensivamente diante do colosso, que ainda se levantava. Vendo a a??o do sujeito, Ana riu roucamente e disparou em sua dire??o. Usou toda a sua for?a para empurrar a lamina de Aculeo, que veio em forma de estocada, para o lado com a m?o esquerda, mas n?o parou ali. Em um movimento fluido, deixou a espada cair at¨¦ a ponta tocar o ch?o e a arrastou em um arco ascendente, em dire??o ao rosto do gigante que esperava logo atr¨¢s do primeiro oponente. O guarda menor, em um movimento quase desesperado, optou por chutar diretamente a arma negra, fazendo-a deslizar acidentalmente por sua armadura at¨¦ chegar ¨¤ coxa, onde grandes fragmentos de metal voaram. Ficou surpreso com o corte em sua perna, mas soltou um suspiro de al¨ªvio por ter desviado o golpe com sucesso. Cornua rugiu em f¨²ria ao ver o companheiro ferido por sua causa, e tendo a chance, avan?ou com vigor renovado. Com uma m?o, ele arremessou sua alabarda na dire??o de Ana, mas ao inv¨¦s de segur¨¢-la na trajet¨®ria, soltou a arma com uma precis?o amea?adora, fazendo-a girar no ar como um proj¨¦til. A mulher desviou para o lado, sentindo o vento mortal passar rente ao ombro. No entanto, antes da alabarda chegar ao solo, o enorme homem-besouro esticou o bra?o para recuper¨¢-la, puxando a arma de volta de forma a atingir em cheio a cabe?a da invasora. Por um breve momento, Ana se viu sem sa¨ªda al¨¦m de enfrentar o golpe de frente, mas visando minimizar os danos, se inclinou velozmente para a esquerda e ergueu a espada para uma tentativa de bloqueio. O impacto fez sua m?o, mesmo presa, quase escorregar do cabo da lamina, e o corte desviado passou logo abaixo de seus seios, dilacerando a carne de forma que era poss¨ªvel ver o branco de suas costelas. Apesar do resqu¨ªcio da ess¨ºncia regenerativa come?ar a criar liga??es na ferida aberta, ela j¨¢ estava em seu limite, e desequilibrou-se, caindo de costas no ch?o, sentindo o amargo gosto do sangue em sua boca. Mesmo assim, seu sorriso ainda estava l¨¢. Um sorriso voraz, mas dolorido. Mal teve tempo de respirar quando o homem-vespa, tremendo com os espasmos da perna despeda?ada e mal conseguindo distribuir o peso igualmente sobre ambos os p¨¦s, voltou a atacar com uma precis?o mortal. Sua alabarda vinha com um arco descendente, e Ana sabia que n?o tinha for?a para desviar como antes, ent?o recorreu a algo mais desesperado. Usando a espada como apoio, virou-se e deixou o bra?o esquerdo deslizar pela haste da alabarda, agarrando-a e puxando de repente Aculeo para perto. Sentiu a lamina do inimigo ro?ar em seu cabelo, n?o a acertando por pouco, mas o homem, j¨¢ sem for?as, n?o p?de fazer nada al¨¦m de cambalear para frente, e rainha aproveitou a oportunidade, socando diretamente a ferida rec¨¦m-feita com toda a for?a que restava em seus punhos. O osso estalou sob a press?o, e Aculeo grunhiu quando caiu em um baque seco logo ao seu lado. Com o pequeno segundo de respiro, Ana abra?ou a espada e rolou o m¨¢ximo que p?de para longe, mas n?o foi r¨¢pida o suficiente, pois antes de se afastar o sentiu o homem ca¨ªdo agarrar firmemente seu tornozelo esquerdo. Ela olhou rapidamente para os p¨¦s, mas n?o p?de fazer nada al¨¦m de colocar a espada em frente ao seu corpo quando percebeu que Cornua, o qual se aproximou em meio ao embate com o outro guarda, desferia um soco com ferocidade em dire??o a seu peito. N?o sabia quando ele abandonara a alabarda, mas a not¨ªcia n?o a deixou t?o feliz quanto deveria. Seus bra?os estalaram com a for?a do golpe, e pequenas rachaduras apareceram no ch?o duro abaixo de seu corpo. Ana n?o teve nem tempo de raciocinar quando um novo soco veio em sua dire??o. As runas da armadura do colosso brilhavam intensamente, e ele n?o parecia se importar de acertar a lateral da espada, ou talvez n?o tivesse for?as para calcular a rota adequada para contornar ela, pois simplesmente socou e socou, com movimentos que nem mesmo eram t?o r¨¢pidos, mas estavam prestes a esmag¨¢-la. A mercen¨¢ria queria se afastar, mas Aculeo a prendia com firmeza, obrigando-a a resistir. Ela o chutava selvagemente com sua pesada bota infundida com mana, destruindo os espinhos que compunham sua armadura e criando cada vez mais amassados, mas ele se recusava firmemente a deix¨¢-la ir. Ap¨®s quase um minuto de intermin¨¢veis socos, Cornua finalmente caiu de joelhos, exausto. Por um instante, ele pareceu desistir dos ataques, mas, com um ¨²ltimo f?lego, ergueu as m?os entrela?adas e desceu com um golpe de martelo, o estrondo reverberando pelo t¨²nel, fazendo a estrutura tremer enquanto Ana suportava seu peso. O primeiro ataque a fez tremer. O segundo ataque a fez perder a consci¨ºncia brevemente. O terceiro ataque, nunca chegou. Esse era o ponto que o gigante podia aguentar. Com os bra?os deslizando fracamente, ele agarrou a mulher pelo pesco?o, a erguendo em frente a seus olhos. Toda a mana de sua armadura concentrou-se em seu chifre, o qual brilhava cada vez mais intensamente. Era um ataque de adeus, um ataque que encerraria aquela disputa. Mas inesperadamente, Ana come?ou a gargalhar. ¡ª Voc¨º cometeu um ¨²nico erro nessa luta, meu amigo. Antes que sequer entendessem o fraco sussurro que saia daqueles l¨¢bios quase mortos, Ana for?ou toda a mana reversa em seu corpo a fluir em velocidade m¨¢xima, e em seguida jogou a cabe?a para tr¨¢s com for?a. Na mesma intensidade, a levou para frente de novo, batendo brutalmente a pr¨®pria testa contra o chifre que parecia prestes a explodir. O impacto ecoou pelo t¨²nel, e estilha?os da m¨¢scara de Ana preencheram o ar. Por outro lado, Cornua n?o se feriu de forma alguma, tendo como resultado da a??o apenas sua cabe?a involuntariamente recuando alguns cent¨ªmetros. ¡ª Qual era sua inten?¡­ A fraca voz do homem n?o p?de terminar sua frase. Sangue come?ava lentamente a vazar pelos cantos da boca do guarda, e seus olhos aos poucos perdiam o pequeno resto de vida que ainda possu¨ªam. A espada negra nas m?os de Ana pareceu afinar mais de um cent¨ªmetro em tempo real enquanto era cravada profundamente no pesco?o do gigante, adentrando com perfei??o a articula??o exposta pelo movimento repentino entre a ombreira de Cornua e o capacete mal afivelado. ¡°Matar!¡± O som de metal atravessando carne ecoou pelas paredes, seguido pelo estalo seco dos ossos. Cornua estremeceu, seu corpo titanico balan?ando antes de cair pesadamente no ch?o, o sangue verde escorrendo para todos os lados. Ana foi solta, caindo por cima dele. Com esfor?o, virou-se de barriga para cima, mas mal teve tempo de aproveitar a vit¨®ria, pois Aculeo j¨¢ estava sobre ela novamente. ¡ª Desgra?ada¡­ Ele¡­ Ele n?o merecia isso! Movido pela raiva, ele atacou novamente, estocando a alabarda em dire??o ao rosto da mulher, por¨¦m a vis?o turva da exaust?o fez com que se movesse em dire??o a seu ombro. O golpe perfurou a pele, rasgando o m¨²sculo e fazendo um jorro de sangue escorrer pela armadura do companheiro morto. Ana soltou um grunhido de dor, mas prendeu a arma em seu corpo, impedindo que fosse puxada de volta. Com um grito grosseiro, girou o bra?o da espada para o alto, deixando o peso da lamina fazer o trabalho. Aculeo tentou se proteger, mas seu corpo j¨¢ n?o obedecia. O golpe de Ana cortou atrav¨¦s do elmo dele, rachando o metal e destro?ando de imediato grande parte de seu rosto. O homem-vespa cambaleou para tr¨¢s, o sangue escorrendo enquanto gritava a plenos pulm?es. Notando tal abertura e utilizando a alabarda abandonada como bengala, Ana se impulsionou, n?o com elegancia, mas com pura determina??o. Seus p¨¦s escorregaram no sangue e na poeira do ch?o, mas ela avan?ou, tentando manter o equil¨ªbrio enquanto seu corpo praticamente ca¨ªa para frente. E, no fim, foi isso que aconteceu, ela realmente caiu bem ao lado de seu oponente, mas n?o sem antes cravar a espada em seu flanco, for?ando a lamina com as duas m?os. Aculeo gritou em ainda mais agonia, se debatendo para tentar afast¨¢-la. Mas a mercen¨¢ria, implacavelmente, girou a lamina dentro do corpo dele, torcendo com toda a for?a restante. ¡°Matar!¡± O guarda tentou um ¨²ltimo golpe com o punho espinhoso, mas sua for?a falhou. Ana, com a vis?o j¨¢ come?ando a escurecer, sentiu o ¨²ltimo f?lego de vida dele se esvair. Com um movimento final, retirou a espada, e o corpo do elegante guarda caiu ao ch?o, convulsionando antes de se silenciar para sempre. Ela encarou a cena por um momento que parecia eterno, sangue e suor se misturando enquanto o mundo ao seu redor continuamente desaparecia. ¡ª No fim, venci¡­ Ana riu da pr¨®pria situa??o, mas a risada soou rouca e entrecortada, quase um engasgo em meio ao som ¨¢spero. Ela pressionou o est?mago com for?a, como se pudesse conter a dor ardente que se espalhava por suas entranhas, o sangue denso escorrendo lentamente enquanto a adrenalina diminu¨ªa. O l¨ªquido que expelia por cada parte de seu corpo n?o era mais vermelho, mas sim preto, denso e viscoso como piche, uma prova do estrago interno que sofrera. Ainda estava consciente, mas respirar era um esfor?o herc¨²leo. Ela quase cedeu ao desejo de se deixar cair ali, no meio dos corpos de Aculeo e Cornua. Contudo, sua teimosia a mantinha viva. Foi ent?o que, de canto de olho, percebeu algo acima da porta ¨¤ sua frente: duas cameras fixadas, im¨®veis, como olhos inumanos, fitando-a em sua condi??o deplor¨¢vel. ¡°Algu¨¦m est¨¢¡­ Me assistindo?¡± Estava sendo observada, monitorada como um animal em uma arena? E da¨ª? Um sorriso torto surgiu em seu rosto enquanto ela ergueu o dedo do meio para quem quer que estivesse do outro lado. Era um gesto de pura insol¨ºncia, um desafio mudo e sem sentido. Mas para sua surpresa, um som reverberou pelo t¨²nel. Um estrondo met¨¢lico, pesado. Lentamente, a grande porta diante dela come?ou a se abrir. Quer apoiar o projeto e garantir uma c¨®pia f¨ªsica exclusiva de A Eternidade de Ana? Acesse nosso Apoia.se! Com uma contribui??o a partir de R$ 5,00, voc¨º n?o s¨® ajuda a tornar este sonho realidade, como tamb¨¦m faz parte da jornada de um autor apaixonado e determinado. ?? Venha fazer parte dessa hist¨®ria! ?? 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Capítulo 135 - Justa Limpeza
O c¨¦u estava encoberto por nuvens pesadas, abafando a luz do sol e criando uma penumbra sobre o terreno irregular. O ar estava denso, impregnado pelo cheiro pungente de morte e fuma?a, enquanto o vento soprava de leve, espalhando o odor dos corpos sem vida que balan?avam nas estacas fincadas no ch?o. Corrompidos, decapitados e desfigurados, agora jaziam imobilizados, como um aviso para qualquer um que ousasse desafiar a humanidade. Jasmim observava em sil¨ºncio. Sua silhueta se destacava entre os corpos, uma figura envolta em um manto negro, com o capuz puxado para baixo, ocultando o rosto. Mesmo sob a prote??o do pano, ela ainda cobria o nariz e a boca com uma m?o, evitando que o cheiro p¨²trido chegasse a suas narinas. Seus olhos, no entanto, estavam fixos no carrasco ¨¤ sua frente. Ele trabalhava com precis?o, manchando o solo j¨¢ encharcado de vermelho com o sangue de mais uma execu??o. O som da carne sendo dilacerada ecoou pelo campo, seguido pelo baque surdo da cabe?a rolando no ch?o. Cada golpe parecia ressoar nas mentes dos presentes, mas acreditavam ser apenas o rumo natural das coisas. "Isso ¨¦ justi?a", pensou a l¨ªder da guilda, com as m?os repousando na cintura, satisfeita com a brutalidade que marcava o destino de tais criaturas. Para ela, n?o havia outra maneira de lidar com aqueles que amea?avam a pureza de sua ra?a. A crueldade das execu??es era um mal necess¨¢rio, uma forma de manter a ordem. Se n?o temessem a morte, como poderiam ser controlados? O medo era uma arma t?o afiada quanto qualquer lamina, e ela sabia us¨¢-la bem. Cada corpo nas estacas era um aviso, um grito silencioso de que a desobedi¨ºncia seria paga com sangue. Afinal, eles n?o eram mais humanos; eram sujos, falhos, e mereciam esse destino. O som de passos leves atr¨¢s dela a tirou de seus pensamentos. Sem se virar, ela j¨¢ sabia quem era. Arthur, o jovem escudeiro, se aproximava. Seus olhos estavam fixos em um corpo rec¨¦m-decapitado que era erguido por alguns soldados. Sua express?o era de nojo e hesita??o conforme o som da carne sendo perfurada pela madeira dura e seca se propagava, mas ele sabia que n?o podia demonstrar fraqueza diante de Jasmim. Ela percebeu o olhar incerto do garoto e, com um sorriso frio, virou-se para ele. ¡ª N?o se preocupe com isso, escudeiro. Estamos apenas fazendo uma limpeza. Arthur acenou, tentando ignorar o desconforto e se concentrar no motivo de sua vinda. ¡ª Entendido¡­ Recebi mais relat¨®rios dos infiltrados em Ins¨ªdia, senhora. ¡ª Prossiga ¡ª disse Jasmim, impass¨ªvel, voltando a observar o carrasco que limpava sua lamina carmesim. ¡ª N?o parecem t?o preocupados com a guerra quanto pens¨¢vamos, mas h¨¢ rumores sobre n¨®s se espalhando. ¡ª Rumores? ¡ª Sim, pelo que me foi informado, notaram o aumento dos puros pelas ruas antes dos port?es serem fechados. Sinto que seremos expulsos em breve¡­ Jasmim suspirou, como se fosse apenas uma leve inconveni¨ºncia. ¡ª Se formos, que assim seja. N?o h¨¢ muito o que fazer ¡ª ela deu de ombros, desdenhosa da especula??o. ¡ª Algo mais? Arthur hesitou, seus olhos se movendo inquietos enquanto encarava o ch?o por um breve momento. O desconforto dentro dele crescia como uma onda prestes a se romper. ¡ª H¨¢ apenas um problema... O plano do alvoro?o interno... N?o vai acontecer. Jasmim franziu o cenho, agora mais interessada. O garoto respirou fundo, escolhendo cuidadosamente as palavras. ¡ª A poucas semanas atr¨¢s, um dos nossos estava na taverna mercen¨¢ria da cidade, aquela da traidora, Madame Eclipse. Ele estava preparado para iniciar a confus?o, conforme planejado. A ideia era simples: uma briga, alguns gritos, e logo a coisa escalaria. S¨® que... a rainha apareceu.This story has been unlawfully obtained without the author''s consent. Report any appearances on Amazon. ¡ª A rainha? Em uma taverna? ¡ª Sim, senhora ¡ª Arthur assentiu, engolindo em seco. ¡ª Parece que ela frequenta o lugar com certa regularidade. Naquele dia, surgiu de uma porta dos fundos, sem falar com ningu¨¦m, apenas caminhou em dire??o ¨¤ sa¨ªda. Nosso homem ficou surpreso ao v¨º-la, mas ainda assim seguiu o plano... ele escolheu um corrompido aleatoriamente e o atacou. Por¨¦m... ela simplesmente parou. Ficou l¨¢, observando. N?o se envolveu... n?o de imediato. Jasmim cruzou os bra?os, seus olhos endurecendo. Embora o sil¨ºncio fosse predominante, sua express?o mostrava a crescente impaci¨ºncia. Arthur, ciente disso, continuou. ¡ª Ele pensou que poderia escalar a situa??o ao envolv¨º-la diretamente e¡­ Bem, o relat¨®rio est¨¢ bem detalhado e ¨¦ um pouco longo¡­ ¡ª Apenas fale de uma vez! ¡ª Desculpe, vou seguir o relato¡­ A dona do bar, Madame, chegou para tentar parar a briga, mas o homem apenas a empurrou. Parece que todos ficaram at?nitos com essa a??o, a taverneira tem uma autoridade grande por l¨¢, e foi a¨ª que a rainha finalmente se aproximou ¡ª o escudeiro parou um momento, limpando a garganta. ¡ª Ela perguntou o que ele estava fazendo, ent?o ele come?ou a gritar, perguntando quem era ela pra se meter na vida dos outros, se fazendo de b¨ºbado. A rainha simplesmente o encarou, at¨¦ que¡­ devo repetir palavra por palavra? ¡ª Voc¨º enrola demais! ¡ª reclamou Jasmim, puxando os pap¨¦is da m?o do garoto. ¡ª Vamos ver¡­ ¡°Que porra de atua??o ¨¦ essa?¡±... ¡°Isso aqui n?o ¨¦ uma democracia¡±... ¡°Minhas leis s?o poucas, mas absolutas¡±... T¨¦tano? Como o assunto chegou nisso? ¡ª Bem, parece que ela come?ou um mon¨®logo estranho sobre pregos bons sustentarem um castelo inteiro, e pregos enferrujados causarem t¨¦tano¡­ depois que n?o tinham vacina antitetanica, ent?o n?o podiam correr risco de ter pessoas como ele por perto¡­ ¡ª Hm¡­ ¡ª resmungou a mulher, levantando a m?o para que ele parasse a explica??o, voltando a ler as p¨¢ginas rapidamente. ¡ª Ela realmente o nocauteou com uma caneca? ¡ª Na verdade, n?o foi bem um nocaute¡­ Se ler alguns par¨¢grafos abaixo, vai notar encontrar a men??o de que n?o sobrou mais que uma pasta vermelha no ch?o¡­ Parece que em Ins¨ªdia existe consideram ser a primeira cidade a n?o precisar de uma pris?o, mas n?o por um motivo t?o bom¡­ as leis s?o relativamente brandas, grande parte delas finaliza com a rid¨ªcula frase de ¡°siga o bom senso¡±, mas as puni??es por descumpri-las s?o extremamente severas¡­ Arthur pausou, olhando para Jasmim, esperando uma rea??o. A mulher soltou um suspiro longo e guardou os pap¨¦is restantes na mochila. ¡ª Irei ver tudo com mais calma depois ¡ª a guerreira passou a m?o pela borda do capuz, ajeitando-o. ¡ª Continue seguindo para o ponto de encontro. Precisamos ser cautelosos por agora. Enfim, e quanto aquela menina est¨²pida? Ao ouvir a pergunta, o jovem n?o p?de deixar de sorrir. ¡ª Ela est¨¢ seguindo a rotina di¨¢ria, senhora. ¨¤s vezes passeamos juntos pela cidade, e geralmente conversamos bastante. ¡ª E quanto a guerra? Ela j¨¢ demonstrou alguma mudan?a de opini?o? ¡ª N?o, de forma alguma. A L¨²cia parece se interessar muito por essas... abomina??es, como se estivesse tentando entend¨º-las. N?o gosta da ideia de lutar contra eles. Mas¡­ ¡ª ele fez uma pausa, ajustando a postura. ¡ª Est¨¢ dando tudo certo. ¡ª Oh, dando tudo certo, voc¨º diz? Ent?o suponho que conseguiu se aproximar ainda mais dela? ¡ª Jasmim arqueou uma sobrancelha, com um sorriso distorcido brotando aos poucos em sua face. ¡ª Sim. A idiota acredita em tudo o que eu digo. Realmente acha que estamos procurando aquela sombra nojenta que ela chama de mestra ¡ª seu sorriso refletia o da mulher a sua frente, e parecia ter certo divertimento em sua voz. ¡ª Maravilha, garoto. Voc¨º fez bem. Muito bem... No campo, o machado foi novamente erguido no ar, cortando a conversa momentaneamente com o som surdo de mais uma execu??o. O choro dos condenados, alinhados na fila para a morte era um ru¨ªdo distante para os dois, abafado pela seriedade e frieza de seus planos. Quer apoiar o projeto e garantir uma c¨®pia f¨ªsica exclusiva de A Eternidade de Ana? Acesse nosso Apoia.se! Com uma contribui??o a partir de R$ 5,00, voc¨º n?o s¨® ajuda a tornar este sonho realidade, como tamb¨¦m faz parte da jornada de um autor apaixonado e determinado. ?? Venha fazer parte dessa hist¨®ria! ?? Apoia-se: https://apoia.se/eda Discord oficial da obra: https://discord.com/invite/mquYDvZQ6p Galeria e outros links: https://linktr.ee/eternity_of_ana
Capítulo 136 - Ainda Viva
¡°Ainda viva¡­¡± O pensamento veio acompanhado de uma tosse seca, enquanto aos poucos recobrava a consci¨ºncia. Seus olhos se abriram lentamente, a mente emba?ada pelo cansa?o. Sentia o corpo pesado, como se cada m¨²sculo tivesse sido esticado ao limite, e a dor irradiava por suas costelas, pernas e bra?os, um lembrete do que havia passado. Ela piscou, tentando focar a vis?o e se situar do que estava acontecendo. O ambiente ao redor era surpreendentemente distinto do que esperava encontrar. Ainda estava no subsolo, mas n?o se parecia com os t¨²neis claustrof¨®bicos e ¨²midos que havia percorrido at¨¦ agora. Aquela sala era imponente e elegante, como se fosse o cora??o de algo grandioso. As paredes eram feitas de uma mistura de pedra natural e exoesqueletos gigantes, entrela?ados e moldados como adornos intrincados, como se restos de antigos guerreiros insetos fossem transformados em pe?as de arte, esculpidas com precis?o, formando arcos e colunas que sustentavam a estrutura como se fossem ra¨ªzes de uma ¨¢rvore colossal. Entre as colunas, teias densas e prateadas pendiam do teto, criando ¨¢reas de sombra que escondiam detalhes e sugeriam segredos ocultos. Essas teias eram grossas e resistentes, tecidas com um padr?o que lembrava um desenho ritual¨ªstico, m¨ªstico. Essas divis¨®rias balan?avam levemente com as correntes de ar que passavam, lan?ando sombras dan?antes sobre o ch?o, criando uma sensa??o de movimento constante. A ilumina??o era suave e peculiar: casulos bioluminescentes estavam espalhados pelas paredes, emitindo uma luz verde-azulada que preenchia o ambiente com um brilho et¨¦reo. Os casulos pulsavam como se estivessem vivos, acompanhando um ritmo pr¨®prio, semelhante a batidas card¨ªacas lentas. O ar estava saturado com um cheiro doce e levemente azedo, como uma mistura de flores e mofo. Havia pequenas fontes de ¨¢gua cristalina que brotavam do ch?o, fluindo por sulcos esculpidos que desenhavam padr?es complexos no solo e que convergiam para o centro da sala, onde formavam um lago raso, cercado por plantas que pareciam vibrar ao toque da luz. A combina??o de elementos organicos e arquitet?nicos criava uma atmosfera que era ao mesmo tempo bela e amea?adora. Ela estava prestes a se perder em sua an¨¢lise quando ouviu um grito que cortou o sil¨ºncio, ecoando pelas paredes ornamentadas. Virou-se em dire??o a ele e viu uma mulher curvada no ch?o, as m?os apertando a cabe?a em agonia, emitindo um intenso lamento que permeava o ambiente. Suas pernas de aranha, longas e cobertas por uma carapa?a escura, se contra¨ªam violentamente, com espasmos descoordenados, como se ela estivesse em meio a um ataque interno que a devastava por completo. Ana observou a cena, sentindo uma curiosidade latente se acender. ¡ª Essa deve ser Niala¡­ ¡ª sussurrou, franzindo o cenho. ¡ª O que diabos est¨¢ acontecendo aqui? Ela tentou se erguer, mas seu corpo se recusou a responder. Frustrada, cerrou os dentes e tentou de novo, mas sem sucesso. Tentou mover os bra?os, as pernas, qualquer coisa que a ajudasse a sair daquela posi??o, mas sentiu apenas o peso paralisante da exaust?o. Foi ent?o que seu olhar se voltou para o lado, avistando a espada negra a poucos cent¨ªmetros de sua m?o. Fitou-a por um longo momento. "Se deixaram minha arma aqui¡­ ou s?o amistosos, ou pensam que n?o represento perigo¡­" Seja como for, o fato de ter a arma por perto n?o era o bastante para tranquiliz¨¢-la. A lamina havia novamente mudado de forma. Antes, j¨¢ era maior do que Ana, mas agora se estendia por praticamente dois metros. Apesar disso, estava fina como uma espada curta, criando uma desproporcionalidade que a fazia parecer um fio de metal, quase como se estivesse prestes a se partir ao meio. Ana franziu o cenho, analisando a estranha transforma??o. ¡ª Mas que maravilha... ¡ª murmurou a mulher, um sorriso sarc¨¢stico brincando em seus l¨¢bios. ¡ª Gabriel claramente n?o entendia nada de ergonomia quando fez essa merda¡­ Ela continuou a observar a lamina, avaliando os problemas ¨®bvios que surgiam com a nova forma. Al¨¦m de estar perigosamente fina, a distribui??o de peso estava completamente errada. A lamina se alongava tanto que o equil¨ªbrio, que deveria estar pr¨®ximo ao cabo, estava quase inexistente. A espada parecia ter um centro de gravidade impratic¨¢vel, o que a tornaria dif¨ªcil de manejar e quase imposs¨ªvel de controlar com precis?o. Por fim, esticou a m?o, tentando alcan?ar a espada. Seus m¨²sculos tremiam, e a dor irradiava de cada movimento, mas ela for?ou at¨¦ o limite. Quando seus dedos finalmente tocaram o cabo frio da arma, eles falharam, perdendo for?a e caindo no solo com um estalo. O olhar de Ana ficou mais severo, mas logo ela riu baixinho.This text was taken from Royal Road. Help the author by reading the original version there. ¡ª Imagina usar isso em um duelo, vai ser incr¨ªvel ¡ª a ironia pesava em cada palavra. ¡ª Quando voltarmos pra casa, voc¨º vai virar um enfeite de parede, faca idiota. Um graveto parece uma op??o mais pr¨¢tica. Ao mesmo tempo que se distra¨ªa com zombarias, viu de canto de olho um homem se aproximando de Niala, trazendo consigo uma bacia de ¨¢gua e um pano branco. Ele tinha uma express?o de extrema preocupa??o, e sua respira??o estava pesada, como se tivesse acabado de se recuperar de um esfor?o intenso. Com cuidado, ajoelhou-se ao lado da rainha com corpo de aranha, a bacia repousando no ch?o ao seu lado, enquanto ele molhava o pano e come?ava a limpar o suor no rosto da mulher. A express?o dele era tensa, quase desesperada. Ana percebeu que o homem era Luiz. ¡ª Eu vou fazer de novo, Niala ¡ª disse ele, a voz carregada de tens?o. ¡ª J¨¢ me recuperei o suficiente. A rainha, ainda uivando de dor, acenou levemente, l¨¢grimas escorrendo por seu rosto severo, tra?ando caminhos sobre a pele p¨¢lida. Ela ergueu os olhos por um breve momento e encarou Ana, um olhar que misturava raiva e dor. Mesmo naquele estado vulner¨¢vel, havia algo indom¨¢vel em sua a??o. Luiz colocou as m?os nas t¨ºmporas de Niala, fechando os olhos e respirando fundo. Ana observou enquanto ele come?ava a se conectar mentalmente com ela, e o processo n?o era nada tranquilo. Seus m¨²sculos se contra¨ªam, os dedos apertando o cranio dela com for?a. Cada segundo parecia arrancar um pedacinho da for?a dele. O rosto do homem estava tenso, e o suor escorria, caindo em gotas pesadas. A express?o dele logo se tornou de agonia, os dentes cerrados enquanto ele resistia ¨¤ dor mental que o processo causava. Ap¨®s alguns segundos, com um estalo, Niala desabou, como se toda a tens?o tivesse se esva¨ªdo de uma s¨® vez. Seu corpo relaxou completamente, e seu rosto, que antes carregava a ang¨²stia de um grito contido, agora parecia sereno, pac¨ªfico. Havia um contraste brutal entre a cena anterior e a tranquilidade que se instalou. O sil¨ºncio que se seguiu era quase assustador. O mentalista permaneceu ajoelhado por um momento, respirando pesadamente. Ele havia claramente esgotado parte de suas energias, mas aos poucos, recobrou a compostura. Logo levantou-se e caminhou em dire??o a Ana. Seu olhar encontrou o dela, e por um momento, havia uma mistura de cansa?o, compaix?o e, talvez, uma sombra de vergonha ou culpa. Ao notar o olhar afiado da rainha, rapidamente virou o rosto, desviando os olhos, com a m?o direita co?ando a nuca nervosamente, visivelmente desconfort¨¢vel. ¡ª Filho da puta, ent?o voc¨º est¨¢ vivo¡­ A voz da rainha mascarada continha um toque de surpresa e raiva, e um sorriso amb¨ªguo se formou em seus l¨¢bios. Sem entender completamente o que estava acontecendo, soltou um suspiro cansado e apoiou a cabe?a na parede atr¨¢s de si. Luiz parou a alguns passos dela, mantendo o uma quietude que pareceu se arrastar. Ele respirou fundo antes de falar, a voz baixa e quase t¨ªmida. ¡ª Como voc¨º est¨¢? Eu tratei suas feridas, l¨ªder¡­ Ana n?o respondeu, mas ficou surpresa. Mal sentia seu corpo, ent?o n?o se preocupou em se autoavaliar at¨¦ o momento. Ao tocar levemente a lateral de seu abd?men, onde antes havia uma dor lancinante, sentiu a superf¨ªcie mais lisa e fria, coberta por algo que trazia certo frescor ¨¤ pele. ¡ª O que voc¨º colocou neles? O cheiro ¨¦ estranho. Luiz hesitou, co?ando a nuca novamente, como se tentasse encontrar as palavras certas. ¡ª ¨¦ um... um composto da cidade. ¨¦ utilizado como pomada e ¨¦ gerado por alguns insetos da col?nia. A substancia tem propriedades ideais para uso m¨¦dico ¡ª ele explicou, com um tom incerto. Ana arqueou uma sobrancelha, ainda de olhos fechados, processando a informa??o. ¡ª Me d¨º mais detalhes depois. Parece... interessante. O sil¨ºncio que se seguiu foi desconfort¨¢vel. Luiz permanecia de p¨¦, nervoso, sem saber como prosseguir. ¡ª E ent?o, idiota, n?o vai falar mais nada? ¡ª provocou Ana, seu tom carregado de sarcasmo. Durante a intera??o, Ana a cada pouco tempo, esticava a m?o, tentando alcan?ar a espada que estava a poucos cent¨ªmetros de distancia, por¨¦m ainda sem sucesso. ¡ª Pe...perd?o, Ana... ¨¦ que... ¨¦ complicado ¡ª gaguejou Luiz. ¡ª Oh, sim, eu vejo. Realmente complicado, afinal, olhe como fiquei ap¨®s tentar buscar meus subordinados ¡ª o tom de Ana era ¨¢cido, mas ela sustentava o sorriso ir?nico nos l¨¢bios. ¡ª Perd?o¡­ ¡ª Relaxa, s¨® t? enchendo o saco... Eu j¨¢ tinha que vir aqui de qualquer forma. N?o pod¨ªamos parecer t?o fracos aceitando amea?as de qualquer um ¡ª resmungou a rainha, voltando a abrir os olhos. ¡ª Agora, chega de pedir desculpas. Explique de uma vez. Quer apoiar o projeto e garantir uma c¨®pia f¨ªsica exclusiva de A Eternidade de Ana? Acesse nosso Apoia.se! Com uma contribui??o a partir de R$ 5,00, voc¨º n?o s¨® ajuda a tornar este sonho realidade, como tamb¨¦m faz parte da jornada de um autor apaixonado e determinado. ?? Venha fazer parte dessa hist¨®ria! ?? Apoia-se: https://apoia.se/eda Discord oficial da obra: https://discord.com/invite/mquYDvZQ6p Galeria e outros links: https://linktr.ee/eternity_of_ana
