《What Keeps You From Being just mine... (português)》 Aquele maldito erro Ichika estava louca para acabar sua carga hor¨¢ria e ir embora. Queria ir para casa, tomar um banho e enfim dormir. Quem imaginaria que ela teria que ficar uma hora a mais naquele dia. Quem dera se ela tivesse sa¨ªdo mais cedo. A pressa s¨® lhe aumentava a ansiedade. Enquanto atendia no balc?o, estava distra¨ªda olhando o seu celular. Gostava de fazer aquilo enquanto as mesas estavam ocupadas, at¨¦ que uma voz a faz levantar os olhos do aparelho, uma garota lhe chamava a aten??o, seus cabelos estavam presos em um coque, por¨¦m tinham um destaque, eram rosa, era at¨¦ engra?ado o fato dela ser a ¨²nica no estabelecimento com um cabelo diferente. Ele era de estatura m¨¦dia, tinha no bra?o um jaleco branco, e de forma descontra¨ªda usava nos p¨¦s um par de All stars vermelho. Estava t?o ocupada a observando que o mundo ao seu redor j¨¢ n?o parecia existir. - Ichika! Meu Deus voc¨º vai demorar quanto tempo at¨¦ atender a cliente que acabou de chegar! - era o seu irm?o mais velho Yuma que a fez retornar da transe. - ???? Ah ¨¦ mesmo! r¨¢pido pega o bloquinho a caneta e o card¨¢pio!- disse isso estendendo a m?o para ele. Yuma revirou os olhos. Ent?o apontou com o indicador discretamente onde estava tudo. Ela riu nervosa. Pegou as coisas com pressa e foi at¨¦ a mesa 5.5, seu cora??o palpitava, seus cadar?os haviam desamarrados, suas m?os suavam, ela se sentia estranha, nunca havia sentido tudo aquilo antes, era uma simples tarefa, ir at¨¦ a mesa, anotar os pedidos, e dar para o Yuma fazer o resto. Mas algo naquele dia parecia tornar tudo mais dif¨ªcil. - ¨¦ uma tarefa simples eu consigo! - sussurrou consigo mesma, quando estava focada em como chegaria na mesa 5.5, n?o viu uma crian?a que correu em sua frente. Ela se desequilibrou, seu bloquinho caiu assim como as outras coisas que carregava, pisou em seus cadar?os o que favoreceu ainda mais sua queda. Seu destino com o ch?o estava certo. Havia at¨¦ fechado os olhos, n?o queria ver a humilha??o que a esperava. Ouviu um barulho de cadeira se deslocando r¨¢pido, at¨¦ que sentiu um bra?o que a segurava forte. Logo que n?o sentia o frio do ch?o abriu os olhos, mal podia crer no que via. De bem perto observava seus olhos verdes, suas evidentes sardas que delicadamente iam aparecendo debaixo de uma base que havia sobrevivido o dia todo, dava para ouvir sua respira??o forte e violenta, assim como dava para sentir um leve cheiro de cereja pairando sobre o ar. A garota a colocou de p¨¦. - T¨¢ tudo bem?- perguntou com um sorriso. Ichika queria sumir naquele momento, talvez se esconder na vergonha que estava sentindo, por mais que n?o tivesse ca¨ªdo de cara no ch?o frio, estava frustrada por n?o ter amarrado os cadar?os direito. - Ahh s-sim muito obrigada - disse timidamente. A garota agachou para pegar o que havia ca¨ªdo. - Toma, isso ¨¦ seu. - e entregou o que havia pego, mal imaginava que a sua felicidade acabaria t?o r¨¢pido. Quando a acompanhante se pronunciou irritada. - EI! VOC¨º LARGA MINHA NAMORADA! SUA.... SUA FURA OLHO! -gritou a loira. Ela era mais alta que a de rosa, estava com os cabelos propositalmente bagun?ados e usava uma jaqueta de couro enquanto cobria a camiseta branca estampada com a logo dos beatles. Uma cal?a Jeans preta rasgada e botas. Uma roqueira? pensou Ichika. Logo depois de um tempo a no??o veio. Ichika arregalou seus olhos escuros. Como aquilo acontecera? Como ela nunca havia percebido que as duas eram um casal. Voltando o olhar para a garota dos cabelos rosa, viu que mesmo assim estava tentando justificar um erro que Ichika havia cometido. - Ai Riley, eu s¨® tava ajudando ela, credo que ci¨²mes rid¨ªculo! - disse levantando os bra?os para cima em forma de reden??o. A garota poderia ter a deixado cair no ch?o, em vez disso preferiu ajudar, n?o era justo a "rosada" receber culpa de algo que n?o fez. - Ela veio at¨¦ onde eu sei ajudar a gente, nem sei como voc¨º conseguiu ficar com a m?o levantada por tanto tempo... - disse, imitando o movimento com as m?os no ar. Riley acalmou seus animos e voltou a se sentar, estava um pouco nervosa, pela demora e pelo ocorrido a pouco. -E-ei... qual o seu nome?- disse quase num sussurro a garota, ela segurou a manga de sua blusa um pouco de leve para lhe chamar a aten??o. Ichika pensou quase que ela a n?o ouviria, mas logo veio sua resposta - Meu nome ¨¦ Scarllet - disse se virando a ela, depois de responder a pergunta, levantou a cadeira que havia derrubado quando foi evitar a queda. Ichika estava feliz. Por mais que particularmente uma certa onda de caos a cercava desde que ela havia se levantado para fazer o que um atendente faz, resumiu que aquela fora a melhor forma de se chegar na situa??o na qual estava. - Ent?o, aqui est¨¢ o card¨¢pio, escolham e depois me chamem. - Se virou e andou rapidamente at¨¦ o balc?o no qual escondeu o rosto com o card¨¢pio. Seu rosto estava avermelhado. Quente. Quando levantou sua cabe?a um pouco acima do card¨¢pio, seus olhos n?o a deixaram pensar, logo j¨¢ se direcionaram para a mesa 5.5, e Scarllet erguia seu bra?o novamente, dessa vez mais confiante. Ichika pegou a bandeja e se dirigiu at¨¦ a mesa, nessa vez a rota parecia mais curta. - E ent?o o que escolheram? - disse completamente ignorando a exist¨ºncia de Riley e colocando seus olhos na linda mulher que a ajudara a se levantar. - Eu quero 6 rosquinhas, e 3 delas coloque BASTANTE granulado por favor?- Scarllet estava um pouco envergonhada em pedir mais em alguma coisa, N?o queria passar a impress?o de esfomeada. - E voc¨º Riley? Quer alguma coisa? - Eu n?o quero nada! - disse encostada na vitrine olhando para o movimento de fora. Riley estava queimando de raiva. - N?o fica emburrada, s¨® por qu¨º voc¨º perdeu o emprego n?o significa que perdeu a vida! - Ichika ficou im¨®vel, por um momento preferiu estar em outro lugar, mas como n?o sairia dali sem um pedido em m?os ficou parada observando o desenrolar de toda a situa??o. Stolen from Royal Road, this story should be reported if encountered on Amazon. -Pra mim sim! - Ela aumentou o tom de voz enquanto espalmava as duas m?os na mesa, ela parecia uma crian?a birrenta. Scarllet suspirou e respondeu. - ahhh t¨¢ bom ent?o, s¨®... o que eu te pedi mesmo por favor. - ela estava triste. De algum modo Ichika se sentia na obriga??o de tirar um sorriso dos l¨¢bios de Scarllet, ela tinha uma ideia. - Tudo bem, logo o seu pedido estar¨¢ pronto. - disse isso enquanto se virava e seguia para a cozinha, seu plano era, al¨¦m de fazer o pedido ela mesma, faria bolinhos com os rostos das duas, a fim de n?o agradar somente Scarllet, mais Riley tamb¨¦m. - O que voc¨º t¨¢ fazendo aqui?- disse Yuma fazendo uma cara esquisita, afinal, ele passava a maior parte do tempo na cozinha, seria como uma ofensa dizer que ele n?o era um bom cozinheiro. Seria subestim¨¢-lo ainda mais ousando cozinhar ali, mas ela n?o tinha tempo e nem queria discutir a respeito. - Esse pedido eu decidi faz¨º-lo eu mesma, porqu¨º? - disse questionando com um som de desafio aos ouvidos de Yuma. Isso o fez cruzar os bra?os. - ¨¦ raridade ver voc¨º vagando pela MINHA cozinha, mas s¨® tome cuidado pra n?o botar fogo na cozinha - Era um ambiente sagrado para ele, ela n?o podia desrrespeitar, t?o pouco fazer uma bagun?a tremenda, ela teria que fazer tudo com a m¨ªnima cautela para poder voltar denovo para l¨¢. Enquanto isso, ele foi preparar outro pedido. Ichika fez tudo conforme seu pr¨®prio plano, era engra?ado ver dois bolinhos iguais as clientes da mesa 5.5, tudo havia ficado mais f¨¢cil naquela terceira vez, n?o havia nenhuma crian?a no caminho, ela havia ido embora, seus sapatos estavam bem amarrados, agora ela estava atenta ao ambiente ao seu redor, chegou a mesa e serviu as duas, com muito orgulho, deu meia volta enquanto um leve pux?o de uma das duas a fez retornar para a posi??o inicial, a admira??o por parte de uma acabou. - EI! VOC¨º REALMENTE ACHA QUE MEU ROSTO ¨¦ GORDO? - disse Riley puxando o avental de Ichika pela gola e aproximando o bolinho a cada minuto para mais perto do rosto. - Riley, voc¨º ainda n?o percebeu que os bolinhos s?o assim? ¨¦ pra parecer ador¨¢vel! - disse mostrando o bolinho- Na minha opini?o est?o LIND¨ªSSIMOS!- disse se contrapondo ao pronunciamento de Riley. - Grande coisa, a gente vai te que paga esse bolinho que A GENTE NEM PEDIU! - ela realmente n?o se importava com o valor que iriam pagar, estava mais preocupada com o rosto dela no bolinho, o rosto s¨® ficou daquela forma porqu¨º ao tentar fazer o cabelo que ficava sob a lateral do rosto realmente dava um aspecto de "gordo". - Na verdade, esses bolinhos s?o por conta da casa - argumentou Ichika, desmentindo o que Riley acabara de dizer. A fazendo se sentar de volta no lugar e soltar sua gola. - S¨¦RIO??? AI QUE LEGAL! E AS ROSQUINHAS S?O LINDAS, OBRIGADA! - o dia havia ficado perfeito, ela agradeceu com tanto carinho que parecia uma crian?a que acabara de ganhar um presente de anivers¨¢rio, logo que virou o olhar para Riley, ela parecia querer mat¨¢-la s¨® com os olhos, ent?o se distanciando das duas, pegou a bandeja colocou no balc?o, e foi limpar algumas mesas. Muitas j¨¢ estavam limpas, mas era melhor olhar para as mesas do que para o olhar furioso de Riley que ainda a encarava. Depois de um tempo foram pagar a conta no caixa. Ichika n?o estava l¨¢ para registrar o pagamento, daquela vez era Yuma, se eu tivesse sido mais r¨¢pida em limpar as mesas teria dado tempo de atender e dar um tchau no m¨ªnimo pensou consigo mesma, ela ficou observando as duas at¨¦ estarem quase chegando na porta de sa¨ªda, Ela tomou coragem. - V-VENHAM MAIS VEZES!!! - gritou olhando fixamente a Scarllet. Acenando com a m?o. - ¨¦ ¨®bvio que voltaremos mais vezes. - depois abriram a porta e foram embora, ela sentiu uma m?o pesada em seu ombro e uma voz dizendo. - Venham mais vezes? Acho que vai ter que dizer isso para os clientes que est?o aqui quando eles forem embora tamb¨¦m n?o acha?- disse Yuma a fazendo virar para as mesas ainda ocupadas, e realmente ele estava certo, ela ficou algumas horas a mais dando "volte sempre" para os clientes que iam embora, quando olhou a mesa 5.5 de novo, observou algo que uma das duas haviam esquecido, era uma jaqueta jeans, claramente customizada, havia nela desenhos de flores de cerejeira e quando Ichika sacudiu viu um telefone, n?o tinha nenhuma descri??o anotada. Ela viu uma oportunidade de se aproximar mais de Scarllet, s¨® lhe restara saber se aquele n¨²mero de telefone era realmente dela. A carga hor¨¢ria havia acabado, as mesas estavam limpas a cafeteria estava enfim fechada, eles pegaram suas bicicletas e foram rindo, conversando e falando das coisas mais pat¨¦ticas que tinham acontecido aquele dia: da queda que Ichika obtivera e como algumas horas depois Yuma teria recebido um enorme v¨¢cuo de umas das clientes ao perguntar se iria pagar no cr¨¦dito ou d¨¦bito, as risadas rondavam as quadras vazias que por causa dos idosos era sempre a hora deles dormirem, como era o hor¨¢rio noturno do trem passar eles pararam na faixa para esperara-lo atravessar. - Sabe Ichika, mesmo que eu te ODEIE como irm?, sabe as vezes eu tenho pensado em que tipo de pessoa eu me tornaria se eu n?o tivesse a responsabilidade de ser seu irm?o mais velho. - Depois de Keiko nascer a sua m?e havia morrido por complica??es p¨®s parto, Keiko a mais nova dos tr¨ºs, Yuma era o que mais tinha lembran?as da m?e e sempre a comparava com sua irm? os mesmos cabelos negros que acompanhava os olhos puxados que ao mesmo tempo davam um ar de estarem olhando atrav¨¦s da alma de algu¨¦m. -Voc¨º seria menos lesado HAHAHA- disse disparando na frente, fazendo caretas e gritando "lesado" pelo bairro todo, ela n?o gostava de ter conversas complexas com ele e faria de tudo para n?o t¨º-la. - Sua filha da puta, te odeio sua caralha!!!- ele saiu pedalando at¨¦ alcan?¨¢-la gritando insultos contra ela. - Voc¨º me ama!- foi a ultima frase at¨¦ chegarem em casa. Ainda euf¨®ricos deixaram a bicicleta fora da garagem, e foram seguir o seu resto de dia, estavam t?o ocupados com outras obriga??o que nem notaram a presen?a de algo diferente. Havia um bilhete em cima da mesa. Era de seu pai, que dizia para ligar para ele, Ichika n?o ligaria, o pai era muito duro com ela, fazendo ela passar por situa??es de rid¨ªculas, e Keiko muito menos, o ¨²nico que ligou para saber o que do bilhete fora Yuma, o mais parecido fisicamente, e o ¨²nico que n?o tinha medo dele, de acordo com o pai, ele havia ido viajar e n?o voltaria em menos de um ano ou mais, ele fazia alguns trabalhos no exterior e mesmo que sua fam¨ªlia tivesse uma casa confort¨¢vel, ele fazia isso mesmo que sem inten??o, para se manter longe deles. E eles percebiam isso. Ichika fazia a coisa que mais o irritava, ela gostava de desenhar e muito embora sua m?e fizesse o mesmo, ao v¨º-la fazer era quase como um in¨ªcio de guerra, mas ela n?o conseguia se expressar bem, escrever cansava, ent?o ela desenhava, para descarregar a exaust?o do dia. Mas naquela noite ela n?o desenharia janelas ou canecas, ela desenharia a pessoa que mais estava ocupando sua mente, ela desenhou uma mulher que Michelangelo gostaria de ter visto Scarllet, em seus m¨ªnimos detalhes, e o guardaria em uma pasta para n?o amassar, a jaqueta que estava na sala foi para o quarto, ela pegou a jaqueta que estava amontoada em um canto, ela a cheirou, talvez porque quisesse se lembrar da quase-queda que ela teve, mas por algum motivo ela queria, e muito que ela estivesse ali, devolveria a jaqueta, mas iria aproveitar at¨¦ o ¨²ltimo resqu¨ªcio de perfume. Por um dia o mundo se tornou rosa Ichika tinha pegado a jaqueta com o n¨²mero isso era um fato, mas fazia uma noite que aquilo estava l¨¢, e uma noite era tempo demais. Ela n?o estava t?o animada quanto no momento em que encontrou. Engolida pelos pensamentos do que fazer ou n?o,ela estava escovando os dentes quando sua irm?, um ser irradiado de energia, praticamente arrombava a porta e vinha em sua dire??o com a jaqueta. - NOOSSA QUE LEGAL PEGOU PRA MIM???? - Keiko estava se referindo a jaqueta. Ichika arregalou os olhos e embora n?o pudesse responder devido a boca cheia de espuma estava com a resposta estampada em seu rosto- Ihhh t? vendo que n?o! Mas o qu¨º essa jaqueta t¨¢ fazendo aqui? - disse a indagando. Ichika cuspiu a espuma e logo respondeu. - ¨¦ de uma cliente.... ela esqueceu ontem e vou devolver - disse mentindo, talvez n?o totalmente mas mesmo assim n?o queria nem que ela sonhasse em saber a verdade. - Arram sei, a gente nunca devolve as coisas, s¨® esperamos que as pessoas venham buscar. - ela estava certa, n?o dava pra mudar aquele fato. Aquilo era uma regra e todos daquela casa estavam de acordo. Ichika por¨¦m retirou dos bra?os da menina a jaqueta como que fosse realmente importante. - Bom.... ¨¦ que uma crian?a que foi muito educada ontem, ela gostava muito, mais MUITO mesmo dessa jaqueta e seria horr¨ªvel ver um rostinho daqueles triste - N?o tinha nenhuma crian?a. Ela s¨® queria responder aquilo e se livrar de uma vez por todas de Keiko. N?o que ela a odiasse, s¨® que perguntas demais a deixavam sem respostas para a maioria delas. Ichika se locomoveu to banheiro at¨¦ seu quarto, ainda estava com a jaqueta que havia acabado de recuperar. Ela havia encontrado uma solu??o para o seu problema, j¨¢ que sua d¨²vida havia se concentrado em ser¨¢ que seria muita falta de educa??o s¨® levar a jaqueta e em seria muito extravagante levar a jaqueta e um monte de coisa nada a ver tipo uma pel¨²cia, s¨® que uma solu??o casual que solucionava tudo, ela levaria COMIDA. Ichika se trocou e descia as escadas rumo a cozinha, ela ainda estava com a jaqueta na m?o. Ela estava euf¨®rica - Onde voc¨º vai? - disse Yuma se colocando em frente dela como uma parede, afinal ele era alto, ela tentou contorna-lo mas n?o adiantou muito pois ele a seguia - N?o quer me dizer o que ¨¦? - Ap¨®s essa pergunta ele tirou a jaqueta dos bra?os de Ichika e a balan?ou de um lado para o outro e ainda fez uma ''brincadeirinha'' - Se voc¨º n?o me contar, eu digo que voc¨º deu essa jaqueta para a Keiko, voc¨º ¨¦ quem escolhe. - ela n?o estava acreditando at¨¦ ver o sorriso que ele fazia. Yuma era muito bom em adivinha??es, ent?o n?o teve muito o que escolher. - ¨¦ aquela rosada n¨¦? Voc¨º est¨¢ estranha desde quando viu ela. - ela tinha que dizer alguma coisa. - KEIKO, VEM AQUI NA COZINHA FAZ FAVOR! - S¨® quero devolver o que ¨¦ dela! - ele devolveu a jaqueta, e deu espa?o livre para a cozinha. Encarou Ichika por um tempo at¨¦ ouvir keiko o chamar, ele revirou os olhos, e foi at¨¦ o quarto dela. Dava para ouvir os berros dela por n?o estar entendendo uma mat¨¦ria. Realmente Keiko n?o gostava de resolver as coisas por si mesma, ent?o chamava algu¨¦m para resolve-los. - Ai voc¨º n?o aprende mesmo n¨¦ Keiko? - disse sussurrando, e indo se preparar para as horas de dor de cabe?a que viriam depois daquelas aulas. E com isso, Ichika poderia fazer daquela cozinha o que quisesse. Ela ficou algumas horas na cozinha. Estava empenhada. E finalmente terminara sua bolsa de "guloseimas". Ela era composta por alguns refrigerantes, muitos docinhos. Ela estava certa de tudo. S¨® que se esqueceu de um detalhe importante. Ela n?o sabia onde Scarllet morava. Sim a jaqueta tinha o telefone. S¨® que nada mudava o fato de que ao mesmo tempo que o telefone poderia ser dela, poderia ser de Riley, e mais uma vez ¨¤ onda de perguntas rompeu seus pensamentos. - YUMA!!!!!