Capítulo 137 - Pelo Direito dos Fortes
Luiz respirou fundo antes de come?ar a explicar, o olhar ainda distante, como se revivesse cada detalhe. ¡ª Eu tentei influenci¨¢-los durante as negocia??es. Entrei na mente de Niala, achei que poderia direcionar as decis?es dela para que a alian?a fosse favor¨¢vel a n¨®s. ¡ª ¨®timo, fodam-se as orienta??es, n¨¦? ¡ª ¨¦ que¡­ ¡ª S¨® continue ¡ª riu Ana, balan?ando a m?o da forma que podia. ¡ª Certo¡­ Eu tentei influenci¨¢-los durante as negocia??es. Mas eles t¨ºm uma mente coletiva. N?o ¨¦ como invadir uma pessoa, ¨¦ como lidar com centenas, talvez milhares, de consci¨ºncias ao mesmo tempo. Fui capturado antes de sequer entender o que estava acontecendo. Ana o ouviu, seus olhos afiados fixos em Luiz, mas havia algo mais ali: uma frieza que acompanhava a curiosidade. ¡ª E os outros emiss¨¢rios? ¡ª perguntou, direta. O semblante de Luiz obscureceu e ele hesitou, os l¨¢bios se apertando em uma linha fina. Quando finalmente falou, sua voz era um sussurro carregado de culpa. ¡ª Foram destru¨ªdos... Ana suspirou, desviando o olhar para o ch?o por um momento. ¡ª Que merda... ¡ª murmurou, sentindo o peso da perda. Mas n?o havia luto em seu tom, apenas a constata??o sem emo??o de uma falha. Ela voltou os olhos para Niala, que ainda estava ca¨ªda no ch?o, seu corpo de aranha encolhido e im¨®vel. ¡ª Mente coletiva, voc¨º disse? ¡ª apontou para a rainha inseto com um movimento da cabe?a. ¡ª Esse ¨¦ o motivo dela estar nesse estado? Luiz assentiu, a preocupa??o evidente em seu rosto. ¡ª Sim. A col?nia est¨¢ em caos. O desespero do povo a afeta diretamente. Eles s?o como um organismo s¨®, e quando a col?nia sente dor, ela tamb¨¦m sente, como se estivessem arrancando peda?os de sua exist¨ºncia. Ana ouviu e, inesperadamente, come?ou a gargalhar. O som era ¨¢spero, quase cruel, como se ela encontrasse uma ironia m¨®rbida na situa??o. ¡ª Se fodeu! ¡ª disse, ainda rindo, enquanto se ajeitava na parede, arrastando as costas lentamente at¨¦ encontrar uma posi??o menos desconfort¨¢vel. Ela respirou fundo e se virou novamente para Luiz, o sorriso sarc¨¢stico ainda estampado no rosto. ¡ª Achei que voc¨º estivesse preso... ou morto. Mas quem diria que voc¨º tem a porra da s¨ªndrome de Estocolmo. Como chegou nisso? Luiz desviou o olhar, envergonhado. ¡ª No come?o, eu realmente fui tratado como prisioneiro. Trancado, vigiado o tempo todo. Mas... com o tempo, as coisas mudaram. A rainha Niala, em meio ao t¨¦dio di¨¢rio, come?ou a se interessar em mim ¡ª o homem riu fracamente, como se a ideia ainda fosse estranha para ele. ¡ª Ela nunca tinha visto uma pessoa com veias mutadas pessoalmente, parece que nem mesmo leitores nasceram em Myrmeceum. Era uma novidade para ela. ¡ª Ah, ent?o o pobre Luiz criou uma amizade com a rainha ap¨®s essas reuni?es do ch¨¢? ¡ª provocou a mercen¨¢ria, sua voz carregada de ironia. O homem balan?ou a cabe?a, um sorriso amargo se formando. ¡ª N?o foi exatamente assim ¡ª ele deu de ombros. ¡ª N?o que... n?o tenhamos uma amizade hoje em dia. Mas, no come?o, era algo de benef¨ªcio m¨²tuo. Ela me chamava com frequ¨ºncia, mas n?o era apenas por gentileza ou curiosidade. Era porque a vida dela ¨¦... um inferno constante. Ana arqueou as sobrancelhas, genuinamente intrigada. Luiz continuou, o tom da voz mais grave. ¡ª Niala recebe sinais mentais da col?nia o tempo todo, sem descanso, vinte quatro horas por dia. N?o importa se ela est¨¢ acordada ou dormindo, os sinais continuam. N?o h¨¢ sil¨ºncio, n?o h¨¢ paz. ¡ª ele fez uma pausa, fazendo um pequeno gesto acima da cabe?a com dois dedos para indicar as antenas. ¡ª Ela n?o entende por que isso come?ou depois de ter se tornado uma corrompida, mas aceitou a responsabilidade de orientar a col?nia. Enfim, tenta ser uma boa rainha, mesmo com a carga absurda que isso traz. ¡ª Se a culpa ¨¦ das antenas, n?o basta arranc¨¢-las? ¡ª Talvez sim, mas tornaria a vida muito menos pr¨¢tica, s?o o tipo de gente que nunca aceitaria fazer isso¡­. ¡ª Uma rainha presa pelas pr¨®prias emo??es do povo. ¨¦ idiota. ¡ª Felizmente, n?o ¨¦ sempre assim. O povo inseto n?o ¨¦ como n¨®s, humanos puros. Eles sentem, mas de maneira... diferente. S?o emo??es mais simples, a maior parte do tempo os pensamentos giram em melhorar a col?nia, sem distra??es. Mas quando algo os afeta, ¨¦ intenso. Situa??es como a de hoje se transformam em uma tortura mental pra rainha. ¨¦ por isso que ela... ¡ª o mentalista pareceu travar levemente, escolhendo as palavras com cuidado ¡ª Se tornou alco¨®latra¡­ A bebida nubla um pouco os sinais, entorpecendo a mente. N?o ¨¦ uma solu??o perfeita, mas ¨¦ a ¨²nica maneira que ela encontrou para sobreviver. ¡ª Isso me faz gostar mais dela. ¡ª Pra ser sincero, quando a conheci logo senti que voc¨ºs iam se dar bem. Ana bufou, cruzando os bra?os e rindo baixinho, e Luiz continuou. ¡ª Nos ¨²ltimos meses comecei a me conectar novamente com a col?nia, como da primeira vez. No come?o, foi insuport¨¢vel. Cada vez que eu entrava, sentia como se minha mente fosse rachar ao meio. O tempo fez eu sincronizar com eles de forma quase perfeita, consigo ajud¨¢-la a cortar algumas conex?es quando as coisas ficam dif¨ªceis, para que ela tenha um pouco de descanso. Mas como eu disse antes, era algo de benef¨ªcio m¨²tuo. Aprendi muito a respeito das minhas pr¨®prias habilidades no processo. Mentes s?o¡­ fascinantes. Por um breve momento, o olhar no rosto do homem ficou feroz, predat¨®rio, enquanto encarava Ana, mas como se fosse apenas uma ilus?o, sua express?o logo voltou ao normal. ¡ª Bem, vou considerar tudo isso treinamento, n?o falaremos sobre puni??es. ¡ª disse Ana casualmente. ¡ª Agora vai l¨¢ e corta a cabe?a dessa desgra?ada. ¡ª Eles s?o boas pessoas, Ana... ¡ª murmurou, quase como se estivesse se desculpando.If you discover this tale on Amazon, be aware that it has been stolen. Please report the violation. ¡ª Boas pessoas? ¡ª a rainha mercen¨¢ria repetiu, sua voz carregada de incredulidade. ¡ª Eles nos amea?aram com guerra se n?o explod¨ªssemos uma cidade inteira. Isso ¨¦ ser "bom"? ¡ª Isso ¨¦ coisa do Verath... ¡ª O homem de terno? ¡ª Ana perguntou, lembrando-se da figura distinta que havia sido mencionada no relat¨®rio. ¡ª Sim, ele ¨¦ o conselheiro da rainha. ¡ª Luiz assentiu. ¡ª ¨¦ meio estranho, mas n?o ¨¦ uma pessoa ruim. Bom, ¨¦ mais frio que os outros insetos... Quando ele pediu para explodir a cidade, estava sendo pr¨¢tico. Os escamosos estavam causando problemas para os habitantes. E sobre a guerra... N?o passa de um blefe. ¨¦ a estrat¨¦gia dele para pressionar outras cidades e evitar um conflito real, uma rela??o de medo para manter tudo sob controle. ¡ª ¨¦ um blefe burro ¡ª Ana comentou em meio a um riso seco. ¡ª Ele n?o quer uma guerra, mas tamb¨¦m n?o a teme. A capacidade reprodutiva dos insetos ¨¦ absurda, e h¨¢ alguns entre os soldados que s?o realmente monstruosos¡­ N?o ¨¦ uma batalha que podemos vencer facilmente, caso venha a acontecer. ¡ª Que seja ¡ª Ana deu de ombros. ¡ª De qualquer forma, arranque a cabe?a dela. N?o acho que d¨¢ pra resolver a bagun?a dessa vez, aqueles t¨²neis est?o realmente bagun?ados. Luiz hesitou, e Ana notou a mudan?a em sua express?o. Sua m?o novamente tentou discretamente se mover para a espada, cheia de desconfian?a. ¡ª Apenas v¨¢ embora, minha senhora ¡ª disse ele, a voz saindo firme, mas com um tra?o de tristeza. ¡ª Todos aqueles mortos s?o menos de um d¨¦cimo da popula??o total. V?o ficar bravos, claro, mas v?o evitar uma guerra que n?o garanta vit¨®ria. ¡ª "Apenas v¨¢ embora"? ¡ª Ana repetiu, erguendo uma sobrancelha enquanto ignorava o resto da frase. ¡ª N?o quis dizer "vamos embora"? ¡ª N?o posso deix¨¢-la. N?o at¨¦ encontrarmos uma maneira de controlar as conex?es. Ana estreitou os olhos, o sorriso nos l¨¢bios se tornando mais afiado. ¡ª Quem diria que o cara que tinha preconceito com os corrompidos ia ficar t?o pr¨®ximo de uma, hein? Luiz n?o respondeu de imediato, e sua express?o ficou carregada de seriedade. ¡ª Quero que voc¨º entenda uma coisa, Luiz ¡ª disse Ana, a voz mais grave e firme. ¡ª Eles t¨ºm a merda de uma mina de salitre! ¡ª Salitre? ¡ª P¨®lvora, caralho, p¨®lvora! N?o d¨¢ pra arriscar depois de recebermos amea?as. Nesse instante, um som de riso dolorido ecoou pelo ambiente. Ana e Luiz se viraram para a origem do som, notando Niala, ainda deitada no ch?o, com um sorriso amargo nos l¨¢bios. Sua voz soava arrastada e desgastada, como se a simples fala fosse um esfor?o monumental. ¡ª N?o... Vou gastar... A p¨®lvora que tenho... Com mascarados... Isso ¨¦ para¡­ Os puros ¡ª a voz da rainha inseto era entrecortada por pequenas tosses. ¡ª E... n?o temos uma mina de salitre... ¡ª ela fez uma pausa, respirando fundo ¡ª Apenas um estoque de p¨®lvora j¨¢ produzida... da Terra antiga. ¡ª Olha quem j¨¢ acord¡­ ¡ª comentou Ana, ap¨®s virar o pesco?o com esfor?o, tendo a frase interrompida por tosses semelhantes ¨¤s da outra rainha a sua frente. A fragilidade m¨²tua pareceu desencadear uma sincronia entre as mulheres, que tossiam ritmicamente, quase como um reflexo uma da outra. Eventualmente, as tosses ¨¢speras deram lugar a risadas fracas, ambas compartilhando um momento de humor sombrio, at¨¦ que um sil¨ºncio pesado dominou a sala. Ana foi a primeira a quebrar a quietude. ¡ª Voc¨º mencionou que o uso destina-se aos puros. Pretendem explodir parte de Barueri? Niala, ainda deitada, ergueu o olhar, os olhos brilhando com um toque de desd¨¦m. ¡ª Voc¨º ¨¦ mais ing¨ºnua do que parece, assassina est¨²pida ¡ª respirou fundo antes de continuar, o esfor?o evidente em seu rosto. ¡ª Barueri ¨¦ um pesadelo. Eles n?o dependem apenas de constru??es, ¨¦ uma fortaleza. Ana estreitou os olhos, observando a mulher-inseto com interesse. ¡ª E como exatamente isso impediria uma bela explos?o ¨¤ moda antiga? Niala sorriu levemente, como se achasse divertida a falta de conhecimento de Ana. ¡ª Eles t¨ºm runas de dissocia??o nas funda??es dos pr¨¦dios, desenhadas para dissipar qualquer impacto direto que atinja as estruturas. Uma explos?o, especialmente uma que n?o envolve mana... s¨® deixaria fuma?a e algumas marcas ¡ª Niala parou por um momento, olhando para Ana, como se gostasse de sua ignorancia sobre o assunto. ¡ª Voc¨º n?o conseguiria nem arranhar as paredes. Ana inclinou a cabe?a, ponderando as palavras de Niala. Por um breve instante, um brilho de admira??o cruzou seu rosto. ¡ª Interessante ¡ª comentou, sem rodeios, como se conversasse consigo mesma. ¡ª Minha cidade n?o tem isso. Luiz arregalou os olhos, claramente surpreso com a exposi??o de detalhes t?o importantes da defesa de seu pr¨®prio territ¨®rio, mesmo que confiasse em Niala, n?o se devia falar esse tipo de coisa. A rainha mascarada percebeu a incredulidade do mentalista, o que a fez rir. ¡ª Relaxe, homem. Neste momento, n?o importa que ela saiba disso. Suspirando, Ana balan?ou o corpo para impulsionar-se para frente, for?ando-se a se levantar. Involuntariamente, mostrou os dentes por um instante, sentindo que as bandagens ao redor de seu torso come?avam a se tingir de vermelho novamente. Com passos lentos e pesados, se dirigiu at¨¦ sua espada, abaixando-se com esfor?o para peg¨¢-la. Luiz observava, inquieto, sem saber o que esperar, enquanto ela, como se n?o quisesse nada, come?ou a caminhar em dire??o ¨¤ rainha inseto. Niala, ao perceber o movimento, moveu uma de suas patas, a ponta afiada como uma lan?a, na dire??o do est?mago de Ana. Mas a mercen¨¢ria foi mais r¨¢pida, com um movimento certeiro, levantou a perna e esmagou a armadura negra que protegia o fino membro contra o ch?o. O movimento quase a fez perder o equil¨ªbrio, mas ela se firmou, sorrindo com um ar de desafio. Sem perder tempo, as outras tr¨ºs pernas aracn¨ªdeas foram direcionadas ao rosto de sua inimiga, preparando-se para uma retalia??o. Mas j¨¢ era tarde demais. Ana, com um sorriso g¨¦lido, j¨¢ havia encostado a lamina contra o p¨¢lido pesco?o a sua frente. ¡ª Voc¨º j¨¢ deve saber, mas meu pequeno reino em breve estar¨¢ cruzando armas com os puros ¡ª murmurou, a voz baixa e amea?adora. ¡ª O inimigo do meu inimigo ¨¦ meu amigo, certo? Vai se juntar a essa guerra? ¡ª As perdas ser?o maiores que os ganhos. Essa guerra s¨® levar¨¢ voc¨º e os seus ao colapso ¡ª Niala bufou de forma cansada e desdenhosa. Ana aumentou a press?o da lamina, a qual come?ou a deixar uma leve marca vermelha no aparentemente fr¨¢gil corpo. Seus olhos percorreram as patas de aranha que a circundavam, reparando nas runas intricadas que cobriam cada segmento, cada uma mais complexa que as vistas nos habitantes de Myrmeceum. Ela sentiu um leve formigamento de ambi??o ao imaginar o que poderia estudar com aqueles s¨ªmbolos. ¡°Parece que ainda tenho muito o que aprender¡­¡±, pensou, mal conseguindo supor a funcionalidade de cada parte da armadura. Com tal conhecimento, poderia aprimorar suas pr¨®prias cria??es. Era um desperd¨ªcio ter que destruir um povo que podia agregar tanto. Logo sua vista voltou a fixar-se nos olhos de Niala, aproximando o rosto da outra rainha com um sorriso frio. ¡ª Covarde. ¡ª Sim, mas uma covarde viva... a sobreviv¨ºncia nem sempre permite seu rid¨ªculo idealismo. ¡ª Idealismo? ¡ª perguntou Ana, com um tom de ironia marcando seu tom. ¡ª Voc¨º me entendeu errado. Covarde ¨¦ um elogio. Recusar uma batalha perdida ¨¦ mais sensato que se jogar em uma guerra suicida. Mas... essa guerra entrou no meu caminho, e eu n?o vou recuar. N?o lute, se quiser, mas n?o espere que eu venha te salvar se os puros finalmente baterem na sua porta. Ana afastou a lamina do pesco?o da rainha, dando um ¨²ltimo olhar antes de voltar a sentar-se. ¡ª E claro, quanto ao estoque¡­ pelo direito dos fortes, ou seja, de quem consegue levantar a porra da espada nesse momento, a p¨®lvora agora ¨¦ minha. Quer apoiar o projeto e garantir uma c¨®pia f¨ªsica exclusiva de A Eternidade de Ana? Acesse nosso Apoia.se! Com uma contribui??o a partir de R$ 5,00, voc¨º n?o s¨® ajuda a tornar este sonho realidade, como tamb¨¦m faz parte da jornada de um autor apaixonado e determinado. ?? Venha fazer parte dessa hist¨®ria! ?? Apoia-se: https://apoia.se/eda Discord oficial da obra: https://discord.com/invite/mquYDvZQ6p Galeria e outros links: https://linktr.ee/eternity_of_ana
Capítulo 138 - Ponto de Ebuli??o
¡ª ¨¦ incr¨ªvel te ver por aqui ¡ª disse Madame, com um sorriso caloroso no rosto, servindo duas canecas de cerveja azul e espumante e empurrando-as em dire??o aos visitantes inesperados. ¡ª Digo o mesmo. Quem pensaria que voc¨º sairia do seu lugar de sempre? Tenho boas mem¨®rias daquela taverna... Afinal, foi onde minha hist¨®ria come?ou. ¡ª Ah, tamb¨¦m tenho, querida ¡ª Madame riu, relembrando com afeto. ¡ª Mas Ins¨ªdia... Ins¨ªdia ¨¦ a realiza??o de um mundo m¨¢gico. N?o tinha como ficar longe por muito tempo. Al¨¦m disso, as coisas andam bem desagrad¨¢veis por l¨¢ ultimamente. Achei melhor mudar de ares. Natalya riu tamb¨¦m, levando a caneca aos l¨¢bios e experimentando a bebida azulada. Ela observou o l¨ªquido por um instante, girando-o vagarosamente. ¡ª N?o posso negar que a cidade ¨¦ a sua cara ¡ª comentou, dando outro gole. ¡ª Voc¨º realmente avan?ou em suas receitas nesses anos, isso aqui est¨¢ muito bom. ¡ª Pare com esses elogios desnecess¨¢rios ¡ª a taverneira acenou a m?o em um gesto despreocupado enquanto se voltava para o homem ao lado de Natalya. ¡ª E esse a¨ª, quem ¨¦? A Colecionadora lan?ou um breve olhar ao companheiro, ponderando como apresent¨¢-lo antes de responder com simplicidade. ¡ª Um aprendiz ¡ª respondeu por fim, dando uma batidinha no pr¨®prio peito met¨¢lico escondido por baixo de um pesado casaco preto. O homem, sem dizer uma palavra, ergueu a cabe?a, cumprimentando brevemente Madame. O rosto sob o capuz exibia um olhar frio, atento, analisando a taverneira de cima a baixo. ¡ª Achei que voc¨º seria uma loba solit¨¢ria para sempre. Quem diria que acharia algu¨¦m t?o louco... digo, com interesses t?o semelhantes para te acompanhar¡­ Os olhos dela percorreram a armadura do suposto aprendiz com interesse, inicialmente assumindo que fosse apenas isso, uma armadura. Mas conforme olhava mais, notava detalhes sutis: fragmentos de carne artificial, mecanismos internos e um estranho reflexo que passava por tr¨¢s das placas, semelhantes ao de Natalya, que revelavam que aquilo tinha um uso muito al¨¦m da simples prote??o, uma fus?o complexa de modifica??es corporais. ¡ª Coincid¨ºncias da vida ¡ª murmurou Natalya, ironicamente, a voz carregada de um humor seco. Seu companheiro bufou levemente com a resposta e bebeu de sua caneca com uma express?o de aprova??o, antes de come?ar a ajustar uma arma acoplada ao bra?o, desinteressado com o restante da conversa. Natalya observou-o um segundo mais, ent?o voltou-se para Madame. ¡ª Mas e ent?o? Como foi que este lugar cresceu t?o r¨¢pido? J¨¢ conheci os mascarados de antes... Lutavam bem, mas eram pouco mais que est¨¢tuas vagando por a¨ª. ¡ª ¨¦ uma longa hist¨®ria... mas, em resumo, a suposta rainha deles surgiu de repente e tomou as r¨¦deas de tudo. ¡ª Uma rainha? ¡ª Natalya arqueou uma sobrancelha, intrigada. ¡ª Sim, uma incr¨ªvel, por sinal. ¡ª Madame inclinou-se, falando em tom mais baixo. ¡ª Tudo aqui avan?a a passos r¨¢pidos. Mas n?o recomendaria que criasse problemas... ela n?o bate muito bem. Natalya sorriu com uma express?o torta e virou mais uma vez o copo, sentindo o frescor passar por sua garganta.. ¡ª E quem bate bem hoje em dia, Madame? O mundo l¨¢ fora est¨¢ um caos. ¡ª Imagino ¡ª a taverneira respondeu, suspirando. ¡ª Vai ficar na cidade por um tempo? Adoraria ouvir algumas das suas novas hist¨®rias. ¡ª N?o tenho certeza... Soube que algumas coisas interessantes est?o surgindo por aqui. Vim ver se consigo pegar algo da famosa cidade das m¨¢scaras para minha cole??o. ¡ª Oh, "famosa cidade"? N?o sabia que as not¨ªcias se espalharam tanto. Mas, querida, voc¨º chegou em uma p¨¦ssima hora. Ins¨ªdia est¨¢ ¨¤ beira de uma guerra, o clima est¨¢ cada vez mais tenso. Antes que pudesse responder, Natalya sentiu uma leve press?o em sua cabe?a, um zunido quase impercept¨ªvel que ecoou como um sussurro em sua mente. Sua express?o endureceu enquanto a familiar voz interior rompia a quietude de seus pensamentos. ¡°Inconsist¨ºncias¡­ pegue-as¡­¡± Ela piscou, tentando clarear os pensamentos, mas seus olhos se estreitaram, e seu corpo entrou em alerta. Com a vis?o perif¨¦rica, come?ou a analisar o ambiente ao redor, observando cada figura que preenchia o sal?o. De relance, seus dedos se contra¨ªram, como se quisessem agarrar algo. Ela mordeu o l¨¢bio ao perceber uma dupla se aproximando, e a tens?o no ar pareceu engrossar, carregada de uma antecipa??o estranha e palp¨¢vel. O primeiro, um homem de passos leves, usava uma m¨¢scara azul de apar¨ºncia demon¨ªaca e exalava um ar inegavelmente marcial, que contrastava com a energia leve e jovial da garota ao seu lado, uma ruiva com uma pequena m¨¢scara de raposa que falava animadamente sobre algo. O brilho r¨²nico do metal escuro reluzia em seus bra?os, e Natalya quase sentiu os dedos formigarem, uma ansia de tocar aquela armadura que parecia mais um artefato vivo. Quando deu por si, eles j¨¢ estavam ao seu lado no balc?o.Unauthorized tale usage: if you spot this story on Amazon, report the violation. ¡ª Boa tarde, Madame ¡ª cumprimentou o homem, acomodando-se em uma banqueta com um leve arquejo de cansa?o. ¡ª Boa tarde! ¡ª respondeu a mulher, sorrindo enquanto pegava mais uma caneca. ¡ª Dia livre? N?o costumo te ver por aqui neste hor¨¢rio. ¡ª Livre? ¡ª Alex soltou uma risada seca, que mais parecia um grunhido abafado pela m¨¢scara. ¡ª Est¨¢ sendo um dia de matar, isso sim. Vim relaxar um pouco. ¡ª Ent?o perfeito! ¡ª riu Madame, enchendo o recipiente de cerveja enquanto, com destreza, servia uma ta?a de vidro com um l¨ªquido amarelo arom¨¢tico e refrescante para a jovem ao lado. ¡ª Para a mocinha, um suco de outono. Eva aceitou a bebida com um aceno e um sorrisinho resignado, que parecia desmoronar lentamente em uma express?o contrariada. ¡ª E a cerveja de mana? ¡ª murmurou a garota, os olhos faiscando com uma expectativa frustrada. ¡ª N?o pra voc¨º ¡ª respondeu Madame, rindo baixinho. ¡ª Voc¨ºs t¨ºm algo... realmente intrigante ¡ª comentou Natalya, de repente e sem rodeios, com a curiosidade expl¨ªcita. ¡ª Tamb¨¦m s?o aficionados por implantes? ¡ª perguntou, indicando os bra?os blindados de seu aprendiz. ¡ª ¨¦ uma armadura¡­ ¡ª Eva foi a primeira a responder, adotando um tom sombrio que contrastava com sua usual vivacidade. Sentia arrepios sempre que recordava que aquilo estava em seu corpo. Em conjunto com seus resmungos, seus olhos examinaram o estranho corpo do homem apontado pela mulher, e n?o p?de deixar de exclamar ao notar suas caracter¨ªsticas incomuns. ¡ª Voc¨º ¨¦ um rob?? Que incr¨ªvel! Como nunca te vi por aqui antes? ¡ª Quase isso. Digamos que¡­ ele gosta de melhorias ¡ª respondeu Natalya no lugar do homem calado. ¡ª Acabamos de chegar ¨¤ cidade, ¨¦ um prazer conhec¨º-la, jovem. ¡ª Eu me chamo Eva! ¡ª ¨®timo, ent?o ¨¦ um prazer, Eva. Eu me chamo Na¡­ Um estalo alto interrompeu a apresenta??o. Todos se voltaram para Alex, que segurava a m?o tr¨ºmula sobre o balc?o, onde cacos de vidro espalhados refletiam a luz em fragmentos reluzentes. Ele olhava para Natalya com uma intensidade estranha, quase perturbadora. ¡ª Ei, tonto, presta aten??o! ¡ª Eva passou a m?o em frente aos olhos dele, estalando os dedos algumas vezes at¨¦ que ele finalmente despertasse do transe. ¡ª Me¡­ me desculpem. Como eu disse, o dia est¨¢ dif¨ªcil hoje... ¡ª Alex pareceu se recompor, mas ainda sem desviar o olhar de Natalya. ¡ª Voc¨º acabou de chegar na cidade? Mesmo com os port?es fechados? Natalya inclinou a cabe?a levemente, um sorriso enigm¨¢tico brincando em seus l¨¢bios enquanto colocava um dedo sobre eles, num gesto de segredo. ¡ª Admito que mexi uns pauzinhos com meu status... mas n?o contem para ningu¨¦m. Alex riu roucamente, sua voz saindo em um estranho som contido. ¡ª Certo¡­ ¡ª Ele lan?ou um olhar para a taverneira, que j¨¢ estava com a velha vassoura e a p¨¢ em m?os, varrendo os cacos com a pr¨¢tica de quem j¨¢ viu in¨²meras cenas assim. ¡ª Madame, desculpe pela bagun?a. Acabei de lembrar de uma reuni?o urgente. Madame fez um gesto com a m?o, dispensando as desculpas enquanto continuava a varrer. ¡ª Voltarei mais tarde para pagar as bebidas e o estrago. Eva, precisamos ir. ¡ª Mas estou no meio de uma conversa! ¡ª protestou a garota. ¡ª Vamos agora. Voc¨º tamb¨¦m precisa participar. Resmungando, a menina virou o suco em um ¨²nico gole e saltou do banco. ¡ª A gente se fala depois! ¡ª disse para os tr¨ºs que a observavam, seguindo Alex, que dava passos anormalmente apressados at¨¦ a porta. ¡°Inconsist¨ºncia¡­ busque-as.¡± ¡ª Calem a boca¡­ ¡ª sussurrou a Colecionadora de forma quase inaud¨ªvel para si mesma, fechando os olhos por um instante. Ignorando as ordens doloridas, se virou para a taverneira com uma express?o cansada. ¡ª S?o interessantes, esses dois. ¡ª Eu vi seu olhar. N?o se deixe levar pela ganancia em rela??o aos equipamentos dos conselheiros ¡ª murmurou Madame, sem sequer olhar para ela. ¡ª Os itens que carregam s?o presentes da rainha. Voc¨º n?o vai querer problemas com eles. ¡ª Conselheiros? Esses jovens? ¡ª Natalya arqueou as sobrancelhas, surpresa. ¡ª Sim, eles gerenciam tudo por aqui. Mas ignore as idades. Ningu¨¦m sabe o que existe atr¨¢s das m¨¢scaras¡­ nem mesmo se s?o pessoas como n¨®s. Natalya estreitou os olhos, batucando a mesa devagar. ¡ª E... quantos conselheiros exatamente fazem parte desta cidade? ¡ª Conselheiros temos muitos, um cuidando de cada ¨¢rea. Mas, pelo que sei, apenas cinco comp?em o grupo principal... embora eu s¨® conhe?a tr¨ºs pessoalmente. Natalya assentiu, pensativa. ¡ª Entendo¡­ Bom, prometo que vou tentar me controlar. A taverneira lan?ou um olhar de soslaio, um sorriso c¨¦tico curvando o canto de seus l¨¢bios. Seu gesto foi quase impercept¨ªvel, mas dizia tudo. Depois de anos lidando com mercen¨¢rios e aventureiros, aprendera a reconhecer quando fa¨ªscas estavam prestes a incendiar uma fogueira. Para certos tipos de pessoas, o controle era apenas uma promessa vazia. Quer apoiar o projeto e garantir uma c¨®pia f¨ªsica exclusiva de A Eternidade de Ana? Acesse nosso Apoia.se! Com uma contribui??o a partir de R$ 5,00, voc¨º n?o s¨® ajuda a tornar este sonho realidade, como tamb¨¦m faz parte da jornada de um autor apaixonado e determinado. ?? 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Capítulo 139 - Rum, Runas e Reféns
¡ª Realmente h¨¢ necessidade disso? Ana riu com a pergunta do mentalista, mas seu olhar continuava fixo e impiedoso em Niala. ¡ª Necessidade? Voc¨º ficou mais est¨²pido no tempo que ficou com esses caras? ¡ª o desprezo em sua voz estava escancarado. ¡ª ¨¦ l¨®gico que tem necessidade. Nem fodendo vou entrar em um barco cheio de p¨®lvora sem uma garantia. Ela passara os ¨²ltimos dias recuperando-se apenas o necess¨¢rio para carregar a espada outra vez, e imediatamente colou o a?o frio da lamina sob o pesco?o da soberana com precis?o, sem nunca amea?ar de fato sua vida, mas o suficiente para deixar claro quem estava no controle. Desde ent?o, se recusara a deixar a lamina baixar, permanecendo a meros cent¨ªmetros de distancia da rainha inseto, sendo obrigada a dar passos ao mesmo tempo que sua prisioneira para manter o equil¨ªbrio. Era uma cena no m¨ªnimo peculiar, talvez c?mica, mas, se algu¨¦m achava aquilo covarde, Ana n?o estava interessada. Mesmo beirando o exagero, ela tomaria todas as precau??es para evitar uma reviravolta. Niala mantinha seu habitual semblante entediado e fedia a bebida, ocasionalmente lan?ando um olhar fugaz de desd¨¦m para a espada pressionada contra sua pele. Ela n?o protestava, apenas caminhava um passo de cada vez, acompanhada de perto por Luiz, que n?o disfar?ava seu desconforto com a cena. A prepara??o para a partida acontecia em meio ao caos da col?nia. A ordem dada por Niala parecia ter causado um alvoro?o, mas, devido ¨¤ quantidade de habitantes de Myrmeceum, carregavam a grande embarca??o em tempo recorde, enchendo-a com centenas de ba¨²s de p¨®lvora. O barco era uma estrutura simples, mas impressionante, de madeira escura, com remendos de metal nas bordas que lhe davam uma apar¨ºncia robusta e desgastada pelo tempo. Apesar de grande e projetado para carregar uma quantidade massiva de carga, sua estrutura interna havia sido adaptada para permitir que fosse manejado por poucas pessoas. Cordas grossas e bem tran?adas pendiam das laterais, presas a suportes de ferro com entalhes r¨²nicos, indicando que algum n¨ªvel de engenharia m¨¢gica havia sido implementado ao mesmo. A cabine de comando, elevada em rela??o ¨¤s demais partes, oferecia uma vis?o panoramica do rio, sendo protegida por uma estrutura curva que abrigava o leme. Os mastros altos mantinham-se firmes, apesar das velas esfarrapadas de tecido refor?ado com fios met¨¢licos que cintilavam ¨¤ luz do sol. Os ba¨²s com a carga preenchiam cada canto poss¨ªvel do conv¨¦s, amarrados com cordas grossas e fixados com ancoras improvisadas, para evitar que qualquer movimento os jogasse na ¨¢gua. Apesar de seus m¨²ltiplos detalhes, era uma embarca??o que parecia sustentada por adaptabilidade. Nos tempos antigos seria impratic¨¢vel que algo desse porte navegasse pelas ¨¢guas turvas do Tiet¨º, mas o rio agora era bem diferente. O som da correnteza, pesado e ruidoso, indicava a for?a com que ele flu¨ªa. Com a mescla dos mundos, se tornara vasto e incontrol¨¢vel, largo o suficiente para transportar um ex¨¦rcito. Esse era o ¨²nico caminho r¨¢pido at¨¦ Ins¨ªdia, j¨¢ que era invi¨¢vel atravessar a floresta em seguran?a com uma carga t?o grande e na presen?a de tantos inimigos. Ana caminhava de costas at¨¦ o barco. A cada passo, suas botas faziam um estranho barulho ao afundar levemente na lama da beira do rio, e olhares surpresos e receosos a acompanhavam. Quando finalmente subiu em seu transporte, fez quest?o de declarar em voz alta, olhando diretamente para quem quer que estivesse por perto. ¡ª Assim que chegarmos ao destino, ela ser¨¢ liberada. N?o vim aqui para buscar guerra. N?o houve resposta para o coment¨¢rio, ent?o a mercen¨¢ria simplesmente deu de ombros. A figura de Verath era a ¨²nica que os observava de perto com uma express?o diferente do medo. Ele havia retornado ¨¤s pressas de uma viagem nas aldeias pr¨®ximas ao ouvir a not¨ªcia da partida da rainha e, por sorte e muito esfor?o de suas fr¨¢geis asas, conseguiu chegar pouco antes de partirem. ¡ª N?o se preocupe, Verath. Eu confio que os mascarados n?o buscam uma batalha... Apesar de toda a como??o. ¡ª disse Niala, interrompendo as palavras que sairiam da boca do homem inseto, em um tom arrastado e mon¨®tono. Aquelas palavras n?o pareciam convenc¨º-lo, que a encarou com frustra??o evidente. Niala, no entanto, manteve-se calma, virando o rosto lentamente para ele. ¡ª Cuide da col?nia enquanto estou fora. Sei que ficar¨¢ tudo bem. Verath aproximou-se, e embora mantivesse uma postura respeitosa, os punhos cerrados e os l¨¢bios pressionados mostravam a verdadeira express?o de desagrado. Ele estava rangendo os dentes com tanta for?a que todos puderam ouvir o som. Seus olhos se voltaram para Ana com uma intensidade cortante, como se sua raiva pudesse atravessar a distancia entre eles e cort¨¢-la ao meio ali mesmo. Ele parecia prestes a reclamar, mas se conteve. Com relutancia, fez uma leve rever¨ºncia para sua rainha. ¡ª Como quiser, majestade. A rainha mascarada observou o s¨²bito ato de lealdade com uma mistura de desprezo e divers?o. O olhar g¨¦lido que ele continuava a lhe lan?ar s¨® a divertiu ainda mais, e ela retribuiu com um sorriso sard?nico, como se o desafio dele fosse um mero detalhe. Enquanto o sol se punha, lan?ando sombras douradas nas ¨¢guas do rio, o cen¨¢rio transformava a cena em algo quase surreal. Era como se a natureza conspirasse para observar aquela intera??o delicada entre amea?as e uma paz inc?moda. Assim que tudo estava pronto, Luiz subiu no barco, desamarrando a corda que mantinha a embarca??o presa ao porto. Ana, com um gesto meio torto devido ao corpo da mulher colado ao seu, ergueu a perna e deu um chute seco na rampa de acesso, que caiu pesadamente na ¨¢gua com um som abafado. Sem mais conversa, o barco come?ou a se mover, impulsionado pela correnteza forte do rio. Quando finalmente estavam longe do alcance da vis?o do povo de Myrmeceum, Luiz soltou um suspiro longo e exausto. Ele observava o cen¨¢rio que passava rapidamente ao seu redor, enquanto lentamente ajustava uma das velas. A embarca??o balan?ava ritmicamente, o som da ¨¢gua batendo nas laterais misturando-se com o rangido das velas. Ao longe, a vegeta??o densa das margens parecia indiferente ¨¤ tens?o crescente a bordo, como se o mundo natural zombasse do teatro humano.The narrative has been taken without authorization; if you see it on Amazon, report the incident. Ana, por outro lado, continuava com a espada em m?os, ocasionalmente lan?ando um olhar afiado para Luiz, como se at¨¦ mesmo ele n?o estivesse completamente isento de sua desconfian?a. ¡ª Pensei que ele ia quebrar os dentes enquanto te encarava ¡ª comentou o mentalista, se sentando na borda do barco. ¡ª Aquele cara ¨¦ bizarro. Como consegue manter ele do seu lado, mulher aranha? ¡ª Verath n?o ¨¦ exatamente do tipo f¨¢cil de lidar, admito. Mas o que lhe falta em tato, ele compensa com efici¨ºncia. ¨¦ leal ¨¤ col?nia e a mim, mas possui um... senso de pragmatismo afiado demais. Ana riu, um som curto e c¨ªnico, e finalmente baixou a arma, flexionando o bra?o com al¨ªvio. Arrastando a arma pela madeira, caminhou ao redor, dando pequenas batidas no tampo dos muitos caixotes empilhados. ¡ª Podem parar de me olhar assim? ¡ª Ana resmungou, sentindo o olhar confuso dos outros dois navegantes. ¡ª Meu bra?o j¨¢ estava doendo. Luiz riu com discri??o, enquanto Niala apenas a encarou, como se analisasse cada movimento. Ignorando-os, Ana continuou com as batidas, at¨¦ ouvir um som diferente, um toque que indicava algo oco. ¡ª Achei! ¡ª exclamou, triunfante. Ao abrir o ba¨², revelou uma fileira ordenada de garrafas de rum, cada uma brilhando sob a luz do dia como uma promessa l¨ªquida de al¨ªvio. Com um sorriso travesso, pegou uma garrafa e lan?ou-a para Luiz, que a pegou no ar, surpreso. Pegou outra e jogou para Niala, que a recebeu com um estranho entusiasmo. Por fim, arrancou a rolha da pr¨®pria garrafa com os dentes e bebeu longamente, permitindo que o calor do ¨¢lcool descesse em um fluxo forte e cont¨ªnuo. ¡ª Sorte que n?o deixaram isso escondido no meio das outras caixas ¡ª murmurou para si mesma. ¡ª Eu ficaria puta, seria um inferno encontrar. Sem mais rodeios, ela deu passos firmes em dire??o ao leme do barco. Ao tentar mov¨º-lo, percebeu imediatamente o peso robusto da madeira, que exigia for?a descomunal para girar. Contudo, Ana n?o se intimidou. Passou os dedos pelos s¨ªmbolos r¨²nicos finamente gravados ao redor do leme e tomou outro gole de rum, sentindo o calor aumentar em seu peito. Com curiosidade crescente, decidiu experimentar aquele grande ¡°equipamento¡±, e canalizou um fio fino de mana, infundindo-o diretamente nas marcas. Gradualmente, uma luz suave e hipn¨®tica de azul-claro com toques de amarelo come?ou a emanar da estrutura do barco, iluminando cada linha e detalhe entalhado na madeira. Fascinada, Ana observou a embarca??o reagir, tornando-se quase viva sob seu toque. ¡ª Ora, ora¡­ ¡ª sussurrou ela, fascinada. Com o controle restaurado, girou o leme mais uma vez, experimentando o peso do barco na correnteza. O barco tremeu intensamente em resposta, fazendo um movimento brusco que balan?ou todos os presentes. Luiz arregalou os olhos e soltou um leve palavr?o, enquanto agarrava a borda para evitar uma queda desastrosa. Sua surpresa era vis¨ªvel, o rosto ligeiramente p¨¢lido, mas ele rapidamente recomp?s a express?o com um suspiro aliviado. J¨¢ Niala, impass¨ªvel, manteve-se firme, segurando-se com precis?o usando uma das patas de aranha para estabilizar-se. Um leve desconforto cruzou seu rosto, mas ela rapidamente reajustou a postura, com uma express?o fria e controlada. Ana apenas sorriu em uma excita??o contida. ¡ª Incr¨ªvel... ¡ª sussurrou com os olhos brilhando. Logo ap¨®s tudo se normalizar, ela se abaixou e come?ou a inspecionar mais de perto cada entalhe, murmurando suas fun??es em voz baixa, at¨¦ que encontrou uma sequ¨ºncia de runas que n?o reconhecia. ¡ª Rainha alco¨®latra, pra que serve isso aqui? ¡ª ela gritou para Niala, sem sequer levantar a cabe?a. ¡ª Qual das interposi??es? ¡ª perguntou Niala, parando de beber com um misto de irrita??o e exaspera??o. ¡ª Quinta linha inferior, partindo do centro, logo abaixo da runa de controle principal. Niala refletiu por um momento, tomando mais um gole de rum antes de responder. ¡ª Est¨¢ vendo a runa anterior, de estabiliza??o? Seguindo ela voc¨º chega na de redistribui??o de for?a, ajustando o leme para suportar o fluxo de mana sem quebrar. ¡ª Ooooh, muito pr¨¢tico! ¡ª Ana sorriu, visivelmente impressionada. ¡ª N?o tinha pensado em us¨¢-las desse jeito. Animada com a descoberta, ela deu um pulo leve por cima do leme e caminhou at¨¦ Niala, puxando a manga esquerda da camisa que Luiz havia lhe arranjado. A roupa improvisada revelou parte de sua armadura, adornada com runas simples de endurecimento. ¡ª E ent?o? O que acha? Como posso aprimorar isso? Niala observou a armadura por alguns segundos, sua express?o indecifr¨¢vel. Ana notou que as pernas de aranha da rainha se aproximavam, mas n?o sentiu nenhuma hostilidade, ent?o manteve-se parada. Niala come?ou a passar a ponta dos membros aracn¨ªdeos pelas runas, franzindo o cenho ao ver que algumas delas terminavam de forma abrupta. ¡ª Isso n?o parece apenas engenharia m¨¢gica¡­ ¡ª comentou Niala, com uma ponta de curiosidade. ¡ª E n?o ¨¦. H¨¢ uma parte organica ligada diretamente ¨¤ carne. ¡ª Qual o sentido disso? ¡ª Bem... Eu... "rego" elas ¡ª respondeu a rainha mercen¨¢ria, dando de ombros. Niala arqueou uma sobrancelha, sem entender completamente o que Ana quis dizer, mas decidiu n?o insistir. Em vez disso, seguiu observando o item como um quebra-cabe?a interessante. ¡ª Runas conectadas ¨¤s veias ¡ª Niala disse, percebendo o detalhe. ¡ª Isso expande enormemente as possibilidades de uso. Ana piscou, surpresa que a rainha tivesse notado a liga??o com tanta precis?o. ¡ª N?o ¨¦ f¨¢cil aplicar m¨²ltiplas runas em um equipamento, especialmente para prop¨®sitos diversos ¡ª continuou Niala, mostrando suas pernas enquanto levava a garrafa a boca novamente. ¡ª Veja, cada uma dessas pernas tem um tipo de runa espec¨ªfica, mas as que n?o possuem runas de prote??o s?o fr¨¢geis, focadas em aprimoramentos de ataque. Quando se coloca mana em um equipamento comum, ¨¦ imposs¨ªvel prever a dire??o do fluxo, o que torna a inclus?o de m¨²ltiplas fun??es um risco. Em resumo, uma combina??o de prop¨®sitos pode simplesmente fazer tudo explodir. Ela pausou, observando a rea??o de Ana, que escutava com uma intensidade incomum. ¡ª Mas no seu caso, com as veias conectadas e com treino suficiente, voc¨º poderia considerar isso como uma extens?o do seu corpo, controlando os fluxos em cada dire??o. Deve ter sido aterrorizante fazer essa fus?o. Ana riu alto, seu rosto iluminado por uma mistura de admira??o e excita??o. ¡ª Ah, dor ¨¦ o tempero da vida, n?o acha? Se ¨¦ f¨¢cil demais, n?o vale o esfor?o ¡ª Arrumando a manga, ela se sentou ao lado da rainha inseto. ¡ª Sabe, eu adoraria saber mais. Que tal uns minutos para me ensinar durante a viagem? Apesar do tom leve, Ana manteve sua espada em uma posi??o propositalmente amea?adora, e Niala revirou os olhos, sabendo que, mesmo sendo uma pergunta, ela n?o teria escolha. ¡ª Claro... Por que n?o? Quer apoiar o projeto e garantir uma c¨®pia f¨ªsica exclusiva de A Eternidade de Ana? Acesse nosso Apoia.se! Com uma contribui??o a partir de R$ 5,00, voc¨º n?o s¨® ajuda a tornar este sonho realidade, como tamb¨¦m faz parte da jornada de um autor apaixonado e determinado. ?? Venha fazer parte dessa hist¨®ria! ?? Apoia-se: https://apoia.se/eda Discord oficial da obra: https://discord.com/invite/mquYDvZQ6p Galeria e outros links: https://linktr.ee/eternity_of_ana
Capítulo 140 - Mau Presságio
A faca estava firmemente segura entre os dedos, movendo-se com precis?o cir¨²rgica enquanto riscava a madeira do ba¨². A resist¨ºncia da madeira sob a lamina, o som baixo e raspado de cada entalhe, e a leve vibra??o que ecoava pela madeira eram sensa??es que lhe traziam um prazer peculiar. Seus olhos brilhavam com intensidade focada, refletindo seu dom¨ªnio, ainda que n?o absoluto, sobre a t¨¦cnica. A lamina se movia com um controle preciso, como uma extens?o de seu pr¨®prio corpo, e ela se deixava envolver na tarefa com a mesma seriedade de um escultor criando sua obra-prima. ¡ª O que voc¨º t¨¢ fazendo? ¡ª disse, de repente, o entediado mentalista, tentando desvendar o que aqueles padr?es significavam. Ana n?o respondeu de imediato, terminando o entalhe antes de se erguer e circundar o ba¨², inspecionando a simetria das linhas como se fosse uma cr¨ªtica de arte avaliando uma pe?a valiosa. S¨® ent?o, com um leve sorriso, ela se voltou para ele, estranhamente animada. ¡ª Runas em dupla camada ¡ª respondeu, dando de ombros como se fosse algo ¨®bvio. ¡ª Depois da conversa de mais cedo fiquei ansiosa para fazer alguns testes. At¨¦ chegarmos ao destino, pretendo entalhar runas de compress?o em cada um desses ba¨²s. ¡ª Sua express?o se tornou levemente ir?nica enquanto completava. ¡ª E, por baixo, algo¡­ aleat¨®rio, s¨® pra criar uma pequena bagun?a, se poss¨ªvel. Luiz franziu o rosto, sem conseguir compreender por completo o que ela estava planejando, mas optou por ficar quieto. Seus olhos passavam dos entalhes para o rosto de Ana, e percebendo a confus?o dele, a rainha continuou, explicando pacientemente. ¡ª P¨®lvora por si s¨® n?o ¨¦ t?o poderosa assim. O que quero ¨¦ fazer com que esses ba¨²s se comprimam em si mesmos quando ativados, criando cont¨ºineres de alta press?o. Isso deve aumentar o impacto e a for?a da explos?o. Luiz assentiu devagar, tentando processar a explica??o. ¡ª Entendi¡­ bem, ao menos o b¨¢sico, mas e a segunda camada? Qual o prop¨®sito? Uma express?o de divers?o surgiu no rosto da rainha, e ent?o deu uma pequena pausa antes de responder, relembrando algo de tempos atr¨¢s. ¡ª Essa parte ¨¦ s¨® um toque de instabilidade criativa ¡ª Ana puxou um novo ba¨², sentando-se por cima dele enquanto come?ava as novas marca??es. ¡ª Alguns anos atr¨¢s, acabei estragando um conjunto de equipamentos r¨²nicos enquanto treinava engenharia m¨¢gica. Os entalhes fizeram a energia se tornar ca¨®tica, incontrol¨¢vel, e a maioria ficou in¨²til... mas o que restou foi uma esp¨¦cie de ¡°bomba improvisada¡±. Ela fez uma pausa, inclinando a faca de forma pensativa e dando uma risada seca. ¡ª Naquela vez, de cinco supostas bombas, s¨® uma explodiu de verdade. Numa batalha, n?o servem pra muita coisa. A ativa??o era incerta, demorada, e dependia de pura sorte, ent?o deixei a ideia de aprimorar aquilo de lado ¡ª ela ergueu o olhar para Luiz, seu sorriso adquirindo um toque perigoso. ¡ª Aqui, o objetivo ¨¦ simplesmente destruir o m¨¢ximo poss¨ªvel. Se acabar n?o funcionando, nada vai mudar, mas se der certo¡­ bem, deve aumentar um pouco o estrago. O homem observou o trabalho dela, ainda com alguma perplexidade, mas tamb¨¦m com fasc¨ªnio. Ele percebia o n¨ªvel de detalhamento e o cuidado que Ana dedicava ao processo. A mulher parecia t?o concentrada no trabalho, t?o ¨¤ vontade naquela combina??o entre risco e controle, que ele simplesmente a deixou seguir em frente, sem incomodar mais. Sua vis?o ent?o se desviou para a proa, onde Niala estava de olhos fechados, im¨®vel. Ela parecia distante, como se estivesse em um transe profundo. Ana acompanhou o olhar dele e, ao perceber onde estava mirando, arqueou uma sobrancelha e perguntou casualmente. ¡ª E a doida ali, o que t¨¢ fazendo? ¡ª N?o sei ao certo¡­ Mas parece¡­ sei l¨¢, feliz? Ana apenas bufou com a resposta incerta, voltando ao trabalho, com o interesse pelo estado da cativa desaparecendo. Da mesma forma, alheia a dupla que conversava a suas costas, Niala sentia o mundo ¨¤ sua volta se dissolver em uma serenidade que mal lembrava existir. ¡°Em meio ao caos, um raro instante de tranquilidade¡±, pensou, respirando fundo, deixando que o ar fresco lhe enchesse os pulm?es como se tentasse capturar o momento e guard¨¢-lo consigo. Ao abrir os olhos, seu olhar encontrou ao longe as margens verdejantes do rio, o contraste das sombras e da luz que dan?avam entre as folhas. A vastid?o da natureza ao redor a envolvia, sussurrando segredos esquecidos, e Niala quase podia ouvir a liberdade que tanto lhe escapava. Era um chamado suave, uma promessa de tranquilidade.Love what you''re reading? Discover and support the author on the platform they originally published on. Acima dela, p¨¢ssaros voavam em c¨ªrculos despreocupados, suas asas batendo no ar em um ritmo constante e seguro. A rainha inseto os observou com uma melancolia quase palp¨¢vel. Era a primeira vez em muito tempo que ela podia escutar o som puro do canto das aves sem os murm¨²rios da col?nia. Por um instante, se permitiu ouvir, realmente ouvir, aquele som que trazia a paz de um mundo que n?o era mais o seu. ¡ª Eu realmente devo ser uma rainha? A pergunta escapou como um sussurro que foi incapaz de conter, acompanhada por um sorriso ir?nico que navegava sutilmente por seus l¨¢bios. Ali, sozinha com seus pensamentos, as d¨²vidas que geralmente reprimia surgiam livres. N?o era mais a figura imponente e decisiva que todos viam, mas sim uma pessoa comum, cheia de preocupa??es. Uma de suas pernas aracn¨ªdeas deslizou suavemente at¨¦ a ¨¢gua, submergindo-se no fluxo do rio. A sensa??o era fria e renovadora, como se o toque do do l¨ªquido apagasse, ainda que brevemente, todas as responsabilidades que a prendiam. Era f¨¢cil esquecer o fardo de sua posi??o quando estava ali, conectada ao mundo ao redor, sem compromissos, sem povo, sem guerra. A cada segundo, o sil¨ºncio confort¨¢vel a envolvia mais, fazendo o tempo parecer suspenso. Foi ent?o que uma sutil vibra??o na ¨¢gua a despertou de sua tranquilidade. Sem muita pressa, ela abaixou os olhos, ainda balan?ando sua fina perna de inseto no rio, como se brincasse com algum peixe curioso que pudesse ter se aproximado. Mas, ent?o, o rio mudou. Uma a uma, pequenas sombras come?aram a crescer nas profundezas. A princ¨ªpio, as formas escuras pareciam meras ondula??es, mas, aos poucos, elas tomaram corpo, ganhando movimento. Fascinada, ela inclinou-se mais para a borda, os olhos estreitando enquanto tentava identificar o que estava se formando l¨¢ embaixo. De repente, a superf¨ªcie da ¨¢gua foi rompida com uma s¨²bita distor??o, lan?ando-se direto em dire??o ao seu rosto. No instante em que ela arregalou os olhos em surpresa, sentiu uma m?o firme agarrar a gola de sua t¨²nica, puxando-a bruscamente para tr¨¢s. ¡ª No que estava pensando, idiota? ¡ª Ana murmurou com uma voz dura e r¨ªspida, ainda segurando-a com for?a. ¡ª Obrigada¡­ ¡ª balbuciou Niala, o rosto corando levemente com a adrenalina. Ajustando sua postura, perguntou, ainda at?nita. ¡ª O que foi¡­ aquilo? Ana soltou a roupa dela, e lentamente apontou para a superf¨ªcie onde, agora, dezenas, ou talvez centenas, de peixes saltavam em torno do barco em uma esp¨¦cie de dan?a ca¨®tica. As criaturas tinham escamas espessas e reflexos met¨¢licos. Suas cores eram um misto de verde-escuro e bronze, cintilando ¨¤ luz difusa como laminas afiadas, cada uma com um brilho amea?ador. Os olhos, grandes e esbranqui?ados, transmitiam uma aura de cegueira, dando a impress?o de que os movimentos eram feitos somente por um estranho instinto, sem saber realmente para onde estavam indo. Nadadeiras largas e irregulares cortavam o ar antes dos peixes mergulharem de volta ao rio com precis?o e for?a, levantando respingos pesados que pareciam reverberar como trov?es no sil¨ºncio dos arredores. ¡ª S?o lindos... ¡ª comentou a rainha inseto, absorta no momento. ¡ª S?o Kiaraks ¡ª disse Ana. ¡ª Monstros pequenos que vivem no fundo do rio. Nunca os tinha visto pessoalmente, mas fazem parte da fauna local identificada pelos mascarados. ¡ª N?o ¨¦ algo que se v¨º todo dia! ¡ª exclamou Luiz, que agora tamb¨¦m observava com fasc¨ªnio. Ana deu um leve suspiro, mantendo o rosto r¨ªgido. ¡ª N?o mesmo. E se eu pudesse escolher, n?o gostaria de t¨º-los visto hoje ¡ª murmurou ela enquanto os outros dois a encararam, confusos. ¡ª Se est?o se comportando dessa forma, ¨¦ porque alguma coisa os perturbou, ¨¦ raro virem a superf¨ªcie. Luiz franziu o cenho, prestes a perguntar mais, quando uma sensa??o estranha come?ou a pulsar sob seus p¨¦s. Era como uma leve vibra??o, um tremor quase impercept¨ªvel que, no entanto, se espalhava pelo conv¨¦s do barco. O som era baixo e ressonante, um "tum-tum" abafado que parecia presente no pr¨®prio ar. Os tr¨ºs se entreolharam, sentindo a tens?o aumentar. Ana inclinou-se para a borda, os olhos fixos na margem mais pr¨®xima, notando que n?o era apenas o barco, arbustos e pequenas pedras tamb¨¦m vibravam em um ritmo cadenciado. ¡ª Voc¨ºs sentem isso? Parece¡­ uma marcha? ¡ª o mentalista perguntou, sussurrando como se o pr¨®prio ato de falar alto pudesse alertar o que quer que fosse. Ana soltou rapidamente mais algumas velas para aumentar o ritmo da embarca??o. ¡ª Precisamos nos apressar ¡ª disse em um murm¨²rio, deixando claro a seriedade da situa??o. Niala observava com uma express?o grave, a admira??o pelos peixes agora completamente esquecida. O instante de paz se transformava numa tens?o opressiva, como uma tempestade que se arma no horizonte. Quer apoiar o projeto e garantir uma c¨®pia f¨ªsica exclusiva de A Eternidade de Ana? Acesse nosso Apoia.se! Com uma contribui??o a partir de R$ 5,00, voc¨º n?o s¨® ajuda a tornar este sonho realidade, como tamb¨¦m faz parte da jornada de um autor apaixonado e determinado. ?? Venha fazer parte dessa hist¨®ria! ?? Apoia-se: https://apoia.se/eda Discord oficial da obra: https://discord.com/invite/mquYDvZQ6p Galeria e outros links: https://linktr.ee/eternity_of_ana
Capítulo 141 - A última Reuni?o