- me sentia na obriga??o de cham¨¢-lo. O ¨²nico que a ajudaria. - O QUE VOC¨º QUER? - berrou do quarto de Keiko. Ele n?o era muito educado em casa, ainda estava ajudando a keiko a fazer o dever, outro pedido de ajuda seria quase como uma afronta pra ele. - VEM AQUI R¨¢PID?O!!! - Ele foi na velocidade de um idoso, principalmente na parte de descer as escadas, e foi andando lentamente at¨¦ que parou se debru?ando no balc?o da cozinha, com o olhar fixo ao ch?o, e o levantou pra repetir sua pergunta. - O que voc¨º quer? - Perguntou com uma certa rispidez. Com as m?os na cintura e as sobrancelhas arqueadas. - Olha, eu iria te perguntar... se... - Seu pedido em sua mente era claro, mas o dizer se tornara quase como uma guerra. Ela come?ou a fazer pequenas "luas" com as unhas na palma da m?o. Aquilo se tornara uma mania, e ela o fazia com uma certa constancia. - Seeeeeee???- em tom debochado repetiu, levantando os olhos e as sobrancelhas ainda mais. - Se voc¨º sabe alguma coisa sobre a Scarllet... tipo... onde ela mora?- Sua voz estava mais clara do que da primeira vez, s¨® que ainda t¨ªmida. - Eu sei sim, afinal n?o ¨¦ de desde de ontem que ela ¨¦ cliente, j¨¢ frequenta a cafeteria faz um tempo, claramente j¨¢ pediu pra entregar na casa dela muitas vezes... sinto em te dizer mas voc¨º ¨¦ a ¨²NICA que ainda n?o a conhecia, voc¨º nunca a viu por sempre sair tr¨ºs horas antes dela chegar- disse ele como se aquele pedido fosse totalmente rid¨ªculo, em seus pensamentos Ichika discutia com seu inconsciente como raios ningu¨¦m contou pra ela antes, mas ainda era grata. - Poderia me levar l¨¢? - Por mas que Yuma estivesse esgotado com Keiko, ainda cumpriria aquilo que Ichika pedira com toda a educa??o. - Claro, vou ligar o carro, s¨® uma pergunta... voc¨º vai assim mesmo? Coberta de farinha? - Ele havia percebido algo que se dependesse de Ichika, ela s¨® perceberia que estava cheia de farinha quando chegasse. - CLARO QUE N?O, vou por uma roupa antes n¨¦? - disse um pouco envergonhada porqu¨º s¨® percebeu no momento que ele disse. - Fa?a o que quiser, mas quero voc¨º l¨¢ fora em 30 minutos - Ele era autorit¨¢rio, s¨® que n?o ao mesmo ponto de seu pai que gostava de mandar em tudo, ele s¨® achava mais f¨¢cil criar metas que eram poss¨ªveis, felizmente ele mais ajudava do que mandava. Ela subiu as escadas apressada, em sua mente j¨¢ estava l¨¢, onde queria estar. Ela foi diretamente para o banheiro, n?o se importou em tomar banho com ¨¢gua gelada, pois se ela n?o tinha tempo a perder. Ela saiu do banheiro pronta, perfumada, realmente, ela estava perfeita para um encontro. S¨® que ela devolveria uma jaqueta. Pegou suas coisas e desligou as luzes fechou a porta e foi em dire??o a Yuma. Que observava o rel¨®gio e a encarava de volta com raiva. - Quanto tempo eu demorei? - perguntando com uma certa garantia de que seu tempo foi 15 minutos. Sua expectativa foi a baixo com a resposta que veo logo em seguida. - 40 minutos - Ele n?o se importou em dar especifica??es do tempo foi logo abrindo a porta do passageiro e do motorista. Ap¨®s se prepararem para ir. Ichika foi examinada de cima a baixo. Estava sendo avaliada delicadamente por um especialista. Seu irm?o. - Roupa legal... combinou com voc¨º, nunca tinha visto voc¨º nela, e bom... ficou muito bonito - raramente voc¨º veria Yuma elogiando algu¨¦m, afinal ele acha que elogios uma perca de tempo, se a pessoa se sentisse bem nada poderia fazer um elogio a mais ou a menos. - Ahhh obrigada! - Realmente, havia ficado muito bonita sua combina??o de su¨¦ter e short. Yuma dirigiu por v¨¢rias ruas e avenidas at¨¦ chegarem num bairro que era peculiarmente rosa. Havia muitas cerejeiras na rua, portando o ar se voc¨º respirasse muito fundo, sentiria um cheiro muito bom de cerejeiras. - ¨¦ bem bonito aqui n¨¦? - ela estava t?o ocupada admirando as flores que nem percebeu a pergunta. Ele preferiu n?o dizer nada, ao inv¨¦s disso foi acompanhando seus olhos at¨¦ uma grande ¨¢rvore que se encontrava no meio de um parque. - Aqui ¨¦ aconchegante, e aquela ¨¢rvore ali no meio? Deve ter uns mil anos! - ela estava surpresa de ver uma ¨¢rvore enorme daquele jeito. This story has been unlawfully obtained without the author''s consent. Report any appearances on Amazon. - Ela deve ser a mais velha mesmo, acho at¨¦ que foi ela quem germinou essas outras, a casa da Scarllet ¨¦ ali! - disse apontando para uma casa branca, um uma arquitetura japonesa feudal, com arcos de rosas, e est¨¢tuas de drag?es que decoravam o muro. - Ei eu te busco depois ent?o?- Ichika pegara suas coisas e se preparava pra ir. - Pode ser, s¨® n?o acho que seja r¨¢pido - disse isso olhando para Yuma ele tinha feito um sinal de telefone. ''Me ligue quando quiser'' era isso que significava o sinal. Ele a havia deixado sozinha, Ichika estava criando coragem pra ir at¨¦ a porta, afinal se Riley estivesse l¨¢ seria um problema e tanto, Ichika pensou nessa possibilidade e tamb¨¦m na solu??o, caso isso acontecesse deixaria a sacola com a jaqueta e iria embora. - Casa muito bonita essa n?o? - perguntava uma voz logo atr¨¢s dela. Os ventos entregavam um leve ar de cereja, muito embora qualquer um poderia ter aquele cheiro. - ¨¦ muito elegante, achei ela muito bonita - disse sem se perguntar quem estava atr¨¢s dela no momento da pergunta. - AH obrigada! - agradeceu Scarllet enquanto se colocava em frente a Ichika. Por sorte ela havia sido sincera e achado a casa bonita. Ela n?o sabia o que fazer, Ichika estava paralisada, por mas que n?o transparecesse por fora, por dentro ela estava com tanta vergonha que sua vontade aquele momento era de ser invis¨ªvel. - Est¨¢ esperando algu¨¦m? - disse Scarllet, que em sua mente ela s¨® estava ali procurando algum parente ou alguma coisa que fizesse sentido. - Na verdade estava te esperando. - isso fez Scarllet corar por alguns instantes. Ichika n?o queria dizer aquilo, estava guardando essa frase para um outro momento. Outra ocasi?o. - M-me esperando? Por qu¨º? - ela apresentava surpresa em sua voz, afinal s¨® havia a visto uma vez e mesmo assim no dia seguinte ela estava na porta de sua casa? Pra ela havia algo errado. - Voc¨º esqueceu sua jaqueta l¨¢, ent?o eu vim devolver, trouxe algumas coisas pra voc¨º dividir com a Riley, ¨¦ Riley o nome dela n¨¦? - Realmente ela n?o havia se esquecido no nome de Riley, ela s¨® n?o gostava de pronuncia-lo. Ainda sentia os olhos dela a fitando com o mais puro ¨®dio. - Eu n?o tinha notado que havia deixado l¨¢, por alguns instantes pensei ter deixado no meu trabalho, muito obrigada! - A frase ainda n?o havia terminado, Scarllet s¨® a estava formulando - E me desculpe pela grosseria de Riley, ela tinha sido demitida da floricultura que ela trabalhava. - Ent?o foi ela quem plantou esses arcos de rosas? - ela estava um tanto desapontada em saber que n?o era Scarllet quem plantava, mas a casa n?o deixara de ser linda apenas por aquele fato. Quem precisava de tantas flores n¨¦? - ¨¦ a Riley quem planta as coisas aqui em casa, eu s¨® sirvo pra regar e olhe l¨¢, n?o sou boa com plantas, tenho at¨¦ inveja delas, elas recebem mais aten??o do que eu. Ali¨¢s te convido para entrar, n¨®s podemos conversar um pouco se n?o se incomodar. - Scarllet era sincera com o que acabara de dizer. O fato de a tratar como se fossem conhecidas a anos fez Ichika se sentir segura para entrar em sua casa. - E a Riley? Ela n?o vai se incomodar? -disse parando no batente do port?o. Ichika n?o gostaria de recusar, mas tamb¨¦m n?o queria ser expulsa por Riley. - Ela n?o est¨¢ aqui, e bom, s¨® somos conhecidas, o que h¨¢ de mal nisso? - aquilo doeu um pouco, s¨® que Ichika n?o esperava nada do tipo ''agora somos melhores amigas''. Era um caminho um pouco longo da entrada at¨¦ a cozinha, s¨® que era um lugar cheio de detalhes, muitas plantas, arcos, bem organizado e limpo, at¨¦ que chegaram ao genkan, onde ela deixou seus sapatos e andando pelo tatami se dirigiu at¨¦ a cozinha, l¨¢ era um lugar aconchegante, e bem casual para uma casa com um estilo feudal. Ichika sentada observava os detalhes dos desenhos que estavam sobre o teto at¨¦ que um pote ¨¦ colocado sobre a mesa de centro. Era biscoito. - Esses eu quem fiz! - disse ela enquanto retirava tudo da sacola e colocava os refrigerantes para gelarem. Pegou um prato e um pegador, colocou alguns biscoitos no prato e o colocou na mesa. Naquele momento os olhos de Ichika se arregalaram. Scarllet se virou e come?ou a rir. Demorou um tempo para ela recuperar o folego e finalmente responder - Sua... sua cara, de espanto, EU N?O RESISTI E RI . - A minha cara??? Desculpa ¨¦ que os biscoitos s?o quase do tamanho da minha m?o, e voc¨º deu cinco, eu tive que ficar pensando como comeria tudo. -Ichika estava tentando se explicar. Ela estava tentando n?o ser mal educada, afinal ela foi ensinada a nunca rejeitar as coisas que eram dadas de bom grato. - N?o, n?o precisa comer todos... tipo uns 2 t¨¢ bom. - ela estava sendo modesta porqu¨º nem Riley comeria aquela quantidade, na realidade Riley nem tinha gostado daqueles biscoitos. Ichika tinha ficado mal ao olhar no rosto dela e ver nele um sorriso meio constrangido. E realmente ela estava determinada em comer todos aqueles biscoitos, seria um m¨ªnimo de sacrif¨ªcio que ela faria. - Voc¨º estava tentando ser educada ao negar os biscoitos???- disse Scarllet surpresa por n?o ter sobrado um biscoito no prato - Toma ch¨¢ s¨® pra aliviar um pouco - disse pegando a x¨ªcara do arm¨¢rio e despejando o ch¨¢ que havia feito a pouco tempo. -Os biscoitos, eles estavam muito bons - ela estava feliz por pelo menos tirar uma express?o de surpresa, mas ela ainda queria um sorriso. Pegou o ch¨¢ e como ainda estava muito quente o assoprava enquanto pela fuma?a quente do ch¨¢ observava Scarllet que abria um sorriso de aprova??o por causa dos biscoitos. Naquele ritual de observadora e observada acabaram por ambas perceberem que se encontravam num circulo de sil¨ºncio. Os risos que outrora estavam pelo ambiente foram desaparecendo at¨¦ n?o sobrar nada al¨¦m do sil¨ºncio. - Voc¨º trabalha no que? - ela queria quebrar o sil¨ºncio com perguntas que tivessem um retorno. Por pouco ela quase escutara o eco de sua voz, se n?o fosse l¨¢ presen?a dos m¨®veis. - Eu trabalho num Hospital, ¨¦ um pouco turbulento, mas com o tempo a gente se acostuma. Tamb¨¦m ¨¦ bom ajudar pessoas. - Scarllet gostava da sua profiss?o por mais que na maioria das vezes ela gostaria de trocar, ou escolher uma mais simples. - mas adimito que no come?o tive medo, sabe de, sei l¨¢, saber que tudo depende de mim ¨¦ tenso, mas eu me acostumei. - Sei bem como ¨¦, sabe todo o servi?o ¨¦ assim dif¨ªcil ou n?o. ¨¦ um trabalho honrado pra mim. - Realmente m¨¦dico, enfermeiros ou at¨¦ farmac¨ºuticos s?o servi?os honrados afinal ajudam a manter vivo uma pessoa importante pra algu¨¦m. - Voc¨º trabalha na cafeteria a quanto tempo?- Uma pergunta interessante afinal, Scarllet a vira s¨® uma vez em muito tempo que frequentava a cafeteria. - Acredito que desde quando estava no segundo ano do ensino m¨¦dio - Ela tinha demorado muito mais do que Yuma para trabalhar na cafeteria, pois tinha que estudar antes de ter dois objetivos. - Estranho eu nunca te ver. - Scarllet ia praticamente todos os dias na cafeteria principalmente no fim de tarde. - Deve ser porqu¨º eu saia mais cedo, ent?o enquanto voc¨º estava chegando eu estava indo, era um ciclo - Era um ciclo t?o grande que se tornara um ritual de t?o pontual que era. - Os doces que eu deixei na geladeira, eles s?o da cafeteria? - ela tinha quase certeza pelo tamanho da autenticidade. - N?o, eu que fiz! - Ichika n?o estava t?o surpresa quanto Scarllet, afinal era ela quem fazia os doces na cafeteria, claro, nas vezes que n?o era o Yuma. Elas estavam se encarando um pouco, at¨¦ que Scarllet tira pra fora o que queria dizer a alguns minutos, como uma bola que algu¨¦m arremessa s¨® para ver o seu reflexo. - Ei! Quer ir a um lugar comigo? - Aquilo fizera as bochechas de Ichika corarem, era uma pergunta tentadora, ela n?o podia negar. As suas m?os retornaram a fazer as "luas" mas ela realmente sabia o que dizer. - Qual?- ela estava fiel de que Scarllet responderia essa pergunta, algo que n?o aconteceu. - Voc¨º vai ver quando chegarmos - Ichika estava um pouco pensativa do que seria aquele lugar, afinal, adorava surpresas. Ambas se levantaram e foram apressadas para o genkan, Scarllet a mandou esperar na frente da garagem. Ela entregou um capacete pra Ichika, tirou uma Suzuki boulevard da garagem, Ichika se impressionou com o estilo de Scarllet, uma M800 preta, como naqueles filmes de anos 80, elas subiram e andaram de moto por minutos, que para Ichika parecia uma eternidade, a vista ia mudando de rosa para um amarelo forte, mas que ia embora junto com o fim de tarde, Scarllet estacionou em uma avenida que dava para um mar, tirou do capacete seus cabelos rosa e pegou a m?o de Ichika que juntas come?aram a correr em dire??o ao meio da ponte e quando chegaram, estavam sem folego, e paradas no parapeito puderam observar o por do sol. - O por do sol n?o ¨¦ algo lindo?- Ichika iria se desculpar depois, com o sol, mas n?o estava o olhando, ela estava observando o qu?o bem os raios de sol ficavam no rosto de Scarllet, seu rosto estava sem maquiagem, suas sardas eram evidentes, lindas, quase que posicionas em pontos espec¨ªficos para ficar melhor visualmente, como seus cabelos sa¨ªram de rosa para laranja e em como parecia que pegavam fogo, seu cora??o batia muito r¨¢pido, e havia outra coisa estava em chamas, seu rosto, quase n?o escutava os carros a sua volta. O mundo havia parado. - Sim, olhando daqui ¨¦ lindo. - Ichika respondera Inconscientemente pois ainda a estava olhando. Elas conversaram at¨¦ o sol ir embora. Falaram coisas da vida, partilharam suas mem¨®rias como crian?as que trocam figurinhas para completarem seus ¨¢lbuns. - Quer que eu te leve pra sua casa? -disse Scarllet que estava voltando em dire??o a moto. - Eu at¨¦ gostaria, mas vou pedir pro Yuma me buscar na sua casa pode ser?- ela estava pensando em qu?o preocupado ficaria Yuma percebendo que ela fora al¨¦m do local combinado. - Ahhh ent?o tudo bem.- disse Scarllet. Elas montaram na moto e se preparavam para fazer o percurso de volta. Quando voltaram para o bairro das cerejeiras no qual j¨¢ n?o estava mais Ut¨®pico como antes, aquele momento os postes de luzes iluminavam vagos espa?os, as cerejeiras pareciam desaparecer na escurid?o. Ichika ligou para Yuma que a levou embora, n?o queria sair dali, mas seu um simples aceno de m?o. Seu cora??o nunca batera t?o r¨¢pido quanto naquele dia, o dia seria marcado para sempre em sua mem¨®ria, ela nunca mais esqueceria o dia que seus olhos puderam admirar aquele belo rosto e seus lindo cabelos... cor de rosa. Um dia de chuva... J¨¢ havia se passado 4 dias desde de que fora a casa de Scarllet para devolver a jaqueta. Era um s¨¢bado. Estava chovendo, e por sinal tamb¨¦m estava trovejando. Era um dia no qual tudo perdia o sentido. Para ichika aquele dia que seus olhos puderam ter uma vis?o perfeita dela havia sido o melhor de todos, s¨® que faltava algo que Ichika n?o sabia responder, que por sinal a perturbava bastante, afinal, seriam amigas ou apenas conhecidas? Enquanto ela mesma procurava uma resposta pra isso ela fitava a janela, os olhos estavam concentrados em uma coisa muito distante, at¨¦ que um relampago a fez voltar a aten??o. - Yuma... - disse se debru?ando na vidra?a, agora, estava observando sua x¨ªcara de ch¨¢. Envoltas em suas m?os vendo os dedos rosar pelo calor. - O que foi? - disse Yuma que estava concentrado montando um quebra-cabe?a de 1.000 pe?as. Sentado no ch?o com uma mesa baixa que ficava no meio da sala. -Quando algu¨¦m vai a casa de outra pessoa e elas conversam e passam um dia juntos, o que elas s?o afinal?- estava sendo o menos objetiva poss¨ªvel, s¨® que ela n?o conseguira fazer tal coisa. -Bom... se o algu¨¦m que foi a casa dessa pessoa se conhecerem, s?o amigas. Mas se esse algu¨¦m e essa pessoa s¨® tivessem visto uma vez e ainda sim trocar poucas palavras... ent?o acho que s¨® s?o conhecidas e olhe l¨¢. - Yuma n?o estava dando o m¨ªnimo para a pergunta, mesmo assim ele conseguia ir ao mais profundo dela. - Aahhh entendi... - Ap¨®s a resposta voltara a observar a janela, agora, estava ficando mais densa a chuva. Uma neblina se formava e o arrependimento por n?o ter posto uma meia nos p¨¦s tamb¨¦m. - Porqu¨º da pergunta? - Yuma estava olhando nos olhos de ichika que percebera isso. Ela odiava ser fitada, como se ele estivesse contando cada fio de seu cabelo. - N?o, por nada! - ela estava tentando se justificar, at¨¦ que Keiko vem por tr¨¢s de Yuma e se joga em seus ombros at¨¦ ele ser jogado para frente. - Yuzinho... voc¨º pode me ajudar a fazer um trabalho meu? - claramente n?o era uma pergunta, Keiko n?o costuma fazer perguntas que n?o tenham um "sim" como resposta. Yuma suspirava e enquanto se levantava e ia em dire??o ao quarto de keiko. Yuma estava muito cansado naquele dia, ele havia feito varias correrias, tinha que fechar a cafeteria mais cedo que, por infelicidade havia pegado uma chuva pesada, chegara encharcado, e mesmo assim havia limpado a casa, e feito muitas outras coisas, Ichika tinha que se opor. - N?O! Na verdade eu te ajudo keiko! Yuma teve muitos problemas por hoje! - ela estava sendo sincera quando queria que keiko o deixasse em paz. Yuma ficou boquiaberto por alguns instantes, ele estava praticamente no batente do quarto de keiko mas logo voltou para a mesa de centro, colocara mais uma x¨ªcara de ch¨¢ e come?ara a fazer daonde tinha parado. Era muito cansativo ajudar keiko em qualquer coisa que fosse. - AAAAAHHHH MAIS EU N?O QUERO Fazer - disse keiko, ela n?o estava entendendo o exerc¨ªcio de artes, na verdade, ela n?o queria fazer. - Keiko voc¨º TEM que estudar, afinal faz 30 minutos que come?amos! - tanto Ichika quanto keiko queriam sair dali o mais r¨¢pido poss¨ªvel, s¨® que elas n?o teriam esse resultado t?o cedo. Ichika soltou o ar e colocou os dedos envolta dos olhos - O Yuma a uma hora dessas faria uma pausa pra um lanche - keiko a estava provocando, s¨® que n?o era mentira, Yuma at¨¦ que gostava de ensinar keiko, ele realmente sabia o que fazer. E como era nova no ramo n?o podia fazer nada, ela estava acostumada. - T¨¢ vamos fazer uma pausa! Mas nada de demorar - Aquele dia aos olhos de ichika seria o mais longo de todos, ela n?o gostava muito de chuva, ela andou nas pontas dos p¨¦s at¨¦ se jogar no sof¨¢ que dava uma vis?o perfeita do rosto de Yuma, que, estava bem feliz, ele amava dias de chuva o deixavam mais calmo. Ela estava observando a fisionomia de seu irm?o, cabelos castanhos escuros, que chegavam a cobrir-lhe as orelhas, ele era bem r¨¢pido com as m?os, pois em instantes dois montinhos estavam come?ando a se tornar parte da imagem. - Est¨¢ cansada? N?o faz nem uma hora que est¨¢ com ela - disse Yuma sem levantar os olhos da mesa. - Eu preciso aprender com voc¨º como lidar com ela, ¨¦ imposs¨ªvel !!! -disse Ichika se espregui?ando no sof¨¢. Keiko estava de acordo com 10 minutos de pausa, ichika se levantou ap¨®s alguns segundos pensando o que faria em seu tempo livre e se lembrou de um trabalho de l? que estava fazendo, foi at¨¦ o ba¨² e pegou as agulhas e a l?, devido a correria com a cafeteria n?o havia dado muito tempo de finalizar uma blusa de tric?, ela colocou o trabalho sob o sof¨¢ e foi at¨¦ a cozinha pegar uma x¨ªcara que, vendo toda a trambolhada sem sentido que keiko estava fazendo voltou o mais r¨¢pido com a x¨ªcara para a sala, a encheu de ch¨¢ e recome?ou o trabalho de onde tinha parado, um tempo se passou de v¨¢rios barulhos vindos da cozinha, e depois de algum tempo de sil¨ºncio surgir keiko com um prato em m?os. - Toma aqui seu peda?o - disse entregando o misto quente, era o ¨²nico prato que ela conseguia fazer sem ter o risco dela explodir a casa. O peda?o era praticamente de 2 dedos, mas ela n?o iria reclamar, pois se n?o, sua irm? tiraria at¨¦ o que j¨¢ n?o tinha. - Ah muito obrigada, vou deixar aqui no cantinho, ai depois que voc¨º terminar de comer a gente recome?a ok? - disse retomando a sua aten??o a blusa de frio que estava terminando, logo chegaria o inverno e ficaria insuport¨¢vel viver com as poucas blusas que restara j¨¢ que, dera quase todas para keiko, at¨¦ por que n?o cabiam mais nela, as que a keiko n?o gostou ela doou para centros de caridade, pelo que via suas economias seriam gastas com roupas de frio aquele ano. A tarefa de Keiko durara quase o dia todo, entre idas e vindas do quarto para a varanda, da varanda para a sala e da sala para o quarto, finalmente elas conseguiram terminar, keiko se distraia demais ent?o por pouco aquilo se prolongaria para dias e mais dias. - AHHH FINALMENTE! - exclamou Keiko que fechou o caderno e o tacou com toda a for?a na sua escrivaninha, como quem diz "nunca mais toco nesse caderno". Arrumou suas canetinhas de volta para o estojo e se preparava para jogas os farelos de borracha no ch?o, mas parou e decidiu que jogaria no seu lixo mesmo, j¨¢ que ela n?o limparia aquele quarto, e Yuma reclamaria o suficiente para ela se arrepender de ter jogado. - Finalmente mesmo, agora v¨¢ tomar um banho antes que fique mais frio! - Ela estava se sentindo aliviada, por mas que keiko quase estragara a limpeza que Yuma fizera e o caderno com as tarefas. - Eu tamb¨¦m terminei aqui. - disse Yuma orgulhoso por ter terminado o quebra-cabe?a que ele estava fazendo desde da manh? daquele dia. Ele se levantou alongando os bra?os j¨¢ que ficava o dia todo na mesma posi??o certamente ele estava exausto, Ichika e Keiko foram correndo pelas escadas at¨¦ chegarem a sala, queriam ver o que ele estava montando, at¨¦ porqu¨º todo o vislumbre que elas tiveram era de montinhos coloridos de fragmentos que em algum momento formariam uma imagem, para a surpresa das duas, era uma foto dos tr¨ºs do ano novo que eles passaram juntos na praia, com seus kimonos e uma vista para o mar, a foto tinha uma sincronia perfeita dos fogos de artif¨ªcios que estavam logo atr¨¢s, era lindo. - Olha ¨¦ a gente, que legal! - Keiko estava se lembrando do quanto aquele dia tinha sido bom, afinal, eles foram passar o ano novo em outro estado. Ela era a que mais se admirara com tudo aquele dia, com o hotel que ficaram hospedados, com a areia e com o mar, que ela nunca havia visto nem estado antes, embora Yuma e Ichika j¨¢ terem ido para aquele lugar em outros anos aquela vez nunca sairia da mem¨®ria de todos - Os kimonos ficaram muito bonitos - Ichika dissera isso porqu¨º fora ela quem fizera eles. Ela gostava al¨¦m de desenhar, costurar, aprendera sozinha embora o seu pai achasse que sua m?e a havia ensinado, ela vira algumas das revistas de roupas e simplesmente pegara o jeito com aquilo. - Enfim, est¨¢ pronto, amanh? eu procuro um lugar para colocar ele, agora s¨® uma pergunta. quem vai tomar banho primeiro? - Disse Yuma iniciando uma correria, ele era brincalh?o e quem tomaria banho primeiro sem duvidas era o que mais causava confus?o, j¨¢ que, se Keiko fosse a primeira a tomar banho ela demoraria muito, e com isso fez cada um ter que ir correndo em seus quartos pegar a sua pr¨®pria toalha, o quarto de Keiko era o mais pr¨®ximo mas ela n?o havia sido t?o r¨¢pida. - EU VOU PRIMEIRO! - disse Keiko j¨¢ com a toalha nos bra?os. - NADA DISSO! VOC¨º DEMORA DEMAIS! - disse Yuma tapando a entrada com os bra?os no batente - Eu vou primeiro porqu¨º sou mais r¨¢pido, ai depois voc¨º decide com a chika. - disse enquanto ele estava sendo empurrado por ela. Ichika n?o sa¨ªra a tempo mas quando viu a barreira no batente logo correu pelo corredor para empurrar tamb¨¦m, mas ela tinha uma t¨¢tica. - Kei, quando Yu estiver atrapalhando o seu caminho fa?a o seguinte - disse levantando as m?os prontas para ataca-lo com c¨®cegas - Voc¨º o mata de cosquinhas!!!! - logo as duas come?aram com o ataque, e as m?os que estavam firmes no batente cederam assim como o corpo, e os tr¨ºs desabaram, pois, Yuma segurara as duas na queda, e l¨¢ estava os tr¨ºs ca¨ªdos no banheiro rindo e um fazendo c¨®cegas no outro at¨¦ se cansarem, Ichika se lembrara do qu?o boa havia sido sua infancia ao lado dos dois e embora, as vezes, se desentendessem aquilo nunca seria tudo o que eram, e que juntos, eles iam muito mais muito longe. Depois das risadas eles se organizaram e por fim, Yuma foi mesmo o primeiro a ir, e Keiko a ultima, mas nada se resumia a aquilo, a chuva se prolongou a noite toda. ??? A manh? se iniciara densa, era domingo, e estava nebuloso do lado de fora, Ichika levantou os olhos at¨¦ o seu radio rel¨®gio e se deparou com exatas 9:30 da manh?, para ela, deveria ser uma da tarde, mas n?o iria reclamar, tinha que acordar e decidir se tomava caf¨¦ ou se faria o almo?o e definitivamente n?o queria fazer nem um dos dois, ela se espregui?ou e saiu de seu quarto, assim que colocou seus p¨¦s no ch?o logo estremeceu e voltou para por cal?as e meia, logo que fez isso foi para o banheiro escovar os dentes, Meu Deus que bagun?a t¨¢ meu cabelo pensou olhando para a o pente, ela o pegou mas assim que voltou os olhos para o espelho decidiu que ficaria daquela forma mesmo, at¨¦ porqu¨º aonde mais iria sem ser sua casa? Ela do banheiro sentia falta de algu¨¦m, uma certa pessoa que ela realmente sentira falta. -KEEEEI!!! EI KEEEI!!! - ela gritara sem nenhuma resposta quando se preparava para gritar de novo uma voz veio de baixo. If you discover this narrative on Amazon, be aware that it has been stolen. Please report the violation. - ELA AINDA EST¨¢ DORMINDO CHIKA - era Yuma e pelo visto ele j¨¢ estava na cozinha. Ela desceu devagar as escadas sem fazer barulho at¨¦ se deparar com ele na varanda, fumando, e com isso fez ela correr at¨¦ o seu encontro. - O QUE CARALHOS PENSA QUE T¨¢ FAZENDO??? - ela estava com os olhos arregalados. -O que parece que estou fazendo? - disse Yuma soltando a fuma?a pelo outro lado - estou fumando claro! - Est¨¢ se tornando um segundo Takashi? E pare j¨¢ com isso! - disse pegando a caixinha amassando e a arremessando para longe. Isso o fez arquear as sobrancelhas, isso deixou ela mais irritada ainda, assim ela pegou o cigarro que estava em sua boca e o jogou para longe - N?O VAI GANHAR NADA FAZENDO ISSO APENAS PERDER!!! - Eu ainda tenho um, posso pelo menos fumar ele? - ele pegou outro que estava no parapeito da varanda, o ascendeu e deu a primeira tragada. - Esse ¨¦ o ultimo que vai fumar e voc¨º sabe - disse tirando da boca dele e dando uma tragada tamb¨¦m, e depois o devolveu. -Por que deu uma tragada tamb¨¦m, ele deveria ser o MEU ultimo, n?o o NOSSO ultimo - ele estava observando o cigarro em seus dedos. - Para come?ar, por qu¨º est¨¢ fazendo isso? - argumentou ela ignorando completamente a pergunta anterior, queria uma resposta, queria saber o porqu¨º, ela estava sempre t?o perto dele, mas ao ver ele fazendo isso ela sentiu que estava t?o distante quanto imaginara. - A quanto tempo fuma? -N?o faz nem uma semana... - Ele tinha dado a vez para ichika dar outra tragada - Estou muito estressado - ela podia observar a rigidez de seu maxilar ao finalizar a frase, e finalmente olhar em seus olhos, coisa que ela n?o fazia faz tempo, aqueles olhos cor de mel que sempre pareciam quentes aparentavam estar cristalizados e escuros, ele estava cansado, ela devolvera o cigarro para ele ap¨®s terminar de dar sua tragada, ele estava acabado. -E porqu¨º n?o me contou? Sabe n¨®s somos irm?os, vivemos lado a lado n¨®s TRABALHAMOS JUNTO YUMA, por que n?o me disse o motivo? - Ela estava de costas para o parapeito o observando, ela, estava preocupada. - OLHA EU T? SUSTENTANDO ESSA CASA SOZINHO! - Ele deu a ultima tragada e jogou o cigarro na rua. Agora ele a estava olhando nos olhos. Eles estavam atordoados. - O papai n?o deu o dinheiro esse m¨ºs? - Ela sabia que mesmo ele n?o estando presente, ele pagava uma quantia para eles sustentarem a casa e a si mesmos. - Chika... -Disse suspirando - faz meses que eu n?o pago e nem uso o dinheiro do papai - Isso a fizera sentir um gosto amargo em sua boca, como? Como n?o contara nada para ela? Todo o dinheiro dele, naquela casa era demais para ela aceitar aquilo. -Meu Deus PARA com isso, n?o precisa! - antes que pudesse continuar, ela fora interrompida. -ACHA QUE EU QUERO ALGUMA COISA QUE TENHA A VER COM ELE? - ele ainda a olhava nos olhos, com os bra?os abertos. -OLHA EU N?O QUERO DAR ESSA SATISFA??O PRA ELE, N?O MAIS! - ela o interrompeu com um abra?o, n?o conseguira ter uma resposta para aquilo, fez o que a muito tempo com sinceridade n?o fazia. Ela deu um singelo abra?o, ela podia sentir toda a extens?o do corpo de seu irm?o, seus ombros largos pareciam um muro em volta dela, seu peito era levemente definido assim como o queixo que estava no topo de sua cabe?a, logo ela sentiu gotas ca¨ªrem sob a sua cabe?a, levantou os olhos mas n?o estava chovendo, era seu irm?o chorando - Ichika entende? eu n?o quero ter nada mais a ver com ele. - ele continuou no abra?o agora estava mais firme, em seus ombros ela sussurrou. -Bem... da pr¨®xima vez que quiser fazer algo me fale - ela deu uma pausa enquanto seus olhos lacrimejavam e sua voz se tornara falha - n?o precisa carregar o mundo sozinho, n?o quando j¨¢ fez muito por n¨®s, s¨® diga, ok?- Eles ficaram minutos assim, mas, para eles, no mundo deles, aquilo eram horas, e n?o se preocupavam se fosse chover ou n?o, quem ligava? Poderia cair o mundo em chuva, eles n?o queriam sair dai, at¨¦ que mesmo assim, cederam. - Voc¨º me entendeu?- disse saindo do abra?o. -Sim, e bem, n?o precisa querer me dar bronca j¨¢ que EU sou o mais velho - ele estava indo para a geladeira, enquanto ela fechava a porta que levava para fora. - E ¨¦ o mais ot¨¢rio - ela estava abafando a risada que mesmo assim foi ouvida por ele, e bem recebida j¨¢ que ela pode ter um vislumbre do sorriso de seu irm?o, ele sempre falava que o dela era bonito, mas o dele era mais, ele tinha presas que caiam bem. Keiko estava na sala e logo fora para a cozinha ver aquilo tudo. Ela ainda estava de pijama. -Meu Deus j¨¢ est?o acordados?- disse ela se afagando nos bra?os de ichika. -Bom dia pra voc¨º tamb¨¦m mal humorada - logo ela se desfez com uma cara de enjoada -Credo que cheiro de cigarro, o que voc¨ºs dois andaram fazendo? - ela estava puxando a cadeira da mesa que ficava no centro da cozinha. - Longa hist¨®ria - Ichika estava procurando os ingredientes para fazer um misto quente. O sil¨ºncio se prolongou na cozinha enquanto todos preparavam seus pr¨®prios "menus" para o caf¨¦ da manh?, estavam todos na mesa quando Yuma destr¨®i o sil¨ºncio. -Olha sabe uma coisa, eu estive pensando... estamos muito longe dos lugares que d?o dinheiro - disse dando uma piscadela para Ichika, ela j¨¢ sabia o que ele estava querendo dizer - Acho que a cafeteria poderia mudar de lugar! - aquilo a surpreendeu, claro que era uma coisa boa j¨¢ que a cafeteria estava caindo aos peda?os de t?o antiga que era, mas, ela nunca cogitou em muda-la de lugar. -Mas... para onde? - disse Ichika falando a pergunta que estava em sua mente. - Olha a ideia eu tenho, sei o que fazer mas o lugar ¨¦ que est¨¢ dif¨ªcil, n?o sei de nenhum ao centro que esteja a venda. - disse levando a m?o no queixo, assim que a frase foi terminada, Keiko parou de comer, e se p?s em p¨¦ fazendo- se ouvir o barulho da cadeira sendo arrastada. -Eu vou buscar o meu celular e j¨¢ volto - disse correndo at¨¦ o quarto, os dois se encararam fazendo m¨ªmicas tentando entender o que ela iria fazer a respeito, na verdade o que ela sabia. Em poucos minutos passos apressados desciam as escadas e chegavam na cozinha. -Eu estava olhando o site de im¨®veis da cidade at¨¦ que deparei com esse lugar- disse abrindo a foto com a localiza??o. - E o que voc¨º estava fazendo com o site de im¨®veis aberto? - disse ichika a indagando. -Bem, eu simplesmente quis procurar nessa cidade um lugar para comprar uma casa, e bem, achei esse ai, era uma floricultura que est¨¢ sendo desativada, e est¨¢ por um bom pre?o - Ichika estava se levantando para ver a imagem da foto que a surpreende de verdade, era a floricultura que Riley trabalhava antes de ser despedida, ela se lembrava por causa da camiseta que ela estava vestindo no dia que fora para a cafeteria, assim que percebeu deu um breve suspiro de espanto. -Tem certeza que ¨¦ real? O valor parece muito baixo para mim. -Ele estava certo, sa¨ªra por 20.000 ienes e certamente aquilo era um engano, ela rezava em seu interior para que fosse, pois se n?o seria um problema. -Olha, o telefone de contato t¨¢ aqui, e bem, t¨¢ no site da pr¨®pria prefeitura, duvido ser engana??o - assim que disse Yuma se dirigiu ao seu celular e come?ava a digitar os n¨²meros que apareciam no telefone de keiko, em quest?es de minutos algu¨¦m atendeu e ele foi para a sala, ele se demorou em alguns minutos, e tudo o que elas escutaram foram o ok que ele disse ao final. - Eu pedi para ele estar l¨¢ dentro de 40 minutos, n¨®s vamos passar no banco e j¨¢ iremos para l¨¢ - Ichika n?o estava entendendo se ele estava falando que apenas ele iria e por isso estava avisando previamente para elas fazerem algo para eles comerem ou se aquilo significava que as duas iriam junto - Voc¨ºs duas o que est?o fazendo paradas? N?o querem ver o im¨®vel? - Aquilo era claro, elas iriam. Eles sairam prontos, de carro e pararam no caixa mais pr¨®ximo, Yuma sabia a conta banc¨¢ria de seu pai, ent?o, logo sa¨ªra com a quantidade em m?os, assim quando chegaram ao local combinado o corretor estava l¨¢, ela um homem gordo e baixinho, que claramente estava apertado em seu blazer, na realidade, sufocado nele, assim que os viram, logo tirou a maleta do bagageiro, e colocou- a em punho. -Muito boa tarde, Sr Tsukumo, bem voc¨º est¨¢ realmente interessado nesse im¨®vel? Tendo vende-lo a algumas semanas mas ningu¨¦m se interessa - disse observando o seu rel¨®gio de pulso. -Pode me chamar de Yuma, e bem, sim, estou e o quero agora. -Aquilo fez o homem retornar a aten??o, o fez abrir um sorriso. - Bem o que estamos esperando? - Disse tirando pap¨¦is de dentro da bolsa, e o fazendo assinar. Yuma n?o tinha presa, e j¨¢ tinha fechado neg¨®cio com muitas outras pessoas antes, e sabia que entre aqueles pap¨¦is poderia estar algum que n?o deveria, ele come?ou a l¨º-los, isso fez o homem ficar irritado, mas ele n?o falou nada, ele ficou alguns minutos lendo. -Esse papel n?o deveria estar aqui - Disse devolvendo um papel que era subitamente proposital a estadia dele l¨¢, mas ap¨®s a devolu??o ele continuou a leitura das duas ultimas folhas que faltava. E por fim, assinou. - Bem eu quero o recibo e a confirma??o da compra. - A n?o senhor Yuma, n?o podemos fazer isso, a prefeitura funciona apenas em dias ¨²teis - disse recolhendo os pap¨¦is e se preparando para ir. -Mas se s¨® funcionasse em dias ¨²teis, por qu¨º voc¨º estaria aqui? E bem... tenho certeza que voc¨º trabalha l¨¢ - Ichika e keiko ficaram a observar a situa??o que se desenrolava na frente delas, e bem, Yuma estava no dom¨ªnio. - ¨¦ garoto posso fazer esse favor para voc¨º, mas n?o garanto nada - Ele estava entrando no carro. -Bem, Ent?o vamos entrar em um acordo, voc¨º vai at¨¦ l¨¢ e n¨®s ficamos com o carro at¨¦ voc¨º chegar - isso fez com que o homem soltasse uma risadinha de nervoso, mas logo respondeu. - E ent?o, com o que eu vou at¨¦ a prefeitura? - ele estava encarando Yuma com suas rosadas bochechas, o que dava ainda mais o aspecto de sufocamento. - Bem, de bicicleta. - disse apontando para as bicicletas que a prefeitura disponibilizava para loca??o, a pessoa pagava pelos minutos que andava e depois devolvia, e certamente ele havia o cart?o que dava gratuidade para as bicicletas j¨¢ que trabalhava nela. - Est¨¢ bem, mas estejam ai quando eu voltar est¨¢ bem. - ele estava cada vez mais vermelho, ele entregou as chaves a Yuma, pegou a bicicleta com dificuldade e logo se perdeu na paisagem, quando Yuma virou para tr¨¢s estavam tanto Ichika quando Keiko se deleitando de tanto que riam. -Meu Deus como voc¨º fez isso - Disse ichika voltando a rir. -AT¨¦ DEU PARA VER A CARA QUE ELE FEZ QUANDO VOC¨º DISSE PARA ELE IR DE BICICLETA AHAH- Keiko era a que menos se aguentava, ela estava com os bra?os em volta da cintura para n?o cair. -Eu dei foi uma li??o nele, duvido ele voltar sem os pap¨¦is - Ele deu uma leve risada, at¨¦ que eles se prontificaram, a observar quanto tempo demoraria at¨¦ ele voltar, em quest?o de uma hora ele estava de volta, suado, com o blazer na cesta da bicicleta e mais vermelho do que quando tinha ido, seu cabelo antes alinhado com gel na cabe?a estava lhe escorrendo pelo rosto, ele estava mais engra?ado do que quanto partira, Yuma fez os preparativos para finalmente dizer que aquele im¨®vel era dele, depois de um tempo, o homem recobrou a cor normal, ainda tentando realinhar os cabelos com as m?os entregou a Yuma o documento que comprovava a compra do im¨®vel e todos os dados de que era agora deles, Finalmente. Ele foi embora e assim ficaram os tr¨ºs sozinhos. - Foi muita crueldade sua faze-lo ir e voltar de bicicleta - disse Ichika sufocando a risada que estava brotando em sua garganta. - ¨¦ verdade, voc¨º ¨¦ uma pessoa muito ruim Yuma!