O barco deslizava solenemente pelo rio, apenas o murm¨²rio da ¨¢gua rompendo o sil¨ºncio tenso que pairava entre o trio, cada um absorto em seus pr¨®prios pensamentos. ¡ª Estamos pr¨®ximos, j¨¢ consigo ver as primeiras torres ¡ª murmurou Luiz, quebrando o clima inc?modo. ¡ª Vamos avan?ar s¨® um pouco mais ¡ª comentou Ana, apoiada na lateral do barco. Seus olhos varriam a mata sem pressa, buscando o melhor lugar para o desembarque. Foi ent?o que, no limiar entre as ¨¢rvores, vislumbrou um par de olhos amarelos brilhando na escurid?o. Um lobo cinzento parecia tranquilamente beber alguns goles de ¨¢gua, quando de repente ficou im¨®vel como uma est¨¢tua, apreensivo com a aproxima??o da grande embarca??o. A mercen¨¢ria, notando sua tens?o desnecess¨¢ria, acenou levemente para chamar sua aten??o, e um macabro sorriso acabou nascendo no rosto da criatura. ¡ª Rai...nha... Ana... ¡ª as palavras sa¨ªam de forma distorcida, dan?ando entre o som de um rosnado e um sussurro quase humano. Ana se surpreendeu, era raro encontrar um lobo que falasse diretamente com ela, e isso indicava que ele era um dos mais conscientes da matilha. Com uma ideia repentina, subiu ao leme e usou a mana para desacelerar o barco, se aproximando da margem. A intelig¨ºncia que eles haviam desenvolvido era um dom que, principalmente nessa situa??o, se assemelhava a uma b¨ºn??o. Saltando para o solo, ela se aproximou do animal, avaliando a for?a das patas e seu porte robusto. Depois que come?aram a ser cuidados pela cidade, perderam um pouco de seu aspecto raqu¨ªtico, apesar de ainda serem uma vis?o assustadora. Deu algumas batidinhas em sua cabe?a, e o lobo ficou estranhamente alegre com o pequeno gesto. ¡ª Eu preciso que voc¨º e os seus carreguem alguns suprimentos, caixas pesadas. Conseguem fazer isso? O lobo inclinou a cabe?a, o olhar intrigado e quase confuso. Ele rosnou baixinho, claramente tentando compreender a ordem, mas sem sucesso. ¡ª Cai¡­xas? Carregar? N¨®s... lutamos. Carregar...? Ana suspirou, cruzando os bra?os. Seu olhar endureceu um pouco, mas sabia que precisava ser paciente. ¡ª Lembre-se, garoto, voc¨ºs j¨¢ me ajudaram com algo do tipo antes ¡ª ela tentou explicar novamente, abaixando-se para ficar ao n¨ªvel dos olhos dele. ¡ª Essas caixas t¨ºm algo importante dentro. Voc¨ºs podem lev¨¢-las at¨¦ o Gabriel? Suas m?os simularam asas, tentando deixar mais claro que falava sobre o anjo. O lobo continuou hesitante, os olhos piscando em d¨²vida, como se n?o conseguisse assimilar o conceito. Ana suspirou mais uma vez. ¡ª Escute ¡ª disse ela, tentando um tom ainda mais firme, embora sem perder a calma. ¡ª Ali ¡ª apontou para os ba¨²s presentes no barco. ¡ª Comida. Levar para Garm. Certo? ¡ª Presente¡­ pro l¨ªder? ¡ª Isso! Quero que deem um presente para o l¨ªder! ¡ª com pressa e receio do lobo deixar de entender novamente, rasgou uma fina p¨¢gina de um bloco de notas que levava em seu bolso, dando orienta??es de que as caixas deveriam ser entregues para o anjo que gerenciava a cidade e levadas aos laborat¨®rios subterraneos, amarrando-a diretamente na perna do animal. ¡ª Chame sua matilha, temos muitos presentes para entregar. O lobo pareceu finalmente captar o que a rainha desejava. Ele assentiu com um movimento de cabe?a, e soltou um uivo alto e prolongado. Aos poucos, outros lobos come?aram a emergir da escurid?o, suas silhuetas se formando na penumbra, respondendo ao chamado de seu companheiro. Com um leve sorriso satisfeito, Ana acariciou novamente o pelo do lobo, e em conjunto com Niala e Luiz, come?ou a amarrar cuidadosamente as caixas em suas costas. Ela calculou mentalmente quantas cada um poderia suportar e logo percebeu que, felizmente, o trabalho n?o seria t?o demorado quanto pensava. Claro, desde que n?o explodissem pelo caminho. ¡ª Luiz, irei me apressar para reunir os conselheiros. Quero que passe na cidade antes de partir. Se a rainha inseto desejar, n?o h¨¢ problemas em lev¨¢-la junto. Vendo o aceno do mentalista, Ana subiu nas costas de um dos animais. O pelo espesso e a estrutura ¨®ssea faziam o transporte se mover de forma inesperada, o que a fez ajustar rapidamente seu equil¨ªbrio. ¡ª N?o ¨¦ t?o confort¨¢vel quanto andar no Garm ¡ª murmurou, quase divertindo-se com a situa??o.Stolen from Royal Road, this story should be reported if encountered on Amazon. Assim que deu o sinal, o monstro partiu em disparada, e Ana sentiu o vento frio da noite cortando seu rosto. Os poucos quil?metros passaram em um instante, e ela podia ver os primeiros guardas observando o retorno deles com express?es de surpresa. Assim que cruzaram os port?es, Ana saltou do animal, dispensando-o com um aceno. Notou, satisfeita, que os demais lobos seguiram corretamente para os t¨²neis onde os ba¨²s seriam armazenados. Sem perder tempo, ela se dirigiu diretamente ao castelo, onde logo avistou Miguel, trabalhando em sua habitual pilha de relat¨®rios. A pergunta saiu de forma direta assim que se aproximou do secret¨¢rio. ¡ª Todos est?o cientes do ex¨¦rcito se aproximando, certo? Miguel assentiu, um brilho de preocupa??o percorrendo seus olhos. ¡ª Sim, fui informado recentemente pelos guardas das divisas. Devem chegar at¨¦ n¨®s ao longo do dia de amanh?. ¡ª Quantos s?o? ¡ª Algo entre dois mil e quinhentos e quatro mil. Talvez mais, mas felizmente sem artilharia ¡ª suspirou Miguel. ¡ª Parece que v?o confiar nos manipuladores para atravessar os muros. ¡ª Bom, poderia ser pior. ¡ª Poderia, mas a situa??o ainda n?o ¨¦ boa. ¡ª N?o disse que era ¡ª brincou Ana. ¡ª Convoque todos os conselheiros. Quero v¨º-los na sala da t¨¢vola redonda o mais r¨¢pido poss¨ªvel. Miguel fez um gesto de entendimento e rapidamente partiu para reunir o conselho, enquanto Ana se dirigia aos aposentos. Mesmo para ela, a viagem de alguns dias no mar havia sido cansativa, precisava se recompor e estar pronta para o que vinha a seguir. Ao entrar em seus aposentos, soltou um longo suspiro, tirou o manto de viagem com movimentos r¨¢pidos, jogando-o sobre uma cadeira, e retirou as botas empoeiradas. Com passos decididos, dirigiu-se ao canto do quarto, onde um pequeno c?modo com um ralo de escoamento e um chuveiro simples a esperavam. Despiu-se, removendo cuidadosamente as bandagens que ainda estavam presas a sua pele, e entrou, sentindo a ¨¢gua quente escorrer por seu corpo, relaxando a tens?o acumulada e lavando o peso da viagem. Ela inclinou a cabe?a, deixando que ca¨ªsse sobre seu rosto e ombros, e fechou os olhos por um momento. Sua mente vagou, e em meio ao confort¨¢vel calor, pensou nos sacrif¨ªcios que todos teriam que fazer. Os minutos passaram devagar, mas logo encerrou seu banho. Se secou e come?ou a vestir seu traje de batalha, o qual raramente utilizava, com aten??o meticulosa a cada pe?a. O tecido negro refor?ado, com adornos de metal nos ombros e o s¨ªmbolo de Ins¨ªdia bordado em prata no peito, conferia-lhe uma presen?a imponente. Se complementava por amarra??es firmes, ligas refor?adas e uma capa curta, que lhe dava agilidade e, ao mesmo tempo, transmitia respeito. N?o gostava de como pesava sobre o seu corpo, principalmente por, nesse mundo com mana, sentir que eram apenas adornos sem sentido. ¡°Bem, ¨¦ uma ocasi?o especial, n?o custa nada parecer um pouco mais legal enquanto luto por a¨ª¡±. Por fim, rindo de si mesma, ajeitou o cabelo, prendendo-o de modo a deixar o rosto completamente vis¨ªvel, permitindo que todos enxergassem a resolu??o fria em seus olhos cor de mel. Pronta, saiu de seus aposentos e seguiu pelos corredores at¨¦ a sala de reuni?es. ¨¤ medida que se aproximava, o murm¨²rio abafado das vozes dos conselheiros se tornava mais claro, cada um aparentemente discutindo algo em uma tonalidade melanc¨®lica compartilhada. Quando ela entrou, a sala silenciou-se instantaneamente. Seus olhos percorreram cada rosto ao redor da mesa. Havia express?es de preocupa??o, cansa?o e at¨¦ um leve toque de medo em alguns olhares. Eles sabiam o que estava em jogo; sentiam o peso da responsabilidade e do momento, e a chegada dela s¨® fazia que esse momento se tornasse ainda mais real. Para sua surpresa, o general escamoso apresentado por Eva, Leandro, tamb¨¦m estava presente, observando o cen¨¢rio em um dos cantos, levemente mais afastado. J¨¢ Alex, que geralmente exibia um sorriso confiante e at¨¦ brincalh?o, parecia mais perturbado que os demais, com olhos baixos e sombrios, como se estivesse carregando um fardo invis¨ªvel. Isso despertou a curiosidade de Ana, mas ela decidiu guardar para si a observa??o por enquanto. Sem hesitar, ela caminhou at¨¦ um lugar vazio pr¨®ximo ¨¤s grandes janelas. Os olhos de todos seguiram cada movimento seu, e o som da madeira sendo arrastada pelo ch?o ao puxar a cadeira ecoou ruidosamente na sala. Ela se sentou, e por um momento, permitiu que o sil¨ºncio pesasse sobre todos, at¨¦ que enfim soltou sua declara??o, o prel¨²dio de decis?es da batalha que j¨¢ se aproximava das portas de Ins¨ªdia. ¡ª Temos muito a conversar. Quer apoiar o projeto e garantir uma c¨®pia f¨ªsica exclusiva de A Eternidade de Ana? Acesse nosso Apoia.se! Com uma contribui??o a partir de R$ 5,00, voc¨º n?o s¨® ajuda a tornar este sonho realidade, como tamb¨¦m faz parte da jornada de um autor apaixonado e determinado. ?? Venha fazer parte dessa hist¨®ria! ?? 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Capítulo 142 - Desgostosa Lealdade
Miguel se aproximou de Ana, os olhos fixos no horizonte com uma intensidade que refletia a urg¨ºncia da situa??o. ¡ª Os batedores mandaram novos sinais ¡ª disse ele. ¡ª Est?o a apenas duas horas de distancia. Ana soltou um suspiro, absorvendo a informa??o enquanto mantinha o olhar firme na linha das ¨¢rvores ¨¤ frente. ¡ª Pelo menos tivemos sorte ¡ª comentou, sua voz controlada. ¡ª Realmente n?o ¨¦ um ex¨¦rcito t?o grande. Mas isso ¨¦ apenas uma como??o inicial. ¡ª ela fez uma pausa, pensativa. ¡ª Mesmo com nossos n¨²meros maiores, n?o temos for?as suficientes para enfrent¨¢-los fora das muralhas. Essa merda foi repentina demais¡­ ¡ª acrescentou ela, um brilho de irrita??o passando por seus olhos. Miguel assentiu, ajustando o bin¨®culo e olhando para outra dire??o. Foi ent?o que notou a mancha escura que parecia deslizar pelo rio entre as copas das ¨¢rvores, avan?ando devagar, mas constantemente. ¡ª Parece que a rainha de Myrmeceum conseguiu partir com seguran?a. ¡ª No fim aquele idiota realmente decidiu acompanh¨¢-la? ¡ª Sim, o conselheiro Luiz partiu com ela ¡ª Miguel fez uma pausa, recolocando o bin¨®culo em seu cinto e voltando-se para Ana. ¡ª Ele pediu que lhe diss¨¦ssemos que far¨¢ de tudo para ajudar com a guerra. Ana n?o respondeu, mas seus olhos ponderavam sobre as palavras do mentalista enquanto um novo suspiro nascia em seus l¨¢bios. Em meio a correria, nem mesmo teve tempo para despedidas com Niala, mas isso n?o importava muito, pois j¨¢ havia a libertado desde que pisou em terra. A cada segundo, o som dos tambores inimigos se aproximava, espalhando-se pela floresta como trov?es amea?adores. Mesmo a quil?metros de distancia, a intensidade da batida fazia o peito de Ana tremer, reverberando nas ¨¢rvores e penetrando o solo. Cada batida carregava a tens?o do que estava por vir, anunciando que o confronto n?o poderia mais ser evitado. A floresta parecia compartilhar da mesma inquieta??o, como se todos os seres ao redor soubessem que algo sombrio e inexor¨¢vel se aproximava. Por sorte, as dr¨ªades estavam em seu elemento, e seu habitat as fortalecia. Desde que sentiram a presen?a do inimigo se aproximando, come?aram a observar e catalogar cada movimento do ex¨¦rcito invasor, seus n¨²meros e forma??es. Miguel e Ana estavam posicionados no topo da torre mais alta de Ins¨ªdia, o vento cortante da manh? fria chicoteando seus rostos enquanto examinavam a maquete tridimensional que representava o reino. Era uma vis?o sombria e fascinante. Cada movimento de pe?as sobre o tabuleiro era um reflexo direto dos sinais enviados pelo povo verde, e o secret¨¢rio deslizava os dedos pelas miniaturas com uma precis?o calculada. As pe?as representavam tanto as for?as aliadas quanto as inimigas, um mapa dinamico de batalha que lhes oferecia uma compreens?o clara dos movimentos iminentes, permitindo que Ana desse ordens espec¨ªficas para cada divis?o. Felizmente, a prepara??o para a defesa j¨¢ estava em andamento h¨¢ meses, e as for?as de Ins¨ªdia j¨¢ haviam sido alertadas e instru¨ªdas. A reuni?o do dia anterior fora realizada ¨¤s pressas, mas cada detalhe foi cuidadosamente discutido, cada rota, cada estrat¨¦gia, ajustados com a frieza e precis?o de quem sabia que n?o haveria segunda chance. Claro, tal reuni?o n?o se limitou a planejamento, pois a surpresa mais desconcertante surgira ao final, e Ana n?o conseguiu ignorar a inquieta??o que o assunto lhe causou. ¡ª J¨¢ encontraram a Colecionadora? ¡ª perguntou, mantendo o olhar fixo na maquete do reino, perdida nas linhas do fr¨¢gil equil¨ªbrio daquela situa??o. Miguel soltou um suspiro pesado, quase resignado, antes de responder. ¡ª Ainda n?o. Por mais que tenhamos buscado por todos os cantos logo depois do aviso do conselheiro Alex, ningu¨¦m conseguiu encontrar qualquer rastro dela ¡ª ele pausou, franzindo a testa em desconforto. ¡ª ¨¦ como se tivesse simplesmente desaparecido no ar. ¡ª Mantenham as buscas ¡ª Ana cruzou os bra?os, o olhar se estreitando com irrita??o contida enquanto dava a ordem secamente. ¡ª Se algu¨¦m a encontrar, quero saber antes de qualquer um. ¡ª Ela ¨¦ realmente t?o perigosa? A jovem Eva parecia muito agitada enquanto reportava a not¨ªcia.Unauthorized usage: this tale is on Amazon without the author''s consent. Report any sightings. ¡ª N?o mais do que um ex¨¦rcito ¡ª Ana soltou uma risada baixa, embora seu semblante se mantivesse s¨¦rio. ¡ª Mas ela matou alguns membros do meu antigo grupo, e quase conseguiu me matar. Se ela tem interesse nos conselheiros, suponho que pelas armaduras, a situa??o pode decair rapidamente. ¡ª Entendo¡­ Nesse caso, voc¨º tamb¨¦m est¨¢ em perigo, Ana. Quer que eu providencie uma escolta? ¡ª Acha que sou mais fraca do que ela? Miguel balan?ou a cabe?a rapidamente, claramente desconfort¨¢vel. ¡ª N?o quis dizer isso¡­ ¡ª Estou s¨® te provocando ¡ª interrompeu a mercen¨¢ria, antes que ele pudesse se justificar mais. ¡ª Talvez eu realmente seja. Mas n?o se preocupe, provavelmente eu vou estar morta em uma pilha de corpos l¨¢ embaixo antes que tenha a chance de encontr¨¢-la. Miguel franziu o cenho, e sua express?o endureceu. ¡ª Ana, voc¨º n?o deveria ir para o campo de batalha. Sua presen?a aqui ¨¦ essencial para a lideran?a da cidade. N?o podemos arriscar sua vida dessa maneira. A rainha ergueu um dedo, sinalizando para ele encerrar o assunto. Seu olhar era firme, deixando claro que n?o havia espa?o para obje??es. ¡ª N?o ¨¦ uma escolha sua. Minha cidade, meu povo, minha luta. N?o sou do tipo que observa de cima e comanda sem agir. E, sinceramente, n?o suportaria ficar parada enquanto todos se divertem lutando. A conversa foi subitamente interrompida por uma movimenta??o incomum no port?o principal da muralha externa. Em destaque sobre os grandes muros, Garm se apresentava, imponente e solene, como uma est¨¢tua esculpida para a guerra. Seus olhos amarelos faiscavam intensamente, fixos na torre que lan?ava sombras sobre a cidade. ¡ª Chegou a hora ¡ª- murmurou Ana, sentindo o peso do momento. Sem mais rodeios, ativou um pequeno dispositivo em seu ouvido, transmitindo um sinal breve. No port?o, um dos guardas recebeu o comando e se apressou em retirar o comunicador. Com cautela, ele se aproximou do rosto do grande lobo, mantendo o dispositivo pr¨®ximo o suficiente para que a voz de Ana pudesse ser ouvida claramente. ¡ª Tem certeza de que s?o descart¨¢veis? ¡ª a voz dela soou firme, mas a presen?a de ru¨ªdos intermitentes adicionava uma crueza ¨¤ pergunta. Por um breve instante, Garm manteve o encarou a linha de ¨¢rvores ao longe, como se estivesse pesando a pergunta nas pr¨®prias entranhas. Lentamente, virou a cabe?a na dire??o do guarda e do dispositivo, com uma decis?o j¨¢ tomada e uma chama feroz que revelava sua aceita??o do risco. ¡ª N?o enviarei todas as unidades logo de cara ¡ª respondeu o lobo, a voz profunda e ¨¢spera, reverberando em cada pedra das redondezas. ¡ª Os filhotes e algumas f¨ºmeas j¨¢ foram separados para garantir a continuidade da ra?a. Se sobrevivermos a isso, meus guerreiros se levantar?o novamente algum dia. Ana esbo?ou um sorriso frio, um sinal de aprova??o sombria. Ela voltou a infundir uma leve dose de mana no dispositivo, sua energia intensificando a clareza de sua voz enquanto respondia. ¡ª Ent?o, que comece o sacrif¨ªcio. Ao ouvir as palavras, Garm ergueu a cabe?a para o c¨¦u e deixou escapar um uivo longo e poderoso, um comando que atravessava eras, pulsante como o batimento de um cora??o guerreiro. Era um chamado ¨¤ luta, um brado que rasgava o ar e reverberava por toda a floresta, alcan?ando cada ser vivo ao redor com uma intensidade inescap¨¢vel. O uivo de um l¨ªder, um sinal de sacrif¨ªcio e honra, convocando seus seguidores a uma batalha sem garantias de retorno. A resposta foi instantanea. Centenas de uivos emergiram em un¨ªssono, criando uma sinfonia brutal e primitiva, carregada de promessas de lealdade e viol¨ºncia iminente. O som espalhou-se pelas muralhas e inflamou os cora??es dos soldados humanos que aguardavam ansiosos na linha de defesa, contagiados pela determina??o feroz das criaturas ao seu lado. Os lobos cinzentos, com seus corpos retorcidos, mas fortes, saltaram das sombras e se alinharam nas fronteiras da cidade, suas silhuetas misturando-se com a folhagem. Olhos faiscando, m¨²sculos tensos e pelos eri?ados. O frio da manh? parecia congelar aquele momento, mas o calor das respira??es aqueciam o campo, antecipando o caos. Com um grunhido seco e implac¨¢vel, Garm lan?ou a ordem final. A primeira onda de matan?a explodiu da linha de lobos, avan?ando com uma ferocidade avassaladora em dire??o ao inimigo. Quer apoiar o projeto e garantir uma c¨®pia f¨ªsica exclusiva de A Eternidade de Ana? Acesse nosso Apoia.se! Com uma contribui??o a partir de R$ 5,00, voc¨º n?o s¨® ajuda a tornar este sonho realidade, como tamb¨¦m faz parte da jornada de um autor apaixonado e determinado. ?? Venha fazer parte dessa hist¨®ria! ?? Apoia-se: https://apoia.se/eda Discord oficial da obra: https://discord.com/invite/mquYDvZQ6p Galeria e outros links: https://linktr.ee/eternity_of_ana
Capítulo 143 - Primeiro Impacto
A floresta densa ao redor ecoava o som ensurdecedor dos tambores de guerra. N?o eram tambores comuns, mas colossais, gravados com intrincadas runas que pulsavam a cada batida, como se amplificando-as atrav¨¦s da mana. Cada pulsar reverberava no ch?o, enviando ondas de tens?o para o pr¨®prio cora??o do ex¨¦rcito em marcha. Mais de tr¨ºs mil guerreiros avan?avam com rostos endurecidos para onde sabiam que a vit¨®ria os esperava. O port?o principal de Ins¨ªdia era o alvo. Apesar de todas as defesas e do fosso ao redor, aquele ponto era a entrada mais vulner¨¢vel na fortaleza. O plano era simples: destru¨ª-lo e invadir a cidade, abrindo caminho com pura for?a esmagadora. A moral estava alta, e as armas dos ca?adores, afiadas e refletindo a luz do amanhecer, criavam uma imagem poderosa. Escudos brilhantes, lan?as erguidas e espadas reluzentes se moviam com anima??o. Seus inimigos tinham mais que o dobro de seus n¨²meros, com uma popula??o estimada em mais de dez mil habitantes. No entanto, os soldados confiavam na superioridade estrat¨¦gica e no intenso treinamento militar que os definia. Mesmo armados, o povo de Ins¨ªdia era composto, em sua maioria, de civis adaptados ¨¤ vida cotidiana. Tal disparidade fazia os olhos dos ca?adores de Barueri brilharem com a oportunidade clara de gl¨®ria f¨¢cil. Havia tamb¨¦m o fato de que, embora os corrompidos fossem abundantes, a muta??o que os afetava privava muitos deles de habilidades cruciais que a humanidade pura possu¨ªa. Muitos n?o apresentavam caracter¨ªsticas f¨ªsicas ou habilidades vantajosas no campo de batalha e, acima de tudo, haviam perdido a capacidade de manifestar mana, uma limita??o cr¨ªtica que os colocava em ainda mais desvantagem. ¡ª Tem alguma coisa errada ¡ª murmurou um dos soldados, sua voz quase inaud¨ªvel em meio ¨¤s intensas batidas das botas contra o solo. Tal frase foi apenas o in¨ªcio dos muitos sussurros inc?modos que preencheram o ar. No come?o, notaram apenas alguns vultos espreitando nas bordas da forma??o, t?o r¨¢pidos que podiam ser confundidos com sombras projetadas pelas ¨¢rvores. Mas, aos poucos, os vultos se multiplicaram, e os ca?adores piscavam continuamente, achando que aquilo podia ser uma simples ilus?o. ¡ª Mantenham o ritmo! O general Roldan, l¨ªder da guilda dos Brutos de Ferro, estava respons¨¢vel pela lateral direita do ex¨¦rcito. Sua postura era firme e imponente, mas at¨¦ ele sentia o peso daquela atmosfera opressiva. Foi em meio a tentativa de manter a ordem, que, de repente, um grito cortou o ar. ¡ª Aaaah! Os tambores cessaram, e o sil¨ºncio pesado se instalou, envolvendo os soldados como um v¨¦u de chumbo. Apenas as respira??es pesadas e o leve ranger das armaduras quebravam o clima tenso. Aquele que havia gritado n?o estava mais l¨¢; seu lugar estava vazio, e a vegeta??o ao redor tremia violentamente. ¡ª O que foi isso? ¡ª murmurou um dos capit?es, seus dedos apertando o punho da espada at¨¦ os n¨®s dos dedos ficarem brancos. A resposta foi apenas um longo uivo, um som que rasgou o ar como uma lamina, fazendo com que at¨¦ os soldados mais experientes segurassem o ar por um instante. Logo outros uivos se juntaram, um coro crescente e amea?ador que parecia vir de todas as dire??es. Os soldados de Barueri come?aram a trocar olhares de apreens?o, cada um tentando entender de onde o ataque viria. ¡ª Lobos Cinzentos! Eles nos cercaram! ¡ª algu¨¦m bramiu, recuando instintivamente, mas sendo repentinamente pego antes que pudesse reagir. Os olhos da criatura eram ferozes e penetrantes, o soldado tentou desferir um golpe de retalia??o, mas ela desviou com uma agilidade inesperada, atacando de volta e cravando os dentes no bra?o dele. Ele gritou, sentindo o osso quebrar sob a press?o da mordida, e caiu no ch?o enquanto o lobo o arrastava para os arbustos. Em apenas um segundo a floresta inofensiva se transformou em um verdadeiro pesadelo. Cenas semelhantes ao primeiro ataque eram vistas por todos os lados, com sangue manchando a vibrante vegeta??o. De forma organizada, os lobos isolaram pequenos grupos, separando-os da forma??o principal. As tropas dos puros, que momentos atr¨¢s eram uma for?a ordenada e unida, agora se fragmentavam, cada um tentando defender-se como podia. ¡ª Formem um c¨ªrculo! Protejam-se! ¡ª bradou o general Roldan, tentando manter a calma e reunir seus homens. Os soldados tentaram obedecer, unindo-se para criar uma barreira defensiva, mas os lobos eram astutos. Eles sabiam exatamente onde atacar. Moviam-se nas sombras, atacando com precis?o e ferocidade, desaparecendo t?o rapidamente quanto surgiam. Os soldados ergueram seus escudos, mas o impacto ainda assim foi esmagador. As garras afiadas rasgavam as armaduras, e as presas, t?o fortes quanto metal, cravavam-se na carne em um frenesi selvagem. Os inimigos n?o eram apenas animais; eram guerreiros por direito pr¨®prio, cada um disposto a se sacrificar pela ordem do lobo alfa. Eles corriam entre as fileiras, e mesmo quando feridos e sangrando, continuavam a lutar, a morder e dilacerar, como se a dor fosse apenas um detalhe. A cacofonia de viol¨ºncia se espalhou pelo campo. Humanos e feras ca¨ªam, suas vozes criando uma atmosfera opressiva que parecia engolir a pr¨®pria floresta. Jasmim se movia entre os ca?adores, e em um instante, encontrou-se lado a lado com Roldan, ambos com express?es de determina??o e uma pitada de divers?o fria em seus olhos. ¡ª Parece que resolveram nos atacar com tudo logo de in¨ªcio, hein? ¡ª Roldan sorriu, o sarcasmo pingando de sua voz enquanto erguia a lamina para bloquear um golpe lateral. ¡ª Um ataque desesperado de criaturas idiotas ¡ª Jasmim replicou, enquanto cortava o ar com um golpe preciso, sua lamina arrancando a perna de um lobo que ousou chegar perto demais. O animal caiu com um grito rasgado, mas o olhar da l¨ªder de guilda j¨¢ estava fixo nos pr¨®ximos oponentes. ¡ª Vamos acabar com isso de uma vez. Ela ergueu a voz, dominando o ru¨ªdo do campo de batalha ao seu redor. ¡ª Forma??o Escudo Prateado! ¡ª ordenou. Imediatamente, os ca?adores sob seu comando come?aram a se alinhar, criando uma muralha de escudos e lan?as que bloquearia qualquer avan?o frontal. Roldan observou os ca?adores de Jasmim assumirem a posi??o e riu, chamando a pr¨®pria guilda ao combate com um tom ir?nico e desdenhoso. Mesmo com os cont¨ªnuos abates, o panico n?o havia tomado conta de suas fileiras. Sabia que seus ca?adores eram bem treinados o suficiente para resolver a situa??o. ¡ª Vamos l¨¢, brutos! Organizem-se! Abram espa?o para os J¨®queis! Enquanto falava, ele manteve o olhar fixo nos lobos, observando-os com um ceticismo crescente. As feras se moviam com uma precis?o estranha para criaturas ditas irracionais. Unauthorized content usage: if you discover this narrative on Amazon, report the violation. ¡ª Acha que eles est?o criando essas feras? Se tiverem domadores nas fileiras, as coisas podem se complicar um pouco. ¡ª J¨¢ ouviu falar de algum domador vivendo nas redondezas? ¡ª perguntou Jasmim em tom de zombaria. ¡ª Pelo que soube, nem mesmo na capital tem muitos deles. ¡ª Voc¨º est¨¢ certa. Devo estar pensando demais ¡ª riu Roldan, terminando de organizar suas tropas. Seus esquadr?o central, os J¨®queis, montados em grtandes monstros de armadura pesada, iniciaram um intenso cavalgar, formando uma carga devastadora. Estavam apenas girando por entre as ¨¢rvores, sem rumo, mas mesmo isso j¨¢ era o suficiente para esmagar os ossos dos lobos que ousaram entrar em seu caminho. Em outros locais, as demais guildas iniciavam suas pr¨®prias estrat¨¦gias, mantendo a mesma calmaria da dupla de l¨ªderes. Na ala esquerda do ex¨¦rcito, a Guilda dos Grifos avan?ava com a for?a de uma rajada de vento. Em um ataque devastador, os cavaleiros leves perseguiram diretamente as feras com afiadas lan?as, dispersando-as por alguns segundos. Ao fundo, os Silenciosos se juntaram a guilda Ventos Livres, se fazendo de iscas para que poderosas flechas atravessassem os flancos das criaturas. Jasmim tomou a dianteira, e sua muralha de escudos avan?ava diretamente para qualquer criatura que se aproximasse com for?a implac¨¢vel. Partes das criaturas eram decepadas sem hesita??o, e seus cranios esmagados em seguida, como se n?o passasse de uma tarefa banal para seu grupo. Manipuladores de mana em todas as cinco guildas acabaram por se reunir no centro, criando prote??es diversas quando poss¨ªvel. Os animais eram r¨¢pidos, ¨¢geis demais para que as suas manifesta??es os acompanhassem. Desta forma, eram incapazes de enfrentar os lobos em combate direto, deixando tudo para os guerreiros na linha de frente. Aos poucos, o ataque, que come?ou com uma grande quantidade de baixas dos puros, tomou o rumo contr¨¢rio. As duas centenas de lobos cinzentos enviados por Ins¨ªdia ainda avan?avam com ferocidade contra as forma??es das guildas, no entanto, cada vez mais rapidamente come?aram a cair sob as afiadas armas dos humanos. Claro, mesmo na morte iminente, garantiriam que sempre ao menos um soldado fosse arrastado com eles para o t¨²mulo, como se um pacto cruel estivesse selado entre os dois lados. Garm observava de longe, uma apreens?o pesada nublando seu olhar. Ele sabia que aquela investida era, como Ana insistiu em deixar claro, apenas um sacrif¨ªcio, parte de uma estrat¨¦gia maior; o objetivo alinhado com os demais conselheiros era que deveriam derrubar ao menos quinhentos soldados inimigos antes de recuar. Mesmo n?o sendo uma quantidade t?o grande, j¨¢ era mais que o suficiente para um batalh?o de criaturas rank C. Mas ouvir os gritos agoniados de seus companheiros, os gemidos sangrentos e os rosnados de f¨²ria, fazia o cora??o do lobo negro apertar com uma dor que ele jamais admitiria em voz alta. A tens?o acumulada transbordou. Garm rosnou, seus m¨²sculos se enrijecendo. Em um salto poderoso, ele lan?ou-se ¨¤ frente, seu corpo imenso aterrissando no meio do campo de batalha com a intensidade de uma tempestade. Vendo a aproxima??o, um dos ca?adores de posi??o elevada, assustado, tentou dar um golpe com sua lan?a, mas o lobo desviou, avan?ando rapidamente sobre ele e derrubando-o no ch?o. Com uma mordida precisa, Garm rasgou o capacete do homem, expondo seu rosto antes de atac¨¢-lo de novo, destro?ando sua face como se despejasse seu reprimido e feroz ¨®dio. Logo voltou a saltar em dire??o a outros grupos. Mesmo quando juntos, suas garras dilaceravam armaduras e carne em um movimento fluido e brutal. Suas investidas eram calculadas, eliminando v¨¢rios soldados antes que qualquer um conseguisse revidar. Sempre que o perigo se intensificava, Garm recuava para se reposicionar, mantendo-se em movimento constante, um verdadeiro predador no caos. Entre um avan?o e outro, soltava altos uivos, dando ordens para os dispersos lobos menores se reorganizarem. Sempre que o fazia, outras dezenas de uivos ecoavam, distribuindo as orienta??es por todo o local. Cada fera rapidamente mudava de posi??o, e seus padr?es se tornavam aos poucos cada vez mais refinados. Eles estavam se adaptando, fazendo at¨¦ mesmo a firme forma??o Escudo Prateado come?ar a ceder sob a press?o constante dos ataques coordenados. A t¨¢tica dos Ventos Livres, que antes mantinha os lobos ¨¤ distancia, come?ou a falhar, pois as feras haviam aprendido a ignorar os movimentos ilus¨®rios. E mesmo os Brutos de Ferro, que avan?avam com f¨²ria implac¨¢vel, foram for?ados a recuar para manter sua linha, enquanto os Grifos eram flanqueados pelas feras. A floresta tornara-se um jogo de xadrez, onde cada lado ajustava suas t¨¢ticas em tempo real para eliminar o m¨¢ximo de inimigos poss¨ªveis. Foi em meio a este frenesi que o olhar do l¨ªder lobo finalmente se cruzou com o de Jasmim. Por um momento, ambos ficaram parados, como se o tempo houvesse congelado ao redor deles. A l¨ªder da guilda arregalou os olhos, surpresa ao ver o lobo gigante ali, lutando pelo inimigo. Seus pensamentos corriam enquanto ela varria o campo de batalha com os olhos, procurando por uma figura familiar. Foi ent?o que avistou L¨²cia, lutando muito ao fundo, alheia ¨¤ presen?a de seu antigo companheiro. ¡°Se o lobo est¨¢ lutando pelos mascarados¡­ ent?o Ana deve estar l¨¢ tamb¨¦m¡±, pensou ela, deduzindo rapidamente o contexto da presen?a do animal na linha de frente. Um sorriso trai?oeiro curvou seus l¨¢bios. ¡ª Eu devia ter te matado logo nos primeiros dias, lobo. Garm a encarou por um instante, indeciso sobre disparar em sua dire??o ou n?o. Manteve passos laterais, circundando a l¨ªder da guilda, pronto para disparar no menor sinal de abertura. ¡ª N?o lobo. Me chamo Garm. A express?o de Jasmim ficou repentinamente fria, e sua espada se ergueu em dire??o ¨¤ grande fera. ¡ª Olha s¨®¡­ Quem diria que voc¨º evoluiria a ponto de conseguir falar em apenas um ano¡­ ¡ª come?ando a correr, a mulher ergueu a voz. ¡ª Todos! Foquem no lobo negro! A instru??o de Jasmim foi obedecida sem hesita??o. Em segundos, as centenas de ca?adores dos Escudos de P¨¦talas convergiu contra Garm. Flechas zumbiam em sua dire??o, cada uma mais precisa que a anterior. Guerreiros se lan?avam contra ele, lan?as e espadas em punho. Garm se movia com agilidade, desviando dos ataques com saltos e ocasionalmente se defendendo com suas pr¨®teses, mas o cerco se fechava rapidamente. Ele sabia que n?o poderia enfrentar aquela investida direcionada por muito tempo. Ap¨®s derrubar mais alguns inimigos, com um rosnado frustrado, recuou, abrindo uma passagem em meio aos soldados, deixando um rastro de corpos abatidos enquanto a exaust?o come?ava a pesar em seus m¨²sculos. Um ¨²ltimo uivo de comando soou, e os poucos lobos restantes se reagruparam, correndo ao seu lado a uma velocidade absurda de volta para a cidade. Atr¨¢s deles, os ca?adores eliminaram os que n?o conseguiram escapar com uma frieza implac¨¢vel. Os minutos pareciam passar devagar, e ao conseguirem finalmente retornar, Garm saltou com seu pequeno grupo, de apenas uma d¨²zia de sobreviventes, para a caverna oculta abaixo da ponte. ¡°O sacrif¨ªcio de voc¨ºs n?o ser¨¢ em v?o¡±, pensou o grande lobo para si mesmo, Ele sabia que precisava sobreviver para liderar os que restavam, e mesmo em meio ¨¤ tristeza pela perda de tantos subordinados, sua determina??o era inabal¨¢vel. Com um ¨²ltimo esfor?o, derrubou as paredes de entrada, selando o local. N?o podia deixar que o acesso ao subterraneo da cidade chegasse ¨¤s m?os do inimigo. ¡°Espero que tenhamos conseguido fazer o suficiente, Ana¡­¡± Indiferentes aos passos pesados do lobo, a n?o tantos quil?metros de distancia, o som dos tambores voltou a ecoar, como uma trilha macabra que acompanhava a alta moral dos ca?adores ap¨®s a aparente vit¨®ria inicial, reiniciando a marcha em dire??o aos altos port?es da cidade mascarada. Quer apoiar o projeto e garantir uma c¨®pia f¨ªsica exclusiva de A Eternidade de Ana? Acesse nosso Apoia.se! Com uma contribui??o a partir de R$ 5,00, voc¨º n?o s¨® ajuda a tornar este sonho realidade, como tamb¨¦m faz parte da jornada de um autor apaixonado e determinado. ?? Venha fazer parte dessa hist¨®ria! ?? Apoia-se: https://apoia.se/eda Discord oficial da obra: https://discord.com/invite/mquYDvZQ6p Galeria e outros links: https://linktr.ee/eternity_of_ana