- Keiko estava aproveitando a deixa, para expressar as mais falsas condol¨ºncias. - ¨¦ MAS NA HORA DE RIR AS DUAS RIRAM - Ele estava com as chaves do im¨®vel nas m?os - Bem agora isso ¨¦ nosso!- Disse abrindo as portas que fizeram um rangido, o im¨®vel estava velho e desgastado, e pelos pr¨®ximos meses, passariam por reforma, mas agora eram deles. - Bem agora ¨¦ s¨® reformar - disse keiko colocando-se ao lado de Yuma. - Com o esfor?o de n¨®s tr¨ºs vai ficar pronto rapidinho - disse Ichika colocando seu olhar em Keiko que se espantou com a afirma??o -Como assim N¨®S TR¨ºS??? - aquilo fez com que Yuma e Ichika rissem e ela tamb¨¦m, eles estavam em um novo come?o em um novo melhor, recome?ariam em um im¨®vel que n?o pertencia a seu pai, eram deles, e aquilo nunca fora t?o bom, eles fecharam o im¨®vel e foram para a antiga cafeteria, olharam pela ultima vez para aquela que fora a cafeteria deles, ela agora era velha, estava pequena demais para o sonho deles, j¨¢ n?o era mais suficiente, eles voltam para casa, debateram sobre o que poderia ser inovador, enquanto ichika criava a nova apar¨ºncia da cafeteria, eles mudariam algumas coisas e adicionaram algo que o fariam bombar, eles seriam praticamente coworkings, aquilo faria com que as pessoas que trabalhassem nos escrit¨®rios ao lado, frequentassem para terminar seus relat¨®rios ou seja l¨¢ o que fariam. Aquele dia estava longe de ser perfeito, mas ichika percebeu o qu?o distante estava de seu irm?o, ela iria a partir dali, ajuda-lo no que precisasse, eles estavam juntos nessa, e ele era importante para ela, naquela noite, depois das luzes estarem apagadas uma pergunta vinha em sua mente "E se ela n?o quiser nada com voc¨º?" Aquela voz estava se referindo a Scarllet, e ela sabia disso, "Eu preciso de uma resposta, eu preciso!" Ela foi engolida pelo sil¨ºncio, que, finalmente a deu uma resposta "V¨¢ a casa dela!" Por mais que ela quisesse esquecer daquilo, ela estava convicta de que iria na casa de Scarllet mais uma vez, s¨® que, era para fazer uma pergunta. Que a estava a perturbando. Que tal... Amigas? Havia se passado alguns dias desde que pensara a respeito de que dia falaria com Scarllet, ela e Yuma estavam se preparando para retomar a reforma que estavam fazendo, isso lhe ocuparia uma metade da semana, destruindo seus planos quase por completo. Enquanto estava no caminho do que seria a nova cafeteria, sua mente estava distante, por pouco quase n?o parou como de costume na linha do trem, se n?o fosse seu irm?o ele recuperasse a aten??o. - Voc¨º n?o parece estar bem, essa semana foi dif¨ªcil por causa da reforma, e sei que eu poderia ir sozinho... - eles ficaram parados na linha enquanto o trem passava, ela ainda estava distante, por¨¦m colocou um sorriso m¨ªnimo nos l¨¢bios. -N?o Yuma, estamos fazendo isso por n¨®s, ou voc¨º j¨¢ se esqueceu que n?o pretende deix¨¢-lo mais sozinho carregando tudo?- claro que ele n?o esqueceu, mas faze-lo lembrar o fez colocar um sorriso em seu rosto. -Ent?o v¨º se acorda logo pra tirar aquele rejunte hoje entendeu? - disse recobrando a dire??o, ele ia na frente e ela atr¨¢s, seu rosto ao sentir o frescor na manh? havia deixado seu nariz assim como suas bochechas, rosa, e seus cabelos estavam soltos, ao sair de casa ela pensou que n?o teria problema em o deixa-lo aquela forma, bem, ela estava errada, a cada rua, ela se deparava com uma forte corrente de vento que trazia todo o cabelo ao rosto, quase a fazendo se desequilibrar, " Merda, mais que porra, da pr¨®xima eu me lembro de raspar a cabe?a" , antes de chegarem, algo lhe chamou a aten??o, uma picha??o numa loja pr¨®xima "para todos os infelizes que aqui trabalham" os vidros estavam quebrados e a picha??o estava bem no muro onde ficaram o logotipo da loja, um arrepio levantado pela sua espinha, s¨® de pensar que a floricultura The Royal Gardens que agora, estava se tornando uma nova cafeteria deles, antes do emprego de Riley, Atordoava os pensamentos, Yuma ap¨®s o dia da compra do im¨®vel a indagara sobre a sua surpresa ao ver uma floricultura em casa, ela negou qualquer coisa e disse que s¨® estava surpresa pelo valor que foi vendida, ela realmente tinha medo do que Riley pudesse fazer, n?o tinha envolvimento nenhum com ela, claro, mas j¨¢ estava em sua casa sem ela sabre. Assim que chegaram abriram as portas que, logo depois daquela bagun?a toda, seriam removidas, pelo menos tinham que ser, pois o rangido que elas eram insuport¨¢veis. A estrutura em si era magn¨ªfica, a entrada era composta com duas vitrines exteriores divididas por uma porta de madeira que ficava ao centro, seu interior era de paredes altas largas e verdes, a vista se estendia at¨¦ quase o perder de vista, onde era interrompida por uma escada em formato circular, gasta e enferrujada, que logo depois veio o fundo e a porta para ele, encantada com praticamente tudo, desde a parede ao ch?o, ela viu a escada, nos dias anteriores, eles sequer se deram ao trabalho de investigarem se era apenas de decora??o, Ichika se interessou pelo que poderia ter acima, deixou a mochila com os mantimentos e foi logo para a escada. - O sonsona... Essa escada ¨¦ de decora??o t¨¢ subindo nela por qu¨º? ¨C falou Yuma do outro lado da constru??o, embora ele tivesse visto t?o pouco quanto Ichika, ele tinha quase certeza de que n?o poderia ter nada acima. - Tem uma luz refletindo na madeira da escada, ¨¦ ¨®bvio que tem algo acima ¨C respondeu enquanto continuava a subir, ao chegar ao fim da "escada de decora??o" ela solta um berro de cima - YU, EU TE FALEI QUE TINHA UM C?MODO AQUI EM CIMA, EU TE FALEI, COISA IGNORANTE AH! AH! AH! Ele simplesmente soltou as ferramentas que estavam em punho, e saiu em disparada pelas escadas rumo a cima, e quanto viu que a comodidade de cima era grande como o de baixo, a diferen?a era a cor do ambiente, as paredes do andar superior eram de um bege encardido, havia tempo que ningu¨¦m limpava aquele lugar, havia vitrine como em baixo, s¨® que n?o foram interrompidos por uma porta, ele ficou praticamente im¨®vel, tentando entender o porqu¨º de n?o ter percebido antes. - Eles deveriam usar esse espa?o para guardar os vasos ¨C diz Ichika. - T¨¢ isso da pra perceber, a parte do fundo ¨¦ muito pequena para por todos os vasos em baixo, sem contar que se vendiam muitas plantas aqui. ¨C argumentou Yuma que estava se aproximando do enorme vitral que estava mal coberto com um pano velho e rasgado ¨C sem contar que essa vista ¨¦ linda, seria interessante usar esse espa?o para caf¨¦, o que eu ainda n?o consegui maquinar ¨¦ que, a escada ¨¦ Muito no fundo, e s¨® tem uma, como as pessoas poderiam vir pra c¨¢ sem atrapalhar o movimento dos funcion¨¢rios? -Bem, realmente... ¨C murmurou Ichika, n?o tinha pensado a respeito do que fazer com a escada, para que os clientes n?o esbarrassem uns nos outros at¨¦ que tiveram uma ideia ¨C Bem ¨¦ s¨® fazermos outra escada ¨C disse Ichika enquanto dava alguns passos para longe do vitral, ficando praticamente no meio ¨C AQUI! - E voc¨º acha mesmo que essa medida daria certo? ¨C diz Yuma ¨C veremos a parte de fazer outra escada depois, quase pro fim, a quest?o ¨¦, agora teremos mais paredes para pintar. -Podemos come?ar por esses hoje, pois de baixo est?o bem avan?ados. ¨C disse Ichika enquanto descia as escadas rec¨¦m-descobertas - vou pegar as mochilas l¨¢ em baixo. Ap¨®s isso os dois iniciaram o processo, decidiram lixar as paredes, a fim de tirar s¨® a tinta brilhante bege que tinha pintado o andar todo, mas o trabalho se tornou mais quando, viram que n?o tinha feito feito apenas duas ou uma cada, havia muitas camadas de tinta, e n?o apenas isso, fizeram v¨¢rios intervalos de repeti??o entre as tintas, um trabalho mal feito, isso fez com que Yuma bufasse. - Caralho! Os cara n?o faz nada certo, vamos ter que tirar tudo isso at¨¦ chegar no primeiro tijolo! ¨C resmunga Yuma, colocando, ¨¢gua no seu copo ¨C e se bobiar, l¨¢ em baixo est¨¢ da mesma forma, cara que ¨®dio! -Yu, t¨¢ tudo bem, a gente tem as ferramentas, e deve ter uma explica??o pra isso, sei l¨¢, infiltra??o, olha quantas marcas de gotas tem pelo ch?o? ¨C argumente Ichika apontando para as marcas claras no ch?o sujo de terra ¨C Vamos arrancar esse reboco, mas depois teremos que ver onde est¨¢ o problema, e voc¨º sabe que nem eu nem voc¨º subiremos esse telhado para descobrir. -Chika, esse n?o ¨¦ o maior problema, olha, fomos imprudentes em achar que l¨¢ em baixo teria menos, se for ver, tem at¨¦ mais do que tem aqui, e tudo que tiramos foi apenas tinta de um reboque - disse tomando outro apressado gole de ¨¢gua - n?o acredito que essa floricultura foi t?o P¨¦SSIMA a esse ponto! - ele se sentou no ch?o, apoiando sua cabe?a na parede. Ichika se sentou ao seu lado, os dois estavam cansados, eles tinham avan?ado nos dias anteriores para chegarem aquela descoberta infeliz, tudo estava cansativo, por¨¦m, o dia tinha acabado de come?ar, e se os dois queriam chegar aoonde n?o tinham planejado, contidos que lidar com as adversidades, Ichika se levanta, enche um copo de ¨¢gua, e o beb¨º em uma golada s¨®, ent?o, continua andando at¨¦ chegar a mochila onde estavam os materiais que usariam, pega uma estaca e um martelo, e come?a a us¨¢-los, Yuma solta um longo suspiro, por¨¦m se levanta e busca os mesmos materiais, eles n?o iriam desistir daquele dia, e logo depois ele vai para a parede oposta a de ichika. -Bom,essas paredes medem no m¨ªnimo uns dez metros se hoje, voc¨º derrubar cinco e eu tamb¨¦m, n¨®s dois derrubaremos dez em um dia, ent?o, duas paredes- diz Ichika apontando a estaca na dire??o da parede, e ela delimita a parede pela metade. -Bom, vamos ver quem consegue terminar a parede at¨¦ a hora do almo?o, e nada de quebrar os tijolos t¨¢? - Aquilo era um desafio, ichika nunca fora muito competitivo, mas, aquele dia ela queria ser, muito e muit¨ªssimo competitivo. -T¨¢ bom, vamos ver que vai deixar o martelo primeiro. ??? -Bom dia meninas, o dia de voc¨ºs tamb¨¦m est¨¢ cheio? - diz Scarllet para seus colegas da recep??o - Voc¨ºs podem me dar a ficha do meu pequeno Leonard??? -Infelizmente voc¨º tem algumas horas at¨¦ dizer adeus pra ele. Doze para ser exato, aproveite seu tempo. - murmura uma mulher que entrega a ela a ficha t¨¦cnica do paciente. Escarlate de Paralisa. Por¨¦m pega a ficha e se dirige ao corredor do quarto, ela estava ofegante, n?o queria chorar, havia tempo, certo? Ela faria o poss¨ªvel para ser o menos doloroso. Ela estava na porta da ala, ela o viu, estava horr¨ªvel, seus cabelos antes dos loiros deram lugar por nada, n?o havia um fio sequer na cabe?a, os olhos que eram t?o v¨ªvidos, agora eram vazios, ele tinha muito emagrecido, ele estava indo bem, Scarllet ainda cria que ele poderia melhorar, n?o que ainda o restara algumas horas, n?o dava pra ser assim, eles tinham se esfor?ado, principalmente ele, Leonard Kilian. Ela tinha que dizer pra ele o que estava acontecendo. O que poderia acontecer. Mas como? Ele s¨® tinha 9 anos. - Oi meu pr¨ªncipe, acordou bem hoje? - Perguntou ainda parou na porta com a ficha em uma m?o enquanto fechava a porta da ala, ele estava observando a janela - Leo? - Oi tia - sussurrou o menino, um brilho surgido em seus olhos ao v¨º-la - EU VOU TER ALTA?? - Seus olhos se dispararam para a ficha que, logo que viu sua boca se curvou num sorriso. Ela n?o sabia o que fazer, ela n?o podia mentir pra ele, tinha que tratar a situa??o como profissional, mas ele era uma crian?a, n?o dava pra ele lidar t?o cedo com a morte, n?o assim. - Tenho primeira uma pergunta - disse Scarllet - o que voc¨º mais quer? Qual ¨¦ o seu desejo? - Eu vou ter alta? - argumentou o garoto, ele queria apenas aquilo, mas aquela n?o era a pergunta. -Qual ¨¦ o seu desejo? - repetiu ela, agora estava mais pr¨®xima a maca - N?o vou contar pra ningu¨¦m, ¨¦ s¨® um presente de mim pra voc¨º. Entendeu? O garoto ossudo estremeceu, mas, n?o tinha mais jeito, ele teria poucas horas para realizar aquilo que ele idealizou como meta, por alguns minutos ele ficou em sil¨ºncio, pensando. Logo que seus olhos encontraram o de Scarllet um arrepio de incerteza levantou seu corpo, mas ela estava fazendo uma despedida certa, pelo menos pra ela. Ent?o ele sorri. - Sabe, quando eu vim pra c¨¢, meus pais me disseram que eu poderia visitar a praia se eu melhorasse, eu vou voltar pra c¨¢ depois n¨¦? - disse o garoto ainda a observar. Mas tudo o que escutou foi um "J¨¢ volto", portas batendo e um barulho de sapatos apressados, e depois nada, ele estava sozinho da ala, de novo. Ela busca uma autoriza??o para pelo menos melhorar a situa??o, ela vai com a determina??o indo as alas de interna??o, marcha rumo ¨¤ recep??o, o fluxo de pessoas no hospital ¨¦ agrad¨¢vel, sem muitas pessoas, mas mesmo assim ela quase corre, ele tem horas contadas , e ela tamb¨¦m. - Scarllet se voc¨º veio me perguntar se pode ministrar uma dose de Fentanil no seu paciente eu j¨¢ adianto que n?o, ¨¦ muito forte e tudo que vai fazer ¨¦ tirar a dor tempor¨¢rio dele - Scarllet a interrompeu, paralisando o dedo indicador pr¨®ximo da boca de seu colega. -Nora Clifton, n?o foi pra isso que eu vim aqui, Onde est¨¢ o Ben? - diz ela cruzando os bra?os sobre o peito - Eu quero levar o Leonard para a praia. - MEU DEUS ENLOUQUECEU? O garoto n?o pode sair daqui por favor pare de histerias! - Rebate Nora - Por qu¨º quer fazer isso? - ELE VAI MORRER, E NUNCA VAI TER VISTO O MAR! - grita Scarllet enquanto retoma a marcha, procurando por Ben e indo para a entrada, para ter uma vis?o mais ampla. - EST¨¢ BEM, ELE EST¨¢ NA AMBUL?NCIA, MAS VOLTE LOGO! - gritou Nora, agora distante, contanto que quebraram a principal regra de se manter o sil¨ºncio no ambiente hospitalar, o que est¨¢ fazendo ¨¦ por uma boa causa, Scarllet sabe disso a cada curva que faz naquele hospital. Por sorte Ben estava no lado de fora, n?o na ambulancia, mas na escadaria do hospital. -Ben... BEN Gosling - grita Scarllet no topo da escaria - Eu preciso da sua ajuda!- diz ela enquanto ele caminha ao seu encontro parando no seu lado. Arfando, mas ali. - O que voc¨º quer? - pergunta Ben a ela. - Quero levar o Leo para conhecer a praia, eu j¨¢ tenho a autoriza??o pra isso, por favor nos leve pra l¨¢. - implorou Scarllet com os olhos arregalados. Todos naquele hospital se conheciam, eram uma fam¨ªlia e um integrante dela estava morrendo, sem um desejo realizado, todos sabiam da situa??o de Leo, e fizeram o poss¨ªvel para o manter vivo por um tempo, mas Scarllet n?o iria desistir daquilo, e agora tinha algu¨¦m pra fazer isso, junto com ela. Ben. - T¨¢, vou ligar a ambulancia e pega o menino, sei aonde ir. - disse e ent?o os dois correram em dire??es opostas, Scarllet foi direto pra ala, e ele foi estacionar onde ficava a entrada dos pacientes, depois de correr tanto e quase escorregar ela chega a ala. - Suas roupas est?o aqui, n?o est?o? - disse Scarllet enquanto abria a porta. - Elas ficam nas gavetas, mas porqu¨º? Eu tenho que usar essa roupa enquanto fico aqui. - argumentou o garoto ainda na maca, im¨®vel. - Vamos a um lugar hoje. - conclui ela. Aquela foi a ultima palavra antes que ela o trocasse e o levasse para a ambulancia, eles ficavam cerca de meia hora at¨¦ a praia mais pr¨®xima, n?o t?o grande, por¨¦m era ¨¢gua salgada e a vista era deslumbrante, ela n?o podia ver a hora que ele colocaria os p¨¦s na areia. Eles estavam a caminho, com a vantagem de ter a ambulancia, o tempo foi diminu¨ªdo. - E ent?o, chegamos? - sussurrou o garoto. Seus olhos estavam brilhando, e suas pernas n?o paravam de se mover no banco enquanto esperava, ela acolheu cada resqu¨ªcio de momento que ainda tinha com o menino, e simplesmente o abra?ou de lado enquanto recostava a cabe?a dele em seu colo. - Chegaremos logo, n?o ¨¦ Ben?- Indagou ela ao motorista, que faz afirmativa com a cabe?a enquanto posiciona os dedos formando um 3. - Viu? Tr¨ºs minutos pra eu te mostrar a minha surpresa pra voc¨º. N?o durou o tempo esperado, durou bem menos, logo que a ambulancia parou Scarllet posicionou suas m?os nos olhos do menino, e o guiou at¨¦ chegar na faixa de areia, isso fez com que ela quisesse chorar, mas n?o podia, era muito cedo pra isso. Mas era o hor¨¢rio perfeito para que os raios de sol n?o o machucassem, era 7 horas da manh?. - Eu...- disse o garoto retendo um pouco a voz - EU ESTOU NA PRAIA????- gritou o garoto que come?ou a correr descal?o na areia, em meio aos rodopios e quase quedas ele estava maravilhado, se a extens?o da praia n?o fosse t?o grande Scarllet poderia jurar que ele correria aquela faixa inteira. - VAMOS PRO MAR!!! - gritou Scarllet enquanto subia a barra da cal?a at¨¦ a altura dos joelhos, logo os dois se encontraram no mesmo ponto, ela o segurou em seu colo, brincou bastante com ele e eles ficaram por algum tempo correndo no mar. - ESSE ¨¦ O MELHOR PRESENTE QUE ALGU¨¦M PODERIA ME DAR!!! - gritou ele se jogando em seus bra?os, por algum tempo, ela se lembrou que seria o ultimo presente dele, aquele que ela esperava que ele levaria quando se fosse. Quando ele partisse. Scarllet nunca gostou de finais, quando terminou a escola ela n?o parou de chorar, quando concluiu a faculdade tamb¨¦m n?o se conteve, o fato de saber que hoje isso existe e amanh? n?o mais, a deixava atordoada, por tempos ela se controlou, mas, naquele momento ela realmente se perguntou se era capaz de aguentar seus pr¨®prios sentimentos. - Vamos jogar um v?lei por aqui, j¨¢ jogou? - Leo fez uma men??o de "n?o" movendo a cabe?a - Ent?o eu vou te ensinar. O tempo que passaram ali foi muito bom, eles jogaram v?lei at¨¦ cansarem, correram mais um pouco, e ent?o encontraram uma concha que Leo decidiu que seria dele, logo depois foram tomar um pouco de sorvete, para refrescar o calor, e quando j¨¢ n?o dava mais pra se demorar ali. Eles se despediram da praia. Com uma ultima ida ao encontro com as ondas, a sensa??o das ondas que vinham e iam, e o vento que tomava conta de todo o ambiente esvoa?ando os cabelos e deixando uma sensa??o mais limpa no ar, eles memorizaram tudo com algumas fotos, e Scarllet jamais se arrependeria se ter ido contra tudo e todos por ele. ??? - ACABAMOS!- grita Ichika completamente empoeirada, indo dar um abra?o em Yuma que estava no outro lado da sala. Ele desvia dela, joga os instrumentos no ch?o e segue at¨¢ as mochilas -Ei??? E o meu abra?o de irm?? - Fica pra depois do almo?o, t? morto de fome - Yuma se agachou e revirou a bol?a de mantimentos quase que inteira, depois vasculhou at¨¦ a dos instrumentos pra ter certeza do que estava vendo - Chika... Voc¨º comeu a marmita antes de mim? - N?o, bem, eu ia perguntar isso pra voc¨º j¨¢ que foi voc¨º quem preparou as marmitas ontem - disse Ichika caminhando rumo aonde estava a garrafa de ¨¢gua, pelo menos n?o p?de ver o olhar mortal que Yuma lan?ou. - Voc¨º disse O QU¨º? - berrou Yuma indo ao encontro dela, e a agarrando pela gola da blusa This story has been stolen from Royal Road. If you read it on Amazon, please report it - Ei! Pera ai! Eu n?o fiz nada, voc¨º s¨® deve estar de brincadeira comigo! Vai brigar por causa de comida! - rebateu ichika se soltando das m?os do irm?o - RELAXA... tem gente que trabalha com comida, eu pago a nossa marmita de hoje se voc¨º quer saber, MAS N?O PRECISAVA GRITAR COMIGO POR ISSO!!! Ela desceu as escadas enquanto Yuma ficou aonde estava outrora com a irm?, se sentia est¨²pido, talvez, infantil demais seria a palavra certa, ele ficou l¨¢ por minutos a fio at¨¦ finalmente decidir descer ao encontro dela. Ichika estava encolhida em um canto quando Yuma a viu foi logo ao seu lado. -Desculpa - Sussurou ele - Fui injusto com voc¨º, juntei o fato dos caras terem feito um servi?o mal feito e descontei em voc¨º isso junto com a minha fome... Voc¨º me desculpa? - Voc¨º sabe que n?o foi culpa minha - respondeu Ichika com l¨¢grimas nos olhos, seu rosto estava absurdamente vermelho, e as l¨¢grimas fizeram um rastro na terra que estava no rosto de ichika - Poderia ter me avisado que eu fazia. - Eu avisei voc¨º... eu mandei mensagem - disse Yuma a pondo de p¨¦ - Pensei que voc¨º tivesse visto. - Mensagem? Eu n?o vi nenhuma - adversa Ichika, pegando o celular que estava em seu bolso vasculhando at¨¦ procurar a mensagem, que, logo ao encontrar solta um t¨ªmido sorriso - Desculpa, mas eu n?o me lembrava de ter silenciado voc¨º. - Voc¨º o qu¨º??? - diz Yuma quase rindo - T¨¢ explicado porqu¨º voc¨º parou de me responder! - Quer que eu pague a nossa comida hoje? - questiona Ichika. - Hoje n?o, Tenho um n¨²mero em mente, vou ligar e logo estar¨¢ aqui. - diz Yuma enquanto come?a a vasculhar em busca de um n¨²mero, liga e come?a a esperar a resposta. Conversa com a atendente e conclui um despache que vai chegar em meia hora. -Prontinho - diz desligando a liga??o - em 30 minutos nossa comida estar¨¢ aqui. Cada um vai para o seu lado, e ent?o eles pegam seus celulares em busca de algo para passar o tempo, Ichika verifica as mensagens, v¨º as notifica??es, e depois de tudo, decide ver o que seu irm?o tanto faz, pois, a cada segundo o seu sorriso parece maior, ela se estreita atr¨¢s dele, e come?a a observa-lo ent?o, o v¨º conversando com uma garota com um hist¨®rico n?o t?o favor¨¢vel, e a ultima coisa que v¨º ¨¦ Vamos sair hoje? Isso faz com que Ichika reaja, o fazendo olhar para tr¨¢s. - O que voc¨º t¨¢ fazendo aqui? - exclama Yuma aproximando o celular junto de si. - Eu sei muito bem com quem voc¨º est¨¢ falando! - rebate Ichika, na realidade ela tinha alguns nomes em mente, mas n?o falaria nenhum deles at¨¦ que Yuma admitisse. - E o que que tem? - disse Yuma - ela nem ¨¦ t?o ruim assim! Agora Ichika tinha certeza, e seu ¨®dio por essa pessoa nunca foi t?o grande,agora ela tinha certeza. - Sakiko Shinju n?o ¨¦ ruim? Fala s¨¦rio? Ela ficou com todos os seus amigos antes de voc¨º! O que te faz achar que n?o ¨¦ mais um entre eles?- rebate Ichika. Sakiko, tinha todas as qualidades que uma mulher perfeita poderia obter, para uma japonesa seus olhos claros eram o diferencial, seu rosto ela praticamente esculpido para ser fotog¨ºnico, ela tinha uma silhueta delgada e era rica. Todos a queriam. Todos incluindo Yuma. - Eles nem s?o tanta coisa assim, pra come?o de conversa nos unimos muito mais quando come?amos a gostar dela - Yuma estava rebatendo quase que inconscientemente tudo o que sua irm? dizia. Ele n?o queria estar errado - Por isso, hoje eu quero chamar ela pra sair s¨® pra poder dizer que a amo, t¨¢ bom pra voc¨º? - Quer que eu seja sincera? Ela vai falar qualquer desculpa s¨® pra dizer o porqu¨º dela n?o poder ir, e quer saber de mais uma coisa? Eu at¨¦ acho que ela pode ter ido pra outro pa¨ªs! Ou talvez esteja com o seu mais novo namorado norte-americano, quase modelo.- disse Ichika em tom ir?nico, aos poucos o rosto alegre de Yuma foi se desmanchando e um vinco entre suas sobrancelhas ficou praticamente estampado. Ele estava em cheque. - Como tem tanta certeza assim? - indagou a ela, por¨¦m ela s¨® deu de ombros, eles ficaram um tempo quietos at¨¦ que uma notifica??o p?e fim em tudo aquilo. Era ela. - V¨º a mensagem e depois me diz o que ¨¦! - diz Ichika caminhando para uma poltrona empoeirada recostada ao canto. - ¨¦ um ¨¢udio... - diz Yuma aumentando o volume do dispositivo fazendo-se ouvir apenas o som daquela voz. - Oi... ¨¦ Yuma, eu n?o vou poder ir juro, eu at¨¦ queria, claro, como sua amiga, porqu¨º eu namoro haha, bem,eu s¨® queria dizer que eu tamb¨¦m n?o estou aqui, eu t? em New York, desculpa, mas quem sabe numa pr¨®xima - O ¨¢udio acabava naquilo, os olhos de Ichika estavam arregalados como dois pires negros em seu rosto, ela n?o poderia ter sido t?o certeira quando aquilo que acabara de dizer, ela, havia chutado e tinha dado certo. Yuma abaixou o rosto, seus cabelos castanhos escuros ca¨ªram-lhe sobre os olhos, seus m¨²sculos estavam r¨ªgidos, ela come?ou a respirar um pouco devagar, tinha medo de que qualquer coisa pudesse faze-lo explodir. - Sr. Tsukumo! - O entregador estava esperando, finalmente o tirando de transe e o fazendo se mexer. - Pode me chamar de Yuma, e ent?o quanto ficou?- disse Yuma caminhando em dire??o a sarjeta, o mais pr¨®ximo do Motoboy. - £¤ 500 Sr. Yuma. - Yuma soltou uma risada enquanto abria o aplicativo de banco. - Pode me chamar de "voc¨º" cara, Senhor ainda n?o ¨¦ pra mim! - enquanto isso o Motoboy ia levantando o capacete at¨¦ ser revelado todo o rosto sob o sol, Yuma quase derrubou o celular com a surpresa que teve. - ¨¦ Evelyn Harris, Yuma. - disse abafando o som da risada com a boca, ela em si era alta para uma mulher, ele chutaria 1.70 de m¨ªnimo, seus cabelos eram castanhos mais escuros do que os dele, sua pele era parda, era magra por¨¦m tinha curvas e ao v¨º-la por inteiro ele corou ao perceber que tinha sido burro o suficiente para achar que era um homem apenas pelo capacete. - Porra, desculpa, eu pensei que voc¨º era um homem! - disse levantando as m?os - Tudo bem, mas, logo um homem? Voc¨º acha que mulheres n?o podem trabalhar como entregadoras? - rebateu ela colocando o capacete no retrovisor se espregui?ando no tanque. - N?O NADA, TIPO EU ACHO SUPER LEGAL, DEIXA AS MULHERES MAIS INDEPENDENTES- disse fazendo-se ouvir o sil¨ºncio por um tempo - Voc¨º n?o ¨¦ daqui n¨¦? - Nossa, como percebeu? Foi por causa da cor?- disse ir?nica apontando o dedo em dire??o a faixa de pele exposta em seu bra?o. - Bem, nem ¨¦ por isso, o seu sotaque ¨¦ bem diferente do meu, d¨¢ pra perceber. - disse caminhando at¨¦ a guia e parando praticamente em frente da moto - Eu acho que te conhe?o de algum lugar, s¨® por isso. -Yokosuka High School, foi a ¨²nica escola na qual eu estudei quando vim pra c¨¢, no meu s¨¦timo ano. - MEUDEUS, ISSO! Eu estudei l¨¢, Jogava v?lei, beisebol e t¨ºnis!- havia um certo entusiasmo em seu tom de voz, isso a contagiou a fazendo se afastar do tanque. - Eu era corredora e jogava basquete! - iniciou ela com animo, por¨¦m logo abaixou o tom de voz - bom, eu jogava basquete, mas, nunca chegamos a jogar para a nossa escola, s¨® como atleta que eu pude representar a escola nas corridas. - Eu lembro de voc¨º correndo - mentindo prosseguiu - voc¨º mudou bastante! - Eu tamb¨¦m me lembro de voc¨º, voc¨ºs eram muito bons no v?lei, sem contar que voc¨º tamb¨¦m era bom no t¨ºnis - ele quase a indagou pelo uso do "voc¨ºs" s¨® que, ela estava se referindo ao time. Seus amigos. Seus melhores amigos, agora estranhos uns para os outros, ele afastou o pensamento e se concentrou na conversa. Sua boca estava seca, e seu cora??o estranhamente martelava. Yuma n?o havia pego as marmitas ainda, isso tinha despertado uma impaci¨ºncia em Ichika, que se levantou da poltrona e prontamente foi at¨¦ a porta onde se encontrava seu irm?o. - YU! Eu t? com fome! - disse melancolicamente, seu irm?o se virou com os olhos arregalados, ambos provavelmente estavam em uma transe pois os dois tiveram exatamente a mesma rea??o, fazendo Evelyn descer da moto e ir at¨¦ o ba¨², e entregar a Yuma as sacolas, Ichika mais que apressadamente pegou as sacolas e foi em disparada para dentro, deixando os dois sozinhos novamente. - Ela ¨¦ a sua namorada? - indagou ela o fazendo arquear as sobrancelhas, mais que apresadamente ele negou. - Ela ¨¦ minha irm?! - disse ele complementando - tenho duas! - Eu tamb¨¦m tenho um irm?o, s¨® que ele ¨¦ mais novo.- ela ficou um tempo em sil¨ºncio at¨¦ finalmente terminar a frase - Meus pais s?o separados. - Ele ¨¦ seu meio-irm?o? - disse em um tom mais baixo. - N?O! - exclamou ela - Ele ¨¦ o meu irm?o... Irm?o mesmo, filhos da mesma m?e. Eles se encararam por um tempo. Yuma n?o queria terminar por ali, ele tinha uma observa??o a seu favor, e ele a usaria. - Mas voltando ao assunto - ele deu uma pausa, sua primeira tentativa da pergunta tinha sido falha, ele tentaria de novo - Se voc¨º n?o ¨¦ daqui... da onde voc¨º ¨¦? - Bem, minha m?e ¨¦ libanesa e meu pai biol¨®gico ¨¦ austr¨ªaco, s¨® que o meu gene veio mais parecido com a minha m?e, e meu irm?o tamb¨¦m, bem depois que meus pais se separaram minha m?e foi pra Europa, e me mandou pra c¨¢, sabe, trabalhar e estudar. - No s¨¦timo ano? Voc¨º veio ilegalmente? -N?o, tenho tios que moram aqui, e consequentemente acabei ficando, normalmente no natal eu vejo eles, sinto falta de pessoas que n?o me julgam s¨® por causa do lugar em que eu nasci. -Bem, eu n?o julguei voc¨º... - ele corou ap¨®s pronunciar essas palavras, mesmo sendo baixo, ele pode perceber que ela escutou, pois ela virou a cabe?a para o lado oposto, mas depois chacolhou o cabelo para o outro lado e fez men??o de agradecimento, ela estava indo embora, mas, ele estava nervoso, suava frio - Passa seu n¨²mero! - disse em tom relaxado apesar de estar praticamente nervoso. Ela deu um sorriso nervoso, depois deu uma risada,ela passou o n¨²mero a ele, e se foi, deixando ele na guia de sarjeta, sozinho. Ao entrar novamente dentro do im¨®vel ele estava absurdamente tenso, seus cabelos estavam bagun?ados, eles j¨¢ tinham lhe tapado as orelhas de t?o grandes que estavam, ele estava ofegante como quem corre uma maratona, sua pele clara estava praticamente vermelha como pimenta, ele se sentou fazendo uma pequena quantidade de poeira voar. Ambos come?aram a comer, independentemente de qualquer curiosidade, por um tempo, os dois pareciam dois animais famintos quando finalmente acham comida. - Sabe... essa garota Yuma... voc¨º gostou dela?- indagou ichika curiosa, ele levantou os olhos do prato e arqueou as sobrancelhas, no entanto como se j¨¢ n?o bastasse concluiu - Acho que tem uma grande chance de voc¨º estar apaixonado! - NUNCA! ACHA QUE EU SOU UM ILUDIDO QUE NEM VOC¨º???? - ele soltou a colher que estava usando apenas para apontar para ichika - Meu Deus eu SEQUER A CONHE?O, como voc¨º conclui coisas assim??? - Bem, ela perguntou se eu era a sua namorada, obviamente ela deve estar vendo as possibilidades como voc¨º. Yuma se engasgou com uma colherada de arroz que tinha acabado de por na boca, ele estava indignado com a tamanha aud¨¢cia, ele n?o a conhecia, ele sequer sabia se realmente ele havia tido um despertar de sentimentos com ela, Yuma era estat¨ªstico demais, ele tinha que ter 100% de certeza antes de investir em qualquer coisa, ele sabia que queria ela, s¨® n?o tinha certeza. - Ela s¨® deve ter pedido o meu n¨²mero para dar para as amigas ou simplesmente pra ter um algor¨ªtimo a mais. - Ele foi seco e direto ao ponto, tirou todas as poss¨ªveis esperan?as que ele poderia ter, mas era melhor assim, o sil¨ºncio, eles terminam de comer e ficaram descansando por um tempo, at¨¦ que uma notifica??o interrompe o sil¨ºncio no ambiente, era ela. Um ¨¢udio. -¨¦ ELA! - exclama Ichika, mais entusiasmada que o pr¨®prio irm?o. N?o pode ser, n?o precisa ser ela ele abre o app de mensagens, e se depara com o contado dela, e n?o s¨® uma, mas duas mensagens, com isso ele direciona um olhar assombrado para Ichika, que fica mais contente. - ANDA LOGO YU, EU QUERO SABER O QUE ELA DISSE! - Oi, ¨¦ bem, eu estou aqui na escola que a gente estudava e voc¨º realmente t¨¢ em um quadro, na verdade em v¨¢rios, maseu estar te mandando uma foto com sua equipe, voc¨ºs s?o iguais pra caralho, ent?o, bem, eu vou circular o que eu acho que ¨¦ voc¨º - ela d¨¢ um leve suspiro antes de continuar - E felizmente ou n?o, vou te mandar uma foto minha que acabei achando aqui sem querer.- acabava naquilo, ele levantou os olhos e se deparou com ichika o encarando com seus olhos e fazendo festinha com os dedos. Ela enviou as fotos, nela apareciam a equipe de Yuma, seus colegas de time, em geral eles era muito parecidos, Yuma era um pouco diferente dos demais, pois seu cabelo era mais curto na ¨¦poca, todos estavam uniformizados com a cor verde musgo daqueles uniformes rid¨ªculos para esportes que incrivelmente deixaram ele melhor na foto, e ela tinha acertado, pois havia circulado exatamente quem ela achava ser o Yuma, depois veio uma foto dela, seus cabelos castanhos escuros estavam presos em um rabo de cavalo, ela era bem magra, continuava alta, e o uniforme verde claro de corrida a deixava mais confiante com a medalha no peito, Ichika explodia com tantos planos para fazer os dois ficarem juntos que ela tinha bolado, e ele, bem, ele s¨® sorria, e por ultimo foi surpreendido com uma mensagem Voc¨º e eu, no parque, s¨¢bado, talvez as 14 horas, voc¨º poderia me ensinar a jogar v?lei? ??? As m¨¢quinas haviam se desligado, Ele havia partido, seus pais estavam em seu leito. Morto, segurava o presente da melhor e ¨²nica amiga que ele tivera em toda a pequena vida que ele teve, Scarllet estava sendo forte, ela havia alertado os pais do garoto logo depois que voltaram da praia, eles estavam como em vig¨ªlia, apenas esperando o ultimo suspiro ser ouvido, apenas o adeus que ele daria, e naquele dia ele se foi, 13:00PM, normalmente hor¨¢rio de almo?o, todos apressados, por¨¦m os 3 ficaram ali, Scarllet ficou ali, amparando por eles, abra?os sinceros e l¨¢grimas escorreram de seus pais, que haviam at¨¦ mudado de pa¨ªs por causa do tratamento, eles o amavam. Ela o amava, logo que o corpo foi tirado da ala, ela se dirigiu a uma de pediatria que estava sendo desativada, ela se agachou no canto da sala, e onde ningu¨¦m mais poderia v¨º-la, ela chorou, muito, at¨¦ cansar, at¨¦ afoga-lo com as l¨¢grimas, at¨¦ n?o restar nada. Uma hora se passou depois que o garoto morreu, e durante esse tempo, Scarllet chorou, Ela se levantou da onde estava, foi at¨¦ o banheiro feminino e lavou o rosto, suas colegas que estavam no ambiente ficaram sabendo do ocorrido e foram a apoiar Voc¨º fez tudo o que pode, voc¨º deu o melhor tratamento para aquele menino, fique em paz tem coisas que fogem de nossos limites. disse uma das m¨¦dicas que trabalhava junto com ela, todas sabiam o quanto eles eram pr¨®ximos, mas ela n?o precisava disso, n?o delas, ela s¨® queria uma pessoa, a ¨²nica que poderia entende-l¨¢. Ela se dirigiu at¨¦ o seu carro, pegou seu celular e ligou para Riley. - Oi amor!!!- gritou Riley - oi...