Capítulo 144 - A Sinfonia da Resistência
¡ª Aumentem o ataque no flanco direito ¡ª ordenou Ana, transmitindo instru??es rapidamente. ¡ª N?o deixem que eles se aproximem dos port?es principais. As muralhas de Ins¨ªdia eram uma fortaleza viva, e o ataque era incessante, com trabucos e catapultas lan?ando pedras e proj¨¦teis afiados em dire??o ao ex¨¦rcito de Barueri. Dos parapeitos, flechas e lan?as enfeitavam o ar, transformando a ¨¢rea em um campo minado de metal e destro?os. As tropas com menos aptid?o ao combate corpo a corpo foram as designadas para aquele tipo de defesa. Ajustavam os angulos das armas e mantinham a alta frequ¨ºncia dos ataques, com cada pedra lan?ada descendo como um cometa. Infelizmente, apenas destru¨ªram o terreno em volta dos soldados inimigos, pois os quase seiscentos manipuladores de mana de Barueri levantavam barreiras invis¨ªveis para desvi¨¢-las antes que os ataques mais letais atingissem suas forma??es. Sob sua prote??o,era dif¨ªcil para Ins¨ªdia infligir danos profundos ¨¤s for?as, e os ca?adores fortalecedores mantinham-se relativamente intocados, protegidos. "Eles est?o bem coordenados", pensou a rainha mercen¨¢ria em uma admira??o contida, notando a sincronia entre os muitos batalh?es de seu oponente. "Eu deveria estar l¨¢ embaixo..." Seu olhar estava fixo no campo de batalha. Sua postura era tensa e atenta, cada fibra de seu ser instigada pela vontade de entrar na luta, mas sabia que sua presen?a estrat¨¦gica ali era crucial naquele primeiro momento. Seus inimigos eram disciplinados, moviam-se em bloco e com a firmeza de um ex¨¦rcito que n?o hesitava em sacrificar o avan?o em favor da defesa. ¡ª Direcione os trabucos para o centro das tropas! ¨C ela ordenou, de repente. ¡ª Forcem-nos a recuar as defesas ou quebrar a forma??o. Se recuarem, teremos mais tempo; se hesitarem, nossas flechas os alcan?ar?o. Os artilheiros nas muralhas rapidamente ajustaram as m¨¢quinas de guerra conforme o comando, redirecionando os ataques para a espinha dorsal do ex¨¦rcito. Cada lan?amento que ca¨ªa abria buracos profundos no solo, tornando-o cada vez mais dif¨ªcil de atravessar e limitando as manobras. Ainda assim, o problema foi resolvido rapidamente, espalhando um pouco mais os manipuladores por entre os guerreiros. Tal t¨¢tica ocasionalmente abria brechas para acertos, mas ainda era efetiva em manter a investida. As m?os da mercen¨¢ria apertaram o parapeito da janela com for?a ao ver, mesmo que lentamente, passos continuarem a ser dados. O campo estava prestes a se acirrar, e o reino todo parecia respirar em un¨ªssono. ¡ª Quero que voc¨º v¨¢ ao Madame Eclipse, Miguel ¡ª comentou a mulher, quase em um sussurro. ¡ª Fa?a como combinamos, se proteja e proteja o local. Irei me juntar ¨¤s fileiras em alguns minutos. ¡ª Se me permitir, gostaria de esperar ao seu lado, An¡­ minha senhora. A rainha sorriu pelo t¨ªtulo que a tempos n?o ouvia, um sinal claro de rebeldia de seu subordinado. Balan?ando a cabe?a em uma zombaria interna, ela ignorou o teimoso secret¨¢rio mascarado, caminhando em dire??o a um grande dispositivo, onde um pequeno microfone repousava. Era um grande improviso, tendo mais tecnologia moderna do que engenharia m¨¢gica. A m¨¢quina estava ligada por cabos a centenas de grandes caixas de som distribu¨ªdas por toda a cidade, e as poucas runas absorviam a mana do usu¨¢rio apenas para energiz¨¢-las. Com gestos despreocupados, Ana deu tr¨ºs batidinhas no microfone, provocando um zumbido agonizante que fez todo o reino franzir a testa. Ela riu baixo, dando de ombros pelo pequeno erro, e, com um movimento solene, ativou o dispositivo completamente. Antes que falasse, Ana se permitiu um instante de sil¨ºncio, uma pausa carregada de significado. E ent?o, o campo de batalha, at¨¦ ent?o ensurdecedor pelo barulho das m¨¢quinas de guerra e dos tambores, foi dominado por sua voz imponente, que ressoou atrav¨¦s das paredes e sobre as grandes colinas. ¡ª A HORA CHEGOU, MEUS GUERREIROS! A voz n?o era apenas um comando; era um chamado, uma convoca??o, uma senten?a. Em toda Ins¨ªdia, gritos de aprova??o e sorrisos selvagens surgiram. Eram homens e mulheres de todas as origens e formas, unidos pela mesma causa: proteger o lar que constru¨ªram contra a amea?a invasora. Ana continuou, deixando o tom firme e solene. Ap¨®s um breve inc?modo nos t¨ªmpanos, optou por abandonar os gritos, mantendo sua fala em um ritmo mais calmo, mas n?o menos imponente. ¡ª Hoje, lutamos n?o apenas pela sobreviv¨ºncia, mas pelo direito de sermos quem somos! O direito de viver em paz, sem medo do que vem pela frente! Ela fez uma pausa, permitindo que suas palavras se assentassem no ar, como uma chama que crescia devagar antes de um grande inc¨ºndio. Seus olhos percorreram a cidade, cada pr¨¦dio, cada rua, cada jovem segurando uma espada. Os bestiais, com seus corpos imponentes e m¨²sculos tensionados, batiam nos peitos com for?a, invocando coragem enquanto recitavam canticos que remetiam a sua aldeia desolada. At¨¦ os soldados mais jovens repetiam as palavras com olhos fechados, em uma comunh?o final com as for?as invis¨ªveis que acreditavam os proteger. Montados em suas ferozes ovelhas, suas figuras imponentes, com armaduras simples, mas de apar¨ºncia indestrut¨ªvel, refletiam o esp¨ªrito selvagem de guerreiros que nasceram para a luta. Desde que a mana os corrompeu, n?o sabiam mais o que era viver sem guerra, e essa batalha era apenas mais uma das muitas que haviam enfrentado para garantir o direito de existir. ¡ª Eles chamam voc¨ºs de monstros, e, ao menos hoje, ¨¦ isso que precisamos nos tornar. No entanto, n?o traremos terror, mas sim liberdade! As muitas cores dos escamosos brilhavam em todos os cantos, com cicatrizes de batalhas antigas e recentes marcando suas peles como medalhas. N?o eram habitantes oficiais de Ins¨ªdia, mas, sabe-se l¨¢ quando, passaram a gastar mais tempo no novo reino do que em seu pr¨®prio territ¨®rio. Preparavam-se para a batalha de sua pr¨®pria maneira, com pinturas de guerra que marcavam seus rostos e rodas de briga cheias de bebidas, onde suas m?os afiadas e impiedosas se moviam com destreza em confrontos cheios de risos e empurr?es disfar?ados de aquecimento. Os generais, figuras sombrias e imponentes, eram os l¨ªderes deste povo, e observavam seus soldados com um olhar que misturava aprova??o e vigilancia, garantindo que tudo estava no lugar certo. A pele escura de Leandro reluzia sob uma luz fria enquanto abra?ava pela ¨²ltima vez sua esposa, e, com um carinho descuidado, bagun?ava o cabelo de sua filha Lana. N?o tinha o fugaz sonho de conseguir voltar em seguran?a, faria de tudo para que sua fam¨ªlia ficasse bem. Encarando a torre onde a estranha rainha mascarada discursava, ergueu sua caneca de cerveja, s¨ªmbolo de uma camaradagem que nasceu ao conviver com o povo deste reino. Com um ¨²ltimo longo gole, ele sorriu, e ent?o soltou a caneca, voltando a pegar sua lan?a e a afiar com uma precis?o quase ritual¨ªstica. ¡ª N?o somos apenas um ex¨¦rcito. Somos um s¨ªmbolo de resist¨ºncia, de for?a e de honra! E quem tentar nos parar, ser¨¢ esmagado pela nossa presen?a! O pequeno ex¨¦rcito de elite de Alex e Fernando estava afastado, preparado para a batalha. O comando de Ana os separava da linha de frente, mas n?o os exclu¨ªa. N?o havia medo em seus olhos. Eles estavam prontos, suas armaduras refletindo a luz dourada da manh?. O calor da batalha os chamava, e nenhum deles hesitaria quando o momento chegasse. As est¨¢tuas mascaradas os cercavam, guerreiros que se erguiam ao lado de seus comandantes. Estas figuras, armadas at¨¦ os ossos, eram seres quase m¨ªsticos na cidade. Suas armaduras estavam incrustadas diretamente em suas peles, e ouviam o discurso de sua rainha com uma determina??o t?o feroz quanto a vontade de lutar que transmitiam. ¡°Os incans¨¢veis¡± era como os chamavam, e o simples ato de estarem ali, im¨®veis e prontos para a batalha, fazia os cora??es dos observadores ao redor pularem com uma nova e intensa energia. Eles eram a ess¨ºncia do reino de Ins¨ªdia, e cada m¨¢scara uma representa??o de que, neste local, todos eram o mesmo. ¡ª A luta n?o ser¨¢ f¨¢cil, e a morte estar¨¢ conosco o tempo todo. Que o nosso sangue, se necess¨¢rio, seja o alicerce desta cidade. Mas que nossa esperan?a seja o que nos fa?a seguir em frente, at¨¦ o ¨²ltimo suspiro, at¨¦ o ¨²ltimo grito! As dr¨ªades moviam-se como sombras elegantes entre as fileiras dos guerreiros, trazendo consigo uma aura de tranquilidade e mist¨¦rio. Suas passadas eram leves, e a forma como deslizavam entre espadas e lan?as fazia parecer que dan?avam, como se a batalha fosse apenas uma parte de um evento sagrado. Em suas m?os, carregavam pequenos recipientes de madeira, esculpidos de forma intrincada com s¨ªmbolos da natureza.Ensure your favorite authors get the support they deserve. Read this novel on the original website. Ofereciam aos soldados uma bebida de cor amarronzada, algo entre um ch¨¢ amargo e um licor misterioso. O l¨ªquido parecia brilhar suavemente sob a luz, e cada gole trazia uma sensa??o de calma e coragem inesperadas, afastando o medo e a ansiedade que haviam se acumulado antes da batalha. Os guerreiros, por mais endurecidos ou nervosos que estivessem, aceitavam a oferenda do povo verde, sentindo que ali havia um peda?o da pr¨®pria floresta os fortalecendo. N?o s¨® com o estranho elixir auxiliava o grupo de dr¨ªades, j¨¢ que no ouvido de cada habitante murmuravam frases quase musicais atrav¨¦s de seus pequenos r¨¢dios, uma reza para o al¨¦m para que protegessem aquelas pessoas. Era como uma b¨ºn??o silenciosa, uma promessa de que o mundo estaria ao lado deles no campo de batalha. O comportamento se repetiu por toda a cidade, com cada povo seguindo seus pr¨®prios rituais, infundindo o ar com um misticismo carregado de prop¨®sito. Alguns guerreiros passavam panos escurecidos sobre suas laminas, como se selassem pactos silenciosos com suas armas, tornando-as extens?es de suas pr¨®prias almas. Outros mantinham pequenas bolsas de brasas em seus bolsos, um calor discreto, mas constante, que parecia incendiar seus esp¨ªritos para o combate. Podia-se ver tamb¨¦m alguns que tra?avam s¨ªmbolos de prote??o na palma das m?os, r¨¢pidos gestos que acreditavam ser uma defesa invis¨ªvel contra o perigo. Ana sorriu para si mesma ao ouvir os excitados gritos de resposta reverberarem pelos c¨¦us ap¨®s suas curtas, por¨¦m incisivas palavras. Apesar de seu usual controle, n?o p?de evitar o calor que subiu ¨¤s bochechas ap¨®s o vergonhoso discurso, trazendo um raro rubor que, felizmente, ficava oculto sob sua m¨¢scara. Com um resmungo divertido, ergueu a cabe?a e virou-se para a multid?o fervilhante abaixo. A antecipa??o brincava em seus l¨¢bios enquanto segurava o microfone, com um toque de humor que permanecia, mesmo em meio ¨¤ tens?o crescente. ¡ª Ah, quase me esqueci ¡ª come?ou, com uma nota teatral na voz. ¡ª Muitos anos atr¨¢s, aprendi que toda boa batalha precisa de uma m¨²sica! Pressionando um pequeno bot?o, e os alto-falantes liberaram uma melodia envolvente, o som de um ala¨²de ecoando com uma do?ura intensa que parecia acariciar os sentidos, mas com uma for?a subjacente que prometia gl¨®ria e luta. A m¨²sica crescia em intensidade, envolvendo Ins¨ªdia em uma aura de puro desafio. Ent?o, ao fundo da grava??o, surgiu uma voz bem conhecida, recitando uma prosa que unia a suavidade de um sussurro com a intensidade de uma tempestade. N?o havia uma pessoa que n?o sorrisse ao ouvir aquele tom ¨²nico, carregado de emo??o e uma selvageria peculiar. Nyx, mesmo sendo uma Sombra, conquistara o cora??o de todos. O medo instintivo que sua presen?a outrora evocara havia desaparecido ao longo dos meses, substitu¨ªdo por uma admira??o genu¨ªna. A sorridente conselheira era agora uma das figuras mais queridas de todo o reino, e n?o havia arrependimento na possibilidade de morrer com sua voz ressoando nos ouvidos.. ¡ª Voc¨ºs s?o Ins¨ªdia! ¡ª bradou Ana, com uma energia vibrante e eletrizante que transpassava a pr¨®pria m¨²sica, contagiando a todos. ¡ª V?o l¨¢ e vivam! Mas, se ca¨ªrem¡­ que seja mordendo a jugular deles! O som do ala¨²de atingiu um cl¨ªmax, preenchendo o ar com uma intensidade quase palp¨¢vel. Ana respirou fundo, permitindo que o peso do momento se instaurasse, a tens?o dan?ando no ar como uma for?a viva. De forma instintiva, os guerreiros fecharam os olhos, deixando a melodia adentrar seus corpos tensos, aquecendo-lhes os cora??es. At¨¦ mesmo as montarias, como se tomadas pelo mesmo esp¨ªrito, batiam as patas no ch?o em uma cad¨ºncia que se mesclava ¨¤ m¨²sica, criando uma trilha r¨ªtmica quase tribal. A rainha tamb¨¦m fechou os olhos por um breve instante, buscando um momento de comunh?o silenciosa com Ins¨ªdia. Ela n?o se importava tanto com a cidade, seu povo era apenas um detalhe relativamente inc?modo, mas ainda assim prometeu a si mesma que, ao menos nesta batalha, nenhum deles seria esquecido, independentemente do desfecho. Voltando a abrir os olhos, fez um pequeno sinal com a m?o, e Miguel, que permanecia ali com olhos encantados, fez um sinal da janela para o pr¨®ximo grupo iniciar o planejamento. No mesmo instante, do alto das muralhas, os poucos manipuladores de mana, representando menos de um d¨¦cimo dos manipuladores do ex¨¦rcito de Barueri, subiram e assumiram suas posi??es defensivas. Eram um povo corrompido n?o muito diferente dos humanos antigos, desde que, claramente, fossem desconsideradas suas peles e olhos de um intenso amarelo, fei??es faciais um pouco achatadas e o estranho costume de evitarem ao m¨¢ximo qualquer tipo de refei??o salgada. Felizmente, suas veias estavam intactas. Os trabucos n?o pararam seu ataque, por¨¦m, o ex¨¦rcito inimigo estava perto demais para que Ins¨ªdia arriscasse uma ofensiva com manifesta??es, sabiam que um ataque direto seria repelido com facilidade pelos puros, ent?o, dessa vez, era sua miss?o defender. Seus olhos amarelados brilharam com determina??o, cada um deles sabia o que estava em jogo. Um manifestador de Barueri, finalmente vendo a oportunidade, deixou de defender e lan?ou a primeira bola de fogo sobre o muro, deixando um rastro de fuma?a enquanto voava em dire??o ¨¤ cidade. Antes que pudesse de fato atingir o alvo, uma fina barreira de ¨¢gua foi erguida por um dos guerreiros da cidade mascarada, bloqueando-a com precis?o. O vapor se espalhou pelo ar, e quando se dissipou, revelou o brilho de centenas de novas manifesta??es de mana surgindo em dire??o ¨¤ cidade, tornando o c¨¦u em um belo e perigoso campo de estrelas. Os manipuladores de Ins¨ªdia reagiram rapidamente, invocando novas barreiras e escudos com toda a for?a que possu¨ªam, camadas finas, mas poderosas, dos mais variados elementos que bloqueavam os m¨²ltiplos ataques inimigos. Sangue escorreu pelos cantos de suas bocas, e suas m?os tremiam conforme exauriam o m¨¢ximo de sua mana. Mas eles n?o desistiram, pois sabiam ser os ¨²nicos que podiam oferecer essa defesa. Para eles, cada segundo conquistado era uma vit¨®ria. Se conseguissem fazer o inimigo desperdi?ar sequer uma gota a mais de mana, seu sacrif¨ªcio seria v¨¢lido. Estavam dispostos a morrer por todos que permaneceram atr¨¢s daquelas muralhas e, um a um, ca¨ªram, mas n?o antes de criarem um intervalo precioso. Foi ap¨®s poucos minutos que o ¨²ltimo dos manipuladores finalmente cedeu, desmaiando com espuma saindo de sua boca. Como se tal ato honroso fosse um sinal, cordas de arcos foram puxadas ao limite por um grupo especial de arqueiros. Eva, posicionada no topo de uma torre, segurava sua arma com orgulho. Havia um sil¨ºncio reverente ao seu redor, e, naquele instante, ela se tornou o s¨ªmbolo da resist¨ºncia Ins¨ªdia. Sem pressa, ela ergueu a flecha, permitindo que o mundo ao redor visse sua inten??o. Pouco a pouco, seu arco riscava elegantes runas nela, fazendo o objeto emitir um brilho de um vermelho t?o intenso quanto o de seus cabelos. Abaixo dela, o restante dos arqueiros tomaram seus lugares nos telhados e nas torres, aguardando o comando. N?o possu¨ªam arcos especiais, mas suas flechas carregavam runas improvisadas, prontas para causar estrago. ¡ª Esperem mais um pouco ¡ª sussurrou a jovem, fechando os olhos e concentrando mana em seus ouvidos. De repente, um som abafado de corneta ecoou ao longe. Qualquer outro teria ignorado, mas a garota estava atenta. Embaixo da terra, o estranho povo escavador captava com precis?o as vibra??es do ex¨¦rcito de Barueri. Eram pessoas curvadas e pequenas, e sua frequente viv¨ºncia no subterraneo os tornou quase cegos ap¨®s a transforma??o da mana. Apesar de suas m?os possu¨ªrem garras e terem uma concentra??o acima da m¨¦dia, n?o eram adequados para o campo de batalha e, desta forma, sua miss?o era apenas dar o sinal quando cada se??o dos invasores atingissem a posi??o exata. Felizmente, fizeram tal tarefa com excel¨ºncia. ¡ª Disparar! ¡ª gritou a pequena conselheira raposa, soltando a flecha. Ela cortou o c¨¦u como um raio, com um rastro alaranjado que perfurou as nuvens, voando sozinha por um segundo eterno como um tipo de pren¨²ncio cerimonial. Centenas de flechas logo a seguiram, cada uma tra?ando seu pr¨®prio belo arco. Um arco-¨ªris de morte pairou sobre o campo de batalha, substituindo o calor do sol por uma sombra fria e multicolorida que envolvia a todos. Quando a primeira flecha caiu, era como se o pr¨®prio universo tivesse se rasgado, vomitando uma tempestade de destrui??o. Os manipuladores de mana de Barueri tentaram erguer barreiras, mas a quantidade de ataques era simplesmente absurda. As flechas recheadas de engenharia m¨¢gica perfuraram as manifesta??es com facilidade, caindo brutalmente nas fileiras inimigas. Pontas cravadas em carne, armaduras quebradas, chamas e gelo se espalhando em impactos explosivos. O ch?o estava tomado por uma neblina de vapor e sangue, e vendo a impot¨ºncia de suas habilidades, os manipuladores rapidamente se abrigam sob os escudos de seus aliados, mas mesmo isso n?o foi o suficiente para evitarem algumas dezenas de baixas. L¨¢ em cima, Ana observava, sentindo a adrenalina pulsar em suas veias como fogo l¨ªquido. Suas m?os firmes, mas cheias de emo??o contida, alcan?aram um pano espesso, que lentamente desenrolou, revelando a lamina negra de sua longa espada. O brilho opaco da arma refletia seu desejo, enquanto seu olhar se fixava nas linhas inimigas que marchavam ao longe. Ela n?o ouvia diretamente os sons do campo de batalha, mas podia sentir cada movimento como uma ressonancia profunda que ecoava em seu pr¨®prio corpo: o couro rangendo quando os guerreiros apertavam as empunhaduras, o som met¨¢lico das espadas sendo desembainhadas, o clangor das armaduras sendo ajustadas, e os gritos dos comandantes preparando seus soldados para o confronto iminente. ¡ª Admito que menti quando disse que n?o te usaria, minha amiga ¡ª segurando a fina lamina ¨¤ frente, ela sussurrou. Em meio ¨¤ carnificina, a guerra havia come?ado. Quer apoiar o projeto e garantir uma c¨®pia f¨ªsica exclusiva de A Eternidade de Ana? Acesse nosso Apoia.se! Com uma contribui??o a partir de R$ 5,00, voc¨º n?o s¨® ajuda a tornar este sonho realidade, como tamb¨¦m faz parte da jornada de um autor apaixonado e determinado. ?? Venha fazer parte dessa hist¨®ria! ?? 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Capítulo 145 - Vis?o do Campo Amarelo