- disse em um suspiro entrecortado - O que aconteceu? Isso fez com que ela despejasse a situa??o como se fosse ¨¢gua, disse do garoto, ela falou tudo, o que sentia, que se sentia culpada, que talvez tenha sido negligente em n?o ter dado um tratamento que o salvasse, que o mantivesse vivo. - Olha voc¨º fez tudo o que pode... - Se eu realmente tivesse feito tudo, acha que ele teria morrido???? - Poxa Scarllet eu n?o sei -Pelo menos se esfor?a! - Olha eu t? ocupada, t? na recep??o de uma empresa esperando uma entrevista. Depois a gente conversa, em casa. - Vem logo pra c¨¢. - Depois, na sua casa, beijos te amo. Ela estava ali, com, a cabe?a apoiada no vidro do carro, as l¨¢grimas estavam secas, sua boca tamb¨¦m, ela queria ajuda, algu¨¦m, um resqu¨ªcio do que poderia ser a salva??o, mas n?o, ela pode vir ajudar quem chama de "amor da minha vida" pensou, logo ligou o carro e foi para uma cafeteria, n?o a de costume, qualquer uma. J¨¢ beirava as 15PM quando ela entrou em um estabelecimento comercial, tomou o caf¨¦ que parecia bom pra todos, menos pra ela, comeu simples waffles, sem gra?a tamb¨¦m,nada estava bom, tudo tinha um certo amargo, ela pagou a conta, pegou o carro e foi pra casa, dormir um pouco. Depois de um tempo, Riley chega triunfante, ela tinha conseguido um novo emprego, enquanto isso, Scarllet estava jogada no sof¨¢, vestida com um pijama de gatinhos e olhando para o teto, ao perceber Riley se senta no sof¨¢ e apoia os p¨¦s na sua mesa de centro. - Eu te esperei o dia inteiro - diz Scarllet procurando evitar o olhar de Riley - Olha, n?o ¨¦ culpa minha que eu consegui um emprego - responde Riley que tira os sapatos e os atira em dire??o a porta - Eu sei que voc¨º estava louquinha pra me ver. - Eu ainda n?o esqueci aquele assunto das duas horas - resmungou ela ainda olhando a parede - Meu Deus faz tipo umas 3 horas que esse menino morreu, tipo??? Ele nem era da sua familia - disse reclinando no sof¨¢, e recebendo um soco na barriga o que a fez gemer e girar para o lado - mas que porra! - A m?o de Scarllet tapou a boca de Riley, que naquele momento estava em cima dela, com os olhos vermelhos e com os m¨²sculos rijos. Sua respira??o estava pesada, e se aproximando do rosto de Riley proferiu. - Eu estou em luto - sussurrou ao lado do ouvido de Riley - E se quiser me ajudar sem levar um soco na cara, eu sugiro que mude o m¨¦todo. - disse voltando ao seu lugar. - Desculpa... Voc¨º sabe que eu n?o sei ajudar ningu¨¦m - Disse baixinho, ela ainda estava assustada, ela n?o sabia se por no lugar dos outros, mas sabia que se ela pisasse em falso de novo ela estaria fudida, literalmente. - Bem, voc¨º sabe que fez o que pode, e mesmo que voc¨º goste dele, tem que deixa-lo partir, bem porqu¨º - aproximando-se continuou - Voc¨º sempre se cobra, voc¨º sempre foi assim, ele foi seu amigo mas, as vezes tudo tem um fim. - Mas n?o precisava ter um fim... - ela estava encolhida no outro lado do sof¨¢ quando Riley colocou a m?o sob o seu ombro, a fazendo se deitar em seu colo. - Bem, voc¨º se lembra aquela vez que eu fui ¨¤ praia, eu te contei que eu conheci uma brasileira?- ela estava brincando com os cabelos rosa - Sabe, ela me ensinou muitas coisas... - O QUE ELA TE ENSINOU COLLING???? - disse a interrompendo, levantando o corpo e a encarando. - Eu tava triste quando tive a minha primeira reca¨ªda... posso continuar - Disse a recolocando em seu colo. - Ela tava passando um dos melhores dias dela l¨¢, mas dai ela parou e me deu aten??o enquanto o namorado dela estava por ai... - O que isso tem a ver com o Leonard? - Scarllet estava a observando bem na ¨ªris dos olhos, estava confusa, e queria uma resposta n?o compara??o. - Bem, ela quase ficou na rua, n?o tinha pais, e bem, viu de tudo nessa vida - Isso fez com que Scarllet fechasse a boca, ela parou para escutar tudo - Ela nem sabia a idade dela, dai, uma professora da cidade dela, adotou ela, alfabetizou ela, e, ela se tornou uma empres¨¢ria! - Riley estava triunfante quando terminou, e Scarllet estava mais confusa ainda, nada tinha sido solucionado, ela, tinha sido comparada, de novo. Isso a fez franzir o cenho -E n?o me olha com essa cara, bem, o que eu quero dizer ¨¦ que com todas as dificuldades que ela teve, ela n?o ficou presa ao passado, como voc¨º n?o precisa ficar presa aquele garoto... entende? - Mas eu n?o estou passando por uma dificuldade, n?o tem nada dif¨ªcil pra mim, eu s¨® perdi algu¨¦m - Rebateu Scarllet, ela n?o queria esquece-lo, e mesmo pedindo ajuda sentia que n?o deveria ter feito isso, um amargo subiu o seu amago, ela sempre fez tudo sozinha, seus sentimentos sempre foram s¨® seus, e ent?o porqu¨º agora os falaria para algu¨¦m? - S¨® o esque?a Scarllet e voc¨º vai ver que tudo ficar¨¢ bem - ela ainda ficou um tempo a acariciando, e depois se levantou - Vou fazer a janta, j¨¢ ¨¦ sete e pouco. E era mesmo 19 horas, e ela nem tinha notado, Riley se levantou e foi para a cozinha, deixando-a ali, com seus pensamentos, cansada de pensar, ela s¨® simplesmente se deixou levar pela m¨²sica que Riley estava escutando, uma m¨²sica com uma letra bacana, gostosa de se ouvir, elas escutavam aquela m¨²sica sempre, sempre que seu irm?o mais velho a chateava, sempre que os pais da Riley inventavam alguma coisa para odiar, sempre que elas entravam no carro, sempre que se beijavam, aquela m¨²sica sempre esteve com elas "Oh darling" dos Beatles, ela podia escutar Riley cantar junto, e inconscientemente seus l¨¢bios se movimentavam de acordo com a letra. Muitas outras m¨²sicas tiveram que vir at¨¦ ela decidir se p?r de p¨¦ e ir at¨¦ Riley, que assim que chegou na cozinha, colocou seus bra?os ao redor de sua cintura e apoiou a cabe?a em seus ombos, ela fazia movimentos lentos com a boca ao redor do l¨®bulo dela, havia tempos desde de que n?o ficavam assim, e ela guardou pra si aquilo, enquanto pacientemente a observava cortar a salada. A m¨²sica continua, fazendo com que a duas se movimentem devagar de um lado para o outro, Scarllet solta um sorrisinho e isso faz Riley arrepiar, antes que ela pudesse dizer qualquer coisa chega uma notifica??o. Riley solta a faca e se vira de frente para Scarllet, lhe lan?a um sorriso malicioso e prossegue despreocupada. - Deve ser a notifica??o que eu tava esperando, pega l¨¢ pra mim? - Enquanto Scarllet ia ao encontro do celular, Riley secava as m?os com um guardanapo. - ¨¦ a Rebecca... - Riley se aproxima rapidamente e logo lhe tira o aparelho das m?os. - Fiquei esperando o dia inteiro pelo ¨¢udio dela! - Exclama entusiasmada. - Fala mana, bem, como o objetivo dessa porra de grupo ¨¦ s¨® fazer um rol¨º quando todos n¨®s consegu¨ªssemos emprego, ent?o, como eu fui a ultima, posso finalmente dizer que fui contratada, ent?o... - Ela d¨¢ um longo suspiro - Posso dizer que teremos um rol¨º hoje, sairemos daqui de casa as vinte pras oito, e a hora de voltar ¨¦ com voc¨ºs. - Assim terminava o ¨¢udio, enquanto Riley via o rel¨®gio dar 19:30, Scarllet tentava entender como ela tinha um compromisso daqueles, e n?o avisara nada antes. - Primeiro quem vai? E .... - ela pestanejou um pouco at¨¦ dizer a outra frase - Ri... voc¨º tem mesmo que ir? - ¨¦ o pessoal da floricultura, sabe, depois que todos n¨®s fomos despedidos fizemos a proposta de que, se fossemos contratados, sair¨ªamos para beber e tal - Ela j¨¢ estava tirando a camisa, e entrando no banheiro quando concluiu - N?o se preocupa, at¨¦ as onze eu t? em casa. ??? Era sete e meia quando Ichika ainda estava debaixo do chuveiro, ela concordaria que sim, estava uma imundice, mas, ela estava ali, tempo o suficiente para come?ar a enrugar, ela fechava os olhos, o rosto dela vinha em mente, os abria de novo e a pergunta surgia ela ¨¦ s¨® uma conhecida para voc¨º? Ela queria solucionar sua d¨²vida, ent?o independentemente do quanto antes, ela perguntaria se eram amigas, ou nada, e se fossem nada, ela estaria perdida. Ela armou um plano completo, sairia de casa, e iria direto para a casa de Scarllet, se ela estivesse l¨¢, falaria que queria ser sua melhor amiga e pronto, problema resolvido, agora, s¨® restava saber quando era o melhor momento para agir. Saindo de espreita pelo banheiro foi direto para o quarto, n?o queria que Yuma a visse, s¨® estragaria seus planos, quase todos estavam em seus quartos com exce??o dela, que entrou e p?s a se trocar, primeiro, colocou um conjunto de moletom, mas se sentiu muito burra, pois, e se ela perguntasse o ela que ela faria em plena 8 da noite? colocou um short e um cropped, mas se sentiu muito forjada, pois, poxa, parecia realmente que ela estava indo para algum lugar beber ou ir para a praia, ela tentou praticamente todo o guarda roupa, e essa movimenta??o fez com que Yuma sa¨ªsse de seu quarto. - O que voc¨º t¨¢ fazendo? - indagou ele abrindo a porta - Ichika, j¨¢ ¨¦ tipo, umas oito horas, e voc¨º n?o vai sair hoje, temos que estar bem pra come?ar amanh?. - Entendi, mas, eu n?o posso sequer provar minhas roupas? - retrucou ela enquanto via seu precioso tempo ser desperdi?ado. - E voc¨º n?o teve tempo de prov¨¢-las quando estava no provador antes de comprar? - ele tinha a raz?o e o tempo a seu favor, e ela n?o queria mais perder nenhum dos dois, ent?o prontamente o expulsou assim mesmo. - Se eu quiser provar minhas roupas eu vou provar, independentemente se voc¨º acorde ou n?o - foi a ultima frase antes dela fechar a porta, e se virando novamente para o espelho de ch?o viu um short de moletom, e um blus?o quase na extremidade oposta, ela provou, ficou muito bom para uma fuga ou uma caminhada de madrugada, e pra melhorar o disfarce ainda se deu o trabalho de por uma blusa fina de frio, ela estava pronta, agora, s¨® lhe restara saber que horas ela sairia de casa, para n?o ter um hor¨¢rio espec¨ªfico arrumou toda a roupa que tinha bagun?ado, pensando que iria demorar muito tempo, m¨ªseros 20 minutos de passaram com o processo, ela teria que esperar. Duas horas se passaram desde que ela havia tido a brilhante ideia de fujir para a casa de Scarllet, era a hora perfeita, pois daria tempo o suficiente para ela conseguir chegar at¨¦ a casa dela, seria ¨®timo, com isso ela abriu a porta, desceu as escadas devagar, estava passando pela sala quando um arrepio subiu sua espinha. - O que voc¨º est¨¢ fazendo acordada? - Era Yuma a voz na escurid?o - Antes eu realmente achava que voc¨º estava provando roupas de noite e tal, mas t¨¢ dif¨ªcil de achar que voc¨º n?o vai para nenhum lugar, aonde voc¨º vai? - Eu s¨® vim beber ¨¢gua. - Disse mudando a rota - E t¨¢ um pouquinho frio no meu quarto, sabe, bate muito vento, ent?o eu tive que por essa blusa - ela bebeu ¨¢gua pra n?o sair do personagem, mas voltou furiosa para seu quarto, n?o era poss¨ªvel que ele estaria em todas as formas dela fugir? M as tinha uma coisa que n?o podia dar errado, ela abriu logo a janela do quarto, e observou a distancia, era muito alto para uma queda, mas se ela usasse as suas antigas cortinas ela iria conseguir, ela ainda estava no parapeito quando decidiu esperar Yuma dormir de novo, um minuto se passou e ela foi pegar as benditas cortinas, ela amarrou no var?o das cortinas, teria que ser resistente o suficiente, logo que se p?s no lado de fora, logo se deu o trabalho de descer o mais r¨¢pido que podia, n?o queria que as cortinas rasgassem, ao chegar no ch?o ficou triunfante, e olhando para cima, via que n?o tinha mais como voltar atr¨¢s, revirou os bolsos apenas para se certificar que sua chave e seu celular estavam l¨¢, e come?ou sua caminhada. Ela era a ¨²nica pessoa que estava andando naquelas ruas, mas ela tinha uma ambi??o, ela pensara em Scarllet todos os dias, e ela n?o poderia ficar com aquela dor no peito de ter uma d¨²vida e n?o poder solucionar, a deixava com um gosto estranho na boca, na primeira vez foi minutos, s¨® que j¨¢ fazia meia hora que ela estava andando, n?o era cansativo, era estranho, pelo menos para ela, e estava ficando frio, ela estava de short mas se n?o fosse pela blusa ela estaria congelada. Ela estava desistindo, ela queria desistir, voltar, mas, n?o dava. Voltar por qual motivo? Ela iria se questionar de novo, ela estava desistindo, mas viu a cerejeira ao longe, e sabia que estava perto, mais um quarteir?o, s¨® mais alguns passos, quando menos percebeu se viu correndo, e ao finalmente chegar em frente ao port?o ela parou. Inicialmente ela bateu palmas, mas, era in¨²til nada acontecia, depois tentou gritar,mas iria acordar a vizinhan?a, logo tentou a campainha, mas nada deu certo, ela tentou at¨¦ pular o muro, mas seria in¨²til e se tivesse sensor? Ela estava sentada na guia, com os bra?os em volta dos joelhos, se Scarllet n?o aparecesse ela iria embora, mas, ela tinha que falar alguma coisa, nem que s¨® os muros e as flores soubessem o que ela tinha dito, n?o poderia ficar s¨® na mente, ent?o ela levantou, se virou para a entrada, e iniciou o seu discurso. - Quero que se foda quem vai ouvir essa porra, s¨® que Scarllet, eu gosto muito de voc¨º, se voc¨º avisa o quanto eu te quero voc¨º certamente se assustaria, mas eu n?o entendo porque eu sou assim, voc¨º j¨¢ tem algu¨¦m, VOC¨º TEM AQUELA LOIRA FUDIDA, mas eu s¨® queria que voc¨º fosse minha... - ela estava falando em alto e em bom som, ela estava ofegante por causa da velocidade na qual estava falando, mas ela iria obriga??es ent?o respirava fundo, deixando os sentidos flu¨ªrem - MINHA s¨® minha, eu sempre tive que abrir a m?o do que eu queria pelos outros, tive que deixar de gostar de uma coisa por que outras pessoas n?o queriam, MAS EU QUERO SER EGO¨ªSTA, E ESSE SENTIMENTO QUE EU TENHO... N?O D¨¢ PRA EXPLICAR, eu quero que voc¨º seja minha namorada, a pessoa que eu amo ¨¦ voc¨º mas... - Seus cabelos escuros estavam bagun?ados, ela estava suada todos mesmo no frio, estava corada mesmo n?o falando com nada al¨¦m das paredes - mas , se voc¨º n?o quiser nada comigo... tudo o que eu realmente queria era, ser, pelo menos sua amiga, sua melhor amiga... mas voc¨º quer ser minha amiga? Nesse momento h¨¢ uma estranha movimenta??o na esquina, ela escuta passos correndo, quem mais seria sem ser ela? O som de respira??o fica mais forte, e ela se sentiu impulsionada a dar passos em dire??o a luz finalmente ouvir um berro antes de sua imagem ficar clara pela ilumina??o do poste. -RILEY!!! - ¨¦ o nome que a voz pronuncia e que logo depois para seu desencanto, ambas est?o embaixo do c¨ªrculo de luminosidade, elas est?o pasmas com o que est?o vendo, Scarllet est¨¢ com o cenho franzido, enquanto Ichika demonstra certo espanto,mas as duas est?o paralisadas - O que voc¨º est¨¢ fazendo aqui? Insolç…¤vel - Eu... - Ichika estava come?ando a contorcer os dedos quando finalizou a mentira - Eu estava caminhando. - Meia noite e meia?- Rebateu Scarllet ao ajustar o coque. - N?o ¨¦ todo mundo consegue dormir - Ela seguiria em frente se ela realmente tivesse ido caminhar, mas era s¨® uma mentirinha - E voc¨º? Est¨¢ na mesma situa??o que eu, o que houve? - A Riley... - a respira??o de Scarllet estava come?ando a ficar mais pesada, Ichika observou isso - Ela t¨¢ dando uma de engra?adinha, j¨¢ era pra ela estar em casa! - Mas ainda ¨¦ meia noite, tipo? Quem volta meia noite de uma festa?- argumentou Ichika, na ultima festa que ela foi, ¨¤ meia noite, a festa ainda estava come?ando. - A quest?o ¨¦ que eu a conhe?o, sem contar que ela me mandou muitos ¨¢udios, me pedindo pra buscar em um lugar, dai eu ia e ela n?o estava, e j¨¢ em seguida pedia para me buscar em outro lugar - ela estava come?ando a ficar tr¨ºmula, Ichika concluiu que poderia ser de frio, ela estava apenas de shortinho com uma blusa de cetim- e na maior parte dos ¨¢udios ela estava com aquela voz de embriagues... tenho medo de que ela fa?a alguma merda. As duas se entreolhavam, Ichika n?o queria se intrometer, e Scarllet estava t?o pasma com Riley que a todo o momento seu olhar variava entre a rua e a esquina atr¨¢s delas, a boca de ichika estava come?ando a ficar seca, ela queria ajudar Scarllet, mas ela n?o sabia o que fazer, e no meio de toda essa desordem nos pensamentos algu¨¦m a telefona. Mais que depressa, Scarllet revira os bolsos em busca do celular, que na identifica??o estava "Riri??" e com isso ela j¨¢ sabia que sua tentativa de pergunta havia ido embora, Scarllet atende, e suas m?o tremem assim como seus l¨¢bios. - RILEY! - grita como se Riley estivesse a quadras de distancia. - oi? - Pergunta uma voz do outro lado da linha, e logo depois vem v¨¢rios barulhos de coisas diversas. - EU N?O SOU A RILEY N?O - responde a voz, obviamente b¨ºbada pelo tom. - PARA DE BANCAR A ENGRA?ADINHA RILEY EU SEI QUE ¨¦ VOC¨º, ANDA! - Scarllet estava quase quebrando o celular com as m?os. - AHHH, ¨¦ a Scarllet n¨¦? - isso a fez revirar os olhos, segundos de conversa para ela perceber quem era. - Sim, sou eu, agora vamos Riley, pelo amor de Deus me fala - Suspira por pouco tempo - Aonde voc¨º EST¨¢! - Eu sou a Rebecca, amiga da Riley - responde a voz, Scarllet arregalou os olhos, certamente estava com tantas perguntas que pelo visto essa Rebecca teria que responder. - E ent?o quem estava me mandando as localiza??es? - o nervosismo era absurdo, suas unhas estavam come?ando a serem mordiscadas pela pr¨®pria dona, que variava entre passar a m?o do rosto e trocar o celular de m?os. - Era ela mesmo, talvez, porqu¨º sempre que a gente chegava em um lugar diferente, ela ficava no celular por alguns minutos e depois logo pedia pra gente ir pra outro lugar - A liga??o estava horr¨ªvel, era de um chiado atordoante que faria qualquer um perder a paci¨ºncia se fosse uma liga??o normal. - E voc¨ºs est?o aonde agora? - Enquanto esperava a resposta, Scarllet come?ou a observar outra coisa: sua bateria estava acabando - Caralho, cinco por cento! - Quer ligar pelo meu celular? - interveio Ichika, com ele j¨¢ em m?os e desbloqueado, apesar de ter setenta e cinco por cento de bateria, era o suficiente para continuar a liga??o. - Rebecca, eu vou ligar pra voc¨º de um n¨²mero diferente, ¨¦ PARA ATENDER OK? - berrou ela enquanto digitava o n¨²mero no celular de Ichika. Ela discou e observou seu celular rapidamente se esvair de bateria, enquanto esperava a tal da Rebecca atender, ela demorou um pouco mas atendeu as recomenda??es, agora com um sinal um pouco melhor dava para escut¨¢-la com perfei??o. - Aonde voc¨º est¨¢ agora? - Indagou mais uma vez a ela. - Estamos perto daquele parque em frente a escola Okamisawa - aquele era o parque mais perigoso de Aomori "Belo lugar pra uma loira gringa e burra se meter" pensou Ichika consigo, Scarllet a lan?ou um olhar de espanto, ela n?o sabia aonde ficava aquele lugar, mas Ichika sim. - N?o deixem ela sair