Fui convocado para a batalha de repente, sem qualquer aviso pr¨¦vio. N?o tenho problemas em lutar contra monstros, afinal, foi pra isso que me tornei ca?ador. Mas invadir outra cidade? Isso ¨¦ novo pra mim. Ainda assim, fui junto com o resto da guilda, seguindo ordens, mantendo a posi??o. N?o fazia parte da linha de frente, n?o estava entre os grandes, os poderosos, ent?o marchava um pouco mais atr¨¢s. Pra ser sincero, fiquei at¨¦ aliviado. ¡ª Hoje ¨¦ realmente meu dia de sorte. Por enquanto, sou apenas um observador. Os manipuladores de mana do inimigo finalmente foram derrubados, um a um, e a ¨²ltima barreira caiu, permitindo come?armos a avan?ar em definitivo. As flechas continuavam a chover sobre n¨®s, mas as baixas do nosso lado pareciam m¨ªnimas; os fortalecedores no fronte estavam fazendo um bom trabalho em defender o grosso do ataque. Eu diria que j¨¢ perdemos seiscentas, talvez setecentas vidas at¨¦ agora, mas quem ¨¦ que est¨¢ contando? O problema maior foram aqueles lobos. At¨¦ me arrepio s¨® de lembrar. Alguns conhecidos ca¨ªram l¨¢, gente com quem treinei, com quem bebi. Foi uma sorte que a confus?o n?o chegou em mim. Enfim, a cidade toda est¨¢ fortificada, at¨¦ com um fosso ao redor dos port?es! Parece coisa de hist¨®ria medieval, algo que voc¨º leria em um romance velho, mas, infelizmente pra eles, temos manipuladores que s?o bem vers¨¢teis. Fosso ou n?o, nada disso impede o avan?o de um ex¨¦rcito moderno. Os manipuladores, ainda protegidos, manifestaram pontes firmes sobre o fosso, conectando nossas fileiras aos muros. Os port?es, como era de se esperar, estavam refor?ados com algumas runas. Mas n?o duraram muito tempo frente ao poder devastador hahaha! Me pego pensando que, hoje em dia, as batalhas chegam a ser rid¨ªculas. ¨¦ incr¨ªvel o quanto a tecnologia, a mana, e o puro poder de fogo podem desmontar qualquer coisa. D¨¢ at¨¦ um pouco de d¨® deles, uma pontada de compaix?o. Imagino como deve ser estar do outro lado, todo o medo que devem estar sentindo. N?o tenho ideia de como essa loucura toda de matar corrompidos come?ou, mas, no fim, n?o sou pago pra questionar. Ao atravessar os port?es da cidade, a primeira impress?o ¨¦ estranhamente desoladora. A entrada est¨¢ praticamente vazia, mas h¨¢ uma beleza peculiar nas ruas. Casas de estilos diferentes alinham-se ao longo da avenida principal, mas sem os sinais vibrantes de um com¨¦rcio ativo. ¨¦ quase agoniante ver o tudo assim, t?o vazio e silencioso, exceto pelas ocasionais flechas que ainda s?o lan?adas de algum ponto oculto da cidade. N?o fosse por isso, o clima seria mesmo de filme de terror, uma cidade fantasma que s¨® falta nos engolir aos poucos. Os cinco l¨ªderes acabaram de passar por mim, com aquele ar descontra¨ªdo. Alguns at¨¦ sorriram, mas tinham uma express?o de leve irrita??o. Algum tipo de discuss?o interna, provavelmente. J¨¢ houve v¨¢rias no caminho at¨¦ aqui, todos eles se acham os chef?es. Creio que planejam dividir o ex¨¦rcito em grupos para agilizar a ¡°limpeza¡± da cidade. Sendo honesto, n?o acho que seja uma boa ideia. Cada guilda tem sua pr¨®pria especialidade, e tudo bem separ¨¢-las em uma ca?ada, mas em uma guerra? Me sinto um pouco vulner¨¢vel, pra dizer a verdade. Sem arqueiros e monstros no meu grupo, a coisa parece desbalanceada. Mas, de alguma forma, sinto que vai dar certo. Ou espero que d¨º, pelo menos. O ¨²nico problema ¨¦ que essa espera est¨¢ come?ando a me deixar exausto. Quando ¨¦ que os inimigos v?o aparecer? Aparentemente, Jasmim vai direto para as muralhas internas. Ainda bem! Se tem algu¨¦m aqui que me faz sentir um pouco desconfort¨¢vel, ¨¦ ela. Que fique o mais longe poss¨ªvel. Nosso grupo, por outro lado, est¨¢ seguindo para a ala Leste, disseram que dever¨ªamos tomar a ¨¢rea de suprimentos da cidade o mais r¨¢pido poss¨ªvel. Os Sombrios e a guilda Ventos Livres continuam trabalhando juntos, est?o indo para o Oeste. Eles t¨ºm uma harmonia no campo de batalha que me impressiona, algo que eu gostaria que minha pr¨®pria guilda pudesse compartilhar com outra. Mas, infelizmente, esse n?o ¨¦ o nosso estilo; somos mais reservados e independentes. Boa sorte para eles, de qualquer forma.This book was originally published on Royal Road. Check it out there for the real experience. J¨¢ os Brutos de Ferro¡­ bem, os caras simplesmente ignoram qualquer conven??o. Os soldados rasos deles seguem meio perdidos, um pouco atr¨¢s de n¨®s, enquanto a for?a de elite, a menor entre as guildas, com s¨® cinquenta cavaleiros pesados montados naqueles animais gigantescos, se espalhou entre as ruas assim que passamos pelos port?es. Cada um foi para uma dire??o diferente, como se n?o precisassem de mais ningu¨¦m al¨¦m de suas armaduras e montarias para proteg¨º-los. A confian?a deles beira a arrogancia, ¨¦ uma loucura. Quanto mais a gente anda, mais estranho fica o sil¨ºncio. Ser¨¢ que realmente abandonaram a cidade? Talvez seja at¨¦ melhor assim. Mas, quer saber? At¨¦ que aqui ¨¦ agrad¨¢vel, se acabar virando uma base posso considerar me mudar pra c¨¢. Quem ¨¦ que coloca tantas flores em uma cidade? Uns malditos viciados em girass¨®is, s¨® pode! Hahaha. Ser¨¢ que tem algum problema se eu pegar alguns? Girass¨®is sempre foram os favoritos dela¡­ ¡ª Claro que tem problema, eu os amo, filho! Nem pense em arranc¨¢-los! ¡ª Eu s¨® queria coloc¨¢-los no seu t¨²mulo, m?e¡­ ¡ª Pra qu¨º? Eu n?o estou os apreciando aqui do seu lado? ¡ª Ah, ¨¦ verdade, sou t?o tonto¡­ hahaha¡­ Mas¡­ h¨¢ algo estranho. Ela est¨¢ aqui? N?o faz sentido, mas eu sinto sua presen?a. Como isso ¨¦ poss¨ªvel? E¡­ quem liga? ¡ª M?e! M?e! Como eu senti sua falta¡­ Ent?o, no momento em que chego perto, ela come?ou a desaparecer, se desfazendo em uma pequena montanha de p¨¦talas que caiam suavemente no ch?o. Eu j¨¢ sabia que n?o era real, mas ainda d¨®i tanto¡­ As l¨¢grimas come?aram a correr sem que eu percebesse. Sinto o peso delas, molhando meu rosto, encharcando minha armadura... Espera, minha armadura? Mas que porra ¨¦ essa? Tentei gritar, mas tudo o que consegui foi ver um escarlate v?mito de sangue. Tem algu¨¦m na minha frente agora. Um cara de pernas estranhas. Um fauno, talvez? Cada vez mais me sinto em um livro de hist¨®rias... haha¡­ Seus olhos me encaram com um misto de serenidade e desd¨¦m, me d?o um pouco de medo. Claro, n?o mais medo do que a lan?a que atravessa meu est?mago. Atr¨¢s dele, duas criaturas igualmente bizarras se destacam. A primeira ¨¦ uma mulher que parece ter sido esculpida das pr¨®prias plantas, como se cada ramo e folha formasse o contorno de seu corpo. Ela carrega... um r¨¢dio? Que seja¡­ n?o vou gastar meus ¨²ltimos suspiros pensando nisso¡­ Ao lado dela, uma criatura gigantesca e sinuosa se arrasta pelo ch?o, uma minhoca feita de p¨¦talas e flores, um ser que parece ter sa¨ªdo de algum pesadelo on¨ªrico. Foi ent?o que entendi: era a porcaria de um sussurrador de p¨¦talas. Esse maldito campo de girass¨®is¡­ Porra, precisava ser justo a minha m?e? ¨¦ um truque cruel. Merda de mundo. Merda de flores. Merda de guildas. Minha vis?o come?ou a ficar turva e, ao redor, ou?o os gritos de outros ca?adores, um som abafado, como se viesse debaixo d¡¯¨¢gua. Alguns caem de joelhos, entregues ao mesmo destino que eu, enquanto outros, mais sortudos, parecem se afastar ao custo de deixar para tr¨¢s amigos ensanguentados. Merda, merda... Bom, pelo menos posso tentar sair disso com alguma dignidade. Se conseguir deixar alguma marca antes de partir, talvez eu possa terminar como um her¨®i. Minhas m?os tremem enquanto procuro meu isqueiro. Cad¨º ele? Droga... ¡ª Ah, foda-se, que se dane. Tenho certeza que algum manipulador vai ter a mesma ideia em breve. Que queimem no inferno, malditos corrompidos. Pelo jeito, n?o era meu dia de sorte¡­ Quer apoiar o projeto e garantir uma c¨®pia f¨ªsica exclusiva de A Eternidade de Ana? Acesse nosso Apoia.se! Com uma contribui??o a partir de R$ 5,00, voc¨º n?o s¨® ajuda a tornar este sonho realidade, como tamb¨¦m faz parte da jornada de um autor apaixonado e determinado. ?? Venha fazer parte dessa hist¨®ria! ?? Apoia-se: https://apoia.se/eda Discord oficial da obra: https://discord.com/invite/mquYDvZQ6p Galeria e outros links: https://linktr.ee/eternity_of_ana
Capítulo 146 - O Gelo e o Verde
A cena, antes ordenada e controlada, explodiu em um banho de sangue ca¨®tico. Dos aproximadamente seiscentos soldados que marchavam sistematicamente, cerca de cem agora estavam ca¨ªdos, empalados por lan?as simples, mas extremamente afiadas. A vis?o era horrenda: olhos arregalados em choque, bocas entreabertas, tentando entender o que havia acontecido. Tudo fora r¨¢pido demais, t?o de repente que nem tiveram tempo para reagir. Alguns ainda respiravam, mas nenhum deles estava em condi??es de continuar na batalha. Aqueles que n?o foram atingidos despertaram subitamente com os gritos de agonia ao redor, erguendo as armas em reflexo e assumindo posi??es defensivas. ¡ª Despertem, o inimigo nos cercou! Entre eles estava Am¨¦lia, a l¨ªder da guilda dos Grifos. Vociferava comandos enquanto avan?ava com elegancia feroz, perfurando cada corrompido que se aproximava. Sua presen?a era marcante e, ao mesmo tempo, contradit¨®ria: era intensa, mas de fei??es doces, e movia-se com uma suavidade quase graciosa. Sua arma n?o era menos peculiar: uma fina agulha de pouco mais de um metro, praticamente invis¨ªvel a olho nu, mas brilhando sutilmente com um tom esbranqui?ado toda vez que ela a movia para atacar, com as min¨²sculas runas em sua empunhadura acendendo por breves instantes antes de voltarem a se apagar. Era t?o delicada e afiada que parecia mais uma extens?o de seus dedos do que uma arma propriamente dita. Mantinha uma postura impec¨¢vel, o corpo levemente inclinado, com uma das m?os repousando nas costas, quase como se duelasse em um sal?o nobre. Seus cachos castanhos balan?avam ao ritmo de seus passos, e embora seus olhos mostrassem uma pontada de tristeza, como se lamentasse cada vida que ceifava, sua determina??o n?o deixava espa?o para hesita??es. Cada golpe era letal. ¡ª Se agrupem! ¡ª bradou Am¨¦lia, sua voz cortando o ar e puxando os soldados para a realidade brutal ¨¤ sua volta. ¡ª Foquem nos sussurradores de p¨¦talas antes que eles iniciem uma nova ilus?o! A cena ao seu redor era desconcertante. O n¨²mero de corrompidos era impressionante, um mosaico de seres que, para ela, pareciam ter sa¨ªdo de um pesadelo. Observando-os de relance, teve que refrear seu impulso de recuar, afinal, eram o dobro de suas tropas. Felizment, ao estudar rapidamente a forma??o inimiga, percebeu que a maioria dos advers¨¢rios mal sabia como empunhar uma arma, claramente despreparados para uma guerra em grande escala. Apesar do estranho povo-planta se destacar com seus corpos cobertos de trepadeiras, musgo e flores ex¨®ticas que brotavam diretamente de suas peles, n?o eram os ¨²nicos presentes naquele campo de morte. Entre as fileiras havia uma gama fascinante de variantes, e cada grupo parecia ter sua pr¨®pria peculiaridade. Sua aten??o foi atra¨ªda principalmente por pessoas de ossos retorcidos, figuras em que as deformidades eram t?o pronunciadas que seus pr¨®prios corpos pareciam enredados em ganchos e espinhos naturais. Seus n¨²meros eram pequenos e seus movimentos lentos, mas cada golpe era brutal e quase suicida. Eles avan?avam de forma incontrol¨¢vel, e suas extremidades afiadas perfuravam armaduras com uma facilidade anormal. Nos flancos, corrompidos salivantes causavam ainda mais desconforto. Estas pobres pessoas possu¨ªam pele viscosa e olhos injetados de sangue, e seus dentes serrilhados pareciam prontos para despeda?ar qualquer coisa em seu caminho, acompanhados de um filete de saliva que escorria constantemente de suas bocas, deixando manchas de um l¨ªquido escuro no ch?o. Apesar de quase rastejarem, moviam-se com rapidez, esgueirando-se pelas beiradas e tentando atacar os soldados desprevenidos. No entanto, n?o eram esses combatentes improvisados que a preocupavam, mas sim aqueles malditos vermes feitos de milhares de flores. Seus corpos massivos seguiam de perto alguns membros do povo verde, os quais, descaradamente, exibiam estranhas coroas feitas inteiramente de girass¨®is em suas cabe?as. Assemelhavam-se a cachorros adestrados, mas, apesar disso, n?o mantinham a mesma fofura destes animais dom¨¦sticos, pois o denso p¨®len que exalavam tecia perturbadoras ilus?es, t?o detalhadas e cru¨¦is que amedrontavam at¨¦ mesmo os soldados mais experientes. A guerreira avan?ava em frente a ela com rapidez e calma, cada golpe uma estocada mortal, e, em menos de um minuto, mais de cinco inimigos j¨¢ haviam ca¨ªdo perante sua lamina, sem muita amea?a. Isso at¨¦ o primeiro plant¨ªneo se aproximar, indiferente ¨¤ pr¨®pria seguran?a, com uma faca avermelhada firmemente empunhada na m?o. Ele se lan?ou contra Am¨¦lia com a f¨²ria de um desespero inesperado. No reflexo, Am¨¦lia jogou a agulha contra o peito do atacante, que foi perfurado com um som seco, como se fosse apenas mais uma folha quebrando ao vento. O homem de madeira apenas sorriu, a faca a poucos cent¨ªmetros de alcan?ar o rosto da l¨ªder inimiga. ¡ª Pat¨¦tico ¡ª murmurou Am¨¦lia, com um suspiro de desd¨¦m. Ela se moveu com um sutil passo para tr¨¢s, desviando-se do ataque sem perder a compostura. O plant¨ªneo, ainda sorrindo, virou o bra?o bruscamente, pronto para uma nova investida. Dessa vez, mirou diretamente no peito da mulher, e com uma velocidade impressionante, avan?ou em seu cora??o. Seus planos foram frustrados quando repentinamente a intensidade da luz na lamina encravada em seu corpo aumentou. O brilho, antes discreto, transformou-se em uma luminosidade quase cegante, ofuscando a vis?o ao redor. "Eu... com dor?" pensou o atacante, incr¨¦dulo. Havia quanto tempo desde que ele sentira algo assim? Desde que havia sido transformado pela mana, seu corpo de madeira e folhas substitu¨ªra a vulnerabilidade da carne. A dor havia se tornado uma mem¨®ria distante. Mas n?o era uma alucina??o: a dor estava l¨¢, real e intensa, cada fibra vegetal de seu corpo pulsava com uma agonia insuport¨¢vel. Contudo, foi uma sensa??o passageira, pois logo percebeu algo ainda mais perturbador. Rachaduras surgiam em seu peito e se espalhavam com velocidade assustadora. Ele tentou gritar, mas, antes que o som escapasse, sua garganta come?ou a se desfazer em estilha?os transl¨²cidos. Sua boca, seus olhos, cada parte de seu corpo come?ou a se fragmentar, se despeda?ando em uma destrui??o silenciosa. E ent?o, ele j¨¢ n?o existia mais. Am¨¦lia fitou o que restava dele com olhos cheios de pesar, seu semblante carregando um toque de melancolia. Era sempre assim: matar lhe trazia uma sensa??o amarga. Com um movimento suave e quase cerimonial, balan?ou a agulha, limpando a lamina da poeira gelada que havia se depositado nela. Os pequenos peda?os de gelo ca¨ªram ao ch?o, estalando ao se misturarem com o sangue e a terra. ¡ª Desgra?ados, o que est?o esperando?! ¡ª gritou, levantando os olhos, a raiva escapando em um tom r¨ªspido. ¡ª Queimem tudo e recuem! A ordem parecia ¨®bvia, mas execut¨¢-la era um desafio maior do que poderia parecer. Cada vez que um manipulador tentava se concentrar para lan?ar uma labareda, um ataque surgia de algum canto, for?ando-o a quebrar o foco. Quando uma fagulha ocasionalmente conseguia tocar as flores que cobriam o solo, os habitantes corrompidos se jogavam sobre ela, extinguindo-as com seus pr¨®prios corpos para impedir que o fogo se espalhasse. J¨¢ quando um sussurrador de p¨¦talas era atingido, rapidamente amputava a parte danificada de seu corpo sob as ordens das dr¨ªades que os comandavam. Ficavam menores, enfraquecidos, mas ainda capazes de exercer algum impacto no combate.Unauthorized duplication: this tale has been taken without consent. Report sightings. A batalha se arrastava, as fileiras de ambos os lados diminuindo rapidamente. Os soldados estavam exaustos, seus movimentos se tornaram mais calculados e hesitantes, enquanto o ritmo fren¨¦tico da luta aos poucos era substitu¨ªdo por uma cautela cuidadosa para evitar mais baixas, perdendo a intensidade. A ¨²nica exce??o eram os cavaleiros leves da Guilda dos Grifos. Eles seguiam em alta velocidade nas bordas do campo em seus cavalos, investindo e recuando com cautela. Com suas montarias ¨¢geis, n?o permitiam nenhuma brecha que os tornasse alvo das ilus?es dos sussurradores, embora os danos que infligiam fossem menos impactantes a cada incurs?o. Amelia sentia o sangue ferver com a estagna??o. Os dentes cerrados e as m?os crispadas revelavam sua irrita??o crescente, queria acabar logo com aquilo, n?o gostava deste tipo de ambiente. ¡ª Pat¨¦tico! Pat¨¦tico! ¡ª murmurava, cada vez mais fora de controle, enquanto a compostura fria e disciplinada come?ava a ruir. A m?o que mantinha atr¨¢s das costas apertava seus cabelos com tanta for?a que fios rebeldes se soltavam em suas m?os. Foi ent?o que, nesse momento, um som de est¨¢tica cortou o campo de batalha. Era baixo, mas claramente direcionado a ela. Seus olhos, ferozes e atentos, se viraram rapidamente em dire??o ao ru¨ªdo, se deparando com uma mulher planta carn¨ªvora de formato estranho, a qual parecia rir, como se zombasse da situa??o. ¡ª Acham mesmo que ignorar¨ªamos a fraqueza mais ¨®bvia do nosso ex¨¦rcito? ¡ª murmurou Marlene, com um sorriso desafiador nos l¨¢bios cheios de seiva. ¡ª O solo est¨¢ extremamente ¨²mido, n?o permitiremos que queimem esse local. Amelia a ignorou; em um movimento r¨¢pido, atacou a figura zombeteira, mas a lamina cortou apenas fuma?a enquanto Marlene desaparecia. ¡ª Como ousam atacar nosso lar¡­ ¡ª sussurrou a voz cheia de est¨¢tica da plant¨ªnea, t?o pr¨®ximo que Amelia sentiu o calor da respira??o em sua orelha. Instintivamente, a guerreira girou a espada, mas o movimento foi em v?o, acertando o ar mais uma vez. Nesse exato momento, um ataque invis¨ªvel acertou sua armadura, fazendo um rasgo no metal. ¡ª Vadia covarde, me encare de frente! ¡ª irritada, ela rosnou e olhou ao redor. A express?o gentil da l¨ªder dos Grifos havia se transformado em um ¨®dio puro e descontrolado. Ela apertou a espada, que come?ou a brilhar com uma intensidade ainda mais fria, e o ar em seu entorno tornou-se anormalmente gelado. Outro ataque sibilou no ar. Amelia, agora mais alerta, tentou desviar, mas a lamina inimiga ainda conseguiu fazer um corte fino em sua cintura. Ela grunhiu, a frustra??o evidente em seus olhos. ¡ª Imundos pat¨¦ticos, apare?am! ¡ª rugiu. A frieza implac¨¢vel da lamina novamente cresceu, t?o intensa que os pr¨®prios l¨¢bios da guerreira come?aram a tremer. Uma leve neblina se estendia da arma, formando uma aura g¨¦lida que aumentava sua presen?a intimidadora no campo. Seu foco aumentou ainda mais, e um sorriso sombrio surgiu em seus l¨¢bios quando, subitamente, um estalo sutil rompeu o ar semi congelado ao seu lado, um som quase inaud¨ªvel, mas o suficiente para denunciar a presen?a da oponente. ¡ª Te peguei, aberra??o! O golpe foi certeiro. Um grito curto e ruidoso acompanhou o som de estilha?os quebrando-se. Em um instante, o mundo ao redor dela tremeu, a vis?o distorcida se despeda?ando como um espelho em frangalhos, dissolvendo a ilus?o em que estava. Quando a fuma?a clareou, Marlene estava ¨¤ sua frente, segurando o ombro onde antes estivera seu bra?o. Sem olhos, mas com uma raiva quase palp¨¢vel, a mulher planta fixou um olhar mortal em Amelia, que, satisfeita, repetiu o movimento brusco da espada de sua luta anterior, fazendo os fragmentos congelados que antes eram o bra?o de Marlene ca¨ªrem ao ch?o. ¡ª N?o se preocupe ¡ª murmurou, o tom de voz carregado de ironia. ¡ª Eu n?o preciso de fogo para acabar com todos voc¨ºs. Marlene n?o respondeu. Sabia que Amelia estava em um n¨ªvel muito acima em termos de combate, n?o seria capaz de derrot¨¢-la diretamente. Com uma express?o de desconforto, a mulher vegetal recuou lentamente, dissolvendo-se em meio ao sussurrador de p¨¦talas atr¨¢s de si. A l¨ªder da guilda dos Grifos, agora em um breve momento de al¨ªvio, tamb¨¦m retornou, aproximando-se de um de seus capit?es, um homem alto com uma espada larga que parecia o completo oposto da sua, e com um olhar brusco, mas estranhamente gentil. Observando a armadura parcialmente destru¨ªda da l¨ªder, o capit?o bufou, uma express?o de respeito e desaprova??o misturadas em seu rosto. ¡ª Metade das nossas for?as j¨¢ foram destru¨ªdas ¡ª reportou ele. ¡ª Mas eles tamb¨¦m n?o est?o muito melhor. Nossos manipuladores restantes conseguiram reagrupar e incineraram algumas daquelas malditas minhocas, mas¡­ as demais simplesmente desapareceram. Amelia assentiu, encarando fixamente o ex¨¦rcito inimigo ¨¤ distancia. ¡ª Ordene que os cavaleiros deem a volta e ataquem de surpresa pelos flancos. Enquanto isso, vamos investir direto no centro da forma??o deles. ¡ª Isso ¨¦ perigoso, Amelia. ¡ª Cale a boca. Olhe o n¨ªvel desses caras. Vai me dizer que est¨¢ com medo? ¡ª N?o ¨¦ medo, mas... ¡ª Apenas me siga, idiota! ¡ª ela o interrompeu, sua voz cortante, enquanto partia para a linha de frente, sem olhar para tr¨¢s. Os soldados entraram em forma??o rapidamente atr¨¢s dela, como se a presen?a firme de Amelia fosse o ¨²nico escudo necess¨¢rio. O capit?o, ainda um pouco reticente, fez um gesto aos cavaleiros, que entenderam a ordem prontamente e come?aram a se reposicionar, preparando o ataque lateral. Do outro lado do campo, o ex¨¦rcito de Ins¨ªdia os observava com express?es misturadas de apreens?o e determina??o. Os feridos estavam sendo atendidos por dr¨ªades, que passavam pelas fileiras com recipientes de medicamentos estranhos. Os soldados que os bebiam pareciam recuperar rapidamente o vigor perdido; seus olhos se focavam, e suas m?os, que antes tremiam, ficavam firmes como a?o. A l¨ªder, Marlene, assistia ¨¤ cena com uma express?o impass¨ªvel. Ela alinhou o r¨¢dio em seu peito e preparou o que poderia ser sua ¨²ltima mensagem para o ex¨¦rcito. ¡ª Pensem em suas fam¨ªlias ¡ª come?ou, com uma voz que adentrou no ouvido de cada um ao redor. ¡ª Pensem em suas casas. Pensem neste mundo t?o cheio de podrid?o¡­ Hoje, guerreiros, temos apenas uma miss?o. E n?o ¨¦ uma miss?o bonita. A morte, afinal, quase nunca ¨¦ bonita. Enquanto falava, ajustava os bot?es do r¨¢dio. Ela riu pensar que teria sido perfeito se houvesse tempo para instalar caixas de som nas planta??es, soube que estavam tocando a todo vapor no centro da cidade, mas aquele detalhe n?o importava mais. Com um ¨²ltimo giro no dial, o r¨¢dio se sintonizou fracamente na transmiss?o de Ana, e a m¨²sica intensa e vibrante tamb¨¦m ressoou no dispositivo preso em seu peito. Ela fechou os olhos, sentindo a vibra??o em seu corpo. A m¨²sica era especial para o mudo povo verde. E, nessa situa??o, tamb¨¦m foi para os soldados em campo. O efeito da melodia misturava-se ¨¤ bebida que as dr¨ªades haviam entregado anteriormente; seus olhos, que haviam recuperado um intenso foco que sobrepunha o medo, come?aram a desanuviar-se. Os corpos balan?avam inconscientemente no mesmo ritmo das notas musicais que sa¨ªam como uma cachoeira, envolvendo-os como se fossem um s¨® com o som. ¡°Me desculpem por isso¡­ mas ¨¦ o melhor para todos n¨®s¡±, pensou ela, com o olhar preenchido por uma sensa??o indescrit¨ªvel, enquanto via o efeito das drogas enraizarem-se profundamente na mente de cada soldado. ¡ª N?o se preocupem, povo de Ins¨ªdia! Hoje, a natureza est¨¢ do nosso lado! Hoje, venceremos! Um grito de guerra se ergueu da multid?o, seguido de outro, e mais outro, at¨¦ que o campo de batalha ecoava com a promessa de resist¨ºncia. O ex¨¦rcito corrompido estava pronto, e avan?ou como uma onda viva de cor e for?a, al¨¦m de uma paz artificial que n?o deveria estar presente em seus estranhos sorrisos. Quer apoiar o projeto e garantir uma c¨®pia f¨ªsica exclusiva de A Eternidade de Ana? Acesse nosso Apoia.se! 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Capítulo 147 - Direitos dos Vencedores
Se visto de longe, o campo de batalha parecia uma antiga pintura, uma daquelas imagens imortalizadas em livros de hist¨®ria: corpos e armas, rostos endurecidos e olhos vidrados em um campo de batalha que logo se tornaria uma lenda. Aqui acontecia uma guerra sem her¨®is, um confronto desesperado derivado do simples medo de deixar de existir. A corrida inicial foi envolta em um sil¨ºncio quase respeitoso. Apenas o som de uma m¨²sica profunda e rascante, vindo de um ¨²nico r¨¢dio, ecoava em meio ¨¤ massa disforme de combatentes. A guilda dos Grifos, bem alinhada e organizada, avan?ava com uma disciplina impec¨¢vel, alinhados com a precis?o de um rel¨®gio. Mas do outro lado, Ins¨ªdia se parecia mais com uma horda selvagem, movida por uma for?a primitiva, animalesca, zumbis vindos diretos dos filmes de terror da antiga era. Sob o efeito dos estranhos elixires das dr¨ªades, os corrompidos tinham olhos opacos e opressivos, estavam no limiar da consci¨ºncia, movidos apenas pela determina??o de vencer, de matar. Suas vontades eram levadas ao extremo pela necessidade, e, mesmo mal conseguindo pensar, cada um deles sabia que n?o havia escolha al¨¦m de lutar at¨¦ o fim. Quando os primeiros corpos se chocaram, o sil¨ºncio se desfez em um mundo composto de gritos, a?o se chocando contra a?o e ossos se quebrando. Os soldados de Am¨¦lia tentaram deter a linha de frente dos corrompidos com escudos massivos, e, no in¨ªcio, a estrat¨¦gia parecia funcionar. Espadas e lan?as se ergueram atr¨¢s dos defensores, perfurando a primeira onda de atacantes com efici¨ºncia brutal, mas a aparente ordem come?ou a ruir rapidamente. Ins¨ªdia n?o lutava como um ex¨¦rcito comum; seus combatentes eram t?o numerosos quanto imprevis¨ªveis, dispostos a sacrificar o pr¨®prio corpo, jogando-se contra a muralha de guerreiros em uma massa de carne e ossos. A pilha de cad¨¢veres se amontoava com o passar dos minutos, mas ainda assim mais corrompidos continuavam com a avalanche humana, e assim finalmente quebraram a barreira. Os invasores, empurrados e esmagados, ca¨ªram de joelhos sob o peso brutal dos inimigos. Tudo se transformou em um espet¨¢culo horrendo de viol¨ºncia pura onde, quando suas armas eram perdidas, os corrompidos usavam os dentes, m?os e punhos para continuar a briga. A ferocidade era carregada de uma tristeza tr¨¢gica, e cada encontro de duelistas era acompanhado de um ¨²ltimo suspiro resignado. No centro do campo, Am¨¦lia permanecia imperturb¨¢vel, e lutava com seu melanc¨®lico sorriso renovado, com movimentos calmos que, apesar da irrita??o contida de pouco antes, eram um contraste completo com o pandem?nio ao redor. ¡ª Est?o demorando demais... cad¨º esses desgra?ados? ¡ª ¨¦ realmente estranho, j¨¢ deveriam estar aqui ¡ª ao seu lado, o capit?o, que escutou o murm¨²rio, deu de ombros. Foi ent?o que, quase como se tivessem programado, finalmente ouviram cascos galopando. O som prometia destrui??o, uma investida que viraria a mar¨¦ do combate ainda mais a favor dos Grifos. Amelia sorriu com um toque de satisfa??o, j¨¢ imaginando o estrago que causariam na retaguarda dos inimigos, mas assim que os cavaleiros apareceram em seu campo de vis?o, notou imediatamente a forma??o estranha, desorganizada e espalhada. Eles n?o avan?avam para um ataque, os melhores de sua guilda tinham express?es marcadas pelo pavor. Aqueles eram claros movimentos de desespero, n?o de estrat¨¦gia. ¡ª Algo est¨¢ acontecendo¡­ Antes que pudesse analisar mais a fundo, o horror se revelou por vontade pr¨®pria: uma criatura gigantesca, um sussurrador de p¨¦talas do tamanho de um pequeno pr¨¦dio, avan?ava com uma presen?a monstruosa sobre o campo de batalha, perseguindo os cavaleiros em um frenesi devastador. A vis?o de uma massa viva de flores e ra¨ªzes colossais era surreal e bela, mas tamb¨¦m, aterrorizante, "Eles se uniram?" O pensamento da guerreira cacheada foi interrompido pela cena horrenda de dois cavaleiros sendo agarrados e esmagados pela criatura. Alguns, pegos antes disso, ainda estavam pendurados em sua boca, seus corpos despeda?ados ou perfurados, transformados em simples sacos de carne inerte. As p¨¦talas eram afiadas como laminas, cortando com a mesma facilidade com que uma espada corta o ar. ¡ª Manipuladores, ataquem aquela coisa! Agora! Cada segundo contava; em instantes, aquela aberra??o estaria sobre eles. ¡ª Muitos j¨¢ est?o quase sem mana, Am¨¦lia ¡ª comentou o capit?o ao ouvir a ordem. ¡ª N?o teremos poder suficiente para derrubar algo como isso. ¡ª Se ainda est?o de p¨¦, podem fazer algo. Que usem tudo o que resta at¨¦ desmaiar! Precisamos incinerar essa coisa antes que ela chegue at¨¦ n¨®s! O capit?o, tomando um respiro, desistiu de contrari¨¢-la e bradou uma reafirma??o da ordem. ¡ª Esquadr?o de mana, formem uma linha na ala direita! Os demais, protejam-nos! Os soldados rapidamente obedeceram, movendo-se o melhor que podiam dentro da confus?o. Os manipuladores, suando e tr¨ºmendo, juntaram-se em frente a uma pequena casa de madeira, formando uma barreira de resist¨ºncia para impedir ataques de surpresa. Cada um come?ou a manifestar fogo da maneira que conseguia, criando uma variedade ca¨®tica de formas e intensidades. Algumas chamas eram ferozes e inst¨¢veis, como brasas vivas que dan?avam no ar, enquanto outras, mais concentradas, criavam um fogo mais controlado, pulsando com uma energia est¨¢vel. Havia tamb¨¦m algumas mais exc¨ºntricas, esferas de fogo semelhantes a fogos de artif¨ªcio e, claro, chamas dos que mal se aguentavam de medo, as quais mal passavam de fagulhas. De qualquer forma, cada um colocava tudo o que restava de mana naquela ¨²ltima tentativa antes de seus corpos atingirem o limite.This content has been misappropriated from Royal Road; report any instances of this story if found elsewhere. ¨¤ distancia, era poss¨ªvel ver as dr¨ªades coroadas com os girass¨®is em um foco absoluto, tentando controlar a besta floral. Seus olhos estavam fixos no sussurrador, unindo-se em um s¨® fluxo de energia, sacrificando o que tinham para evitar que aquele monstro destru¨ªsse tamb¨¦m o seu pr¨®prio ex¨¦rcito. N?o demorou muito para que finalmente os cavaleiros alcan?aram os inimigos, for?ando passagem pelas linhas desordenadas dos corrompidos. A estrat¨¦gia de atacar e recuar havia sido completamente abandonada; agora, era uma batalha desesperada pela pr¨®pria sobreviv¨ºncia.. Alguns foram capturados no caminho, suas montarias esmagadas pela multid?o que se jogavam sobre eles. Mas os sobreviventes n?o pararam. Ali¨¢s, nem