da¨ª - ordenou ela, enquanto pegava a chave que abria a garagem. - Ela n?o vai, arranjou briga com a Kiyumi - Scarllet n?o fazia a menor ideia de quem era Kiyumi, por outro lado, Ichika ficou branca como giz, s¨® n?o sabia quem era, como, sabia que era uma das maiores traficantes de Aomori. - Mitsue Kiyumi vai acabar matando ela! - Gritou Ichika, Scarllet se arrepiou no auge da situa??o, ela n?o sabia se desligava a liga??o, se ia pegar sua moto ou se dizia alguma coisa para a outra pessoa. - Segura ela ai, at¨¦ eu chegar - ela havia desligado a liga??o, n?o adiantaria nada ela ficar ali, n?o resolveria o problema, ela tirou sua moto da garagem, mesmo que a situa??o estivesse inst¨¢vel Ichika n?o deixou de notar a R1 de Scarllet, era uma moto bonita, pelo visto, bem diferente do dia da ponte, provavelmente aquela era de Riley, mas era o tipo de motor que estava sumindo fazia um bom tempo, era praticamente da cor original de vendas, vermelha e branca, trabalhada nas latarias, e com alguns adesivos ingleses e americanos, tinha at¨¦ uma big apple. Enquanto Scarllet fechava a garagem Ichika j¨¢ estava praticamente montada na moto. - Bem, acho que eu vou dirigir Ichika... - Ela n?o havia respondido nada, logo que virou o rosto para Scarllet deu partida na moto. - Deixa eu dirigir, sei onde ¨¦ - Scarllet parou de argumentar, e logo estava em cima da moto, que de s¨²bito, disparou. A sensa??o de ter os bra?os de Scarllet ao redor de sua cintura era tudo o que era queria sentir, mas for?ava-se a esquecer os arrepios que ela causou, seus cabelos estavam ao vento, podia v¨º-los pelo retrovisor eles se ondulando, pretos que acabavam absorvendo a cor amarela dos postes, as ruas estavam vazias, s¨® dava para escutar o ronco da moto, que atravessava a cidade como um raio vermelho, ela jurava que a qualquer minuto a pol¨ªcia apareceria e a prenderia, ambas estavam sem capacete, e ela s¨® notara aquilo agora, que lhe faltavam cerca de uns quarteir?es para chegar naquele maldito parque. ??? - Voc¨º parece aquelas lutadoras de sum?, ¨¦ gorda igual! - Berrava Riley para Mitsue, que estava encostava em uma ¨¢rvore, com cerca de doze pessoas de g¨ºneros vari¨¢veis ao seu redor. - Bate nela porra! - gritou um de seus capangas que j¨¢ estava de punhos cerrados. Ao ver que ela n?o se moveu nem um mil¨ªmetro ela logo se antecipou - EU VOU L¨¢! - Eu n?o vou me rebaixar no n¨ªvel dela, e n?o sinta uma dor que nem ¨¦ sua, fique aonde est¨¢, que poupar¨¢ seu tempo - murmurou Mitsue enquanto dava outra golada em seu saqu¨º, realmente, no estado em que Riley estava era de se constranger, n?o falava nada com nada, ela praticamente gritava ao falar e havia perdido todo o equil¨ªbrio, ela estava a um bom tempo ¨¤ provocando com insultos e brincadeiras. - Me rebaixar no seu n¨ªvel n¨¦? - aquilo havia sa¨ªdo t?o errado que ela mesma teve que corrigir, ela estava misturando o ingl¨ºs com o japon¨ºs que era pat¨¦tico de se ver - Se acha que ¨¦ perca de tempo brigar comigo ent?o vem caralho! - Eu n?o gosto de gente americana - rebateu ela enquanto ajeitava as costas na ¨¢rvore. - E eu n?o gosto de banha! - Berrou de volta. Aquilo realmente mexeu com ela que se p?s de p¨¦, ao ver essa atitude ela ainda continuou - Vish, ela consegue se levantar sem um guindaste! T¨¢ explicado porqu¨º tem tantos ajudantes, agora eu entendi, pra levantar essa tonelada ai! - Eu vou acabar com voc¨º garota, j¨¢ me irritou o bastante! - disse largando a garrafa de lado e caminhando em dire??o a ela. Seu amontoado de gente a seguiu fazendo um c¨ªrculo em volta das duas, ela cerrou os punhos, o rosto de Riley se estampava em um sorriso, daqueles s¨¢dicos, ela estava absurdamente fora de sua sanidade, seus olhos imploravam por uma surra e quando se preparava para o primeiro golpe uma voz a fez parar. - EI! ESPERA! N?O PRECISA BATER NELA! - Gritou Ichika enquanto atravessava a barreira humana que havia se formado em volta das duas. - Ela n?o vale tanto a pena assim - disse rindo de nervoso. - E por qu¨º n?o? - rebateu ela se afastando um pouco. - Bem, voc¨º n?o percebeu? - prosseguiu ichika - Ela n?o ¨¦ daqui, ela ¨¦ gringa!- isso a fez arquear as sobrancelhas - E voc¨º mal deve imaginar o que isso causa para pessoas como voc¨º, com todo o respeito claro, mas, isso s¨® facilitaria a pol¨ªcia a te achar, afinal, voc¨º ainda n?o tem motivos aparentes para ser procurada, mas se fizer isso, voc¨º vai conhecer a famosa xenofobia, e garanto que eles ter?o motivos o suficiente pra isso. - ela finalmente tinha parado de falar, e a olhava nos olhos, eles eram de um castanho claro que lembravam muito madeira, mas ela realmente estava com medo, e seus olhos lan?avam isso a ela. - Ela ¨¦ o qu¨º sua? - murmurou com rispidez, e a resposta logo veio. - Bem, minha nada, mas - ela soltou um suspiro - para a namorada dela, ¨¦ muita coisa, vamos l¨¢, pega leve, elas sequer entendem o que estamos falando, a namorada dela talvez, mas ela... sequer sabe alguma coisa, vamos deixar essa intriga de lado. - Aos poucos Mitsue foi se afastando e dada as costas para Ichika, logo aquilo estava acabado. - Voc¨ºs j¨¢ podem ir indo embora junto, se n?o se importar... - disse se virando para Riley. Ela n?o havia virado por completo quando um punho atingiu seu nariz com uma for?a descomunal, a fazendo cambalear para tr¨¢s obscurecer sua vis?o por alguns segundos. - T¨¢ MALUCA? SUA IDIOTA! - gritou Ichika enquanto sentia um gosto amargo entrar na sua boca, era, sangue, seu nariz estava jorrando sangue demais - EU SALVEI VOC¨º, SUA OT¨¢RIA! - Eu confundi voc¨º com ela... - N?o eram parecidas em nada, uma era gorda enquanto a outra era mediana, uma tinha uma tatuagens por todo o corpo enquanto a outra n?o tinha nada, uma havia raspado o cabelo na lateral enquanto a outra o prendia em um rabo de cavalo, ela s¨® n?o estava tapada, como estava mais idiota que o habitual - ¨¦, realmente achei quem eu queria de verdade bater... Voc¨º! - Disse isso com os punhos cerrados, Ichika estava irritada, nem gostava tanto dela, e quando tenta ajudar a criatura vai e faz aquilo, ela queria morrer. - Eu n?o quero bater em voc¨º - Responde Ichika tentando segurar o sangue do nariz com uma m?os, ela estava se distanciando conforme Riley andava ao seu encontro com m?os em punho. - E VOC¨º ACHA QUE EU LIGO? - Gritou ela, seus olhos estavam pateticamente tentando se concentrar em Ichika que estava na sua frente, por¨¦m a sua mente estava em uma luta imagin¨¢ria na qual ela gesticulava e dava socos no ar. - Voc¨º pegou uma coisa que ¨¦ minha! - disse lutando contra a fon¨¦tica americana. - Eu n?o quero brigar com voc¨º - argumentou com as m?os cerradas, por¨¦m com um gesto desafiador de Riley se obrigou a gritar, logo que ela estava com a m?o nas orelhas, as inclinando para frente - EU N?O QUERO BRIGAR COM VOC¨º! MAS ACHO QUE VOU TER QUE FAZER ISSO! Na distancia as separavam, mas n?o seria muito dif¨ªcil a muvuca acabar empurrando as duas, eles sim estavam encurralando elas, Ichika estava respirando fundo, embora nunca se envolvesse em brigas ela j¨¢ podia imaginar como aquela terminaria, nela simplesmente dando as costas e dizendo que talvez numa pr¨®xima ela revidaria, ela estava preparando a sua deixa, quando ¨¦ empurrada por tr¨¢s, a distancia entre as duas diminui e os gritos insistentes implorando por briga, come?am a vir como uma onda, sua cabe?a estava come?ando a ficar tonta novamente, era muita gente, pessoas que estavam anteriormente nos arredores come?aram a querer ver do que se tratava, at¨¦ que uma voz mais alta se destaca no meio daquilo tudo, Mitsue se erguia no trepa trepa, que era o ponto mais alto do parque. - Bem, se forem brigar ¨¦ melhor que essa muvuca se espalhe - um simples movimento com o bra?o foi o bastante para que todos as deixassem no meio do parque, se sentando em alguns bancos ou em alguns brinquedos, elas estavam em um ringue e pelo visto, ela s¨® sairia dali uma vencedora ou perdedora - Ent?o, QUE A MELHOR VEN?A! Antes de encarar novamente Riley, Ichika se deparou com uma pequena movimenta??o, Scarllet estava sendo segurada por um dos capangas de Mitsue, ela berrava coisas como "me soltem" e "Eu sei que ela n?o est¨¢ bem, deixem ela comigo" seu rosto estava vermelho e as l¨¢grimas saiam como um rio de seus olhos, ela queria desistir, mas n?o podia. Ela alinhou os punhos na altura dos ombros, e distanciou os p¨¦s, aquilo foi praticamente uma afronta para Riley que correu em dire??o a Ichika, o punho acertou o rosto, quase deslocando a mand¨ªbula, fazendo Riley quase despencar no ch?o - ¨¦ assim que se d¨¢ um soco!- disse Ichika enquanto retomava a sua posi??o de in¨ªcio, Riley se p?s de p¨¦, mesmo com certa dificuldade, correu em sua dire??o pronta para a apunhalar, Ichika deveria ter previsto que o golpe a atingiria novamente no rosto, por¨¦m o desvio foi o suficiente para que uma for?a muito maior a atingisse no abd?men, a fazendo se ajoelhar em meio aos paralelep¨ªpedos da pra?a, um chute a atinge na cabe?a a fazendo cair de vez, a vis?o turva lhe d¨¢ uma desvantagem tremenda. No topo do trepa trepa Mitsue ainda estava observando a briga, j¨¢ n?o em p¨¦, mas sentada nas barras do brinquedo. - Pra quem est¨¢ torcendo? - questiona um dos capangas, aquele que se disp?s a dar um soco em Riley. - Pra japa l¨®gico! - diz com convic??o, uma resposta um tanto absurda para a cena que estava diante de seus olhos. - Para de ser burra, ela n?o vai ganhar - respondeu com certa perspic¨¢cia. - achei que ela ganharia, mas est¨¢ levando tantos chutes que at¨¦ fica mais f¨¢cil saber quem sai ileso dessa. - Eu disse que ela vai ganhar, e ela vai ganhar - A cena se desenrolava em Riley chutando Ichika em todos os cantos poss¨ªveis. Um suspiro sai de Mitsue, talvez muita burrice achar que a ''Japa'' venceria. Os chutes vinham de todos os lados, mas alguma hora ela teria que parar, e parou, Riley se agachou bem ao lado de Ichika - Pra algu¨¦m que estava louca pra me vencer, at¨¦ que voc¨º fica bem de tapete - aquela foi uma das frases que ela pode terminar, antes que um soco a atingisse na boca, e uma rasteira a derrubasse. Ela estava de volta, e de forma r¨¢pida se p?s em cima da oponente a enchendo de socos que estavam come?ando a respingar sangue, seus olhos estavam envoltos de raiva, ela estava sendo humilhada demais, e agora estava descontando tudo. O momento era dela, Riley estava vivenciando toda a sess?o de espancamento, at¨¦ algo a fazer parar. Os gritos angustiantes de Scarllet que agora estava amarrada a uma das barras do trepa trepa por um cinto que a prendia pelas m?os, aquilo cena era comovente, a fazendo diminuir a for?a e a frequ¨ºncia dos socos aos poucos, at¨¦ Riley retrucar novamente com um tapa de m?o aberta no rosto, a fazendo sair de cima. Agora em p¨¦ aproveitava para jogar insultos enquanto levantava Ichika pelos cabelos. - Solta o meu cabelo - murmura Ichika, enquanto ficava de joelhos, segurando o punho Riley. - Eu n?o ouvi! - disse erguendo ainda mais o bra?o fazendo o rosto das duas ficarem na mesma altura, naquele momento Ichika sentiu como que um raio a provoca??o de Riley, o sorriso s¨¢dico agora era manchado por sangue, o sangue que antes saia do nariz j¨¢ havia secado, e agora, o perigo tinha ido embora com a no??o. - Eu disse... - come?ou enquanto mudava a posi??o das m?os para o cotovelo e o pulso de Riley - PRA SOLTAR O MEU CABELO, VADIA DO CARALHO! - gritou por ultimo, acrescentando for?a o suficiente para fazer ela soltar, enquanto ela gritava pelo nervo que agora estaria lesionado, ela se ergueu totalmente, passando assim a perna por tr¨¢s dela pressionando com uma for?a absurda o joelho contra o de Riley, com o cotovelo em seu peito, o resultado era a queda. Riley explodiu no ch?o, enquanto Ichika buscava recolocar o rabo de cavalo no lugar o "p¨²blico" foi a loucura, e enquanto muitos desacreditaram, Mitsue apenas lan?a um breve e quase impercept¨ªvel sorriso, e logo levanta todos em coro um apelido para substituir o nome enquanto n?o sabia. - VAI JAPA! - grita ela mais forte do que todos os outros, a respira??o pesada de Ichika parece diminuir e o sangue a fluir melhor, ela se distancia de Riley pra poder respirar melhor o ar g¨¦lido que corrompe o ambiente, ao olhar para o lado, Riley est¨¢ estirada no ch?o, um grito corrompe todo o momento de gl¨®ria. Scarllet. Ela havia conseguido se desprender do cinto, que causou uma marca vermelha em contraste com sua palidez, sua pele descoberta parecia n?o sentir o frio cortante, suas l¨¢grimas pareciam sair quentes de seu rosto. Em meio a toda a cena melanc¨®lica e romantica das duas, o momento ainda era de Ichika, e como se n?o bastasse, um novo apelido veio pela falta de um nome - ESSA ¨¦ A PANTERA DE AOMORI! - continuava Mitsue que agora tudo o que ouvia era o novo apelido "pantera". Scarllet havia esfolado os pulsos na tentativa de conseguir tirar Riley dali e agora ela a estava ajoelhada a acolhendo, como se despedisse dela, colocou sua a cabe?a em seu colo e come?ava a prece da despedida. - O que eu falei pra voc¨º? - disse lutando contra a voz que insistia ser cortada pelos solu?os - Eu disse que era pra voc¨º estar em casa e mesmo assim, insiste em arranjar confus?o! - Riley estava com os olhos fixos aos dela, mesmo que confusos sabiam que alguma coisa estava errada, algo que n?o deveria ser real, queria que fosse sol¨²vel, pr¨¢tico, mas aquilo era insol¨²vel. Sua boca estremeceu, ela estava esperando uma resposta. - Sempre assim, ¨¦ muito f¨¢cil voc¨º me dizer que eu fa?o, ¨¦ a senhora perfeita! - por um instante, os olhos chegaram a lacrimejar, talvez fosse o ¨¢lcool - Voc¨º n?o v¨º que eu fa?o isso por voc¨º? - disse levantando a m?o a secando inutilmente as l¨¢grimas de Scarllet. - Eu tenho sempre que te manter na linha Riley, o que te faz achar que isso ¨¦ amor? - a pergunta foi in¨²til, o rosto antes abatido deu lugar pra uma frustra??o. - Voc¨º nunca faz quest?o dos meus esfor?os, sempre diz que eu sou o problema - resmungou enquanto se levantava com dificuldade, deixando Scarllet de joelhos sobre o granito - Eu vou fazer isso queira goste ou n?o, ¨¦ por n¨®s. Logo que se levantou, abaixou para pegar algo que reluzia no ch?o. Vidro. Ela caminhava ainda tonta da queda, o caco estava em punho, enquanto Ichika estava tentando assimilar o que realmente ela estava fazendo, ela dispara, por um reflexo a m?o de Ichika se ergue em dire??o ao punho em que estava o caco, por¨¦m a euforia para se desprender o punho ¨¦ tanta que um pouco de sangue ¨¦ derramado nisso, e o punho que segurava mais forte cede, Ichika ainda tenta recompor-se observando a m?o jogar um sangue quase que infinito, e se distancia um pouco, Riley ainda com o caco em punho resolve retornar para atacar em outro lugar, mais exposto que a m?o. Sua perna. Ela a agarrou na coxa, Ichika estava tentando se desvencilhar dela, mas ela a apertava contra si, e numa tentativa in¨²til tentava cortar a pele de Ichika com o caco. A ¨²nica coisa que podia fazer aquele momento era bater na cabe?a dela, nocaute¨¢-la, com a m?o em punho, deu murros entre o pesco?o e a nuca. Ela caiu. O corpo estava no ch?o, os olhos semicerrados, parecendo dormir, embora momentos antes estava prestes a mat¨¢-la. Ichika soltou um suspiro antes de ser aclamada por todos ao seu redor, Mitsue a abra?ou com aqueles bra?os fortes e robustos, ela estava se sentindo tonta o suficiente para que depois daquele abra?o sufocante quase desmaiasse no ch?o, quando ela menos se deu conta estava nos bra?os daqueles que estavam torcendo por ela, ainda atordoada procurava por uma pessoa. Desceu dos bra?os daqueles que pouco importavam para ela. Scarllet estava ajoelhada ao lado do corpo de Riley, ainda chorava, mas agora muito mais. Ensure your favorite authors get the support they deserve. Read this novel on Royal Road. - Ela est¨¢ bem? - perguntou se aproximando - Ela... vai ficar bem? - Disse ainda a uma certa distancia. Scarllet se levantou, e come?ou a se aproximar. Elas estavam frente a frente, os olhos de Scarllet estavam vermelhos, ainda dava pra ver os tra?os de l¨¢grimas que haviam se secado, mas ainda tinha uma fonte que renovava tudo novamente, Ichika a observava com ternura, estava prestes a dizer outra coisa quando um tapa lhe preencheu o rosto, e esse tinha sido com ¨®dio. - VOC¨º AINDA PERGUNTA? - gritou para Ichika - VOC¨º QUASE MATOU ELA... - Scarllet fora entrecortada por um suspiro, mais l¨¢grimas ca¨ªam - ¨¦ HIP¨®CRITA O SUFICIENTE PRA VIR AQUI VER COMO ELA EST¨¢! Ichika estava paralisada, n?o pelo tapa, ele n?o doera muito, mas foi mais forte do que a sess?o de espancamento que tinha passado, ela respirou fundo e deu as costas para Scarllet. A conversa tinha terminado ali. ??? - E ent?o o que quer que fa?amos? - Indagou um dos socorristas a Scarllet. Um homem negro e alto, retirava as luvas e vasculhava os bolsos a procura de seu isqueiro. Scarllet solta um suspiro enquanto toma a decis?o. - A gente sabia que era voc¨º a partir do momento que a gente ouviu falar sobre o incidente - comentou a outra socorrista enquanto sa¨ªa da ambulancia - Ela teve um coma alco¨®lico, mas vai ficar bem. - Melhor assim - disse Scarllet enquanto notava um volume no seu bolso, o celular de Ichika - Bem, acho que terminamos por aqui, vou pegar minha moto e j¨¢ vou pro hospital. O parque em um geral n?o era t?o grande, mas demorou um tempo para encontrar Ichika novamente, e quando a encontrou ela estava sentada em um banco, apertando a faixa que haviam posto em sua m?o enquanto olhava fixamente para uma m¨¢quina de refrescos. -Ichika... Parece que voc¨º deixou isso comigo. - Disse tirando o celular do bolso e o estendendo para ela, que o pegou e retornou para a transe de in¨ªcio. - A Riley deu um soco muito forte em voc¨º? - N?o. - respondeu Ichika finalmente, olhando nos olhos de Scarllet. - Ent?o por que o sangue j¨¢ secou, e voc¨º ainda n?o limpou o nariz? - disse sufocando uma risada. Ela se levantou e molhou a m?o em um bebedouro pr¨®ximo. - deixe eu limpar isso. - completou enquanto limpava o sangue do rosto de Ichika. Os olhos das duas se encontraram, e mesmo relutante, Ichika sentia-se atra¨ªda. A atmosfera estava esquentando, dava para perceber. At¨¦ que Scarllet parou de limpar, com as duas m?os ainda no rosto de Ichika passou a olhar nos seus olhos, a proximidade das duas era tanta que quase dava para sentir a respira??o dela.