mesmo olharam para tr¨¢s. Queriam apenas alcan?ar seus companheiros, sobreviver. ¡ª Lancem! R¨¢pido! Com a ordem finalmente dada pela l¨ªder, o c¨¦u se encheu de fogo. O impacto dos ataques foi devastador, mas n?o do jeito que os Grifos esperavam. O monstro queimava, as chamas dan?ando e lambendo suas p¨¦talas como um espet¨¢culo infernal. A mira n?o foi complicada, ent?o ningu¨¦m errou, afinal, n?o tinha como algo t?o massivo se esquivar, mas a criatura continuava sua marcha impiedosa mesmo com as labaredas. Tudo em seu caminho ardia ¡ª casas, ¨¢rvores e tropas de ambos os lados. Aqueles que estavam em combate se dispersaram em panico, tentando escapar de qualquer jeito do ser que se debatia descontroladamente. Em apenas dez segundos, dezenas de soldados ca¨ªram. Ao fim de quarenta segundos, uma grande ¨¢rea ao redor do monstro havia se tornado um campo completamente preto. Quando sessenta segundos se passaram, o monstro finalmente sucumbiu, seu corpo se desfazendo em uma massa escura, e o ar sendo tomado por um mar de fuma?a espessa. Os soldados, com tosse rouca e pulm?es queimando, tentavam proteger-se das substancias, mas parecia que nem a mana interna que concentravam em suas gargantas ajudava o suficiente. Am¨¦lia, envolta em um pano que umedeceu utilizando sua pr¨®pria espada, mal conseguia enxergar o que estava ¨¤ frente. Estava coberto de cortes e hematomas que adquiriu em pequenos combates durante a fuga, e seus olhos ardiam pelo contato com as part¨ªculas de cinzas. Mas, paradoxalmente, sentia-se estranhamente feliz, tomada por uma insanidade momentanea, ao perceber que seus soldados come?avam a se recuperar e ganhar terreno. Caminhava de forma vagarosa quando, metros ¨¤ frente, um j¨¢ conhecido ru¨ªdo chamou sua aten??o. Ela franziu as sobrancelhas, surpresa, procurando sua origem, a qual encontrou entre uma pilha de corpos. Seus olhos n?o esconderam a alegria quando viu que era Marlene, a mulher-planta, com grande parte do corpo chamuscado. No entanto, essa alegria logo foi dissipada quando, mesmo com a sua inimiga ca¨ªda n?o tendo olhos, percebeu que a dr¨ªade a encarava com um ar de zombaria. Enraivecida, se aproximou e, com um gesto impiedoso, pisou com for?a no corpo da plant¨ªnea, esmagando-o no ch?o. A est¨¢tica baixa e est¨¢vel vibrou descontroladamente de forma perturbadora, at¨¦ que se estabilizou em um baixo som cadenciado. ¡ª Do que est¨¢ rindo, criatura pat¨¦tica? Marlene n?o respondeu. Em vez disso, aumentou a intensidade do seu riso de esc¨¢rnio. Am¨¦lia sentiu que ia explodir, e, num acesso de f¨²ria, come?ou a perfurar o corpo da dr¨ªade repetidamente com sua lamina fria, lascas de gelo se espalhando como vidro quebrado a cada impacto. O riso da plant¨ªnea finalmente cedeu, substitu¨ªdo por leves gemidos e palavras cheias de dor. ¡ª Voc¨ºs¡­ n?o t¨ºm¡­ o direito de nos impedir¡­ de viver¡­ A frase, dita em uma s¨¦rie de tons quebrados e fragmentados, quase como se viesse de v¨¢rias vozes ao mesmo tempo, fez a l¨ªder dos Grifos pausar o ataque por um momento, seu rosto se contorcendo em desd¨¦m. ¡ª Direitos? ¡ª ela cuspiu as palavras. ¡ª Esse mundo ¨¦ regido por quem det¨¦m o poder. Somente os vencedores podem definir os direitos dos fracos. ¡ª Voc¨º est¨¢ certa¡­ ¨¦ por isso que repito¡­ voc¨ºs n?o t¨ºm o direito¡­ n¨®s¡­ venceremos¡­ Antes que Am¨¦lia pudesse reagir, uma fina raiz que havia se enrolado sorrateiramente em torno de sua bota, perfurou a parte de tr¨¢s do seu joelho. Era uma perfura??o m¨ªnima feita atrav¨¦s da brecha da armadura, mas intensa o suficiente para faz¨º-la dar um passo atr¨¢s. Sem pensar muito sobre, ela esmagou a raiz com um chute, furiosa. Contudo, em meio a esse gesto, notou que a m¨²sica no r¨¢dio de Marlene voltou a tocar, agora mais alta do que quando estavam em combate. Ela tentou chutar o r¨¢dio. N?o sabia o motivo, mas s¨® queria que aquela m¨²sica parasse desesperadamente. Foi ent?o que algo ainda mais estranho aconteceu: a m¨²sica deixou de vir somente do r¨¢dio, come?ando a ser emitida de todos os lados. A percep??o foi acompanhada de uma leve vertigem. Seus olhos raivosos adquiriram uma intensa e desfocada cor branca. Ela piscou, tentando clarear a vis?o, mas os contornos ao seu redor estavam borrados. Sentia seu corpo ceder, como se sua pr¨®pria vontade estivesse sendo drenada, e a batida da m¨²sica parecia penetrar sua mente, invadindo cada pensamento. Os sons de batalha ao redor diminu¨ªram, at¨¦ desaparecerem completamente, e Am¨¦lia se viu perdida em um espa?o vazio. E ent?o, de repente, estava cercada de flores de todas as cores, tudo t?o vivo e vibrante que a tranquilidade quase parecia um sonho. Sem saber o que estava acontecendo, caiu de joelhos, ofegante e babando. No ¨²ltimo lampejo de lucidez viu o sorriso triunfante de Marlene, al¨¦m de m¨²ltiplas ra¨ªzes adentrando lentamente na terra ao redor da mulher. Por fim, ouviu o som de sua pr¨®pria voz, misturada ¨¤ da dr¨ªade, em um eco distante e contorcido. ¡ª Voc¨ºs¡­ n?o t¨ºm o direito¡­ Assim, em um piscar de olhos, a l¨ªder dos Grifos j¨¢ n?o era mais ela mesma. Seu corpo se perdeu na mesma dan?a macabra de seus inimigos, e sua espada se infundiu de mana inconscientemente, trazendo um frio inverno para o campo de batalha Quer apoiar o projeto e garantir uma c¨®pia f¨ªsica exclusiva de A Eternidade de Ana? Acesse nosso Apoia.se! Com uma contribui??o a partir de R$ 5,00, voc¨º n?o s¨® ajuda a tornar este sonho realidade, como tamb¨¦m faz parte da jornada de um autor apaixonado e determinado. ?? Venha fazer parte dessa hist¨®ria! ?? Apoia-se: https://apoia.se/eda Discord oficial da obra: https://discord.com/invite/mquYDvZQ6p Galeria e outros links: https://linktr.ee/eternity_of_ana
Capítulo 148 - O Orgulho do Bruto de Ferro
Duas risadas altas ecoavam pelo campo, soando como uma mistura bizarra de alegria e algo que beirava a insanidade. Para o grande cavaleiro montado em seu sapo colossal, aquele som n?o era nada reconfortante. Ele apertou as r¨¦deas da criatura, tentando ignorar o suor que escorria de sua testa. Cada gota que descia parecia anunciar um press¨¢gio sombrio. O homem, um veterano da Guilda dos Brutos de Ferro, havia encontrado as duas mulheres mascaradas enquanto vagava pela cidade, e, ¨¤ primeira vista, achou que seria uma luta simples. Uma delas empunhava uma espada t?o grande e desproporcional que parecia mais decorativa do que pr¨¢tica, e a outra carregava um instrumento musical, um ala¨²de, que parecia ainda mais absurdo em um campo de batalha. Ele quase riu quando as viu, o cen¨¢rio era, no m¨ªnimo, inusitado. Suspirou desanimadamente. Tudo tinha sido t?o entediante desde que se separara do resto de sua guilda. N?o havia ningu¨¦m com quem trocar uma boa conversa, e pior, o povo dali era simplesmente¡­ fraco. Ainda assim, era uma pessoa otimista, ent?o tinha esperan?a de que aquelas duas figuras ao menos o entretecem um pouco. Ativando um pequeno dispositivo, um choque de baixa propor??o atingiu o sapo-boi em que montava, fazendo-o parar. Era uma aberra??o da natureza, resultado de cruzamentos controlados de monstros, a especialidade de seu seleto grupo de J¨®queis. Era uma vis?o aterrorizante por si s¨®, com quase quatro metros de comprimento, dois pequenos chifres afiados e uma pele esverdeada e salpicada de manchas negras que brilhava como um pantano sob a luz. Suas patas traseiras, musculosas e potentes, eram capazes de saltos devastadores, enquanto as dianteiras, menores, escondiam garras afiadas que cravavam no solo como se marcassem territ¨®rio. A cada coaxar profundo, suas glandulas pulsavam, emanando um cheiro acre que trazia n¨¢useas. A sela era um espet¨¢culo ¨¤ parte, um trono improvisado com metal bruto e couro, cravado com runas que canalizavam eletricidade diretamente para o corpo do animal, ajudando em seu controle. Nas laterais, dois suportes refor?ados seguravam curtas lan?as de arremesso, enquanto um compartimento escondido carregava frascos de veneno extra¨ªdo diretamente de seu animal. ¡ª Voc¨ºs duas ¡ª o J¨®quei chamou de repente, fazendo com que as mulheres virassem simultaneamente os rostos. ¡ª N?o fa?am disso um t¨¦dio, ok? Meu Bogaroth est¨¢ cansado de n?o fazer nada. Sem inten??o de acabar com aquilo rapidamente, o cavaleiro deu um comando silencioso. A montaria respondeu com um coaxar profundo que reverberou pelo campo, e sua longa l¨ªngua foi disparada em dire??o ¨¤ Ana. O ¨®rg?o viscoso cortou o ar com uma velocidade impressionante, mas, para sua surpresa, a mulher mascarada nem se mexeu. Ela apenas inclinou a cabe?a ligeiramente, observando o ataque com uma calma perturbadora. O cavaleiro sabia que n?o era poss¨ªvel ela defender com aquela estranha espada. N?o fazia sentido. A lamina era enorme, desequilibrada, desajeitada, e a mulher sequer parecia se preocupar em us¨¢-la com o devido cuidado. Ainda assim, com um giro elegante que desafiava as leis da f¨ªsica, segurando diretamente na lamina, mas sem um ¨²nico arranh?o, a mulher mascarada girou o bra?o e prendeu a l¨ªngua da criatura no ch?o. A perfura??o foi abafada, mas fez o sapo-boi guinchar em uma mistura de dor e surpresa quando, por instinto, a puxou de volta, dividindo a ponta ao meio. ¡ª Finalmente achamos algu¨¦m ¡ª murmurou Ana, limpando um pouco do muco que escorria pela lamina com a ponta do dedo. ¡ª Ele n?o parece muito forte ¡ª comentou Nyx, inclinando a cabe?a de forma entediada enquanto afinava as cordas de seu ala¨²de. ¡ª ¨¦ uma pena¡­ Vamos procurar algo mais interessante. ¡ª Combinado! E assim, como se a luta n?o fosse digna de sua aten??o, a rainha arrancou a espada do ch?o e voltou a caminhar, com a Sombra seguindo vagarosamente ao seu lado. Nenhuma delas olhou para tr¨¢s. A cena era t?o absurda que o cavaleiro ficou paralisado, sem saber se ria ou se gritava de ¨®dio. A m?o apertou o punho da espada bastarda que carregava, os n¨®s dos dedos ficando brancos. ¡ª Quem pensam que s?o para me ignorar assim?! ¡ª murmurou ele, finalmente recobrando a compostura. Com um novo comando na lateral de sua montaria, o sapo-boi lan?ou duas novas l¨ªnguas ao mesmo tempo, ainda mais r¨¢pidas e ferozes. A dupla de Ins¨ªdia, sentindo a flutua??o no ar, reagiu imediatamente. Antes que as massas rosadas atingissem seus corpos, ambas saltaram em dire??es opostas. ¡ª Voc¨º ¨¦ est¨²pido? ¡ª perguntou Ana, pousando suavemente no ch?o, o tom de sua voz carregado de puro desd¨¦m. ¡ª Vai procurar o que fazer, caralho. O cavaleiro tremia de raiva, o rosto queimando sob o capacete. ¡ª Voc¨º¡­ como ousa um simples mascarado falar assim comigo? Sem aviso, sua montaria deu um salto poderoso, lan?ando-se ao ar com uma for?a surpreendente. O impacto das patas traseiras contra o solo levantou uma nuvem de poeira, enquanto o sapo-boi projetava sua massa colossal diretamente sobre a espadachim. No alto, o monstro parecia ainda mais amea?ador, e sua sombra engoliu Ana, uma amea?a tang¨ªvel que a fazia parecer pequena em compara??o. Enquanto isso, Nyx, agora confortavelmente sentada em uma pedra pr¨®xima, encarava o c¨¦u pregui?osamente.This text was taken from Royal Road. Help the author by reading the original version there. ¡ª Quer ajuda? ¡ª N?o esquenta. Vou acabar com isso de uma vez ¡ª Ana ajustou sua postura, os olhos avaliando a trajet¨®ria do ataque no ar. Com a espada pronta, ela preparou um corte vertical, de baixo para cima, mirando o centro da criatura. Era um golpe calculado, direto, preciso. Mas quando come?ou o movimento, ouviu um riso abafado vindo debaixo do capacete do cavaleiro. Era discreto, mas carregava uma satisfa??o maliciosa que a fez hesitar por um segundo. "Ah, merda¡­ Vacilei" No momento em que a lamina tocou a barriga do sapo-boi, em vez de cort¨¢-la como esperado, deslizou sobre o muco que cobria sua pele. O atrito inesperado desviou a trajet¨®ria da espada e desequilibrou Ana, que deu um passo em falso para tr¨¢s. O riso do cavaleiro aumentou, e como se j¨¢ soubesse o que aconteceria, moveu sua espada com for?a em dire??o ¨¤s costas de sua oponente, certo de que o golpe seria fatal. A arma atingiu o ar, pois, inesperadamente, Ana usou sua longa espada negra como uma vara de salto, impulsionando-se para o alto com uma agilidade que muitos achariam imposs¨ªvel naquela situa??o. O homem ainda assim estava satisfeito. Mesmo errando o corpo de sua oponente, ainda atingiu em cheio a espada que ela usava como apoio. A for?a do impacto lan?ou Ana para longe, como uma boneca de pano sendo arremessada pelo vento, e ela deslizou pela avenida poeirenta. Sem ferimentos graves, mas agora coberta de sujeira, ela se levantou com um murm¨²rio irritado. ¡ª Quem ¨¦ o est¨²pido agora, mascarada idiota? ¡ª zombou o cavaleiro, rindo ao v¨º-la se recompor e balan?ando levemente conforme o sapo virava o corpo. Ana o encarou, seu olhar se demorando no longo risco avermelhado que sua espada havia deixado no corpo do sapo. Sem responder, ela come?ou a bater as m?os na lateral de sua armadura para tirar a poeira. O som met¨¢lico era irritante, e ela sorriu ao perceber isso. Fez quest?o de continuar batendo, como se apenas quisesse incomod¨¢-lo. ¡ª Tem certeza de que n?o quer ajuda? ¡ª provocou Nyx, os p¨¦s balan?ando vigorosamente enquanto continuava sentada, observando a cena com um interesse renovado. ¡ª Agora que olho melhor, ele talvez n?o seja t?o ruim assim. Ana revirou os olhos, sem responder, chutando uma pedra com descaso. ¡ª Voc¨º ¡ª come?ou ela, encarando novamente o homem ¡ª De que guilda ¨¦? O inimigo a observou com aten??o, mantendo a espada em posi??o defensiva para qualquer sinal de um ataque surpresa. ¡ª Sou um orgulhoso J¨®quei dos Brutos de Ferro ¡ª declarou em uma voz carregada de orgulho. ¡ª J¨®quei? Ent?o faz parte do grupo de elite? ¡ª N?o apenas de elite! Somos a nata entre todas aquelas guildas in¨²teis. ¡ª E por que voc¨º est¨¢ sozinho? N?o deveria estar com o resto do ex¨¦rcito? ¡ª ¨¦ entediante enfrentar pessoas t?o fracas em conjunto¡­ ¡ª Te entendo ¡ª resmungou Ana. ¡ª Seria bom se as pr¨®ximas lutas tamb¨¦m fossem interessantes, mas justo os J¨®queis¡­ ¡ª Qual o problema? ¡ª questionou Nyx, curiosa. ¡ª Se est?o andando sozinhos, vamos ter sorte se encontrar mais algum. ¨¦ um grupo bem pequeno¡­ O cavaleiro n?o esperou por mais conversas dispersas. Golpeando as r¨¦deas com mais for?a do que pretendia, e o sapo-boi reagiu com um coaxar furioso antes de voltar a saltar. Desta vez, a criatura n?o foi para o alto, mas diretamente na dire??o de Ana. A mercen¨¢ria sorriu, mas n?o desviou. Em vez disso, repetiu a estrat¨¦gia de usar sua espada como uma vara de salto, impulsionando-se para cima e girando o corpo no ar, em um movimento que fazia sua silhueta parecer um borr?o no c¨¦u. O cavaleiro ergueu sua espada bastarda, preparado para aparar o ataque. Mas a mulher, no ¨²ltimo segundo, soltou a espada com uma m?o e a pegou com a outra, mudando a trajet¨®ria do golpe com uma precis?o que fez o cavaleiro arregalar os olhos. Bogaroth, percebendo o perigo iminente, lan?ou sua l¨ªngua novamente, acertando-a com uma for?a brutal no est?mago. O impacto arrancou o ar de seus pulm?es, for?ando-a a cuspir involuntariamente, mas sua espada ainda alcan?ou o cavaleiro. No entanto, o golpe, embora preciso, apenas deslizou pela armadura pesada, deixando um profundo risco no metal, mas sem tocar a carne, e logo ela foi arremessada para longe. Ainda no ar, a rainha mascarada fincou sua espada no ch?o para amortecer a queda antes de atingir uma das casas na lateral da avenida. Seu movimento parou com um estrondo, mas ela j¨¢ estava de p¨¦ antes que a poeira assentasse. ¡ª Porra, estou muito despreocupada ¡ª resmungou para si mesma, enquanto se alongava para tentar afastar o desconforto. Ela ent?o ergueu a espada novamente, girando o punho com um movimento ¨¢gil em dire??o a Sombra. ¡ª Finalmente encontramos nosso objetivo, s¨® por isso vou permitir que voc¨º toque. ¡ª Que mentira! Sei que voc¨º est¨¢ se co?ando pra me ouvir, minha voz ¨¦ t?o bonita! Ent?o¡­ posso realmente come?ar? ¡ª Pode sim ¡ª respondeu Ana, balan?ando a cabe?a com um sorriso desconcertado N?o conseguia desgostar da mulher ao seu lado, por mais idiota que fosse. O sorriso de Nyx se alargou enquanto seus dedos come?avam a dedilhar uma melodia intrigante, destoando do caos iminente. A primeira nota reverberou como um eco profundo, vibrando no ar ao redor do campo. O cavaleiro, ainda no alto de sua montaria, franziu o cenho, sem entender o que estava acontecendo. No entanto, um arrepio percorreu sua espinha ao notar a fuma?a negra que come?ou a emanar do instrumento. ¡ª Calma, Bogaroth¡­ ¡ª ele murmurou, vendo o sapo sobre si estremecer, a voz carregada de uma apreens?o que n?o existia minutos antes. Mesmo sua armadura pesada parecia mais fria, como se o ambiente estivesse drenando sua coragem. ¡ª Que porcaria ¨¦ essa? ¡ª Isso? ¡ª Ana perguntou, se alinhando em um movimento pregui?oso. ¡ª Segundo essa mulher estranha, ¨¦ a hora do show. E assim, com este ¨²ltimo sussurro de resposta, o ar foi preenchido pelo doce canto da barda. Quer apoiar o projeto e garantir uma c¨®pia f¨ªsica exclusiva de A Eternidade de Ana? Acesse nosso Apoia.se! 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Capítulo 149 - O Grito da Lan?a Negra
Os cora??es das duas mulheres batiam como ar¨ªetes prestes a destruir um resistente port?o. Seus olhos, ambos negros como o mais profundo po?o, refletiam algo que n?o podia ser descrito como raiva ou f¨²ria, mas sim como uma calma perigosa, uma cortina que pouco escondia a loucura que ali se esgueirava. A rainha mascarada gargalhava, sua voz ecoando pelo campo e tornando a situa??o perigosa em algo pr¨®ximo ao rid¨ªculo. A mana reversa pulsava ferozmente, alimentando seu corpo, mas exigindo um pre?o. Sempre que a Sombra tocava as cordas do ala¨²de, o caos parecia aumentar, dificultando para Ana manter a seriedade. Ela n?o corria mais. Cada passo era uma declara??o, ent?o avan?ava com calma, como se o pr¨®prio tempo obedecesse ¨¤ sua vontade. Conforme a luta avan?ava, ap¨®s aprender um pouco os padr?es do grande sapo, se tornou muito mais f¨¢cil desviar, identificando com precis?o os pontos para onde ele n?o conseguiria saltar diretamente. Com um ¨²nico golpe que beirava o cruel, cheio de um inc?modo desprezo silencioso, mais uma l¨ªngua foi cortada. A extremidade caiu ao ch?o com um som molhado, e Bogaroth soltou um grito estridente, balan?ando desajeitadamente, mas logo uma nova l¨ªngua brotou, crescendo como uma serpente renascida. Ana observava com interesse, limpando a gosma que respingou em sua capa. ¡ª ¨¦ uma criatura incr¨ªvel, admito. ¡ª Acha melhor que a cura dos escamosos? ¡ª perguntou Nyx, dando uma breve pausa na m¨²sica. Ana n?o teve tempo de responder. A interrup??o repentina dos acordes fez com que travou o fluxo for?ado de mana reversa, e seu corpo reagiu como se estivesse afundando em areia movedi?a. Ela cambaleou, uma m?o pressionando o peito antes de vomitar uma bocada de sangue. ¡ª Desgra?ada, quer me matar? ¡ª Ops! ¡ª respondeu a barda com falsa inoc¨ºncia, seus dedos j¨¢ voltando ¨¤ melodia. ¡ª Geralmente uso isso em cad¨¢veres, ent?o n?o costuma ser um problema. Ana suspirou, endireitando o corpo e limpando ointenso carmesim que vazava pela borda da m¨¢scara. Seus m¨²sculos queimavam, mas a dor j¨¢ era parte dela. ¡ª Enfim, n?o d¨¢ pra saber se seria uma boa adi??o para as pr¨®teses. Ainda n?o estudei o DNA de criaturas, s¨® de corrompidos. Quem sabe quando tudo isso acabar. ¡ª ¨¦, quem sabe... ¡ª respondeu Nyx com desinteresse, voltando a dedilhar mais algumas notas r¨¢pidas. Um grunhido profundo quebrou o momento. O cavaleiro soltou as r¨¦deas de Bogaroth e inclinou-se pregui?osamente contra seus chifres, guardando a espada bastarda de volta na bainha. ¡ª Que diabos... que diabos¡­ ¡ª murmurou. ¡ª Eu n?o gosto de ser obrigado a lutar assim, mas voc¨ºs duas j¨¢ est?o me cansando. Chega. Bogaroth, salte! O sapo obedeceu enquanto as duas mulheres o encaravam confusas, e o cavaleiro aproveitou o momento. J¨¢ no alto, com uma movimenta??o fluida, puxou uma lan?a curta de sua sela, concentrou sua mana interna, estabilizou sua mira e atirou-a com toda a for?a. O proj¨¦til voou, cortando o ar como uma flecha mortal. Tudo aconteceu em um piscar de olhos, e Nyx viu apenas uma mancha vermelha explodindo em conjunto com um som nauseante. O sangue que atingiu seu rosto a deixou paralisada por um breve segundo. Antes que pudesse processar o que havia acontecido, viu um soco vindo em sua dire??o. Instintivamente se abaixou, esquivando-se por um triz. ¡ª Idiota! Tira a cabe?a da lua! O golpe havia sido dado diretamente pela pr¨®pria rainha, e o motivo estava claro: a lan?a que fora atirada estava cravada na m?o de Ana, atravessando carne e osso por completo. ¡ª Uou! Essa foi por muito pouco! ¡ª brincou a barda, com uma risada exagerada, saltando para tr¨¢s para desviar de mais um soco dado pela companheira, como se aquilo fosse parte de uma grande performance teatral. Sua m¨¢scara de ¨®pera escondia o sorriso, mas sua postura e movimentos tornavam imposs¨ªvel ignorar sua divers?o. Ana estava preparada para investir novamente em dire??o a mulher, mas um brilho prateado chamou sua aten??o. Notou tardiamente que se tratava de um fino fio de metal entrela?ado ao cabo da lan?a, e antes que pudesse reagir, foi puxada pela m?o ainda perfurada. O movimento a desestabilizou, e um estranho frasco que vinha junto com o pux?o se estilha?ou perto de sua perna. Felizmente, a maior parte de seu l¨ªquido c¨¢ustico atingiu o solo, mas o pouco que chegou ao seu corpo conseguiu corroer o couro e infiltrar-se nas brechas de sua armadura. Ana cerrou os dentes enquanto sentia sua pele arder. Sem hesitar, arrancou um frasco regenerativo de seu cinto e o colocou com for?a no encaixe da armadura. O l¨ªquido demorou alguns segundos para se espalhar, e quando finalmente chegou na ¨¢rea afetada, apenas aliviou parte da dor, com a batalha entre o veneno e o regenerador continuando profundamente em sua carne. ¡°Vai ficar uma cicatriz, mas ¨¦ melhor do que perder uma perna¡±. Ana usou a espada cravada no ch?o para apoiar-se e arrancou a lan?a de sua m?o ferida. O momento foi exato, pois assim que finalizou o gesto a arma foi novamente puxada, e sem um respiro foi obrigada a se impulsionar para tr¨¢s, desviando no ¨²ltimo instante de outra ponta afiada que estava chegando. ¡ª Impressionante, espadachim ¡ª zombou o cavaleiro, sua voz carregada de esc¨¢rnio enquanto suas m?os enrolavam as correntes com calma, recuperando os itens lan?ados. ¡ª Poucos sobrevivem ¨¤s minhas lan?as, e ainda menos ao ¨¢cido de Bogaroth. ¡ª E poucos conseguem ser t?o irritantes quanto voc¨º, est¨¢ de parab¨¦ns ¡ª respondeu de forma vagarosa Ana, balan?ando a perna para livrar-se dos ¨²ltimos vest¨ªgios do l¨ªquido venenoso atrav¨¦s da bota que agora estava parcialmente derretida. Ao fundo, a fuma?a negra voltou a emergir de Nyx, que tocava o instrumento ainda mais intensamente do que em sua can??o inicial, e Ana estalou o pesco?o, sentindo o fluxo de for?a selvagem retornar para dentro de si como uma onda avassaladora. O cavaleiro resmungou algo inaud¨ªvel antes de dar outro comando ¨¤ sua montaria, e Bogaroth voltou ao ar, cobrindo o Sol com seu corpo em um tipo de eclipse grotesco. ¡ª Vai ser uma porra lutar com esse cara¡­ Tenta s¨® fugir, Nyx. Vou ver o que fa?o.The author''s narrative has been misappropriated; report any instances of this story on Amazon. ¡ª Voc¨º pode usar manifesta??es, n?o? ¡ª ¨¦ nossa primeira luta, se eu gastar mana agora, as coisas podem se complicar um pouco¡­ Bem, voc¨º sabe... Nyx acenou, sem discutir, e girou o corpo no momento exato em que uma lan?a passou zumbindo a cent¨ªmetros de sua cabe?a. Ana desviou de duas outras que vinham em sua dire??o, aparando uma com sua espada. Para sua sorte, um frasco oculto entre as armas tamb¨¦m atingiu a lamina, derramando o l¨ªquido venenoso para o ch?o sem causar danos. Bogaroth voltou a tocar o solo com for?a, mas quase imediatamente saltou novamente, obedecendo a outro comando de seu mestre. Mais tr¨ºs lan?as foram lan?adas, cada uma for?ando as mulheres a movimentos r¨¢pidos para desviar. Desta vez, por¨¦m, o ¨¢cido foi em dire??o ¨¤ barda, que sem tempo para pensar, atirou o ala¨²de diretamente contra o proj¨¦til em um gesto quase desesperado. O impacto fez o frasco explodir no ar, espalhando o veneno longe. Felizmente, o instrumento, impregnado da mesma ess¨ºncia que a arma de Ana, permaneceu intacto. A pausa na melodia, entretanto, fez Ana trope?ar mais uma vez. O retrocesso do poder a deixou momentaneamente pesada e descoordenada. ¡ª Desculpe! ¡ª gritou Nyx, j¨¢ correndo para recuperar o ala¨²de e voltar a tocar. ¡ª Isso n?o vai dar certo¡­ ¡ª Ana suspirou, balan?ando a cabe?a enquanto sua mente trabalhava rapidamente para analisar o campo de batalha. Bogaroth pousou novamente, rachando o ch?o sob seu peso, e preparou-se para, mais uma vez, repetir a a??o de ir aos c¨¦us. ¡ª Sem lan?as dessa vez? ¡ª pensou rapidamente a mulher com os olhos seguindo o movimento do J¨®quei. ¡ª Seis, ent?o... supondo que ele n?o esteja escondendo algumas. Com o corpo movendo-se quase automaticamente, ela come?ou a correr em dire??o ¨¤ ¨¢rea onde o cavaleiro estava. Quando a montaria flexionou as patas traseiras, Ana deu um impulso poderoso, e sua lamina brilhou sob a luz enquanto cortava o ar, desferindo um golpe pesado na enorme pata traseira do monstro. Seus m¨²sculos, agora repletos de mana reversa, quase explodiram com o esfor?o, mas diferente do ¨²ltimo ataque direto ao animal, esse surtiu efeito. Um longo corte abriu-se na carne da pata, e o salto saiu descontrolado, fazendo a criatura colidir com o telhado de uma grande casa, que desmoronou sob seu peso. Infelizmente Ana n?o teve tempo para comemorar. Antes que a poeira baixasse, ouviu um suave tintilar de correntes, e duas novas lan?as vieram voando em sua dire??o. A primeira passou de rasp?o, abrindo um corte ardente em seu bra?o. A segunda errou por pouco, e o impacto contra o ch?o pr¨®ximo a ela jogou fragmentos de pedra e metal que arranharam sua armadura. Rangendo os dentes, esperou por um momento, tentando prever de onde o J¨®quei viria em seguida. ¡°Concentre-se, idiota¡­ concentre-se¡± Respirou fundo, os segundos pareciam anormalmente demorados, at¨¦ que, como esperava, o som do atrito met¨¢lico denunciou mais uma vez as lan?as sendo puxadas de volta para a sela. Disparou na dire??o do J¨®quei, que j¨¢ comandava um novo salto. Desta vez, Ana ajustou sua posi??o e desferiu outro golpe r¨¢pido, abrindo mais um corte no corpo da criatura. ¡ª N?o est¨¢ sendo profundo o suficiente... ¡ª resmungou, sentindo o cansa?o acumular-se em seus m¨²sculos e vendo que, por mais que machucada, a criatura continuou os movimentos. Seus ossos come?aram a protestar com estalos cada vez mais aud¨ªveis, e ela alcan?ou mais um frasco regenerativo no cinto. ¡ª S¨® restam mais tr¨ºs... Isso vai ter que bastar. A sua frente, a sombra do sapo indicava onde ele pousaria em seguida. Ana correu para intercept¨¢-lo, afinal, era tudo o que poderia fazer. N?o esperava que, desta vez, o J¨®quei estaria preparado. Assim que ela se aproximou, uma das armas foi lan?ada diretamente em dire??o ao seu rosto, enquanto a enorme espada bastarda do cavaleiro descia em um arco mortal em dire??o ao seu tronco. N?o havia tempo para desviar de ambos. Com um movimento r¨¢pido, ela conseguiu sair da trajet¨®ria da lan?a, mas para a espada, precisou colocar sua pr¨®pria lamina como barreira. O choque percorreu seu corpo como um raio, e, pela primeira vez em muito tempo, Ana soltou sua arma. A dor na m?o mutilada tornou imposs¨ªvel manter o agarre. ¡ª Merda! ¡ª gritou, impulsionando-se para tr¨¢s com um fluxo de mana reversa que concentrou nos p¨¦s. O movimento evitou o pr¨®ximo golpe, mas, ao pousar, suas pernas fraquejaram, e ela caiu de joelhos. O J¨®quei come?ou a rir em um tom alto e cheio de arrogancia. Contudo, ao inv¨¦s de irrit¨¢-la, o som instigou-a, e um riso contido pela dor escapou de seus l¨¢bios, crescendo at¨¦ se igualar ao do inimigo. Cambaleando, a mercen¨¢ria se levantou. Estendeu a m?o para pegar sua espada ca¨ªda, mas sentiu algo estranho. A arma parecia menor do que deveria. Seus olhos estreitaram-se em confus?o, e antes que pudesse entender o motivo, sentiu o pux?o s¨²bito da corrente. O homem, com um movimento firme, arrancou a arma de arremesso de suas m?os. ¡ª Ah¡­ Eu devo estar realmente cansada¡­ ¡ª murmurou Ana, os l¨¢bios curvando-se em um sorriso incr¨¦dulo. Desta vez, estendeu o bra?o corretamente em dire??o ¨¤ sua arma escura. ¡ª Acredita que confundi voc¨º, velha amiga, com uma simples... lan?a¡­? Foi quando a realiza??o a atingiu com a for?a de um soco de lutador de boxe. Seus olhos se arregalaram, e uma gargalhada estrondosa escapou de sua boca, reverberando pelo campo. ¡ª Caralho¡­ caralho! Estou ficando senil! Uma velha est¨²pida e senil! Ela balan?ava o metal negro em suas m?os como se tivesse acabado de descobrir um segredo mirabolante do universo. Ao mesmo tempo, n?o conseguia deixar de sentir-se ridiculamente burra. ¡ª Longa demais para uma espada. Fina demais para uma espada. T?o estupidamente ¨®bvio! S¨® pode ser uma lan?a! Ao fundo, o som dos saltos de Bogaroth ecoava mais uma vez, a terra tremendo a cada impacto. Mas ela ignorava a aproxima??o do monstro. Fechou os olhos brevemente, deixando o mundo ao redor se dissolver em ru¨ªdos abafados. Quando soltou o ar, junto com ele veio um punhado da fuma?a negra que a fortalecia, ondulando como serpentes ao seu redor. ¡ª Gastar s¨® um pouquinho de mana n?o vai fazer mal... ¡ª resmungou, enquanto uma fina vinha emergia de sua armadura, subindo em espirais pela empunhadura da arma negra. A energia reversa fluiu como um veneno vivo, e com sua influ¨ºncia sobre a mana comum, espinhos surgiram por toda a extens?o da manifesta??o. Eles perfuraram sua m?o sem piedade, gotas de sangue escorriam por seu bra?o, mas Ana n?o se importava. Como se absorvendo parte da energia de sua dona, a arma come?ou a brilhar fracamente. Era um brilho opaco, quase como o reflexo de um abismo infinito, devorando tudo ao seu redor. Vendo isso, Ana ajustou sua postura com cuidado. Mem¨®rias do Grande Vazio afloraram em sua mente, de um tempo onde aquele movimento fora praticado milhares de vezes, mas seu corpo parecia lembrar antes mesmo de sua consci¨ºncia. Flexionou os joelhos, transferindo o peso para a perna de apoio. A m?o que segurava a arma ajustou-se levemente, buscando o equil¨ªbrio perfeito. Os m¨²sculos de seus ombros e bra?os tensionaram-se, enquanto o fluxo de mana reversa percorria suas veias como fogo l¨ªquido. Cada parte de seu corpo parecia uma mola prestes a se soltar. Bogaroth, agora quase sobre ela, era uma amea?a colossal, mas a mercen¨¢ria estava pronta para isso. Com um grito rouco, jogou a arma. A lan?a negra rasgou o ar com uma estranha beleza em um trajeto hipnotizante. Seu movimento era t?o gracioso quanto implac¨¢vel, uma obra de arte forjada para a destrui??o, um predador ansioso por ser liberado. Quer apoiar o projeto e garantir uma c¨®pia f¨ªsica exclusiva de A Eternidade de Ana? Acesse nosso Apoia.se! Com uma contribui??o a partir de R$ 5,00, voc¨º n?o s¨® ajuda a tornar este sonho realidade, como tamb¨¦m faz parte da jornada de um autor apaixonado e determinado. ?? Venha fazer parte dessa hist¨®ria! ?? 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Capítulo Extra 1: Sabor de Família
*Cap¨ªtulo extra n?o can?nico A floresta estava coberta por uma fina camada de neve, que ca¨ªa em espirais silenciosas, absorvendo o som dos passos de Ana. O frio era t?o intenso que parecia cortar sua pele, o que, para ela, era uma sensa??o incomum e inusitada, por¨¦m mais um inc?modo do que uma amea?a. Foi ent?o que, em meio ¨¤ tempestade, uma luz distante chamou sua aten??o. Uma cabana simples, com dois andares, surgiu ¨¤ sua frente. As luzes das velas iluminavam fracamente a neblina nas janelas, revelando vultos que se moviam l¨¢ dentro. Sem ter um rumo claro, Ana decidiu se aproximar. Com o p¨¦, bateu ¨¤ porta. Esperava que ningu¨¦m a atendesse, afinal, quantos moradores estariam dispostos a abrir suas casas a estranhos em uma noite como aquela? Para sua surpresa, rapidamente ouviu um rangido leve, revelando uma mulher de cabelos grisalhos e um sorriso doce. Seu rosto era acolhedor, como o de uma av¨® que sempre sabe o que dizer para confortar. ¡ª Oh, meu Deus! ¡ª exclamou a mulher, surpresa. ¡ª Uma viajante! Voc¨º deve estar congelando. Entre, querida, entre! A mulher a puxou suavemente para dentro da cabana, e Ana permitiu que o calor a envolvesse. O interior era aconchegante, a lareira crepitava no canto, o cheiro de algo assando no forno preenchia o ar, e a decora??o simples, mas charmosa, criava uma atmosfera que contrastava violentamente com a nevasca l¨¢ fora. ¡ª Fui pega de surpresa pela tempestade de neve ¡ª comentou a mercen¨¢ria, observando o ambiente com cuidado, seus olhos analisando cada detalhe. ¡ª Ah, isso acontece muito por aqui. A neve ¨¤s vezes chega sem aviso. Meu marido est¨¢ preparando o jantar. Querido, temos visita! ¡ª ¨®timo! ¡ª uma voz grave e abafada respondeu da cozinha. ¡ª Vou colocar mais carne na grelha! ¡ª N?o precisam se preocupar comigo. Vou embora assim que a nevasca enfraquecer ¡ª disse Ana, sem querer atrapalhar a noite do casal. ¡ª N?o seja boba, querida. Isso pode durar horas! ¡ª comentou a mulher, soltando uma risada suave. ¡ª No pior dos casos, at¨¦ dias! ¡ª Certo, ent?o. Acho que posso ficar um pouco mais¡­ ¡ª Ana esbo?ou um sorriso contido, quase impercept¨ªvel, e cedeu, encostando sua espada com cuidado ao lado da porta. Sendo orientada pela senhora, sentou-se em uma cadeira de madeira acolchoada, sentindo o calor da lareira ao fundo aquecer suas costas. Minutos depois, o marido da mulher apareceu com uma grande bandeja. Ele era um homem imenso, de quase dois metros de altura, com uma constitui??o robusta, um pouco gordo, mas de apar¨ºncia forte. Seu avental estava salpicado de manchas vermelhas, algo que, em qualquer outro contexto, poderia passar despercebido, mas que chamou a aten??o de Ana imediatamente pelo contraste com seu sorriso amig¨¢vel. ¡ª Carne fresca? ¡ª perguntou casualmente a rainha, sentindo o forte aroma no ar enquanto o homem se aproximava da mesa. Ele sorriu amplamente, um brilho de orgulho surgindo em seus olhos. ¡ª Ah, sim! Tentamos sempre manter tudo fresco. Isolados assim, precisamos garantir que o corte seja feito na hora ¡ª disse, ajeitando a bandeja com cuidado. ¡ª N?o h¨¢ nada como o sabor de algo¡­ Bem, voc¨º sabe, rec¨¦m-preparado. ¡ª Realmente ¨¦ mais saborosa assim ¡ª comentou Ana, avaliando os cortes. ¡ª Isso est¨¢ muito bem alinhado, ¨¦ uma t¨¦cnica maravilhosa. ¡ª Parece que temos uma convidada que entende das coisas esta noite ¡ª comentou a gentil senhora. ¡ª Meu Deus, onde est?o meus modos! ¡ª exclamou o grande homem de repente. ¡ª Meu nome ¨¦ Jefferson, e esta ¨¦ minha esposa, Ana. ¡ª Curioso. Tamb¨¦m me chamo Ana. ¨¦ um prazer. Os dois sorriram com a coincid¨ºncia, compartilhando o momento com uma leveza desconcertante, e logo come?aram a se servir. Ana tamb¨¦m come?ou a comer em sil¨ºncio, mastigando devagar. Por um breve momento, seus olhos se arregalaram ao sentir o gosto da carne, mas logo sua express?o voltou ao habitual. ¡ª E de onde voc¨º ¨¦? ¡ª perguntou a mulher, a outra Ana, curiosa, enquanto se servia de mais um peda?o de carne. ¡ª De uma vila pr¨®xima. Estou apenas treinando por aqui. Nada demais. ¡ª N?o sabia que tinha uma por aqui. Sabe, n?o conhecemos muito da regi?o ¡ª comentou Jefferson. ¡ª Gostamos do nosso canto isolado. Tranquilo, sem perturba??es. As conversas flu¨ªram naturalmente, enquanto o vento l¨¢ fora soprava forte, aumentando a sensa??o de isolamento. A luz das velas iluminava o ambiente de forma aconchegante, mas havia uma tens?o sutil no ar. Finalmente, ap¨®s alguns minutos de mais mastiga??o, Ana colocou seu garfo sobre o prato e levantou o olhar devagar, limpando a boca com um guardanapo de tecido. ¡ª Pode ser meio indelicado, e realmente n?o quero ser rude... ¡ª disse ela, em um tom calmo, mas com uma pitada de ironia. ¡ª Mas apesar do bom corte, a carne est¨¢ muito mal preparada.Stolen from Royal Road, this story should be reported if encountered on Amazon. O casal parou, trocando um olhar breve e confuso. Por um momento, um novo sil¨ºncio pairou sobre a mesa, dessa vez mais pesado do que o anterior. ¡ª N?o entendi... ¡ª disse a mulher, a do?ura ainda presente, mas um pouco mais hesitante. ¡ª Se voc¨ºs realmente quiserem aproveitar bem esse tipo de carne, precisam entender como cada parte do corpo funciona ¡ª come?ou Ana, encostando com o dedo na comida que restava no prato para sentir a textura. ¡ª Por exemplo, m¨²sculos como este aqui ¡ª apontou com a faca para o prato ¡ª S?o bastante firmes, e por isso ¨¦ preciso uma prepara??o cuidadosa. O ideal seria marin¨¢-los por v¨¢rias horas com algo ¨¢cido, como vinho ou vinagre, para quebrar as fibras. Depois, devem ser cozidos lentamente, de prefer¨ºncia a baixas temperaturas, para que a carne n?o endure?a. Os dois moradores a encaravam, seus sorrisos suaves se esvaindo enquanto o choque de ouvir uma an¨¢lise t?o meticulosa surgia em seus rostos. ¡ª Mas claro, se voc¨ºs querem mais sabor e maciez, o melhor ¨¦ usar partes mais gordurosas. As coxas, por exemplo ¡ª continuou Ana, contornando a pr¨®pria perna com a faca como se estivesse falando de algo trivial. ¡ª Elas t¨ºm uma combina??o perfeita de m¨²sculo e gordura. Assadas com a pele, a gordura derrete e infunde a carne, mantendo-a suculenta. Mas, para conseguir o melhor resultado, ¨¦ importante usar a t¨¦cnica correta de tempero. Algo simples, como alho, ervas e um pouco de sal grosso, pode fazer maravilhas. Jefferson e sua esposa ainda estavam como est¨¢tuas, sem saber como reagir, mas Ana n?o parecia se importar. Ela levantou a faca levemente, apontando para o prato novamente, e depois subindo por seus bra?os. ¡ª Os ombros tamb¨¦m s?o uma boa escolha ¡ª explicou, mudando o tom para algo quase apreciativo. ¡ª Eles t¨ºm bastante col¨¢geno. Se forem cozidos lentamente, o col¨¢geno se transforma em uma gelatina natural, o que deixa a carne desmanchando na boca. Um bom ensopado com os ombros pode alimentar uma fam¨ªlia por dias! Ela ent?o franziu a testa ligeiramente, como se estivesse se lembrando de algo importante. ¡ª E n?o podemos esquecer dos ¨®rg?os! ¡ª havia uma pontada de entusiasmo em sua voz que causou um calafrio no casal. ¡ª O f¨ªgado ¨¦ uma iguaria, especialmente quando ainda macio e cheio de sangue. Basta sel¨¢-lo rapidamente em uma frigideira bem quente, com manteiga e ervas. Simples, mas elegante. Ana fez uma pausa, saboreando as palavras. ¡ª E o cora??o... ah, o cora??o ¨¦ uma verdadeira obra de arte. Cada m¨²sculo firme e cheio de vida. Se cortado em fatias finas, grelhado at¨¦ atingir a perfei??o, com apenas um toque de sal e lim?o, pode se transformar em uma experi¨ºncia que faz voc¨º... transcender seus limites. Digo por experi¨ºncia pr¨®pria! O casal estava estupefato, suas express?es revelando uma mistura de fasc¨ªnio e horror, como se estivessem ouvindo uma especialista falar de um banquete em um restaurante sofisticado, mas a realidade da situa??o tornava aquilo tudo grotesco. Foi ent?o que, em um movimento s¨²bito, o marido e a esposa puxaram facas longas de suas cinturas, tentando esconder o nervosismo em seus rostos. Ana sequer olhou para eles. Continuou cortando outro peda?o da carne e, com tranquilidade, levou-o ¨¤ boca. O sil¨ºncio ensurdecedor da sala foi interrompido apenas pelo som de seus dentes cortando as fibras do alimento. ¡ª Parem com isso ¡ª disse ela com um tom despreocupado, olhando para eles por cima do prato. ¡ª S¨® quis ajudar. ¡ª Quem... quem ¨¦ voc¨º, afinal? ¡ª Eu? ¡ª ela inclinou a cabe?a levemente, um sorriso ir?nico nos l¨¢bios. ¡ª Sou apenas uma viajante. Algu¨¦m que entende de boas refei??es e sabe apreciar um trabalho bem feito. Jefferson abaixou lentamente a arma que carregava, confuso e claramente intimidado. ¡ª Voc¨º realmente entende de carne... ¡ª disse por fim, tentando parecer calmo, mas sua voz tremia levemente. ¡ª Poderia repetir o que disse? Acho que... n?o anotei direito. Ana riu alto, um som que ecoou pela cabana, reverberando nas paredes de madeira. O riso era ao mesmo tempo leve e carregado de uma frieza desconcertante. ¡ª Posso fazer melhor do que repetir; Se tiverem carne suficiente, posso ensinar na pr¨¢tica! A outra Ana, ainda um tanto abalada, tentou manter a compostura. Seu sorriso nervoso retornou, embora seus olhos tra¨ªssem o medo crescente. ¡ª Claro que temos carne suficiente, querida. J¨¢ disse que estamos sempre preparados. ¡ª ¨®timo ¡ª respondeu a rainha, caminhando at¨¦ o centro da sala e estalando os dedos, como se estivesse se preparando para algo do dia a dia. ¡ª Vou preparar a ceia eu mesma. Hoje vamos ter um verdadeiro banquete. Ela foi ent?o em dire??o ¨¤ cozinha, seus passos lentos e deliberados. ¡ª Afinal, ¨¦ Natal! O casal permaneceu em sil¨ºncio, enquanto Ana j¨¢ dava uma boa olhada nos utens¨ªlios, como se estivesse na pr¨®pria casa. Jefferson olhou para a esposa, que deu de ombros, e ambos seguiram-na, ainda incertos se deviam temer ou admirar aquela estranha mulher que havia transformado a noite em algo muito al¨¦m do que haviam planejado. Aos poucos, as tens?es baixaram, e as horas se passaram lentamente. O trio se envolveu em pequenas conversas, relembrando anedotas de um passado antigo e, por um breve momento, parecia que o tempo havia parado. L¨¢ fora, o vento uivava, mas dentro da cabana, o calor e a luz do fog?o tornavam a cena quase id¨ªlica, com Ana, Jefferson e a outra Ana rindo juntos como se fossem velhos amigos. De vez em quando, um leve ru¨ªdo vindo do por?o ¡ª algo entre um arrastar e um gemido abafado ¡ª atravessava o ambiente, mas parecia t?o distante que ningu¨¦m mencionava. O cheiro de comida sendo preparada era intenso, e a leveza das intera??es criavam uma atmosfera quase familiar, fazendo, por um breve momento, que ali parecesse um ref¨²gio de aconchego e alegria, e, acima de tudo, uma fam¨ªlia perfeita e feliz. Afinal¡­ ¨¦ Natal. Quer apoiar o projeto e garantir uma c¨®pia f¨ªsica exclusiva de A Eternidade de Ana? Acesse nosso Apoia.se! Com uma contribui??o a partir de R$ 5,00, voc¨º n?o s¨® ajuda a tornar este sonho realidade, como tamb¨¦m faz parte da jornada de um autor apaixonado e determinado. ?? Venha fazer parte dessa hist¨®ria! ?? Apoia-se: https://apoia.se/eda Discord oficial da obra: https://discord.com/invite/mquYDvZQ6p Galeria e outros links: https://linktr.ee/eternity_of_ana
Capítulo 150 - Bifurca??o dos Caminhos
O J¨®quei, alheio ao que sua oponente pensava, preparava-se para lan?ar outra ofensiva. Sua mente estava completamente focada, as m?os firmemente enroladas nas correntes das lan?as, como se pudesse resolver tudo com o mesmo ritmo que manteve at¨¦ o momento. Por¨¦m, de repente, algo estranho surgiu bem ¨¤ frente da sela de sua montaria. Parecia um estranho incha?o e crescia de maneira grotesca, como se o pr¨®prio corpo do monstro estivesse tentando expelir algo. Ele franziu a testa e piscou repetidamente, como se a vis?o fosse um truque da luz. ¡ª Ser¨¢ que te levei ao limite, Bog? Foi s¨® quando a ponta negra e afiada da lan?a atravessou a pele viscosa, rasgando carne e tecido de um lado ao outro, que ele entendeu o que havia acontecido. O sapo sequer teve tempo de dar um ¨²ltimo coaxar. Seu corpo balan?ou no ar, descontrolado, e ent?o caiu de lado, capotando como uma pedra descendo uma colina, esmagando tudo em seu caminho. O cavaleiro, antes preso ¨¤ sela, foi arremessado com a viol¨ºncia do tombo. Seu corpo, envolto na pesada armadura, colidiu brutalmente contra uma ¨¢rvore, o impacto foi suficiente para entort¨¢-la levemente e arrancar folhas e galhos, e ele caiu ao solo com um baque, ofegante e claramente atordoado. Ana sorriu satisfeita e puxou a vinha que ainda estava conectada ¨¤ lan?a negra, fazendo a arma voltar para sua m?o com um movimento estranho, mas funcional. ¡ª N?o posso negar... esse truque ¨¦ excelente ¡ª disse ela, com um tom casual e divertido. O cavaleiro grunhiu de dor, tentando recuperar o f?lego. Seus movimentos eram lentos e desajeitados enquanto se levantava. A armadura rangia a cada esfor?o, como se cada parte protestasse contra a decis?o de continuar. ¡ª Voc¨ºs¡­ ¡ª murmurou ele, enquanto se endireitava, pegando a espada bastarda que por sorte foi lan?ada ao seu lado. ¡ª Voc¨ºs s?o duas FILHAS DA PUTA! Sabem quanto tempo eu gastei criando o Bogaroth?! Voc¨ºs v?o pagar¡­ v?o virar ra??o, suas desgra?adas! FILHAS DA PUTA! Come?ou ent?o a correr na dire??o de Ana, movendo-se como um touro enfurecido. Seu grito de guerra reverberava pelo campo, mas a rainha permaneceu im¨®vel. Uma express?o s¨¦ria preencheu seus olhos, contrastando com seus muitos dentes ¨¤ mostra. Dessa vez, se preparou n?o para uma espada incomum, mas sim com uma postura adequada para a natureza de uma lan?a. Seu agarrar simulava a forma que se segura um pique, e seu corpo se alinhou com a arma, os p¨¦s firmemente plantados no ch?o. O direito ficou um pouco mais ¨¤ frente, para dar apoio e absorver o impacto, e j¨¢ o esquerdo, recuado, ancorava seu equil¨ªbrio. A m?o dominante estava firmemente presa ao cabo da arma, enquanto a outra, coberta pela armadura, se posicionava mais pr¨®xima ao centro, diretamente sobre a lamina, pronta para redirecionar o movimento quando necess¨¢rio. Era uma postura cl¨¢ssica, mas implac¨¢vel, projetada para o simples prop¨®sito de atravessar inimigos. ¡°Matar¡±. O agarre da rainha mercen¨¢ria ficou mais firme com o sussurro inesperado. ¡ª Agora, sim¡­ Achei que esse cara n?o tinha chamado sua aten??o ¡ª murmurou para a arma, com um sorriso afiado sob a m¨¢scara. ¡ª Vamos acabar com isso de uma vez. Ela ent?o esperou, observando cada detalhe do oponente. Era um guerreiro admir¨¢vel, n?o podia negar. Sua postura, mesmo sem sua montaria, era perfeita. Cada movimento dele parecia mais um pren¨²ncio do impacto iminente. O movimento dos p¨¦s, a forma como segurava a arma, tudo. Quando finalmente o J¨®quei estava perto o bastante, Ana agiu, movendo-se com a precis?o de uma predadora. A ponta da lan?a brilhou sob a luz do campo, e seu objetivo era claro: empal¨¢-lo de uma vez s¨®. No entanto, antes que o golpe pudesse ser desferido, algo inesperado aconteceu. Uma massa rosada surgiu em sua vis?o, a mesma l¨ªngua que ela havia visto v¨¢rias vezes durante o combate. Confusa, pensou em desviar, mas notou que desta vez se estava indo em dire??o ao cavaleiro. Tomou s¨® um momento para enrolar-se bruscamente ao redor do homem com uma for?a esmagadora, interrompendo sua investida no ¨²ltimo segundo. ¡ª O qu¨º?! ¡ª ele gritou, sua voz carregada de surpresa e indigna??o enquanto era puxado para tr¨¢s, diretamente para a grande boca de Bogaroth. O cavaleiro se debatia com f¨²ria, tentando libertar-se. Sua espada bastarda, ainda em m?os, foi erguida em um arco desesperado e cravada com for?a dentro da boca do sapo. Sem sucesso, repetiu o movimento v¨¢rias vezes. O a?o perfurava o interior do monstro, atravessando partes de sua carne e emergindo pelo lado de fora em estocadas brutais. Mas Bogaroth n?o reagia. Os ataques pareciam insignificantes para o sapo colossal, que mastigava com for?a inabal¨¢vel.The narrative has been taken without authorization; if you see it on Amazon, report the incident. ¡ª N?o! Eu sou um J¨®quei dos Brutos de Ferro! N?o vou morrer assim! Sua declara??o saiu em um forte rugido, mas foi tragada pela cacofonia grotesca que preenchia o ar. Estalos horrendos ressoaram, o som de ossos sendo triturados contra os dentes massivos da criatura. Cada mordida parecia uma senten?a, acompanhada pelo ru¨ªdo molhado de carne sendo dilacerada. O esfor?o do cavaleiro tornava-se cada vez mais fren¨¦tico, at¨¦ que, por fim, os gritos foram substitu¨ªdos por um sil¨ºncio abrupto e opressor. ¡ª Ooooh, quem diria que ele tem dentes! ¡ª exclamou Nyx, com uma anima??o que beirava o c?mico ap¨®s toda a como??o. A Sombra surgiu como se tivesse ensaiado sua entrada teatral ¨¤ perfei??o. Sentada com uma tranquilidade desconcertante nas costas da criatura, ela dedilhava o ala¨²de, os dedos dan?ando despreocupadamente pelas cordas. Logo abaixo dela, a fuma?a negra que antes flu¨ªa diretamente para Ana, agora se dividia, convergindo tamb¨¦m em dire??o ao Bogaroth, adentrando o animal morto atrav¨¦s do buraco grotesco em seu peito, onde peda?os rasgados de carne e pele ainda pendiam, grosseiramente pendurados. Os olhos do sapo, antes apagados em sua morte, piscavam de forma antinatural, e apenas escurid?o preenchia suas ¨®rbitas. Ana foi de protagonista a espectadora em um suspiro, e, exausta, sentou-se no ch?o, observando a barda fazer carinho na cabe?a do monstro. Se n?o fosse o forte cheiro que emanava do est?mago perfurado do cad¨¢ver, a mercen¨¢ria pensou que seria uma cena at¨¦ que fofa. ¡ª Recebi a atualiza??o dos mensageiros enquanto voc¨º lutava ¡ª comentou Nyx ap¨®s alguns minutos de descanso. ¡ª Parece que est¨¢ tudo uma bagun?a. ¡ª Quando n?o est¨¢? ¡ª respondeu Ana com um leve riso cansado, balan?ando a cabe?a. ¡ª O que te disseram? Nyx ergueu os olhos do sapo para encar¨¢-la, um brilho levemente divertido em seu olhar, mesmo enquanto falava algo s¨¦rio. A melodia suave que tocava contrastava com o tom tenso da situa??o. ¡ª Perdemos contato com as dr¨ªades e a maior parte do ex¨¦rcito inimigo se reuniu na ala oeste. Est?o em um aparente empate com a divis?o Bestial. Parece que pediram refor?os por l¨¢. Ana franziu as sobrancelhas, sua express?o endurecendo. ¡ª Carapicu¨ªba est¨¢ l¨¢ tamb¨¦m, certo? ¡ª Pelo que me lembro, sim. Mas os detalhes n?o foram muito claros. Parece que a comunica??o n?o est¨¢ t?o confi¨¢vel ultimamente. Ana soltou um longo suspiro, inclinando-se para frente antes de se levantar. Seus movimentos eram lentos, como se a batalha tivesse drenado mais dela do que estava disposta a admitir. Ela pegou a lan?a negra ao seu lado, girando-a com as duas m?os em um gesto autom¨¢tico antes de prend¨º-la improvisadamente na armadura. ¡ª Certo. Ent?o nossa ca?ada a outros J¨®queis vai ter que esperar um pouco. Vamos ver se conseguimos ajudar esses caras. ¡ª Na verdade¡­ s¨® eu vou. Ana virou-se rapidamente, encarando Nyx com uma mistura de surpresa e irrita??o. ¡ª S¨® voc¨º? Por qu¨º? O sorriso da barda cresceu levemente, e sua melodia diminuiu at¨¦ quase parar. ¡ª No meio dos avisos do dispositivo, Miguel repassou uma mensagem especial. A Colecionadora parece estar se aproveitando da guerra para fu?ar pelo castelo. Ana ficou im¨®vel por um instante, processando as palavras. Ent?o, lentamente, tirou a m¨¢scara de seu rosto, revelando um olhar exasperado enquanto massageava as t¨ºmporas com as pontas dos dedos. ¡ª Eu acabei de sair de l¨¢¡­ ¡ª murmurou ela, com um tom que oscilava entre frustra??o e resigna??o. ¡ª Ser¨¢ que ela n?o podia ter aparecido antes? ¡ª Talvez ela tenha esperado exatamente por isso. A rainha bufou, cruzando os bra?os e olhando para o horizonte. Seu semblante s¨¦rio refletia a complexidade da situa??o. Ap¨®s alguns segundos de sil¨ºncio, ela voltou a falar, sua voz mais firme. ¡ª Certo, eu volto para o castelo. Mas voc¨º, Nyx¡­ ¡ª N?o se preocupe. Prometo n?o morrer ¡ª interrompeu a barda com um sorriso travesso, enquanto ajustava a postura em cima da criatura. Ela fez um gesto exagerado para se arrumar na sela, e aumentou sutilmente a intensidade da melodia. A fuma?a negra que ainda serpenteava ao redor da criatura pulsou levemente, como se reagisse ao som. Bogaroth, at¨¦ ent?o inerte, ergueu-se lentamente, seus movimentos mais firmes e controlados do que antes. O sapo gigantesco flexionou as patas traseiras, e com um salto poderoso, o monstro come?ou a se mover pelo campo de batalha. ¡ª Se cuide, Ana! E mande um oi pra essa tal Colecionadora! ¡ª gritou a Sombra, rindo enquanto acenava despreocupadamente, desaparecendo no horizonte. Ana revirou os olhos, e ficou parada por um instante, sorrindo. Por fim, prendeu novamente o cabelo, que agora era um grande emaranhado de fios. Seus dedos tocaram a borda da m¨¢scara que descansava em sua m?o, e ela a ergueu lentamente, colocando-a novamente sobre o rosto. Sentiu o peso familiar retornar, tanto f¨ªsico quanto simb¨®lico, um lembrete de quem ela precisava ser, independentemente do caos ao redor. O vento soprou, fazendo a capa rasgada agitar-se enquanto ela caminhava. Ana desaparecia aos poucos no cen¨¢rio devastado, como uma sombra que se mistura ao entardecer, uma figura solit¨¢ria avan?ando para o pr¨®ximo desafio. Quer cap¨ªtulos adiantados? Leia no Illusia! https://illusia.com.br/story/a-eternidade-de-ana/ Quer apoiar o projeto e garantir uma c¨®pia f¨ªsica exclusiva de A Eternidade de Ana? Acesse nosso Apoia.se! Com uma contribui??o a partir de R$ 5,00, voc¨º n?o s¨® ajuda a tornar este sonho realidade, como tamb¨¦m faz parte da jornada de um autor apaixonado e determinado. ?? Venha fazer parte dessa hist¨®ria! ?? Apoia-se: https://apoia.se/eda Discord oficial da obra: https://discord.com/invite/mquYDvZQ6p Galeria e outros links: https://linktr.ee/eternity_of_ana