- Eu acho que j¨¢ limpou o suficiente. - disse Scarllet se levantando e caminhando em dire??o ao bebedouro, ela estava lavando as m?os quando o sil¨ºncio retornou. Ela se sentou novamente no banco olhando para frente quando o sil¨ºncio permaneceu no lugar. -Ent?o... eu queria pedir mil desculpas pelo que a Riley fez com voc¨º... - Come?ou Scarllet. Por¨¦m fora interrompida por ichika. - N?o - respondeu r¨ªspida. - Como assim... n?o? - murmurou surpresa pela resposta inesperada. - Eu n?o aceito suas desculpas - repetiu ela. - Mas... - sussurrou Scarllet ainda incr¨¦dula pelo que estava escutando. - Eu s¨® aceito as desculpas - disse se virando para Scarllet - Vindas da Riley. - Mas a Riley n?o est¨¢ em condi??es de pedir desculpas para ningu¨¦m! - disse aumentando o tom de voz. - Eu sei, mas eu n?o quero aceitas as desculpas vindas de algu¨¦m que n?o seja ela. - Concliu Ichika. - E por qu¨º n?o? - Indagou com mais d¨²vidas ainda. - Bem, se a Riley estivesse no seu lugar ela n?o pediria desculpas - disse a fitando nos olhos. - Ela n?o estaria se humilhando do mesmo jeito que voc¨º. - Se voc¨º quase n?o A TIVESSE MATADO ela pediria - Respondeu reagindo, agora a luta era s¨¦ria, os olhos das duas travavam uma batalha imensa, Scarllet com seus olhos verdes estavam com as ¨ªris desorientadas, enquanto Ichika era um mar negro a ser descoberto. - Ela me deu o tapa primeiro! - Disse Ichika aumentando o tom da voz aos poucos. - VOC¨º A ESPANCOU! - gritou Scarllet se segurando para n?o pular nela. - EU PODERIA TER ACABADO COM AQUILO R¨¢PIDO O BASTANTE PARA NENHUMA DAS DUAS PERCEBER! - berrou de volta com mais vontade - ELA BATEU MAIS EM MIM DO QUE EU NELA. -EU N?O PEDI A SUA AJUDA! - gritou alto o bastante para um morto ouvir - Eu ODEIO pessoas como voc¨º, ODEIO! - Odeia pessoas que fazem voc¨º ver a realidade em que se encontra? - Murmurou em um som aud¨ªvel - Voc¨º pode me chamar do que quiser, mas, eu imagino que a Riley e voc¨º tem muitas amigas... mas nenhuma estava ali. Scarllet projetou uma frase mas a voz n?o veio, seria como discutir com a verdade, e o que Ichika estava falando era verdade, se Riley tivesse parado naquele ¨²nico soco tudo estaria resolvido, Ela realmente queria a emo??o da briga, ela queria um pouco de sangue. Como ela n?o achava resposta come?ou a chorar. O sil¨ºncio se resumia em uma mulher chorando pela desgra?a que lhe havia acometido e outra com o rosto impass¨ªvel em um sil¨ºncio arrematador, por¨¦m com a mente mais turbulenta que o oceano. - Eu n?o entendo como ela pode fazer isso com voc¨º - Disse Ichika quebrando o sil¨ºncio. - Ela praticamente te fez atravessar a cidade atr¨¢s dela pra simplesmente te ignorar quando voc¨º s¨® queria ajudar. - Voc¨º tem que entender que ela n?o fez por querer... - disse entre solu?os. - Ela estava b¨ºbada Ichika. - Olha eu n?o quero me meter na sua vida mas... - Ela respirou fundo, mas tinha que dizer, queria uma amizade mas, n?o dava pra fazer nascer de uma faca um p¨¦ de rosas, era a verdade - Voc¨º consegue ser mais rid¨ªcula que ela passando pano pra tudo isso. - Quem ¨¦ voc¨º pra me dizer isso? - Disse se sobrepondo a voz de Ichika - Voc¨º est¨¢ aqui por que voc¨º quer estar, eu n?o te obriguei a vir, eu s¨® precisava do celular, muito obrigada se eu n?o pude te agradecer, mas voc¨º se submeteu a vir aqui e apaziguar tudo como uma ju¨ªza, mas eu n?o pedi sua ajuda. - N?o mesmo, e olha, n?o sou ningu¨¦m pra me meter, mas quero deixar claro que por voc¨º, as duas estariam submetidas a ter que enfrentar aquela gangue sozinha. Podem at¨¦ ser estrangeiras, mas perto deles voc¨ºs n?o tem voz nenhuma. - rebateu Ichika. - Voc¨º bateu nela sem d¨® nenhuma! - berrou Scarllet. - Eu n?o queria bater nela! - Gritou Ichika mais alto ainda - Eu n?o bati nela, ela bateu em mim primeiro, se voc¨º pelo menos soubesse o que significa um tapa no rosto durante uma situa??o daquelas voc¨º n?o estaria aqui defendendo ela atoa, porqu¨º ela est¨¢ errada! - Voc¨º quase matou ela. - murmurou novamente Scarllet enquanto abaixava a cabe?a e gotas amea?avam voltar a molhar as pernas quase nuas. - A culpa n?o ¨¦ minha - continuou Ichika diminuindo o tom de voz. - Ela deixou voc¨º sem satisfa??o nenhuma pra se divertir sozinha com as amigas dela, caramba ser¨¢ que voc¨º n?o percebe que est¨¢ aguentando tudo sozinha? - E ¨¦ assim que voc¨º me ajuda? - perguntou levantando a cabe?a enquanto a fitava com os olhos se desmanchando em l¨¢grimas - Eu n?o quero mentir pra voc¨º e dizer que est¨¢ tudo bem - respondeu a olhando nos olhos - Eu n?o sou nada sua ok, mas pra evitar que diga que eu n?o fiz nada por voc¨º eu estou dizendo que fiz, eu tive que apanhar dela pra eles n?o a terem que matar, porqu¨º se ela continuasse naquele r¨ªtimo, ela estaria morta. - Voc¨º realmente se importa pelo o que eu estou passando? - Perguntou Scarllet. - Se eu n?o me importasse eu n?o ficaria aqui, do seu lado. Bateria nela por vingan?a e seguiria em frente - Ichika suspirou - O que eu fiz foi por voc¨º, s¨® que pelos m¨¦todos errados, e mesmo que eu n?o tenha nada contra as duas parece que a Riley continua me odiando do mesmo jeito. - Voc¨º queria fazer com que ela a respeitasse? - Susurrou Scarllet. - Eu n?o procuro respeito por meio da viol¨ºncia, ela procurou uma briga, muito embora eu n?o ache que ela me respeitaria mesmo quase a espancando, o que eu queria era outra coisa - Disse Ichika suspirando. - O que queria ent?o? - Continuou Scarllet dando prosseguimento a linha de pensamento de Ichika Ichika olhou nos olhos de Scarllet, buscando transmitir algo al¨¦m das palavras - Eu queria evitar acidentes - Respondeu a surpreendendo - Voc¨º estava ansiosa demais... eu percebi isso. - Ichika come?ou a fazer luas nas m?os - E se eu n?o tivesse intervindo, ter¨ªamos dois acidentes. - Voc¨º realmente pensou nisso tudo? - Scarllet, at?nita, parou de chorar. N?o compreendia completamente o motivo por tr¨¢s de tudo aquilo, sentindo-se como se o ch?o tivesse sido retirado de seus p¨¦s. Ichika assentiu com seriedade, seu olhar revelando uma profundidade de preocupa??o que talvez Scarllet n?o esperasse. - N?o ¨¦ s¨® sobre mim e ela. ¨¦ sobre voc¨º. - Ela fez uma pausa, permitindo que suas palavras se acomodassem no ar. - Eu n?o queria que algo de ruim acontecesse com voc¨º, e mesmo que nossas intera??es tenham sido, digamos, complicadas, eu n?o suportaria viver com a culpa de n?o ter feito nada. Scallet sentia como se na terra n?o houvesse mais gravidade, ela estava em outra atmosfera, na qual buscava de forma incessante a verdade por tr¨¢s dos atos de Ichika. Ela n?o estava buscando a vingan?a, ela s¨® estava tentando contornar a situa??o que Riley acabara criando e concertando tudo de uma forma mais simples. O sil¨ºncio pairou no ar o sussurro do vendo e o ranger das folhas secas no ch?o absorviam o sil¨ºncio entre as duas. Scarllet o quebrou. - Sim. - Disse sem ter nenhuma rela??o com a resposta dada por Ichika. - Sim o qu¨º? - retrucou Ichika n?o entendendo o porqu¨º do inesperado "sim". - Eu ouvi o que voc¨º disse quando voc¨º estava na frente da minha casa - Aquilo fez com que o cora??o de Ichika palpitasse mais forte, ouvir tudo significaria que possivelmente os sentimentos que ela tinha revelado apenas para as paredes tinha sido ouvido por mais algu¨¦m. - E qual ¨¦ a sua resposta? - calmamente perguntou, embora estivesse prestes a ter um colapso. - Sim ichika... - Ela se virou para a encara-l¨¢ - Eu quero que voc¨º seja minha amiga. - Aquilo era um al¨ªvio. Estava aliviada por ela n?o ter escutado nada anteriormente. - At¨¦ porqu¨º n?o ¨¦ sempre que se encontra algu¨¦m que caminhe de madrugada e que resolva uma situa??o dessas como voc¨º resolveu. - Disse isso enquanto soltava a risada mais sincera. Elas riram por bastante tempo, era rid¨ªculo, pois elas riam como duas b¨ºbadas e soltavam palavras avulsas como se algumas delas fizesse parte da piada. - Voc¨º me deu um banho de ¨¢gua fria como ningu¨¦m! -Voc¨º precisava acordar desse sonho bela adormecida, ou ¨¦ exigir demais? - Perguntou Ichika com um pouco de cautela. - Vou comprar uma coca. - Foi tudo o que disse enquanto se dirigia para a m¨¢quina - Puta merda nem moeda eu tenho! - Isso a fez soltar uma risada sincera, das duas. - Eu pago vai - disse Ichika tirando o celular do bolso - Voc¨º me deve um pix, sabe disso! - Pode ir sonhando - respondeu sarc¨¢stica, enquanto abria a lata - Tem coisa melhor que isso? -disse dando uma boa golada na sua coca cola. Ichika preferiu que seu sorriso fosse preenchido com coca enquanto voltava se sentar no banco mais pr¨®ximo. - Eu vou para casa - Disse ichika depois de um tempo se levantando, olhou a hora pelo celular que estava em sua m?o e o colocou no bolso do moletom - Depois voc¨º passa seu n¨²mero. - Mas voc¨º vai sozinha? - Disse se levantando tamb¨¦m. - ¨¦ longe pra caralho! - Eu sei, mas eu estou caminhando ainda se lembra? - Disse rindo e come?ando a andar. - Vai se fuder! - gritou Scarllet enquanto caminhava em sua dire??o - Eu vou te levar sim, pode ir andando pra l¨¢, minha moto ficou estacionada do outro lado do parque. No fim das contas elas caminharam at¨¦ a moto, risonhas, Ichika agradeceu por estar escuro daquele jeito, seu cora??o estava acelerado e seu rosto parecia arder em chamas, Scarllet entregou subiu na moto e se preparava para dar a partida. - Voc¨º n?o quer que eu dirija? - perguntou mesmo sabendo a resposta que viria. - Voc¨º dirige bem, mas n?o - respondeu fazendo a moto ligar - Vou te mostrar o que posso fazer com a minha beb¨º aqui. Ichika subiu, n?o deu tempo de dizer nada, Scarllet disparou, t?o r¨¢pido quanto ela, mas era um momento diferente, Ichika sentiu a vontade de segurar em sua cintura assim como ela tinha feito, mas algo a impediu, a coes?o talvez. - NEM PERGUNTEI - gritou Scarllet lutando para vencer o zumbido forte do vento e o som do motor - AONDE VOC¨º MORA? Ichika, ainda um pouco absorta, percebeu que estava guiando Scarllet para casa, mas suas mentes pareciam ainda conectadas pelas recentes revela??es. As ruas se desenrolavam sob os pneus da R1, e as m?os de Ichika indicavam os caminhos automaticamente. A proximidade entre elas era not¨¢vel, mas nenhum coment¨¢rio foi feito, pois a tens?o do momento ainda pairava no ar. Enquanto Scarllet empinava a moto habilmente, Ichika, mesmo preocupada, n?o podia deixar de admirar a per¨ªcia da amiga. A rua se tornava cada vez mais familiar, e o trajeto que as levaria ¨¤ casa de Ichika estava se desenhando. Ao chegarem, Ichika desceu primeiro, surpreendida pelo sil¨ºncio da moto que agora estava desligada. A casa estava diante delas, e Ichika come?ou a falar antes de ser interrompida pela s¨²bita a??o de Scarllet, que acionou a buzina de forma exagerada. - YUMAAA - gritava Scarllet. - PARA COM ISSO! - berrou Ichika que tirara a chave da moto a fazendo desligar - Eu tenho a chave de casa. Scarllet se desculpou, e a aten??o de ambas se voltou para as luzes que come?avam a iluminar a resid¨ºncia de Ichika. A porta se abriu, revelando um homem, ainda adornado com um roup?o e os cabelos bagun?ados, com express?o rancorosa, que encarou as duas com desaprova??o. - Ah, n?o - resmungou Ichika, percebendo que seu irm?o mais velho, Yuma, era quem as recebia. As luzes da casa iluminavam o semblante s¨¦rio de Yuma, enquanto ele observava as duas ¨¤ sua frente. -Ichika, s?o 01h30 da madrugada. O que diabos voc¨ºs estavam fazendo? - questionou, cruzando os bra?os. Ichika hesitou por um momento antes de responder, tentando encontrar uma desculpa plaus¨ªvel, mas Scarllet tomou a frente. - Agora eu sei onde voc¨º mora YUMA! - disse descontraindo o clima. - Infelizmente - resmungou revirando os olhos. Algo o fez olhar para tr¨¢s - Keiko, volte j¨¢ pra cama! A garota ainda estava vestida com o pijama quando saiu, e sentindo o frio que estava do lado de fora resmungou. - Meu Deus, que barulheira ¨¦ essa? - disse imitando a pose do irm?o. - OH C¨¦US, YUMA ESSA ¨¦ A SUA IRM? MAIS NOVA? - com um gesto afirmativo da parte de Yuma, ela ficou mais animada ainda - ELA ¨¦ LINDA! - V?o me dizer o que estavam fazendo ou n?o? - retomou a pergunta inicial. -N¨®s meio que nos metemos em um problema e Ichika me ajudou a sair dessa confus?o. Desculpe por chegarmos t?o tarde. - Respondeu Scarllet. Yuma n?o parecia satisfeito com a explica??o, mas antes que pudesse retrucar, Ichika interveio. - Yu, amanh? eu explico tudo. S¨®... por favor, n?o fique mais bravo. Yuma suspirou, aparentemente resignado com a situa??o. Ichika, que estava indo para casa, virou-se ao ouvir a voz de Scarllet,notando que ela estava com um sorriso nunca antes visto por Ichika. Ao pedir para Ichika desbloquear e entregar-lhe o celular, tudo parecia diferente. - Quase que eu me esqueci. - disse Scarllet, pegando o celular de Ichika - Bem, meu celular est¨¢ sem bateria ent?o... Agora que somos amigas precisamos nos falar, aqui est¨¢ o meu n¨²mero. Tenho uma coisa muito importante pra falar amanh?. Ichika olhou como ela tinha salvado seu n¨²mero em seu celular "Letty melhor amiga", Ichika sorriu para o celular um nome bem agrad¨¢vel, sentindo-se surpresa pela atitude de Scarllet. Ainda processando tudo o que havia acontecido, ela guardou seu celular novamente no bolso, agradecendo com um aceno. Scarllet sorriu, acenando de volta enquanto Ichika se dirigia ¨¤ sua casa. Yuma, impaciente, esperava por ela na porta. - Anda Ichika. - repetiu Yuma - E voc¨º, Scarllet, trate de achar sua casa tamb¨¦m! - Bem, n?o vou voltar para casa t?o cedo - Retrucou Scarllet com um tom brincalh?o. - E que baita casa em Yuma! Yuma fez um gesto de agradecimento com a cabe?a, enquanto Ichika se afastava. A conversa entre Scarllet e Yuma continuou por mais alguns instantes, com risadas e coment¨¢rios descontra¨ªdos. Ichika entrou em casa, encarando Yuma com uma express?o preocupada fechava a porta. Ele a olhou s¨¦rio por um momento antes de suspirar. - Quero uma explica??o pra isso Ichika. Vamos ter uma conversa s¨¦ria agora. - disse Yuma finalmente fechando a porta e recolocando o roup?o no lugar - Eu sei, Yuma. - disse ela, j¨¢ imaginando a dif¨ªcil conversa que teria pela frente. Por¨¦m fora interrompida pela irm? que passeava pela sala de estar com um copo de ¨¢gua. - V¨¢ dormir Kei! - ordenou Yuma. - Eu n?o, Chika me tirou o sono, vou ficar aqui, sem fazer nada - disse se jogando no sof¨¢. Ichika ainda abatida resolveu subir, at¨¦ olhar novamente o seu irm?o, depois teve uma brilhante id¨¦ia para contornar tudo aquilo. - Sabe que dia ¨¦ hoje? - Perguntou ela, esperando uma resposta que n?o veio - Vamos gente eu sei que voc¨ºs s?o capazes! - Quarta e dai? - Disse Keiko com voz cansada enquanto mexia incessantemente em seu celular. - Quer dizer que amanh? voc¨º tem aula - Disse Yuma tentando inutilmente a levantar do sof¨¢ - Amanh? ¨¦ quinta, voc¨º n?o pode faltar. - Bem, Kei, eu deixo voc¨º faltar - Disse Ichika se contrapondo ao irm?o. Ele a fitou com raiva e come?ou a tentar faz¨º-la novamente se levantar. - Hoje ¨¦ a noite do cinema! - disse muito feliz, por¨¦m Yuma s¨® arqueou as sobrancelhas e Keiko abafou uma risada - AHHH VAMOS, Yuma eu sei que voc¨º sabe do que eu estou falando. Yuma continuou com a mesma fei??o at¨¦ corrigi-la - Noite do filme - disse com fei??o rancorosa enquanto inutilmente tentava fazer Keiko levantar. - O que era essa noite do filme ou sei l¨¢ o que? - perguntou Keiko ainda resistente as tentativas falhas do irm?o de tir¨¢-la dali. - Bem, era uma quarta feira em que todos aqui assistiam filmes, juntos. -Terminou a frase olhando bem no fundo dos olhos de Yuma. - AHHH, ent?o t¨¢ f¨¢cil, deixa eu abrir a amazon aqui, e vou mostrar um dorama que EU ESTOU A-M-A-N-D-O. - Disse euf¨®rica e procurando o controle da TV. - Nada de Stream - retrucou Yuma, sendo mais r¨¢pido do que Keiko em pegar o controle. - Embora Chika se lembre pouco da Noite do filme, ela sabe a ess¨ºncia que ¨¦! - suspirou antes de retomar a explica??o - A noite do filme, ¨¦ uma noite em que voc¨º pega o aparelho de DVD e escolhe cl¨¢ssicos do cinema pra assistir. - DVD? -repetiu Keiko - Voc¨ºs s?o mais velhos do que eu imaginava. - Sim - Respondeu Ichika quase que nost¨¢lgica - A gente assistiu mais algumas vezes depois que a mam?e se foi, mas era muito legal, eram v¨¢rios filmes. - Bem, pela hora, s¨® vai dar pra assistir tr¨ºs filmes - Disse abrindo a porta - Vamos Ichika! Os dois foram para o por?o, muito embora Ichika apenas o estivesse seguindo. - Nem me lembrava desse por?o - disse Ichika observando ele abrir a porta que levava para l¨¢. - Bem, antes aqui s¨® ficavam as coisas de jardinagem. -Disse entrando e ligando a luz -Depois que o Pai come?ou com aquelas enormes viagens, eu comecei a guardar as coisas que ele jogaria fora. - Tipo? - Perguntou enquanto desviava das teias de aranha e observava as prateleiras a procura do DVD. - Tipo coisas da mam?e que ele jogaria fora se as visse de novo - Yuma suspirou, os olhos fixos nas fotos antigas e nos objetos que guardavam mem¨®rias de uma ¨¦poca mais simples. Yuma procurou nas prateleiras empoeiradas, encontrando finalmente os DVDs e CDs que estavam guardados h¨¢ tempos. Ele puxou um conjunto de tr¨ºs filmes cl¨¢ssicos: "Cidad?o Kane", "Casablanca" e "O Poderoso Chef?o". Ichika, percebendo a melancolia do irm?o, aproximou-se e tocou em uma foto empoeirada.